GEOUSP – espaço e tempo, São Paulo, N°33, pp.

198-220, 2013

REESTRUTURAÇÃO, REESCALONAMENTO E A QUESTÃO URBANA*

Neil Brenner**

Tradução: Daniel Sanfelici; Karen Heberle

Resumo: No contexto dos debates recentes sobre escala e teoria socioespacial, esse texto explora
alguns dos limites e possibilidades das interpretações escalares dos padrões de reestruturação
urbana e regional relacionados ao pós-fordismo e ao período referente ao início do século XXI.
Inicio assinalando algumas das premissas escalares que embasaram debates sobre a questão
urbana nos anos 1970 e 1980. Eu então sugiro que, desde os anos 1990, a questão urbana tem
sido repensada conceitualmente em termos reflexivamente escalares, no contexto de debates
sobre a reestruturação urbana e regional mundial. A problemática da escala geográfica – sua
organização espacial, sua produção social, sua contestação política e reconfiguração histórica – foi,
portanto, inserida no âmago da questão urbana. As seções seguintes destacam a utilidade da
perspectiva escalar para pensar as transformações urbanas contemporâneas, mas salientam a
dificuldade persistente de definir seu conteúdo analítico distintivo. Confronto esse problema
oferecendo uma série de proposições gerais com o propósito de especificar os parâmetros
conceituais determinados das questões de escala e, por implicação, dos processos de
reescalonamento. A teorização proposta envolve um estreitamento conceitual das questões de
escala: os conceitos de escala não devem ser confundidos com aqueles de espaço, lugar, território
ou redes. Consequentemente, as geografias cambiantes e polimórficas da reestruturação urbana
não podem e não devem ser conceituadas inteiramente em termos escalares. Eu argumento,
porém, que os conceitos escalares permanecem ferramentas essenciais para decifrar algumas das
dimensões mais importantes das transformações urbanas contemporâneas.

Palavras-chave: escala; reescalonamento; reestruturação urbana; teoria espacial; questão
urbana.

RESTRUCTURING, RESCALING AND THE URBAN QUESTION

Abstract: Against the background of recent debates on scale and sociospatial theory, this essay
explores some of the limits and possibilities of scale-attuned interpretations of after-Fordist and
early 21st century patterns of urban and regional restructuring. I begin by excavating some of the
scalar presuppositions that underpinned debates on the urban question in the 1970s and 1980s. I
then suggest that, since the 1990s, the urban question has been reconceptualized in reflexively
scalar terms in the context of debates on worldwide urban and regional restructuring. The
problematic of geographical scale – its spatial organization, its social production, its political
contestation and its historical reconfiguration – has thus been inserted into the very heart of the
urban question. Subsequent sections affirm the usefulness of a scalar perspective on contemporary
urban transformations, but underscore the persistent difficulty of defining its distinctive analytical
content. I confront this problem by offering a series of general propositions intended to specify the
determinate conceptual parameters of scale questions and, by implication, rescaling processes. The
proposed theorization entails a conceptual narrowing of scale questions: concepts of scale should
not be conflated with those of space, place, territory, or networks. Consequently, the churning,
polymorphic geographies of urban restructuring cannot and should not be conceptualized entirely in
scalar terms. I argue, however, that scalar concepts remain essential tools for deciphering some of
the key dimensions of contemporary urban transformations.

Key Words: scale; rescaling; urban restructuring; spatial theory; urban question.

*Esse texto foi originalmente publicado na revista Critical Planning, número 16, em 2009. A Geousp agradece
os editores da Critical Planning pela permissão para tradução e publicação do presente artigo.

** Neil Brenner é professor de Teoria Urbana na Harvard Graduate School of Design e coordenador do Urban
Theory Lab. Suas áreas de pesquisa incluem estudos urbanos críticos, teoria do Estado, teoria socioespacial e
economia geopolítica.

199 - GEOUSP - Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 33 BRENNER, NEIL

INTRODUÇÃO

Espaços de reestruturação

Escrevendo no final da década de socioespacial, o uso que Lefebvre faz de
1970, Henri Lefebvre (2009 [1979], p. 190) termos como l’irruption, l’éclatement e
afirmava que estava em curso uma “explosão l’implosion-explosion pode parecer um pouco
generalizada de espaços”, em que as caótico, impreciso e quiçá excessivamente
geografias pretéritas do capitalismo e do apocalíptico. Todavia, mesmo que o discurso
poder de Estado estavam sendo da teoria socioespacial tenha se tornado mais
dramaticamente recosturadas. A expressão diferenciado e, em alguma medida, mais
“explosão” (l’éclatement) aparece preciso, as ideias iniciais de Lefebvre ainda
frequentemente, nos escritos de Lefebvre soam verdadeiras no que se refere à
desse período, denotando um profundo realidade subjacente do capitalismo moderno
desarranjo não apenas das práticas, das e tardio. O tecido do espaço social continua
instituições e das ideologias estabelecidas, sendo recosturado mediante diversos
mas também dos espaços nos quais e por processos de reestruturação discutidos nessa
meio dos quais essas últimas se constituem. edição da revista Critical Planning. Como
Portanto, em paralelo à irrupção (l’irruption) reconheceu Lefebvre no limiar da década de
associada aos movimentos de Maio de 68 em 1970, o espaço está sempre sendo produzido
Paris (Lefebvre, 1969 [1968]), Lefebvre fala e transformado sob o capitalismo; ele nunca
de uma série de explosões que estavam, é uma realidade fixa, estática ou pré-
segundo ele, reverberando por todo o estabelecida. Nesse sentido, a noção
capitalismo mundial nesse período – por lefebvriana de “explosão de espaços” e os
exemplo, a explosão da cidade histórica, das escritos mais recentes sobre a reestruturação
grandes cidades, dos espaços metropolitanos, urbano-regional voltam-se ambos para a
das regiões, das relações centro-periferia, mesma problemática social e política. Pouco
dos espaços pretéritos, dos limites e das mais de duas décadas atrás, Soja (1987, p.
fronteiras; bem como da razão, da família, da 178) sintetizava essa problemática em
nação, da economia e da história, do termos paradigmáticos:
stalinismo e mesmo do marxismo (Lefebvre,
A reestruturação transmite a noção
2009, p. 90, p. 104, p. 109, p. 118, p. 186,
de uma ruptura com tendências
p. 214, p. 236, p. 264). Em outro momento, seculares e de uma mudança em
direção a uma ordem e uma
Lefebvre lançou sua famosa proposição de
configuração significativamente
que uma dinâmica simultânea de “implosão- diferentes da vida social, econômica e
política. Evoca, pois, uma combinação
explosão” estava transformando as
sequencial de destruição e tentativa
geografias urbanas estabelecidas em meio a de reconstrução, provenientes de
certas deficiências ou debilidades na
uma crescente generalização dos processos
ordem estabelecida que impedem
de urbanização nos espaços local, regional, adaptações convencionais e
requerem, por sua vez, significativa
nacional e, por fim, mundial. No início do
mudança estrutural [...]. A
século XXI, após várias décadas de trabalho reestruturação origina-se na crise e
em um conflito entre o velho e o
conjunto de urbanistas e geógrafos para
novo, entre uma ordem preterida e
redefinir de forma decisiva o léxico da teoria uma ordem ‘projetada’. Esse processo

