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Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

Por que organizar os elementos em uma tabela?

Quando você vai a uma biblioteca ou a uma loja que vende peças de automóveis ou no almoxarifado de uma empresa e você solicita a pessoa que trabalha no local (a bibliotecária, o atendente ou o almoxarife) um dos objetos (livro, peça ou um material qualquer) estes conseguem localizá-lo rapidamente e lhe dar informações específicas sobre o material solicitado. Como isso é possível? A resposta: todos os objetos estão organizados e classificados em categorias e sub-categorias, definidas por afinidade. Os livros de história estão próximos, as peças de freio estão próximas, etc. Isto torna a localização muito mais fácil.

1. QUAIS AS PRIMEIRAS TENTATIVAS DE CLASSIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS?

Na unidade 1 você já estudou a estrutura básica dos átomos. A partir de agora você começará a estudar que uma série de propriedades físicas e químicas dos elementos se repetem periodicamente. No início do século dezenove muitos químicos já tinham percebido que alguns elementos apresentavam propriedades similares e por isso começaram a organizá-los em grupos. Veja alguns fatos importantes:

Os átomos apresentam duas regiões principais: núcleo e eletrosfera. No núcleo estão os prótons e os nêutrons, na eletrosfera os elétrons.

a) Tríade de Döbereiner:

Em 1817 o cientista alemão Johann Wolfgang Döbereiner notou que quando os elementos são colocados em ordem crescente de suas massas atômicas, obtêm-se grupos de três elementos com propriedades similares. Isto ficou conhecido como as tríades de Döbereiner. A massa atômica do elemento central é aproximadamente a média da massa atômica dos elementos laterais.

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos Por que organizar os elementos em uma

J. W. Döbereiner (1780 – 1849)

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Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

EXEMPLO:

Elemento

Símbolo

Massa atômica (A)

Lítio

Li

7

Sódio

Na

23

Potássio

K

39

massa atômica Na =

2 = 23 7 + 39
2 = 23
7 + 39
Massa atômica do sódio
Massa atômica do sódio

Esta lei foi abandonada, pois:

Vários dos elementos conhecidos não podiam ser organizados em tríades.

Não produzia bons resultados quando um dos elementos laterais tinha massa atômica pequena e, o outro, massa atômica elevada.

Porém, o mérito das tríades foi fazer com que os químicos olhassem para a possibilidade de organizar elementos em grupos.

Aproveite e teste isso para a tríade do Flúor, Cloro e Bromo.
Aproveite e
teste isso para a
tríade do Flúor,
Cloro e Bromo.
Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos EXEMPLO : Elemento Símbolo Massa atômica (A)

J. A. Newlands (1837 – 1898)

b) Lei das oitavas de Newlands:

Em 1864 o químico inglês John Alexander Newlands mostrou que quando os elementos eram colocados em ordem crescente de massas atômicas, as propriedades físicas e químicas do oitavo elemento eram similares à do primeiro elemento. Veja como Newlands organizou os elementos conhecidos:

Você sabe o nome de todos os elementos representados nas oitavas de Newlands? Não? Então pesquise em uma Tabela Periódica! Você tem uma mais a frente, no texto.

Li

Be

B

C

N

O

F

(7)

(9)

(11)

(12)

(14)

(16)

(19)

Na

Mg

Aℓ

Si

P

S

Cℓ

(23)

(24)

(27)

(28)

(31)

(32)

(35,5)

K

Ca

(39)

(40)*

*massas atômicas aproximadas (em unidades de massas atômicas, u).

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Realmente, Li, Na e K possuem propriedades físicas e químicas semelhantes, como por exemplo, todos são metais que reagem com água rapidamente.

Esta lei também foi abandonada, pois:

Não foi válida para elementos com massa maior que a do Ca;

Novos elementos descobertos, como os gases nobres hélio (He), Neônio (Ne) e Argônio (Ar) não podem ser acomodados na tabela.

