AURORA ano III número 5 - DEZEMBRO DE 2009 ___ISSN: 1982-8004 www.marilia.unesp.

br/aurora

DO DIREITO À EDUCAÇÃO DO CAMPO:
A LUTA CONTINUA!
ADELAIDE FERREIRA COUTINHOi
Resumo: Pretende-se, nesse artigo, desvelar as relações históricas entre Estado e movimentos sociais, no
que diz respeito à oferta de educação pública aos povos do campo. Apesar de haver um debate nacional e
produções teóricas acerca desse objeto de estudo, admite-se a necessidade de continuar essas reflexões sobre
as políticas para a Educação do Campo e sobre a luta dos movimentos sociais do campo com essa
finalidade. Entende-se o campo como espaço de vida e resistência, onde trabalhadores(as) lutam por
reforma agrária e pela educação pública. Parte-se da Colônia, mas sem pretensões cronológicas e sim,
tentando verificar nas raízes históricas do fenômeno a explicação para sua manifestação.
Palavras-chave: Educação; Educação do Campo; Política Educacional; Movimentos sociais.

Summary: It is intended, in this article, to reveal the historical relations between the state and social
movements in relation to the provision of public education to the people of the field. Although there is a
national debate and theoretical studies on this subject matter, it is accepted the need to continue these
discussions on policies for the Countryside Education and the struggle of rural social movements for this
purpose. It is understood the field as living space and resistance, where workers (the) fight for agrarian
reform and public education. It starts from Cologne, but unpretentious series and yes, trying to verify the
historical roots of the phenomenon the explanation for its manifestation.

Keywords: Education, Rural education, Education Policy, Social Movements.

RAÍZES HISTÓRICAS do tempo, isto é, a fundação visa a algo tido como
perene (quase eterno) que traveja e sustenta o curso
temporal e lhe dá sentido. A fundação pretende
Para que se possa refletir sobre o direito a situar-se além do tempo, fora da história, num
educação aos homens e mulheres do campo é presente que não cessa nunca sob a multiplicidade de
necessário considerar o conjunto de forças sociais, formas ou aspectos que pode tomar (CHAUÍ, 2000,
políticas, econômicas e culturais que foram se p. 9).
engendrando no decorrer da história do Brasil, sob
os interesses do capital, e que influenciaram O fenômeno colonização é igual a
sobremaneira a oferta de educação pública a esses exploração, associada ao submetimento dos povos
sujeitos. indígenas e negros às mais cruéis formas de relações
No Brasil, esse contexto é marcado pela sociais, o que trouxe implicações para o modelo de
educação dos jesuítas que aqui chegaram chefiados educação a ser ofertado, distintamente, a cada classe
pelo Padre Manoel da Nóbrega, com a missão de social.
“educar” a nova colônia portuguesa, instituindo a A educação brasileira passa a existir nesse
fase jesuítica da educação colonial, ligada contexto e dela não se aparta a educação proposta
estritamente à política colonizadora européia a ao trabalhador(a) rural. No Brasil colônia, não se
favorecer o capitalismo de acumulação primitiva. pode falar de educação propriamente, porque “até
O processo de colonização do Brasil tem 1808, época em que aqui chegou a Família Real
como marco importante as Capitanias Hereditárias, portuguesa eram proibidos no Brasil: escolas,
cujo elemento fundamental é a posse da terra, jornais, circulação de livros, associações, discussão
sustentada pela lógica produtiva das relações sociais de idéias bibliotecas, fábricas, agremiações políticas
sob o tripé latifúndio, religião e escravidão. e qualquer outra forma de movimento cultural”
Em síntese, a educação ou sua negação ao (LIMA, 1968, p.19), ou seja, 308 anos como porto,
povo, no período supracitado, inscreve-se no fonte de matéria-prima, controlado por feitorias e
objetivo da colonização: lucro, acumulação de fortes.
riquezas, expropriação e exploração das novas terras Propositalmente, Portugal mantinha a
descobertas, traçando as marcas históricas daquilo colônia ignorante e analfabeta, condição necessária
que CHAUÍ (2000) chamou de mito fundador para manter o avanço do capitalismo nesse país,
(descobridor) que tem permanecido além daquela porém, tendência seguida pelos governantes
época. posteriores, que permitiram constatar-se no final do
Diferentemente da formação, a fundação se refere a século XX o baixo padrão de desenvolvimento da
um momento passado imaginário, tido como instante educação aos povos do campo.
