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cadernos de teatro
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TEATRO PARA CRIANÇAS 7"" Signorelli
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TEATRO AMADOR - Maria Clqra Machado.
TEÀTRO ESCOLAR - Roberto dcCleto
FARSA DO MANCEBO... - Alejondro C050no
MOVIMtNTO' TEATRAL
DOS JORNAIS
TEATRO PARA CRIANÇAS

MAmA SIGNOllELLI

Costuma accntecer que jovens já quase adultos erperiêreia infeliz, ler um lÍ\~'o medíocre ou expe-
assistam pela primeira vez a um espetáculo teatral, e rimentar uma emoção desagradável não tem muita
a falta de experiência prejudique a sua compreen- importância. Ograve sei·á que durante um longo perío-
são; e pode acontecer também que esse acontecimento do chovam sobre ela trabalhos medíocres, livros de
único determine suas preferências por um ou outro gê- mau gosto, sihlações emotivas deprimentes, sem inter-
nero de teatro, ópera, dança ou drama sem terem uma rupção e.sem a possibilidade de experimentar não só
verdadeira compreensão ou inteligência crítica. Seme- o bem como omal, o verdadeiro ou trivial. Depois de
lhante defeito se deve, em grande parte, àfalta de edu- muitas experiências, observam-se os efeitos perduráveis
cação quanto à linguagem teatral, linguagem à qual na conduta dos jovens. No desenvolvimento da cI~ança,
se chega, como qualquer outra, só depois de iniciado um ano representa uma época inteira e corresponde a
e gradualmente educado. muitos anos da vida do adulto e aquilo que para este
Assim, os' espetáculos para crianças devem apoiar- pode apresentar-se com .clareza e precisão, para um
-se na observação escrupulosa elos efeitos que produzem caráter em desenvolvimento. se apresentará como um
CADERNOS DE TEATRO N.53 eno estudo real da vida espiritual dos espectadores aos problema insolúvel, como uma dificuldade insupci'ável.
quais se dirigem. Justamente por isso uma obra para crianças deve aluar
abril-maio-junho-1972 como guia e conter necessarianmle uma idéia moral,
Oautor tem, portanto, uma grande responsabilida-
de, pois o teatro para crianças não pode se constituir como sucede em toda obra de arte, sem que isso sig-
no sustento abusivo daqueles que pretendem despejar nifique que se realize somente nesse sentido. Ae:'1)e-
Publicação d'O TABLADO patrocinada pelo seus diálogos de qualquer maneira; ao contrário, justa- riência teatral é complexa e seu êxito múltiplo. Um
Serviço Nacional de Teatro (MEC) mente para as crianças se deve escrever com omáximo gesto vulgar pode comprometer o valor das máximas
cuidado, levando em conta, além disso, as diferentes morais mais verdadeiras.
Redação ePesquisa d'O TABLADO idades para as quais se escreve. Ocorre, em contrapartida, que oteatro juvenil com
Os autores, ateres e díretores que já trabalharam Ireqiiência acenlua e insiste apenas nas lições de mo-
Diretor-responsável - JOÃo SÉRGIO N~AIlINHO NUNES para crianças sabem quão difícil é comunicar-se com ral e, assim, atiuge-se um resultado negativo - o do
Diretor-executivo - MAmA CLARA MACHADO elas e fazê-Ias participar das alternativas cênicas. Sa- moralismo individulalizado, por exemplo, por Ucinski:
bem que um agudo espírito de observação as anima, "Se queres converter um rapaz num bandido", diz, "far-
Diretor-tesoureiro - EDDY fu:zENnE NUNES ta-o com toda espécie de regras morais. Com o tempo
bem como uma impetuosa sensibilidade, não tolerando,
Redator-clJefe - VIRGINIA VALLI portanto, nada inautêntico, reagindo diante daquilo que estas não terão mais nenhum efeito sobre ele".
um público adulto toleraria. O pequeno espectador Portanto, na educação teatral das crianças, é fun-
Redação: OTABLADO presta atenção às minúcias, observa os pormeneres, exi- damental o prohlema do repertório.
Av. Lineu de Paula Machado, 795 - ZC 20 ge uma seqüência nas situações e repele abertamente Se. por meio do teatro as crianças aprendem a com-
Rio de Janeiro - Guanabara - Brasil os despropósitos e as historinhas dramatizadas com evi- preender e sentir mais profundamente, isso se refletirá
dente caráter pedagógico.
em todas as suas manifestações de vida e em sua per-
Os te),10s publicados nos CADERNOS DE TEATRO Segundo o dr. John Anderson, díreter do Institute sonalidade. É necessário eacsnírar um repedério capaz
só poderão ser representados mediante autorização of Chi/r! Welfare da Universidade de Minnesota, ofato de divertir e de fazer pensar aos espectadores mais ou
da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (S~AT),
,.f de uma criança ver às vezes uma obra má, ter uma menos pequenos; repeItório mais de acordo com os cos-
tumes e o nível da sociedade em que crescem, uma
sociedade que possui rádio, cinema, televis~o, instru-
cinema e, em geral, todas as formas de arte. E qual
é a razão pela qual oteatro pode ~er. um re.curso. edu-
1 va disso está na riqueza de idéias e de motivos huma-
nos e educativos que 50 enccntran, por exemplo, nas
Assim, a força educativa do teatro aumenta, visto que
a criança, identificada com o exemplo do herói, sente
mentos desconhecidos no começo deste scculo. Por I cativo tão poderoso? Porque consll~ll o ma~s eVld~nte memórias de autores como Goethe, Goldoni, Ander-
c claro reflexo da vida. Oíeatro e 11m meo precIOso que pode resolver os problemas e vencer onde ouhns
outro lado, é preciso acentuar que nenhum eSl~taculo sen e muiíos outros, quando se referem à sua própria fracassaram.
é mais apropriado que o teatra~ - ~e h;m reahzado - que ajuda a amplia~ a eperiênda da ,~da infantil, in- infância. A educação teatral se identificará, desse
para dar à criança uma fonnaçao mo se cullllr~l como duzindo-o a experimentar todas as emoçoes q::e s;u'gem Valor, iniciativa em condições difíceis, fidelidade
modo, com o teatro educativo, como aquele que, di-
social. No teatro não acontece omesmo que dJUnte da de sua identificação com a vida.e a expenenclfi ,dos no amor são geralmeute as características que valori-
rigindo-se à cdança para orientá-la sobre conceitos
tela de televisão ou de cinema, da qual o espectador hcróis do espetáeulo, No desenvolvJmento deste, a cnan- zam o herói. Além disso, desejo notar que para
fundamentais da vida e dar-lhe consistência ética, leva
se acha isolado, sem que exista qualquer comunicação ça se encontra em condição de reviver, em duas ou as crianças o herói preferido é também, freqiieutc-
em conta as tendências particulares da alma infantil ou
entre ambos. Ao contrário, no teatro, existe uma co- tres horas, a vida de um personagem. mente, sábio. Quantas noções geográfic~s, geológicas,
juvenil, para torná-las benéficas. Bilinsk diz que os te-
munhão decisiva entre todos os espectadores e entre Mas para que isso ocorra verdadei.rmnente, ];~r~ arqueológicas e históricas são apreendidas e pesquisa-
mas qne interessam às crianças são os mesmos que
estes e opalco. Somente no teatro acontece que o atol' que a criança participe intimamente da VIda ~o berói, e interessam aos adultos, só que é necessário e:qlÔ-Ios e das por sua conta própria, despertnndo interesse de
e o espectador jamai~ estão sós ~veudo a represen- necessário que oespetáculo tenha um ;a.lor Ideal e ar- tratá-los de acordo com a mentalidade infantil; esse toda espécie, motivados por suas aventuras, noções que
taeão. O atol' age sentindo todo omfluxo que lhe vem tístico e saiba fazer o espectador participe ~as desco- conceito nos oferece a chave para compreender a depressa agem deseúvolvendo a vontade, a destreza e
d; platéia, asim como aplatéia se~1t~ oatol'. O en,~ct~­ bertas profundas e inesperadas da vida, atravês de um.a igualdade e a diferenca entre a arte adulta e a arte criando a possibilidade de exercitar suas próprias apti-
nímento teatral, portanto, constitui uma expenenclU liuguagem tnnvincente eprofunda. Cada trabalho - .dIZ i~fantil, Os temas são'iguais, só a exposição deve ser dões?
essencialmente social, sendo tanto mais autêntica quan- Sara Spencer (editora especializada em obras par~ cnan- diferente, e se se leva em conta que a criança até os Os trabalhos mais valiosos ~1io os que írazem im-
to mais interier é. ças nos Estados Unidos) - deve provocar um Impulso catorze anos tende a simplificar, e que a máxima aten- plícito um valor social, artístico e litertmo. De fato,
Naturalmente, seria preferível que as crianças e que leve a estimnlar a iniciativa infantil: ~Quando a ção e capacidade de adesão permitem identificar-se oteatro - entendido como obra teatral- deve ampliar
dolescentes para assistir aos espetáculos, pudessem criança está completamente absorta pelas açocs. que se complctamente com o objeto, ver-se-á que o critério o horizonte mental da criauça, reforçar-lhe o caráter
dh~dir-se e~1 mlpos ceníonne as diferentcs idades, já desenrolam cm cena, a orquestra de seus sentidos, _de que os autores devem seguir para acertar será a sim- e a vontade, fazê-lo mais observador e sagaz nas com-
que. unidos por" possibilidades comuns 1 -
ce compreensao seus nervos, ~lândulas. reflexos, músailcs erecordaçoes plicidade, o elementar, a síntese, oessencial, opudor... plexas manifestações da vida. Contudo não se deve es-
e interesse, tanto otexto que se lhes apresenta como o entra em ação." Essa erperiência faz nascer sonhos, .de- quecer que em obras para crianças, a alegria e o eti-
atol' que deva expô-lo poderiam ter com eles a mesn1~ Num teatro pma crianças, a figura do herói assume
sejas, necessidades e ações que podem ?rota~' conscien- mismo são fatores importantes; Charlotte Choperniug,
relação que tem 11m professor, oqual sabe em dstemi- te e inconscientemente uma hora mas tm de ou 110 a maior importância educativa. O herói preferido, que .,f'

falando da tensão dos pequenos espectadores, afirma
nada classe com quem deve trabalhar, sobre o que e se faz amar e admirar pelas crianças, é 11m dos seus
futuro. que as cenas de maior intensidade dramática deveriam
como falar. Somente num teatro adequado para ela, mais eficazes educadores. Está claro, então, que qual-
Ocoateúdo do trabalho tem, portanto, uma gran- ser interrompidas em certo ponto para intercalar cenas
poderá a criança ter uma verdadeira exp~riência .v~tal, quer que seja a maneira que o dramaturgo use para
de importância. Freqüentemente, na dran1atur:~ia para de pura poesia ou de comédia, afim de permitir um
capaz de agir dentro dela como uma reahdmle vlVlda. dar-lhe vida, ese herói deve ser sempre um homem relaxamento da tensão nos jovens espectadores,
a infância se tem procurado preservar a c:Jal1ça de de caráter, fiel a um ideal elevado de vida e de amor,
Não há dúvida que um t~ te~tro pode con;erteJ:- imagens negativas e seminegativas, S11bmergmdo-a na Seja oque for, é conhecido ovalor profundamente
se num meio eficaz de educaçao pósescolar e po~-um­ capaz de suportar todas as provas e de vencer todos
atnJ~sfera idfiica de uma beatitude gerai. Mas tal ~arefa os obstáculos. Admirando o herói ideal, a criança se cducativo do riso e, de modo geral, do cômico. Como
versitária dos jóveus; Atradição dos grandes escutores bem disse Rosmini, "a inteligência da criança se abre
diminui a agudeza das percepções '~tais. da cnança, projetan\ e se ideutificará a ponto de sofrer com ele,
e ateres dramáticos impõe considerar o teatro como com orísc", e que "seu primeiro ato consciente é abrir
encadeia sua tendência a tomar parte ntíva no espe- sentir com ele e viver sua exp~riência passo a passo.
