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ARTIGO DE REVISÃO / REVIEW ARTICLE / DISCUSIÓN CRÍTICA

Longevidade: desafio no terceiro milênio
Longevity: a challenge from the twentieth century
Longevidad: desafío en el tercer milenio
Matheus Papaléo Netto*
Denise Rodrigues Yuaso**
Fabio Takashi Kitadai***

RESUMO: O objetivo deste artigo é fazer um levantamento da literatura sobre as condições socioeconômicas da população idosa e sobre os
aspectos relacionados à atenção à saúde deste estrato etário, decorrentes do aumento da longevidade.Tendo em vista esse objetivo procurou-
se caracterizar o impacto demográfico do envelhecimento populacional, acarretando crescimento acentuado da longevidade e suas conse-
qüências sobre as condições socioeconômicas e sobre as variáveis que as compõem. O que se pôde observar nos dados constantes da literatura
pesquisada é que as transições demográficas e epidemiológicas não têm sido acompanhadas de transformações socioeconômicas compatíveis
com as conseqüências advindas do aumento da expectativa média de vida. Assim, o Brasil, apesar de ter uma das economias mais fortes do
mundo, apresenta uma das piores distribuições de renda, sendo esta uma das maiores responsáveis pela pobreza que atinge uma parcela
considerável da população idosa. Em relação ao sexo feminino, o que se observou é que as mulheres, apesar de participarem do mercado de
trabalho, recebem em média, apenas 63% dos salários dos homens. Os dados mostraram também que a solidão, decorrente do maior tempo
de sobrevida, a pobreza e a maior incidência de doenças nas fases avançadas da vida, constituem a tríade que justifica a expressão “feminiza-
ção” da velhice. Outros aspectos abordados foram: os problemas relacionados ao crescente aumento da urbanização, observado nas últimas
décadas, as dificuldades não raramente observadas na relação intergeracional e as propostas contidas na Política Nacional de Saúde do Idoso.
DESCRITORES: Envelhecimento, Longevidade, Urbanização
ABSTRACT: The objective of this paper is to present a literature survey on the impact of increasing longevity on the socioeconomic
conditions as well as on the health care of the elderly. Taking into account the stated objective the characterization of the demographic
impact of aging, which leads to a marked increase in longevity with its natural consequences on the socioeconomic conditions and their
related variables, has been sought for. The surveyed literature shows that both the epidemiologic and demographic transitions have not
been followed by compatible socioeconomic changes in order to face the consequences of increasing average life expectancy. Notwiths-
tanding the fact that Brazil has one of the strongest world economies the country has, on the other hand, one the worst wealth
distribution. Therefore a considerable share of the elderly population is living in a condition of (extreme) poverty. In relation to the
feminine gender it has been observed that the women wages are on the average only 63% of those earned by men. Alongside with this
fact data have shown also that loneliness, poverty and illnesses represent the triad that justifies coining the expression “feminilization”.
Other aspects were also considered, such as growing urbanization, particularly in the last decades, difficulties associated with intergene-
ration relationships and the proposals laid out in the Health National Policy for the Elderly.
KEYWORDS: Aging, Longevity, Urbanization
RESUMEN: El objetivo de este artículo es un examen de la literatura acerca de las condiciones socioeconómicas de la población enveje-
cida y los aspectos relacionado con la atención a la salud de este estrato etário, causados por el aumento de la longevidad. Con este
objetivo se han hecho esfuerzos para caracterizar el impacto demográfico del envejecimiento de la población, causando un crecimiento
acentuado de la longevidad y de sus consecuencias sobre las condiciones socioeconómicas y las variables que las componen. Lo qué se ha
podido observar en los datos constantes de la literatura investigada es que las transiciones demográficas y epidemiológicas no han sido
seguidas de transformaciones compatibles con las consecuencias socioeconómicas causadas por el aumento de la expectativa media de
vida. Así, Brasil, aunque sea una de las economías más fuertes del mundo, presenta una de las peores distribuciones de la renta, siendo
éste uno de los grandes responsables por la pobreza que afecta un numero considerable de la población envejecida. En lo referente al
sexo femenino, observase que las mujeres, aunque participen del mercado del trabajo, reciben en promedio solo el 63% del valor de los
salarios de los hombres. Los datos también han demostrado que la soledad, consecuencia del mayor tiempo de sobrevida, la pobreza y la
incidencia más grande de enfermedades en fases avanzadas de la vida constituyen la tríada que justifica la expresión «feminización» de
la vejez. Otros aspectos abordados fueron los problemas relacionados con el grande aumento de la urbanización, observado en las
décadas pasadas, las dificultades comunes que se observan en la relación intergeneracional y las propuestas contenidas en la Política
Nacional de la Salud del Idoso.
PALABRAS-LLAVE: Envejecimiento, Urbanización, Longevidad

* Livre Docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Membro do Núcleo de Gerontologia do Centro Universitário São Camilo.
** Fisioterapeuta. Mestre e Doutoranda em Gerontologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Docente e Membro do Núcleo de Gerontologia do Centro Universitário São Camilo.
*** Doutor em Medicina. Membro do Grupo de Geriatria do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo. Chefe da Clínica Geronto-Geriátrica do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo.

594 O MUNDO DA SAÚDE — São Paulo, ano 29 v. 29 n. 4 out./dez. 2005

13_Longevidade_desafios3mil.p65 594 28/12/2005, 08:58

Com efeito.2 5. não ocor- Períodos Grupos Etários rem profundas transformações so- cioeconômicas para melhorar a Até 14 anos 15 a 64 anos 65 anos e + (%) (%) (%) qualidade de vida dos idosos e. expressivas.7 5. diga-se de visto até há algumas décadas como que vem ocorrendo em todo o passagem. em números absolutos. sejam médicos. larmente nas regiões em desenvol- Impacto demográfico do micos próprios do envelhecimento vimento. de idosos diminui a proporção do Estudos demográficos prevêem ziu-se uma verdadeira revolução grupo mais jovem. políticos culturais. etários foram divididos em: até 14 cimento negativo do número de do-se muito maior no século XXI. paralelamente. em es. 08:58 . responsável pela redução percen- O crescente aumento da popu. 29 n. A notável transição demográfica pectativa de vida que. na qual os grupos 2020 irá ocorrer uma taxa de cres- tuar-se por várias décadas. O que tem sido 1980 38.1 pecial nos países do terceiro mundo. que se observa particu- os desafios médicos e socioeconô. paralela.8 acompanha-se conseqüências gra- ves hoje e certamente dramáticas 2020 23. 2000 29.1 lhecimento ativo. obvia- populacional.0 observado é justamente o contrário. promover o enve. mento.5 67. pulação geral de aproximadamente O que se pode afirmar com se.7 7. tendo atingido cerca de idade igual ou superior a 60 anos No Brasil.2 4.3 3. inclusive no Brasil. anos de idade. a estrutura etária tem 14. a transformação demográ- fica rapidamente crescente. com idade igual ou superior a 60 do-se que até 2050 ela terá um Um dos exemplos mais típicos dessa anos no mundo em 2050 passará de acréscimo de mais 10 anos. o mesmo comportamento. sejam estas hoje não mais se sustém. embora. Em alguns países desenvolvidos. 1991 35.5 milhões em 1999. que tende a perpe. vem ocorrendo em todos fenômeno tipicamente europeu. mentais justificam esse tipo de com. lidade de ser menos árdua a cami. mundo está demonstrando que o as nações do mundo.8 ou seja. centual do número de crianças terá sa que. 2005 595 13_Longevidade_desafios3mil. Etários 1970 a 1991 e Projeções 2000-2020 cas que estão sucedendo. ainda to populacional tem revelado um uma redução de 30% para 21%. que durante o período de 1995 a de longevidade. Tabela 1 — Distribuição da População Brasileira por Grupos mente às modificações demográfi. Isto se acha evi. ou seja. econômicos. Dois fatores funda. envelhecimento populacional mente. afirmativa é o que vem acontecen. dade. 1999). em nosso país o que se observa é o crescimento tras faixas etárias.4 4. para uma po- será de 32 milhões.7 em um amanhã não muito distante. portamento: queda da fecundidade. 1970 42./dez. o percentual de pessoas atingindo hoje 68. pirituais. los seres humanos desde os pri- mórdios da civilização. Segundo algumas ela aumentou 20 anos desde 1950.7 65. reflexo do aumento da ex- O aumento da população idosa. Fonte: IBGE. com. representam desafios que queda da fecundidade e da mortali- provado por meio de numerosos deverão ser enfrentados com a fina. em última análise. é. sociais. Assinale-se que a população ido- do no Brasil. 4 out. 15 a 64 anos e 65 crianças com menos de cinco anos Ressalte-se que o aumento da lon. responsáveis pela elevação per- estudos demográficos e epidemio.8 56. gurança é que no século XX produ. ano 29 v. dente na Tabela 1. é menor que a dos dois outros gru- crescimento exponencial e cuja pro. tual da faixa etária mais jovem. anos e mais. pois há ritmo de crescimento do número de desenvolvidas ou em desenvolvi- aproximadamente quatro décadas idosos é muito maior que o de ou. É óbvio que isso não é o suficiente se. o per. o pos etários mais jovens (0 a 14 anos e jeção para o ano de 2025 mostra número de idosos será mais que o 15 a 59 anos) começa a revelar cifras que o número de indivíduos com dobro do de crianças.p65 595 28/12/2005.4 anos. mais acentuado de pessoas idosas previsões. à medida que cresce o percentual 170 milhões de habitantes.6 68. onde o envelhecimen. psicológicos e es.6 54. lógicos.0 60. centual da faixa etária dos idosos. tencial Social. 2010 26. tornan. LONGEVIDADE: DESAFIO NO TERCEIRO MILÊNIO Introdução Todos os problemas dos idosos. e lação idosa em todo o mundo. O crescimento rápido da popu- governamentais e para a sociedade lação idosa. 10% a 21%. de idade (Política Nacional de Assis- gevidade sempre foi o almejado pe. preven- nos países em desenvolvimento. Censos demográficos de 1980 a 1991 O MUNDO DA SAÚDE — São Paulo. tem colocado para os órgãos nhada através do terceiro milênio.

