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Cuidados na saúde do Idoso

Índice

Objetivos ........................................................................................................................................ 3
Carga horária ...................................................................................Error! Bookmark not defined.
1.Análise demográfica ................................................................................................................ 5
1.1.Conceito e características ..................................................................................................... 5
1.2.Envelhecimento demográfico ............................................................................................... 6
2. A problemática da prestação de cuidados ao idoso .................................................... 8
2.1.A família como cuidadora informal ...................................................................................... 8
2.2.O isolamento ......................................................................................................................... 10
3.Serviços de apoio à saúde do idoso emergente no mercado .................................. 11
3.1.Tipologia de serviços ........................................................................................................... 11
3.2.Redes de suporte e recursos da comunidade (cuidados domiciliários) ....................... 15
3.3.O voluntariado e as redes informais de apoio ................................................................. 18
4.O processo do envelhecimento .......................................................................................... 20
4.1.Teorias do envelhecimento ................................................................................................. 20
4.2.Dimensões biofisiológicas do envelhecimento humano ................................................. 24
4.3.Dimensões psicológicas do envelhecimento .................................................................... 26
4.4.Contexto social do envelhecimento ................................................................................... 27
4.5.Preconceitos, mitos e estereótipos associados ao processo de envelhecimento ....... 30
4.5.1.Comportamentos e atitudes ........................................................................................ 30
4.5.2.Estereótipos ................................................................................................................... 31
5.Alterações na saúde do idoso ............................................................................................. 33
5.1.Alterações fisiológicas.......................................................................................................... 33
5.2.Alterações psicossociais ...................................................................................................... 35
5.3.Alterações nos hábitos de higiene ..................................................................................... 36

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5.4.Alterações nos cuidados de alimentação .......................................................................... 37
5.5.Alterações na mobilidade .................................................................................................... 38
6.Características das situações de doença mais frequentes na pessoa idosa ..... 40
6.1.Doenças físicas ..................................................................................................................... 40
6.2.Alterações de Comportamento ........................................................................................... 42
6.3.Doenças degenerativas (demências) ................................................................................ 43
7.Acompanhamento do idoso nas atividades diárias, promovendo a autonomia /
independência da pessoa idosa ............................................................................................. 46
7.1.Alimentação........................................................................................................................... 46
7.2.Eliminação ............................................................................................................................. 48
7.3.Higiene e hidratação ............................................................................................................ 50
7.4.Sono e repouso..................................................................................................................... 52
7.5.Controlo da dor e outros sintomas .................................................................................... 53
7.6.A relação com o idoso (estratégias de comunicação) .................................................... 55
7.7.A promoção da autonomia e independência .................................................................... 57
7.8.A prevenção de acidentes: quarto, cozinha, casa de banho, escadas ......................... 58
7.9.A importância da ocupação dos tempos livres e de ócio ............................................... 61
7.10.A Higienização em casa .................................................................................................... 62
8.Tarefas que em relação a esta temática se encontram no âmbito de
intervenção do/a Técnico/a Auxiliar de Saúde ............................................................... 65
8.1.Tarefas que, sob orientação de um Enfermeiro, tem de executar sob sua supervisão
direta............................................................................................................................................. 65
8.2.Tarefas que, sob orientação e supervisão de um Enfermeiro, pode executar
sozinho/a ...................................................................................................................................... 67
Bibliografia.................................................................................................................................... 70

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Objetivos  Identificar noções básicas associadas ao envelhecimento demográfico e ao processo de envelhecimento.  Explicar a importância de demonstrar interesse e disponibilidade na interação com utentes.  Explicar a importância de agir de acordo com normas e/ou procedimentos definidos no âmbito das suas atividades.  Explicar a importância de assumir uma atitude pró-ativa na melhoria contínua da qualidade. higiene e saúde no trabalho assim como preservar a sua apresentação pessoal.  Explicar a importância de cumprir as normas de segurança.  Explicar o dever de agir em função das orientações do profissional de saúde.  Identificar as principais características das situações de doença mais frequentes na pessoa idosa. psicológicas e sociais.  Reconhecer os fatores que contribuem para a promoção da saúde na pessoa idosa. no âmbito da sua ação profissional. 3 .  Explicar o impacte das suas ações na interação e bem-estar emocional de terceiros.  Identificar as tarefas que têm de ser executadas sob supervisão direta do profissional de saúde e aquelas que podem ser executadas sozinho.  Caracterizar as novas estruturas de apoio à saúde do idoso emergente no mercado e respetiva oferta de serviços.  Identificar as especificidades a ter em conta nas atividades diárias do idoso.  Caracterizar os princípios fundamentais do processo de envelhecimento tendo em conta as dimensões biofisiológicas.  Explicar a importância da sua atividade para o trabalho de equipa multidisciplinar.  Explicar que as tarefas que se integram no âmbito de intervenção do/a Técnico/a Auxiliar de Saúde terão de ser sempre executadas com orientação e supervisão de um profissional de saúde.  Explicar a importância de manter autocontrolo em situações críticas e de limite.

 Explicar a importância de desenvolver as suas atividades promovendo a humanização do serviço. 4 .  Explicar a importância de demonstrar segurança durante a execução das suas tarefas.  Explicar a importância de prever e antecipar riscos. Explicar a importância de adequar a sua ação profissional a diferentes públicos e culturas.  Explicar a importância da concentração na execução das suas tarefas.

Análise demográfica 1. O envelhecimento demográfico refere-se ao aumento progressivo dos indivíduos com idades avançadas relativamente ao grupo total de idosos. entendida como o resultado da distribuição por idades dos seus membros. possivelmente de natureza cíclica e não totalmente irreversível. num mundo em que a esperança de vida continua a aumentar e a taxa de natalidade permanece em decréscimo. o envelhecimento encontra-se intimamente ligado à idade da população.Conceito e características Se o envelhecimento biológico é irreversível nos seres humanos. não à idade cronológica mas sim à idade duma população.1.1. também o envelhecimento demográfico o é. o envelhecimento é entendido como um fenómeno coletivo. 5 . Neste sentido. Na ótica da análise demográfica.

mas também podemos considerar uma população envelhecida quando a proporção de jovens diminui. Os idosos estão a tornar-se na Europa. uma população cada vez mais crescente. Este grupo adquire mais espaço. pelo seus (des)compromissos com determinados grupos étnicos. a inatividade e a insegurança papéis marcantes no desenvolvimento do processo biológico do envelhecimento. e também em Portugal. força política. densidade. pelos seus conhecimentos e experiência. Em primeiro lugar podemos referir que o envelhecimento demográfico é considerado um fenómeno social. força cultural. Esta força pode ser considerada em: força social.Envelhecimento demográfico O envelhecimento demográfico é um processo que não passa desapercebido à sociedade. devido ao número de idosos. força de intervenção. uma população jovem será aquela que apresenta uma grande proporção de jovens e uma baixa idade média e uma população velha será aquela que apresenta uma grande proporção de velhos e uma elevada idade média. um fenómeno biológico.Neste contexto. pelo seu peso nas votações. 1. a rejeição social. organização e força. Contudo podemos considerar uma população velha quando a mesma apresenta uma forte proporção de velhos. em segundo lugar. tendo a marginalização. As razões apontadas para este aumento são: a redução da fecundidade. força económica.2. 6 . pelo seus gastos e consumos. O processo de envelhecimento demográfico encontra-se em crescimento. a diminuição da mortalidade e a migração. práticas de intervenção e desenvolvimento de atividades físicas pela sua disponibilidade e força ética.

que anteriormente era uma “obrigação” dos familiares mais diretos passou progressivamente para as instituições de solidariedade social e para instituições privadas. da esperança de vida e dos saldos migratórios condicionam o envelhecimento demográfico. o cuidar das pessoas idosas. à diminuição do número de membros dos agregados familiares. é da máxima importância proporcionar condições adequadas aos nossos idosos. particularmente entre as gerações mais jovens e as mais idosas. verificamos que o efeito da conjugação dos níveis de fecundidade. fazendo com que eles se sintam ativos e importantes no meio em que estão inseridos. Como o envelhecimento populacional é uma pretensão natural de todas as sociedades e estando estas sistematicamente a procurar estratégias para prolongar a vida humana. Confirma-se o evidente fenómeno de envelhecimento até 2050. sociais e económicas e afetivas entre os seus membros. com maior incidência na base da pirâmide. com igual evidência tanto na base como no topo da pirâmide. refletindo uma importante alteração na composição das famílias e produzindo consequentemente alterações no domínio das relações pessoais. Como consequência desta alteração. 7 . Este facto está diretamente associado à redução dos índices de fecundidade. verifica-se uma redução da dimensão média da família portuguesa.Em Portugal. Se analisarmos as previsões para o ano de 2025. agravado pelo efeito do aumento da esperança de vida.

maior probabilidade de corresponder às suas necessidades.1.A família como cuidadora informal Os familiares e amigos são quem melhor conhece o idoso. Tradicionalmente. o apoio é influenciado pela evolução da estrutura e dinâmica familiares na sociedade atual.2. valorizando-se a realização pessoal/profissional de cada um e respeitando-se a sua privacidade. cabia aos filhos tratar dos pais quando estes envelheciam. Posteriormente o Estado assumiu-se como promotor do bem-estar social. com 8 . em que as relações são constituídas de modo a privilegiar valores como a autonomia e o individualismo. por este motivo. Organizado numa base informal. A problemática da prestação de cuidados ao idoso 2. sendo os cuidados mediados por instituições e agentes com formação e especialização na área. tendo.

• Transplante . mesmo assumindo que existem outros envolvidos: a família continua a ter de obedecer às prescrições profissionais. houve uma viragem: são revalorizados os programas centrados nos agregados familiares e num contexto comunitário. as instituições apresentavam-se como detentoras de um conhecimento não acessível aos familiares.baseada na abordagem consumista. em que o técnico é a autoridade e a família tem a função de fornecer informação para que ele decida. Este conjunto de serviços e equipamentos pretende abranger as diferentes necessidades ou níveis de carência da população.o objetivo de melhorar as condições de vida dos mais desfavorecidos e cujas redes de apoio informal se revelam fracas ou inexistentes. agindo como instrutores e consultores que guiam a vida dos outros. devendo. • Negociação . sem que as suas necessidades sejam de facto ouvidas e muito menos atendidas. reconhecendo-lhe direitos e exigências sobre o serviço prestado. Estão definidos quatro modelos de articulação entre profissionais do apoio formal e família: • Especialista . os familiares colaboram nas atividades num centro de dia. No entanto. o que a torna “colaborante”. Por volta dos anos 1970/1980. o que facilita o empenho geral e esbate a autoridade simbolizada pelos contextos oficiais. coloca o cliente no papel de consumidor. cumprir as indicações. impondo os cuidados sem qualquer tipo de justificação.os técnicos partilham e transferem alguns dos seus saberes para os clientes. por exemplo. 9 . Frequentemente estas são depois desvalorizadas e os clientes inferiorizados. Inicialmente. depois. a intervenção tende a ser pensada e dirigida a uma só pessoa. É neste âmbito que.clássico.

sem serem substituídas nas funções que ainda podem desempenhar sozinhas. trabalhar com a família. • Parceria . 2. portanto. Quando se acompanham pessoas idosas. reconhecendo reciprocamente conhecimentos. devem ter por base o respeito pela pessoa idosa. 10 . há que tentar a todo o custo.a parceria implica uma associação de pessoas numa relação de igualdade. de manter os seus valores espirituais e as suas relações sociais. de praticar livremente a sua religião. capacidades e partilhando as tomadas de decisão na procura de consensos. Muitas vezes. Muitas vezes. é importante incentivá-lo a tomar iniciativas de relacionamento com os familiares e amigos. deve-se ter em conta o seguinte: Criar um clima de confiança e de segurança emocional. as pessoas idosas.O isolamento Ao acompanhar pessoas idosas. encoraja as pessoas idosas a manterem uma imagem positiva deles próprios. deve-se criar estratégias de cuidados. Esta atitude. Os cuidados prestados. que permitam um bom e adaptado desenvolvimento nesta faixa etária. dadas as características da sua personalidade. Deve-se evitar o isolamento da pessoa idosa. sem que lhe sejam feitos juízos de valor. As pessoas de idade devem. A pessoa idosa tem o direito de ser feliz. no sentido de desenvolver ao máximo. de forma a que colabore nos cuidados prestados. as características e comportamentos.2. Para o conseguir. de forma a não criar situações de dependência que levam a uma diminuição da autoestima. ser encorajadas e valorizadas em todos os seus empreendimentos.