Novamente, a grande vantagem foi a tentativa de classificar os elementos conhecidos em grupos com propriedades similares.

c) Tabela Periódica de Mendeleev:

Em 1869 o químico russo Dmitrij Ivanovič Mendeleev reuniu e estudou a descrição detalhada (para a época, claro!) das propriedades dos 63 elementos conhecidos. No mesmo ano ele apresentou suas conclusões na Sociedade Química Russa e também as publicou na revista alemã ‘Zeitschrift für chemie, nº 12, pg. 405’. Seu trabalho apresentava oito conclusões, entre as quais destacamos:

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos Realmente, Li, Na e K possuem propriedades

D. I. Mendeleev

(1843-1907)

1. Os elementos, quando arranjados em ordem crescente de suas massas atômicas, exibem uma evidente periodicidade de suas propriedades.

2. Espera-se a descoberta de elementos ainda desconhecidos, entre os quais elementos com propriedades semelhantes a do alumínio e do silício.

Em 1871 ele publicou uma versão melhorada de sua tabela, agrupando os elementos que mostravam propriedades similares na mesma coluna vertical, chamadas de grupos. As linhas horizontais foram chamadas de períodos. Uma adaptação de parte desta tabela está mostrada abaixo.

1

 

H

7

9

11

12

14

16

19

Li

Be

B

C

N

O

F

23

24

27

28

31

32

35,5

Na

Mg

Aℓ

Si

P

S

Cℓ

39

40

?

48

 

K

Ca

Ti

47

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Os elementos de cada grupo possuíam propriedades similares, como o ponto de fusão e a valência. Na sua tabela apareciam alguns vazios, os elementos que ainda faltavam ser descobertos. Mendeleev foi hábil o suficiente para prever as propriedades, como densidade, ponto de fusão e massa atômica, que estes elementos deveriam apresentar. Mendeleev e os demais químicos e cientistas da época acreditavam que as massas atômicas eram a propriedade mais fundamental de um elemento e, portanto capaz de identificá-lo.

Se você tem dúvidas em relação ao significado do termo massa atômica (A), número atômico (Z) retorne a Unidade 1 e reveja os conceitos.

Uma previsão correta foi a do eka-alumínio, (eka poderia ser traduzido como ‘um após’). Este elemento foi descoberto aproximadamente cinco anos após as previsões de Mendeleev e realmente apresentava propriedades muito próximas às previstas por ele. Outros fatos similares a este tornaram a classificação de Mendeleev muito popular e aceita na época.

Mas a organização de Mendeleev também tinha problemas:

1) Por exemplo, seguindo a ordem crescente de massas, o telúrio (Te), que tem massa atômica de aproximadamente 128, se localizaria em um grupo após o iodo (I), que tem massa atômica aproximadamente 127. Nesta disposição, estes elementos pareciam estar em colunas erradas, uma vez que as propriedades do iodo se assemelhavam muito mais com a dos elementos do grupo onde estava o telúrio e vice-versa.

Mendeleev inverteu suas posições, para que os mesmos se situassem em grupos com propriedades semelhantes. Porém com isto, a sua conclusão de que as propriedades dos elementos eram funções periódicas de suas massas atômicas crescentes parecia estar errada.

Mendeleev assumiu então que as massas atômicas destes elementos não tinham sido determinadas corretamente. Mas novas medidas somente confirmaram que as massas iniciais estavam corretas.

Consulte a Tabela periódica e encontre os valores atuais das massas atômicas do Te, I, Co, Ni, Ar e do K.

2) Outra situação aconteceu quando se determinou corretamente as massas atômicas do cobalto (Co), e do Níquel (Ni), ambas com massas de aproximadamente 59. Com a descoberta de novos elementos esta situação se repetiu, como aconteceu quando se descobriu o argônio (Ar) que tinha maior massa que o potássio (K).

Estas inconsistências levaram os cientistas a questionar o uso das massas atômicas como à base da organização dos elementos.

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2. COMO ESTÁ ORGANIZADA A TABELA PERIÓDICA ATUAL?

Todas as inconsistências que começaram a surgir com a descoberta de novos elementos foram resolvidas a partir de 1913. O que tem esta data de importante?

Foi nesta data que o físico inglês Henry Moseley, por meio da análise de espectro de raios – x dos elementos, descobriu que todos os átomos de um mesmo elemento continham a mesma carga nuclear e, portanto, o mesmo número de prótons, que dão o número atômico do elemento. Para um átomo neutro, o número de prótons também indica o número de elétrons ao redor do núcleo.

