UCAM – UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

JOSÉ PEDRO OLIVEIRA ROSSES

DEVOLUÇÃO DE VERBAS DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS E
ASSISTENCIAIS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL REFORMADA

CORONEL FABRICIANO - MG
2015

MG 2015 . como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Direito Previdenciário. CORONEL FABRICIANO . UCAM – UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES JOSÉ PEDRO OLIVEIRA ROSSES DEVOLUÇÃO DE VERBAS DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS E ASSISTENCIAIS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL REFORMADA Artigo Científico apresentado à Universidade Candido Mendes – UCAM.

determinando que o INSS se abstenha de cobrar esses valores. vinculado ao 14º Ofício da Capital (ações de saúde e acidentárias). Palavras-chave: Benefícios previdenciários e assistenciais. com abrangência em todo o território nacional. as seguintes questões nortearam este trabalho: a) qual é a posição jurisprudencial atual quanto à necessidade dessa devolução? Há entendimento pacificado?.03. demonstrar que o tema não está pacificado e gera insegurança jurídica. Introdução O presente trabalho tem como tema a posição do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e demais tribunais pátrios acerca da necessidade (ou não) de devolução de parcelas de benefícios previdenciários e assistenciais recebidos por decisão judicial reformada. o objetivo deste estudo é.418/SC e 1. Bacharel em Direito da Universidade da Região da Campanha (URCAMP). . sua fundamentação. assim como a proporcionalidade.6183. Kertzman (2014). há decisão proferida na Ação Civil Pública nº 0005906-07. Decisão judicial reformada.401. razoabilidade e o direito constitucional de ação. Concluiu-se que o entendimento que obriga o segurado ou assistido de boa-fé a devolver tais verbas viola a sua dignidade humana.384. Insegurança jurídica. b) quais são as hipóteses em que a devolução seria devida?. bem como a jurisprudência correlacionada ao assunto. Devolução. considerando o caráter alimentar de tais prestações. Horvath Junior (2011). Realizou-se uma pesquisa bibliográfica considerando as contribuições de doutrinadores como Cavalcante (2015). c) aplica-se aos benefícios previdenciários e assistenciais o princípio da irrepetibilidade das verbas alimentares? Nesse contexto. inclusive nos casos de boa-fé. 1 Advogado e Analista Técnico da Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina. Santos (2011). O objetivo é analisar esses entendimentos jurisprudenciais. bem como discutir a insegurança jurídica que paira sobre o tema. pois o STJ entende que é devida a devolução (Recursos Especiais nos 1. e. por outro lado. pois. Especialista em Direito do Trabalho pela Universidade Candido Mendes (UCAM).2012.4. Nessa perspectiva. 1 DEVOLUÇÃO DE VERBAS DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS E ASSISTENCIAIS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL REFORMADA José Pedro Oliveira Rosses1 RESUMO O presente estudo discorrerá sobre a atual posição do Superior Tribunal de Justiça e demais tribunais acerca de necessidade ou não de devolução de parcelas de benefícios previdenciários e assistenciais recebidos por decisão judicial reformada. Ibrahim (2015).560/MT).

Kertzman (2014). caput. Conforme registra Augusto Grieco Sant'Anna Meirinho (2009. em todo território nacional desobrigando a restituição em casos de decisão judicial reformada. 2 Trata-se de assunto de extrema relevância social. especificamente à irrepetibilidade dos alimentos [. Federal ANTONIO CEDENHO. a Saúde.2012. O texto final foi fundamentado com as contribuições dos doutrinadores Cavalcante (2015). . Apelação/Reexame Necessário nº 000590607. Horvath Junior (2011) e Meirinho (2009).. no mais das vezes. divergindo do atual entendimento do STJ. a Previdência e a Assistência Social. Desenvolvimento Consoante dispõe o artigo 6º da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 437): A Seguridade Social visa fornecer ao sujeito de direito bem-estar em um ambiente de justiça social (conforme se depreende do art. 21 de julho de 2015).] a política de ressarcimento do INSS ameaça interesses difusos relacionados à dignidade da pessoa humana. artigos científicos divulgados no meio eletrônico e jurisprudência. 1º. Tais direitos compõem “um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade” chamado de Seguridade Social (artigo 194.. rel. A finalidade precípua das prestações da Seguridade Social é a libertação do estado de necessidade social que acomete o ser humano em uma sociedade de massa e assolada pelas mazelas representadas principalmente pelo conflito capital-trabalho. de forma a garantir a sua dignidade enquanto pessoa humana (art. 560). realizada a partir da doutrina previdenciária.4. especificamente do Superior Tribunal de Justiça e dos Tribunais Regionais Federais. Santos (2011). Ibrahim (2015). 193 da CF/88).] (TRF3. da CF/88). da CF/88). p. Daí a importância de se unificar um entendimento. j. bem como a jurisprudência correlacionada ao assunto. 2ª Turma. pois [. III. 2011. p. o Tribunal Regional Federal da 3ª Região. proferiu decisão. afim de não causar insegurança jurídica e prejuízos ao segurado ou assistido. utilizou-se como recurso metodológico a pesquisa bibliográfica.. Para alcançar os objetivos propostos. Des.. pois são inúmeras as demandas previdenciárias e assistenciais que tramitam nos juízos e tribunais pátrios. o meio de subsistência básica do ser humano” (SANTOS. entre outros.03.6183/SP. Com base nisso. A doutrina previdenciária em geral entende que “as prestações previdenciárias guardam natureza eminentemente alimentar constituindo. são direitos sociais.

