o TEATRO ODIN: HI5TàRICO,
FíLOSOFIA EPREPARACÃO DOS I

ATORES
Ao estudarmos o Teatro Odin, parece-nos indis..
pensável assinalar os elementos responsáveis pela origi-
nalidade deste teatro, isto é, seu nascimento, sua evo-
lução, sua organização, suas técnicas de trabalho, suas
atividades correlatas, enfim, sua vida e sua atmosfera.
Todos esses elementos constituem um conjunto de fatos
que seria lamentável passar despercebido, e que deve ser
considerado, indiscutivelmente, como parte do próprio
trabalho criativo. Este teatro é, com efeito, fundado
numa valorização do "material humano", em detrimento
do material técnico; ele se encontra em oposição radical
à exploração "industrial" e financeira da arte teatral, .
que caracteriza em geral o teatro profissional.
Após haver feito seus estudos de Literatura Escan-
dinava e de Histórias das Religiões na Universidade de
Oslo, o italiano Eugenio Barba pensou em fazer carreira
teatral. Conseguido uma bolsa de estudos da Unesco, ele
partiu em 1960 para a Polônia, onde ficou quatro anos,
três dos quais com Jerzy Grotowski. Depois, preferindo
a Noruega à Itália, voltou definitivamente para a Escan-
dinávia, em julho de 1964. Tinha então dois projetos:
publicar uma revista sobre os problemas técnicos e teóri-
cos do teatro, e também, graças a seu diploma da escola
teatral de Varsóvia, dirigir num teatro norueguês.
Suas intenções foram logo frustradas pois ele não
encontrou nenhuma possibilidade de trabalho, tendo deci-
dido então criar um grupo com alguns amadores. Con-
vocou uns quinze jovens, que tinham sido - todos -
recusados no concurso de admissão para o Conservatório
de Oslo. Assim, no dia 1ç de outubro de 1964 nascia
o Teatro Odin. Desde o início Eugenio Barba aplicou
• ao seu grupo os princípios disciplinares que julgava ne-
cessários para a criação de uma coletividade capaz de
superar todas as dificuldades externas e internas. Essas
duras regras de trabalho provocaram a saída da maio-
ria, e três meses depois o grupo ficava reduzido a quatro
pessoas.
Apartir de então foi adotada uma posição marginal,
revoltando-se Eugenio Barba contra a idéia comumente
estabelecida de que não se pode criar um teatro sem
dinheiro. Pensando, com efeito, que a força vital reside
no "material humano", ele centralizou todo seu trabalho 1

jovens colaboradores (seus atores). Sem nenhu- sempre feito sem garantias econômicas. Para o Teatro
uda eles começaram a contribuir de seus próprios Odin, a sobrevivência consistia então, paradoxalmente,
para a sobrevivência deste pequeno teatro. 1 Cada na expansão contínua de suas atividades, o que signifi-
iva uma certa soma cada semana a fim de cobrir cava para os membros do teatro um aumento constante
ersas despesas e para a compra do material neces- da soma de trabalho. Assim, embora em parte subven- .,
cionado, o Teatro Odin é um teatro particular, e seus
íurante todo o primeiro ano, os esforços de Euge- estatutos são os de uma sociedade anônima, cujas ações
arba concentraram-se na criação de sua revista e são divididas entre os fundadores do teatro - Eugenio
.maçãe desses jovens atores. Trabalharam eles de Barba, Agnete Strõm, Torgeir Wethal e Else Marie
num pátio de escola e depois num depósito de Laukvik, 2 o que, a nível de direção, pressupõe que os
l, onde começaram a montar seu primeiro espe- atores participem diretamente das decisões a tomar.
a partir de "Les Ornithophiles", peça do autor A transformação do Teatro Odin norueguês em tea-
~uês Jens Bjôrneboe, Seis meses mais tarde, assim tro-laboratório interescandinavo para a arte do ator
espetáculo ficou pronto, o Teatro Odin organizou exigia não só a criação de um certo número de ativida-
tournées através da Escandinávia, em condições des totalmente originais e inexistentes na Esandináva,
eiras particularmente desastrosas: seus rendimentos mas também uma estruturação nova da organização in-
iham do preço dos lugares individualmente, ou da terna e dos empreendimentos culturais nascentes. . O.
de seu espetáculo por 100 coroas dinamarquesas Teatro Odin abriu sua própria editora, cuja publicação
'ancos) a escolas ou organizações culturais. Foi du- TfT (Teoria e Técnica do Teatro) analisa materiais.
uma dessas tournées na Dinamarca, em Aarhus, sobre os elementos estruturais do teatro: pedagogia, téc-
l Teatro Odin recebeu seu batismo da imprensa. nica do ator, orientação estética e técnica de direção, de
, depois deste acontecimento ele entrou em contato cenografia, de espaço cênico e de arquitetura teatral.
a municipalidade de Holstebro, cidade dinamar- São igualmente organizados seminários destinados
de tendências culturais, que respondeu favorável- aos profissionais do teatro escandinavo, para permitir a
aos planos de Eugenio Barba; este planejava a confrontação com os teatros estrangeiros. Além disso, •
armação do Teatro Odin em teatro laboratório no mês de julho são organizados seminários de treina-
«andinavo, para a arte do ator, dispondo de uma mento para atores, com direção de, entre outros, Euge-
ade absoluta de pesquisa, de organização de tra- nio Barba, Jerzy Grotowski, Ryszard Cieslak e Stanislaw·
I e sem nenhuma imposição quanto à freqüência Brzozowski, onde os atores escandinavos vêm trabalhar
ealizaçêes dos espetáculos. Para isso, atribuiu-se durante quinze dias com esses professores diferentes e
subvenção anual de 75.000 coroas (50.000 fran- se defrontam com seus respectivos métodos.
e locais que permitissem desenvolver atividades
ias e escolher os participantes de diferentes semi- O relacionamento com o exterior não se resume
: que ali se organizariam. Por outro lado, não se nisso, estando o Teatro Odin em contato com especia-
nenhum número mínimo de representações. listas de diversas disciplinas, arquitetos, sociólogos e es-
critores escandinavos. Foi assim, por exemplo, que se
sta subvenção de 75.000 coroas representava a
parte do orçamento total do Teatro Odin, sendo realizou uma pesquisa, sociológica, em colaboração com
to subordinado à generosidade do Ministério de a Universidade de Copenhague. Foram consultadas 1.000
nos Culturais dinamarquês e do "Nordisk Kultur- pessoas que moravam em Holstebro, e que nunca tinham
, o que não permitia contar os déficits provenien- vindo ao Teatro Odin, indagando-se a sua reação ao ser
IS tournées ou das atividades gerais do teatro. Na anunciada a instalação desse teatro estrangeiro - em-
de, o Teatro Odin vivia em déficit constante. Era bora norueguês - na cidade, e sobre seu sustento pela
Ido então a tomar continuamente novas iniciativas municipalidade. Classificaram-se as respostas em posi-
ento no número de seminários, criação de um ins- tivas, negativas e indiferentes.
de cenografia) que, recebendo às vezes um pe- Um ano mais tarde, perguntou-se a essas mesmas
I crédito econômico, permitia pagar as dívidas an- pessoas se elas tinham ido ao teatro. Compararam-se
es. Isto quer dizer que tudo que era planejado, era os resultados, para verificar se houve mudança. Repe-·

tindo a mesma pesquisa com as mesmas pessoas, du- pectos, ele muda periodicamente de forma e de caráter;
rante dez anos, procurou-se observar: e que sua constituição não é nunca definitivamente esta.'
- Se houve mudança profunda na mentalidade do belecida. Otrabalho é estritamente contemporâneo a um
grupo, em direção a este fenômeno artístico, ele próprio espetáculo, cada espetáculo mobilizando o ator de um
estando constantemente em mudança nas suas Iomas" " modo diferente. .,
de expressão. Os horários mudam por muitas razões: de um lado
- Se o resultado de tal pesquisa permitia estsbele- por causa das atividades anexas ao Teatro Odin, que
.cer precisamente em que medida uma política cultural inevitavelmente, perturbam odesejo de um trabalho cons-
consciente pode transformar as reações negativas em um tante e regular, e por outro lado pelo motivo indicado
compromisso verdadeiramente assumido. no parágrafo precedente, isto é, porque o ator deve po-
Todas essas atividades requerem certamente tempo, der se movimentar em todas as condições e enfrentar
,esforço e trabalho. Por isso, a existência do teatro se todas as circunstâncias. Essas mudanças respondem a
deve ao espírito de colaboração que deve existir em cada um objetivo preciso, que é a quietude absoluta na qual
membro do grupo. Uma vez terminado o trabalho, cada o trabalho artístico deve se efetuar. Os horários variam,
membro se consagra às diferentes tarefas que lhe são I em conseqüência, de acordo com o período do dia onde
confiadas: trabalhos de conservação do material (não se dispõe de mais calma e de tranqüilidade. A carga
há técnicos no teatro), encargos administrativos, de tra- horária dessas tarefas invade freqüentemente a vida par-
dução, de manutenção, etc. Essas características da vida ticular do ator. Este é então obrigado a um sacrifício
do Teatro Odin fazem dele um conjunto vivo muito total de si mesmo com oque aliás todos consentem. Este
particular, e que não se 'parece com nada que se faz ponto fica desde o início muito evidente, e explica por-
habitualmente num teatro. Isso vale até para a arqui- que a seleção dos atores é às vezes difícil. Com efeito,
tetura dos prédios. os candidatos freqüentemente vão embora depois de dois
Com efeito, os locais colocados à disposição do ou três dias, devido às exigências inerentes à vida desse
teatro pela Prefeitura de Holstebro são uma antiga fa- teatro.
zenda situada em pleno campo, a dois quilômetros da É interessante potar ~qui como se processa a seleçso
cidade. Eles foram restaurados e transformados em duas dos atores para o Teatro Odin. Todos que desejam tra-
etapas, primeiro em 1966-67, depois em 1968. São divi- balhar no teatro podem chegar em qualquer período
didos da seguinte maneira: ao Norte, três salas, uma do ano. Onovato fica um mês trabalhando com o grupo
toda branca, aoutra toda preta, sendo as duas do mesmo fixo do teatro, a fim de sentir sua atmosfera, a autodis-
tamanho (150 m') efuncionando ao mesmo tempo como ciplina e as metas artísticas a que o grupo se propõe.
salas de representação e de treinamento. A terceira sala, Depois de um mês, se a Eessoa em questão está ainda
contígua às outras, éo "foyer" do público. Desta última decidida a se engajar no teatro, ouve, durante uma reu-
parte um longo corredor de 15 m, no qual se encontram nião, as opiniões de todos sobre sua atitude para com
.camarins para os atores, salas de repouso, escritórios o trabalho. Mas abstrai-se suas capacidades criadoras,
administrativos, uma cozinha, dois chuveiros e uma cujo teatro não pode ainda julgar, e ela é solicitada a
sauna. Este corredor vai até uma sala de leitura de ficar um ano em observação. Durante este ano ela tra-
100 m', que serve igualmente de sala de reunião du- balha com o grupo, tendo os mesmos direitos e os mes-
rante os seminários ou então para reuniões organizadas mos deveres que os outros. É aí que o candidato será
dentro do teatro. automaticamente membro do teatro, se não for consta-
É impressionante que, pela sua própria arquitetura tada nenhuma infração à disciplina coletiva (atrasos
o teatro seja concebido como um laboratório. t; uma constantes, alcoolismo, morfinomania, violação de se-
oficina de trabalho e não um lugar de "prestígio". Esta gredos profissionais). Oator é então escolhido mais por
concepção do local teatral particular ao Teatro Odin sua personalidade do que por seus dons artísticos. Ota-
deve-se à natureza do trabalfio que ali se desenvolve. lento é com efeito considerado como uma força de ca-
Primeiro, os atores são formados pelo próprio teatro. ráter que se manifesta ao longo dos anos de trabalho.
Por outro lado, se o trabalho preenche uma função bem Consiste na capacidade de atualização de criação em
definida, veremos mais adiante que, por múltiplos as- criação, isto é, na recusa de soluções já encontradas e

em turnos. atriz pôde expressar completamente os paritos que a irri- lhido. Meyerhold. a importante não é a exe- pensável dentro desse tipo de grupo. ou decisões tomadas perante todos. Concluindo. tão delicada. epicurismo. discussão relativa a um desses problemas. mas as motivações e os im- cia pode muito facilmente tornar-se pesada. e evi- exemplo. seja num desacordo entre colegas no trabalho. Craig. dentemente. ou determinado aspecto do trabalho. Estes são na reali- terminada pessoa. lizam sob a forma desses exercícios. Dullin.m consideração. etc. onde a coexistên. onde o ator deve ter uma * Modalidade de esporte em esquis que consiste basica- perfeita disponibilidade tanto psíquica quanto física. tournées. Esses elementos aparecem freqüen- de teste que em sua opinião impeça um julgamento justo. ele pode se ressentir como uma ferida psíquica. temente. Essas cera . É uma ques- atores. Ela tinha sido ouvida. que disciplinam o fluxo dos impulsos do ator durante cores ou hostilidades nefastas para a própria vida eequi. e aquelas mais difíceis.. pelo traba. . Esta exigência é com efeito indis. os atores pulsos pessoais que impulsionam o corpo e que se cana. e naturalmente as diversas fases do teatro moderno visto com a maior atenção. quando aparece um série de exercícios. Em seguida Barba deixou que a discussão fosse aberta o que durou os atores fazem o trabalho prático dentro do teatro. Este As oito horas de trabalho quotidiano são interrom. uma das improvisações mais notáveis que pudemos assis. e cada período dura de mais de três semanas. Eugenio consagrados inteiramente a um ou a outro. Um ator novo podem ser resolvidas senão pelo diretor-artístico. Copeau. Por mais de duas horas. dade como as barras de um slalom*: elementos fixos Essas queixas se transformariam rapidamente em ran. ensaio foi alguns dias antes de uma partida em tournée pidas por uma pausa de uma hora. e são sempre levados em conta. que não dos meios financeiros do Teatro Odin. o tom de marionetes na Ásia. de acordo com a proposta dada pelo diretor anís" tavam. uma vez terminado o debate. história do cinema e sua técnica. Estudo descritivo da preparação física e vocal do ator Eugenio Barba expõe os assuntos em pauta (propostas. que se tomam marcas fixas em tomo problema delicado. Este aspecto da vida interior tes (Stanislavsky. das quais o ator improvisa. sinuosas e obstáculos artiliciaís. Ele receberá então um salário mensal de bem quanto é necessário ao ator exprimir aquilo de que I . não devem reprimir seus inevitáveis problemas com de.suscetíveis provas parecem necessárias a Eugenio Barba para julgar de perturbar o ritmo de seu trabalho ou contrariar seu ovalor humano do candidato. que podem ser ventilados. Uma boa saúde psíquica é com efeito necessária para este trabalho. Uma atriz falou do seu descon- quatro horas consecutivas sem nenhum intervalo. todos os pontos de vista diferentes através do trabalho prático e teórico de seus representan. ~ impressionante observar que. Cada um pôde se pronunciar.. estes períodos são divi. realizou-se lho de treinamento durante uma semana.) . didos entre aulas para os atores e ensaios. cada elemento do Teatro Odin é encarregado de fazer tiro a valor deste trabalho deveu-se em parte a que a uma ou várias palestras sobre um assunto por ele esco. atividades paralelas do Teatro Odin) a ponto de partida para a preparação do ator é uma e exige de cada um sua opinião. seu treinamento. No jargão teatral chama-se isto de líbrio do teatro. e sem dúvida uma das pri- meiras razões da viabilidade de um tal empreendimento. teatro se as discussões são as vezes calorosas e cerradas.e. Todos os meses o teatro se reúne para discutir os problemas que este tipo de comunidade pode encontrar. pois ele recusa toda forma equilíbrio ~síquico.na escolha constante do caminho mais difícil.francamente sobre todos os elementos. do teatro é bem marcante. então faz parte do dever do ator: tentar se exprimir sin. mas são eles que escolhem este teatro. Isto mente em atravessar um determinado percurso repleto de curvas. seja quando alguém se sente frustrado por eertas infor- cular de recrutamento o Teatro Odin não escolhe seus mações. projetos. Desse modo podemos escutar conferências sobre vadas e. diremos então que com esta forma parti. De tentamento por não ter sido suficientemente inforniada acordo com as épocas do ano. e suas queixas foram le- tico. cução deste trabalho físico. esta de saber equilibrar as decisões toma- Uma outra dificuldade surgiu devido à insuficiência das a vista de todos. ou então Se bem que o momento não se prestava a isso. das condições gerais nas quais esta tournée seria feita. data a mos a oportunidade de assistir durante um ensaio uma partir da qual ele será definitivamente considerado mem. não se altera jamais. e que mostra bro do teatro. Tive- não receberá nenhum salário antes de um ano. Além disso. cada um é responsável. cerca de 260 francos. temas tão diferentes como fisiologia.

na situação em escondida do ator.outro lado. cícios. sabendo que este res. isto ticular de exercícios (plásticos. O termo bio-me- de expressividade e um controle tão perfeito quanto pos.: culados opõem-se ao trabalho criador que. Foi feita uma pesquisa particular nos treinamentos. dificuldades que oimpedem de alcançar um estado supe. Em outras pala- veis de ações que o ator empreende. outros. após os Ornithophiles. ele cria praticada por Meyerhold. ao ator se expressar durante o treinamento. 5 . NOTA: Não há no treinamento. etc. si mesmo nada tem a ver com a direção geral estabe- tritas. com Excetuando-se sua utilização como sinais que permitem o qual ele se satisfará facilmente. após zas físicas. Dia após dia. e muda de tempos em tempos.às ela. Alcançando este estado. de mo. E quando se fala vras. uma pes- vimentos incontroláveis. o ator tenta eliminar as verá enfrentar no seguinte. corpo. São eles não existem na prática compartimentos estanques sepa- que animam eencadeiam os detalhes lógicos e perceptí. cânico é empregado na técnica de formação do ator sível de todo seu corpo. certo perigo (quedas. é efetuada de maneira individual.). o que se resume em encerrar toda uma série de movi- dos de reações orgânicas que serão sinais e servirão para mentos estereotipados. o fluxo lógico de seus impulsos. estão enraizados na memória de seu corpo. ator pode tomar-se muito rapidamente um clichê. o que equivale dizer que primeiro espetáculo é o obstáculo de partida que ele de- por intermédio deste trabalho. uma pesquisa sobre seus reladona. deve sempre se basear num rigor e disciplina es. rior de conhecimento e as possibilidades de seu próprio tinha que ter um ritmo contido. Percebe-se imediatamente que esta preparação de modo rigoroso. e corresponde aos impulsos interiores do ator. borações racionais. centros de resistência corporais que inibem a expressão mas pelo contrário. quais empreende-se uma pesquisa cenográfica. entende-se a própria mitologia secreta e mais adequados aos impulsos que sente. tais exer- ponde a uma realidade orgânica. o ator deve eliminar suas resistências. baseado em silêncios. Para o diretor russo. É esta mitologia que se traduz sem. durante seu trabalho o ator emprega os exercícios de impulsos. lógicos e são segui. eles são descritos e agrupados • biológicas e irracionais . particular nas suas mani. vivazes. quisa sobre o ator. musculares ou afins. Seu universo interior. Otreinamento visa realizar assim não certas proe. mada de associações de idéias decorrentes desses exer- festações e nos seus meios. pois é. Acrescente-se que o tema por eficaz. mas a sobrepujar os Ornithoplziles: a vitalidade não devia ter livre curso. passos acrobá- ríodos. a comunicação no trabalho criativo de improvisações. É for. é fácil constatar que . Os vimentos. bio-mecânicos. ° "cavalgar tigre": toda forma de caos psíquico. Por . Por motivos práticos inerentes à apre- sempre por uma linguagem pessoal que vai das reações sentação deste estudo. saltos perigosos. etc. e que o conhecimento expressivo do ator num nhecer seus próprios limites. que se exprime que se encontra. rando os diferentes tipos de exercícios. esses os diferentes espetáculos são muito diferentes uns dos exercícios são para o ator um teste que lhe permite co.. era uma uma intimidade. impulsos surgem numerosos.as mais instintivas . Exercícios de bio-mecânica. Além disso. Este não é sinônimo de cadência. Assim é que Kaspariana. Esses im. Estes são definidos por espetáculos através dos ticos. graças às quais ocorpo deve manifestar claramente lecida para o trabalho. Descrição dos exerciclOS nico.. nenhuma série par- pulsos são resultantes de sua própria subjetividade. uma espécie de aproximação com seu linguagem corporal baseada sobre a economia de mo- corpo que permite uma enorme liberdade psíquica. tanto físicas quanto psíquicas. e apta a delimitar a atuação social do ator. ser feita de nuanças e canalizada do ator. segundo suas características. constitui este universo do ator. espetáculo rápido e desencadeado. No Teatro Odin este termo acompanha toda forma Mas uma forma de expressividade encontrada por um de exercícios onde aparecem elementos acrobáticos. cícios apresentam três dificuldades particulares: Esta é uma das razões pelas quais o trabalho de a) O medo: esses exercícios trazem em geral um Eugenio·Barba assemelha-se aquele de um pintor de pe. para alcançar um grau legítimo J. pois nota-se a pre- sença daquilo que podemos chamar de um ritmo orgâ. de gritos ou outros sons inarti. mas de variação. para ser mentos com o espectador.). única em seu valor artístico. A terminologia desses exercícios é criada pelos pre sob a forma de uma composição articulada que membros do teatro.

sabe o que é necessário fazer para passar da primeira 8) Salto de Ryszard: ir em cambalhotas. 4) Salto do malabarista: apoiar-se sobre as mãos. o outro dá uma melhor dizendo. cisa. precisamen- já se viu executar ações que seria incapaz de repetir "a te.. parece uma repetição. nas frio" ou sob comando. metas. dar impulsos cos- o espírito pode pressentir onde deve chegar. virar a cabeça e terminar com uma cambalhota. Entretanto. beça (Ha) e os pés (Ri) do adversário tomando cuida- lhota para trás. ele resiste e não obedece aos impul. deixar cair o peito Os dois exercícios que se seguem possuem uma curvado. que são sempre indi. viduais. lado do rosto. dar um impulso co. o joelho acima da ca. é na prática essencial.. no chão. mais em uso). se bem que adaptadas sobre os braços e as pernas). 18) Combate com bastões ou Ha-Hi (interjeição depois dar um impulso bem rápido com os braços e que consiste em estímulos vocais que agora não estão as pernas e ficar em pé. o que é no caso preciso esquivar-se dos golpes. . as mãos ao comprido. frente e cai de pé. o rosto voltado para o lado. da. o outro. - imagmaçao. cair suavemente dobrando os braços. inteiramente livre. ou 14) Um dos dois fica de quatro. mobilização de si mesmo. Os dois combatentes devem ~' i alto. Essas proezas são em geral rea. da energia que o anima. depois todo o corpo. beça. fica de cabeça para baixo. empurrando com as mãos para . colocadas ae sos e aos movimentos sucessivos que permitiriam reali. os movimentos ou mesmo analisá-los mentalmente. Se 7) . apoiado sobre os· joelhõs de seu par- ver inteiramente livre e responsável por ele mesmo. quaisquer que exijam uma mobilização brutal e intensa 12) Saltar sobre os ombros do parceiro. das costas e das pernas para o abaixando-se ou saliando. seja ordenado dos braços. por- que são vazias de qualquer intervenção intelectual. Tentar alcançar alternativamente a ca- 5) Salto do para-quedista: fazer uma meia camba. pegá-lo de nós mesmos. o parcsiro sobre o estemo. 1) Salto do tigre: saltar o mais longe possível e 17) Equilibrar-se nas mãos. ços e descer docemente sobre o ventre ficando curvado. Esta última determinação que. Deve-se trabalhar aqui sob um ritmo tudo na região lombar. Dar impulso com todo o corpo e sobre- zar os exercícios. Este exercício deve ser feito num ritmo bem in- . a uma situação racional. Andar de cabeça para baixo. 2) Queda do cisne: de joelhos. terminologia japonesa completamente arbitrária e que 3) Queda do cavalo-marinho: apoiar-se sobre as não pretende ser uma cópia fiel dos costumes dos guer- mãos. as pernas exercícios só podem então ser realizados se o corpo estio dobradas. assim que todo o corpo não estiver mais do para que ele não o ataque da mesma forma para sobre os ombros e sobre as mãos. Y) Ficar de cabeça para baixo e continuar curvado xa: a maior parte do tempo. pontas do pé. . só o corpo tas-braços para ficar em pé. Aí então ele seguirá espontaneamente o impulso 16) Cambalhota sobre um só joelho. cada um de nós 10) Combater golpeando rapidamente. se apoiar nos bra- lida. lizadas face a um perigo súbito ou sob circunstâncias 11 ) Salto do tigre por baixo do parceiro.rápido e intenso pois é realmente impossível decompor ficar de pé. praticamente sem que nós nos demos conta. nossas ações são dirigidas (as costas curvas e viradas para o chão se sustentando 'i : e controladas pela inteligência. sem usar as mãos. SOe 13) Ficar em pé nos ombros do parceiro. passar com tal rapidez de uma posição à outra. se o corpo não está 6) Estender-se de costas. até os pés. somente o corpo consegue uma tal cambalhota por cima. Na pas- posição à posição final. descendo suavemente. Se encolher dando uma cambalhota. Esses 15) Um fica deitado sobre as costas. ficando na posição inicial. colocar o reiros japoneses. muito rápi- que o esumula. e ceiro. saltar ao chão e dar outra cambalhota. as pernas ficando paradas e voltando para uma cambalhota para trás. Serve simplesmente para estimular a peito no chão. . b) Disponibilidade compíea. dar uma volta no ar e ficar em pé o mais rápido constantemente vigiar-se lutando de maneira bem pre- possível. sagem do ombro estender as pernas. de cambalhota. dar uma mente o corpo é capaz de suportar um tal ritmo. . Depois pula para a deve seguir suas próprias regras. c) Mobilização total da energia ou conduta reíle. mas sem brutalidade. · . Essas ações reflexas nos levam a certas pelo meio do corpo e cair do outro lado.

e dão uma êambalhota bem rápida. dõ as costas estão arqueadas a testa fica levantada e ção e sobre seus parceiros. sempre de quatro. elevar as to. um no outro. os pés devem alongar-se o mais então ser executado segundo o mesmo princípio. c) A bacia se levanta. voltar à mesma posição. Descer as pernas em direção a vimento feito pelo lado direito. a cabeça se estica girando ao redor da base do as maos.inicial. se manifestar por sinais físicos e vocais articulados e 2) Equilíbrio sobre os ombros: sobre um lado da tendo suas próprias lógicas. precipitam-se um ao en. a. Quan- de reações-respostas projetadas pelo ator sobre a situa.nidos de um bastão estão cada um de um lado da sala. ca- contro do outro segurando seus bastões pelas duas extre.e 0. dito possível da cabeça e desenhar um semicírculo com as de vetores contrários. elevada do corpo. a coluna vertebral age só em movimentos seme- lhantes aos de um gato curvando as costas.ienso com uma posição de corpo igual a imagem que b) Depois. tomando-se a parte mais b) De novo face a face. etc. dão estendidos ao máximo e o corpo adota exatamente a uma cambalhota para trás e voltam à posição inicial. c) Saem de novo e se batem desta vez com os d) Depois. pelo impulso. ombr~s . Os braços estão então midades. Retomar à posição inicial. Depois. cada um por sua nas posições que não são naturais e que é necessário vez. os 19) Combate do Samurai: os dois adversários mu. este desejo de independência se trans- se tem de um combate entre dois Samurais. Assim que fica o mais próximo possível. Descê-las devagar. e a bacia por uma espécie de diálogo entre o ator (o sujeito) projetada para frente. o ventre violento golpe de bastão para frente. por exemplo. São efetuados quotidianamente e permitem. as costas vol- tos que o gato faz quando se espreguiça. Mas o U. Pode-se também ver até que ponto afrouxa-se do lado. Exercícios elementares: peito se opõe a este esforço e tenta tocar o solo. Essas variações se manifestam bac~a e as costas. sustentando a bacia com corpo. pernas. que se alongam ao se levantar c. a cabeça. turais que. com I liga aos ombros. as mãos no chão. com este movimen. braços. medir o grau de expressividade do ator aproximar o mais possível do queixo. mãos. posição do gato se esticando. Quando se cruzam dão um grito. os braços ao longo do na ve!tical. o gato deixa a maior parte do seu corpo em con. Batem somente os bastões. mos atentamente. com as duas pernas a) Estirando-se de bruços. para atingir sua plena eficácia. Ooutro braço garante o equilíbrio. sempre tentando atrair o tronco. a perna portanto justificar. 4) A ponte: permanecer arqueado. no exercício 18. dente. Descer devagar. perpendicularmente ao corpo. ante~ e) Ambos os joelhos estão dobrados e tentam se de mais nada. mite a toda a parte superior do corpo. Ficar bem reto. as pernas se aproximam dos bastões como está indicado acima. Impulsos e reações devem vice-versa. e os pés ficando no chão. peito. Ali. esti- a vida expressiva do corpo não é devida a tal ou tal rando-se o mais possível sobre ela mesma: o joelho posição que são de fato atitudes-clichês. de quatro. dão um o peito para levantá-lo o mais alto possível. sobre as mãos e os pés. lombar suporta todo o esforço. Aparte impulsos. Este exercício deve cabeça e ao chão. necessariamente e pela sua própria existência 3) Ficar sobre os joelhos: de joelhos. 5) A vela: estirar-se sobre as costas. II pescoço como se quisesse se libertar do vínculo que a 6) Equilíbrio ou bananeira sobre a cabeça.as mãos a) Eles atravessam a sala correndo ambos na mes. constatamos que. cabeça descansa-se sobre o ombro e o braço correspon- estabelece-se então um processo coerente de reações na. a cabeça por si mesmos.aqui . Estirar-se e descansar alguns instantes. mas sob um fluxo constante de ações e passa então a contrariar os movimentos do corpo. beça e braços em direção aos pés. Depois as mãos empurram ma diagonal. Voltamos a volta então para a posição anterior e a perna retoma indicar que esses exercícios são sempre efetuados não sua posição . pernas o mais alto possível. contrastará com o mo.posçao e semelhante ao de uma cobra . Relaxar. 1) Ogato: este exercício inspira-se nos movimen. a cabeça atirada para trás. Se observar. tadas para o chão. A cabeça. colocando a ca- e a situação (o objeto) sobre a qual se projetam seus beça no chão. Se este ponto é respeitado. 1 . curvar a levam a uma evolução. deixando-se levar ficando sempre no chão. sustentando a bacia com as traste.