Rapidamente foi descoberto que as propriedades dos elementos apresentam um padrão uniformemente repetitivo quando eles são organizados em ordem crescente do número atômico e não da massa atômica. Assim a lei periódica atual é:

As propriedades dos elementos são funções periódicas de seus números atômicos.

Assim, os 111 elementos conhecidos estão organizados em ordem crescente dos números atômicos e arranjado em linhas de comprimentos tais que permitem que elementos com propriedades físicas e químicas semelhantes pertençam ao mesmo grupo (coluna), como mostra a figura 1 a seguir, que representa uma Tabela Periódica.

Vamos analisar algumas características desta organização:

1 18 1 H 2 13 14 15 16 17 2 número dos grupos 3 3
1
18
1
H
2
13
14
15
16
17
2
número dos grupos
3
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
4
5
6
7
número dos períodos

Figura 1 - Representação da Tabela Periódica atual

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  • a) Somente o hidrogênio (H) e os elementos à direita da linha em negrito (mais escura) em

forma de escada são não–metais (ametais), todos os demais elementos são metais.

Um metal conduz eletricidade, tem brilho é maleável e

flexível.

Um não – metal não conduz eletricidade não é maleável e

nem flexível.

Maleável : que pode ser martelada até transformar- se em folhas finas. Flexível : que pode
Maleável : que pode ser
martelada até transformar-
se em folhas finas.
Flexível :
que
pode
ser
alongada em fios.
  • b) As colunas verticais da Tabela Periódica são chamadas de grupos ou famílias.

∑ Elas são numeradas em ordem crescente de 1 a 18. ∑ Algumas colunas recebem denominações
Elas são numeradas em ordem crescente de 1 a 18.
Algumas colunas recebem denominações específicas:
Grupo 1: metais alcalinos
Grupo 2: metais alcalinos terrosos
Grupo 16: calcogênios
Grupo 17: halogênios
Grupo 18: gases nobres

O hidrogênio (H) é diferente de todos os outros elementos e atualmente há uma tendência de colocá-lo como um grupo isolado.

O número do grupo está relacionado com o número de elétrons que estão nas camadas de valência dos átomos. Podemos considerar que os elementos dos grupos de 1 a 12 têm, respectivamente 1 a 12 elétrons de valência.

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VEJA ESTE EXEMPLO: Magnésio (Mg) : Nº atômico 12 ( Z = 12)

distribuição eletrônica: camadas:

nº de elétrons na camada:

dois elétrons na camada de valência: grupo 2

veja a representação da distribuição eletrônica do magnésio em camadas
veja a representação da distribuição eletrônica
do magnésio em camadas
M L K
M
L
K

Os elementos dos grupos 13 a 18 têm respectivamente 3 a 8 elétrons de valência.

VEJA ESTE EXEMPLO: Oxigênio (O), nº atômico 8 (Z = 8)

distribuição eletrônica nas camadas:

nº de elétrons nas camada:

seis elétrons na camada de valência : grupo 16

veja a representação da distribuição eletrônica do oxigênio em camadas
veja a representação da distribuição eletrônica
do oxigênio em camadas

Para os grupos de

13

a

o número

18,

de

elétrons

de

valência

é

dado

por :

 

Nº do grupo - 10.

L K
L
K

c) As linhas horizontais são chamadas de períodos e são numeradas de cima para baixo.

O

número do período corresponde

elétrons. Veja:

ao

número de

camadas

ocupadas

pelos

19 K =

1s 2

2s 2

2p 6

3s 2

3p 6

4s 1

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos ∑ VEJA ESTE EXEMPLO : Magnésio (Mg)

K

L

M

N

4 camadas, 4º período
4 camadas, 4º período

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Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

d) Os dois agrupamentos destacados da tabela (indicados pelas linhas pontilhadas), também recebem nomes específicos.

Os

elementos

do

grupo

superior

são

chamados

de

Lantanídeos

 

Os

elementos

do

grupo

inferior

são

chamados

de

Actinídeos.

 

Lantanídeos são os elementos cuja a série começa pelo Lantânio. Actnídeos são os elementos cuja a série começa pelo Actníneo.

e) Todos os elementos que ocorrem após o urânio (transurânicos) são artificiais isto é, não ocorrem na natureza. Quantidades muito pequenas (algumas vezes apenas algumas dezenas de átomos) desses elementos foram produzidas em laboratório.

