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cadernos de teatro
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TEATRO NA EDUCAÇÃO - Maria Clara, Machado ~

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i -, . TEATR9'PROFmCO - Christian Gillõux'
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A:MORTA- - Oswald de Andrade
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, DO} JORNAIS
f·oi MOVIMENTO. TEATRAL lJaneiro/marçoj721
1 TEATRO PROFÉTICO

111'r--
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I' 1936

ARTAUD:
Queremos ressuscitar uma idéia do espetáculo total,
em que o teatro retornará ao cinema, ao music holl,
ao circo e à prôpria vida o que sempre lhe pertenceu.
CADERNOS DE TEATRO N. 52 Asala será fechada por quatro paredes, sem qualquer
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janeiro-fevereiro-ma rço-1972 1919 espécie de ornamento e opúblico sentado, no meio da
sala, em baixo, em cadeiras móveis que lhe permitirão
GROPlUS: acompanhar oespetáculo que se passará em redor dele.
Publicação d'O TABLADO patrocinada. pelo De fato, aausência de palco no sentido comum da pala-
Em sua origem, oteatro nascelr de llma nostalgia vra convidará a ação a desdobrar-se nos quatro cantos
Serviço Nacional de Teatro (MEC) metafísica... Aseção teatral da Bauhaus busca possi- da platéia.
Redação ePesquisa d'O TABLADO bilidades novas que possam sati*zer essa nostalgia mís-
Não l1Uverá cenário; bastará para esse ofício per-
tica; ela cleseia dar ao seu trabalho não só sati*ções
estéticas mas criar essa alegria primitiva perceptível a sonagens-hieroglifos, trajes rituais, maneqnins de dez
Diretar-responsável - JOÃo SÉRGIO M.uumro NUNES metros de altura".
todos os sentidos.
. Diretar-executivo - MAllIA CLARA MAOOIJO
um teatro de sangue
·-Diretor-tisoúreiro ., Enny .fu:zENnE No um teatro que, a cada representação, fará ganhar
Reqator-chefe - VrncINIA VALLI 1932 corporalmente
alguma coisa àquele que representa
Redação: o TABLADO . ARTAUD: como àquele que vem ver representar
Av. Líneu de Paula Machado;·'795 ~ ZC20 pois
Des~amos introduzir anatureza inteira 110 teatro, não se representa
Rio de Janeiro - Guanabara ~ Brasil: .
.. .
tal como queremos realizá-la. Por mais vasto que seja age-se.
. Os textos pub1iiados.nos. CADERNOS.DE ,TEATRO
esse programa, ele não ultrapassa opróprio teatro, que
parece identificar-se com as forças da antiga magia. Oteatro é, na realidade, a gênese da criação.
. :': s6-p9A~rgp.-ler_leRr~s~taqos,~~nle_"IljI10rizaçáo
1969 CtIRISTIAN GILLOUX .-
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ETERNIDADE DO INSTANTE
ORGÂNICO...
J. BECK:
OOrente: fonte de alimento dos últimos cinquenta
sitivo e negativo, e cuja resultante nada mais {; que a Momento do "ato total" de que fala Grotowski.
própria vida em perpétuo c/evenir (daí essa crueldade) Momento {mico em que o atol' jamais fará duas vezes
anos de renovação teatral. Em 1930, arepresentação do
Nós penslfvamos que o teatro e avida eram duas através de outras fonnas. omesmo gesto, visto que participa integralmente do de-
teatro de Bali, por ocasião da Exposição IntemacionaL
coisas separadas, mas isso era u11Ia bela mentira, Livíng Para Artaud, {; a revelação; sua visão de um teatro me- Eles devem fazer do teatro uma forma dinàmica que venír, do momento da vida; momento ilIemediável em
Theater (teatro vivo - teatro da vida) - porque quere. tafisico se delineia, Ele compreende esse teatro orien- se destrói à medida que ultrapassa toda a significação que ele se encoutra inteiramente "no centro do drama
mos fazer do teatro uma reali&/{le em que possamos tal em que "os temas que faz vibrar não são dele, mas da realidade em primeiro grau: as palavras, os gestos sem dissimular-se sob opitoresco de um personagem a
acreditar e que contenha, para. os sentidos, essa espé- adquirem um valor intrínseco, significantes se torna~ pretexto da verdade humana". Oator, privilegiado pela
cie de violência concreta que toda sensação verdadeira
dos deuses. Eles vêm - parece - das junções pIimitivas " significados; êles não são mais o decalque da reali- sua dupla natureza (orgânica e espírítnal], torna-se o
da Natureza que um Espírito double favoreceu. Oque
comporta,.. No ponto de desgaste aque chegou nossa ele revolve é oManifestado, uma espécie de Física pri- dade, mas aprópria realidade condensada. centro da cosmogonia teatral e, consequentemente, ter-
sensibilidade, é certo que necessitamos de tlm teatro meira da qual oEspú·ito nunca se desprendeu", Teatro na-se uma forma entre as formas Apenas, como "toda
que despeite nervos ecoração Ailusão dá lugar a uma concreturle além da lin- verdadeira efi~e, ele tem asua sombra" que ele reen-
em contato permanente com ooriginal. Teatro da iden- guagem articulada, além das formas mcrtas e estereoti- contra na necessidade que ogtua; "seu processo interior
tificação, da unidade enfim reencontrada, do concreto padas do intelecto, do pensamento racional (daí a im- é um processo real", que lhe revela os impulsos orgâ·
e do abstrato. Teatro do absoluto, Artaud acentua seu portância da herança do sonho surrealsta], a uma lin- nicas mais prefundcs; como diz Julien Beck "o ator não
ataque contra o teatro ocidental da palavra - com- guagem concreta diri~da aos sentidos e que não se espalha mais mentiras, ele não engana, ele se confessa
preendido como gênero literário pela abusiva importân- detém, por isso, nesse contato, até atingir as camadas publicamente através sua "próptia linguagem psicanalí-
cia dada ao texto, e que em nada utiliza a erpresão mais profundas de nosso espírito: a expressão é total tica de sons e gestos".
cênica: o movimento no espaço, a terceira dimensão no espaço eno tempo. Amise elt scene é uma lin~ua.
do gesto e da voz - contra as formas estáticas de uma Ele éo motor da representação e lhe devolve sua
gem prática e uma prática da linguagem: apantonuma,
arte petrificada, formas que aprisionam as forças cós- função; o teatro volta a essa "idéia elementar mágica,
a música, a dança, a intonação, a incantação, o grito,
micas, que dissociam a cultura da vida, o espírito da retomada pela psicanálise moderna, que consiste, para
os ruidos, as luzes desestruturam a consciência e se tor-
matéria. Artaud invoca, então, opoder liberador e sa- obter a cura de um doente, em lhe fazer tomar a ati-
nam os verdadeiros sinais dessa liberação catártica.
lutar do teatro. Se quisermos evitar os piores conflitos, tude eÀtelior à qual se desejaria recoaduzi-lc",
Sinais hieroglíficos "que evocam ao espírito imagens de
devemos por fim a essa ruptura dentro de nós e "acre- intensa poesia natural", deixando à distancia a psicolo-
ditar no sentido da vida renovada pelo teatro e em
/
I que o homem se toma senhor daquilo que ainda não
gia sumária, as racionalizações intelectuais, os correios ." EESPIRITUAL
do coração.
é e ofaz nascer. Isso leva arejeitar as habituais fron- Mas se uma das especificidades do teatro é atingir
teiras do homem e de seus poderes e a tornar infi- Apeça não mais sofre a ditadura do texto; ela vive diretamente oorganismo· nos periodos de nevroses e de
nitos os limites daquilo que se chama realidade" para do que llle é próprio no aqui e agora, daquiio que é baixa sexualidade como este em que mergulhamos, de
que essas formas possam explodir. especificamente teatral: a encenação, expressão i.deoló. atacar essa sexualidade por meios físicos, não se trata
gica, "projeção ardente de tudo que pode ser obtido de de cair na armadilha do ato, esbanjador de energia;
Acena se torna um perigoso lugar de destruição, consequências objetivas de uma palavra, de um som, não fazer como oassassino que, não podendo resistir às
semelhante ao caos antes da criação. Mas o atar, esse uma música e de sua combinação recíproca, no espaço e suas paixões comete realmente o crime. Ao couhárío,
feiticeiro que grita, dança, invoca, e odiretor, este de· ,
no tempo, materialização da simbólica do mito arcaico, oestado de transe "
miurgo de um mundo renascente, devem aceitar orisco, provocado pela representação de nos-
em fonnas evolutivas de conteúdo intemporal e abso- sos demôníosinteriores" é um estado de extrema luci-
Devem aproximar-se omais possível da críaçâo, "discu- luto.
tir não só todos os aspectos do mundo objetivo e des- dez, de lriper-percepção e não deve levar à morte, ao
cdtivo elterior, mas também omundo interno, isto é, o O objeto do teatro é (re)criar mitos, "traduzir a incesto ou ao massacre efetivos mas evitar qualquer des-
homem considerado metafisicamente". Eles devem, como vida em seu aspecto universal, imenso e ertraír desta truição de matéria e sublimar-se na espiritualidade. O
o alquimista, remontar ao seio da matéria para trans- vida imagens sob as quais gostariamos de nos eneon- teatro é uma situação concreta, criada artificialmente a
mutá-la, no drama essencial em que se encontram em trar". Em outras palavras, viver efetivamente a ídsntl- fim de provocar estados de espírito, sensações fortes e
conflitos necessários os Princípios prinutivos; dramatizar, r· ficação do espírito na matéria e da matéria no espírito. reais que, pelo conhecimento vivido e obtido interior-
pela explosão da forma que os contém, as duas forças Oteatro é o momento crucial da Criação a partir da mente, nos permitem atingir um equilíbrio supremo de
de que cada um é o double inverso do outro, como po- "anarquia formal" da matéria, eda "integração da idéia". forças dai resultantes; estado metafisico, quando caem
coberta das forças profundas, uma liberação de tudn Aextensão é o espaço-tempo, omovimento; ou "o
as máscaras, as sombras se iluminam, no qual Eros não é a domina enos devolve todo oseu patético. Seu orga- que o sufocava, o parto da vida, e goza o sacrifício reencontro do espaço e do tempo é a linha. Só po-
mais unicamente um libido carnal; mas todas as forças nismo deve ser um grito terrível epenetrante. Oator -r:
"mortal" (lue se desenrola diante dele como necessário demos conceber a linha com omovimento... só temos
de vida, de amor. deve atingir "essas' esferas em que a beleza não di- à sua regeneração. Helação sado-masoquista em duplo omovimento corporal, nele realizamos esimbolizamos o
"Maud achava que se nós fôssemos somente capa- fere mais da verdade." (Grotowski). Oteatro toma-se o sentido unindo irremediavelmente atol' e espectador. movimento cósmico" (Appia). Encenar é, portanto, prin-
zes de sentir, de sentir realmente, acharíamos o sofri- local de um sacrifício exemplar. "Ele se eleva nova- Esse mergulllO no interno só pode ter por motor cipalmente, projetm' oatol' no espaço do som e do gesto
mento insuportável, a dor intolerável, poriamos fim a mente ao esplendor intemo porque como ação exem- nossos sentimentos extremos: omedo, ohonor, a angús- através de uma linguagem plástica e sonora. O atol'
ela e, finalmente, capazes de sentir, experimentaríamos plar ele redescobre a profecia. Ele não muda o curso tia mortal; e nossos estados extremos: a cólera, a vio- deve poder, então, dominar todas as suas possibilida-
de fato a alegria de amar, de criar, de estar em paz, de do mundo, mas confinna uma mutação na consciência". lência, oamor. Eles correspondem a um mundo que a des corporais e mentais. Nada em seu jogo será dei-
sermos nós mesmos" (Julien Beck}. Osofrimento, a dor (Hogoff) razão recusa, ela que se contenta com idéias claras, xado ao "acaso ou n. iniciativa pessoaf', ao voluntarismo
revoltada devem sobrepujar a realidade. Oestado do- :É claro que, diante de tal espetáculo que atinge que a consciência se recusa a conhecer para poder viver psicológico. Essa "adorável e matemática minúcia" que
loroso do atol' (e do espectador) só tem valor se for tal gravidade, que se reveste de tal importânda (por mais calma e covardemente. São as únicas capazes dá a impressão de "vida superior", canalizará todos os
grahrito, isto é, inutilizado: a dor deve ser conservada sua referência à criação original que se recria perpetua- de provocar em nós O choque necessário à revelação a impulsos vindos do fundo de seu organismo. Ele será
em seu estado de ener~a pura para poder romper nos- mente em nós) e apela para nossos liames universais, que aspíramcs Somente eles são capazes de nos fas- dono de sua espontaneidade. "Os movimentos muscula-
sas formas interiores, nossos hábitos, nossa moral; em nossa metafísica do espirita-corpo, o espectador não é einar, isto é, de nos atrair e aíenerizar. É oseu pró- res do esforço são como a efígie de um outro esforço em
vez de esgotar-se em exteriorização ela deve alimentar mais esse voyeLlr apático do teatro da palavra árida, do prio poder de fascinação (sua ambivalência: salutar e duplo e que, nos movimentos do jogo dramático, se 10-
os conflitos, o tumulto das forças, a anarquia que se teatro de bmdevard como das falsas tragédias de Cor- terrível) que representa o primeiro conflito que nos caliza nos mesmos pontos" do corpo. Acada um desses
encontra no seio da Unidade esem aqual não há criação. neille e Racine. Ele se torna sua razão de ser. Ele conduzir~ à medida que a crueldade for cada vez mais . pontos de impulsão, a cada uma das qualidades do
Para Artaud um dos valores essenciais do Teatro da compreenderá oator que dá humilde egenerosamente a intensa e insuportável como se nos aproximássemos do fôlego, a cada um dos termos das ternárias respirató-
Crueldade é sua grahridade: "teatro que ensina justa- Sua pessoa como os antigos compreendiam aquele que, próprio sol, à medida que odeterminismo filosófico que lias e musculares corresponde "um sentimento, um mo-
mente a inutilidade da ação que, uma vez feita, não coberto de ouro, tinha o privilégio de lançar-se para ele representa for implacável, até osupremo conflito no vimeato do espirito, um salto da afetividade humana".
se f:!z mais e a utilidade superior do estado inutilizado eles numa pirâmide de serpentes. Ele verá nela oseu seio da unidade, lá onde a anarquia formal é condição "Saber antecipadamente os pontos do corpo que é pre-
pela ação, mas que, "retoumé", produz a sublimação. próprio dOLlble, a sombra. de sua própria efígie. Assis- sine qlla no/! de toda criação. É a~ perto do caos, que ciso fazer vibrar é lançar o espectador em transes má-
tirá à cerimênía mágica de uma morte e um renasci- o teaho, como a morte, tira todo seu poder de fasci- gicos". Esse conhecimento de si mesmo permítirâ ao
mento: o ator que mOITe erenasce. nação. atar projetar o grito, o gesto, produzir a imobilidade,
Através do Jogo
o silêncio que vão deseaodear no espectador que par-
O atol', em eontato com oMal, a Violência, oHor- ADescida. aos 11lfe1'l1os o MÁGICO TEATRAL ticipa dessa necessidade "um desprendimento de ener-
gia real', uma necessidade de exoreisar as forças obs-
ror, o Medo deve cruzar o cabo "heróico e difícil" do
domínio de si mesmo: seus atos devem continuar a ser O Teatro da Crueldade - crueldade tomada "no curas, as sombras que estão dentro dele e que ele deve
Morrer sem destruição de matéria, como o pesti-
ilusórios. O atol' que "representa" em Annabella de sentido dessa dor fora da necessidade inelutávef' - é também comandar. "Quanto mais se mergulha no que
lento. ManeI' numa "voluta de formas" apocalípticas.
John Ford (teatro isabelino) o papel de Giovanni não antes de tudo lucidez, uma má~ca rigorosa de "todos há de oculto em nós, mais énecessário disciplinar, exte-
Para renascer em e através "dessas formas que domem
deve realmente matar a irmã, mas ao contrário levar os meios técnicos e práticos", a utilização na mise ell riormeute, o que é a forma, a artificialidade, o ídeo.
em toda forma eque não podem sair de uma contempla-
até final oseu jogo teatral: tudo oleva interiormente a scene de todas as possibilidades da poesia concreta, "a grmna, osinal" (Grotowski).
ção das formas em si mesmas, mas que saem de uma
poesia, simplesmente, sem forma, sem testo... tentando Se o ator tem, além da sua natureza dupla (orgâ-
um crime e ele deve mimá-lo. Deve manter a ilusão do identificação má~ca com as fonnas"j renascer por uma
experimentar a velha eficácia mágica, sua força fasci- nica-espiriíual], um lugar importante na representação,
ato, uma ilusão que se torna. verídica, que não nos linguagem na ma~a destrutiva e na poética universal . ..,.....,
engana mais; um ato-ilusão, uma teatralidade que to- nante e integral além da palavra". Em outras pala- os sinais falam também com ele. Os gritos, as queLxas,
que o espectador sentirá no "eco de toda sua sensibi-
mamos como se ofosse: nós, espectadores, sabemos então , de um lado, da massa e da extensão as palavras articuladas (que então reencontraram sua.
vras, "a utilizacão
lidade, em todos os seus nervos"; renascer pelo atori-
dum espetáculo que se dirige ao organismo inteiro e sonoridade plena, seu físico e são utilizadas num jogo
que o que se passa. em cena é um sonho, "um preci- tual (em que ele participa de uma má~ca em seu ser
pitado verídico do sonho", um jogo grahrito de extrema metafísico) que só tem sentido se se efetua através da de outro, uma mobilização intensiva de objetos, de ges- difícil de vogais, como as usava a Kabala) são provo-
eficácia pois que nos mostra até onde a nossa perversi- tos, de sinais utilizados num sentido novo", . cadas por ele. Mas se as possibilidades vocais oferecem
coletividade reunida, para que ela seja revolvida ecruel-
dade, nossas paixões, "nossas forças obscuras" podem mente tocada. Aexiensão cêníca deve corresponder às quatro di- uma grande variedade de tonalidade, de novos instru-
nos levar se em lugar de salvaguardar nossa liberda- mensões interiores, isto é, aos diferentes planos de re- mentos (empregados também no estado de objeto l, de
Estabelece-se aí a relação essencial entre o ator e ceptividade do organismo até as camadas mentais mais novos aparelhos sonoros baseados nas fusões especiais
de na sublimação, nós nos encadeamos à fatalidade de o espectador actant, a do carrasco e da vítima; relação
nossos ates profundas e ao sonho atualizado, confrontando opassa- ou em alianças renovadas de metais, podem atingir um
sado-masoquista: de um lado o ator sofre sua própria . do e opresente intemporal, de todos os nossos desejos novo diapasão da oitava, produzir vibrações estranhas,
Devemos tirar uma lição da representação em que dor e goza de uma eficácia, de outro lado, oespectador
o ator se sacriíica por nós, vai até ofim de uma Dor, e inibições. insuportáveis, lancinantes. Artaud ficaria plenamente
goza dessa dor recebida porque ela significa a redes-
satisfeito com as descobertas da músicaconereta e ele- sos, de crimes atrozes, da devoção sobrehumana, tenta- OJOGO DRAMÁTICO:
tro-acústica e com a estereofonia (essa posse da fonna- ~emos concentrar 11In espetáculo que, sem recorrer às TEATRO NA EDUCAÇÃO
espaço em todas as dimensões). Do mesmo modo "vi- lInag~ns gastas dos velhos mitos, se revela capaz de Diga auma criança: "você hoje éovento" ou "faça
brações luminosas devem ser pesquisadas, maneiras no- estraír as forças que se a~tam neles." MAluA CLARA MACHADO uma árvore nascendo da terra e depois comece a con-
vas de. espal~ar as luzes em ondas e por faixas para Como par~ uma catedral, "a ideologia", nmoral de versar com seu coIega."
produzir quahdades de tons particulares, reintroduziudo um teatro ~ta em relação COm sua arquitetura. No Neste artigo vamos abordar dois aspectos do teatro - Conversa de que?
na luz u~n elemento de tensão, de densidade, de opaci- teatro tra(!IclOna! nenhum esforço de participação se na educação: oteatro-jogo eoteatro-espetáculo. Ambos - Conversa de gente com ârvore,
dade» afim de Ilroduzir ocalor, ofrio a cólera omedo
J ) ) pede ao. e~pectador - ooyellJ' gozador passivo - que com a mesma finalidade: desenvoh~mento da criativi- Acriança entra logo no jogo. Não discute se árvo-
etc. Nessa encenação concebida como totalidade - vem a:SlS~r .aos desregramentos dos príncipes, à. ínte- dade. Facilitar este desenvolvimento é a tareia de todo re fala, se vento é "fazíve1", se... se.., Ela começa
que participa de uma utilização de todas as formas artís- leetuahzaçao, pelo terto, do homem e de seu destino bom educador. Ora, a educação, ou melhor, a írstru- a odiar. E o professor, observando-a, tamhêm se enri-
ticas de eJipressão e se torna, através dessa síntese, uma (sem ~e tratar, daí, de um teatro-crítico brechtiano") ção que vínhames adotando, ate bcm pouco tempo, não quecc.
arte maior e não menor, não mais simples" internle(liária percebidos pelo autor e que nos vem, mais ou menos re- fazia outra coisa senão cercear a capacidade de criar. A aplicação do jogo dramático na terapêutica é
entre atar e espectador mas realmente criadora - ínter- transm!tido pelo d}re:or (adaptador e não criador) e Pensava-se que para bem integrar um homem na sacie- assunto para psicólogos, mas é fácil verificar o que o
vêem as roupas. Elas serão, como em toda cerimônia ccmediaetes, Opubhco acha-se, então, diante da caixa dade bastava ensiná-lo aser igual atodos os outros. Não jogo mostra das necessidades psicoló~cas da criança:
~itual, belas, fau.stosas, antigas para se parecerem com d~ espetáculo, numa poltrona, numa falsa intimidade, está muito longe a época em que, nas aulas de desenho, desinibição, liberação da agressividade mal controlada,
essas roupas roiIenares que têm uma aparência reve- dJante e em repouso visto que a percepção (lue se lhe o aluno era obrigado a copiar cabeças de estátuas gre- da falta de amor e da ânsia de viver! "Fazendo de
ladora do .fato~ de sua ~~roximação com as tradições que pede (dada) do drama é linear. Mas no teatro tal gas ou figuras geomémcas, .. Aquele que tivesse von- conta", a criança está muito mais peIto da verdade do
~s rroduzlram. Tradlçao transmitida pelos Mitos, Pro- como o entende Altaud e todo o movimento de reno- tade de pintar uma árvore ou apenas borrar opapel era que verbalizando seus problemas com uma psicóloga.
Jeçao formal das forças vitais que nos permííam con- vação, de Crcpíus aos gl1lpOS de pesquisas dos últi- reprimido e se sentia marginalizado, diferente. Esta di- Da liberação de agressividade através do jogo dra-
servar oensinamento e osentimento metafísico da vida. mos anos, oespectador e participante, comunsante en- ferença no entanto e que ofazia ÚNICO, diferente, no mático, tenho 1m1 exemplo esclarecedor entre crianças
Mas o mito, para guardar todo o seu poder evocador .I ~] r
1'0I\~( ona proplla uçao (ramahca.
I. ,» b'
meio de outros diferentes, para que cada um sozinho de 10, 11 e 12 anos. Amonitora pede às crianças para
deverá ser uma cultura vira; isto é, evoluir em sua for~ pudesse procurar a própria solução, hoje para odesenho inventarem uma história de índios e representarem. A:.
ma e apelar em cada época, em sua representação, para de uma árvore, amanhã para opróprio desenvolvimento. crianças se.dividem em v{uios gmpos e começam a
outras formas de sensibilidade. Entregar à criança soluções prontas é desestimulá-la a trabalhar. A disposição delas há um malão com ,oupas
