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NAS CATACUMBAS DE ROMA

:
UMA ‘HISTÓRIA DA MORTE’ PARA
Dossiê

RECONSTRUIR VIDAS
Ivoni Richter Reimer*

Resumo: O artigo tem por objeto imagens e inscrições das catacumbas de
Roma que preservam a memória de mulheres e crianças para, com referenciais
da ‘história da morte’ e da intertextualidade, entender o imaginário e
reconstruir parte da vida destas pessoas em contexto familiar e eclesial.
Palavras-chave: Catacumbas de Roma, imaginário religioso, movimento de
Jesus, mulheres, memória.

Abstract: The article focuses on images and inscriptions from the catacombs of
Rome which preserve the memory of women and for children. With references of the
'story of death' and intertextuality, it aims to understand the imaginary and to
reconstruct part of the life of those people in family and church context.
Key words: tumbs, religious imagery, movment of Jesus, memory of women.

Por que falar de morte?

P ara as pesquisas no campo das Ciências da Religião e da História1, a ‘história da
morte’ torna-se, nas últimas décadas, um campo relevante em seus aspectos
históricos, arqueológicos e culturais. O tema da morte e pós-morte, junto com
os rituais funerários, expressa uma grande e importante diversidade de experiências e
informações que comunicam por meio de monumentos tumbários, objetos, escrita epi-
gráfica e imagens. Todas estas formas comunicativas tornam-se fontes históricas.2 Como
fontes, na transversalidade com abordagens epigráficas, iconográficas e religioso-cultu-
rais, elas se situam dentro dos referenciais da História Cultural ou das Mentalidades3. A
partir da indiferença, dos mascaramentos da morte e do esvaziamento de rituais funerá-
rios de sociedades (pós)modernas, pergunta-se pelo significado da morte e das práticas

Revista Mosaico, v.2, n.2, p.102-116, jul./dez., 2009 102

Além disto. Aqui. Como fontes./dez. e nos confronta com a o fato brusco da mortalidade. tecer breves e fragmentárias considerações sobre elementos da ‘histó- ria da morte’ em seus quadros referenciais. durante a vida. Toma-se consciência da morte e da nossa provisoriedade.ex. tem-se “constituído num fenômeno digno de nota na historiografia dos últimos dez anos”. os historiadores franceses Michel Vovelle e Philippe Ariès. procuramos. nos deslocamos ao ‘lugar da morte’ em algumas catacumbas de Roma. b) a morte vivida. O ‘lugar da morte’ torna-se. 1996. bem como com as reflexões sobre a ‘vida pós-morte’. jul. destacamos as fontes que informam sobre mulheres e crianças por serem rela- tiva e comparativamente bastante mencionadas. p. afirma Otto Gerhard Oexle. p. no final do século II ao século IV. inscrições e imagens tumbárias tornam-se importante via de acesso para o conhecimento de aspectos da mentalidade sociocultural e religiosa de diferentes culturas confrontadas com as realidades de vida. entre outros. morte. v. Neste artigo.funerárias em outras culturas e outras épocas. queremos. opressão e silenciamento e que. num artigo publicado em 1982 e traduzido em 1996 (OEXLE. Questiona-se sobre origens e acerca de perda e/ou esvaziamento destas práticas. e por isso estas fontes são também documentos históricos que contribuem para uma reconstrução de fragmentos de história de vida de pessoas e grupos. ela indica para a igualdade absoluta entre todas as pessoas. e nos concentramos em fontes que informam sobre parte da história e imaginário cris- tãos.2. Morte e pós-morte na Antiguidade A História da Morte. elas indicam também para atribu- tos da pessoa morta enquanto era viva. os epitáfios. fruto de algumas pesquisas que têm como objetivo maior conhecer o ‘movimento de Jesus’ e suas (des)continuidades nos séculos seguintes. e partindo do pressuposto existente desde a Antiguidade . introduzindo um status ontológico espiritual para o(a) morto(a). Com estudos comparativos entre as diferentes épocas históricas. pretendemos contribuir para a reconstru- ção de fragmentos da história e da fé destas pessoas que. diferente de fontes documentais escri- tas. preconizam. em imagens e inscrições. Em seu livro O Homem Diante da Morte. Nosso recorte espaço-temporal limita-se a Roma. viviam sob sistemas patriarcais de marginalização. p. muito mais do que a ‘história dos mortos’. Depois disto. vem imbuída de posturas e rituais que as pessoas vivas prestam em homenagem à pessoa morta. sendo que a arte funerária ajuda neste processo da compreensão por meio da elaboração de um discurso simbólico. como cartas e livros. na Antiguidade. 27-28). Para Vovelle (1987) existem dois tipos de morte: a) a morte consumada. não faziam parte da vida publicamente expressa. que é a morte cultural. lugar de memória e reconstrução da vida. como no caso de mulheres e crianças. n. Com isto. ele conclui: Revista Mosaico.que seria mais fácil suportar a morte não pensando nela -. Ariès (1981) aprofunda seus estudos ante- riores sobre a ‘história da morte’4. que é a morte natural.. Para tal. num primeiro momento. objetivamos nos aproximar um pou- co (mais) da concepção e compreensão de morte e pós-morte por parte de algumas pesso- as e grupos cristãos nos primórdios da igreja. selecionamos. A partir delas. Como fato biológico. 2009 103 . assim. ‘dizem’ um pouco daquilo que foram e creram. Estes ‘lugares da morte’ trazem à tona a memória também de pessoas que geral- mente. Entre os ‘teóricos da morte’. orga- nizamos e interpretamos algumas fontes que nos estão disponíveis a respeito da realida- de da morte e do imaginário sobre a vida pós-morte. Destacamos.102-116. algumas inscri- ções e algumas imagens tumbárias.2. aqui. sofrimento.