1. assegurando a confidencialidade. Nestas situações há que saber respeitar a sua vontade. através de um pedido de ajuda a um técnico de saúde. que saberá como encaminhar a situação. 3.Tipologia de serviços 11 . e ainda assim apenas se o facto de não se tomarem medidas atempadamente.Serviços de apoio à saúde do idoso emergente no mercado 3. a vida da pessoa idosa ou a vida de um familiar.fazem dos que os cuidam seus confidentes. essa situação puser em risco a vida do próprio. Esta confidencialidade só poderá ser quebrada.

que presta um conjunto de serviços que contribuem para a manutenção das pessoas idosas no seu meio sociofamiliar. desenvolvida em equipamento. desenvolvida em equipamento. de apoio a atividades sócio recreativas e culturais. prioritariamente com 65 e mais anos.  Fomentar as relações interpessoais e intergeracionais. Objetivos:  Prevenir a solidão e o isolamento. Objetivos:  Proporcionar serviços adequados à satisfação das necessidades dos utentes. organizadas e dinamizadas com participação ativa das pessoas idosas de uma comunidade.  Incentivar a participação e potenciar a inclusão social. 12 .Apresenta-se em seguida uma caracterização sumária das várias modalidades existentes: CENTRO DE CONVÍVIO Conceito:  Resposta social. CENTRO DE DIA Conceito:  Resposta social. Destinatários:  Pessoas residentes numa determinada comunidade.  Contribuir para a estabilização ou retardamento das consequências nefastas do envelhecimento.  Contribuir para retardar ou evitar a institucionalização.

durante a noite. RESIDÊNCIA 13 .  Contribuir para retardar ou evitar a institucionalização. Objetivos:  Acolher.  Favorecer a permanência da pessoa idosa no seu meio habitual de vida. isolamento ou insegurança necessitam de suporte de acompanhamento durante a noite. com idade inferior. a considerar caso a caso. promovendo a autonomia. em condições excecionais.  Fomentar relações interpessoais e intergeracionais. prioritariamente para pessoas idosas com autonomia que.  Evitar ou retardar a institucionalização. que tem por finalidade o acolhimento noturno. por vivenciarem situações de solidão. CENTRO DE NOITE Conceito:  Resposta social. Destinatários:  Pessoas que necessitem dos serviços prestados pelo Centro de Dia.  Prestar apoio psicossocial. desenvolvida em equipamento.  Contribuir para a prevenção de situações de dependência.  Assegurar bem-estar e segurança. prioritariamente pessoas com 65 e mais anos.  Favorecer a permanência no seu meio habitual de vida. pessoas idosas com autonomia. Destinatários:  Prioritariamente pessoas de 65 e mais anos com autonomia ou.

Conceito:  Resposta social. desenvolvida em equipamento. a considerar caso a caso. 14 . desenvolvida em equipamento.  Garantir à pessoa idosa uma vida confortável e um ambiente calmo e humanizado.  Assegurar a prestação dos cuidados adequados à satisfação das necessidades. Objetivos:  Acolher pessoas idosas. Destinatários:  Pessoas de 65 e mais anos ou de idade inferior em condições excecionais.  Proporcionar alojamento temporário. de utilização temporária ou permanente. tendo em vista a manutenção da autonomia e independência. para pessoas idosas. para pessoas idosas ou outras em situação de maior risco de perda de independência e/ ou de autonomia. ou outras. Objetivos:  Proporcionar alojamento (temporário ou permanente).  Criar condições que permitam preservar e incentivar a relação inter-familiar. cuja situação social. familiar. não lhes permite permanecer no seu meio habitual de vida. económica e /ou de saúde. LAR DE IDOSOS Conceito:  Resposta social. com autonomia total ou parcial.  Contribuir para a estabilização ou retardamento das consequências nefastas do envelhecimento. ou outras. destinada a alojamento coletivo.  Proporcionar serviços adequados à problemática biopsicossocial das pessoas idosas. como forma de apoio à família. constituída por um conjunto de apartamentos com espaços e/ou serviços de utilização comum.

visa promover a segurança dos idosos mais isolados através do policiamento de proximidade que valoriza a comunicação polícia. Mediante as necessidades de cada caso e a análise de outros fatores poderá ser tomada uma decisão. públicas e privadas. centenas de instituições que disponibilizam serviços de apoio a idosos.Idosos em Segurança” Em vigor desde 1996. São igualmente relevantes medidas intersectoriais que têm vindo a ser implementadas para promover a segurança e qualidade de vida da população geriátrica: Programa “Apoio 65 .  Criar condições que permitam preservar e incentivar a relação intrafamiliar.-cidadão (em colaboração com a PSP). 3.Redes de suporte e recursos da comunidade (cuidados domiciliários) Existem. Destinatários:  Pessoas de 65 e mais anos ou de idade inferior em condições excecionais. a considerar caso a caso. Programa Idosos em lar (PILAR) 15 . ao nível formal.  Encaminhar e acompanhar as pessoas idosas para soluções adequadas à sua situação.2.

dos Ministros da Saúde e do Emprego e Segurança Social. formais e informais para a prestação de cuidados.apoio temporário com vista à reabilitação de pessoas com dependência. Através de uma central.  Passes para a terceira idade . através. assegurando cuidados diversificados com base em estruturas já existentes. que estão na origem de:  Unidades de Apoio Integrado (UAI) .centros que asseguram apoio ao longo de 24 horas a pessoas que necessitem de cuidados multidisciplinares que não podem ser prestados no domicílio. fomentando a sua mobilidade. por exemplo.permitir à população idosa o acesso a tratamentos termais e o contacto com meio social diferente. barreiras arquitetónicas. 16 .  Saúde e Termalismo . do realojamento de idosos oriundos de lares lucrativos sem condições de financiamento. prevenindo o isolamento social.  Centros de Apoio a Dependentes/Centros Pluridisciplinares de Recursos . tecnologias. questões geográficas.Criado por Despacho do Secretário de Estado da Inserção Social de 20 de Fevereiro de 1997.  Formação de Recursos Humanos – habilitar agentes. contempla um número significativo de serviços:  Serviços de Apoio Domiciliário. permite a intervenção atempada em caso de emergência.sem restrições horárias para a população com mais de 65 anos. Programa de Apoio Integrado a Idosos (PAII) Criado por despacho Conjunto de 1 de Julho de 1994. de 15 de Maio. procura desenvolver e intensificar a oferta de lares para idosos. Respostas Integradas que resultam da Articulação entre a Saúde e a Acão Social Por Despacho Conjunto 407/98. da criação/remodelação de lugares dirigidos a utentes de Instituições Particulares de Solidariedade Social sem condições de financiamento. do aumento da oferta em zonas com baixa cobertura deste serviço. integração social e participação na vida ativa. pretende diminuir o isolamento devido a problemas de saúde.

aumentar os níveis de qualificação e prevenir situações que conduzam à exclusão social em áreas desqualificadas. Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados Aprovado em Conselho de Ministros a 16 de Março de 2006. Contratos Locais de Desenvolvimento Social Pretendem combater a pobreza. Programa de Conforto Habitacional dos Idosos Inserida no âmbito do Programa Nacional de Acão para a Inclusão.que assegura a prestação de cuidados médicos e de enfermagem e a prestação de apoio social no domicílio visando a promoção do autocuidado. pretende-se possibilitar o serviço de apoio domiciliário e evitar a institucionalização e dependência. Plano Gerontológico Local Planeamento de serviços e projetos em função de grupos e zonas de intervenção prioritárias. de Acão social e instituições. lentes e próteses dentárias removíveis. 17 . com a reparação de 137 residências. óculos. As obras passam pela substituição dos telhados. visando diminuir o número de internamentos. que podem envolver os serviços de emprego. chão. industrializadas ou atingidas por calamidades.(ADI) . começou a ser implementada no distrito de Bragança. tem como público beneficiário as pessoas com dependência. adaptação de cozinhas ou instalações sanitárias. destinado a medicamentos.  Apoio Domiciliário Integrado . através do estabelecimento de parcerias de âmbito local. mediante as suas orientações de intervenção. paredes. Melhorando as condições básicas de habitabilidade. feito por equipas multidisciplinares e intersectoriais. Complemento solidário para idosos Constitui-se num apoio financeiro de até 250 euros por cada período de três anos.

são. a possibilidade de institucionalização temporária em unidades de cuidados continuados de longa duração para que o cuidador possa descansar. muitas vezes os principais motivos para reorganizar a vida familiar e integrar o idoso.O voluntariado e as redes informais de apoio A sociedade portuguesa continua a caracterizar-se pelos fortes laços de solidariedade familiar e comunitária. média duração/reabilitação. A contínua perda de autonomia do sénior ou a desistência de um antecessor. 18 . inclusivamente. 3. os cuidados prestados pelas redes informais são muitas vezes resultantes de um sentimento de obrigação: a pressão social acentua o carácter negativo da institucionalização. O cuidador informal será respeitado pelas concessões que fará perante as novas exigências do seu papel.3. equipas hospitalares e equipas domiciliárias (de cuidados continuados integrados e comunitárias de suporte paliativo). longa duração/manutenção e cuidados paliativos). transmitir o exemplo aos filhos ou não suportar a censura dos vizinhos.Os serviços disponibilizados incluem unidades de internamento (para convalescença. o querer corresponder a expectativas. embora raramente o assuma voluntariamente: estudos demonstraram que mais facilmente há ajuda quando não existe a perspetiva de encargo e dependência. A retribuição do sacrifício dos pais. uma doença ou acidente inesperados. ambulatório (unidade de dia e de promoção da autonomia). poderão despoletar a necessidade e o envolvimento progressivo. Prevê. a viuvez. No entanto.

a própria rede de cuidados tem carácter dinâmico. esta é a sua incapacidade para realizar determinadas atividades básicas. para todos os elementos do grupo familiar. responsabilidades e rotinas traz transtornos e poderá ser fonte de conflitos.  Assunção das tarefas e responsabilidades relacionadas com os cuidados em casa e. Prestar apoio envolve sentimentos contraditórios.  Libertação da prestação de cuidados em resultado do falecimento do idoso. hierarquias e subordinações. alterando-se os poderes: para o idoso. numa instituição formal.A carreira de cuidador informal envolve 3 estádios:  Preparação e aquisição do papel. criando inclusões e exclusões. enquanto que para o cuidador é o dever de o substituir nessas mesmas atividades. étnicos. quer para o cônjuge de quem cuida. Embora todos tenham os seus contextos vivenciais. Este sentimento é particularmente presente quando se entra na esfera da intimidade. sendo agravado pelo constrangimento mútuo. Sendo a família um sistema. a reorganização de horários. a dependência implica uma nova perceção de si e do outro. A nova divisão das tarefas. definindo obrigações em função da proximidade subjetiva ou em termos de género. momentos de angústia. nacionais. raciais ou de classe e de estilo de vida. Por outro lado. É um processo dinâmico que evolui reestruturando as relações prévias mediante as necessidades. Conclui-se que as redes informais com base na família são limitadas em termos de eficácia e de resposta dado o seu carácter restrito: funciona pelos conhecimentos. geracionais. assumir a prestação de cuidados tem um impacto enorme sobre a sua estrutura e restantes relações. Daí que seja 19 . eventualmente. quer para os filhos. stresse e frustração.