para que pudessem ser constitui o índice de dependência compatíveis com as conseqüências total. sem valor de troca. cipal característica que diferencia diminuição da pressão por serviço aparece como o outro. consideração as variações do núme- nunca interveio no percurso do suem uma estrutura socioeconômi. da possui uma alta proporção de in- e por serviços de assistência à saúde Essas visões dos três autores cita. diversos itens e subitens: aspectos pública (Senhoras. a lon. mesmo tipo de raciocínio deverá ser circunstâncias desfavoráveis. definido como a razão entre as po- renda. essas crian. Ao mesmo tempo. rio mais jovem. que envelhece coloca novas exigên- Desafios tidades governamentais a dura ba. tura etária existente em 1994. 1994). e a que ria. dois outros: índice de dependência Segundo Paschoal (2005). e enquanto ele conservar ca anacrônica. aumento não ocorreu em virtude so. dois grupos citados. ano 29 v. o quadro pela grande maioria dos idosos e ver conscientização para a necessi. fruto da mudança dos deixam bem claro que elas. também. principalmente. e de Nesta seção serão abordados os certamente. inclusive talha a ser enfrentada hoje e que. se colocam como dade de mudanças desse quadro. nossa população em processo de en- materno-infantil. O índice dependência pode ser socioeconômicos. se situa entre 15 e 59 anos. 4 out. Esse fato tem respaldo absolutos não tem sido suficiente pa- Municipais. de 0 e minização da velhice. quando ela deixa de ser so- ção dessa faixa etária. camente não-produtivos. migração e que deveriam ser necessariamente titui a população economicamente urbanização e. pela sociedade e mente. que é o valor es- caráter mais didático que real./dez. é o maior desejo para a obtenção de pulação economicamente produti- soas receosas de ingressar nesse uma velhice saudável. pois estes pos. transformações socioeconômicas. ficativo. 596 O MUNDO DA SAÚDE — São Paulo. não passando de uma carga (Beau. que leva em O velho como categoria social desenvolvimento. esforços dirigidos para aumentar a A redução percentual e em números dos. tornando as pes. não diferem. longe de ser atingida nos países em de dependência total. no campo da medicina. que pode ser decomposto em 1. que pendência jovem.p65 596 28/12/2005. 29 n. ses desenvolvidos é que o Brasil ain- mo auxílio-doença e aposentadoria. a população idoso. isto é. pletam. co. próprias de sua ida- tem ocorrido há algumas décadas. por exemplo. O aumento do número de ido- senvolvimento criado pelo homem. fe. qüentemente se torna visível quan- te de soluções para atendimento às Para prover os recursos necessá- do se transforma em um problema necessidades que afligem a popula. voir. 1980). divíduos jovens. sos terá como reflexo um índice de Mas o que se observa é que essa nômica. os benefícios previdenciários. que. pouco mais de dez anos. O conquista tem se acompanhado de avanços tecnológicos obtidos. tornando. estrutura familiar e estado civil. Estaduais e Nacional ra alterar substancialmente a estru- na observação de que a velhice fre- da Pessoa Idosa. 2005 13_Longevidade_desafios3mil. LONGEVIDADE: DESAFIO NO TERCEIRO MILÊNIO durante algum tempo. da melhora da situação social e eco. que a prin- comportamento deverá levar a uma dela. teremos diante de nós. paradoxal. velhecimento da existente em paí- demanda maior por benefícios. Hoje. será muito mais árdua saúde (Veras. 2005). pobreza e desemprego. ções demográfica e epidemiológica pulações dependentes. está muito va é mais bem avaliado pelo índice tempo da vida (Salgado. Se não hou. dicas específicas. parti. que cons- relação intergeracional. É necessário enfatizar que esse jovem e índice de dependência ido- gevidade é uma conquista do de. pelos próprios idosos. embora venha apre- dos pelo Estado. distribuição de O que se observa é que as transi. sua eficácia permanecerá integra. Ao perder suas capacidades. esse do na sociedade sem se distinguir Assinale-se. pelos Conselhos longevidade. finalmente. vimento. De qualquer forma. pelos dependência idoso mais elevado. não têm sido acompanhadas de 14 anos e de 60 anos e mais. Aspectos socioeconômicos advindas do aumento da longevida. na busca incessan. em verdade. O ônus para a po- um pesado fardo. colocando para o indivíduo de. mas se com. 08:58 . paralelamente à se sem serventia. em idosos. de. 1990). Essa razão assim definida integral à saúde do idoso. às as- Esses desafios serão divididos. que cularmente. passados diversos problemas vivenciados nas próximas décadas. continua a proporção do grupo etá- desafios que deverão ser enfrenta. usa-se o sociações filantrópicas e aos próprios para facilidade de exposição e com índice dependência. ro de crianças e de idosos. ambos economi- mente relacionada à família. de certa forma se mantém. em detrimento da maioria. cias para os serviços sociais. para a sociedade e para as en. rios que atendam às exigências dos social. atenção profundas nos países em desenvol. representa. o fato de não valer a pena os sentando um declínio progressivo. que verdade. aposentado. em vem tem necessidades sociais e mé- do perfil de morbimortalidade. que privilegia alguns ças ainda constituirão grupo signi. produtiva. Esse grupo mais jo- da pessoa idosa. tornando-se uma questão timado dos custos para a sociedade. isto é. mundo. feito para o cálculo do índice de de- acabam por transformar o viver em A melhora da qualidade de vida. mas.

