As técnicas e as funções do desenho de personagem nas três versões de O Crime do Padre Amaro por Maria Luísa Nunes
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Tese de doutoramento em Filosofia apresentada à City University de New York.
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MARIA LUISA NUNES
AS TEGNICAS E A FUNGAO DO DESENHO
DE PERSONAGEM NAS TRES VERSOES
DE
O CRIME
DO PADRE AMARO
CGonultor: Profesor Emosto G. Da Cal
Bf Faeidde de Lore de conbre
IRSTTTUTO DE ESTUODS RoMANAS,
ural hated Vass
we ised |
eri } vaio & imio—xprmoREs 7
i PORTO
a
ing t &SUMARIO
A leiura ena de qualver romance mostra que sn
desma stead de tenis par pert
0 leltor observar as diferentes facetas de uma persanagem
dE feo. Por meio de exrato pela comparagaa ds pro-
Evizorverbais empresas por Ep de Quer ro deseno de
personagor nas tes versie de O Crime do Padre Amaro,
© presente estudo tentard demonstrar as modificagdes e ino~
Sees do carctersars0 que fran fond gor nassucestvar
redacyées dete romances, fom Is, fecer hc sobre eto
lupo da técnica e teoria do desenho de personagem do autor,
ium momento criti da sua caret. Una des carats
tis mais inpresionnte dos ‘Gesase processor de Ese
fa mulplotade de ponos de vista done as mus per
agents observes. do contra des escioresromdaias
tie nco se content cn tna ist ten ou Beclmensonal.
Bra, ndo a apresnts 0 sen porto de ita, como frequen
temonte, 0 tansjore para ar prise persragens. Tee
din peramagens que sernn de calarderesondnla
Sutras, e personagent que se revelam si mesmas aranés
des formas exteriors de dog, carta, canes ea a
onenplardo a0 expete,e dos formas interiors de mons
topo, fins e von. Oexto ndirecto lie fincond tomo1 entrosamento do panto de vista do autor com o das per-
sonagens,¢ pode verse no diélogo, no monslogo, no mondlogo
interior ou na fantasia. A carieatra é a feigao mals proe-
met do dino perce de gn ee ey
‘traco_especifico & igualmente uma feigdo importante da
aracterizagto na sua obra. Hé uma’ earacteristiea orginal
no seu desenko de personagem: 0 emprego de imagens z00-
érficas em que a distorgd0 se torna real. Muitas vezes,
‘nas ndio sempre, relacionado com esta tenlea, etd @.1s0
spite de alana, Ouro aspect eign! do dso
persondgen de Era é a emuneraedo cadtica de atribuos
‘io relacionados. Finalmente, aparece, também com fequcn-
a, a caracterizardo segundo figuras. ou géneros. Merdrias
‘por analogia com figuras politieas e com épocas historcas,
Pelo vasto emprego de modos apresentativos de caracter-
2a¢do, O Crime do Padre Amaro é allamente dramatizad,
Tal como Aristételes j4 fizera, e como a maioria dos escri=
‘ores postflaubertanas, Era falou 0 menos possivel em seu
spriprio nome e demonsirou uma preferéncia mareada por
‘nastrar' em vez de “dizer. O sew deseno de personagem &
baseado na observagdo atenta que, nermalmente, cond: a
‘una mimesis no sentido estrto, mas que, no seu caso, &
condicionada pela acunulagdo das tenicas que eriart husnor
© ironia: caricature, epetieo, distorio.e enumeragio cas-
tica. O somatério destas caraceristicas € mas une «verde
Cinieam que wna silusto de realidedes. Se olharnas para
‘nds, para 0 periodo de 1875-80 vemor que esta fot wna
poca' de gronde desenvolvimento da eapacidade ariistica de
Fea. A obserragdo sob angulos miliplos expandise conse
deravelmente nesta altura. A coricatura eunentou ens 1880
fenquanio que o realee de wm %8 tropa aparece tanto na
versio de-1876 como nade 1880, De um modo geral, ax