Do idoso. da família. sempre que possível. repartindo a sobrecarga e aliviando a pressão geral. Em suma.1.Teorias do envelhecimento A abordagem psicológica do envelhecimento considera que nem todas as mudanças que têm lugar se relacionam com o padrão biológico de envelhecimento. 4.essencial alargá-las. em todo este processo.O processo do envelhecimento 4. pelo que não é possível somente estabelecer-se uma relação linear entre a componente biológica e o 20 . dos amigos e da comunidade. dos cuidadores. envolvendo amigos e vizinhos. é essencial a proatividade.

dependendo muito mais das suas experiências pessoais. (ii) Primeira infância (12/18 meses . Nesta linha. (iii) Idade do jogo (3 . Reflexo desta conceção é o facto de 3/4 do ciclo de vida estarem incluídos nos três últimos estádios propostos pela sua teoria. vida adulta). (viii) Velhice (após os 65 anos. também as teorias que aqui se incluem não são justificativas das mudanças decorrentes da passagem do tempo. perante o qual o indivíduo tem que optar por uma de duas posições antagónicas (momento de crise). mas descritivas. enquanto o dos adultos é díspar. (iv) Idade escolar (6 . (vii) Maturidade (35 . surge o que Erikson denomina virtude.3 anos). Teoria Psicossocial do Desenvolvimento da Personalidade (Erikson) Esta teoria considera que o desenvolvimento resulta da interação dos fatores individuais e culturais. da maturidade cognitiva e da adaptação e integração exigidas pelas constantes solicitações sociais.18 anos). e que se processa ao longo de oito estádios. 21 . vida adulta tardia). Representam momentos críticos no desenvolvimento do indivíduo ao nível do crescimento físico e sexual.12 anos). A resolução ou não desse conflito contribui para a formação da sua identidade. São eles: (i) Pequena infância (até aos 12/18meses). (v) Adolescência (12 . Em cada um desses estádios há um conflito normativo.6anos).envelhecimento global do indivíduo. (vi) Jovem adulto (18 . apesar de cada estádio despontar de forma independente da natureza da resolução do estádio anterior.35 anos).65 anos. Se resolvido com sucesso. Considera-se que o desenvolvimento das crianças e adolescentes é relativamente universal.

Teoria psicossocial de Peck Outro estudioso desta etapa do desenvolvimento psicossocial. Erikson argumenta que a pessoa não deve chegar a esta fase com o tormento de que “deveria ter feito” mais ou “poderia ter sido” melhor. A certeza de que viveu uma vida produtiva trará uma maior aceitação da hora da morte. expande a teoria de Erikson. Ele diz que as pessoas precisam de se “lamentar” – não apenas pelos próprios infortúnios e oportunidades pessoais perdidas. para aceitar a aproximação da morte. tenderão ao desespero. e descreve três ajustes psicológicos importantes para a fase final da vida: 1. Erikson defende que um pouco de desespero é inevitável. ao fazerem esta análise.Esta última fase corresponde à integridade do ego ou o desespero. que se avizinha. mas também pela “vulnerabilidade e transição da vida”. não encontram grandes motivos para orgulho pessoal e satisfação. direcionando seu tempo à conquista de méritos profissionais pessoais. Os adultos mais velhos (segundo Erikson. resumi-las e aceitá-las. a partir dos 60 anos) precisam avaliar as suas vidas. Todavia. Superioridade do corpo contra preocupação com o corpo Aqueles para quem o bem-estar físico é primordial à existência feliz poderão ficar mergulhados no desespero ao enfrentarem a diminuição progressiva da saúde. por verem que o tempo já passou e não há mais condições para concretizar novos projetos e metas. 2. com a chegada da terceira idade. Aqueles que. 22 .Definições mais amplas do ego contra uma preocupação com papéis de trabalho São aqueles que definiram suas vidas pelo trabalho. Robert Peck. e o surgimento das dores e limitações físicas.

Só assim. e continuarem a contribuir para o bem-estar próprio e dos outros. A vida deve encaminhar-se de tal forma que as preocupações com trabalho. 23 . Cada fase caracteriza-se por mudanças em termos de acontecimentos. A primeira conclusão a que rapidamente chegou é que a vida da pessoa está em constante alteração devido a fatores biológicos. precursor de ideias mais contemporâneas. medos e desespero.Peck afirma que ao longo da vida. Superioridade do ego contra uma preocupação com o ego Provavelmente o mais duro e mais importante ajuste para o idoso seja a preocupação com a morte próxima. as pessoas precisam cultivar faculdades mentais e sociais que cresçam com a idade. A autora baseou-se em estudos de biografias analisadas segundo uma metodologia desenvolvida para revelar uma progressão ordenada de etapas. psicológicos e sociais. O reconhecimento do significado duradouro de tudo que fizeram ajudará a superar a preocupação com o ego. Teoria psicossocial de Bühler CHARLOTTE BÜHLER propôs em 1943 um modelo psicológico pioneiro. como a teoria do curso da vida. a velhice chegará sem traumas e será um período de orgulho das realizações e livre de frustrações. procurou determinar as várias fases do desenvolvimento humano desde o nascimento até à morte. bem-estar físico e mera existência não suplantem a mais importante reflexão que todos devem ter antes de chegar à velhice: entender-se a si mesmo e dar um propósito à vida. 3. atitudes e realizações durante o ciclo de vida.

O desenvolvimento da vida humana processa-se por fases. conforme os indivíduos. a teoria de Bühler vai ao encontro dos resultados da investigação mais recente no campo do desenvolvimento do adulto e idoso. que abrangem toda a sua extensão. Neste momento é clara a consciência que não mais lugar à realização de grandes objetivos e metas pessoais. o idoso muitas vezes reformula os seus objetivos restringindo-os a um plano mais concreto e imediato. A autora concluiu. 4. culminância (vida adulta) e contração (velhice). A quinta fase. conjugando a idade cronológica com processos que marcam momentos de expansão (infância). Neste aspeto. e a que corresponde também uma nítida decadência física e de elasticidade mental. é marcada. que a sensação de não se ter alcançado e cumprido de forma satisfatória os seus objetivos era um fator mais importante que o declínio físico no desencadear de problemas de adaptação na velhice. sendo o amadurecimento psicológico orientado e organizado por metas ao longo de todo o processo. que começa por volta dos 65 anos.2. É a época em que as profissões primitivas são substituídas por profissões parciais ou hobbies e em que muitas vezes se verifica a perda de um dos cônjuges.Dimensões biofisiológicas do envelhecimento humano As modificações fisiológicas que se produzem no decurso do envelhecimento resultam de interações complexas entre os vários fatores intrínsecos e extrínsecos e manifestam-se através de mudanças estruturais e funcionais: 24 . por isso. a partir dos seus estudos. por um período de calma após a vida ativa.

Isto leva-nos a pensar que o modelo existente de assistência aos idosos não se adequa à satisfação das suas necessidades.Com todo este leque de alterações. 20 ou mais anos. além de serem 25 . Outra ideia comum. e que tem sido confirmada por vários estudos. portanto. é que em relação a outras faixas etárias os idosos consomem muito mais do nosso sistema de saúde e que este maior custo não tem revertido em seu benefício. há inevitavelmente entidades patológicas que se tornam mais frequentes nos idosos. Os problemas de saúde dos mais velhos. persiste a ideia que a maioria dos problemas de saúde são de carácter crónico e que. vão perdurar 15. Apesar de uma importante parcela deste grupo etário relatar estar bem de saúde e de se verificar alguma variabilidade de opinião relativamente às alterações mais prevalentes nos idosos.

das aptidões sociais e aos contextos biográficos do sujeito. equipamentos próprios e exames complementares mais esclarecedores. patológica (doenças e/ou lesões).3. com interferência do meio ambiente e do contexto sociocultural. cognitivas e comportamentais que permite ao sujeito se libertar das suas tensões. memoria. prevenção. pois estas vão influenciar significativamente a qualidade de vida e o bem- estar psicológico do idoso. 4. não podem ser mecanicamente transportados para os idosos sem que significativas e importantes adaptações sejam executadas. com componentes fisiológicas.Dimensões psicológicas do envelhecimento O processo de envelhecimento envolve alterações ao nível dos processos mentais. de potencialidades individuais (processamento de informação. Quer isto dizer que o envelhecimento. torna-se urgente que as instituições promotoras de saúde se organizem no sentido de responder adequadamente às necessidades de saúde da população idosa. recuperação e reabilitação. é necessário perceber a importância das formas de compensação. requerem pessoal qualificado. da personalidade. 26 .de longa duração. que cada um de nós utiliza/prepara para fazer face às perdas associadas ao envelhecimento. Nesta perspetiva. A emoção é uma reação súbita de todo o nosso organismo. vai depender de fatores de ordem genética. entre outras). equipas multidisciplinares. das motivações. do ponto de vista psicológico. desempenho cognitivo. Segundo esta perspetiva. O conhecimento desta problemática permite-nos perceber que os clássicos modelos de promoção.

 Conservadorismo de carácter e de ideias (rigidez mental)  Atitude hostil diante do novo. embaraço. das aspirações. felicidade. pois comporta interferências de incitadores internos. Características do envelhecimento emocional:  Redução da tolerância a estímulos. orgulho. 4. da iniciativa.Emoções de Fundo São detetadas através de pormenores como a velocidade dos movimentos ou até a contração dos músculos faciais. económicas.  Estreitamento da afetividade. medo.  Sintomas hipocondríacos. É frequente que os idosos associem à idade avançada a melancolia e a tristeza devido a perdas afetivas. compaixão.  Diminuição da vontade. depreciativos ou de passividade. sociais e doenças crónicas. bem-estar e mal-estar Emoções Primárias São universais e estão associadas a estados físicos. Podem ser relatadas como a alegria. admiração e desprezo. Emoções Sociais Emergem devido à relação sociocultural e podem manifestar-se como a simpatia. culpa. Estas podem ser relatadas como o entusiasmo.4. cólera. tristeza. inveja.  Acentuação de traços obsessivos. surpresa. calma. raiva e repugnância. tensão. vergonha.Contexto social do envelhecimento 27 . ciúme.  Vulnerabilidade à ansiedade e depressão.

a família).É comum ouvir que o estatuto do idoso na sociedade se alterou significativamente nos últimos anos. tornando-se num indicador que diferencia os indivíduos: implicam a identificação ou a atribuição de características relacionadas com a idade que um indivíduo deverá possuir. Segundo a importância e repercussão que envelhecer tem numa determinada sociedade. têm relevância nas relações pessoais e sociais. refere-se uma posição hierárquica que este ocupa no meio em que se movimenta. estando conotado de forma negativa. assim são atribuídos em termos sociais diferentes significados ao que é ‘ser novo’ ou ‘ser velho’. o que conduz ao surgimento de diferentes interpretações sobre a velhice. ou dos vários grupos na sociedade (os jovens e os idosos. Esses significados diferem de cultura para cultura e de época para época. Quando se fala do estatuto do idoso. Essas interpretações. Se esta for elevada. É esperado que a pessoa (ou grupo) se comporte de determinada forma. a população ativa profissionalmente e a inativa). As comparações sociais vão traduzir-se numa hierarquia que pode ser de indivíduos no mesmo grupo (por exemplo. assegurando funções específicas. A uma alteração de estatuto poderá corresponder uma modificação considerável no papel que a pessoa desempenha para as redes sociais em que se movimenta. 28 . a sua identidade social é positiva e tida como modelo. construídas socialmente. sendo o seu papel descurado e desvalorizado.