p65 597 28/12/2005. mas também mais Segundo Veras (1994). entre 1965 e de 0 a 14 anos. de-se notar que. promover um envelhecimento sau. Cabe neste o idoso.. 2005 597 13_Longevidade_desafios3mil. foi de 1. Distribuição de renda. 1987). Diesa. 4 out. não é humano prolongar cas. básicas que atingem toda população Apesar das transformações eco- dice de dependência total tem se brasileira. O MUNDO DA SAÚDE — São Paulo. pois. reformulando-se toda uma ção moderadamente ou muito * Valor publicado no Caderno Folha Dinheiro do jornal Folha de S. no decor. em que se encon. Nes- urgentes não forem implementadas necessidade de criar políticas para te último encontra-se uma popula- para alterar esse quadro. to de si para as gerações futuras. que domina as sociedades industria. à vis. (1989). cresceu em média aproximadamen- lor projetado para 2025. PIB dos últimos 12 meses. idosos é muito mais elevado que o no potencial de 5 a 60 anos de vida de julho de 2004 a julho de 2005. lificaram extremamente o potencial de pobreza. pois. culturais (Paschoal. pois o aumento da faixa etária idosos são de tal magnitude que es. 08:58 . uma das piores de todo o mundo. uma obrigação da sociedade para os der. 0 a14 anos e de 60 anos e mais. percentual elevado desse total para a força de trabalho da população Cabe ressaltar a postura de Sal. o PIB era tuadamente. 2. uma tomada de consciência da há outro extremamente pobre. cerca de 10%. industrializado. LONGEVIDADE: DESAFIO NO TERCEIRO MILÊNIO Tabela 2 — Índices de dependência estimados e projetados no Brasil. o que de- muito maior com o avançar dos anos. 2005). mo um misto de improdutividade Em verdade. neo. 1980 o Produto Interno Bruto (PIB) bém que. em detrimento da mente distribuída entre os ricos. juros. 1996). 29 n. Segundo dados do Banco Central. ou seja. o pacto financeiro da faixa etária dos mento numa criança tem um retor. Na ocasião. dependência jovem e elevação pro. O ín./dez. lizadas sempre foi voltada para os jo. realista para aqueles que deram mui. pagamento da dívida externa e seus economicamente ativa não terá gado (1980): “Valores culturais se. ano 29 v. e de decadência. o que levará a implica. po. do pela diminuição da faixa etária mais humanas. Pode-se notar tam. tuem a grande maioria. o índice de A política de desenvolvimento te 9% ao ano e a produção industrial dependência idoso eleva-se acen. É evidente que o investi. buição de renda continua sendo de 60 anos e mais é contrabalança. Sem esquecer as necessidades pobreza e desemprego gressiva do índice de idosos. se medidas da. não restam dúvidas de que nômicas que o Brasil vem apresen- mantido inalterado a partir do ano os problemas sociais que atingem os tando há algumas décadas. Fica evidente que o im. se ela fosse eqüitativa- tentar as faixas etárias dependentes. mento da longevidade. do de um país rico. devendo-se aceitar. É na verdade Esse dado pode realmente surpreen- vidos há o temor de que. vislumbra-se. a partir de 1960. em.”. as quais são poucos. em muitos países desenvol. te para reduzir drasticamente o nível suficientemente grande para sus. 1985 Na Tabela 2.898 trilhão de reais (valor já ta dos dados apresentados. mesmo considerando um rer dos próximos vinte a trinta anos. que em particular a dos idosos. antes de tudo. ao la- milênio o desafio imposto pelo au. das crianças. enquanto os amplos cui.Paulo de 30/7/2005. produtiva. momento a seguinte afirmação: não concepção com conotações políti- tram os índices das faixas etárias de é digno. de aproximadamente 350 bilhões e ções de alto custo financeiro (Veras e vens e para a assistência materno. as exportações anuais de 24 bilhões. dições de uma sobrevivência digna vai ocorrendo declínio do índice de (Papaléo Netto e Ponte. bora de maneira ainda muito tími. Periodical on Ageing. idade madura e da velhice. 1960 — 2025 Faixa Etária 1960 1980 2000 2020 2025 0 — 14 anos 84 67 53 41 40 60 anos ou + 9 11 13 20 22 Total 93 78 66 61 62 Fonte: UNO. e os pobres. a vida. a distri- 2000. a renda restante seria suficien- condições de suprir uma base fiscal dimentados ao longo dos anos qua. que durante anos a construíram. a partir de 2000 até o va. econômicas e. alerta para as nações em desenvol. um Brasil cronicamente heterogê- tar já nas primeiras décadas deste Felizmente. da juventude. col. monstra que o Brasil possui uma das Segundo Pampel e Williamson dável não podem ser considerados economias mais fortes do mundo. quando não se lhes dão con. infantil. A obser. tão a exigir posturas mais dignas. cheio de contrastes. o que se verifica é vimento. pois estas deverão enfren. que será dados médico-sociais na tentativa de corrigido pela inflação)*. que consti- vação desses autores serve como acabaram por ser interpretadas co. como investimento.

2 20 15 8 Centro-Oeste 2.7 2. a maioria vivendo em favelas e Os indicadores sociais são fun. entre 1960 e 1990.574.1 27 18 13 Nordeste 18.119.998.2 2. constatou-se um como. apesar da radia são as ruas dos centros urbanos renda e sua íntima relação com a elevação da renda.119. É necessário que se con- Sudeste 3. LONGEVIDADE: DESAFIO NO TERCEIRO MILÊNIO pobre. res- Tabela 4 — Concentração regional de pobreza pectivamente.9 15.786 16 pita não é suficiente para adquirir Fonte: (1)Anuário Estatístico do Brasil.603 seja.799.769. IPEA-PNUD. ano 29 v. com o intuito de privilegiar a inclu. com o crescimento da 1960 54 18 economia brasileira ocorrido em dé- 1970 62 15 cadas anteriores à de 80 e retomado na década de 90. a Tabela 3 mostra que Fonte: PNUD/IPEA. cuja mo.199. da (IPEA) revelou que.0 6. De fato.2 23 10 7 Sul 4.p65 598 28/12/2005. enquanto a fra- com renda familiar ção de renda dos 50% mais pobres per capita mensal de até declinou de 18% a 12%. 4 out.3 3.3 46 43 28 Sudeste 14. 1996 vivência adequada de seus mem- Tabela 5 — Projeções dos números de pobres e da incidência de pobreza.9 5.9 20. de 1960 a 1990.3 2. 1996 bens e serviços necessários à sobre- (2)Relatório sobre o Desenvolvimento Humano no Brasil. a desigualdade da distribuição de Na década de 1990.455 41 pobreza. 2005 13_Longevidade_desafios3mil. grau de extrema pobreza.760 18 nhada de mudança do padrão de Nordeste 13. 1996 a fração de renda dos 20% mais ri- cos aumentou de 54% a 65%. a renda média cres- 1980 63 14 ceu. 29 n. A análise desses indicado. Assim. IBGE./dez.800 15 da pobre quando sua renda per ca- Centro-Oeste 5. o Insti- ma. e dos mais pobres na renda nacional no período de 1960 a 1990 Segundo dados da Política Na- cional da Assistência Social publica- Ano 20% mais ricos 50% mais pobres dos em 1996. hou- _ SM –1996 (2) 31. de certa for. res busca identificar os mecanismos de sua distribuição. isto é. tuto de Pesquisa Econômica Aplica- cidades do Primeiro Mundo. porém não beneficiou igual- 1990 65 12 mente todos os estratos populacio- nais.8 26. dos maiores graus de desigualdade de Janeiro. 1990 — 2010. uma família é considera- Sul 4.2 30 21 14 Fonte: Relatório sobre o Desenvolvimento Humano no Brasil. são social de segmentos populacio- cortiços. a média dos mais ricos era apro- ximadamente trinta vezes maior que Tabela 3 — Distribuição de participação percentual dos mais ricos a média dos 40% mais pobres. por Grandes Regiões Número de pobres Incidência de pobreza (milhões) (% da população) Grandes Regiões 1990 2000 2010 1990 2000 2010 Norte 2. 08:58 . 1996 598 O MUNDO DA SAÚDE — São Paulo.4 25 16 10 Brasil 41.866 10 ceitue e dimensione o que é pobre- za. e os idosos que vivem em damentais para tornar transparente nais ou de indivíduos excluídos. São Paulo e Rio pobreza. cidades que.667 ve queda de 6%. Em 1996. Rio de Janeiro: IPEA. cresceu 11%. ou Brasil: população residente (1) 1996 152. podem ser comparadas a várias de exclusão e a origem da pobreza.5 2. por exemplo.9 35. Regiões % A concentração de renda demons- trada com esses dados é acompa- Norte Urbano 5.0 1.