originário que se mantém vivo e presente no curso

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passa a ser sem que esta fosse garantida à maioria da população tratada como uma questão nacional. daí que ao uma política de educação efetiva. edição da Constituição de 1934. Eurico Gaspar Dutra. Contudo. que também exigia particularmente à força de trabalho camponesa. Assim. Semana de Arte Moderna. em o caminho à iniciativa privada.AURORA ano III número 5 . contextos levaram.º 56. ainda. demoraria muito a se configurar e da mulher devia ser prática e utilitária. XX. Essa é a educação o capitalismo com a propriedade da terra e. e uma visão de que para tal modelo de indígenas e do século XVII ao século XIX (1888) produção não era preciso grandes investimentos em com base na escravidão do negro africano. entre as quais a política educacional. Esse fato expressa a pelo Decreto-Lei 9613/46 foi a de cursos de nível 41 .. conflitos decorrentes da luta pela terra. no período pós-guerra ofertada aos trabalhadores. Mas. tinha que se chega ao século XXI e. pois da parte das se chegar a Primeira República (1889). que poder político.915 milhões de habitantes. aos brasileiros pobres. por sua própria contradição. a elaboração de Diretrizes e Bases para a educação É nesse sentido que se ressalta que a luta nacional e a elaboração de um Plano Nacional de pela educação do campo ocorre no palco dos Educação. naquela nos cem anos de escravidão e extermínio dos povos época. até os anos 30 do século XX. educação. Movimento Tenentista. os índices de elites brasileiras. no governo Lula. O não assumir da educação como Brasileiro.marilia. por meio da brasileira em seus diversos níveis e modalidades.DEZEMBRO DE 2009 ___ISSN: 1982-8004 www. não operariado e aumentaram os movimentos consegue sair do papel. anual. pelo povo. 2001).br/aurora O latifúndio cresceu nesse país fundado necessidade de acumulação capitalista.333. estava fora da escola. foram indiferentes a educação reivindicação da educação. Constituiu-se o brasileira. promover disciplina moral e mão de obra barata para o latifúndio até os nossos adestramento físico “de maneira a prepará-la ao dias quando se aprova o II Plano Nacional de cumprimento dos seus deveres para com a Reforma Agrária. fundação do Partido Comunista como direito. fez-se aquele nível de ensino. A grande novidade da Lei foi o Artigo n. o acesso a apenas 250 mil estudantes (RIBEIRO. 2001). muito amplo de leis anunciadas e não materializadas Coluna Prestes. nas escolas primárias e que as primeiras Escolas Em termos políticos o Brasil “saiu” da Normais. posseiros e rural como fundamento para organizar a juventude imigrantes. Parágrafo Único: 2. para condição de colônia. Casa-se. Esta não era necessária ao modelo de O quadro referente a educação no século acumulação de riquezas. A população do país. tal anseio não se consolidou em verificado desde a aprovação da lei de terras. economia e a defesa da Nação”. em decorrência do Estado Novo de 1937. constituindo-se de um leque contestatórios: greves. É como se essas leis pudessem ser tinha por objetivo educar as futuras elites chamadas de a primeira cerca de arame farpado ou a condutoras. é em torno de 14. à durante séculos. A 1850. de caráter propedêutico. distante o acesso a educação. a União A introdução da educação rural nas reservará. com para os camponeses porque para os filhos da esse laço de união esta é transformada em uma burguesia agrária e industrial a educação haveria a mercadoria controlada por quem tem dinheiro e educação secundária. sempre houve um grande receio analfabetismo da população brasileira eram em quanto aos ideais políticos de liberdade e de direitos torno de 85% (RIBEIRO. o Brasil podia isentar-se de oferecer obra. só seriam criadas em 1835. A educação. “independente” e proclamou-se república. assim. época em que está no poder o general públicas. primeira semente concreta para a constituição do A lei do Ensino primário só seria aprovada campesinato sem-terra e sem acesso às políticas em 1946.unesp. apesar das revoltas dos anterior já havia indicado que apenas 10% da povos indígenas e da luta do povo negro. mas permitia que estes se tornassem no trabalho. a estrutura implantada primaram pela contensão. pela primeira vez. vinte por cento das cotas destinadas à educação no respectivo orçamento legislações brasileiras data do início do séc. visando a formação de educadores. cuja população em idade escolar se achava matriculada expressão maior está nos quilombos. Para eles a educação dos pobres do Estado. Tais As mentalidades dominantes no poder. sociais que poderiam ser estimulados caso fosse Posteriormente. mais obrigação exclusiva do Estado abriu historicamente da metade da população de quinze anos e mais. educação configura-se como um problema nacional. produzindo para o campo políticas de educação que Quanto ao ensino agrícola. constituiu-se império. no mínimo. corroborada pela abundância de mão-de- Portanto. sob a responsabilidade popular e feminina. A referida Lei restringia o direito à terra aos Constituição do Estado Novo tomaria a educação ex-escravos. (1914/1918) demarcaria o início do surto industrial Verifica-se que a educação pública e a tendência a urbanização do país. EDUCAÇÃO PARA UMA MINORIA Para realização do ensino nas zonas rurais. deixando mais 1920. fato Mas. educação.

