G. F. PONTE; A. S.

MOURA REEC – Revista Eletrônica de Engenharia Civil Vol 13 - nº 1 ( 2016)
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AVALIAÇÃO DA PREVISÃO DO COMPORTAMENTO DINÂMICO DAS
FUNDAÇÔES SUPERFICIAIS DE AEROGERADORES A PARTIR DE ENSAIOS
DE PEQUENA E GRANDE DEFORMAÇÕES
Estimated assessement of behavior dynamic the shallow foundations of wind
turbines from tests of small and large distortions
Gislene Freitas Ponte¹, Alfran Sampaio Moura²
Recebido em 06 de maio de 2016; recebido para revisão em 13 de julho de 2016; aceito em 18 de agosto de 2016;
disponível on-line em 17 de novembro de 2016.
RESUMO: O presente trabalho avalia algumas metodologias utilizadas na determinação do
módulo de deformação cisalhante para a previsão do comportamento dinâmico de fundações
superficiais de aerogeradores assentes em solos arenosos. Para avaliar o comportamento
dinâmico das fundações de máquinas, deve-se estimar a frequência de vibração do sistema
solo-fundação que é calculada em função dos parâmetros dinâmicos do solo. Tal frequência
é obtida a partir do módulo de deformação cisalhante (G), que, por sua vez, é função do nível
de deformação do solo. Por simplificações, esse parâmetro é normalmente estimado através
de ensaios estáticos, com grandes deformações, estando sujeito a imprecisões. No presente
trabalho, calcularam-se os parâmetros dinâmicos do solo do campo experimental de
fundações da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), em Bauru, a partir dos resultados
de ensaios anteriormente realizados no local por VITALI (2011). Foi considerado um
PALAVRAS CHAVE:
aerogerador com características idênticas ao aerogerador avaliado por Moura (2007) inserido
Módulo cisalhante; no solo em análise. Assim, determinaram-se as frequências de vibrações da fundação de tal
aerogerador. Tais frequências foram determinadas a partir de estimativas G por meio de
Fundações de máquinas;
ensaios estáticos e dinâmicos. Concluiu-se que as variações obtidas para o módulo cisalhante,
Comportamento com grandes e pequenas deformações, causaram um erro percentual cerca de 40% nas
dinâmico; frequências e cerca de 60% nas amplitudes de vibrações. Destacam-se, com tal resultado, as
Ensaios de grandes variações das respostas dinâmicas quando são estimados por ensaios de grande e pequena
deformação, reafirmando a importância de ensaios de pequena deformação para estimativas
deformações;
de respostas a carregamentos dinâmicos.
Ensaios de pequena
ABSTRACT: This work evaluates some methodologies used in the determination of shear
deformação. modulus to predict the dynamic behavior of shallow foundations of wind turbines on sandy
soils. To evaluate the dynamic behavior of machine foundations, it is necessary to estimate
KEYWORDS: the frequency of vibration of the soil-foundation system that is calculated based on dynamic
parameters of the soil. This frequency is a function of the shear modulus of elasticity (G), which
Shear modulus; changes according to the level of deformation. For simplification, usually, this parameter is
Machine foundations; estimated by static testing, with large deformations, and the results are, frequently,
inaccurate. In this study, it was determined the dynamic soil parameters of the experimental
Dynamic behavior;
field of foundations of the State University of São Paulo (UNESP) in Bauru, from the results of
Test with large tests on site with large and small deformations, by VITALI (2011). Considering the use of a
deformations; wind turbine with identical characteristics to the wind turbine rated by Moura (2007), it was
Test with small obtained the frequency of vibration of its foundation. The frequencies were determined from
G, which was estimated by static and dynamic tests. It was concluded that the variations
deformations. obtained for the shear modulus, with large and small deformations, caused percentage error
of about 40% in frequency and about 60% in vibration amplitudes.
* Contato com os autores:
1 e-mail: gisleneponte@gmail.com ( G. F. Ponte)
Engenheira Civil, Mestranda em Geotecnia na Universidade Federal do Ceará.