reiisies sto caracterizadas por um emprego mator de modos
Ghamdticos ow apresentativos, intensficapao dos tragos
negalvos das personagens indica wm aumento de critica
Social. Finalmente iniroducem-se novas personagens para
expandir a ‘populagdo’ do ramance ¢ desenvotvenrte ainda
2
‘mais as personagens antigas. A julgar pelo emprego que
Epa fez das ténteas e processos de desenho de personage,
€ pelas suas propras afirmagées, 0 seu objectvo era cample-
temente din de reste su rt, psa da
prinitiva posigdo de baluarte do naturaltsmo,-ele mica, na
lidade, aplicon tnteiramente os princilos desse natwa-
lismo. Amalgamada com as bases tedricas dos precetos
hawralistas, estara wna liga de uunar e tronia, de modo
‘que as suas personagens mosiram-nos una «erdade eéinlam
que se estende & critica de toda wana sociedade. O autor
‘riot no seu romance un sentido cada vez mais vasto de
‘esparo formado por inimeras personagens. Sao elas que dio
vida cidade e @ napdo. Q esparo de Lisboa eo espago
fantasma’ de Paris, onde ei 1871 4 Convina exid em mar
cha, dia 6 significado final & versio definitiva do romance
=a condenacdo formél das corruptas insttulpdes portugue-
sas. E assin, O Crime do Padte Amato transformovese, do
romance de’ costumes da sia prineira versio, no apelo a
tuna mulanca social da versao final.cariruto §
INTRODUGAO
1. © assunto
Embora 0 Ietor de ficglo se identifique facilmente com
as personagens de um determinado romance, e se sinta,
até certo ponto, envolvido na prépria vida dels, raramente
considera’ os meios pelos quals 0 autor eriou estas perso-
nagens. A leitura atenta de qualquer romance revela que
lum autor se serve de uma variedade de téenieas para pet=
titir a0 leitor observar as diferentes facctas de uma per-
fonagem de ficgfo. A fungdo de cada personagem & seme!
Thante a da propria fegdo, isto é, contar uma histéria.
AAs personagens podem desempenhar 0 papel de protago:
nistas,cuja elaboracio est intimamente ligada 20 cntrecho,
‘como no romance dramatico, ou de personagens primérias,
secundaries, de tercera © quarta ordem e constituir alé uma
populagdo de fundo, a que passaremos a chamat dexiras,
¢ cuja funsio & a de eriar © ambiente do romance. O objec:
tivo do presente estudo ¢ analisar as tdenicas e a funcio
do desenho de personagem nas tres versbes de O Crime
ido Padre Amaro.2. A escolha do assunto
‘As téonicas © a fungio do desenho de personagem
constituem um campo poueo estudado entre os aspectos
ddo romance. Criicos como Ortega y Gasset," Perey Lub-
Dock, Wayne C. Booth, E. M. Foster, Francois Mauriac
fe Edwin Muir dedicaram piginas, e por vezes até capi-
tulos inteiros & teoria e fungio da personagem na fiegao;
W. J. Harvey esereveu todo um Livro sobre 0 sssunto.
‘Mas, como ninguém, que saibamos, estudou ainda, siste-
maticamente, 0 processo verbal da caracterizacio num
eierminado’ romance, parece chegada a altura para tal
empreendimento. Por essa mesma razio é villida a decisto
de -analisar este tépico nas edigdes de 1875, 1876 © 1880
¢ 0 Crime do Pace Amaro
Como nio havia modelos a seguir, tive que criar os
seus préprios métodos de anilise, mas tenho a perfeita
cconsciéncia de que eles podem ser defeituosos, sob pontos
de visa que me possam fer excapado. A maior desvantagem
do meu método reside no mullo que eu inicialmente dele
fsperava. Supunha que os processos isolados seriam, em
si mesmos, distintos dos empregados pelos percursores de
Fea, quando na realidade muitos deles 30 os mesmos.