que havia sido recons- truída em 1611 ao lado da antiga igreja construída por Constantino (CURL. profissão. Todos eles serviam para identificação do(a) morto(a). As catacumbas são espaços de comunidades religiosas. 2002. então.. que então era fechado com painéis de barro. o que é significativo especialmente para os pobres.5 A prática funerária antiga dependia da fé e da expectativa pós-morte do(a) morto(a). (ARIÈS. na via Ápia. no caso. Primeiro era escavado um túnel e. p. loculi nas paredes e placas de inscrições. na superfície dos painéis. Também havia muitos símbolos religiosos que eram esculpi- dos ou pintados junto a estas paredes. desde o século II a. escavadas fora dos muros da antiga cidade de Roma. p. principalmente de pessoas mais pobres. também por meio de escadas. jul. por causa da fé na vida pós-morte. 24-25). aqui.6 Para a religiosidade judaico-cristã. símbolos. vasos. bem como à ritualiza- ção do mito original de que a pessoa foi formada do pó da terra e ao pó deverá retornar (1 Co 15. 2009 104 . p.35-49. visto que a inumação passou a prevalecer sobre a prática da cremação../dez. O mesmo passou a ser usado desde a descoberta do Coemiterium ad Catacumbas sob a igreja de São Sebastião.102-116. familiares e/ amigos(a). até o final do século IV. Os loculi podiam servir de túmulo para uma ou mais pessoas. destaque-se o aspecto que enterrar os corpos na terra virgem está ligado com a fé na ressurreição do corpo. n. portanto.. Quando necessário.. onde um ou mais corpos estão enterrados nos loculi. o que é muito distinto nas sociedades (pós-) modernas. construía-se a galeria principal. A imagem ao lado mostra o interior de uma catacumba em vários níveis.. Um pouco de arqueologia e arquitetura da ‘morte vivida’. 1971. mas muitos objetos como moedas. arcadas.C. 1981. v. Os cadáveres. Catacumbas em Roma: lugar de ‘morte vivida’ O termo catacumbas (do grego: katá “sob” e kymbos “cruz”) caracteriza as necrópolis subterrâneas públicas. que começaram a ser escavadas e utilizadas a partir do final do século II d. que não é uma recusa. p. O tamanho dos mesmos era adap- tado ao tamanho do cadáver (adultos e crianças). visto ser esta uma das poucas formas que registrou parte de sua história. 35).2. eram escavados ‘andares’ inferiores. mármore ou terra- cota. Existem duas maneiras de não pensar a morte: a nossa. Uma placa fechava os loculi. da expressão religioso-cultural de pessoas e povos (TOYN- BEE. mas também judaicas.7 Este ritual é o último serviço de amor prestado à pessoa morta.2.C. fazendo parte. A maior concentração das em torno de 50 catacumbas encontra-se junto à via Ápia no entroncamento com a via Ardeatina. a ‘morte domada’ no sentido da convivência natural e pacífica com o fenômeno da morte. e estas eram ligadas a outras galerias para- lelas à primeira. e a das civilizações tradicionais. porque ela está muito próxima e faz parte excessiva da vida cotidiana. na sua maioria cristãs. galerias adicionais eram esca- vadas no ângulo direito da galeria principal. mas impossibilidade de pensar intensamente na morte. O lugar fora dos muros correspon- de à legislação da época que proibia o enterro dentro da cidade (ÀRIES. com escadas. 1981. a da nossa civilização tecnicista que recusa a morte e a interdita. Destaca-se. 66). Gn 1-2). e nela se inscreviam nome. p. paralelo à super- fície. Revista Mosaico. eram depositados em loculi / “covas” nos corredores. em forma de cruz ao sul de Roma. A figura mostra o interior da catacumba de São Calix- to. Caso se precisasse de mais espaço. ao sul de Roma. Não são muitas as inscrições existentes nestes locais.. 33). lâmpadas e objetos pessoais eram colocados junto ao morteiro ao lado dos loculi.

2009 105 . 29). podendo ali ser escavados vários loculi. p. eucaristia. jul. 1971. n. ressurreição. geralmente em cubiculas “câmaras” abertas nas galerias. p. v. (TOYNBEE.2. cujas pinturas eram inspiradas em cenas bíblicas (batismo.tumbas.mulher conhecida como discípula do Revista Mosaico. Fonte: <www. p./dez.102-116. Elas eram decoradas com afrescos.org. 237). A figura a seguir mostra a “câmara” de Lucina .2..htm> Fonte: Scaglia (1909.mx/contenidos/historia_mundo/antigua/roma/ tumbas.sepiensa. Pessoas um pouco melhor situadas eram enterradas numa espécie de ‘tina’ nas ga- lerias. Estas cubiculas consistiam de pequenas salas escavadas para servirem de mausoléus fami- liares. milagres).

