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A EDUCAÇÃO NA BAIXA IDADE MÉDIA

As novas invasões bárbaras, húngara, eslavas e árabes após a renascença carolíngia promoveu
nova desagregação político-territorial. A Igreja de Roma permaneceu como fonte principal da
instrução.

1. A IGREJA
Desparecimento das escolas régias e sobrevivência letárgica das escolas paroquiais, episcopais
e cenobiais. O termo Schola reduzido a reunião, congregação. No mosteiro de Farfa, segundo o
abade Guidão, é o lugar de falar, barbear..... (140)

a) O reflorecimento da vida social promoveu reformas nas regulas dos mosteiros, repensando a
instrução dos monges, sobretudo dos oblatos. Em Montecassino as regras prescrevem que
todos os monges aprendessem as letras. A escola de oblatos tornou-se hegemônica. (140- 141).
Observar os comentários de Pedro, o Venerável, abade de Cluny, sobre a vida no mosteiro:
menos santa e concretamente humana. O que observa na descrição da vida de ócio dos
fradinhos: reestabelecimento do trabalho manual diante do poucos que liam e escreviam
enquanto a maioria dormia o tempo todo, davam-se a conversas sem sentido e maliciosas.
(141).
Das punições e cuidados com as roupas: flagelar sem as roupas, para conservá-las e aplicar
melhor a punição... (142).
Os jovens frades adolescentes, envolvidos no silêncio dos trabalhos manuais e dos estudos nos
momentos de distração e diversão burlam a vigilância, as regras...... Manifestam o caminhar
para a condição de goliardos. (142).

b) Escolas do clero secular (episcopais e paroquiais). Responsabilidade transferida por bispos e
párocos para o scholasticus ou magischola - com investidura (autorização) do ato de ensinar, que
este por sua vez transmitia ao proscholus. Constituição do costume do magischola de vender a
autorização de ensinar, o que caracteriza simonia. (142).

Um novo despertar para a vida cultural aconteceu em torno do ano 1000 (fins das pressões e
invasões estrangeiras, reabertura do Mediterrâneo, reconciliação entre papado e reinados,
surgimento de novos centros urbanos. (142 -143).

A crise do Império Carolíngio transferiu para a Igreja a responsabilidade e o direito escolar, bem
como o controle político sobre as escolas eclesiásticas. A Igreja promoveu a abertura de novas
escolas (episcopais e paroquiais) também para instrução literária e religiosa dos leigos. Instaurou-
se o monopólio da instrução por parte da Igreja. (143).

Em 1079, o papa Gregório VII defendeu a obrigação dos bispos ensinarem as artes liberais nas
escolas episcopais. O que envolvia também os mosteiros. Havia a ressalva de não confundir os
conteúdos religiosos com as ciências naturais e mundanas que se firmavam. A proibição do
Concílio de Tours em abril de 1163. (143).

Papa Alexandre III em 1179 reafirmo a obrigação e inova em relação a Lotário e bispos franceses
do século IX: a obrigação e mosteiros e igrejas de levar o ensino aos leigos pobres. Coíbe a
simonia e ordenou aos magischola impedir a proibição de qualquer clérigo de ensinar, sobretudo,
fora dos muros da cidade. Ler as orientações do Concílio de Latrão, convocado por Alexandre III,