Descobri, porém, que a diferenga esti na flosofia exstente
por tris da aplicacdo desses métodos e no estilo. Por outro
ado, uma vantagem inegivel deste procedimento esti em
que, nalguns casos, verfiquel que os processos de Eea eram
Griginais dentro do Ambito das letras portugnesas, como
© caso de penetrar na consciéncin das_personagens
para explorar e revelar a sua vide interior. Outra vanta-
fem esti na possibilidade de fazer observagdes a partir de
txemplos, o mais curtos possivel, que seleccionimos. No
86 fisavum demonstradas as tGenieas Sbvias mas também
fouras processos nelas incluidos, tais como © emprego de
imagistica animal, sensualidade e a inumeragao cabticn de
‘ragos, Por fim, na ultima seoqlo sobre a génese das trés
versbes, a comparacto dos extmplos isolados era rica em
pormenores a respeito do desenvolvimento dos métodos ée
xecupio do autor, especialmente em termos de progresso
artstico, Que eu saibs, nunca foi feita, nos trabalhos Tt
os de que tenho conhecimento, una andlise sistema
{los procestos verbais do desenho de personagem. A esto
respi ereio que o meu estudo representa um tratamento
original do assunto, © a ser bem sucedido poderi dar uma
ova contribuigdo para a critica
‘Alguns critcos* trataram da questo do desenho de
personagem na versio de 1880 «°0 Crime do Padre Amaro
das variagOes da caracterizacho entre as is versbes do
romance publicadas. Os artigos criticos de Helena Cidade
Moura acerea das modificagdes do romance de 1875 a 1880
Gio-nos algumas observagdes perspicazes sobre o assunto,
‘ ensaio de Alvaro J. da Costa Pimpio aponta a grande
mportinein do ambiente humano na obra. de Ego. Esie
ponto ¢ particularmente relevante quando se observa a
fearacterizagdo das chamadas «porsonagens exiray. © livro
de Alberto Machado da Rosa toca em muitos aspectos
éa obra de Fea, incluindo a anilise esilitica das edicdes
4 1875 © 1876 WO Crime do Padre Amaro, a influéncia de
indi Ses seen eae Bas Ameen,Dickens em Ea, e, o que ainda mais pertinente para
6 presente estudo, a evolugio das pergonsgens nas suces-
sivas revisdes do romance. O livro de Alvaro Lins d uma
boa visio das técnieas de caracterizagio de Ega, revelando
‘0 tratamento determinlstico que o autor dé As suas per-
sonagens. 0 breve artigo de Helcio Martins mostra a técnica
repetitiva que E¢a empregou to lnrgamente. Além de
‘uma boa dissertacdo sobre as diferencas que caracierizam
as trés versbes d’0 Crime do Padre Amaro, 0 trabalho de
Joo Gaspar SimBes mergulha nos motives psicalégicos
4 autor, reflectides na eriagio de problemas especiais no
romance” Ele aflrma que o romance era to pessoal para
Eya porque reflectia 0 drama do sow proprio nascimento
legtimo. Simées cré que E¢a_ via Amélia como sux mie
€ Amaro como 0 pai. A apresentagio da erianca como
Tapariga na primeira versio & uma tentativa Sbvin de evitar
‘um paralelo muito flagrante, E 0 proprio Ega que more
as milos do padre segundo Simdes, mas como este tipo
de anélise psicoanalitics ¢ bastante frigil, muitos eritcos
tém reservas a esse respeito, José Pereira Tavares contrie
Diu com um artigo aezrea da influéncia de Zola. sobre
ya e com um livro em que analisa as duas primeiras
versbes €'0 Crime do Padre Amaro, e comenta a elabora~
fo © publicagio da redacgao definitiva, Sio estes alguns
og eritieos mais importantes que muito incidental ou
indirestamente tocaram no assunto do presente estudo.*
A adigdo duma anilise completa ¢ pormenorizada dos
processos de caracteizagio ¢ sua evolueio num dos mais
Significatives romances de E¢a nto pode portanto deixar
‘ds ter resultados elucidativos © signiicativos.
3. Ovjectivos
Por melo de extractos ¢ pela comparacdo dos processos
verbais empregados pelo autor para desenhar personagens
nas 16s edigdes do romance, o presente estudo tentari
demonstrar as modifcagbes e inovaghes da earacterizagio
que foram tendo lugar nas. sucessivas versbes, © assim
fhzer luz sobre as ‘téenicas de Eya e 0 seu concsito
de dosenho de personagem, num momento ertico da car-
reira do. autor.
4. Metodologia
‘A base da metodologia deste estudo exactamente 0
isolamento de processos verbais com o fim de analisar
processos ateavés de virias Teituras atontas do romance.