APLICAÇÃO: A qual período e grupo pertence um elemento com a seguinte configuração eletrônica: K = 2, L = 8, M = 18, = N = 7?

Resposta: Podemos ver que a última camada deste elemento é a N, portanto ele pertence ao 4º período. Na última Camada ele tem um total de sete elétrons, assim pertence ao grupo 17 da tabela periódica. Reunindo estas informações e consultando a tabela periódica, chegamos a conclusão que se trata do elemento Bromo (Br).

3. QUATRO PROPRIEDADES IMPORTANTES DOS ELEMENTOS

Para que se possa utilizar adequadamente a tabela periódica e entender corretamente vários aspectos das características físicas e químicas dos átomos é necessário que você entenda algumas propriedades fundamentais.

Neste tópico iremos definir quatro propriedades periódicas importantes : raio atômico, energia de ionização, afinidade eletrônica e eletronegatividade. Elas são importantes para se entender, por exemplo, ligação química, o próximo tópico a ser estudado. Além disso, várias características do comportamento químico também estão relacionadas a elas.

Observe o esquema a seguir:

Propriedades Físicas e Químicas
Propriedades
Físicas e Químicas
Número Atômico
Número
Atômico
Propriedades Atômicas
Propriedades
Atômicas

Tipos de Ligação e Estrutura

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos d) Os dois agrupamentos destacados da tabela

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Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

3.1 QUAL O TAMANHO DOS ÁTOMOS?

Podemos responder a esta pergunta, assumindo que os átomos são esféricos. Assim, se conhecemos o raio da esfera podemos saber qual o tamanho dos átomos.

Como os átomos não são como esferas rígidas eles não têm limites muito bem definidos. Para resolver isto fazemos uma medida da distância entre dois núcleos de átomos idênticos e dividimos o resultado por dois. Com isto obtemos o raio atômico (r).

Raio atômico: a metade da distância entre os núcleos de dois átomos idênticos e vizinhos.

  • a) Como o raio atômico varia através da tabela periódica?

O raio atômico cresce de cima para baixo nos grupos e da direita para a esquerda nos períodos, conforme mostrado abaixo na figura 2.

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos 3.1 QUAL O TAMANHO DOS ÁTOMOS? Podemos

Figura 2 – Variação do raio atômico na Tabela Periódica

  • b) Por que o raio atômico varia desta forma na tabela?

Nos grupos, o raio atômico aumenta de cima para baixo porque aumenta o número de camadas. Lembre-se, quanto maior o período em que está o elemento, maior o número de camdas que ele contem.

Nos períodos, a medida que o número atômico aumenta, o número de camadas permanece o mesmo, mas a carga nuclear (o número de prótons no núcleo) aumenta, o que faz com que a atração do núcleo sobre os elétrons de todas as camadas aumente. Isto atrai mais intensamente os elétrons e, por isso, o átomo tem um raio menor.

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Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

Veja o esquema representado na Figura 3.

Grupo 1 Lítio: 2;1 Raio diminui através do período Sódio: 2;8;1 Magnésio: Alumínio: Silício: Fósforo Enxofre
Grupo 1
Lítio: 2;1
Raio diminui através do período
Sódio: 2;8;1
Magnésio:
Alumínio:
Silício:
Fósforo
Enxofre
Cloro
Argônio
2;8;2
2;8;3
2;8;4
2;8;5
2;8;6
2;8;7
2;8;8
Potássio: 2;8;8;1
Rubídio: 2;8;18;8;1
Césio: 2;8;18;18;8;1
Frâncio: 2;8;18;32;18;8;1
período
Raio aumenta descendo nos grupos

Figura 3 – Influência do número de camadas e carga nuclear no raio atômico

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Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

Por causa destas características, você pode notar facilmente a variação periódica do raio através do gráfico apresentado na Figura 4. Neste gráfico no eixo horizontal os elementos estão colocados em ordem crescente do número atômico, e no eixo vertical estão colocados os valores dos raios atômicos determinados como mencionado acima.

