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Epistemologia

Epistemologia (do grego ἐπιστήμη [episteme]: conheci- mento científico, ciência; λόγος [logos]: discurso, estudo de) é o ramo da filosofia que trata da natureza, etapas e limites do conhecimento humano, especialmente nas relações que se estabelecem entre o sujeito e o objeto do conhecimento. Nesse sentido, pode ser também cha- mada teoria do conhecimento ou gnosiologia. Em sen- tido mais restrito, refere-se às condições sob as quais se pode produzir o conhecimento científico e dos modos para alcançá-lo, avaliando a consistência lógica de teo- rias. Nesse caso, identifica-se com a filosofia da ciência.

Existem limites epistemológicos, que se devem ao fato de a diversidade e a complexidade dos seres humanos e dos ambientes onde estes se desenvolvem tornarem vir- tualmente impossíveis os procedimentos de controle ex- perimental.

Relaciona-se também com a metafísica. A sua proble- mática compreende a questão da possibilidade do conhe- cimento - nomeadamente, se é possível ao ser humano retratar o conhecimento total e genuíno - dos limites do conhecimento (haveria realmente uma distinção entre o mundo cognoscível e o mundo incognoscível?) e da ori- gem do conhecimento (por quais faculdades atingimos o conhecimento? Haverá conhecimento certo e errado em alguma concepção a priori?).

1 Conhecimento

Epistemologia Epistemologia (do <a href=grego ἐπιστήμη [ episteme ]: conheci- mento científico, ciência ; λόγος [ logos ]: discurso, estudo de) é o ramo da filosofia que trata da natureza , etapas e limites do conhecimento humano, especialmente nas relações que se estabelecem entre o sujeito e o objeto do conhecimento. Nesse sentido, pode ser também cha- mada teoria do conhecimento ou gnosiologia . Em sen- tido mais restrito, refere-se às condições sob as quais se pode produzir o conhecimento científico e dos modos para alcançá-lo, avaliando a consistência lógica de teo- rias. Nesse caso, identifica-se com a filosofia da ciência . Existem limites epistemológicos, que se devem ao fato de a diversidade e a complexidade dos seres humanos e dos ambientes onde estes se desenvolvem tornarem vir- tualmente impossíveis os procedimentos de controle ex- perimental. Relaciona-se também com a metafísica . A sua proble- mática compreende a questão da possibilidade do conhe- cimento - nomeadamente, se é possível ao ser humano retratar o conhecimento total e genuíno - dos limites do conhecimento (haveria realmente uma distinção entre o mundo cognoscível e o mundo incognoscível?) e da ori- gem do conhecimento (por quais faculdades atingimos o conhecimento? Haverá conhecimento certo e errado em alguma concepção a priori ?). 1 Conhecimento O conhecimento como um conjunto de crenças verdadeiras e jus- tificadas. Em geral, a epistemologia também discute o conhecimento proposicional ou o “saber que”. Esse tipo de conhecimento difere do “saber como” e do “conhe- cimento por familiaridade”. Por exemplo: sabe-se que 2 + 2 = 4 e que Napoleão foi derrotado na batalha de Waterloo . Essas formas de conhecimento diferem de saber como andar de bicicleta ou como tocar piano , e também diferem de conhecer uma determinada pessoa ou estar “familiarizado” com ela. Alguns filósofos consi- deram que há uma diferença considerável e importante entre “saber que”, “saber como” e “familiaridade” e que o principal interesse da filosofia recai sobre a primeira forma de saber. Em seu ensaio Os Problemas da Filosofia , Bertrand Rus- sell distingue o “conhecimento por descrição” (uma das formas de saber que ) do " conhecimento por familiari- dade ". Gilbert Ryle dedica atenção especial à distin- ção entre “saber que” e “saber como” em The concept of mind ( O Conceito de Mente ). Em Personal Knowledge , Michael Polanyi argumenta a favor da relevância episte- mológica do saber-como e do saber-que. Usando o exem- plo do equilíbrio envolvido no ato de andar de bicicleta, ele sugere que o conhecimento teórico da física para a manutenção do estado de equilíbrio não pode substituir o conhecimento prático sobre como andar de bicicleta. Para Polanyi, é importante saber como essas duas for- mas de conhecimento são estabelecidas e fundamenta- das. Essa posição é a mesma de Ryle, que argumenta que, se não consideramos a diferença entre saber-que e saber- como, somos inevitavelmente conduzidos a um regresso ao infinito . Mais recentemente, alguns epistemólogos ( Ernest Sosa , John Greco , Jonathan Kvanvig , Linda Trinkaus Zag- zebski ) argumentaram que a epistemologia deveria ava- liar as propriedades das pessoas (isto é, suas virtudes inte- lectuais) e não somente as propriedades das proposições ou das atitudes proposicionais da mente . Uma das razões é que as formas superiores de processamento cognitivo (como, por exemplo, o entendimento) envolveriam carac- terísticas que não podem ser avaliadas por uma aborda- gem do conhecimento que se restrinja apenas às questões clássicas da crença , verdade e justificação . 1.1 Crença No discurso comum, uma “declaração da verdade” é uma típica expressão de fé ou confiança em uma pessoa, num poder ou em outra entidade - o que inclui visões tradi- cionais. A epistemologia se preocupa com o que acre- ditamos; isso inclui a verdade e tudo que nós aceitamos 1 " id="pdf-obj-0-41" src="pdf-obj-0-41.jpg">

