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Directora: Cristina Busto

l de
ISSN:Castro
1645-443X -eDepósito
Lemos Legal: 86929/95 Abr.Mai.2017
P r a ç a D . A f o n s
ISSN: 1645-443X - Depósito o V , n º 8 6 , Legal:
4 1 5 0 - 086929/95
24 P o r t o - P O R TU G A L Ano XLIX- nº 385
Praça D. Afonso V, nº 86, 4150-024 Porto - PORTUGAL
FÁTIMA, QUE FUTURO?

Nestas cróni- toral.
cas, recusei-me Entretanto, foi
sempre a res- divulgada a
LAICADO DOMINICANO
ponder à per- oração que iria
gunta: que vem fazer no dia 12
o Papa fazer a de Maio, na
Fátima? Que Capelinha das
vinha canonizar Aparições. É
os “beatos” Ja- uma celebra-
cinta e Francis- ção transfigu-
co estava assen- radora da Salve
te. Para isso não Rainha tão an-
precisava desta custosa deslocação. A declara- tiga e que, de repente, ficou uma nova respira-
ção de reconhecimento da santidade destes ção do céu e da terra. As invocações gastas en-
pastorinhos podia ser feita em Roma. Por isso, contraram a linguagem poética da fé incarna-
julguei que era melhor esperar para ver. O Pa- da na alegria do Evangelho. Atrevo-me a desta-
pa veio mas, antes, tinha realizado outra pere- car: Ó doce virgem Maria, Rainha do Rosário de
grinação bem mais arriscada e de alcance ime- Fátima! Faz-nos seguir o exemplo dos Bem-
diato: o encontro com cristãos e muçulmanos aventurados Francisco e Jacinta e de todos os que se
no Egipto. entregam à mensagem do Evangelho. Percorreremos,
Mário Bergoglio, antes de vir a Fátima, ti- assim, todas as rotas, seremos peregrinos de todos os
nha publicado uma carta apostólica que trans- caminhos, derrubaremos todos os muros e vencere-
fere as competências sobre os Santuários para mos todas as fronteiras, saindo em direcção a todas
o Pontifício Conselho para a Promoção da as periferias, revelando, aí, a justiça e a paz de
Nova Evangelização. Vislumbrava nesse docu- Deus. Seremos, na alegria do Evangelho, a Igreja
mento, inspirador e normativo, que viria reali- vestida de branco, da alvura branqueada no sangue
zar o que mais tem faltado em Fátima: tornar- do Cordeiro derramado ainda em todas as guerras
se um centro propulsor de saída para o mun- que destroem o mundo em que vivemos. E assim
do e não apenas de um altar de incenso. seremos, como Tu, imagem da coluna luminosa que
Como já referi, irritavam-me, entretanto, as alumia os caminhos do mundo, a todos mostrando
notícias colhidas ou veiculadas pelo Santuário que Deus existe, que Deus está, que Deus habita no
sobre os cuidados com a figura do Papa, a sua meio do seu povo, ontem, hoje e por toda a eternida-
indumentária para celebrar, o cálice de ouro, a de.
pala para o resguardar do sol e outras futilida- O horizonte do primeiro documento, ver-
des do género. Pareciam manifestar o propósi- dadeiramente programático do Papa Francis-
to de neutralizar, na Cova da Iria, o que Ber- co, (A Alegria do Evangelho), passou para a
goglio trouxe de novo à orientação da Igreja sua Salve Rainha, a oração feita missão para
católica: uma Igreja de saída para todas as peri- todas as periferias. Tinha de dizer: esta peregri-
ferias, com gosto da alegria do Evangelho, de nação é essencial. Como poderia Bergoglio
uma evangelização nova, libertadora, descruci- esquecer o seu passado de transformação da
ficante. religiosidade popular – puramente regional –
Um grande desejo pode tornar-se numa perante um santuário que reúne multidões de
grande decepção: ver o Papa chegar a Fátima e muitos países?
nem ele cumprir o que propôs para os santuá-
rios, seria o enterro da sua própria Carta Pas- (continua na pág.seguinte)
Laicado Dominicano Abr.Mai. 2017