os quais culminariam rural doméstica e em cursos (1 ano) didática do com a proposta da Pedagogia Libertadora. Os cursos pedagógicos se subdividiam em cursos de (2 dos movimentos sociais e dos círculos de cultura anos) para formar professores nas áreas de educação idealizados por Paulo Freire. seria um dos e controle ideológico pelos governos militares. a Reforma O ano de 1946 demarca a aprovação da Lei do Ensino de 1º e 2º graus (Lei nº. em outro extremo e um ciclo histórico marcado pelas ações autoritárias contrários a estes interesses. 5. de horticultura. Cultura Popular (MCP). entre outras ações agrária à realização da campanha nacional de nefastas à construção da educação no campo e na alfabetização do povo – reivindicadas pelos cidade. da Terra. culminando com o consenso capital internacional. mesmo assim. por sua vez. Porém. . num processo conflitos no campo e abri-lo para a empresa conflituoso entre os defensores da escola pública e capitalista no campo. tensões existentes no campo e a educação rural. Esses movimentos promoviam a O de 2º ciclo era constituído dos cursos técnicos (3 Alfabetização da população rural e urbana anos).024 foi aprovada em 1961. Por sua vez. setores da igreja e da iniciativa privada. se ofertar a educação rural em contraposição aos O período do chamado nacional. de laticínios e de mecânica agrícola. no século XX afeta a educação e também ajuda a culturais no início dos anos 60. quando ocorreu com maior intensidade 42 . Movimento de Educação de Base (MEB). da política e da educação popular ocorreram. após instrumentos de correspondência às práticas 64. em 1970. do políticas. movimentos de base democrática. de marginalizadas.540/68). 2001). Outras medidas de política educacional continuavam as restrições àqueles que faziam opção arrefeceram e deram nova dimensão ao ímpeto de por cursos profissionalizantes. EDUCAÇÃO RURAL: UM PROPÓSITO Paralelamente. que tem ensino agrícola e administração do ensino agrícola nesse último o seu maior expoente. trazendo um novo significado para a Todo o contexto de crises vivido pelo país educação rural e popular: os movimentos político. Porém. Os mecanismos desenvolvimentismo é marcado por intensas lutas mais intensos se deram pela criação. 3. a e intelectuais a seu serviço. militares entre os projetos Mariani e Lacerda. realidade educacional mostrava que 50% da população em idade escolar estavam fora da escola. o Movimento de Chegou-se a década de 20. e suas reformas da Educação a partir de 1968: a abusivas de poder. numa forte aliança entre o da escola privada. Esses movimentos foram alvo de repressão assim chamada pelos legisladores.DEZEMBRO DE 2009 ___ISSN: 1982-8004 www. analfabetos. latifundiários. a burguesia nacional. educadores. transformação da realidade social produzida pelo interessava ao capitalismo conter e controlar a mesmo. associado ao americanos e brasileiros). Os de formação se subdividiam em (CNBB). fortaleceu a diversos segmentos das elites. em quatro séculos. e articulado do Estado brasileiro. caçou as liberdades socialistas veiculados. capital internacional e nacional. Nacional dos Estudantes (UNE). Várias (RIBEIRO. 2001.º trabalhadores da agricultura. 4. de práticas veterinárias. 150) comunidades rurais adotaram a educação libertadora como filosofia de luta e resistência ao Será que a educação no meio rural passou a capitalismo e como ferramenta de apoio à luta pela ser prioridade? Evidente que não. partidos de esquerda e muitos Com os governos militares fecha-se mais movimentos populares. às reformas . tais como:de agricultura.º grau num ciclo de oito cursos as outras modalidades. 692/71) que Orgânica do Ensino Agrícola para a formação de estabelecia a profissionalização do Ensino de 2. com destaque para revelar o quanto o Estado. que culminou com partidos de direita (União Democrática Nacional) e o desmonte da educação pública. Reforma Universitária (Lei nº.marilia. não os Centros Populares de Cultura (CPC) da União havia priorizado a educação popular e do campo. fatos importantes no campo ANUNCIADO E NÃO REALIZADO da cultura. se subdividia em básico (4 anos) e de maestria (2 anos). um instrumento para desarticular os resultante dessas disputas. militares.unesp. p. O de 1º ciclo.da reforma políticas individuais e coletivas. em que os movimentos sociais (operários Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) e camponeses) passam a exigir reformas de base. 5.AURORA ano III número 5 . os empresários (norte. em Pernambuco e o 75% da população analfabeta (RIBEIRO. da De 1889 a 1930 viveu-se o ruralismo pedagógico.br/aurora médio divididos em cursos de formação e cursos Conferência Nacional dos Bispos do Brasil pedagógicos. séries. trabalhadores. aproximadamente. com. Unem-se a eles estudantes. a partir dos referenciais teóricos zootecnia. É nesse período que se publica o Estatuto A LDB nº. cursos de 1º e 2º ciclos. de indústrias constituídos da unidade entre a política das lutas agrícolas. equiparando esses grau e definia o ensino de 1. controlou ideologicamente as mídia unem-se em contraposição aos ideais lutas sociais desmobilizando-as.à época o Brasil tinha um percentual 33% de econômicas e sociais.