2011. 5º. assim como os assistenciais. morte.).] (HORVATH JUNIOR. Em sede de tutela antecipada. por seu caráter alimentar. maternidade etc. desde logo. 2011. concede a tutela específica para a implantação do benefício (obrigação de fazer). 115). o meio de subsistência básica do ser humano. a autarquia federal responsável pela operacionalização/concessão desses benefícios previdenciários e assistenciais. São nulas de pleno direito sua venda ou cessão. 560). têm natureza alimentar: Segundo a previsão do art. arresto ou sequestro. muitas vezes. caso ele haja contribuído à Seguridade Social e preenchido os requisitos da legislação previdenciária para a sua concessão. julgado procedente o pedido de concessão de benefício previdenciário ou assistencial. não pode ser objeto de penhora. Posteriormente. Vários autores entendem que os benefícios previdenciários. 201 da CF/88 e Lei nº 8. O segurado ou assistido. então. ou a constituição de qualquer ônus sobre ele [. o benefício previdenciário. sem meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. 8.. Por outro lado. caso o indivíduo se encontre em situação de necessidade. e reconhecida sua natureza alimentar. [grifei]. a cobrança será feita em execução de sentença. invalidez. p. encontrando-se o indivíduo em situação de risco social (doença. As prestações previdenciárias guardam natureza eminentemente alimentar constituindo. Quanto aos valores das prestações em atraso (obrigação de pagar). cuja demora no deferimento pode causar danos irreparáveis à existência digna de quem delas depende.. convencendo-se da verossimilhança das alegações da parte autora e havendo fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação (artigo 273 do Código de Processo Civil). p. indefere-os. V. considerando a inafastabilidade do controle jurisdicional (art. com a expedição de precatório ou requisição de pequeno valor (SANTOS. 3 Assim. A prática demonstra que. da CF/88). que deverá obedecer ao trâmite processual dos arts. busca revisar essa decisão administrativa no Poder Judiciário. independentemente de contribuição ao sistema (artigo 203.213/91. no mais das vezes. Ocorre que.742/93 – “LOAS”).213/91). o magistrado defere o pedido liminarmente e determina que o INSS conceda ou restabeleça o benefício previdenciário ou assistencial até que a sentença seja prolatada. fará jus ao benefício de prestação continuada da Assistência Social. desemprego. por substituírem o rendimento do trabalho do segurado. idade avançada. . o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). possibilitando que o segurado ou beneficiário. cabe à Previdência Social lhe conceder benefícios previdenciários (art. o juiz — na sentença — ou o Tribunal — no recurso. 730 e seguintes do Código de Processo Civil. da CF/88 e artigos 20 a 21-A da Lei nº 8. e seja pessoa com deficiência ou idosa (65 anos de idade ou mais). essa decisão é reformada. XXXV. 114 da Lei n. passe a receber a renda mensal.