Procarei definir aqueles elementos de prosa que se com-
binam para eriar 0 retrato total da personagem. Eles so,
lumas ve2es, expresios pelas pulavras do autor ommnisciente,
fe outras, pelas das suds personagens, distinedo que denota
‘© modo’ mio dramitico em opasieio a0 mode dramitico
{de conlar a histéria. A comparacto dessas téenicas verbais|
nas edigdes de 1873, 1876 e 1880 ¢ o meio pelo qual espero
apontar a evoluclo de Eya no seu desenho de personagem,
‘A pritiea de elaboragio de figuras implica necessaria-
mente uma teoria, Apesar da reticfncia do autor a este
Fespeito, ereio que as suas téenieas de carscterizagio sto
bastante reveladoras. Tenciono, uma vez mais, aplcar o
método comparative as tts versbes «0 Crime do Padre
‘Amaro e espero chegar & teoria de caracterizagzo implicit,
carina
‘Um dos processos verbais mais dbvios na obra de Bya
4 a caticatura. Pode verifiar-se que a viso cémice que
fle tinba da vida esta sempre presente. Especificamente,
isto é muitas vezes alcancado através do emprego da repe-
tigdo de caracteristieas, 0 que nem sempre, porém, indica
‘eaicatura, Héleio Martins identifieou esta técnica como
‘flashes sucessivos» que o autor repete a fim de gravar
9bem na mente do Ieitor um trago particular este um
dos meios de exagerar uma feigio e de eriar uma cariea-
(ura. Epa consegue também este efeito através da distorcio
9 exagero.de.caractetfstcas, como por exemplo 0 trata
mento que di s_peculiaridades e aparéncin das velhas
bates. Quem poder esquecer 0 briew-brac sagrado de
D. Maria ou as confissbes que D. Josefa faz das apari-
‘Bes de Santo Ant6nio nu?!
Caractersticas estilistoas ‘ais como o emprego de
_metifora, simile, sleunba,¢.epiteto ocorrem através de toda
obra. Nio so tratadas soparadamente porque fizem
parte de outros processos verbuis, quer das descrigdes no
Gramiticas feitas pelo autor quer do modo dramitico
‘expresso pelas personapens.
1B, Narn, desecg80 0 epresetasto
Embora muito °0 Crime do Padre Amaro seja dilogo
fou forma dramitica, hi longas passagens om que o autor
labora as personagens diectamente. Estas porgdes nao
‘ramatizadas do romanee sto ora natradas ora deseritas;
to presente estudo referir-nos-emas a elas como narrative
(Ginimiea) e deserigfo (esttiea). A apresentagao. compar
{ilha de ambas, embora seja predominantemente dinimice
c Flashback
© autor emprega esta téeniea para mostrar incidentes
¢personagens uma altura anterior & da aegio priseipal
‘do romance. Pode compreender modos draméticos © no
Gramiticos. Umas vezes & 0 autor que. faz comentirios
sobre o earicter da sua personagem em determinada altura,
no passado, outras, dramatiza uma cena passada em que
as personagens revelam os scus préprios atributos ou os
dde oulras personagens. A téenica é de importineia extion
TT ies om Gram
rng romance naturaista em que o determinismo.c.a.tere-
ditaredade desempenham papel to importante. E & assim
Gue nds vemos a vida das personagens antes. do_periodo
abrangide pelo romance, a ser moldada pela influéncia de
pais, primeira infancia edolescncia, em suma todo o temy
‘que precedent os acontecimentos da histéria e que pesa con
dderavelmente no comportamento das personagens na altura
‘da sua Vida geeten da qual o autor nos quis falar.
, Apresentagio como mode drum de retrtar persomgses
© autor deixa as personagens_mostrarem: mes.