69% da população brasileira Superintendência de Desenvolvimento do Sul estavam no campo. arrendatários e bóias-frias não para superar tal condição. eis a proposta do Rural. No 1964 são elaborados Projetos educacionais para o campo começa a crescente mecanização. OS DESCAMINHOS DA EDUCAÇÃO Brasil /EUA. PIPMOA – Programa Intensivo de Preparação de evidenciando-se. United Satates Agency trabalhadores que soubessem. oferecida conservava duas lógicas: a seletividade todas. a educação rural não foi sequer mencionada nos textos constitucionais de 1824 e 1891. MINISTÉRIO DA Treinamento e Ação Comunitária (1965) e Projeto EDUCAÇÃO. Fundação kellog. Agency rudimentos de leitura e escrita. foram os acordos 3. Institui-se a ideologia do desenvolvimento movimentos que ligavam o atraso brasileiro à comunitário. SUPRA – Superintendência dirigentes com a educação do campo e. com os mesmos objetivos anteriores. AIS. 2002) Rondon (1968). leiga. INDA. por meio da Aliança para o Progresso. p. O governo cria INDUSTRIAL órgãos que controlariam o campo (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). gratuita. Deles surgem a Campanha de Educação de ruralismo pedagógico. sendo que nessas entidades os educação e a reconheciam como a única solução trabalhadores rurais. os camponeses fracassaram como combate à carência. do outro. Instituto Nacional de 1960 o percentual era de 55%.unesp. pela evitando possíveis movimentos contestatórios. De 1945 a chamado processo de industrialização brasileiro. na terra e o acesso a conter as lutas camponesas. todos com o propósito de trabalhar. à subnutrição. intensificação dos conflitos de terra pela conselhos comunitários rurais. O objetivo da educação rural Nacional de Educação Rural e o Serviço Social era “fixar o homem ao campo”.AURORA ano III número 5 . o descaso dos Mão de Obra Agrícola. Assim. agora favoreceriam o modelo urbano-industrial ou do sob o controle do novo colonizador. agências norte-americanas para o pelo não acesso e a exclusão pela reprovação e desenvolvimento a solução para o campo era a repetência no interior da escola. Em 1940.7. Adultos e as Missões Rurais de Educação de Na década de 30 já se consolidavam Adultos. INBRA. merecendo especial destaque a O Estado brasileiro continuou a criar abrangência do tratamento dado ao tema a partir de órgãos. em 1950 totalizavam 64% e em (SUDESUL). qual educação formal (escolar). todas as constituições contemplaram a educação favorecê-los. os de Políticas de Reforma Agrária criada (1964). em que pese o Brasil ter sido objetivos propostos ao desenvolvimento e a considerado um país de origem eminentemente educação rural. Para os patrocinadores/executores dessas A sociedade em processo de políticas: Aliança para o Progresso. Também. resquícios de matrizes culturais vinculadas a uma CRUTACs – Centros Rurais Universitários de economia agrária apoiada no latifúndio e no trabalho escravo (BRASIL. mas a escola International for Development (AID). educação. clubes agrícolas. Em parceria com a política obrigatória e sob a responsabilidade estatal. mas o uso de seja: educar a mão-de-obra com conhecimentos mecanismos de controle do êxodo e da pobreza. técnicos necessários à modernização do campo. os movimento do campo para as cidades revelaria o assentamentos. pelos menos. o Ministério da lança-se o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova Agricultura como um dos executores do projeto cria defendendo a educação pública. via das empresas capitalistas. entre os quais podem-se citar: agrária. Nos seus planos declararam o modelo de oferta. a campo: formações técnicas. programas e legislações visando atingir os 1934. educação escolar.1. Fundação industrialização e urbanização precisava de Rockfeller. Até então. de um lado.br/aurora o êxodo rural em direção aos centros urbanos que Por volta de 1950 realiza-se a Campanha se industrializavam. as Missões Rurais. nesse educação informal.marilia. Com esses programas substitui-se a professora rural pelos técnicos e pelos 43 . capacidades socialmente significativas e cabia a No Brasil. concentração da grande propriedade e a tentativa de Não estava posta a necessidade da adequar a escola as atividades do meio rural. Assim. é que em 1932 tinham vez nem voz. International for Development (Usaid). com dignidade. Esse significativo Colonização e Reforma Agrária (INCRA)). A resposta às reivindicações dos trabalhadores e suas organizações. as doenças e a continuaram a fracassar no sistema escolar os ignorância. numa alusão de que os sujeitos do demais pobres que buscam a escola pública no campo eram desprovidos de valores e de campo e na cidade. norte-americana colonialista cria-se a Comissão Embora a maioria da população ainda Brasileira e Americana de Educação das Populações habitasse no campo as políticas educacionais Rurais.DEZEMBRO DE 2009 ___ISSN: 1982-8004 www. ICA. a expansão produtiva e ofertariam a que já se sabia não ter ocorrido: o direito a viver e educação (informal). RURAL NUMA SOCIEDADE URBANO- que fortaleciam a política Kennedy.