mas também outras disciplinas. No princípio. teologia. Praga. Os que atuavam junto às escolas episcopais e paroquiais provavelmente contribuíram para o surgimento das universidades. (147) . (145) O implemento da economia mercantil das cidades em forma de comunas promoveu um novo movimento na instrução como o aparecimento dos mestres livres (clérigos ou leigos): o ensino também aos leigos. Seguiam a máxima de Quintiliano: por meio das artes liberais chega-se à cultura científica. (144). Ensinavam artes liberais (trívio e quadrívio). a intervenção do poder papal e imperial deu-se em sua regulamentação. como os clérigos vagantes. Nápoles. (145) 2. Os mestres livres ensinavam fora das escolas episcopais e paroquiais. No século XIII.em 1179: Criação do benefício para o mestre. Cracóvia. Papa Inocêncio III. Concílio de Latrão de 1215 confirmou e esclarece o compromisso: o magischola eleito pelo bispo e seu cabido. a simonia caracterizada como crime contra a Igreja (143 – 144). instrução na gramática e demais disciplinas (artes liberais). Honorário III. Elas são resultado da nova realidade cultural urbana. Salerno. franciscanos) que promoveram a renovação das escolas e dos estudos. O grande objetivo é a teologia. passaram a criá-las com dotações próprias (Salamanca. antes condenados e depois assumidos pela Igreja. período de consolidação e difusão das universidades surgiram as novas ordens religiosas (dominicanos. (144). bem como desenvolveram o espírito missionário para fora da Igreja. (146). aos clérigos e pobres. em 1219 reforça o ensino da teologia e inova ao defender a venialidade da ciência (ordenado) e renda por cinco anos quando se deixa o ensino para aprofundar nos estudos. Roma. prover os pobres nos estudos. fora dos muros da cidade. medicina. A desenvolvimento da arte da linguagem burocrática nas universidades Italianas (146). Viena. a do desenvolvimento burguês e mercantil do sistema de ensino por parte da Igreja. e quase sempre. Respondem às demandas culturais das novas classes sociais. A mudança dos bispos situa-se num novo contexto: o investimento na instrução de monges e clérigos indicam o aparecimento de uma nova luta. direito (jurisprudência). sobretudo na Itália. etc). (147). (145). na sequência. Bolonha. MESTRES LIVRES E UNIVERSIDADES.(146) Origem variada e complexa das universidades medievais. A sua primeira organização aconteceu por confluência de espontânea de clérigos diversos às aulas de douto famoso. Campos de ensino: artes liberais. ensino gratuito.

existiam os vagantes honestos e os vagantes goliardos. para o poder político e para a Igreja. em Bolonha que os retirou da jurisdição do magistrado local e os submeteu ao bispo) em nome do empenho cultural. A UNIVERSIDADE E A ESCOLA VISTAS POR DENTRO. Assim. então a direção política entres escolas episcopais e universidades. São resultado de uma nova configuração social: são estudantes de tipo laico que moravam em cidades estranhas (não eram as suas) e estão envolvidos na dinâmica daquelas cidades (novos centros econômicos. esclarecer. na coleção Carmina burana. Os exames finais na universidade medieval.(147).3. Os alunos usavam de truques. mas manteve supervisão sobre as universidades por meio da concessão do direito de ensinar (licentia docendi). Internamente organizadas em forma de nações para se ajudarem e para a cuidar dos interesses comuns. como confirma a bula de bento XII que punia com excomunhão. privilégios. (150). Clérigos que haviam conseguido licença para afastarem-se dos mosteiros para estudarem. A Igreja foi abrigada a reconhecer os direitos adquiridos.(149) Na relação com os mestres e com os estudos. 5) esclarecimento das contradições e acréscimo de princípios gerais de direito. Os vagantes continuariam por muito tempo sendo problema para as cidades hospedeiras. as decretais condicionavam os privilégios sacerdotais à mudança de comportamento. CLÉRIGOS VAGANTES E GOLIARDOS.(153 – 154). 7) a disputa (debate) duas vezes por ano. e mais tarde tarde transformaram-se em universitates. Há os exemplos dos trabalhavam para estudar. (150). dos doutores e da cidade hospedeira. Ambos em seus conflitos com as cidades hospedeiras conseguiram apoio. o testemunho de Dante. sobretudo a vadiagem. 4) repetição do conteúdo. em 1276. 4. culturais e sociais). em forma de associações reconhecidas na forma jurídica por todos os escolares. Interrogatório de definição. pouco se dedicavam aos seriedade dos estudos. Os goliardos são mais que uma questão moral. Prolongou-se. 2) exposição clara e explícita de cada título.(147 – 148). como demonstra um de seus cantos.(154). professore de direito em Bolonha desde 1228 (programa de seu curso): O método: 1) resumo da cada título antes da análise literal de cada texto. 6) Uma outra repetição se existiram dificuldades importantes. Ler a Authentica na página (149). Estudantes universitários que não eram bem aceitos nas cidades por seus comportamentos e divertimentos licenciosos. Festejavam até tarde da noite e levantavam tarde. A organização dos estudos universitários segundo o depoimento do mestre Odofredo . Como o Concílio de Salibrugo. 3) leitura do texto com objetivo de acrescentar. Organizavam-se em associações e sociedades escolares ou de estudantes. como Pedro Lombardo e o Papa Bento XI. Concílios e decretos reais procuravam coibir os comportamentos inadequados. . e proteção da Igreja e dos governantes (como de Frederico Barba Roxa.