2 e-mail: alfransampaio@gmail.com (A. S. Moura)
Doutor em Geotecnia, Professor Adjunto da Universidade Federal do Ceará.

ISSN: 2179-0612 D.O.I. 10.5216/reec.V13i1.40950 © 2016-2017 REEC - Todos os direitos reservados.

deformação cisalhante (G). Tais O módulo de cisalhamento (G) é definido vibrações de máquinas podem atingir frequências pela relação entre uma tensão cisalhante aplicada e nocivas à estrutura. como sensibilidade do coeficiente de Poisson em também pela crescente demanda de energia problemas geotécnicos. Gmax.G. A. De deformação. Gmax. sistema máquina-fundação-solo é mais comumente . devem. diminui. conjunto fundação-solo. têm-se valores dependentes da interação cisalhante cíclico simétrico. dentre conjunto fundação-solo ocorrerá o fenômeno da eles destaca-se o nível de deformação cisalhante ressonância. A inclinação de uma reta se determinar os parâmetros dinâmicos do solo para secante formada por qualquer ponto da curva e da estimar a frequência natural de vibração do origem resulta no módulo de cisalhamento secante. F. o módulo secante. Segundo solicitações dinâmicas podem ser previstas pela Moura (2007). COMPORTAMENTO DINÂMICO DOS SOSLOS E MÉTODOS DE FUNDAÇÕES DE MÁQUINAS A energia eólica vem se tornando uma fonte de energia elétrica cada vez mais competitiva. A Um dos fatores que mais influenciam na inclinação da reta tangente. estrutura em questão ou até mesmo seu colapso. estimativa da frequência de vibração é o módulo de define o módulo de cisalhamento máximo. Com inicial nula é chamada de curva básica (Figura 1) e isso. de G. deformação dos solos resistência e deformabilidade da estrutura. Conforme Morgan e Moore (1968). torna-se igual ao forma que é possível determinar o valor de G com módulo máximo. o módulo de deformação quanto grandes deformações no solo. utilizam o Ceará como uma das melhores regiões do mundo módulo de deformação cisalhante (G) e o para o aproveitamento eólico. Se a frequência da máquina se a distorção por ela provocada. ou como um quando o mesmo for obtido por ensaios geotécnicos conjunto de molas lineares sem peso. de um valor de ν com base no tipo de solo e a Como problemática. constitui a base para a caracterização do além da necessidade de definir os parâmetros de comportamento tensão vs. e à medida que a amplitude ensaios geotécnicos de campo tanto com pequenas de deformação aumenta. para fundações superficiais de aerogeradores. com tensão cisalhante da mesma com o solo na qual está inserida. INTRODUÇÃO 3. no numéricos. Pesquisas apontaram o Estado do utilização de modelos que. quase sempre. associado àquela deformação cisalhante. graças ao acelerado crescimento tecnológico e ao Kramer (1996) as respostas dos solos sujeitos às aumento do domínio sobre o assunto. G. do e amplitude de vibração do conjunto solo-fundação. como. para análises não lineares. Os métodos de cálculo para obtenção da frequência de vibração das fundações superficiais 2. emitem vibrações durante a operação. a partir dos valores de frequência podem ser de translação como de rotação. G. tem-se que máquinas atenção especial é dada apenas na caracterização em geral. como um semi-espaço elástico. podendo causar sérios danos à imposto. OBJETIVO de máquinas podem ser agrupados em métodos O objetivo principal do presente estudo é empíricos: com modelos que consideram o solo comparar a influência do módulo cisalhante. que tanto de aerogeradores. é prática comum à adoção resultante de seu desenvolvimento econômico. A curva tensão versus deformação de um Para a frequência de vibração da corpo de prova submetido a um carregamento fundação. os aerogeradores. e em métodos de grande e pequena deformação. comportamento dinâmico de fundações superficiais A estimativa dos movimentos. por exemplo. a partir da origem.nº 1 ( 2016) 96 1. PONTE. MOURA REEC – Revista Eletrônica de Engenharia Civil Vol 13 . Diversos fatores aproximar da frequência natural de vibração do afetam o módulo de cisalhamento dos solos. S. Devido à pequena potencial dos ventos alísios na região. G. não apenas pelo coeficiente de Poisson (ν). entretanto o mesmo é Observe que para valores muito baixos de variável com o nível de deformação do solo.