exatamente. aqueles de pesquisadores espaciais para cada uma dessas indagações. em todas as reestruturação relaciona-se com uma ampla escalas espaciais. se conceituar esses espaços de reestruturação sim. Por exemplo: os processos de estabelecidas durante as três décadas que reestruturação contemporâneos prenunciam sucederam o colapso do Fordismo Norte- uma nova configuração do desenvolvimento Atlântico. desde o colapso da ordem gama de questões teóricas.]. bem como suas causas. incluindo a amplo e heterogêneo campo dos estudos dialética hegeliana. como Harvey (1982). anos. mas também.GEOUSP . quando do surgimento da revista.. a urbanos e regionais críticos tentou decifrar a fenomenologia. a hermenêutica. A reestruturação sugere fluxo e transição. ou uma política continuada ininterruptamente cambiantes do capitalismo de administração de crises. a maior influenciados por diversas correntes parte dos trabalhos mais interessantes no filosóficas e teórico-sociais. o feminismo. o “mescla complexa de continuidade e estruturalismo. explosivos e multiescalares de reestruturação expressões e implicações. social desde os anos 1970 foram Desde o início dos anos 1980. Dear e sua persistente urgência intelectual e política Scott (1982). uma mescla complexa de os debates sobre a conceituação do espaço continuidade e mudança. o marxismo. quais são suas causas. locais e escalares específicas e. vista a importância das considerações evidentemente. posturas ofensivas e décadas atrás por Soja (1989). nem “reafirmação do espaço na teoria social seus resultados são pré-determinados crítica” que foi notoriamente postulada duas [. processos de reestruturação adquirem formas Mas como. São Paulo. sua movimentos sociais no sentido de promover produção e sua transformação sob o formas de organização político-econômicas capitalismo moderno. Scott e Storper (1986) e ajuda a explicar em grande medida a muitos outros vinculados à chamada “escola . socialmente justas e apenas os já mencionados escritos de ambientalmente sustentáveis? Tendo em Lefebvre e Soja. a psicanálise e o mudança” relacionada com esses processos pós-estruturalismo. são controversa hoje como era há dezesseis moldados por arranjos institucionais. Massey (1985).. Mas a apropriação desses de reestruturação ocorridos nos anos legados foi fortemente mediada pelos turbulentos que se seguiram ao fim Fordismo inumeráveis desafios de decifrar os processos Norte-Atlântico. contornos e em constante ebulição? Os leitores da Critical ramificações? Como esses processos. Como esse campo socioespacial que vêm reverberando por todo de pesquisas indica. defensivas. Por estratégias políticas e forças sociais? um lado. NEIL não é mecânico ou automático. em Planning sabem que essa questão é tão suas formas espacialmente seletivas. territoriais. a problemática da o sistema capitalista mundial. existe hoje uma infinidade de livros Poderiam os processos de reestruturação ser e de coletâneas que confronta fecundamente conduzidos por instituições progressistas e o problema de teorizar o espaço social. Na esteira das mais políticas fundamentais no âmbito dos estudos recentes e igualmente explosivas tendências urbanos e regionais e na prática de de crise que estão rediferenciando as planejamento crítico (STORPER.200 . experimentações permanece mais urgente do que nunca. empíricas e Fordista Norte-Atlântica. tanto regulatórias e medidas improvisadas? Esses intelectual quanto politicamente. Nº 33 BRENNER. Certamente.Espaço e Tempo. a tarefa de decifrar as paisagens capitalista global. geografias já fortemente instáveis e desiguais 1992). Incluem-se aí não democratizadas. SCOTT.

2009). de difícil tradução. fixidez e mobilidade geográfica e a supranacionais e global – como um traço pré- concomitante construção e desmantelamento estabelecido da vida social. desterritorialização e e produtos produzidos. hoje. confrontada com abordagens precursoras de Neil Smith (1992) reflexividade metodológica sem precedentes. objetivo central nesse artigo. respectivamente. de aglomeração. contemporânea. recentes indicam que a questão da escala LIPIETZ. WOLF. processos de escalares são agora entendidas como arenas territorialização. contribuições desigual das relações político-econômicas. que traduzimos. 2004) – que constitui meu sendo gradativamente confrontados. em um contexto de debates mais amplos 1 O termo original. os processos de produção do ver MARSTON. TAYLOR. ou reescalonamento. TICKELL. Nº 33 BRENNER. (FRIEDMANN. sobre a reestruturação capitalista mundial.Espaço e Tempo. Por outro lado.GEOUSP . reterritorialização. em questões de escala foi estimulado não MAHON. contemporâneo (para um panorama recente. São Paulo. e. tais configurações de arranjos espaciais. em determinado momento. seminais à economia geopolítica. Igualmente.201 . 1995). 2000). as considerações entre as escalas geográficas. maleáveis das relações político- regionalização e o desenvolvimento espacial econômicas. nacionais. a tensão entre geográficas locais. esses avanços interdisciplinares mais os teóricos da regulação (JESSOP. bem como um grande número de estudos urbanos e regionais críticos após a contribuições teóricas e empíricas década de 1980 enfocaram menos na subsequentes no âmbito da geopolítica problemática do espaço social enquanto tal. Brenner utiliza escalares agora figuram explicitamente nas também os verbos “to scale” e “to rescale”. de constituição escalar do capitalismo moderno descentralização e de reconfiguração das – sua diferenciação entre unidades divisões espaciais do trabalho. econômica crítica. Essas incluem. 2000). sensíveis à questão da escala. em outro momento. NEIL de Los Angeles” (para um panorama. de localização. fortaleceram o interesse do que em diversas (e mais específicas) na dimensão escalar dos processos de dimensões e dinâmicas de reestruturação reestruturação sob o capitalismo histórico e socioespacial contemporânea. geografia ambiental perscrutaram diversas É essa última dimensão da análise formas de transformação escalar socioespacial – que. as ciências apenas pela leitura das pioneiras análises sociais há muito tempo continham premissas acerca da explosão contemporânea dos acerca da constituição escalar dos processos espaços. 1994) e as está sendo. a produção da escala Estado. 1998. mas também pelos capital e a regulação estatal até a escritos dos teóricos da cidade global urbanização e mobilização sociopolítica. PECK.T. em que denominei como a “questão de escala” os ordenamentos escalares pretéritos estão (BRENNER. à teoria do mais recentemente. substantivo que Brenner utiliza para designar o processo de reorganização/rearranjo dos vínculos Consequentemente. Meu interesse desestabilizados e reorganizados (KEIL. feitas político-econômicos – desde a acumulação de por Henri Lefebvre. e à 1 reescalonamento . . pode-se afirmar designaram. aos geográfica e o processo associado de estudos sobre movimentos sociais. por exemplo. aos estudos urbanos e regionais. ver e Erik Swyngedouw (1992) sobre o que eles SOJA. 1994. por que a maior parte das pesquisas “política de escala” e “glocalização”. é rescaling. Esses teoricamente reflexivas no campo dos escritos. tendências de portanto. 1982. contestados e. Porém. por “escalonar” e explicações mais espacialmente sensíveis e “reescalonar” e suas derivações. N. Evidentemente. regionais. Em vez de conceber a lugar.