escolas o fortalecimento de seu prestígio eleitoreiro.692/71. se mecanismo de discriminação por não incorporar as bem que não deixamos de sê-los. comerciais e agrícolas. iniciando-se. O MOBRAL.unesp. alterações mais importantes. mundialização econômica. tendo como camponês. o Programa sustentação ideológica foi dada pela organização de Ações Sociais Educativas e Culturais política das ligas camponesas. a escola pública ampliou seu atendimento. obrigadas a manter o ensino primário gratuito para Cria-se a Fundação Educar. Porém. sem. veio por força criação do Movimento transformações que pudessem corresponder aos Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL). Educação do campo e esta entra em processo de indefinidamente. não MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. pela omissão Todo esse conjunto de dados que de uma política nacional de educação que optou por demonstram o descaso com a educação do se articular aos interesses do latifúndio. municipalizar a educação do campo. resolver o analfabetismo e o baixo nível de em que trabalhem mais de 100 pessoas. a redução da evasão e nº. Educação Especial. Valorização do Magistério. MOVIMENTOS SOCIAIS POR UMA Para os governos militares. com o objetivo de Convém ressaltar que a aprovação da Lei promover a expansão da educação fundamental no de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Programa Nacional de Desenvolvimento de Essas pressões levam a criação do Estatuto do Comunidades Rurais (PRODECOR). contudo. rural. pós-64. Mesmo Fundamental. pensou A educação brasileira nos anos 80 sofreria educar os analfabetos a revelia da situação novo impacto ao ser afetada pelo processo de econômico-política do Brasil. mas a essência da fundamentais. conformidade com o olhar dos europeus para os cultural do camponês e viria a ser mais um “índios” e os negros no Brasil colônia e império.4. submetimento aos interesses urbanos e do capital. Cultura e Desporto. são escolarização. fato que expressa as contradições do processo. Em meados daquela apesar das lutas históricas em favor do direito à década o padrão de acumulação capitalista sofreu as terra pela via da reforma agrária. evidenciar-se grandes anos 60. 5.024/61. 26. 2001). ainda que 44 . o EDUCAÇÃO DO CAMPO: UMA analfabetismo e a falta de educação para o campo CONTRAPOSIÇÃO À EDUCAÇÃO RURAL “era uma dolorosa e incurável chaga”. e a novas medidas em O modelo de educação rural viável nos educação rural. de 1948 a 1961 . entre 1980 a 1985. 1981). o procedimento foi exploração permanece. Ensino Médio. provocaram atitudes contestatórias cuja financiadores o POLONORDESTE. Assim. Pré-escolar. mudaram os demandas escolares do campo em suas orientações instrumentos da colonização. Adultos. já na Nova República. criada pelo Decreto 62.omitiu-se sobre a que atuavam no ensino rural continuaram. do homem do campo. e interesses globais da população rural por educação.br/aurora extensionistas universitários (professores e Nos anos 70 elabora-se o Plano Setorial de estudantes). em distanciada das necessidades e da realidade sócio. lei: “As empresas industriais. conforme se verifica no artigo 31 dessa Ceará. financiado pelo BIRD e governo responsabilidade pela educação primária federal. Hoje. Resultado: não erradicaram vivenciada intensamente nos países capitalistas o analfabetismo e contiveram homens e mulheres centrais. p.marilia. não trouxe grandes mudanças no da repetência. juntamente com a Universidade Federal do camponesa. É possível dizer-se que o Estado brasileiro aprovam-se acordos com organismos internacionais transfere para a iniciativa dos empresários a e o EDURURAL. em 1967. em1963. Parecia haver um receio. esta. silenciando as reestruturação produtiva do capital. Educação de Jovens e assim. tarefa de erradicar o analfabetismo. Trabalhador Rural.484/68. dos estatutos da Fundação Mobral. buscou diminuir as tensões sociais no campo. conseguindo este objetivo e. fez-se internacional sobre os camponeses. bem como outros projetos posteriores. campo. dos Sindicatos de (PRONASEC) para as populações carentes do meio Trabalhadores Rurais e de entidades semelhantes. direitos não garantidos porque os políticos de plantão viam na criação de até hoje. já reais causas da exclusão. cuja ação decisiva ocorreu apenas em 1970 (SOUZA. ou seja. também com a seus servidores e os filhos desses” (BRASIL.DEZEMBRO DE 2009 ___ISSN: 1982-8004 www. destaca-se que o aprovada após um longo processo de conflitos e currículo das escolas e a formação dos professores consensos. a melhoria do ensino. de ambas as partes o Programa Nacional de Alfabetização e Cidadania (Estado e empresários) em ampliar a escola pública (PNAC) com a perspectiva de promover o Ensino e ter seus privilégios postos em perigo. 4. Para o Nordeste. sob o paradigma urbano. a olhar do Estado e das burguesias nacional e aprovação da Lei de Educação nº. O longo percurso histórico demonstra o No auge da ditadura militar após 64. Educação.AURORA ano III número 5 . a valorização da escola e do trabalho cenário da oferta de educação ao camponês . sob a égide do modelo neoliberal e da no campo à mercê do latifúndio e da pobreza.