(continuação da pág.1) nós?
2. O Papa veio, rezou na capela de Nossa Senhora Grande injustiça fazemos a Deus e à sua graça, quando
se afirma em primeiro lugar que os pecados são punidos
do Ar. Repetirá, durante a sua peregrinação, que se
pelo seu julgamento, sem antepor – como mostra o Evange-
reza em Fátima como em qualquer lugar. Seguiu para
lho – que são perdoados pela sua misericórdia! (…)
a Cova da Iria. A quem desejasse acompanhar a des- «Sempre que olhamos para Maria, voltamos a acredi-
locação e a sua chegada ao santuário, os quatro ca- tar na força revolucionária da ternura e do carinho.
nais de televisão exibiam uma verborreia contínua e Nela vemos que a humildade e a ternura não são vir-
irritante que não deixava espaço mental para mais tudes dos fracos mas dos fortes, que não precisam de
nada. Não se prepararam para saber dosear o tempo maltratar os outros para se sentirem importantes (…).
da informação e do comentário com o silêncio indis- Esta dinâmica de justiça e de ternura, de contempla-
pensável. O silêncio imposto para a oração do Papa, ção e de caminho ao encontro dos outros é aquilo
na capelinha, mostrou que tudo podia ser diferente. que faz d’Ela um modelo eclesial para a evangeliza-
ção» (b). Possamos, com Maria, ser sinal e sacramen-
Um momento chave de todas as peregrinações de
to da misericórdia de Deus que perdoa sempre, per-
Fátima é o mar de luz expresso na procissão das ve-
doa tudo.
las. Desta vez, havia uma mensagem especial. O Papa
3. Deus criou-nos como uma esperança para os
enfrentou a sua tarefa de transformar as atitudes dos
outros, uma esperança real e realizável segundo o
peregrinos: Peregrinos com Maria… Qual Maria? Uma
estado de vida de cada um, disse o Papa na homilia
«Mestra de vida espiritual», a primeira que seguiu Cristo
de Sábado.
pelo caminho «estreito» da cruz dando-nos o exemplo, ou
Temos Mãe na Mãe de Jesus. Não veio aqui, para
então uma Senhora «inatingível» e, consequentemente, ini-
que A víssemos. Para isso teremos a eternidade intei-
mitável? A «Bendita por ter acreditado (b)» sempre e em
ra. Dos seus braços virá a esperança e a paz que ne-
todas as circunstâncias nas palavras divinas, ou então uma
cessitamos e as suplico para todos os meus irmãos no
«Santinha» a quem se recorre para obter favores a baixo
Baptismo e em humanidade, de modo especial, para
preço? A Virgem Maria do Evangelho venerada pela Igreja
os doentes e pessoas com deficiência, os presos e de-
orante, ou uma esboçada por sensibilidades subjectivas que
sempregados, os pobres e abandonados.
A vêem segurando o braço justiceiro de Deus pronto a casti-
gar: uma Maria melhor do que Cristo, visto como Juiz im- Frei Bento Domingues, o.p.
piedoso; mais misericordiosa que o Cordeiro imolado por In jornal Público, 14/05/2017