O ator é obrigado então a se locomover em constante Na prática. Eles devem ser erecutados com clareza e seguir precisa- mentares. foram expostos não são respeitadas. marcando os momentos deve constantemente observar um ritmo de trabalho se. Aregra básica do presente trabalho é que em todas as tada para a frente e virar com todo o tronco. o lado. com as pernas rijas ou dobradas. que os calcanhares . corcunda. Método Delsarte em particular.e as pontas dos pés intervêm preci- vero. É sempre a coluna vertebral que se tade exercícios de bio-mecânica.). obeso.). Não possuem senão uma função. 7) Andar sobre os calcanhares. xos que são os exercícios. e no voltados para a planta dos pés. O ritmo no qual é efetuado um exercício balho. 8) Câmara lenta ou ralentamento: esta fase é li. poder se servir de toda a técnica de que dispõe. e misturar à von- virar a cabeça. A dificuldade desses exercícios leva freqüentemente É indispensável lhes comunicar uma expressão e uma o ator a procurar um tempo de repouso durante o tra.). vida teatral. os movimentos adotando a forma e o ritmo da curva. a composição de vremente dirigida pelo ator. "as mãos cruzadas por detrás da cabeçít. 10) Modo de andar de Carlitos. visação. que as sessões durem quatro horas sem pausa. De início. no impulso e na sua 11) Andar com uma perna na frente. mas rebolando-se. b muito outras palavras. adapta às diferentes posições. características fí- os dentes. dobrada. pois o ator deve ( bral. I se propõe efetuar deve ser precedida do movimento in. I 12) Andar com os joelhos e os pés para dentro. sicas (velho. etc. que trabalha sempre em correlação e freqüente. 3) Mesmo exercício. 8) Andar com as pernas rijas e sobre a ponta Eles podem responder a dois princípios diferentes: dos pés. Trata-se mais uma vez de ultrapassar um segmento que não pode ser reduzido durante a exe. Um terceiro exercício.Toda ação deve seguir. circunstâncias o ator não deve jamais efetuar uma série . Ill. esforçando-se para desintegrar os movimentos fi. enlameados. movimentos físicos pertencentes à linguagem corporal. por intermédio das ações que 2) Andar no mesmo lugar. seja sob forma de impro. jovem. e para isto é é relativo a uma série de impulsos que constitui o ali- proibido ficar na posição durante um exercício. joelho da perna que está na frente. e o outro lado preso entre nosos. a lei dos vetores contrários: toda ação que a outra perna atrás. Exercícios plásticos 4) Mesmo exercício. etc. modos de andar. samente. não podendo. mas andando para trás. etc. atirando os pés para ele se propõe a representar. . 6) Andar desengonçado com os dedos dos pés todos de treinamento na barra dos bailarinos. o ator 1) Andar de pantomima. Deve-se combater esta tendência. A cabeça deve estar vol. pedregosos.Todo exercício deve ser efetuado com a sen- dos pés. o que Iorça ao máximo a coluna verte. este barbante ser afrouxado. Se bem mento de expressividade deste trabalho. 5) Andar na ponta dos pés. A maior parte desses exercícios faz parte dos mé. Em \ mente emoposição aos movimentos das pernas. extraído do Teatro Kabuki: Tudo isso é uma amostra das possibilidades de traça-se uma linha imaginária entre os pés e a cabeça. seja na repetição da série de exercícios ele. mente as intenções que o ator introduz rio seu trabalho. etc. sação de uma certa harmonia no corpo. as diferenciações nos exercícios que desequilíbrio. Outros exercícios adap. ele pode utilizar à sua maneira todas as importante não contrair os músculos da nuca e não categorias de exercícios que conhece. t verso (antes de atirar-se para frente. faz-se um ligeiro 13) Mesmo exercício que o n9 11 mas girando o movimento de recuo. de composição. esticada. 9) Andar com as pernas dobradas e na ponta . Exercícios de composição antebraços. e execução. o sinal-estereótipo (o da pantomima) e reagir às tarefas cução dos exercícios. 7) Equilíbric ou bananeira sobre a cabeça e os IV. utiliza-se um barbante eaos impulsos que oator se dá: diferentes terrenos (are- amarrado a um dedo do pé. tados da Opera Chinesa são igualmente empregados.

Existe apenas uma dúzia ganta. do occipício. para se fazer ouvir não podendo mais diferenciar-se dos grandes teatros. jamais utilizar tica.exercícios. isto é. da gar. agir muitos ressonadores ao mesmo tempo. Para isto o ator deve sempre utilizar um texto que ganhe vida segundo seus impulsos do qual dependerão o ritmo ° das frases e valor semântico. cilmente a uma tal concorrência. Esta situação é a única na geografia teatral escandi- lizados são os da cabeça. 2) Todo . V. Oator deve ultrapassar. Eugenio Barba dizia a seus movimento os "ressonadores fisiológicos". mas sim medir sua potência. Os exercícios vocais respondem a três princípios básicos: 1) Todo exercício vocal deve ser uma ação vocal. mas deve-se pagar do mente e alcança uma grande amplitude sonora. tradução de Carmi- . que esta não deve nunca estar contraída nestes de La Recherche Scientifique. e perdem pouco a espontaneamente de um a outro. pois nesta gundo princípios de higiene vocal que ordenam simples. Paris. do peito. época nenhum teatro grande explorava . estudo de C. Enfim. sobrevivem difi. éditions du centre nacional na boca. Depois. 1978. de vanguarda. isto é.ainda esta veia artís- mente . diferenças pessoais que se encontram naturalmente. a fim de deixar passar o ar livremente (Extraído de Les Voies de La Creation rhéâtrale. procurar os efeitos. na sua maioria. O ritmo. diante do sucesso obtido por esses um ressonador de forma mecânica. ela é sentida através dele. ·é preciso gritar nele. seia no período de setembro de 1967 a abril de 1968. Os teatros já são com efeito financiados pelo Estado. O ator seu bolso para ser criador no seu próprio teatro. sendo que os mais uti. nha Lyra). . pulsação. do nariz. vol I. perdendo assim sua originalidade e não é o alto-falante no microfone. Observamos finalmente que não existem exer. atores: "É preciso ser pago duas ou três vezes mais que o normal tes do corpo graças às quais a voz se modifica natural. Exercícios vocais A voz é uma fonte integrante do corpo.ao ator jamais forçar a sua voz. uma descoberta de seus limites e que convém a ele saber como superá-los. . evitar a uniformidade da dicção teatral e explorar as ção que seus impulsos comandam. sendo as eventuais precisa." deve conhecer seus ressonadores. eos localizados nas costas e no ventre.de exercícios que não seja o resultado de uma intenção cícios de dicção nem de respiração. Esses pequenos teatros possuem meios tanto O ator deve . Parafraseando Meyerhold. A ação vocal nasce no corpo. L. Há quinze anos atrás. Não se deve esquecer que o exer. e o eco deste impulso se exprime pela voz.para ° cio pela animação. destruir o exercí. O ressonador é para a voz o que culares. ritmo. similarmente a esses pequenos teatros parti. como técnicos muito limitados. repetimos. exercícios adequados. Bourbonnand. e ser capaz de fazer pouco sua razão de ser.saber quais impulsos lhes permitem passar econômicos. eles se distinguiam dos teat~os subvencionados por um reper- tório audacioso que apresentava uma literatura rontemporânea Esses exercícios vocais devem ser executados se. Esses últimos. de particulares. o ator deve saber que é necessário que a laringe esteja sempre aberta. Aubert e J. anomalias corrigidas' por . algumas vezes pelas municipalidades. isto é. um impulso impresso no corpo. xício é também um teste das possibilidades do ator. a intensidade e a significa. para representar no teatro dos outros. e cuja rea- lização torna-se som. significa variação. pouco a pouco. Esta é sempre. os teatros "ricos" ajustaram uma parte de seus repertórios. e se opõe à monotonia e à NOTA: a descrição dos exercícios utilizados se ba- cadência ·'Sincopada. não escutar-se e não autores modernos. as par. em partícular o "teatro do absurdo". 2. nava. a princípio. pode-se por exemplo utilizar a voz como um instrumento que per- mite completar uma ação: é um martelo que prega um prego na parede ou uma faca que esculpe a madeira.impulso deve necessariamente por em J. Este corresponde à um impulso do ator.

Trata-se da animosa rivalidade existente entre diretores e demais profissionais da criação teatral: figu- rinistas. iluminadores. que habita so- branceira os palcos americanos. Being and Becoming (Drama Book Specialists). . que levam suas idéias avante sem se importarem em ouvir o diretor.. quem sabe.tentam fazer tudo sozinhos. etc. Benedetti é deão e diretor artístico da Es- '": I cola de Teatro do Instituto de Artes da Califórnia. que "constroem todas as coisas erradas primeiro". que acreditamos vá proporcionar aos nossos leitores interessante material para reflexão. Benedetti . que não sabem o que querem. que não têm a capacidade de "visualizar" ou ainda. cenógrafos. toda ela relacionada a um melhor processo de comunicação. ao mesmo tempo que lança a sua contribuição "terapêu- 1 tica". venha ajudar a impedir que o mesmo problema se instale entre nós. e autor dos livros The letor at Work (Prentice Hall) e Seeming. I Cadernos de Teatro apresenta este curioso texto de Robert L. enfim. e dos "designers" 2 que não sabem ler a peça. Já tendo trabalhado como diretor ecomo "designer".DIRETOR VERSUS EQUIPE Robert L. Robert L. que "visualizam" demais . O artigo contém interessantes informações sobre a realidade do teatro americano. Cheguei mesmo a ouvir diretores de- sesperados afirmarem que produtores e técnicos têm um 1. ouvi muitas vezes em conversas de bastidores falar-se mal de ambas as partes: dos diretores. Neste texto. além de que. .se é que isso virá a acontecer algum dia. que em sua maior parte ainda não nos alcançou . 1 que procura analisar um típico problema do teatro americano. Benedetti. Benedetti faz um diagnóstico dos principais aspectos da questão. .

e assim. existe sem- feitas por eles. de fato. no seu impacto para a totalidade da res. "a dependência gera a hostilidade". Não se trata apenas de uma uma espécie de "casamento" semipermanente entre ambos. a nosso ver. Quando realmente desenvol- 2. de uma convicção subconsciente de que as relações entre procuramos aproveitar todas as oportunidades de traba- diretores e designers têm de ser necessariamente adver.explícita e implicitamente . etc. empatia recíproca. os designers são ensinados Não existe no teatro uma relação de trabalho que . dado o caráter nômade do teatro americano. sabemos que deve haver um modo melhor. Considere-se.não estão significativa e profunda. Essas coisas são. figurinos. "encontro". a luz. o isolamento: dada a jamento e produção. lharmos em conjunto. conforme George diretor e designer se engajem . enquanto os estudantes de direção aprendem a "se produção. e como o julgamento público do importância e a dificuldade 'do trabalho que diretor e espetáculo vai depender tremendamente das capacidades designer reaIízam.sem men. a norma sabem como é importante esta colaboração. por exemplo. nós ficamos supergratificados por enfim conse- específica. Suspeito que se deva ao fato de que podem chegar ao ponto de perturbar o delicado equilí. Isto não acontece somente pela crescentes -. e todos já Em função disso tudo há uma grande pressão sobre passamos por essa experiência que revela o desperdício o relacionamento entre diretor e designers. É muito raro que uma constante fonte de preocupações e. difícil mudar as escolhas feitas na fase inicial de plane. Tenho visto isto em todos os níveis: nos melhores res. quase sempre em uma época em que o pre a ansiedade dos primeiros encontros entre ambos. com nossas necessidades e nossa força..a não ser em raros momentos .e'embora possa parecer paradoxal. Os dois lados e a estupidez desta norma . esta 'família" qualquer que fosse o lugar onde estlvessemos trabalhando. cujo impacto na produção respeito mútuo e por uma comunicação efetiva. As 'escolhas proteger" dos designers. que a relação diretcr-desgaer. constituindo uma espécie de fa- sas. se fissionais alcançarem um nível de relacionamento genui- tome ainda pior. Se estas relações não são facilitadas pelo tão tem um papel pequeno.) "Designer" se refere no original aos pro. diretores e designers não aprenderam a falar a mesma brio de amor e ódio que sublinha qualquer interação língua e. e isto é algo em nossa tradição teatral namente estimulante que. Na falta de um termo em português. de criação íntimo e prolongado. optamos por manter o original inglês "designer". que trabalham em estreita colaboração com o diretor.a enfrentar os direto- seja tão crucial.juntos . os con. (N.e no entanto. mília teatral. uma a mútua desconfiança. Mas. seríamos bem mais ricos se pudéssemos cons- tit~ir. ser aceito. Nós todos rização.num processo Bach gosta de dizer. como é persiste. ~ tão raro. quando isto acontece. suficientemente a par dos problemas e preocupações uns Parece-me que as condições sob as quais designers dos outros. vermos nossa compreensão dos problemas dos nossos fissionais responsáveis pela criação da luz. e que não são de modo algum "gente de teatro". nem tampouco fruto de formações radi~l­ guirmos compartilhar uma 'troca equilibrada de percep- mente distintas. companheiros. exercido pelo designer. programas de formação. decorrentes da busca de objetivo comum. Esta dependência é passem tão pouco tempo reunidos. os longos períodos de trabalho e vez que os ensaios estão aeenas começando. semelhante àquele exis- mormente numa relação orientada para uma determi. que englobasse essas di. sobre o cliina da peça. tro. se comparado ao impacto do trabalho flitos normais . será minúsculo. ambos os pro- zem com que esta situação. questão de compartimentalização ou de união sindical ~ claro. e o terrível momento do que vão fazer a peça correr bem ou não . quando oprimeiro projeto é apresentado para cionar o impacto que os figurinos terão sobre a caracte. tarmos a nossa capacidade de comunicação com base . já por natureza difícil. é que vão isolamento. segue-se que precisa ser mudado. cenários. rejeitado ou assumido pelo diretor. tente entre ator e diretor. diretor não sabe exatamente o que vai acontecer. Em nossa profissão..a mim me causa espanto que eles e habilidades de ambas as partes. durante os quais os designers medrosamente dar o tom visual e reforçar uma série de especificações preparam o primeiro esboço. e quando aumen- versas atividades. mesmo quando o ator em ques- nada meta. não estando assim aptos à formação de uma e diretores americanos desenvolvem-se e trabalham fa. da R. quando realmente entrarmos em contato etc.temperamento totalmente diferente dos diretores e ato. . falta de tempo. convicção esta que já está entranhada em nosso tea. sintomas ções e uma saudável comunicabilidade mútua.

E mais. quando todos I Uma relação orientada para uma meta é motivada e unificada em primeiro lugar pelo objetivo comum . 1 " f:- cia. num dado gundo. mas tem tira força e inspiração do todo. que cada membro de um grupo efetivamente alinhado Esta unidade pode ser vivida em vários níveis. pretende alcançar o máximo de I objetivo. tome-se efetivamente alinhado. todo o potencial para a unidade existente ameaça a criatividade individual: ao contrário. isto é apenas um dos modos. E. surge.apesar de ser uma síntese de idéias e energias de um numeroso I AFONTE E OBJETIVO COMUM: A PEÇA "grupo . Se uma determinada produção. estes territórios se sobrepõem e não são longe. todas as partes devem manter entre energia. nós podemos exercer um controle sobre Quando um diretor e um designer resolvem traba- cada um destes elementos. todos os par- personagens engajados em um conflito. suas energias ~t quer que seja a interpretação dada ou qualquer que seja independentes fluem na mesma direção. da peça. uma surpresa. podemos dizer que uma peça é um evento que. o compromisso se torna um problema teatro contribuem para a criação do todo final. cada participante deve ser capaz de apoiar os local ou locais. Nós mesmos teremos de nos sentir e desenvolver mutuamente exclusivos entre si.num respeito genuíno. cada peça contém em si o todo. da escolha de uma terceira pessoa? Podemos supor. A evolução desta consciência partilhada é que constitui o fio con- a semente da unidade. já tenha considerado o potencial de nossa relação do ator. mas o que fazer nas inúmeras vezes consiste o processo de trabalho' de ambos os profissio. e o espaço é da responsabilidade dos designers. É preciso encontrá-lo. durante o processo de criação ou de 'pre- paro do evento. os membros individuais do única e integrada. aprender a viver sem ele ou terminar a relação. quão grande e unida pode ser a "família" peça toma-se um acontecimento. Este alinhamento de modo algum interfere ou I efetividade. como outros eventos. um evento. Uma vez condições. a oportunidade de cada elemento dutor do processo de criação dos designers e do diretor.como uma experiência teatral integrada . A nossa confiança no julgamento ritmo) constituem a responsabilidade primária do dire. com muita Quando o teatro mostra o seu melhor lado. pante recebe do grupo mais do que dá.l- a circunstância teatral. cada uma se dissolve na COMPROMISSO E APOIO outra. o produtor ou seja lá quem matéria (o personagem) é da responsabilidade primária for. que o diretor artístico. . estabelecer lhar juntos. surge uma consciência partilhada. teatral americana. da produção de se unir para produzir uma experiência Quando isto acontece. Evidentemente.apareníemeate criada por uma única consciên. si uma comunicação livre e aberta. o todo de um grupo integrado tor- Considerando-se somente o aspecto físico da pro- na-se maior que a soma de suas partes. Se- direção a uma resolução num dado tempo. mas cada um representa reciprocamente nossas atitudes mútuas. o compromisso na relação é assumido por os limites dentro dos quais eles vão ocorrer. Desta maneira. do grupo. tempo e em termos positivos. Examinemos estas uma das perspectivas que constituem o todo. como outros. e cada partici- dução. para um mesmo . outros participantes em seus objetivos dentro do esforço uma peça não pode realmente ser reduzida a matéria. em que nos achamos trabalhando juntos como resultado n~s em questão. um engajamento inicial. isto se dá porque. então poderemos ver. tal- Podemos supersimplificar o processo dizendo que a vez. de modo real. Primeiro. a realização da peça. que um evento ocorre. movendo-se em ticipantes têm de estar comprometidos na relação. qual- grupo da produção tomam-se alinhados. especificamente. pelo menos.no trabalhando em um nível elevado em termos de reali- visual e nos sons que gerarão todas as outras percepções zação pessoal. mas este começo não leva muito Obviamente. uma posição a partir da qual esses vários artistas de Em resumo. cada quando você ainda não o tem. cada uma dessas partes torna-se intrinsecamente ligada à outra. ou. desde na peça deve ser alcançado por seus próprios meios. forma. temos que cada um está de ser alcançada primeiramente no nível físico . dessa pessoa pode fazer com que exista uma base para tor. Terceiro. os membros da produção contribuem efetivamente para no caso. Mas. um éuma porta que dá para um mesmo quarto comum. tempo e espaço. a energia e o tempo (foco. Dessas. consiste da matéria sendo movida pela Três condições são necessárias para que um grupo energia através do tempo e do espaço. É nisto que ambas as partes.

de um tópico específico. do contra-regra. pois Em terceiro lugar. e você é tão bom quanto ele. mas a efetividade criativos e não o abandono da auto-estima ou do auto. e você confia em mim como di. do tar 'as prerrogativas do outro. regras bem claras e precisas porque ambos compartilham espaço.designer e técnico em eletricidade. diretores e designers sentem-se ponante rotular e as funções se intercambiam livremen. e agora eu da qual fluem todas as energias da produção física. mesmo riossa~ Antes de tudo. Precisamos de como de tecessidades tangíveis relacionadas a material. há o potencial da síntese cria- tir-se frustrado não vai levar a nada. assim como trabalhar para o espetáculo. Então voltemos à primeira: como desenvolver tivos dentro de um propósito comum e você deve me um verdadeiro relacionamento em um trabalho mútuo? apoiar em meus objetivos. pessoal. • ("Sei que seu 'design' vai fazer parte da direção e você Uma condição para uma comunicação aberta é a sabe que minha direção vai fazer parte do seu 'design')" flexibilidade. Em algum engaje de fato na relação para que você consiga o que ponto em uma controvérsia de dois pontos de vista acerca pretende. e esta requer o sentido de que há tempo e chega até a completa síntese. Num Qualquer uma dessas relações pode se desenvolver país em que se tomou norma o teatro comercial ter três a seu modo. Deste modo. dentro deste trabalho. Só o com que você se sinta pior. Cada um faz o seu trabalho no cesso também que a habilidade na comunicação de dire- mesmo espaço . Fazer-se de vítima. Cada par . ou que vocês não são necessariamente iguais relação diretor/designer étão limitada que se toma quase 1~ · . técnico. Estabelecer regras claras auto-respeito. é bastante difícil. Nestes tipos de relação. porque Isto levanta a questão da territorialidade. grandes restrições à flexibilidade de comunicação. etc. sente privilegiado de poder ensaiar por seis ou sete se- rei no seu 'design' se você não se intrometer na minha manas. Eu preciso apoiá-lo em seus obje- danosa. que cons. nenhum dos dois re- terceira é freqüentemente impossível e quase sempre cebe apoio do outro. quando não é mais im. lidade da comunicação entre diretor e designer. a primeira. disponível. horários. Tente fazer é conceder espaço. e atores ediretor de cena. porém distintos ("Já conversamos. respeito pelo outro e essa síntese poderá emergir. três alternativas. eserá melhor que você se tivas ao invés de serem fontes de hostilidade. Nossa meta é o alinhamento de indivíduos base para uma comunicação aberta. a não ser fazer tiva que pode transcender as limitações de ambos. é fácil verificar que o tempo disponível para a y direção"). Infelizmente. e de todos os outros técnicos. a unidade final da produção depende da comunicação retor") passa pela flexibilidade da contínua negociação efetiva entre ambos. de um lado. do mestre da carpintaria. É nesse pro- o mesmo território. e a continuidade da relação vai depender muito da qua- respeito. Vocês estão trabalhando juntos por isto em seu próximo trabalho. poder desenvolver seu próprio trabalho. A outra pessoa é um bom diretor ou para delimitação dos territórios particulares do relaciona- designer. mento fará com que o auxílio mútuo se cristalize. cada um tem o seu espaço para Será um sábio investimento. do outro. e para usufruir a inte- ração do trabalho de cada um no desenvolvim-ento do O compromisso e o apoio mútuo estabelecem uma processo. Em segundo lugar. diretor .são como companheiros de quarto em tor e designer permitirão incluir a participação do diretor um quarto muito pequeno . . tendo em vista COMUNICAÇÕES LIVRES E ABERTAS o objetivo comum que é a peça. O que não funciona é fingir que você não semanas para ensaios e onde o teatro educacional se está trabalhando no mesmo espaço ("Eu não me mete. orçamentos. é no diálogo entre os dois que a síntese criativa se fará titui o maior impedimento para o desenvolvimento do presente. e 11 confio no seu 'design'.e cada um precisa respei. mas cionamento. tente desenvolver o rela- causa de um engajamento e de um objetivo mútuo. muitas vezes presos por um sistema no qual se fazem te. ter desconfianças ou sen. além de difícil. é sempre desagradável. Orela- toriais dentro do espectro que vai da frieza de poderes cionamento diretor/designer é o conduto central através iguais. lembre-se que parte do respeito as pontes necessitam de fundações firmes.de fato. é preciso compreender que você está desavenças podem ser transformadas em propostas cria- trabalhando junto com alguém.descobrirá seu próprio grupo de regras terri. à medida que o trabalho o requeira. faça do compromisso e o apoio mútuo criará o contexto no qual respeito parte de sua disciplina. bem compromisso entre designers e diretores. no processo criativo ("Eis aqui o 'design' que você vai Asegunda. através da visão glcbal do espetáculo. e a fazer").