escola e até como universidade da ,~da; essa identida- os lábios num sorriso" éigualmente verdadeiro - oque
de de -fins entre teatro e pedagogia só poderá concre- táculo pelo trnnlo das ~orç~ pos~tiv~s, e se nã~ ,~ria Desse modo pode-se ver a criança ora atenta, ora
mmgens negativas, tambem nao cna Imagens p.OSlti' as, afirma VolpiceJli: - "parece-nos também o contrário,
tizar-se em benefício dos jovens quando estes possam agitando-se na cadeira, ora roendo as unhas, gritando,
já que a priva da função mais importante da ,~da, que isto é, que o riso abre a inteligência da criança, dis-
obter daquele um sentimento de satisfação e :1l11 de- 011 olhando com espauto". Quando se dá esta identi-
sejo vivo de aplicar em snas vidas a carga e.motlva que é aluta. 80mo se pode ver obom quando se fecham ficação, o teatro alcançou seu objetivo. Omal é rece-
tende e abranda seu intelecto, torna-o por assim dizer
os olhos ao difícil? Somente quando começamos a des- plástico e aderente, treina-o naquela compreensão alu-
tenham recebido, Oteatro é um grande mao para for- bido pela criança com o coração e os olhos do herói
cobrir o excelso de um personagem que nos parecera siva, na intuição rápida, no raciocínio ambivalente que
mação do couceito da vida e do sentimento. . que ocombate, eo espeláeulo enobrece sua consciência vence, com sua transparência, a aspereza e a rigidez
. Aescola, não obstaute ter à sua disposição ta~tas insignificante ou quando percebemos omal oculto sob e seus sentimentos. Esta participação real da criança de um pensar demasiadamente didático e mecânico,
possibilidades ,n~o l~~e cumprir tod,as as suas ob~ga­ toda espécie de artifícios enganosos, é que a obra de no espetáculo impõe que os conflitos sejam nítidos e encaminha o pensamento à orquestração de um racio-
ções sem apreV1a umao com a fam~la ~m qual a.:Il~­ arte nos atinge e nos prende, que abranjam um amplo raio emotivo, delineando os cínio bem exato em seus motivos, posteriormente unifi-
ça se desenvolve e recebe suas pnmelras expel1~ncIas A aproximação do dramaturgo da vida escolar altos ebaixos de modo que ofinal se resolva numa dis- cado - com pleno conhecimento - num ritmo mais
da vida, e, além disso, se não sabe usar os meios de pode ajudá-lo a encontrar e a ver temas e problemas tensão.
amplo, firma a sensibilidade intelectual e a moral e,
influência que aluam com maior força sobre a cons-
ciência e oearáter da criança como olivro, o teatro, o
mais importantes que, ao mesmo tempo ql~e. beneficiam
as crianças, oferecem um interesse pedagoglco. Apro- r Freqiientemente, no destino do herói do espetácu-
lo, o ouvinte vê a continuação de seu próprio destino.
pela rapidez de suas observações e de seus enfoques,
fortalece o pleno colóquio de nossa ínlmsceccío. mlp.
Na idade intermédia que vai dos sete aos dez anos, uma coisa consigo mesma, diz Froebel, não pode levar-
ointercsse pelas fábulas é imenso e indica um amarlu- nos ao seu conhecimento portanto, nem sequer os fe-
é opróprio fundamento de todo oprogresso e domínio a mestrar interesse pelo que a cerca. Quanto mais fa- rccimento maior e a possibilidade de discernimento crí-
miliar lhes seja a linguagem, mais poderão.cntender nômenos ela vida interior, pensamentos, sensações c
de nós próprios." tico. Elas constituem o fio que une nossos filhos sentimentos, sua natureza, significado li ações, coníron-
Sc é verdade que no riso está incluído aquele e se interessar pelo assunto. Com menos de seis anos, : .\s crianças de todos os tempos, e respondem a suas
criança prefere a história e a dramatização de sua pro- lados entre si, poderão proporcionar-nos o saber. Para
princípio crítico que é tão próximo da aleglia q.ue necessidades como às das geraçõcs passadas. Segundo compreendê-los claramente é necessário conÍI'ontá-los
pria experiência. As marionetas e fantoches se pre~am o dr. Herbert Kupper, do Instituto de Psicanálise de
sentimos quando nos superamos e melhoramos - 1150 com alguma coisa estranha a eles, Este éomotivo pelo
bem a isso, e dentro de elemcntos de gosto c de 1:.105 Los An~eles, a criança não está preparada para enfren-
que intr~duz n? ~nundo pensan.te do I:OI~em - de.vemos qual as crianças escutam com tanto prazer estórias, fá-
atrihnir a cemíddade grande importância como instru- solncionam os ressentimentos da idade, edncam a iro- tar a realidade. Seu vocabulário é limitado. Não pode
nia c robustcccm a vida moral. bulas e lendas, e com tanto mais prazer quando sabem
mento de educação infantil. Naturalmente, se se quer arriscar-se a perder o amor dos pais expressando aber- [lue esses fatos aconteceram realmente alguma vez ou.
que a comicidade seja alimento de.l:ma educação m~­ Os espetáculos para criança~ muito pequenas de- tamente seus sentimentos; ela recorre então aos sub-
vem também poder objetivar as idéias. Os persona~ens, entraram no campo da ativic!ade espiritual com tal força
I:al e inteleetual mais humana e eíieeníe, se se deseja terfúgios e inventa histórias, Nessa invenção, toma em- qne para eles não tem limite. Aforça que está em em-
que seja um ~uxiliar verdadeiro e .1Im~ liberação das quando surgem, deverão dizer seus. nomes; os O~j~~OS prestados elementos da realidade eusa-os àsua maneira.
deverão ser mostrados quando mencionadas, e as IdeIas brião na alma infantil se lhe apresenta na lcnda, na
penas que derivam de se haver cnstahzado o.mundo Temores e companheiros de jogos imaginários não de- fábula eno conto como uma bela eperfeita planta com
numa só perspectiva, ele deve ser usado com cuidarlo e devem se transfonnar em ação no momento em que são rivam da inocência infantil; são tentativas sedas para
anunciadas e, igualmente, os sentimentos, tais com? a flores e frutos jamais vistos. Quanto mais distante está
com sntíleza espiritual. dominar sentimentos íntimos da única maneira que lhes o ponto de controle, tanto mais se abrem a alma e o
alegria, a tristeza, o espanto e a. espcetativa.,As cr!an~ é permitida. Assim, o clássico conlo-de-íadas - diz o
Com os risos, opequeno espectador se converte :m coração, revigora·se o espírito e a vida se desenvolve
ças só estarão atentas aos c~nceltos ~e puderem, ve·los dr. Kupper - permite à criança materializar seus sen-
hemem porque aprende a rir de si próprio. Com omo, com mais liberdade e força.
em certo sentido. Para essa idade oImportante c apre- timentos sem sentir-se culpada. João e Maria se perdem
sua inteligência se ilumina, seu pensamento se .d:sen- sentar cnão narrar. Aquilo que nós vemos quando ima- "Ao mesmo tempo que nas f:\bulas e lendas o que
volve, apura-se o sentido da realidade e se forhflCa o porque não estavam junto da mãe. Uma bruxa tenta atrai a crianca eomenino não é oehamativo como tal,
simmcs, elas dcvcm vê-lo para poder imagiuá-Io. comê-los. Eles conseguem enganar a feiticeira má. Por-
caráter. b As histórias devem ser simples e dividirem-se em mas algo im;isível e espiritual muito mais profundo, o
Contudo, vivem entre as pessoas humildes do povo que este conto é aceito universalmente? Uma criança que para ele se converte na medida de seu próprio es-
episódios. Tal divisão deve ~e~ subJ.inhada pela que~a ama a mãe, no entanto tem ressentimento em relação
a argúcia e a esperteza, tão apreciadas pel~ noss.a tra- da cortiua e a troca do cenano, corsa, entretant~, nao pírito e de sua própria vida não são os exuberantes
dição humanística, dc tal modo qu~ o en5J1:o dmletal a ela devido a certos castigos; ela representa para a personagens quc existem neles, mas tudo que !Já de
inteiramente necessária quando se trata de enanças críançn duas pessoas, é ao mesmo tempo bruxa e mãe
consiste em sua maior parte no onsmo mediante o.re- muito pequenas. Bastará dizer qu~ a ccn~ mudou ~ espiritual e de vital. Ê a observação imediata dessa vida
CIll'SO cômico. Do mesmo modo que essas pessoas sm:-
amorosa. No conto, os meninos terminam vencendo a livre, dessa força que atua livremente segundo uma lei
citar olugar onde se desenrola a açao: As cn~nça~ ace~­ mãe má e voltam à boa. Omedo de ser comido é o
ples, a criança goza con: os .epihrramas, como avr:cm própria.
tam essa convenção sem espanto, pOIS qne ISSO e n.OI- medo típico das crianças, que sempre querem devorar-
as adivinhações; ama o logo mtelectual sem mahcl~ e mal cm seus brinquedos. De fato, quantos l;lgares dife- "O conto apres~nta outros homens, outras relações,
vê nele a expressão mais evidente de .uma c~nqUlsta se uns aos outros. Oconto mostra, além disso, odesejo outros tempos e lugares, pessoas e aspectos completa-
rentes pode responder para ela,. _sucesslv~~e~te, o de fugir das mães, que os filhos sentem para se tor-
humana, e por tudo aquilo que a faz :Ir, a cnança se mesmo canto de sua casar A divlsuo da hstéría em mente diferentes, entretanto, quem escuta, busca sua
narem independentes, apesar de serem claros os perigos própria imagem, eavê eninguém poderá dizer-lhe que
sente homem sem se ahorrecer com aajuda que recebe. diversas cenas, snblinhada pela descida do telão, én~ui. de uma tal aventura. Estes são 05 sonhos típicos das
Cria-se, assim, através do riso, uma espécie de ~~iança to importante, pois cria muitos pequenos quadros, 1Il1- não é sua imagem."