a pro- Brasil 18. mesma sociedade. revela que a partir de 1990 manutenção de seus lares e na reali. idades deve incluir como grande sibilidade de trabalhar está empre- monstra a heterogeneidade existen. pode-se minam essas pessoas. é importante promover político. constata-se que mica dos idosos. atividades econômicas. por exemplo. Centro-Oeste com 16%. PA e AP cado de trabalho.9 20. dessa tência Social. de maneira Em relação às zonas rural e ur. Nesses termos. bres.6 pacional para manter a capacidade Nordeste 19. deve ser o alvo central das políticas considerando-se esta como renda cimento (2002). mero de pobres.0 de trabalhar e o acesso à tecnologia. O MUNDO DA SAÚDE — São Paulo. 29 n. sejam estes jo- gião 41% de sua população são po. 4 out. O que se verifica é que a maio- sista peso relativo maior na zona ru. Ação Internacional para o Envelhe. segundo Grandes Regiões idosas e a implementação de servi- ços sustentáveis de assistência à saú- Grandes Regiões 1991 1996 (%) (%) de relacionada com o trabalho. Essas contribuições vens ou idosos. 2005 599 13_Longevidade_desafios3mil. à edu- Sudeste 18. embora ainda per.p65 599 28/12/2005. medidas para aumentar a participa- ro de pobres e a incidência da po. pobreza.0 quando possível. mas. produção e. social e nas diversas regiões citadas. de pessoas com al- Fonte: IBGE. à reabilitação profissional. segundo o Plano ressaltar que a geração de empregos a maior concentração de pobreza. Essa medi- da deve ser promovida mediante políticas como.6 22. zação de atividades voluntárias na clusão ou dependência. lho. como é o das no Plano de Ação Internacional Sul com 15% e Sudeste com 10%. Assim. tem-se entre os empregadores atitudes fa- familiar per capita é menor que de admitir que esses dados são mais voráveis à capacidade produtiva dos meio salário mínimo mensal. É importante de referida. O terceiro item desta seção é o de seu valor no mercado de traba- banização. RR. AC. é definida quando a renda pelo prisma mais otimista. à capacitação no Sul 16. É preciso esclarecer o indivíduo ou um segmento popu. LONGEVIDADE: DESAFIO NO TERCEIRO MILÊNIO bros.1 20. de (Tabela 4). o que se observa é que trabalho e a geração de empregos. na comunidade. ao aprendizado continuado. Além do trabalho vo- ponto de vista econômico. vai além de suas do mercado de trabalho com o obje- per capita de meio salário mínimo. lação idosa a fim de reduzir sua ex- até 2010 há redução dessas cifras.0 19. na ção na força de trabalho da popu- breza. em termos econômicos. A contribuição social e econô. seguindo-se o Norte Urbano não são obrigatoriamente medidas Uma das recomendações conti- com 18%. Com efeito. se objetivo é necessário eliminar do de trabalhadores mais velhos quando se estende essa análise às todos fatores os que excluem e eli. quando oportunidade de participar. Centro-Oeste 16. sem direitos trabalhistas e sem abordamos o problema da pobreza seu trabalho e com a experiência os benefícios previstos pela Assis- foi levado em consideração apenas adquirida em anos de luta. Para atingir es. objetivo que os idosos tenham a gada na chamada economia infor- te no Brasil. além de procurar a reintegração. como conseqüência. AM. Visto luntário.4 22. mercado de trabalho. animadores.7 moção da saúde e a segurança ocu- Norte (1) 15.0 cação permanente. valorizando também suas pró- nesta última se encontra maior nú. caso dos cuidados prestados aos para o Envelhecimento é adotar A Tabela 5. à redução da pobreza. des de inserção dos mais jovens no observar também a heterogeneida. que mostra o núme. Esse é mais um dado que de. que serão objeto de análise erradicação total da pobreza. que defender o emprego continua- lacional dentro da sociedade./dez.5 21. do seja no Brasil como um todo. o au- Tabela 6 — Participação das mulheres na chefia de domicílios mento da participação de mulheres no período de 1991 a 1996. já que com tivo de promover o aumento da encontra-se na Região Nordeste freqüência essas pessoas desempe. procurando ressaltar a importância mais detalhada em Migração e Ur. ano 29 v. não deve diminuir as oportunida- diversas regiões brasileiras. com mal. longo caminho a ser percorrido para que possam continuar empregados. Verifica-se que nessa re. seja comunidade. temas intimamente relacionados prias possibilidades.0 emprego. embora ainda haja um trabalhadores idosos. Uma sociedade para todas as ria das pessoas idosas que têm pos- ral. Nesta serão prioridades a prevenção. bana. membros da família com seu traba. nham funções cruciais na família e emprego para todos. lho produtivo de subsistência. 08:58 . 1997 gum grau de incapacidade no mer- (1) Exclusive a população área rural do RO.

do contemporâneo vêm alterando Além das diferenças biológicas Finalmente. A conseqüência natural é a 168. principalmente neoplasias e passa então a exercer dupla função. apenas 63% dos salários Outro dado demonstrativo da e fumo constitui outra razão. de remunerada e as obrigações re- talidade. o número de homens para Os fatores de risco como aciden. de de contribuir para o orçamento mo exemplo apenas a década de das fatores de risco de várias doen. pois os dos homens. só pode ser utilizado pelas sentes em mulheres. socioeconômicas e culturais no mun- senvolvidos (Siegel e Hoover. sabe-se dificam o papel da mulher na socie- exercido pelo hormônio feminino que a mortalidade materna é hoje dade. as mortes decorren. por permanecerem ou exe. pois estas sempre dente.p65 600 28/12/2005. muito baixa graças à expansão signi. A diferença na atitude em rela. LONGEVIDADE: DESAFIO NO TERCEIRO MILÊNIO 3. A participação da mulher no de 60 a 64 anos de idade. infarto agudo do miocárdio e suas e ao parto. Os fatores que afetam a mulher conseqüências. váveis. o Brasil pos. inexistência freqüente de alguém de em mulheres. rado. rem evitadas ou cuja ação deletéria lacionadas à atenção a sua família. o consumo de álcool e fumo falta de desenvolvimento profissio- posição a fatores de risco como maior e a displicência com a própria saú. Em relação à distribuição de do sexo masculino. aos 70 e lheres. doméstico. o cuidador. 60 anos e mais. e de 80 anos ou mais é cados em 1981. dois sexos quanto ao tempo de so- 100 mulheres vem sofrendo uma tes de trabalho e de trânsito. ternas. estariam menos sujeitas junto são mais pobres que os ho- observa-se que as mulheres vivem a esses fatores de risco. “Feminização” da velhice nas atitudes em relação às doenças. Tomando-se co.5 economicamente ativa.5 e ção às doenças é outro fator funda. sumo de álcool e fumo e diferenças pode ser minimizada. seriam as diferenças na ex. ano 29 v. nuição da sobrevida em homens.5. Segundo mercado de trabalho aumentou sig- de homens é de 89.0. mente ainda consomem mais essas aumento do número de mulheres que é o número de mulheres para drogas que as últimas. homens e apenas em 23. fato. a diferença entre os Assim. por exemplo. O mesmo aconte. a razão de sexos era./dez. pos. passou de 31% de vida ao nascer. pelo seu trabalho. lheres quanto ao consumo de álcool em média. que são causas passíveis de se. 2005 13_Longevidade_desafios3mil. de. anos é 70. em 1981 para 35% em 1990. as interrupções de sua ativida- exposição a causas externas de mor. segundo maior longevidade do sexo femini. Com efeito. dados da Política Nacional da Assis- no. seu papel na população 52. mens. O principal motivo que levou ao demonstrado pela razão de sexos. brevivência muito provavelmente queda com o avançar da idade. o número mens que em mulheres. será reduzida. esses mesmos fatores estiverem pre- que o de idosos.2. 1982). valores e comportamentos que mo- como. possibilitando a Além da reduzida remuneração pessoas idosas por sexo. maior longevidade das mulheres é primeiros consumiram e possivel. mental para a menor taxa de morbi. 4 out.8.8. foi referido. participação no mercado de traba- principalmente angina do peito e ficativa da assistência ao pré-natal lho e sobre a família. Essas drogas na força de trabalho foi a necessida- cada 100 homens. em relação ao aten. ocorrendo. Esse aumento da longevida. como já A renda familiar insuficiente e os 600 O MUNDO DA SAÚDE — São Paulo. Esses dados são reflexos da tes dessas causas ocorreram em 94. 111. conforme exposto por Veras aos fatores de risco por causas ex. o número de idosas é maior to médico-obstétrico que. 29 n. as transformações sui o mesmo padrão dos países de. com repercussões sobre sua sobre os eventos cardiocirculatórios. De tes domésticos. mulheres. onde exerce seu trabalho remune- respectivamente. obvia. realização de diagnósticos mais pre. papel ha- os homens. além dos salários mais baixos e da (1994). Se mundo. 120. faz com que a razão de usaram os serviços de saúde com bitualmente executado pela mulher. são. Ape- aos 80 anos. sexos cresça à medida que aumenta maior freqüência que os indivíduos freqüentemente idosa. com as diferentes dade e mortalidade entre as pessoas que possa cuidar do idoso depen- taxas de mortalidade entre estas e do sexo feminino. coces e condutas terapêuticas. que os homens. A mulher trabalhadora 1980 verifica-se que nos idosos com ças. ou seja. em 1990 as mulheres ganhavam. mente. aciden. Acrescente-se que a exposição idosa no trabalho remunerado são. diferenças quanto ao con. 70 anos e mais e 80 doenças cardiovasculares. homicídios e suicí. sivelmente mais adequadas. são reconhecidamente considera. 08:58 . doméstico. como já vem ce nas Américas. no seu ambiente familiar e no local anos e mais. as mulheres em seu con- ção a expectativa de vida ao nascer. As mu. inclusive no Brasil. Se levar em considera. tência Social (1999). nal. aos 60. decorrente da maior esperança res para 100 mil habitantes. Dados do IPEA mostram que em média cinco a sete anos mais A diferença entre homens e mu. nificativamente na última década. considerando-se o grupo etário dios são mais freqüentes em ho. a idade.8 mulhe. responsáveis pela dimi- Em quase todos os países do Soma-se a esses fatores o atendimen. outras razões pro. cutarem suas tarefas no ambiente sar disso. o fator protetor dimento médico-obstétrico. de 75 a 79 dados do Ministério da Saúde publi.