e quando o fazem. drão significativo que estabelece uma real comunicação. forçando este a ser prá.tempo de ensaios. e sim. Em seu recente livro The Art of Being. deixar o "personagem" ambiente tomar-se um personagem de fato. o que permitiria por ajustes na configuração e na textura do ambiente. muitas vezes tácito reconhecimento de que eles estão Está subentendido. Ambos responderão agora melhor. as premissas básicas e responde às solicitações que surgem emtermos textuais.-I Para estender a metáfora de espaço. Se partilhássemos apenas um vocabu- Uma vez que o evento ocorra. Certamente desenhando o "cenário" sem qualquer conhecimento de que o designer deveria possuir um espaço próprio nos objetivos mais profundos ou das energias da produção. Designers frequente: em freqüentar os ensaios. certos critérios de julgamento sobre a direção e a quali- volverem suas concepções. e neste caso. que ele deve saber qual é a direção que este desenvol- Mesmo quando o tempo permite que os ensaios vimento deve tomar. partimentalizado que os designers se mostram relutantes O que aliás.<lo. -'fadas ' Há várias maneiras de sobrepujar o problema tem. o diretor provê a sintaxe particular reco- inevitavelmente modificado pelo evento. não poderíamos apreender o pa- intrinsecamente ligado ao espaço e vice-versa. obviamente. a natu. nosso ' teatro se tomou tão com. Isto porque uma comunicação efe- comecem antes que as decisões finais acerca do "design" tiva exige também um propósito partilhado e um espaço estejam cristalizadas. ensaios começam a se desenvolver e as energias da pro. sobre as quais os elementos da produção serão reuni- dos a fim de adquirir um significado.que impossível uma real colaboração. ele se toma lário. linguagem comum que eventualmente surge para ligar o dução começam a existir como eventos palpáveis. e idealmente ela se torna tico e aquele' a resisíir:ao fechamento de suas opções. o que seria ainda dade dos eventos que surgem. saios como o dramaturgo. Quando você lê . dizer para você. ensaios. dos atores será um fator fluir na direção desejada.exceção feita aos des. Marowitz sugere que a principal contribuição do dire- ao menos em seus primeiros estágios. Ooutro. seu relacionamento com todas as outras energias da regrados . podemos ver que um evento não precede ou mesmo vai permitir que eu desdobre o sentido do que eu quero gera seu espaço. é o diretor que não possui concepção de arte. crescendo em e a maior parte dos diretores .se sente pressionada a evitar mudanças no produção. é o espaço que antecede o evento. na concepção do conversando num vácuo artístico. Logo que os nhecida na estrutura da peça e que se toma a base da I . aumentar o. e não apenas como mero observador. raramente mente se queixam de diretores que caem em um dos são benvindos. somente quando se iniciarem os ensaios com os atores. as discussões conceituais preparam-nos para que possam po: diretor e designer podem começar a trabalhar mais testemunhar essa nova realidade de modo a partilhar cedo e assim dispor de um período maior para desen. num "terceiro parceiro" em seus trabalhos mútuos. cria-se grupo da produção. Se nosso teatro quer realizar-se como uma forma artista. Seria maravilhoso se pudésse- mos. do mesmo modo em que se dá o trabalho de "design" já concluído. tem de haver espaço para o desenvolvimento. nem sempre acontece. o diretor e o designer são testemu- retor e designer em adversários. Freqüentemente a um diálogo entre os eventos 'que estão surgindo e o iminência da estréia cria pressões que transformam di. reza do evento é determinada pelo espaço e o espaço é Deste modo. Charles como um participante que facilita o fluxo dos ensaios. e sim. seguro. dois extremos: um é o diretor que já tem tudo planejado. de um modo geral designers não apreciam mudanças em seus "designs" fontes de energia da produção emergente. Assim a tentativa de antecipar -a um ator e a especificidade da concepção própria do colaboração diretor/designer provém de um mútuo mas diretor. como procedimento padrão. que. e. que será preenchido diretor. e que reconhece tor é a "sintaxe" da produção. ou então. tempo e ener. espaciais epictóricos na interação provocada pelos atores. Eles reconhecem que a influência.0 existente entre todas as pessoas envolvidas. ambiénte do palco. é o nosso senso comum de sintaxe que gia. O designer se tomou tão alheio aos en. uma das 1 de importância na criação do "design" final. uma semana ou duas a mais antes do estabelecimento que farão com que as energias da produção venham a definitivo das concepções de ambos profissionais. I . é claro. devemos permitir que o mesmo senso de uni. o designer termina apenas I ' . essas palavras. e esta função cabe primariamente ao diretor. nenhuma ou mesmo nenhuma forte razão para estar dade que queremos das produções reflita na colaboração dirigindo a peça. sem a sintaxe. e com os mesmos deletérios e na verdade necessita mais de um artesão do que um efeitos. nhas dessa realidade que surge.

1979. assim como diretor aexpandir suas concepções. é freqüentado por cada estudante da escola e no qual realizamos exercícios e partilhamos experiências em tópicos como: habilida- des críticas. da peça éa ação dramática. o diretor possibilitou a existência de uma sintaxe e o sentido de um propósito comum.pouco fazem impossível. Um outro curso. e os diretores devem aceitar a marca com a sua maneira de ver 'a peça. O primeiro deles consiste num encontro semanal. nQ 1. assim também a comunicação com os designers deve Se diretor e designer vão falar em primeiro lugar excitar o pensamento criativo destes. Deve-se permitir a cada membro da comunidade ciais não poderão ser sobre resultados. os personagens e o mundo da peça. Há que se o ator deve . "conflitos saudáveis" e outros que ajudem a formar um senso comum dentro dos prin- cípios subjacentes à cooperação em conjunto. (Extraído de Teatre Crafts. precisamos reformar nossos programas ·de trei- posição de seus personagens. dire- Em nosso programa de treinamento no Instituto de tores e designers treinamento em experiências comuns Artes da Califórnia. Um terceiro curso. Além de criar um espaço particular no qual o designer se sente livre para falar. saber ouvir.çomeço. não se pode en- utilizar a linguagem comum com sua própria voz. O di. 13. de análise de texto. e nem possibilitam a atores. Para alcançarmos este eles aceitam as contribuições pessoais dos atores na com. para que o resultado seja convincente. por Viroca Fernandes. as discussões ini. e sim contribuir bases unilaterais. e o resultado deve sobre a ação. mesmo em condições ideais de comunicação. Diretores que acham isso namento que . continuarão trabalhando com cenários sem para desenvolver a capacidade literária e conceitual de inspiração em suas produções. E agora: o designer tem alguma coisa para dizer? Nem sempre. o ser integrado ao crescente desenvolvimento da produção. os personagens e seu mundo. que venham futuramente reduzir a destrutiva compsni- bilidades no trato interpessoal requeridas pelo trabalho mentalização do nosso teatro. I~ ' pondo aqui destina-se ao crescimento. Trad. destinado espe- cificamente a diretores e designers.ser interiorizada e digerida até tomar-se começar pelo . du- rante toda a primeira metade do ano. e o começo é a peça e o cerne "própria" dele. é ministrado por Michael Devine e enfoca técnicas particulares da cola- boração diretor-designer. Se o tipo de colaboração que estamos pro. assim como uma indicação para a forma sem antes ter explorado o conteúdo. em conjunto que criamos três cursos para lidar com elas.) I . vol. HÁ ALGUÉM EM CASA? Vamos supor que todas as condições para uma efe- tiva comunicação estão de pé: há tempo suficiente para ser flexível. O defeito mais comum dos designers. designers e técnicos. é sua freqüente inabi- lidade em ler uma peça a não ser do ponto de vista pictórico. janeiro/fevereiro.mesao os melhores . de modo a ajudar o pessoal do designer no ambiente da peça. consideramos tão importante as ha. curtar tanto o processo que está em evolução e discutir retor deve perceber que. também é oferecido a todos os estudantes e tem a finalidade de prover um vocabu- lário crítico comum. designer deve estar preparado para não intervir apenas Nenhuma comunicação é possível quando assentada em com problemas de sua especialidade. objetivo.

.... é Olho Vivo tação.. não é Senador? Sa.pequena que é uma uva.... essas coisas correm. Com a freqüência o rar o pessoal.. . seu Carlos. Esta semana nós já tivemos no CARLOS . por que todo Mas.. ! advogado da dona aí. rário e ele tem que se retirar. ~ paletó). americano.Que é que o senhor SENADOR .. CARLOS ... "ouverture?" entra o broto).. entrada e saídas lá de baixo?.E me diga uma coisa. Aliás. (Abre.. um craque de futebol não tem importância. o vexame fica de tenho gue atender o 35.Mas oh. mas o senhor sabe . ! Depois.Já está atra.. então o senhor deve conhecer Personagens: Senador de quem vem de fora. Os vexames. e foi a conta. caiu na feijoada.. careca... por mais que a gente escon- po... ela mesma escolherá.. muito bem freqüentado... Mas o melhor é espe- peça em 1ato de da é calouro.Mas isso é uma ma. . banheirinho lim. não há perigo da pessoa aqui vir a CARLOS .. de são às 5 horas.. Osenhor faz voz importante. Este aqui éo 32..Mas os senhores não ! sabe Senador. 11 ade.. o homem o quarto aqui do lado. Também se deve perder a classe.. Por falar em milioná- SENADOR (Sozinho) . de sena dor. de perdas e danos. Lá uma situação como esta. tudo azuI. mas falhou. (Bate) este fecho na porta.....Eu' costumo sempre político conhecido. sabe Sena- CARLOS . Está lá uma fora. sabilid SENADOR .Está ela aí. em viagem de turismo. saindo 10 minutos antes . por viúva do homenzinho.. é melhor botar o pa.Nesse caso o vexame tifica como se fosse um milionário é dele..3 da melhor. eu também sou SENADOR .Campainha.ªz mal. depois eu me Broto eu posso controlar. porque CARLOS (Entrando) ..Não tenha medo. de 5 às 7. mas .... Não. E mesmo que aconteça.Bom.estas horas. tomar um chazinho na LaIIet. uma pessoa muito distinta.. Já viu la. Osenhor pode se garantir ain. roupinha da mento é muito grande. cama fresquinha.. E eu tenho sessão na Comis..I passagem.Mas aqui osenhor ain. faz mais.Não senhor. i morreu aqui... mento da casa sofreu muito..... ela . mesmo dia.Eu lhe agradeço. não. não é? York... cam- sofrer nenhum vexame? painha me dá gastura.. SENADOR (Interrompendo) apartamento.Não fique nervoso não. à CARLOS . amencano. a figura dele.não f..... SENADOR . Senador? Isto aqui é que eu sou uma pessoa de respon... Se. ainda quis o senhor tem certeza que eu aqui que eu hoje fico manjando o movi. Ja. que calor (Tira o e grita que está dentro do seu ho. aI"IaS.ver se metia uma ação em New I não corro nenhum perigo? mento do 32.. pirra um ou outro. o se.....Controlar. tudo azul.. Não SENADOR . mando ' o senhor.vem se encontrar aqui com um co- de sua hora expirar. um cantor de rádio de 7 o mundo é "boquinha de mocó".... Estava no Rio.. pesava.Então. O SENADOR .Bom.. Esa sema. o senhor passa Agora o senhor dá licença... é muito importante.Eu vou abrir.o movi. Carlos SENADOR ... voz aSSIm.(Batem na porta).. CARLOS . letó. SENADOR . a prorrogação é um gordo. se contro... na terra deles não faz mal. . hospedados aqui neste Senador. 10 em diante. Satisfeito.I a comida já vem na lata com tudo nador. às 9 e um político conhecido das O senhor deseja alguma coisa para Senador. Eu depois toco a campainha. sempre es. ..... que eu o fecho na porta. mas a precipi. cha- SENADOR . Silveira Sampaio seu cartaz vai aumentar. . Sigilo profissional..da.. está pensando.lembro 'do nome do homenzinho.. i Espeto foi tirar o defunto daqui. na.iI no. nos gra- CARLOS . nhor é. via I missário de café muito conhecido em Cenário: Quarto de hotel de regra. tem aqui dor? Eu bato na porta assim.... CARLOS .. sempre é mais distinto... O movi- II tisfeito. se dão por prorrogação de Santos. houve um que sada. O senhor já foi a Santos? quem está de dentro ou precipitação Ah.i aquilo dosado. CARLOS . çada.. não. Mas aqui.Não há de ser nada. contra a CARLOS . Mesmo em podem controlar esse movimento de i esses americanos comem muito.

. Por favor. eu também quero SENADOR . SENADOR ... BROTO . mas por favor. é alto.. Senador.Por que não é nos seus..Você não vai fazer nequinha...... o SENADOR .. bo- CARLOS .Que. BROTO . Mas o que houve. .) I nao perder o meu. e ficar no chazinho com filha? sei.Meu Deus.Não sei... Senador. SENADOR . .Bom. que.Ah.... Senador. você é sincero..Há o quê? lidades do rapaz porque isso.. esperar pela mulher amada..Mas ele é tão distinto. ele que isso está produzindo em mim o polícia dar nenhuma batida por aqui? é arrimo de família. SENADOR .Nem sempre na vida rapaz. ricano.Não.É uma suave tortura. tarde. mesmo efeito que as qualidades do CARLOS "'. E se não I BROTO . há os abro.Os outros.Eu sei. BROTO ..Não se preocupe com mos mudar de assunto..Arranjo. outros. minha filha. pare de falar nos outros. tão distinto.. seu pnmo.Que é isso? efeito do seu choro.) o temperamento e nós perdemos a SENADOR .negum ... .. ho. . De- SENADOR .E depois.Você merece.. ele perdeu torradas. não chore. descansado. êu tomo muito cuidado com menina. eu arranjo o empreguinho. mas va- rida. diga? chazinho que pede bem. Senador. joga sinuca. didos de rapazes distintos. assim depois você perde é tão bom. sim..Mas. Carlos. pode estar teira vive nas costas dele. acho bom o senhor pensar na BROTO . Tem um mu. .Abrolhcs... rima para olhos. será que posso ser útil a como os outros? eu não tenho nada que ver com isso você em alguma coisa? não. SENADOR -.. Mas é meu primo. SENADOR . mas promete que arran- BROTO . por fa- uma coisa... não quer tirar BROTO .lhos. Senador.. Carlos.Olhe aqui. está produzindo em mim o mesmo timidade) Como vai.Ah.Ah. Você é um chuchu! pois daquela alteração com o ame- SENADOR . SENADOR . vocês agora tudo são rosas. eu arranjo um senhor não passou o fecho. I BROTO .. metem tudo antes de conseguir.. linda como você. diga que não é como os outros. pare de chorar que fosse eu? pre galanteador.Senador..: vor. o emprego. muito obrigado. muitas felici- .. (Batem o chapéu? Estava tão ansioso em o meu temperamento. (Chora. que acasa aqui SENADOR . quem será. . eu vendo assim BROTO .. CARLOS . Se.. minha sua pressão. eu não falo a pouco para saber o que desejam... por- me garante que não há perigo da BROTO . olha o americano.. BROTO . Senador..Ah. mas não chore.Ih. por favor..Bom. ? tanto choro.Olha o americano...Outro! SENADOR .. se esquecem cognac! o Jornal do Brasil está cheio de pe... porque. BROTO .Nesse ponto.Rima para olhos. inteiramente da gente.Arranja mesmo? CARLOS .. mas o senhor vai mesmo BROTO . na porta como o Carlos).Ah ..Fiz você esperar muito.. cognac. minha BROTO . CARLOS .. SENADOR . Carlos. triste? nacho... o senhor sem.Filhinha. BROTO .Oh.Olha aqui. oh Senador.. BROTO . SENADOR ... um rapaz tão distinto.). está tudo BROTO . cognac. SENADOR .Oh... eu passo daqui SENADOR ..Está bem. e Brasil pode imaginar.. Depois é capaz de dar tra. arranja? Ele é um amor de a saúde dos clientes .. por favor. Ja... não passou o fecho . Senador. que. tão distinto que nem o Jornal do Você é como os outros? SENADOR . senador. você merece. (Com in.... de- tão triste.Que é isso? I SENADOR .Minha filha.eu quero um não tem importância.Senador.. (Confidencial) Osenhor SENADOR . é tomar um chazinho. nha filha. BROTO .. nador.. eles pro- balho aqui para a gente.Já prometi .. Mas isso ~ais nele.Não.. Senador. cognac. BROTO ... ah.. Senador. outro empreguinho para seu primo. pOIS que conseguem.. estão servindo mal essas doses de SENADOR . .. A família in..Eu faço uma idéia.Isso ele arranja outro... também sou capaz de (Entra o Carlos com a bandeja.Mas por quê? Uma Arranja para ele um ozinho de pe. (Broto chora mais) CARLOS (Entrando) . eu estou BROTO (Alegre) .. Você não CARLOS . é como os outros. Pede o BROTO . mas o meu primo sofre de "impunidade parlamentar".Vamos sentar.. vamos sentar. Senador. não SENADOR . isso já está me fazendo mal.. mi........ isso em ordem? Então . o senhor filha. (Sai. r esperá-la. é melhor você não descrever as qua... desculpe.

.Carlos. .Ah! isso é muito fora BROTO .Isso querido. readores. SENADOR . ozinho de penacho. nho? Eu acho tão bonito "capricho . igualzinho. BROTO . ção . .... BROTO . . mana vou ter reunião da Comissão você é um amor! . . neguinho. SENADOR .Que Presidente? 1 CARLOS . SENADOR (Dandoagratificação) ~.. (Senta to bem. não gosta de mim . .O quê? tempo precioso.) Os homens são todos iguais. está mui. meu primo adorava não tira a polícia da cabeça.Ótimo! Então escreva.É porque épara mim . amigo Presidente da Câmara dos Ve-· ja mesmo? Por isso mesmo é que ele é um in.. Olha lá Senador.. das 5 às 7. :t igualzinho aos outros . você arran..E pela ma.. não BROTO . qualquer coisa. porque nós estamos com um se trata disso.Hein? digo para o Carlos que estou cho. SENADOR .. por II inconveniência? tenho a família que chegou do Es...Outro cognac.. vamos ao- porta daquele jeitinho. compreen.... . apro... creve. mas você conse- canálise? Se o senhor quiser. veita. você me desculpe.O quê? neguinho: .Então não disse? lha. aproveita e cartão depressa.Que.. BoTO . BROTO ..f: omeu grande amigo.uma companhia nhor garante que a policia. oh filhinha..Ah.Mas minha filha.Isso não sei. <• como os outros. eu sou mesmo muito infeliz .. SENADOR . (Sai. II BROTO .Mas..Quer dizer que o se.. 1 SENADOR . I BROTO .. o SENADOR . Eu BROTO . O resto da se. um capricho da sorte. pedir para dar o emprego . neguinho. CARLOS ..Mas eu disse alguma tação... To.Não se altere não.Arranja o quê? compreendido e não querem fazer SENADOR .. " I ...'" de.... Carlos daqui a pouco entra aí e você go .Eu perguntei alguma todas as tardes. não conseguia? .Está bem. Presiden- o movimento. bota a Light.Não sei. Se-o SENADOR . você está me deixando embaraçado. (Chora) BROTO .O cartão de apresenta. neguinho . que eu diItO.. escreva agora... BROTO ... hein negui.. ... portador. sorte" eu não vou botar. meu grande ami- (Chora) muito infeliz .. bem. não se contentaria com um empre... Se fosse uma grã-fina qual. Osenhor já fez psi. bem.Não. Que é que te custa dar um car. está chorando . aí no 23. por favor.Moço distinto... perguntei se você arranjava mesmo. está bem... . nada por ele.I SENADOR . quer você dava até uma carta! . mas "capricho da. O portador. . ozinho de CARLOS . guinho na Câmara de Vereadores? Carlos..I ceu inteiramente do meu primo.. não guia isso...Mas. filho de • I I coisa que a ofendesse? Por favor... quer me dar o cartão de apresen. SENAOOR . vamos ao cartão. BROTO .. Então es·· mar o chazinho senão esfria.. porque a especialidade da BROTO . .. • BROTO .. . J. o que acente.Olha aqui.Será que seu primo psicanalista. qual. a quem você deve tação a gente escreve é para presi- SENADOR . BROTO .Asclepíades.. te .Viu? Viu? Neguinho se fosse advogado da Light. BROTO .. você esque... . sabe.Viu? Já se esqueceu . Você que que sabe.. SENADOR ... benzinho.... SENADOR .. outro cognac.Você já havia esqueci. no colo do Senador)..... SENADOR .O emprego? dos meus hábitos.Perguntou .Mas isso não pode forte e bota adiante... neguinho. SENADOR ... que pensei que você fosse diferente.. Eu BROTO (Chorando) .. você I nador. Sr. Olha.... Eu só peço é que o senhor controle SENADOR .Então.Asclepíades .Botou "melhor socie- _. neguinho.. Mas. I e você perguntou o "que".. Você neguinho.. Nós estamos perdendo um BROTO . arranja . SENADOR .. dade?" Deixa eu ver! Ah. SENADOR . BROTO . SENADOR . nhã .. do.Ora. Senador? Eu acho que o senhor está você não faz diferença nenhuma..Asclepíades .. qual.. você é SENADOR . eu bato na BROTO . dente. não é? Na minha posição. porque você. sociedade e que no momento. . dades. Não estou percebendo nada..bem importa. minha filha ..... Então. (Chora).O senhor parece que ser assim . tado . .. tão? . meu primo é diferente ."Exmo... porque. . ceu? . vamos ao tal car- tão. "Meu caro BROTO .. minha fi. .da nossa melhor I BROTO .Para quem? BROTO . vai to.Por que.. SENADOR . hein BROTO ... penacho. SENADOR . neguinho.Mas ele é advogado? com complexo. e eu rando... durante as noites. . mas cartão de apresen- casa é gente de posição. uma família da nossa melhor sacie-o dade . dos não.

.. novo.. Pra dotes.E que deseja aplicar do .. nem nada ..Não seja por isso. ...Ah. ele é Senador. e que deseja aplicar seus sou eu pra lhe passar uma lição de já vi seu retrato no jornal. de? O senhor precisa ficar saben- BROTO .É.. oh nossa amizade.. .. BROTO ...E se eu me negar .Mas eu não posso . excusa o senhor de me pas- OLHO VIVO .Quem é o senhor? que mais tarde por mal .. rando assim não. Se não me engano... guinho.Que é isso.. BROTO . Nas novelas da rádio fa. ele dá um cartãozinho pra eu não escrevo a palavra capricho..Está! cipando de um funesto equívoco . Eu gosto de ouvir você falar...Então. por- roceria' parece que já te conheço de Explica aí para o "nossa amizade" que o meu interesse era armar um outras pistas . sorte. (Vendo orosto) jeitinho para ele não ficar mal . se abre meu horário ... Broto corre para fugir pela porta). SENADOR .Olha aqui. hein? você também apresentando . Senador. é? SENADOR .É sim.. . .Os documentos! OLHO VIVO . nho? Tá querendo me baratinar? Vai BROTO (Para o Senador) .Saiba que eu tenho Saiba que ainda estou dentro do imunidade parlamentar! BROTO . (Pega o cartão) cartaz. eu não OLHO VIVO (Empurrando) . Eu até OLHO VIVO . mas isso não OLHO VIVO . SENAOOR eOLHO VIVO (Ao mesmo senhor é Senador? Tá me parecendo BROTO .. que ele já está encanado enão adian. sociedade".. hein oh parceira? vê que eu estou sendo sincera. está?! Fala? essa idade.... SENADOR . ~ você. vai passando logo os do- dade.. . você é o tal professor que de- não está neguinho? Diz.. OLHO VIVO .. logo .. Os dois de BROTO ...Puxa... . por que você ficou falando nela tan.. que é melhor. sar uma lição de moral . seus dotes a serviço ...Senador. nador..O senhor está parti.. moral? Mas o senhor hein? Com mim. pra fazer o meu SENADoR (Puxando o Olho Vivo ta se enrustir.Que é que tem a ida- SENADOR .. escândalo danado... ve- 'trate assim uma senhora que está em SENADOR . velhi..Mas Senador.....É sim neguiaho.. oh Se- (Batem na porta.... põe "capricho OLHO VIVO .. '(O tido . nador? Fica mansinho.. Dessa vez arranjou um intrujão um cartãozinho pra ele..) Entra Carlos! SENADOR .. dá um do destino". SENADOR . SENADO. está falando? (Pausa. eu não vou BROTO .~ . quer cooperar. francamente. mostra a papelada . passando logo os documentos 19 des..Ai!!! (Esconde o rosto) ras penas..É! estou entendendo nada. mas que azar eu esse cartão pra o meu primo. você depois dá um de já sabendo que está em cana . já vou me retirar. se ..Eu acho melhor que não lhe estou tratando nas du- BROTO . neguinho. você se abrir agora por bem. venha ter um particular co- minha companhia. eu . quem me é estranha. porque a sua pinta não OLHO VIVO .. BROTO . lam muito em "capricho da sorte".Que é isso.. .Ei! Não vai se pi.. vai virando o "beleza" porque pela car. me garantiu .. OLHO VIVO .."Filho da nossa melhor passar lição de moral não.Osenhor sabe com quem mas é Senador de araque .. então BROTO .tempoj' .... .R .Oh. fica mansinho que Olho Vivo OLHO VIVO (Para o Broto) .. nha cá. Mas oh Se- BROTO . OLHO VIVO . . pelo ombro) .Um momento.. oh fi- que ele vai aplicar os dotes dele? chinha. aplicar seus dotes está bem. ..É...Não permito que De quem é este cartão? OLHO VIVO . SENADOR . estou dando ' com você..Olha aqui. cumentos...Sai SENAOOR . hein? Ele tinha vindo aqui só para me dar nós estamos perdendo um tempo pre.É neguinho. está? senhava as notas falsas ..dcse. SENADOR .É ne- a minha situação é muito delicada .Por que. este mês.. OLHO VIVO .. (Pausa) O senhor. da sorte".. bocado fulero.... oh ve- SENADOR . também é muito bom. 1'. do SENADOR . feitamente que dei um passo erra- onde é que você estava? do. a serviço de OLHO VIVO .. 3~ vez eu pedir. pra lá..) O senhor sabe com quem por isso é que ele está assim enrus- SENADOR . não dá? E você E você aí.Vamos logo." N-ao .. lhinho...Não.. mas "capricho da está .Polícia.É meu . dá azar. Isto é um capricho meu.. . benzinho. BROTO . mas o mlgo . livra o senhor do escândalo ..Hein? Mas o Carlos SENAOOR . oh vigarista.Eu compreendo per- to tempo? Passa adiante logo . na melhor socie..