que foi construído no final do século II (SCAGLIA. com ima- gens do batismo de Jesus. jul. onde existem dois núcleos cemiteriais originalmente independentes. n. 2009 106 . Em todos estes lugares cemiteriais. onde eram depositados um ou mais corpos de pessoas que pertenciam a uma das tantas pequenas comunidades cristãs em Roma.apóstolo Paulo -. 1909./dez. distantes um do outro aproxima- damente 80m.2. No teto do cubiculum. datam dos inícios do século III Fonte: Scaglia (1909. Na “câmara” de Lucina podemos observar os loculi escavados na parede. Os afrescos cristãos das cubiculas. Revista Mosaico. os desenhos em forma circular indicam. p. a arte funerária testemunha sobre a vida. p. o tra- balho e a fé das pessoas ali enterradas e da comunidade que lhes prestara este serviço. peixes etc. O segundo núcleo é esta “câmara” de Lucina. uma escada conduz até 3 galerias e 2 cubiculas. Jonas. Nela. esperança e de aspirações para o bem-estar e felicidade para a pessoa enterrada no que se refere à vida pós-morte. p.2. 236).102-116. como em outras artes funerárias. Estas imagens cristãs são expressão de fé. que faz parte do complexo da catacumba de São Calixto. do ‘jardim eterno’). 226ss). num espaço de 20m de diâmetro. para a onisciência divina. Daniel na cova dos leões. Entre as imagens também encontram-se muitas aves (que sempre remetem ao imaginário do paraíso.. v.

n. de mulheres grávidas. porém. portanto. p.2. Isto pode ser uma ‘amostra’ da heterogeneidade das tradições judaico-cristãs existentes nos inícios do cristianismo e pode ser indício também para a ori- gem não-paulina ou não-marquina daquelas comunidades em Roma e arredores. A maioria dos símbolos. 27). A epigrafia nas cata- cumbas deve ser vista a partir da perspectiva literária e religiosa dentro de seu contexto para aferir e comparar seus conteúdos com outras fontes do cristianismo originário. isto faz parte da historiografia androcêntrica antiga. coloca uma ruptura com esta perspectiva. em trabalho de parto e no pós-parto. a grande menção de mulheres e crianças neste material. como relevante fonte de pesquisa histórica e teológica. 1993. As inscrições nas catacumbas. podemos dizer que talvez não exista outro lugar documental que registre tanto a presença de mulheres e crianças quanto as inscrições tumbares. mas também situa- ções e condições do cotidiano vivido pelo(a) morto(a). Registre-se. aparecem cenas da práxis de Jesus em ensino. Isto se mostra tanto mais relevante se considerarmos que a co- municação da fé/do imaginário por meio de imagens é anterior à construção de doutri- nas eclesiásticas sobre a fé (e as imagens) (DEBRAY. pois.. 15). As inscrições e imagens funerárias servem. percebemos que. O ‘lugar da morte’ torna-se. v. seja na relação familiar ou profis- sional. p. permitem visibilizar não apenas o nome. e reflete seu contexto social patriarcal. p. a cruz. judeus e cristãos ainda não conheciam a proibição de fazer imagens. 2004c. encontrados também nos textos do Novo Testamento. não incorrendo no perigo da idolatria devido a semelhanças com cultos ‘pagãos’ (TOYNBEE. O conteúdo da maioria das expressões religiosas encontradas nas inscrições expressa o desejo de paz em Deus/Cristo/Jesus. Em memória de mulheres que morrem para dar à luz. O imaginário registrado nas catacumbas Inscrições e imagens tumbares são base documental que registram e comunicam informações sobre parte da história do(a) morto(a) e do imaginário dela bem como de seus familiares e/ou amigos(as)/comunidade. 2009 107 . 293ss). Por outro lado. como em outros ‘lugares da morte’. como textos bíblicos. Neste sentido. 1985. curas e milagres.. porém. quando as catacumbas foram construídas. A iconografia e a arte funerária são. “uma das vias de acesso ao conhecimento de uma determinada mentalidade” (BORGES. jul. Por um lado. na comparação com textos da época. Pesquisas revelaram que a terça parte das crianças que nasciam vivas (!) morria antes dos 6 anos de idade (MALI- Revista Mosaico. em primeiro lugar.2. no conjunto. aparece raras vezes entre as imagens nas catacumbas. o que remete para a consonância com conteúdos cristãos centrais de confissão de fé. Por isto. remete para uma dissonância em relação à cristologia canô- nica que tem sua centralidade na cruz. mas recorriam à arte com objetivos ornamentais e didáticos para identificação de si mesmos e de sua crença. A lembrança de mulheres e crianças Fazendo-se um levantamento do material epigráfico disponível. p. a evidência do alto índice de mortalidade infantil. que referem a Jesus! Ao invés da cruz.. esta. significativo e maiormente único lugar de reconstrução das condições de vida de mulheres e crianças naquele período.102-116. 1971. lembramos que. pois./dez. 235). social e de gênero (POMEROY. a maioria dos nomes de pessoas mortas é de homens. p.

