You are on page 1of 192

Materiais

Elétricos
Engenharia de Controle e Automação

Prof. Paulo Arce

ÍNDICE
1. Materiais Condutores……………………………..3

2. Materiais Semicondutores………………………72

3. Materiais Isolantes………………………………128

4. Materiais Magnéticos………………………….169

Prof. Paulo Arce - Materiais Elétricos 2

Materiais Condutores

Teoria sobre os Materiais
Condutores

Prof. Paulo Arce - Materiais Elétricos 3

segurança.  O estudo dos Materiais Elétricos permite selecionar esses materiais visando:  Aumento da confiabilidade.  Efeito das mudanças de condições além dos limites normais. Paulo Arce . alto custo. disponibilidade.  Listagem de todos os materiais possíveis  Eliminação dos materiais de propriedades inadequadas.Materiais Elétricos 4 . etc Prof.  Redução de custos de fabricação.  Redução do custos de manutenção  A seleção de Materiais Elétricos se dá conforme:  Conhecimento do material e as condições a que estará sujeito. INTRODUÇÃO  A indústria de elétrica e eletrônicos sempre teve uma grande necessidade de buscar novos materiais com melhores características e de fácil utilização. tais como fratura.  Propriedades consistentes com as condições de serviço. corrosão.

Estanho.  Materiais Dielétricos ou Isolantes: São materiais capazes de prover a separação entre diferentes elementos condutores apresentando grande oposição a passagem de corrente elétrica em seu interior. Exemplos: Alumínio.Materiais Elétricos 5 . Bronze. Exemplos: Aço Silício. PVC. Silício. Alnico e Ferrite de Bário. Exemplos: Germânio.  Materiais Magnéticos: São materiais que interagem com campos magnéticos. Porcelana. Prof.  Materiais Semicondutores: São materiais que possuem condutividade intermediária entre a dos condutores e isolantes. Cobre. Exemplos: Borracha. Papel etc. INTRODUÇÃO  Materiais Elétricos são divididos em:  Materiais Condutores: São materiais que deixam a corrente elétrica circular livremente por seu interior. Paulo Arce . etc.

Materiais Elétricos 6 . Paulo Arce .1. Análise Geral dos Metais Prof.

Paulo Arce . 1.Materiais Elétricos 7 . i) Formam Ligas Metálicas: Devido à capacidade de se ligarem entre si. Análise Geral dos Metais 1. Ligas Metálicas são importantes em aplicações elétricas. Características h) Transformam-se em derivados metálicos: • Presença de Oxigênio → Óxidos • Presença de Sais → Ácidos • Derivados metálicos são menos condutores que os os metais originais. Prof.

Paulo Arce . Análise Geral dos Metais Prof.1.Materiais Elétricos 8 .

Platina. Obtenção do Cobre • O cobre tem ampla utilização em aplicações elétricas • Elevada condutividade elétrica • Baixo custo comparado a outros metais de alta condutividade • Equipamentos que utilizam cobre tornam-se mais compactos • Resistência Mecânica e Durabilidade • Ex: Instalações Elétricas (fios. • Na natureza encontra-se em estado puro os metais nobres: Ouro. 2. cabos). • Minérios são ligações de metais com outros elementos: oxigênio.. enxofre. Cobre. 1. Prof. Obtenção • Matérias-primas para obtenção de metais são os minérios. • Estudaremos a obtenção dos metais mais utilizados em aplicações elétricas. etc. ácidos. Condutores de Motores.Materiais Elétricos 9 . Paulo Arce . Cabos Subterrâneos. sais. Prata.

Paulo Arce . Obtenção Prof.2.Materiais Elétricos 10 .

9%) Eletrólito = Solução aquosa de Sulfato de Cobre Prof. 2. Obtenção Cobre com baixo grau de Cobre com alto grau de pureza (94 – 97%) pureza (99. Paulo Arce .Materiais Elétricos 11 .

• Purificação eletrolítica.. Obtenção de Chumbo. • Podem ser obtidos por processos de aquecimento. o processo deve ser feito em fornos fechados. Terminais elétricos (ligas de zinco). Zinco e Níquel • São encontrados na forma de sulfatos (PbS e ZnS). Eletrodomésticos. O níquel é encontrado em minerais associados ao Ferro. Baterias (Níquel). • No caso do Zinco. • Exemplos de aplicação elétrica: Fusíveis (Chumbo). 2. pois à temperatura de ustulação.Materiais Elétricos 12 . Prof.. o zinco se encontra no estado de vapor. Paulo Arce . Obtenção 2.

Materiais Elétricos 13 . Obtenção Prof.2. Paulo Arce .

Materiais Elétricos 14 . Obtenção Prof.2. Paulo Arce .

Sólidos amorfos ou não-cristalinos: Em geral. A célula unitária apresenta a descrição completa da estrutura como um todo. Constituição dos Metais Puros Os metais puros apresentam a característica de possuir estrutura cristalina. Definição de Cristal: Sólidos cristalinos: Uma substância pode ser considerada cristalina quando os átomos (ou moléculas) que a constitui estão dispostos segundo uma rede tridimensional bem definida e que é repetida por milhões de vezes. não apresentam regularidade na distribuição dos átomos e podem ser considerados como líquidos extremamente viscosos. Sistemas Cristalinos: Para avaliarmos o grau de repetição de um estrutura cristalina é necessário definir qual a unidade estrutural que está sendo repetida. Prof. que é chamada de célula unitária. (Ordem de longo alcance).Materiais Elétricos 15 . Paulo Arce . piche. Exemplos: Todos os metais. 3. Exemplos: Vidro.

3. Paulo Arce . Constituição dos Metais Puros A célula unitária é suficiente para descrever a estrutura como um todo Prof.Materiais Elétricos 16 .

3. Portanto existe uma “probabilidade” de que o átomo esteja na posição indicada.Materiais Elétricos 17 . Possuem na verdade um movimento vibratório. Ao conjunto das forças que mantêm a estrutura cristalina. Este movimento se deve a forças de atração e repulsão existentes entre os átomos. Os átomos vibram em torno da posição representada. Constituição dos Metais Puros O arranjo mais estável dos átomos em um cristal é aquele que minimiza a energia livre por unidade de volume e agrupa os átomos da forma mais compacta possível. dá-se o nome de coesão. Paulo Arce . Os átomos não se encontram parados dentro da estrutura. Estruturas Cristalinas Tridimensionais Prof.

Materiais Elétricos 18 . Paulo Arce . Constituição dos Metais Puros Probabilidade de se encontrar o átomo em função da distância – W(r) Cristais: Maior probabilidade de encontrar o átomo próximo da posição representada (r=1) Prof. 3.

Constituição dos Metais Puros Tipos de Sistemas Cristalinos São todas as formas de células unitárias possíveis que podem ser e preencher totalmente o espaço tridimensional. Paulo Arce .Materiais Elétricos 19 . 3. Prof.

Materiais Elétricos 20 . Paulo Arce . Constituição dos Metais Puros Tipos de Sistemas Cristalinos Os sistemas cristalinos podem apresentar um átomo central Prof. 3.

apresentam ponto de fusão mais elevado. Paulo Arce . que possuem maior coesão. a vibração do sistema cristalino tem sua amplitude diminuída. Ponto de Fusão Prof.  Por este motivo os metais mais duros. Este constitui o ponto de fusão do metal. a amplitude da vibração aumenta. passando o metal ao estado líquido.  Conforme se aumenta a temperatura. até o ponto em que a coesão da estrutura é rompida. 3.Materiais Elétricos 21 . Nesse ponto a energia cinética da vibração supera a energia de coesão. Constituição dos Metais Puros Tipos de Sistemas Cristalinos  Conforme se diminui a temperatura.

 Responsável pela formação de ligas metálicas. o qual fica em movimento aleatório dentro da estrutura cristalina.  A teoria do mar de elétrons explica a alta condutibilidade elétrica e térmica dos metais. dão origem à corrente elétrica (movimento ordenado dos e-) Prof. Assim o metal pode ser considerado como um conjunto de átomos neutros e cátions imerso em um “mar de elétrons”.Materiais Elétricos 22 . 3. Constituição dos Metais Puros Ligações Metálicas  Correspondem à ligação entre dois metais e entre alguns metais e não-metais.  Metais são eletropositivos (doam elétrons facilmente)  Teoria do Mar de elétrons: os átomos perdem o elétron de valência (se torna um cátion). Paulo Arce . quando têm seu movimento aleatório ordenado por uma ddp. Os elétrons livres.

Constituição dos Metais Puros 2.  No ciclo inverso. Nesse patamar. Paulo Arce . dá-se o nome de resfriamento. 3.Materiais Elétricos 23 . a temperatura se mantêm por um certo tempo.  Alguns elementos como o Ferro e o Estanho mudam sua forma cristalina conforme varia sua temperatura. onde o metal está em processo de fusão.  São variações isotérmicas. Curvas de Resfriamento  Durante a fusão o metal recebe uma determinada quantidade de calor até atingir um patamar. em que o metal começa líquido e tem sua temperatura abaixada até a solidificação. Prof. no qual o metal recebe energia sem variar sua temperatura.

 Quando o ferro – alfa atinge 768℃. para ferro – gama e finalmente para ferro – alfa. 3. Paulo Arce . Curvas de Resfriamento Ferro α = ferromagnético Ferro γ = Não ferromagnético  O ferro conforme é resfriado parra de ferro – delta.  Com estas mudanças sua estrutura cristalina passa de cúbico.Materiais Elétricos 24 . mas com distância maior entre os átomos. Prof. para cúbico com átomo central e finalmente cúbico novamente. ele se torna ferromagnético (temperatura de Curie). Constituição dos Metais Puros 2.

Isto vai formando o sistema cristalino.  Este processo nem sempre é perfeito. Nesse ponto se formam os gérmens cristalinos. gerando defeitos que influenciam nas propriedades elétricas do metal.  Quanto maior a velocidade de resfriamento.  Caso seja adequado para determinada utilização. 3. Paulo Arce . laminação). Prof. Constituição dos Metais Puros 2.  Durante a fusão chega um ponto em que os átomos assumem sua distância definitiva em relação aos outros átomos. maior o número de gérmens formados e mais fina a estrutura cristalina. Curvas de Resfriamento  Formação e Crescimento dos Cristais  Os cristais se formam no resfriamento de um metal em fusão. o processo pode ser revertido por aquecimento.  O processo de resfriamento influencia no processo de formação dos gérmens cristalinos.  Esta é uma característica desejada do ponto de vista elétrico (condutividade) e mecânico (maleabilidade.Materiais Elétricos 25 .

3.50 Prof.  Esta propriedade pode levar à necessidade de escolher o ângulo mais adequado de aplicação de esforços do metal em determinado uso elétrico ou mecânico.46 Na diagonal de 2.01 Superfícies Na diagonal Interna 3. Constituição dos Metais Puros 3. Paulo Arce .Materiais Elétricos 26 . Anisotropia Cristalina  Um cristal é anisotrópico quando suas características elétricas e mecânicas variam de acordo com o eixo cristalino em que são medidas.  Exemplo: Cobre (sistema cristalino cúbico de elemento central). Valores de Resistência à Tração em função da posição cristalina para o Cobre Posição Cristalina Resistência (N/mm2) Na aresta 1.

Processo de Solidificação de Ligas Duplas  Ligas são materiais que contêm dois ou mais metais em sua composição. 5.  Mantêm as propriedades metálicas. mudança no ponto de fusão…  Mais adiante veremos aplicações de diversas ligas metálicas. Quanto maior a velocidade de resfriamento maior a possibilidade de formação de bolhas e poros. Prof. ou um metal e um não-metal. para determinada aplicação  Aumento da resistência mecânica.Materiais Elétricos 27 . Constituição dos Metais Puros 4. Paulo Arce . nitrogênio. podendo formar bolhas e poros que podem até inutilizar uma peça. Principais Defeitos na solidificação  Bolhas e Poros Metais em fusão absorvem grande quantidade de gás (oxigênio. 3.  São utilizadas para modificar alguma característica de um metal. gás carbônico).