Dimensão ideológica/normativa Quais as obrigações e deveres que deverá ter. deste modo. Dimensão interaccional Qual o tipo de relações que deve estabelecer com os indivíduos da sua e outras faixas etárias. Dimensão coletiva Qual a possibilidade de ser admitido ou não numa determinada organização em função da idade (aos 40 anos pertencer a uma coletividade para adolescentes ou a um de grupo de reformados). também. Esse mesmo posicionamento influenciará. assumir responsabilidades). na sociedade em que vive). a forma como o indivíduo se perceciona. 29 . resultante da comparação que faz entre si e os outros indivíduos do seu grupo etário. crenças religiosas e capacidades funcionais que devem estar presentes no indivíduo em função da sua faixa etária. Será o posicionamento do indivíduo nestas quatro dimensões (consequente da sua idade cronológica) que determinará a sua idade em termos sociais (se ‘ainda é novo para’ ou se ‘já é velho para’. A maioria das sociedades possui ‘relógios sociais’. caracterizado em várias dimensões: Dimensão cognitiva Qual o tipo de raciocínio. normas relativas a acontecimentos que devem ocorrer no ciclo vital do indivíduo e que regulam em que altura da vida deve realizar determinada ação ou deixar de exercer uma outra (entre os 20 e os 30 anos deve casar. O indivíduo é.Esse processo funciona como uma ‘ferramenta de diagnóstico social’. de preocupações e de sensibilidade do indivíduo. cognitivas. com a qual se inferem as competências sociais. ter filhos.

bem como a falta de esclarecimento às pessoas sobre os fatos inerentes ao envelhecimento. Enquanto que ontem:  O idoso tinha um papel preponderante na estrutura social 30 . assumidas como características comuns da velhice. As atitudes que se tomam face ao idoso e á velhice são sobretudo de negatividade e em parte são responsáveis pela:  Imagem que eles têm de si próprios  Das condições e circunstâncias que envolvem o envelhecimento. resultando na formação de preconceitos e que tendem a relegar os idosos a condições de incapacidade. mitos e estereótipos associados ao processo de envelhecimento 4. As atitudes negativas face aos idosos existem em todos os níveis sociais: intervenientes.5.5. A falta de conhecimento científico dos profissionais da educação e da saúde.4. as atitudes sociais em relação aos idosos são predominantemente negativas. governantes etc.Preconceitos. impedem a transformação de atitudes e de comportamentos em relação à velhice.1.Comportamentos e atitudes Nas sociedades ocidentais. beneficiários. improdutividade. dependência e senilidade.

4. por parte sociedade. continuava a gozar de elevado “ Estatuto Social”. recentemente.5. pobre. assexuado. nas suas investigações. ao aborrecimento. culturais. Os mitos e estereótipos relativos à terceira idade são muitos e apresentam-se em frases. conduz a falsas perceções que acabam por associar a velhice à doença. económicos e políticos. que mantinha até quase ao fim da vida. à dependência. dependente.2. porque não produz  Os idosos são afastados dos planos sociais. a dissipar alguns destes estereótipos face ao idoso. e contribuído para uma descrição mais realista do que é o adulto na última fase do ciclo vital. Hoje verifica-se que:  O idoso perde o seu estatuto social  O idoso perde o lugar na família  O idoso é visto como um ser indesejável numa sociedade de competição e de consumo  O idoso é considerado um ser consumidor. ao egoísmo.  O idoso era considerado um depósito de sabedoria e cultura  O idoso para além da autoridade familiar. era o transmissor de usos e costumes de geração em geração  O idoso era respeitado e venerado por todos e mesmo depois de abandonar a sua atividade profissional. 31 . às rugas e cabelos brancos que acabam por levar os idosos à solidão. acelerando o processo de envelhecimento.Estereótipos O desconhecimento sobre o envelhecimento. expressões que estão tão enraizados que por vezes se tornam numa realidade. infantil. A Gerontologia tem vindo. esquecido. à perda de estatuto social. enquanto pessoa frágil.

 À senilidade .conflitos e angústias/força e vontade de acompanhar a família.alguns têm interesse em aprender coisas novas.  Ao isolamento e alienação .progressivo. úteis.confundir velhice com doença.  À desvinculação com o futuro .gosto pela convivência intergeracional e pela socialização.colaboração com os outros e com a comunidade. contrastando com a vitalidade de alguns idosos.  Ao estado serenidade . ESTEREÓTIPOS LIGADOS AOS IDOSOS NEGATIVOS POSITIVOS  Doença  Sabedoria  Morte  Amabilidade  Solidão  Generosidade  Perda de Memória  Solidariedade  Diminuição de Habilidades  Bondade Físicas e Sensoriais 32 .alguns idosos ainda mostram ter capacidade para fazer grandes obras.  À improdutividade .o idoso apresenta várias formas de pensar e nostalgia.Alguns dos mitos da velhice por parte da sociedade estão associados:  Ao processo cronológico .  À deterioração da inteligência . pela descoberta.  À inutilidade do viver .realização de casamentos e vida a dois.  À inexistência de interesse e desejo sexual .

Alterações na saúde do idoso 5.1. por vezes. serem modificados. Embora os efeitos do envelhecimento sejam múltiplos e complexos podem.Alterações fisiológicas Os problemas associados ao envelhecimento biológico não têm que ser necessariamente corrigidos médica. 33 .  Evitar complicações mantendo uma higiene de vida revitalizante para o organismo.5. cirúrgica ou farmacologicamente. Para isso é necessário:  Reconhecer as principais mudanças associadas ao envelhecimento biológico.  Retardar os seus efeitos negativos ou diminuir o seu alcance. visto fazerem parte do processo de adaptação.

tecidos e células:  A pele envelhece mais rapidamente que o fígado. da concentração. poderá ocorrer mais cedo ou mais tarde. este não atinge simultaneamente todas as células e. existe fundamentalmente perda de neurónios substituídos por tecido glial. Seja qual for o mecanismo e o tempo de envelhecimento celular. alterações da memória. da inteligência e do pensamento. órgãos e sistemas. de acordo com hábitos prevalecentes e resistência orgânica. "as alterações orgânicas a nível das mucosas digestivas. consequentemente. todos os tecidos. mas sem a interferência dos fatores ambientais há alterações que se dão mais cedo e se tornam mais evidentes quando o organismo é agredido pela doença. A nível do sistema nervoso. 34 . A diminuição de função renal em cerca de 50% aos 80 anos . com consequente diminuição da extração da glicose e do transporte do oxigénio e a diminuição de neuromodeladores que condicionam a lentificação dos processos mentais. pelo stress e contaminação bacteriana. a diminuição do débito sanguíneo.  As complicações vasculares afetarão principalmente o sistema cardíaco.  A arteriosclerose acumulada por má alimentação. e modificar o seu estilo de vida.Os idosos devem integrar os seus problemas físicos e as suas limitações na nova perceção de si próprios. indiciam frequentemente problemas nutricionais. da atenção. e as ajudantes de lar devem ajudá-los nesse sentido. Cada sistema tem o seu tempo de envelhecimento. O envelhecimento diferencial envolve preferencialmente os órgãos efetores e resulta de processos intrínsecos que se manifestam a nível dos órgãos.condiciona a farmacoterapia do idoso". A prevenção é extremamente importante: os idosos têm de conservar uma atitude positiva quanto ao seu potencial de saúde.

temos ainda a considerar as diminuições orgânicas e funcionais. Tal. A manutenção da saúde mental na pessoa idosa é. não corresponde à verdade. a diminuição da sua reserva fisiológica e a consequente dificuldade na reposição do seu equilíbrio homeostático quando alterado.2. muitos de nós quando falamos de pessoas idosas.Alterações psicossociais Infelizmente. Os problemas psicológicos ligados ao 35 . como uma sintomatologia inerente ao envelhecimento. que a torna apta a controlar as tensões geradas pelo avançar da idade e pelas perdas que acompanham essa realidade. diversas investigações têm permitido matizar estas afirmações. Se envelhecer é tornar-se numa pessoa madura. conservar a maturidade adquirida no decorrer dos anos nem sempre é fácil. e que a maior parte das pessoas o conseguem. no entanto. será que existe um envelhecimento psicológico. no entanto. Talvez as condições mais relevantes a ter em consideração para a sobrevivência do idoso e para a sua qualidade de vida sejam. que originam significativas alterações na forma e na composição corporal com o decorre dos anos. temos imagens menos bonitas desta faixa etária. que algumas pessoas idosas doentes apresentam. Nos últimos vinte anos. e facilmente confundimos a demência. em parte.Para além de tudo isto. Mas se existe um envelhecimento físico. Hoje podemos afirmar que é possível conservar a saúde mental até ao fim da vida. devida a um envelhecimento bem-sucedido. 5. cognitivo e social? Sempre se acreditou que a velhice se traduzia por uma notável diminuição dos processos cognitivos. que como já vimos é inevitável.

as crises. a doença. isto é. Envelhecer bem é aceitar a velhice e continuar a viver recorrendo a estratégias para conservar a auto estima é atingir a sabedoria e a serenidade para inventar uma nova maneira de viver. Um idoso pode precisar de ajuda para fazer a sua higiene pessoal.Alterações nos hábitos de higiene A capacidade funcional corresponde a que o indivíduo possa cuidar de si próprio. de uma forma mais saudável.3. o desenraizamento (ex. desempenhando tarefas de cuidados pessoais e de adaptação ao meio em que vive. como determina o bem-estar social. Por mais independente que seja um idoso. Adaptar-se ao envelhecimento. a mutilação. São sobretudo as perdas do papel social (ex.: reforma). mas antes ter a inteligência de aproveitar tudo o que ainda se possui. a perda gradual das funções orgânicas. as múltiplas situações de stress.: colocação num lar). que diminuem a capacidade de concentração e de reflexão das pessoas idosas. traz benefícios tanto para a saúde física e mental. para continuar em atividade e com um papel importante na família e na comunidade. a fadiga. não é resignar-se. o confronto com o desconhecido e a morte.envelhecimento raramente são causados pela diminuição das capacidades cognitivas. Se a pessoa foi capaz de ao longo da sua vida ir-se adaptando às situações existentes. a separação. A capacidade funcional para desempenhar as tarefas do dia-a-dia. para ir às compras e/ou confecionar as suas refeições. os cuidados gerais que necessitam podem passar por alguma ou até muita ajuda externa. 5. Envelhecer é também aceitar o inevitável. o sofrimento. terá mais facilidade de entrar neste ciclo de vida. para 36 .