pois há também traba- a serem enfrentadas pelos progra. A esse propósito. maior ríodo de lazer ou a necessidade de lado perverso das relações sociais. contudo.p65 601 28/12/2005. exis- e mais chance de serem bem trata. a conjunto com as condições já referi- taxa de mulheres idosas que são hipertensão arterial discreta. o diabetes rização do envelhecimento. ciais relativas à convivência entre atribuídas meramente ao sexo. tanto homens como maior no sexo feminino. ças não-fatais. entre outros. Para os idosos institucionalização. o problema do mais adiante. enquanto a taxa sentados perderem com essa inati- do à grande incidência da pobreza. 08:58 . quemia miocárdica (Néri. mulheres. Veras étnicos e raciais. lhadores adultos jovens aposenta- mas de proteção social. não es. conseqüência. principalmente da população lheres. dência públicos ou por motivo de anos de 1991 e 1996. vidade o reconhecimento social. enquanto o ho. tualidade de quem envelhece. plementação de renda? vens. por um lado. Assim. teoricamente. 2005 601 13_Longevidade_desafios3mil. capacitantes e/ou crônicas. tre os homens do que entre as mu. ao processo de envelhecimento e às ser linear. são mais suscetíveis de vi- outros fatores que serão discutidos dois terços dos velhos eram do sexo venciar. por diversos motivos. como masculina. Se. a posse de mar a solidão. 1985. adquirido após anos de trabalho. principalmente a is. mas rante os anos de vida produtiva da gerações aumenta a probabilidade também à classe social e à raça. O número maior de dos os níveis sociais venham a viver nos aquinhoadas e certos grupos idosas e a pobreza que também é sozinhas.6%). mo já referido. mas essa relação está longe de (Greecy e col. co. Aposentadoria ção é o crescimento das famílias lidão das mulheres é sua condição O termo “aposentadoria” signi- com chefia feminina. ape- tão dando conta de prover as pró. 1990. Outra causa é a durante anos. Nesse momento cabe esse dado é uma informação posi. desigualdades sociais. emprego instável de baixo salário./dez. de doenças letais é muito maior en. A mesma autora afirma 1985). Freqüentemente a mercado de trabalho. pobreza) e os longos períodos de um retorno ao trabalho para com- qual seja. como as essas condições se associa a exterio- nização” da velhice também é de. diovasculares. que as gerações mais jo. Se a isso se so. 1995). contudo. “feminização” da velhice. significa status tríade pobreza. podem. res idosas particularmente as mais França (1989) assinala que. em virtude aposentadoria se encontra associa- mento da pobreza e o aumento das do divórcio. para cada homem exis. LONGEVIDADE: DESAFIO NO TERCEIRO MILÊNIO baixos rendimentos percebidos du. tais como a maior duração de sua vida em rela. transformações dele decorrentes. O aumento mortalidade. 4. te- nal. não velha “teoria do desengajamento”. por outro é revelador de um ridos (viuvez. freqüente entre mulheres idosas tem muitos preconceitos em relação dos. o aprofunda. segundo Dressel (1988). idosos prevalecem as doenças car. da desigualdade so. Inúmeras observações da à idade. leva à perda acentuada do status chefes de família. doenças osteoarticulares. taxas de separação e divórcio. Outro aspecto que chama aten. As mulher levam à condição de pobre. rem reduzida a sua renda e. mais frágeis e mais sujeitas à sar de a psicologia social e do desen- prias necessidades. social e financeiro (Salgado. em corrente do crescimento relativo da mellitus tipo II não-complicado. que tem como origem a fica saída de um trabalho que vi- a uma série de fatores. fazem com que se feminino e. é apenas parcialmente fenômeno coloca novas exigências mem idoso não raramente se casa verdadeira. doença e solidão. no grupo etário acima desemprego. 2001). United States Govern- micamente ativa. volvimento assinalar poucas mu- de qualquer nível social. A Segundo Neri (2001). As Tais formulações estão implícitas na velhecimento. 1980. estará constituída a danças na personalidade e intelec- bens. pela segunda vez.. ser que preconizava o afastamento pro- O MUNDO DA SAÚDE — São Paulo.. nha sendo regularmente efetuado crescente participação da mulher no ção aos homens. freqüentemente in.6% no número de domicílios Outro aspecto que diferencia os buição para os institutos de previ- chefiados por mulheres entre os idosos das idosas é a taxa de morbi. Jones e col. Outro fato responsável pela so. velhas. mais significativo ocorreu na Região nada à maior longevidade entre as Lamentável é o fato de os apo- Norte (22. do subemprego e do utilize com freqüência a expressão de 85 anos. nestas predominam as doen. 4 out. bem como à migração inter-regio. cial e das mudanças nas práticas so. também se aposentam. intimamente relacio. que pode com alguma fre. que. legalmente estabelecido de contri- de 2. renda reduzida. A relação com a idade. pessoas pertencentes às classes me- za na velhice. 29 n. ment. da população econo. após cumprirem o tempo A Tabela 6 mostra um aumento apenas esporadicamente. doenças crônicas tornam as mulhe. fazendo parte. Esse dão conta de que. qüência ser causa de depressão. invalidez. que a combinação dos efeitos do en. Santos. o padrão de vida. perda do companheiro. a “femi. de que as mulheres idosas e de to. Os diversos aspectos sociais refe. o que pode ser devi. tece com pessoas do sexo feminino dos que. indagar: a aposentadoria é um pe- tiva. ano 29 v. Nos das. o mesmo acon. tiam cinco mulheres. o que se deve de viuvez. além de (1996) nos ensina que na Inglaterra mulheres.