. ridade". Senador. Palavra que me desgosta. É só dizer que foi "Olho I .. .o guintes dizeres em tipo manchete de ' senhor indo como vai. . hein? Eu vou lhe dar um enderecinho.... que (O Broto para o Senador) Senador. dá sempre bronca com a jus- ta.Muito escracha.. .. SENADOR . metido numa situação como esta ."Preso 'Olho Vivo'. mas depois vi logo que não era.Mas. ... O senhor me. hein nhor . acaba se es. é de patriota.' o que lhe diria o majorengo: .. Olha. Senador.. é ou não é? Ah. sem perigo de sofrer vexa.. acontece .. Senador. foi? . mas o senhor é do interior. do. ... . OLHO VIVO . Olhe...... Isso FIM não é amizade para o senhor . lega!!! Mas agora uma coisa..que aquilo lá é freqüen- ela é uma boa menina. 2 ou 3 vezes. i do com a sua pessoa...Mas o Carlos me usava e abusava de uma falsa auto- disse que aqui era garantido . não. . eu sou um patriota. . esse sim. cansado. Pode crer que sou um patriota. OLHO VIVO . é uma tado por gente-bem! boa menina ..O Carlos!.Mas já vai..pra cá.. vou lhe dizer o retrato do 1I00ho Vivd' e os se.. (Fecha o pano ecai um telão com da. jornal): . e isso. OLHO VIVO .. falso policial.. eu vou lhe dar um conse- lho de amigo. . que está tudo Foi essa vigarista que trouxe o se.. No princípio eu pensei que o senhor fosse Senador de araque..Acontece. .. Senador. que seu retrato podia amanhã estar no jornal.. Senador.. aquilo já esteve às voltas com a justa. .. é absolutamente garanti- eu não tenho nada com isso não .~ não deve estar se expondo assim. não. OLHO VIVO .. um Senador... quando a mercadoria não é inani- mada. pode crer que eu sou seu amigo. SENADOR ... não me leve essa vigarista SENADOR . lá o senhor pode estar des- Mas o senhor precisa ter mais cuida. logo que eu entrei aqui que eu tirei na pinta que o se- nhor fia do interior. E por isso mesmo me desgosta ver o senhor. o trepando direitinho . Desculpe a per- gunta.. Vivo" que mandou. pra lá . Ele trabalha em comissões e consignações.Não. que com papéis falsos. O se- ~O nhor não me apareça mais aqui . . olhe. mas não era na seção po- lítica não senhor . o senhor sabe.

nada extravagante. que so . todos os dias as mes. Reprodução precisa ler menos. coloca no meio da mesa. Assim FONTES . hoje seria um Orlando Silva! monótona dos gestos simples do Falo por sua vista. prejuízo. lendo jornal. mas um ANOITE DE TERESA mas notícias! Agora. a verba morte total! Os jornais só falam nis. além de ler bolero. Peça em 1 ato de TERESA (Chegando à sala) . o armazém . nos Senhor Antonio Balanço é o dono para não sacrificar a economia desta atropelamentos. nós temos que na mão.dois figurantes aconteceria se esse rádio caísse no chão? rando na mesa de um bar . TERESA . cantar mais árias de óperas. reprodu. não posso do porcariada. panelas. me deu um pigar- TERESA . que te viram bebendo e cho- AMARO e AMÉLIA . nas crises.O Antonio Balanço nha uma ninharia. a conta do armazém. um eletrodoméstico a me. uma rouquidão. FONTES .Reconheço que ando e ainda torram o dinheiro compran- mesmo anda em crise.Logõ na cotidiano de uma casa. sinha em liquidação fora da moda.Não papai! Nós não a lei de Newton. reclamar.Bl Tire daí. Sem comprar.A situação! Ah! A do papai! Estou falando do Antonio não compro pensando o que isso vai situação anda grave. barulho de lavagem de nos nessa casa que já tem tão pou. repre. I: FONTES cair. Por falar nisso papai. .Pronto. Ora se seria! (andando) . na fome..) TERESA . minha voz se gaas mãos num pano de prato) Da. de co. Fantes vem TERESA . FONTES . seria uma des- andando com um radinho de pilha esteve hoje aqui três vezes pra co.Vocé está preocupada tudo ia tão bem. você gongado naquele programa de ca- zindo um som forte. Em guerras. acabei! (enxu. o Paulo também me distraía vendo louças. um samba. com a minha vista ou com os preços ro.) I TERESA . podíamos. nos acidentes.Papai! O Paulo ga- (Teresa sai de cena. comum plativo.Quebraria. do armazém! casa. deixo de ser vaidosa custo de vida.. pesa desnecessária.Vendi a Tv ~ara pagar nhar o rádio). E vocês não reconhecem isso Boa notícia só no futebol. agarra aliviando o medo do rádio FONTES .Provaria mais uma vez TERESA . Pal. quantas vezes dei- senta numa cadeira com ar contem. se pudéssemos.Como é mesmo o co- Ricardo Meirelles pai! o rádio vai cair! Tá na pontinha meço daquela música que eu can- da mesa.Ele ainda está cantan. brar a conta do armazém. tava muito? FONTES (Indiferente) ... . uma bIu- FONTES (Lendo em voz alta as TERESA (Irritada) . os shows. ver só o essencial. pois vive ouvindo música FONTES . Luz no pal.Exatamente! É isso TERESA CIBALENA mesmo! Começava assim: "eu gos. manchetes) .. vez em quando um talher cai no la. não leia tanto. louros. no TERESA (Furiosa) .Se eu não tivesse sido drilho. nos as. . Você mesmo seria o primeiro a as novelas. Fontes pega um jornal. muito grave! Balanço.. Você pensa que tive prazer sentando a classe média baixa. Teresa arruma a mesa.Papai! O minhas roupas.. eu não conheço Antonio Balanço? estoura antes do fim do mês. eu como você e co escuro. talheres. dos jornais? desmontou. FONTES . nas fraudes. seria um vendido.Era impossível pagar Personagens: (Teresa dá um bote no rádio. qui a pouco coloco a mesa! (Pausa. Pra que fico um pouco fora de forma. xo de comprar um vestido. do não há vista que agüente. uma louça quebra. TERESA . Cenário: FONTES . TERESA . tanto quando me conta- PAULO SEPETIBA ram. fazendo um es- CIBALENA que mais me resta fazer? Ouvir mú- sica é claro! (leva a mão para apa- forço até um tango. quando co. não teria Uma casa típica de vila.O senhor sabe o que tei tanto.Que cantan.Então você pensa que fim do mês. etc. e lendo. última fase do concurso. significar para nós no orçamento do O mundo está pronto para parir a FONTES . em vendê-la? Não. .) do aquela enormidade? mesmo. cuidado! (aterrorizada).Pa. nos esfacelamentos.sem vender a televisão. o dia inteiro len. É um senhor cantor! dirá comprando! Reformo eu mesma saltos.

bem agitado. é visão. depois de amanhã. mentando de graça. mexe com O dedo. não há vibração. do outro mês e nunca I afalta da Tv. só assaltando para possuem boas roupas.. pre- que compreender essa realidade. bom. Diante dessa ar.tir. batata e fari. outras moças FONTES . se divertem. te. e de repente . TERESA . acabou o tempo do e não recebe o que vai acontecer? (Pausa. pedi pra ele dar outro pra. escutando desculpas. . tenho outras I FONTES . Fontes vem (. n/la.É meu pai! Você tem TERESA . com os vizi. ter essas coisas. chegou a ameaçar chamar a sa calorosa do auditório. quando chego . caminho inseguro. Teresa conti· Eu sou feliz.Com o dinheiro da nha saem do seu armazém nos ali. tremi. Não devo falar as- Temos coisas importantes a pagar. FONTES . der a televisão. o -sustentáculo dessa casa! tem o clima. seu conserto ficaria muito caro. sou reco- antigamente. (Nesse momento entra Paulo re- )re aparecem . me diver- nho de dizer a verdade. mas ele não respeitou a tradição.) Pior que termino sempre É O MAIOR! É O MAIOR! Onde O armazém vira orfanato. pentinamente. Fortes pigarros. estão os adjetivos. que fiz em ficar choramingando.emissora. O Antonio Balanço nem se como.Eu sei que a Tv saiu da-feira sempre foi o dia de se pa. tenho.. ima.Estou me lembrando to. o Antonio não tão. não pra gar.Mas ainda hei de vol. a Tv estava parada há mais 'de um opção tem uma dose de emoção tenho que ser reconhecida com o que mês. las para ler! Me acostumo logo com Paulo.Taí! Essa segunda sim. pareço uma leviana rebelde. coloca na dido. agora está tão difícil sem a tele- ter de vender a TV.. há outras em piores situações. auditório. Eu ainda falando sozinha.) relho. feijão. dos nomes boca e fica a gargarejar.Papai. faço 'ques- rERESA . o Seu Armando mesmo recomendou .distrações.) polícia! disse papai. muxoxos auditório não são mais como os de TERESA .E foi a primeira vez ---------- FONTES . mas so por dentro controlando por fora.sando.. não é mesmo? fim do mês. Hoje mesmo vou' pedir. comecei a cantar. . por mais gargarejo que faço não Lindo! Rhahahararaaarrrrr .minha voz foi destoando. foi um pouco menos do que chora.minha idade passeiam.(Fontes vai saindo de cena fa.. Sou moça. você eoPaulo éque mamam.veu. zendo o seu gargarejo.podia esperar mais. Se ele vende luartê. J a sua aposentadoria.Eu não me esqueço da- escangalhou.meu público de casa. ao gargarejo). Senti muito que ele vinha esperando e com cer. Ao terminar vai à cozi- daqui pra ser consertada. O preço que vendi estava pra lá de oque fazer? Nessa casa só eu é quem Paulo Gracindo anuncia omeu nome. engros. afinando.nós pagávamos. os artistas não sen. nhos quase tomando parte no assun. segan. 1 farmácia e outras coisas que sem. Chego e domino aquele gine se ele cobrasse juros! Sem ven.der a 'situação dele. que foi a primeira vez que essa agora ou a do ano que vem? FONTES . era muito mais ta paciência. as pal. FONTES ..Ele é um comerciante e com razão. mas também quando Sei perfeitamente o papel humilhante quele dia. há meses que ao Paulo para irmos ao baile do frento a Hora do Pato na Rádio ele vinha entendendo a nossa.vimentar seus negócios. . eu não posso TERESA . Era preciso enten..-. Auditório cheio. que era um bom apa. bem mais forte que a primeira.' ser vendida. arroz. só pensava na (Fontes coloca num copo um lí.cantarolando uma canção popular TERESA . mas eu não.) . deixar pra segunda-feira. Todas as moças da t Nacional. a vibração para ponderei. (volta sobre isso papai. Que há dois famosos que pertenciam ao cast da FONTES .em tom de deboche perguntou se era chegando a sala.RHAHAHAHARARA meses. I tar a cantar! Qualquer dia desse en. gumentação brilhante.e precisa ganhar dinheiro para mo. quando o Paulo consigo me livrar da rouquidão.de sucesso.diante do microfone. sensata. chegar eu mesmo conto. Preocupo tanto com a casa. não é de hoje ciso pensar mais em mim. Eu nervo- queimou foi tudo de uma só vez. (Teresa acaba de colocar a mesa impulsionar a voz do cantor? zo. que outro jeito se não vender a I I que fui atacado de pigarro! Desde bem do dia em que cantei Celito Tv? (Pausa) Não vamos mais falar aí..nhecida (eufórica) sou a Teresa Ba- mas são poucas.Compreenda por favor! pagar o armazém.~ .clube da esquina. Ah! Tenho minhas fotonove- distração minha do que sua ou de hoje..sem ao menos um rádio de pilha! que vendêssemos. daquela mas- lO.. disse que se ouvisse todos os minha responsabilidade diante do 1uido que tirou de um vidro no bolo choros de seus fregueses estaria per. I lenda podemos pagar o armazém..) estariam fazendo pirraças.Ah! Os programas de nua a falar. é amanhã.

(Catando o ma- A página da geladeira e do aparelho cente Celestino por uma Carmem terial. PAULO . fazermos PAULO . um Waldik Soriano por TERESA (Aborrecida) .Minha filha sabe quem cotes para abrir. (Coloca a nqueza em comum. Sidney Magal.Você já chega recla- PAULO . Simonal! Você tem las. Sidney Magal.Pera aí Teresa.Espera um instantinho (Fontes caminha em direção a cios! minha filha. mas compensador! FONTES.'trocaríamos um vi. conjunto de pane.Esse álbum é de joga- dor de futebol? (Um pouco preo. Fontes abre com in- ta eu sentar na mesa.Tenho mais de cem! Hoje comprei cem cruzeiros de fi. liquidificador. irritada. guardei nesse envelope pra . repetidas.) Uma raridade.Puf? gostosa! Eu podia também comprar gar é claro. TERESA . porcariada toda daí. abrir os enve- grande sonho da sua filha. A televisão foi esse álbum de figurinhas. olha Miranda. rádio AM e PAULO . estou co- (Paulo vai desembrulhando ctm compra do álbum um pacote de ba. pera aí balho incessante. PAULO .Claro que tem. a minha mesa que tive trabalho de FONTES .Puf! FONTES (Aceitando) . FONTES . ferro elétrico.Acabe logo com isso.. Simonal? Fontes. Comprava FONTES . trocaría. Angela deira. Sidney Magal. Paulo acomPanha com as figurinhas e ganhar: geladeira.Veja a nossa primeira pronto para colar a figurinha.Sidney Magal. Já pensou nós bebendo chá num um Nelson Gonçalves . profissional. Chu. cidido. Além dos prêmios a gente ganha na uma figurinha carimbada. é figu. apoteótico. Sidney Magal.Agora. essa é uma figurinha Paulo. colocam o álbum.) sentadoria!' Enchia a casa de apare.Nós podíamos ser só. (Mastigando depressa) bola de futebol? (Beija sem vontade. colocar.Que bala PAULO . álbuns para ganhar mais bala. FONTES . vi.Excelente! Nós pode.Isso mesmo! Seria um e as figurinhas espalhadas na mesa. jantar? Teresa pode ficar chateada. Ah! cio. .Número quatro. que já vamos sair. a mesma motivação.Vieram muitas figurinhas PAULO (Deslumbrado com aidéia) não perco a página. mas. (Sentam. Nesse álbum tem TERESA . o Paulo Sepetiba não erra! ríamos trocar figurinhas.Não. não posso me mexer se- PAULO .) Ias.Claro! Assim completaríamos mais TERESA (Sem dar a mínima para trocar segunda-feira com o cabineiro depressa o álbum e ficaríamos ricos a figurinha) . comprei até dois quevível! (Vira de costa.Pra que eu quero uma mando.Sócios? carimbada. PAULO .Considere-me seu só. trar a importância. meti um vale no Anibal. Vanusa. vamos ter muito FONTES .Puf. logo todo o meu ordenado da apo. FONTES .Vocês desarrumaram bala na boca) FONTES . eu tenho na mão? (Tentando mos- trabalho nesse fim de semana. e colar nos quadrinhos certos as figuras. mos um Gregório Barrios por um resa }!!m chegando na sala. lando o grande Chico Alves. PAULO . televi. sequei com todos Gregório Barrios? de colar figurinhas em cima da mesa os vidros de cola do escritório.) FONTES . do elevador. (Ainda assustado).Ela nem vai saber.. um intercâmbio empresarial.) trola. teresse os pacotes e vai desfilando lopes.) pe uma.) 2j' .Tira essa só. (Tira lun bolo e joga na mesa. na hora do PAULO .É.Melhor. Descobri uma maneira sensa- segundo sonho de minha filha. FM. FONTES . encera. foi um tra. Hoje estou de- lhos domésticos realizando assim o dos pacotes. pra jo- PAULO . (Mostra entusias- ótimo investimento e eu poderia os pratos e os talheres vão sendo mado um álbum de figurinhas) Bas- completar realizando o primeiro desarrumados. rinha carimbada. É sobre os ídolos Maria. aspirador de pó. mais depressa. " bicho desse? PAULO . seai.Vamos abrir o resto PAULO . do rádio e da TV. de jantar! mais de mil pacotinhos.Mas que merda é essa comecei a colar. são colorida. Aqui está PAULO . FONTES . balas deliciosas. (Chuta a bola. Sidney Magal. cupado).Uma bola de futebol. batedeira! Coisa garantida seu FONTES . abri PAULO ." tigue rápido. a roda da fortuna.é maravilhosa.Ora essa é boa. despertador. Ainda falta uns 30 pa. Te- gurinhas. cola cional de ganhar dinheiro.) sentei na minha mesa de trabalho e Roberto Carlos. (Apertam as mãos).Eu? vendida. FONTES . o ines- pacote que ele jogou pela sala. FONTES . FONTES . não me dá nem um beijinhol . bicicleta.) de chá estão quase completas.

) o mesmo lugar. passa a comer como uma faminta. ma comida.Trabalhando minha fi. pare Teresa e Fontes.pobre filho meu / Vem buscar meu iva fazendo agora.. Paulo levanta. rante a cena Teresa e Paulo comiam . Fantes bebe bochechando em sossego nesta casa. tua louca paixão / Parte já e prá ocurar o local certo pra se sentar.Que vou fazer! Você sumiu / Sua amada a qual louca imeiro que estiver na sua frente. ção.Você sabe mim vai buscar / De tua mãe inteiro io se tem mais nem liberdade de muito bem que detesto que você me o coração / E a correr o campônio colher um lugar qualquer.dos os dias.Levantem-se daí.Na mesa não se arro. matar ou morrer / Ela disse ao PAULO .ma comida! Todos os dias essa E volta a correr proclamando / Vi· . antes de sentar vão lavar que te quero / Venero teus olhos r : TERESA .. Toe! instante uma voz ecoou / Magoou-se ~ERESA .Todos os dias essa mes. um filé grosso amanteigado.Na figurinha virou. chamo de Teresa Cibalena você re.) altar / Tira do peito sangrando da a na rua. De ERESA. volta a jantar.Um lugar qualquer! O PAULO . / .ta! (Segura o garfo com grossura e \ULO . (Teresa vem trazendo a comida. filho aqui estou / Vem buscar-me li IAULO (Um pouco desarmado) .. sujaram a minha toalha lim. continuaram a co. chame de Teresa Cibalena! partiu / Como um raio na estrada TERESA . Teresa no centro. \ ~ 'aI. TERESA (Furiosa) . uma imensa paisagem.Agente não tem mais porcaria?! Sílvio Caldas agora virou vido nada. Como sobremesa como se nada estivessem ouvindo.. / Chega a choupana o campônio / lf o trabalho dos outros. final de tar. mer durante a fala de Paulo impero muita fome.Quer dizer que agora clama! Mas você é mesmo uma dor campônio a brincar / Se é verdade gente chega cansado e tem que de cabeça. Paulo e Fontes lavam as mãos e sen. teu porte teu ser / Mas diga tua I iena.vou roubar / Embora tristeza me PAULO . (Recupe· misturadas com presunto bem fini.. FONTES . tam à mesa. varanda mostrando a distância saltou-lhe da mão / So- ural do Brasil? (Seguro. chantilly! (Quase delirando). ---------- TERESA .) Além do mais nho .pinha com cola. du- do a segurança.Disse um campônio TERESA (Dirigindo-se a Paulo) .. trabalhando! Ou você pensa que mesma comida! Eu queria comer num tória! Vitória! Tem minha paixão o todos os dias às seis da manhã restaurante fino. Atrasaram o meu Diga o que q~er/ Por ti vou matar ão tinha nada que sentar aí. altivo. I' é um investimento! Álbum de PAULO . alterando com momentos de boa ERESA (Ao pai) . / E na queda uma perna partiu / E ao Maracanã? Fazer turismo na ruídos de mar.Colar figurinha como Guardanapos macios.bre a terra o pobre coração / Neste nposo. que ainda sou teu.zar / Rasga-lhe o peito o demônio tar uma mesa.as mãos. desarrumaram mio causes mulher / Provar quero eu e? No chão? nha mesa. comida deli.Então íamos sentar aon. ) é um dia ou outro. TERESA .Por pura falta de ima. (Patllo se serve e volta a comer. (Continua porcaria? um gole dágua. TERESA . PAULO ...Papai.velha mãezinha o pobre coração / PAULO . (Fontes senta. essa mesma comida to. / Mas em meio da estrada caiu l quê? Bater papo com os amigos? numa mesa bonita.) de. (Satisfeito com oargumento).) . de alta categoria.Não é pra você que na cabiceira. luz de vela.O único investimento TERESA .Acasa não é tão pe.educação) De madrugada eu tenho ibrir e colar essas porcarias. guar- TO..Todos os dias essa mes. Tire isso tudo daí antes que eu meta a sua amada / Minha idolatrada / 'ocê viu que a mesa estava posta.tando com os seus comprimidos. Paulo e Fontes estão Tombando a velhinha nos pés do TERESA .) considero é caderneta de pou... com batatas fritas bem sequinhas. a mão e rasgue. Muita fome! (Coloca . FONTES (Espantado) .Você quer mais sopa? repente dá um sonoro arroto.Como turbáveis como se não tivessem ou- FONTES . tem que se conformar e ir agüen.. PAULO . dando as regras básicas da mesa.Grande trabalho é esse. música suave.ficou / Achorar na estrada tombou ia quer nem saber se vai desmu. (Afasta-se).Depois quando eu te ordem espero / Por ti não importa : sentar. ciosa. pigarreia e canta. champanhe . rinhas pode até resolver nosso figos frescos regados com creme de I Teresa comia educadamente. Encontra a mãezinha ajoelhada a re- PAULO .. nem existe só esse lugar para PAULO . jantar.

PAULO . TERESA (Dirigindo-se a Paulo) . caminha TERESA .."Quel o mundo foi e O meu ordenado é uma porcaria. Paulo e FONTES . bebida e dormida.sinto nada.. concordo até logo que cheguei! atropeladamente. FONTES . . _PAULO . (Fontes já estava mexendo nas fi. Que. depois baixo.. espanandc. (Corta outro pedaço de pão e é minha noiva! Pode até pensar que mas você não tem nem dinheiro para coloca dentro do vestido) De madru. vivo cuidando de vocês. De hoje em diante saiba que realidade. ~ ! j . FONTES . PAULO .\ nhã. nós vamos a uma festa real. FONTES .Voltemos as figurinhas! bém.Sábado passado nós sentir melhor.... FONTES . TERESA (Debochada) . que atropelo. mas o que vou fazer? FONTES . . Além do mais você nunca consegue TERESA . estou muito bem disposto. fico bado é impossível! Prá que esse remédio? Estou forte. hoje resolve colar figurinhas.E você pensa que vou um sábado para irmos ao baile. esse sá. Mas é o que sou mes. fica de costa para o pú.) Eu não dou trabalho ne. será a mi.De mim não! Alto lá! TERESA .você é nossa empregada. ro adoçar a minha boca..Muito in- colando minhas figurinhas.Deixe de sonho.você nos dá mal paga o café. cozinhando e limpando. dar a sua contribuição no dia esta- televisão. Black-out. lavando.Quem ouvir você íalan. TERESA -:..diferente . MADRUGADA EU TENHO MUl.. estou sem lha. não fomos porque você cismcu de (Fontes apanha o copo. Prefiro ficar aqui com a festa PAULO . I de verdade... quando tiver dinheiro TERESA .O drama é a própria PAULO . a luz a mesa já está tirada. atropelo a razão.Estava sem fome hoje! nada! Vou restabelecer a ordem nes.Rahahahahaharrrrr.Vamos? não vou esquecer de levantar a toa. Com desenhar heróis para revista em qua. Paga sim! Oque TA FOME! (Levanta.) TERESA . não posso ter fome ama.) das. (Apanha um remédio vai contando as mesmas pessoas. renego TERESA _ E você gasta em bo- nha sobremesa.Que chateação.Muito bem. vá descansar. uma pensão. TERESA . você sabia? (Fontes lembrando repentinamen· belecido.Está fazendo falta a sa casa.. :l um pão dentro do vestido) Tenho nesta casa. comi- (A voz sobe gradativamente.o seu ordenado nunca poderemos ir drinhos. PAULO .. blico. amanhã. renego aos meus tam.do assim não dirá nunca que você TERESA (Cortando) . . fica por conta cena termina.Eu quero conversar. .. ânimo.Que falta de respeito.PARA PAPAI! PELO em festa. aos seus pés.Me dá uma bala. da.E esse remédio fará se ta imaginária. nas que espero ansiosa.Tivemos que vender a Que falta de respeito.será uma porcaria já lo sey. nos ajudar . Na hora da minha imaginação. conversa Preciso armazenar a comida para PAULO . cia! Esse sábado vou ficar em casa que estou fazendo meu treino de can. PAULO . arrumando. ver cara nova.Participe da minha íes- gurinhas colando com entusiasmo. sempre as mesmas músicas. há TERESA . TERESA .) AMOR DE DEUS PARE! FONTES . não tem exagero nenhum! televisão! você está falando com o seu pai.O seu pai me contou te a música "Cambalanche" canta PAULO .Tá certo. não olhando as paredes.para a pia.Eu mal comecei! TERESA . a nhum.bagens. gada eu tenho muita fome! De ma. Ao voltar TERESA . (Teresa encara seriamente os dois. olha o seu remédio.Eu pago ' drugada eu tenho muita fome! DE mo. que falta de respeito que FONTES _ Rahahahaharrrraaaa .) certo ponto.Olha o exagero! Que Fantes estão sentados.Não posso. PAULO _ Nós estávamos falando Fantes olhando para ela fala timida. teligente a sua frase.Ah! não! Tenha paciên. PAULO . . PAULO (Categórico) . a fazer gargarejo. to sou violentamente interrompido.. PAULO .Eu queria ir auma festa que guardar a comida para amanhã. mas e eu. Nós vamos a festa ficar a vida toda naquele escritório? duas semanas que estou trancafiada Paulo? Estou pensando em largar oemprego. as mesmas bebi- Nós não vamos ao baile? baixo as gotas epingando num copo. A princípio a esses lugares que você fica imagi- assim não é possível! Há duas sema.) a minha autoridade paterna não vale mania você tem de dramatizar.alto. doida por FONTES . mente.Cala a boca papai! da casa.Paga.) nando.. TERESA . .Pode deixar que agora FONTES .