Se forem prestados cuidados mais intensos que os necessários. Por outro lado. A digestão e a mastigação poderão estar comprometidas devido ao mau estado dos dentes e dos maxilares. entre muitas outras tarefas do dia-a-dia. para ir ao médico. estas não alteram profundamente o seu funcionamento. ver o correio e pagar as contas. Não só os idosos sofrem consequências. mas também os prestadores de cuidados.4. ficam sobrecarregados.efetuar a limpeza da casa. Para que o envelhecimento seja uma experiência bem-sucedida há que promover a autonomia e independência. que. o que provoca muitas vezes falta de apetite. 37 . Verifica-se igualmente uma redução do olfato. de uma forma ou de outra. se os cuidados forem menos do que os necessários. o idoso pode tornar-se mais dependente. o idoso pode ser prejudicado na sua qualidade de vida. A incorreta determinação do nível adequado de cuidados pode ter consequências potencialmente negativas. 5. O planeamento de intervenção deve ser feito de acordo com as necessidades reais. pelo que a comida deixa de ter tanto sabor. devido à diminuição do número de papilas gustativas.Alterações nos cuidados de alimentação Muito embora o sistema gastrointestinal sofra muitas modificações ao longo do processo de envelhecimento. O sentido do paladar altera-se.

das mandíbulas e lábios.O reflexo de deglutição funciona menos bem. mas também. 5. Esta situação. pelo contrário. A capacidade de absorção intestinal altera-se. Também as articulações sofrem mudanças. A diminuição da produção de saliva. Enquanto ao longo do processo de degeneração algumas articulações se tornam menos flexíveis. 38 . Todos os músculos do organismo se atrofiam com o tempo. os ligamentos calcificam-se e as articulações tornam-se mais pequenas devido à erosão das superfícies articulares. associada a uma má mastigação dos alimentos. A produção das enzimas responsáveis pela digestão diminui. de força e de agilidade.Alterações na mobilidade As alterações ao nível do sistema osteoarticular são as que aparecem mais rapidamente e são responsáveis pelas alterações não só da aparência e da estrutura física. do funcionamento do organismo. A diminuição da mobilidade intestinal tem como consequência a obstipação muito usual nas pessoas idosas.5. contribui para que as pessoas idosas se queixem de sensação de secura da boca. leva ao aparecimento de dores epigástricas e a cãibras digestivas. pelo que as pessoas idosas engasgam-se com muita facilidade. bem como dos membros inferiores. outras há que. levando a uma diminuição efetiva da nutrição. se tornam mais flexíveis e hiperelásticas. levando a uma deterioração do tónus muscular e a uma perda de potência. O fígado atrofia-se levando a uma dificuldade na absorção das gorduras. Esta deterioração é responsável pelo tremor das mãos.

contrariada pela inclinação da cabeça para trás. a caixa torácica diminui também de volume e as costelas deslocam-se para baixo e para a frente. é também responsável. e a largura dos ombros.2 cm a 5 cm. para além de provocar fraturas fáceis. diminui a amplitude respiratória. Estas alterações modificam com o tempo a fisionomia da pessoa idosa. que consiste no “encolher” da coluna vertebral. É responsável pela posição do corpo inclinada para a frente. Esta redução da caixa torácica. Para manter o equilíbrio a pessoa idosa tem de se inclinar para a frente de forma a manter o centro de gravidade. Esta reabsorção óssea dos maxilares e da mandíbula vai-se acentuando com a queda dos dentes. 39 . Este “encolher” da coluna cria um efeito de desproporção. Esta perda relaciona-se com um processo de inflamação e de reabsorção do osso em torno do dente (parecido com a osteoporose).A osteoporose. pela perda de dentes. provoca um desvio da parte superior do tórax e uma acentuação da curva natural da coluna vertebral. A redução da altura é também um fenómeno do envelhecimento. Com este encurvar de coluna. devido ao estreitamento das vértebras dorso-lombares associado também à osteoporose. uma vez que os braços e as pernas mantêm o mesmo comprimento. denominada “cifose”. associada à atrofia dos músculos respiratórios. reduzindo a distância entre o queixo e o nariz. Por outro lado. de 1.

Viver mais tempo aumenta as probabilidades em 80% de contrair uma ou mais doenças crónicas.6. No entanto.1. Em muitos casos é difícil de distinguir quando se trata de alterações decorrentes do processo de envelhecimento ou se são manifestações patológicas.Doenças físicas As alterações de estrutura e as perdas funcionais ocorrem em todos os órgãos e sistemas do corpo humano. 40 . os principais problemas de saúde dão-se a nível de sistema nervoso central.Características das situações de doença mais frequentes na pessoa idosa 6. aparelho locomotor. sistema cardiovascular e sistema respiratório. bem como limitações físicas incapacitantes.

2%. na medida em que não têm diagnóstico de resolubilidade rápida e absorvem grandes quantidades de recursos materiais e de profissionais especializados (nomeadamente de reabilitação). numa relação de prevalência de 47.  Função genito-urinária.De qualquer modo. Isto leva-nos a pensar que o modelo existente de assistência aos idosos não se adequa à satisfação das suas necessidades.  Cutâneo. Estas incapacidades estão a tornar--se cada vez mais prevalentes e têm importância crucial. mas para as três condições mais frequentes dessas incapacidades em pessoas com mais de 65 anos são: artropatias. 41. requerem pessoal qualificado. os principais efeitos do processo de envelhecimento e/ou doença crónica manifestam-se ao nível:  Cardiopulmonar. Deve ser ressalvado que a presença de múltiplas afeções associadas na mesma pessoa (situação frequente nos idosos) aumenta a probabilidade de incapacidade para uma ou mais atividades de vida diária (AVD). Os problemas de saúde dos mais velhos.4%.4% e 30. respetivamente.  Endócrino. 41 . Existe de facto uma relação estreita entre incapacidades e idosos. além de serem de longa duração.  Renal.  Músculo-esquelético.  Neurológico. hipertensão arterial sistémica e cardiopatias.  Função intestinal. equipas multidisciplinares.  Padrão do sono. equipamentos próprios e exames complementares mais esclarecedores.  Função hepática.

lar). o aparecimento de problemas emotivos nas pessoas idosas. mais profundamente alguns dos fatores que podem causar problemas psicológicos:  O estado de saúde física . Outras há que se julgam doentes. mostrando tendência para ficarem em casa. devido ao stress relacionado com o internamento (hospital. 42 . na cama. Assim. mais importante do que o estado de saúde é a perceção que cada um tem da sua própria saúde.2. caminhando rapidamente para uma situações de doença.6. Examinemos. Não podemos esquecer que existem também alterações mentais causadas por medicamentos ou outras intervenções que visam a cura ou o tratamento das pessoas idosas (causas iatrogénicas) assim como.Existem pessoas que têm a capacidade de se julgarem saudáveis. Os principais problemas de saúde mental que existem nas pessoas idosas são:  A depressão  A ansiedade  O isolamento  O suicídio  Perturbações do sono  O alcoolismo. ainda que apresentem algumas patologias crónicas ou agudas. Diversos fatores podem então influenciar de diferentes maneiras.Alterações de Comportamento O funcionamento mental do ser humano liga-se às emoções e ao ambiente que o rodeia. Estas pessoas têm a capacidade de se adaptarem às suas limitações. não deixando de se divertirem ou participarem em atividades sociais.

Indica decadência das funções intelectuais tais como: memória. o tempo de reação e a perceção.  A personalidade .  O estatuto familiar e conjugal – A família e os amigos constituem muitas vezes a principal rede de suporte das pessoas idosas. Uma vez que o cérebro é o órgão mais importante do nosso corpo.O indivíduo que ao longo da sua vida sempre demonstrou capacidades de adaptação continua a conseguir adaptar-se a situações de privação ou de stress. Pessoas com personalidades menos fortes.3.Doenças degenerativas (demências) O termo demência é utilizado geralmente para a deterioração mental. Para se ultrapassar esta fase é necessário que a pessoa idosa adquira novos papéis. relacionadas com o envelhecimento. associação e execução da mente. uma diminuição no seu desempenho é vivida de forma dramática pelo próprio e pela família. capacidade de julgamento. A sua separação da família ou dos amigos. As funções mais atingidas são: a memória. para um papel mais passivo traz habitualmente problemas psicológicos. 6. leva à solidão. reagem de forma diferente e vivem um sentimento de impotência face ao envelhecimento e ao impacto que tem na sua vida. As mudanças intelectuais. mantendo-se ativa e útil. qualquer que seja a causa. A falta de ocupação tem efeitos nefastos sobre a perceção de si. 43 .  A mudança de papel . que por sua vez vai aumentar a insegurança e bloquear seriamente a capacidade de adaptação.A passagem de um papel tradicional e utilitário tanto para a família como para a sociedade. e pode conduzir à depressão. poder de decisão e as várias funções de perceção. têm a ver com alterações de certas funções e não com alterações da inteligência.

principalmente da memória a curto prazo. Pouco a pouco. discretas alterações da personalidade podem surgir e o doente vai-se tornando menos espontâneo. ou pode secundar a arteriosclerose. No caso das pessoas idosas. podem ocorrer situações graves. Estes doentes. é um distúrbio. portanto. com evolução gradualmente progressiva e que atualmente é irreversível. os primeiros sinais de demência são tão discretos que passam despercebidos ao médico e à família. pode estar associada a lesões cerebrais. numa fase inicial da doença. explicando o que efetivamente se passa. deve-se sempre tentar trazer a pessoa para a realidade. Geralmente inicia-se por um défice de memória. O acompanhamento por uma pessoa de família ou quem a substitua é. As causas de demência podem ser várias: pode ocorrer após traumatismo. não deverão ser deixados sozinhos.Muitas vezes. ou ingerirem medicamentos em quantidade excessiva. 44 . do qual ainda não se conhecem as causas. Pode-lhe estar associada a perda de iniciativa. Esta doença tem um princípio insidioso. dificuldade em tomar decisões e incapacidade na realização de atos comuns. caracterizado por uma perda gradual das funções intelectuais. muitas vezes. indispensável. Muito embora seja difícil e por vezes impossível ter uma conversa dita “normal” com uma pessoa demente. como por exemplo esquecerem-se de apagar o lume. A alteração da memória pode ser o único sintoma deficitário. doenças tóxicas como o alcoolismo e a adição de drogas. para além de terem necessidade de ter um acompanhamento médico. saírem para a rua e perderem-se. A doença de Alzheimer ou demência senil. ou seja. mais apático. irritabilidade. Assim. deve-se ter o cuidado de não alimentar o discurso incoerente que apresenta.

em todas as atividades de vida diária. 45 . extremamente importante para a não agudização da doença. O médico vai acompanhando a situação de forma a minorar ao máximo a sintomatologia presente. como a falta de cuidado com a aparência e a higiene corporal. Não há tratamento específico para esta doença. não descurando nunca a atenção afetiva. É fundamental o acompanhamento destes doentes. Mais tarde surge a depressão e em alguns casos o delírio. como fugir de casa e não saber o caminho de volta.Posteriormente aparecem alterações de comportamento.