criar'. Criar é uma atividade permanente, que não dá Ivelhas e material de cena: tambores, chapéus, espín-
gardas, panelas, etc, ... etc. ... 15 minutos depois co-
o TEATRO DA CRUELDADE diploma mas uma sensação de constante caminhar para
uma plenitude de existência. Garanto que muita crian- meça a representação. Elas geralmente fazem questão
ça gostaDa de dssecbrír um dia que dois e dois fazem de dizer que estão fazendo teatro. "O palco lhes atroai
E "se determinnda época se volta e se desinteressa . cinco, só pelo prazer de descobrir sozinha uma coisa muito. São artistas e querem ser como os grandes da
do teatro é que o teatro deixou de representá-Ia. Ela única. Educar não éfazer acriança abrir os olhos para televisão. Ofato de saberem que estão representando
não e~era ~ais ,~ue ele .llle fomeça os mitos em que um detennínadc saber, pré-estabeleeido pelo professor, as deixa ainda mais livres para expressarem oque estão
pcdería apOlar-se. Omito aparece, então, como uma
com soluções prontas que oaluno terá que iorçosunen- sentindo. Isto, aparentemente, as distancia de seus pró-
imagem acrescida. Visto que a representação dos mi-
teaceitar junto com todos os outros para omelhor fun- príos problemas deixando a ima~nação trabalhar e o
tos deve ser evolutiva, destruidora das [ermas anlísas cionamento da sociedade e para o seu próprio bem, inconsciente agir. Muitos grupos mostraram hstórias de
blasfematória dos ritos habituas, oteatro que se af~st~ Educar É FAZER ACRIAI~ÇA ABRIR OS OLHOS íudios, como cantorias, quase sempre baseados no que
dessa função perde sua razão de ser. PARA OMUNDO QUE ARODEIA e dar-lhe a possi- aprendiam na escola. Um dos gmpos, porém, resolve
O"Teatro da Crueldade escolherá temas e assuntos bilidade de se maravilhar com cada nova descoberta apresentar uma triho de antropófagos que se delicia-
que correspondam à agitação e à inquietude caracterís- que ela mesma vai fazendo do mundo que acerca, Esta vam num banquete em que comiam seus pais! Amo-
ticas de nossa época'. Os mitos deverão, portanto, atua- capacidade, hoje, só opoeta ccrserva Oque é uma nitora, indeeisa: - será educativo? Deixo continuar o
Iizar-se nos dois sentidos do termo, isto é, objetivar-se pena! Sensível para omundo que descobre, a criança jogo livremente para ver no que dá ou interrompo edou
em cena representando "os vdhcs conflitos" sob nova será também sensível para os outros homens, para as uma lição de moral sobre orespeito devido aos pais, etc,
fOlma. "O amor quotidiano, a ambição pessoal, os abor- ciências, para as artes, para o prazer de vive; etc] Amonitora preferiu aguardar o final. k crían-
recimentos diál'Íos, só têm valor em reação a essa for- Despertar no aluno a NECESSIDADE de uma ati- ças que assistiam ao jogo estavUl1l também se deleitan-
ma de hon'Ívellil'Ísmo, que se encontra nos mitos aos ....'1_...
tude eríadcra é a grande tarefa do professor, é chanlar do. Ao terminar o jogo tudo voltou ao nermal e os
quais as coletividades em massa deram seu consenti- a atenção do aluno sobre sua capacidade de inventar e "índícs antropófagos" e seu pequeno público, enlusias-
mento. É por isso que, em torno de personagens fame- (Planeie, 20/2/71) de trarsíonrar, mado, estavam felizes por terem feito uma "brincadeira"
que viu e gostou. Imitando, sem oaurílío da professo- um espeíáculo é inesquecível! E talvez esta seja a
de teatro. Amonitora conversou sobre a disciplina no do Estado da Guanabara. Foi aberto um concurso
jogo, a maneira teatral flue elas estavam representando, ra, ela estalá. ainda criando. Os trechos que mais a grande emoção .do realizador.
entre as escolas, cada uma teria que apresentar uma Quando cu fazia teatro de marionetes, via crian-
et~., e o~servou para si mesma [lne era melhor que as dramatização sobre "ENTRADAS E BAlvDEIRAS". impressionaram, os atores com os quais ela mais se iden-
'r' .. '/\alI'I, uma das examinadoras do concurso con- tificou são transpcrtados para acena numa oisão infantil ças emocionadas esperarem o fim do espetáculo, para
cnanças Jogassem numa história de faz-de-conta aagres- \lfgmm
sividade contida c natural do que se tomassem adoles- epessoal idealizada. Oresultado, muitas vezes, é desas- tocarem nos bonecos. Silenciosas, graves, elas chegavam
cluiu: "a finalidade do concnrso - contribuir para o pCltO dos personagens para melhor se "entenderem".
centes reealendos, impossibilitados de cxtravasarem seus conhecimcnto do fato histórico - repercutiu intimamen- troso do ponto de vista artístico, é porém uma maneira
saudável de deixar a criança livre para extravasar sua Entre os jovens que fazem teatro para crianças há
se~Jtimentos c~condidos .. É claro qne nenhuma daquelas te nos estndantes de nível primário, removendo a indi-
maneira de perceber omundo. uma gnmde confusão'sobre oque é comunicação. "Co-
cn~nças que~l~ seus pms mortos ou maltratados, apena!i ferença rel~ estudo da H:do B., pareceu-nos plena- municação" é lJoje uma das palmas mais usadas do
oJogo dramático foi uma maneira simbólica de liberar mente atmgrda. 11pesar das falhl~s observadas, os resulta- Oteatro infantil do TABLADO é uma fonte cons-
vocabulário. Fazem-se cursos, palestras, reportagens, em
a agressividade natural mas proibida em relação aos do,s levam arecomendar adramatização espontilnea como tante de inspiração para as crianças. Cada peça mon-
pais. busca do significado da palavra mágica. Televisão, tea-
metodo aser usado no ensino da matéria pelo vivo inte- tada pelo grupo é assunto para todo um ano de ativi- tro, cinema, rádio éeonumicação. .. Grito, berro, surra,
Escolhendo temas sobre pais e mestres, as crian- ressc demonstrado pela criança pela "hríneadeím de ban- dades de jogos dramáticos entre as crianças. Em 1971, pancadaria, autofalante, sexo... também é comunica-
ças descarregam ressentimentos que o sentimento dr deirante", além de haver facilitado o trabalho da pro- não havia atividade dramática entre os alunos dos cur- ção. Talvez ohomem esteja apefeíçcmdc demais os
cul~a esc~ncUa e que? jogo libera porque é apenas urm fessora quanto li pesquisa do conhecimento c outras sos do TABLADO que não contasse com bandidos e "veículos" da comunicação e descuidando da mensagem.
~~1llcadelfa ~e teatro". No teatro oaluno qu.e faz pa- atívídades. Houve oportnnidade de verificar de que mocinhos, índios e canções, provenientes da história de Apesar de todas as teorias inteleehlais em moda a crian-
. ~C1s ~le antondade geralmente leva enormes surras, ou maneira ofato histólico repercutiu no espírito da crian- TRIBOB6 CITY (peça montada pelo TABLADO). ça necessita de um "clima" para receber: osilêncio da
sefmoes. Um gmpo de meninas, uma vez, criou numa ça, levando-a asentir e incorporá-lo à sua erperiênda", sala, as luzes, amúsica. :É necessário se recolher, estar
improvisão um bando de avós que resolveu assaltar um Jogando-se inteira, numa representação dramática a atento. Ela não é um simples aparelho receptor de
banco porqne não tinha nada que fazer. No final do criança está liberando anseios, fantasias, fnrstrações, de- TEATRO-ESPETÁCULO: imagens e palavras vazias. Acriança deve ser solici-
assalto as "velhinhas" se arrependeram e resolveram sejos e sua visão do mundo.
fazer alguma coisa na \~da, para não assaltarem mais tada a participar ativamente de uma emoção total e
Mas émuito importante que a dramatização espon- Teatro-espetáeulo éoteatro feito por adultos pm'a as não de uma competição esportiva.
bancos, então abrem uma casa de flores! tânea seja uma atividade somente das crianças, sem se crianças. Nunca deixo de citar a comovente paltieipação de
Há também os jogos onde a criança trmJsborda sen- \~sar a um espetáculo ou qualquer forma de exibido-
timentos de plenitude, de amor e de camaradagem. A Se o jogo dramático libera a criatividade, o espe- uma menininha de uns 8anos num espetácl~o de P/11ft,
msmo. El.}lor a criança à. crítica ou mesmo aos aplau- táculo teatralalimenta esta criatividade. Um espetáculo o FOlltasmin/w, no TABLADO. Quando amãe do fan-
redescoberta da natureza através de sua identificação sos do uma platéia seria desvirtuar ofogo, que deixaria de teatro bem feito é um estímulo inesgotável para a tasminha perdia tempo, falando ao telefone coisas inú-
c?m os ;leme~tos ou com os animais, nos jogos dramá- d~ ser e.spontâne~. Uma representação teatral com pú-
ticos, da a cnança a oportunidade de reavivar a sensi- sensibilidade da criança. A emoção artística leva a teis com a prima Bolha, enquanto Maribel estava em
blíec, feita por cnanças, não passa de uma imitação mal criança a um mundo de fantasia e de sonho que cor- perigo, Phift vira-se para aplatéia econfessa aflito que
bilidade, redescobrindo sensações perdidas. feita de espetáculos de adultos, onde o papel decora-
responde ao que busca sua alma em desenvolvimento. aquele era o único deleitn de sua mãe. Amenina se
, Muit~ importante, na aplicação do jogo dramático, do é dito de uma maneira fonnal, (ensaiada pela pro-
e a soluçao pessoal Em cada situação dada, 'em cada N1Ull espetáeulb bem feito há períeíto entendimento levanta na platéia, eno meio de total silêncio, ~rita so-
fessora) e limitado pelo texto e pela marcação. Além lidária, com00da: "Não liga não, Pluft, minha mãe
h!stória, m:smo com asolução pré-estabelecida pelo mo- entre os anseios ainda desconhecidos da criança e area-
de cercear a críatívidade iíúantil o espetáeulo teatral também é assim..."
niíor, a enança deve encontrar a própria maneira de decorado, vísanrlo uma platéiasobretndo formada de lidade inel.}llicável do mmdo misterioso que a rodeia.
ver e sentir. Omistério teatral é justamente esta iden~eação pro- Aquela menina estava realmente se comuuicando e
pais eomplascentes, éuma escola de exibicionismo, uma se identificando. Oproblema de Pluft era odela eassim
Para desempenhar bem ojogo dramático a criança competição desleal entre os pequenos atores. Geral. funda de cores, ritmos, música, movimento e palavr~
com aalma do espectador. Antonin Artaud diz que tea- ela não estava mais só. Atensão em relação a sua
tem que aprender a observar. Ao repetir a situação mente os melhores papéis são dados (é justo, desde
tro époesia em movimento no espaço. Opúblico espera mãe estava sendo aliviada ahavés da hist6ria de Pluft.
im.aginada, ela ésolicitada aVER. Omundo da oriança que vise ao espetáeulo) aos mais desinibidos, isto é aos
este momento de poesia. E que público mais capaz, Oteatro estava lhe dando a oportnnidade de descobrir,
vai se alargar, aguçando a observação: árvores animais mais "exibidos". Otímido eretraído, oque talvez mas
luar, rio, vento, chuva e estrelas entram no' pequen~ mais pronto para captar esta poesia solta no espaço que através de uma emoção, os pr6prios anseios eproblemas.
necessite. do jogo dramático, éábandonado em nome do Na mesma peça, quando Phút extasiado ante o
grande universo da criançá. -Daí para avida cotidiana é sucesso do espetáculo. E resta ainda oproblema das a criança? Se ela vive no mundo do faz"de-conta, trans-
um passo: arua, a cidade, os homens e seus sentimen- formar este faz-de-conta em realidade é tarefa de todo choro da menina Maribel, vira.se para a mãe e diz:
ro~pas caras que nem todos os alunos podem pagar, "Veja, mamãe, a menina está derramando o mar todo
tos, tudo é material para a recriação, no palco, de uma criando-se a casta dos que podem representar porque edueadcr-criador, :É difícil, neste década de compu-
situação dramática. tadores provar a importância do espetáculo teatral bem pelos olhos", Oll\~mos de quase todos os espectadores
tem uma situação econômka melhor. um "Ahhh!". Asatisfação do apelo poético da imagem
Aaplicação do jogo dramático no estudo é de valor feito na alma da criança. Não há. estatística que mos-
, Acriança t~l~ a t~ndêneia nornal de imitar espe- recebida, penetrava através dos sentidos, e se manifes-
incalculável. Pode ser aplicado no estudo da música, da taculos de teleVJsao, cmema ou teatro. Isto não tem trem omaior ou menor grau de sensibilidade captado
história eaté mesmo da ciência. Há alglUlS anos aCASES numa sala de teatro. Mas, para o observador sensível tava neste "AlJhh!". Não é preciso explicar com pa-
importância. Deitemos que ela mesma tenha asua con- lavras a imagem. .. se o público esta atento, a comu-
(MEC) tentou uma esperiêneia fascinante nas escolas cepção "de como fazer", que ela mesma tente imitar o a transformação que sofre o pequeno público durante
nicação se faz, isto é, comunicação verdadeira, alimento
pedido pela sensibilidade do espectador. Estaremos,
COMO CONSTRUIR OS CENÁlUOS
então, comunicando enão impingindo, forçando um pú-
blico anos aceitar ou aceitar nossas idéias, por melhores
que elas sejam.
Uma peça infantil que apela para o excesso de
gritos e perguntas, para o excesso de diálogos com a
platéia, está formando torcedores enão pessoas,
Arealização de um espetáculo para crianças exige,
pois, grande cuidado da parte dos realizadores. É enga-
no pensar que criança, por não poder criticar, aceita
qualquer espeticalo que se lhe apresente. Perguntem
a um menino de 13 anos se ele gosta de teab'o infantil. Os ângulos. Se os cantos de um trainel não esti-
Amaicría diz que tudo não passa de uma "xaropada", verem em ângulos retas perfeitos, toma-se impossível
E os pais sensíveis ficam desesperados porque os filhos Iigá~los com justeza a outros trainéis, oque cria muitas
não gostam mais de arte. Isto é terrível para a educa- dificuldades. Otrainel deve ser armado no chão, com
ção e a própria arte. É melhcr não fazer nada do aface anterior para baiso; à medida que cada elemento
que fazer mal. Aaparente facilidade do teatro infantil vai sendo colocado no lugar deve ser preso ao chão
tem atraído muita gente que se inicia na arte teatral: com pregos finos que não são pregados até ofim. Cada
"Já que não se consegue fazer teatro para adultos vamos canto deve ser ajustado cuidadosamente com um esqua-
fazer teatro infantil". " isto é, distribuição de balas, de dro de aço. É preciso verílicar ao longo de cada ele-
revistinhas, de presentes, muita luz, gdtaria, pancadaria, mento para ter certeza de que está relo, e verificar as
llisteria epronto! Neste caso não estamos desenvolven- posições medindo as diagonais, que devem ser iguais.
do a sensibilidade. Estamos alimentando as doenças
da sensibilidade. Estamos "apelandc' e perdendo a Juntas. As cantoneiras de madeira são colocadas
maravilhosa oportunidade de desenvolver na criança a recuadas, aproximadamente 1,5cm da face erterior dos
capacidade de captar, através do espetáculo, o mistério prumos, pois de outro modo quando dois trainéis forem
da vida. TRAINÉIS colocados aum ângulo reto um do outro, as cantoneiras
serão um impecilho.
Os traínêis são a base .de toda construção cênica e Adisposição dos pregos também é importante. Um
devem ser executados com peIfeição, As soluções que prego no lugar certo fortalece a junta, enquanto no
daremos a seguir são muito simplificadas, de maneira lugar errado enfraquece amadeira. Um prego deve ser
que qualquer modificação adicionada pode resultar num colocado em cada canto do reforço, e 2 em cada extre-
trabalho inferior. midade enviesada da junta. Outros pregos devem ser
Medidas. As "travessas" ocupam toda a largura pregados nos pontos nos quais as cantoneiras de ma-
de um trainel e, consequentemente, os "prumcs" têm deira mostrem tendência a afastar-se das ripas. Para
o cumpdmento do trainel menos duas vezes a largura imobilizar os pregos coloca-se uma chapa metálica sob
da madeira, Do mesmo modo a travesa central é da a junta emartela-se oprego de encontro à mesma. Isso
largura do trainelmenos duas vezes a largura da ma- faz que suas pontas virem para um lado. Uma vez
deira usada. Os trainéis com mais de 3,60m requerem assim imobilizados, os pregos não podem ser retirados
duas travessas centrais e os com mais de 4m de largura sem danilícar a madeira e, consequentemente, os cená-
devem ser corsíruídos com ripas de 2,5 x 10cm. Os rios que são montados apenas para uma determinada
esquadros têm aprosímadamente omesmo cumprimento produção devem ser ligados com parafusos em vez de
da travessa, porém, as medidas não precisam ser exatas pregos, para que se possa aproveitar novamente a ma-
(Da rev, Educação, publ. MEC) e podem ser feitas a olho. deira em outros cenários,
Forl'ilção dos traínéis. Alona deve cobrir o traínel CUltos do que seu tamanho exato. ir tira de ferro pode judica, já que a tinta que se usa no cenário adere às dado ou transportado, a lona é enrolada em tomo das
apenas na face anterior da armação, e não deve ser ser vergada a frio, quando presa num tomo e batida a mesmas, Uma tira larga demais, por outro lado, tende travessas.
virada ao longo da espessura da madeira. Afazenda a martelo. Amedida extedor da lâmina de ferro, depois a descolar-se da superfície dos trainéis. Atira não devc
ser usa-da deve ser COItada uns 8cm mais comprida e de vergada, deve corresponder exatamente à largura Telões. Os telões são fonnados por várias faixas de
ser muito esticada para não descolar quando seca Qua- lona cosidas umas às outras no sentido horizontal. As
5cm mais larga do que a armação. Vira-se a armação do traínel Os buracos para os parafusos só devem tro tachas ou percevejos são pregados acima e abaL,o varas de cima e de baixo são, cada uma, constihlídas
(face anterior para cima) e extende-se o tecido sobre ser abertos com lima broca, depois de vergada a li\mi- de cada dohradiça e ao alto dos trainéis. Se sobrar por 2ripas de iguais dimensões,. colocadas ~o longo de
ela. Afazenda deve ficar folgada, mas não franzida na, e as bordas dos mcsmos devem ser eseuiadas de um pedaço de tira no alto, dobra-se pma dentro antes cada latia da beira da lona e hgadas um a outra por
e a trama deve ficar paralela os lados das cabeceiras modo a permitir que os parafusos se ajustem perfeita- de pregar,
da armação. Prega-se alona temporariamente aos pru- menta 11 abertura eficlucm com a cabeça rigorosamente parafusos. Várias ripas são necessárias para cada lado.
mos com uma série de tachas separadas uns 15cm entre no nível da superfície da lâmina. Utilizam-se 12 pa- Grossura, Se três ou mais trainéis do mesmo ta- Ca:da junta é reforçada com uma labaça presa por pa-
rafusos fL,ados por porcas no lado oposto. As porcas de-
si, e a um pouco menos de lcm para dentro da su- rafusos em gmpos de três. É impossível fazer fixar manho forem ligados uns aos outros~ será il~l~os:ível
perficíe interior da ripa. Prega-se, então, uma tacha um parafuso no corte trasverso de uma ripa, isto é, na vem ser embutidas e as pontas dos parafusos cortadas
dobrá-los. Para conigir esse defeito e necessano use-
no centro de cada travessa, a um pouco menos de lem exh'emidade de um pnnno. rir, entre dois dos trainés, uma ripa de 2,5em x 7,5 ao mesmo nível.
da exíremidade interior da ripa; depois prega-se uma ao longo de todo o comprimento. Aripa e as duas Os lados do telão devem ser aparados de maneira
As pequenas chapas h'iangulares pm'a firmar os pm-
tacha. a mais distância de cada metade, e outras nos mos interiores e exteriores são essenciais para a rigi- frestas são cobertas por uma tira de 18cm de largo. a fazê-lo diminuir do alto para a base, na proporção
centros dos espaços deixados. Isso divide à folga de dez do trainel. de 2,5cm para 30cm, de altura. Esse estreitamento aju-
madeira igual. Recortes. São fonnados por uma foUla de compen- da afazer desaparecer as rugas que aparecem nos can-
Nos trainéis de porta usam-se três pedaços separa-
Abeira que fica solta para fora deve, então, ser sado ou papelão grosso, que se prega ~ um ~'ainel de tos dos telões retangulares.
dos de fazenda para a forração: os dos cantos devem forma ilTegular, consh1Ildo para determmado Iim, Para
colada (cola sintética) 11 madeira e, assim que secar, ser colocados primeiro, para que o da verga os recu- Bambolinas. São semelhantes aos telões, porém,
prega-se então uma segunda série de tachas, a 3em de que orecorte possa ser rf~do, é preciso que as partes
bra na: ertremídade. Quando os pedaços dos cantos mais curtas e destituídas de varas na parte inferior.
intervalo ca lcm da borda exterior da armação, cortan- que constituem a armação sejam mmad~s em esquadros,
ficam por cima às vezes acontece que os pintores de- Quando representam folhagens, usa-se recortar a pmte
do-se o excesso ela fazenda com uma faca. Esta ajuda Abase deve ser composta por uma so peça para que
formam a ertremidade, inferior ilTegularmente, imitando, folhas T~d? r~c~lte
a rasgar: o segredo está em puxar o excesso da lona não haja superílcies irregulares que possam pegar no
pequeno tende a enrolar para trás, Como e mevltavel
com a mão esquerda (cnquanto a direita corre com a Ligação dos trainéis. As paredes são, nonnalmente, chão quando orecorte é transportada
que haja algum enrolamento, aparte_ rec~rtada deve ser
faca) exercendo a pressão no ângulo apropriado. formadas de dois ou três trailléis que devem ser ligados pintada dos dois lados para que nao fique exposta a
de tal Ionm que não apareçam frestas entre os mesmos. lona em sua cor natural,
Trailléis para portas ejanelas. Estes requerem que CONSTRUÇÃO DE CENÁHIO - Cenário Pendurado
Colocam-se os traiaéis no chão, com a face anterior
se forme uma armação menor dentro da maior. Anão pm'a cima, e ligmn-se os mesmos com dobradiças de
ser que ocenário só vá ser utilizado em uma produção, Certos tipos de cenário precisam ser sustentados PORTAS E JANELAS
pino. Uma dobradiça é colocada a SOcm do alto, uma
é desnecessário cerstruir trainéis especiais para janelas, pelo alto, oque normalmente é feito ligando-se os mes-
ameia altura e outra a 30cm da base. Aseguir afres- Otipo mais simples de porta é construído como
lareiras, etc. Trainéis de porta podem ser utilizados mos às varas com as cordas,
ta é reeoberh com uma tira estreita de lona (ou algo- se fosse um pequeno trainel com uma tr.avessa C~l;tral
vedando-se qualquer parte da abertura que não for ne- dãozinho) que deve ter 10cm de largura eser um pouco Tetas. Omesmo teto normalmente é usado para de 15cm de largma, filada por cantoneiras metálicas,
cessiría. Quando os mesmos trainéis são utilizados para mais comprida que onaínel Atira é molhada e tor- todos os cenárics de uma peça. Ele é construído com Prendendo-se painéis de moldura fina 11 face anterior
formar paredes de cenários diversos de uma mesma pro- cida até que fique apenas úmida. Vai-se então abrindo um grande trainel sem reforços hiangulares nos cantos e desse tipo, é possível obter-se um efeito suficientemente
dução, as aberturas indesejáveis podem ser tampadas a tira sobre um pedaço de ripa e passando a goma de com a estrutura ligada por reforços do teta em lugar reilista Uma :lorta um pouco mais elaborada pode ser
temporariamente com painéis pequenos aplicados, que fminha de trigo em toda a sua extensão (não se passa . 1
de reforços comuns. As várias Iairas de fazenda devem construída com ripas de 15cm de largma e a ona e
I I