300 Observação: Fr Cs Rb 250 K p (pico) = 10 -12 Então : Eu r
300
Observação:
Fr
Cs
Rb
250
K
p (pico) = 10 -12
Então :
Eu
r Na = 190.10 -12 m = 190 pm
Yb
Na
200
Am
Li
150
I
100
Br
Cl
50
F
0
20
40
60
80
100
raio atômico (pm)

número atômico (Z)

Figura 4 – Variação periódica do raio atômico

APLICAÇÃO: Em que região da tabela periódica estão localizados os elementos de maior raio atômico? Por quê?

Resposta: No canto inferior esquerdo, próximo ao césio. Porque o raio atômico aumenta ao se descer nos grupos por causa do aumento do número de camadas e aumenta da direita para a esquerda por causa da menor carga nuclear e, portanto da menor atração que sofrem os elétrons da última camada.

3.2 O QUE É ENERGIA DE IONIZAÇÃO?

Você já viu na unidade 1 que os átomos podem perder um ou mais elétrons formando cátions. Para os átomos perderem tais elétrons, é necessário romper a atração entre os elétrons e o núcleo.

Para se medir corretamente o valor desta energia, os elétrons dos átomos não podem estar sob qualquer influência externa ao átomo. Por isto podemos propor a seguinte definição para energia de ionização:

Em alguns livros você pode encontrar o termo Potencial de Ionização.
Em
alguns
livros
você
pode encontrar
o
termo
Potencial
de
Ionização.

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Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

Energia de Ionização: é a energia mínima necessária para retirar o elétron mais fracamente ligado de um átomo isolado e no estado gasoso.

Por exemplo, se você tiver um mol de átomos de alumínio (6,02—10 23 átomos de alumínio) no estado gasoso (g) você precisará fornecer 577 kJ de energia para retirar o elétron mais fracamente ligado de cada átomo.

Lembre-se: 1 mol

corresponde 6,02x10 23 unidades,

a

da mesma

forma

que corresponde a doze unidades.

1

dúzia

1 mol A(g)

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos Energia de Ionização: é a energia mínima

+

577 kJ

1 mol A+

(g)

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos Energia de Ionização: é a energia mínima
+ 1 mol e
+
1 mol e

Cada átomo

Energia

 

Cada

íon

Um

elétron

neutro tem 13

absorvida

 

positivo

retirado

de

prótons e 13

por

1

mol

(cátion) tem

cada

átomo

elétrons

de átomos

13

prótons e

fazendo

um

 

12

elétrons

total

e

um

 

mol

de

elétrons

É claro que também existem nêutrons nos átomos
É
claro
que
também existem
nêutrons
nos
átomos

Quanto mais afastado do núcleo, mas fracamente os elétrons estão ligados, por isso o elétron retirado está sempre na última camada.

a) Como a energia de ionização varia na Tabela Periódica?

A energia de ionização cresce de baixo para cima nos grupos e da esquerda para a direita nos períodos, como mostrado na Figura 5.

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos Energia de Ionização: é a energia mínima

Figura 5 – Variação da Energia de Ionização na Tabela Periódica

56

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

b) Por que a energia de ionização varia desta forma?

Antes de responder diretamente esta pergunta, compare as figuras 2 e 5. Note que as tendências são opostas! Sim, raio e energia de ionização variam de maneira oposta. Por quê? Como já mencionamos: ´Quanto mais afastado do núcleo, mas fracamente os elétrons estão ligados, por isso o elétron retirado está sempre na última camada.`

Nos grupos o raio diminui de baixo para cima, assim os elétrons estão mais próximos do núcleo e por isto são atraídos com maior intensidade. Desta forma é necessário mais energia para romper a atração e a energia de ionização aumenta de baixo para cima!

Nos períodos, o raio diminui da esquerda para a direita, assim os elétrons estão mais próximos ao núcleo como já mencionado. Por isto, a energia de ionização cresce da esquerda para a direita!

A Figura 6 mostra um gráfico evidenciando a periodicidade. Novamente no eixo horizontal estão colocados os elementos em ordem crescente de número atômico e no eixo vertical os valores das energias de ionização.

2500 He Ne 2000 Ar 1500 Kr Xe H Rn 1000 500 Li Na K Rb
2500
He
Ne
2000
Ar
1500
Kr
Xe
H
Rn
1000
500
Li
Na
K
Rb
Cs
Fr
0
0
20
40
60
80
100
Energia de Ionização (kJ/mol)

Número atômico (Z)

Figura 6 – Variação periódica da Energia de Ionização

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Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

OBSERVAÇÃO: Sempre que se retira um elétron de um átomo o núcleo atrai os demais elétrons com maior intensidade, por isto o cátion tem um raio sempre menor que o do correspondente átomo neutro.

