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Impressões pessoais sobre a visita guiada

É interessante como coisas acontecem no cotidiano e não percebemos. A
orientação dada foi que aguardássemos no hall de entrada do TJA, onde ao chegarmos
nos disseram que aguardássemos na sombra. Então, fugi do calor do sol para um refúgio
fresco, no entanto o equipamento público estava recebendo crianças do ensino básico e
iriam tirar uma fotografia, quando um senhor que acompanhava as crianças solicitou que
nos deslocássemos daquela posição para que o retrato fosse realizado. Mas, esse
deslocamento trouxe surpresas, pois voltei a posição em que a luz solar voltasse a me
tocar com sua presença calorosa, para então sermos convidados a adentrar no Teatro José
de Alencar, logo ao entrar sentir um frescor e alguns cheiros. Esse frescor parecia me
convidar para que essas cheiros fossem sentidos e que reservasse especial atenção para
eles, mas confesso que não consegui definir que perfumes eram essas, talvez fragrâncias
do teatro, um teatro vivo que aguça nossos/novos sentidos e que promove ampliações de
mundo(s).
Seguindo a visita, sentei-me no auditório e fui capturado pela pintura do teto do
TJA, que me lembrou a capela sistina, apesar de não conhecer. Algo me invadiu a
memória que foi quando estive no TJA em 2010 em um espetáculo sobre Freud, que fez-
me retomar a pergunta que fizeste no início do encontro do CPBT: “Alguém já conhecia
o teatro?”. Comecei a pensar que a pergunta se referia ao TJA e não a sala-teatro onde
ocorre o curso. Mas, sobre isso preciso perguntar-te para saber. O fato é que em 2010 não
havia percebido a pintura do teto, pelo menos não lembro. E, pensei: talvez, dessa vez
tenho conseguido estar presente no TJA em que a fragrância que senti ao pisar nesse
espaço abriu-me os sentidos.
Mas, foi um movimento estésico maravilhoso sentir aquelas pinturas de qualidade
realistas que confundia que as vê. Por exemplo, a visão do mármore que era uma pintura.
Subi no palco, não para atuar, mas para sentir aquele “chão” em que tantos artistas
promoveram seus espetáculos e suas relações com a plateia. Queria observar/sentir cada
detalhe e os recursos técnicos utilizados nas apresentações. Toquei suas cortinas, senti
sua textura e o veludo que dividia espaço com a poeira as histórias do TJA e aquelas que
ali foram contadas.
Fomos ao Foyer e me surpreendeu saber que fora utilizado como espaço da alta
sociedade como meio de não se misturar ao restante do público, percebendo que o que

mas a permanência do amor. mas quero sentir e tocar tudo desde os jardins projetados por Burle Marx aos camarins que tantos artistas que por ali passaram. que marcaram sua presença em uma garrafinha pequenina de perfume sobre a mesa do espelho. ” É isso que acredito que o teatro pode facilitar em mim: uma vida apaixonante e permanente como amor. É um teatro que conta a história do Brasil e do Ceará nos seus espaços.acontece no atual momento político do país é um retorno ao passado que o TJA é testemunha. pintura e esculturas nos revela a presença europeia. E no centro de um destes a frase: “O que sinto pela dança tem as características de uma paixão. na sua arquitetura. Conta a história de algumas das obras de José Alencar e de outras artes. Clayton de Moura Oliveira Turma “A” . Eu não sei o que acontece. o berço do teatro.