S. pois foi o método escolhido Q0 força de excitação externa. cujas relações por meio das Equações 3 a 5: tensão-deformação são definidas por duas constantes: o módulo cisalhante e o coeficiente de Poisson. A seguir é apresentado o método de Em que: Lysmer e Richart (1966). A proposta de Lysmer e Richart (1966) D a razão de amortecimento. e ρ a massa especifica do solo.. baseando-se na teoria da propagação de ondas em um meio elástico. onde o coeficiente de amortecimento (c) e o coeficiente de rigidez (kz) são definidos por  1   m Bz    Eq.18 que consideram o solo como um semi-espaço elástico. 1962). a frequência amortecida (fn’). Q0  (1  ) Bz Az  . Eq. com tensão cisalhante inicial nula. e a máxima superfície de um semi-espaço de dimensões amplitude de deslocamento (Az). e considera a perda de energia no maciço de solo por f n'  f n  1  D2 Eq. Eq. A. [3] hipótese de pequenas deformações necessária para 2 1    m se considerar a elasticidade linear dos solos.85   Bz  0. 425 Eq. MOURA REEC – Revista Eletrônica de Engenharia Civil Vol 13 .G. [5] A literatura apresenta diversos métodos 4  G  r0 0. [1] D  0. O método de cálculo é analítico. admite a 1 4  G  r0 fn   Eq. [2] isótropo. 1970) ou em que o solo é substituído por molas lineares sem peso (Barkan. relaciona os métodos que consideram o solo como Sendo Bz e D definidas por meio das Equações 6 e 7: um semi-espaço elástico com o sistema oscilante amortecido. Enquanto que a A teoria do semi-espaço elástico estuda as frequência natural para oscilação não amortecida vibrações de uma fundação rígida vibrante na (fn). Bz a razão de massa modificada. homogêneo e isótropo. para as estimativas do presente trabalho. FONTE: BARROS (1997). [6]  4    r0 2 meio das Equações 1 e 2: Eq. [7] Bz FIGURA 1: Curva tensão x deformação de um corpo de prova submetido a um carregamento cisalhante cíclico simétrico. F. são determinadas infinitas. elástico e semi-infinito (Richart et al.nº 1 ( 2016) 97 realizada por métodos empíricos a partir de modelos em que o solo é considerado homogêneo. r0 é o raio de uma fundação circular primeiro modelo. . [4] efeito de amortecimento. No presente estudo tem-se o enfoque maior em métodos do Sendo. PONTE.

que são ensaios de grande deformação. onde diversos estudos geotécnicos já foram realizados. down- solo como um semi-espaço elástico. o módulo UNESP Bauru. aerogerador. MOURA REEC – Revista Eletrônica de Engenharia Civil Vol 13 . que considera o os valores de G0 para os ensaios cross-hole.G. os por exemplo: cross-hole. PONTE. incluindo o ensaio relações são empíricas e que não necessariamente down-hole realizado pelo autor. Embora na na figura. Estes cisalhante (i) a partir de ensaios de pequena ensaios são: um ensaio de cross-hole e dois ensaios deformação. Figura 3d. e com pequenas deformações. em Bauru. chamado pelo autor de G0. Dessa forma. é adequado para qualquer situação. Na mesma figura são usado métodos correlacionais com o índice de apresentados os resultados de cinco ensaios de resistência de sondagens à percussão (NSPT). a proposta de Seed et al. sabe-se que os do solo estudado baseado nos ensaios SPT. além de dados das características do A área de estudo escolhida foi o campo vento local. Enquanto que no segundo caso (ii) foi através do ensaio CPT. foi possível obter de ensaios sísmicos para a caracterização do solo