2009 108 . Vejamos algumas delas8: 1) QU(A)E EST CRUCIATA UT PARIRET DIEBUS IIII ET NON PEPERIT ET EST ITA VITA FUNCTA IUSTUS CONSER(VUS) P(OSUIT) “A qual estava em dores para parir durante 4 dias e não pariu e assim sua vida acabou. p. v. 1996.102-116.. QUOS RELIQUIT PARBULOS. fez. 344-67). p. gerar e parir crianças significava situação de alto perigo de morte (RICHTER REIMER. ANNOS QUAE VIXIT XXI ET MENSIBUS VII GENUITQUE EX ME TRES NATOS. n. Destas. Revista Mosaico.” 4) VEL NUNC MORANDO RESTA. exigia-se cada vez mais que as mulheres jovens assumissem sua ‘tarefa reprodutora’ dentro do sistema. (aconteceu) morte dupla. REPLETA QUARTUM UTERO MENSE OCTAVO OBIT. Agora as crianças estão divididas: a filha falecida me acompanha agora para o além.NA. p. 60% morriam antes dos 15 anos. Júlio. 2000. consolo é a primeira filha ao pai. UT SCIRE POSSIS INFRA SCRIPTA PECTORIS.2. conservo. parto e pós-parto. agregada à alta taxa de morta- lidade das parturientes. Uma das maiores causa mortis de mulheres era o período de gravidez. INNOCUA SIMPLEX. RERUM BONARUM FUIT HAEC ORNATA SUIR. quando a segunda veio ao mundo. a idade ‘normal’ para casamento situa-se entre os 12/13 a 18 anos.” 2) QUAE PARTU PRIMO POST DIEM XVI RELICTO FILIO DECESSIT “A qual morreu 16 dias após o primeiro parto com sobrevivência do filho”. sendo que a maioria das mulheres já tinha a experiência de gravidez e maternidade entre 14-15 anos. QUI PERGES ITER. apenas 90% das que nasciam ultrapassavam a idade dos 40 anos e menos de 3% chegava aos 60 anos de idade! Assim. ETIAM DOLENTIS CASUS ADVERSOS LEGE. 3) VIXIMUS UNANIMES ET PRIMA PROLE BEATI IN MUNDUM DUPLICI MORTE SECUNDA VENIT PIGNORA DIVIDIMUS COMITATUR ME MORIENTEM MORTUA SOLATUR FILIA PRIMA PATREM “Vivemos unânimes e felizes com a primeira criança. como o demonstram inscrições funerárias. 101-112). devido à alta taxa de mortalidade infantil. Para a época. QUAE NUMQUAM ERRABIT DOLUM. jul. TREBIUS BASILEUS CONJUNX QUAE SCRIPSI DOLENS.2. E para elas./dez.

2.9 A segunda inscrição. que se dirige aos que visitam as tumbas para que parem e reflitam respeito- samente sobre o que é descrito como “desgraça”. A espiritu- alidade da mãe se expressa também ao mencionar o ‘além’ (vida pós-morte). para o qual se sente acompanhada pela segunda filha. A terceira inscrição também atesta a morte de parturiente e criança recém-nascida. tratou-se do nascimento do primeiro filho. Para uma reconstrução histórica é mister observar que as inscrições registram si- multaneamente cotidiano e imaginário. O termo latino conservus demonstra que a mulher também era escrava. Na primeira. que foi escrito de coração. igual- mente de mulher anônima. o esposo. Atônito observa agora cada início de verso E respeitoso perceba quem mereceu esta inscrição: O nome encontrarás de minha querida esposa. Feita de forma poética. antes de prosseguires. porém também anônima. com suas iniciais. em nome da própria mãe. ATTONITUS CAPITA NUNC VERSORUM INSPICE./dez. Foi feito pelo marido Trébius Basileus e dedicado à sua esposa. em enig- ma. jul. Viveu 21 anos e 7 meses Três crianças me nasceram. porém. É poema escrito “com dor” e “de coração”. Quem providenciou seu enterro foi um escravo de nome Júlio.” As inscrições acima são dedicadas a mulheres que morreram durante ou após o trabalho de parto. p. esta felicidade é inter- rompida com a morte de mãe e criança. já havia dado à luz várias vezes e faleceu por ocasião do quarto trabalho de parto. que sobreviveu à morte da mãe. A sensibilidade para com o marido/pai e com a primeira filha transparece na certeza do consolo representado pela filha viva. Inocente e simples. cujo nome serviu de base para. E na quarta criança morreu ela no oitavo mês de gravidez. com apenas 21 anos. que trabalhavam juntos e prova- velmente pertenciam ambos ao mesmo senhor/à mesma casa.2. que escreveu com dor. 2009 109 . A sensibilidade retratada na dor e sofrimento do marido e pai está expressa também na menção da morte das três crianças anteriormente nascidas. comprova a mortalidade das mães no período pós-parto. a mulher mencionada faleceu durante o trabalho de parto que durou quatro dias. ela oferece alguns detalhes sobre a vida do casal e da família: a mulher teve duas filhas e a família viveu feliz com a primeira. Trébius Basileus. e nunca praticou um dolo. e apenas a quarta apresenta. do trabalho de luto e da necessidade de manter viva a memória das mortas. o nome da mulher. De coisas boas ela foi ornada aos seus. e morreram cedo. “Fica agora mais um pouco. As três primeiras são anônimas. Neste caso. compor os versos: Vetúria Grata que. TITULUM MERENTIS ORO PERLEGAS LIBENS: AGNOSCES NOMEN CONJUGIS GRATAE MEAE. As informações atestam relações afe- tivas e indicam simultaneamente para a função ‘procriativa’ das mulheres. bem como Revista Mosaico. Por ocasião do segundo parto. v.102-116. mas tam- bém expressão de beleza que brota e fala da tristeza da perda. São testemunhos de dor e sofrimento. Nem o marido nem ela ficarão sós! A quarta inscrição é um epigrama poético que atesta a morte de parturiente e de crianças. n.. A fim de que saibas. E lê também a desgraça que me atingiu.