usando o instrumento da minuíram para 53% e 29%. benefi. so das mulheres (74. e no trabalho autônomo. sejam obrigados a trabalhar para au- vo aduziam. O a tese de que a morte de um indiví. É na família que o idoso tem ain. apesar dos valores do ambiente de trabalho. na maioria das vezes. quando se verifica sil. No entanto. Assinale-se. O que se constata é que. nomizar para aplicar em um plano sua vida.p65 602 28/12/2005. econômica que atinge os vários ex- perda como providencial para que bém ocorreu queda na proporção tratos etários. em virtude da lastimável condição aposentadoria. seguir um emprego remunerado. particu. hipóteses podem explicar essa redu. está cada vez mais se o indivíduo dispusesse de um tem. se essas oportunidades quase exclu. respec. que essa A segunda hipótese é a redução da status quo no âmbito do próprio sis. das que trabalhavam. Os idosos brasileiros. LONGEVIDADE: DESAFIO NO TERCEIRO MILÊNIO gressivo do indivíduo do seio da so. qualificação educacional. homens com 69 anos e 57% dos que tinham 70 possa complementar os parcos ren. balhando nas mesmas faixas etárias. é reflexo do processo de urba. pliadas e aumentando o número de vez que estava perto da morte. Mais recentemente. nização e industrialização. alternativas existem no mercado de não lhes permitem pensar em eco- larmente os primeiros. ciando particularmente o idoso do vivência digna. se compa. do quadro recessivo por que (1989). ao final de trabalho para o idoso. tais como: situa. em virtude do tema produtivo. não raramente. segundo inativas vem aumentando no Bra./dez. segundo Veras decorrentes da dificuldade de con. sivamente em pequenas empresas recebida. pois a renda nanceira pior do que quando tra. é in- balhavam. de mesma faixa etária os problemas França (1999). Sal. ano 29 v. uma apenas 10% e 2% de mulheres tra. havia reduzindo o número de famílias am- po maior para suas realizações. pelo nível é que os baixos salários recebi- cebidos quando se encontravam na processo de urbanização. Essa não é uma êxodo rural. porém. Segundo esse mesmo autor. poucas dos durante o período de atividade ativa. Outra etários. que não vado variam de um a dez salários radas à geração mais jovem. A terceira hipótese é As atuais aposentadorias rece. três Tendo em vista que os ganhos do dessa visão utilitarista da socieda. família com 60 anos ou mais. recebiam apenas anos ainda se encontravam entre os dimentos. observa-se que essas proporções di. 29 n. que as pessoas idosas têm menos prática comum entre os brasileiros bidas pelo trabalhador do setor pri. e a aceitação dessa tivamente. o que têm o costume de planejar suas vi- mínimos. além. posição assumida por outro. como argumento final. é inferior aos seus ganhos durante sexo masculino. A primeira hipótese é a am- da aposentadoria. suficiente para manter uma sobre- sentadoria. relação por vários bancos do sistema finan- exíguos pagos por essa instituição. inferiores aos salários rece- desengajamento. dos. complementar os rendimentos por ta de trabalho para todos os grupos ção econômica deficitária advinda meio de fundos de pensão. isolamento social da pessoa idosa e dade e que o mesmo não acontece sionou conseqüências mais graves a falta de apoio nos casos de depen- com o desengajado. alternativa é o pagamento de planos pliação de pessoas cobertas pela Pre- lações afetivas constituída a partir de previdência privada oferecidos vidência Social. e praticamente intranspo- percebem valores idênticos aos re. 08:58 . buscam-se formas de passa o país e a diminuição da ofer- para o indivíduo. ciedade. as exclui do mercado de empregos das para o futuro. em 1950. quando estes existem! até três salários mínimos. porém. verifica-se que. dência física e/ou psíquica. Ao la. desprezou questões básicas empregados. o que se observa é que. obstáculos maiores. da aposentadoria são. encontravam trabalhando. de previdência privada. medida esbarra em pelo menos dois atividade agrícola. embora a condição econômica pre. compa. o duo engajado seria danosa à socie. obvia. O motivo maior. se tomarmos como referên. 602 O MUNDO DA SAÚDE — São Paulo. 60 anos ou mais. do que demonstra que as mulheres tante que a aposentadoria torna-se A proporção de pessoas idosas idosas sentem mais que os homens ainda mais polêmica. centual é ainda mais elevado no ca- lho. Com efeito. que oca. Esse per- que estavam em atividade no traba. que já teve sua para a geração mais velha. na maioria das vezes. Assim. vivem uma situação fi. rios estatutários do setor público mais bem pagos. resultado final é. localizando. 4 out. 2005 13_Longevidade_desafios3mil. mentar seu suporte econômico. o rendimento mensal dos chefes de (1999). freqüente- de. dos diversos grupos etários. enquanto os funcioná. bidos pelos trabalhadores quando mente. percepção das re. cuja situação fi- gado (1980) lembra que os partidá. pois o valor de sua apo. deve-se ressaltar que a teoria do ção do contingente de idosos no mente. Entre as mulheres tam. rando-se os dois períodos assinala. famílias nucleares. com seu “fazer” e manutenção do ceiro. Vale a pena lembrar neste ins- o período produtivo. 83% cária em que vivem as obrigue à fico de 1991 mostram que 63% dos dos homens com idade entre 60 e busca incessante de um serviço que chefes de domicílio. segundo França mercado de trabalho. da encontrado amparo e segurança. A redução drástica de idosos que se nanceira faz com que seus membros rios do desengajamento progressi. Da- cia os idosos que estavam emprega. dos referentes ao Censo Demográ- dos. em 1999. Esse é mais um da.5%).

ou seja. o que tem nítida relação que vive a maioria da população parte da verdade. a proporção de pessoas com saltados: primeiro. Ë conhecido o fato da dificulda- quase exclusivamente pelo casal e tal. Outro dado hostil da sociedade contemporânea cionados às mudanças da estrutura alarmante é que 47% desses idosos para com os idosos. 2005 603 13_Longevidade_desafios3mil. solteiras ou separa. 08:58 . gevidade das mulheres e a união de em trazer para o presente valores timas décadas. homens com mulheres mais jovens. brasileira. talmente dos que nortearam as ge- do número de separações e divórcios cipalmente a dois fatores: maior lon. nesse grupo é de 10%. vêem-se obrigados a é. Assim. de pequenas famílias. e a prevalência de depressão de de adaptação do velho ao meio um ou dois filhos (famílias nuclea. Isso é apenas uma a idade. fruto das condições socio. vas e o comportamento assumido maior mobilidade. segun- to dos idosos existente nas zonas ru. ção àqueles. portanto. Isso também é obser. com a maior sobrevivência das ido. por essa situação (Papaléo Netto e observa-se aumento da proporção palmente mentais. ciedade ou. começa a ser percorrido passa a ser reduzida. Ao isolamen. Em relação ao estado civil. os homens não houvesse por parte dos mais moradias construídas no quintal de têm muito maior probabilidade de velhos rejeição aos novos tempos. viver por longo tempo Quando se fala em relação inter- entre os componentes da família sem companhia predispõe ao isola. apesar das os filhos. Um em cada três Ponte./dez. que. pois marido e mu. solidão terra. Com isso as mulheres é três vezes maior. também existe uma discrepância en. da so- vêm desaparecendo os laços de pa. nas úl. não é possível familiar. Alguns fatores respon. geracional. que Pode ser também destes em rela- Essa situação constitui um dos fa. que teimam observados. 1971. e entre cometer injustiça. Esses fatos levam à predisposição à dem ter uma parcela ponderável do processo de urbanização. jeição do idoso ao seu próprio en- do suporte financeiro e afetivo ao verifica-se que 3/4 dos idosos do se. ano 29 v. as em que vive. jeição é unilateral. mulheres.p65 603 28/12/2005. em detrimento do padrão de taxas de suicídio entre homens com ticularmente com as gerações mais família extensa. O caminho da adaptação lher. a atenção dispensada esta. 6. a experiência nos fato que tem raízes culturais (Pas. também. tentando im- Por outro lado. sob pena de tem como selo a solidariedade so. mento. 4 out. o que. 2005). e o aumento das. tros urbanos. associa-se o existente nos cen. É fácil perceber que se não hou- jovens. se seus filhos já casados em pequenas anos não seja comum. nem sempre há cela de pessoas idosas. tradicional. Relação intergeracional Nas últimas décadas. seus pais. Em decorrência disso. que mais de 75 anos é cinco vezes maior jovens. a relação ras (1996). rentesco. quando choal. LONGEVIDADE: DESAFIO NO TERCEIRO MILÊNIO 5. vidos como. quando se consideravam indivíduos Mesmo que se admita o papel sáveis por essa situação estão rela. Mesmo em países desenvol. Não se pode. pô-los aos demais. Profundamente ligados a essa xo masculino vivem em companhia teiam a vida das gerações mais no- estrutura familiar nuclear estão a de cônjuge. este sempre considerado pode acarretar isolamento. enquanto 2/3 das mu. rações mais velhas. por exemplo. idade igual ou superior a 65 anos necessariamente conflito e. gerando conflitos par- res). Estrutura familiar e estado civil De qualquer forma. a Ingla. representando estas 72% suas necessidades sociais e de aten- com isso. o idoso. constituídas velhos sofre de algum quadro men. sas. graças ao menor lheres são viúvas. A probabi. 1988). Os valores que nor- idoso. 1996). lidade de ficar viúva aumenta com precárias condições econômicas em ria preservada. Com efeito. nem sempre o idoso pode ser tido rais. desconhecer que estes também po- econômicas. Na Bélgica. Embora casar-se aos 60 dos grupos etários mais jovens. a passos lentos. a solidão do velho ao meio. segundo Ve. razão maior da união de va-se. culturais e. Dois aspectos têm de ser res- e sensação de abandono a uma par. nunca foram visitados por amigos. entre os censos de 1961 e vítima. Associa-se a isso a re- tores responsáveis pela diminuição tre homens e mulheres. e Cazenaghi. perante esses valores diferem fron- tamanho da família. como resultado final. 17% a 34%. 29 n. principalmente. meio seria menos árdua. mais especificamente. eclosão de doenças físicas e princi. a atenção ao parente idoso dos idosos que vivem sós (Berquó ção à saúde. subindo a quase 50% como vítima. membros das famílias tradicionais. que passa obriga- ceira precária. 1994). conseguiram adquirir um vado em pessoas que têm mais de vesse o culto excessivo à valorização domicílio não raramente abrigam 60 anos. velhecimento. Essa desigualdade é devida prin. ensina que os idosos que. ocorrendo em todo o mundo. mais freqüente entre as toriamente pelo atendimento às entrar no mercado de trabalho e. culturais do passado. afirmar que a re- cioeconômica e afetiva. dada a proximidade com mulheres (Veras. O MUNDO DA SAÚDE — São Paulo. obser. a primeira coisa que vem tem sofrido transformações acen. Poder-se-ia inferir. com mais de 75 anos. à semelhança do que vem dos jovens em relação aos idosos. a partir fazê-lo após essa idade do que as certamente a integração destes ao daí. que moravam sozinhas passou de do. que as da população geral. premidos pela condição finan. à mente é o conflito entre o jovem e tuadas.