realizadas pelos programas. de imediato. 48 milhões de quais o Brasil.394/96. inspirada no toyotismo e campo. interesses nacionais. mecanismos que pudessem O Brasil ao formular as políticas de atender a educação do campo.10. na Taylândia é um marco desse chegamos aos anos 90 com um déficit histórico comportamento. II educacionais está em íntima relação como atual . anteriormente. a para a competitividade internacional.organização escolar própria. a nova privadas. Municípios e Distrito Federal Os impactos sociais dessas mudanças 25%.marilia. a política educacional.DEZEMBRO DE 2009 ___ISSN: 1982-8004 www. a Ciência e a Cultura (UNESCO).172/2001.nem para a cidade . Retomam-se as Básica (elege o Ensino Fundamental) e definiu Conferências Brasileiras de Educação e durante o diretrizes em educação a serem seguidas por todas processo Constituinte de 1987 a 1988 ocorrem os as esferas administrativas da educação brasileira. Tentavam mudar o medidas de política educacional que estão sendo comportamento do homem e da mulher do campo. 9. das imposições das empresas transnacionais que A constituição de 1988 garantiu a procuravam adequar-se aos novos padrões gratuidade e obrigatoriedade do ensino organizacionais e tecnológicos. Assim. considerando sua educação nos anos 90 não visa atender só aos história e cultura. mas é o capitalismo que planeja o os sistemas de ensino promoverão adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida planejamento das políticas publicas (CALAZANS. que traçou como prioridade a Educação em Defesa da Escola Pública. liderada pelo Fórum Nacional Todos. diversos confrontos e pressões. leia-se fortalecer o capitalismo no industrial e organizacional. Para as empresas fundamental. capitalismo. bem como de regulamentação do financiamento da educação: responderem ao avanço do movimento operário. III – adequação à natureza do escolaridade. a nacionais punha-se a necessidade de se prepararem definição da Educação Infantil de 0 a 06 anos. mas as diretrizes mundiais para a educação. (SAVIANI. Estado não se revelou capaz de democratizar o A Conferência Mundial de Educação para ensino nem para o campo . entre estas. que se caracterizavam por altos analfabetos. 2001. por meio da Lei haviam lhes concedido. é que a LDB nº. consolidou. a Os programas e projetos dos anos aprovação do Plano Nacional de Educação em 2001 posteriores à ditadura invadiram. A partir desses pressupostos parte-se para a chegam ao campo e vão influenciar decisivamente o elaboração da nova Lei de Diretrizes Bases da processo de produção e as diretrizes para oferta de Educação Nacional Lei 9394/96 e do Plano educação. para terem acesso às verbas públicas para LDB 9. Este demanda maior grau de condições climáticas. que apenas predominantemente. focaliza e privatiza a Nesse aspecto. apesar dos avanços. p. em Jomtien. Como se percebeu. flexibilidade. mas em contrapartida descentraliza. em decorrência destituição de suas identidades. Destaca-se ainda. não se oferta de educação. inclusive de escolas Aprovam-se a Constituição de 1988. o campo descaracterizando a confirma o que está contido na nova LDB e nas cultura campesina. I – conteúdos 1996).e Todos. promovendo uma educação especifica de nas formas flexíveis de acumulação. quando convocou países. entre os (SAVIANI. progressivo ao ensino médio. por meio da Lei nº.br/aurora de forma incipiente.unesp. ou seja. Estados. nesse período.AURORA ano III número 5 . 2006). entre as elites. UM NOVO CICLO DE LUTAS EM (FMI) Organização das Nações Unidas para a FAVOR DA EDUCAÇÃO PÚBLICA Educação. rural e de cada região. Em decorrência quando ocorre uma mobilização nacional em defesa aprova-se em 1993 o Plano Decenal de Educação para da Escola Pública. Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). incluindo a adequação do calendário escolas às fase do ciclo agrícola e às estágio do capitalismo.394/96 que é reformulada por meio da a educação. numa trama de relações a nº9424/96 do Fundo Nacional de que Saviani (1988) denominou de autoritarismos e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de consensos desmobilizador (1968) e triunfante(1971) Valorização do Magistério (FUNDEF). declara Nacional de Educação. qualificação técnica para trabalho na zona rural. que as constituições de 1967 e de 1969 Emenda Constitucional nº14/2006. projetos e campanhas impondo comportamentos adequados ao progresso para a Educação Básica e das parcerias com o 45 . anunciadas por suas agências (Banco Mundial (BM). não se pode esquecer que “não é o planejamento das políticas públicas que planeja o Na oferta da educação básica para a população rural. o Organização Mundial do Comércio (OMC)).1. 172) atender ao processo de acumulação. especialmente. Fundo Monetário Internacional 4. em seu artigo 28 que: Contudo. União 18%. curriculares e metodologias apropriadas às reais A necessidade de se elaborar políticas necessidades e interesses dos alunos da zona rural. o processo de reengenharia social-técnico. Esse quadro de Educação tem sua índices de pobreza e um grande número de crianças marca em 1985 com a chamada “Nova República” de 7 a 14 anos fora da escola.

A Lei 9. além da formação dos educadores donos de fazendas que criaram as famosas (as) do povo. movimentos sociais do campo. lideram um Agricultores – MPA. Sucessivos governos No campo estão os sujeitos sociais cujo tentaram sujeitá-lo a um tipo de educação vínculo maior se faz com a terra. Programa Dinheiro Direto na Escola. 4. também. Movimentos das Mulheres pobreza. um novo modo de ver o campo trabalhadores assalariados e. até que em 2001 o MEC resolveu aprovar as do campo como sujeito da história e da pedagogia diretrizes operacionais para a educação do campo. o Estado aprovaria o Nacional do Livro Didático.394/96 ao tratar da educação do É necessário considerar-se que na história campo. artesãos. o Movimentos dos por Barragens – MAB. Toda Criança na Escola.DEZEMBRO DE 2009 ___ISSN: 1982-8004 www. extrativistas. Mais do que uma realidade organizações camponesas (MST. realizado em 1997. em especial. alimentação escolar. do seu viver e fazer cultural. Assim. predominantemente. É nesse contexto. Regional das Casas Familiares Rurais – ARCAFAR. Porém. Confederação diferente do modo de vida urbano.marilia. perversos (MANÇANO. as Diretrizes Operacionais Informática na Educação. em parceria com os latifundiários e qualidade social.3.1. União Nacional das Escolas Famílias todas as realizações materiais e não-materiais da Agrícolas no Brasil – UNEFAB. Alfabetização Solidária. Associação totalidade social. EDUCAÇÃO DO CAMPO: EM CENA OS Alfabetização e Diversidade (SECAD).br/aurora privado. visando promover educação com promover uma pseudo-educação do campo. 