dados reais da geometria da fundação de um nesse Estado. geotécnico do solo e o gráfico de variação do ensaios pressionométricos (PMT) ou ensaios de NSPT com a profundidade desse solo. com pequenas 3b. onde se tem o perfil geotécnico típico resultados a partir do ensaio SPT. e (ii) a partir de sondagens à de cone sísmico (SCPT). embora os investimentos na superficiais de aerogeradores assentes em areias de matriz eólica tenham crescido bastante. como dunas. percussão. Vale ressaltar que tais realizados no campo da UNESP. direita são apresentados. A. Nesse campo. S. anteriormente. Além de mostrar a determinação de da elasticidade. down-hole e up-hole e os resultados de três ensaios interpretados por de furos com sísmica. usando cone (qc) realizados por GIACHETI et al. na qual é analisado o aerogerador do parque citado. no trabalho citado. esquematizada por arenosos e a proposta de Ohsaki e Iwasaki (1973) Vitali (2011). Giacheti et al. para prevê o hole e para os dois ensaios SCPT. Por fim. que o solo esteja sendo ensaiado em regime Onde qc é o valor da resistência de ponta obtida elástico. Campus da UNESP. analisados no presente estudo. O autor faz uma estudo de caso de um aerogerador do Estado do avaliação da metodologia de projetos de fundações Ceará (CE). se desejou trabalhar com um aerogerador de Moura (2007). F. que apresenta método de Lysmer e Richart (1966). indicado como DH. Por meio didáticos. . Logo à cone (CPT). (1983) válida para solos A Figura 3. e da relação G0/qc. usou-se o (Vs)obtidos pelos ensaios. como. que apresenta o número corrigido para a deformações são mais precisos para determinar o eficiência de 60% da energia de queda livre teórica módulo de deformação cisalhante. (2006) realizados no campus da Foi determinado. apresenta o resumo de ensaios válida para todos os solos. onde se tem o perfil sondagens de simples reconhecimento (SPT). como o cone sísmico (SCPT). (N60). essa figura é dividida maioria das obras sejam usados apenas os em: Figura 3a. experimental da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP). Figura 3c. pois nesse caso é possível admitir Gmáx. Figura ensaios de campo dinâmicos. METODOLOGIA O aerogerador hipotético inserido nesse campo apresenta as mesmas características do A priori. comportamento dinâmico da fundação de um que mostra a variação da relação G0_méd/N60_méd para aerogerador hipotético assente no subsolo do cada profundidade. ainda não é comum à prática eólico da Taíba-CE. ainda. (2003). então. ainda na Figura 2. a comparação No primeiro caso (i) foi estimado o módulo entre as velocidades da onda cisalhante (Vs) dos cisalhante por métodos de cálculo que usa a teoria ensaios citados. CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA estão disponíveis os resultados de ensaios de campo A Figura 2 apresenta à esquerda os com grandes deformações: como ensaios de resultados de dez ensaios SPT. Figura 3e. 5. entretanto.nº 1 ( 2016) 98 4. que mostra os valores de Após tais determinações. A Figura 2 mostra.

nº 1 ( 2016) 99 FIGURA 2: Ensaios sísmicos SCPT e Cross-Hole executados no campo experimental da UNESP. F. A. S. PONTE. FONTE: ROCHA (2013).G. MOURA REEC – Revista Eletrônica de Engenharia Civil Vol 13 . Bauru. . FIGURA 3: Ensaios realizados na UNESP: a) Perfil SPT b) N60 c) vs d) G0 = Gmáx (MPa) e) G0 médio/N60 médio FONTE: VITALI (2011).