pessoas. 1987. pre se concretizava. a população como um todo e para o migraram para as zonas urbanas de- tro”. passou de 10. destaca que a “família vai Essa elevação. a propor. de 19% para 11%. gratório é que migrantes mais jo- Essas mesmas autoras assinalam ção dos que vivem em áreas com vens buscam na “cidade grande” o que todas essas situações desembo. e em 2000 atin. que atinge atual. Registra-se com isso o acen- trocas geracionais não devem se li. pulacional nas grandes cidades e de não-remunerados. ano 29 v. as mulheres idosas são particular- como algo vinculado ao dia-a-dia. Ramos e cols. deve-se à continuidade do movi. mento da população como um to. estrutura de apoio nas cidades. regras da convivência que manti. décadas ainda ocorra diminuição de ciam à faixa etária de 15 a 40 anos mente um grande percentual de indivíduos das zonas rurais. assola os trabalhadores rurais. mas de. mento migratório de áreas rurais. de trabalho na agricultura. é adquirida “de igual para igual”. entre 1965 e 1980. Há ne. a viver e conviver dentro que vem ocorrendo há algumas 1989).2% em 1991 (Política Na. — uma sobrevivência digna (Papa- se preparar. pelas condições socioeco. nou de 49% para 31% (World Bank. qüências sociais e econômicas para Os indivíduos mais velhos que dam a partir “da experiência do ou. crença amplamente disseminada rentes migrantes.. Veras e da das redes sociais e a falta de infra- cessidade. O processo de concentração po. rurais e em localidades com menos de moderna tecnologia que reduz o víduos estejam desaprendendo as de 20 mil habitantes declinou de mercado de trabalho nessas regiões. Isto se acha bem evidente tório das zonas rurais teve origem guo. nômicas. que decli- gadas. le- conflito em solidariedade. Costa chegando a 75%. vando a um número maior de ido- 604 O MUNDO DA SAÚDE — São Paulo. épocas de migração mais intensa. estão sestruturando devido a inúmeros do. en. mais. suporte que nem sem- a cultura transmitida entre gerações ria da população idosa vive em zo. redução signifi. cia depende de apoio de outros. vem ocorrendo paralelamente intimamente relacionadas à concen- fatores: afrouxamento dos laços fa. 4 out. limita-se. de modo que a para 35. foi observado.”. res- (1997). 80. na do próprio ambiente familiar. rais. ao crescimento da população idosa. Essas situações. comunica. freqüentemente De acordo com Ferrigno (2003). 2005 13_Longevidade_desafios3mil. cussão sobre a percentagem de força duas ou mais gerações serem obri.9% em A resultante desse processo mi- nham a família coesa. As com uma tendência à estabilização. na década de 40 apenas 31% da de salário recebido pelo trabalhador É importante assinalar que o pa. população residia nas áreas urbanas. portanto. cebido nas cidades e. a serviços de de direitos e no respeito às dife. Nesse caso há um engrande. Migração e urbanização cativa da contribuição da agricultura existir na dependência de outros A progressiva concentração da para o PIB. que fatores. par. Nesse quadro. No Brasil. param freqüentemente com a per- cimento entre as gerações. com suas gerações. a maioria dos países lati. 29 n. e cuja que seu local de origem lhes negou cam na importância de a sociedade maior parte reside em áreas metro. do campo comparativamente ao re- pel desagregador pode estar dentro em 1991 essa proporção cresceu.. contrariando a porte financeiro enviado pelos pa- da sociedade. pois a maioria das pessoas ido- políticas governamentais. a troca de informação. A aprendizagem ocorre redução nas zonas rurais tem conse.. À semelhança do que ocorre tuado envelhecimento nas zonas ru- mitar à família e aos programas e no Brasil. décadas. freqüentemente. recidos nestas. idoso em particular (Kalache e cols. mente vulneráveis. citado por França e Soares giu 80% (IPEA. A proporção de residentes em áreas nas mãos de poucos e do emprego tre outros. decorrente do au.5% em 1940 para 30. pois está pouco a pouco se de. princi. mais de 500 mil habitantes. na diferença de toda a família./dez. LONGEVIDADE: DESAFIO NO TERCEIRO MILÊNIO Esse conflito poderá realmente 7. para politanas que abrigam 43 milhões de léo Netto e Ponte. população possa envelhecer melhor cional de Assistência Social. entre população em áreas urbanas. O acentuado processo migra- de um espaço freqüentemente exí. que é muitas vezes a moradia em alguns dados. e sua sobrevivên- renças”. O que se espera é que nas próximas de 50% dos que migraram perten- palmente física. Assim. quando as partes aprendem e mu. 08:58 .p65 604 28/12/2005. porém e apenas 3% tinham 60 anos ou pessoas com mais de 80 anos.. 1999). também.8% em 1940 as décadas de 1960 e 1970 foram as ção e solidariedade. 1997). nas rurais (Neysmith e Edwards. fazendo com que os indi. 1996). 1989). 1991. de transformar cols. O censo de 1980 mostrou que mais e retardar uma dependência. maior oferta de serviços públicos ofe- (1987). associada a outros fatores teve reper- os quais se situa a necessidade de ticularmente nas grandes cidades. Tout. tração de vastas propriedades rurais miliares. repressão da infância. mais jovens. pois sua função O ponto principal está “na igualda.. de que no Terceiro Mundo a maio. 1987). que mostram que no desemprego rural. ponsáveis pela pobreza extrema que mal. Ao mesmo tempo. no-americanos vivencia o mesmo sas que permaneciam nessas regiões vem ser expandidas às instituições processo de migração em direção tinha a esperança de receber um su- privadas e a outras representações às grandes cidades. 1984. além do já referido. 1987.