recobrem a parte que deve ser vedada. Trata-se de cola a não ser que a parede seja pemaneste]. Pin- ser emendadas no sentido do comprimento, e as ripas presa por trás da am;ação, ant~s de serem ~olocadas as
pequenos traluéis sobre cuja anmção, na face anterior, celam-se também os dois trainéis ao longo da fresta, devem ser de 3x1,5 cm em vez de 1,5 x5cm. Como cantoneiras de madeira no trameI. Uma tira de mol-
deve ser pregada uma segunda moldura de papelão numa superfície de uns 5em para cada lado. Duas os elementos mais longos (que ccnesposdem aos pm- dura é aplicada à superfície interior (Lé, à esp~sma)
grosso ou material semelhante, com uma rebcrda de 2 pessoas pegam atira pelas ertremidades: enquanto uma mos dos trainéis) terão apl'OÀimadamente 9m de co~­ dos painéis fomlados pelos elementos da annaçao.
ou 3cm, que impede qualquer fresta entre otraínel maior segura sua enrenídsde no alto, a outra cola a sua so- prímento, é necessário que sejam compo:tos de do~s
e omenor. Afazenda é colada recobrindo a rebcrda, bre a base da fresta, segurando-a depois na posição pedaços. Ajunção dos mesmos pode se~ feita com auti- Portais. São feitos com tábuas de 2,5cm por 15cm.
Esses painéis menores devem ser pintados junto com os certa. com 4tachas ou percevejos. Atira vai sendo aos lização de dois pedaços da mesma madeira, de 5em, um Recorta-se uma reentrância para receber o reforço de
maiores, pata não haver diferença na cor. poucos esticada sobre a fresta, com o auxílio de um usado como labaças para. reforço, Alona deve ser co- ferro para o batente inferior, que é Iomadn por uma
O"batente de ferro" faz com que seja necessário pincel de cola quase seco. Notem que as erlremidades lada e pregada às travessas mas apenas pregada aos ripa de 2,5 x 1cm chanfrada de ambos oS,la~os, para
cortarem-se os 4pnunos e a travessa interior 4mm mais ezteriores das dobradiças ficam expostas, oque não pre- pnunos. Quando o teta é desarmado para ser guar- que os ateres não tropecem. Esta base e fixada, de
'1
No próximo número: Pintura de. Cenários.
cada lado, por uma chapa em ângulo reta e uma can- que se veja océu; em tais casos é praticamente impos- .. - de aniagem, que é dobrada para os lados epregada com
tachas. (Do Livro: Como. fazer Teatro (O), de H.
toneira (ambas metálicas) de cada lado. Uma cha- sível fazer com que os dois recursos tenham o mesmo
pinha metálica perfurada, vergada e aparafusada a um aspecto. As pemas são também feitas de madeira de 5cm Nelms, Editora Letras e Artes, GB)
lado do batente, pode ser utilizada como retentor para x rOcm, colocadas pelo lado interior das traves básicas
a.lingueta da fechadura. Arcos. Aface anterior do arco é recortada em pa- laterais e aparafusadas no lugar. Atrave básica central
Aporta é engonçada ao batente por dobradiças de pelão grosso e aparafusado li face anterior da abertura da cobertura é mantida no lugar por uma trave trans-
pino solto. Uma folha de cada dobradiça é aparafusada· do trainelna qual será usado. Uma armação de nadei- versa de 5cm x rOcm que se aparafusa às pemas. Os
li porta com as alças dos pinos projetando-se para além ra é construída e liga(la li face posterior da abertura. esquadros são feitos de qualquer sobra de madeira e
da superfície. Aoutra folha éinvertida para dobrar no Essa armação formará a espessura do portal e, além fixados com pregos ccmuns, de tamanho médio. Pla-
sentido da face posterior da porta. Obatente é dei- disso, segurará no lugar a espessura do arco. Essa taformas de mais de 2m necessitam de mais duas remas
tado no chão com a face anterior virada para baixo. espessura do arco é feita de papelão grosso com lona ao centro, bem como de mais uma travessa.
Coloca-se a porta por cima do mesmo, eratanente pu· colada em ambos os lados. Papelão recoberto de lona
ralela no lado da dobradiça e a I,5cm acima da base, pode ser recurvado com facilidade sem quebrar. Pode- Escadas. Sua construção é com opiso dos degraus
para qne a porta possa abrir e fechar livremente. Só . -se usar também compensado fino, atravessado (não de 2,5cm de espessura e 25cm de profundidade (lar-
então é que as folhas soltas da dobradiça são parafu- verga ao comprido). gura da tábua), enquanto os dementes (pmtes laterais
sadas aos portais. dentadas) são recortados em tábuas. de 2,5cm x SOcm.
Molduras. A aparência de qualquer acabamento Os dormentes não devem nunca ser afastados mais de
Janelas. Os portais ou marcos para janelas são tons- de madeira é muito melhorada com ouso de molduras. 75 cm um do outro. Todos os' degraus devem ser
truídcs da mesma maneira que os da porta, com a dife- Amoldura é chanfrada nos cantos e presa por peque- acolchoados pm'a evitar o barulho. Algumas camadas
rença que são iguais no alto e na base, e que levam nos pregos sem cabeça. Uma moldura longa pode ser de papelão cornlgado recoberto de lona ou aniagem
uma tira de moldura na. base para fornecer uma guia formada de várias peças curtas, já que as juntas não formarão uma proleção satisfatória.
para a janela no batente inferior. Ocaixilho superior serão \~síveis ao público. Um painel pode ser fomla-
é de 4cm mais largo do que a abertura da perta e do por quatr~ pedaços presos nos cantos por preguinhos Trainéis ele proteção. Olado de uma escada ou
pregado li face pcsterior da armação. Ocaixilho infe- sem cabeça. E necessário colocar travessas adicionais na grupo de degraus que fica ~sível ao públic~ tem de ser
rior tem as mesmas dimensões pelo lado de dentro do parte posterior dos traiuéis para formar uma superíicíe recoberto seja por papelão grosso, seja por traineis espe·
superior, mas corria é construído com ripa de 5cm de sólida à qual os painéis possam ser pregados. Molduras cialmente construidos,
largura, em vez de 7cm, isto é suficientemente estrei- pesadas, como cimalhas ou sancas, podem ser formadas
to para correr dentro de um trilho fonnado 110r duas pela combinação de uma ou mais-tábuas com várias
tirinhas finas de ripa, pregadas na parte interior do tiras de moldura estreita. Molduras rasas ou quaisquer FORMAS IRREGULARES
batente. As traves horizontais dos vidros são feitas de outros detalhes com menos de lcm de espessura podem
tiras de ripa pregadas ao caiUlho. As traves verticais ser simulados com tinta. Pedras, troncos, etc. são feitos de ammçôes leves
do eaidlho inferior devem ficar por trás das horizon- de madeirae cobertas com tela de arame de galinheiro,
tais para evitar que, por acidente, o caixilho ínleríor que pode ser amoldada na fama desejada. Lona do-
ESCADAS E PRATICÁVEIS brada ou amassada na forma apropriada, é cosida sobre
pegue no superior no momento de ser aberto. Painéis
de losango podem ser sugeridos por cordões trançados ~.
esse conjlUlto e pintada.
Os teatros profissionais usam degraus e praticáveis I

epregados à. face posterior dos c:u.U1hos. diferentes dos aqui indicados, mas como estes são Consertos. Um trainel rasgado pode ser remenda-
Se a janela não for praticáve~ é por vezes possí- mais versáteis, são os mais adaptáveis ao trabalho de do, colando-se um pedaço de lona pelo lado de trás. A
vel não utilizar Um fundinho, mas simplesmente pregar gmpos amadores. - pessoa que vai fazer oremendo predsa de outra que a
um forro de fazenda por trás da armação, Naturalmente
auxilie segurando uma tábua pelo lado da frente, pa:a
usam-se pano preto para as cenas noturnas e pano azul Pmticáoeis. Aparte superior é fornada por três
formar um ponto de apoio contra oqual se possa reali-
claro transparente, que pode ser iluminado por trás, pedaços de madeira de 5cm x IOcm, paralelos e colo-
zar otrabalho.
para cenas diurnas. Tais recursos são aplicados com cados no chão sobre seu lado m~s fino, aos quais se
mais facilidade quando as janelas são enfeitadas com prega, pe1]Jendiculamlente, uma série de tábuas. Cada . Quando um pedaço de lona cede, fomlando um
cortinas cruzadas epresas apenas nos cantos inferiores. tábua ecolocada sobre as três traves básicas e prega- calombo flácido, deve-se respingar a lona pelo lado de
trás com 11111 pouco dágua, oque faz com que ela enco- Este lívm pode ser pedido 11 Edííora, 11 lua Paulino Fernan-
E nunca devem ser usados para cenas durante o dia da individualmente. Essa pranchada eforrada com um
nas quais qualquer abertura, como uma porta, pel'lllita lha e fique, portanto, novamente esticada. des 17 - .Botafogo, GB.
acolchoado e o conjunto é então recoberto de lona ou
BEATRIZ - Entras pela janela O POETA - Hospital? óvulo?
Personagens: AOUTRA
Teia de aranha ?
oQUE VAMOS REPRESENTAR OPOETA
BEATIUZ
equívoca do meu ser, poeta!
OPOETA - És obelo horrível! BEATRIZ - Navegamos num rio
preso!
A OUTRA - Praticamente este
OHIElIOFANTE edifício sÓ tem forros fechados. Ha- A OUTRA - Tenho medo de ser
AENFERMEillA bitamos uma cidade sem luz direta um cadáver em vez de dois seres
AMORTA - oteatro. vivos!
OHIEROFANTE - Forneço a cons-
A OUTHA - Somos um colar trun- OPOETA - Se te atirasses do pri-
meiro impulso não morrerias inteira, ciência dos incuráveis.
OSWALD DE ANDRADE: (~) cado. OPOETA - Avolta ao trauma ...
OPOETA - Quatro lírsmcs... BEATRIZ - Permaneceria aleijada
e bela diante de tivendendo peda- AENFERMEIRA SONÂMBULA - (le-
BEATRfl - E um só lírio doen- vanta-se deoagar ao fundo) - Ma-
te... ços de meu espetácnlo.
.Respeitável. públicol Não vos pedimos palmas, AOUTRA - Ganharíamos dinheiro. dre, na calada de uma noite de en-
OPOETA - Nuni país dissocia- fermagem, esgano odoente que me
pedímes bombeaosl Se quiserdes salvar vossas tradi- BEATRIZ - Me arrastarias torta e
ções e a vossa moral, ide chamar os bombeiros ou se do... coilfiaste (senta-se).
A OUTHA - Da existência estan- bela pelas ruas como a tua musa
preferirdes a policia! Somos como vós mesmos um quebrada. BEATRIZ (soluçando) - Ai! Con-
que... cede-me o último beijo! Ai! Não
imenso cadáver gangrenado! Salvai nossas podridÕes e BEATRIZ - Não te assustes, outral A OUTRA - Seria a irradiação do
talvez vos salvareis da foreira acesa do mundo! meu clima! quero morrer sem oúltimo beijo!
AOUTRA - Sou a imagem impas- AOUTRA - Não admito que faça
sível onde ondulam tuas cargas... OPOETA - Qual dos crimes?
BEATRIZ - Fui violada como uma isto de barulho! Morra como Na-
(') NOla autobiográfica: ", Ea sou o povo. Do laelo BEATRIZ - Minha imagem fms-
virgem! poleão.
materno oenho ele uma descenelência faustosa ele guerreiros os trada BEATRIZ - Querem transformar o
"ficlalgos elo Moz<Jgúa": a quem D. José I mlmelou dor' ele AOUTIIA - Osilêncio énecessi- A OUTRA - Estão batendo outra
presente um pedoço do Amaz<lnas. Nasci em Súo Paolo 110 vez, escutem... mundo!
rio à nossa amizade.
~ua! ooenida Ipirallga 11. 5 (primitivo), ao meio elia de ri de OPOETA - Toda mudez termina OPOETA - Vou abrir. Não vou. A OUTRA - Através de absurdas
lanelro de 1890. Bacharel em Ciêlleias e Letl'lls pelo Gint~io ele BEATRIZ - Tens medo que seja catástrofes...
S. Bellto, ollde ouvi l/III velho professor que se clmmava Gervásio no útero de amanhã. OPOETA - As classes possuidoras
de Araujo, que ia ser escritor. Isso (leeidiu em 1970 a milllm AMORTA A OUTRA - Estão batendo. um personagem novo!
OPOETA --< Ou de cair num país expulsaram-me da ação. Minha sub-
vocaçúo e a mlllha correira. Passei a cOlllprar livros, o ler e OPOETA - Aqui não há portas.
~c~~v.er, o estud(~r. Log? que pude, entrei pora 11111 iamal. O versão habitou as Torres de Marfim
,,~mnod !,opular' publlCOl1 cml 1909 lIIeu primeira artigo. Acena se (lesenooloe também na platéia. O lÍnico BEATRIZ - Abre aquela porta. de fauna mirrada...
que se transformaram em antenas.•.
ser em ação oioa é AENFERMEIRA, sentada no centro
ellan o - uma reportagem (a excursúo elo presidente Afonso OPOETA - No meio da mágica. O HIEROFANTE - Não é preciso
OHIEROFAi'lTE - É areclassifica-
Pena aos Estados
't I do bParaná
I I e Sonla Catarina. (IO paIco, em UIll banco metálico, demollstrando aex"re- BEATRIZ - Nanca se sabe quem é abrir, en já estava aqui.
A mUla cus o, ac mre em Direita lJelo Faculelade de
ção...
S.Paulo, em 19!9. Or~dor. ~o Ce~tro Acadê.lllic~ 11 de Agasta.
1110 fadiga de .lIm fi~ (~e Iiigíli~ not!lrna. Ao fundo,
I
,f
que está batendo. BEATRIZ - É o meu professor de BEATRIZ - No último beijo direi
arde uma lareira sol,tol'lO. Esta-se num cenáculo de
Nunca adooguaJ. ContllluaJ lomalista. Publiquel, com Guilher- A OUTRA - É perigoso abrir-se jiujitsu. que preciso de ti.
me d~ Alm~da, ameu primeira livro ~~1I1916: ~1/l1S peças em
ma1im, unido, recebendo a luz inquieta do fogo Em toda porta. AOUTRA - Deite-se porque asua OPOETA - Omeu ânimo se torna
tomo da ENFERMEIRA 1
trauce.;. FOl representada UIlI alo rle Leur Ame' por Suumne 1 d ' OPOETA - Aporta dá sempre na camisola é de vidro. o ânimo de um condenado à mor-
Despras, na Teatro Munieipal de S. PauUJ. Com a maior e ' ac wnJ-se co oca as sobre
' quatro tr~nos altos, sem tocar o solo, quatro marionetes,
mais iusta indiferença da pública e da crítica. Em 1922 tomei jaula. BEATRIZ - Il'le amel Por favor! te. .. a febre cai com a primeira
parte na. Se~)(Ina de Arte M~dema epubliquei "Os Condenados",
fantasnJOls e mudas, que gesticulam exorbitantemente BEATRIZ - Só opapa pode abrir, O HIEROFANTE - Faze-te gostar meia-tinta fria da noite. Dou 1)01'
meu prlme~ro. romance. FIZ uma conferência na Sorbonne e as suas aflições indicadas pelas falas E tas p ri I OPOETA - O que haverá atrás por um velho com dinheiro ... encerrada anossa vida amarga etu-
ou/ra na SUlllicato dos Padeiras Confeitarias e Allcros " f "d . saem (e
Viajei, fiquei pobre, fiqu~i rica, casei, enai;lOei case'
ma~lO ones, ~~ oca os em dois camarotes opostos 110 de uma porta? OPOETA - Este quarto está ín- multuária. Mas sinto as reações tér-
dioorei~, aiaiei, casei:" Já .disse que $OU conjugal, 'aremi~l
meIO da pl~tew. No camarote da direita, estão BEA- AOUTRA - Abre a porta! Chi crustrado de febres. micas da insônia. Odelírio de novo
e orde~ro. O q!le 1100 me IlIIpedill de ler brigado dioersas
TRIZ, despida, eAOUTRA, nl/ln manto de negra cas- lo sá! BEATRIZ - Eu sou uma grande flor crepita nos meus membros nervo-
v~ ~'portugues~de tomado parte em algumas balalhas cam· tidade que arecobre da cabeça aos pés No da esquerda OPOETA - Pode ser a girafa, o
no leito de um açude... sos!
OPOETA . ,
fugas par molIa?s políli;os: Tenlio três fillios etrês nelas e so~ e ,O HIEROFAl~TE, caracterizad~s, ccnn ex-
pOiS. hem ter SI o pre.so 13 oezes. Tioe talllbélll gralld oficial de justiça, a metralhadora, a
OHIEROFAt'ITE - Bon giorno! AOUTHA - Onde não há plano,
casada, em ultunas nupCIllS, cam Maria Antonie/a d'Alkm' trema Du~andade. Expressam-se todos estatlCos sem poesia!
não há sanção.
so~ ~e
liv:e-dacellte Literatura 110 Faculdade de Filosofia :1;
UIll gesto e em câmára lenta, esperando que aS/;lOrio- BEATRIZ - Nunca abra. BEATRIZ - Me ame por caridade!
O HIEROFANTE - Onde estamos, OPOETA - Há sempre dois pla-
UmoelSldade de Sao Paulo. (1950) netes aeles corre"pollde
o ntes executem ammllca desuas
I , AOUTRA - Eu me jogo semi-nua
em que capítulo? nos e um espetáculo...
oozes. Sobre os quatro personagens da platéia jorram ~
da minha posição social abaíso.
(Da programa d'O Rei da Vela - OFICINA) refletores no teatro escuro. É um panarama de análise. I
BEA11UZ - Sinto a voragem ... a AENFEIThIliIHA - Quando a mor- O Pm.'TA - És matemaI! Que
voragem (IUC vai esfriando a gente OHIEROFili'ITE - Ohomem com- BEATRIZ - Sou a raiz da vida A OU1llA - Acegueira mora em
te resvala por nos, a vida torna-se madrugada de amor, vamos ter, co- tua histeria!
antes de cair. preendeu a responsabilidade econô- onde toda revolução desemboca, se
grandiosa. tovia!
OPOETA - Oh! Inflexível? Oh! mica de matar. espraia epara. BEATRIZ .- Horror! Horror! Ile-
BEATTIlZ - Somos almas! OHIEHOFANTE - Aúltima noite é
solve a minha questão econômica
Absoluta! Desmoronas na ação! I
OPOETA - Ninguém, como eu, sem dia seguinte...
OPOETA - Osonho fê-lo acorda-
do criar a primeira jaula.
OPOETA - Um dia se abrirá na
praça pública omeu abcesso fecha- antes que eu morra em plena mo-
AOUTIlA - Que vês, poeta? tem acompreensão absoluta da des- A OUTRA - Amulher não é so-
OPOETA - Há uma fresta na tua OHIEROFANTE - Aprimeira ética. do, Expor-me-ei perante as largas cidade!
truição. Cansada c vib~lante ela es- mente um frasco físico.
imagem. Uma fresta. Está aberta AOUTRA - A jaula de si mes- massas. A OUTIlA - Alguém enh'ou? Cen-
preita ohomem. O HIElIOFANTE - O sexual é a surarei quem for...
a porta do teu quarto tenebroso! mo... AOUTRA - Eosexo? Oinimigo
BEATlUZ - Existe para o bem e raiz da vida, Ai tropeçam um no OHIEHOFANTE - Pela porta que
mas não há ninguém dentro dele. OHIEROFANTE .; Os vegetarianos interior!
para omal. outro omundo velho c alIaVa. não existe.
BEATIUZ - Há o outro homem, o querem retroceder na primitiva di-
O POETA - Ilsspiraste o cheiro BEATRIZ - Quero. e não quero. OPOETA - Deixarei os pequenos A ENFEIThlElHA SONÂMBULA (le-
ciúme e a ameaça permanente da perigoso da liberdade. A OUTRA - Hesito.
reção. Comer da Árvore da Vida,
em pratos industriais, protestos - ochapéu grande, a ca- vantando-se) - Éahora mêtrica,
vida... BEATIlIZ - Venho de terras sim- BEATIUZ - Tenho fome. beleira faustosa: falarei alinguagem
BEATIUZ - Em jaulas... BEATRIZ - Mereço todas as coisas
AOUTIlA - Há um grande sádi- pies. A OUTRA - Ela quer ganhar o compreensível da mstralha lindas da vida... As coisas lindas
OPOETA - Porque insistes?
co, um sacerdote no circo... No A9UTRA - Essa incapacidade de pão leviano! BEATIlIZ - EXiste uma frente úni- da morte.
plenário do circo... Quero denun- se mOltificar... BEATRIZ - Meu pai. BEATIUZ - Não há argumento que
.......J demova o amor... ca... OHIEROFANTE - No plano da sa-
ciar! Quero! Que sexualidade cres- BEATIlIZ - Porque nasci? Me di- OHIEROFANTE - Foi osemal que
A ÜUTRA - No amor só existe o OHIEROFANTE - Opaís oficial de ciedade esquizofrênica.
cente! Aquele aparelho um prolon- gam? Me expliquem? Não queria inventou o jazido de famllia e a
que há de pior no homem. Freud... OPOETA - Toda a minha produ-
gamento do corpo dele. Asua cara nascer. Sou um pobre sexo amputa- casa...
OPOETA - É a volta do troglo- OPOETA - Não haverá progresso ção há de ser protesto e embeleza-
de orgasmo! Fundemos um tribu- do do seu tronco econômico,.. BEATRIZ - Quero ser um espe-
dita - violenta eperiódica, humano, enquanto houver a frente mento enquanto não puder despejar
nal. (C/wra) Nunca pensei que a vida táculo para mim mesma!
OHIEROFJU'lTE - Para garantir a única sexual. sobre as brutalidades coletivas apo-
BEATIlIZ - Foi na sala cirúrgica. fosse resistência. Ou me mato ou A OUTRA - És tuna flor irascíveL tência dos meus sonhos.
me isolo na parede de um bordel. OHIEROFANTE - Só épossível um espécie enjaulada. Osexual é ora- BEATRIZ- Nunca atua febre amo-
Apureza me envolvia como algodão.
dical da vida. Sua essência éabru- rosa deisou omeu corpo, poeta! AOUTRA - Emparedado! Criaste
Eopai da minha primeira erperiên- OHIEROFili'ITE - As conjurações. acordo no sexual.
talidade. O amor é a quebra de uma grande doença!
eía di~tal! As óperas. As hipnoses. OPOETA - A poesia é desacordo OPOETA - Porque me retempero
toda ética, de toda evolução... BEATRIZ - Meu mpin/
OPOETA - Sinto um suspiro imen- A OUTRA - Amaldiçoada natu- entre os conceitos. no teu útero matemo.
AOUTRA - É a pessoa distinta OPOETA - A ccrstmçio do ro-
so pelo teu corpo em posição... reza! BEATRIZ - Um terreno fofo, poeta! BEATRIZ - Tenho medo.
que escuta atrás da porta, viola cor- mantismo habita este quarto., .
OHIEROFANTE - Ginecológica... BEATIlFl - Amaldiçoada 110ra que OPOETA - Perco-me no paúl do OPOETA - No mundo sem elas-
respondência, manda CUltas anôni- BEATRIZ - Que sou eu?
Afantasia é sempre um paraquedas. me criou! Tu, poeta, não passas de movimento. ses oanimal humano progredirá sem
mas emata nos jornais... Eu nun- OPOETA - A psique irreconhe-
OPOETA - Arte é outra realida- um ser vivo. Devíamos ter juntos OHIEROFili