porém é reformada em sede recursal2. ou então. também não se aplica nos casos em que a decisão transita em julgado e. da CF/88). após.. inclusive em caso de pagamento indevido. Sabe-se que a regra geral é que “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir” (artigo 876.401. Min. da CF/88). 108. visto que se trataria de um direito precário.213/91). a 1ª Seção do STJ. o “entendimento predominante até então é que. Nancy Andrighi. 1ª Seção. I. em ações cujo valor pedido era superior a sessenta salários mínimos. Entretanto. o § 1° do artigo 100 da CF/88 estipula expressamente o caráter alimentar dos benefícios previdenciários: “os débitos de natureza alimentícia compreendem [. da Lei nº 8. julgado em 20/11/2013).086. o INSS interpõe recurso especial e o STJ reforma o acórdão. já que se tratam de prestações pecuniárias que objetivam atender a um mínimo existencial. 1º. considerando a dupla conformidade. via de regra. Igualmente.] benefícios previdenciários”. Rel. Com efeito. como bem destaca Soares (2015).418-SC. Essa orientação foi reafirmada pela 1ª Seção no julgamento do REsp 1. do Código Civil). Todavia. Herman Benjamin. 4 E. revogando o benefício concedido (STJ. como destaca Cavalcante (2015). b) por outro lado. decidiu que o segurado da Previdência Social tem o dever de devolver o valor de benefício previdenciário recebido em antecipação dos efeitos da tutela que tenha sido posteriormente revogada (STJ.384. isto é. tribunal de justiça ou turma recursal nega o recurso e mantém a sentença e.259/2001). 129. o INSS ajuíza ação rescisória que vem a rescindir a sentença 2 O recurso é julgado pelo Tribunal de Justiça em benefícios acidentários (art. EREsp 1. primeira parte. III. Corte Especial. posteriormente. CF/88 e art. pelas Turmas Recursais em demandas que tramitam pelo rito dos Juizados Especiais Federais (Lei nº 10. julgado em 12/6/2013). Min. REsp 1.560/MT pelo rito dos recursos repetitivos (artigo 543-C do Código de Processo Civil). Rel. esse entendimento não se aplica quando o tribunal regional federal. 109. por se tratar de verba alimentar” os valores de benefícios previdenciários (e assistenciais) recebidos por força de decisão que antecipa a tutela posteriormente reformada não precisariam ser devolvidos. . Pois bem. Segundo exposição didática de Cavalcante (2015): a) esse entendimento também se aplica nos casos em que a sentença é julgada procedente. não é necessária a sua restituição. os alimentos são. que estavam tramitando na competência delegada (art. pautados no princípio da dignidade da pessoa humana (art. irrepetíveis. modificando seu posicionamento.. que não incorporaria ao patrimônio do segurado de forma irreversível. ou pelos Tribunais Regionais Federais.154-RS. que revoga a concessão do benefício. II. II.

j. 5 (AR 3. satisfação e equilíbrio. Des. 08/09/2015). Rel. Min. movida pelo Sindicato Nacional dos Aposentados. Rel. d) quem aciona o INSS. Desembargador Federal Antonio Cedenho: a) a Lei nº 8.03. julgado em 11/09/2013). Além do argumento da irrepetibilidade dos alimentos. mesmo de boa-fé. TRF5. IMPOSSIBILIDADE. 2ª Turma. Rel. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. e) os juízes certamente hesitarão em deferir tutelas de urgência. LEGITIMIDADE ATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO.6183. Colaciona-se ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. IRREPETIBILIDADE DOS ALIMENTOS. ainda que de modo precário (artigo 195 da CF/88). o processo regrediria em eficiência. AC nº 00749195720114019199. Reex. RISCO COBERTO PELO SISTEMA DE SEGURIDADE . j. Fed. 1ª Turma. II). poderia renunciar à sua própria dignidade humana e sobrevivência por temer a possibilidade de restituição. a questão continua gerando decisões divergentes: ora os tribunais determinam a devolução (TRF1. Em que pese esse posicionamento do STJ tenha sido proferido em sede de recurso repetitivo. Importante destacar que a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. se elas puderem sacrificar o patrimônio do jurisdicionado. Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi) e pelo Ministério Público Federal. AC nº 1547791.213/91 ao descrever as hipóteses de desconto dos benefícios previdenciários. j. b) as transferências decorrentes de liminares ou sentenças representam um risco totalmente absorvido pelo sistema e o princípio da solidariedade assegura que as contribuições do pessoal em atividade financiem a subsistência de quem foi atingido por uma contingência social.2012. 28/05/2015). cabe destacar os seguintes fundamentos do relator. Nec. Juiz Federal Valdeci dos Santos. RESTITUIÇÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS E ASSISTENCIAIS CONCEDIDOS POR DECISÃO LIMINAR. Marco Aurélio Bellizze. f) a questão se relaciona com a garantia de independência dos magistrados e com o direito constitucional da ação. nº 20088100014948802. em Ação Civil Pública nº 0005906-07. DIREITO ADMINISTRATIVO. com boa-fé. e não aqueles resultantes de processos judiciais. Terceira Seção.4.926/RS. Juiz Federal Cleberson José Rocha. Emiliano Zapata Leitão. e ora são desfavoráveis a ela (TRF3. Assim. 10ª Turma. trata apenas dos procedimentos administrativos em que houve pagamento além do devido (artigo 115. determinou que é descabida a restituição desses valores. 08/07/2015.