Exemplo:

RAIO ÁTOMO NEUTRO

K

R = 2,35 Å
R = 2,35 Å
Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos OBSERVAÇÃO : Sempre que se retira um

r = 1,60 Å

RAIO CÁTION K +
RAIO CÁTION
K +

APLICAÇÃO: Em que região da tabela periódica estão localizados os elementos de maior potencial de ionização?

Resposta: No canto superior direito, próximos ao flúor. Isto se dá porque quanto menor o raio atômico, mais fortemente o elétron está atraído pelo núcleo e mais difícil de se retirá- lo.

3.3 COMO PODEMOS DEFINIR AFINIDADE ELETRÔNICA?

Na unidade 1 já foi mencionado que átomos podem receber elétrons e formar ânions. Uma forma de quantificar a tendência de um átomo receber elétrons é através da medida da energia envolvida quando um átomo recebe um elétron.

Afinidade Eletrônica: é a troca de energia quando um átomo isolado na fase gasosa recebe um elétron.

ATENÇÃO:

Compare esta definição com a definição de energia de ionização. Na energia de ionização

diz-se que « ...

energia

mínima necessária

..

», implicando que sempre é necessário fornecer

energia para retirar o elétron. Na afinidade eletrônica emprega-se « ...

troca

...

» de energia.

O que isto significa? Vamos responder isto com dois exemplos.

58

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

EXEMPLOS:

1º) Vamos analisar uma equação que indica o que acontece quando um mol de átomos de flúor (F) isolados e no estado gasoso recebem um mol de elétrons (1 elétron para cada átomo de flúor):

1 mol F (g) +
1 mol F (g)
+

Cada átomo neutro tem 9 prótons e 9 elétrons

1 mol e 1 mol F (g) + 328 kJ Cada íon negativo contem 9 Energia
1 mol e
1 mol F (g)
+
328 kJ
Cada
íon
negativo
contem
9
Energia liberada quando 1
mol de elétrons é adicionado
a um mol de átomos de flúor
( 1 elétron para cada átomo).
prótons
e

10 elétrons

Esta equação está indicando que estão sendo liberados para o ambiente 328 kJ de energia quando se adiciona 1 mol elétrons em 1 mol de átomos de flúor.

2º) Analisemos a equação dada a seguir, para a adição de 1 mol de elétrons para 1 mol de átomos de nitrogênio:

1 mol N (g)

+

1 mol e

+

6,75 kJ

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos EXEMPLOS : 1º) Vamos analisar uma equação
1 mol N (g)
1 mol N
(g)

Cada

átomo

Energia necessária

 

Cada ânion

neutro contém 7

para

adicionar

1

contem 7

prótons e

7

elétron

para

cada

prótons e 8

elétrons

(além,

átomo neutro

 

elétrons

obviamente

de

 

nêutrons)

Esta equação indica que são necessários 6,75 kJ de energia para se adicionar 1 mol de elétrons a um mol de átomos de nitrogênio isolados e no estado gasoso (1 elétron para cada átomo).

59

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

Agora sim, entendemos porque na definição de afinidade eletrônica usamos o termo

« ...

troca

...

» de energia. Alguns átomos liberam energia quando recebem elétrons. Outros

átomos precisam absorver energia para isto.

É comum dizermos que átomos apresentam elevada afinidade eletrônica quando liberam valores relativamente altos de energia. Já átomos que liberam pouca energia ou precisam absorvê-la para receberem elétrons são ditos de baixa afinidade eletrônica.

a) Como a afinidade eletrônica varia através da tabela periódica?

A afinidade eletrônica aumenta da esquerda para a direita ao longo dos períodos e de baixo para cima nos grupos, como representado na figura 7.

Costuma-se não incluir nesta tendência os gases nobres (elementos do grupo 18, localizado na coluna em destaque à direita), pois eles demonstram afinidade eletrônica muito baixa, isto é, precisam absorver muita energia para receber 1 elétron.