TE - Opoeta mergu- medo.
ca fiz isso ... cível...
de... uma bela coragem. lha na percepção...
BEATIUZ - Oamor éoquero-pore A ENFERMEIRA - Sabes o que é OHIElIOFili

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TE - Onascimento da
BEATIUZ - Mas eu serei um ca- OHIEROFM'TE - Qual? OPOETA - Só a cicuta de Sócra-
que-quero... medo? alma.
dáver rebelde. Não me deixo enter- BEATIUZ - Nos amanncs num ne- tes salvará omundo.
A OUTRA - Quem gritou? OHIEROFili'ITE - É o sentimento OPOETA - Osubterrâneo que a
rar! crotério lavado. OHIEROFA~'TE - Adata mais ím-
BEATRIZ - Não foi aqui. inaugural. sociedade ordena. Um dia serei re-
AOUTRA - Vives enterrada em ti OPOETA - Meu coração não sen- portante da história é a que pôs o
OPOETA - Tua madrugada será conduzido à atmosfera...
te ainda a força atrativa da mar-homem entre a ação e Deus! O POETA - É o sentimento de
diante do espelho! assim. BEATIUZ - Estamos fora do social!
te. .. OPOETA - Entre oseu ser animal insegurança do feto na vida aquosa
OPOETA - És sempre uma Vitó- A ÜUTRA - És o pressá~o, poeta! OPOErA - Apolícia só me per-
A OUTRA - Foste tu, poeta, que e o seu ser social. da geração.
ria de Samatrácia; com os olhos eos OPOETA - Sou a classe média. mite esbravejUl' no teu dramático
preparaste para Beatriz os caminhos AOUTRA - En sou oAlter-ego. A OUTRA - Vi uma luz. interior.
cabelos presos a um horizonte sem Entre a bigorna e omartelo, fiquei
evasivos da liberdade. OPOETA - Eu, o oposto de Bea- OPOETA - É a luz sobre o mar
fundo. o som! OF.fIEROFA1~TE -Poeta!
BEATIlIZ - Eu queria saber se era triz... a raiz dialética de seu ser, inexistente que nos rodeia.
AOUTRA - Eu sou a perspectiva. OHIEROFANTE - Ahua que esgui- OPOETA - Eles tomaram oEsta-
para outro humano a Inspiração... BEATIUZ -' Progrido para a morte BEATIlIZ - Estou obscura como
BEATIUZ - Não ouço nada. .. se- cha enclausurada. do, eu fiquei com a mulher. Criei
O POETA - Desmanchaste meu nos teus braços. E te encontro no uma idéia reli~osa.
não os meus gritos, um atropelo eo BEATIUZ - Sem mim mcaerías ca- unja alma de cova. Por isso busco
sonho infantil. seio tumultuoso da natureza. Sou
silêncio... lado. OPOETA - És a noite. Carrego drama e busco oteu cheiro.
BEATRIZ - Atiro-me em flexa ma- um elemento dela como a lua num
OPOETA - Paz a teu corpo! OPOETA - Viverei na Ágora. Vi- nos meus ombros oteu desequili'brio BEATIUZ - Cantas a tua missa de
ravilhnsa para ti... ramo de árvore. .J.. verei no social. Libertado I glandular. corpo presente!
I
OTUJUSTA PRECOCE - Por favor, falo sete línguas, nesta idade! E OTURISTA - E patrões, Que se-
oPOETA - Minha vida reduzida, O HIEOOFANTE - Complexo de OPOETA - Ficarás nesse garfo ge-
não tenho mais govemante! ria do mundo sem os patrões?
prisioneira, entunmlada! que faço a máscara, lado. Quem são aqueles?
BEATRIZ - SOCOlTo! O PoLÍCIA - Um rrsso, um ale- OPOLÍCIA- Também falo sete lín- OPOLÍCL\ - Eles querem queimar
BEATRIZ - Sou a muTIlcr de már- OPOETA - E eu a ruptura... todos os cadáveres, os mais respei-
O HIEllOFAi'lTE - Ninguém te mão, um japonês, um italiano, um guas, toUas mortas. Aminha função
more c dos cemitérios. OHIEHOFANTE - Darei sempre a nacional. .. táveis, os que fazem a fortuna das
ouvirá no país do indivíduo! é mesmo essa, matá-Ias. Todo o
O HmIOFANTE - Pi(ic baixo ... visão oficial OTmusTA - Oque são? meu glosário éde frases fcitas ... empresas funerárias, como aimpren-
OPOETA - Quando a morte res-
dcvagar. OPOETA - Enquanto eu bradar o vala por nós, a vida toma-se gran- OPOLÍCIA - Nomes comuns, É OTURISTA - As mesmas que eu sa, a política ...
AENFEll1IEIHA - Um golpe de jiu- cauto noturno do emparedado. Um diosa, a grande rcserva humana de onde emprego. Nós dois, só conseguimos O TURISTA - Acabam qucrendo
-jtsu, pronto. canto desconexo. Interier como o BEATRIZ - Dá-me um epitáfio, se tira para a ação, osujeito... catalogar o mundo, esfriá-lo, pô-lo queimar o cadáver da eurosidade,
OPOETA (num gesto longo) - Tu sanguc. As comunicações cortadas poeta! OTURISTA - São vivos? em vitrine! que sou eu!
me mastigas, noite tenebrosa! com a \~da! OPOETA - Diante do espelho, és OPoLÍCIA - Vivos todos.
OPOLÍCIA - Somos os guardiães
AENFEllMEIRA senta-se. BEATllIZ (chol'llndo) - Desfiguras- sempre aVitória de Samatrácia, com de uma tem sem surpresas. Saem de cena conversando
te-me sob as tintas efusivas do amor. os olhos e os cabelos presos a um Um grupo de gente amO/talhada. O TURISTA - E querem translor-
O HIEllOFANTE - Consumatum! atravessa acena.
OPOETA - Fizeram-me abando- horizonte sem fundo. má-la! Absurdo! Não é melhor V07:iS AO FUNDO - Abaixo aauto-
OPOETA - Guerra à sua alma.
nar a'Á.gora para viver sobre mim BEATRIZ - Fujamos. Foi a outra assim? Sabemos onde estão a torre rídade dos ociosos! Abaixo! Que-
AENFEllMEIIlA - É precso des- I OTURISTA - E aqueles?
mesmo de mil recursos improduti- que morreu! ....... OPoLÍCIA _ São os mortos. de Pisa, as Pirâmides, o Santo Se- remos overbo criador da ação!
fazer todo sinal do drama... vos. Eu quero voltar à Ágora. OH1EHOFAi'ITE - Sopra para sem-
OHIEllOFANTE - Não há perigo. OTURISTA - Vivem jlmtos? Vi- . pulcro, os cabarés... OPOETA (entra conversando com
OHIEllOFAi'ITE - Arealidade mo- pre ocomutador nctumo. vos e mortos? APoLÍCIA - Nossa desgraça seria
Recomponhamos o cadáver. É um HORÁCIO) - Deixei-a para sem-
lesta os humanos. OPOETA - Meu álibi! Meu se-
piedoso dever. Juntemos os seus OPoLÍCIA - Omundo éum dícío- imensa se subvertessem a ordem es- pre. .. Sinto-me atual. Longe da
cular álibi!
membros esparsos, os cabelos, os OPOETA - Eu sou um valor sem nário. Palavras vivas e vocábulos tabelscida nos Bedekers. Desconhe- "Apassionata".
dentes. mercados. Criaram osentimento eo mortos. Não se atracam porque so- ceríamos as pedras novas da vida, HoRÁCIO - Pisas de novo a terra
tornaram um valor excluído da troca. mos severos vigilantes. Fechamo-Ios os feitos calorosos da rebeldia. Não dos que se embuçam nas regras do
BEATRIZ - Meu amor. II QUADRO
BEATlllZ - És oauglnío, poeta! em regras indiscutíveis efim. Fa- distinguiríamos mais fronteiras e al- bom viver...
OPOETA - Não épossível mais... zemos mesmo que estes que são a fânclegas... Perderíamos opão ea
OPOETA - Encenírarão aqui a NO PAIS DA GRAMÁTICA OPOETA:"" Renovo-me na ma.
BEATRIZ - Por que? serenidade tomem olugar daquelas função,
tua imagem silenciosa, HoRÁCIO - É opaís da gramática.
OPOETA - Oprofessor te disso- Personagens Dramáticos: que são araiva eofennento. Fun- OTURISTA - E nós, os ríccs, os
BEATRIZ - Eu sou a lealdade sem Nele acharás o teu elemento for-
ciou. Fujamos. Não há crime ainda damos para isso as academias. .. os ociosos, onde passear as nossas neu-
sentido! OPOETA mal.
visível. museus... os códigos... rastenias, os nossos reumatismos?
AENFEllMEIIlA - Na aurora virão OPOETA - No bem como no mal. BEATRIZ O TuruSTA - E os vivos recla- Onde? Perderíamos toda antori- OPOETA - Ainda guaido a espe-
buscar os restos do chá da meia BEATllIZ - Não te deixo... HORÁCIO maml dade.. rança trágica de vê-la...
noite, OCREMADOR OPOLÍCIA - Mais do que isso. HORÁcIO - Voltas a essa mulher
OPOETA - Melancolia! Feita de OHnmOFANTE
BEATRIZ - Oamor éoquero-par- Querem que os outros desapareçam Vozes ao fundo. como um cJiminoso!
luar e de onda noturnai Quem te
que-quero da vida, OJUIZ para sempre. Mas se isso aconte- OPOETA - Porque sou oculpado.
definirá?
O H1EHOFANTE - O criador do UMA ROUPA DE HOMEM cesse não haveria mais os céus da Os CRE1IADORES -' -Abaixo os HORÁCIO - Deisaste.a?
OH1EHOFANTE - No país do GRUPO DE CREMADORES mortos! Limpemos aterra! Abaixo!
irremediável. literatura, as águas paradas da poe- OPOETA - Fui andando cada vez
Ego... GRUPO DE CONSEllVADORES A POLÍCIA - De um tempo para
OPOETA ~ Que diz agora o teu sia, os lagos imóveis do sonho, Tudo mais para o lado das estrelas e ela
coração? Para justificar-te! BEATllIZ - Por que acreditas em DE CADÁVER que é clássico, isto é, o que se en- cá, não sei porque agravou-se acon-
mim? MORTOS ficou no meio da música. ,.
BEATRIZ - Vive do medo de te sina nas classes... tenda. Creio que os \~vos cresce-
OHIElloFAi'ITE - És insolúvel sem VIVOS ram, agora querem se emancipar. HoRÁCIO - E'stás marcado por
ter perdido! OTURISTA - Com quem tenho a
a censura. OTURISTA PRECOCE Os mortos os agrilhoam à indústda, ela...
Q' POETA - Quebraste oelo. honra de falar?
BEATRIZ - Tanto algodão e tanto OPOLÍCIA POLIGLOTA OPoLÍCIA - Com a polícia poli- E eles querem ocupar fáblicas, ci- OPOETA - Sinto-a como a culpa,
BEATRIZ - Não poderei fazer nada
sem ti, sem o teu calor, a tua ado- sangue! Acena representa uma praça onde glota. dades eomundo... Ingrato~. Não como aesperança. .. Sem ela avida
OTURISTA - Oh! que prazer! O' sabem que sem os mortos, eles não é deserta, o mundo é uma trágica
ração. OH1EHOFANTE - Vou para opaís vêm desembocar várias ruas. Um
senhor sou eu mesmo na voz passi- teriam tudo, emprego, salários, assis- planície sem descanso! Ela é a ca-
OPOETA - Quebraste a porta fe- sem dor. Longe das con~rações e grupo de gente internacional passa verna do indivíduo... Onde me
das óperas! ao fundo. va. Na minha qualidade de turista tência...
chada...
O HIEROFANTE - Somos o ver- Deus e Jesus Cristo me inspirem e Os CONSERVADORF.'l - Muito bem!
acolho sem nada esperar, sem nada las armações metálicas. Anatureza brança de sua voz? Ficarei perdido náculo das caravelas... me garantam océu. Muito bem!
desejar... foi vencida pela mecânica] no mundo tenível da rua ...
O CRE1IADOR - No século do OHIEROFANTE - Culto aos mor- O HIEROFANTE - Devemos obe-
HORAcJO - Ela te imobiliza c OPOETA - Desfizeste tua frágil decer os nossos maiores. E seguir
avião! tos! Culto aos mortos! Onde já se
amortalha. e confusa capa ética. Deixaste aso- Novo tumulto oque est,\ escrito ...
Os CREMADORES - Somos aHngua viu destruir um cadáver. Senhor
ciedade dos humanos... juiz, a humanidade levou séculos VOZES - Julgai! Julgai!
Tllmlllto. Um pequeno Exército BEA11UZ - Me reconheces? Os CREMADORF.'l - Fora! Fora os falada pelo rádio... Queima essa
para construir esta frase "Deus, Pá- OJUIZ - Os mortos govllmmn os
da Saluação penetra na praça e se tabuleta.
OPOETA - Ainda trago no corpo exploradores da vida! Limparemos tria e FmnUia", Como dlll1'0gá-la? vivos. Premissa maior! Premissa
instala para w)). comício mllsical e o períume lascivo de tuas calças! omundo! Os CONSERVADOllES - Babel! menor. .. Os cremadores sãoexces-
Como eporque?
pacífico. Um llOl1lem gordo traz B S 1 BEATRIZ - Quem são esses deser- Babell sivamente vivos! Ergo! Ergo! De-
uma tabuleta onde se lê "Deus, Pá- EATRIZ - ou \~rgem (e novo. deites? BEATRIZ - Como fala bem esse
Os CHEMADORF.'l - Não! Somos vem ser... Conclusão! Governa-
tria e Família". É o HIEROFANTE. Não vês este véu? OPOETA - É a vanguarda que os fundamentos do esperanto, a lin-
velhel
dos ...
Sons fúnebres seguem o bando far- OPOETA (retira-se) - É a másen- luta pela libeliação humana. gua da humanidade una! OCREMADOR - Oque nos traz II
Os. CONSERVADORES - Governados
dado. rn de um ente que se dispersa! O BEATRIZ (sufocada) - Quanta gen- cena é afome! Mais que qualquer
OmOFAlfrE - Não pode! Não por nós!
teu inóspito ser se desagrega! te! Não posso, não posso me habi- vocação. Muito mais que avontade
podei Quem poderá destruir uma VOZES - Muito bem! Mtúto bem!
BEATRIZ
HOMCJO - São os mortos que ma- a minha unidade! - Ao contrário, encontrei . E 1 de representar. É o problema da
tuar. sses iomens procurando mu- frase feita? OUTRAS VOZES - Fora! Idiota!
nifestam... lheres esperando homens... comida! Aprodução da terra é des-
Os CREMADORF.'l - Fora as frases viada dos vivos para os mortos. Nós Vendido! Cadáver]
OPOETA - Conheço aquele ho- HollÁ.CIO (chamando-o) - Deixa- OPOETA - Pareces pertencer a HrEROFAi'ITE - Eis um silogismo
feitas, as frases ocas! Fora as fra- trabahamcs pm'a alimentar cadáve-
mem da tabuleta. -al Não vês que habitas de novo um paIs assemado, Que sentes?
com ela os subterrâneos da vida inte- ses mortas! res. Mais eles absorvem a produ- ilTCfutável!
HOMcJO - São os conservadores rior? Tens os olhos longínquos, a boca OPOETA - Essa ló~ca tem servi-
voluntariosa crispada! Os CoNSERVAnORES - Chama o ção, mais aniquilam os vivos, Tudo
de cadáver. .. do de fundamento atodos os crimes
OPOETA - Ela éomeu drama. . OsCREMADORF.'l- Fogo nesses po- juiz! Chama ojtúz! que produzimos vai para sua boca
AMULTIDÃO - Ojuiz! insaciada. Eles possuem armas e di- históricos.
Tumulto do outro la cio da cena. HoRAcIO - Oempresário da tua dres! Abaixo odespotismo dos mor-
Um gl'llpo de exaltados, ell~ roupa morte. Deixa-a! tos. rigem exércitos iludidos pela igno- Os CONSERVADORES - É extraordi-
pobre, protesta contra o comício. OPOETA - Não. Ocoração aecr- A charanga toca, rância epela fé religiosa. nária a perspíeicia dos livros!
Homens emulheres invadem acena. da de repente. E' começa o tra- Am!Ísica toca w)). tango. OHIE- Os CRE1IADORES - Rebelemo-nos! OPOETA - Fora ovelho argô dos
balho irracional Corrosivo de to- ROPAlvTE procura o Evangelho. VOZES - Aí vem o jtúz. Ele jul- VOZES - Façamos a limpeza do filisteus I
Os CRE1fADORF.'l - Limpemos o do debate. .. Aconsciência toma- mundo I O CREMADOR - Rebelemo-nos.
gará!
mundo! Abaixo os mortos! Eles co- -se um estado sentimental e a justi- OHIEROFAi'lTE - 111 ilIo telll)Jore! Os CONSERVADORF.'l- Ê um grande Os CRE1IADORF.'l - QUyimemos os Um dia sairemos de nossos labora-
mem a comida dos vivos! Abaixo! ça foge do mundo... Oh! Drama! Os CREMADORES - Fora! Fora! cadáveres qne infestam a terra!. tórios subterrâneos. •. Para limpar
gramático!
OHIEROFANTE - Materialistas! Desenvolvimento do próprio ser Os CRE1IADORF.'l - Ê um jtÚZ de VOZES - Sim! A cremação! A o mundo de toda putrefação!
OCREMADOR - Ao contritrio! So- universal! Eu te busco! OtUlllulto cresce. Juniam-se aos classe. cremação! As 1'ITERJEIÇÕES - Ah! Oh! Ih!
mos a constante idealista que faz BEATRIZ - Porque crias em mim cremadores galicismos, solecislllos, Os CONSERVADORF.'l - Viva ojuiz! Os CRE1IADORF.'l - É preciso des-
avançar ahumanidade! pesados encargos assim! E o senti- barbarismos. Do lado dos mortos Viva ouosso querido juiz! truir os mortos que paralisam avídal A charanga dos conservadores de
O POETA (aponta/1(lo BEATRIZ, mento de culpai Desenvelvldo na cerram colunas, graves interjeições, VOZES - Vamos queimá-los! cadáver forma lll))' séquito e conduz
que aparece COIl~ passos medidos, célula de um circo. Osentimento adietivos lustrosos e senhoriais ar- o jui% agradece a Illanifestação, OJUIZ - Esperai! Esperai asen- o juiz em triunfo.
estática sob o véu) - Ei-la! Que espetacular da culpa! Adisciplina caismos. Formam-se em torno dele semi- tença. Tragam aqui o livro: Bí-
gestos solenes! (Aproximando-se e das feras, as grandes quedas sem -círculos irados. -blos. Tudo está no Liwo. (Colo- Os CONSERVADORES (retirando-se)
falando-lhe) Voltas ao meu cami- rede, o amer pelo palhaço, CORO DAS INTERJEIÇÕES - Oh! - Abaixo os solecismos! Abaixo os
cam diante dele um grande livro
nho? HoRACIO - Foge! Não vês uma a Ahl Hi! aberto. Ele oira as páginas) Vamos barbarismos! Abaixo!
OCRE1IADOR - Conhecemos ojul-
BEATRIZ - Todos os esforços me uma as ficções da ~da interior? Os CRE1IADORF.'l - Fora a estupi-
ver. De-vo-la-men-lo.. . Purí-lí- UMA ROUPA DE HOMEM (passan-
gamento! Ê contra nós!
abandonaram! Onde estou? OPOETA - Porque fugir? Para dez das inte*ições! -ca-çãol Adiante! Viver para os do) - Boa tarde, linda! .
OHIEROFANTE - Massa desprezí- O, JUIZ - SilêncioI Julgarei segun-
OPOETA - No país da Ordena- depois me arrastar pelos locais em outrosI Nãol Está aqui! Achei (Lê BEATRIZ - Boa tarde.
do os cânones.
ção... que a acompanhei? Me acoitar à vel de pronomes mal colocados! 1lum grande berro) Os-mortos-go- OPOETA - Quem é?
OCREMADOR - Fora! Quinhentis- VOZES - Os cânones mortos.
BEATRIZ - Os homens abateram as sombra de seus gestos idos, pro- vemam-es-vivosl (Aclamações. Pro- BEATRIZ - Um conhecido. Estive
OJUIZ - Começai aerposição do
florestas. Expulsaram os espíritos da curando nos cenários encontrados a tas! Falais uma lfngua estranha às testos) ontem com ele...
pleito. Sou todo oU\~dos! Que
terra! Substituíram as árvores pe- dois, a sombra de seu ser, a len- novas catadupas humanas!
o POlITA - Impossível ... OPor;rA - No entanto não po- isso! (Coloca as mãos recaladamen- III QUADRO (Silêncio) Gostaria de conhecer o Berreiro 110 jazigo
BEATUIZ - Sim. Pedin-me que derei fazer mais nada sem til Sem te sobre osexo). poeta...
fosse sua. Falou·me da eternidade. teu calor c tua adoração. OPOETA - És a morte, oabismo o PAÍS DA ilNESTESIA OHÁulO PATRULHA - Ele vem de OMENINO DE ESMALTE - Ai! Ai!
Mas lembrei-me de tuas palavras. BEATlUZ - Amo-te ainda. Vem final, o longe da terra autogira, trazendo a morta! (Espia pelnliÍgia)
Recusei. Ele disse: Não insisto! comigo. Nada pode conter avida ... BEATRIZ - Sou a imagem do se- Personagens Dramáticos: A DAMA DAS CAMÉLIAS - Os CAD:WERES - Que óisso? Que
Sei que serás minha! OPOIITA - Amorte... xual. Quem é? é isso?
OPOJo"A - Mas éum morto, flue- BEATHIZ - Nunca atua fehre amo- OPOETA - Estás deformada, lon- BEATIIIZ OHIEl\OI.,INTE - Beatriz. O HIEROFANTE - Uma cena de
rídal rosa deixou omeu corpo. gínqua, inexata... Pareces despe- OPOETA ASENHORA MmlSTRA - E ele? família.
BEATIUZ - Morto?! gada dos ossos, como aquele que te OHIEROFAi'ITE OHmnOFAl''1TE - Opoeta vem de ASENHORA MmlSTIlA - Que pes-
OPOETA - Sim. Tu não morres- ii charanga dos conservadores de cumprimentou. ACIUA,':IÇA-DE-ESUALTE planador. Só assim penetrará nes- soal escandaloso!
te, querida... Não podias ter te cadáver passa ao fundo. BEATRIZ - Tenho um enconlro SEUS PAIS sas paragens... ADAMA DAS CAMÉLIAS - Brigam
avistado intimamente com ele, que i marcado com ele. OAIJ1ETA COMPLETO
O]WlIO-PATRUIJIA (acompauha-
ASENHORA MINlSIRA - Omotor. sempre. Nunca pensei que fosse
não cxiste. Por acaso não notaste . BEATIUZ - Vamos com eles, poeta. O POETA - Impossível. É um OHIEROFANTE - Amosca. assim no seio da sociedade honrada!
as suas roupas despegadas do cor- OPom.il - Não. morto! do de uma motocicleta) OPAI (pando acabeça pela ogi- OHIEROFANTE - Gente católica.
po? Éum morto. Não sabes? BEA:DlIZ - Vamos! ADAMA'DAS-CA1I:ÉLIAS va do jaz~o) - Silêncio! Eu habito E extremamente conceituada, O