(continuação da pág.3)
[1]Bento XVI, “Homilia [...] Durante a Concelebração
A fé é a inteligência e o coração com tanta vida Eucarística no Parque Błonie” (28 Maio 2006), par. 7, https://
como inquietação. São Tomás de Aquino insistiu que w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/homilies/2006/
o acto de fé tem aspectos afectivos e intelectuais, base- documents/hf_ben-xvi_hom_20060528_krakow.html
ando-se na concordância favorável do intelecto deter- [2]Joseph Ratzinger, Introdução ao Cristianismo: Prelec-
ções sobre o “Símbolo Apostólico” [2000], trad. Alfred J. Kel-
minado pela vontade, que por sua vez não é indepen- ler (S. João do Estoril: Principia, 2005), pp. 32-33.
dente dos sentimentos nem do desejo por aquilo que [3]Ver, e.g., Herbert McCabe, OP, God, Christ and Us
é bom.[6] Quer a dimensão afectiva, quer a dimensão [2003], ed. Brian Davies, OP (Londres: Continuum, 2005), p.
intelectual, envolvem a disponibilidade fraternal e o 16.
diálogo crítico, enfatizando como nos definimos co- [4]Ratzinger, Introdução ao Cristianismo, p. 130.
mo cristãos, precisamente, a partir desse modo de [5]John D. Caputo, What Would Jesus Deconstruct?:
nos relacionarmos com os outros, em comunidade, The Good News of Postmodernism for the Church (Grand
Rapids, MI: Baker Academic, 2007), p. 131 (trad. minha).
em conversa. Como José Augusto Mourão escreveu
[6]Ver Tomás de Aquino, OP, “Question Fourteen:
de forma lapidar: “O desejo é a dimensão essencial da
Faith”, in Questiones Disputatae de Veritate [1256-59], trans.
fé. A idolatria consiste em apropriar-se [...] de repre- James V. McGlynn, SJ, ed. Joseph Kenny, OP (Chicago: Hen-
sentações tidas por Deus em vez de confessar a pre- ry Regnery Company, 1953), http://dhspriory.org/thomas/
sença de Deus na Assembleia dos homens — e isso é a QDdeVer14.htm.
fé.”[7] [7]José Augusto Mourão, OP, “Abraão - Exeunt as Repre-
Sérgio Dias Branco,o.p. sentações”, in Quem Vigia o Vento Não Semeia (Lisboa: Pedra
Angular, 2011), p. 323.

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Laicado Dominicano Abr.Mai.2017

A INQUIETAÇÃO DA FÉ:
2. DEUS NA ASSEMBLEIA HUMANA
Mais do que os conteúdos carapaça de quem duvida
da fé, o credo, é o reconhe- para aquele que tem fé.
cimento da nossa fraqueza Para um, a dúvida é a sua
(da nossa necessidade do maneira de participar do
outro que não sou eu) destino do incrédulo; pa-
bem como o poder da nos- ra o outro é a forma que a
sa fé (da nossa concordân- fé encontra de continuar
cia com Deus como é reve- a ser um desafio para ele.
[2]
lado em Cristo) que com-
põem a pedra angular da
nossa crença. O Papa Ben- Ratzinger e Halík acredi-
to XVI recordou-nos este tam que a Igreja é um lu-
ponto fundamental quan- gar onde a comunicação
do disse numa homilia sobre a Ascensão que “[a]quilo entre crentes e não crentes pode ocorrer. As portas
em que cremos é importante, mas mais importante é devem estar abertas. O que une a variedade dentro da
Aquele em quem nós cremos.” [1]Quase 40 anos antes, Igreja, o que lhe confere a sua catolicidade, a sua uni-
o mesmo Joseph Ratzinger tinha escrito estas observa- versalidade, não é a crença enquanto tal: como no
ções amplas e abertas que reúnem crentes e não cren- princípio, é um encontro decisivo e uma relação
tes na busca por uma vida realizada, plena de sentido: transformadora com Jesus, a quem muitos incrédulos
admiram. O episódio contado no Evangelho de Mar-
[A]ssim como o fiel se sabe constantemente amea- cos revela que esse vínculo de fidelidade pessoal entre
çado pela incredulidade que o acompanha como um crente e Jesus é desarmante e uma lição de humil-
uma tentação sem fim, também a fé constitui pa- dade, advertindo-nos contra a adoração de ídolos.
ra o incrédulo uma ameaça e uma tentação para Teólogos como o dominicano Herbert McCabe têm-
o seu mundo aparentemente completo. Por ou- nos avisado sobre a tentação de transformar Deus
tras palavras, não há como escapar do dilema da num ídolo, algo óbvio e limitado[3]. Dizer que Jesus
existência humana. Quem quiser fugir das incer- Cristo revela o mistério de Deus como o Filho, por
tezas da fé terá de suportar as incertezas da ausên- um lado, não significa que Deus seja Jesus, por outro
cia da fé e nunca poderá dizer com certeza defini- lado. Afinal, a revelação de Jesus é de um Deus tri-
tiva que a fé não é a verdade. Só na recusa da fé uno, um Deus de uma relação misteriosa, amorosa,
se revela a sua irrecusabilidade. interna, unitária. Daí podermos dizer que “Deus está
[...] [T]anto o fiel como o incrédulo partici- acima do singular e do plural. Ele rompe-os a am-
pam, cada qual à sua maneira, da dúvida e da fé, bos.”[4] Deus não pode ser tornado num ídolo. As vãs
desde que não se escondam de si mesmos e da tentativas humanas de o fazer confirmam apenas que,
verdade do seu ser. Nenhum deles consegue fugir qualquer que seja o ídolo, a idolatria é sempre, no fim
totalmente à dúvida, nem à fé; para um, a fé mar- de contas, a adoração de nós mesmos:
ca presença contra a dúvida; para o outro, a fé
está presente pela dúvida e sob a forma de dúvi- A ortodoxia é idolatria se isso significa susten-
da. Faz parte da configuração fundamental do tar as “opiniões correctas sobre Deus” — o
destino humano poder encontrar um carácter “fundamentalismo” é o exemplo mais extremo e
definitivo da sua existência tão-somente na rivali- saliente de tal idolatria — mas não se isso significa
dade interminável entre a dúvida e a fé, entre a sustentar a fé no caminho certo, isto é, não a sus-
tentação e a certeza. Talvez seja justamente a dú- tentar de todo mas ser sustentado por Deus, no
vida aquilo que protege ambos da reclusão exclu- amor e no serviço. A teologia é idolatria se signifi-
siva no seu próprio eu, o lugar em que a comuni- ca o que dizemos sobre Deus em vez de deixar-
cação poderá realizar-se. É ela que os impede a mos que o que Deus nos tem a dizer nos seja diri-
ambos de se fecharem completamente em si pró- gido. A fé é idólatra se é rigidamente segura de si,
prios, é ela que quebra a carapaça de quem tem mas não se é suavizada nas águas da “dúvida”[5].
fé, abrindo-o para aquele que duvida, e abre a
3 (continua na pág.2)
Laicado Dominicano Abr.Mai. 2017