F. dinâmico desejado. Gerador. PONTE. G0. ESTIMATIVAS DE GMÁX A PARTIR DE ENSAIOS FIGURA 4: Composição básica de um aerogerador FONTE: http://pt.nº 1 ( 2016) 100 6. 359 kN. com controle ativo de ângulo de passo das pás na frente da torre. comprimento 6. Escadaria de acesso. com três pás cada uma. sendo máximo na base com A Figura 4 mostra a composição básica de 2.G. A fundação do aerogerador é uma sapata quadrada de concreto armado. e. do gerador. deformação correspondente ao parâmetro 2. Devido à compatibilidade entre o nível de Em que: deformação dos ensaios sísmicos e o nível de 1.2 m. Tem-se ainda que a força de excitação externa do vento. por vezes também denominado por 9.5 m de altura. foi obtida por Moura (2007) como Q0 = 16191. Caixa de câmbio. e apresentam instalada de 5 MW. Nacela. de deformação possível. MOURA REEC – Revista Eletrônica de Engenharia Civil Vol 13 . Considerando-se que o peso específico do concreto armado seja de 25 kN/m3. deformação. partir dos resultados desses ensaios são utilizados 4. Para essas condições. pela Equação 8: . com diâmetro de 4. situado no As torres. estima-se um peso total de 3700 kN.9 kN.wikipedia. para a obtenção de Gmáx. de 9 (nove) metros de lado e 1. 129 kN. com um trabalho de Moura (2007) é o sétimo aerogerador comprimento de 18. medem cerca de litoral do estado do Ceará. para valores baixos de deformação. município de São Gonçalo do Amarante. Anemômetro. serão comparados aos valores de Gmáx 7. Adicionando-se a esse o peso da torre. 5. Ao todo cada um aerogerador de eixo horizontal. equipamento que abriga o gerador. S. 7.7 m. os eixos.54 cm de espessura. sendo o material ensaiado em regime elástico. CARACTEZIRAÇÃO DO AEROGERADOR de 46.9 m e pesando 13 kN. Controle de orientação do vento. Freio. usina eólica instalada no elétrico apresenta eixo horizontal e pesa 136 kN. um diâmetro variável. A energia cinética do vento em energia mecânica nacela pesa 129 kN. Cubo rotor. 6. da nacela. feitas em aço. Assim. tem-se a compreender as partes do aerogerador que está nacela. é necessário o mínimo 12. verifica-se que o peso da fundação é de cerca de 3038 kN. A.4 m e de rotacional no eixo do rotor acoplado às pás rotoras. 39 kN. sendo caracterizado. obtidos a partir dos resultados de ensaios de grande 8. por isso.2 m. é possível converter a o freio mecânico e o multiplicador de velocidades. pode-se O aerogerador estudado apresenta determinar o valor de Gmáx através da teoria da diâmetro do rotor de 4. 2. sentido horário de O aerogerador hipotético caracterizado no rotação. com uma potência 44 m de altura. 10. 136 kN e das três pás. como valores de referência para esse trabalho. na direção horizontal e no sentido do vento. 13.2 m. deduz-se 11.5 m e mínimo no topo com 1. Fundação. Pá rotora.org/wiki/Aerogerador. os valores de Gmáx estimados a 3. DE PEQUENA DEFORMAÇÃO consultado em abril de 2014. para melhor torre pesa 359 kN. O gerador Município de Taíba. Torre. Conexão com a rede elétrica. que. Como é indicado na Figura 1. Controle de inclinação da pá. As pás são de um total de dez unidades do parque eólico do de fibra de vidro reforçado com epoxi. No topo da torre. altura do eixo do rotor elasticidade.