BEATRfl - Aqui na cidade? OPOJo"A - Queres seguir a mósi- Achal'llnga do exército da morte ASENHORA MINISTRA um lugar silencioso ou não? Eu me drama que os trouxe para cá teve a
ea da morte? GARONTE matei para ouvir a solidão. Para
OPOETA - Sim, meu amor. Os toma conta da cena lentamente. mais tétrica repercussão nos meios
OURUBU DE EllGARD
mortos am. da 1I1. festam a terra VIva.
. I BEATRIZ - Ojuiz decidiu... BEATRIZ centra/izil-o. estar só! Não viver em sociedade. distintos.
Metade da população desta praça é OPOETA - O juiz é um morto A cena representa um recinto so- Em nenhuma sociedade. Eu me en- ASENHORA MINISTRA - Como foi?
de gente 1I10lta. também. VOZJlS - Culto aos mortos! Culto bre lIIua. paisagem de alum11nio e contro assediado de inhigas, cumu- OHIEROFANTE - Gás. Suicídio
BEATIUZ - Se eu tivesse morrido BEATRIZ - Somos toelos mortos! aos mortos! Passagem para um gran- carvão. 11 direita, um aeródromo lado de vis preocupações. coletivo.
serias um necrófilo! O POETA - Vem para o outro ele enteno... (Saem levando·a) que serve de necrotério. Ao centro, OHnillOFANTE - Faço sentir que ADAMA DAS CA1I:ÉLIAS - Enin-
lado! Minha ação heróiea e práti- O POETA - Força ele resistência Ulll jazigo de família. Jl esquerda, a o\~zinho está num cemitério de pri- guém escapou?
OPOETA - 'ler-te-ia abandonado!
ca te salvará. ao mundo que começa.. _ Árvore desgalhada da Vida, em for- meira. Não há mclhor. OMENINO (pela oigia) - Esse su-
BEATRIZ - Não podes abandonar- A VOO DE U1í CRlli\fADOR - É OPAI - Por isso é que eu não
HoRÁcIO - Onde vais? Que tens? ma de CI'llZ, onde arde, pregado, um jeito, além de me ter suicidado, não
-me! Nasci da seleção de ti mes- preciso mudar o mundo! queria embarcar no auto~ro.
OPOETA - Estou como quem per- facho. Um gl'llpo de cadáveres re- quer me dar docel
mo! (Declamando) Comecei a pal- AVoz DO HIEROFANTE - É prceí- deu um brinquedo querido... es- centes ~tá conversando nos degraus OPAI - Cala a boca!
pitar com atua religião infantil, com so conservar as instituições! Siiéncio
pera... do jazigo. Passagem lateral para a OMENINO - Depois cliz que épai!
a tua cultura adolescente! Fui o AVOZ DO CnE.MADOR - É preciso HouÁclO - Deixa-a! . platéia, onde aprimeim fila de ca- OPAI- Oamante de tua mãe te
cofre heráldico das tuas tradições, a queimar os cadáveres que infestam OPOETA - Horácio, não escalpe- deiras se conservará vazia. O HIEROFANTE - O motor... dava doces!
.euma de tua gente! aterra. Eles tiram os alimentos elos les minha dor! Estou marcado por ADAMA - Opoeta... .OMENINO - É por isso que eu
OPOETA - Como te encontro mu- vivos. OIUDlO-PATRULlIA - Ouve-se já ASENHORA MmISTRA - A mos- gostava dele...
dada! Não te recordas senão de ela.
VfJCi.S - Querem mudar a super- HúRÁero - Onde vais? oruído do motor! ClI. .• OPAI - Cínico, bastardo, filho de
evocações e cadeias! -estrutura. A DAMA-DAS·CAMÉLlAS - Escu- uma...
O POETA - Salvá-Ia!
BEÁTRlZ - Tu te tomaste um puro UMA Voz - Ocomportamento. tem! o ul'llbu de Edgatc1. atravessa a
estímulo mecânico. Não acodes aos HoRÁero - Como?
OUTRA Voz - Areflexiologia. OPOETA - Pelo primeiro a\~ão ... OA1LETA COMPLETO - Não é! cena ao fundo. I Pancadaria, IIrros, choros.
chamados de tua alma! BIlATRfl - Araiz de tudo é ose- Numa folha morta passarei fi gar- A SENHORA MINISTRA - É uma
OPOETA - Os acentos de minha xual. O amar é o quero-porque ganta cerrada da outra vida mosca. O RÁDIO PATRULHA - Ouço vo- ADAt'IA DAS CA1IÉLlAS - Esta ár-
dor não te penetram mais. Não que- -quero da vida. Nessa frente única, OHIEROFANTE - Não. zes... vore não tem sombra.
bram amudez do teu mundo de pe- a humanidade hesita. _. Vem. OA1LETA COMPLETO - Agora é.
Sai correndo atrás do cortejo, cllja ADAMA - É a mosca azul, .. O RÁDIO PATIlULHA - Gastou a
dra. Estás perturbada, os olhos lon- OPOETA - Não, osocial domina ADA1fA DAS CA1IÉLIAS - Não.
gínquos, a boca voluntariosa crs- os humanos. Vem conosco. Vem charanga ainc1a se olloe. OHIEROFAt'lTE - É o urubu de que tinha em 60 séculos!
ASENHORA MINISTRA - Amosca.
pada com os liberadores do grande con- OHIEROFAt'ITE - Oautogira ele Edgard. ASENHORA MINISTRA -Por que a
BEATRfl (depois de IlIn silêncio flito! HoRÁCIO - Insensato! Poeta! Caronte... ORÁDIO PATRULHA - Silêncio! trouxeram para cá?
eoocatioo) - Pertenço às re~ões da BEATIlIZ - Como és cândido. O Guardar-te-ão para sempre os den- A Slli'lHORA MINISTRA - É uma OHIEROFANTE - Fiquemos con- OHIEROFANTE - É uma peça ele
amnésia. gue os homens querem é isso, 56 tes fechados ela morte! mosca no interior de meu nariz! centrados como perfumes. museu. Gomo nós..
ADAMA DAS CA11ÉLIAS - Foi ela O HIEllOFANTE - Depois que o OHIEROFANTE - É quem fome- ...... ADAMA DAS CAMÉLIAS - Virá. ASENIfOHA MINISTllA - Silêncio! ADAlvIA DAS CA1IÉLIAS - Toma-
que fez a queda do primeiro pai. ouro nos expulsou da Idade de Ouro, ce certidões de óbito. Eu (lue fui mulher da vida sei que OHIEllOFANTE - Que reine entre mo-nos humanos,
O HIEROFANTE - A queda... exploramcs a fábula ... ADAlvIA DAS CA1rÉLIAS - Onde ele 0rá. nós osilêncio que convém aos mor- O POETA (procura na cena) -
Quando otroglodita desceu da árvo- OlUmo PATnULllA - E o traba- que ele mora? A SEJ.\TJlOj}A MINISTtlA - Quem é tos. Beatriz! Beatriz] Hetificadora de
re... caiu. Ese tornou homem ... lho da terra, OHIEllOFAl'ITE - No interior oco a senhora? meus caminhos! Que tive longe de
A DAMA nAS CAMÉLIAS - É a ADAMA DAS CAMÉLIAS - Então da cruz, Permanecem todos estáticos como ti? Cachos de desgraças. Ofereço-
ADAi\!A DAS CA1'fu'LIAS (mostran-
árvore da ,~da ... foi um choque f~ico que produziu O A SENHOllA MINISTHA - Ó vida figuras de cera. OllTubu de Edganl -te o terreno alagado de meu senti-
do as flores que aenvoluem) - Não
OATIlliA COMPLETO - Da vida homem? chata! se imobiliza junto à ároore esgalha- mento! Sem desejar nada de ti, de
vê? Sou a dama das camélias.
espiritual. Aúnica que me interes- OHIEUOFAl'ITE - Não. Foi um O HIEllOFANTE - Que vos falta da. Escuta-se oruído de 11m motor. teu corpo sepulcral, ofereço-te o
choque econômico. Caindo da árvo- ASENIIOHA MINISTRA - Pois eu
sa... aqui? Um alltogil'O desce verticalmente, e meu coração. (descerm o 1'8nard)
re,. ele perdeu os frutos com que se ADAMA DAS CAMÉLIAS - Apri- fui asenhora legítima de um minis-
A.SENllOllA MINISTIIA - Quem é dele sai Garante trazendo nos braços Beatriz!
alimentava. mavera! Pássaros coloridos. Gritos tro...
esse sujeito? tIIn corpo de mulher amortalhado BEATllIZ - Sacrilégio...
ORÁDIO PATtlULHA - É um atle- ASENHORA MINISTRA - Engate o ([alma! Namorados! O ATLETA C01lPIJITO - Não num grande renarel argenté. OPOETA - Beahízl
rádio, seu patrulha. ASENHOHA MINISTllA - Vamos in- adiantou nada. Apodreceu como BEATllIZ - Dizes tão bem omeu
ta completo.
ORÁDIO PATtlULHA - Não posso. ventar um joguinho? eu. Eis aqui o que resta de um O HIEHOFANTE - Está morta? nome! Porque tudo que te dou de
ADAMA DAS CAMÉLIAS - Mas
não tem frutas essa árvore?
OHIEROFANTE - Tinha uma. Co-
Só tenho na minha motocicleta uma
estação emissora.
ASENHOUA MINISTIlA - Que pena!
OHIEHOFANTE - Jogtcremos gol-
fe com as nossas caveiras... - atleta completo.
ASmmoHA MINISTRA - ó! Pa-
CAnONTE - Não insistiu em ficar. emoção, de força criadora, não pões
OHIEHOFANTE - Os mortos não em tua arte estancada?
meram. Foi com seus galhos que se OATIJITA Coi\IPIJITO - Faltam as trulha! Liga orádio na motocicleta, insistem, OPOETA - Falas de novo a lin-
A gente podia até ouvir a terra... esteques. Fala a Nirvana-emissora! Vamos CAUONTE (depositando ocorpo so- guagem da vídal Queres de novo
acendeu oprimeiro fogo. .. E com
Escutar a Giovinezza... Ir às cor- OlUmo PATtlUlliA - Jogaremos desmoralizar toda vida bre amesa de mármore do necl'Oté- dar existência ao poema de meu en-
ela toda se fará a última foguei-
ridas de longe. com as nossas próprias tíbias. OHIEHOFANTE - Não! rio) - Oserviço terreno me reclama. contro!
ra, Então é uma incendiária?
ADAMA DAS CAMÉLIAS - No meu ASEi'illOllA MINISTRA - Não. Me- (Parte no autogiro) BEATHIZ - Que fizeste, poeta! Não
O HIEROFANTE - Nela costuma- OATLETA COMPIJITO - Por que?
tempo eu adorava as corridas. lher éler amão. Um brinquedo de OATLETA COMPLETO - Sinto do- podes penetrar no país que eu ha-
mos festejar oNatal dos falecidos•.. ASENHORA MINISTllA - Oh! As OHIEllOFANTE - Estas coisas me-
OMENlNO (pela vigia) - Eu que- sociedade. res reumáticas. bito. Não podes preserutar minha
corridas! Lonchamps! ODerby de cânicas não convêm ao nosso estado intimidade com os autômatos!
OATLETA ColvlPlJITO - OHiero- OHIEROFANTE - Cuidado.
ro 1ml brinquedo... Epson! Eu tinha um coronel que onírico.
OATIJITA COi\lPLETO - Por que? OPOETA - Lacera-me de novo a
OPAI - Vai pedir ao amante de me pagava o taxi o dia inteiro, só fante sabe ler. ASENllOHA MINISTHA - Mas air-
ASENHOHA MINISTRA - Disseram O HIEHOFANTE - O poeta pode angústia criadora. Venho de uma
tua mãe. para namornr os meus braços nas radiação nos interessa. chegar a qualquer momento. noite cheia de passos e de vultos, a
AMÃE - Ele nunca me passou corridas. Era um homem casado, 11l11a vez que eu ia mcrrer aos oiten-
OATIJITA CONlPIJITO - Éum de- OATIJITA COMPIJITO - Mas sinto noite sem ti!
as doenças que trouxeste para casa. muito sério! ta anos. Me blefaram. sabafo espirííual... dores fulgurantes! BEATHIZ - Que se passa lá em
ADAMA DAS CAMÉLIAS- Conte- OlÚEROFAl"TE - Aqui é impossí-
ASEi'iHOHA MINISTllA - Um passa ASENHOHA MINISTRA - Você tem baixo, onde há chuva?
-nos ahistória da queda de Adão... veller-se a mão a alguém.
OHIEROFAl'ITE - Levou um tom-
o ltrubn de Edgarel passa ao A DA1iA DAS CAlvrFLIAS - Por tempo... aí tuna bolsa de água quente? OPOETA - Achuva, coiteira de
fundo. ADA1IA DAS CAi\IÉLIAS - Trouxe- A DAMA DAS CAMÉLIAS - Sinto tragédias!
bo. .. Quando se levantou do solo, que? um frio enorme no peito! BEATllIZ - OEgo e a Gramática,
estava criada a propriedade priva- O HIEHOFAl'ITE ~ Porque não te- mos conosco todos os recalques ter-
ADA1IA DAS CA1IÉLIAS - Quem é renos. O HIEUOFANTE - É a presença O POETA - Pareces anestesiada
da... mos mais linhas nas mãos tumefae- num lençol de argila!
esse passarinho? ASENHOUA MINISTRA - Ou não dos sopros augurais da terra.
ASENTIORA MINISTllA - Foi dessa OATIJITA COMPLETO - ÉOespí- tas... (todos examinam as próprias A DA1IA DAS CAi\IÉLIAS - O BEATtlIZ - Interrompsste o meu
árvore que ele despencou... mãos) Está tudo esgarçado pela habitamos o pa& sem censura...
rito da árvore. poeta. sonho, poeta, És a incomção!
OMOTOCICIJSTA - Então que so- ADAlvIA DAS CA1IÉLIAS - Ourubu morféia lenta e definitiva da morte. ADA1IA DAS CA1IÉLIAS - Oauto- O HIEHOFAl"TE - Ele virá can- OPOETA - Como falas diferente!
mos? do Edgard. Vivemos na negação. ~ro está se aproximando. Opoeta tando agrandeza do agir... Trazes no fácies os sinais da decom:
OJfu:RoFANTE - Oconteúdo das ASEJ.'illORA MINSTtlA - Quem é OATIJITA COi\lPIJITO - Na eterni- virá atrás... ASENHOHA MINISTllA - Quem é posição de tua unidade!
mitologias. mesmo odono? dade. O· HIEHOFANTE - Agora é. que faz o discurso de recepção? BEATllIZ - Pelo contrário...
OATIJITA COMPLETO - Oalimen- O HIEHOFANTE - Um literato, OHIEHOFANTE - No além do es- O RÁDIO PATHULHA - Viva Ca- O RÁDIO PATHULHA - Amotoci- OPOETA - És a máscara de um
to espiritual dos mortos! Edgard Poe. paço. .', ronte! cleta... ser que se dispersa. Teus olhos de-
ASENHORA MINISTRA - Osusten- ADAlvIA DAS CA1IÉLIAS - Para ASENHOHA MINISTHA - Opoeta Os MOUTOS (manifestando) OHIEROFAl"TE - Iornsstesvos ri- liram enquanto a tua boca amarga
táculo das reli~ões! que serve um bicho desses? não virá até aqui atrás da morta! Vival Viva oiniciador! Viva! dículos à aproximação da vida. sorri, Tens os cabelos do homem
OPOETA - Sou a tua mensagem humanidade diversa, atraente e ter- O ATLETA COMPLETO - Errarão Flamba tudo lUIS mãos heróicas
de Nccndertal, coroados de espi- te? Onde se unem os dois planos,
selam!! rível! pelo espaço infinito nossos irmãos do poeta.
nhos! olatente c omanifesto?
BEATRlZ - Não mais podes acor- ADAMA DAS CAi\IÉLIAS - Olhem, sem carne.
HEATHfl .,.. Sou oprimeiro degrau Beatriz pennancce quieta e sensa- ADAMA DAS CAMÉLIAS - Sinto se O HIEROFANTE (aproximando-se
Os mortos colocam-se na primeira dar cm mim o ódio erótico...
da vida espirill1al! cional! inflamarem os meus pulmões ... rIa platéia) - Respeitável público!
fila rIo teatro, olhando. OPOh'TA - Para onde me condu-
OPOETA - Oque me chama é o O HJEHOFANTE - Só se ama no OATLETA COMPLh'TO - Talvez se- Não vos pedimos palmas, pedimos
Drama. Drama, desenvolvimento do ziste? .
BEATHfl - Habito opaís letárgi- plano da criação! jamos puriíicados' bombeiros! Se quiserdes salvar as
próprio ser universal! llEA11UZ - Ama-me, por favor! O POETA - Eu trouxe o amor A SENHORA MINIS'J1lA - Não. vossas tradições e vossa moral, ide
co onde não penetra a dor!
HEA'J1l1Z - Quero plata... OPOETA - És a agressão, o eros para onada! Cristo-Hei não deixará! chamar os bombeiros ou, se prefe-
OPOETA - Onde está a tua boca
O POETA - Dissimetría, minha ea morte. Sigo-te e desapareces! ORÁDIO PATRULHA - Opaís dos rirdes, a polída! Somos, como vós
antiga? Por que esse rilus Oh! Os BEATRJZ - Para a aurora da vida!
criadora (Ussimetria! BEATRIZ - Todo esforço é inútil. OPOETA - Queimarei a tua car- mortos é donde se alimenta toda re- mesmos, um imenso cadáver gan-
BEA'J1llZ - Tu me abrste de novo teus deotesl Não quero ver mais
OPOETA - An~lstia! Ansiedade! os tens dentes. Onde estão os teus ne dadivosa! Não se poupa onada! ligião... grenadol Salvai nossas podridões e
os caminhos incoerentes da íerra, Divisão! Hesolve! Vives de novo OHIEBOFANTE - Mas os crema- talvez vos salvareis da fogueira ace-
lábios mclhados evivos? Foges com OURUBU DE EDGARD - Socorro!
poeta! para a minha vida ou partiste para a boca repleta de dentes! Cessa o Socorro! Fogo! dores mataram os deuses... Joga- sa do mundo I
sempre? teu liso parado! ram fora os mitos inúteis.
oPoeta aproxima-se quieto esom- BEA'J1lIZ - Todos os meus gestos Os mOItas se movimentam. BEA'J1l1Z - Poeta! Permanece para
brio. são de amor! OUDe-se o UiDO demorado de um sempre dentro de miml Sê fiel!
OPOETA - Fala do sol, da manhã cão. OPOETA - Devoro-te trecho no-
oI-ill:ROFANTE - Formaremos um O POETA - Não penetrei à-toa turno de minha vida! Serei fiel para
comício de protesto! Oamor quer e da terral
neste país, onde há uma árvere eum com os arrebóis do futuro ...
faze-la voltar ao paÍG ordenado e BEATRIZ - Estamos no país pro- OHÁmo PA'J1lULlIA (na platéia) - facho. Se a força criadora de mi- OHlEROFAi'ITE - Omo do ho-
terrível da ma. pício às mensagens... Debout les morls! nha paixão não te toca, éporque não
OPOETA - Eras afelicidade! Me mem é pensar que é o fim do bar-
ORÁDIO PA'J1lULIIA - Onde nos existes! bante.., Obarbante não tem fim.
reuniremos? diminuías como uma criança em ti! OcOlteio forma-se de nODO ediri-
llEA11UZ - Chorei todas as lágli- OURUBU DE EDGAllD - Ahuma-
ADAMA DAS CAfllÉLIAS - Vamos ge-se para opalco. Ouve-se lima sereia estrirIente.
mas! Hoje só resta o rímel negro nidade !Continuará b'ágica e ingê-
para a platéia, assim não perdere- nua. .. Só a morte é a etapa atin-
mos agrande cena. distilado de meus olhos sem fundo! OPOETA - Que uivo telTível! Pa-
OPOETA - Teus cabelos me en- rece um coração baleado... OHIEHOFANTE - Osinal dos cre- ~da.
ORÁDIO PA'J1lULHA - Vamos. OPOETA (Passa ofacho aceso ao
volvem! Sinto-me ensopado de es- BEATEIZ - Só por uma mulher um madores! Acode-nos, espírito da ár-
ASENHORA MINIS'J1lA - Que curio- corpo de Beatriz, frouxamente co-
trelas álgidas. Quero amanhã! Que- cerbero uiva assim. vore!
sidade eu sinto! OURUBU DE EDGARD - Deus! berto pelo renard argenté) Todo
O ATLETA COMPLETO - Para a ro osol!
BEA'J1l1Z - Escalaste escadarias, Os mortos alinham-se ao fundo da OPOETA - Reconheço-te, empre- mistério será aclarado. Basta que o
platéia! Quero ver como um poeta sa funeáríal Na matéria do meu homem queime a própria alma!
montanhas e o mar! Para atin~r cena. Ourubu de Edgard abre as
ama! cérebro ficará oteu epitáfio. Nan-
OHlEROFAi'lTE - Ordena ocorte- este horizonte sem fim! asas sob aárüore.
OPOETA - Senil De dentro de ca mais! (Toma rIo facho ecomeça Um imenso clarão se anuncia no
jo, rádio patmlha, seguir-te-emos em fundD.
teus cabelos notumos! OPOETA - Atua mão termina em aincendiar aÁrDore da Vida). Não
ordem alfabética.
O RÁDIO PA'J1lULHA - Debout les BEATRJZ - Sejamos a mesma aJU- reta! O teu braço está rí~do e mais estes símbolos dialéticos do se-
cão no mesmo leito! reta! Anoite tenebrosa de teus ca- mal perturbarão a marcha do ho- A SENHORA MINISTRA - Fujamos
mOlts! belos não mais restituirá amanhã ra- mem terreno. Foge, ave do Paraisol para opaís da chuva...
, O, POETA - Quero omarfim quen-
te de teu corpo. Mas os teus olhos diosa ... OURUBU DE EDGARD - Os cemité- OPOETA - Anoite não terá mais
Os cadáveres se organiz.am di/icul- rios são combustíveis. .Não há sal- passos nem vultos!
tosamente. Animados pelo barulllo se evaporam! Que boca angustiada! OURUBU DE EDGARD (aproximan-
BEATRJZ - Sem time falta o apoio do-se etomando a aliJa. de Beatriz) vaçãol O HlEROFAi'ITE - O dil{1\~o de
Mmotocicleta, conduzem-se elll rit- fogo nos seguirá!
terreno... - Oamor não penetra ocrânio dos A Sr'l\THORA MINISTRA - Sempre
mo mole, atrás do Rádio Patrullla, BEATRJZ - Sesuall Sexual!
O- POETA - Sinto-me rodeado da mortos I disse que essa vela aí era um peri-
que desce acena. go! OPOETA - Incendiarei os teus ca-
mlgl1stia das águas! Onde estou? OPOETA - Morta! Beijei inútil
BEATRfl - És ofeto humano que alabareda extinta de teu corpo I Por O, RÁDIO PA'J1lULHA - O- incên- belos notumos! Atua boca aquosa! (Publ. Livraria José Olímpio Edi-
OHlEROFANTE (deixando opalco) tora - Rio de Janeiro - 1937)
voltou à etemídadel isso guardavas dentro do peito uma dio será a cegueira de Caronle. Aaurora de teus seiosl
_ De que serve aqui osubconscien-
Tem uma origem muito discutida omais autêntico melho, com toucado enfeitado de cacos de espelho ela- ""1'"' BUMBA-MEU-BOI! (*) leva uma SlUTa danada, pm deixar
de ser atrevido!
e popular espellículo rural nordestino, c seu nome tal· ços de fita - e a Cantadeira, que também alua eantan- I