entre esse herói-mestre e o espectador-aluno, e nessa crianças que se sentem impotentes. Já que esses frágeis Acriança, na flIbula, assimila a verdade por meio
pondo enlre um e outro um~ pausa q~e ro~npe a seres devem sonhar, conclui o dr. Kupper: "Que esses
cumplicidade, o liso infant.il se enc?n.tra c?m o do concentmçic infantil e sua tensão ao sentir ofmal da das imagens, e se, aparentemente, só se interessa por
educador tornando-se um 1'1.10 pedagoglco, ainda que, sonhos sejam levados a cena, mas reconciliados com o elas, também se apossa da verdade, Iazendo-a par te de
história; além disso é importante, porque a representa-
sem que' pareça, é advertência e revelação, apelo e mundo real." sua e!;periêneia individual. Ela vem de fato refletir e
ção tcm por objeto não só narrar u~n fato, com~Aan~es
força espiritual." de mais nada esclareccr para a cnaaça as sequencl~s Não queremos negar o engenho elessa interpreta- iluminar sua efetiva, e até agora irreflexiva, experiência
Neste ponto, tentaremos dar um~ ~elação, el~ ~r­ dos acontecimentos e dar-lhe asatisfação de concatena- ção, mas basta-nos a velha opinião que vê, no gosto da vida. Assim se amplia e cresce, finalmente, a capa-
dem progressiva, do gênero de rep:rtono ql~e mais m- los de modo a fonuar uma história completa. pelas fábulas, a satisfação infantil em seu amor à vida cidade de observação, de interiorização, de crítica, atal
teresa às crianças, confonne as dilerentes Idades. , Oqne elas viram pennanece durant~ muito tempo e à experiência, e na narraçãc ele estórias e lendas, a ponto que omenino pode extrair deduções morais eleis
Pesquisas têm demonstrado que para crianças. de em sua' memória e auxilia o desenvolvimento de sua maneira como a criança busca a explicação de seus de comportamento. Omal eobem sobre que se constrói
escolas infantis, as histórias que. descrev~m. os aconte- capacidade de conversação e de expressão de ~eus pró- impulsos e percepções que sente em seu íntimo e, in- por exemplo a antiga lenda ABela eaFera chegam a
cimentos quotidiauos são as mais acce~SlV~ls~ .a menos prios sentimentos, visto que contam o que vIram. e o conscientemente, COmo manifestações de sua própria constituir revelações sobre a fealdade do mal e o es-
vida interior, impulsos e percepções que não pode en- plendor do bem.
que, desde os primeiro~ anos, t:?ham SIdo Jlucmdas eI~l trarsmilem aos companheiros. Um teatro reahzad.o
fábulas. Os feitos da VIda familiar e aqueles nos qUaIS dessa maneira exerce grande influência no desenvolVI-
.\.
tender por si mesma, atravês dos quais tenta e quer Na educação da criança, abandonar o elemento
a mesma tenha experiência são os que mais interes~am mento intelectual e moral da criança e deve estar, por- encontrar no exterior os elementos e motivos que lhe fantástico e mitológico - contos e lendas nas quais a
à criança e ela gosta que ~~ sejam recor~~dos. E a tanto, impregnado de um alto nível além de usar um parecem necessários a tais explicações. "O confronto ele realidade se apresenta poeticamente - é como eliminar
idade em oue comeca a deflmr-se e a adql1lnr gosto e método apropriado. T
aquilo de que a criança tem necessidade mais imediata plantas, animais, etc, - com elementos e sentimentos
para apreciar a arte e a poesia. Elas nascem sempre próprios de seu modo de viver. E nisto também é ne-
Os próprios adolescentes, se bem que não sejam de
fato os autores, deviam ser os inspiradores, de vez que
TEATRO AMADOR
de fontes ocultas da ilusão poética, alimentada e culti- eessirio seguir a lógica infantil, para quem seria in-
o objeto essencial da arte dramática educativa é auxi- Uma Experiência Positiva
vada durante os anos da infância como um dos mais compreensível que uma planta ou um animal fale ou
liar os jovens a tomar comciência de suas mais pro-
profundos valores dessa idade, Quem não recorda, quem atue de modo diferente do seu. Só assim, poderá
fundas preocupações.
não aprecia a p:llticipação pessoal na invenção, não en- criar sentimentos de solidariedade c de compreensão
contra nenhuma sugestão para sua fautasia, Sua vida para com opróximo, que no momento pode ser apenas O reperíôrio deve corresponder à especlativa do
é prejudicada pelo realismo chão, a partir do qual o um cachorro ou um gato (c amanhã encon,h'ará tam- jovem espectador. E este, de qualquer idade que seja, MARIA CLAHA MACHADO
ponto de vista espiritual não é importante nem decisivo. bém numa escultura, numa pintura ou num livro) eque vai ao teatro e cl7Jera que se erga a ccrtina no seu
Pode-se dizer que a fábula é o espetáculo clássico está também dentro, algo que não é ela, criança, e de verdadeiro sentido: ativamente.
da infância, se bem que haja necessidade de um certo onde se entende melhor a si mesmo. -e-: E quando o pano se levanta, a cena pode perma- Amador - aquele que ama, Aquele que faz teatro
discernimento na seleção feita pelo educador para apre- Com os maiores de dez anos começa uma certa necer vazia e silenciosa por alguns momentos, já que respondendo a uma nescessídade interior, Nescessidade
sentá-la ~ criança; e deve-se notar que aquelas que diferenciação de gostos e interesses, e enquanto os me- o espectador enche esse vazio e esse silêncio com seus I de se comunicar atravês uma arte. Ainda meio incons-
interessam até os oito anos podem não interessar aos ninos gostam de aventuras e farsas, as meninas prefe- sonhos. ciente, meio embaralhada. Um grupo se reúne em torno
treze. Afábula, entretanto, não esgota orepertório tea- rem histórias de fadas e princesas. Nessa idade elas E o personagem dramático aí aparece irresstírel- de algumas idéias ainda meio vagas, ~s vezes radicais
tral como meio de educação da infância, ainda quc começam a sentir maior influência do rádio, do cinema mente solicitado; diria quase srseítado por aquela ex-
nela se possam achar motivos exatos deensinamentos, e da televisão, preferindo algo mas sofisticado e tecni- . ..
....~ pectação concentrada, e vem inserir-se naquele sonho
sobre arte. Tudo se misturando com a vontade de estar
junto, de se alirmar, de se exibir. Algumas leituras mal
por exemplo; se sois bons, se sabeis empregar bem vos- camente superior ~s suas possibilidades. À medida que colstívo que é a pergunta projetada sobre a cena e digeridas, correntes teatrais revolucionárias lidas em su-
sas faculdades inatas, sereis ajudados e salvos de qual- crescem e, em certo sentido, se preparam para a vida, que se identifica com a resposta que o drama deveria plementos, scnhcs de fama, novelas de televisão mos-
quer sítnaçío desesperada, mas precisais de muita se interessun cada vez mais pejos problemas que se ter, Somente quando esse cantata entre espectador e trando um falso caminho fácil, filmes, idéias de comu-
força e coragem. relacionam com os aspectos de sua vida e os contrastes atar, entre personagem e público, entre questão e res- nicação, tudo impulsionando para aformação do grupo,
Além das fábulas, devem ser incluídas as tarefas que encontram no fato de adaptarem seu caráter posta se realiza, odrama se torna encantamento e arras- As vezes o rapazinho de olhos tristes sonha com um
divertidas que se relacionam com otagarelar da primei- ao modo corrente, ~ moral corrente, donde se fa- ta atol' e espectador para uma mesma embriaguez, con- "Hamlet' ideal, ou a mocinha bonitinha se identifica
ra infância. Seu valor está sobretudo na propriedade zem necessários trabalhos contemporâneos que falem bolada, contudo, por um método que a trarsíorma em e tem certeza que porlc se realizar através o palco. E
tônica do /l1lmOIlI, liír alegremente, como dissemos, do dever, da amizade, do amor e nos quais os prota- um rito, Um rito que, justameníe, é o que faz amar o assim pode começar 11m grupo.
sempre faz bem. Oimpacto, a suqJresa que se produz gonistas sejam oubns crianças. Esses problemas se tor- teatro como forma inconfundível de expressão artística. Então começa a realidade. E é então que a coisa
a cada efeito cômico distendem as tensas cordas do nam mais complexos eindividuais àmedida que a crian-
parece ser diferente do idealizado.
sentimento e da reflexão, e acalmam a fantasia nervosa, ça cllega ~ adolescência. Por outro lado, são essas
crianças que têm justamente mais necessidades de espe- Onde reunir ogrupo?
No momento em que a criança participa alegremente
da situação cômica, ela repousa moralmente, acalma a táculos inteligentes e acabados que sirvam de gnia nos Oque quer fazer este gmpo de concreto?
imaginação evê, sem sofrer, as coisas ela vida em suas contrastes da vida e do carúter. Provavelmente, para Quem deve decidir o que se pretende fazer?
reais proporções. tais meninos, mais do que falar-lhes de seus compa- Quanto custa?
São também importantes as histólÍas em que inter- nheiros em obras teatrais, é indispensável realizar obras É neste momento que ofuturo grupo amador pre-
vêm personagens de raças diferentes ou graus sociais e nas quais se projetem problemas que terão de resolver cisa de esclarecimentos. Muitas vezes o gl1lpO em for-
aquelas em que falam plantas e animais, Esse gênero em idade mais adulta, e que poderão ser encontrados mação já possui nome, reperíéric, diretoria fornada, COm
de obra permite ~ clÍança o cantata com existências no melhor repertório do teatro clássico e moderno, que presidente, tescureíro, secretário, etc., esquema publi-
diferentes da sua, e apesar ele sua própria projeção so- já é orepertório da idade adulta. citário, algumas fotografias para jamais, biografia dos
bre omunelo, ~ custa da iuteligência do próprio mundo, Dado que oadolescente tem ao mesmo tempo algo artistas, enfim muito entusiasmo com os resultados
serve na realidade lYclra dissolver oegocenhismo infan- da criança e do homem, geralmente, se lhe apresentam sonhados para oempreendimento, Então a coisa começa
til e introduzir a criança muna realidade na qual estão temas ou demasiado pueris ou demasiado ligados ao a falhar e ninguém sabe porque. Apeça é escolhida,
também os outros com suas experiências próprias, e daí leatro de adultos. Sobretudo hoje os jovens vivem num os ensaios s.einiciam, os atares começam afaltar; depois
a criança poderá criar noras simpatias devido ~ curio- clima especial que lhes apresenta exigências e questões
sidade despeitada pelo caráter excepcional do perso-
nagem, que já não éum de seus semelhantes, mas algo
que não encemam nenhum reflexo no teatro que lhes
édedicado. E assim como um teatro ah'aiçoa sua época
I
o dono do local onde se ensaia reclama qne estão su-
jando muito a casa com cigarros e papéis rasgados, a
atrír se queixa que está sendo maltratada pelo díretor,
completamente diferente. Contudo, osegredo para man- quando não é sen reflexo, atraiçoa os jovens quando os vizinhos não aguentam obarulho e não podem dor-
ler \~VO ointeresse infantil e não perturbar seu prazer não leva em conta os seus problemas. Provavelmente,
(El Nino y er Teatro - Edit. Universitária de Buenos mir. Acoisa começa a ficar difícil. Os ideais de teatro
é apresentar esses seres tão diversos e excepcionais - como já se tentou na Amélica, na Rússia e na Polênia,
T Aires - Florida, 656,) tão bem compreendidos no início do gl1lpO passam para
segundo plano, começam II se diluir no cotidiano, na De nada adiantaria possuir um repertório maravi- Esse espírito de honestidade talvez tenha sido nossa diante da arte, diante da incapacidade inicial de qual-
conversinha de bar, nas queixas dos responsáveis. Too?s lhese, de nada adiantaria querer fazer o melhor teatro grande qualidade. Primeiro, honestidade para com a quer pessoa ou grupo de começar logo pela fama, Isto
se sentem traídos, inecmpreendidcs e abandonados. As do mundo, sem as condições exteriores para o funcio- casa. Só era permitido ensaiar até às li horas da não quer dizer que não se possa fazer um belíssimo
vezes, para salvar a todo o custo o empreendimento, namento do grupo. noite. Ohedecíamos a este horário, a não ser nas vés- espetáculo do ponto de vista de comuuicação, verdade,
começa-se a fazer uma apelação para omais fácil. Fa- Aí é que instituições, professores, os responsáveis peras das estréias quando tínhamos permísão para en- amor à arte, descobertos no trabalho em conjunto, aper-
zer a coisa de qu~lgl:er .maneira, só para sair, p~ra I pela cultura na cidade, diretores de clube devem entrar trar pela madmgada, Procurávamos não desapontar, nem feiçoamento de metier, cnfim tudo de gratificante que
aparecer, Olado exibicionista do teatro, onome no ]or- I com sua capacidade de ver claro os problemas de educa- abusar da confiança que oPatronato depositava em nós. o teatro amador, jnslamente por ser descompromissado
nal; e então vem um gosto de fnlstração nos mais sé- I ção, de cultura e de recreação, Aí é que o verdadeiro Oll melhor que o Patronato experimentava depositar. como o profissioualismo pode dUJ'.
rios, naqueles que acreditavam no teatro e no grupo, educador, aquele que sabe do valor educativo do teatro, Só otempo canossa fidelidade puderam provar que ele" Falando de teatro amadcr muitos pensam que ele
Como levar adiante a realização de um espetáculo pode e deve ajudar. podiam confiar. Isto foi muito difícil em se tratando de não tem compromissos financeiros. Qualquer grupo ao
amador?