TERESA . ao menos acabar de colar Elizabeth .ão inter. TERESA ..Primeiro que você aban- h" rotina que nos amesquinha.. conformar. não o 1 do Estado e voltarmos arrebentados chutador. estando ou porta. PAULO .Quem é? de ser éscravo a moda do século XX.Rararaaaaararaam. Teresa anda pela sala eu quem levou todas as burduadas tive Teresa? Você tá me gozando? nervosa. ESTOU CHEIO! Todos os chutado. Sendo bem sucedido na jadas. TI mismo! metrô e você vai . TERESA . gosa.Excelente! Divertido. segundo que 1 . faço chefe. Inicio a se· mim! ! TERESA . Não é fácil arrumar um eapre. enfrento o ga nunca. Esse seu otimismo me educativo e cultural! é muito importante. mas observa irritada os dois se divertin- TERESA .De cinco a dez mil cru- lizmente com sorte pego o trem já zeiros.Paulo você não com sono. você PAULO . escova de dente. Você não tem nada em vista e quer entregar a sua de mãos bei. vou dar um chute no TERESA .Que oportunidade que figurinhas. sufoca I uma diversão! done esse maldito álbum.-1 .. a terceira etapa da patrão..Que manifestação mais quivo. atrasado. .Por causa disso.Ainda usa a força. FONTES (Aproximando-se) . Já se esqueceu a luta que foi pretende abandonar o emprego. sem ter um vai irrita.Para irmos ao futebol rabo gordo. de vez em quando pára e até conseguir. ar.Eu que você quer? _.As sobras viaham sem. PAULO .. não lar. Não nenhuma.Diploma hoje em dia PAULO -.Pois é. mos na mesa e colarmos figurinhas.Vicente Celestino. PAULO .Paulo quer olhar prá : •• 1 sim.Tá bem. você é o pequeno. Seis horas me levanto. PAULO . TERESA . não vai TERESA . da primeira etapa.''.Eu gostei.Você é quem vai ser Savalla.. abrir (Paulo e Fontes se entregam com- para conseguir esse? mão da oportunidade que teve. fichas. j TERESA .:'. quem teve as suas. poder inverter aordem da coisa. TERESA .Que tipo de diversão? li 11 respondência. deixa maratona é uma espécie de repetição FONTES .Mixuruca eu sei.I 1 Ir ti TERESA . a mesma sugiro ao invés de uma discussão. me conformo. batelada de papel. FONTES (Interessadíssimo) -~ Qual de café erua. PAULO . sigo es~uecer. e uma suces. De. e a sua inteligência que você vive poderia parar de olhar essas drogas pois o ritual. as oportunida. do. TERESA . o Você não tirou diploma de nada.Como esqueceria se foi PAULO . quem não tem qualificação ainda passar o tempo sem encontrar o PAULO . PAULO .Egoísta? A volta ao lar. Aí sim começa o pega des são raras. primeira etapa da maratona então.' dizendo ter.E fazer o que Paulo? e abate ohomem. pasta. TERESA . 1 nem ao menos desses cursos por cor. por tudo -isso é mais difícil. para levarmos o nosso projeto driblo . é o cálculo de capital que você faz prá capar. procura fazer alguma coisa para pre prá mim.Estou farto! TERESA . foi. ser muito difícil conseguir outro em. só isso.Minha filha assim você 'j PAULO .A gente não! Eu não egoísta! i minável de sim senhor.Não vai colar Elizabeth dias eu faço isso .Você tem o domingo.os automóveis...Essa aqui é carimbada.Sentar- PAULO . Corro contra o relógio. a não ser por uma coisa adiante? trânsito. assim como o seu "talento" TERESA (Explode) . água. começo a trabalhar. TERESA . PAULO . (Amassa a figurinha). PAULO . Gole é maior e mais feroz. PAULO . quando penso que a minha vida é prazer no lugar do dever. só que mais peri.~ I it pronta para enfrentarmos. se esqueça que é o patrão quem tem FONTES . TERESA . go.) por mais que eu me esforce não con. PAULO . 11. FONTES . agarra com unhas e dentes.Diploma? Que acade.E daí? Isso pouco imo FONTES . nos buracos do . vou em frente.Grande! Elementar.Pense nos coitados que FONTES (Seguro de si) . trabalham em obras.A gente tem que se i gunda etapa.Sou autoditata! (Pom. tábem. O . A competição cada dia de figurinhas e me dar mais atenção! espuma.Isso não é diversão. mas é o empregado de está dando prejuízo ao nosso inves- j timento! 1 ou excursões "farofas" pelo interior rabo magro que é chutado. (Pausa.) Estou farto poso). Quase enlouqueço PAULO . quê. livro-me dos assaltos e fe.j pensando na desgraçada da 2~-feira. prego. melhor. pletamente ao prazer de abrir ecolar . urina e pente.

I mero maior na nossa porta. PAULO .Não é assim também. agora mes- TERESA .. pouco mas sempre nos ajuda. Colar figurinhas é me pede! (Apoteótico). PAULO . velhice tranqüila.Não ia dizer nada de- PAULO .Ora o futuro! OBrasil ~ono!. quinta. J .Renúncia! Será que vou TERESA _ . no próximo sábado em letreiro como no cinema? Quem TERESA .UMA PORCARIA! emprego. TERESA . É inteiramente I novamente segunda. FONTES.trabalha tem a satisfação pessoal de TERESA .Voc~ sempre consegue PAULO .. aproveitemos.Perdi. você tem gar da Wanderléia. Onde está asua responsabilidade? direito. Vocês ficam me divertir? Isso se no próximo sá. figurinhas! (Gestos largos). brirmos um caminho novo. "Tudo que sei banheiro. por favor. sábado. O futuro existe! (Confusa). que não é um pa. é quero me preocupar com o amanhã TERESA . hoje.Não se preocupe. PAULO . não lavamos o rosto por. sem ter o que fazer. sexta. se não sei ao certo o que vai ser : FONTES . tem ordenado. Oimportante é vivermos largar o emprego! FONTES . maremos mais nada porque nos fal. quar- ma coisa.Asua família..I infinitamente sem me preocupar.Porém tem borboleta cada minuto com intensidade. PAULO .A respeito do Paulo não tem leão nem sótão! nhã. que não sabemos se vamos sair do TERESA :.Papai.Faltou o fundo musical jeitarmos a tudo. sermos bonzinhos e resigna. mos o mistério fascinante de desco.Ora por que minha TERESA . e porão.Renúncia é o que você FONTES . dizem. e deveres. se for desse jeito não acorda." ta a certeza de saber se as coisas vão ta. rasita. terça.mo quase colei Silvio Santos no lu- ter que esperar mais sete dias para ra. quarta. Todos Sim. PAULO .É melhor perder o em. lhações. fim da vida. I PAULO . ama.A nossa vida é o pre.Sobre o que papai? nós vamos ao baile? aqui em casa pode determinar. Não sei absolutamente nada do I mais...Você sempre me pedin. Temos que ter ambição."Então já sabe algu. ~em TERESA . dados a andar pela casa. que pensar no futuro. o futuro filha? Você não quer ouvir a voz Paulo. TERESA . manter uma casa.Sair dessa mesa e con. agora. domingo . que pode mesmo é um país do futuro.Teresa.. porque não sabemos se vamos FONTES . As contas nhou demais em cinismo e insensa.Prefiro não me arriscar.Em compensação ga. isso que é se acumulando. sente. TERESA .i você ia dizer papai? difíceis para você? O que pretende mos. você e papai de braços TERESA . não ativa tá. de terror. do as coisas mais difíceis. Quem PAULO . . FONTES .Paulo deixe de besíei. não almoçaremos.Venham todos colar lar figurinhas. bado você não cismar de caçar bor. . I quinta." sabemos se vamos jantar.afaste essa idéia tola de deixar o PAULO .Posso dar um conse. sem TERESA . prego do que ir me enterrando vivo errado pensar assim. pois não uma maneira de dizer o que quer. PAULO .Fim de vida lO que é FONTES .Não papai. domingo e PAULO . Se o fim de vida? Você pensa que vem I lho? depender disso.E o futuro? decermos mais os nossos danos? que é útil . pode ser hoje.Você tem toda razão. nar cada vez mais pobres e engran.I Já imaginou a grandiosidade dessa PAULO .Responda.maníenha o seu emprego.Quem trabalha não tem PAULO . sentir. sexta. boleta ou leão no sótão. Não era isso que tinuar empregado são as coisas mais assim.. naquele escritório. para ter uma gritando.: .. ser desarrumadas. I TERESA . se faz! Por isso não da experiência? mesa e . os credores em nú- tez.Assim não se pode co- PAULO . só ia dizer que . PAULO (Rindo) .Que futuro? TERESA . é que nada sei.Paulo não deve aban- TERESA ..me aborrecer.Já imaginou FONTES .Tem razão. direiíos e obngaçoes. sábado. sem a mÚII dos. terça. passarmos humi. um fim de vida. eu ficar segunda. deixarmos ser explorados pelos I idéia? sica a frase perdeu muito do seu poderosos e calarmos? Isso que é o TERESA . hoje.Não podemos pensar ! donar o trabalho.oposto. .Eo que é o certo? Su.Era exatamente o se ficar desempregado? levantar. coisa que exige atenção. direito? que seria.Já imaginei a desgraça efeito.Ao patrão! TERESA . levante-se dessa não se espera. trabalharmos para nos tor.Não sei. Ninguém ~ ~ais escra~o. não arru. FONTES ..

rico é. FONTES . reito de protestar fazendo rararara- você quer é sonhar.Não?! lamente) . você não é homem das loteria esportiva. PAULO . esquece da loteria esportiva? TERESA . uma íotcnovela.Ofato é que os mila. que vive esperando fre- "potencialidades?" Prove isso. essa sua força dramática e escrever FONTES ..Pode ser. PAULO . fazer osonho de ser cantor. além disso? '.) Você se rararrrr.Nas hipóteses. nada! Terra valente sonhada por TERESA . Nas pos.----_.---.Oque você quer é não trabalhar. PAULO . quem sabe que a sua idade do sonho já devia se nós juntássemos as nossas vozes.Você comete um grave tem hoje? Uma casa herdada....Viver! de quê? TERESA . (Teresa afasta-se fu- I~::: PAULO .~: nem sempre recompensáveI. Você se esquece da lote.Isso é divagação. e sem traba- TERESA . é com parte do seu glugluglu.1 que dar duro. caminha para a pia.Compreendo. isso é PAULO . se divertir. TERESA (Indo atrás do pai) - todos os prêmios desse álbum. a idéia satisfação de ser a erva daninha. crescendo. obte...Você quer é iludir a TERESA .. Isso é estatístico. quero não tem idade! Que mania de pen. num matemático. rareando. :seguiríamos publicá-Ia. você Teresa.Rahahaharrrr . veja o ':!:1 Chacrinha..Olha o seu pai. fica nas pon. vai .-.. tem 1. tranqüi. TERESA .- PAULO.Que argumento mais Papai que coisa mais insuportável. como nós.. nas possibilidades.A vida antes de ser um sonho é uma realidade.Pois aí está! Tenho uma FONTES . '" carta seja sorteada na Buzina do ordenado que nós vivemos. os sábados. ser que eu volte a ser o grande Fon..Raraaahahahaaaam. fantástico! O que existe além do FONTES . TERESA. quem não é..Não quero ser igual a :J~ TERESA. abandonei totalmente..~ ou gluglugluglugluglu.. álbum de figurinha. a erva'maldita que vai cres. o que perdoável.. subúrbio. por que não li: viver! sar que o velho está morto. tes de antigamente. sem mais conhecer a . . cospe o líquido. gunta idiota). quem sabe não con._-.Isso é sorte. FONTES . E o que sabilidades.Pode ser que a minha riosa). Também não quero ser como ~!.Aminha vontade tam- cendo.Isso é esforço individual TERESA.. Prá mim todos os dias novela. I~ ~. sonho é aparência. (Pigarreia..Papai você tem sempre ~t PAULO .. Passou a vida toda tra- li! t. Possibilidades é ria esportiva? (Categórico.Amém! (Se aproximan- ~: tas dos pés paracendo querer levan. tecnoló.-.Pois então se esforce. PAULO . é industrial..Isso é estatístico! Baú I PAULO . ele.i cendo.Nem mais em foto.. não realidade.Você podia canalizar existência de Papai Noel? ganta.Viver de quê? TERESA .) Idéias! Idéias! Idéias! I 11 TERESA(Cortando) . FONTES . lho nós não vamos nos casar nunca.. seu pai esperava os domingos e você ..OSenhor seja louvado! !. isso é possi. da Felicidade.. Além do mais.. que interferir em tudo. uma aposentadoria e o di- TERESA.Gluglugluglu para a pia fazer gargarejo).Sobrevivemos! PAULO . não formaríamos um coral afinado? ~I não venceremos na vida. um erro elementar quase im..I presta atenção. pode ser! Você está pisando no ar! gres da sorte cada dia para nós vão gos enfrentando auditório para satis- ::: PAULO . Só acho Nada mais do que idéias. novela! de continuar no emprego.. vai dormir papai? ri~ TERESA.Não quero vencer. os prêmios da Ki. sonhar acordado. . si mesmo. . balhando.. bilidade. lutar por uma promoção. ~.E vocêoque quer mais PAULO .Vocês acreditam na FONTES (Bota o líquido na gar- PAULO ..Falo por sua saúde.(Debochada) . vê se pára com esse rararaaaarrrr... é cientffico! (Pomposof erro.. totalmente. Quem é FONTES (Pausa. Granada. FONTES . Pode PAULO .Avida é só um sonho bém! (Gestos de pássaro..-..Minha filha o sonho TERESA ... pode ser.. do comum copo na mão. TERESA. to algum. . acabar como gerente.Pode ser que ele tire sonha é criança. mim. vão ser dias. (Cantando) Gra.l TERESA.Quem (Mais alto). bon e Coca-Cola! O milagre não é neticamente os sábados da vida para nha uma promoção no seu emprego! mais religioso.. renova o remédio) .. as vezes até aos domin- . espalhando. meta a cara.) Compreende? um líquido. TERESA .. simplista. cres.Não?! (Achando a per.Começar como boy e gico. estado dele.. PAULO .. só em foto. mexendo tar vôo. ter passado. parasila. Parece hereditariedade. (Irritada). em momen.

. demons- mais sutileza! I filha que-tantas·dores de cabeça.tual.I me escolher.. exilar na cozinha! nião musical e não política. TERESA . Só não um semilouco vagabundo! crática. você deira! Vamos desça é uma ordem! TERESA .médios) .Fontes você vota em mim.ças não me amedrontam não.De repente.nem por que. olha para Teresa e na minha hora de entrar? ganado. cadeira antes que apanhe o facão mas prá ele. o voto.Superioridade intelec- te nas cuecas sujas que eu lavo to.Chega! Laços fora! remos sempre a vontade na nossa pe foi um fracasso . fica faltando a pólvora e o banque o palhaço! Desça dessa ca. cia se for preciso. dos os dias? quer hora do dia ou da noite. Te.Ora não coloque a dis.Onde está a sensatez I tem dado com a sua mania incrível nha inconfundível superioridade.amargura da 2~-feira.desfruta.) Derrubei o po. mesa posta a tempo e a PAULO .. Pensa que é fácil assim?! nada e varrida. mas toridade.. duvido que sua razão seus habitantes. vou restabelecer a antiga fala . Você reclama da manei- PAULO . pesares isto aqui ainda é uma re. tudo em ordem. você sobe na cadeira ra como cu governo esta casa.para o público. PAULO . desta casa? Onde você colocou a de controlar a nossa liberdade. Agora desça dessa TERESA . usemos uma arma demo. com comida bem feita e quen- . me dão mais força inte- Um milionário! Contrário a rotina.. casa sempre limpa. (Bate palmas).Não diria que ele foi TERESA . PAULO (Amedrontado. . não teve. (Fontes vai não faz nada. tenta res. você tem o dada livremente. tabelecer acalma) .Rahahahaharararrr . vou me confundir com uma sangui- PAULO . Teresa fica alenta palmas são para mim? É o meu pú. Você pensa que porque está em Você tem que respeitar uma opinião TERESA . PAULO .com palavras. esta. fim de semana.De positivo o seu gol- PAULO . continuo tendo todos os do da casa.treinar livremente a sua voz a qual.métodos violentos.Ganhei! Vencemos! fogo. Você fala muito mas belecido nesta casa. hora. prometo deixar você PAULO . tenha I tante de um novo regime.: . pro.Eu não fui atingida move "eleição" e me tira o coman. usando violência.rior para continuar a me rebelar Uma inteligência brilhante.eu? Ou ela? (Inflamado). ou na sua .Beleza de filosofia! Pal.Basta papai! Basta! ordem desta casa usando a violên.Isso é uma safadeza! omisso e sim estratégico! lo.Vou descer porque sou FONTES . resa! Considere-se derrotada! Você portanto tenho todos os direitos de tinha. se Opinião para valer como voto tem gorosamente nos seus devidos luga- for preciso usarei a força para te que ser dada secretamente. A palavra pode ser o TERESA (Gargalhando) . sentimentais. PAULO .seja maior que os seus sentimentos.Eu não respeito o voto. PAULO . será o fim das. por isso meu pai saiu de PAULO . faxina no ba.O fogo é o movimen- pé em cima da cadeira.Claro! Anulando uma misa e joga longe. ri- poderes e o controle da situação. a transformação que você não mando da casa? TERESA .Você não tem mais au. Paulo olha blico?' Onde estão os refletores? Tá Paulo Sepetiba! Você está muito en.Prefiro a sua voz. roupa lavada. Só.Vai faltar coragem Te. restrições.Ninguém faz nada só em diante um novo regime foi esta. resa desafina um pouco. em suma pública. E de res. represen. o seu pai decide. mais a mais as principais funções vetada.. o viver de fim está ligada a mim por problemas governar o destino da casa e dos de semana.) TERESA . contra a violência. Sou PAULO .. eleição. (Arranca apoteótico o botão da ca. Apólvora é a causa justa.fininho se omitindo .Essas você não conseguiria! (Pàusa longa.Machista! lógica das coisas? Escondeu sutilmen. Desço.casa.) Não falei que da cozinha para te tirar daí! FONTES (Ingenuamente) .esquece os muitos benefícios que TERESA . (Teresa fica indecisa. .Não saindo de cena).. TERESA . ao TERESA (Dirigindo-se a Paulo) . TERESA .Não me obrigue a te Além do mais papai deu uma opi. estopim.Pois então se prepare esperando uma decisão. espa- em nada.Apesar dos contrário.nos trando a todos mais uma vez a mi- TERESA . to. mas suas amea- (diminuindo). sem mais conseguiu. I .. você foi destronada Teresa! faz um discurso demagógico. • der de Teresa Cibalena! De agora FONTES (Parando de misturar re.Deixe de asneiras Pau. Se TERESA .nária como você usando os mesmos cussão em termos grosseiros. dobrada e enga- tirar de cima dessa cadeira.contra esse estado de coisas.desta casa são exercidas por mim.

estaria perdido.Então se entregue. se sentir. que controladamente pela madrugada teção para me proteger no governo mal há nisso? De louco todos nós . Eu só TERESA . I a roupa que o grande Tamberllini panela do feijão. po com conversa fiada que não vai PAULO . como as coisas iriam ficar se governo desta casa nas minhas mãos. Paulo.Na natureza tudo é li.cresceria. soprava um enorme tos. Fontes. pregaria nada. ela pode ser abafada nessa casa. Ficou preo- detergentes e alimentação.tia uma calça bombacha negra. controle. em fim nasceu temos um pouco! (Calmo. instante vivido. Teresa. o Paulo ficou que é bom. germinaria. tiro no ouvido? que simplesmente a minha idéia ' é visto e revisto pelas minhas mãos. é mais lógico. PAULO . usava ao ser lançado da boca do contra a poeira e não se distrair nas Só! Acabou. xe as coisas como estão. não reclame nem diga mais tolice.Você cometeu um en. é preciso ter objetividade. ficassem um (Paulo fica angustiado sem saber ro e já estou conseguindo chegar. TERESA .Aidéia não estaria mor.) uma anarquia insuportável.Louco por quê? Porque maior" a liberdade que você tanto TERESA . descontro- procurasse uma cueca. I dança que só de pensar te ame- TERESA .cadas esperava ansiosa o término dos proibições. mico que faço com o parco orça. desta casa. TERESA . não combateria nada. lada. modaria os outros. fala radiante. ela estaria nas ruas. dei. que o horário do o que decidir. com uma precisão e firmeza.Então a solução? Um PAULO .Papai cantando des. mente o seu balão. segundos que separavam a vida da servaria a sua posição.Papai. da privada a I PAULO . fiscalizar a ceu I·me. quando você (Teresa continua ansiosa esperan. neca! PAULO . Pago dívidas. (Reviven- horas erradas. não se desgaste assim. alcan- temendo e sendo temido.A minha resistiria. ca- roupas espalhadas pelos quatro can. Teresa espera a tes. Não pense tanto. o rodo.Ora minha filha. fim. inseguro. não Tudo isso dentro do milagre econô. encontraria do uma resposta de Paulo. ta.E daí? Morreu livre. vamos ao nos levar a nada.É uma das soluções do do nada. gano.nheiro e na cozinha. É preciso organização e higie.Mas essa eu não tenho mas aos poucos o nada fazer inco- mento doméstico que você e papai coragem.louco! TERESA .) uma calcinha na sua gaveta. perderia o aos poucos. Movimento sem canhão ao espaço vazio. a I percebe que posso fazer uma mu- nos restringe. do a cena) Amultidão nas arquiban- medo. volta a soprar despreocupada- c1imax. É mais fá. zangada.É nesse nada onde que- gentes e o ferro elétrico. senão não colocaria em prá. é inútil! Dei. Assine logo a rendição. Nada nasce livre.vel. Idealismo bobo. regra. (Teresa fica desconsertada com a tempo você estaria perdido.Como ridícula! Essa é e a mesa todos os dias. que roupa ridí- ne para se manter no meu posto.' (Fontes vem voltando à sala.A bagunça seria infer.resposta do pai. soura. cueca recupera.I FONTES .Papai.balão vermelho. meu movimento I adentro. mas ganharíamos um bem PAULO . ordem e fazer certas PAULO . sem isso você não pre. mundo moderno. para voltar a ocupar o meu tica. Queria xe as coisas como estão.Chega de perder tem- assumisse o meu lugar. vizinhos declamando.É possível que a vas.observa espantada a roupa do pai. Poeira por toda a casa. E ele com uma elegância. teria adeptos. ser um vigilante TERESA . deixe o cupada? É difíéil combater o nada! ver. os deter.Existe a lei natural! ! cula é essa? Portanto é preciso arrumar a cama PAULO . Em pouco livre. isso contribuem.Você teria de se pro. vida é o momento. TERESA . por- geladeira nada fica sem ser limpo. espanador. pouco esquecido. TERESA . como fumaça sem quase morte. sem prestar atenção ao pai. baile. eu não usaria esquema de pro. miseta verde. Ah! Minha filha! . imperturbá- precisava esperar o caos atingir o teger. Enfim. cil. Meu soutien provavelmente vi.) casa. gavetas reviradas. PAULO . I dronta? nal.Você ficou louco? almoço e jantar não fossem mais tão posta. é mais cômodo.Você mesmo falou. Teresa. ves- raria coador. compro TERESA .) rígidos.Omeu movimento nas.) TERESA . eu não falaria nada.Nenhuma idéia resiste çava o pequeno trapézio pendurado (Pausa longa) a força! na lona do circo. lugar e restabelecer a ordem na PAULO . berdade! TERESA . FONTES . não se amargure.I TERESA .

alimenta e te dá disposição diária. tentor do poder desta casa.Vai! Hoje você com- vitalidade. FONTES . TERESA . Fontes usando um processo ro. Ovencedor. PAULO . PROBLEMÃO. "vá dormir papai". TERESA .dando.. jogo fran- toa.Você quer que eu dur. recrian.E por que exatamente PAULO .Em você papai essa TERESA .Você não sabe nada.Isso mesmo. qual no ridículo. PAULO . é isso que te topo.. TERESA .Como terapia acho exce- rio. TERESA .Olha o seu coração PAULO . Quem quiser TERESA .Tome o seu remédio e PAULO . num circo enão tem nada haver com FONTES . FONTES . Que droga futuras dores de cabeça que garan.aumentativo. Bravo! Isso faz parte dele. pode apelar para o presente.vai sumir nesse espaço absoluto ou uma nova modalidade de aventuras.Por que não vai der.Qual? viver uma época da minha vida e lações e discussões .Nem adianta. TERESA .CUPAÇÃO! SOU eu quem enfrento frenize. FONTES .O circo é a vida mi. a minha coragem.. num sábado a noite. as pequenas amo.Porque hoje é sábado! TERESA .Esse é o seu mundo.Pare com isso.preocupaçõezinhas. por isso vive man. suas não sabe o trunfo que tenho. devemos Ia.Homenagem?! Assim à governá-los. TERESA . Vou iniciar o meu essa casa num hospício. é essa que você está soprando papai? tirá a mesmice medíocre rotina. não caia um grande medo de perder o seu rotina de vida mais medíocre. no fim da TERESA . eu não do o seu ídolo na sua pessoa.Uma espécie do jogo homenagem essa roupa é válida.Papai!!! FONTES .Coloca tudo isso no gando.Por acaso estou falan. tices desde a infância. TERESA . já é alguma coisa em co.Porque as coisas acon. a Tamberllini? Hoje é seu aniversá.Pode dar zebra! Você tecem assim de repente. (Fontes afasta-se resmungando. Me deu vontade de re.. FONTÊS . será daqui prá frente o de- tade.Aqueles que não sabem PAULO .Tá vendo! Você já está fica a remexer nos vidros de garga· a noite de sábado discutindo. menagem ao Homem Voador.Vocês querem transformar Você só pretende assegurar as suas eu também não. mântico reviveu uma época. PREO. ber o que significava essa roupa! imaginário. FONTES ...prou 100 cruzeiros de figurinhas.E você sabe o que faz? co e aberto. explicação.Vamos fazer uma coi- palhaçada. aquele que reu- PAULO . TERESA (Desiludida quase confor. a minha durma..860 horas. no fim do ano 1.Seu mal Teresa. vale desejos e esquisi- PAULO .cobradores e. mum com Tamberllini. FONTES (Melancólico completo) - balão sumiu como um dia a gente tureiro burguês de escritório. sa. você não está mir papai? horas. os defeitos mais esquisitos. como jogo perde um pouco a papai me aparece na sala com essa pensar que alguém pode quebrar essa graça. Bunda 8 horas na cadeira..Uma simples bola! Re.que vocês resolveram passar FONTES . "não faça aquilo" . ecomo TERESA .Que sugestão mais in. Colar figurinhas! "" I . no fim do mês 160 roupa fica ridícula. dormir 'sedi ' sono! breza.) sentar à mesa e fazer o jogo do lixo.Paulo".no fundo você não quer perder.Eu acho tudo isso uma TERESA . Você FONTES . vamos incorporando o espírito circense! rejos. é ter Vamos ver qual de nós três tem a papai! Olha a sua idade.Claro que sei. Teresa Cibalena é franca fa- roupa por quê? monotonia que finge odiar. por quê? PAULO . dículo. TERESA (Cortando violentamente) miniscência de um dos nossos ani. Eu só estou prestando uma ho. (Solta a bola) Lindo! O um aventureiro? Só se for um aven. mas que vorita.Muito bem.nir o melhor conjunto de esquis o- zer sempre aquilo que temos von. "faça isso esconde os desejos mais estranhos. ma ou morra? PAULO . oque fazem precisam de alguém para da verdade.Ainda não estamos jo- revivi. sem muita precisa ter os seus probleminhas. dia da sua morte? De repente dessa casa e treme de medo só em lente..Cantar não papai! versários. PAULO .Prestando voto de obediência e po. TERESA . esse trapezista! grata.Você se acostumou com o dia a dia PAULO . com .semana 56 horas. FONTES .Sem a grande favorita mada) . pequeno poder.Não tenho medo do ri.processo revolucionário.do com quem? Com um herói? Com . FONTES .dos três por trás das aparências se FONTES .Você não viveu esse tempo para sa. já .Isso vai mudar! nha filha.É! Então só me resta.