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos Agora sim, entendemos porque na definição de

Figura 7 – Variação da afinidade eletrônica ao longo da tabela periódica

b) Por que a afinidade eletrônica varia desta forma?

Porque o elétron adicionado entra na última camada. Quando mais próxima do núcleo estiver a última camada, maior será a atração e por isto maior a afinidade eletrônica. Portanto, de forma geral, quando menor o raio atômico maior a afinidade eletrônica.

60

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

OBSERVAÇÃO: Sempre que se adiciona um elétron de um átomo o núcleo todos os elétrons com menor intensidade, por isto o ânion tem um raio sempre maior que o do correspondente átomo neutro.

Exemplo :

r = 1,67 Å RAIO ÂNION Cℓ
r = 1,67 Å
RAIO ÂNION
Cℓ
Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos OBSERVAÇÃO : Sempre que se adiciona um

R = 0,99 Å

RAIO ÁTOMO NEUTRO C

APLICAÇÃO: Em que região da tabela estão localizados os elementos de maior afinidade eletrônica Por quê?

Resposta: Estão localizados no canto superior direito, próximos do flúor. É que nesta região estão os elementos de menor raio e a afinidade eletrônica aumenta conforme o raio diminui, pois os elétrons adicionados entram em camadas que sofrem uma maior atração da carga nuclear.

3.4 COMO PODEMOS DEFINIR ELETRONEGATIVIDADE?

Diferente do que acontece com as outras propriedades periódicas, existem várias definições de eletronegatividade. Porém nós iremos estudar a primeira e mais popular de todas: a eletronegatividade definida por Linus Pauling.

A definição de eletronegatividade dada por Pauling pode ser enunciada como:

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos OBSERVAÇÃO : Sempre que se adiciona um

Linus Pauling

1901-1994

Eletronegatividade: é a tendência de um átomo de um elemento atrair elétrons para si quando ele faz parte de um composto.

Note que nesta propriedade, diferente do que acontece com energia de ionização e afinidade eletrônica, o átomo em questão não está isolado, e sim fazendo ligação química com outros átomos.

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Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

a) Por que Pauling definiu eletronegatividade desta forma?

Porque Pauling propôs sua definição de eletronegatividade quando estudava a energia necessária para romper ligações químicas entre átomos. Para explicar suas observações ele propôs que os átomos não compartilhavam os elétrons de forma igualitária, criando o conceito de eletronegatividade explicitado acima.

Pelo mesmo motivo, os valores de eletronegatividade de Pauling não são absolutos e sim relativos à atração que cada átomo exerce sobre os elétrons. Em função disto, foi necessário se estabelecer um valor de referência, a partir do qual todos os demais valores serão expressos. Alguns livros atribuem valor 4,0 para o átomo de flúor, e a eletronegatividade dos demais são relativas a este valor. Alguns outros livros dão como referência o H, com eletronegatividade de 2,20.

Os dois valores produzem escalas muito próximas. Por exemplo, assumindo que o H tem eletronegatividade de 2,20, a do flúor (F) é de 3,98. Tomando como referência o flúor com valor de 4,00 o hidrogênio teria eletronegatividade de 2,10.

Pelo mesmo motivo, os elementos do grupo 18 (gases nobres) não são incluídos normalmente na escala de eletronegatividade de Pauling. São conhecidos compostos estáveis somente com xenônio. Se a maioria dos gases nobre não forma compostos não é possível medir a atração destes átomos sobre os elétrons!

b) Como a eletronegatividade varia através da tabela periódica?

Ela cresce da esquerda para a direita nos períodos e de baixo para cima nos grupos, como mostrado na Figura 8.

Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos a) Por que Pauling definiu eletronegatividade desta

Figura 8 – Variação da eletronegatividade através da tabela periódica.

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Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

c) Por que a eletronegatividade varia desta forma?

Porque átomos com maior capacidade de atrair os elétrons são os que têm maior afinidade eletrônica, menor raio e a maior energia de ionização.

A variação periódica da eletronegatividade pode ser observada a partir do gráfico da figura 9.