As questão urbana. então. a questão urbana tem sido urbana. dos processos de reescalonamento. escalares. Na conceituadas inteiramente em termos terminologia de Castells (1977. O aspecto escalar do urbano território ou redes. Inicio rastreando algumas dos necessariamente. diz respeito não apenas ao contexto geográfico ou ESPAÇO. 89. ao longo dos anos 1970 e 1980. os teóricos urbanos incorporaram. 445-450). diversas premissas acerca pressupostos escalares implícitos nos da especificidade da escala urbana da debates. desde os argumento e suas implicações para a teoria anos 1990. A fim de esmiuçar esse urbana”. 1985). em seus padrões de reestruturação urbana e regional esforços para conceituar a espacialidade característicos do pós-fordismo e do início do urbana. as geografias refere-se à materialidade dos processos cambiantes e polimórficas da reestruturação sociais organizados na escala urbana. No seu trabalho clássico A seções subsequentes propugnam a questão urbana.Espaço e Tempo. São Paulo. Portanto. 235). século XXI. acerca do que Castells (1977 [1972]) por exemplo. NEIL metodologicamente reflexivas da Desde o início da década de 1970. forma urbana sob o capitalismo. p. Contrariando Enfrentarei esse problema oferecendo uma essa “ideologia urbana” universalista. Meu argumento. organização socioespacial (em contraposição. p. De . produção. por determinada no seio do modo capitalista de extensão. os reestruturação capitalista contemporânea. O aspecto algumas das dimensões fundamentais das funcional do urbano. estreitamento conceitual das questões de que para nossos propósitos podemos tratar escala: os conceitos de escala não devem ser como sua dimensão escalar e sua dimensão confundidos com os de espaço. Manuel Castells (1977 pertinência da perspectiva escalar acerca das [1972]) criticou a Escola de Chicago de transformações urbanas contemporâneas. o restante desse concentraram-se fortemente na conceituação artigo explora alguns dos limites e de espaço na investigação sobre as cidades possibilidades de interpretações escalares dos (GOTTDIENER. mas ao seu papel funcional ou “conteúdo social” (CASTELLS. Castells série de proposições gerais com o objetivo de se pôs a delimitar o papel do “sistema especificar os parâmetros conceituais urbano” enquanto uma estrutura precisos das questões de escala e. lugar. sugerirei que. em urbana não podem e não devem oposição às escalas supraurbanas. foco mais explícito de transformações urbanas contemporâneas. p. com as escalas regional. todavia. Sociologia Urbana por não ter logrado mas enfatizam a persistente dificuldade de compreender a especificidade histórica da definir seus conteúdos analíticos distintivos. pretendo revisitar brevemente reconceituada em termos reflexivamente algumas das premissas escalares que escalares no contexto de debates sobre a embasaram debates anteriores acerca da reestruturação urbana e regional mundial. Castells em A questão urbana. é o de as escalas são apreendidas como as que os conceitos escalares permanecem “unidades espaciais” diferenciadas das quais ferramentas essenciais para desvendar o capitalismo é constituído. Eu. Porém. 1977. Castells implicitamente A teorização proposta implica um discerniu duas dimensões básicas do urbano. debates sobre a questão urbana Tendo isso em vista.202 . ESCALA E A QUESTÃO URBANA abrangência territorial dos processos sociais. funcional. conhecidamente denominou de “questão nacional e global).GEOUSP . Ao fazê-lo. Nº 33 BRENNER.

ainda mais funcionalmente específico a essa escala explicitamente. Castells reiteradamente inteiramente acidental. Sob esse . amparam-se em uma concepção de escala Entretanto. A tentativa de Castells de em duas premissas compartilhadas acerca do espacializar o estruturalismo althusseriano se papel da escala geográfica na questão amparava. mas esse trabalho Saunders reduziram seu aspecto escalar – a continuou a exercer uma influência existência de “unidades espaciais” pronunciada sobre as formas de conceituar a distintamente urbanizadas no seio de um escala urbana no âmbito dos estudos sistema capitalista global desigualmente urbanos.Espaço e Tempo. portanto. problema teórico à parte. proposição alternativa de Saunders (1986) de jurídica ou produtiva. A essência da posição de “urbano” somente como uma “questão de Castells. das relações sociais. Castells (1976) começou a modificar Em razão de sua preocupação decisiva com o sua posição imediatamente após a publicação conteúdo funcional do urbano. ambas as posições no era funcionalmente específico à escala debate Castells/Saunders fundamentavam-se urbana. considerando o ponto de vista geográfica. uma escolha aleatória reconheceu a existência de processos sociais da escala geográfica. os argumentos portanto. político. Em que pese suas conclusões em mas afirmava que apenas o consumo coletivo direções opostas. múltiplos ocorrendo nas cidades capitalistas. 235-237. ambos os autores das escalas geográficas enquanto expressões concebiam a escala urbana como o núcleo espaciais de funções sociais. geográfica que podemos denominar de “soma Saunders implicitamente adotou o critério de zero” [zero-sum] – a noção de que as escalas Castells da especificidade funcional como o operam como estruturas mutuamente âmago teórico da questão urbana. assim. a definir a escala geográfica em relação à sua dimensão urbana da sociologia urbana função social. socialmente produzida ou. São Paulo. reside em sua tentativa de convenção”. histórica. empírico auto-evidente da questão urbana. em vez de concebê-lo como um apropriadamente o alcance dessa influência. Saunders tornou. nenhum dos autores Castells consiste em sua rejeição da noção de conseguiu analisar explicitamente as formas que qualquer processo social que ocorra na por meio das quais a escala urbana é cidade seja. Essa observação levou Saunders privilegiado proporcionado pelo período pós- a enxergar a organização espacial urbana 1980. a sociais localizados na cidade como especificidade da “unidade espacial” urbana justificativa para descartar a possibilidade de não poderia ser teoricamente definida com uma definição espacial coerente do urbano. p. Em segundo lugar. a possibilidade de sua transformação como apenas um resultado contingente e. Foi essa excludentes. em um entendimento urbana. como um fundamento conceitual tanto de Castells quanto de Saunders equivocado para lidar com a questão urbana. mas apenas em termos definir a sociologia urbana como o estudo dos de seu papel como lócus da reprodução da processos de consumo conservou o rótulo força de trabalho.GEOUSP . e não mutuamente premissa subjacente que permitiu a Saunders constitutivas.203 . em um sentido necessário. 445). A crítica de Peter Saunders (1986) desenvolvido – a um fato empírico pré- ao trabalho de Castells ilustra estabelecido. p. O núcleo da crítica que Saunders dirige a Consequentemente. portanto. ao chegar a essa conclusão. A relação às suas funções ideológica. Em primeiro lugar. NEIL acordo com o conhecido argumento de invocar o caráter supraurbano dos processos Castells (1977. Castells e de A questão urbana. Nº 33 BRENNER.