mas, Ortega y Gasset diva este aspecto do romance 6
Foie de wapreseniativo»*. AS personagens falam, pensam
tefazem comentirios a respeito-doutras, revelamese através
4 carlos, sonios e fantasia, e, duma mancira geral, pare-
fem agir por iniciativa propria. A auto-apresentagio com-
preende muitos processos ¢ & paricularmente efcaz para
Felratar vida interior das personagens. Abrange vias
subseategorias:
sso geome ml open
eee ee
Soomro See
ee Be a onine
St eet
aebeee
a. Auto-apresentacio_através_de_mondlogo, em estilo
directo — este processo € geralmeate indicado por meio de
Sinais de pontuacio introduzindo a Fz, quando a persona-
gem esti sozinha. Distingue-se da auto-apresentagio feita
através do pensamento pela auséncia de verbos que denotam
lum processo mental. A ‘Senica correspondente em trabalhos
Titeritios anteriores era a presenga de um confidentequem 9 pesonagem rveliva as sis otras, ms
itimas. A-aulo-apresentasdo através do.mondloge € uma
ds. maisfeveladoras, nt medida em que 9 Ietor pode,
ruits vezes, antever aspectes-da personage desconhe:
Gidos das ouvas petsonagens até dla propria, se quset
iiudir-se a si mesmo ou se se tver deizado sueentemente
‘enredar em acontesimentos que do pode compreender por
‘fo tera perspectiva necessin. A auto-apresenagho atrae
vs do mondlogo pode aparecet em esiloiadieato livre.
Esta € uma Unica importante, multas vezes empregida
no romance. Tomamos a liberdade de citar a desrgao
ue 0 professor Ernesto Guerra Da Cal fiz do ‘eso inch.
recta live'™ E evidente que o-mondlogo €s6 um dos seus
aspects, mas como é partcularimente relevante no romance,
parece ser aqui 0 lugar adequado para o abordat
“Um dos principals empreaos do ipso. a. pros aus
roalanay th selasonado com © cama’ aan nat Iver,
‘ues vivow. Deuse coments nas lingua moderas da Earons
rok amplamens.etedado — peruse no pings
‘alia, a partir de Finuber, que o Wansforma mum proceso
‘& tenn harratva de capil Importnea. Zal abst ale ©
‘emprepva de um forma obsessive com le odes os ses se
4 Ne Theratura ingles € um fesuso tem conberdo, que
acouta lequentments desde Water Senta Ores Wide,
[ssindo por June Austen, Thackey, cc. Na pros portoguess,
Epo plo gus o tsa com eonssenas eit () Em)
{ode asia obra poveesa © achames, desde o come, conan:
ferent, jen dogo, ji em moniogo metal orhe proceo
[voto dena fae sui alae opera oe sae personages,
ste ipg de dsr tints fovgesamente de exaear um fort
aratvo Sebye Eyat em primer lusar, peemiisine berar
frase das oulsuorvetos tecorancis © de comepondete ott
Jongao integrons (ween ou ade quo); em sepia
pronimuva a exprsiso therein coe proces” da ngulga
Fala, «em tere lugar, comsegula Impersonal «arr
‘ssimlodo-e pot dette dss sus peronaeen, dandoner
Spares auionemis 0 que satan ¢” sea ralimo a
Re Re Here Rt ey te Ours a Hen
BR
rmssmo tempo que, subilment, se confundi num mesmo movie
‘mento comm peronagem e com 9 Teton submereino-te dentro
‘Eeuelsc com clase idetieando para ‘se cig este para
Sim dar stops sua indies lnpresiolss, 0 itor
‘lo mabe © ¢ 0 autor o s6 €8 poronsavm qu ala: ina
‘aqua Yom lie nose lua a sensagde de cue os das exp
imipae go mesmo tema.)
K cootnuldace Tega sramatel rompese. © imperovo
tendo Iugar do piesa, 6 candela 9 do futuro, © Mabe
‘avepretoo do prelate compesto,Paralefameni se anspoem
‘btm os pronones, Eu costugio adgu, scoatuadamens,
in © vino aie cars eta de ea
‘Enos, cosa inpondvel fra © eallonaacca
‘A disseriagio do Professor Da Cal documenta os vatios
fempregos do estilo indirecto live tais como a alternincia
do diseurto directo com o diseurto indirecta livre sem
rnenhuma transigio e a mistura de estilos em transigoes
ripidas:
“Por meio dst reeugo congue finer flr, fet peasar
tk as sus peeonsgen, dar-os a vida intel delay em suas
ipso pais, eo pas do aor, sem absar do sono
© rrealismo das passagens escritas em mondlogo & par-
ticularmente impressionante.
b. Avlo-apresentacio airavés da fala —esta 6 uma
das facetas das porgdes dramatizadas do romance, 0 dié-
Togo. A personagem em elaboragio fala a outra ou outras
personagens ¢ revela a sua personalidade e outros aspectos
os seus antecedentes como classe social, educaeio, preo-
ceupasdes profssionss einteligéncia. Quando a fala de uma
personagém & apresentada em estilo indirect livre a téenica
empregada $6 pode ser descrita como um hibrido de modes
nfo dramiticos e dramiticos, com a personagem a parecer
que fala mas com 2 presenga do. autor bastante bvia.