6 SOCIAL. e destaca: “Cabe lembrar que a má-fé pressupõe elemento subjetivo. por unanimidade. passam-se mais meses ou anos. a revisão a qualquer momento. 2ª Turma. a liminar é revogada. Como refere Kertzman (2011. DIREITO DE AÇÃO. p. a parte autora vem a recuperar a capacidade e. Nesse meio tempo. pois do contrário presumir-se-á a boa-fé”.4. 21 de julho de 2015). APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 000590607. Por seu turno. atualizada da forma da legislação.. independentemente de outras penalidades legais” [grifei]. são irrepetíveis em razão da natureza alimentar e da boa-fé no seu recebimento” (DOU 15/03/2012). INDEPENDÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. mesmo no período em que esteve incapaz? Ele seria. Ibrahim (2015. é notório que entre o início da incapacidade. ao ser reavaliada pelo perito judicial. deu provimento à apelação do MPF para negar provimento ao recurso do INSS. Considerando a transcendência do dano. o perito não precisa a data exata de recuperação da capacidade. Seria justo obrigar o segurado a devolver todos os valores. j. RECURSO DO INSS DESPROVIDO [. Des. DECISÃO DE ÂMBITO NACIONAL.] (TRF3. rel. deverá ser feita de uma só vez ou mediante acordo de parcelamento. a Súmula n° 51 da Turma Nacional de Uniformização já dispunha: “os valores recebidos por força de antecipação dos efeitos de tutela. em determinados casos. duplamente punido: a devolver valores que recebeu devidamente e pela demora da Administração Pública e/ou Poder Judiciário. fraude ou má-fé. APELAÇÃO DO MPF PROVIDA. Ocorre que. em tese.2012. o indeferimento de benefícios por incapacidade na seara administrativa – frise-se que frequentemente as perícias demoram meses a serem realizadas por carência do quadro de médicos do INSS – e. O mesmo autor também registra o seguinte (2015. que deve ser comprovado cabalmente pelo INSS. a realização da perícia judicial. 415). leciona que a ressalva feita à má-fé permite. AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ. por exemplo. pois. A 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. p.03. 578): Acredito que a vedação do desconto para valores recebidos de boa-fé seja correta.. “nos casos comprovados de dolo. ENCARGOS DE SUCUMBÊNCIA. 440). É certo que os jurisdicionados devem ter alguma segurança nas relações . REMESSA OFICIAL PARCIALMENTE PROVIDA. essa decisão está surtindo efeitos em todo o território nacional. Corroborando esse entendimento. posteriormente revogada em demanda previdenciária. a restituição de importância recebida indevidamente por beneficiário da Previdência Social. por conseguinte. por falta de documentação médica. por fim. este elabora laudo desfavorável e. Na prática previdenciária. p.6183/SP. mesmo que posterior a dez anos. Federal ANTONIO CEDENHO. ISENÇÃO.