essas Smith. relações sociais do capitalismo eram agora Contrariamente a isso. Em seus primordial. passando pela teorização requisitos geográficos primordiais para cada neo-ricardiana de Allen J. aglomeravam. ou às formas de reestruturação funcional do processo urbano mas. A inicial de Castells foram elaboradas entre o formulação de David Harvey (1982. os mercados de trabalho Ao mesmo tempo.GEOUSP . tanto Castells quanto Saunders perspectiva de Castells fora invertida. por um critério de especificidade escalas supraurbanas. as interconexões entre as escalas específicos de aglomeração e territorialização urbana e supraurbana são hoje na escala urbana. as exteriores para a questão urbana.204 . Assim. as cidades eram acumulação. Scott (1980) sobre solução espacial [spatial fix] histórica do o nexo do solo urbano.Espaço e Tempo. Do tratamento que David os arranjos institucionais nacionais. na medida em que essas relações sociais capitalistas. final dos anos 1970 e início dos 1980. Essas análises frequentemente consideradas como multifacetadas da espacialidade urbana logo intrínsecas ao próprio conteúdo da questão convergiram para explorações mais urbana. como Doreen Massey. NEIL ângulo. o induzidas pela crise. Na realidade. desse ponto de vista. elaborando uma periodização do analisadas como sítios geográficos desenvolvimento capitalista baseada em multidimensionais onde. como veremos em analisadas em função de seus padrões breve. que alicerçavam a abordagens substituíram o critério de discussão da questão urbana em uma especificidade funcional. acerca da solução espacial redefinir a especificidade do urbano. A tarefa [spatial fix] ilustra essa tendência. Harvey começou a locais. Neil e desenvolvimento territorial. Em materialização geográfica multifacetada das primeiro lugar. Em insinuaram que as escalas geográficas oposição à sua concepção das escalas como supraurbanas seriam meros parâmetros expressões espaciais de funções sociais. Nº 33 BRENNER. a sucessivas formas históricas da urbanização. produção industrial. de uma perspectiva da lógica regimes de acumulação supranacionais e as do capital. O núcleo analítico da aos padrões de desenvolvimento espacial questão urbana não era mais a unidade desigual. estabelecido por interpretação da espacialidade capitalista nas Castells. antes. seja com relação às escalar (para um panorama dessa discussão. 1989). as conceituar de forma mais explícita o papel relações entre firmas. os Harvey (1989). concede ao problema do ambiente condições do mercado mundial – como pré- construído urbano. ver SOJA (2000)). mudanças na divisão espacial do trabalho. mas não exclusivamente. abrangentes da produção do espaço e da Inúmeras alternativas ao trabalho configuração espacial sob o capitalismo. por exemplo. à geográfico primordial para o processo de escala urbana. consistiu em escritos dos anos 1980. até a análise pós. as divisões regionais do trabalho. Harvey continuou a identificar processos sociais que se atrelavam conceber a escala urbana como um substrato intrinsecamente. Três aspectos desses papel da escala urbana como uma debates merecem destaque aqui. Estratégias metodológicas weberiana de Michael Storper e Richard análogas foram elaboradas por outros Walker (1989) sobre a aglomeração industrial pesquisadores. à fundamentada no materialismo histórico- medida que diversos pesquisadores tentavam geográfico. a análises da espacialidade urbana . e Ed Soja. capitalismo. São Paulo. as configurações de infraestrutura. os sistemas de uso do dos espaços e processos supraurbanos – por solo urbano e os processos de consumo se exemplo.

etc – a coerência mas seu significado foi sendo redefinido no da questão urbana foi profundamente contexto das discussões acerca dos processos abalada (SOJA. muitos autores analisaram historicamente mais dinâmicos da escala as transformações profundas nas relações geográfica e das configurações interescalares tanto horizontais como verticais estabelecidas foram elaborados no seio dos estudos entre as cidades. por disseminação da pesquisa sobre as sua vez. NEIL desembocaram em uma ampla gama de questões supraurbanas – a questão regional. a tendência mais recente contemporâneos depararam-se com parecia ser a de superação da própria profundas transformações na organização questão urbana. os pesquisadores escala geográfica mais multidimensionais do começaram a repensar conceitualmente a que aquelas que haviam sido. econômica. p. 1995). A questão urbana continuou a a problemática do desenvolvimento desigual. um processo que se urbanos críticos. os pesquisadores política marxiana. mas também das hierarquias mais abrangente das geografias históricas escalares mundiais e das redes interescalares desiguais do capitalismo. nos A QUESTÃO URBANA COMO ESCALA? acelerados fluxos informacionais. eram consideradas. enquanto que a escala global é. a escala urbana opera interescalares pudessem ser submetidas a como um nó local no interior de circuitos uma reestruturação não foi sistematicamente globalmente organizados de acumulação de explorada. Em terceiro vertentes da pesquisa urbana e regional lugar. Em segundo lugar. TAYLOR. constituída mediante redes de dimensões urbanas da globalização cidades e cidades-regiões interconectadas. o debate centro-periferia. Em primeiro lugar. As escalas não eram mais modo mais direto com diversos processos de vinculadas a funções sociais unitárias. na consolidação de novas hierarquias globais urbanas. estratégica das relações sociais travadas no dizia-se. Foi apenas nos anos 1990. Sob escalares estabelecidas e de que as relações esse ponto de vista. mas geográficos basilares para as transações a possibilidade de que as hierarquias econômicas (KNOX. os teóricos da metodológico. nas quais as cidades estão imbricadas. 1989. explorações da questão urbana haviam Em contraste com as concepções anteriores contribuído de modo crucial para a do urbano enquanto uma entidade escalar abrangente espacialização da economia relativamente evidente. do processo de localização. anteriormente. com a capital. saltava continuamente entre as lugar. regional. mas reescalonamento supraurbanos. que tratamentos conceituais Em segundo lugar. por exemplo. manifesta. a historicidade das escalas cidade global e os geógrafos industriais geográficas foi reconhecida somente de uma puseram ênfase na crescente importância maneira relativamente limitada. Sob essas análises introduziram concepções de essas circunstâncias.Espaço e Tempo.205 . cada vez mais. São Paulo. questão urbana de forma a relacioná-la de utilizadas.GEOUSP . e da escalas urbana. Se as globais de reestruturação urbana e regional. ser ilustrada com referência a diversas políticos sobrepostos e variados. 94-117). não obstante esse avanço atual. como Essa reorientação metodológica pode cristalizações de processos econômico. financeiros . O capital. suscitar debates intensos nos anos 1990. relegando o espaço urbano a institucional e geográfica não apenas da um simples subtema em meio ao problema escala urbana. Nº 33 BRENNER. nacional e global concentração territorial como pré-requisitos em busca de novas fontes de mais-valia.

para recompor relações 1. por múltiplos níveis espaciais”. Os arranjos escalares nacionalizados de poder. 2004). As novas bases geográficas para o formas nacionalizadas de acumulação desenvolvimento capitalista e para a de capital. e/ou para estabelecer estão sendo desestabilizados. uma organização político-econômica e da reestruturação multiescalar da espacialidade vida cotidiana.Espaço e Tempo. São Paulo. Sob as condições . reescalonamento são amplamente mas três proposições básicas parecem contempladas como um meio para alicerçar vertentes importantes das tradições afastar ou resolver tendências de de pesquisa acima mencionadas: crise. atualmente. NEIL e migratórios entre as cidades. grandes cidades. cada vez capitalista durante o período fordista. na determinado momento. fordismo norte-atlântico. urbanização (SWYNGEDOUW. as análises recentes de supranacionais. TAYLOR. hoje.GEOUSP .. A interpretação apropriada a ser feita Tanto nas cidades quanto para além sobre as transformações urbanas atuais delas. locais estratégicos de keynesiano-Bandung foram experimentação regulatória. Estratégias visando reorganizar os regulatório nacional e concedendo maior arranjos escalares pretéritos estão se importância às formas tanto supra quanto proliferando. urbanização e de lutas sociopolíticas Nesse contexto. mais dispersos coordenação interurbana (GRAHAM. na construção atuais. de regulação estatal. os “arranjos de novas infraestruturas interurbanas institucionais que. de governança político-econômica. setores. regiões Em terceiro lugar. essas estratégias de permanece objeto de consideráveis debates. incluindo aí a do Estado (nacional).] (BOYER. Nº 33 BRENNER. mais. mas também é o produto de sociedade: nações. bem como congruentes com a escala nacional em formas compensatórias de cooperação e encontram-se. para administrar problemas regulatórios. o urbano entrementes. 470-2) Estado que estão retirando o acento do nível 2. Na esteira da crise do subnacionais de governança (BRENNER. 1997. mas as configurações interescalares uma coordenada regulatória estratégica onde pretéritas em esferas importantes da está se desenrolando. 2002). e inspiração regulacionista atrelaram os mesmo localidades pequenas mas processos de reestruturação urbana a várias especializadas [. 1997. 1997). transformações na organização espacial do HOLLINGSWORTH.. portanto. inúmeras 2004. Dessa perspectiva. zonas de densas redes interescalares vinculando livre comércio. a estratégias sociopolíticas foram escala urbana não é apenas uma arena local mobilizadas com o fito de reorganizar para a acumulação de capital global. p. as cidades e as que prevaleceram por todo o mundo cidades-região tornaram-se. de desestabilizadas desde meados da inovação institucional e de década de 1970. em um mundiais de telecomunicações. regimes lugares espalhados por todo o sistema global.206 . foram competição interurbana acirrada. Dessa perspectiva. JESSOP. internacionais. uma “causalidade é não apenas um nível encaixado em multifacetada atua em quase todas hierarquias político-econômicas as direções entre os vários níveis da supraurbanas.