..,.' jovens ansiosos para aproveitar tudo - saber aproveitar
Quando fundamos oTABLADO em 1951, sua con- plmJejar um espetáculo tem que forçosamente lidar com
Quais as condições favoráveis para esta realização? tinuidade só foi possível graças à benevolência, à con- sem ahusar é uma arte muito difícil e indispensÍlvel profissionais, Há o earpíuíeiro, o direito autoral, o pa-
Quais as qualidades essenciais para o animador do fiança qne em nós depositou a então presidente do para amadores que querem se impor num locai de toa- peI, as lâmpadas, os refletores, a costureira, as fazendas,
gmpo? Patronato Operário da Gávea, dona Helena Bahiana. balho emprestado e sobretudo \dgiado por aqueles que os pregos, enfim toda uma inlm-esírutura indispensável
Ela possuía aquele instinto de educadora que nâo foi não estão com boa vontade. Uma desavença entre a íns- e profissional que o grupo tem que entrnr em contato
Vamos começar pelo animador do gnlpo.,
adquirido nem em cursos, nem em livros. Entendeu que tituiçio c o grupo pode acarretar o fim de qualquer e saber resolver.
Odiretor ou o animador é um elemento indi''Pen- projeto teatral. É-portanto indispensável que oanimador
o teatro era um maravilhoso meio de educação e de E mesmo que a costura, a carpintaria ou a pintura
sável à sobrevivência de um grupo. Esse elemento in- saiba conservar a harmonia necessária entre casa e
fOl1JJação da jweatude, e nos transmitiu um crédito de seja feita, pelos próprios componentes do grupo, ainda
dispensável e raro tem a seu cargo ~ conservação do gmpo.
confiança que áté hoje ela vem depositando em nós, sobra muito pam ser pago e para isto é preciso tomar
entusiasmo e a promoção da hUJ1JJOma entre os mem- Acasa estando gm'antida, ou melhor, mantida pela
nos apoiando sempre que o Tablado entra em algum conhecimento do livro-caixa e conhecer de perto com-
bros do gmpo. Ele tem que ~er obstin~do e hone:,to. compreensão e entendimento entre os responsáveis, po-
Deve ter conhecimentos teatrais e qualidades de lide- atrito com a díretcría atnal promissos COm ~astos de produção, por mais simples
deremos passar aos problemas do espetáculo, Aí entra Q.ue eles sejam, Fazer dívidas, epior ainda, não pagá-las,
rança. Dona Helena construiu o atual auditório do Patro- a honestidade para com o público. Procurar fazer
nato rensmdo em fazer teatro para operários, pois na- é um péssimo começo para um amador, Eles vão per-
Um espetâculo não é feito somente com qualidades um espetáculo de qualquer maneira, só pelo prazer
quela'época aquele era um barro de trabalhadores de dendo Q confiança dos outros e o grupo acaba por se
artísticas, Elas são indispensáveis à realização de um de estrear é um desrespeito ao espectadcr, seja ele
fábricas de tecidos, possuindo várias favelas. Transfor- desmoralizar por falta de honestidade. :É indispensável
bom espetáeulo, mas é necessário, para a concretiza- família, crianças ou colegas. É no teatro amador que se
mado o bairro, dona Helena continuou a considerar o aprender a saber usar os próprios recursos, aprender
ção do espetáculo, que se saiba produzir, isto é, por para aprende a respeitar opúblico. Muitas vezes oprofissio-
teatro como uma das atitidades mais importantes da a pedir. e tamhém a improvisar com oque se tem, sem
funcionar uma idéia, nal tem motivos reais pm'a estrear mal uma peça, A
instituição. pressão financeira, falta ele ajuda e de planejamento po· se desesperar, Afalta de recursos financeiros desenvolve
QumJdo começam a surgir problemas financeiros, também a criatilddade do grupo. Saber usar e fabricar
de 10l'flI, de disciplina, de relacionamentos fora e den- Ofato de usarmos o auditório nem sempre quis dem precipitar uma estréia. O amador tem tempo. É
dizer que não tivéssemos qne lutar por ele. Éramos um disponível para fazer bem acabada, bem ensaiada uma material é uma grande escola. Aeconomia de recursos
tro do grupo, além dos problemas artísticos é que o
bando de jovens entre 15 e 26 anos, todos tão inexpe- peça. Não tem nenhuma desculpa para estrear mal, a alimenta aimaginação, força oamador aprocurar meios
verdadeiro animador se impõe,
não ser a própria incapacidade, Ohábito de buscar no .de suprir falhas, tornando-se enorme fonte de prazer
, Oideal é que o animador possa, antes de come~ar rientes quanto entusiasmados, Cada membro do gl.1lpO
teatro apenas as glórias publicitárias é um péssime co- para o gmpo. Nos primeiros anos de TABLADO não
seu gmpo, freqüentar um teatro durante un~a prod\:çao. entrou com cinqiienta mil réis para financiar a primeira possuíamos nem refletores, nem gravador, nem resistên-
Enfrentando a realidade com coragem o diretcr-anima- montagem. Tínhamos que pagar além das desr.esas de meço para quem quer depois ser um prolíssienal, É no
gosto pelo trabalho bem feito, bem estudado, ben ela- cia. Inventamos refletores com latas, criamos sonoplas-
dor poderá melhor levar seu grupo a ,descobrir com espetáculo uma percentagem ao Patronato pelo uso da tia com barulhos descobertos em improvisações, e apren-
borado que se forma um homem de teatro, que se forma
ele que não são somente as causas exteriores ao g~lpO, luz, do auditório, dos banheiros, pagamento de limpe- demos a procurar descobrir técnicas de resistência, de
como ajuda governamental e falta de recursos finan- za, etc. um espíríto de equipe. :É muito bonito querer produzir
uma montagem de uma grande peça, Jazer o melhor iluminação, de confecção de objetos, adereços. Muita
ceiros os responsáveis pelos fracassos, mas também a Oauditório mais parecia uma sala de hospital, com
própria incapacidade de enfrentar as dificuldades. espetáculo do ano. Todo ~nlpo sonha em ser omelhor, gente descobriu novas vocações inventando coisas para
seus ladrilhos e paredes claras e frias. Os banquínhcs suprir afalta de dinheiro.
aquele que vai inovar, revolucionar o teatro, :É preciso
Oanimador-produtor-diretor estando mais por den- eram trazidos na hora pelos pais e ami~os dos artistas. ter muita coragem para não ceder àvontade do gran- . Um grupo que começa modestamente procurando
tro dos problemas d~ t~atro, vamos abor~ar .as condi- Costurávamos aroupa, fazíamos os cenários, brigávamos dioso. Muitos grupos se dissolvem na primeira dificul- usar ao máximo os recursos que se lhe apresentam, isto
ções exteriores favoravels para a p~l1n~nencIa de um muito, éramos vaidosos eimpetuosos, donos da verdade, dade porque sonharam alto de mais e não conse~uiram é: local modesto, pouco dinheiro e muita vontade de
grupo amador numa escola, numa 19reja, num club~, ti sempre com a razão, Mas coaservamos um espírito ser honestos consigo mesmos, Não conseguiram enfren- acertar tem grmldes probabilidades de vencer.' Vencer
muna garagem, em qualquer lugar onde se tenha a li- de honestidade que prevaleceu contra tudo e que pro- tar a pobreza, Digo, de propósito, pobreza porque
curamos manter até hoje. em todos os sentidos. Descobrindo primeiro que émui-
berdade necessária para se criar um esp,etáculo.
T aqui ela tem osentido-de despojamento, de humildade to mais importante um espetáculo onde tudo foi pIa.
nejado e discutido, sofrido e inventado pelo pr~p~io TEATRO ESCOLAR: Em recente congresso de professores de teatro em mais diversas: voz, movinlento (ou expressão corporal),
gmpo do que se encostar nas sobra~ do teatro pr.ohsslO- escolas não profissonalizantes, ch~gou-se ii se);Uinte de- impro~sação einterpretação, além de um conhecimento
nal para vencer de qualquer manem ou para slmples- Considerações esugestões para finição dessa alividade: de história do teatro e do espetáculo e muita leitura
mente aparecer mais depressa.
Tcatro amador éatividade recreativa antes de mais sua implantação ** "A ati~dade featral (chamada, em inglês, _dJ'ama )
na educação é uma forma de expressão criativa, Como
de textos dramáticos, noções de direção, de cenografia
e de técnicas de montagem.
nada a base do teatro (interpretação) não é mais do que a Dito isto, passamos às sugestões para implantação
Proporciona prazer e alegria a seus membros na capacidade de falar e se mover, toma-se, assim, acessl- passiveI da ati\~dade teatral nas escolas de nlvelmédio
medida em que eles se entregam honestamente ta ~la. ROBEHTO DE CLETO ~ vel como meio de expres~iio para todos os jovens. Para da Guanabara:
E pode proporcionar também aos o:lhoos, _ao p:lbbeo, os muito jovens, deve assumir oaspecto de brincadeira 1) Preparação imediata do maior número passiveI
grandes emoções. E por ser reacreatl:a, nao ..deixa de ou jogos ínstrutivcs, dependendo ainda muito de cada de professores, escolhidos por suas capacidades e incli-
possuir regras que dev~m ~er obede:l~as °a ~IS~, ~m Em vários palses do mundo (sobretudo na Ingla- um individualmente. Cerforme a criança se desenvolve, nações naíuras, dentro do campo especíííco de teatro,
time de voleibol tambem e uma at1V1dade reereatí, a. terra), iá não se discute mais aimportância da ati~dade a atiridade se toma numa forma única de contato cria- oque me parece só poderia ser feito atravês da Escola
Se alglUn membro do time mais tarde decidir se dedi- teatral'dentro da escola como fator fundamental de tivo entre indh1duos, usando recursos Hsicos, vocais, de Teah-o da FEFIEG.
car inteiramente a ele, se jogando num time de escola auxílio na educação. viamis e emocionais, Essas capacidades naturais rara-
ele se entusiasma pelo esporte, melhor ainda,. Mas o mente podem ser conjugadas eusadas de maneira cons- 2) Colocar a ati\~dade teatral nas escolas como
Aeducação, de acordo com os conceitos mais m~ , curricular, se bem que não obrigatória, talvez, mas de
jorro, mesmo no quintal da escola deve ser feito obe- demos se interessa especificamente pelo desenvolVI- ,.,.., trutiva ao mesmo tempo, anão ser através da atividade
qualquer fonna valendo grau.