As regras definidas deverão considerar as diversas necessidades e tipos de clientes.1. O responsável pelo processo deve definir as regras para o apoio na alimentação.7.Alimentação As refeições devem constituir-se como momentos de prazer e de convívio do cliente. segurança e promoção da autonomia dos clientes. 46 .Acompanhamento do idoso nas atividades diárias. promovendo a autonomia / independência da pessoa idosa 7.

formação e sensibilização adequada para cada caso particular.e. não apressando a refeição e colocar pouca comida no garfo ou colher para salvaguardar uma boa mastigação e deglutição dos alimentos. café. não lhe retirando o seu aspeto atrativo. etc.. estimulando-o a decidir o que quer comer. • O colaborador deve possuir uma atitude calma e pausada. de acordo com a ementa.). sopas. através de espessantes. os responsáveis devem assegurar que os seus colaboradores estão qualificados para o exercício desta função. sempre que o cliente tenha dificuldades em engolir. limpar mãos e cara) e na higiene oral.e. devendo: • Preparar cuidadosamente o espaço da refeição. respeitar o ritmo do cliente. administrando sempre que necessário informação. • Aumentar a consistência dos líquidos (p. sumos. entre outras formas. sem paladar e que mantenham constante a espessura dos líquidos ao longo do tempo. sempre que necessário e posicionar-se de frente para o cliente.Os colaboradores deverão promover sempre a autonomia do cliente. • Promover a autonomia do cliente e respeitar as suas preferências e necessidades individuais. O colaborador deverá limpar a boca do cliente. Sempre que o cliente necessite de ajuda de 3ª pessoa para tomar uma refeição. 47 . • Ter especial atenção e formação nos casos em que os clientes necessitam de cuidados particulares como é o caso da alimentação nasogástrica. • Apoiar o cliente após a refeição na higiene básica (p. • Aquecer os alimentos que não se encontrem à temperatura indicada ou que não satisfaçam o cliente.. e a tomar a refeição sozinho. ou seja de produtos de preparação fácil e instantânea. chá.

7.2.Eliminação

Para se manter saudável, o organismo, deve eliminar os produtos resultantes do
metabolismo. A este processo chama-se eliminação. Existem dois tipos de eliminação a
intestinal e a vesical.

No que diz respeito à eliminação intestinal, podem surgir duas situações distintas:
 Incontinência intestinal
 Obstipação (prisão de ventre)

Por vezes, a primeira situação é provocada pela segunda, tendo como causa principal a
hiperextensão (alargamento) do esfíncter anal, após longo tempo de passagem de fezes
duras e grossas.

As pessoas idosas, normalmente, preocupam-se em excesso, com os seus hábitos
intestinais e ficam muito preocupados quando não evacuam diariamente. Daí, recorrerem,
com frequência, ao uso de laxantes.

Aquele uso e abuso, as alterações dos hábitos alimentares e a diminuição da atividade
física, agravam a situação de obstipação.

É por isso, importante que a pessoa idosa adquira hábitos intestinais regulares, mas não
só à custa do uso de laxantes.

Ações a desenvolver:
 Observação e registo das características das fezes (cheiro, cor, textura)
 Estimular a adequada ingestão de líquidos (a que a pessoa idosa, normalmente,
não é muito recetiva).
 Incentivar a pessoa idosa para que tenha uma dieta equilibrada, e neste caso, rica
em fibras (estas estimulam os movimentos dos intestinos).

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 Estimular a pessoa idosa à atividade física, contrariando uma vida sedentária
(parada).
 Ajudar a pessoa idosa a estabelecer um horário de eliminação das fezes.

Muitos idosos apresentam incontinência urinária. Quer isto dizer, que há emissão
involuntária de urina. Esta situação é muito desagradável para a pessoa idosa, que para
além do desconforto físico, sente-se humilhada, diminuindo a sua autoestima.

Ações a desenvolver, para a incontinência irreversível:
 Ajudar a pessoa idosa a assumir a existência de um problema de incontinência,
sem sentimentos de culpa, medos ou vergonha.
 Aceitar a verbalização da sua raiva e mudanças de humor, mostrando-lhe que o
compreende e que se estivesse no seu lugar, teria as mesmas reações.
 Incentivar a pessoa idosa e família a manterem a participação social ativa,
prevenindo o isolamento.
 Aconselhar o uso de cuecas/fraldas para incontinência, pois evitará que molhe a
roupa e sentir-se-á mais à vontade. Para além disso, esta precaução evitará a
propagação do mau cheiro e permite à pessoa idosa manter a sua vida social.
 Arejar o quarto e mantê-lo sempre limpo, de forma a anular o cheiro intenso a
urina.

Ações a desenvolver, para a incontinência reversível:
 Ajudar a pessoa idosa a assumir a existência de um problema de incontinência,
sem sentimentos de culpa, medos ou vergonha.
 Aumentar o consumo de ingestão de água até 2l/dia, se o seu estado de saúde o
consentir.
 Incentivar a pessoa idosa a fazer exercícios de tonificação do detrusor.
 Evitar a ingestão de líquidos diuréticos, como por exemplo: café, chá, sumo de
toranja, cacau e álcool. Ter em atenção que deve ir à casa de banho cerca de meia
hora depois de ingerir líquidos.

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 Conduzir regularmente a pessoa idosa à casa de banho, particularmente ao
acordar, antes ou depois das refeições, ao deitar e 30 minutos antes da hora
habitual da incontinência. Isto implica a monitorização das micções involuntárias

7.3.Higiene e hidratação

A independência na satisfação da necessidade de estar limpo, cuidado e proteger os
tegumentos permite ao ser humano manter a saúde física e emocional.

Pontos importantes a ter em atenção, quando se dá um banho:
 Se o banho for tomado na casa de banho, colocar um tapete de borracha na base
da banheira, para evitar quedas.
 A temperatura da água deve ser ao gosto do idoso/doente.
 Manter uma temperatura do ambiente agradável e verificar que não existem
correntes de ar.
 Se o idoso/doente preferir banho de chuveiro, não contrariar, uma vez que não
possui contraindicações.
 Respeitar sempre a privacidade do idoso/doente.
 Se o banho for tomado na cama, evitar que o idoso/doente esteja todo destapado.
 Nunca misturar roupa limpa com a suja.
 À medida que se vai lavando, ir fazendo na própria lavagem movimentos de
massagem, para ativar a circulação.
 Ter muita atenção com as zonas do corpo, onde a higiene deve ser mais
pormenorizada:
o Boca
o Dentes
o Axilas
o Virilhas
o Órgãos genitais

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devem ser lavados com água fervida e com bolas de algodão. quantas vezes forem precisas. nomeadamente no pescoço. tendo especial atenção às zonas do corpo que estão sujeitas a maior pressão no idoso/doente acamado: o Ombros o Costas o Cotovelos o Nádegas o Calcanhares o Tornozelos  Ter atenção à higiene do cabelo e à sua apresentação. virilhas e espaços entre os dedos das mãos e principalmente dos pés (aparecimento de fungos).  As unhas dos pés devem ser cortadas a direito para evitar que se “encravem” na pele quando crescem. limpar primeiro a zona suja e só depois começar a dar o banho. em especial. que na pessoa idosa é particularmente seca. 51 . a água deve ser mudada. O olho. utilizando bolas para cada olho separadamente. região submamária. deve então ser limpo do canto externo para o canto interno. o Pés  No banho na cama. Depois de cortadas devem ser sempre limadas.  Se os olhos do idoso /doente estiverem inflamados ou infetados.  Os produtos utilizados para a lavagem do corpo e da cabeça. Quando forem difíceis de cortar e. nos diabéticos. axilas.  As massagens devem ser feitas com “carinho”.  Se o idoso/doente estiver urinado ou com fezes.  Secar bem a pele. devem ser suaves (de preferência os utilizados para a higiene dos bebés). para lubrificar a pele. massajar o corpo com uma substância gorda (por exemplo óleo de amêndoas doces).  Após o banho. em vez de cortar (para evitar complicações) podem ser limadas. através de movimentos circulares.

afirmar-se que passamos cerca de dois terços da vida a dormir. estamos a falar de uma média. o que quer dizer que nem todas as pessoas estão dentro deste valor. nunca deve conter migalhas. As perturbações do sono causam uma sensação de cansaço durante o dia (hipersónia). Muitas pessoas com mais de 65 anos sofrem de alguma perturbação do sono: dificuldade em adormecer. a qualidade do sono tende a deteriorar-se. 7.Quem dá banho ao idoso/doente acamado deve ter atenção à posição em que trabalha. Com o avançar da idade. Pela mesma razão. muitas vezes traduzida em períodos de sonolência ou até sestas involuntárias. especialmente a nível da coluna vertebral. dar uma atenção especial à cama:  Deve ser confortável.  A roupa deve estar sempre limpa e enxuta. No entanto. sono demasiado leve ou estar acordado durante a noite e sonolento de dia.e correto . É comum .  A roupa deve estar bem esticada. sono entrecortado. as pessoas tiveram hábitos de sono diferentes ao longo da vida. No entanto. Estas alterações podem determinar irritabilidade e mal-estar e podem ter de ser objeto de avaliação e prescrição médicas. o que necessariamente determina também padrões de sono diferentes. que na velhice tende a ocorrer mais cedo. porque as pregas vão macerar a pele do idoso /doente. Se o doente/idoso está acamado é importante também. Um dos sintomas mais frequentes da degradação da qualidade do sono é a alteração da hora de acordar.4.Sono e repouso O sono e o repouso são funções restauradoras necessárias à preservação da vida. para prevenir alterações patológicas. 52 .

como dores musculares e das articulações.Controlo da dor e outros sintomas Uma das maiores preocupações de um doente terminal é o controlo da dor aguda ou crónica que debilita a pessoa até esta já não conseguir executar as suas tarefas diárias. torcicolos. Os fatores que contribuem para os problemas de sono nas pessoas idosas podem ter que ver com múltiplos aspetos.  Ouvir música suave e ler um texto agradável. Consoante as causas dos problemas de sono. afetar o sono das noites seguintes. por sua vez. Ora estes problemas podem. Muitas vezes.  Evitar discussões ou debates empolgantes. ruídos ou presença de outras pessoas no quarto. obscurecido e sem ruído.Mas podem ter outros efeitos. refluxo gastro-esofágico. entre outros. por isso. é necessário averiguar e experimentar quais os medicamentos e/ou tratamentos que possam controlar 53 . como a presença de dor ou desconforto físico.  Evitar assistir a programas de televisão violentos ou situações excessivamente dramáticas. 7. Ter qualidade de vida até ao final de uma doença terminal é fulcral. à temperatura adequada.5.  Tomar a medicação prescrita. distúrbios emocionais ou fatores ambientais. nomeadamente:  Comer ou beber algo ligeiro antes de deitar (quando não exista contraindicação médica). o doente pode estar a sofrer desnecessariamente. criando uma espécie de ciclo vicioso. há soluções e fatores que favorecem um sono confortável e tranquilo. o que pode ter um efeito negativo na sua luta pela vida.  Gozar de um ambiente calmo. tendinites.