A problemática da escala 3. O McMASTER. interescalar. geoeconômicas e geopolíticas regionalização ou localização. As consequências de médio e produção social. NEIL contestação sociopolítica (SCOTT. Essa situação foi questão de escala. 2004). Nº 33 BRENNER. o “nexo local-global”. sua contestação política e longo prazo dessas estratégias de sua reconfiguração histórica – foram. Uma . dinâmico. apropriadamente descrita por Jessop (2000) com uma “relativização da DESAFIOS METODOLÓGICOS E escala”. triadização. decentralização. No entanto. é uma situação de crescente reflexividade. especificidade escalar do urbano no interior nas quais a escala nacional de de hierarquias interescalares relativamente organização político-econômica estáveis. e (c) teorizar a Em resumo. como indica a proliferação de natureza dos processos de reescalonamento.GEOUSP . as ARMADILHAS DA ANÁLISE ESCALAR transformações espaciais contemporâneas não engendraram A tarefa de decifrar as hierarquias. no qual contemporâneas está ainda em um estágio uma única escala – seja global. sua curso. muitos pesquisadores conceitual apropriada para representar o urbanos começaram a refletir caráter processual. e contestado. inseridas no âmago da questão desenvolvimento urbano urbana. e politicamente conceitualmente sobre a atual onda de contestado da escala geográfica e dos reestruturação geoeconômica como uma arranjos institucionais interescalares. Se a questão urbana tinha permanecem ainda incipientes. europeia. Desse ponto de vista. na urbanistas mobilizem conceitos escalares com verdade. desde os anos 1990 a questão estaria sendo significativamente urbana tem sido redefinida na forma de uma reconstituída. termos e expressões como a “interação local. Uma relativização de escalas está em geográfica – sua organização espacial. Não menos importante entre esses global”. mas anteriormente assumido a forma de debates elas parecem sinalizar a formação de acerca da especificidade funcional ou da configurações interescalares novas.207 . estaria em via de substituir a escala incluindo aí aqueles ligados aos estudos nacional como o nível primordial de urbanos e regionais críticos (SHEPPARD. um processo unidirecional de mosaicos e redes escalares emaranhadas que globalização. a “glocalização” desafios está o de construir uma gramática e “glurbanização”. mas já está sendo confrontada triádica.Espaço e Tempo. ainda que os que estamos testemunhando. São Paulo. coordenação político-econômica. emergiram no rastro das transformações europeização. reescalonamento para os processos de desenvolvimento urbano. reescalonamento para os padrões de portanto. regional ou local – por um crescente número de pesquisadores. (b) compreender as interescalares por todo o capitalismo implicações dos processos de global. rearticulação complexa da organização 1998). desafios instabilidade escalar [scalar flux] – metodológicos importantes associam-se às um abrangente. embrionário. tarefas de (a) decifrar o papel das cidades no reajustamento das hierarquias âmbito dos processos contemporâneos de escalares pretéritas e das relações reescalonamento.

de relações sociais. eu são exacerbadas adicionalmente pela discordo de várias perspectivas proeminentes circunstância de que uma parte substancial nos debates atuais sobre a teoria da divisão do trabalho científico continua socioespacial. JONAS. Os 2007. quanto à sua relação estabelecer uma concepção de escala que eu com outros conceitos socioespaciais considero profícua para decifrar os padrões relevantes. tanto no âmbito dos estudos urbanos como De forma relacionada. HOWITT. mas. Nº 33 BRENNER. SAYRE. etc) na medida em que BULKELEY. esses vocábulos representam processos ESCOBAR. concretas (ver. SHEPPARD. que promovem agendas teóricas interdependências históricas entre as escalas diferentes e que se dirigem para uma ampla geográficas. NEIL reificação da escala parece arraigar-se em estudo de processos e relações sociais vocábulos escalares cotidianos (local. de permanentemente congelados no espaço experimentação metodológica. COLLINGE. 2004. política comparada.GEOUSP . da socioespacialidade enquanto tal estudos regionais. quanto à porém. regional e assim por diante são oferecer. Pretendo local. McMASTER. não para apreender as complexas e sempre tentarei recapitular esses debates teóricos cambiantes interconexões e em curso. urbanização. e (d) a preocupam em desenvolver uma abordagem construção da teoria socioespacial com base reflexiva e escalar para a economia em assertivas transistóricas ou ontológicas geopolítica. por exemplo. 2005). 2006). 2000). 2007. socioespaciais distintivos (como localização. 2006. O esclarecimento dessas questões globalização. e de geográfico enquanto entidades investigações concretas da parte de coerentemente circunscritas e encerradas em pesquisadores preocupados com a escala si mesma. (b) a equiparação da relações internacionais. incluindo aí (a) a tendência a sendo organizada de acordo com enfoques tratar a escala como uma metáfora genérica escalares – por exemplo. 2002). etc – que tendem a escala com concepções territorialistas do dificultar os esforços no sentido de explorar a espaço (AMIN. de essenciais da escala. Essas dificuldades 2004). 2005. 2003. últimas são constituídas. (MARSTON. em vez disso. dos elementos principais da minha própria supostamente separadas. teóricos divergem. COLLINGE. global. uma breve exposição usados para denotar “ilhas” territoriais. e as redes reestruturação da governança urbana na escalares emaranhadas por meio das quais as Europa Ocidental pós-1960 (BRENNER. 2005. escalares existentes são pouco adequados Para os propósitos desse artigo. regional. etc) como se eles estivessem depende de novos debates teóricos. São Paulo. AMIN. que surgiu com minha eles obscurecem a imbricação mútua e investigação sobre as geografias da profunda de todas as escalas. urbano. nacionalização. a teorização da escala tem se acerca da natureza da vida social (ESCOBAR.208 . tornado cada vez mais contenciosa. urbano. 2006. não é o de delinear minhas diferenças melhor forma de estabelecer as propriedades com essas perspectivas. 2003. antes.Espaço e Tempo. 2002). Na medida em que termos como gama de questões concretas. os vocabulários para além deles. favor de modos topológicos de análise Finalmente. 1998. (c) a defesa de dinâmica das relações e transformações um abandono dos conceitos escalares em interescalares. Como ficará evidente mais adiante. concepção. AMIN. mesmo entre aqueles que se (MARSTON et al. por exemplo. regionalização. os estudos urbanos. e quanto à sua aplicabilidade ao . Meu propósito aqui.