3. Prof. Para evitá-las. As impurezas influenciam nas propriedades elétricas dos metais e ligas.Materiais Elétricos 28 .  Impurezas No processo de produção das ligas ou de obtenção dos metais podem sobrar impurezas (às vezes provenientes dos próprios minérios do metal – sulfetos. deve-se processar em ambientes controlados. óxidos). Principais Defeitos na solidificação  Fissuras Devido à presença de materiais que não se combinam com os metais. livre de impurezas. pode haver surgimento de fissuras internas ou externas. Paulo Arce . A velocidade de resfriamento também influencia no aparecimento de fissuras. Constituição dos Metais Puros 5.

Transformação a Frio e a Quente  O metal pode sofrer dois tipos de deformação  Elástica: o corpo reassume suas condições iniciais quando cessam os esforços de deformação  Plástica: A deformação permanece depois que cessam os esforços de deformação.Materiais Elétricos 29 . Constituição dos Metais Puros 6. dependendo da dureza do metal. flexão. sob ação de forças de compressão. etc podem sofrer estas deformações. da sua oxidação a quente.  Coeficiente de deformação: ??????õ?? ??????? − ??????õ?? ?????? ?= ??????õ?? ????????  Os metais. 3. do custo desejado e do resultado que se quer obter. Paulo Arce .  Estes processos podem ser realizados a frio ou a quente.  Exemplo: cobre Prof. tração.

Portanto dependendo do objetivo desejado. aplica-se inicialmente o processo de deformação a quente para transformá-lo em um fio. um ganho nas propriedades mecânicas.Materiais Elétricos 30 . A quente. Após o processo a frio. e o óxido formado é mau condutor. usa-se o processo a frio ou a quente. De forma geral. pois assim ele é mais mole. Constituição dos Metais Puros 6. Transformação a Frio e a Quente  Exemplo: cobre Tomando um lingote de cobre. 3. representa uma perda nas propriedades elétricas. para recristalizar o metal. o cobre oxida rapidamente. Prof. Paulo Arce . o Cobre se encontra endurecido (encruado). Então faz-se um último processo a quente de recozimento. Portanto o óxido é removido e posteriormente segue-se com o processo a frio.

Classificação Geral dos Materiais Elétricos Os materiais utilizados em eletricidade são basicamente classificados sob dois pontos de vista:  Elétrico • Condutores: Bons condutores de corrente elétrica • Semicondutores: Condutividade depende da temperatura • Isolantes: Maus condutores de corrente elétrica OBS: Não existem condutores perfeitos nem isolantes perfeitos.Materiais Elétricos 31 . Características dos Metais 1.  Magnético • Ferromagnéticos: Capacidade de um metal de se constituir em ímã. 4. Paulo Arce . Todo material tem suas limitações de aplicação. Prof. A classificação se dá em base a critérios relativos entre os materiais. • Diamagnéticos e Paramagnéticos: apresentam magnetismo mais fraco e atração ou repulsão na presença de um campo magnético forte.

Paulo Arce . ??2 /? 12 24 ??2 • Isolantes: 10 a 10 Ω .Materiais Elétricos 32 . ? A diferença no comportamento condutor se dá principalmente pelas diferenças estruturais dos materiais (no caso dos metais. “mar de elétrons”) Prof. ??2 /? • Semicondutores: 10 a 1012 Ω . 4. Materiais sob o ponto de vista elétrico Classificação Geral Baseado no valor da resistividade transversal (ρ). os materiais se classificam em: • Condutores: 10−2 a 10 Ω . Características dos Metais 2.

4. Cobalto e Tungstênio  Estruturas Cristalinas: Alcalinos (Cúbica Elemento Central) Nobres (Cúbico de Face Central) Demais (Transitam entre ambas as formas) Prof. Níquel. em condições favoráveis. destaque para os metais. Cáclio e Bário  Transição: Ferro.  Classificação dos Metais  Alcalinos: Lítio. Sódio. Platina  Bivalentes: Berílio.  Sólidos: Condutores Metálicos  Líquidos: Eletrólitos  Gasos: Se ionizam na presença de campos elétricos muito intensos (Ex: Arco elétrico). líquidos e gases. A estrutura dos Materiais Condutores  Circulação de corrente se dá em sólidos. Ouro. Características dos Metais 3.Materiais Elétricos 33 .  Na prática a maioria dos condutores são sólidos. Potássio  Nobres: Cobre. Prata. Paulo Arce . Estrôncio.

que se faz notar pelo aquecimento do corpo.criando uma f. Esta determinação pode ser importante para fabricação de dispositivos. Essa transformação de energia se denomina Lei de Joule-Lenz.  Nesse movimento. ?2 Onde: ? quantidade de energia transmitida pela nuvem de elétrons por unidade de tempo.Materiais Elétricos 34 . os elétrons se chocam com os íons. ? = ? .e.  Efeito Hall: ocorre quando um condutor é colocado em um campo magnético transversal. Características dos Metais 3. o corpo cristalino possui uma cadeia cristalina iônica. Paulo Arce . Prof. E campo elétrico aplicado. ? condutividade elétrica. também transversal. 4. A medição dessa fem permite determinar a o sinal da carga e a quantidade de portadores. envolvida por um “mar de elétrons”.  A corrente elétrica consiste no deslocamento desses elétrons por ação de um fator externo (Ex: ddp). A estrutura dos Materiais Condutores  A Condutividade Metálica  Pela teoria eletrônica clássica. perdendo energia de deslocamento.m.

Materiais Elétricos 35 .  Anisotropia  Defeitos na solidificação  Transformação a Frio e a Quente  Classificação geral dos materiais elétricos  Condutividade metálica e efeito Hall Prof. 4.  Curvas de resfriamento e formação de cristais. Paulo Arce . Resumo  Análise geral das características dos metais (características físicas) e classificação  Obtenção dos principais metais condutores utilizados em eletricidade. definição das ligações metálicas.  Análise da composição dos metais (definição da estrutura cristalina.

Materiais Condutores CONDUÇÃO ELÉTRICA .

ligas metálicas. como no caso dos metais (cobre. prata. Ex: Alguns materiais precisam ser excelentes condutores de corrente elétrica (por exemplo em fios de conexão elétrica). 1 – INTRODUÇÃO E OBJETIVOS Considerações sobre as propriedades elétricas dos materiais são com frequência importantes durante o projeto de um componente.) Objetivos: Explorar as propriedades elétricas dos materiais. Será realizado um estudo sobre a condução de corrente elétrica nos materiais. As propriedades elétricas influenciam no uso que será feito de determinado material.Materiais Elétricos 37 . Paulo Arce . Prof. ou seja. suas respostas à aplicação de um Campo Elétrico. alumínio. Neste caso é necessário que o material possua alta condutividade elétrica. etc.

O valor de R é influenciado pela configuração da amostra. Paulo Arce . 2 – CONDUÇÃO ELÉTRICA LEI DE OHM Uma das características elétricas mais importantes de um material sólido é a facilidade com a qual ele transmite uma corrente elétrica. A resistividade ρ é independente da geometria da amostra e se relaciona com R pela seguinte expressão: ρ depende do material Área (A) Comprimento (l) Onde ρ é a resistividade em [Ω. A lei de Ohm relaciona a corrente I à tensão V aplicada: Onde V corresponde à tensão em Volts [V]. I corresponde à corrente em Ampéres [A] e R corresponde à Resistência em Ohms [Ω]. Prof. R é a resistência.Materiais Elétricos 38 . A é a área da seção transversal em [m2] e l é o comprimento da amostra em [m].m].

2 – CONDUÇÃO ELÉTRICA CONDUTIVIDADE ELÉTRICA Algumas vezes. a condutividade elétrica σ é usada para especificar a natureza elétrica de uma material.Materiais Elétricos 39 . ou seja: Onde a condutividade σ é dada em [1/Ω. Paulo Arce . em [V/m]. Ela é simplesmente o inverso da resistividade. e E é o campo elétrico aplicado. DENSIDADE DE CORRENTE Outra forma de representar a lei de Ohm é através da densidade de corrente. Prof. a corrente (I em ampéres) por unidade de área da amostra (em metros quadrados): Onde J é a densidade de corrente em [A/m2].m]. ou seja. σ é a condutividade elétrica do material.

Materiais Elétricos 40 . 2 – CONDUÇÃO ELÉTRICA CAMPO ELÉTRICO O Campo Elétrico corresponde à diferença de potencial entre dois pontos dividida pela distância que os separa: E corresponde ao Campo Elétrico em [V/m]. Os materiais chamados de condutores são aqueles que possuem elevada condutividade elétrica σ: Prof. Paulo Arce . V corresponde à tensão em Volts [V] e l corresponde à distância entre os dois pontos em metros [m].

Usando os dados da tabela 18. Um fio de alumínio com 10 metros de comprimento deve sofrer uma queda de tensão de menos de 1. Paulo Arce . calcule o diâmetro mínimo que o fio deve ter.1. 2.0 V quando uma corrente de 5 A passar através dele. Um fio em aço carbono com 3mm de diâmetro deve oferecer uma resistência de 20Ω. utilize os dados da tabela abaixo: 1.1. Prof.Materiais Elétricos 41 . 3 – EXERCÍCIOS Para os exercícios a seguir. Usando os dados da tabela 18. calcule o comprimento máximo do fio.

A resistência de um fio de alumínio com 5 mm de diâmetro e 5 m de comprimento b. Prof. Qual a magnitude do campo elétrico através das extremidades do fio? 5. A resistência de um fio de cobre com 3mm de diâmetro e 2m de comprimento. b.1 calcule: a.04 V? c.Materiais Elétricos 42 . Qual a densidade de corrente? d.5A passa através dele. Qual a magnitude do campo elétrico através das extremidades do fio? 4.05 V? c. 3 – EXERCÍCIOS 3. Usando os dados da tabela 18. Usando os dados da tabela 18. Paulo Arce . Qual seria o fluxo de corrente se a queda de potencial entre as extremidades do fio fosse de 0. Qual a densidade de corrente? d.1 calcule: a. Calcule o diâmetro mínimo que esse fio deve ter.5V quando uma corrente de 2. Qual seria o fluxo de corrente se a queda de potencial entre as extremidades do fio fosse de 0. Um fio de Cobre com 100m de comprimento deve experimentar uma queda de tensão de menos de 1.

Mostrar quanto vale a relação entre os pesos dos condutores de cobre e de alumínio para as seguintes condições: . . . com uma queda mínima de tensão de 0. Paulo Arce .01724 Ω mm2 / m.Resistividade do cobre = 0.1 são candidatos para fabricação do fio? 7.89 g / cm3. Quais dos metais e ligas que estão listados na tabela 18. .Mesmo comprimento de circuito.Mesma corrente de carga.Resistividade do alumínio = 0. Um fio metálico cilíndrico com 2mm (0.02824 Ω mm2 / m.08pol. .Peso específico do cobre = 8. .03V por pé (300mm) de fio.Materiais Elétricos 43 .) de diâmetro é necessário para conduzir uma corrente de 10 A.7 g / cm3.Peso específico do alumínio = 2. 3 – EXERCÍCIOS 6. Prof.

Materiais Elétricos 44 . 4 – MOBILIDADE ELETRÔNICA  Quando um Campo Elétrico é aplicado. Paulo Arce . todos eles sofrem uma aceleração em uma direção oposta à do campo (em virtude de suas cargas serem negativas). uma força atua sobre os elétrons livres.  Como consequência.  A condutividade (σ) dos materiais pode ser expressa em função da mobilidade eletrônica. do número de elétrons livres e da carga do elétron: Condutividade (1/Ω.m) Número de elétrons livres Mobilidade eletrônica Carga do elétron Prof.