d:cendo a todas as regras do jogo. mento 'flsico, intelectual, emocional e ético dos jovens, teatral. Essa fusão de capacidades naturais e habilida-
O mesmo se dá com o teatro. Por ser amador, por des adquiridas toma aatividade teatral, dentro de seu 3) Conseguir, nas escolas, locais adequados pmoa
Aatívidade teatral bem utilizada na educação, em que a ati~dade.
ser às vezes oinicio da carreira de muito profissional, se procura em prinsíro lugar desenvoh'er a criatividade aspecto de ath~dade conjunta e a ser apresentada a
por ser uma escola de vida em ~l1IpO, ~ muito impor- e o auto-conhecimento, pode ser elemento fundamen- outras pessoas, uma erpeiêneia única, viva e direta. 4) Procurar abordar oensino da atividade sob to-
tante que ele seja ~eito com a ~mor sene~ade possIVeI. tal para o desenvolvimento do jovem ah°ll.\:és de uma Como a exploração ativa das relações humanas é essen- dos os aspectos: a) voz, respiração e dicção; b) movi-
Ogosto da hone~tidade, da cosa ~em Ieita, bem aca- cvia! à atiiidade dramática, pode-se, então, dizer que mento cliativo, utilizando às vezes música ou ritmo,
nova utilização de seu corpo, de sua manena de falar
bada será um estimulo, um aprendizado para qualquer e de controlar as emoções, encorajando-o assim a me- ela dá uma contribuição valiosa para a educação inte- atravês de percussão; c) impro\~sação (individual e
um que já tenha passado peja experiência de teatro gral do ser humano". coletiva), sem esquecer a improvisação com sons; d)
lhor se expressar e se comunicar.
amador, edepois continuou na carreíra Se ele aprendeu É preciso, conhldo, levar em conta que, apesar da desenvolver a sensibilidade do grupo como um todo;
O objelivo _principal da atividade dramáti~a na
a seguir as regras do jogo dificilmente s~rá. ~elas. apresentação final do espetáculo ser quase sempre de- e) envolver sempre a observação e a imaginação em
educacão deve ser odesenvolvimento da persnalidade,
Tornar-se um profissional será apen.as. a continuaçao ~e sejável porque de certa forma conclui um ciclo de qualquer tipo de trabalho; f) elaboração de textos pelo
atravé; do uso do corpo em moríoento e daJala.
uma vivência já aprendida. Oproíssicnal que um dlll ati~dade, este não deve ser o único fim visado e, em próprio grupo e finalmente, g) a montagem e apresen-
foi amador e que aprendeu a abrir uma cortina, pre~ar Alista de vantagens que podem ser obtidas através certos casos, pode inclusive não acontecer, dependendo tação de espetáculos.
11m prego ou decorar um texto com o mesmo. respeíto da atieidade teatral na educação pode ser bem vasta. das circunstâncias e do discernimento do professor en-
pelo trabalho do contra regra, .d? .ator, do drr~~or ou Citemos algumas delas: carregado.
do porteiro, que aprendeu a dmdlr res~onsab:hdades 1) desenvol~mento da imaginação Falando do professor, este deve ter qualidades es- BIBLIOGRAFIA
e assumi-las será um homem de teatro muito mms com- 2) aumento da capacidade de concenh'ação peciais que se somem às nahlralmente desejáveis aqual- Development Trough Drama, Brian Way - Longmans, 1969
pleto e mais feliz. O teatro s~rá para,ele não. apenas 3) aumento da capacidade de comunicação quer outro professor. A sua capacidade de relaciona- Theatre in High ScllOol-Planning, Teaching, Directing - Char-
um ganha-pão mas uma maaeira especal de viver. 4) ajustanlento da personalidade mento e de liderança precisa ser muito maior que a de lotte Kay Motter Prentiee - Hall Ine, 1970.
5) melhora no uso da linguagem oral um professor de outras matérias, seu idealismo também Drama - Edncafion SlIrvey 2 Her Maiesty s Stationery Oftice,
6) desenvol~mento da capacidade d~. trabalho em precisa ser em grau mais elevado, porque a ati,~dade 1968.
muitas vezes obriga a um tipo de trabalho em horas Drama PoUey Paper - Inner LondOll Edllcatioll Authority, 1968,
grupo, pela aceitação de responsabilidades epela
necessidade de cooperação com os outros extra que certamenla não será remunerado. Precisa ser
uma pessoa extremamente criativa e capaz de solucio-
7) possibilidade de interessar os jovens na liíera-
nar problemas práticos. Precisa e deve estar aberto para
hJIa
aceitar as sugestões do gmpo, mesmo quando essas
8) desenvolvimento de uma apreciação estética, etc. possam acarretar posições contráJias às snas, desde que
Deve-se observar que, evidentemente, essa ati,~­ reconheça ovalor das mesmas, É e~dente que tem que
dade não visa tomar cada estudante num ater amador, ter um prepar~ especial e um conhecimento bastante
nem ainduzi-lo a escolher oteatro como profissão. ~ Dírelor de Teatro e Professor da Escola de Teatro da
~~ Palestra proferida no Simpósio de Teatro. razoável do que seja o ensino de teatro em suas formas FEFIEG.
AHORA EAVEZ DO TEATRO ESCOLAR MARIA MAZZETTI ~

Por meio do Orientador de Biblioteca, do Departa- nídade para surgirem. Ao mesmo tempo a brincadeira,
mento de Educação Primária, Seção de Bibliotecas e neste clima de confiança ealegria, faz eclodir uma série
Auditólios, Setor de Teatro Infantil, a criança é chama- de problemas c traumas, que o edueadcr consciente
da para fazer um Jogo Dramático. Começamos pelas anota para poder compreender melhor seu aluno. Um
ClUANÇAS DA ESCOLA P(JBLlCA APLAUDEM OS BONECOS DO GIBI Habilidades Físicas: saltitar num pé só, marchar, correr, verdadeiro expurgo dos Iantaanas inteliores!
sustentar um som, isto é, um certo treino físico que, Através do Teatro dizemos constantemente ao Orien-
num clima de brincadeira, conscientíza a criança de tador de Biblioteca:
que tem um corpo que pode ser exercitado a obedecer Deixe que a criança seja ela própria.
cada vez mais prontamente à vontade, Ela pratica tam-
bém jogo de observação, coisa de gue nossas crianças Permita que liberte seus próprios medos, frustrações
andam carentes. Aí, então, éahora dos Jogos Dramáti- eproblemas.
,
.... ,
cos propriamente ditos - há oFaz-de-Conta onde, por Permita que libere toda a energia de que é capaz
meio da concentração dos sentidos e da memória das e que demonstre ariqueza intericr, a força e os aspec-
emoções, fazemos as emoções surgirem. Através da Ex- tos particulares que a distinguem de outros bilhões de
pressão Corporal, as clianças são levadas a descobrir e seres hmnanos.
a explorar a linguagem do gesto, a liberação do corpo Acredite nela.
e a comunicação partindo dele. Ritmo é outro jogo. O Faça-a feliz.
objetivo do jogo de Ritmo é levarmos a criança a de-
senvolver em si mesma um elemento que existe em seu Há, ainda, no Setor de Teatro Infantil, oespetáculo
próprio corpo e em todo oUniverso, 'Estando as crian- para as clianças. É oTeatro do Gibi, teatro de bonecos.
ças assim preparadas; chega, então, a culminância, a Já apresentamos peças de bonecos de vara, fantoches,
Dramatização Espontânea. Num clima de absoluta fa- mãos expressivas e objetos. São peças odginais que
miliaridade, entre as 4paredes da Biblioteca, as crian- testamos trazendo gmpos pequenos de crianças para
ças vão, então, dramatizar. Nada para ser visto, por- debate. Com otempo, alargamos ogrupo e otornamos
tanto dispensam-se ensaios e repetições enfadonhas. variado (crianças de várias séries]. OTeatro do Gibi
Todos tomam parte, não há segregações ou restrições. corre o Estaclo, vai ao encontro do seu público. Esta-
Os que optarem pelo herói serão oherói. Os que opta- cionamos num auditório de escola econvocmll0S todas as
rem pelo bandíde, serão bandidos. Haverá, portanto, escolas adjacentes. Esgotada a região, passa-se a outra.
vários heróis e bandidcs, ao mesmo tempo; oque conta Assim damos espetáculo para cerca de 20 000 clianças
é alivre criação, pelo tempo que a criança quiser, até por ano, na fnvela, na zona sul, na zona norte, na zona
esgotar o seu personagem. O que conta é a intensa rural
satisfação em criar e em agir. Quem quiser ser sono- Os artistas são Orientadores de Biblioteca que, con-
plasta fará os ''bamlhinhos'' da peça, e aí leva-se a vocados por nós, começam a se especializar na' arte do
pesquisar osom, a criar algo novo, a observar e a uni- boneco.
taro Os que desejarem serão o cenário. Corpos lado a Fotografamos a reação de platéia. Temos conosco
lado, mãos e braços em determinada posição e as crian- centenas de s/ides de crianças em atitudes que chama-
ças inventam castelos, galeras, mar, igrejas etones. Para mos "ginástica das emoções" - mãos na boca, mãos
um verdadeiro educador torna-se enormemente grati- cruzadas no peito, braços cmzades na nuca, corpo dis-
Iicanle neste momento a revelação que o teatro traz à teaddo na cadeira em situação de emoção, surpresa,
tona - as capacidades múltiplas de cada um, as idéias sonho, encantamento, tensão, alegria. Alem cJisso, pedi-
que cada criança possui, os inúmeros dons com que mos que eles nos escrevam contando oque sentiram, se
o cada criança nasce e que precisam, apenas, de oportu- gostaram, se têm alguma crítica a fazer,
I
I
Comenl{trios de grupos variados de crianças já fi- AueUST BAL J. MOTIVACÃO DRAIVIÁTICA
.:>
zeram com que modificássemo,' as peças. Realmente,
nmhnma de nossas peças é definitiva, n50 há coi~as
definitivas entre ]lós. Estamos sempre buscando, que-
rendo saber cada vez mais da criança c do que ela
realmente pede e necessita. VmelJ.'lIA VALLI
Queremos saber cada vez mais oque elas querem, Não se pode pensar em dar uma educação com-
queremo, cllegar ao centra do eoraç50 dclas. Qucremos pleta se não se der acada criança apossibilidade de se
partir dela, para chcgarmos ao espetáculo. Queremos desenvolver de modo que ela Ouse e queira ocupar
servir. Servir ao nOsso público para pOde11l10S realmen- seu lugar certo na socicdade de amanhã.