morto.Mas não é isso exata-· naiS.Eu queria colar figuri. não querem movimento? Pois então PAULO . TERESA . coraç~o do pai) . está bem. esse rádio. do? Papai o que você vai fazer? .. de felicidade? . o ar TERESA . Hailes. insetos eobjetos.Você não tem é cora. vocês me encheram o saco.Papai oque está dizen... Teresa aflita. um impacto dinâmico. Teresa e Paulo.. TERESA. com uma Paulo . as PAULO .passado.TRANSFORMAÇÃO? ca acamisa com violência. violentamente do . espantada.Tanto tenho que estou eu deixo! (Sacode os braços caídos Há poucos minutos ele encheu essa fazendo. sacode a . da mesa. força motora incomum nessa idade. sai formação? mentos. mento. será que não vê. TERESA .) . ser estático. Teresa fica a encarar TERESA . Faça alguma coisa 100 cruzeiros? O que é uma apo.Estou fazendo. vitalidade e grande número de movi. será que você não perce- mesa fazendo subir algumas figuri.) aproxima-se do pai. TERESA . nhas) Uma ameaça com um facão dro verde ou o vermelho? Osenhor TERESA . não deixaram fazer. Fantes con. realidade. não vê! (Socona mesa) casa? O desejo de uma voz? Uma como sempre foram. du? Desistiu de fazer sua 'revolução. .Que culpa eu tenho! De nada diferente.. Papai. você é quem concentração.Chega! (Autoritário.Percebi a evidência da de cozinha. sei lá oque... O .Aparência?! mais figurinhas. não participe. sentadoria? O que é uma bola de movimento..O senhor prefere o vi. e você chama isso tinua passivamente sentado no meio imóvel.Você iniciou essa pa- TERESA'. cante um tango. TERESA .Papai volte ao seu es. depois de -um certo tempo. vio- o nada e você fica interrompendo. Fontes inércia. TERESA. Fontes olha quieto) vosa) Faça alguma coisa! Como é PAULO .O que é movimento. não deixou! Paulo.. Um homem.. (Pausa para me concentrar e poder conceber mos juntos? Vê se ao menos liga recitando) Motor-morta-moto. (Tapa na milagroso. PAULO . FONTES .Já estou fazendo.) PAULO .Agora vai bancar ohin.. não consegue. beu isso. gressiva.Aúnica coisa que você PAULO (Divagando) . participar.Fazendo o quê? Nada. -. sabe fazer é falar.. \I TERESA .Eu não quero saber de alémdas palavras.. queria colar figurinhas. a matéria em constante. fica mais ner. fez com o meu pai? a guinada iniciada por Fontes. do pai) casa de movimentos. a opressão e revive um cor.O seu movimento foi como se fosse apanhar um remédio se encheu de música e tudo se trans- destruído por uma ameaça.Vocêestá me atrapalhan. está cansado? Não quer me respon. quer fazer gargarejo? Vou apa. do. parecia um velho ídolo do rock and IpO. (Soco na mesa fazendo espalhar cantar. O a sua brincadeira? Viu o que você serão mais inanimadas. cada PAULO . quero a estabilidade.Lenta é claro. não sente orock de maneira frenética. repente ele recupera a mocidade. Você devia estar feliz. seu pai TERESA . mas não ou se não tivesse gasto dinheiro com zinha?" me interrompa.Que enfarte. PAULO .. volta correndo) formou. Estou fazendo um esforço danado mesmo aquela música que cantáva- • essa força motora.. lento.... Fontes termina o ta completo..Minha filha se não quer lhaçada! Se tivéssemos ido ao baile .Volte a ler os seus jor.Você interrompeu a mi- Teresa e Paulo ficam espantados) TERESA (h1assageava nervosa o nha inspiração para me dizer isso! FONTES . No decorrer da dança omm. FONTES . . o nosso corpo. der? Eu estou incomodando? (Tenta PAULO . PAULO. mas pro. roil.Eu?! (Acordando) Eu Paulo está imóvel com ar de grande vão ter um de verdade. Meu pai teve um en- numacabeceira da mesa.- (Fontes começa a colar figurinhas. cada inseto recebeu uma vi- mente o que eu quero? nhar ovidro. será que futebol? Um sábado? Um baile? Uma coisas tem de continuar estáticas. Fontes faz a mímica e dança tecido. TERESA .. ICshow" se joga numa cadeira e fica farte.Viu no que deu Fique sabendo que as coisas não lhas. tudo deixou de TERESA . (Teresacorre até a pia bração.Pura aparência.Feliz? Você é um idio- (Passamadiscutir empé cada um abobalhados. sopa no estômago? PAULO . cheio de vida com uma gem! tado normal. talvez a televisão pudes- PAULO . completarei neu gargarejo. não percebe a trans. papai está quase morto. assistiam acena TERESA . o meu (A técnica roda um rock de Bill se estar aqui e nada disso teria acon- processo está em franco funciona.. figurinhas. objeto.Lógico.

TERESA .oes sexuais n~s ainda somos so bebendo as mesmas bebidas. Em todo caso vá lá.Cala a boca! tes de jornais! pletar a virada que você começou.a arru- FONTES (A brindo os olhos) . (Vibrando) dias o batente dessa casa os cobra- entrega ao pai . TERESA .. que constituíam a sua heróica dar. a tirar tudo dos lugares. TERESA . roda (Paulo começa a desarrumar a TERESA . sacuda a inércia. Eu já fiz o meu vou terminar o que comecei. ir a merda de um clube de bancar a velha! Entre no nosso I TERESA . o senhor per. sentado. Vê se pára de dizer besteiras.Papai.. PAULO . fazer o que o seu pai fez. da levam a dança! Estou livre. pare fez o que eu devia fazer. a sua retidão moral.Sinto-me vivo. papel. .que continuava na TERESA . mar a casa e colocar as coisas em Não leio mais nada.. acorde. Tere- existência! (Sacudindo Fontes) Fon. cheio de força e ânimo para que vem sem falta nós vamos nos de trocar uma fralda de xixi.Teresa Cibalena.) lágrimas. (Fontes levanta. fecha os olhos e PAULO . ser uma começar qualquer coisa. minha açao.Meu paizinho querido. verdadeira dona de casa. truição. a sua decência. Eu só queria ter um sá- TERESA . Durante a ação de Paulo. casar. tes acorde! Acorde! Me ajude a com. Enfrento todos os (Teresa apanha rápido os jornais.sso é falso Te.Teresa. sentir o prazer bem.Claro.Pelo amor de Deus FONTES . Abaixo mágica a mocidade plena a um ho. nada diSSO e Importante.Calma Teresa! Fontes no fim da semana ter um sábado PAULO . o laç. a ordem! mem de 60 anos. Vamos acorde. ~e acabo na beira do fogão fazendo uma bola e lança. ~aráter. no futuro me PAULO . sai da nh~ frente?! .. Que seus jornais? V?ce rou~o~ a ~mha idéia. tar e dormir.. participe conosco.) o sen?o~ destruiu o seu. ter filhos. E no futuro.. I '1 l O que está acontecendo? Paulo ficou PAULO . sa. dançar TERESA . .Palhaço! Papai é um I e joga para o alto.. poucas vezes estive em toda a minha querendo dizer é que nós devíamos Paulo continua a desarrumar.Cala a boca! queria era ter uma recompensa de deu a razão? PAULO . FONTES . t?dos os seus d~~e. . o que eu estava revirado..Pombas! Será que nem você é o culpado de tudo! Foi você já não bastou o que fez com papai? dormir se pode mais. ver as mesmas movimento. TERESA .Tirar as calças na mi. sei muito bem sua antiga posiç~o.Meus Deus me ajude! TERESA . I Teresa está desesperada chorando. não sabe o que faz.. olha tudo em seu redor PAULO . que mal eu fiz? Tudo que TERESA . (Teresa para de falar.Pra mim fim..) res. do bolso cai ai· casa. ARe/sar ?as nossas re~ pessoas sentadas nas mesmas mesas. Para um sá.) o que faço.) . que rebeliã?! Q~e I.É mcnvel o que vI. papai. você quer os forç~.Teresa .Ah é! Pois então eu samento.Perdão.Tud~ i.Todos os caminhos nos TERESA . enxuga as não comece mais nada. vila. aqui perto de casa. devolvi numa forma quase mos muita diversão. FONTES .. seus anos de trabalho. e ainda tenho que assistir essa des- continua na mesma posição) resa. .Papai. .) . estou me acabando dentro dessa casa dinâmico! (Altivo. furiosa. olhos) Minha filha.. senta na cadeira voltando a revirado. a pontdalmente as 6h30m pa. seus sacrifcios. com isso destruiu ordem me viro na cozinha no tan- (Apanha todos os joi'nais. que. sem televisão.meu nome poderá sair em manche.Não envolva mais o noivos] Me respeiíe' as mesmas músicas com a mesma meu pai. sua dignidade.Ah bem! (Volta asen.Sou um participante herança que eu me orgulhava tanto.vitalidade! bado como outro qualquer. louças quebradas. dores me viro em desculpas acordo mesma posição. tudo está completamente FONTES (Imóvel.. Fontes fica só de liça tudo. idéia-ação. ele não é mudo! PAULO . abrindo só os cueca. PAULO . ... sinto-me PAULO . gumas moedas. usou a I mal eu fiz?. margem. tranqüilo. cuidar do meu marido. amassa também ?~.. trabalho como uma danada.Minha filha você trepa?! pessoa. como PAULO .Papai. tentando fazer o melhor prá agra- como um jogador de basquetebol.E não é lindo! Como bado a noite. tira a calça.Calma seu Fontes. passado numa casa de na sala de jantar!!! um alquimista mexendo com o pen. casar. ano minha casa. rebo- velho. (Fecha I TERESA . até que já tive.Não fale mais nada. que fez o meu pai ficar de cueca PAULO . Que louco. prostrado na cadeira.Só se for manchete po. FONTES . copos. você falou?! os olhos) . . (Fecha os olhos) FONTES . licial. TERESA .

. na TERESA . (Barulho de (O casal vai saindo assustado. a minha com o fato sai de cena) desobediência em última análise se- ordeira.Vão embora.Essa vila sempre foi simples questão de querer. como um contra-regra vai colo- beça. levanta e caminha para o seu lho termina. contrariar a Teresa Cibalena? AMÉLIA . ga) Mas afinal de contas.Pois é. AMARO . · .Nós não entendemos II 34 nada.Não adianta querer provavelmente históricos! (Pausalon- AMARO . so cera.. resa perdendo a calma. por estar fora da intimidade cera costumo lavar o chão. Teresa passa pela sala. é a falta de da noite de. Amelinha! Mata! Mata! palco.. TERESA. acabando de arrumar a cara branca debeleza. quando for dor. viram e muito fato de eu hoje deixar a luz acesa AMÉLlA ..1- TERESA . algo digno do AMÉLIA . Papai é impecável! TERESA .) ar de satisfação e vitória por ver ordem. terra há de comer.j . caindo a medida que a música Alie- mexida sempre quebra alguma coi. Fim da música. pensa TERESA (Nervosa) .Cafezinho? os trajes de Fontes) rado. Não é Amélia? TERESA .. Seu pai é um indecente. com trajes de TERESA (Tentando abafar tom Ao acender aluz Paulo estásozinho dormir. ria um ato de rebeldia de grande mou com a sua aposentadoria.Hahahahahaha!!! . AMÉLIA . onde pode- AMÉLIA . "black-ouf'. .Pois bem. rulho. louças e água. " TERESA . Estamos só fazendo uma estar caminhando para os seus devi- tira o paletó eagravata. talheres.Pois é.) ra não faz assim? sanimado. sujo.Paulo. I Nós já vamos dormir. Aos poucos vai-se reaniman- AMARO .Ainda nos sobra tem. sa.Papai não se acostu- AMÉLIA.São quase onze e meia todos! TERESA .) FIM .Eu bem qHe podia con- semmoral! trariar a ordemde Teresa! É uma se passa nessa casa? FONTES .Aqui tá força e efeito. sábado. ·'"Black-out. tornando uma figura quase bi. Meus olhos que um dia essa xina aqui em casa é domingo. (Um casal idoso. AMÉLIA .. a senho.. sempre que está trabalhando.Nunca vi cmsno tempo. L AMÉLIA . (Fontes sem se importar com a las. a senhora entende . I -ti. cansado numa cadeira.Mata Amelinha mata! do. . po para assistirmos televisão. amanhã pas. ta repentinamente) Os vizinhos!!! .. mesmo num arrumação na casa . nha decidida até a porta. lenta e silenciosamente. prá que TERESA .) . gro de Vivaldi vai sendo executada.vou chamar a polícia! (Cami. o dia da fa. não deixo um lugarzinho aconteceu nada! Vão embora .Nosso chão éde sinteco! no início da peça barulho de pàne. alguma coisa quebrando lá por den. uma mudança brus- ria estar de bermudas mais a von.Não posso permitir TERESA .Nós não aceitamos É um inseto gigante! Tapa os olhos do. não !~ . Da cozinha ouve-se como AMARO . aqui não isso. O baru- (Teresa comporta-se formalmente visita. caminha até o meio do nada. quando tudo parecia i. erolos na ca.A nossa é sábado de bem o seu pai desfilar seminu! poderá desencadear acontecimentos manhã. . a luz vai fora do lugar para ir adiantando. sala..Aessa hora? tade..Arrumação? mento impacto.Viemos reclamar o ba.. a mulher usava uma más. Antes de passar cando tudo no lugar. levanta. mir não esquece a luz acesa. Paulo sai decena.) FONTES .É Amaro. fala entusiasmado em tom de TERESA . em cena. Teresa sen. suspense de Hichtcok! (Pausa) O maior.. limpo tudinho. -" ~j <la noite.Fresquinho! Faço na AMÉLIA (Tapando a cara mas discurso encarando o público. Vocês sabem.AMÉLIA. mais alto) . Te. Depois senta zarra.Velho AMÉLIA. dos lugares surge a mudança. pa- AMÉLIA.Merda! (Indiferente AMARO . deixando generosos furos) . quando tínhamos. (O casal está em pé imóvel.Viemos saber o que PAULO . tudo bem..Cedinho! tampar o sol com a peneira moci..Por favor queiram sair. bastante de- real da suacasa.Ficar de cueca numa sa..Uma boa noite para tudo arrumado. por isso o nha. '"V"' j. ca e inesperada nos últimos minutos AMARO .) hora.Aceitam um cafezinho? (O casal fica escandalizado com j(Paulo continua indiferente. o ele- sábado a noite em casa. i (Apavorada) I tro dos quartos) ta e chora fartamente. queéaQer. isto é. (Uma forte luz branca ilumina a Paulo colocou desde hoje os móveis la de jantar! Cruzes! Que sacrilégio! figura imóvel de Paulo. como se tudo estivesse em perfeita quarto. sua fisionomia vai-se iluminan- AMARO .

não pretende reduzir o trabalho de determinadas comu- nidades ao gosto dos que detêm o poder. que atuam no Estado do Rio. Mas Ordinária. tudo o que se fez em teatro até hoje. para explicar a sua idéia. de criação." Ele observa que. Foi realizado também um levantamento de todos os espaços onde se poderia encenar uma peça nos diver- sos municípios do Estado. já forma os profissionais necessários para cobrir as necessidades de um mercado saturado." A idéia também não é a de uma escola para ensinar a representar. nas mais variadas direções. do Departamento de Cultura da Secretaria Estadual de Educa. desde novembro passado. tem partido de cima para baixo. "com honrosas exceções". "Conclusão: existe uma vida teatral incipiente que se pode tornar sólida e vigorosa. "mas coordenador de um projeto de trabalho diferente do normal". À frente da escola. cabe a n6s democratizar a atividade teatral. ele teve a preocupação de desenvolver um estudo dos grupos de teatro.nas filmagens de Bonitinha. Sabe apenas que outra escola de teatro." José Wilker diz desconhecer o que era a Escola Martins Pena. DOS JORNAIS JOSÉ WILKER: Novo Diretor da Martins Pena Criar uma atividade cultural e econômica mais . Wilker aproveita uma pausa . ção e Cultura. o ator e autor José Wilker não se considera um diretor. peno sá-se geralmente em verba e prêmios. Por isso mesmo não dará verba nem prêmios. 35' ticulares. permitindo que aprofundem. a médio prazo." . amadores e profissionais. na medida em que se possa contar também com organizações governamentais e par. pois cerca de 95% dos atores do Rio estão entre o desemprego e o subemprego. abrangendo desde o número de ca- deiras até as condições dos equipamentos de som e luz. a dirigir. na administração ano terior.sólida para os 180 grupos teatrais que atuam na periferia e no interior do Estado do Rio de Janeiro é a linha central do projeto que vem sendo desenvolvido pela Escola de Teatro Martins Pena.coisa rara na sua vida atual . as minúcias de seu funcionamento. Assim soube que 180 grupos amadores atuam em si- tuação precária. quando se fala em projeto de teatro. "Mas eu gostaria que esse trabalho da Martins Pena fosse mais consistente. a da UNI-RIO. peso quisem sua forma de trabalho. a escrever. "Queremos colocar a escola à disposição dos que atuam nas diversas áreas do teatro. onde desem- penha o papel do personagem Edgar. Na sua opinião. "Esse projeto. "Não faz sentido colocar mais desem- • pregados na praça. Ao contrário." Antes de iniciar qualquer trabalho na direção da Martins Pena.

certamente. no Rio de Janeiro.~ Mas o vigor e a solidez dessa atividade teatral dependem prias para aquele tipo de lugar. "Será visto como "Isso pode ser visto como uma mudança significativa no um exotismo a mais que. me joguei público depois de uma leitura dramatizada. Agora apareceu essa oportu- à escola e os selecionados pelos professores são debatidos em ~Id~de de !r~?alh ar na escola e eu." Para ressaltar a importância dessa idéia." O curso que irá de abril a agosto funcionará como uma espécie de plano-piloto. muito como um boneco de mestre Vitalino. Deixa de ser uma escola. atraídos pelo Rio. Temos ainda um leque de idéias que ofereceremos podem não dar certo. O artista é um grande malabarista. é fixar o grupo na comunidade onde nasceu." dá bem a medida de sua fé nesse projeto. em "Há anos eu re~lamo que o teatro está num impasse. acho importante um embasamento cultural que dê ao trabalho sentido e ideolo- gia. cultural e eco- de produção que deveria ser realizado dentro dos próprios nômica. inicialmente. num tipo de produção como o teatro. ~ Escola de Teatro Martins Pena se tanto no repertório. José Wilker lembra uma conversa que teve com o diretor do Departamento de Cultura do Estado. como mostrou outra pesquisa que fizemos. mesmo sacrificando coisas que poderiam me escolhido. num corredor onde terá resposta de lazer. no entender de José Wilker. Wilker cita como exemplo o curso de dramaturgia. porque a dramaturgia é o ponto mais dar mais dinheiro. ria do teatro podemos encontrar informações que. Será todo editado e oferecido às comu- nidades do Estado. procurando saber desde o Pena a serviço da extinção desses grupos." Este curso pretende fazer um levantamento do teatro. em (Extraído do Jornal do Brasil. Isso é a morte cultural e econômica do grupo." Wilker ressalta que esses grupos desempenham um impor- tante papel nas suas comunidades de origem. Realista. E atividade teatral no Rio. convênio com a Faculdade Cândido Mendes. "Estamos enviando questionários para grupos ser ncvidade para eles. "É preciso aumentar sua ativl." Esses grupos de teatro da periferia e do interior freqüente- mente deixam suas comunidades de origem. os contratados.'. para ser uma obra em progresso." tipo de platéia que atendem até as necessidades e deficiências ' que têm." frágil da atividade teatral. literalmente. "Paralelo aos cursos que ensinam a parte mais técnica da atividade." A melhor saída. Aqui ele será obrigado a competir com um tipo de grupos. a tendência do teatro no Rio é se industrializar Dl~nte desse quadro." Emabril a Escola Martins Pena inicia um outro curso. "Eu disse a João Rui Medeiros que os gestos dos artistas não têm conteúdo. "Acredito que na hisíó. José Wilker admite que todas as suas pretensões cretamente. Mas eu não gostaria de colocar a Martins de diversas comunidades do Estado." pessoas no elenco. "Aqui são vistos São 14 03 professores efetivos e lO. "Evidentemente que elas podem recusar. Mas me parece que até para andar na corda bamba é preciso saber o porquê. "Esse curso foi nterc na idéia. também. de Caxias. Mas o entusiasmo com que fala da idéia a eles. poderemos ajudá·los mais con. A Martins Pena não pretende se instalar nas comunidades e dizer: é assim que se faz. "Um grupo como SllfOS e Canudos que tem uma função cultural muito importante para Caxias é trazido para o Teatro Cacilda Becker onde se apresenta para 15 espectadores. envol- como ~m acidente exótico e penso que esse fato não chega a vidos nessa obra. é desconhecida pela nova geração. na' produção. nos últimos cem anos. na opinião do diretor da Martins Pena. num contexto como esse." 'Comportamento de uma escola. quanto :na platéia:' Um grupo decidiu oferecer para assessorar projetos desses grupos de peri. pode ser visto quando feria e do interior. De posse desses dados. centro catalizador de cultura. tem fôlego curto. Os grupos enviam textos q~e a gente não para e pensa. "Hoje é um risco montar uma peça com mais de cinco espetáculo e de platéia cativos." Para ele. de um estudo das formas dade. criando opções pró- . 17·3·80). já dentro do novo projeto. servirão de inspiração para superar com maior mobilidade as crises mais agudas do setor. por- andamento.

Quais conta uma camada receptora determinada. de Gerhard Keliing. Por exemplo. Agora isso modificou-se um pou- co: chegamos à conclusão de que não é sempre possível um teatro especificamente adaptado a determinadas camadas sociais. surge o espaço cênico como linguagem produções para um público determinado tornaram-se menos autonomizável.O Schaubühne. sagem teatral a partir de 1960/1970. realizar projetos tendo em ou de puras paisagens (o Etna. Há em cada grande cidade um Teatro Municipal Que. reagir à nossa própria problemática tornou-se cada vez mais Numa extensa entrevista dada a Antônio Ferreira Campos. forma de dramaturgia. e este princípio é. é já em si Questionável. É o nosso ponto de vista autal.penhor de que o teatro é o oposto da necessidades da produção principal. sendo feitas pelas forças pro. há uma . fizemos a na forma do palco e no próprio espaço da sala e na relação peça A discussão. para escrever uma peça para nós. Esta peça será levada à cena por atores alemães e turcos. portanto. A. Como se processam as relações espetáculo-espectador nessas áreas de P. sublinhando a sua filosofia própria do tra. um pouco mais complicado. julgo. entre o espaço da ilusão. TEATRO SCHAUBÜHNE Durante um tempo o Schaubühne ocupou-se desstes projetos com receptores determinados. próximo colaborador de Peter Stein. que se tornou. burguês. "A linguagem e o ho. Quando se corpo e expressão espacial". dos espectadores face ao palco. ou levá-lo a sentir. nova linguagem e a uma nova forma estética . Essas produções eram secundárias e estavam fora qual se desenvolveu o nosso teatro. no sentido de reagir a determinados pro- blemas sociais.Parece haver no Schaubühne um aprofundamento intervenção? das questões da relação espetáculo-espectador que leva à rotura Fred Brendt . num teatro burguês a lhadores. o balhadores turcos são trabalhadores-hóspedes no nosso país. um pressuposto arrogante. julgamos saber como os aprendizes pensam. determinados grupos sociais. vamos encontrar um teatro dutivas que não estavam envolvidas na produção da peça prin. Experiências afins vêm sendo já tentadas em freqüentes. . em empresas e escolas. uma questão de cristalização. Para além disto. . e Que se começou a preparar há um ano. sobre a luta pelo tra. se faziam coletas para o Vietcong naquele tempo. eles são hóspedes de um teatro turco. Foi sobretudo disso que falou a "O Jornal" Fred idade. porque "sala" como local privilegiado. perante grupos sociais. ou coisa assim. e nunca com fins lucrativos: apenas uma rampa. Por exemplo. Agora quase todos têm mais de 40 e a necessidade de Schaubühne. e o abandono da comportam. sob o signo da com a cena à italiana e a um caminho mais longo que passa politização da vida em geral. Em primeira linha deverá mostrar ao espectador alemão. representa uma determinada balho. Esta peça foi produzida para aprendizes e jovens traba. no Schaubühne julgamos Que as reações espe- à atividade do grupo. cíficas perante as necessidades de determinados grupos sociais balho em comum. entre o espaço da arte e o espaço dos espectadores. É. um projeto sobre os turcos. com o auxílio de Gonçalo Vilas Boas. situação do espectador é frontal em relação à do palco e há ma. as depois o ofício do ator. Nós Teatro Schaubühne. chefe de fila do anos. Há. e eram apresentadas de graça. tentou-se especificamente reagir pela utilização de espaços sociais (o Estádio Olímpico de Berlim) . cipal. neira muito difrente.explicou noutro passo. colaborador de Peter Stein apesar de haver hoje esforços nesse sentido.Tem que se partir do ponto da situação dentro da e aprendizes. faz teatro para aprendizes.os tra- Presença criadora dominante na Europa dos anos 70.No início do Schaubühne. atrai desde o início da década queremos modificar a situação fazendo sentir aos alemães Que um público entusiasta. Por exemplo. Pedimos a um encenador turco. R. para um grupo sosial produção" . Portugal. Fred Brendt. Fred Brendt fez o ponto Além disso. ao adaptar tudo isso a uma. Campos . corre-se o o projeto e o receptor perigo de cair numa certa arrogância. Nunca foi oficialmente apresentada no nosso teatro. tudo se passa como se soubéssemos quais as necessidades de sições e aos estúdios cinematográficos. determinado. mas de uma ma. Havia um programa as etapas principais desse percurso? especial para crianças e outro ainda para trabalhadores jovens R. dentro da pai- de nossas condições econômicas. importante. e refletirá a situação específica do bairro de Kreuzberg (bairro de Berlim onde vivem muitos tur- cos). para além de uma pro- dução regular endereçada ao seu público habitual. de Berlim. num projeto de Grõber). falso. que está na posição de hóspede . mem no espaço são as componentes mais importantes da nossa Criar uma linguagem estética específica. por exemplo. para precisar: "Linguagem. de certa maneira. e de qualquer maneira o debate está eberto um pouco As forças do Schaubühne são cada vez mais absorvidas pelas por toda a parte . que vive em Istambul. Quer dizer. No--início do Schaubühne todos tinh-am à volta de 30 Brendt. produz outros Contra o teatro burguês espetáculos destinados a públicos sociais específicos. Quais as suas necessidades e. para ir até às fábricas. quer dizer. talvez. às expo. num aprendizado de anos. ao mesmo tempo que instila na drama. o que quer dizer que. Esta é uma produção turgia moderna o germe da mudança: onde era o texto.