Deformação Plástica. Paulo Arce . pois possuem grande número de elétrons livres. 5 – RESISTIVIDADE ELÉTRICA DOS METAIS  Metais são excelentes condutores de eletricidade (alta condutividade. A resistividade total de um metal depende da ação das resistividades de temperatura.  Existem fatores que influenciam na resistividade dos metais: Temperatura. Impurezas. impurezas e deformações: Resistividade devido à Temperatura Resistividade Total Resistividade Resistividade devido às devido às Deformações Impurezas Plásticas Prof.Materiais Elétricos 45 . baixa resistividade).

Impurezas. A resistividade total de um metal depende da ação das resistividades de temperatura.Materiais Elétricos 46 . 5 – RESISTIVIDADE ELÉTRICA DOS METAIS  Metais são excelentes condutores de eletricidade (alta condutividade.1. Deformação Plástica. impurezas e deformações: Resistividade devido às Resistividade Total Deformações Plásticas Resistividade devido à Resistividade devido às Temperatura Impurezas 5.  A influência da temperatura se dá devido ao aumento das vibrações da estrutura cristalina dos metais reduzindo a mobilidade eletrônica Temperatura Resistividade devido à Temperatura Constantes Prof. Influência da Temperatura  A resistividade aumenta linearmente com a temperatura.  Existem fatores que influenciam na resistividade dos metais: Temperatura. pois possuem grande número de elétrons livres. baixa resistividade). Paulo Arce .

Influência das Impurezas  A adição de impurezas provoca uma redução da mobilidade eletrônica e consequente aumento da resistividade elétrica Resistividade devido às Concentração das Impurezas Impurezas Constante Aumento percentual da concentração de Níquel (impureza) na liga de Cu-Ni Prof.1.Materiais Elétricos 47 . Paulo Arce . 5 – RESISTIVIDADE ELÉTRICA DOS METAIS 5.

 No entanto.2. Influência das Deformações Plásticas  A deformação plástica também aumenta a resistividade elétrica como resultado do maior número de discordâncias que causam o espalhamento dos elétrons. Paulo Arce . Influência das Impurezas  Outra expressão para resistividade devido à influência das impurezas pode ser definida em função das resisitividades dos materiais envolvidos na mistura e da fração em volume que corresponde a cada material:  Onde os ρ correspondem às resistividade dos materiais da liga e os V correspondem às frações em Volume dos materiais da liga.Materiais Elétricos 48 . 5. sua influência na resistividade total é menor do que os fatores mencionados anteriormente.1. Prof. 5 – RESISTIVIDADE ELÉTRICA DOS METAIS 5.

comprimindo-os sobre a face do condutor. gerando assim um campo elétrico ?? . Efeito Hall  Para calcular a resistividade específica de cada material. ??? ?? Prof. 6. Paulo Arce .  Surge uma força magnética Fm perpendicular ao campo. que desloca os elétrons.  Aplicação de um campo magnético B.? . de acordo com a equação (6). Resistividade 1 ?= Ω.?  Para determinar estes parâmetros é feito o experimento do Efeito Hall. ? (6) ? . é necessário descobrir a densidade de da nuvem de elétrons N e a mobilidade do elétron μ.Materiais Elétricos 49 . Este processo é conhecido como Efeito Hall.

: Materiais Elétricos tem-se a demonstração matemática completa que leva ao seguinte resultado: 1 ?? =− (14) ? . ? (17)  O Campo Hall Elétrico Hall (?? ) proporciona uma tensão (tensão Hall): ?? .?  Substituindo na equação (6).Materiais Elétricos 50 . W.? ?. ? Onde J é a densidade de corrente 1  Chamando − ?. ? . tem-se: ?? ?? = − (15) ? . ? ?? = (18) ? Prof.? = ?? (coeficiente de Hall). temos: ?? ?=− (16) ?  Podemos escrever (16) em função da condutividade: ? = −?? . 6. Efeito Hall  Em condições de equilíbrio: ?? = ??? (13)  Partindo-se da expressão acima. em Scmidt. Paulo Arce .

Exercicios I 1) Cite 3 características dos materiais condutores. 3) Descreva os materiais condutores do ponto de vista da estrutura atômica 4) Qual a relação entre a temperatura de um metal e sua vibração atômica? De que forma isto impacta na condutividade/resistividade do material? 5) Quais os principais fatores que influenciam na resistividade de um material? Descreva de que forma se dá esta influencia. Prof. Paulo Arce .Materiais Elétricos 51 . 2) Cite suscintamente como se dá a obtenção do Cobre.

66. 107 (Ω. ?)−1 e ??? = 0. Prof.05V? ? c) Qual a densidade de corrente? (Densidade de corrente: ? = [? ?2 ]) ? d) Qual a magnitude do campo elétrico através das extremidades do fio? 3) À temperatura ambiente a condutividade elétrica e a mobilidade eletrônica para o cobre 2 são ??? = 6.5V quando uma corrente de 2.6? 1? = 1. ?)−1 e 2 ??? = 0. b) Qual seria o fluxo de corrente se a queda de potencial entre as extremidades do fio fosse de 0. 10−27 ?? 4) A condutividade elétrica e a mobilidade eletrônica do Alumínio são ??? = 3.Materiais Elétricos 52 . Calcule: a) Número de elétrons livres por metro cúbico de cobre b) Número de elétrons livres por átomo de cobre Dados: ??? = 8.8. Exercicios II 1) Um fio de Cobre com 100m de comprimento deve experimentar uma queda de tensão de menos de 1.003 ? ?.9 ? ??3 ????? ??ô???? ?? ????? = 63. Paulo Arce .? respectivamente. Calcule o diâmetro mínimo que esse fio deve ter 2) a) Calcule a resistência de um fio de cobre com 3mm de diâmetro e 2m de comprimento.6 T. 107 (Ω.? respectivamente. Calcule a tensão Hall para uma amostra de alumínio com 15mm de espessura no caso da aplicação de uma corrente de 25 A e de um campo magnético de 0.0012 ? ?.5A passa através dele.

Paulo Arce .Materiais Condutores LIGAS METÁLICAS Prof.Materiais Elétricos 53 .

Materiais Elétricos 54 . (Ex: cabos de cobre) • Alta Resistividade: para fins de transformar energia elétrica em térmica pelas por efeito Joule. etc. ligação de aparelhos. Paulo Arce . resistências) Prof. (Ex: Fornos elétricos. Deve haver pouca perda de energia no transporte da corrente elétrica. Introdução • Materiais condutores se dividem em 2 grandes grupos: • Alta Condutividade: para fins de condução de corrente.

• Para esta finalidade. 1. já que o condutor elétrico está sujeito a efeitos mecânicos também. nem sempre o critério decisivo é apenas a condutividade. Paulo Arce . Materiais Condutores com elevada Condutividade Elétrica • Os principais materiais de alta condutividade elétrica são os metais nobres e suas ligas.Materiais Elétricos 55 . Prof. • Assim. usam-se as ligas. um bom condutor que possua propriedades mecânicas inferiores pode ser preterido em função de um material com menor condutividade mas com melhores propriedades mecânicas. • Na escolha de um material para determinada aplicação elétrica.

Paulo Arce . Prata (Ag). Platina (Pt). Ouro (Au). 1. Alumínio (Al).1. Ligas destes metais. Mercúrio (Hg). Materiais Condutores com elevada Condutividade Elétrica • Os metais de alta condutividade mais utilizados são:  Cobre (Cu).Materiais Elétricos 56 . 1. Prof. O Cobre (Cu) e suas Ligas O Cobre possui uma série de vantagens: – Baixa Resisitividade (Alta condutividade) – Baixa oxidação (Exceto em altas temperaturas) – Fácil deformação a frio e a quente (Características mecânicas desejáveis).

Materiais Condutores com elevada Condutividade Elétrica 1. Fe. preservando o mesmo. Paulo Arce . O Cobre (Cu) e suas Ligas • Cobre utilizado na indústria: Cobre Eletrolítico (99. Prof.1. Sn (Estanho). Impurezas comuns: P (Fósforo). • O grau de pureza influencia muito na condutividade. Sb (Antimônio). As (Arsênio).Materiais Elétricos 57 .9% de pureza). que impede a ação das condições ambientais. • O cobre apresenta a propriedade de formar a pátina. Al. que corresponde ao depósito de uma camada de carbonato de cobre na superfície do metal. 1.

1. Materiais Condutores com elevada
Condutividade Elétrica
1.1. O Cobre (Cu) e suas Ligas
Aplicações do Cobre Puro
• Cobre Encruado ou duro: Resultante de laminação a frio. É
utilizado em aplicações que necessitam de elevada dureza,
resistência à tração e pequeno desgaste. (Ex: Redes Aéreas
de cabo nu, Fios telefônicos, anéis coletores).
• Cobre Recozido ou Mole: Para as demais aplicações usa-se
o cobre recozido. (Ex: cabos isolados, enrolamentos,
barramentos).
• Em muitos casos as propriedades do cobre puro não
satisfazem as exigências de projeto, sendo necessário o uso
de ligas de cobre. Prof. Paulo Arce - Materiais Elétricos 58

1. Materiais Condutores com elevada
Condutividade Elétrica
1.1. O Cobre (Cu) e suas Ligas
Aplicações das Ligas de Cobre
Bronze
(Cu+Sn)

Alpacas Latão
(Cu+Ni+Zn) (Cu+Zn)

Cobre

Cobre
Cuproníquel
Alumínio
(Cu+Ni)
(Cu+Al)

Prof. Paulo Arce - Materiais Elétricos 59

1. Materiais Condutores com elevada
Condutividade Elétrica
1.1. O Cobre (Cu) e suas Ligas
Aplicações das Ligas de Cobre
• As ligas são feitas com metais escolhidos para alterar uma
propriedade específica do Cobre. Vale ressaltar que ao
“melhorar” uma característica, outra característica pode
estar sendo prejudicada.
• Exemplo: Em algumas aplicações, as características
mecânicas e de oxidação do Cobre podem ser indesejáveis.
Nesse caso pode-se adicionar Níquel (Ni) ao cobre,
formando uma liga Cu-Ni. O Níquel melhora a oxidação e
aumenta a dureza do Cu, mas diminui a condutividade do
mesmo.
Prof. Paulo Arce - Materiais Elétricos 60

Materiais Condutores com elevada Condutividade Elétrica 1.1. O Cobre (Cu) e suas Ligas Aplicações das Ligas de Cobre • A figura abaixo mostra a influência nas propriedades do cobre conforme a adição de metais na liga: 70 Resistência à Al Tração [kg/mm2] Sn 35 0 8 % de Metal Estranho Prof. Paulo Arce .Materiais Elétricos 61 . 1.

Existe grande esforço em substituir o Cobre por Alumínio por motivos econômicos (o alumínio é mais barato). • Materiais de Alumínio são em geral mais leves que seus equivalentes em Cobre. Prof. • O Alumínio utilizado na indústria apresenta pureza de 99. • No Brasil: Bauxita é mais abundante que os minérios de Cobre. 1. O Alumínio (Al) e suas Ligas • É o segundo metal mais usado na eletricidade.2. Materiais Condutores com elevada Condutividade Elétrica 1. Porém o Alumínio é mais frágil e oxida mais rápido (oxidação superficial que protege mas aumenta a resistividade).5%.Materiais Elétricos 62 . Paulo Arce .