NOTÍCIAS DAS FRATERNIDADES

FRATERNIDADE DE FÁTIMA FRATERNIDADE DE
MACEDO DE CAVALEIROS

No passado Domingo, dia 14 de Maio de 2017, na
sala de Santo António e São Domingos, da Igreja Ma-
triz de Macedo de Cavaleiros, da Diocese Bragança-
Miranda, reuniu esta Fraternidade de São Domingos
para levar a efeito a rectificação da última eleição dos
novos Corpos Gerentes, realizada a 26 de Fevereiro
deste ano.
O nosso Presidente do Conselho Provincial das
Fraternidades Leigas de São Domingos, o Irmão Ga-
briel Silva, alertou-nos para a incompatibilidade dos
cargos de Promotor e em simultâneo de Formador.
Por este motivo fizemos nova eleição para o cargo de
Formador, sendo elegíveis qualquer membro desta
Fraternidade, com Promessa Definitiva, excepto o
Promotor.
A Fraternidade comunica que no dia 8 de Abril
Estiveram presentes 9 membros e o resultado da
2017 elegeu um novo Conselho para o triénio 2017 /
votação foi:
2020.
- 7 votos para o Irmão Carlos Ferreirinha, de Gri-
Ficando assim constituído: jó.
-Maria Filomena Piçarra-Presidente e Formadora - 2 votos para o Irmão Geraldes, nosso Presidente.
-Maria Teresa Morgado-Vice-Presidente e Secretá- De seguida o novo Formador recebeu uma salva
ria de palmas e dirigiu-nos umas palavras de apreço.
-Mariana da Conceição-Tesoureira Sempre com a vontade de servir mais e melhor e
Logo após a eleição o Conselho tomou posse. disponibilizando-me para o que entender, despeço-me
com um grande abraço em São Domingos.
Lucília Ferreira,o.p.
Mariana Cardoso,o.p.