vez sugcrido aos primeiros criadores pelo bater dos pró- do na orquestra, composta exclusivamente de instru- BASTIÃO - Pai, vamos deixar de
mentes de percussão: zabmnbas, gan~\s, maraeás, pan- CAlIMOSlHA MONTEmo embromação, que opessoal veio foi
prios insh'umentos de percussão, que marcam oritmo de
suas danças ecantorias, parecendo dizer: bumbal bumba! deiros, etc. DE ABAUJO assistir o Bumba-meu-Boi de Per-
bumba! - ao que se teria acrescentado onome da fi- A;, cantorias sofrem variação tanto na melodia quan- nambuo; Não foi, pessoal?
gura principal do auto. Vale a pena ressaltar que, cm to na letra, A cenografia e as falas são, geralmente, MATEUS - Então vai chamar o
Pemambuco, essa marcação rítmica é tão eancteristica improvisadas na ocasião, obedeccndo apenas Ir linha OBumba. começa com aorquestl'll BAsflÃo - Filho de gato, gatinho Capitão para começar afunção, que
que por si só anuncia, de longe, olugar em que ~stá se
I
estrutural próplia de cada gl11pO, de acordo com aorien- em cena: (ocadores de bombo, gan- e... eu vou pedir Ir CmJtadeh:a para can-
realizando a função. tação de seu dirigente. zá, lfiola, eaCantadeira (a tÍnica fi- MKillUS - Tu tá me chamando de tal' a lôa dele entrar! (Sai um para
O Bumba é, geralmente, apresentado em campo Aintenção da autora, ao resumir um espetáculo que gura feminina presente) tocall(lo pan- burro, maloriado?' Eu te quebro a cada. lado)
aberto, onde uma empanada, armada às pressas, serve dura várias horas, foi tornar possível sua divulgação deiro. cara na vista de todo mundoi
de camarim pam os figurantes, que ficam aguardando (ah'avés do tcatro de bonecos ou de representação ao BASTIÃO (fingindo chorar) - Ai, ai, CANTADEIRA -
a vez de entrar em cena assim que solicita~los pelo vivo nas escolas) para opúblico infantil- em geral tão CANTADEIHA - ai, ai! Tadinho de mim! Ninguém
Ô de casa, ôde fora,
Capitão (o mestre-de-cerimônia que comanda o espc-
táculo) montado no Caoalo-nwrinho e que, às vezes,
alienado qumJto às raízes tradicionais de nossa forma-
ção culhlral- sem a perda de suas características prín- ..I - Ô de casa, ô de fora
Mmlgerô já vem saindo!
tem pena de um pobre menino ino-
ceníel Capitão já vem chegando
ôde lá, ôde lá (bis)
também empresta seu nome ao Boi que organizou. eípais, sua pureza e seu grande poder de comunica- Ô de l~ ô de lá MATEUS - Deixa de dengo, mole- ô de I~ de I~ de lá!
Otexto aqui apresentado baseia-se em reminiscên- ção, (C.M.A.) Ô de h~ de lá, de Já, (bis) que! Por causa de um safado como
cias do Boi do Capitão Felipe de Tigipió, que existiu você, é que opovo diz que ncgro
não presta, e até inventou uma can- Entram o Capitão montado na
por volta de 1916, nesse subúrbio de Uecife. Os tocadores retiram-se Fa/'([ um bUJ'rinha. Mateus e Bastião. Amú-
lado, enquanto entram Mateus eBas- teria (lue (Iiz assim:
Opúblico assiste a representação colocando-se de sica continua eeles cantam edançam
pé em volta do terreiro (sem pagar) e, eventualmente, lião cantando estribilho, dançando Eu não gosto de negro até oCapitão apitar.
dela participando obrigado pela inten'Cnção de Mateus e fazendo mesuras. ô chamto,
e Bastião, empregados do Capitão - espécie de bulões nem que seja meu parente CAPITÃO (declamando)
(comumente negros) que oajudam a movimentar as fi- MATEUS - ôcharuto
guras, costracemndo com elas e animando a festa com pois ele tem um ecstume Cheguei, cheguei
Boa noitc, distinta platéia
ditos e trejeitos engraçados, sempre animados numa pe- ôchamto estou chegando,
que nos vem prestib~ar!
quena vara de cuja ponta pendem bexigas de. boi infla- de fazer vergonha Ir gente Odono da casa e adona
Boa noite, povos c povas
das de ar (como nas comédias italianas do séc, XVII), ôcharnío . cu entro logo saudando!
Boa noite, meu pessoal!
com que distribuem pancadas aos presentes, provocando Cheguei, cheguei
correrias e glitos alegres, divertidos. (Para Bastião) Cumprimenta as estou chegando.
BASTIÃo (rindo) - Eita, pai! Mas
famílias, moleque! Mas com todo o Se querem folguedo em casa
Os trajes, que variam conlerme a região, em Per- eu também inventei outra que diz
respeito, heinl eu vou logo pergmltmldo.
nambuco são muito pobres, quase despojados de enfei- assim:
tes e cololido, pouco contribuindo para a beleza visual BASTIÃO (acanhado) - Eu tenho MATEUS - Entra, cantadeira!
do espetácuJo. O elenco, consdtuído por dezenas de vergonha, pai! Não sabe como sou Eu não gosto de branco
acanhado, plÚ? ôcharuto CANTADEIRA -
figurantes, representa personagens humancs, animais e Viva, ora viva
MATEUS - MaMo! Quem fica de nem que seja meu avô
seres fantásticos tirados das lendas e superstições locais viva o dono da casa
cara lambida, sou eu! Esse povo ôchamto
variando de uma região para outra e entre os gmpos ora viva!
do mesmo lugar, pois cada qual tem liberdade de criar todo ai vai mangar da gente! pois branco tem um costume
BASTIÃo - Eu nem me impolio! ôehamto Viva, ora viva
e acrescentar ao seu as figuras que desejar.
MATEUS - Mas eu tenho desgos- de sujar oque lavou sua dona também (bis)
Os artistas que não representam animais usam ma- ô chamtol ora viva!
to de ter um filho desinducado como
quilagem carregada, feita de carmim, carvão epós bran- .... ~

você! (À platéia) Gastei um dinhei-
cos - à semelhança das máscaras do teatro grego. k rão botando este burro na escola,
mulheres geralmente não participam do Boi, a não ser MATEUS (achando graça) - Ah, Mateus eBastião também cantam
(~) Texto premiado no concurso de peças da Secretaria .......... mas ele não aprendeu nadinhal moleque sem-vergonha! Tu ainda I e dançam.
a Pastorinlw - moça bonitinha, vestida de azulou ver- de EduCUíiio do Paraná (1969),
MATEUS - Mateus sai correndo, depois uolta.
CAJ'mlo (apita e declama) gura! Manda a Cantadeira cantar VALilln'ÃO - tá bom demais!
No terreiro desta casa
Nossa obrigação já foi feita
CANTADEIHA - Viva, ora, viva! etc.
T Mateus! (Avista oValentão que vai Não faça isso, compadre! Eu estou tremendo,
antes do senhor chegar! entrando) Ei! Quem é você?
nosso boi já vem folgar. CAPlTÃO (Apita e declama) - Vamos ser amigos, homem! blum!
BASTIÃO (deboc/wdo) -
Mas antes que ele apareça Atodos peço desculpas Aperte aqui esta mão! Mas não é de frio,
Já saudamos todos (}S velhos
queremos cumprimentar pois o culpado SOll eu Mateus e Bastiã{) saem um para VALENTE - Só aperto pra quebrar! blum!
as velhas, as viúvas, as casadas,
odono da casa e opovo das besteiras que ouviram cada laelo. VALENTÃO - Ai, ai, ai, assim não! r~ da frialdade, ô
os filhos, os primos, os tios,
que nos vem apreciar!
as tias, os netos, os parcntes, de Bastião e Mateus! ô xente!
(chama) Bastião! Mateus! VALENTÃO (declama) Eles 1tItam capoeim durante Da beira do rio!
Jll., cantamos as UI arga d"
as
Cantadeira repete o aiua! com que também estão presentes.. , BASTIÃO - Pronto, meu Capitão! Eu me chamo Valentão algum tempo, enquanto Mateus e
Mateus eBastião. MATEUS - Às ordens, meu Ca- sou filho de cangaceiro. Bastião torcem. Repetem o estribiUlO cantando e
CAPITÃO - Basta! Então mande a
cantadeira cantar oViva! para você pitão! Desde menino que tenho dançando. Depois entra ocaçado I'
CAPITÃO (apita. e declama) CAPITÃO - Maude a Cantadeira um rifle por companheiro. CAPITÃO (apita) - Mateus! Bas- atirando a esmo. Osapo foge COllf
dizer uma Ioa! .medo.
Saudar também as crianças tirar uma loa para omeu cavalo! Já matei trinta defunto .., tião!
lJASTIÃO - Deus me livre! Eu não BASTIÃo - Cmítadeira, canta aloa AMBOS - Que deseja, capitão?
a quem viemos mostrar gosto dessas coisas, capitão! uo cavalo-marinho! CAJ'ITÃo (interrompe debochando) CAJ'ITÃo - VatnOS botar estes ar- MA'rEUS - Ai, ai, ai! Este desgm-
os folguedos do sertão CAPITÃO - Avia, moleque! Can-
para que possam gostar MATEUS - Tem que apitar, Ca- - Ah! Defunto, eu acredito! ruaceiros daqui pra fora? Pra bri- çaclo quase fura meu pé!
tadeira! Canta oViva! para oBas- pitão! gar a gente tem hora!
das coisas de nossa terra tião. VALENTÃO - CAPITÃO - Este sujeito édoido!
BASTIÃo - Vamos, meu Capitão!
que devem valorizar! Não deboche, Capitão! CAÇADOR (cantanelo) -
Capitiío apita e li ClIntadeim MATEUS - É pra já, meu patrão!
Canladeira canta. Não deboche, Capitão, Atirei mas não matei,
CANTADEIRA - Viva, ora viva! etc. canta. se não vai se arrepender]
Os três enxotam os aalentes atirei mas não pegou.
CAPITÃO (apita) - Mateus! Bas- BASTIÃO (declama) - Pois eu no tiro sou Mo
CANTADEIRA - Minha pólvora derramada,
tião! Lá vem a lua saindo na faca nem é bom dizer!
Cavalo-marinho CAJ'ITÃo - Que sujeitos mais cha- meu chumbo perdido!
MATEUS - Pronto, meu Capitão! por trás do canavial. Quer aprova, se aproxime Polvarim derretido.i.
cavalo-marinho (bis) tos! (Pausa) Vão pedir ao barra-
BASTIÃO - À5 ordens, meu pa- Não é lua não é nada qne mostro o que sei fazer!
che~a para diante
trão! é a moça que eu vou roubar CAPITÃO - Mas eu não quero bri- queiro outra figura melhor, eaCan- CANTADEIHA -
faz uma mesura tadeira que cante para a figum que
CAPITÃO - Onde está aeducação? porque ovelho não deixa gar, seu moço! Adeus, João!
MATEUS - Que quer dizer, capi- pra toda essa gente! vai entrar!
ela comigo casar. VALENTÃO - Não quer, ou não tem Atira no gavião!
tão? coragem? AMBOS - É pra j~ meu Capitão! Meu neg~ não me mate, não!
Cnvalo-marinho (Sai U11l para cada lado)
CAPITÃO (a Bastião) - Cantacleim repete o íTiua! VALENTE (entrando) Me mate, não!
cavalo-marinho (bis)
Que foi aprender na escola Nunca vi tanta farofa CANTADEIRA - Me mate, não!
buada de pandeiro
que paguei pra lhe ensinar? derramada num lugar! Sapo curnru C~ITÃo - Por que você anda per-
CAPITÃO - Mateus! Agora é a alevantR orabo
BASTIÃO - Quer brigar tá aqui um homem bluml segumdo o sapo desse jeito? Não
tua vez! pra ganhar dinheiro!
Escola não é lugar disposto a lhe enírentar, Da beira do rio tem oque fazer, não?
~L\.TEUS - Tá certo, capitão. Mas
de aprender b - a - há? Eu topo qualquer parada bluml CAÇADOR -
depois não se queíre, hein? (De- Cavalo-marinho
CAJ'ITÃo (zangado) - a questão é encontrar! Quando osapo canta
clama) cavalo-marinho (bis) xente! Eu não gosto daquele bicho!
Isso é lá jeito, mcleque VALENTÃO (tremendo) - ô

Lá vem a lua saindo Bunda de viola Ele éfeio demais, Capitão!
do seu patrão respostar? Que é isto, companheiro? Cururu tem frio!
por trás cIo pé de feijão alevanta o rabo CAJ'ITÃO - Mas se fosse para ma-
MATEUS - pra aquela senhora! Não se pode nem brincar?
Me desculpe, Capitão. Não é lua, sou eu mesmo VALEJ'ITE - Entram o Sapo, Bastião eMateus tar tudo que é feio; você já tinha
Mas isso é charada ou não? com uma dor no coração Não gosto de brincadeira cantando e dailçando. ' morrido há muito tempo, desgra-
ele ver tanto pobre besta CAJ'ITÃo (apita, amlÍsica para) - çadol
CAPITÃO - Bastião! nem de sujeito que mente.
Charada, negro da peste, e tanto rico, ladrão! Quem fala sem ser verdade Tonos - MATEUS - Um diabo mais feio do
CAPITÃO (ameaçando) - Você está BASTIÃO - Fale, meu padrinho!
é a plateia saudar? CAJ'ITÃo - VRi dizer ao barraquei- vergonha na cara não sente. Ô xente, ô xente que briga de foice!
BASTIÃO - Mas, pah'ão, hl enga- doido, negro? Quer ser preso, mise- Por isso eu vou achatar
ro que pode mandar Rprimeira fi- Tá muito bom. BASTIÃo - Perseguindo afeiura do
nado! rável? o seu nariz de dormente. Ô xeate, ôxente (bis) bichinho!
CAPU'ÃO - Mas que galinha da- BASTIÃO - Vá pro infemo com Enquanto opovo descia, Capitão! VAQUEIl\O - CAPITÃO (aos gritos) - Vai cha-
CAPITÃO - E quer saber de uma
nada de grande éesta, Bastião? sua ema, língua ferina! Mas agora veio a chuva, Capitão! Chegou na hora, menina! mar o saerislâc, Mateus! Já!
coisa? Eu não gosto de gente mal-
MATEUS - Dane-se pra casa do Vai tudo reverdecer, capitão! Estou procurando trabalho MATEUS - Vou correndo, patrão.
vada!Pon11a-se já daqui pra foral EMA- U, U, 11, U, U, u, u!
diabo, faladeira! Por isso eu quero voltar, Capitão! e ajudar moça bonita Volto logo (sai).
BASl'JÃO (emjllllTando o caçador) MATEUS - De que tamanho não Pra melancia comer, Capitão! úpaga mais do que valho!
_ fI isto mesmo! Vá-se embora, seu será o ovo dessa bicha, capitão?
mata-sapo! . . Joana sai correndo com ael11a. CANTADEIRA - Seu Mané Gostoso, ACaipora(1) contínua assoviando
BASTIÃO - Me disseram que esta etc.
CAÇAllOl\ (saindo) - Cabra chalCl- danada come até caco de vidro! (Saem abraçados) epulando, enquanto todos li evitam.
ral (sai) . I CAPITÃO (soprando) - Vai buscar Bastião reza, ajoelhado.
EMA- U, u, u, u, u, u, tu Capitão apita eMané Gostoso sal.
MATEUS (canta e dança sozinho) outro figurante para dístrnir R gen- MATEUS (deboclllllldo) - Eu acha-
CAPITÃO - E se apertar mesmo, te Bastião! AquelR mulher quase va mellnr vocês falarem antes cem
Mettnego, não me mate, n~o! SAClIISTÃO - Chegue~ seu vigário!
Meu nego, não me mate, nao! . ela fala! m'e mata do coração! (Sai Bastião) BASTIÃo - Cuidado, "seu" Mané! o \~gário! Nossa Senhora do Bom Parto! Que
CANTADEIRA - MATEUS - Cantadeira! Tira a Se vosmicê cai de riba desta trepeça, CAPITÃO - Deixa de ser enserido,bicho danado de feio é este?
quebra seu mucumbu no chão! (To- negro I Bastião! Vai buscar outra
Completamente distraído, contí- Olha opasso da ema, canteria do Mané Gostoso! PADIIE - É uma assombração! Um
dos acham graça. Entra oVaqueiro).
nua dançando alheio ao Capitão e la-ri-lôl figura, que esta do vaqueiro não deu
castigo de Deus, meu filho! Você
Bastião, .que o observam. D. JOANA (entrando) - Minha CAi'ITADEIRA - ...l. VAQUEffiO - Dá licença, Capitão! nem para meia missa! trotem água benta?
ema, minha ema! Vamos para casa, Seu Mané gostoso CAPITÃO - Ora, que faz perdido SAClIISTÃO - Está aqui, 'padrel
BASTIÃO - Tá ficando doido, pai? minha ema! perna-de-pau. por aqui, rapaz? BastUío sai. Ouuem-se fortes as- PADIIE - Eutão, joga em riba des-
CAPITÃO - Bebeu cachaça, Ma- CAmÃo - Que é·isso, dona? A Ele canta, ele toca (bis) VAQUEilIo - sovios ea· Caipara desce pulando. se satanaz, para ver se ele desapa-
teus? senhora entra assim, na casa dos seu berirabaul Ouvi'falar em boi, vim atrás. rece com opoder de Deus!
MATEUS (encabulado) - Eu só tava outros, sem pedir licença? MANÉ GoSTOSO (declama) Eu estou desempregado CAPITÃO - Meu Deus do céu!
Quando eu vim lá de riba SACRISTÃO - E se ele me agarrar
esquentando as canelas.. . , BASTIÃO - Isso aqui não é casa e \~ver vagabundando Que marmota danada é esta? eme levar para oinferno?
CAPITÃO (rindo) - A gente ve de sua sogra, não, dona! Capitão, ... é coisa que não me apraz. MATEUS - É zumbi de caboclo
'. I comi carne com feIJHo, CAPITÃo - brabo, Capitão! PJ\DIIE - Leva, não, meu fílhel A
cada nmal (Noutro tom) Bastiao: D. JOANA - Eu ando atrás do que
Capitão, . Trabalho pra homem não falta! CAPITÃO - Vai chamar o padre, Virgem Maria te protege. Vai I
BASTIÃO (Perfilando-se) - As é meu. Quem manda vocês pren-
ordens, meu Capitão! derem em casa oque não lhes per-
as meninas me pediram, Demora, mas aparece. depressa, Mateus! Só ele pode sos- (empurra-o)
CAPITÃo - Vai ver o que tem, tence? Capitão, Se não quiser esperar, segar esta bicha! SAClIISTÃO - Espere ail Não pre-
mais o balTaqueiro, para mandar 1'Lmus - Equem lhe centon que um vestido de babado, você cuida do meu boi MATEUS - Vou correndo, patrão! cisa me empurrar! Eu seu é ho-
para a gente se distraú'! Mateus! Capitão, e eu lhe pago oque merece. mem!
esse bicho esta preso aqui? Asenho- andei pelo mundo todo, BASTIÃO (entrando) - Vai entrar
MATEUS - Tô aqui, patrãol ra tá vendo alguma corda amarran-
A Caipara continua assovianda e
CAPITÃO - Manda a cantadeira Capitão, . .• uma figura muito linda, Capitão I pulando. Vai junto da Caipora e joga a
do ela? E fui achar na leja do Chicao, CAPITÃO - Seja benvinda!
cantar! água. Caipora contínua assoviando
MATEUS - Canta a loa daema, D. JOANA - E pra que fica esse Capitão! PASTOlUNHA (canta) - PADIIE (entrando) - Mandou me epulando.
bando de homem rodeando a bíchi- CAJ'ITADEIRA - Sou uma pobre pastorinha chamar, capitão?
mulher (Sai um para cada lado)
nha? Me diga! Só pode ser para Seu Mané Gostoso, ando os montes percorrendo, CAPITÃO - Padre, pelo amor de
CANTADEIRA - CAPITÃO - Tá aÍ. Não serviu de
não deixar ela passar. Pema-de-psu, percorrendo, Deus, desencante esta visagem! Isso nada, padrel Ela nem ligoul
Olha o passo da ema, ele dança, ele pula (bis)
CAPITÃO (indignado) - Dona, vos- a procurar omeu gado, é uma assombração I PADIIE (ao Sacristão) - Vamos re-
la-ri-Iô! micê está me chamando de ladrão no seti girau. que ele anda se perdendo, PADIIE - Que quer que eu faça, zar o Creio em Deus Padre, meu fi-
Lá do meu sertão!
de galinha? se perdendol meu filho? lhol (Ajoelham-se erezam)
la-ri-lô! Capitão apita. Amúsica. para. TODOS -
Toda ave avôa D. JOAi