O Alumínio (Al) e suas Ligas • A resistividade do cobre é aproximadamente 1. facilidade de corte • Exemplos: – ALUMOLD (Al-Mg-Zn) – ALCAST (Al-Zn-Mg-Cu) Prof. – Excelente usinabilidade. Paulo Arce . • As grandes vantagens das Ligas de Alumínio são: – Redução de peso do equipamento.2.Materiais Elétricos 63 . 1.7 vezes maior que a do cobre. Materiais Condutores com elevada Condutividade Elétrica 1. efetuando uma “correção”. Isto é levado em conta no dimensionamento de condutores elétricos feitos de alumínio.

A Prata (Ag) e suas Ligas • É o metal nobre de maior uso industrial. Paulo Arce . • O custo do ouro é um limitante para seu uso. • Seu principal uso também se dá em peças de contato. • Seu principal uso se dá em peças de contato.4. • Do ponto de vista elétrico. o uso de ligas de ouro não apresenta vantagens.3. Prof. 1. • É o metal com maior condutividade elétrica. O Ouro (Au) e suas Ligas • Apresenta boa condutividade elétrica. • Ligas mais comuns da Prata: Prata e Cobre (Ag+Cu) 1.Materiais Elétricos 64 . Materiais Condutores com elevada Condutividade Elétrica 1.

Paulo Arce . • Usada como ânodo em processos de eletrólise e aplicação em peças de contato. A Platina (Pt) e suas Ligas • Apresenta boa deformação mecânica e fácil soldagem. • Usada em peças termoelétricas pois até 1000 ⁰C resistividade varia proporcional à temperatura.Materiais Elétricos 65 .5. • Suas ligas podem apresentar ponto de fusão superior a 1500 ⁰C (Ex: Pt-Ródio. Materiais Condutores com elevada Condutividade Elétrica 1. • Boa resistência à oxidação e alto ponto de Fusão. 1. Pt-Rutênio) Prof.

Chumbo (Pb) • Elevada resistência contra ação da água potável.Materiais Elétricos 66 . Ex: Bronze. Prof.1. • Não oxida e não é atacado por água à temperatura ambiente. Paulo Arce . 2. acumuladores de chumbo-ácido e material de solda. Materiais Condutores com Reduzida Condutividade Elétrica 2. Estanho (Sn) • Alta resistividade elétrica. se torna quebradiço.2. • Acima de 160 graus. • Uso frequente em ligas visando revestimento. 2. • Liga mais comum: Chumbo Antimônio (Pb-Sb). • Usado em elos fusíveis. proteção contra raio X.

• Aplicação em pilhas. Assim fica mais suscetível à anisotropia. pois é facilmente atacado por outros elementos. • É usado para revestimento. visando aumentar a resistência mecânica do Zinco. Materiais Condutores com Reduzida Condutividade Elétrica 2. • Ao contrário da maioria dos metais (cúbicos). • Ligas mais comuns: Zn-Al-Cu.Materiais Elétricos 67 . Zinco (Zn) • Apresenta o maior coeficiente de dilatação entre os metais. o Zn apresenta estrutura cristalina hexagonal. • É quebradiço à temperatura ambiente. Entre 100-150 ⁰C se apresenta estável. Prof. Paulo Arce . e se torna pó acima dos 250 ⁰C.3. 2.

• Por isso é usado em Resistores. e em lâmpadas incandescentes (alimentador do filamento de tungstênio). Materiais Condutores com Reduzida Condutividade Elétrica 2.4. Monel. Nicrom Prof. Paulo Arce . faz a condutividade cair rapidamente. Níquel (Ni) • Possui propriedades ferromagnéticas. • Quando usado em ligas. • Ligas comuns: Konstantan (Ni-Cu-Mn). 2. • Também é utilizado em termoelementos em substituição à platina.Materiais Elétricos 68 .

Isabelina. • As ligas resistivas são formadas para aumentar a resistividade. ? ? = 0 (aproximadamente). Novokonstant… Prof. Niquelina.Materiais Elétricos 69 . Konstantan. • Finalidades: – Fins térmicos ou de aquecimento – Fins de medição – Fins de regulação • Exemplos: Ligas de Cu. 3. Manganin. Ligas Metálicas Resistivas • Possuem resistividade elétrica (ρ) entre 0. Metais puros dificilmente passam de 0.2 e 1. ou seja.2 • Muitas vezes é necessário que a resistividade se mantenha constante em função da variação de temperatura.5 Ωmm₂/m. Paulo Arce .

e resistência à tração próxima do cobre encruado. – Duralumínio: Al+Cu+Mg+Mn / Al+Mg+Si • Boa estabilidade Química • Utilizado em terminais elétricos.Materiais Elétricos 70 . • Possui condutividade próxima do Al. Prof. 4. • Ligas: – Aldrey: Al+Mg+Si+Fe • Usada em fios aéreos e enrolamentos de motores e transformadores. Ligas para Peças Laminadas ou Extrudadas • Visam aumentar a resistência mecânica do alumínio para fins de laminação ou extrudação. Paulo Arce .

• Alguns metais apresentam alto grau de oxidação a altas temperaturas. Paulo Arce . • Assim. levando a uma queda de qualidade no processo de fundição e consequentemente da peça fundida. Al-Cu-Si Prof. Ligas para Peças Fundidas • Determinadas peças só podem ser moldadas através de processos de fundição. onde os metais são adicionados para diminuir a oxidação do metal original. 5. para diminuir a oxidação durante o processo de fusão. • Exemplos: Al-Si.Materiais Elétricos 71 . usam-se ligas específicas.

Paulo Arce .Materiais Semicondutores Prof.Materiais Elétricos 72 .

• O uso de materiais com propriedades semicondutoras permitiu a redução do tamanho de circuitos permitindo o desenvolvimento da microeletrônica. Paulo Arce . • Os semicondutores fazem parte de praticamente todos os componentes eletrônicos. Introdução • O estudo dos materiais semicondutores é de extrema importância para a área de eletrônica. Prof. 1.Materiais Elétricos 73 .

são intermediários entre condutores e isolantes. Paulo Arce . esta definição de Semicondutores não é suficiente. nem apropriada pra caracterizá-los fisicamente. • No entanto.Materiais Elétricos 74 . Prof. Introdução • Em termos de Condutividade Elétrica. 1.

Prof. Paulo Arce . Quando adicionadas impurezas para formar ligas semicondutoras são chamados Extrínsecos. estes elementos são chamados de Intrínsecos.Materiais Elétricos 75 . 1. • Em seu estado natural. Introdução • Para explicar a Semicondutividade é necessário analisar as características químicas e físicas dos elementos mais comuns de semicondutores: Germânio (Ge) e Silício (Si).

Semicondutividade 1. – A semicondutividade é explicada pelas Bandas Eletrônicas Prof. Paulo Arce . 2.98%) são chamados Intrínsecos. Semicondutividade Intrínseca – Principais elementos Semicondutores são o Silício e o Germânio. – Em seu estado mais puro (99.Materiais Elétricos 76 .

Paulo Arce .Materiais Elétricos 77 . Semicondutividade Intrínseca – BANDAS ELETRÔNICAS E E Material Isolante Semicondutor Prof. Semicondutividade 1. 2.

Semicondutividade 1.Materiais Elétricos 78 . 2. Semicondutividade Intrínseca – VALÊNCIA DOS SEMICONDUTORES Silício = Tetravalente (4 e. Paulo Arce .na camada de valência) Si Prof.

Materiais Elétricos 79 . Semicondutividade 1. Paulo Arce . 2.na camada de valência) Si Si Prof. Semicondutividade Intrínseca – VALÊNCIA DOS SEMICONDUTORES Silício = Tetravalente (4 e.

na camada de valência) Prof. Paulo Arce . Semicondutividade 1. Semicondutividade Intrínseca – VALÊNCIA DOS SEMICONDUTORES Silício = Tetravalente (4 e.Materiais Elétricos 80 . 2.

cria-se um Buraco. que tem carga positiva. 2. • No lugar que o elétron ocupava. Paulo Arce . Semicondutividade 1. Prof. liberando elétrons livres. conforme apresentado na figura. Semicondutividade Intrínseca Aplicando excitação de um Campo Elétrico (E): • O Campo Elétrico excita a estrutura.Materiais Elétricos 81 .

o Buraco se move ao longo da estrutura. 2. Paulo Arce . • Assim. • Portanto. Semicondutividade Intrínseca Aplicando excitação de um Campo Elétrico (E): • Outros Elétrons entram no Buraco deixado.Materiais Elétricos 82 . Semicondutores possuem dois portadores de carga: Elétrons e Buracos Prof. Semicondutividade 1.

? . Paulo Arce . Semicondutividade 1.? Ou de maneira análoga: Condutividade ? = ? . ? Ω. Semicondutividade Intrínseca Em metais tínhamos: Resistividade 1 ?= Ω. ? ? .? . 2.Materiais Elétricos 83 . ?−1 Prof.

Paulo Arce . tem-se dois tipos de portadores de carga: elétrons e buracos. Semicondutividade 1. 2. em Semicondutores. Portanto a Condutividade Intrínseca é definida: ? = ? ? ?? + ? ? ?? Onde: ? é a condutividade ? é o número de elétrons por metro cúbico ? é o número de buracos por metro cúbico ? é a carga do elétron ?? e ?? são as mobilidades do elétron e do buraco respectivamente Prof.Materiais Elétricos 84 . Semicondutividade Intrínseca Mas.

Assim: ? = ? = ?? Subtituindo em ? = ? ? ?? + ? ? ?? . Paulo Arce . Prof. temos: ? = ?? ? (?? + ?? ) Onde ?? é chamado de concentração de portadores intrínsecos. cada elétron deixa para trás um buraco.Materiais Elétricos 85 . Semicondutividade 1. 2. Semicondutividade Intrínseca Para semicondutores intrínsecos.

• A dopagem consiste em inserir impurezas no semicondutor intrínseco. Prof.Materiais Elétricos 86 . visando alterar seu comportamento elétrico. Paulo Arce . 2. Semicondutividade 2. • Semicondutores Extrínsecos são obtidos por um processo conhecido como dopagem. • A alteração no comportamento elétrico se dá pela alteração no número de elétrons ou de buracos. Semicondutividade Extrínseca • Quase todos os semicondutores comerciais são extrínsecos.

Paulo Arce .Materiais Elétricos 87 . 2. Semicondutividade Extrínseca • Quase todos os semicondutores comerciais são extrínsecos. • Dois tipos de Semicondução Extrínseca: tipo p. • A dopagem é um processo fino. e tipo n. As concentrações de impurezas são diminutas. Semicondutividade 2. • Um único átomo de Fósforo em um conjunto de 1012 átomos de Silício torna o mesmo Extrínseco à temperatura ambiente. Prof.

Arsênio (As).Materiais Elétricos 88 . P Prof. • Mais comuns: Fósforo (P). 2. Semicondutividade Extrínseca Tipo n • É realizada adicionando impurezas com valência 5 (pentavalentes). Paulo Arce . Antimônio (Sb). Semicondutividade 2.

Paulo Arce . Semicondutividade 2. 2. e fica preso à estrutura por uma atração eletrostática fraca. ele se torna um elétron livre.Materiais Elétricos 89 adicionais . • À temperatura ambiente. Assim. Semicondutividade Extrínseca Tipo n • O elétron adicional do fósforo não forma ligações. já existe energia suficiente para excitar esses elétrons Prof. • Esse elétron é facilmente removido da estrutura (pouca energia).

Materiais Elétricos 90 . o número de elétrons é muito maior que o número de buracos. Semicondutividade Extrínseca Tipo n • Portanto em Semicondutores Extrínsecos tipo n. Paulo Arce . vamos obter a condutividade extrínseca tipo n: ? = ? ? ?? + ? ? ?? Prof. 2. • Partindo da condutividade intrínseca. • Logo os elétrons são portadores majoritários em tipo n. Semicondutividade 2.