seus em escalas distintas e fundamentos conceituais. em vez apenas categorias de análise das escalas em si mesmas. processos socioespaciais. não são mais do que resultados que quer que eles possam temporariamente estabilizados de diversos significar – e. 1995) emerge como uma reescalonamento – seja da urbanização. 1997).GEOUSP .Espaço e Tempo. elas níveis escalares distintos mas rapidamente transcendem essa convenção interconectados. diferem relativamente coerentes? Recorro qualitativamente daqueles aqui à epistemologia crítico. como indicamos. ou outras formas socioespaciais – se processam no mundo social que foram investigados pela literatura no (sobre esse último termo. da “abstração real” das estruturas. Na Essa reflexão conceitual pretende verdade. a diferenciação interna de Se inicialmente as proposições que se processos sociais específicos em seguem adotam o termo escala. portanto. ver campo dos estudos urbanos e regionais SAYER. portanto. em resumo. nas noções processuais de escalonamento e tanto na vida cotidiana quanto nas reescalonamento. como entendemos aqui. 1992). proporcionar as bases para investigações o léxico da escala geográfica futuras acerca dos processos de (SMITH. As escalas. que por sua vez discursiva problemática e elaboram uma estruturam percepções. os processos de conceitos escalares não são escalonamento e reescalonamento. 1992). Nº 33 BRENNER. que devem ser o impostas pelo pesquisador foco analítico central para abordagens sobre (“abstrações conceituais”. do desenvolvimento considera que a inteligibilidade desigual do capitalismo global das categorias escalares deriva de (para um ponto de vista . mudanças na configuração organizacional e espacial dessa OITO PROPOSIÇÕES ACERCA DO formação social historicamente REESCALONAMENTO específica. que pós-1980. gramática conceitual reformulada baseada entendimentos e representações. São. realista (SAYER. Se tratamentos anteriores da questão de escala 1. nessa investigações científico-social. seja. da regulação estratégias e transformações que estatista. sentido de Max Weber).209 . qual regional. que devem ser essa é uma questão em que há teorizados e investigados nos seus próprios consideráveis discordâncias – os termos. Eu tardio. O abordagem. Quais são as condições precedentes de desenvolvimento que possibilitam compreender o capitalista. NEIL contemporâneos de reestruturação urbana e um estado de coisas prévio. suas condições de mundo social como diferenciado possibilidade e. Sob o capitalismo revisitada nos parágrafos precedentes. Uma epistemologia crítico-realista de floresceram sob configurações escala. no a questão da escala (SWYNGEDOUW. São Paulo. associados à conjuntura atual. acumulação de capital. a necessidade começo com os fundamentos epistemológicos intelectual da questão da escala para depois me voltar para os problemas de vincula-se intrinsecamente às conceituação e análise.

a regulação relações sociais são estatista. no âmbito de sua definição) relações de conectividade horizontal. São Paulo. . As escalas resultam da diferenciação estruturação vertical poderia a e rediferenciação vertical das visão a-escalar de uma “ontologia relações sociais. ainda que frequentemente amorfas. as redes em questão são interconectadas. necessariamente (ou que a escala geográfica pode estruturar essas seja. etc geograficamente dispersos. contudo. que qualquer processo social. Entretanto. fixas ou pela escala decorre do permanentes das instituições “ordenamento vertical” político-econômicas ou da (COLLINGE. Isso porque. entre as quais relações sociais. 1999) ou espacialidade social enquanto tal. A escala. a luta sociopolítica. e portanto maleáveis. por exemplo. há também uma como a produção capitalista. e (b) as órbitas espaciais das redes em questão.Espaço e Tempo. metropolitano político. o que regiões. Enquanto portanto. É institucional seja internamente relevante dizer que as diferenciado em uma hierarquia espacialidades da escala não podem ser entendidas 2 Minha intenção. 2005). na verdade. supranacional. a diferenciação vertical na qual as reprodução social. compreendidas. ao enfatizar a verticalidade das inteiramente em termos dessa relações escalares. a interescalares – não são diferenciação das relações sociais propriedades estáticas. ausência completa dessa 2. as categorias escalares dificilmente proporcionam uma pressupõe a estruturação explicação completa das espacialidades multidimensionais inerentes a essas relações. territórios. specifica da organização escalar As redes de conectividade espacial são diretamente estruturadas por processos de escalonamento na reside na diferenciação e medida que esses últimos servem para rediferenciação vertical das estabelecer: (a) as unidades espaciais específicas. Mas qual é o plana” postulada por Marston et al ponto de referência concreto para (2005) tornar-se plausível 2. econômico ou forma e/ou local.GEOUSP . não é negar a importância de formas horizontais de interação e interdependência dimensão vertical. Eu argumentaria. Apenas na MARSTON et al. e hierarquicamente articuladas nos assim por diante. Na medida em níveis global. com um hierárquica das relações ponto de partida ontológico. redes de relações entre atores e organizações localizados em cidades. as categorias escalares? O que 3. como para além da diferenciação dimensões socialmente “horizontal” ou areal das práticas produzidas. nacional. Nº 33 BRENNER. hierarquização espacial das Elas são mais bem formações sociais. As escalas existem porque os distingue os conceitos escalares processos sociais são escalonados. de outros discursos utilizados para As escalas geográficas – as descrever formas de organização camadas ou níveis distintos no socioespacial sob o capitalismo? interior das hierarquias Como concebemos aqui. sociais por todo o espaço de processos sociais particulares – geográfico. hierárquica interescalar – por exemplo. 2005). que escalas geográficas estou propondo aqui é o forte e redes de conectividade espacial são aspectos argumento de que a differentia mutuamente constitutivos. ver socioespaciais. (ver abaixo).210 . . da espacialidade social. regional. NEIL radicalmente oposto. ao invés de mutuamente excludentes.

“o” nacional formas institucionais do que falar e “o” global. “o” regional. portanto. as primeiras analisar sua co-constituição podem ser apreendidas somente relacional nos e mediante os mediante uma análise desses processos de estruturação últimos. regional. então o específicas associadas aos problema de sua organização processos sociais ou formas escalar emerge. As escalas só podem ser apreendidas 5. NEIL vertical de unidades espaciais escalares historicamente relativamente distintas. em discursos sobre “o” particulares de processos sociais e urbano. É mais institucionais distintos a que se apropriado. que cada processo social ou forma função(ões). As escalas representam mosaicos. Ou formulando substancialistas insinuam o argumento de modo diferente: erroneamente que as escalas as escalas são resultados individuais contêm uma coerência provisoriamente estabilizados de em si mesmas. O padrão de relacional. A ordenadamente englobados. por (rediferenciação escalar) de tipos exemplo. pode apenas geográficas situadas no interior de parcialmente corresponder àquele uma configuração interescalar das hierarquias urbanas nacionais. por transversais com outras escalas exemplo. em questão se encontra inserida. multiescalar. por sua vez.211 . São Paulo. histórias e dinâmicas institucional pode estar associado de qualquer escala geográfica só com padrões distintos de podem ser apreendidas de forma diferenciação escalar. Essas formulações de escalas per se. a arquitetura em função das morfologias escalar do capitalismo como um . visto configuração institucional. corresponder apenas Consequentemente. para baixo e com os estados nacionais. nacionais de circulação financeira nacional. urbano e local ou intercâmbio mercantil.Espaço e Tempo.GEOUSP . e portanto processos de escalonamento e desviam da tarefa essencial de reescalonamento. tende a diferir qualitativamente Consequentemente. e não não podem ser consideradas pirâmides. com relação aos seus diferenciação escalar associado vínculos para cima. falar no referem. mais abrangente na qual a escala que podem. As formas de organização interescalar de modo relacional. A paisagem adequadamente como unidades institucional do capitalismo não é fixas no interior de um sistema de caracterizada por uma pirâmide recipientes encaixados definidos escalar única e abrangente na por seu tamanho geográfico qual todos os processos sociais e absoluto (um modelo de escala do formas institucionais estão tipo “bonecas russas”). Desse ponto de vista. a relevância tendencialmente aos padrões de termos escalares como global. 4. é escalonamento (diferenciação analiticamente impreciso falar de escalar) e reescalonamento escala no singular – como. Nº 33 BRENNER.

