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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO EM HABEAS CORPUS Nº 85.757 - DF (2017/0142064-9)

RELATOR : MINISTRO FELIX FISCHER
RECORRENTE : JOHNNY WESLEY GONCALVES MARTINS (PRESO)
ADVOGADOS : LUÍS ALEXANDRE RASSI - DF023299
ROMERO FERRAZ FILHO - DF040299
ANA PAULA ARIS VIDAL DE CASTILHO E OUTRO(S) -
GO041068
RECORRIDO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E
TERRITÓRIOS

DECISÃO
Trata-se de recurso ordinário em habeas corpus, interposto por
JOHNNY WESLEY GONCALVES MARTINS, em face de v. acórdão proferido pelo
eg. Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
Busca o recorrente, nas razões do presente recurso ordinário, a revogação
da prisão preventiva e o reconhecimento de constrangimento ilegal consubstanciado
no excesso de prazo para a formação da culpa.
É o breve relatório.
Decido.
Na hipótese, a r. decisão impugnada está fundamentada nos seguintes
termos, verbis:

Com efeito, este Juízo asseverou que, de acordo com os autos,' JOHNNY
WESLEY atuava como verdadeiro administrador da TM Medicai. Foi apontado como
líder do esquema. De acordo com os documentos colacionados aos autos e à ação
cautelar n. 86798-3, em juízo de cogniçãó sumário (suficiente para o édito cautelar),
o réu era o responsável pelo- recrutamento dos médicos que se beneficiariam e
fomentariam o esquema, coordenava a indicação das OPMES por parte dos seus
prepostos aos médicos e o levantamento de cotações das OPMES por outras empresas
para fins de apresentação aos planos de saúde, coordenava os pagamentos das
comissões aos médicos que faziam parte do esquema, entre outros fatos.
O aresto proferido às fls. 2365/2367 - do processo n°
2016.01.1.098809-5 - enfatizou que a atividade desenvolvida pelo réu era realizada
de forma oculta. Apesar de ser o verdadeiro gestor da empresa; não figurava
formalmente no quadro societário ou como administrador no contrato social da TM
Medicai.
Está fundamentada, ainda, no fato de as investigações terem- mostrado
que o réu é o articulador da organização voltada para fraudar os custos de cirurgias
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ortopédicas nesta Capital. Valia-se de estratagemas sofisticados, como falsificação de
lacres de produtos médicos (que eram anexados aos prontuários dos pacientes com a
finalidade de demonstrar sua utilização aos Planos de Saúde, sem que de fato tenha
ocorrido) e falsa cotação de preços de OPME's (com o fim de burlar o sistema de
controle dos Planos de Saúde), reaproveitamento de materiais descartáveis e
indicação de equipamentos desnecessários" (fl. 128).

Portanto, ao que parece, ao menos neste juízo de prelibação, o v.
decisum está suficientemente fundamentado na necessidade de garantia da ordem
pública.
No tocante ao alegado excesso de prazo, esta Corte, de longa data, já
firmou jurisprudência no sentido de considerar o juízo de razoabilidade para
constatar possível constrangimento ilegal no prazo de constrição ao exercício do
direito de liberdade. Nesse sentido, o seguinte precedente:

"RECURSO EM HABEAS CORPUS. ROUBO
CIRCUNSTANCIADO, TRÁFICO E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO.
PRISÃO EM FLAGRANTE CONVERTIDA EM PREVENTIVA.
ALEGAÇÃO DE EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA.
NÃO OCORRÊNCIA. COMPLEXIDADE DA CAUSA. VÁRIOS RÉUS,
SENDO UM DELES, INCLUSIVE, MENOR. NECESSIDADE DE
EXPEDIÇÃO DE CARTA PRECATÓRIA, PARÂMETROS DA
RAZOABILIDADE NÃO ULTRAPASSADOS. AUSÊNCIA DE
CONSTRANGIMENTO ILEGAL. PARECER ACOLHIDO.
1. [...]
2. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça é de
que a verificação da ocorrência de excesso de prazo para a formação
da culpa não decorre da simples soma dos prazos processuais, devendo
ser examinadas as peculiaridades de cada caso, sempre observado o
princípio da razoabilidade (art. 5º, LXXVII) .
[...]
4. Recurso em habeas corpus improvido" (RHC n.
48.889/MS, Sexta Turma, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, DJe de
19/8/2014).

Indefiro, pois, o pedido liminar.
Solicitem-se informações à autoridade apontada como coatora, bem
como ao d. Juízo da Segunda Vara Criminal de Brasília, a fim de que informe o

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andamento da ação penal que tramita em face do recorrente.
Após, vista à d. Subprocuradoria-Geral da República.
P. e I.

Brasília (DF), 19 de junho de 2017.

Ministro Felix Fischer
Relator

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