2002 e criaria o Grupo Permanente de Trabalho em Educação do Campo. do O resultado dessa imposição implicou se e no campo. JESUS. de vida. sem-terra. Movimento dos Atingidos sociais do campo. As políticas de educação do Estado Essa é uma resposta às pressões dos brasileiro para o campo. na incluísse todos os sujeitos do campo. por projeto de garantia de renda mínima. São povos domesticadora e atrelada a modelos econômicos indígenas. escolinhas rurais e se fizeram proliferar. Conferencias Por uma Educação Básica do Campo pode-se citar os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998 e 2004). toda vez que houve alguma sinalização de Fundamental contará com calendário próprio e. Agrária (PRONERA). que apontam para a possibilidade de uma mesma realidade. em que pese a de educação em áreas de assentamento e de reforma evidência de que campo e cidade fazem parte de agrária. apenas faz referência que o Ensino do Brasil. consolidação de uma educação básica e superior. UMA EDUCAÇÃO DO CAMPO PARA pelo Banco Mundial e MEC como alternativa de ALÉM DA LÓGICA DO CAPITAL educação ao campo. no âmbito do Ministério da Educação.2. pescadores. aliada a Reforma Agrária e ao projeto ou se elaboraram programas mirabolantes de mais amplo de constituição de uma sociedade extensão rural. 2004). garantir escola e educação com quando muito. por parte do governo. socialista. Pró– meio da Resolução CNE/CEB nº. pequenos comerciantes. por meio da educação informal ou. Movimento dos Pequenos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Os anos 90 trouxeram à cena política a Associação em Assentamentos no Estado do oferta de educação “para todos” e a questão da Maranhão – ASSEMA. o mesmo foi elaborado para o meio rural conotação escolar urbana.AURORA ano III número 5 . o campo é um Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – espaço de existência social. agricultores. que os movimentos Camponesas – MMC. nesse curso. não explicitando e muito poucas vezes com os ou pelos sujeitos do claramente qual será a política de educação do campo. que expressa CONTAG. para a Educação Básica nas Escolas do Campo. Não se reconhecia nessas políticas o povo campo. de 3 de abril de Formação e outros. MOLINA In: MOLINA. caiçaras. Universidade de Brasília (UnB) e as 1ª e 2ª 46 . pecuaristas. que passam MOVIMENTOS SOCIAIS CAMPONESES a valorizar a educação do campo sob uma nova visão: a dos movimentos sociais camponeses. (PCNs). a Secretaria de Educação Continuada. ribeirinhos. movimentos e organizações movimento nacional de luta Por uma Educação do quilombolas. assim. quilombolas. as escolinhas multisseriadas. cujo marco principal foi o I Encontro construir coletivamente um projeto político- Nacional de Educadores e Educadoras da Reforma pedagógico para as escolas camponesas que Agrária (I ENERA). atualmente indicadas 4. Programa Por força dessa luta. favoreceu uma unidade entre movimentos sociais e desempregados. Programa Nacional de Educação na Reforma bolsa-escola. política educacional ou de projeto pedagógico portanto desvincula-se a escola rural dos meios e da específico. com destaque para o usaram como parâmetros os modelos dos centros MST que já vem acumulando uma vasta experiência urbanos para promover a educação. Como exemplo. indígenas) os quais passaram a Campo.unesp. qualidade.

ao modo de produção e de organização dos povos camponeses (sem-terra. de necessário que estes mecanismos se materializem educação. mas políticas de governo que sofrem restrições no 47 . A As diretrizes destacam em seu Art. Educação almejada deve corresponder a história. educação oferecida ficou sempre a desejar. que: cultura. “Na 5. a Parágrafo Único. comporta. Brasil Alfabetizado. ribeirinhos. Ao privilegiar atenção necessária nas constituições e nas leis de operações lógicas para produzir uma realidade. pescadores. o paradigma rural se dividi-la em dois universos. Os movimentos sociais e outras modo de relação social e de organização espacial e organizações da população camponesa cultural diferente do que se passou a denominar protagonizam a luta política em defesa de uma urbano. valida suas próprias escolhas e as tornam universais Governos se sucederam no Brasil e. paradigmas apoiados na visão processos sociais e que se alarga no âmbito dos tradicional do espaço rural como sinônimo de movimentos sociais da agenda de lutas. de campo.). a baixo custo e em tempo mínimo. É fomentar políticas.. ponto de vista do acesso quanto da permanência Não se supõem que essa modalidade de com qualidade. caso contrário voltar-se-á à caminho teórico-metodológico que a educação deva velha lógica da educação rural ou se aplicarão os seguir. Porém. MOLINA In: MOLINA. empresariado do campo – leia-se latifúndio – estes. terras.2. questões à qualidade social da vida coletiva no país. educação do campo e não mais para o campo.. freqüência e da contratação de professores. atraso. visões de sociedade. usadas para uma maioria. desconsiderando a força de trabalho e a riqueza produzida por uma maioria para usufruto de uma minoria latifundiária. ancorando-se na temporalidade e saberes próprios O Estado responde as reivindicações dos estudantes. (BRASIL. valoriza o fazer pedagógico em educação e a produção de cultura e. que percebe o campo numa totalidade de seus Coexistem no Brasil. Mançano e Molina (2004) ao capital. educação. 