Materiais Elétricos 91 . vamos obter a condutividade extrínseca tipo n: ? = ? ? ?? + ? ? ?? Mas ? ≫ ?. 2. Paulo Arce . Portanto: ? ≅ ? ? ?? Prof. tornando o lado direito da equação acima desprezível. Semicondutividade Extrínseca Tipo n • Partindo da condutividade intrínseca. Semicondutividade 2.

temos: Prof. Semicondutividade 2. 2.Materiais Elétricos 92 . Paulo Arce . Semicondutividade Extrínseca Tipo n Em termos de Bandas de Valências.

Gálio (Ga) B Prof. Semicondutividade 2.Materiais Elétricos 93 . Boro (B). Semicondutividade Extrínseca Tipo p • É o oposto do tipo n. • Ex: Alumínio (Al). • A dopagem é feita com elementos trivalentes. Paulo Arce . 2.

Materiais Elétricos 94 . Semicondutividade 2. 2. Semicondutividade Extrínseca Tipo p Prof. Paulo Arce .

Semicondutividade Extrínseca Tipo p • Como o Boro é trivalente. Paulo Arce . deixando para trás um novo buraco. • Assim. • Assim se dá a condução por lacunas ou buracos. falta um elétron para completar a ligação com o Silício na estrutura. Prof.Materiais Elétricos 95 . forma-se um buraco. • Os elétrons adjacentes “pulam” para cobrir o buraco. 2. Semicondutividade 2.

Semicondutividade Extrínseca Tipo p • Portanto em Semicondutores Extrínsecos tipo p.Materiais Elétricos 96 . Paulo Arce . 2. vamos obter a condutividade extrínseca tipo p: ? = ? ? ?? + ? ? ?? Prof. o número de buracos é muito maior que o número de elétrons livres. • Partindo da condutividade intrínseca. Semicondutividade 2. • Logo os buracos são portadores majoritários em tipo p.

Paulo Arce . Portanto: ? ≅ ? ? ?? Prof.Materiais Elétricos 97 . Semicondutividade 2. vamos obter a condutividade extrínseca tipo p: ? = ? ? ?? + ? ? ?? Mas p ≫ ? . tornando o lado esquerdo da equação acima desprezível. 2. Semicondutividade Extrínseca Tipo p • Partindo da condutividade intrínseca.

Paulo Arce . Semicondutividade Extrínseca Tipo p Em termos de Bandas de Valências. temos: Prof. 2. Semicondutividade 2.Materiais Elétricos 98 .

aumenta a energia fornecida aos átomos. conforme aumenta a temperatura. aumenta o número de portadores de carga em Semicondutores Intrínsecos Prof. Paulo Arce . • Portanto. Semicondutividade Influência da Temperatura • Se aumentarmos a temperatura.Materiais Elétricos 99 . 2. e aumenta a energia disponível para excitar os elétrons da camada de valência.

Materiais Elétricos 100 . 2. Semicondutividade Influência da Temperatura Concentração de Portadores Intrínsecos m3(-1) Si Ge Temperatura (K) Prof. Paulo Arce .

2. Semicondutividade Influência da Temperatura Prof. Paulo Arce .Materiais Elétricos 101 .

2. Semicondutividade
Influência da Temperatura

Prof. Paulo Arce - Materiais Elétricos 102

2. Semicondutividade
Voltando à expressão de Condutividade:
? = ?? ? (?? + ?? )
Vamos analisar agora a mobilidade dos elétrons.

Principais Influencias:
• Temperatura (Reduz a mobilidade)
• Concentração de Impurezas (Reduz a
mobilidade)

Prof. Paulo Arce - Materiais Elétricos 103

2. Semicondutividade
Principais Influencias:
• Temperatura (Reduz a mobilidade)

Prof. Paulo Arce - Materiais Elétricos 104

2. Semicondutividade Principais Influencias: • Concentração de Impurezas (Reduz a mobilidade) Prof. Paulo Arce .Materiais Elétricos 105 .

a) Esse material é tipo p ou tipo n? b) Calcular a condutividade elétrica desse material à temperatura ambiente c) Calcular a condutividade Prof. Calcular a condutividade do Silício Intrínseco na temperatura de 150 C. Átomos de arsênio são adicionados a silício de alta pureza na proporção de 1023 ?−3 . 2. ou 423K. Para o arseneto de gálio intrínseco. Exercícios 1. As mobilidades dos elétrons e dos buracos são respectivamente de 0. 3. Calcular a concentração de portadores intrínsecos à temperatura ambiente. Paulo Arcena temperatura .04 ?2 ??.Materiais Elétricos de 100 C. a condutividade elétrica à temperatura ambiente é de 10−6 (Ω?)−1 . ou 373K 106 . 3.85 e 0.

Paulo Arce .Materiais Elétricos 107 . quais são os portadores de carga majoritários? • Em Semicondutores tipo n. Revisão da Aula 1 de Semicondutores • O que é um Semicondutor Intrínseco? • O que são Portadores de Carga? • Em semicondutores intrínsecos quais são os portadores de carga? • Como se obtém um Semicondutor Extrínseco? • Quais são os tipos de Dopagem? • Em Semicondutores Extrínsecos tipo p. quais são os portadores de carga majoritários? Prof.

Materiais Elétricos 108 . Paulo Arce . Revisão da Aula 1 de Semicondutores • Qual a expressão matemática que descreve a condutividade (σ) dos Semicondutores Intrínsecos? ? = ?? ? (?? + ?? ) • Qual a expressão matemática que descreve a condutividade (σ) dos Semicondutores Extrínsecos tipo p e tipo n? Tipo p: ? ≅ ? ? ?? Tipo n: ? ≅ ? ? ?? Prof.

aumenta a condutividade Comportamento oposto ao dos Metais. Paulo Arce . Prof. aumenta a condutividade. Revisão da Aula 1 de Semicondutores • Como se comporta a concentração de portadores (?? ) dos semicondutores intrínsecos em relação à temperatura? Concentração de Portadores Intrínsecos m3(-1) OBS: Aumenta o número de portadores.Materiais Elétricos 109 . Aumento da Temperatura.

Revisão da Aula 1 de Semicondutores • Como se comporta a concentração de portadores (? ?? ?) dos semicondutores extrínsecos em relação à temperatura? • Freeze-out: Região de Congelamento A energia térmica é insuficiente para excitar o elétron doador do fósforo. Prof. ele não recebe energia para passar à banda de Concentração de elétrons (1021 /?3 ) condução. Os semicons sólidos são projetados para operar nesta faixa.Materiais Elétricos 110 . o material se comporta como intrínseco. o dispositivo perde a característica extrínseca e tem sua função comprometida. Assim. o semicondutor se comporta como extrínseco. Paulo Arce . • Extrinsic: Região Extrínseca Nesta faixa de T. Fora da faixa extrínseca. pois a contribuição de condutividade devido a elétrons livres e buracos do material não dopado supera a contribuição do estado doador ou receptor do material dopante. • Intrinsic: Região Intrínseca Quando a temperatura se torna muito elevada.

Revisão da Aula 1 de
Semicondutores
• Como se comporta a mobilidade dos portadores (?? ?? ?? )
dos semicondutores extrínsecos em relação à temperatura
e à concentração de impurezas ou dopante?

• À medida que aumenta a temperatura,
diminui a mobilidade dos portadores.

• À medida que aumenta o teor de
impureza ou dopante, diminui a
mobilidade

Prof. Paulo Arce - Materiais Elétricos 111

Introdução
• As características estudadas até aqui possuem
aplicações práticas muito variadas e de grande
importância.
• A eletrônica é a principal área de aplicação de
Semicondutores.
• Os principais dispositivos Semincondutores
são os Diodos e Transistores

Prof. Paulo Arce - Materiais Elétricos 112

Diodos
• São os dispositivos semicondutores mais simples.
• Um exemplo da aplicação dos diodos é em
circuitos de retificação, devido à sua
característica de ser bom condutor de corrente
em apenas uma polaridade, ou seja, permite a
passagem de corrente elétrica em apenas uma
direção. Dessa forma consegue transformar CA
em CC.
• São formados por uma junção PN.

Prof. Paulo Arce - Materiais Elétricos 113

Materiais Elétricos 114 . Paulo Arce . Prof. Diodos Junção Retificadora p-n • Corresponde a uma peça semicondutora que é dopada de tal forma que possua dopagem tipo p em uma das extremidades e tipo n na outra extremidade.

Esta região funciona como um isolante. formando a Região de Depleção.Materiais Elétricos 115 . Prof. os elétrons. Diodos Junção Retificadora p-n • No lado p os portadores majoritários são os buracos e do lado n. • Na junção alguns elétrons e alguns buracos se recombinam. Paulo Arce .

Materiais Elétricos 116 .  Polarização Direta Consiste em ligar o terminal (+) da fonte na parte p do Diodo Prof. Paulo Arce . Para isso é feita a polarização do Diodo. Diodos Junção Retificadora p-n • Para conduzir corrente. a Região de Depleção deve ser colapsada. • A corrente segue o sentido dos portadores positivos e o sentido contrário dos portadores negativos.

Diodos Junção Retificadora p-n  Polarização Direta – Com o colapso da Região de Depleção.7 V //Prof. – É necessário uma tensão mínima para romper o isolamento da Região de Depleção. o Diodo conduz corrente elétrica.Germânio (Ge): 0.Materiais Elétricos 117 .3 V Paulo Arce . – Silício (Si): 0.

7V (Si) ou 0.3V (Ge). Diodos Junção Retificadora p-n  Polarização Direta – Portanto.Materiais Elétricos 118 . quando a tensão direta (?? ) aplicada no Diodo é maior do que 0. Paulo Arce . Prof. ocorre a condução da corrente direta (?? ).

Materiais Elétricos 119 . o Diodo não conduz. – Portanto. Diodos Junção Retificadora p-n  Polarização Reversa – Ocorre quando o terminal (-) da fonte é ligado ao lado p do Diodo. ocorre o alargamento da região de depleção. Paulo Arce . – Nesse caso. Prof. aumentando o isolamento proporcionado pela mesma.

os portadores minoritários formam uma “avalanche” que leva os portadores minoritários a excitarem os elétrons de valência à banda de condução. Prof. Diodos Junção Retificadora p-n  Polarização Reversa – Uma pequena corrente continua existindo na região de depleção devido aos portadores minoritários. se a tensão reversa exceder um valor crítico. Varia de 50V a 1000V dependendo do Diodo.Materiais Elétricos 120 . – Portanto. Esta tensão corrensponde à tensão de ruptura reversa. Paulo Arce .

Diodos Junção Retificadora p-n  Característica (V x I) do Diodo Polarização Direta Ruptura Reversa Polarização Reversa Prof. Paulo Arce .Materiais Elétricos 121 .

• Transistores são formados por dois tipos de junção: pnp ou npn. usa-se a característica semicondutora dos materiais. Prof. • Para realizar este controle.Materiais Elétricos 122 . Paulo Arce . Transistores • Basicamente desempenha duas funções: Amplificação de sinais e Chaveamento. • O controle da amplificação e do chaveamento é feito por um controle de corrente elétrica.

 Figura (b): Transistor polarizado. • O Coletor tem a sua concentração de portadores (buracos) aumentada.  Junção 1: Polarização Direta  Junção 2: Polarização Reversa FUNCIONAMENTO • A polarização direta da junção 1 força os buracos do Emissor a ir em direção à Base. • Alguns buracos se recombinam com os elétrons da Base. um pequeno aumento na tensão de entrada (Emissor) leva a um grande aumento na tensão de saída (Coletor) = AMPLIFICAÇÃO Prof. • Assim.Transistores Junção pnp  Figura (a): Transistor não-polarizado. Paulo Arce . mas como ela é muito estreita (poucos e-). muitos buracos chegam ao Coletor.Materiais Elétricos 123 .