O conhecimento como um conjunto de crenças verdadeiras e jus- tificadas.

Em geral,

a epistemologia também discute o

conhecimento proposicional ou o “saber que”. Esse tipo de conhecimento difere do “saber como” e do “conhe- cimento por familiaridade”. Por exemplo: sabe-se que 2 + 2 = 4 e que Napoleão foi derrotado na batalha de Waterloo. Essas formas de conhecimento diferem de saber como andar de bicicleta ou como tocar piano, e também diferem de conhecer uma determinada pessoa ou estar “familiarizado” com ela. Alguns filósofos consi- deram que há uma diferença considerável e importante entre “saber que”, “saber como” e “familiaridade” e que o principal interesse da filosofia recai sobre a primeira forma de saber.

Em seu ensaio Os Problemas da Filosofia, Bertrand Rus- sell distingue o “conhecimento por descrição” (uma das formas de saber que) do "conhecimento por familiari- dade". [1] Gilbert Ryle dedica atenção especial à distin- ção entre “saber que” e “saber como” em The concept of mind (O Conceito de Mente). [2] Em Personal Knowledge, Michael Polanyi argumenta a favor da relevância episte- mológica do saber-como e do saber-que. Usando o exem- plo do equilíbrio envolvido no ato de andar de bicicleta, ele sugere que o conhecimento teórico da física para a manutenção do estado de equilíbrio não pode substituir o conhecimento prático sobre como andar de bicicleta. Para Polanyi, é importante saber como essas duas for- mas de conhecimento são estabelecidas e fundamenta- das. Essa posição é a mesma de Ryle, que argumenta que, se não consideramos a diferença entre saber-que e saber- como, somos inevitavelmente conduzidos a um regresso ao infinito.

Mais recentemente, alguns epistemólogos (Ernest Sosa, John Greco, Jonathan Kvanvig, Linda Trinkaus Zag- zebski) argumentaram que a epistemologia deveria ava- liar as propriedades das pessoas (isto é, suas virtudes inte- lectuais) e não somente as propriedades das proposições ou das atitudes proposicionais da mente. Uma das razões é que as formas superiores de processamento cognitivo (como, por exemplo, o entendimento) envolveriam carac- terísticas que não podem ser avaliadas por uma aborda- gem do conhecimento que se restrinja apenas às questões clássicas da crença, verdade e justificação.

1.1

Crença

No discurso comum, uma “declaração da verdade” é uma típica expressão de fé ou confiança em uma pessoa, num poder ou em outra entidade - o que inclui visões tradi- cionais. A epistemologia se preocupa com o que acre- ditamos; isso inclui a verdade e tudo que nós aceitamos

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5 BIBLIOGRAFIA

para nós mesmos como verdade. Desse modo, crença é:

estado mental aceitar que a proposição é verdadeira.

1.2 Verdade

A verdade não é um pré-requisito para a crença. De outro modo, se algo é conhecido, categoricamente, não pode ser falso. Por exemplo: se uma pessoa acredita que a ponte é segura o suficiente para aguentar seu peso e tenta atravessá-la, mas a ponte se quebra devido ao peso, pode- se dizer que a pessoa acreditou que a ponte era segura, mas estava errada. Não seria correto afirmar que ele sabia que a ponte era segura, pois ela, claramente, não era. Em contraste, se a ponte aguentasse seu peso, ela diria que acreditou que a ponte era segura e, agora que cruzou a ponte e provou para si que a ponte é segura, ela sabe que é segura.