62ªPEREGRINAÇÃO NACIONAL DO ROSÁRIO E DA FAMÍLIA DOMINICANA
AO SANTUÁRIO DE FÁTIMA— PROGRAMA

23 de Setembro, Sábado 24 de Setembro, Domingo
16h30: Concentração na Cruz Alta 8h30: Oração da Manhã (na sala João Paulo II)
17h00: Saudação a Nossa Senhora 10h00 :Celebração do Rosário (na Capelinha
18h00: Festa da Família Dominicana (no salão das Aparições)
do Bom Pastor, no Centro Paulo VI) 11h00: Eucaristia e procissão (no Recinto do
21h30: Celebração do Rosário na Capelinha Santuário)
23h00: Vigília de Oração (na Basílica de Nossa NOTA: Estará presente D. António de Oliveira
Senhora do Rosário) Azevedo, Bispo auxiliar do Porto

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Laicado Dominicano Abr.Mai. 2017

PREGAR COMO QUEM CAMINHA

No passado dia 14 de Maio, a Fraternidade Leiga ar-se àquela manifestação de louvor e gratidão ao Cri-
Dominicana de Macedo de Cavaleiros, numa feliz ador de todas as coisas. Chegados ao “nicho da santi-
iniciativa de uma dos seus membros, promoveu uma nha” – que foi construído por uma senhora da al-
peregrinação na aldeia de Comunhas, a que se associ- deia, que integrava o grupo, para homenagear a me-
ou não só o Presidente da Junta de Freguesia mas mória da avó – alguns membros da Fraternidade Lei-
também uma parte da população local. A peregrina- ga dirigiram-se aos presentes referindo-se à vocação e
ção teve início com uma oração na capela da aldeia – ao carisma dominicano e evocando Santa Catarina
moderna e airosa, dedicada à Senhora das Candeias de Sena. Usou ainda da palavra o presidente da Jun-
– seguindo-se um percurso não muito extenso, por ta, que agradeceu a iniciativa e a participação. Após o
caminhos bordejados por soutos e terras de pasto, caminho de regresso, já em amena conversa que per-
monte acima. Pelo caminho, feito sem pressas, o gru- mitiu conhecer a simpatia e o acolhimento daquela
po, constituído por umas três dezenas de pessoas de gente de Comunhas, seguiu-se uma animada meren-
todas as idades – havia bebés de colo, crianças e jo- da no salão paroquial.
vens adolescentes, adultos e idosos na casa dos 80 e O púlpito de pregação dos leigos dominicanos
mais anos – rezou o terço meditando nos mistérios é a vida quotidiana.
da alegria, ou mistérios gozosos. O chilrear da passa- José Carlos Gomes da Costa,o.p.
rada, na luminosa tarde de Primavera, parecia associ-

CONTAS DO JORNAL “LAICADO DOMINICANO”
DESPESAS RECEITAS
Expedição (6 números) 879,24€
Paginação e impressão (6 números) 625,09€
Papelaria (5000 envelopes, etiquetas) 378,33€ Donativos 1898,00€
TOTAL DE DESPESAS 1882,66€
SALDO POSITIVO 15,34€

NOTA DA DIRECÇÃO: Mais uma vez, e graças à generosidade dos nossos leitores, foi possível co-
brir todas as despesas do “Laicado”. No entanto, não deixamos de nos preocupar com o futuro… Assim, e
atendendo à curta margem de saldo, temos que continuar a apelar para que nunca faltem donativos que
cubram as despesas.
A todos os nossos benfeitores, leitores e colaboradores, o nosso agradecimento!
Cristina Busto,o.p. e Maria do Carmo Ramos ,o.p.
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Laicado Dominicano Abr.Mai. 2017