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A - Eu não, capitão! Mas CAPITÃo - O senhor pergunta a MATEUS - Eu sei uma mandinga
se a carapuça lhe cabe, pode deixar Vamos pedir minl? Oofício é seu, padre. Deve que vai afastá·la em dois minutos,
la-ri-lô! MAi~ GoSTOSO (declama)
que eu deixo! ajuda ao Vaqueiro saber melhor do que eu. capitãoI .
Só a ema não
CAPITÃO - Smna-se já da minha Quando eu vim lá de ríba, COm ele você pode (bis) PADIIE (aproxima-se cam medo e CAPITÃo (zangado) - Que estás
la-ri-lô!
frente, mulher desaforada! Se você Capitão! achar oseu roteiro! volta) - Sozinho, não posso fazer esperando, negro?
.. Cantam dilas vezes. Enquanto não vestisse saia, eu lhe esquentava Aseca tava danada, Capitão! nada. Só se o sacristão vier me MATEUS - Bastiãol
fima,
nlo. rnnfnm nnira a 1:' os couros agorinha mesmo! O· gado todo morrendo, Capitão! (Capitão apita) ajudar!. BASTIÃo - Nhô!
MATEUS - Apite, meu capitão. MATEUS - Lá vou cu, meu patrão! CAPITÃO -
BASTIÃO - Apitc, meu capitão, TODOS -
MATEUS - Vai lá dentro buscar Vosmicê se eS(lueceu! MmJdo buscar outro,
para a cantadeira cantar. Bate asa, canta o galo,
uma vara de fumo daquele bem for-
que são horas, avisou. CAPITÃO - Ab, éverdade! (f\pita) Saem os dois, entrando o solr/ado. maninha,
te. Vai! CAl' ITÃO (apita) - Canta a loa do CANTADElHA - cm Belo Jardim!
caboclo, Cantadeira! E osino da igreja
BASTIÃO - Já estou indo, meu pai! Dança, dança meu Boi CAPITÃO - Que faz por aqui, sol- CANTADElBA -
CANTADElHA - meia noite já tocou.
(Sai) Dança, meu Boi-Bumbá! dado? Se aseca não matou,
Caboclo do arco, BAS11ÃO - Chegou a vez de nos- Dança, dança meu Boi
CAI'lTÃü - Que invenção é esta! SOLDADO - Eu vi os urubus farc- se o gado não comcn,
que vem cá buscar? sa cantoria, patrão! para nos alegrar!
Esse diabo fuma? jmdo camiça evim multar quem bo- em cima daquela sem
CABOCLO (en tra) CAI'ITÃO (apita e canta) (bis)
MATEUS - Quando ela aperreia os tou ela ai. capim verde já nasceu!
Uma bela menina Senhóra dona da casa Dança, dança meu Boi,
caçadores no mato, é assim que eles CAPITÃO - Que camiça, homem CAPITÃO -
pra nós vadiar! mande oterreiro limpar meu boi lá do sertão!
se livram dela. Tonos - Na areia, na areia, de Deus? Está sonhando? Se este boi morrer
que já é chegada ahora Dança para alegrar
BASTIÃ.O (chegmulo) - T,t aqui, na areia do mar. (bis) de mandar oBoi entrar SOLDADO - E este boi aí? Não que será de nós?
todo o meu coração! está morto? Bicho morto é camiça.
meu pai (Mostm ofumo). CABOCLO - e olugar do seu folguedo CANTADEntA -
MATEUS - Joga o fumo pra ela! Vocês me chamam caboclo com estima preparar. CAPITÃO - MOlio? Você está doi- Manda buscar outro,
Ó Boi, dançando, continua adis- do! Um boi gordo desses!
Joga depressa! . mas cu não sou caboclo não! TODOS - tribuir chifrar/as. maninho,
BASTIÃO (iogaJ1llo afumo) - Vm Foi osol que me queínou Meu senhor dono da casa, SOLDADO (desconfiado) - E por- lános cafundós!
fumar, desgraçada! Tomv.! lá nos ares do sertão! mande varrer seu quintal, que ele não se levanta?
BASTIÃO (correndo do bicho) -
CAI'lTÃO - Oue '-
besteira é esta, que a hora é chegada Está me estranhando, bicho? CAPITÃO - Está descansando, ora CAPITÃO apita e ii llltísiC(l para.
Caipora apanha ofilmo esai C(j)'- caboclo? E,iá negando a sua raça, pois o galo deu sinal, . MATEUS (rindo) - Cuidado que o esta! Se estivesse morto, fedia! Está Entram- oDoutor, Bastião eMateus.
rendo com ele. homem? que oBoi já vem chegando. Boi te pega, Brrstião! sentindo catinga?
CANTADEIHA - para a gente vacliar! BASTIÃO - Eu termino metendo SOLDADO - Não, senhor! (Farejan- MATEUS - Está odoutor aflui, Ca-
CAPITÃO - Viu, seu vigário? Num Caboclo do arco, CAPITÃO (apita) - Mateus! Bas- esta vara nele! do) Não sinto nada! pitão!
instante ela foi-se embora. quem vem cá buscar? tião! CAPITÃO - Pois vá fm'ejar impos- CAPITÃO - Obrigado por ter vin-
PADIlE - Ela se afastou por causa CABOC'LO - AMBOS - Pronto, meu capitão! oBoi insiste em chifrar Bastião. to no inferno! Saia já daqui! do, doutor!
da reza. Uma bela menina CAPITÃO - Vai dizer ao barran- Este bate com aoal'(ln(l cabeça dele, DOUTOR - Que deseja de mim,
pra nós vadiar! . SOLDADO (aborrecido) - Osenhor
CAPITÃo - Deixa de lorota, padre! queira que pode nnndar oBoi. que cai url'llndo de dor. está me desacatando? Olhe que sou capitão?
Se não fosse o rolo de fumo, ela TODOS - Na areia, na areia, etc. MATEUS· - Ora, viva! Até que
autnridade e posso prendê-lo, capi- CAPITÃO - Me faça o favor de
ainda estava aqui, dançando no seu enfim (Sai)! CAPITÃO (irritado) - Para <lue ba- tão! examinar este boi aí, .meu doutor!
nariz! oCaboclo sai dançando. Ouve- BASTIÃo - Agora, sim! Vai ficar teu com tanta força na cabeça do DOUTOR (abO'frecirla) - Mm; eu
SACRISTÃO - Está vendo, padre? -se cantar um galo. mais animado! (Sai) Boi, seu traste num? CAPITÃO (z.anbaado) - Deixe de ser
não sou doutor de boil
É nisso que dá a gente ajudar igno- · " N"' I
BASTIAO - ao VJU qne eees ava d rapaz!
t besta, Onde você já viu sol-
....... d .• CAPITÃO - Eu sei. Mas osenhor
MATEUS - O galo eanlou agori- " ado pren er capltao! Quem manda
rante! Entram fazendo grande algazarra, querendo enlíar oehííre no meu tra- lh d I D 'd I D não tem coração? Vai deixar obi-
CAPITÃO - S~ristão! Você está nha mesmo! Escutou, capitão? . ? e pren er, sou eu. UVl a. ll-
cantando e dan~ando com oBoi, que senm .I f h I chinho merrer à mÚJgua, só porque
me ofendendo! Ponha-se daqui pra CAPITÃO - Então? Eu sou mou- muge distribuindo chifradas. cAPITAO- - O b'IChiIlllho estava I VIC a:, se 01' amem, não é veterinário?
fora! (Ao padre) - Desculpe, seu co, negro? Vai mandar acantadeira brircsndo nesro frouxo! SOLDADO (com medo) - Duvido, DOUTOR - Está bem. Consentirei
vigário, mas esse seu ajudmIle émui- tirar a lca do galo! MATEUS, - Coitado
b -
do boi! (Apro- . nao, I Ipa, ca-
meu capl't-ao.I 1'IV1e neeu
CAPITÃO - Faz uma vênia para o em examinar oanimal! (AlIsClClta o
to folgado para meu gosto! MATEuS (à Cantadeira) - Opa- xima-se) Está quase morte] pitão! (Sai) Boi elevanta-se) Este boi não tem
meu pessoal, meu Boi!
PADIlE (ao sac)'isüío) - Vamos trão mandou dizer que é para você CAPITÃO (examinando) - Está CAPITÃO (indignado) - Eu não doença nenhumal
embora, meu filho! Nossa obrigação imitar ogalo que acabou de cantar! Boi obedece, cUlllvrilllentgndo. arreado! Vai chamar odoutor para e~t.ou dizendo? Ora, essa! Um pi- BASTIÃO - Eu não disse? Ele está
já foi fetia. Agora vamos rezar- na BASTIÃO - Felizmente já passa da tratar dele, Bastião! Xllinga daqueles, querendo me pren- ese fingindo!
igreja! meia noite! BASTIÃO (arrependido) - Nhor, der! (AVita) Canta qualquer coisa CAPITÃO - Cala aboca, moleque!
CANTADEntA - CAPITÃO - Faz outral Bastião!
MATEUS (enxota os dois debaixo sim! para me distrair, cantadeira! (Ao doutor) Examine direito, dou-
BASTIÃO - Que foi, meu patrão?
das risadas de Bastião edo CapiWo) Bate asa, canta o galo, CAPITÃO - Evocê, Mateus, vai na CANTADEIRA - tor! Parece que osenhor está com
Meia noite deu sinal CAPITÃO - Manda a cantadeira
_ Vão-se embora I Vão-se embora! baixa de capim e traz um feixe bem Se meu boi morrer nojo dele?
CAPITÃO - Quem será que vai que está chegando a hora cantar! Agora que chegou o Boi,
verdínho, para ele comer. (lue será de mim? MATEUS - Só fica todo de longe!
para nosso Boi entrar! a danada se cala.
anarecer UI!ora?
DOUTOR (Torna a examinar) Ele BAS11ÃO - Cantadeira, cumpre a ....f', CRIAÇÃO COLETIVA
só tem manha. Está se fazendo! tua obrigação, mulher!
BASllÃO - Eita boi mentiroso! CANTAllEIIlA - fonuam em palavra? Qual o lugar exato da palavra
CAPITÃO (ladino) - Mas pelo sim Dança, dança meu boi, Enquanto Sonho de Uma Noite de Verão era sau- na erpressâo teatral? Seria a \~bração? Ou então o
pelo não, passe uma "meizinha" para boi de Tejipió. dado pelos críticos londrinos como ogrande espetáculo conceito e a música? Existe alguma evidência oculta
ele tomar, doutor! Pode ser que o (bis) da tempo,rada de 1971, seu diretor Pete~ABr~ok par~a na estrutura sonora de celtas línguas iUltigas?
boi esteja com dor de bal1'iga... Dança, dança, meu boi para R Pérsia ao encontro de uma el'j1Cl1:ncla qu.e ele Orghas!, além de tlhr10 de espetáculo, é também o
DOUTOR (de aC01'do) - Tem razão! cada vez bem melhor! sabia ser fascinante. Os dados para faze-la realidade
nome da linguagem invcntada por Hughes, Com refe-
Osenhor me alertou. Mande dar- Dança, dança, mcu boi estwam ainda muito confusos em sua cabeça. Só ha-
rências gálicas, esta linguagem pretende se ~l'Pressar fi-
-lhe um purgante de o'Ie~ (eI I1Cll1~.I para se despedir. ........ via oconvite do Festival de Shíçraz e a certeza de que
siolo~camente. Hughes afinou seu vocabulário juntan-
rÓ,

Se não melhorar, um chster de PI- (bis) as apresentações seriam feitas nas minas de Persépolis.
do algumas raízes sonoras. Este complexo esquema deu
menta malagueta! É um ótimo re- Dia já vem raiando Breok levava consigo um gmpo de 20 pessoas de 12
oportunidade a que os atores recriassem os sons com
e nós vamos partírl diferentes nacionalidades, Desta mistura de ambientes,
me'd'10.I • I
pessoas e \~vências nasceu Orghast.
Seu próprio corpo, Hughes afirma que seu vocabulário
CAI'ITÃO - Obngado, doutor. cria "a sensação de um mundo semibárbaro". Foi assim
(11prta) Mateus! Bastião! . Um pouco depois de sua chegada, Brook incorpo-
que Hughes e Brock criaram uma linguagem comum
AMBOS - Às ordens, meu capI- rou atores persas, escclhidos propositadamente por fala-
entre atores e platéia, Um dos atores, Robert Loyd,
tão! rem mal ofrancês eoinglês. Acontriblução de pala-
(I) . Em qualquer direção. pelo /nte- dá oseu depoimento sobre este novo método.
CAPITÃO - Mateus, vai dizer ao vras persas ao vocabulário inventado por Ted Hughes
rior do Brasi~ o Caapara-Cmpom e um - É mais do que um ato de representar, É a pro-
barraqueiro para mandar lll~a gar- deu forma à peça, reescrita diariamente, à medida que
pequeon indígena, cscuro, ágil, nu ou usan- cura de uma linguagem que só começa a. existir efetiva-
rafa bem grande, cheia de oleo de do tanga, fmnando cachimbo, doi\lo pcla os ensaios evoluíam. Ted Hughes - um poeta inglês -
mente quando você troca idéias e informações com o
mamona, pra gente dar U~l pnr~a~­ cachaça opelo fumo, reiuando sobre todos usou em Orglwst testos próprios e algumas passagens
os anhnais o fazcmlo pactos com os caça- público. Quando encontra a chave para estabelecer
te neste boi! Não é passIveI delxa- de Ésquilo, Sênecn e de sacerdotes de Zoroastro. Quan-
. I dores matando-os quando descohrcm o este contato - ea descoberta éfeita quando você torna
-lo morrer sem tratamento. segrc;I0 ou batem númem maior.das peças
do a peça foi à cena, estava concluída a pesquisa de
Peter Brook com seu teatro da linguagem ecomeçava a posse de suas energias - a sensação que nos fica é de
MATEUS - Pois não, meu capitãol combiuadas. O Caipora peqnemna e po- intensa liberdade.
CAPITÃo - Bastião! pular é o vc1ho Curupím. Por todo .0 se estruturar aidéia de um Centro Internacional de Pes-
nordeste do Brasil duas imagens Ye~bi11s quisas Teatrais com maior alcance do que o que existe Os resultados das pesquisas de Peter Brook ainda
BAS11ÃO - Tê aqui, meu padri- pintam o duende: fumar como o Caipora não estão devidamente assimilados pelos críticos e pá-
nho! .
e assebiar como o Csípcra,
em Paris, Brook acredita que esta é a solução possível
blíca Mas ofato é que já se sabe que o teatro, como
para que oteatro experimental se liberte das exigências
CAPITÃO - Agarra um balaio e Caipnrinha, Figura secu~ldária do auto um todo, será atingido mais por estas experimentações
vai encher ele de pimenta malague- popular do bumba~meu-bOl, representando de sessões diárias em lugares e horários prefixados.
lml eaboclinhe de tan.ga, com unu en0D110 - Nenhum trabalho teatral será completo até que de linguagem do que pelos métodos de trabalho em
ta, para a cantadeira cozinhar ela-cabeça, arranjac1a com uma urupema [ba- gmpo.
zer um... ele seja dividido com aplatéia. E as atuais companhias
húo) coberta cam um pano brance, eon- Críticos afirmam que a Iorma como Brook encara
veníentementc dispo;to o ap~rtac1~,?ll1 subvencionadas nunca têm tempo suficiente para explo-
oespetáculo teatral- "não como algo com uma lingua-
Antes elo Capiüio terminar, oBoi torun do pesCO

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O, deixa ver d?IS ~?helOS rar edesenvolver uma montagem em prcfuadidade, acei-
correspondentes aos OU10S; simhn izandn tar' riscos, incorrer em eITOS eousar descobrir. gem especíííca, mas como um enh'etenimento total (mú'
levanta-se e começa a dançar sob assim (J próprio núto do cmpara, ~onsoante síea, texto, dança, fala, etc.) - deu ao teatro uma con-
Trabalhando em colaboração com um gmpo grau-
risadas gerais. com ; nossas lendas populares: Um me- tribuição enorme. Destacam ainda II participação dE
donho c-.lboqtúnllO no queixo, montac1? de, de diversas nacionalidades, Brook afirma que não
Irene Worth - qne esteve no elenco de Orghast - come
CAPITÃo (rindo) - Na voz de to- num porec-espinbo", Encontra-se ~ Cm- pretende que haja troca de knolV-holV, mas apenas uma
uma maneira de romper o arcaico star-system.
pcrínha cm muitos bumba-meu-bOI com
mar remédio, ele já ficou bom! Eita. indumentária trcra de eperíêndas humanas: maneiras de sentir, ex-
difercnte: caheleim longa, pressar ou falar. E nada. é mais significativo da presença de Brool
bicho manhoso de uma figa! saia-linmca curta, cabeçiio decotado, dan- no teatro internacional do que o trahalho - síntese E
MATEUS - Vai ser fin~do assim çando rapklamcate sem cantar, a~ som do AComunidade de Criação maturo - de uma encenadora francesa, Ariane Mnouch
no infemo! coro: Esta Caiporinha/ dança ml11to bem/
CAPITÃO - Faz vênia para o pes- só qner que Ihc chamem/ maricas meu Abase do trabalho de Brook na Pérsia foi adesco- kíne, que, de posse de um texto histórico (1789), des
soal, boi safado! (Ri)
hem! berta das raízes da linguagem. Suas perguntas no iní- montou-o econsegtuu que também falasse opáblico.
cio dos ensaios eram:
(Luis da Càmilfa C;cmlo - Dicionário I - Qual a relação entre o teatro verbal e o não-
O Boi faz 11m cumprimento em do Folclore Brasileiro, 2.a ed. INL-MEC-I
caela elrreção. . 1962).
DOS JORNAIS -verbal? Que acontece quando ogesto eosom se írans- (Do Jornol do Brasil, 22/1112)
TEATRO-JORNAL (*) im~gens, cert~s idéias. Qualquer letra de música pode i velados em fotografias: favelas ao lado de palacctes, etc,
va~Ji\r de sentídc, dependendo do ritmo com que é ean- ! etc.
tada Uma letra que fale de solidão abandono triste-
Por isso, nesta primeira edição, os meios são bem za, etc. cm bossa nova é nostalgia, el~ tango é lamento 7: ~Iistórico. Uma noticia é sempre melhor compreen-
Aforma de teatro-jornal tem várins objetivos. Pri-
simples cpor isso oespetáculo pretende ser apenas de- ;le cO,n~udo. Ler,com ritn:o é interpretar, emprestando dll~:l se o :sr~ta.dor ti~e~ i~;fonnações históricas adieio-
meiro, procura desmistificar a pretensa "objetividade"
monstrativo. Esta a sua estética: o fino acabamento a notrcm o ~onteudo do ntmo escolhido, Siunifica ver nas, Na Primeira Ediçao conta-se o crime cometido
do jornalismo: demonstra que uma notícia publicada em
pertence a outra estética. os .f~tos com a perspectiva do ritmo. No c~so da tu contra um camponês que solicitou do patrão o paga-
um jornal é uma obra de ficção. Aímpcríâneia de uma ediçao, elegeu-se o discurso de um deputado em favor J,nento dos meses em atraso e que foi amarrado a uma
Oterceiro ohjetivo consiste em demonstrar que o
notícia e o seu próprio caráter depcndem de sua rela- da censura prévia de livros, revistas e jomais. Odis- arvere ?morto a golpes ~e faca enquanto osenhor das
ção com o resto do jornal. Se na mmehete surge a teatro pode ser praticado por quem não é artista, da
......... curso ébastante medieval em seu conteúdo. Nada me- I terras lia palavras cruzadas. Um fotógrafo amador fo-
tragédia da jovem que foi miraculosamente salva depois mesma maneira que ofutebol pode ser praticado mesmo
por quem não éatleta. Para se jogar nnma seleção, sim,
I
~or. ~o que o. canto gregoriano para evidenciar esse togr~ou ocrime esó assim as autoridades tomaram co-
de atear fogo às vestes, desenganada no 'seu amor -
necessário ser atleta, mas pode-se também jogar na
slgmficado subjaceete, I nhecnnento do fato, apesar de denúncias feitas antes
esta tragédia de primeira página reduz à simples con- é