de proporcionalidade e razoabilidade. Já a doutrina pesquisada é pacífica no sentido que somente cabe a devolução nos casos de má-fé. há uma decisão surtindo efeitos em todo o território nacional que determina que o INSS se abstenha de cobrar essas verbas. pela ilegalidade. de modo a preservar as relações jurídicas estabelecidas e produzir algum conforto para os segurados. pois.707). após o resultado negativo do DNA. entende que valores recebidos de boa-fé não carecem de restituição (Súmula nº 106 – O julgamento. os quais. é descabida a devolução de valores de benefício nas hipóteses em que a decisão judicial é posteriormente reformada. na atualidade. consoante pacífica jurisprudência trabalhista. Não sem razão o próprio Tribunal de Contas da União. visto que o Código Civil estipula o caráter irrepetível e irrenunciável da pensão alimentícia (art. considerando a natureza alimentar desses benefícios. É necessário que o assunto seja decidido de forma uníssona. se veem cercados pelo constante temor de alguma revisão administrativa que produza redução de suas rendas mensais. não implica por si só a obrigatoriedade da reposição das importâncias já recebidas de boa-fé. Isso porque o STJ decidiu em sede de recurso repetitivo que cabe a devolução desses valores e. O mesmo entendimento também se aplica às verbas salariais. o que não é incomum na complexa legislação vigente. por exemplo. 1. Conclusão Diante do exposto. ocorrerá a perda de credibilidade quanto à atuação do Poder Judiciário. por outro lado. em ações de investigação de paternidade cumulada com alimentos. descabe a restituição dos alimentos pagos. . isto é. conclui-se que há um imbróglio jurisprudencial quanto ao entendimento que obriga o segurado ou assistido de boa-fé a devolver o valor de benefício previdenciário ou assistencial recebido em antecipação dos efeitos da tutela que tenha sido posteriormente reformada. por se tratar de verba de natureza alimentar. Com efeito. verifica-se que a doutrina entende que. havendo boa-fé do segurado ou assistido. portanto. porquanto a pessoa física que pagou uma verba alimentar indevida tem presumidamente uma capacidade econômica proporcionalmente bem inferior ao poder econômico ostentado pelo Erário. senão. lealdade no seu comportamento. Feitas essas considerações. aposentadoria e pensão. 7 com a Administração. confiança. tratando de servidores. até a data do conhecimento da decisão pelo órgão competente. das concessões de reforma. Como destaca Soares (2015): A alegação de que o princípio da irrepetibilidade dos alimentos merece ser relativizado quando envolve benefícios pagos pelo Poder Público carece.

considerando que o indivíduo encontra-se privado do seu sustento e em situação de vulnerabilidade social. CAVALCANTE. MEIRINHO.4. São Paulo: Saraiva.2012. Teresina. 2015. Relator: Ministro Benjamin Herman. DJe 21/07/2015. mostra-se totalmente desarrazoado e desproporcional. ano 20. Disponível em: <https://ww2. São Paulo: Quartier Latin.stj. Relator: Desembargador Federal Antonio Cedenho. Miguel. Salvador: JusPODIVM. 2011. Direito Previdenciário.br/acordaos/Acordao/BuscarDocumentoGedpro/4609963>. O entendimento “pro fisco” de devolução. Dizer o Direito.br/processo/revista/documento/mediado/? componente=ATC&sequencial=29277731&num_registro=201300320893&data=20130830&t ipo=5&formato=PDF>. viola-se a sua dignidade humana e o direito constitucional de ação. 28 maio 2015.jus.html>. Publicado no DJe 30/08/2013. 2008. SANTOS. Disponível em <http://www. Curso de Direito Previdenciário. 4348.384. Disponível em: <http://web. Revista Jus Navigandi. Márcio André Lopes. Ivan. Barueri. 8 Concluiu-se também que.03. Superior Tribunal de Justiça.br/2014/04/devolucao-dos-beneficios. ainda que haja boa-fé do segurado ou assistido.418/SC. ed. rev. Recurso Especial nº 1. Reexame Necessário na Ação Civil Pública nº 000590607. ampl. REFERÊNCIAS BRASIL. Curso Prático de Direito Previdenciário. 20 ed. Acesso em: 14 out. Rio de Janeiro: Impetus. 11.com. 2014.dizerodireito.. Devolução dos benefícios previdenciários recebidos por força de decisão judicial reformada. SANTOS. Augusto Grieco Sant'Anna et al. SP: Manole.6183. 2014. Disponível em: <http://jus. Fábio Zambitte. IBRAHIM. Roberto de Carvalho. n. Devolução de benefício previdenciário pela cassação da tutela antecipada. considerando o caráter alimentar de tais prestações.trf3.br/artigos/38777>. ao obrigar o segurado ou assistido a devolver tais valores.com. 2015. e atual. Acesso em: 16 out.jus.. 2015. KERTZMAN. 2011. HORVATH JUNIOR. Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Acesso em: 16 out. Acesso em: 16 out. Direito Previdenciário Esquematizado. . Marisa Ferreira dos. _____. 2015. 2015. nos casos de boa-fé. Prática Previdenciária: a Defesa do INSS em Juízo. 1ª ed.