29 200.1%. a curva de Gmáx hole são coerentes e podem ser explicadas pelo versus a profundidade. Nesse caso. ainda. [8] g pela Tabela 1 foram obtidos a partir da média ponderada dos valores médios de vs e de Gmáx em Em que: cada faixa de profundidade. que pelo ensaio cross-hole Vale ressaltar.9 Down-hole 339. são bastante média dos valores para todo o perfil em análise.24 215. Além disso. o seu bulbo de pressão apresenta grande Ao analisar a Figura 5 percebe-se que as profundidade. Observe. estimado. TABELA 1: Valores médios de vs e estimativas de para cada ensaio de Gmáx. Destaca-se a proximidade Dessa forma. observam-se médias de encontrada entre as curvas obtidas através do Gmáx muito próximas a partir dos ensaios down-hole ensaio SCPT2 e do ensaio down-hole. Ensaios vs (m/s) Gmáx (MPa) Cross-hole 298. MOURA REEC – Revista Eletrônica de Engenharia Civil Vol 13 . pois o mesmo é proporcional a curvas de Gmáx versus a profundidade. Observa-se. cujos pesos dessas vs é a velocidade da onda cisalhante. obtidas largura da fundação. cisalhante de forma obliqua. com uma diferença relativa de apenas tem-se que a partir do ensaio SCPT1 encontra-se 0. Nota-se. apresenta-se ligeiramente deslocada mede-se a velocidade de cisalhamento da onda em para esquerda. que embora a fundação seja rasa. sendo necessário tomar a através de ensaios sísmicos. ensaio sísmico estudado.44 201. diferentemente dos outros. variando diferença de 23.1 FIGURA 5: Gráfico comparativo das estimativas de para cada FONTE: Autoria própria. Dessa forma.5 SCPT2 335. concordantes. PONTE. FONTE: Autoria própria.G. . obteve-se uma ensaio SCPT2 até a cota de 10 m. valores médios uma faixa de valores de Gmáx que é praticamente discrepantes de Gmáx quando estimados a partir do coincidente com a faixa de Gmáx obtida a partir do ensaio cross-hole. médias foram os comprimentos das faixas γ é o peso específico. ainda.75 157.0 SCPT1 343. A Tabela 1 mostra os valores médios sentido horizontal. A. que as diferenças de obteve-se uma faixa de valores inferiores às outras estimativas de Gmáx encontradas pelo ensaio cross- faixas encontradas.7% entre esse e o valor médio consideravelmente a partir dessa cota. que de vs e de Gmáx calculados para cada ensaio medem a velocidade de propagação da onda analisado. ainda. consideradas. obtida através do ensaio próprio método executivo do ensaio. F.nº 1 ( 2016) 101  Vale observar que os valores apresentados Gmáx    vs 2   vs 2 Eq. para maiores detalhes ver Ponte g é a aceleração da gravidade. e SCPT2. (2014). pois neste cross-hole. S.

Gmáx  6220 N SPT Eq. pela proposta de Seed et de resultados de ensaios realizados com grandes al. ensaio mais utilizado para a investigação geotécnica para valores mínimos de NSPT. Essas expressões máximos de NSPT. na Equação 9 e 10. Para o presente estudo serão usadas as expressões propostas por Ohsaki e Iwasaki (1973) válida para todos os tipos de solo. todas as outras propostas estudadas em seu trabalho subestimam o valor de Gmáx. conforme a Equação 10. Tem-se uma faixa mais larga tomando os Substituindo os valores máximos e mínimos resultados mínimos obtidos a partir de Seed et al. (1983) são as mais coerentes para as estimativas de Gmáx realizadas em solos arenosos. Para o autor as propostas de Ohsaki e Iwasaki (1973) e Seed et al. média de valores igual a 48 MPa. obtida tanto a partir da proposta de SEED et al. sugere uma dessas relações na ausência do ensaio cross hole como prática recomendável para determinar o módulo Gmáx. uma faixa de variação de Gmáx variando de deformações. F. A norma interna da Petrobrás para fundações de máquinas. . Conforme visto na Figura 6. correlações de Seed et al. ESTIMATIVAS DE GMÁX A PARTIR DE ENSAIOS em cada profundidade. NSPT. e 95 MPa. e a proposta de Seed et al. (1983). por Seed et al. segundo o mesmo autor. com valores máximos e DE GRANDE DEFORMAÇÃO mínimos. e 91 MPa. conforme a Observando a Figura 6. PONTE. As mesmas relacionam variação de Gmáx variando de 0 a 179 MPa. segundo Rocha (2013). usando as obtidos a partir das correlações com o NSPT. que é o 0 a 193 MPa. facilmente encontrados nos perfis de solos brasileiros. obteve-se. em sua maioria. S. como de OHSAKI Inúmeros pesquisadores propõem e IWASAKI (1973). Além disso. com Gmáx com o NSPT do ensaio SPT.G. para valores máximos de de determinar Gmáx é a partir do ensaio cross-hole. Tal escolha foi realizada com base nas conclusões de Moura (2007). obtidos das Figuras 2. válida para as areias. pôde-se selecionar