a opinião do médico e os medicamentos ou tratamentos receitados. assim como uma análise sobre quais os tratamentos mais efetivos ou não. mesmo que não seja dentro do horário “normal”. varie as refeições e sirva-as de forma apelativa. junte sementes ou nozes aos vegetais. sirva fruta com todo o tipo de queijo. utilize queijo gratinado em pratos de massa. opte por maionese em vez de molhos para saladas. sirva manteiga de amendoim e adicione natas ao chocolate quente. à fruta ou outras sobremesas. derreta margarina em comidas como torradas. deve comer sempre devagar. as suas atenções e reparos devem limitar-se àquilo que o doente conseguiu comer e não no que deixou no prato. massas. um pouco de exercício (como um pequeno passeio a pé) estimula o apetite. massas ou sobremesas. utilize temperos como sumo de limão. faça batidos com uma dose extra de gelado. arroz ou ovos cozidos. para poder informar o médico. se o próprio cheiro da confeção dos alimentos incomodar o 54 . especialmente logo de manhã. descansar após as refeições para facilitar a digestão.  Náuseas e vómitos – o doente deve ingerir líquidos uma hora antes ou depois da refeição para não se sentir muito cheio. sopas. vegetais ou gratinados. comer alimentos ricos em hidratos de carbono (como tostas ou torradas). acrescente carne ou peixe às sopas e gratinados.essa dor. para que o doente possa viver o mais confortavelmente possível:  Fraqueza – para o doente poder recuperar energias é necessário aumentar a ingestão diária de calorias e proteínas. Mantenha um historial sobre todos os medicamentos que o doente toma e possíveis reações. manjerico e outras especiarias para conferir aos alimentos sabores e cheiros estimulantes. menta. O mesmo aplica-se às consultas – manter um registo sobre os motivos das consultas.  Perda de apetite – sirva as refeições do doente quando ele tiver fome. cozinhe com leite em vez de água. Existem vários sintomas igualmente preocupantes que devem ser minimizados. saladas. mastigando bem a comida. vegetais.

mantenha-o fora da cozinha ou opte por servir refeições frias compostas por produtos lacticínios. Deste modo.A relação com o idoso (estratégias de comunicação) O ser humano é dotado de cinco sentidos (visão. audição. sandes. evitar alimentos gordos e fritos. o que é natural e não deve constituir um problema. olfato e paladar) que lhe permite receber a informação sobre o seu meio ambiente. doente. Os valores. Uma atitude essencial é evitar e vencer os preconceitos.6. Todos conhecemos pessoas com as quais nos identificamos. arroz e massas integrais. se o doente tiver dificuldades em engolir. beber muitos líquidos para repor rapidamente aqueles que perdeu. ou seja. cabe à Equipa Multidisciplinar utilizar como principal instrumento de recolha de dados. ver de forma atenta e cuidada todos os aspetos envolventes do Idoso. beber muitos líquidos e fazer algum tipo de exercício regular. fruta e vegetais frescos). a observação. promovendo a saúde e o bem-estar. crenças e necessidades pessoais afetam a forma como nos relacionamos com os outros. saladas. sobremesas ou fruta. bem como outras cuja forma de ver o mundo e estar na vida não nos agrada. eliminar temporariamente da sua dieta os produtos lacticínios se forem estes a causa da diarreia. Pessoas diferentes geram empatias diferentes. tato.  Diarreia – o doente deve comer várias refeições ao longo do dia. em vez das habituais três principais. 7. 55 . de forma a prevenir ou detetar alterações.  Prisão de ventre – o doente deve seguir uma dieta rica em fibras (cereais. deve cozer ou passar a fruta e os vegetais. O processo de senescência e certas doenças crónicas alteram o funcionamento dos órgãos que servem para a comunicação e afetam a necessidade de comunicar.

devemos estar conscientes de que essas preferências interferem com o nosso desempenho profissional e que.ou falta delas . fundada na sua dignidade como pessoa. culturais.Contudo.com preconceitos. espirituais. simplificação demasiada das atividades sociais ou recreativas e pela organização de programas de atividades que não respondem às necessidades dos Idosos ou às suas capacidades de funcionamento Atitudes corretas:  Aceitar a pessoa como ela é  Agir de modo sereno e competente  Chamar o Idoso pelo nome que mais gosta de ser tratado  Identificar-se pelo nome e especialidade 56 . devemos esforçar-nos por controlá-las. Temos de promover mudanças de comportamentos e atitudes face ao envelhecimento. sociais e económicas como titulares que são de cidadania plena. por isso. É preciso acabar com estereótipos. Só assim poderão as pessoas idosas viver com dignidade e participar plenamente em atividades educativas. que levam a que não se respeite cada pessoa e a sua circunstância. tratamento por “tu”. não podemos confundir simpatias pessoais . Acima de tudo. ele tem de ser aceite como um fenómeno natural. que faz parte do ciclo da vida. impedindo que prejudiquem a qualidade do serviço que prestamos. Atitudes incorretas:  Gerontofobia: medo irracional de tudo o que relaciona com o envelhecimento e a velhice  “Agismo”: todas as formas discriminatórias com base na idade  Infantilização: cuidar do Idoso como se este fosse uma criança.

A este processo chamamos de perda da capacidade funcional ou capacidade de funcionamento. pulmão. a resistência. quase sem percebermos.). com tempo suficiente para obter respostas  Responder às perguntas de forma simples. é o retardamento do processo inevitável do envelhecimento através da manutenção de um 57 . saúde. O que se destaca como objetivo principal da atividade física na terceira idade. À medida que o tempo passa. perdendo um pouco de função. A relação entre atividade física.7.A promoção da autonomia e independência Com o passar dos anos o nosso corpo apresenta algumas alterações relacionadas com a força. a flexibilidade. qualidade de vida e envelhecimento têm sido cada vez mais discutidos e analisada cientificamente. o próprio progresso no tratamento da saúde tem contribuído para o aumento no número de pessoas idosas incapacitadas. 7. breve e lentamente  Manter o contacto visual e táctil com o Idoso  Não elevar a voz. Além desse desgaste natural de cada órgão. O processo natural do envelhecimento diminui a função de cada órgão de nosso corpo (coração.  Não empregar linguagem infantil  Respeitar a individualidade dos Idosos  Estar disponível para escutar  Incentivar as suas próprias decisões  A conversa deverá ser sem pressa e sem pressões. rins. cada órgão vai. a coordenação motora e o equilíbrio. fígado etc. cérebro. a menos que apresente diminuição da audição. pouco a pouco.

Movimentos delicados e seguros da parte da/o técnica/o baseados em conhecimentos de mecânica corporal. não só ajudam o idoso/doente a se movimentar mais facilmente. O idoso médio passa 10 ou mais anos a sofrer de um grau crescente de deficiência física e apresenta um declínio na capacidade de viver independente. qualidade de vida e saúde mental do cidadão idoso beneficiando de um aumento de 6 a 10 anos na expectativa de vida ajustada à qualidade de vida. momento em que a tendência é de fragilidade e propício à dependência. Deve ter-se especial atenção ao posicionamento e mobilidade. como lhe proporcionam uma sensação de confiança na ajuda que recebe. cãibras e desequilíbrios. cozinha.estado suficientemente saudável que possibilite a normalização da vida dos idosos e os afaste dos fatores de risco comuns na terceira idade. alergias. Alguns idosos/doentes. 7. casa de banho. pelo que a atividade física regular tem uma forte influência sobre as capacidades funcionais. devem privilegiar o conforto do utente. de rotina ou ocupacionais. Estudos indicam que se verifica uma significativa melhora funcional por meio da estimulação psicomotora em idosos hospitalizados. os músculos perdem elasticidade. incapazes de se movimentar sozinhos. dependem completamente da/o técnica/o para mudar de posição. Além disso. Todas as atividades diárias. escadas À medida que envelhecemos. devido à 58 . os reflexos ficam mais lentos.8. a visão e audição ficam prejudicadas.A prevenção de acidentes: quarto. os ossos mais frágeis. muitas pessoas idosas podem experimentar tonturas.

com graves consequências ou mesmo fatais. os idosos podem sofrer diversos tipos de acidentes quer em casa.  Não deixar o idoso sozinho enquanto toma banho. muitas vezes. realizando a limpeza destes em horário de menor probabilidade de passagem da pessoa idosa.  Tapetes e passadeiras devem possuir tiras antiderrapantes e devem existir o mínimo possível.  Evitar encerar o chão. As quedas e situações de engasgamento são os acidentes mais frequentes e. podemos tornar os lares mais seguros e adaptados aos moradores mais velhos. medicação para dormir. contribuindo para uma vida com maior qualidade. Por estes motivos. calmantes. entre eles.  Sinalizar com equipamento próprio pavimentos molhados e escorregadios. 59 .  Não permitir que o idoso circule sozinho quando o chão está molhado  Aconselhar o idoso a apoiar-se nas barras de apoio ao entrar e sair do banho. Nas outras divisões:  A mobília não deve ter rodas e a cama e as cadeiras não devem ser demasiado baixas ou altas. Com algumas medidas simples e modificações fáceis de serem executadas. quer na rua ou nas instituições que frequentam/onde vivem. Medidas de Prevenção de quedas Nas casas de banho:  Colocar barras de apoio e tapetes antiderrapantes no chuveiro e no chão.grande quantidade de medicamentos que tomam. antidepressivos. entre outros.

 O relvado. como laranja ou amarelo. 60 . principalmente quando há existência de escadas e degraus. mantendo sempre a mão mais firme no corrimão. com solas antiderrapantes (de preferência com ranhuras).  Mesas ou outros móveis que sejam muito utilizados como apoio devem ser fixados às paredes.  Incentivar a participação nas atividades físicas com regularidade.  Os sofás devem ter braços largos para ajudar os movimentos de se levantar e se sentar.  Orientar o idoso a descer as escadas de lado.  Aconselhar a pessoa idosa a não usar camisas de noite ou roupões compridos.  Desincentivar o consumo de álcool em excesso. de modo a evitar que os pés se movimentem dentro dos sapatos.  As escadas têm de ter corrimão e proteção antiderrapante e os beirais dos degraus devem ser pintados com cores berrantes.  Incentivar o idoso a utilizar óculos se precisa deles para potenciar a visão  Fomentar uma alimentação equilibrada. de modo a não cometer erros na dosagem dos medicamentos. o pátio. fendas ou outras irregularidades. de modo a melhorar a forma física. com saltos largos de presilhas ou atacadores.  Desincentivar o uso de chinelos.  Ser cuidadoso na administração dos medicamentos. Outras medidas importantes:  O uso de calçado e vestuário adequados também são meios de prevenção de quedas. sem buracos.  Não deixar objetos no caminho de passagem do idoso.  Aconselhar o uso de sapatos ajustados.  Proporcionar uma boa iluminação das divisões. o jardim.  Os degraus devem ser substituídos por rampas de inclinação leve. as passagens para carros e passeios devem estar desimpedidas.

encorajar. ativar.  Deixar os interruptores de luz ao alcance do idoso durante a noite para que não tenha que realizar movimentos desnecessários que possam originar desequilíbrios e quedas. a partir da animação. Para além de tudo isto. Estimular significa excitar. que usem mais a memória e a criatividade para criar situações. mais participativo. começa a envolver-se em questões que o rodeiam. estimular é também criar meios de manter a mente. atividades. instigar. reclama. animar. 7. a animação intervém no tempo de ócio dos indivíduos promovendo atividades. Ou seja. reivindica.9. deixando-o parado. inerte. Neste contexto.A importância da ocupação dos tempos livres e de ócio Muitas famílias e instituições não compreendem a importância de estimular o idoso. que vivam o hoje. sem participar em nenhuma atividade que o ocupe e o ajude a manter as suas capacidades ativas. incitar. as emoções. A estimulação é uma das práticas mais importantes para manter os idosos com vida e com saúde. o idoso ganha autoestima. alegria e felicidade. A estimulação faz com que os idosos vivam mais a vida. as comunicações e os relacionamentos em atividade. participando em: 61 . Para que o idoso tenha uma velhice saudável é preciso que este esteja ativo e desenvolva diversas atividades em várias áreas. Quando é estimulado. os indivíduos podem aproveitar o seu tempo de forma ativa. fica mais esperto.