te atinri-lo, Eisto parece que só alcançaremos através Os temas para dramatizar, improvisar ou repre- não chega a formar um enredo, mas apenas uma si-
do ent~ndimcnto, da aceitaç50 c do amor. Por isso é que não se deve cuidar somente do su- sentar podem ser pesquisados na literatura, no folclore tuação ou confronto de personagens que eles viram na
cesso do indivíduo num mundo em que as exigências enos fatos do dia-a-dia. Podem também ser inventados televisão, no cinema ou em alguma peça. Os mais
variam continuamente. Seu ser psíquico é também im- pelas crianças. Alguns professores da Guanahara têm ocorrestes são Intas, brigas, batmans, corridas de moto-
Tcstemunho espontâneo das crianças após verem portante, se ele quer mantcr-se plenamente digno na
Os três homenzinhos coloridos rio mundo azul (teatro de vida. Isso quer dizer que, ao lado de uma educação conseguido montar peças inteiramente ima~nadas e cicleta, etc. Não se deve desencorajar a criança, visto
nãcs expressivas) e O aniGersário da Princesinlw Pa- profissional especializada c de um ensino pummente I
criadas pelas crianças e adolescentes que, brincando, que a mera sugestão ou eshoço de idéia que se formula
... , inventam as sihtações, os personagens e as falas do
pelotes (fantoches): já é algnma coisa e significa que o clima da sessão
científico, é necessário desenvolver também seu pensa- enredo. Oque interessa, no caso, não é a arquíteíun favorece a espontaneidade infantil ou juvenil. Os temas
"Como eu adorei! Quando eu Gi, elr pensei que eu mento, seu caráter, SC11 sentido social esua cultura. Por da peça nem alógica dos acontecimentos que se desen- agressivos - que ocorrem mais com adolescentes - não
estaoa sanllOndo" (Cal1Jlen Lucia de Souza). isso e contrariamente ao que acontccia antigamente, é rolam nesse drama infantil, mas a espontaneidade dos devem ser postos de lado, e sim aproveitados para o
"Quando eu. cheguei em casa, el1 contei tudo !I mi- mais difícil hojc separar aeducação do ensino. Ali, como gestos emovimentos, a autenticidade da linguagem in- trabalho, porém, dentro de um esquema em que eles
nlw aoá. E/a ficou tão alegre! Meu aoó também. Eu no passado, quando se valOliza a edneação individual fantil e o trabalho que puderam realizar em grupo. possam liberar a agressÍ\~dde sem se machucarem ou
queria que continuasse mais" (Eliete). em famíla, o ensino 1Ja cscola e a fOl1Jlação em mo\~­ Se otrabalho de inventar ahistória parece, a prin-
mentos juvenis ou em clubes para jovens, épreciso cui- destruirem a sala. Os temas de agressão são oportunos
"Eu achei muito bacana todas as duas historinhas. dar de agora em diante cada vez mais para não isolar cípio, difícil para quem n50 está habituado a orientar e reveladores quando se deseja conhecer os alunos e
Tenho muita Gontade de assistir (le nooo" (Valdeir). esse tipo de atíridade, velifica-se que, após uma prí- seu relacionamento com ogl11pO ou os prohlemas que
de modo algum a juventude do mundo difícil de hoje, meíra experiência, dado o primeiro passo ou impulso
.."Nunca mais GOU esquecerr (Tània). aproximando-a da vida em sua pleafue e integridade. projetam durante os exercícios. Os atas relacionados
que estimula opotencial criador do aluno, oresto corre com atividades geralmente consideradas proibidas no
"Eu estou muito feliz!" (Damiano). Isso significa dar à criança apossibilidade de viver por conta desses f!/bulistas, cuja imaginação chega a
sítnaçõss incessantemente renovadas, pedindo-lhe, em amhiente em que vivem surgem com freqUência, quan-
surpreender o professor. Contudo, para começar o tra- do se deixa livre a escolha do assunto, por exemplo,
"Me dioerii aGaler. Acllei engraçadíRsimo" (Hegi- cada uma delas, uma solução pessoal. Que essa solução halho necessitamos de um método.
mldo), não seja totalmente nova, isso tem menos impOltância fumar, Os adolescentes gostam de criar situações em
que amaiería dos atos \~\~dos são aqueles que na vida
Acreditamos que tamhém cabe à escola a forma- do que ofato de ser uma solução dela epela qual ela MOTIVAÇÃO
ção das novas platéias, platéias cada vez mais cons- se sente pessoalmente responsável. real lhes são interditados: namorar pessoa comprometi-
tantes, sélias, severas e e;dgentes. Aprimeira fase do trabalho será a motivação do da, fumar, beber, etc., etc.
Para ohomem, escelher én50 só importante, como
indispensável. Aquele que se abstém, que não tem a grupo para criar. Amaneira de motivar valia conforme SugeJido o primeiro eshoço da estória, pode-se es·
audácia ou a coragem, aquele que apenas acompanha o nível do grupo, secrianças, adolescentes ou excep- timular os participantes fazendo um comentário posi-
o mcvimento dos outros, este não vive consciente de cionais. Um caso que se conta, uma pergunta que se tivo, deixando a crítica para oFinal do exercício e pre-
si mesmo. É apeilas um parasita que se alimenta dos formula - sobre oque desejariam inventar - poderá ser ferindo que os próprios colegas a façam, Numa repe-
ouíros. oponto de partida para o trahalho, que se toma mais tição do mesmo jogo, após os comentários daqueles que
fácil quando os integrantes se manifestam com espon- assistiram sem participar, pode-se mostrar as falhas do
taneidade. Elementos tais como roupas, máscaras, en- jogo, orientando os alunos de modo que possam Ia-
feites, adereços poderão ajudar a motivação. Espadas zer o que desejam mas dentro de determinadas re-
de madeira, chapéus de piratas, cordas, trapos devem gras. Essas regras do jogo são inlportantíssimas e não
estar à mão para ajudar a despertar a ima~nação in- se deve ahrir mão delas, uma vez que otrabalho éfeito
fantil. em aula e tem que ser, afinal, educativo. Se um deseja
Ó Chefe do Selor de Teatro Infantil do Departmnento de
Os mais desinihidos, os afoitos ou exibicionistas se- subir na mesa para representar o homem. que voa -
Educaç;lo Primária da Secretaria de Eclumr;ão e Cullura. (Théatre de Belf,ique, n. I9/M) rão os primeiros aapresentar um tema que, geralmente, isto será permitido, apenas por se tratar de teatro, enão
da vida real; até se oaluno desejar dizer um palavrão texto para estudo, De início, a maior dificuldade que é consciente. Aeducação do gesto ou dos movimentos vai morrer porque desejou a morte, ele aprende a esco-
durante o exercício pensamos que deve ser permitido, se encontra é na [eitura desse texto: a falta de prática do corpo press11põe uma consciência e um desejo de lher e treina sua. capacidade de agir de uma ou de
com a maior seriedade, para não romper a espontanei- de ler em voz alta, ainibição diante dos colegas ou das agir. Assim, só ohomem pode realizá-lu Além do desejo outra maneira. Por isso, a atividade dramática é um
dade. O estabelecimento das regras do drama é im- pa/auras desconhecidas (mesmo que não se trate de de ação, que é o começo do gesto, para que ele se método que não pode ser omitido quando se deseja
portante e deve ser feito com a colaboração dos alunos. nenhum texto clássico), a falta de entonação e de in- efetive são necessárias celtas condições físicas, como ensinar a criança fi tornar-se um ser livre eresponsável.
Essas regras são: as marcações, se o tema é falado ou flexão. Esta é uma das fases mais desanimadoras de aptidão muscular. Ogesto será desordenado sem a ação
mudo, o local da ação, quem vai fazer quem, se deve 111U teatro escalar, pois os tropeções e o estropiamento
dos nervos que o controlam, permitindo inihir as rea-
ser realizado num determinado tempo, ou cronometra- das palavras mostram a falta de vocabulário e tt igno-
çôes inoportunas a fim de concentrar o esforço mus-
do se as entradas são indicadas ou não, etc. Geral- rância do significado de palavras as mais comuns. Su-
perada essa fase, fazem-se diversas 1~~lras cena por cular sobre os movimentos desejados, concentrando a
mente, os adolescentes escolhem os parceiros que, na atenção na realização do que é esseilcial para. agir.
vida real, formam oseu gl1lpO de COJl\~0 diátio. Crian- cena até que eles se acostumem com as palavras e
ças menores não têm preferência nesse. sentido e o comecem a se ouvir, Um gravador ajuda bastante e Uma. vez que a criança compreeuda o sentido do
monitor pode escolher seus companheiros de jogo. facilita o comentátio crítico. gesto e sua utilidade ou a necessidade da ação para o
Omonitor ou pessoa que orienta o jogo não deve Se o teatro é usado como método para um traba- gesto, podem ser feitos exercícios que o aperfeiçoam e
impor seu ponto de vista, dizendo este será opai, por- lho futuro, deve-se começar sempre com exercícios muito que devem ser sempre executados dentro do um con-
ql/e é mais llelllO ou. é 11wior; aquela é amenina, esse simples de relaxamento, concentração e pesquisa de texto, com uma motivação. Os exercícios podem ser
olobo, por ísso ou por aquilo. Os próptios brincantes é gestos. Tratando-se de crianças menores ou de excepcio- apresentados numa. seqüência de movimento em de-
que devem escolher opersonagem ou oque querem ín- nais, os exercícios devem ser apresentados objetivamen- terminada situação (deitar, dermir, acordar, erguer-se,
terpretar, salvo quando se dá um tema ou situação te, de preferência dentro de uma situação ou ~e uma etc.) ou como movimentos ritmados segurando objetos,
como exercício e todos podem repeti-lo à sua maneira, histólia que eles possam comprender para poder exe- batendo, golpeando ou girando denro de um ritmo.
substituindo-se os intérpretes até que todos tenham cutar. Se queremos que eles se relaxem, podem fazer: Para aplicarmos uma seqüência de exercícios, será
oportunidade de repetir o mesmo exercício. Se aconte- o trem-de.laro, obêbedo, o pêndulo. No primeiro, to-
bom dividir os gestos on movimentos em categorias,
cer aparecerem muitos candidatos para um só persona- dos se sentam no chão encostados à parede e, fin~ndo
como: gestos habituais, gestos profissionais, gestos ba-
gem (isso é frequente, priucipalmente com os mandões que estão num trem em movimento - ornído pode ser
seados nos sentidos. Em todos esses casos a crianças
ou pseudo líderes, que querem sempre fazer o princi- feito ao mesmo tempo que o movimento - todos se
balançam como se o trem jogasse de um lado para podem ser levadas a executar os movimentos dentro de
pal papel), pode-se repetir o mesmo tema para dar
oportunidade a todos de serem o rei, II rainTw, o herói, outrn, não esquecendo de relaxar bem os membros e o um enredo, de uma situação ou de uma estória: ole-
etc. Arepetição do tema com novos intêrpretes desen- pescoço. Ojogo de bêbedo é feito relaxando-se os joe- nhador foi para omato cortar lenha, etc, etc.
volve o espírito crítico, o respeito pelo trabalho do lhos, a cintura, membros, pescoço, tentando-se ao mes- Nos temas apresentados à criança para improvisar
colega, além de estimular orendimento do jogo, pois dá mo tempo andar conservando oequilíbrio. Odo pêndulo ou representar, não se deve impor nem uma. maneim
oportunidade de observar o trabalho do outro e poder éfeito de pé, pés afastados, deixando-se pender a. cabeça de fazer nem um desfecho obrigatório. Estabelecidas as
cOlTi~r erro ou falha da primeira apresentação. até a altum dos joelhos e balançando se de um lado . regras do jogo, deve-se deirar ao bríncante ris opções
Se se escolheu de fato uma peça escrita para ser re- para outro com as pel1las firmes e a cabeça solta. para que ele possa escolher o moào e o fim da ação
presentada por gente que nunca. representou enão tem, Os exercícios de concentração são de difícil apli- de acordo com o seu temperamento, Se se dá uma fá-
portanto, nenhuma técnica, amelher maneira de abordar cação com crianças, e não podem ser feitos com ex- bula para dramatizar, por exemplo: O Lenhador e II
otexto é fazer uma rápida leitura ou resumir oenredo ...,.