Materiais Elétricos 124 . Transistores Junção pnp OBS: Forward-Biasing = Polarização Direta Reverse-Biasing = Polarização Reversa Prof. Paulo Arce .

Exercícios
1. Na temperatura ambiente, a condutividade elétrica do PbS é de
25 (Ω?−1 ), enquanto as mobilidades dos elétrons e dos buracos
? 2
são de 0,06 e de 0,02 ?? , respectivamente. Calcular a
concentração de portadores intrínsecos para o PbS à
temperatura ambiente.
2. Calcular a condutividade elétrica à temperatura ambiente para
um silício que foi dopado com 1023 ?−3 átomos de arsênio.
3. Estimar a condutividade elétrica na temperatura de 75 graus
Celsius para um Silício que foi dopado com 1022 ?−3 átomos de
fósforo.

OBS: Para os exercícios 2 e 3, usar as figuras dos próximos slides

Prof. Paulo Arce - Materiais Elétricos 125

Exercícios

Para o Silício à temperatura ambiente, a dependência das mobilidades (Mobility)
dos elétrons (Electrons) e Buracos (Holes) em relação à concentração de dopante
ou impureza (Impurity Concentration)

Prof. Paulo Arce - Materiais Elétricos 126

Exercícios

Dependência em relação à temperatura das mobilidades de elétrons e buracos, para várias
concentrações de dopante Prof. Paulo Arce - Materiais Elétricos 127

Paulo Arce .Materiais Elétricos 128 .Materiais Isolantes Prof.

é necessário o uso de materiais com elevada resistividade. Introdução • Para diversas aplicações. 1. Prof. • Os materiais que realizam este tipo de função são os Dielétricos ou Isolantes. • A elevada resistividade visa obter a maior oposição à passagem de corrente elétrica possível.Materiais Elétricos 129 . Paulo Arce .

Prof. • Os materiais Dielétricos exibem ou são feitos para exibirem a estrutura de Dipolos Elétricos. 1. Introdução • As principais aplicações dos materiais Dielétricos são em Capacitores e em equipamentos isolantes para aplicações elétricas.Materiais Elétricos 130 . Paulo Arce .

em coulomb [C] V é a tensão aplicada nasProf. e outra se torna negativamente carregada.placas. 2. Paulo Arce . CAPACITÂNCIA • Quando uma ddp é aplicada através de um capacitor. • A Capacitância (C) está relacionada à quantidade de cargas (Q) que está armazenada em cada uma das placas através da relação: ? +Q ?= V ? -Q C Onde: C é a capacitância em coulomb por volt ou farad [F]. uma placa se torna positivamente carregada. Comportamento Dielétrico 2. Q é a carga nas placas.Materiais Elétricos 131 .1.

• Considerando um capacitor de placas paralelas de área A que possuem uma distância ? entre si e vácuo na região entre elas. Comportamento Dielétrico 2. Paulo Arce . 2. ?0 = 8.Materiais Elétricos 132 . tem-se: ? ?= ?0 ? Onde ?0 é a permissividade do vácuo.85 ∗ 10−12 ?/? Prof. CAPACITÂNCIA • É possível representar a Capacitância em função da constante dielétrica dos materiais.1.

Materiais Elétricos 133 . . Paulo Arce . Comportamento Dielétrico 2. - Prof. + + + + + Dielétrico ?0 ? . 2.1. . . CAPACITÂNCIA • Se um material dielétrico for inserido no lugar do vácuo tem-se: ? ?= ? ? Onde ? representa a permissividade do dielétrico inserido.

Comportamento Dielétrico 2.1. • É possível obter uma relação entre ? e ?0 : ? ?? = ?0 • Onde ?? é a permissividade relativa.3 vezes. • Exemplo: constante dielétrica do Polietileno é de 2.Materiais Elétricos .3. CAPACITÂNCIA • A magnitude de ? será maior que a magnitude de ?0 . 2. Quer dizer que inserir o Polietileno no lugar do vácuo. • A constante dielétrica indica o aumento na capacidade de armazenamento de cargas pela inserção do dielétrico entre as placas.134 Prof. Paulo Arce . mais conhecida como constante dielétrica. aumenta a capacidade de armazenamento de cargas em 2.

• O fenômeno da Capacitância é explicado pela existência de muitos dipolos no Dielétrico. os átomos de determinado elemento se apresentam simétricos. Prof. isto é. a distribuição dos elétrons é uniforme em relação ao núcleo (figura a). levando à formação do Dipolo Elétrico (figura b). Paulo Arce . POLARIZAÇÃO • Em condições normais.2. • Quando ocorre um desequilíbrio nesta estrutura. Comportamento Dielétrico 2. 2. surge uma separação entre a parte positiva e a parte negativa do átomo.Materiais Elétricos 135 .

Paulo Arce . temos um momento dipolo elétrico (p). ? • Os dipolos tem a tendencia de se alinharem ao campo elétrico aplicado. POLARIZAÇÃO • Portanto. em cada dipolo existe uma separação entre a carga positiva e a negativa. Prof.2. 2. de acordo com a relação: ? = ?. Comportamento Dielétrico 2. • Associado a cada dipolo.Materiais Elétricos 136 .

Isso torna o dielétrico um isolante. 2. POLARIZAÇÃO • Devido aos dipolos. Prof. o campo que atravessa o capacitor diminui.Materiais Elétricos 137 . quando se insere um dielétrico no lugar do vácuo.2. Comportamento Dielétrico 2. Paulo Arce .

2.Materiais Elétricos 138 . Paulo Arce . POLARIZAÇÃO Eo Eo E’ ? = ?0 − ?′ Prof. Comportamento Dielétrico 2. 2.

Paulo Arce . O mesmo ocorre com a carga .2.da placa. Comportamento Dielétrico 2. dielétrico. 2. que correspondem a neutralizada pela carga – líquida do (+Q’) e (-Q’). as placas devem sofrer um aumento • Uma parte da carga + da placa será de cargas. Prof.Materiais Elétricos 139 . POLARIZAÇÃO • Portanto para manter a tensão.

POLARIZAÇÃO • Voltando ao Capacitor.Materiais Elétricos 140 . a quantidade de cargas pode ser representada por uma densidade de cargas na superfície em (?/?? ). Comportamento Dielétrico 2. Esta densidade depende também do campo elétrico aplicado (E): ?0 = ?0 .2. 2.. a polarização leva a um aumento de cargas na superfície do dielétrico. Prof. Paulo Arce . ? • Para um material dielétrico. ? • Conforme foi analisado. • Nas placas. temos: ? = ?.

? Prof.2. Paulo Arce . POLARIZAÇÃO • A polarização (P) pode ser entendida como um aumento na densidade de carga inicial (?0 ) das plcas na presença do vácuo. ? = ? − ?0 .Materiais Elétricos 141 . 2. Comportamento Dielétrico 2.

2. b) Polarização Iônica: Ocorre apenas em materiais iônicos (b). 2. c) Polarização de Orientação: Ocorre apenas em dielétricos que possuem dipolos permanentes.2. Prof.Materiais Elétricos 142 . Paulo Arce . Tipos de Polarização a) Polarização Eletrônica: Ocorre em todos os dielétricos. POLARIZAÇÃO 2. Resulta do deslocamento da nuvem de elétrons em relação ao núcleo.1. Comportamento Dielétrico 2. devido à aplicação de um campo elétrico (a). Ex: água pura (c).

1. c) Polarização de Orientação: Ocorre apenas em dielétricos que possuem dipolos permanentes. Comportamento Dielétrico 2. Tipos de Polarização polarizações eletrônica. 2. Paulo Arce . Prof.Materiais Elétricos 143 . b) Polarização Iônica: Ocorre apenas em materiais iônicos (b). devido à aplicação de um campo elétrico (a). POLARIZAÇÃO • A polarização total (P) de uma substância é igual à soma das 2. Resulta do ? = ?? + ?? + ?? deslocamento da nuvem de elétrons em relação ao núcleo.2. iônica e de a) Polarização Eletrônica: Ocorre em orientação: todos os dielétricos.2. Ex: água pura (c).

• Portanto o campo elétrico também é CA. Prof. • A orientação do dipolo tende a seguir este movimento.2.2. Dependência da o dipolo se alinhar ao campo. mas existe um tempo necessário para conseguor esse alinhamento. muda de sentido com a corrente. 2. • Para cada tipo de polarização. Paulo Arce . a corrente é CA.1. relação à Frequência • Em diversas aplicações práticas.Materiais Elétricos 144 . Constante Dielétrica em • Frequência de Relaxação. POLARIZAÇÃO existe uma frequência associada a um tempo mínimo necessário para 2. Comportamento Dielétrico 2.

POLARIZAÇÃO aplicada. ele não irá contribuir para a polarização total. • Na figura. 2.2.1. os mecanismos de polarização vão deixando de 2. Paulo Arce . Comportamento Dielétrico 2. temos um material dielétrico que possui os três tipos de polarização.Materiais Elétricos 145 . • Nesse caso. Dependência da funcionar. Constante Dielétrica em relação à Frequência • O dipolo não consegue trocar de posição para se alinhar ao campo quando a frequência de relaxação foi excedida.2. • Dependendo da frequência Prof.

onde um mil corresponde a 0. Paulo Arce .. RESISTÊNCIA DIELÉTRICA • Definição: “Magnitude de um Campo Elétrico necessária para produzir uma ruptura no dielétrico” • Isto ocorre pois um Campo Elétrico muito grande fornece energia suficiente para excitar muitos elétrons à camada de condução. • Ruptura do isolamento. W.001 pol.Materiais Elétricos 146 . Exemplo: kV/cm Prof. a unidade de Resistência Dielétrica é E dada em ?/???. Unidade: • Em CALLISTER. Comportamento Dielétrico 2. e- • Pode ser dada em outras unidades que relacionam tensão e espessura. 2.3. proporcionando corrente através do dielétrico.

• Materiais dielétricos estão sujeitos à possibilidade de sofrer polarização. • Se um campo elétrico muito grande for aplicado ao dielétrico. Apresentam grande espaçamento entre as bandas. Paulo Arce .Materiais Elétricos 147 . • A polarização permite que ocorra um aumento no armazenamento de cargas nos capacitores por exemplo. 3. Resumo • Dielétricos são isolantes elétricos. a resistência dielétrica ou rigidez dielétrica é rompida. Prof.

Prof. iônica e de orientação.Materiais Elétricos 148 . • Existem três tipos possíveis de polarização: eletrônica. Resumo • A polarização ocorre devido à orientação dos dipolos em relação a um campo elétrico aplicado. Paulo Arce . 3. • A polarização é dependente da frequência da corrente CA aplicada.

3.85 ∗ 10−12 ?/? ?= ? = ?0 ?=? ?? = ? ? ? ?0 POLARIZAÇÃO ?0 = ?0 ? ?=?? ? = ? + ?0 ? ? ?= ? ? = ?? + ?? + ?? Onde. ? = ???????â???? [?] ? = ?????????????? ?? ????é????? ?/? ?? = ?????????????? ???????? ?? ????????? ????é????? ? = ????? ??é????? [?/?] ? = ????ã? [?] ?0 = ????????? ?? ?????? ?? ??????í??? [?/?2 ] ?0 = ?????????????? ?? ?á??? ?/? ? = ????????çã? [?/?2 ] ? = ????? [?] Prof.Materiais Elétricos 149 . Resumo • Expressões Matemáticas e Unidades: CAPACITÂNCIA ? ? ? ? ?0 = 8. Paulo Arce .