várzea ou no quintal de casa. Oprazer de uma boa pe-
_. ,. r • I pela muller da vítima. Utilizando-se o ''histórico'', o
dição de falts diliers os sangrcntos choques entre os 4. Açao Palalela. AnotrCIa e lida por um ator ou' . teatro-jomal procura mostrar que asituação do homem
guClrilheiros palestinos e os mercenários do rei Hussein. lada não depende da execução refinada de uma joga- nu~n gravador,. enquanto que em cena se desenrolam do ~ampo pouco mudou sob odomínio portu lês helan-
Pergunta-se qual é mais importante: a conquista do tri- da. Oprazer de se fazer teatro numa sala de aula, no
restaurante de um sindicato, não depende da perfei-
açoes qI~e ~1'Pl~cllin ~ ~o!ícia ou,que a criticam. dês, durante a escravidão ou depois da l\e~blica. '
-campeonato ou a seca do nordeste? O Cidadão Kane, Na PnmCIra Edlçao as notícias lidas no btravador
de Welles, járespondeu: "Nenhuma notícia é bastante ção artesanal do BerHner Ensemble. Todo mundo pode referem-se à uti1iz~çã~ de lliJimai.s pelos Estados Unidos " 8. Entreoist~ de Campo. ~n?gamente, quando odm-
importante para valer uma manchete; ponha-se qualquer fazer teatro como pode participar de uma assemhléia e na Guerra. do .Vlema (percevejos radiativos, castores matur~o quena ~evelar o íntimo do seu personagem,
notícia sem importância na manchete e ela se transfor- defender seus pontos de vista sem que para isso seja para destruir diques, peixes elétricos para eletrocutarem ! escre\~~ um monologo e opersonagem começava a Ia-
mará em notícia importante!" Assim se manipula a necessm'io fazer um curso de oratória. E, paralelamen- e~barcaç~e~ inimigas e outras idéias aparentemente de i lar .sozUJho; a ~e:guntar se era rnelhor ser ou não ser.
opinião pública - oprocesso é simples, indolor. te, tudo é passível ele UJJl tratamento teatral: notícias I
sCl~nce flcttOn, ma~ q~e são, na realidade, estudadas HOJe em dia fOI mventa.da a,te~evisão, e quando a gen-
Oteatro-jomal é a realidade do jornalismo porque
ele jornal, lliscursos, jingles, livros didáticos, a Ilíblia, sen~I~JCnte pelos cientistas de Salt Lake City, USA), I te quer saber ~ que Vi\! no íntimo do personagem, faz-
apresenta a notícia diretamente ao espectador sem o
filmes decumentários, etc. nclícias sohre Herman Kahn, ofuturólogo que foi inca- I -s~ uma entrevista de canlpo, utilizando-se todas as téc-
condicionamento da diagramação. Algumas de suas téc- I
paz ?e prever o que aconteceria nos últimos 3 anos no mcas. espetaculares dos costumeiros enh'evistadores. A
nicas, como a dOllllprooiso, são a realidade mesma: AS NOVE PlUMEIRAS TÉCNICAS Brasil, mas que ao mesmo tempo julga-se capaz de pre- I sol:mdade. ~e certos manifestos, certos discursos, são
aqui não se trata de representar uma cena, mas de vivê- i
ver o que acontecerá., nos próximos 30, oterremeto do assUJJ,relatiVlza~os pela su~ transclição n~mJa linguagem
-la cada vez. Ecada vez é única em si mesma - como AP edição do Teatro-Jol1Jal do Teatro de Arena Peru, os gols de Pele, etc. Em cena, os atares repro- i também conheCIda, esportiva. Ocomecínento da ver-
é{mico cada segundo, cada fato, cada emoção. Neste pesquisou nose técnicas (lue constam do seu primeiro duzem as ações cotidianas que melhor demonstrem oto- I dade do pronunciamento torna-se mais fácil se ele for
caso, jomal éficção, teatro-jomal érealidade. Em outras cspetáculo. São elas: tal.alheiamente da maioria silenciosa diante dos fatos d~stacado d? ~eu conterto solene e desprovido dos eha-
técnicas, porém, teatro-jomal é teatro, ficção: nas téc- 1. Leitllm Simples. Esta nem ao menos se constitui mm .acab;~Jhantes: filas de jogadores em busca da voes demagoglCos.
numa técnica propriamente dita. Os ateres lêcm notí- soluç'JO magIca da loteria esportiva, um ensaio de esco- 9 C -
nicas de ação paralela, ritmo, etc.
cias destacadas do corpo do jornal. Anotícia, fora do
...... lade samba, o dia de um "cidadão normal", a com ra ., oncreçao da Ab.stração. TOI~ar concreta uma no-
Osegundo ohjetivo é tornar oteatro mais popular.
seu contexto jomalístico, adquire outro valor que lhe de um carro último tipo, etc. etc. p. tiCl~. A,TV nos habituou a conviver com o que há de
Em geral, quando se pretende popularizar oteatro, pre- , I mais temvel no mundo: guelTa, mortes violentas, chaei-
é dado pela relação ator-espectador, cm cada espetáculo
tende-se impor ao povo um produto acabado, feito sem 5. Reforço. Nesta tecnica, a notícia serve de roteiro I nas, terremotos, estupros, todos os tipos de crimes. Os
a sua participação, e às vezes sem os seus pontos de determinado, preenc~d~ com todo o tipo de material já eonlJecido I noticiários são quase sempre na hora do almoço ou na
vista. No Brasil, por exemplo, pretende-se às vezes 2. Iinprooisação. Os ateres informam-se da noticia e pelo puhli~o, ou previsto: jn~les comerciais, s~ides, pro- I l;ora do j~Jt~. Ver sangue na TV, enquanto se come,
popularizar peças reaeionárias de Pírandelo, de Ilous- improvisam lima cena, como em exercício de laboratório, paganda, filmes doeumentáríos, frases de anúncios Ia- e quase tao importante como osal da própria comida.
sin e, neste sentido, oteatro se torna tão popular como A nctíeia serve apenas como I'ago roteiro - espécie mosos, etc. Na quarta-feira, junto com afeijoada, a gente tem que
a fome e a morte antes dos trinta. Oteatro-jornal, ao de canooa<:ci da commedia delrarte. Ou pode-se improvi- ver um helo bombardeio na Indochina; eomolho àbo-
contrário, pretende popularizar alguns meios de se fazer sar oque terá acontecido após o fato nanado pela no- B. Leitura Cl'llzada. Aqui, o elenco cruza duas ou lonhesa da macarronada das quintas é osangue de um
teatro - a fim de que o próprio povo deles se possa ticia. Ou pode-se improvisar os motivos e as cenas que mais noticias. Aseleçio brasileira de futehol foi con- estu~ante ou negro baleado nos Estados Unidos. Nós
utilizar para produzir oseu próprio teatro. Mal compa- teriam levado aos fatos narrados pela notícia. ... .1.
siderada a de melhor preparo fl'SI'CO IJO. u'. ltimo campeo-, . ' s comendo Ir'anqUI'1 os. Ainformação já não
contíauamo
rando, se temos rotativas não pretendemos fabricar o n~to mun?ial, .a mais saudáv~l. No Pla.:u, segundo noti- mforma. Ouvimos a noticia e registramos, e continua-
nosso jomal e popularizá-lo: pretendemos ceder nossas S. Leitura com. Ritmo. Todo ritmo, em si mesmo, tem Clas dos lomaJs, t~a a eqUIpe campea do Fluminense mos tão insensíveis como um computador eletrônico. A
rotativas.
um conteúdo próprio, despetia certas emoções, cetias local sofre de vemnnose. Os contrastes podem ser re- I mOlie é ahstrata. Por isso é necessário tomar eoncretas
certas pa1n\(rns. Podemos ouvir, como na. "Primeira
CELEBRAÇÃO DE PAZ
Edição", a notícia da morte de um operário que, sendo
obrigado a entrar num fomo sem o temvo de resfria- Criada (c vh~da) coJetivamente, a Missa Leiga cus-
Oobjetivo desta montagem foi ode colocar as pes-
mento necessário, teve o seu sangue COZIdo dentro do tou muito atodos que dela pmiicipam. Da direção e dos
soas frente a. uma opção entre oque são, por dentro, e
corpo - eessa notícia pode nos deixar indiferentes, sem atores, 12 horas de ensaios por dia e um intenso traba-
oque aparentam, por fora. Mais do que representar, o
ver realmente ofato. Neste caso particular, após cenas lho de laboratório. Da produtora Huth Escobar, uma
que esse elence faz é discutir cem opúblico a condição
de improviso, cenas de '1Jistórico" e outras técnicas, li luta de muitos meses para liberar otexto c a, encenação.
de todes nós e de cada um, particularmente, Importan-
elenco concretiza a morte do camponês através da mor-
te foi criar uma linguagem comum entre a transmissãe Por incompreensâo de certas úrens, a Missa Leiga
te, em cena, de pequenos animais queimados,. de ho-
do texto e a recepção ao espetáculo. E isso na maior que primitivamente seria montada na Igreja da Conso-
neeas cujo fogo reproduzia ocheiro do f01110 lJllsturado
liberdade de concepção, sem o.menor ditatorialismo de lação - foi impedida de ser levada naquele local. Mos-
com carne queimada. . fórmulas ou de técnica. Algo difícil de explicar: seria
São estas as nove técnicas que foram pesquisadas trada às autoridades eclesiásticas, estas não só permi-
como arevelação de verdades intimas para acréscimo li tiram sua encenação na igreja, como elogiaram seu sen-
pelo Teatro-Jornal do Teatro de Arena. Outras estão
proposta comum de aluar no palco.
sendo pesquisadas pelos já inúmeros gl1lpOS d~ teatro- tido cristão. Mas a produtora Huth Escobar começou
-jomal que se formaram e eontiuuam se formando. O Assim Ademar Guerra, diretor de Missa Leiga - areceber telefonemas ameaçaderes - algnns prometiam
importante não são as técnicas em si mesmas, mas sim texto de Chico de Assis encenado em uma velha fábri- jogar bombas na igreja - e decidiu, por isso, transfe-
dar a todos apossibilidade de disporem do teatro como ca do bairro do Paraiso - define seu espetáculo, que, rir a ML para a fáblica abandonada.
um meio válido de comunicação. Pela primeira vez o entre o ofício religioso e a representação teatral, esco-
Nada foi ou é improvisado. Nem mesmo a reação
Teatro de Arena nâo tenta apcnas popularizar um pro- lheu o tom da comunicacão direta. São 30 ateres em
que a montagem encontrou, quer dos que a aplaudem
duto acabado, mas sim dar a todos os meios de fazer cena, mantendo os pont~s básicos do ofício católico,
sem reservas, quer daqueles que, sem ler o texto ou
teatro: e o teatro fcito pelo povo, independentemente mas acrescentando a ele recursos eminentemente tea-
ver o espetáculo, partiram para a condenação sumária.
de suas habilidades artl~ticas, será, desnecessário é(lizer, trais. Ademar Cuerra reconhece que a encenação da
Tudo tem razão de ser, nada é obra do acaso; No epi-
"popnl"ar . . I ' I I
Missa Leiga. deve muito às teorias de Brecht, naquilo sódio de Abraão, para exemplificar, usei uma gama bem
Aidéia do teatro-Jornal e antiga. Porem, so quan- que sua técnica tem de mais humanízaníe,
mais exacerbada de emoções, porque ninguém pode crer
do ogl1lpO integrallo por Celso Fratesehi, D.ulee Nluniz, - Todos devemos muito aBrecht, ainda que agora que um pai sacrfíque um filho seu, assim sem mais
Hélio Muniz, Elísio Brandão, Denise Fallotieo e Edson aintenção seja, por princípio, cristã. Até.mesmo Brecht, nem menos, mesmo por ordem de Jeová.
Santana aceitam levar avante a pesquisa, só então o com suas proposições radicais, sabia que todo homem
teatro-jornal se tornou \~áveL Exposta a. idéia desse Amissa de Chico de Assis e Ademar Cuena, sem
quando se dhige a si mesmo está se dirigindo a Deus. enredo nem estrelas - os ateres dividem igualmente a
tipo de teatro, a equipe pesquisou durante três meses,
tendo realizado cinco edições, em criação coletiva. A Na espécie de garagem onde a Missa Leiga é cele- responsabilidade do espetáculo - vai adquirindo osen-
direção desse espetáculo, constihlill um trabalho espe- hraclatodas as noites, opalco improvisado, do tamanho tido de celebração religiosa, de festa, sacrilieio e'per-
cial e diferente: coordenar, estruturar, selecionar e esti- ..... de um grande estrado, torna ainda mais díreto ocanta- dão, à proporção que chega ao seu final. Momento em
mular, partindo de um trabalho de equipe. Também ta dos ateres com os assistentes que se fundem na que elenco c platéia, unidos, vivem um clima de eníen-
Marcos vVeinstock integrou-se no gmpo cuidando da hora da ccleta, Neste momento, rápidos depoimentos do dimento geral, onde todos de mãos abertas e estendidas
parte visual e Mário Masetti contribuindo com suges- público, são gravados em minicassetes para conhecimen- fazem um apelo silencioso de paz.
tões e com o artesauato da parte sonora. to imediato de todos.
Há toda uma enrolvêaeia de misticismo nessa ópe-
ra dos pobres, encenada num local de extrema miséria.
Afuligem que cobre as paredes da fábrica/teatro lem-
bra um quadro abstrato na cena da crucificação dos dois
Cristos: oda dúvida ("é cômodo dizer que não creio")
e o da crença. ("ê fácil berrar eu não acredito"). Os
vidros quebrados, o ar de catacumba, o jeito humilde
de que tudo está impregnado remetem o espectador li
abnosfera idealista do cristianismo primitivo. (Jornal 110 Brasil, 16/3172)
(') V. CT n. 51: OTeatro Político, de L. Raczac.
CRONOLOGIA D'O TABLADO MOVIMENTO TEATRAL TEATRO COPACABANA Zartan, o Rei das Selvas, de Ilce- TEATRO OPINIÃO
mar Nunes, peça premiada no IV
Querido Agora. Não, em final de Festival de Teatro Infantil da GB. A Gata. Borralheira, pelo Crupo
(HetificaçflO) Janeiro a março ele 1972 carreira. CalTonsel.
TEATRO IPANEMA
TEATRO DE ARENA oDia em que Raptaram o Papa, AValsa Mágica, de Sérgio Beber-
1958 de João Betheneourt Direção do Hoje éDia. de Rock, romance-par- to. Direção de Iíoberto de Brito,
A Galinha. Delelive, de Lucío antor, cenário de Arlindo Hodrigues. tilura de José Vicente. Direção de
Gentil, pelo Grupo Cacilda Becker, No elenco: Eva, André Villon, Afon- Hubens Correia.
À LUZ DE UMA depois de uma excursão no sul do so Stuart, Martim Francisco, Jome- TEATRO PRINCESA ISABEL
FOGUEIRA (O) (leitura) país, apresenta-se no Largo da Ca- riPozoli, Leda Zepelin e João Mar- TEATRO MESBLA
rioca. Direção de Claudionor Car- cos Fuentes. Castl'O Alves Pede Passagem, de
comédia em 3 ates valhal. No elenco: Isaura Sabino e Vida Escraclwda, de Bráulio Pe- . Gianfrancesco Cuamieri, inaugman-
de Christopher Fq Leni Alencar. TEATRO DULCINA droso, com mais de 500 representa- do a temporada carioca de 1972,
Tradução de Lama Margmida de ções, já em final de carreira. após sua carreira em São Paulo, A
TEATRO DAS ARTES Toda Fem Tem. lIln Pai..., co- peça éuma biografia poética de Cas-
Queiroz Costa tro Alves transínrmada em progra-
média de Emanuel Rodrigues e Cos-
Direção de Ian Michalski o Segredo do Velho Mudo, de tinha, já em seu 2.0 ano de carreira.
TEATRO MAISON DE ma de auditório de TV. Direção do
Richard - Leizor Bronz Nelson Xavier. No elenco: Marieta FRANCE autor, com Zanoni Ferrite, Maria
Severo, Camila Amado, Cecil Thiré Últimos dias.
Thomas Mendíp - Carlos Augusto Overbeck, Jorge Chaia, Regina Via-
e Aderbal Junior. Lançamento a E Deus Criou (I.Varo(l, espetáculo na e Lenir Pereira.
Nem TEATRO GINÁSTICO
preço popular (5,00). de música e declamação, patrocina-
Alizon Eliot - Elisabeth Galotti
do pela Livraria Hachelle do Brasil.
Nicholas Devize - Joel Lopes de TEATRO DE BOLSO últimos Dias de Amor e Paz, mu- Direção de Hoberto de Cleto, com TEATRO SANTA ROSA
Carvalho sical norte-americano, produzido e
Maria Pompeu, Oscar Felipe, Helder
Margaret Devize - Inez Almeida oJogo da Verdade, comédia po- diri~do por Vítor Berbara, com Su-
Parente e Fernando Lébeis Cordel, uma produção de Luis
Humphrey Devize - Aristeu Berger licial de Amimar llocha, zana Morais e Gracindo Junior nos
principais papéis. Letras e arran- Carlos Taborda, díreção de Orlando
Ilebbke Tyson - Fernando José Os Desquitados, de Amimar llo- jos de Egberto Gismonti. Partici- TEATRO MIGUEL LEMOS Sena.
Jennet Jourdemayne - Bárbara He- cha, muna remontagem da realiza- pação especial de D. Salvador e do
Iiodora ção de 1970. Direção de AH, com Grupo Abolição. oRebu é Delas, em seu qUaJio Faça Alguma Coisa pelo Coelho:
OCapelão - Nildo Parente Amandio, Eva Crístian, Hegina Cé- mês de apresentação. Bicho, em seus últimos dias, "com
lia, Fernando José eAmimar Hocha. sorteio de presentes". Allltllcia-se a
Rapercoom - Cenmno Filho TEATRO GLAUCIO :GIL o Jardineiro (lo Rei, infantil de estréia de Fernanda Montenegro E
Slápps - Ezequias Marques Jr. A BTIlxinll(/que Era Boa, de autoria e clireção de Jair Pinheiro. seu grupo nesse teatro com Computa.
Assistente de direção - [uarezíta MCM, apresentada pelas P.rofesso-
Casa de Bonecas, em temporada Computador, Computa, uma coletâ·
Alves ras Associadas, "por um teatro in- pepulsr. Ninguém Segura esse Rato, do nea de testes de Millor Fernandes E
fantil melhor", mesmo autor. direção de Carlos Kroeber.
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Na Corte (lo Reí Boião, de Luis Assis, em adaptação de J. C. Caval-
Maranhão FílllO, apresentada por L, canti Borges. Com Osmar Prado, TEATRO NACIONAL DE TEATRO SENAC
L, Produções, como "a melhor peça Isabel Silva, Paulo Padilha, Diana COMÉDIA
(') A lllz de timo Fogllmm (Tlw Moreli, Fabíola Facarolí, Marcos Se en me Chamasse Raimundo, d{
Lady's not for bllrnin~ inaugurou, no O infantil dos últimos tempos". No Mini Prafrentex, "farsa satrica" de Fernando Melo, na direção de Jos(
Weinberg e outros. Cenários de
TABLADO o seu Clube de Teatro, cuja elenco: Edy, Jane Celeste, Antonio .....i ..

finalidade ~ra estudar textos importantes Eichbauer, figurinos de Kalma Mur- Maria Helena Kuehner, com Nélia Carlos Gondim, com cenografia efi·
Mesquita, Maria Lf~a, Robertson e
da dramaturgia universal, apresentando-os tinho. Direção e interpretação de Paula, Mauro Gonçalves, Eni Ribei- gminos de Comar Diniz, substihliri
Caio Veras. ro e ouhos. Produção da Erpa. a peça O Morro do 0111'0, musi
em forma de leitura. Ziembinski.
Na Senana Santa, oCrupe Bana, PREMIO IBEU
cal de Eduardo Campos, com mú-
sicas de Belchior e Jorge Melo, queapresentou sob a direção de Orlan-
Textos àdisposição dos leitores na
do Sena, a Via Crucis em várias OInstituto Brasil-Estados Unidos
teve rápida carreira nesse teatro, sob
igrejas da GE. Oroteiro foi elabo- ahibuiu oseu premio ao melhor tex-
Secretaria cl'O TABLADO
adireção de Haroldo Serra. No elen-
rado pelo grupo integrado por Nel- jo de autor americano encenado em
co desta última: Mirimn Pérsia, Mil-
ton Morais, B. de Paiva e ouíros, son Mariani, BcalTiz Lira, Maria 1971: Os Rapazes da Blinda pOr1ma-
Conceição Scna e Orlando Sena. nimidade, com medalhas comemora- Antor anônimo OPastelão e a Torta 23
tivas atríbnidas a Milor Fernandes, Duas Farsas Tabarfnicas 25
TEATHO SEHHADOn. Maurice Vaneau, Giro del Nero, Ilaul OJogo de Adão 37
BONECOS Cortez Paulo Pereio, Césio Amadco,
Albee Edward AHistória do Zoológico 40
Um Edifício C]wmado 200, de Benedito Corsi, Otávio Augusto, De- Piquenique no Front 36
Arrabal Fernando
No Teatro Jaime Costa (Barão do nis Carvalho, Hoberto Maia, Paulo
Paulo Pontes, direção de José lle- Cuemiea 50
nato, despedindo-se do público. Bom Retiro, 9 o
11), Teatrinho de Ma- Admo e John Herbert.
Azevedo Arhlr Uma Consulta .. .. .. .. .. ... .. . 25
rionetes Monteiro Lobato apresentou
Barr & Stevens OMoço Bom e Obediente (nô) 28
Passeando pelo Brasil, bonecos em
temas do folclore brasileiro. Brecht Berthold Aquele que diz Sim 41
TEATHO TERESA HAQUEL Cervantes ACova de Salamanca. .......................... 38
Chaacerel Leon OJogo de S. Nicolau 26
Gracias Sefior, uma criação ccleti- IV FESTIVAL DE TEATRO Antlgona (adaptação) .. ... 31
va do Cmpo Olicina, elaborada a Checov Anton O Urso 29
partir de pesquisas e experiências INFANTIL DA CE (1971) OPedido de Casamento 38
durante viagem pelo interior do Bra- OJubileu 46
sil. Díreçâo de José Celso Marti- Ilealizcn-se em fins de 1971 oIV
Drummcnd de Andrade OCaso do Vestido 39
nez, com José Celso, Ilena to Borghi, Festival Infantil, obtendo o 1.0 lu-
Os Cegos 24
Ester Góis, Hildeganl Angel, Maria gar AIlha Mágica do Contador de Ghelderode Miehel
IIist6rÍils, uma adaptação de José Labiche Eugene A Gramática ...... ............ ........... 117
Hita e grande elenco.
Antonio Domingues, diri~da por Macedo J. Manuel ONovo Otelo.................................. 43
Gracias Se/ior élalvez, denlro da Paulo Alcántara. Zartan, o Rei das Machado MC OBoi e oBurro 32
história do lealro brasileil'O, a pri- Selvas obteve a 2.a colocação e, em As Interferências ..................... 36
meira tomada de posição m[ coloca- 3.a. colocação: Macaco Simão, de Os Embrulhos '........ 47
ção de papéis novos tanto para ata- Francisco Falcão e Aventuras de um Machado de Assis Antes da Missa ;.-;. .. . 38
res quanlo para público. Equivoca- Diabo Malandro, de Maria Helena Martins Pena ' As Desgraças de Uma Criança 45
do em l1111itOS momentos, crmfuso Kuelmer. Outros prêmios foram da- MACHADO DE ASSIS EM Motornasa Juro Stmúdagawa (!lô) 42
quase sempre, Gracias representa o dos a: Elsa de Andrade, Luca de LONDRES Onna Surinuri ADama Mascarada (farsa) 42
começo de um cantata. Novo? Cer- Castro, com menções honrosas para Pereira da Silva OVaso Suspirado............................. 31
tamente. É como se todos que dele Claudio Valério Teixeira, Sandra No- Os alunes do Curso de Português Pessoa Fernando OMarinheiro 50
participam fossem recém·chegados ronllll e Cláudio Barreto. OFesti- da Casa do Brasil em Londres (Lan-
Qorpo-Santo Eu Sou aVida....... .......................... 45
de um passado teatral, agora final-' val éorganizado epatrocinado pela caster Gate Reading Players) apre-
mente prontos aabandonarem seus Divisão de Teatro da CE. sentaram em fevereiro apeça de Ma- Sófocles Antfgona 31
personagens e assumirem as verda- chado de Assis - Não Consultes Suassuna Ariano Torturas de Um Coração .. ...................... 44
deiras posiçôtlS. Mergl~hall(lo lW Médico. Coordenadora - Maria Li- Synge JM Viajantes para o Mar 48
ulliverso referencial da c/asse média, ,sia Lourenço da Silva, ensaiadora - ASombra do Desfiladeiro ....................... 51
Graoias não se contenta em fazer Ada Chaselíov, Elenco: M. L. Jo· Tagore O Carteiro do Hei 33
uma. cáustica análise de seus limites nes (Magalhães), Martyn J. Golds- Tardieu Jean Conversação Sinfonieta 48
ede sua inserção no processo social mith (Cavalcanti), Ada Chaseliov Vicente Gil Os Mistérios da Virgem (Mofina Mendes) 20
mil curso. Solicita adescoberta. (Ian (Adelaide), M. Lísía Iourenço Todo Mundo e Ninguém 31
Michalski). (Leocádia) eJenny Pany (Carlota). Yeals OÚnico Ciúme de Emer 43
(~
<I

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AntígOl1lr, tle Sófocles 4,00
Assim na Terra como 110 Céu., de F. Hochwaldcr 6,00
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