  • 2 Justificação

A justificação se constitui das razões ou provas apresen- tadas em apoio à veracidade de uma crença ou de uma afirmação. É preciso, portanto, compreender as razões de uma crença e se tais razões têm um fundamento ló- gico.

  • 3 Ver também

  • 4 Referências

[1] Russell (1912), capítulo 5. [2] Ryle (2002), pp. 25-31.

  • 5 Bibliografia

BOMBASSARO, Luiz Carlos. As fronteiras da Epistemologia. 3a. ed. Petrópolis: Vozes, 1993. DESCARTES, Rene. Discurso do método. DESCARTES, Rene. Memórias. Grayling, A. C. Epistemology, in Bunnin, Nicho-

las & Tsui-James, E. P. (eds.) The Blackwell com- panion to philosophy. 2nd ed. Oxford: Blackwell,

2003.

JAPIASSU, Hilton F. O mito da neutralidade cien- tífica. Rio, Imago, 1975 (Série Logoteca), 188 p.

KANT, Imanuel. Crítica da Razão Pura. MANNHEIM, Karl. Ideologia e Utopia.

3

Russell, Bertrand The Problems of Philosophy. Home University Library, 1912. Tradução para o português.

Ryle, Gilbert. The concept of mind. The University of Chicago Press, 2002. (Publicado originalmente em 1949). ISBN 0-226-73296-7.

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6 FONTES DOS TEXTOS E IMAGENS, CONTRIBUIDORES E LICENÇAS

  • 6 Fontes dos textos e imagens, contribuidores e licenças

    • 6.1 Texto

Epistemologia Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Epistemologia?oldid=49065236 Contribuidores: JoaoMiranda, Sistema428, Robbot, PauloColacino, Manuel Anastácio, Joaotg, Scott MacLean, Mschlindwein, Rodrigo Santos, Mrcl, LeonardoRob0t, Malafaya, Alexg, Santana-freitas, Whooligan, NTBot, Sturm, Leinad-Z~ptwiki, OS2Warp, Cesarschirmer, Roberto Almeida, Águia, Danilobd, Chobot, Cmorelli, Cícero, M7bot, Ricardo Buzzo, Dantadd, Leonardo.stabile, Edrid, SOAD KoRn, CostaPPPR, Mansueto77, FSogumo, Escarbot, MSBOT, JAnDbot, Dilermando, BetBot~ptwiki, Daniel Souza, Andrelz, Acscosta, Gerbilo, Mariafernanda58, TXiKiBoT, Gunnex, Sie- Bot, Synthebot, Lechatjaune, Javali~ptwiki, Yone Fernandes, RogerTavares, Bluedenim, Jotapebresciani, Teles, Mário Henrique, Migm- ruiz, Andretrindade, Tetraktys, Nascimentoandre, Raoul Eugene, Kim richard, Heiligenfeld, LeoBot, Marceloptm, Beria, Elvire, Cafu05, Arley, Pietro Roveri, Vitor Mazuco, Maurício I, Numbo3-bot, Luckas-bot, LinkFA-Bot, José Camelo Ponte, LaaknorBot, Danielcz, Sa- lebot, Mrocktor, Aamrs, Xqbot, Darwinius, Ts42, Sadascariri, MondalorBot, Braswiki, NoORulez, HVL, Meriade, TjBot, Viniciusmc, Amalário de Metz, Dbastro, Aleph Bot, EmausBot, Vitorgrando, JorgePP, Érico, Wildstarlights, Antônio Carlos Kasprczak, Stuckkey, Wi- kitanvirBot, CocuBot, Eonzoikos, Fulaninhu, MerlIwBot, Edisonqv, Aesgareth, Shgür Datsügen, Jml3, Dexbot, Mirelli Navarra, Hume42, Prima.philosophia, Önni, Legobot, Elderson Félix, Joao Valerio, Athena in Wonderland, Nakinn, Perdao carlito, O revolucionário aliado, Gge250292, Papa Christus, Qdvcbnrt, FRGHD215 e Anónimo: 130

  • 6.2 Imagens

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  • 6.3 Licença