Sob essas articuladas cujas unidades são condições. Por essa razão. emaranhadas. NEIL todo é composta de um mosaico pós-1970. portanto. com seu foco diferenciais de reestruturação empírico no tumultuado período escalar – da incremental e da . Nº 33 BRENNER. escalar que ocorrem durante fases entrelaçadas e desigualmente de crise sistêmica. os relevantes de sua configuração processos de reescalonamento geográfica: a escala é apenas uma geralmente ocorrem mediante a faceta da socioespacialidade interação inercial e mutuamente (BRENNER. como maleáveis. As modalidades produção da escala. Os processos de escalares radicalmente novas escalonamento e reescalonamento podem ser estabelecidas. as configurações com outras formas de escalares são não infinitamente estruturação socioespacial. desmanteladas e reestruturadas. 2009). as configurações raramente coextensivas ou escalares existentes são isomórficas. e processos de reescalonamento formação de redes (a construção não implicam a simples da conectividade interespacial). ocorrem em estreita articulação Contudo. hierarquias polimórficas.Espaço e Tempo. desaparecimento de algumas apenas uma entre muitas escalas na medida que outras as dimensões potencialmente superam. Na verdade. interior de determinados dependent]. mesmo durante fases a territorialização (delimitação. de restruturação intensas e demarcação). bloquear certos caminhos de 7. após intensas lutas estão inseridas em geografias sociopolíticas. a maior parâmetros institucionais e parte da literatura sobre a geográficos. transformadora entre os arranjos estudos sobre o escalonamento e escalares pretéritos e as reescalonamento devem evitar a estratégias nascentes visando armadilha de uma ênfase reajustar esses arranjos. Os processos de reescalonamento são reescalonamento ao circunscrever frequentemente condicionados por a produção de novas escalas no arranjos pretéritos [path. os (aglomeração. ou o completo forma institucional é. São Paulo.GEOUSP . Isso excessiva na escala. A substituição de uma configuração diferenciação escalar de interescalar por outra plenamente determinado processo social ou constituída. mesmo em meio a atributos escalares dos processos intensas pressões no sentido de sociais ou formas institucionais reestruturar determinada ordem são privilegiados em detrimento interescalar. As configurações interescalares e. Até hoje. Além disso. reunião).212 . a produção do lugar aceleradas. as configurações de suas outras dimensões escalares pretéritas podem socioespaciais. em que os significa que. enfatizou as formas hierarquias interescalares cataclísmicas de transformação sobrepostas. 6.

São Paulo. de acordo “a escala de luta e a luta pela com critérios como classe. reajustam as geografias hierarquias escalares podem e coreografias das relações de operar não apenas como arenas poder. SMITH. que decorre estratégias políticas e o equilíbrio mutante das relações de classe e outras forças sociais das proposições acima: as “escalas” não contraditórias. 2002). HEROD. como sugeriu 1997.213 . Nº 33 BRENNER. na medida em que vez. âmbito do sistema mais amplo de 8. moeda”. formações socioespaciais e. mas reescalonamento dos processos também como o próprio objetivo sociais medeiam. CASTREE. suas posições relacionais no 3 reescalonamento . 2000. vantagens maiores (“retornos crescentes”) que ocorrem à medida que elas se tornam mais difundidas (ARTHUR. Swyngedouw (1997. 1997.Espaço e Tempo. p. a particulares sob a quais as evolução das hierarquias escalares são ajustadas hierarquias escalares podem para serem “ótimas” para os propósitos da acumulação. 1993). configurações institucionais sub. NEIL sistêmica até a cataclísmica – sem Dessa forma. conferem poder a alguns atores. Igualmente. o pressuposto de que a evolução escalar das lutas sociais por refletirá os requerimentos historicamente cambiantes da acumulação de capital é posicionalidade é uma tarefa que problemático. os processos de dúvida merecem investigação reescalonamento podem modificar teórica e empírica muito mais as posicionalidades de formas apurada da parte dos analistas socioespaciais particulares. p. . na formulação alianças e organizações em concisa de Smith (1993. escala são dois lados da mesma raça/etnicidade e nacionalidade. Enquanto que análise de Collinge tornar-se o próprio objetivo – em proporciona uma crítica estruturalista pertinente de certas vertentes voluntaristas dentro da teoria da vez de meramente o contexto – regulação. Por um lado. Os processos de reescalonamento desenvolvimento espacial desigual redefinem as posicionalidades das do capitalismo global (SHEPPARD. gênero. ainda que configurações escalares existentes e (b) as aparentemente paradoxal. sociopolíticos por posicionalidade. 101). por sua dessas lutas. 1994). Ademais. detrimento de outros.GEOUSP . e são. de forma mais geral. Por outro lado. mediados por relações de essas hierarquias são poder social profundamente confrontadas e desestabilizadas assimétricas e conflituosas no curso de lutas e conflitos (BERNDT. O esclarecimento das 3 condições histórico-geográficas Collinge (1999) sugere que a seleção de uma escala dominante e. “o o estabelecimento e reorganização rearranjo e reorganização das hierarquias escalares criam contínuos das escalas espaciais geografias e coreografias de são parte integrante das inclusão/exclusão e estratégias e lutas sociais por dominação/subordinação que controle e ganho de poder”. 141). ou dos processos de seja. as portanto. aguarda investigações mais ótimas frequentemente se cristalizam devido às sistemáticas. O escalonamento e de lutas por poder social. 2000. SWYNGEDOUW. Como sugere a literatura sobre path- dependency. é fundamental explorar as maneiras pelas quais os É pertinente reiterar uma conclusão processos de reescalonamento são também condicionados por: (a) a inércia (relativa) das analítica decisiva. Isso porque.