A APRENDIZAGEM NAS CORPORAÇÕES A História após ano 1000: mestres livres e universidades. dominar suas fraquezas. . janelas que permitam contemplar a natureza. Ciência e trabalho se aproximam: trata-se de uma nova aprendizagem. a honra. com presença somente de pinturas como recurso mnemônico das ciências. 7. (159). mas próxima da escolar. 6. Responde ao estado da evolução histórica segundo a qual o rei. (161). (159). Uso da repetição oral na forma catequética em latim. cor única nas paredes (verde). A partir dos quinze anos torna-se escudeiro de algum cavaleiro experiente. leitura e interpretação. aos 20 é proclamado cavaleiro em solene cerimônia (recebimento de ofensa e das armas de milícia). saber ler): condição para agir melhor e tomar as melhores decisões.O ensino nas escolas medievais de nível inferior (conteúdos e métodos): São Boaventura informa o ensino do alfabeto. como jogos. organização das cadeiras dos alunos de forma que se facilite a visão e acesso do mestre]. (156) O trívio. bem como para a política. aprender com os exemplos da história. embrião da escola moderna. A educação cavaleiresca insere-se no contexto da educação do rei sábio (conhecer as ciências. 5. de ar puro. O ensino da gramática foi aos poucos deixando a forma de perguntas e respostas (modelo catequético) e organiza-se em novas formas como o uso de versos e na forma antiga de tratado.). longe dos incômodos dos barulhos. (158 - 159). Mas. limpeza. janelas amplas para a entrada da maior quantidade luz natural possível. etc. (159). comunas e corporações de artes e ofícios (constituição da burguesia urbana). Na escola cenobial por sua condição de tempo integral. ainda realizada no trabalho pela conivência de adolescentes e adultos. Trata-se do treinamento dos meninos nobres em jogos que conformam a valentia. Trata-se da educação guerreira à qual se acrescenta aspetos intelectuais e de gentileza. entender melhor sua fé. o governante. envolviam-se também em atividades de distração e recreativas.(158) A utopia de Boncompagno de Signa: o prédio escolar prefeito [lugar amplo. A EDUCAÇÃO CAVALEIRESCA. Uma maior aproximação entre ciência e produção econômica (operação manual) que exigiu uma nova formação. Princípio de que não se educa ou disciplina-se pela vara. (160-161). UTOPIAS ESCOLÁSTICAS A utopia de Hugo de São Vítor (século XII): pessoas que estudam (ler o citação) (157-158). uma só porte de entrada.(155 – 156). o quadrivio. a busca do belo e do verdadeiro (homens dedicados a atividades intelectuais).

trabalho e aprender não se separem. preservar o segredo da arte. nem por outro mestre do mesmo ofício). torno de costumes antigos e estatutos (das escolas de artífices romanas e dos ministeria feudais). (161-162).Os que exercem os mesmos ofícios consolidam-se e se organizam juridicamente em. Um ritual interessante (ver página 165). sócios. o que tornava o aprendiz propriedade do mestre por certo tempo. nascido de matrimônio legítimo. caixa de socorro. as relações entre os trabalhadores (mestres. (163). O trabalho é a escola ao qual se acrescenta aspectos intelectuais. . As provas de exames finais. da idade e número de aprendizes. e do processo de aprendizagem. diaristas assalariados). contrato formal com testemunhas (por tempo a critério do mestre. Compromisso dos membros de cada corporação de arte em trabalhar segundo os usos e normas da arte e denunciar as transgressões. No interior das corporações os aprendizes expressam uma relação educativa de magistri e discipuli. pagamento do ensino (normalmente não realizado porque eram muito pobres). (164). sobretudo em relação aos que não são aprendizes. depois algumas poucas vagas para outros. Advertência ao mestre quando a responsabilidade fosse dele e encaminhamento do aprendiz a outro mestre. dos quais se exigia ficha limpa de antecedentes criminais. exemplo dos padeiros. As vagas para aprendizes atendiam primeiros aos da família. Os estatutos tratavam também de direitos dos aprendizes: a corporação assumir o ensino tivesse algum impedimento. aprendizes. Regulavam ainda as fugas do aprendizes (impedimento de recebê-lo de volta. Ver preboste Etienne Boileau. Tais estatutos regularam as relações da corporação de arte com o poder público e com o mercado. (162). uma participação no trabalho que visava adquirir conhecimentos e habilidades profissionais para se tornar mestre. Ainda. Não existe uma pedagogia do trabalho. Embora. (164).(163). variando de quatro a dez anos). não se trata de uma escola do trabalho.