Domingo 22 .12.

2013 l País l O GLOBO l 13

ALGUMA COISA FORA DA ORDEM

Cidade mineira ganha mar em projeto da prefeitura
Metas de Januária incluem transporte marítimo e projeto ferroviário, apesar de a cidade não contar com trens
JULIANA CASTRO Já estava a ponto para ser avaliada em segundo O prefeito, Manoel Jorge de Castro (PT), diz
juliana.azevedo@oglobo.com.br turno, na semana passada, mas a população fez que trataram o erro como “a expressão maior do
pressão pelo adiamento. plano, e isso é um detalhe”:

L
ocalizada no Norte de Minas Gerais, a A prefeitura atribui o erro a um funcionário — Colocaram mais farinha no ventilador do
cidade de Januária não tem mar, nem que teria copiado um plano de uma outra cida- que se merecia. Foi um erro de redação.
trem. Muito menos faz fronteira com de e de uma portaria da União. O documento Agora, a prefeitura prepara um novo plano,
algum país. Mas o Plano Plurianual de entregue à Câmara tem cerca de mil páginas. O sem os itens que deram o que falar. O prefeito,
Ação Governamental do município, que traça plano do governo federal, por exemplo, tem no entanto, tentou amenizar o erro e disse que o
as metas da prefeitura para os próximos quatro 278. Na cidade, corre a notícia de que o plano transporte por trem é tendência na região. So-
anos, traz pontos sobre transporte marítimo e fala até em exploração de petróleo, o que o se- bre a extração do petróleo, afirmou que há estu-
ferroviário, além da proteção das fronteiras. A cretário municipal de Planejamento, Antônio dos sobre a existência de um campo de gás na-
proposta foi aprovada na Câmara Municipal, Vidal Júnior, nega peremptoriamente: tural na região do Rio São Francisco, onde a ci-
por 13 dos 15 vereadores, em primeiro turno. — Aí, já é invenção. dade está localizada. l

Deputado
denuncia
lobby por
transgênicos
Parlamentar aponta
conflito de interesse em
comissão do governo
EVANDRO ÉBOLI
eboli@bsb.oglobo.com.br

-BRASÍLIA- Um deputado do próprio
PT, Doutor Rosinha (PR), proto-
colou denúncia contra a Comis-
são Técnica Nacional de Biotec-
nologia (CTNBIO), na Comissão
de Ética da Presidência da Repú-
blica e no Ministério Público Fe-
deral. O parlamentar diz que oito
integrantes da comissão, respon-
sável, entre outras missões, pela
liberação de transgênicos, têm
vínculos com esse setor privado
de biotecnologia e incorrem em
conflito de interesse e até na prá-
tica de improbidade administra-
tiva. Rosinha, que preside a Co-
missão de Seguridade Social da
Câmara, quer a saída imediata
desses profissionais da CTNBio.
A comissão tem 27 titulares e
27 suplentes. Dos oito acusa-
dos, quatro são titulares e qua-
tro, suplentes. O deputado ain-
da acusa um assessor técnico
de participar de um lobby pró-
transgênico na CTNBio.
— É inadmissível que partici-
pem desse órgão pessoas vincu-
ladas profissionalmente a em-
presas de biotecnologia, por se-
rem as maiores interessadas nos
julgamentos da CTNBio e na
aprovação de suas propostas de
liberação de produtos e proces-
sos — afirma o parlamentar.
Cada integrante da CTNBio
tem dois anos de mandato. Entre
os acusados está o presidente da
comissão, Flávio Finardi Filho,
em seu terceiro mandato, que
termina em agosto de 2014. Fi-
nardi, segundo o deputado, ela-
borou pareceres encomendados
e favoráveis a liberação de trans-
gênicos. Segundo Rosinha, ele
manteve vínculos com o setor
privado, como a Nestlé e desen-
volveu projeto de pesquisa finan-
ciado por essa empresa. E teria
assinado um documento dirigi-
do à Presidência da República
enaltecendo os benefícios e a im-
portância dos transgênicos, no
início do governo Lula.
A CTNBio, em nota, informou
que tomou conhecimento da re-
presentação do parlamentar pelo
GLOBO. Disse que todos os cita-
dos se comprometeram a se de-
clarar impedidos em casos que
possam caracterizar conflito de
interesse. “Adiantamos que todos
os membros citados da CTNBio
assinam a declaração de conduta
prevista no Art. 11, § 1º, do regi-
mento interno da comissão. As-
sim, se comprometem a declarar
qualquer circunstância pessoal
que caracterize potencial conflito
de interesse, ou que possa ser
percebida como impeditiva para
um parecer isento. Durante as
reuniões, tem sido a prática dos
membros da CTNBio”, afirma a
nota do Ministério de Ciência e
Tecnologia, ao qual a comissão
está vinculada. l