A cexplicagio do Professor Guerra Da Cal na sub-categoria
fanterior di uma excelente idein deste fenémeno, A. perso-
Bnalidade da personagem ¢ assim dada pela téenica, visto
‘que & om parte, pela fala das pessoas que delas se forma
ttma ideia, Tal como 20 mondlogo, o leitor compreende
rita coisa a respeto do sistema de valores da. persona-
gem através da sua interacpio com outras pessoas.
‘e Auto-apresentagto através de cangbes—cste pro-
ceito no é original na prosa de Ea; aparece ji na Mentna
fe Moga, assim como n'As Pupilas do Sr. Reitor. Na obra
de Ega uma personagem feminina exprime muitas vezes a
gun vin emeional raves de cangs; Os ez ¢"um
amento 2 despedida, outras, um mefo de comunicar senti-
rmenios, como Amslin faz com Amaro, Ocasionalmente,
Exprime também abortecimento com qualquer contest:
mmento"do romance. E particularmente significative no
desenho da mulher romantica que ama a sentimentalidade
fa arte quer esta sefa a titima dria ds Traviata quer um
Tomance de Sic Walter Scott. Os naturalstas-realistas
fonsideravam 0 estudo dos gostos litesrios dos sous mode-
fos como um pre-requisito fundamental para a sua carac-
7A suloapresentaso através de carts —ooorefe-
quentemente 10 Crine do Padre Amaro. Por este meio a
personagem rovolese em termos de motivaptes, alitudes e
Secisdes, Uma boa indicago de tragos morais & muitis
‘yezes dada por carta. Outro tipo de epistola é 0 que resume
acontecimentos ocortidos num petiodo de tempo que pode
fou ndo reflecti-se na personagem. Em suma, & um meio
fe vatiar as facetas do desealio de personagem, assim.
como de dar ao leifor uma ideia do seu estilo itetio,
Ente, por sua ver, revelaidiossincrasias que podem indicar
‘outros axpectos da elaboracto ou serem por eles indicadas.
‘e. Auto-aprosentagio através da imagem refletida. no
espeho—é esta uma tGenica emprogeda para ilustrar a
fapresiagto fislea que a personagom faz de si propria.
‘Tanto Amaro como Amélia se contemplam ao espelho
revelam aprovagio de si mesmos. A téenica & importante
para mostrar ao leitor tanto aspectos fisicos da perso-
ager coma o aspecto psicalégica do seu auto-apreso.
© emprego postflaubertiano da imagem reflecida no
cspelho parece demasiadamente simples em contraste com
a longa historia do espelho na arte. Ha qualquer coisa
dde mistico na reflexfo da pessoa, tal como dada na
tura, em que uma imagem se pode tepetir ad infinitum
‘com uma colocagio apropriada de espelhos. As conotacbes|
fantistioas de uma imagem reflectida num espelho parc-
ceem ter eseapado a literatura naturalista que a empregou
simplesmente com 0 objectivo de evocasio pessoal
£ Autorapresentacto através de. sonhos — reflecte
aspecios psicaldgicas dos protagonisias © é, n'0 Crime do
Padre Amaro, freudiana avant la letre. E dado ao leitor
ver os desejos e receios sub-conscientes, da personagem.
E isto 6 algo de importante cntre as téonicas de fiegio
porque permite a0 leitor mergulhar profundamente ‘na
psyohe da personagem, um prvilgio $6 concedido aos
Psiguiatras na vida real, Na verdade, nunca & demais
Salientar 0 aspecto revolucionirio deste. emprego dos
sonhos na literatura portuguesa. Eles constituem um cle-
mento convineente a elaboragio total de uma persona-
gem ¢ assemelhamese muito aos estudos de certos casos
apresentados por Freud, contribuindo assim para a «ilusto
de vida
1 Evocaplo
sta técnica implica uma mudanga de ponto de vista
E outta personagem do romance que atribui qualidades &
personagem em elsboracio; e, deste modo, o Ieltor v8 essa
figura como outras pessoas do seu préprio mundo a véem,
formando assim uma ideia mais completa ¢ eonvincente da
criagdo flcional. Quanto mais personagens vem a figura
central, tanto mais rico e pormenorizado o seu retrato.