cepcionais, pois exigem um certo grau de raciocínio em Morte, OCaçador de Urso, cada criança tem um ponto
como se fosse uma estólÍa narrada. Se são crianças que sua execução. de vista quanto ao final da história; para uma a morte
ainda. não sabem ler, oúnico recurso é dar as situações, pode sair viíoriosa, para outra não. Na fábula do caça-
marcando os movimentos, dizer o que vai acontecer e PESQUISA DE GESTOS dor que vendeu a pele do urso antes de matá-lo, acon-
deLm que elas improvisem as falas. Mesmo tratando-se
Sendo o gesto um movimente motivado e orienta- tece a mesma coisa. É nessas diversas tentativas de
de adolescentes não se deve dar um texto para decorar,
do, ele supõe determinada eficiência da. mente em sua solucionar a fábula, matando ou não matando olenha-
enquanto eles não têm uma vivência. segura das situa-
ções, dos tipos e da. ação da peça. Amelhor maneira. execução. Para. realizar ogesto é necessário um esforço dor ou ourso, que a criança aprende a escolher e optar
de começar é deixar que diversos gmpos improvisem mental, não só em sua motivação, como em sua oríen- conforme seu temperamento, adquirindo sua. experiên-
situações e cenas da. peça, com suas próprias palavras. tação e ajustamento à finalidage desejada. Com arepe- cia de ser independente que age conforme lhe parece
Só depois de conhecer amaneira. de agir de cada perso- tiÇiio o gesto pode automatizar-se, mas ele snpõe sem- mais certo. Confrontado com uma sitnação - quer 110
nagem dentro de sua situação é que se poderá dar o pre uma vontade de agir. Sem a intenção o gesto não papel do urso que vai ser morto, ou do lenhador que
PINTURA DOS CENÁRIOS Normalmente, uma mão de base ésuficiente. Se os manejo perfeito elo instrumento. Ocano do borrifador
trainéis aproveitados estavam pintados antes de cores tem de ser mantido em movimento constante, e se al-
diferentes, os resultados obtidos com a primeira mão
não ficarão milito uniformes, porém, as camadas sucessi-
vas esconderão as diferenças. Só se toma necessario o
uso de duas mãos de base quando dois ou mais trainéis
que tenham sido anteriormente pintados com cores for-
tes e contrastantes devam ser pintados em tom pastel.
geralmente se usa adicionar cola de madeira ao pig- .Há pintores que aplicam uma mão inicial de alvaiade.
As técnicas para pintura de cenários que vamos
mento, em vez de goma. Isso não é só desnecessário como também pouco reco-
apresentar são as mais simples. Convém, antes de co-
mendável, já que quanto maior o número de camadas
meçar, ter 111 diagrama de tonalidades demodo a faci-
A. TÉCNICAS de tintas maiores são as possibilidades de descasca-
litar a seleção dos pigmentos que vão ser misturados mento.
para se obter a cor desejada. Oresultado de uma mis-
Uma área de côr absolutamente unifonne é desin-
tura de dois pigmentos re~'tJ1tara aproximadam~nto so- SALPICO - É ométodo nnrmal de se obter uma
teressante, além de possibilitar que qudquer defeito
bre a linha imaginária traçada entre eles no dIagrama. superfície e deve ser inteiramente dominado. Oprin-
na lona, uma emenda, por exemplo, se destaque. O
Assim o amarelo cromo misturado com o vermelho cipiante deve começar trabalhando a uma distância de
veneziano resulta num bege alaranjado. Os tons pa- uso de cores variadas evita ambos os inconvenientes.
mais ou menos 15 cm do trainel e usando uma brocha
Se as valiações cobrirem áreas pequenas, produzi-
lidos são produzidos adicionando-se alvaíade, oque tam- quase seca. Mais tarde ele aprenderá a trabalhar de
rão o efeito de uma tonalidade unílorme Qualquer re-
bém reduz aintensidade da cor. Opreto épouco satis- mais perto ecom abrocha mais molhada. Opintor deve
dução no contraste entre os dois tons usados toma
fatório para obtenção de tons escuros. Asombra queima- ficar de pé com seu lado esquerdo voltado para olocal
possível a utilização de áreas maiores de cada uma e
da é melhor, podendo ser dosada, quardo necessario, a ser pintado, com as mãos na p\lsição indicada na
obtém-se, além disso, um efeito uniforme.
pelo azul ultrn-marino, fig. 1. Bate então a brocha contra base elo polegar da
Se a área de cada tom ou o contraste entre os
Começa-se msturando um pouco dos pigmentos tons for ligeiramente aumentado, ainda .lera conseguido mão esquerda. Uma chuva de pingos de tinta será lan-
sobre uma tábua limpa; isso mostra se os pigmentos o efeito de uma cor uniforme, porém, a superfície terá çada de encontro 1l superfície a ser pintada. É preciso
escolhidos estão certos e da uma noção' aproximada evitar jatos grossos. Os cabelos da brocha funcionarão
um aspecto unifonnemente mais tosco. Aesse efeito é
da proporção na qual as tintas devem ser utilizadas. A que se chama "ccntestua", A contextura natural de como um pêndnlo, ese opintor coordenar as batidas na
prórima etapa é apreparação de toda a quantidade de elementos tais como a massa aplicada com desempe- mão esquerda com omorimento dos pelos, o trabalho
pigmento seco que vai ser utilizada num balde, ou uadeíra ou a fibra da madeira pode ser sugerida pela será realizado com rapidez e com um mínimo de
recipiente semelhante, tomando cuidado para que a esforço.
disposição das áreas ocupadas por cada tonalidade em
mistura fique igual. um desenho detenninado. Salpica-se toda a área e aos poucos vai-se obtendo
Para preparm.· a tinta, transfere-se para um balde o tom desejado pela aplicação de camadas sucessivas.
MÃO BASE - Toda pinana de cenário começa com Esse método permite que 11aja tempo de a primeira
ou panela a quantidade de pigmento já misturado, que a mão base que, normalmente, é de uma só cor e apli- camada secar antes da aplicação da seguinte, além de
será aplicada de uma só vez. Junta-se água e mistura-se cada com uma brocha de parede. Para evitar a forma- pemlitir ao pintor cobrir, nas camadas iniciais, os trechos
bem. R

]Jerimenta-se, então a cor numa tira da fazenda ção de desenhos definidos, quando se pinta um cenário, que possam ter ficado transparentes após a aplicação
que vai ser pintada. A tinta deve ser bastante grossa cada pincelada deve ser dada em uma direção, mais. O~l da mão base. Se algumas áreas ficarem salpicadas de-
para cobrir toda asuperfície, mas não tão grossa que dê menos ao acaso. Ocasionalmente, quando Se quer I11U- mais, é possível clareá-las salpicando com a cor da
para entupir os interstícios da traaa Aquece-se a tinta tar trabalho de nlvenaria, usam-se várias cores a um só base. Não se salpica com uma mão só, pois isso causa
até que fique mama ao tato e acliciona-se goma (de tempo, que se misturam ainda molhadas, e usa-se para o aparecimento de desenhos indesejáveis.
roupa) dissoh~da à razão de 2 xícaras por balde. Es- isso uma brocha em cada mão. Qualquer cor lisa pode ser aplicada, com proveito,
frega-se um pouco da tinta entre dois dedos; se estiver Se um cenário já foi pintado anterionnente, ele por uma pistola que trabalha sob pressão. Porém, para
escorrerradia, a goma suficiente já foi adicionada. Se deve ser recoberto com a nova camada omais rapida- salpicar a segunpa cor, a pistola é inútil, ja que o seu
não, adiciona-se um pouco mais. Se a goma adicionada mente possível, e com um mínimo de pinceladas. Se jato é composto de gotas ultrafinas.
não for em quantidade suficiente, a tinta sairá com alguma parte da pintura anlericr transparecer, não se
facilidade. Agoma em excesso, por outro lado, fonnará deve tentar cobri-la enquanto ainda está melhada. Dei- Um borrifador do tipo usado por jardineiros para
pequenos glóbulos na supedície pintada. No Brasil, xa-se secar e aplica-se então uma segunda mão. aplicação de inseticida, etc. é também excelente para
,salpicar a segunda cor no cenário, porém, requer um V. CT, ns. 51/52
sumas falhas e manchas são inevitáveis, podem ser
1>
PAHEDES. - Suponhamos que se desejlt pintar um Efeitos Especiais. Ha certos problemas que apare- 'I Folhas. Mishlram-se vários tons de verde do mesmo
corrigidas a mão. Esse tipo de horrifador só deve ser cenário do azul fosco qne é identificado com a porce- cem com grande freqüência e que devem, portanto, ser tipo para fazer a mão base. Pintam-se então as folhas,
utilizado para as primeiras mãos salpicadas, até que a lana de Wedgwood. bem estudados. , fazendo-se cada uma separadamente com uma pincelada
técnica de sua aplicação fique inteiramente dominada.
Mão básica. Deve ser ligeiramente mais escura e PapeI de PareeIe- Oeesen1 boque eeve I aparecer e' de uma. brochal redonda, pequena,
' Usam-sel'dois tons,
Oito litros de côr cm pó serão suficientes para pin- menos intensa do que o trabalho pronto. Mishlra-se Ieít
.eno sobre a maoão base em es t'enci'1,SI'Ih ueta ou a\mao
. f mais caro e outro mais
um " escuro, e ap icam-se
d as
tar um cenário normal por esse método. ulbnmarínc, terra queimada e alvaiade. · D'
Iivre, pICae1a ae
epOls, a superf"tae e, saI' t' que o dese- olhas.emiíigrupos,
" para evitar oaparecnnento emarcas
nho ressalte aponto de incomodar. Para uma parede sem slgn .eaçac,
ESFHEGAü - Molha-se um trapo on uma esponja c ! Mão salpica(hl inferior. Usa-se uma tinta do mesmo com desenhos é necessária uma quantidade menor de
csfrega-se sohre a superfície. Pode-se csfregar tinta mais Ivalor c intensidade do desejado, porém com um ponco tinta salpicada do que para uma parede lisa, de modo LAVAGEM DE CENÁRIOS
clara sobre a tinta mais escura, ou mais escum sobre a mais de violeta. Misturam-se ultramarino, vermelho ve- que é bom não exagerar,
mais clara. Um número ilimitado de conteturas pode Depois de mais ou menos seis produções, os trainéis
ser conseguido, imitando pedra, reboco tosco, casca de I neziano e alvaiade e, possivelmente, um pouco de terra
'I queimada. Salpica-se toda a superíicie com essa mistu-
Madeiras - Amão base deve ter a tonalidade que devem ser lavados, pois de outro modo a tinta começa-
llrVOre, etc. Rehoco liso pode ser imitado com tinta apli- se deseja obter no final. Marca-se, então, a contertura rá acair. Levam-se os trainéis para uma área ao ar livre,
ra, até que a área coberta pelo salpico seja mais ou da madeira por cima dessa mão, com duas mãos apli- encostados a uma parede, com a face anterior virada
cada por uma série de batidas leves sobre alona e de- menos igual à área visível da mão básica.