102-116.. transformaram mu- lheres em máquinas reprodutivas.2. a ‘história da morte’ remete para várias dimensões da vida priva- da e pública.. v. 2009 110 . religioso. para se manter militar e economicamente.. O uso do grego pode indicar para o fato de Máxima (e sua família) ter migrado de algu- ma cidade do Império Romano. p. Assim. Fonte: Dué (1999. p. digna de memória e temente a Deus.ΩΝ ∆ΕΚΕΜΒΡΙΩΝ kat Mathimas tes aimnestu kai theosebus pro e .2. A memória da espiritualidade de mulheres idosas Para a história do movimento de Jesus é importante termos informações sobre a média de vida das pessoas naquele tempo. sem (estar em condições de) cuidar da saúde.. que representam milhares de outras. com isto se agrega o atributo que é característico para Revista Mosaico.. Ela foi escrita em grego.on dekembrion “Para Máxima. com belas letras. 1909. servem também como denúncia histórica acerca de sistemas patriarcais que. nomeada como “temente a Deus” (SCAGLIA. com 50 anos .para questões relacionadas à precariedade de ajuda médica prestada em situações de partos difíceis. a maioria das crianças que nas- ciam não sobrevivia. A primeira inscrição foi encontrada numa ‘câmara’ que contém diferentes loculi. tanto em nível social. “Fírmia Vitória. Como vimos. estas inscrições e o resgate da memória destas mulheres. principalmente os de camadas sociais baixas e que viviam em regime de trabalhos escravos pesados. e foi dedicada a Máxima. p. 29). mulher de 50 anos. A média estava em torno dos 30-35 anos de idade. como também político-estrutural.177). porém. do corpo e da vida delas. Há. jul. Duas inscrições tumbárias demonstram isto: 1) ΚΑΤ// ΜΑΘΙΜΑΣ − ΤΗΣ − // ΑΙΜΝΗΣΤΟΥ − ΚΑΙ // ΘΕΟΣΕΒΟΥΣ − ΠΡΟ − Ε // .. 2) FIRMIA VICTORIA QUE VIXIT ANNIS LXV. casos em que pessoas alcançavam uma idade avançada. na catacumba de São Calixto. Mulheres e homens morriam muito jovens.. Por isto mesmo. que viveu 65 anos”.. n. dezembro”./dez.

p. Aqui. Trata-se de uma lápide sepulcral. então. A simbologia remete para uma expressão religiosa que reflete uma fé histórica e escatológica: o barco pode representar tanto a pessoa/o grupo que pertence a Cristo (= Igreja) quanto a alma que se dirige para o ‘além’. orientada pelo farol que representa a fé. inúmeras inscrições que atestam a existência de mulheres que morreram jovens e virgens. 70 dias. v. provavel- mente participava da liderança de alguma das muitas comunidades que se reuniam nas casas de pessoas judaico-cristãs em Roma. Também elas são reveladoras de aspectos histórico-culturais relevantes10.102-116. destacamos ape- nas uma inscrição. estas inscrições mostram-se como importantes documentos fontais que re- metem para práticas de fé e para o imaginário popular daquela época. num tempo do qual teologia e história afirmam o desprezo para com as filhas e a preferência por filhos. participavam de comunidades cristãs. BACCIS DULCIS ANIMA IN PACE DOMINI QUE VIXIT ANNOS XV VIRGO DIES LXX PRID KAL SEPTEMBRES PATER FILIE SUAE DULCISSIME. ainda. observe-se também o paradoxo que por um lado registra o código de honra que publica a virgindade da jovem Baquis e simultaneamente remete para possível ruptura com o código cultural baseado na procri- ação: com 15 anos (!). entre 8 a 13 anos. e passavam a aderir à fé que confessava Jesus como Messias. Assim. Em memória de mulheres virgens e jovens casadas Há. para demonstrar as rela- ções afetivas existentes entre pais e filhas. Sem dúvida.2. Máxima. Baquis ‘ainda’ era virgem e ‘ainda’ não era mãe./dez. ou então casadas que não tiveram crianças. 2009 111 . algo considerado incomum e vergonhoso naquele contexto patriarcal. Simulta- Revista Mosaico. p. O símbolo comunica a esperança e certeza da salvação: mãos erguidas em atitude de oração em favor da(s) pessoa(s) morta(s). pela idade. principal- mente na de Priscila e de São Calixto. n. e morreu no mês de setembro. cuja imagem comunica fragmentos de espiritualidade da falecida e de quem a fez. 1993. portanto.. O pai fez para sua doce filha” ‘Mulheres orantes’: a vida ‘como ela é’ e a esperança da salvação A imagem da ‘mulher orante’ está bastante presente nas catacumbas. A segunda inscrição com imagens também memora uma mulher idosa. de 65 anos.pessoas gentílicas convertidas primeiramente ao judaísmo (principalmente da região da Ásia Menor) e que. jul. alma na paz do Senhor. os profetas e os costumes judaicos. Conheciam a Torá. O farol – imagem extraída do cotidiano do litoral mediterrâneo . Fírmia Vitó- ria.2.faz parte do imaginário como a ‘luz’ que conduz a alma até o paraíso. que virgem viveu 15 anos. 33). “Doce Baquis. a pessoa morta não fica só: está acompanhada por Cristo e pela oração da Igreja bem como iluminada para não se perder nas trevas do ‘mundo da morte’. encontrada na catacumba de São Calixto. (DEBRAY. pode ter sido uma destas mulheres e.