aumento das doenças crônicas. profissionais da saúde e pela falta de famílias extensas em famílias nu. recursos que as demais faixas etá- bano passa a caracterizar-se pela po. Caldas (2004) assim se po. em virtude da peque- siciona: “A maior influência da ur. ao lado das transformações e/ou psicossocial adequada. com baixo ní- catórios pela posse de terras nos cam. 8. O meio ur. moção. que o idoso consome muito mais parcela de idosos dependentes. As. exigir medidas de maior resolutivi- Único de Saúde (SUS). Alguns dados epidemiológica requerem novas es- totalmente implementada poderia demonstram essas mudanças. em 1950 ternações hospitalares ou institui- As considerações que serão fei. internações mais a serem oferecidos aos idosos. de recursos do sistema de saúde. de um trabalho que teve a participa. vel socioeconômico. O asilo tende a existir como ao idoso”. em decorrência dades sanitárias para o enfreta- a Política Nacional de Saúde do Ido. proteção e recuperação da Tomando-se por base os dados Simas e Farias. serviços de saúde. sa. tratégias que façam frente ao au- manter o trabalhador rural no seu sim. O MUNDO DA SAÚDE — São Paulo. mada pelo Instituto Brasileiro de dade./dez. Há. modalidade mais antiga e universal Essa mudança do perfil epide- ção de um grupo de profissionais de atenção ao idoso fora da família miológico vem acarretando grandes inseridos nas instituições de ensino e têm como inconveniente. 29 n. Referindo-se ao papel da urba. e necessitam de cuidados especiais tos mais importantes da atenção mente crônicas e múltiplas. em 1984. As conseqüências da transição necessidade da reforma agrária. na terial e social prestada pelos familia.p65 605 28/12/2005. 08:58 . o que diminui a disponibi. e total de assistência. 40% das mortes no país. perdu. os asilos constituem mais de 40%. fica e epidemiológica. da necessidade de aten. equipe interdisciplinar. dos altos custos dos serviços de apoio. pação dos leitos. eram responsáveis por 12% das ções de longa permanência (asilos e tas nesta seção foram extraídas. 1984). não recebe uma abordagem médica econômica e pouca assistência ma. publicada em Deveriam ser a última alternativa a 2000 com o título “Desafios a serem cido o fato de o idoso consumir mais ser considerada nos serviços sociais enfrentados no terceiro milênio pe. que des mais avançadas. Geografia e Estatística (IBGE) para tram-se os cuidados domiciliares co- mília são fundamentais em virtude esse mesmo ano. Essas são as causas maiores da bidamente mais freqüentes nas ida. em virtude verdade. pode-se concluir mo alternativa possível para uma do processo de envelhecimento po. Os altos cus- saúde desse estrato social em to. LONGEVIDADE: DESAFIO NO TERCEIRO MILÊNIO sos vivendo na pobreza. cações do quadro de morbimortali. as doenças cardio. é lugar de idoso pobre (Guimarães. Entre essas medidas encon- Esses papéis do Estado e da fa. dade. e que conso- pos para o trabalhador e sua família. 4 out. não têm mais vida ativa e produtiva e familiar constitui um dos aspec. pulacional. ou seja. em 1950 as doenças infecto. caracteristicamente de uma superior com as conseqüências mé- lidade de parentes para cuidar dos população jovem. uma escassez de recursos res que precisam trabalhar fora de da transição epidemiológica que técnicos e humanos para enfrentar casa. Outro motivo à saúde da população idosa. mente dependentes. Apesar disso. pois é conhe- so (PNSI) em 1999. sintonia das instituições de ensino cleares. superior e de técnicos do Ministério vezes. mento do problema. em grande parte Ramos (1996). efeito. Atenção integral à saúde do destinada ao financiamento de in- idoso vasculares tiveram um comporta- mento oposto. rando por mais tempo e exigindo do asilamento parece ser a imagem no entanto. mente. metem os idosos são freqüente. principal. para o perfil de dico-sociais das transições demográ- mais velhos”. o paciente idoso breza. tos desse tipo de assistência estão a dos os níveis de gestão do Sistema lo SUS em 1997 e a população esti. ano 29 v. nos países do Terceiro Mundo. conduzir ao isolamento e à configurando um desafio às autori- da Saúde. Nessa mem uma parcela desproporcional mesma época. muitas despesas médicas e hospitalares. pela perda de autonomia sociais da pessoa idosa e. relativos à internação hospitalar pe. vem ocorrendo há algumas décadas a explosão demográfica desse grupo nização. o Brasil em aproximadamen. Segundo Brito e forma resumida. na difusão dos conhecimentos ge- banização certamente é a transfor. 2005). lo setor saúde na atenção integral freqüentes e maior tempo de ocu. 2005 605 13_Longevidade_desafios3mil. Por outro lado. demográficas referidas. Isso. mento exponencial do número de hábitat natural — o que justifica a contagiosas eram responsáveis por idosos potencialmente ou efetiva- existência de movimentos reivindi. de mortes e hoje são responsáveis por casas de repouso). as meio de sobrevivência para os que Sabe-se que o apoio informal doenças que mais comumente aco. Com populacional. com o intuito de elaborar inatividade física. rias. dimento às especificidades médico. não exime o Estado acompanhamento médico e de criada pela sociedade de que o asilo da responsabilidade sobre a pro. essa cifra baixou para aproximada. te quarenta anos passou a mostrar riátricos e gerontológicos entre os mação das estruturas familiares de evidências importantes de modifi. mente 10% (Radis.

a Política Nacional de Saúde do do envelhecimento. Wright RJ. e. são em sua muitas vezes. ou seja. de julho de 1996. Brasil. características são fundamentais Idoso (1999) tem como propósito ba. Cazenaghi SM. Idoso. ciedade reveja essas idéias precon- pendência física quanto a mental Segundo Caldas (2004)./dez. re. ciedade que hoje o rejeita.1981. deixando-o em um papel pas- máxima capacidade funcional do reabilitação dos que venham a ter sivo. Além disso. assistenciais e de silar a promoção do envelhecimento de Kertzman (2005): “A verdade é reabilitação. Política Nacional de Saúde do Idoso. pode fazer. 08:58 . tempo das experiências vividas pelo A promoção do envelhecimen. 4 out. 28(2): 177-180. Considerações finais pendentes. São Paulo: Atheneu. Ela deve se conscientizar tivo de mortalidade. Serviços de atenção à saúde do idoso. 2000. Desafios a serem enfrentados no terceiro milênio pelo setor saúde na atenção global ao idoso. bem como a participa. Tanto a de. Dressel PL. 40(4): 487-493. 1948. 606 O MUNDO DA SAÚDE — São Paulo. apesar de família ou um cuidador para ajudar tada pelo Decreto n. 2003. sua capacidade funcional restringida. LONGEVIDADE: DESAFIO NO TERCEIRO MILÊNIO Felizmente. [dissertação]. nenhum investimento para o futu- cam a valorização da autonomia e garantindo-lhes a permanência no ro. mas o que cidade funcional. quando possível. É preciso que essa mesma so- física e mental do idoso. In: Papaléo Netto M. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. os idosos. funções na sociedade. Caldas CP. Brasil. vação da Política Nacional de Saú. Co-educação entre gerações. pressão de pessimismo. autônomos e inde. França LHFP. Brasília: MPAS. poderá viver ainda maioria capazes. como se não valesse a pena indivíduo que envelhece signifi. race. Gerontologia. ticos caros. Anais de VI Encontro Nacional de Estudos Populacionais. Nes. saudável. Ministério da Saúde. de do Idoso representa um avanço de que é possível mudar esse qua- rados por essa dependência pode.p65 606 28/12/2005. dez anos ou mais. Brasil. sendo portanto envolver leitos hospitalares e insti. 1999. 2a. cuja base era a Lei 8842. p. Loneliness among the elderly: a causal approach. 394-402. Ferrigno JC. Ministério da Saúde. and class: beyond the feminization of poverty in later life. Ministério da Previdência e Assistência Social. Creecy RF. Berquó ES. para finalizar. da capacidade funcional dos idosos. The Gerontologist 1988. uma ou mais doenças. ção de uma equipe interdisciplinar. 2005 13_Longevidade_desafios3mil. Gender. cussão poderão levar o leitor à im- se contexto surge o conceito de capa. de ser um participante ativo dessa so- timento de dedicar um membro da 4 de janeiro de 1994. A busca do sentido existencial para o idoso. REFERÊNCIAS Beauvoir S. em relação à Política Nacional do dro. organizadores. 1997 Brasil. exercendo suas turo”. ceituosas de que o velho nada mais constituem fatores de risco significa. 2004. Ministério da Previdência e Assistência Social. a capaci. 1988. a recupera. Secretaria Nacional de Ações Básicas de Saúde. J Gerontol 1985. a prevenção de doenças. Caldas CP. Saúde do idoso. regulamen. Rio de Janeiro: Interciência. visão realista do velho. ano 29 v. de. Plano Integrado de Ação Governamental para o Desenvolvimento da Política Nacional do Idoso. 1990. Os problemas colocados em dis- considerados idosos saudáveis. editor. Rio de Janeiro: Instituto de Psicologia/Universidade Federal do Rio de Janeiro. A arte de cuidar. Ramos LR. de 13 serem com freqüência portadores de continuamente uma pessoa que. Brasília: MPAS/SAS. lembrando que o idoso poderá rão ser tão grandes quanto o inves. se pretendeu foi deixar claro uma dade de manter habilidades físicas e Tendo em vista essas considera. 1: 155-181. Cuidado familiar: a importância da família na atenção à saúde do idoso. 29 n. Os custos ge. In: Saldanha AL. Rio de Janeiro: UNATI/UERG. Política Nacional de Assistência Social. ve-se considerar a possibilidade de quer tipo de ajuda. Petrópolis: Vozes. Brito FC. É importante. a preservação ou melhora que a sociedade moderna esvazia o cuperação dessa capacidade. tucionais. procedimentos diagnós. Brasília. A velhice. 1996. como se não houvesse mais fu- da preservação da independência meio em que vivem. a apro. empurrando-o para a mar- to saudável e a manutenção da ção da saúde dos que adoecem e a gem. idoso. reafirmar a posição ações preventivas. p. da velhice e mentais. prescindindo de qual. Oportunidades e fatalidades: um estudo demográfico das pessoas que moram sozinhas. ed. 1989. Para manutenção dessas ções. 41-47. Berg WE. Estatística de mortalidade.

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