Limpe com um pano de camurça os pavimentos que o necessitarem.  Atividades culturais. 7. como quadros. e encere.  Ponha todos os acessórios e mobiliário de novo no lugar.  Movimentos cívicos. Envie as cortinas para a lavandaria ou limpeza a seco. etc.  Atividades de entretenimento e convívio. Esses acessórios devem ser lavados com detergente neutro e depois postos a secar antes de serem de novo postos nos seus lugares. ornamentos. sociais.A Higienização em casa Salas Os procedimentos para levar a cabo a limpeza periódica de uma sala mobilada são:  Retire todo o lixo  Esvazie o local tanto quanto possível de mobiliário e acessórios. Limpe a parte não estofada do mobiliário e outros acessórios do mesmo. políticos e económicos.  Lave os acessórios. espelhos.  Verifique se tudo funciona corretamente e registe qualquer falha ou dano. Não esquecer os rodapés e os radiadores  Lave as portas e janelas. Em seguida lave.10.  Aspire e ensaboe as carpetes. cinzeiros.  Cubra todo o mobiliário que não possa ser removido com lençóis de proteção  Varra e aspire as paredes e tetos. na sua posição original.  Atividades de desenvolvimento de competências artísticas e criativas. incluindo as soleiras  Limpe o pó das luzes fixas e dos focos.  Aspire e ensaboe o mobiliário estofado. Quartos 62 .

15. Bater à porta duas vezes antes de entrar. 7. 13. 5. 16. Feche as janelas. Etapas na limpeza de um quarto: 1. pois isto pode espalhar pó e bactérias no quarto. O que é importante:  A mínima quantidade de tempo e esforço desperdiçada.  Seguir uma ordem lógica para que nada seja esquecido e o trabalho termine. 10. 4.  O risco de propagação das bactérias e pó deve ser minimizado. Desfaça as camas. Puxe as cortinas e abra as janelas para arejar o quarto.Os passos básicos da limpeza de quartos variam de estabelecimento para estabelecimento. 18. Coloque o carrinho de limpeza à porta. 3. 6. 9. Verifique se existe algum estrago. Puxe o autoclismo. 17. Limpe o pó da mobília seguindo uma lógica viável. Recoloque caixotes do lixo. 11. Desligue aparelhos elétricos. aplique um detergente e desinfetante. Verifique a aparência geral do quarto. Refaça as camas. Aspire o chão. Esvazie os cinzeiros e caixotes de lixo. 8. Pensar em avançar também poupa tempo. Limpe a casa de banho. Retire toda a roupa suja (incluindo as toalhas da casa de banho coloque no saco apropriado). Deixar a porta entreaberta durante a limpeza. 63 . 12. Cada objeto deve ser dobrado para o centro da cama. 2. Retire qualquer alimento ou tabuleiro com refeição e devolva-os à área de serviço. 14. Aspetos importantes na abertura de camas:  Quando desfizer a cama evite bater na roupa da cama.

Ponha a roupa suja diretamente no contentor destinado a ela – saco da roupa. b. Voltar a por os objetos pessoais no seu lugar. Limpar os acessórios. e basta uma pessoa infetada para contaminar todas as outras que usaram a mesma banheira. c. Enxaguar com água limpa.  A dobra do lençol superior deve ter um tamanho de 20 cm e estar a 10 cm da cabeceira. 64 . a. parede circundante e objetos como o tapete de banho e cortinas. Secar todas as superfícies. Limpar todos os acessórios sanitários antes da sanita.  Estas áreas são utilizadas por muitas pessoas. lavatório ou sanita. cabelos. torneiras e superfícies sanitárias com papel próprio. começam a largar maus cheiros. Instalações Sanitárias A limpeza das instalações sanitárias é uma das etapas que requer maior atenção e é uma das tarefas de maior importância na execução do serviço de limpeza pelos seguintes motivos:  As instalações sanitárias recebem desperdícios como a sujidade das mãos e do corpo.  Faça as dobras corretamente. Procedimentos para limpar uma casa de banho: 1.  Se estas áreas não forem limpas devidamente e com a frequência necessária. Limpar os espelhos. pele morta. f.  Nunca coloque cobertores ou roupa limpa no chão. d. excrementos ou sujidade das limpezas. Todas estas sujidades têm bactérias perigosas que se multiplicam em condições de falta de limpeza. Por o sabonete e os artigos pessoais de parte.  A abertura lateral da fronha não deve ser visível – para baixo e para o centro da cama. e.  Assegure-se que o ocupante da cama dorme entre os lados direitos dos lençóis.

Tarefas que. escovas e luvas utilizados na limpeza. 6. 5. 3. Inspecionar o quarto. tem de executar sob sua supervisão direta 65 . enxaguar e pôr a secar os panos. anotando qualquer falha ou avaria. 2. Remover as toalhas e as ofertas e fornecimentos para o hóspede. 8.1. sob orientação de um Enfermeiro. Lavar. Limpar a sanita.Tarefas que em relação a esta temática se encontram no âmbito de intervenção do/a Técnico/a Auxiliar de Saúde 8. 4. Limpar o chão.

sendo que em tratando-se de idosos dependentes será a melhor qualidade de vida possível. É. de acordo com a decisão dos que recebem cuidados. quando fazer e depois informando sobre a doença. por forma a não porem em risco a segurança da pessoa a cuidar. apoio social e económico. bem-estar e qualidade de vida ótimos. Os principais cuidados de enfermagem a prestar ao cuidador para que este se cuide e possa cuidar são: 66 . entre outros. estes. instruindo sobre o que fazer. gestão e adesão ao regime terapêutico e sobre o papel do cuidador em geral.O Enfermeiro identifica a necessidade de cuidados do idoso. planeia e executa intervenções de enfermagem dirigidas e personalizadas às características individuais. também alvo de cuidados. sociais e culturais das pessoas idosas e seus cuidadores. formula diagnósticos de enfermagem. O enfermeiro deve supervisionar e desenvolver intervenções que capacitem os cuidadores para a prestação de cuidados globais ao idoso. numa primeira fase. como fazer. tratamento e avaliação das situações. associações de ajuda. Intervenções estas. entenda-se cuidadores informais. o que nem sempre acontece. também. suas principais dificuldades. estabelece prioridades no cuidado. Assim o enfermeiro atua:  Ajudando em cuidados para que os idosos mantenham e alcancem o seu máximo potencial. bem como importa informar sobre redes locais de apoio. É importante fornecer informação para que a família seja um agente activo do planeamento/execução das intervenções. no seio da equipa que desenvolve as práticas colaborativas no diagnóstico.  Trabalhando com as pessoas idosas para conseguir saúde.

pela estimulação sensorial.  Sobre ajudas técnicas e equipamentos adaptativos.  Identificação precoce de fatores predisponentes de sobrecarga. posicionamento e prevenção de úlceras. sob orientação e supervisão de um Enfermeiro.  Informação/formação sobre os processos de envelhecimento. 8. mobilização.  Orientação para a participação/ envolvimento familiar no cuidado.  Orientação sobre a importância da estimulação cognitiva.  Sobre os recursos em situação de urgência. caso a caso.  Proporcionar treino sobre a prestação de cuidados (higiene.  Orientação para a importância da manutenção dos contactos sociais. pode executar sozinho/a 67 . mesmo que esta seja demasiado repetitiva. etc.  A adoção de um padrão habitual de rotinas.2.  Sobre as alterações de memória e importância do treino/estimulação.  Identificar métodos e técnicas de ensino/aprendizagem mais adequadas às necessidades dos cuidadores. pela deambulação e exercício.  Orientação para a importância da manutenção da atividade do idoso.Tarefas que. estimulação física e psicológica).  Promoção da adoção de estratégias promotoras da autonomia e independência.  Para a necessidade de vigilância de saúde.  A importância de manter a comunicação com o idoso. nem muito estimulante nem demasiado tranquilo.  O processo demencial.  Para a gestão adequada da terapêutica.  Sobre a importância de um ambiente adequado. alimentação/ hidratação. enfatizando as fases da doença.

 Demonstrar interesse e disponibilidade na interação com utentes. a supervisão aponta para a identificação de soluções de problemas.  Demonstrar interesse e disponibilidade na interação com os colegas de trabalho.  O cuidar de doentes que se encontram em risco de vida. nomeadamente quando nos referimos a:  Relação de ajuda ao doente/utente. 68 .  Promoção da melhoria do estado de saúde do doente em situação de urgência ou emergência.  Comunicar de forma clara e assertiva  Demonstrar compreensão.  Agir em função do bem-estar de terceiros. equipamentos e tecnologias. permitindo a sua autonomia.  Agir em função das orientações do profissional de saúde e sob a sua supervisão. paciência e sensibilidade na interação com utentes. capacidades e conhecimento dos profissionais com vista à qualidade global e globalizante.  A identificação de problemas nos doentes.  Concentrar-se na execução das tarefas.  Aspetos da comunicação com o doente e a família. melhoria efetiva da prática e aumento de competências. convivente significativo ou familiar.  Autocontrolar-se em situações críticas e de limite.  Assumir uma atitude de melhoria contínua. materiais.  Agir em função dos aspetos culturais dos diferentes públicos. familiares e/ou cuidadores.  Agir em função de princípios de ética.  Demonstrar segurança durante a execução das tarefas.A supervisão das práticas do técnico/a auxiliar de saúde terá uma dimensão menos intrusiva. O Técnico/a auxiliar de saúde deve então:  Adaptar-se e atualizar-se a novos produtos.  Agir em função do estado de saúde do utente.  Agir em função de normas e/ou procedimentos. Neste campo.  Trabalhar em equipa multidisciplinar.

riscos e sinais de alerta. técnicas e dispositivos de apoio.  Aplicar técnicas de apoio na alimentação e hidratação oral.  Cuidados de higiene e conforto: materiais. pode executar sozinho/a:  Acompanhamento do idoso nas actividades diárias: especificidades.De acordo com o respetivo perfil profissional. cuidador e/ ou família.  Comunicação na interação com o utente. técnicas e dispositivos de apoio. sinais de alerta.  Aplicar técnicas de apoio à higiene e conforto.  Cuidados de apoio à eliminação: materiais. 69 . cabem ao técnico/a de saúde as seguintes tarefas que.  Cumprir e aplicar procedimentos definidos.  Cuidados na alimentação e hidratação oral: técnicas. sob orientação e supervisão de um técnico/a de saúde.

Gabinete de Gestão de Iniciativas Comunitárias do Emprego. Constituição de uma rede de cuidados: interação com a família e o meio social do idoso. Manual de Enfermagem. Manual do formando: Apoio a idosos em meio familiar. Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio. GICEA . Fernando. Manual do Assistente Operacional.socialgest. 2005 Aleixo. Fernando. Santa Casa de Misericórdia de Mértola AA VV..min-saude. Projeto Delfim. Instituto da Segurança Social. manual de formação. Pereira..pt 70 . Maria do Carmo. 2008 Sanches. Ed. 2000 Sites Consultados  Ministério da saúde http://www. Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio. 2007 Aleixo.Bibliografia AA VV. Fátima. Ed. Ed.pt  Rede Social Gest http://www. EPE. EPE.. Manual de boas práticas – um guia para o acolhimento residencial de pessoas mais velhas..