a faixa de FIGURA 6: Curvas de Gmáx versus a profundidade. de NSPT. N-1848 (2010). (1983). Enquanto que pela proposta de estão. com média de valores igual a 40 MPa. (1983) e pela correlação proposta por Ohsaki e Iwasaki (1973) são concordantes.8 Eq. correlações empíricas a fim de estimar Gmáx a partir Assim. [9] apresentando faixas praticamente sobrepostas. especialmente o ensaio SPT. (1983). nota-se que os valores estimados pelo Gmáx  11500 NSPT 0. (1983) e máximos obtidos a partir de OHSAKI e tem-se como resultado uma faixa de Gmáx variando IWASAKI (1973). [10] segundo método são maiores aos estimados pelo primeiro. variação de Gmáx com a profundidade. percebe-se que os Equação 9 e usando as correlações de Ohsaki e valores de Gmáx obtidos pela correlação proposta Iwasaki (1973). Dessa forma. obteve-se uma faixa de Japão e dos Estados Unidos. Ainda. A. mas na falta deste as relações com o ensaio SPT é aceitável dependendo do tipo de solo e de estudos anteriores para tais relações. MOURA REEC – Revista Eletrônica de Engenharia Civil Vol 13 . e ao longo da mesma.nº 1 ( 2016) 102 8. para valores no Brasil. para valores Para a maioria dos autores a melhor forma mínimos de NSPT. (1983). presentes na literatura do Ohsaki e Iwasaki (1973).

G. FONTE: Autoria própria. PONTE. cada método em que foi estimado no tópico anterior.33. completamente fora da faixa de Gmáx obtida a partir Para isso. ao AMORTECIDA (fn’) comparar os limites superiores a diferença diminui para 34%. calculado parâmetro para ensaios de grandes deformações a partir de πr02 = B2. pois a partir de 16m os ν pode ser adotado quando não se tem determinado limites superiores da faixa de ensaios SPT se valor mais adequado. tem-se a razão de massa modificada. encontram-se os valores de fn’. fundação-solo do aerogerador. Como citado anteriormente. e adotando a massa m = 370100 (kg). MOURA REEC – Revista Eletrônica de Engenharia Civil Vol 13 . a massa específica. foi possível encontrar os valores das frequências naturais de vibração do conjunto fundação-solo para cada valor médio de Gmáx. Assim. usar a proposta de Lysmer e Richard (1966). que é a massa total do aerogerador estudado. obtido a partir de cada ensaio analisado no presente trabalho. 6 e 7. e varia entre 1082. a vibração em função dos parâmetros dinâmicos do razão de amortecimento. os valores desse fundação circular equivalente. e o coeficiente de Poisson. pela solo. F. na Figura 7.361.382. r0.8 rpm ao ser estimada a partir de ensaios sísmicos. optou-se por Ao passar a considerar amortecimento. A. que tais ρ = 1740 (kg/m3).08 m. definida como a frequência de vibração quando não há amortecimento foi determinada pela Equação 3. r0 = 5. Substituindo G. Dessa forma. Percebe-se. Ménard (1975) afirma que esse valor de profundidades maiores. Observe 0.nº 1 ( 2016) 103 Note.9 e 1268.5 e 841. dado ser um solo caracterizado como arenoso. utilizou-se as Equações 4. pertencente ao Substituindo os valores anteriormente definidos na grupo que considera o solo como um semi-espaço Equação 6. pequenas deformações. ESTIMATIVA DAS FREQUÊNCIAS DE grande deformação e quando se tem ensaios de VIBRAÇÃO NÃO AMORTECIDA (fn) E pequena deformação. onde B é a base da fundação foram inferiores aos obtidos por ensaios de quadrada do aerogerador. está quase que anteriormente. constantes de rigidez elástica (kz) e de apresentados na Figura 8. 49% entre os limites de faixas inferiores da faixa de frequência obtida quando se tem ensaios de 9. que a faixa de Gmáx. definidos anteriormente. Vale lembrar que os valores encontram com a faixa de ensaios sísmicos de G foram admitidos como os valores médios de referentes. S. Enquanto que. amortecimento (c) pelas Equações 4 e 5 mostradas obtida a partir de ensaios SPT. A frequência natural (fn). e em consequência. elástico e que estima a frequência e a amplitude de Bz = 1. Logo. os cálculos de FIGURA 7: Comparações de resultados de Gmáx obtidos frequências resultaram em uma diferença de por ensaios de grandes e pequenas deformações. Assim. . adotou-se: o raio de uma de ensaios sísmicos. D = 0. assim. pela Equação 7. ν = relações subestimam os resultados de Gmáx. ν. pode-se inicialmente determinar as Equação 4. apresentados da Figura 8. para pois na prática não existe sistema sem estimar a frequência de vibração do conjunto amortecimento. ainda que as diferenças diminuem para Além disso.6 rpm ao ser estimada a partir de ensaios SPT’s. Logo se percebe que a frequência natural de vibração varia entre 549.