situações e opostos. por outro lado. pode dizer-se. mar- s da cidade e aí organizaremos ações teatrais. ou à sua Pode dizer-se que qualquer nova produção no Schaubühne ausência. numa I Landwehr.O nosso teatro foi essencialmente influenciado por Ê uma peça que também tem muitos momentos de cômico. R. . os condicionamentos icos. bém uma encenação coletiva de peças em um ato de Kroetz Talvez visitemos os túmulos de personagens importantes. muito cômicas. nas formas de trans. é ica.erno. estão em situação absolutamente realista.muito divertidas. I nísticas técnicas aparece uma nova compreensão política. trabalhamos intensiva- ~ o túmulo de Erich Mühsam.todas as técnicas do teatro burguês eram Grober afirmam o mundo. uma realidade aguçada. face à ria sala de teatro. reforçada.. não havia lugares borar no mundo de idéias e de imagens extremamente subjetivo para as produções. Esta fi· gura.. representando em fábricas. Não há uma única frase que não seja pensada P. que é a do reencontro com a festa. O que comanda as razões dessa diversidade? de habitação comunitária. Em suma. mas aqueles que levaram hoje. é uma peça sobre uma mulher que. o seu mundo subjetivo como' forma sadas. começou. •• l e o palco estavam ao mesmo nível. Devo dizer que o tro. Entre outros. e de O'Casey. o que já levou de 1936. a depressão é uma realidade sensível. cada gesto :0 acima dos espectadores. reencontro. Tivemos outros encenadores.No teatro contemporâneo parece ser possível dístin- ator. o anarquista. não havia um orde- ento frontal dos espectadores. talvez o lugar mente com o cômico e a comédia. criando um novo espaço para qualquer nova lado a uma forma de representar muito realista. Por um !ucionário. de novo uma peça de agmentos históricos. O novo Schaubühne. minimamente informado como repartido por campos extre. ou mesmo na Trilogia do em de Inverno foi pensada tendo em vista o Estádio Olím. vard" alemão e que Botho Strauss é o melhor dramaturgo de izar-se-á por toda a cidade. ou uma produção cole- iomento histórico do assassínio de Rosa Luxemburgo. não foram mostrados exemplos suficientemente eluci- ce consigo a invenção de um novo espaço. do texto . Grande e pequeno. um novo espaço. pois as encenações são de fato. refugia-se no temor de Deus Stein e Grober e percorre as diferentes fases do percurso da República Federal Alemã. ou uma pose. uma descoberta do século passado.Botho Strauss. no cessos foi uma peça de Labiche. Levaremos provavelmente os "boulevard". pelo menos nos O Schaubühne cedo começou. para do teatro contemporâneo. no sentido comum. etc. vante. um dos nossos maiores su- pio no lugar onde Rosa Luxemburgo foi assassinada. há muitos momentos de cômico. a Trilogia do reencon- trabalho contínuo foram só esses dois. O compreensível medo perante as pancadas. pode ser considerada louca. para aceitarem totalmente a aventura de Grober. -. Seremos como arqueólogos que. não havia rampa. por nos parecerem improdutivas. também. as paragens de autocarro. A arte está sempre um de retórica. " uicídio de Kleist. no entanto. e por isso também uma realidade rele. em estúdios cinematográficos. a crítica a·dizer que o Schaubühne é o novo palco de "boule- ijamos para breve um projeto sobre a cidade de Berlim. Rtalismo é uma realidade ilco rotativo. as pressões nos pequenos andares sociais. P.. como todos os novos produtores de 'o depois da revolta estudantil. estão preparados para cola. O Schaubühne tornou-se então mais conseqüente e mais e adaptam-se de modo total a' estes condicionamentos. Ê uma exoressão da realidade da RFA er. o palco urna interpretação muito subjetiva do mundo. nada é dito apenas literariamente. e tentou criar. com a sua forma realista. Isto permite-nos mostrar em pormenor a realidade I. para qualquer novo projeto. mas mcenadcres: Peter Stein e o totalmente oposto Klaus-Michael numa atitude resignada.. investiga O texto e o espaço I exatamente os acontecimentos reais. :tadores em autocarros a todos os locais históricos impor. a abandonar a exe~plos mostrados aqui. com o título O mealheiro. Os artistas são os mesmos com ambos os encenadores . Peças como A viagem de In. o desvão . L . O grande e o pequeno têm uma característica resignada - 'ho de Peter Stein se caracteriza por um mundo realista. ou sobre li reflete. como uma flor guir três fases: a princípio. os problemas das cidades-satélites. se assim se pode dizer. uma realidade de- dade técnica em muitos teatros burgueses. . Com estas ca.talidade e uma diferença de nível. L . como por cada pelo cômico. As encenacões de íivo. Os atores fizeram tam- és da qual queremos apontar para um acontecimento poli. de uma ilustração tradução e adaptação de Botho Strauss. desde o início. Esta é a concepção estética e de conteúdo das encenações de Peter Stein. há também implicações de conteúdo: por exemplo ralista pelo seu caráter condensado. que afastam o vosso trabalho de uma via fértil sições. a dativos. Realmente cada frase. Por exemplo. :tadores. em locais de realidade alemã. _ Ovosso trabalho aparece aos olhos de qualquer obser- alemã: a cabine de telefone. mas de uma ação teatraluma encenação extremamente divertida. para falar de outro caso. condensada. na sua formulação A encenação de Grober. No projeto de Shakespeare. . tem uma grande forma de objetividade. tentam inflamar a própria criatividade. os especta. O mundo de Peter Na técnica que um teatro apresenta.Quanto à questão das relações com a festa. bulário gestual. distingue-se de um mundo natu- lação. ou. como a da Viagem de Inverno. de arte. e. fora dos nossos objetivos estéticos. dos próprios sentimentos e do voca. perante Uma das nossas últimas produções. notas de extremo desencanto. da época de Hitler. luer texto literário que Peter Stein recepciona. o que tiva de Courteline. juer nova situação dramática. corada (com "décers"). a sala . Stein. A planificação geral do Schaubühne está. do médico. Isto é. . a ação desenrolavase no meio dos de Grober. Não se trata. a recusar tudo o que vinha do teatro burguês. o primado era da palavra. numa peça de cinco horas.Há nas encenações do Schaubühne. é uma ne. que parte natu- ralmente deles próprios.

é uma maneira tipicamente alemã de fazer teatro. que é a nossa segunda grande dmensão. Linguagem. os atores têm contratos de um ou dois anos: o centro da cena. em técnica de corpo. A linguagem no espaço. como o dos próprios atores. Como da carreira do ator. Nos Teatros Municipais da RFA. O corpo como expressão esesncial. Trabalho de grupo P. Além disso. com um modelo dramático. a questão' teatro é um teatro de texto. A possibilidade de emprego do corpo aumentou constantemente. . da peça ou do na sua terceira fase. preparação especial em canto. as influências de Grotowski. vista a situação do teatro alemão a No Schaubühne. A lingua. ou não são renovados. concebido como que. do produto final. R. Não há uma atitudebase para nós. do Living Theatre. Quanto à ocupação com o corpo. não é o domínio do Schaubühne. foi muito desleixada no teatro alemão. portadores de uma determinada visão da sociedade que é parte integrante do jogo dramático. foi fortemente influenciado ' por poetas alemâes. As influências são conhecidas. Claro que para nós tem muita importância. ou do tema.. são decisivos. ligado ao texto literário. e deixando de lado o teatro atores. trabalham constante- etapas do trabalho teatral? mente com encenadores convidados. Para o Schaubühne é esta a totalidade do estatuto e da funcionalidade expressiva do ator? R. seria possível descrever as relações 'do Schaubühne com estas são regularmente perturbadas. Além disso. O momento de reflexão grego e o de Shakespeare. os mais bem preparados da RFA. são. ou são interrompidos por acidentes linguagem fortemente codificada é o motor da encenação. gem e o homem no espaço são as componentes mais impor- tantes da nossa produção. cialista em desmontar o texto literário. é para nós uma dimensão importante. o momento da modificação da consciência. (Extraído de O Jornal . 39 . em particular. Talvez isso venha a modiíicar-se. passado. No Schaubühne há muitas ocupações espe- ciais. Em textos con- Nestas condições históricas. tem um papel tão importante. mas os pontos básicos serão definidos por aque- les que fazem o teatro. e um da distância e da proximidade. Apesar disso. e hoje o espaço cênico. é muito um teatro da cabeça. o que é condicionante identificação. as relações de trabalho. Uma das grandes van- tagens do Schaubühne é a de que existe uma consciência de grupo que vem de há muitos anos: o aprender em conjunto não é constantemente interrompido. o teatro que fazemos está muito temporâneos tentamos . e ganharam uma cres- cente importância. é um espe.Eu diria que. corpo ' e' expressão espa- cial. são também pessoas. 28·12-79). não se pode dizer que seja um elemento essencial do nosso teatro.Fred Brendt dizia que os atores. queria dizer algo quanto aó espaço. para o Schaubühne. nos os há) que influenciaram o teatro. Mas isto é compreensível vendo a história do teatro alemão.Lisboa. . afirmação que retoma a idéia de Brecht de que o ator deve criticar a personagem. com certeza.libertar das mais variadas maneiras a. a partir de Lessing até aos fins do século tema em questão. etc. como em Grotowski. Como tal. e este Por fim. podemos dizer que a questão da atitude. Temos. O nosso teatro é influenciado pelo texto e pelo espaço. Antônio fala. Peter Stein. em primeiro plano. por exemplo. o ator no espaço. Isso é devido a condições históricas. e os condicionamentos históricos que Peter Stein traz consigo. Os atores do Schaubühne. e é também uma questão de mentalidade. por isso. Nestas condições. . o desenvolvimento do teatro alemão. . depois é o corpo do ator pelo contrário. habilitado a fazê-lo . o trabalho em comum vem já de longe partir do fato de ter havido muitos poetas alemães (e ainda "e. em cada ator é muito dependente do produto.A situação dos nossos atores modificou-se no decurso destes dez anos de trabalho em comum. também é uma questão do texto ' teatro da palavra.do dramaturgo que se tinha por lei. a terceira dimensão de que o.e qualquer ator do Schaubühne está.

A idéia não é deixá-las visitar os parentes só no Natal interno. parte da população carcerária. representados pelo grupo teatral do Hospício de Cha. O zoológico Ialou-lhes o lato. osidade. para ver uma penitenciária por dentro e as reações das enriquecer ambos os lados. houve mo- mentos de medo de ambos os lados. diz a diretora. mas animais em um lOológico ra- mte social e atriz que já subiu aos palcos cariocas várias cional e opressivo. luma primeira fase. manteve por quase um mês uma experiência inédita O elenco se auto-escolheu. respectivamente. além. sob a direção do senhor de Sade". com os seus problemas sempre diante do castigo social dos que a político da vida. MTEATRO PARA READAPTAR PRESIDIÁRIAS oferecendo-lhe uma perspectiva de socializar sem o achata- mento psicossocial de que quase sempre são vítimas nas prisões tradicionais. não cremos em teorias lombrosianas (o criminoso nasce cri- dentro de um trabalho sem sentimentalismo ou paternalis. fazendo um bom relacionamento entre a popula. as presas e a socie. quase um mês. Cada aula foi um espetáculo. deixando sempre a impressão de que não estão vendo . fosse a direção. após sucessivas experiências de dentro em breve. trouxe novo alento ao teatro mundial a partir de 1964 um trabalho de laboratório. do olhar. mais 'r Não Jogar Amendoim. O teatro libera muito. depois de terem sido. porém. da explosão de criatividade . lembrando que as pessoas foram mais por curiosi. trabalhando durante o dia e retornando à noite para mais de perto. pício. . - tas. fossem as ' São Paulo . fazendo um trabalho ao . estarão novamente em contato com a " psicodrama.explica ainda Maria Rita. censura. onde se colocavam como num hos- próprio dramaturgo vencia as barreiras da língua alemã. ao deixar o palco.Alex Pollari. "Infelizmente. as presas começaram a fazer ss. .\ crítico de todos nós. Tudo isso é uma barra .disse a diretora da Casa Penal. Foi no dizer da diretora Suraia Deher.Nada de técnicas teatrais . do que propriamente interessados na situação limite a que se .entrosou-se com as presas. resolveram optar pela interpretação de feras em íade. espetáculo delas e para elas. \ O teatro foi porta aberta para o desenvolvimento do senso . numa alusão óbvia a~ zoológico curiosos que queriam saber como era a vida atrás das grades ue fazem parte. incrível quando elas ensaiaram um casamento com noiva e tudo."A perseguição e o assassinato de Jean-Paul próprias presas que não sabiam até onde poderiam ir. Ou ainda libertar-se por dentro. Dessa vez. Não deve haver tal nascia a terapia biopsicossoeial para humanizar o inter. seja uma função normal. Veio ) teatro faz parte da terapia de recuperação das detentas a calhar porque as detentas. Quando começaram a realizar a experiência. uma troca de experiências que deveria . '0 espetáculo montado pelas detentas da peni. propunham . colocando frente como no caso de Marat e Sade. seja ensaio.informa a diretora do presídio feminino do Carandiru. As que fizeram o espetáculo por . jade montava normalmente peças do Hospício de Charenton.o encontro entre as angústias das detentas e os ia Deher.Nossa intenção é a de oferecer oportunidades a todas. justamente pela situação que sempre cria · ém enção. minoso). Maria Rita Costa . obra-prima de Peter condições de enjauladas. "Infelizmente as pessoas que aqui estive. Queremos que elas se arcerá ria e as "psicoatrizes". penas não haja problemas de adaptação. :idos dissidentes. Sade dirigia tais peças por curiosidade e. sendo um precursor dos hoje co. vivendo normalmente entre as chamadas pessoas de um zoológico. com duas visões conflitantes do pano. pois são apenas seres humanos que falharam. . mas sim era a mulher moderna 'ente Sade e Marat. com uma platéia de cerca de 200 pessoas. . e o desenvolvimento do grupo a nível coletivo. anseios da sociedade. loucas de Algumas das "psicoatrizes" já estão em regime de semi.chegaram. sem rat."e ver se há possibilidade de recuperação e impedir a . mexe com todos nós. retornando à condição normal de. problema. As prisioneiras participaram de e algumas foram desistindo. demonstrando total lealdade para com a direção visitas. para que ao terminarem suas cape para as críticas e autocríticas das próprias detidas. sem poder fazê-lo por fora. quando as pessoas não conseguem afastar a curiosidade stituiçâo.- \. Começaram cerca de 30 a 40 Jaís em forma de terapia. não havia personagens históricas.. exer- cita a crítica entre os que estão aqui e a sociedade lá fora. Queremos tirar essa visão antiquada de que a penitenciária é lugar apenas de penitência e castigo . um asilo e atrizes de um hipotético circo. Costa.explica a diretora. mas com um limite natural imposto por suas próprias on. constituída. deixando a teoria de lado e partindo para a prá. é claro.uma doublé de pessoas cumprindo penas. sar das situações fictícias criadas por Weiss. sob a direção de Elias Ancreaito e Maria Maria Rita Costa. retornar à condição de o diria um cultor do óbvio.diz iária feminina. Por isso. Ao contrário. ao texto final e ao próprio título . por puro sadismo. ---------~ . ficou-se sabendo que o famoso Marquês devem cumprir pena. pois mamento entre a direção do presídio. O título da peça Favor Não Jogar Amendoim saiu de um poema de um preso político . inclusive. ou Ano Novo . sendo o teatro uma válvula sintam integradas pouco a pouco. .jogaram amendoim" . jogaram amendoim'.Jogar para fora sem perder os limites da autoridade : também se hospedava.

porse a uma exigência mínima de qualidade. extraído do Jornal do Brasil. um único assessor do SNT falar semmedo de uma estética de teatro pobre. a qualidade da seleção: o conceito da chamada repre- modo flagrante o equívoco elitista da lei que regulamentou as sentatividade. Pelo visto. e em vários deles a precariedade econômica acabava funcionando como elemento deflagrador de imaginação quema parece mais racional do que o anterior. própria dos artistas. a meu ver. do. Pena que até agora. que as federações ou enti. raramente serem presti- giados à altura nas suas cidades de origem: basta a visita de 4 qualquer mediocridade carioca ou paulista valorizada pela pre- r. Já existe. a título da tal representatividade. da cabeça e da sentença de uma única I mente experientes. Mas I . Convincentes a ponto de demonstrar de abstrato. (Yan Michalski. figurinos e acessórios muito dispendiosos que aquelas que participariam do projeto. este me parece ser um aspecto do Mambembão que está a exigir Não conheço as estatísticas a respeito. Foi no Belo Sul tindo a espetáculos por demais precários e ingênuos. O Auto das Sete Luas de Barro e E a Gralha eventualmente representativos. mas tal conceito não deve. mais desenvolvidos. a mesma preocupação dos outros recantos do país. e nhum espetáculo do Mambembão senti falta de uma ambienta. mas creio que a I um equacionamento mais decidido por parte do SNT. basicamente por uma questão de de tradições que lhes são familiares desde a infância. dades de classe locais assumissem a responsabilidade da indica. o gosto pela mandar ao Rio e a São Paulo um espetáculo de nível colegial. em cada caso. em contrapartida. rismo de recursos do teatro local. Em termos de ambientação visual e sonora. É evidente que os espetáculos selecionados devem profissões teatrais. entre produções vistas em viagens realizadas durante o ano por todo o território nacional. Uma escolha feita nessa cente. uma definição melhor de um 'C edendo lugar a uma espontaneidade e a uma fluência plena.uma solução deste tipo não pudesse ter sido encontrada. o prima- habituais nos espetáculos interioranos até uma época ainda re. há um membro da ! 'as produções profissionais cariocas e paulistas se acham . ! tador. Rio Abaixo.00 ou mais em um dia uma platéia maior do que o conjunto local é capaz sofrem. predominantemente 'jovem. ainda que pudesse haver. pelo seu caráter mente convincentes.ou de medo de tais rivalidades . sem dúvida. o que representa uma audiência que poucas produções profissionais em cartaz conseguiam reunir nas mesmas noites.e equipe do serviço encarregado de acompanhar a temporada em I talvez de fato sejam . com efeito. terceira edição do Mambembão suplantou as anteriores no que I diz respeito ao interesse despertado junto ao público carioca. Os esquemas de produção que propiciam tal criação não sença no elenco de um ou mais ídolos de telenovela para atrair submissa à escravidão elitista do ingresso a Cr$ 200. às vezes vantajo- tinha a responsabilidade de escolher. que com invés.~ falta de formação especializada dos autores. profissionalização dos seus criadores. rivalidades regionais . uma decisão final a cargo de uma comissão do 'Cem de perto no seu cotidiano. estipulando para o exercício da atividade em ser de algum modo representativos do teatro que se costuma todo o território nacional as mesmas exigências definidas a fazer na região. cada uma das grandes regiões em que o país foi dividido. Antes.num grau menor. eventualmente. não adianta ano foi a preocupação com a linguagem verbal. t Pelo menos no Teatro Glauce Rocha assisti a alguns espetáculos I com lotação esgotada. ainda que Mato Grosso. que acaba exposto a revelandc-nos fascinantes peculiaridades do vocabulário e do expectativas do público e da crítica desvinculadas da realidade sotaque do Mato Grosso. cenários. 21·2-80). '. mas também e sobretudo sensível a um teatro diferente da rotina local. indo muito além dos caipirismos só para mostrar. Rio Acima foi exemplar. conceito que vem desequilibrando um pouco. Ainda assim. a má dicção. as marcações mal resolvidas e a precariedade da estru- tura dramatúrgica costumam desaparecer como por encanto. Sob este aspecto. indicar os espetáculos a serem incluídos no programa. e. Ela possibilitaria. dos males o O Mambembão 80 inaugurou um noro sistema de seleção menor. na medida em que elimina o fator fortuito da presença do selecionador único I ! criativa. Agora. I. pois a decisão continua deepnden- Neste terreno. Seria preferível. mas que nada tem a lucrar asss- esteve presente em 'iJ 'Baile Past9ril da Bahia. j ção mais rica. embora . que está interessado em conhecer o·teatro riedade. já se pode dos espetáculos participantes. que conseguiram despertar o interesse de uma respeitável faixa do público carioca. O es. I Belo Horizonte. Em ne. Se numa deter- Um detalhe que me chamou particularmente a atenção este minada cidade o teatro ainda é muito incipiente. pesquisa do Iinguajar regional. como o TCP de Curitiba e O Grupo de pessoa. t·i samente. ainda não é o critério ideal. Mas também por trás de O Contestado em que trabalha no seu dia-a-dia. ou então depende da prática SNT. O que é ironicamente triste é o fato de esses grupos. a impossibilidade de uma verdadeira de reunir em toda a sua temporada. e fala apenas de fenômenos que eles conhe.obrigadas a colocar em cena. diretores e atores. certamente motivada pelo preço barato do ingresso. timentos muito reduzidos consegue substituir. É verdade que este ano casos Falou. A coisa muda bastante de figura quando se trata da num determinado momento e numa determinada cidade. deste tipo foram muito pouco numerosos. uma platéia do Mam- bembão. e excluindo os casos especiais dos elencos alta. que sabe poder esperar dos grupos visitantes. .. base não beneficia nem o próprio grupo. o não profissionalismo resulta muitas vezes limi. sobre- partir da realidade que prevalece nas grandes capitais. e nem o público dos centros era fácil perceber um levantamento lingüístico de inegável se. Mas nos trabalhos em que a criação surge da vivência ção dos candidatos da respectiva região. sem dúvida.

de José Arrabal. queremos somente a libertação do ser que existe por detrás daquelas pessoas. o autor escolheu como "os marcos básicos do início da travessia" três propostas artístico- ideológicas: as de Oduvaldo Viana Filho. meti- culosa e abrangente.. descendente de libaneses de Goiás. curiosamente. de um certo número de ensaios e outras publicações dedicadas mos inovar e criar novos conceitos. 25·2·80). O primeiro ensaio. a sofrida trajetória do teatro brasileiro no decorrer da década. a de José Celso) Arrabal en- cara as posições de cada um a partir de um enfoque saudável- mente polêmico. seu trabalho é uma contribuição valiosa para a compreensão do teatro brasileiro dos anos 70. . antes com Sabato Magaldi. O fim do ano e o da década propiciaram o surgimento inclusive para nós. É uma experiência para todos. O segundo ensaio. financiada pela FUNARTE (cujo nome. dissecando os seus aspectos econômicos. Um destaque especial cabe ao fascículo Teatro lançado dentro da coleção Anos 70. com impesável coerência.diz Suraia Deher. que tivemos de vencer o medo para poder. intitula-se Anos 70: Mo· mentos Decisivos da Arrancada. tão seres huma- nos como qualquer de nós. de Mariângela Alves de Lima. Para estudar as características próprias da criação teatral no período. com todas ALGUMAS PUBLICAÇX>ES SOBRE TEATRO as suas implicações. nem aparece nos livrinhos.encenada e aplaudida. apontando luci· 'I damente os equívocos eventualmente cometidos. O nosso não pretende ser um processo especulativo e deverá haver continuidade. agora com Mario Chamie e entidades religiosas. Highirte e Rasga Coração não terem sido publicados simulta- neamente com o lançamento dos dois espetáculos). criando de trapos o vestido e da imaginação a festa.Todo o tipo de inovação tem de ser feito com série- dade . Para isso con- taram com a aprovação da FUNARTE. Não queremos sair no psicodrama. com particular aprofundamento. o fato é auspicioso e estimula a reflexão sobre o passado recente e sobre o contraditório presente do nosso teatro. Embora algumas for- mulações que o ensaísta postula sejam bastante discutíveis. à análise do teatro brasileiro nos últimos anos. porém. . o volume contém três ensaios crí- ticos que abordam. mas ressaltando I sempre a importância essencial que as diversificadas formas de 41' . aborda o tema da evolução do conceito de grupo teatral no decorrer do decênio. sente-se que o processo de libertação. BRASILEIRO Na realidade. sob ângulos muito diferentes entre si. onde nasceu e tem orgulho disso. Augusto Boal e José Carlos Martinez Corrêa. e as enquadra. que concedeu verbas da Secretaria de Cultura da Prefeitura. pouco entendida. artísticos e psicológicos. ) e editada pela Europa Gráfica e Editora.. dentro do contexto político que lhes deu origem. A escolha é acertadíssima: as tentativas de equacionar esquemas de produção alternativos à produção convencional da empresa capitalista constituíram uma constante fundamental do teatro brasileiro dos anos 70. Vamos fazer uma avaliação de tudo e corrigirmos possíveis falhas. Como o movi- mento editorial em torno do teatro continua muito pobre entre nós (a propósito: que mancada imperdoável os textos de Papa (Alberto Bcuttenmuller. Analisando em profundidade as linhas mestras do pensamento de cada um destes três criadores (e. Mariângela Alves de Lima analisa o fenômeno de uma maneira brilhante. Vendido nas bancas de jornais ao módico preço de Cr$ 60. Foi lindíssimo. extraído do Jornal do Brasil. o pro- cesso criativo foi muito mais importante do que a peça em si. ideológicos. Quem Faz o Teatro. através do Roberto Parreira. sociológicos.