Do mesmo modo, o estreitamento de relagdes entre as
personagens langa eada vez mais luz sobre a figura central
5‘As outras personagens agem, pois, como caixadeesso-
ana
nA ato-evocagio através da meméria, uma. sub-
-extgora da evocaio, € smelnante 2 flack name
dia em que evoesacontecinentos © Personagens ante:
flores époeaem ques situa o romance. O autor informe
b lsitor quendo's peronagem se exh entegando a rear
agaes. A tcenica € mules vere deitvoen porqoe © pr-
Sonagea se lemira de colses que nio erm posuvel ster
{Como, por exemple, o& pontos de vita de oatas persona.
en) few obearvagdcs a sau prio respito que ninguim
tormalmente fri. Uma ver mais,o metodo & ee importin-
fia criten em fermos do dsterminismo e hereditaedade.
Por seu intermécio fexse luz sobre os snos formas da
personagem, que a fozem compere da manera como
S'comporta {uando.confontada com as personagens ©
Scontecentoy da historia
‘Os processos que jugnsi deverisolsr oma base para
4 mina mstodologiaperecem-me dar wen reuato eer
Sompleto de wma dade persnagom, tal como 0 autor
Ser omo ela se véa st mesma como of ottros 8 véem,
{deforma que o stor fsa com wm eonheetmentoprofundo
dese personagem. © que & importante no presente etd
Sto os proprics nelos através Gon qusis 0 sforconsepue
Air co impress. Por est resto espero que & isha
‘seofha ndo pare aria. :
“Ao apie exe proceso 4s pesonagens, nfo seput uma
ondem eect Seria tio imporselfarélo. coma tera
Sido to ator consrir ar suns personagens mecenicamente
fhe‘ fo deat, De oe ga a at
pesonagsoe sm tsmmos_de ragos fisios © mora. Nas
pores mais desenvolidasacrescentei 0 cxame. da vida
‘Bisioe, dave interior e das relax com ontaspessous
{aie menos desonvolvidor det simplemente aquilo
aue'0 autor achow por bem éivulga acca da ba peso-
fngem. Os capituloe IX'e X tratam os protagonists na
ferelo defn, Do eapitulo XI so XVIT apretetamse
16
as téonicas da elaborapio definitiva das personagens do
romance ¢ as altoragbes fitas & medida que ele ia sendo
revisio. E, por caust do muito que foi refeito e da sua
grande importineia, o desenvolvimento dos protagonistas
nas tr8s versbes dO Crime do Padre Amaro & teatado em
‘sxparado nos capitulos XVIII e XIX. As persouagens extra
sto mencionadas na sua versio definitiva mas a sua distri:
Duigio desde 1875 até 1880 ¢ tratada separadamente no
capitulo XVII
‘A lungao das personagens no romance pode ser esta-
belecida de acordo com o seu papel. N'O Crime do Padre
Amaro, e segundo a conceppio que Edwin Muir tem do
Tomance dramitico, "0s protagonistas estio inlimamente
ligados & intriga e & aceto. As personagens foram divididas
segundo tis crtérios: grau de elaboraedo, disténcia a que
esto dos protagonistas ¢ da acgio, ¢ a sia fungdo dentro
ddos micleos que formam 0 espago do romance. A. dive
so resultante dicnos, velicalmente, personagens primérias,
seoundirias, de teceira © quaria ordem e extra, e uma dis.
‘ribuigto horizontal no espago, fendmeno que seri diseu-
‘ido no capitulo: VID.
5. Limites
Embora o escopo deste estudo se limite a uma ani
lise intensiva das versdes de 1875, 1876 0 1880 d°O Crime
do Padre Amaro, eu inci também uma breve analise do
(que precedeu Bea de Queirés e uma andlise das suas obras
desde a5 Prosas Bérbaras até & publicagio de Os Moias
fim de ganhar perspectiva para quanto Esa realizou.
Estas obras foram incluidss, por assim dizer, como mol
dura do corpo principal do’ estudo.
Elvin Male, Te Sane of se No anda The Rosh Pes 157,
”
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