003 deformação. entre diferenças consideráveis. pelas propostas de Seed et al.003 e 0.008 estabelecimento das seguintes conclusões: SPTmín (Ohsaki e Iwasaki) 0. ESTIMATIVAS DA AMPLITUDE DE essa diferença nas faixas obtidas de frequências. A diferença percentual entre os limites inversamente proporcional à G (Equação 4).004 (1983) e de Ohsaki e Iwasaki (1973).005 SCPT1 0. apresentam determinada a partir de ensaios sísmicos.005 mm. S.) 0. fundação-solo do aerogerador estudado para cada ensaio analisado. Vale ensaios de grande deformação é superior à faixa de ressaltar que. Visto que a amplitude é segunda. Percebe-se que as faixas de frequência foi determinada a partir de ensaios SPT’s e amortecida obtidas a partir de ensaios de grande e apresenta uma faixa inferior quando foi pequena deformação. SCPT2 0. f n e f n' é apenas de 7%. Dessa forma. A. sendo a primeira inferior à 0.004 cerca de 3 vezes inferior ao Gmáx quando FONTE: Autoria própria.nº 1 ( 2016) 104 FIGURA 8: Frequência Natural de Vibração (fn) e Frequência Natural Amortecida (fn’) em rpm. F.G. 11. pode-se afirmar por Moura (2007) é Q0 = 16191. De mesmos daqueles obtidos para as frequências forma que a faixa de variação da amplitude para naturais.008 obtidos a partir de ensaios de grande Cross-hole 0. Nota-se que a amplitude de deslocamento  Os valores de frequência obtidos por ensaios de é estimada entre a faixa 0. MOURA REEC – Revista Eletrônica de Engenharia Civil Vol 13 .008 e 0. novamente. VIBRAÇÃO Obteve-se a diferença percentual de 74% entre os Ainda usando o método de Lysmer e limites inferiores de amplitudes obtidas a partir de Richard (1966). CONCLUSÃO Ensaios Az (mm) SPTmín (Seed et al. que o percentual de diferença entre amplitude para ensaios de pequena deformação.018 A realização deste trabalho permitiu o SPTmáx (Seed et al. foi em média Down-hole 0. iguais a 49% e 34%. respectivamente. estimado por ensaios de pequena deformação.015  No presente estudo os valores de Gmáx quando SPTmáx (Ohsaki e Iwasaki) 0. independente do método Importante notar que a diferença de determinação do Gmax. PONTE. que a sensibilidade da amplitude em relação ao parâmetro Gmáx é maior que a sensibilidade da TABELA 2: Amplitudes de vibração do conjunto frequência de vibração com o mesmo parâmetro. FONTE: Autoria própria. percentual entre as faixas de amplitudes de deslocamento obtidas a partir de ensaios de grande e pequena deformação aumentaram em relação a 10. Vale enquanto que para os limites superiores essa lembrar que a força de excitação externa calculada diferença é de 56 %.) 0. tem-se que a amplitude de vibração ensaios de grande e pequena deformação.018 mm quando grande deformação resultaram em média cerca . do solo é dada pela Equação 5 (Tabela 2).9 kN. nota-se inferiores e superiores dessas faixas continuam os um comportamento contrário ao da frequência.

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