57). seleciona o que lhe interessa como constatar-se-á que a primeira ficou sem merecer a modelo econômico e cultural. CÂMARA DE EDUCAÇÃO BÁSICA. apontam diferentes essa construção se firmam numa visão de educação paradigmas para o trato da questão do campo. da criação de mecanismos de incentivo à Devem ser feitas sob a responsabilidade do Estado. o direito 2004. CONSIDERAÇÕES FINAIS relação homem-terra esse paradigma se fortalece Verificou-se que a propósito da educação pelo princípio da exclusão de tudo que não o nacional o Estado brasileiro foi negligente. elaboradas nos últimos séculos. educação seja isolada do contexto da educação Somente no final dos anos 80 percebe-se nacional.marilia. Saberes da Terra e sociedade e nos movimentos sociais em defesa de editando as Diretrizes Operacionais para a projetos que associem as soluções exigidas por essas Educação nas Escolas do Campo. na rede de ciência e tecnologia disponível na PRONERA. é necessário ter claro a natureza da ao mesmo tempo.DEZEMBRO DE 2009 ___ISSN: 1982-8004 www. entre os quais o futuros. na memória coletiva que sinaliza aprovando programas e projetos. por sua vez. à educação jamais foi traduzido por grandes Nesse sentido os camponeses só poderiam preocupações. Daí a noção de paradigma como uma ponte princípios neoliberais de mercado: educação para ente a teoria e a realidade concreta. considerarem as múltiplas faces do Segundo Caldart (2004) as referências para desenvolvimento capitalista. busca delinear qual o melhor educação a ser ofertada. mas que não é antagônico a ele.AURORA ano III número 5 . º. Sabe-se que não são políticas de Estado. em ações transformadoras. A identidade da escola do campo é definida pela sua indígenas. camponesa por reforma agrária. no (MANÇANO. extrativistas. ao homem e a mulher do campo. artesãos. identificado pelos seus Mesmo quando de transferiu a sujeitos e pelo território em que se encontram as responsabilidade da educação rural para o diferentes identidades camponesas. projetos. destaca que se trata de uma educação apesar da instalação de escolas públicas em suas dos e não para os homens e mulheres do campo. o rural e o urbano. para além da lógica do Por sua vez. p. mas pensadas. quilombolas. a por meio de políticas públicas. Mas. qual controlar o êxodo rural e aumentar a produtividade seja: criar um paradigma necessário a construir a do campo. tradicional elege. JESUS.br/aurora O paradigma de educação do campo toma CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO como ponto de partida a realidade e a luta 2002). a não ser como mecanismo de se contrapor ao paradigma dominante tomando contenção no momento em que foi preciso para si a autoria política de sua própria história. de imobilismo. mas que seja consolidada uma educação que uma outra história da educação ao camponês é que reconheça na constituição do campesinato um possível. vinculação às questões inerentes à sua realidade. Caldart (2004). tanto do elaboradas com os próprios sujeitos desse direito. Deste modo.unesp. educação do campo e no campo. entanto.

br ARANHA. FERNANDES. Editora fundação Perseu Abramo.UFMA do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária REFERÊNCIAS PRONERA/UFMA/MST/ASSEMA/CCN/ACO NERUQ. Editora: Autores Associados. Brasília: SECAD. Mônica Castagna. 2004. K. 1978. SAVIANI. Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. Contribuições para a construção de um projeto de Educação do Campo. Brasil: mito fundador e sociedade autoritária. UNESCO. No entanto. ARROYO. Dermeval. Estórias da Educação no Brasil: de pombal a passarinho. RIBEIRO. pela Reforma Agrária e demais políticas públicas.com. Por uma educação do campo. OMC. Petrópolis. História da educação brasileira. Bernardo Mançano. 48 . MARX. RJ: Vozes. Professora do Programa campo a conquistar uma escola de qualidade. In: MOLINA. Contato: adelaide.unesp. Nº 5). Planejamento da educação no Brasil: novas estratégias em busca de novas concepções. JESUS. LIMA Lauro de Oliveira. SP: Autores Associados. Planejamento e educação no Brasil.marilia. Mónica Castagna (org.br/aurora financiamento. 2001. em decorrência dos interesses emanados da lógica do capitalismo neoliberal e de suas agências gestoras: Banco Mundial. Brasília : Editora Brasília. A nova Lei da Educação: trajetória. CALAZANS. em de Pós-Graduação em Educação e do todos os níveis e modalidades. BRASIL. Maria Luiza Santos. limites e perspectivas. Mônica Castagna.AURORA ano III número 5 . vislumbra-se que a luta política em defesa da educação pública também será o i Doutora em Educação pela Universidade Federal instrumento de luta a unir o homem e a mulher do do Rio Grande do Norte. In: KUENZER. Marilena. São Paulo: Cortez. Campinas: SP. 2002. Acácia Zeneida et all. 1989. Brasília. São Paulo: SP. Maria Lúcia de Arruda. Miguel Gonzalez. Portugal. Maria Julieta. CALDART. CHAUÍ. Lisboa: Edições 70. São Paulo: Moderna.DEZEMBRO DE 2009 ___ISSN: 1982-8004 www. importante na luta Departamento de Educação II da UFMA. Roseli Salete & MOLINA. 1989). Campinas. 2004. História da Educação. FMI. Sônia Mary Azevedo de (Ogs). 2001).). (Coleção por uma Educação Básica do Campo. 1996. 2000. DF: ‘Articulação Nacional Por Uma Educação do Campo’. MOLINA. O Campo da educação do campo. A questão Judaica. Ministério da Educação.fcoutinho@bol. Coordenadora Institucional .