JUSTIÇA, PAZ E ECOLOGIA
No passado dia damente nas
18 de Fevereiro do Conferencias
corrente ano, no Vicentinas. O
Convento dos Do- signatário
minicanos, em Lis- comprometeu
boa, reuniram-se -se suscitar a
representantes dos problemática
diversos sectores da na próxima
Família Dominica- Assembleia
na, com vista à cria- Provincial das
ção de uma Comis- Fraternidades
são de Justiça, Paz e Leigas.
Ecologia da Família De tudo o
Dominicana, tendo o signatário destas linhas repre- que foi dito, pode-se concluir da seguinte forma:
sentado as Fraternidades Leigas de São Domingos. 1. Necessidade de programar e concretizar ações
As Irmãs de Santa Catarina de Sena fizeram um pela Justiça, Paz e Ecologia, como Família Dominica-
diagnóstico da situação no seu trabalho apostólico. na, de uma maneira sistemática e conscientemente
As Monjas do Lumiar referiram que esta questão assumida;
era mais uma questão do compromisso pessoal delas, 2. Importância de trabalhar na sensibilização e na
embora tenha havido reflexões sobre estes temas nas formação da Justiça, Paz e Ecologia nas nossas comuni-
“Conferencias do Lumiar”. dades;
Quanto aos Frades foi referido o papel socio- 3. Aproveitar os nossos espaços existentes para pro-
caritativo nas Paróquias e falou-se do grupo de apoio mover a Justiça, Paz e Ecologia;
aos sem-abrigo por parte da “Associação João XXIII”, 4. O Fr. Rui Grácio disse também que iria começar a
liderada pelo frei Filipe Rodrigues. trabalhar na elaboração de retiros e convivências na
Quanto às Fraternidades Leigas, foi referido que área de Justiça, Paz e Ecologia.
nada foi feito em termos de estudo nesta área, não
obstante os compromissos pessoais dos leigos, designa- José António de Guimarães Caimoto, OP

(continuação da pág.7) lente se cada Província/Vicariato estivessem represen-
tados por pelo menos um delegado, mas dois seria
E claro, iremos ouvir-nos uns aos outros sobre as bem melhor e, claro, teriamos muita alegria em ter
nossas fraternidades e as nossas ligações europeias connosco os diversos Promotores Provinciais.
como leigos dominicanos. O actual Conselho Euro- Em breve daremos mais notícias, assim que a orga-
peu terminará o seu mandato e teremos de eleger um nização do evento esteja mais avançada.
novo Conselho de forma a que a actividade do
ECLDF prossiga o seu caminho. Para todos vós, com amizade, em São Domingos e
Esperamos que a 10º Assembleia Europeia venha Santa Catarina
a ser uma inspiração e uma festa fraterna. Seria exce- Lenny Beemer, Presidente do ECLDF.

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Laicado Dominicano Abr.Mai. 2017

A PRÓXIMA 10ª ASSEMBLEIA EUROPEIA DAS FRATERNIDADES LEIGAS DA EUROPA

O ECLDF – Conselho Europeu das Fraternida- que informamos que três excelentes conferencistas
des Leigas Dominicanas, reuniu em Fátima, no pas- se juntarão a nós nessa Assembleia: O Fr. Timothy
sado mês de Maio com vista à preparação da 10ª Radcliffe, o Fr. Bruno Cadoré e uma irmã holande-
Assembleia Europeia das Fraternidades a realizar no sa totalmente empenhada e dedicada à vida domini-
próximo mês de Outubro, em Fátima. Tivemos a cana: Yosé Höhne-Sparborth.
preciosa colaboração dos leigos portugueses através
do seu presidente provincial.

Estamos muito honrados que o nosso Mestre
Geral Fr Bruno Cadoré venha até Fátima para nos
falar sobre este tema e também para se encontrar
connosco enquanto Leigos Dominicanos da Euro-
pa, partilhando as nossas questões, preocupações e
alegrias. E naturalmente é uma grande alegria ter-
mos também a participação do antigo Mestre Geral
Fr. Timothy Radcliffe, o qual tem sido uma inspira-
ção ao longo dos anos através das suas conferências,
Fátima é realmente um lugar especial de graça. artigos e livros, e que desta vez partilhará a sua visão
Por estes dias a Igreja celebra o encontro das três sobre o tema da nossa Assembleia: Leigos Domini-
crianças com a Virgem Maria, ocorrido precisamen- canos, Pregadores da Esperança.
te há 100 anos. Maria transmitiu-lhes várias mensa- Yosé Höhne-Sparborth
gens dirigidas ao mundo e muitos milhões de pesso- trabalhou longos anos
as desde então tem vindo a Fátima em peregrinação, com grupos de cristão
colocando a sua confiança em Nossa Senhora. Por traumatizados na Colôm-
isso, teve especial significado que nós, Leigos Domi- bia, vítima de violência.
nicanos da europa venhamos a realizar a nossa 10ª Presentemente, realiza
Assembleia naquele local. igual trabalho com gru-
Recebemos também e publicamos no site do pos de cristãos oriundos
ECLDF, como sinal de Graça, os diversos contribu- do Iraque. Está profundamente envolvida em pro-
tos para a Rede de Pregadores da Esperança por par- jectos liderados pelo Fr. Yousif Thomas Mirkis, do-
te de leigos de quase todas as Províncias e Vicariatos minicano que foi nomeado bispo caldeu de Kir-
europeus. Tais testemunhos tem contribuído para a kurk. Yosé virá falar-nos de como é possível sermos
renovação no nosso website, tornando-o um local pregadores da esperança mesmo nas situações mais
mais vivo e verdadeiramente inspirador. desesperadas. Em reuniões de grupos por diferentes
Tal tema, concretamente o facto de sermos Lei- línguas, discutiremos o que iremos ouvir e sobre
gos Dominicanos chamados a sermos enviados co- como poderemos ser pregadores da esperança.
mo Pregadores da Esperança será o tema principal
na nossa 10ª Assembleia Europeia. É com alegria (continua na pág.6)
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Laicado Dominicano Abr.Mai. 2017