Paulo as Arce -placas? Materiais Elétricos 150 . Se um outro material de constante dielétrica 4. através do qual é aplicada uma diferença de potencial de 10V.0 for posicionado dentro da região entre as placas. Se um material que possui uma constante dielétrica de 6.45 ? 10−4 ?2 e que apresenta uma separação entre as placas 2 ? 10−3 ?2 . Considerar um Capacitor de placas paralelas que possui uma área de 6. 4. calcular: a) A capacitância b) A magnitude da carga armazenada em cada placa c) A densidade de cargas na superfície d) A polarização 2. Exercícios 1. Um capacitor de placas paralelas que utiliza um material dielétrico com ?? de 2.5 possui um espaçamento entre placas de 1mm. qual deverá ser o novo espaçamento entre Prof.0 for usado e a capacitância tiver que permanecer a mesma.

4. Exercícios 3. Prof. Qual a fração da constante dielétrica em frequências relativamente baixas (1 Mhz) é atribuída à polarização iônica? Desprezar qualquer contribuição da polarização de orientação. Paulo Arce . constante dielétrica deste material vale 6. A constante dielétrica para um vidro de cal de soda medida a frequências muito altas (da ordem de 1015 ?? ) é de aproximadamente 2. Dado: a 1 Mhz.3.9.Materiais Elétricos 151 .

Prof. Revisão Aula 1 de Isolantes • Materiais Dielétricos apresentam baixa condutividade elétrica. e capacidade de armazenar cargas. 1. • Estas características se devem à propriedade dos materiais dielétricos de formarem dipolos elétricos quando polarizados. • Por esses motivos são utilizados como isolantes e meios dielétricos em capacitores. • Os dipolos elétricos apresentam a propriedade de se alinharem a campos elétricos externos aplicados.Materiais Elétricos 152 . Paulo Arce .

Revisão Aula 1 de Isolantes • Os dipolos elétricos podem ser permanentes ou induzidos. Tomando-se como referência o vácuo. o aumento na capacidade de armazenamento de cargas (constante dielétrica) é dada ? por: ?? = ? 0 Prof. eletrônica ou orientação. 1. • Existem três formas possíveis de polarizar dielétricos: polarização iônica. • O Dielétrico aumenta a capacidade de armazenamento de cargas elétricas nas placas de um capacitor. Paulo Arce .Materiais Elétricos 153 . • O material dielétrico polarizado produz um campo elétrico contrário ao campo elétrico original. “reduzindo” o mesmo.

Paulo Arce . ?? = ?0 = 8.1.Materiais Elétricos 154 . Revisão Aula 1 de Isolantes ?0 ?′ ? ? .85?10−12 ?/? ?0 ? ? ? = ?0 ?= ? ? ? +Q V ? -Q C ?= ? Prof.

? ? = ? − ?0 . devido à inserção de um meio dielétrico. ?0 = ?0 . ? Prof.Materiais Elétricos 155 . 1. Revisão Aula 1 de Isolantes • A Polarização pode ser entendida como um aumento na densidade de cargas nas placas. ? ? = ?. Paulo Arce . em comparação com o vácuo.

mais de uma forma de polarização. Paulo Arce . Revisão Aula 1 de Isolantes • Um material dielétrico pode apresentar ao mesmo tempo. Prof. 1. ? = ?? + ?? + ?? • A polarização e a constante dielétrica variam em função à frequência CA aplicada ao dielétrico. • A Polarização total de um material corresponde à soma das contribuições individuais dos três tipos de polarização.Materiais Elétricos 156 .

V/mil. Dado em unidades de tensão por espessura (kV/cm. excede um limite (ruptura do isolante). Prof.Materiais Elétricos 157 . E Quando a tensão aplicada (V) e. os elétrons passam da banda de valência à banda de condução. Revisão Aula 1 de Isolantes • Resistência Dielétrica (ou Rigidez Dielétrica): Corresponde à tensão máxima que pode ser aplicada ao dielétrico sem que este permita a condução de corrente. etc). É o ponto em que o dielétrico deixa de atuar como isolante. kV/mm. Paulo Arce . 1.

Revisão Aula 1 de Isolantes Questão ENADE 2011 Prof. Paulo Arce .Materiais Elétricos 158 .1.

) estão em constante desenvolvimento. Paulo Arce . Prof. • Obedecem ao constante avanço tecnológico e de pesquisa. • A escolha adequada do isolante se dá em função de sua aplicação. • Dependendo da aplicação alguns isolantes apresentam grande superioridade sobre os demais. • Excelente isolante de linhas aéreas de transmissão. • Exemplo: Porcelana. 2. etc. Características Específicas de Isolantes • Os materiais isolantes (assim como os condutores.Materiais Elétricos 159 . Por outro lado podem ser totalmente inadequados para outro tipo de aplicação. semicondutores. de modo que nenhum material é superior aos outros em todos os sentidos. • Inadequado para isolamento de cabos devido à falta de flexibilidade.

Prof. A grande desvantagem é apresentar higroscopia. Isolantes Sólidos a) Papel: Apresenta grande flexibilidade e capacidade de obtenção de pequena espessura. Também. 2. Fitas Isolantes. • Fibras de Vidro: Obtida a partir do vidro isolante. Utilizado em câmaras de extinção de arcos voltaicos. Paulo Arce . apresentando uma espessura entre 5 a 10 μm. Reforços mecânicos em cabos. Apresenta boa estabilidade térmica (200 a 300 ⁰C). Características Específicas de Isolantes 1. Geralmente é impregnado por óleos ou resinas. Apresentam melhoras nas propriedades elétricas e mecânicas em relação às naturais. possui boa resistência mecânica. Podem receber tratamento com verniz para melhorar suas propriedades. b) Fibras Sintéticas: Tem sido desenvolvidas em substituição às fibras naturais. • Fibras de Poliamida: Inúmeras aplicações.Materiais Elétricos 160 .

além da adição de aditivos. Prof. e) Mica: É um mineral.Materiais Elétricos 161 . coletores de máquinas elétricas. em isolamentos de ranhuras de máquinas elétricas. Utilizada em aplicações de aquecimento elétrico. entre outros. média e alta tensão. d) Vidro: Formado a partir de óxido de silício e boro. Apresentam baixo custo. e isto influencia em suas propriedades. • Porcelana de Isoladores: baixa. Excelente estabilidade térmica (até 1000 ⁰C). Características Específicas de Isolantes 1. Redes Elétricas. fabricação relativamente simples e boas características elétricas. Apresenta boa estabilidade térmica. 2. A composição é variável. Paulo Arce . • Cerâmica de Capacitores: Elevada constante dielétrica. Isolantes Sólidos c) Cerâmicas: Obtidas a partir de quartzo. feldspato e argila. e boa estabilidade frente à umidade.

h) Mica: É um mineral. Excelente estabilidade térmica (até 1000 ⁰C). Assim. Pode ser usado em forma de pó (extinção de arco voltaico em fusíveis). porém é higroscópico. coletores de máquinas elétricas. Aplicações elétricas empregam as sintéticas. Prof. fibroso. g) Borracha: Natural ou sintética. em isolamentos de ranhuras de máquinas elétricas. Isolantes Sólidos f) Amianto: Material mineral. 2. Paulo Arce . Características Específicas de Isolantes 1. seu uso está sujeito à impregnação com vernizes. Utilizada em aplicações de aquecimento elétrico. Apresenta boa estabilidade térmica. Apresentam boa estabilidade perante agentes químicos.Materiais Elétricos 162 .

Prof. é uma mistura de hidrocarbonetos e outras deposições. Para uso elétrico devem ser purificados. O óleo pode perder suas propriedades isolantes ao longo do tempo. sendo necessária a manutenção regular de equipamentos a base de óleo mineral. Exemplo: Transformadores. além de não se degradarem ao longo do tempo. Apresentam elevado custo. promovem a refrigeração dos equipamentos. Isolantes Líquidos Além do isolamento elétrico. Paulo Arce . No entanto seu manuseio deve ser controlado devido à sua composição tóxica.Materiais Elétricos 163 . b) Askarel: Desenvolvidos para subtituir os óleos minerais. Características Específicas de Isolantes 2. Apresentam a vantagem de serem não-inflamáveis. a) Óleo Mineral: Obtido a partir do petróleo. 2. e deve ser avaliada a reação do cloro presente no askarel com os produtos dos componentes a serem isolados.

Apresentam grande estabilidade química (reagem pouco com outros elementos). Paulo Arce . Características Específicas de Isolantes 2. Utilizados como lubrificantes e em tintas e vernizes. Prof.Materiais Elétricos 164 . A viscosidade varia bem menos em comparação ao óleo mineral. 2. Isolantes Líquidos c) Óleo de Silicone: Cadeias de Silício e Oxigênio. Seu alto custo é um limitante do seu uso. juntamente com grupos metílicos e fenólicos.

A distância entre condutores nus se dá pela constante dielétrica do ar. Paulo Arce . Prof. 2. Diversos fatores devem ser considerados (umidade. vento. etc. Características Específicas de Isolantes 3. Isolantes Gasosos a) Ar: Amplamente utilizado.) b) Hexafluoreto de enxofre (??? ) – usado em isolamentos de cabos subterrâneos e disjuntores de alta potência (subestações). Por exemplo em linhas aéreas.Materiais Elétricos 165 .

b) Pasta de Silicone: Usualmente recebem adição de pó de grafita para melhorar suas características anti-fricção. 2. Paulo Arce . Prof.Materiais Elétricos 166 . c) Resinas: Podem ser naturais ou sintéticas. Isolantes Pastosos a) Parafina: É obtido a partir da destilação do petróleo. É altamente anti-higroscópico (repelente à água). onde se deseja baixa oxidação também. já que seu uso se dá na maior parte das vezes em aplicações de lubrificação de peças de contato. Correspondem a polímeros e podem ser classificadas em termofixas (rigidez não se altera com a temperatura – ex:baquelite) ou termoplásticas (sofre alteração na viscosidade em altas temperaturas). sendo estas as utilizadas em aplicações elétricas. Utilizado como recobrimento de outros isolantes. Características Específicas de Isolantes 4.

Isolantes Pastosos d) Vernizes: Obtidos a partir de Resinas com solventes. • Vernizes de Impregnação: Em papéis. sedas. 2. Características Específicas de Isolantes 4.Materiais Elétricos 167 . para preencher os espaços deixados internamente nesses materiais. tecidos. • Vernizes de recobrimento: utilizado para recobrir materiais e proteger contra ação da umidade e elevação da resistência superficial. cerâmicas porosas. Ex: mica (pó) e fibra de vidro. Paulo Arce . Prof. • Vernizes de colagem: para fornecer consistência a alguns materiais que após a purificação perdem consistência.

5 mm. e. 3.0 for posicionado entre as placas? b. Qual a tensão necessária se um material com constante dielétrica de 5.Materiais Elétricos 168 . Calcular o deslocamento dielétrico (densidade de cargas) para a parte (a). Exercícios Uma carga de 3. Calcular a polarização para a parte (a). Qual tensão seria necessária se fosse utilizado o vácuo? c. a.5?10−11 ? deve ser armazenada em cada placa de um capacitor de placas paralelas que possui uma área de 160 ??2 e uma separação entre as placas de 3. Paulo Arce . Prof. Quais são as capacitâncias para as partes (a) e (b)? d.

Paulo Arce .Materiais Magnéticos Prof.Materiais Elétricos 169 .

Níquel e Cobalto. Motores Elétricos. Paulo Arce . 1. Introdução • Magnetismo conhecido há séculos. Computadores… • Principais materiais magnéticos: Ferro. • Aplicações muito vastas: Geradores Elétricos. Prof.Materiais Elétricos 170 . Componentes de Áudio e Vídeo. Seus fundamentos são complexos (teoria quântica). • Todos os materiais são influenciados em menor ou maior grau pela presença de um campo magnético. • Alguns conceitos de Materiais Magnéticos apresentam analogia com Materiais Isolantes.