Fonte: Dué (1999. talvez no período pós-parto. da vida pós-morte. Na câmara chamada de cinco santos. n. Na Catacumba de Priscila. não sabemos o nome nem a idade da mulher. ela aparece como jovem mãe com sua criancinha nos braços. nos comunica dois níveis relacionais da vida de uma mulher falecida: à esquerda.ex. A cor púrpura da ‘mulher orante’ é mais uma expressão da esperança da salvação. encontra-se uma pintura que ornamenta uma das lunetas de um cubiculum. p.102-116. v.neamente a imagem-símbolo comunica sobre aspectos importantes da vida.2. há comparti- mentos ornados com belas imagens e com nomes das pessoas enterradas numa cubicula comum (SCAGLIA. p.. 2009 112 . por causa dos quais a(s) pessoa(s) morta(s) é(são) lembrada(s). 1909. na catacumba de São Calixto. 29).191): Revista Mosaico. p./dez. jul.2. porém. o que pode indicar que ela morreu quando a criança ainda era pequena.. a representação da celebração de seu matri- mônio. à direita. A ‘mulher orante’. Nada consta epigraficamente. p. numa imagem de comovente serenidade.

é comum que as pessoas que moravam num bairro fossem enterradas junto às estra- das mais próximas deste bairro.11 Os utensílios e vasos poderiam ser símbolos representativos para este trabalho. que os bairros de Roma correspondiam a uma certa divisão social da população (bairro de artesãos. pode-se tecer e reconstruir a existência deste grupo como um collegium. vinho ou algo similar. Arcádia) e perfazem. representações religiosas para a fé na vida pós-morte. em Roma antes de Constantino. servem de importantes fontes para recons- trução do cotidiano de mulheres./dez. neste sentido. As- sim. jul. portanto. n. Perceba-se que é na região sul de Roma (em torno da Via Appia e Via Ardeatina) que se localizam a maioria das catacumbas ocupa- Revista Mosaico. v.. bem como se distribuía a ‘ceia do Senhor’. (LAMPE.2. no qual se utilizava óleos medicinais para tratar de pessoas doentes. As imagens da ‘mulher orante’ não apenas remetem para a esperança da vida pós- morte. mas resgatam também atributos importantes da vida e do trabalho da(s) pessoa(s) morta(s). p. As catacumbas permitem reconstruir a pertença social de pessoas cristãs. 2009 113 . p. O cálice/vaso era um dos símbolos centrais da eucaristia. nos meados do século II-IV. guardar alimentos. a diaconia. a par- tir do que vimos até agora. tinturas. p.).ex. A exis- tência desta ‘câmara’ também indica para outra possibilidade: visto que nela nada indica para uma tumba familiar. 13).2. temos vasos/cálices que podem tanto representar instrumentos de trabalho (carregar água. Cada catacumba estava destinada a uma determinada ‘região eclesiástica’ da cidade. quatro nomes são de mulheres (Dionysa. Eliodora. como p. Zoe. Dos seis. Por isto.102-116. em Roma. pequenos comerciantes. pois o simples fato de se nomear mais mulheres que homens já coloca uma ruptura com a lógica patriarcal androcêntrica da época. Poderia se tratar de um grupo de mulheres e homens que trabalhavam na confecção de óleo. Note-se. símbolos do paraíso. poderia se tratar tam- bém e simultaneamente de um grupo que exerça funções eclesiais. cujos nomes estão gravados na pedra (acima transcritos – bem à esquerda ainda se lê perfeitamente a dedicatória: Arcádia in pace. Os utensílios e vasos na parte inferior da pintura podem indicar para instrumentos de trabalho tanto ‘profano’ quanto ‘sagrado’. a maio- ria! Historicamente isto é relevante. grupos que se organizavas por profissões e pertença religiosa. exercida por mulheres e homens de igual forma no serviço a pessoas doentes e empobre- cidas. etc. ricos.). As catacumbas e o ‘lugar social’ das comunidades cristãs em Roma Gostaria de destacar ainda alguns elementos que nos auxiliam numa análise sócio- cultural e religiosa de comunidades cristãs. O ornamen- to de fundo é todo ele um jardim cheio de aves e ramos. reproduzindo o imaginário. Quem morasse na parte ocidental em Trastevere dificil- mente seria enterrado na parte oriental na Via Tiburtina. Bem embaixo. homens e crianças na vida familiar e eclesial. 1987.ex. DIONYSAS IN PACE NEMESI IN PACE PROCOPI IN PACE ELIODORA IN PACE ZOAE IN PACE ARCADIA IN PACE Nesta ‘câmara’. As catacumbas nas estradas fora dos muros da cidade indicam para o lugar onde as pessoas enterradas moravam na cidade. temos a imagem de cinco ‘mulheres orantes’ inseridas em torno das ‘covas’ das pessoas mortas. fazer tin- turas e óleos) quanto ser símbolo da eucaristia.