ORAÇÃO PELA PAZ
Eu sonhei
Que os homens, um dia se levantarão
E compreenderão finalmente
Que foram feitos para viverem em conjunto,
Como irmãos.

Sonhei
Que um dia, cada negro deste país,
Cada homem de cor do mundo inteiro
Será julgado segundo o seu valor pessoal
E não segundo a cor da sua pele.
E que as nações não se levantarão como inimigas.
Sonhei
Que um dia a justiça brotará como a água E que ninguém terá medo.
E o direito como uma corrente caudalosa. Será um dia maravilhoso.
As estrelas da manhã cantarão em côro
Sonhei E os filhos de Deus saltarão de alegria.
Que um dia a guerra terminará Martin Luther King

Martin Luther King Jr. (Atlanta, 15 de janei- Have a Dream".
ro de 1929 — Memphis, 4 de abril de 1968) foi Em 14 de outubro de 1964 King recebeu
um pastor protestante e ativista político norte- o Prémio Nobel da Paz pelo combate à desigualdade
americano. Tornou-se um dos mais importantes líde- racial através da não violência. Nos anos que antece-
res do movimento dos direitos civis dos negros nos deram a sua morte, expandiu o seu foco para incluir
Estados Unidos, e no mundo, com uma campanha a pobreza e a Guerra do Vietnam, com um discurso
de não violência e de amor ao próximo. de 1967 intitulado "Além do Vietnam".
Como ministro Batista, King tornou-se um ativis- King foi assassinado em 4 de abril de 1968,
ta dos direitos civis no início de sua carreira. Liderou em Memphis, Tennessee. Recebeu postumamente
em 1955 o boicote aos autocarros de Montgomery a Medalha Presidencial da Liberdade em 1977 e a
(onde havia lugares separados para brancos e negros) Medalha de Ouro do Congresso em 2004.
e ajudou a fundar a Conferência da Liderança Cristã
do Sul (SCLC), em 1957, servindo como seu primei- NOTA : Por ocasião da visita do presidente dos
ro presidente. Os seus esforços levaram à Marcha USA ao Papa Francisco, Trump ofereceu-lhe uma
sobre Washington de 1963, onde fez seu discurso "I colecção de livros de autoria de Luther King.

F i c h a T é c n i c a
Jornal bimensal Colaboração: Maria da Paz Ramos
Publicação Periódica nº 119112 / ISSN: 1645-443X
ISSN: 1645-443X Administração: Maria do Céu Silva (919506161)
Propriedade: Fraternidade Leigas de São Domingos Rua Comendador Oliveira e Carmo, 26 2º Dtº
2800– 476 Cova da Piedade
Contribuinte: 502 294 833
Depósito legal: 86929/95 Endereço: Praça D. Afonso V, nº 86,
4150-024 PORTO
Direcção e Redacção E-mail: laicado@gmail.com
Cristina Busto (933286355) Tiragem: 370 exemplares
Maria do Carmo Silva Ramos (966403075)
Os artigos publicados expressam apenas
a o p i n i ã o d o s s e u s a u t o r e s .
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