1. 2.Materiais Elétricos 171 . Paulo Arce . Dipolos Magnéticos • Análogos aos dipolos elétricos Dipolo Elétrico Dipolo Magnético • A origem dos dipolos elétricos se dá em função à separação das cargas. • A origem dos dipolos magnéticos se dá em função ao movimento orbital do elétron e ao seu spin. Conceitos Básicos 2. Prof.

Conceitos Básicos 2.1.Materiais Elétricos 172 . 2. Paulo Arce . levando ao surgimento de um momento magnético devido ao movimento orbital. Prof. e um momento magnético devido ao spin. Dipolos Magnéticos • Movimento Orbital (a) e Spin (b) Momento Momento Magnético Magnético Linhas de Campo em um Circuito de Corrente • Elétron: Pequeno circuito de corrente.

Conceitos Básicos 2.1. Dipolos Magnéticos • O Momento Magnético Total do átomo é a soma dos momentos magnéticos de todos os seus elétrons constituintes (grandeza vetorial). 2. • Pares de elétrons com momentos magnéticos opostos se anulam • Elétrons com spins opostos se anulam e com movimento orbital opostos se anulam Movimentos Orbitais Opostos (momentos Spins Opostos (momentos magnéticos magnéticos opostos) opostos) Prof. Paulo Arce .Materiais Elétricos 173 .

Diamagnético Ferromagnético • Conforme será visto adiante. Paulo Arce . isto leva à classificação dos materiais em Diamagnéticos. Dipolos Magnéticos • Portanto materiais com camadas eletrônicas totalmente preenchidas. 2. Prof.Materiais Elétricos 174 .1. Conceitos Básicos 2. não podem ser permanentemente magnetizados. Paramagnéticos e Ferromagnéticos.

2. • Grandezas Importantes: • Intensidade do Campo Magnético (H) [Ampere/metro (A/m)] • Indução Magnética ou Densidade do Fluxo Magnético (B) [Tesla (T)] • Permeabilidade (μ) [Weber/ampere*metro (Wb/Am)] • Magnetização (M) [Ampere/metro (A/m)] • Susceptibilidade Magnética (?? ) [Adimensional] • Demais Parâmetros: • Corrente Elétrica (I) • Número de Voltas do solenóide (N) • Comprimento do solenóide (l) Prof. Paulo Arce .2. Vetores do Campo Magnético • Vamos supor um solenóide. Inicialmente no vácuo (a).Materiais Elétricos 175 . Conceitos Básicos 2. e depois com um material sólido (b).

Vetores do Campo Magnético • Intensidade do Campo Magnético (H) ?? ?= ? • Indução Magnética ou Densidade do Fluxo Magnético (B) No vácuo: Material Sólido: ?0 = ?0 ? ?=?? Onde: ?0 é ? ????çã? ????é???? ?? ?á??? ?0 é ? ?????????????? ?? ?á??? (4??10−7 ) ?/? ? é ? ????çã? ????é???? ?? ?ó???? ? é ? ?????????????? ?? ?ó???? ?/? • Permeabilidade Relativa (?? ) ? ?? = ?0 Prof. 2. Conceitos Básicos 2. Paulo Arce .Materiais Elétricos 176 .2.

os dipolos magnéticos tendem a se alinhar ao mesmo e a reforçá-lo.Materiais Elétricos 177 .2. pela seguinte relação: ? = ?? ? ????: ?? é ? ???????????????? ????é???? • Susceptibilidade Magnética (?? ) ?? = ?? − 1 Prof. Paulo Arce . ? = ?0 ? + ?0 ? • A magnitude da magnetização é proporcional ao Campo (H) aplicado. Conceitos Básicos 2. • Esse acréscimo é dado pela magnetização (M). Vetores do Campo Magnético • Magnetização (M) • Na presença de um Campo (H). 2.

• Não permanente. Na presença de Campo Magnético. 3. Diamagnetismo • Forma muito fraca de magnetismo. • É encontrado em todos os materiais não há dipolos magnéticos em materiais diamagnéticos. são induzidos dipolos magnéticos que se alinham na direção oposta ao campo que • Não apresenta importância prática. ou seja. Paulo Arce . com maior ou menor intesnsidade. a indução (B) é menor que no vácuo. Na ausência de Campo Magnético (H = 0). Persiste somente na presença de campo magnético. Tipos de Magnetismo 1. Prof.Materiais Elétricos 178 . os deu origem. • ?? é menor que 1 (? do material é menor que o do vácuo) • ?? é negativa (da ordem de −10−5 ).

Paramagnetismo • Presença de dipolos magnéticos devido ao cancelamento incompleto dos momentos magnéticos de spin ou orbital. • Dipolos estão livres para girar os dipolos magnéticos estão sem orientação em materiais paramagnéticos. 3. • É encontrado em alguns materiais.Materiais Elétricos • Magnetização aumenta o campo. 179 . os dipolos magnéticos se orientam na direção do campo Prof. • Magnetização Total é nula. • ?? é maior que 1 (? do material é maior que o do vácuo) • ?? da ordem de 10−5 a 10−2 Na presença de Campo Magnético. Paulo Arce . Tipos de Magnetismo 2. Na ausência de Campo Magnético (H = 0).

os quais não se cancelam. Paulo Arce . material Ferromagnético • ?? da ordem de 106 . Dipolos alinhados em • Exemplos: Ferro. 3. portanto ? ≪ ?. Ferromagnetismo • Dipolos magnéticos permanentes.Materiais Elétricos 180 . • Devido aos momentos dos spins. logo: ? = ?0 ? + ?0 ? ≅ ?0 ? ? ≅ ?0 ? Prof. Tipos de Magnetismo 3. Níquel e Cobalto. • Dipolos apresentam orientação mesmo na ausência de campo.

Materiais Elétricos 181 . 3. Paulo Arce . Tipos de Magnetismo Ferromagnético Prof.

Prof. Paulo Arce . os dipolos mudam sua orientação gradativamente.Materiais Elétricos 182 . 4. Domínios e Histerese • Materiais ferromagnéticos são compostos por regiões onde os dipolos estão alinhados entre si. • Ao longo das paredes de domínios. • Entre os domínios. • Estas regiões são os Domínios. que os separam. tem-se as Paredes de Domínios.

alterando sua forma e tamanho. Paulo Arce . • Em uma amostra de material ferromagnético não magnetizado. a soma vetorial deve ser zero.Materiais Elétricos 183 . ponderados pela sua fração volumétrica. Domínios e Histerese • A magnetização total do material (M) é a soma vetorial das magnetizações de todos os domínios. • Consequentemente. 4. Prof. até se tornarem um único domínio. os domínios tendem a se alinhar na direção do H aplicado. • Aumentando-se a magnetização (aumento de H). aumenta a indução magnética (B) e a magnetização (M).

• A magnetização correspondente a esse ponto é a magnetização de saturação (?? ).6 ?? ? ???? ?? é ? ???????? ?? ??ℎ? ????????? = 9.Materiais Elétricos 184 . (não varia mais em função de H). tem-se a indução magnética de saturação (?? ). • Ponto Z na figura. 4. Domínios e Histerese • Quando B atinge seu valor máximo. ?? = 0.27 ? 10−24 ??2 ???? ? é ? ?????? ?? á????? ??? ?3 ? ?? ?= ??? Prof. Paulo Arce .

90 ?/??3 ??? = 58.6 ?? ? ? ?? ?= ??? 8.13?1028 = ?.13?1028 á?????/?3 58. Paulo Arce .9∗6?1023 *? = = 9. Domínios e Histerese Exemplo (pág 552 PLT) b) Densidade do fluxo de Calcular: saturação a) A magnetização de Saturação b) Indução magnética ou densidade do ? ≅ ?0 ? fluxo magnético de saturação ?? ≅ ?0 ?? Dados: ρ = 8.71 ?? = 4??10−7 ∗ 5. ????? ?/? Prof. 4.71 *?? = 0.Materiais Elétricos 185 .1?105 Solução a) Magnetização de Saturação ?? = ?. ?? ? ?? = 0.27?10−24 ∗ 9.6 ∗ 9.

Materiais Elétricos Prof. é possível remover o campo inicial aplicado (H). Domínios e Histerese HISTERESE • Após atingida a saturação. revertendo sua direção de aplicação • Neste processo. 4. Esse defasamento corresponde ao fenômeno de Histerese. Reversão ou Remoção do Campo Inicial Magnetização Inicial B diminui mais lentamente do que se percorresse o “caminho” inicial de magnetização. Ciclo de Histerese (Indução magnética (B)em função do campo aplicado (H) ) Paulo Arce . a indução magnética (B) não retorna pelo “caminho” inicial. 186 .

Domínios e Histerese HISTERESE • Quando o campo aplicado é 0 (H=0). NP. Remanência. Prof. Corresponde ao C. • Revertendo novamente o campo aplicado (ponto ? ′ ). Corresponde ao ponto R. e LM são exemplos de ciclos que não chegam à saturação. é necessário aplicar um campo ?? . • Para fazer que a indução chegue a zero. completando assim o ciclo de histerese. • O ciclo de histerese não precisa ser levado até a saturação.Materiais Elétricos 187 . chamado de Coercividade. Paulo Arce . ainda existe indução magnética no material ferromagnético. obtem-se uma curva de magnetização simétrica. 4.

Paulo Arce . Ímãs permanentes. Prof. Núcleos de transformadores. 4. • Conforme a curva de histerese os materiais magnéticos podem ser duros ou moles. que se manifesta na forma de calor. Baixas perdas por histerese. • Moles: Facilidade no movimento das paredes dos domínios. Baixa resistência à desmagnetização. Alta resistência à desmagnetização. Grandes perdas por histerese. • Área da curva no ciclo de desmagnetização corresponde a perda energética.Materiais Elétricos 188 . Domínios e Histerese HISTERESE • O tamanho e a forma da curva de histerese apresenta grande importância. • Duros: Resistência ao movimento das paredes dos domínios.

Paulo Arce . Prof.Materiais Elétricos 189 . 5. • Os dipolos magnéticos estão livres para se movimentar. • Portanto um aumento na temperatura torna aleatória a disposição dos dipolos magnéticos. Influência da Temperatura • O aumento na temperatura proporciona um aumento na vibração dos átomos. levando a uma diminuição da magnetização.

5. • Acima da ?? . não há vibração. corresponde à Temperatura de Curie (?? ). • A temperatura na qual a magnetização deixa de existir (M=0). Temperaturas de Curie para Ferro puro e Fe3O4 Prof. portanto a magnetização é máxima.Materiais Elétricos 190 . Paulo Arce . Influência da Temperatura • Em 0K. os materiais ferromagnéticos se tornam paramagnéticos.

Materiais Elétricos 191 . 21 e 22 Referências Bibliográficas: • Fundamentos da Ciência e Engenharia de Materiais.UFSC Prof. William Callister Jr – PLT • Materiais Magnéticos. 6. exs 20. Exercícios • Lista da disciplina. LabPot . segunda edição. Paulo Arce .

William D.UFSC Prof. Dr.ES • Materiais Magnéticos.usp. 7 edição . Callister Jr • Notas de Aula www.eel. Referências Bibliográficas • Materiais Elétricos. Vol1. LabPot . Unioeste • Apostila de Eletrotécnica. Swart • Materiais Elétricos. Editora Blucher – Walfredo Schmidt • Estrutura Cristalina dos Metais – Marcelo F. Callister Jr .Materiais Elétricos 192 . 2 edição .br • Materiais Elétricos . CEFET . Jacobus W. Fernando Cruz Barbieri • Fundamentos da Ciência e Engenharia de Materiais: Uma abordagem Integrada.PLT • Fundamentos da Ciência e Engenharia de Materiais: Uma abordagem Integrada. Paulo Arce . UFSC • Materiais Elétricos.demar. William D. Moreira • Apostila de Materiais Elétricos – Prof.