poderemos lembrar que o serviço que ela prestou em torno dos anos de 57-58 em Roma teve continuidade por meio de outras mulheres que. v.. n./dez. pedra ou cerâmica e que “o motivo de todos os documentos era comunicar algum tipo de informação [.] ou registrar alguma coisa”. Lídia.ex. veja Pesavento (2004). Não raras vezes. às vezes. Tecla etc. as quais também se encarregavam de ‘dar um enterro digno’ (último gesto de amor) a seus membros. p. como Priscila. elas tornam-se importante fonte documental para a reconstrução da existência e da participação de crianças e mulheres na vida daquelas comunidades. elas tiveram de recorrer à memória e à autoridade de outras mulheres que.2. a autoridade que aquelas ‘que nos antecederam na fé’ possuíam dentro de suas comunidades.das também por pessoas cristãs. Lídia. veja Finley (1994. entre os documentos para análise historiográfica encontram-se inscrições de lápides. elas também sofreram perseguição e interdi- ção por parte de autoridades eclesiásticas masculinas que interditavam.. exerciam ministérios eclesiais. como ela.. O ‘lugar da morte’ mostrou-se como importante lugar que traz à memória pessoas que normalmente não eram lembradas e eternizadas por meio das letras..2.. quando se expandiu para fora da Pa- lestina. a carta do apóstolo Paulo à comunidade cristã em Roma ou os Atos dos Apóstolos. 2009 114 . funcionar como ‘anti-texto’ na história da interpretação de textos do Novo Testamento que apresentam. Por isto. Síntique e Tecla etc. p. Com elas pode- mos reconstruir o fato de que. em seu capítulo 18. a pos- teriori.. 3 Esta relação é elaborada pelos principais ‘teóricos da morte’.. assim como mulheres faziam parte ativa no início do mo- vimento de Jesus na Palestina. p. Para memória delas! Este artigo foi construído para resgatar memórias de mulheres e crianças que vive- ram em comunidades cristãs em Roma e nos arredores. visto seus nomes e suas vidas estarem registrados nas catacumbas de Roma. Maria Elísia Borges (UFG) que me ‘despertou’ para a intertextualidade de fontes tumbares para melhor análise e compreensão de textos do Novo Testamento. Não raras vezes. depois de Priscila. 2 Sobre conceitos e elucidação de ‘fontes’. jul. colocaram-se ‘na estrada’ para o serviço do amor! Notas 1 Devo especial agradecimento à Profa. Uma das descobertas feitas é que inscri- ções tumbares atestam comparativamente mais a presença e atuação de mulheres naque- le período do que textos que fazem parte da tradição teológico-eclesiástica canonizada. inclusive. inclusive. nas suas críticas e interdições às mulheres profetisas e ministras de sua época. 44) que afirma que. profundas marcas de misogenia. É nessa região que predominava a existência de comuni- dades cristãs. Questões básicas sobre História Cultural. em Romanos 16. marcas em tijolos.. p.ex. antes delas. na sua maioria compostas por pessoas escravas. tinham sua autoridade eclesial sustentada e legitimada por comunidades cristãs para as quais prestaram seus serviços.. Quando lermos e pesquisar- mos sobre Febe. Quando lermos textos bíblicos. para poder dar testemunho vivo e eficaz de sua fé em novos contextos sócio-culturais. Evódia.. não podemos deixar de lembrar também dessas mulheres que reencontramos nas catacumbas de Roma e que certamente. Quando (re)lermos Agostinho. não mais poderemos fugir do desafio de realizar uma análise intertextual que honrará estas inscrições funerárias como fonte inconteste que pode.. Dra. entre eles Philippe Áries (1982) e Michel Vovelle (1997).102-116. símbolos. Tabita.. libertas. pequenas artesãs etc. Revista Mosaico. elas continuaram presentes na vida e nos ministérios ecle- siais que deram continuidade àquele movimento.

22). 71-72 e 2003a). In: BRAET.I. 5 Sobre como a (pós)modernidade tem tratado moribundos e a questão da morte de forma diametralmente diferente da Antiguidade. origem social e de miscigenação étnico-cultural. produziam. Borges (2004c). Andréa. Gütersloh: Gütersloher Verlag. 36ss). n. Vol. Debray. Revista Mosaico. PFOHL. destacamos apenas o texto do apóstolo Paulo em 1 Co 15 bem como o escrito apócrifo cristão do século II. idade. todos mencionados anteriormente. em 1975. 2004 (2004b). 11 A respeito de mulheres e homens que trabalhavam. Tradução de Heitor Megale et al. p. em 1977. Munique: Ernst Heimeran Verlag. mas as registramos também aqui para refletir sobre a morte de parturientes e crianças recém-nascidas. viajavam e exerciam atividades eclesiais. Estela: Verbo Divino. DUÉ. CURL.Alves.. Die stadtrömischen Christen in den ersten beiden Jahrhunderten: Untersuchungen zur Sozialgeschichte. In: Apostila da Disciplina Iconografia do Corpo e da Morte. Stroud: Sutton Publishing Ltd. 2002. VERBEKE. veja Richter Reimer (2003. Herman.79-87. Referências ARIÈS.Geburtstag. (Orgs. Philippe.. 8 As inscrições foram extraídas de Geist e Pfohl (1969. Visto não podermos adentrar. (fotocópia). 2004. Toynbee (1971). O Homem Diante da Morte. A morte como campo de estudo e de reflexão e a questão da interdisciplinariedade. 1996. Frank et al.B. maiores informações em Scaglia (1909. 7 Sobre a interrelação sociocultural. Na tradição judeu-cristã. Atos de Paulo e Tecla. James Stevens. p. Vida e morte da imagem: uma história do olhar no ocidente. Petrópolis: Vozes. Los evangelios sinópticos y la cultura mediterrânea del siglo I: Comentário desde las ciencias sociales. 6 Sobre as diferentes práticas funerárias na Antiguidade. 211-265). Richard L. p . MALINA. veja mais informações em Richter Reimer (1995. Áries (1981 e 1996). Tübingen: J. [2004c]. Römische Grabinschriften. Death and Architecture: an Introduction to Funerary and Commemorative Buildings in the Western European Tradition. Nem todas foram encontradas em Roma. veja Lampe (1987. p. DEBRAY. Uma antiga concepção do além.C. veja a discussão feita pelo sociólogo e antropólogo Rodrigues (1983.3-6). ROHRBAUGH. portanto religiosa.. Hieronymus. 1969. Werner (Eds.28-48. (Texto de Juan Maria Laboa e Tradução de Ivo Montanhese et ali). um pequeno livro-ensaio com o título História da Morte no Ocidente. Sobre o ‘lugar dos mortos’ ou ‘para onde vão’. 2009 115 . p. veja algumas delas em Scaglia (1909). Aparecida/SP: Santuário. 1987. “Wir alle werden nicht sterben”: ein Lied gegen die Todesmächte (1 Kor 15. aqui. nas antigas concepções sobre morte. 2004. p. Gerhard. GEIST. Curl (2002) e Toynbee (1971). As traduções das inscrições foram feitas por mim. _____.2. 9 Sobre as organizações de pessoas escravas (collegia). veja também Borges (2004b. Maria Elizia. jul.). _____. Os sistemas de sepultamento em cemitérios europeus e norte-americanos (XIX-XX).51-57). Bruce J. que fala do ‘lugar dos mortos’ como lugar de “refrigério. with Some Considerations of Their Settings. A morte na Idade Média. 45-64).). 1999. p. Goiânia: UFG. de confessionalidade judaico-cristã aliam-se a dados sobre etnicidade. p. Goiânia: UFG. Alves. Geist e Pfohl. Veja também Michel Vovelle (1997). (Tradução de Luiza Ribeiro) Rio de Janeiro: F. In: Apostila da Disciplina Iconografia do Corpo e da Morte. p. São Paulo: Edusp. Claudia.102-116. p. 1981. Atlas Histórico do Cristianismo. Peter. BORGES. p. In: CRÜSEMANN. 312-14). que também cuidavam do enterro de ‘conservos’. Festschrift für Luise Schottroff zum 70. Trata-se de uma série de inscrições organizadas a partir dos dados colhidos no material epigráfico registrado em Scaglia. veja Àries (1981. Dué./dez. LAMPE. Petrópolis: Vozes. 55-68): sobre a ligação entre a prática funerária e a fé na ressurreição.Mohr (Paul Siebeck). 1993. e. JANSSEN.17). também publicado pela editora F. (fotocópia).4 Ele havia escrito. v. esta concepção estava ligada com a crença de que a pessoa morta era acolhida no “colo de Abraão” (Lucas 16. da concepção de pertença entre terra e pessoa. 10 As informações de nome. Dem Tod nicht glauben: Sozialgeschichte der Bibel.2. Régis. satisfação e alegria”. com ampla bibliografia. 1996.