pequenos depoi- na-se de um levantamento apaixonado das conturbadas re. cdrigo Farias Lima. que dá uma imagem bastante ntomática do panorama. um depoimento de Maria Adelaide Amaral xe as opções dos dramaturgos nos anos do sufoco. Imara Reis. etc. lealizada e executada pela jornalista Liane Muhlemberg. José Carlos de Souza. Tânia Pacheco levantou um significativo volume dados objetivos.Renascer do Teatro. de inegável utilidade para futuros estudos ~ se proponham a digerir esses dados e extrair deles as con- sões que eles potencialmente comportam. o en. o Grande Ausente. por um longo debate sobre o momento teatral brasileiro. um artigo de Flávio Rangel sobre a ress- icia da classe diante da Censura. O acento maior é colo- lo nos problemas da censura e repressão. um artigo de Maria Helena lhner significativamente intitulado O Povo. mentos Isolados de Sérgio Brito. n estudo de Cecília Prada sobre teatro infantil. Iização não empresarial foram alcançando. prossegue com um etxenso debate intitulado Fim da Cen- im . fecha o volume. com José Celso Martinez Corrêa. Gil- erto Cesar Costa (estes dois do Grupo Tal. ' I> ior ênfase. formas de resistência contra o iítrio.dedicada ao teatro. Fer- nda Montenegro e Adernar Guerra. em dois ótimos editoriais assinados por Oswaldo Mendes muito especialmente. até há pouco dedicada basicamente ape- IS à Arquitetura. uma re- rtagem sobre a evolução da representatividade sindical dos :istas e técnicos. A revista Módulo.asileiro. mas acabam quase sempre falando cada um ) da crítica paulista é a melhor coisa publicada sobre teatro com o seu próprio umbigo. esquemas das subvenções. Ruth Escobar. pequena. Luís Mendonça. O Teatro e o Poder. Debate confuso e pouco Ijetivo como todas as discussões entre gente de teatro no I . uma entrevista com César Vieira bre o teatro popular no Brasil. 13. sobre- do quando Antunes Filho ou Fernanda Montenegro estão Im a palavra. O tom ao mesmo tempo comba- o e lúcida da publicação é empostado. cada um dos seus próprios proble- sileíro nos últimos anos. desde 1968) até 1979. Para mim. Ivan de Albuquerque. Orlando Miranda. um divertido trabalho de usto Fuser sobre os censores.suplemento da Folha de São ulo . por Jefferson Del Rios. logo na primeira pá. '" zes e contém algumas observações muito pertinentes. de Tânia Pacheco. I ~ la. Encerra~do a série e completando o debate. de Caxias) e João lS Neves fazem uma força enorme para estabelecer um ver- . Seguem-se uma 19a entrevista de Gianfrancesco Guarnieri. mas. e outro de usto Fuser sobre dança. unindo Antunes Filho. A parte central do tablóide é ocupa- . mas que na sua nova fase abre suas pági- lS também a outras manifestações culturais.asil. cada um defendendo o tipo de produção à qual se dedica. mas que ainda assim chega a alguns diagnósticos perspi. na medida em que os participantes .Fernando Torres. merece destaque a excelente ção especial do Folhetim . Fernando Torres. extraído do Jornal do Brasil. Entre as publicações jornalísticas que se dispuseram a uar formular o sentido e as características da trajetória que teatro percorreu nos anos 70. (Yan Michalski. mas a autora ipa-se também de assuntos tais como a organização sindical. num dia decididamente pouco :liz. Amir Haddad Resina Casé e ões entre o teatro e a estrutura estatal desde 1964 (e.1-80). dadeiro diálogo. outra. reunidas sob o título-geral O Artista e a Produção. e iriquecída por belíssimas fotos de Macunaíma tiradas por LUís arlos Homem da Costa. publicou no seu timo número uma série de matérias sobre o movimento teatral . a série inicia-se com uma entrevista mcedida por Orlando Miranda.

ele é muito mais facilmente pos- aspectos negativos da terceira edição as modificações que re. Dos 10 trabalhos apresentados. colorido e alegre Pastoril da Bahia extrai toda a sua seiva do rico manancial de manifestações do folclore regional. preservar e valorizar as épica de O Contestado são apenas os exemplos mais evidentes antigas tradições populares da respectiva região .lendas. Falou. Do mesmo modo.pois a diversidade de temas. Rio Acima. E foi uma pena algumas produções con. Obviamente. TEATROS FORA DO EIXO Em alguns casos. peculiaridades Iingiiísti- cas. sobre o teatro feito em algumas tantes. A inspiradíssima linguagem cê- ranca. a expressão simbólica dad~ local permanente. o conteúdo implicitamente político da uti- dia do povo. as estruturas que condicionam o dia-a. mas deixado claro: trata-se de um projeto utilíssimo. a tradição popular e a abordagem regiões. figuram entre os raros é possível no Brasil de hoje. sem recurso às tradições folclóricas. 43· . os grupos interioranos podem dar-se ao luxo de fazer vidadas . de E a Gralha Falou. o Mambembão con. E uma iniciativa que posicionar-se frente às pressões da sociedade) em Os Riscos parece louvavelmente bem organizada. em O Auto das Sete Lucu de Barro. por causa de problemas inter. em nível de ensaísmo erudito. lização do folclore em Rio Abaixo. fato que cresce de imo da Fala. intimamente. e das repercussões dessas estruturas no dia-a-dia dos habi- outro modo seria inexistente. da cobrança de entradas na base Aqui. nos objetivos. sem prejuízo da sua autenticidade e co- mesmo esquemas de produção é talvez a mais fascinante ma. ou Ergue o Mocho e Vamos Palestrar. nada tinha a ver com o código específico da classe média alta flexão sobre o recente passado histórico. abordagens e táculos apresentassem. as folhas de paga- última modificação se justifique pelo propósito de proporcionar mento inílacionadas pela vizinhança dos estúdios de televisão. estes dois eixos coexistem dentro de um mesmo espetáculo. e podem dirigir-se a um Se a temporada carioca de 1979 apresentou características espectro social mais amplo. para o dência pôde ser encontrado nos espetáculos do Mambembão.ligadas ao proeesso da abertura menos sete abordavam problemas e usavam uma linguagem que e por conseguinte concentradas num catártico esforço de re. e em alguns casos é mais atraente e livre. quando a distensão censória era ainda uma vaga espe. sobre o qual ouvi comentários entusiasma. e em alguns casos esta coexistência. O que não impediu que alguns espe- se é que existem . um dos momentos mais Na sua recém-encerrada terceira edição. e vai mais ao derando que em Minas. Na maioria das vezes. porém. e não mais de terça a domingo.como o mais recente trabalho de Márcio Souza para um teatro que não vise a atrair especificamente uma faixa po- o TEse de Manaus. num certo sentido (consi- dos. daquele ao qual estamos acostuma. mas sobretudo por mostrar que na maioria das vezes sociológica misuram-se. E a Gralha na forma e no conteúdo. impõ-se a conclusão de que se um teatro que mereça o rótulo de popular Diante do interesse do Mambembão.e abrangente das estruturas sócio-econômicas da re- ano também de Brasília e Goiânia) uma informação. Rio Acima e a empostação tos. portância quando consideramos a complexidade logística da ope- ração e a pequena equipe de que o SNT dispõe para executá-Ia. fazer poesia fundo das coisas. MAMBEMBÃO 80: OVARIADOLEQUE DOS danças. conduz à explosão de uma teatralidade viril e poética. Assim sendo. pulacional capaz de pagar um ingresso cujo preço é um fator dos . nica de O Auto das Sete Luas de Barro. artesanato.00 para cima. ou pelo menos na capital. provérbios. pelo muito peculiares. O animado. já Capital da Esperança é essencialmente apenas uma tomada de posição frente aos pro- blemas locais concretos. e até mesmo. eles não orecisam culti- nos dos grupos. e as sessões de cada produção terem sido programadas de quarta vamente. Um deles é o empenho em retratar e analisar a reali. ao qual são condenados os artistas que dependem. O Contestado. de seleção discriminatória. O outro consiste em levantar. em centros. exercício de sua atividade. foi uma pena a renças entre os esquemas de produção que prevalecem. desta possível multiplicidade de leituras. sível longe do Rio e de São Paulo do que nos dois grandes dundaram em diminuição quantitativa das apresentações. um destes dois denominadores comuns sustenta sozinho o espetáculo. teressante.não terem podido viajar. produzindo um resultado final muito in- este teatro é muito diferente. cantos. fortes do ciclo de 80: o ponto de partida é uma autêntica firmou aquilo que as suas duas séries anteriores já haviam celebração das tradicionais formas de expressão popular. tica perfeitamente capaz de alimentar enriquecedoras análises riores. uma sofisticação de elaboração esté- téria-prima do Mambembão . por mais que esta cisando enfrentar os escorchantes aluguéis. municabilidade populares. nunca se trata do circunstancial. não só por o ponto de chegada é uma imagem surpreendentemente con- trazer ao público e à crítica dos dois maiores centros (e este tundente . íntima e equilibrada. Assim. e posicionar-se criticamente frente a estes assun. aos visitantes a possibilidade de assistir a aguns espetáculos no e a necessidade de alimentar a conta bancária de quem investiu Rio e em São Paulo. nos teatros do eixo e nos teatros regionais. nenhum eco desta ten. na mentalidade. var os valores exclusivos dessa faixa. de Cr 200. É o que basta para fazer do Mambembão é ao mesmo tempo uma antiga tradição e uma maneira de uma das iniciativas mais válidas do SNT. Denominadores comuns. Um bom exemplo é Rio Abaixo. respecti- programação ter sido reduzida de 12 para 10 espetáculos.são os mesmos dos anos ante. esta é uma decorrência lógica das dife- comparação com os anos anteriores. o capital. etc. Diante do conjunto de 10 trabalhos que vimos. Não pre- a domingo. que de gião.

eventualmente. 21·2. sobre- ir da realidade que prevalece nas grandes capitais. mas tal conceito não deve. em contrapartida. a título da tal representatividade. indo muito além dos caipirismos só para mostrar.00 ou mais em um dia uma platéia maior do que o conjunto local é capaz TI. diretores e atores. a impossibilidade de uma verdadeira de reunir em toda a sua temporada. base não beneficia nem o próprio grupo. da cabeça e da sentença de uma única pessoa. viagens realizadas durante o ano por todo o território nacional. Ela possibilitaria. I Horizonte.e equipe do serviço encarregado de acompanhar a temporada em l de fato sejam . (Yan Michalski. uma definição melhor de um ndo lugar a uma espontaneidade e a uma fluência plena. a mesma preocupação dos outros recantos do país. pelo seu caráter te convincentes. sem dúvida. Agora. eira edição do Mambembão suplantou as anteriores no que respeito ao interesse despertado junto ao público carioca. e. ~ terreno. ou então depende da prática SNT. rismo de recursos do teatro local. a meu ver. pois a decisão continua deepnden- do. não adianta foi a preocupação com a linguagem verbal. sionalízaçâo dos seus criadores. A coisa muda bastante de figura quando se trata da num determinado momento e numa determinada cidade. ) menos no Teatro Glauce Rocha assisti a alguns espetáculos 1 lotação esgotada. dos males o O Mambembão 80 inaugurou um novo sistema de seleção 'r. às vezes vantajo. embora num grau menor. e 1 espetáculo do Mambembão senti falta de uma ambienta. entre produções vistas em ttos muito reduzidos consegue substituir.. Foi no Belo Sul tindo a espetáculos por demais precários e ingênuos. ainda que 'o Grosso. e fala apenas de fenômenos que eles conhe. cenários. a má rivalidades regionais . dades de classe locais assumissem a responsabilidade da indica- r. o gosto pela mandar ao Rio e a São Paulo um espetáculo de nível colegial. Pena que até agora. as marcações mal resolvidas e a precariedade da estru. mais desenvolvidos. Mas de formação especializada dos autores. Ainda assim. como o TCP de Curitiba e O Grupo de ainda não é o critério ideal. nte. basicamente por uma questão de radições que lhes são familiares desde a infância.obrigadas a colocar em cena. sem dúvida. Rio Acima foi exemplar. e excluindo os casos especiais dos elencos alta- e experientes. predominantemente "jovem. indicar os espetáculos a serem incluídos no programa. Uma escolha feita nessa e. Mas também por trás de O Contestado em que trabalha no seu dia-a-dia. Sob este aspecto. Convincentes a ponto de demonstrar de abstrato. a qualidade da seleção: o conceito da chamada repre- o flagrante o equívoco elitista da lei que regulamentou as sentatividade. Em termos de ambientação visual e sonora. extraído do Jornal do Brasil. É evidente que os espetáculos selecionados devem issões teatrais. grupos visitantes. estipulando para o exercício da atividade em ser de algum modo representativos do teatro que se costuma o território nacional as mesmas exigências definidas a fazer na região. Seria preferível. que as federações ou enti- ' . cada uma das grandes regiões em que o país foi dividido. um único assessor do SNT semmedo de uma estética de teatro pobre. este me parece ser um aspecto do Mambembão que está a exigir Não conheço as estatísticas a respeito. dramatúrgica costumam desaparecer como por encanto. que está interessado em conhecer o teatro ade. uisa do linguajar regional. e em vários deles a precariedade econômica quema parece mais racional do que o anterior. em cada caso. mas também e sobretudo sensível a teatro diferente da rotina local. que com invés. )s esquemas de produção que propiciam tal criação não sença no elenco de um ou mais ídolos de telenovela para atrair issa à escravidão elitista do ingresso a Cr$ 200. por-se a uma exigência mínima de qualidade. Rio Abaixo. solução deste tipo não pudesse ter sido encontrada. que acaba exposto a laudo-nos fascinantes peculiaridades do vocabulário e do expectativas do público e da crítica desvinculadas da realidade que do Mato Grosso. uma decisão final a cargo de uma comissão do de perto no seu cotidiano. o que representa uma audiência que cas produções profissionais em cartaz conseguiam reunir nas unas noites. deste tipo foram muito pouco numerosos. Pelo visto. há um membro da roduções profissionais cariocas e paulistas se acham . certamente motivada pelo ço barato do ingresso. com efeito. mas creio que a um equacionamento mai s decidido por parte do SNT. e nem o público dos centros fácil perceber um levantamento lingüístico de inegável se. o não profissionalismo resulta muitas vezes limi. tinha a responsabilidade de escolher.uma io. O Auto das jete Luas de Barro e E a Gralha eventualmente representativos.ou de medo de tais rivalidades . ainda que pudesse haver I ria dos artistas. tuais nos espetáculos interioranos até uma época ainda re. o prima.80). já se pode dos espetáculos participantes. Mas nos trabalhos em que a criação surge da vivência ção dos candidatos da respectiva região. que sabe poder esperar . figurinos e acessórios muito dispendiosos que aquelas que participariam do projeto. Antes. O que é ironicamente triste é o fato de ~s grupos. É verdade que este ano casos iu. uma platéia do Mam- 1000. raramente serem presti- dos à altura nas suas cidades de origem: basta a visita de ilquer mediocridade carioca ou paulista valorizada pela pre- . que conseguiram despertar o interesse de uma peitável faixa do público carioca. Já existe. conceito que vem desequilibrando um pouco. na medida em iva funcionando como elemento deflagrador de imaginação que elimina o fator fortuito da presença do selecionador único iva. Em ne. mas que nada tem a lucrar assis- ve presente em O Baile Pastoril da Bahia. Se numa deter- Um detalhe que me chamou particularmente a atenção este minada cidade o teatro ainda é muito incipiente. O es- mais rica.

com Suely Fran- Fortuna. de Jô Soares.00. Em Algum Lugar Fora Desse Mundo. TEATRAL Direção de Flávio Rangel. Carlos Koppa e r TEATRO GLÁUCIO GIL outros. José Wilker. com Maria Pa. Ingressos: os 100. Reinaldo Santiago Janeiro/Fevereiro/Março . . ção de Marcos Flaksman. Dire. Direção de Aderbal Júnior.00. Direção de Paulo Reis. Ingressos: Cr$ 200. Catalina Bonaky. TEATRO GINÁSTICO TEATRO OPINIÃO Papo Furado. Célia Biar e outros. Ingressos: Cr$ 150.00. Direção de Álvaro TEATRO CACILDA BECKER Guimarães. Direção de TEATRO CÂNDIDO MENDES Ivan de Albuquerque. criação coletiva do Ingressos: os 250. Direção de Paulo Betti. Os Fuzis da Senhora Carrar. de Marc Camoletti. Aquela Coisa Toda. Asdrubal Trouxe o Trombone. Jonas Mello e outros. de B. com Toni Ra- mos. . gressos: Cr 250. Direção de Janine Goldfeld e Hen- rique Cukierman. Ingressos: Cr 50. com Sadi Cabral. com Sura Ber- ditchevsky. comRubens Corrêa.. com Maria TEATRO DA LAGOA Esmeralda. Wedekind. TEATRO GLÓRIA Cláudio Marzo e Yuruah. Luís de Lima.. o Pagador de Promessas. Teu Nome É Mulher. • TEATRO DA CEU Fernando Torres. Di- Mesquita. Fernando Lício e outros. de João Bethencourt. Brasil: Da Censura À Abertura. Geraldo Alves e Sílvia Ban- Como Testar a Fidelidade das Mulheres. Direção de Adolfo Celi.00. Direção do autor.1980 A Serpente.00.00. de Vicente Pe- reira e Mauro Rasi. Ingressos: Cr$ 200. Camilo TEATRO MAISON DE FRANCE Bevilacqua e outros. Brecht. de' Brecht. Ingressos: os 250.00. Direção de Paulo José. Direção TEATRO MESBLA de Hamilton Vaz Pereira.00.MOVIMENTO TEATRO ADOLFO BLOCH cardo Blat. de Ingressos: Cr$ 150. com Tônia Car- TEATRO DULCINA rero. deira. . In- Jogos Na Hora Da Sesta. com Ítalo Rossi. Ingres- sos: os 180. Carlos Gregório.Adilson Barros.00. Elizangela e outros. André Villon e outros. Luis Fernando Guimarães. de Millor Fernandes. Eliane Giardini. com Regina Casé. Homem É Homem . Leila Ribeiro e outros. Ingressos: Cr$ 300. de Roma Ma. Ri. Armando Costa e Sebastião Nery. com Arlete Sales. Araci Balabanian. de F. Emiliano Queiroz. de Carlos Alberto Soffredini. Fátima Freire.00. co. com o Grupo Minha TEATRO IPANEMA Mãe Não Vai Gostar.00. Ingresss: Cr 150. de Marcel Mithois. À Direitg do Presidente. Maria TEATRO JOÂO CAETANO Helena Imbassahy e João Moita. TEATRO COPACABANA Direção ~e Jô Soares. Ingressos: Cr$ 300. de Antonio Pedro.00. Patrícia Travassos e Perfeito reção de Bibi Ferreira. Na Carrera do Divino. É. Milton Moraes. de Chico Anísio. e outros.00. Direção Despertar da Primavera. Evandro Toalhas Quentes. Ingressos: Cr$ 200. Rogério Fróes. com Fernanda Montenegro. Marco Nanini. com Gracindo Júnior. de Nélson Rodrigues. Direção de Tânia Pacheco. com Marília Pera.00. de Dias Gomes. Xuxa Lopes. hieu. Betina Viany e outros. In- gressos: os 120.00. com TEATRO DO BNH o Grupo "Pessoal do Victor" .

Ingressos: Cr$ 200. Direção e Heitor Nascimento.00. O Borrão da Paisa- gem. fala Baixo Senão Eu Grito.O Nascimento do . O Casamento do Sol . Direção do autor. de Chico Anísio. de Jorge Crespo e <\. O Misterioso Seqüestro do Príncipe Não Sei. No País Dos Prequetés. ~al. de Ri. OUTROS ESPETÁCULOS rília Martins e outros. de Wanda Bedran. de Maria Clara Machado. com Alice eiros. com Marilena Ansaldi. Fábio Junqueira. de Jurema Penna. O Elefante. Lucélia Santos e A Menina Que Perdeu o Gato. de Gugu Olimecha. de Ana Maria de Cabo a Rabo... Direção Com Panos e Lendas. Se Chovesse Vocês \TRO DOS QUATRO Estragavam Todos. de Oscar i 200. Ingressos: Quem Fantasmocanta. pelo Grupo Hombu. de Benjamim Santos. de Viagem Ao Faz De Conta. de Marco ros. de Neila Tavares. de Ziraldo. O Talentoso Contra o Dr. de Oduvaldo Vianna Fi. ATRO VANUCCI Santos. Dr. ? Banheiro É Pequeno Demais Para . tnto Mais Gente Souber Melhor. com o Quaglia. Antonio Pedro. ATRO VILLA·LOBOS Brincando de Coisa Séria. de José Geraldo autor. Ingressos: As Beterrabas do Senhor Duque. panta.00. O Novíssimo Testamento. Direção de Paulo Assunção. de Lucia Coelho e Caíque . de Benjamim 'f . :0. Dema Estiveram em cartaz as seguintes peças: rques e outros. Baltazar. Ingressos: 150.00. . Rocha e Wladimir Capella. Thelma Reston e outros. .. Os Três Mosqueteiros. Stepan Ner. Azunil e Amarelouro. 150. com Yolanda Cardoso. . de Leilah : Dois.IRO RIVAL Manoel Kobachuk. Ingressos: Cr$ 120. com Raul Rio Amazonas. de Adalberto Nunes. de Zezé Gêmeos. de Marilena Ansaldi Drástico. Os Bons Tempos Voltaram. Daniel Dantas.00. Direção de José Renato. O Diamante do Grão Mogal. cardo D'Amorím. de ian. Uma Mulher de Negócios.. Direção de WaIter Shorlies. de Daniel Rocha. Verdevida. Sueli Fuentes. Ary Fontoura. Edith Ponce e outros. Von Pfhul. Ingressos: Cr$ 150. TEATRO INFANTIL sbinder. de Sérgio Melgaço. Ingressos: Cr$ 120. Direção de José Possi Fala Palhaço. de Waldir Lima. Otoniel Ser. Apenas Um Conto de Fadas. de Walter o Siqueira.00. rtez.. Machado. de R. Ricardo Meirelles. ATRO SESC DA TIJUCA O Girassol Mágico. com Stênio Garcia. 'ero Luiz e Alcione Mazzeo. de Marco Aurélio filha Da . de Eduardo ilha e outros. O Beco do Moto. ATRO TERESA RAQUEL Barão Azul Com Arrepio Na Lua. I Renata Sorrah. de Doe Comparato. Ney Latorraca. ! Sopro de Vida.00. de Clóvis Levi e Tânia Pacheco. Elke Ma. pelo Grupo Mixirico.00. de Raimundo Alberto. IpODia a Dia. 'osé Possi Neto. eção de Luís Mendonça. Tolentino. de Bruno Bonin.00. de nijo. Ingres. Antonio e Apolinário Santana.. Maria Cristina Gatti. 5ga Coração. 250. Os Homens Es- . Cr$ 300. Ingressos: Duvide-ó-dó.00.. libatê. com Olívia Hime. Botkay. O Velho Mar.la. O Macaco e o Rabo. Em diversos locais se apresentaram os seguintes espetáculos: \ TRO PRINCESA ISABEL A Mãe D'Água.

n9 51. n9 "78.O Tribunal dos Divór. 70·71. e Os Viajantes. n9 47.Antes do Café. n9 76.O Homem da Flor n9 63.Ato Cultural. bo.Viagem Feliz de Largekvist Paer . Manuel .O Caixeiro da Taver- Andrade Oswald . e Um Gesto por Outro. O Mendigo. Cabrujas José Ignácio .Textos à disposição dos leitores 'na Secretaria dlO TABLADO . n9 83. Alma. As Interferências. Macedo 1. O Inglês Maquinista.A Morta. n9 82.Noite. NãoConsultesMédico. e Piquenique no Front. n9 71 . na. n9 79. Tardieu Jean . M. n9 55.O Túnel. Aman-Jean . n9 66.Amor de D.O Doido e a Morte. e-Simum.A Derradeira Ceia. Valli Virgínia .Teatro meu-Boi. n9 76.A Intrusa.A Mais Forte. que diz Não. n9 69. n9 57. Cavalcánti . Marinetti . n9 66.O Jogo da Indepen. n9 68..Fala Comigo Doce Kokoschka Oskar . n9 77.Farsa do Mance.O Jubileu.Lição de Botâ- nica.Guernica. n9 81. Millor Fernandes .Os Embrulhos. de Gente. O Pastelão e A Torta. n9 83..Mateus &Mateusa. Robert . n9 61. 11 9 4. n9 55. n9 67. n9 61. n9 48. Machado de Assis . C. O Retábulo das Maravilhas. Martins Pena . n9 47. Pinter Harold :. \Vilder Thornton . Brandão Raul .ONariz Novo. Pirandello Luigi . dência. Arrabal Fernando . Machado M. e Viajantes para o Mar. n9 52.Conversão Sinfonieta. ~ Naldita Parentela. n9 82.Assassino Espe. n9 53. n9 72.A Exceção e a Re.A Morte e o De- Ghelderode . Pettim. o Borges 1. n9 80. n9 82. Um Tango Ar- Anônimo . Aquele Racine .A Sombra do Desfila- Cervantes . Marinho Luiz . Strindberg August . Como a Chuva. n9 48. rio. Trenton a Camden. n9 67.Os Advogados. Em Figura O'Neill Eugene . n9 47. Carmosina . cios. plimcom Belisa em seu Jardim . Thomas. 47 . Cocteau Jean . n9 54.Édipo Rei. n9 62. Brecht Bertolt . um Defunto. n9 52. Os Males do Fumo. Wedekind Frank .n9 65. Quanto Custa o Silveira Sampaio . gra. Anônimo (séc. Forca.Os Cegos.Mestre Pedro Pathelin e o geníino. William Tennessee . . mônio. n9 58. e A Dama da rança das Mulheres. Gheon Henri . n9 43. n9 81.OÚnico Ciúme de Emer. n9 46. n9 56.. n9 65.o Guarda dos Pássaros. Casona Alejandro .n9 81. Settimelli.Bumba- Baccioni.Só o Faraó Tem Ferro. n9 83. Checov Anton .O Novo Otelo. n9 72. n9 60. Monteiro A. n9 62. n9 74. n9 64. Vian. .Do Tamanho de Barros A. n9 73. Boris . deiro. Yeats .' nQ 64. n9 63. XV) .A Gramática.Todomundo. n9 46. n9 49. Bergamota. n9 75. C. n9 54.A Via Sacra. . e Chica da Silva. n9 59. Qorpo-Santo .Os Credores.Construtores de Impé- Garcia Lorca . Labiche Eugêne . n9 50 Maeterlinck . n9 82.. n9s Futurista. n9 68.Morte Natural na França Júnior. Synge J. na Boca. Aquele que diz Sim. e Treco nos Cabos. Inês .

.... 90. Ronald Fues e Ricardo Meirelles. 21 Dos Jornais ......00 Autora: MARIA CLARA MACHADO Clarinha na Ilha ". Diretor versus Equipe . Meirelles . CADERNOS DE TEATRO assinatura anual (4 n. 100.O Embarque de Noé (música-gravação)..00 TABLADO.". publicações. 10 A Vigarista ...OS) •••• •••••••••• 160..00 de vale postal. Teatro Schaubü/l1Ie..00 Estas publicações poderão ser pedidas à Secretaria O Cavalinho Azul 70.. L.... Bourbonnand .... pagável no Rio de Janeiro. o mesmo deverá ser remetido à agência dos correios do Jardim Botânico .. Teatro para presidiárias.00 pre em nome de Eddy Cintra de Rezende Nunes. 35 Movimento Teatral 45 (Colaboraram neste número: Viroca Fernandes.. L.R..R... em nome de Eddy Rezende Nunes . Em caso O Patinho Feio (música-gravação) ..... íNDICE o Teatro Odin ..... Mam- bembão 80 ......00 d'O TABLADO mediante pagamento com cheque visado. 100......... ..... . 16 A Noite de Teresa Cibalena ...RJ.Silveira Sampaio ....José Wilker.. Aubert e J.) Àvenda na Secretaria d'a TABLADO . ~ .... C.... 10. " ".. . Benedetti . sem- CARTAZES .