F 4.0 3.5 Cl Br 3.0 I At 2.5 H 2.0 1.5 Cm 1.0 Li Na
F
4.0
3.5
Cl
Br
3.0
I
At
2.5
H
2.0
1.5
Cm
1.0
Li
Na
K
Rb
Cs
0.5
Fr
0
20
40
60
80
100
Eletronegatividade de Pauling

Número atômico

Figura 9 – Variação periódica da eletronegatividade

APLICAÇÃO: Em que região da tabela periódica estão localizados os elementos de maior eletronegatividade? Por quê?

Resposta: Estão localizados no canto superior direito, próximos ao flúor, pois é nesta área onde estão dispostos os elementos com o menor raio atômico e os maiores valores de afinidade eletrônica e energia de ionização.

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Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

EXERCÍCIOS:

  • 1. (UFPA -2004) Em relação à tabela periódica atual é correto afirmar que:

    • (A) Cada linha horizontal corresponde a uma família e cada linha vertical corresponde a um período.

    • (B) Em sua forma compacta, a tabela apresenta 18 grupos que podem ser numerados de 1 a 18, da esquerda para a direita.

    • (C) Fe, Co e Ni são classificados como elementos representativos por localizarem-se no quarto período da tabela.

    • (D) Os elementos de maior energia de ionização localizam-se no canto inferior esquerdo da tabela.

    • (E) O gás cloro, Cℓ 2 , é constituído por átomos pertencentes à família dos gases nobres.

      • 2. (UFSC) Cada elemento químico tem associado ao seu nome o símbolo que o representa.

Escolha a(s) opção(ões) que associa(m) corretamente o(s) nome(s) e símbolo(s)

  • 01. S = enxofre,

F = flúor

  • 02. Ag = prata,

O = oxigênio

  • 03. Pb = chumbo,

Po = potássio

  • 04. C = carbono,

Au = ouro

  • 05. N = nitrogênio,

H = hélio

  • 06. Fe = ferro,

Na = sódio

  • 07. Hg = mercúrio,

P = polônio

  • 3. Em relação ao ferro e oxigênio podemos afirmar que pertencem, respectivamente, aos

grupos dos:

  • (A) metais de transição interna e halogênios

  • (B) metais alcalinos terrosos e calcogênios

  • (C) metais de transição e gases nobres

  • (D) metais de transição e calcogênios

  • (E) metais alcalinos e halogênios.

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Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

  • 4. (FAFI-MG) A propriedade periódica que apresenta a variação mostrada abaixo é:

(A) eletronegatividade (B) raio atômico (C) densidade (D) volume atômico (E) massa atômica aumenta
(A)
eletronegatividade
(B)
raio atômico
(C)
densidade
(D)
volume atômico
(E)
massa atômica
aumenta
  • 5. (ITA-SP) Em relação ao tamanho dos átomos e íons são feitas as afirmações seguintes:

I) O Cℓ - (g) é menor do que o Cℓ (g) . II) O Na 1+ (g) é menor do que o Na (g) . III) O Ca 2+ (g) é maior do que o Mg 2+ (g) IV) O Cℓ (g) é maior do que o Br (g) .

Das afirmações anteriores estão corretas apenas:

  • (A) II

  • (B) I e II

  • (C) II e III

  • (D) I, III e IV

  • (E) II, III e IV

    • 6. (UCSal-BA) Na transformação Na (g) + E Na 1+ (g) + e - , E representa:

      • (A) eletroafinidade

      • (B) calor de solvatação

      • (C) calor latente de vaporização

      • (D) energia reticular

      • (E) energia de ionização

        • 7. (VUNESP-SP) A energia liberada quando um elétron é adicionado a um átomo neutro

gasoso é chamada de:

  • (A) entalpia de formação

  • (B) afinidade eletrônica

  • (C) eletronegatividade

  • (D) energia de ionização

  • (E) energia de ligação

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Módulo I – Unidade 2: Classificação periódica dos elementos

8. Na Tabela periódica, os grupos que apresentam os elementos com a menor eletronegatividade de Pauling (os mais eletropositivos) são os:

  • (A) Gases nobres

  • (B) Halogênios

  • (C) Calcogênios

  • (D) Metais alcalinos terrosos

  • (E) Metais alcalinos

RESPOSTAS:

  • 1 – B

  • 2 – 1, 2, 4, 6

  • 3 – D

  • 4 – B

  • 5 – C

  • 6 – E

  • 7 – B

  • 8 – E

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