Goiânia. v. 3.B. Coleção Schriften und Quellen der alten Welt). Vozes. 2003. TOYNBEE. Relações de Poder e Mulheres: Realidades. (Orgs. v. Símbolos e Sonhos no Contexto do Novo Testamento.com Revista Mosaico. Sixte. José Carlos. RICHTER REIMER. _____. Die Religion in Geschichte und Gegenwart: Handwörterbuch für Theologie und Religionswissenschaft. In: _____. São Paulo: Paulinas. TACITUS. ed. São Paulo: Ática. 1995. Death and Burial in the Roman World. 5. Goiânia. Alemanha.). Ivoni. Otto Gerhard. _____. as Feras e o Novo Tempo. p. também na Escatologia. 13. 3.2. Tradução Heitor Megale et al. A economia dos ministérios eclesiais: uma análise de Romanos 16. Vida de mulheres na sociedade e na igreja: uma exegese feminista de Atos dos Apóstolos.102-116. Petrópolis. London. 1986.C.OEXLE. n. 101-112.Mohr (Paul Siebeck). 1997.M. Sarah B. Tabu da Morte. Professora adjunto II da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. VOVELLE. jul. Parir. Das Leben des Iulius Agrícola: Lateinisch und Deutsch. A morte na Idade Média. Sandra J. Experiências de Vida e Morte. In: BRAET.. Gerar. In: Hans F. 1171-1174.CAMPENHAUSEN et al. POMEROY. l’épigraphie et l’art chrétiens. ed. n. P. Rudolf. Southhampton: Thames and Hudson. Imagens e Imaginário na História: fantasmas e certezas nas mentalidades desde a Idade Média até o século XX. 55-68. n.). Tübingen: J. Art. 1. p. (Org. 5. por TILL. Email: ivonirr@gmail. Cuidar. 2003. Belo Horizonte: Autêntica. Terra. p. Berlim: Akademie-Verlag. A presença dos mortos. Docente permanente do Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Ciências da Religião (mestrado e doutorado). p. 1909.. Vol. 2009 116 . 1079-1092. Ideologias e Mentalidades. Frauenleben im klassischen Altertum. [2003a] RODRIGUES. p.1-16. Fragmentos de Cultura. CEBI. 2004. VERBEKE. 1983. SCHLÄFER. Rio de Janeiro: Achiamé. E.. 1985. Michel. * Doutora em Filosofia pela Universidade de Kassel. São Paulo: Edusp 1996. Werner (Eds. 1987.2.v.D. Michel. Tradução Maria Julia Goldwasser. O Belo. ed. VOVELLE. v. Caminhos. Stuttgart: Alfred Kröner Verlag. São Paulo: Brasiliense. PESAVENTO./dez. Roma: Officina Poligrafica Editrice. São Leopoldo. _____. 1. 2000. 1971. 27-78. J. História e história cultural. Les Catacombes de Saint Calixte: Histoire et Description avec um aperçu sur la sépulture. p. 1988. Katakomben. SCAGLIA. Herman. 2.