Considerando de economia política escalonada [scaled minha ênfase no (a) caráter plural. e (c) no caráter investigação escalar não são as escalas profundamente dinâmico e processual em si. com uma multiplicidade de REESCALONAMENTO? economias políticas escalonadas [scaled political economies] que estão implicadas Ainda que as proposições em. political economy] proporciona um polimórfico e heterogêneo da registro mais preciso para a abordagem socioespacialidade. NEIL existem enquanto tal. transformadas no curso do COLLINGE. mas sim os processos de das configurações interescalares. por meio das quais as configurações assim como às propostas desconstrutivas político-econômicas escalares são de abolir ou abandonar inteiramente ativamente produzidas e continuamente esses conceitos (MARSTON et al. A concretas acerca da reestruturação tarefa. não é meramente a de urbana e regional. e por sua vez são produtoras de. (b) na relacionalidade teórica aqui proposta. singulares e encaixadas. OS LIMITES DO antes. visto que coloca inerente a cada camada das hierarquias em relevo que o ponto focal para a interescalares. (a) explorar as ou estendem excessivamente os dinâmicas sociais diversas nas quais e conceitos escalares (MARSTON.GEOUSP . Nº 33 BRENNER. não estamos lidando com sob o capitalismo moderno. 2009) deve ser entendida como concepção processual e multiescalar. Além disso. Pode-se afirmar que noção e reescalonados. precedentes requeiram maior padrões diversos e entrelaçados de refinamento com base em pesquisas diferenciação e rediferenciação escalar. mas. mas. a desenvolvimento geo-histórico discussão precedente desmantela capitalista. ao mesmo tempo constrangem e Evidentemente. que conceba seu objeto como um espaço econômicas escalares estruturam (isto é. delimitado. São Paulo. creio que elas reconhecer o caráter escalar diferenciado ofereçam uma alternativa profícua aos da vida político-econômica. uma referência abreviada aos esforços Mais premente entre essas tarefas são: recentes para decifrar o contínuo (a) teorizar os mecanismos pelos quais os escalonamento e reescalonamento da processos de urbanização vida econômico-política sob o contemporâneos estão sendo escalonados capitalismo. 2005. Como indicado evolução institucional e luta sociopolítica anteriormente. “local” ou mesmo “regional”. portanto.Espaço e Tempo. a escalonamento (diferenciação escalar) e linguagem um tanto estática e reescalonamento (rediferenciação monodimensional de “escala” parece cada escalar) que alicerçam as dinâmicas de vez mais inadequada. Desse de abstração-concretude a fim de lidar ponto de vista. 2006). a expressão “nova com uma série de tarefas analíticas economia política da escala” (KEIL. (b) explorar as . são necessários estudos possibilitam) relações sociais de poder. adicionais situados em diferentes níveis dominação. 2000). de escritos mais recentes que neutralizam modo mais abrangente. e (b) rastrear as maneiras qualquer abordagem da questão urbana pelas quais essas ordens político. uma economia política de escalas fixas. exploração e luta.214 . relevantes que decorrem dessa MAHON. distintas.

as contribuições produção do lugar. história do capitalismo. cuja escala geográfica e o reescalonamento unidade de análise permanece durante os anos 1990 pode ser entendida profundamente ambígua. (c) urbanos uma ferramenta poderosa para analisar os caminhos e trajetórias desnaturalizar. (BRENNER.GEOUSP . 2009. ou contra. o léxico da escala sofisticado vocabulário analítico já fora geográfica é mais potente quando seus desenvolvido nos anos 1980 para limites analíticos são explicitamente . JESSOP et al. geográfica forneceu aos pesquisadores reorganizadas e transformadas. São Paulo. a das relações socioespaciais durante um territorialização e a formação de redes período particularmente volátil na geo. Posteriormente. A implicações particularmente relevantes proliferação de debates explícitos sobre a para o campo dos estudos urbanos. diversas estratégias políticas. Nº 33 BRENNER. transformação da escala possuem história da urbanização capitalista. os debates recentes sociais e alianças territoriais que se sobre a questão da escala mobilizam em torno. política urbana e regional que se eu alertaria contra a tendência de desenvolveram na década precedente. a localização. Ao passo que um Como foi sugerido. (d) decifrar as relações sociais são travadas. a territorialização e a recentes para a análise da produção e formação de redes) ao longo da geo. o novo léxico da escala urbanização estão sendo abaladas. estender excessivamente os conceitos estimuladas em grande medida pelo escalares nos estudos urbanos ou em abalo das hierarquias e qualquer outro campo da análise interdependências escalares associadas socioespacial. Isso porque as ao capitalismo organizado no período estruturações escalares do espaço social pós-1970. historicizar e interrogar contextualmente variáveis através das criticamente as próprias unidades quais as configurações urbanas estão espaciais e hierarquias nas quais as sendo reescalonadas. como a rediferenciação contínua e hierárquica produção do lugar. forças Consequentemente. analíticas importantes por meio das quais e (e) examinar a interação entre os começar a decifrar as geografias dos processos de escalonamento e processos de reestruturação reescalonamento e outros processos de contemporâneos.215 . Como as espacializadas acerca da economia proposições assinaladas acima indicam. mesmo após como uma extensão e um refinamento quase um século de debate acerca da significativos das abordagens natureza da questão urbana. reestruturação socioespacial (como a Na minha leitura. NEIL condições específicas sob as quais as compreender as dimensões mais configurações interescalares relevantes da espacialidade do aparentemente estabilizadas da capitalismo. 2008).Espaço e Tempo. proporcionaram aos urbanistas e outros estratégias particulares para reorganizar economistas geopolíticos críticos lentes as escalas dos processos de urbanização. as discussões sobre a questão diferenciadas) são analiticamente da escala proporcionaram uma gramática distintas de outras formas de conceitual mais precisa para analisar estruturação socioespacial. e não apenas (baseadas em relações hierarquização no âmbito dos estudos urbanos e entre unidades verticalmente regionais.

tornaram alvos estratégicos dos projetos neoliberais de destruição criativa espacial e institucional (BRENNER. vislumbrando arranjos . 2007). que se Scale Question. movimentos de oposição que lutam para obstruir ou reverter a investida neoliberal contemporânea começaram igualmente a mobilizar a escala geográfica de formas estratégias e frequentemente bastante criativas – seja saltando escalas para escapar da hegemonia das práticas institucionais dominantes. finalmente. uma concepção fundamentados em princípios de analiticamente mais estreita de escala democracia radical. THEODORE. a crescente proeminência desse conceito às vicissitudes da dos conceitos escalares na teoria e restruturação capitalista mundial. emancipação e facilita uma aplicação mais abrangente. 2001). nos anos recentes. 2002). NEIL compreendidos (BRENNER. o das contínuas lutas interescalares: é atual período de reestruturação global precisamente porque a configuração da induzida pela crise é marcado por escala geográfica tornou-se um foco tão transformações particularmente importante da contestação sociopolítica profundas da organização escalar. o projeto outros cientistas sociais que refletem geoeconômico do neoliberalismo – com sobre o espaço tornaram-se tão sua ênfase na mobilidade do capital. à sua relações de mercado sem restrições. na importância metodológica profunda. Ao contemporânea que os urbanistas e longo das últimas três décadas.GEOUSP . Nesse sentido. Nº 33 BRENNER. justiça socioespacial (MAYER. hesitantemente intitulado significativas para as cidades e para os A thousand leaves: Urban Theory and the sistemas de governança urbana. pesquisa urbanas contemporâneas pode Embora o capitalismo há muito ser entendida como uma “abstração real” diferencia-se em hierarquias escalares. tanto nas cidades como para além delas. mercantilização intensificada – resultou em um enorme assalto contra as escalas Agradecimento estabelecidas de regulação sociopolítica e em uma tentativa agressiva de forjar Sou grato aos editores da revista novas hierarquias escalares mundiais nas Critical Planning pela oportunidade de quais a lógica da competição desenfreada contribuir nessa edição especial. Essas texto deriva de um esboço de um livro tendências tiveram ramificações em andamento. São Paulo.216 . Ao mesmo tempo.Espaço e Tempo. nas sensíveis. escalares radicalmente diferentes Paradoxalmente. seja mobilizando apoio para projetos de regulação que objetivam socializar o capital em escalas particulares. seja. Esse possa ser institucionalizada. mas ao mesmo tempo mais precisa.

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