pois espalhada cuidadosamente. , cadas com pincel qnase seco, uma delas bem mais clara para amesma, Encharca-se otrainel pela face posterior,
Mão salpicada superior, Tem quase otom exato de- e a outra bem mais escura do que a primeira. Na pin- por meio de uma mangueira, depois vira-se o trainel e
... ,
tura, segue-se o movimento que seria natural na fibra retira-se a tinta usando-se uma escova e toda a pressão
PINCEL SECO - Esta é uma técnica utilizada sejado, porém é um pouco mais clara, para compensar
da própria madeira, Se se deseja representar madeira da água que a mangueira tiver.
para imitar veios de madeira. Opincel deve estar quase a mão básica mais escura, e com um ]louco mais de bruta, desenham-se as racbas e interstieíos depois que
inteiramente seco, É seguro a 11m ângulo reta da lona verde para compensar o tom violeta da primeira mão já foram pintadas as linhas da fibra da madeira, podén-
epassado de leve sobre asuperfície, para que cada pelo salpicada. Esta última mão deve ser aplicada generosa- c1o-se no caso usar uma mistura de terra queimada e
faça uma linba fina. mente, até que as mãos anteriores sejam quase imper- ulíramarinho, ou então carvão. Zonas mais iluminadas,
ceptíveis auma curta distância, Essa mão deve ser dada ligeiramente mais pálidas do que a madeira, devem ser
UNI-IAS - Apoia-se uma ponta de uma régua rígi- nessa proporção até mais ou menos 2,50 mde altura, e desenhadas de cada lado de cada racha, seja com tinta,
da sobre otrainel efaz-se alinha sobre alona com um tornar-se cada vez mais leve até desaparecer inteira-
seja com giz de cor. Se alguma parte da madeira usa-
pincel chato e de ponta quadrada Apincelada tem de mente a uma altum de 3,50 m.
da tiver relevo (como no caso de molduras), as som-
ser dada rapidamente, pois de outro modo sairá torta, r~
bras dever ser escurecidas como se orelevo fosse apenas
preciso que a régua seja mantida longe do traínel, pois Sombra. A estremidade superior de um cenário
pintado sobre uma snperfície plana, Isso é necessário
se a régua, opincel e alona se unirem a qualquer mo- dcve ser sempre mais escura, o que dá um efeito mais
mento o trabalho ficar~ bonnlc, natural e torna a parte superior menos destacada, ofe-
para contrabalançar as sombras inapropriadas que são ~ D
criadas pela iluminação do palco. fJiiU - "';~
recendo menores possibilidades de distrair aatenção do
,LINHAS FEITAS COM CORDA - Para se pintar público. Atinta que dá esse sombreado pode ser uma
~_lE
- :-r-;:":::::-:~' _~ .
~i"t~ z:
Pedras. Aprimeira mão é formada ]lar uma mis-
uma linha reta longa, deve-se esfregar alvaiade ou pig- versão um pouco mais escura da mistura com que foi tura de vários tons, e sobre esta desenpam-se as linhas ""T; ~(:E!'~\
mento seco em uma corda. São necessárias duas pessoas dada amão básica, ou então uma mistura de terra quei- ~ >"~b;~
de argamassa que ligam as pedras. Salpica-se então o
para realizar a tarefa, uma segurando cada ponta da mada com ulíramarím A tinta de sombrear deve ser
corda bem junto à superfície do traine1. Hetesa-se bem salpicada pesadamente na extremidade superior, come-
ii corda e, então, estica-se amesma, a meia altura, para çando adiminuir a 3,50 medesaparecendo inteiramente
longe do traínsl, soltando depois, para que ela volte aos 2,50 m. Nos cantos, a sombra pode chegar um
todo com uma nústura de ultramarino e terra queima-
da. Usa-se essa mesma tinta para sombrear cada pe- 2. TIJOLOS
dra e para desenhar quaisquer rachas que se desejem. \
ao lugar hatendo na superfície e deixando claramente pouco mais baixo do que oresto das paredes. De outra
marcada a linha desejada. Se necessário, pode-se re- forma o efeito será por demais mecânico.
cobrir alinha com tinta.
Tetas. Tetas de cor clara dislrnem a atenção, de
Tqolos - Dois métodos podem ser usados: 1) Para
tijolos polidos, usa-se a cor dos tijolos para toda a mão
hásica e, depois, desenham-se as linhas da argamassa;
2) para tijolos rústicos, usa-se a cor de argamassa para
íi\ 3.PINCEL StCO

e~
modo que devem ser pintados com uma mãõ básica a base e pinta-se cada tijolo separadamente com duas
B. ROTINA
manam claro, com azul fosco e vermelho fosco salpi- pinceladas de uma brocha pequena, redonda. '
Um interior, comum, com paredes que parecem ser cados por cima, sendo ambos ligeiramente mais pálidos Em ambos os casos salpicam-se tijolos com tinta es-
de um tom uniforme, apresenta-se C01~10 exemplo ideal J do que a m~~ inicial..Um teta desse tipo poderá adap- cura, para sugerir acontextura esombreia-se cada tijolo
para a definição de uma rotina de pintura. lar-se a cemnos, prahcamente, de qualquer cor. separadamente para dar-lhe um ligeiro relevo.
MONTAGEM DE CENÁRIOS nos vários cantos. As cabeças dos pregos devem ficar MUDANÇAS DE CENÁRIOS 1 As rodas usadas para cenário são de 2 tipos: 1)
0,5 cm para fora para que os mesmos possam ser remo- Quando um elemento de um cenário étrazido para "roda maluca", que vira em qualquer direção; 2) "roda
Quando os trainéis são unidos para formar um vidos com Iacilidade, o palco e colocado em sua posição, diz-se que está firme", que so pode ser rodada para frente ou para trás.
canto, é aquele cuja face anterior fica mais completa- As rodas malucas são mais úteis, de maneira geral, mas
"colocado". Quando o cenário foi, simplesmente, remo-
mente de frente para a platéia que deve ficar para Escoras. Os cantos dos cenários mais o peso do afixa oferece grandes vantagens para os movimentos em
vido temporariamente para outra posição, diz-se que
cima. De outro modo o público poderia ver as frestas teta já criam, por si, uma rigidez surpreendente. No foi "tirado". linha reta.
fOl111ndas na junção. entanto, sempre são necessárias escoras arlieicnais no As vezes, cenários inteiros são colocados em plata-
meio de paredes longas eno lado da dobradiça (ou até Mooimen/([çiio do cBnlírin. Oprocesso de mudar-se formas sobre rodas, chamadas "carros", que têm alJenas
Al1Iarl'llçffo. Um buraco de 1 cm é feito na canto- mesmo em ambos os lados) de uma porta. Esse escora- manualmente um cenário de lugar, chama-se "Jeva{, 15 em de altura e que podem chegar a ter a mesma
neira de reforço superior à direita do trainel que fica mento é feito com escoras de palco. Um pilão é preso e não é tão fácil quanto parece, pois muito embora os área do palco inteiro. Os carros tornam muito fácil o
à esquerda da fresta. Um pedaço de corda fina do com- a um prumo e a escora, colocada de tal modo que seu cenários sejam de modo geral leves, são também de proce,\so da mudança de cenário, porém, requerem um
primento da nlíura total do trainel é passada por esse salto fique virado para o chão e um dos ganchos da formas pouco eêmcdas e necessitam um grande senso espaço enorme de corin e de deposito.
buraco oamarrada pelo lado de dentro. Esta é chama- e).:tremidado superior penetre no buraco do pilão. Vira- de equilíbrio para poderem ser 'levados" sem maiores
da "cordinha de amarração". Pinos de amarração são se, então, a escora de modo que oreforço metálico do dificuldades de um ponto para outro. Cenários Pendllrados. Quando um palco é equipado
com urdimento elaborado, uma ~rande parte do cená-
pregados aos prumos, conlorme a figura. Opino mais salto se apoie no chiío e seja a ele aparafusado. Um Os trainéis são levados sempre de lado, para que
rio pode ser mudada por meio de cordas que alevantam
alto é colocado na face interior do prumo esquerdo do esquadro pode ser usido em lugar de uma escora, mas não ofereçam resistência ao ar, eprecisam ser mantidos
pm'a ourdimento. Na maior parte dos palcos, entretan-
trainel que fica à direita, a uma distância de mais ou ncrmalmente é menos satisfatorio. numa perfeita vertical, pam que não tombem para um to, apenas o teta, as bambolinas e pemas são pendu-
menos 30 cm do alto. Oseguinte é colocado mais ou ou outro lado. Uma pessoa posta-se junto à face poste- rados.
menos 90 cm abaixo, no prumo direito do trainel da Endurecimento. Se necessário,as paredes podem rior do trainel, perto do plUma que irá na frente, o
esquerda. Continua-se a celocir os pinos em lados al- ser endurecidas por meio da colocação de gmlchos em qual ela segura com as duas mãos, mantendo as plantas Pernas e Blll1lbolinlls. São presas às "vm'as" por
íernade, a distâncias de 90 em. Se essa distância colo- "S" nas travessas centrais ou superiores dos trainéis e a das mãos para dentro, de modo que os pulsos toquem a meio de "cordas" que passam on por buracos cavados
car opino muito próximo de um esquadro ou de uma colocação de uma ripa de 2,5 x7,5 cm na outra metade lona. Segurando-a dessa maneira, ela levanta a parte na vara superior da pema ou bambolina, ou por pe-
travessa central, ele deve ser movido um pouco mais dos mesmos ganchos. (10 trainel que irá na frente e deixa que o outro lado quenos cortes feitos na lona logo abaixo da madeira da
acima ou um pouco mais abaixo. Um gancho de amar- se arraste no chão sobre a extremidade da travessa in- armação.
ração deve ser colocado na face interior de cada prumo, Aldraoas eG([nCllOs. Aldravas comuns de portas le- ferior. Quaudo possível, uma outra pessoa segue a pri-
meira, empurrando o traínel ou ajudando a mantê-lo Teias. Estes são presos conforme mostra afig 4. As
mais ou menos a 75 cm do chão. ves ou de armárins podem ser usadas para unirtrainéis
em equilíbrio. mas em caso algum deverá o outro lado várias cordas são presas a chapinhas metálicas com bu-
Para fazer a amanaçiío dos dois trainéis passa-se que elevem ser separados rapidamente. Quadros e outros ser levantado do chão. Mesmo um biombo, composto racos, presas ao trainel que forma oteta e amarradas na
primeiro acorda por cimado pino superior. Há um certo materiais de cena leves são presos aos cenários com de vârios trainéis, poderá ser transportado dessa forma vara que vai suspender aquele pl1lUlO. Pedaços de ma-
jeito no jogar-se a corda por cima desse pino, que so ganchos de quadros. Quando duas cordas precisam ser desde que tenha sido dobrado primeiro. deira de ~5 x7,5 cm devem ser parafusados às paredes
éadquirido com aprática. Os pontos principais a serem unidas ou separadas com muita rapidez, deve-se atar laterais do cenário a cerca de 60 ou 90 cm dos regula-
Portas e seus portais e armações são transportados
lembrados são: 1) jogar a corda bem alto; 2) puxar a à ponta de uma argola e à da outra uma pequena trave como se fôssem uma so unidade, mas têm de ser se-
dores. Os pedaços devem projetar-se uns 15 cm acima do
corda de volta imediatamente, com um mcvimenl» rá- metálica, semelhante a um tipo que muitas vezes se parados dos trainéis. No ato de levar, dois homens car- cenário, servindo de trave para evitar que oteta dessa
pido. Passa-se depois a eordínha prendendo cada pino, usa para arreios ou correntes de cachorro. demasiado quando estiver sendo baixado para seu lugar,
regam a armação entre si, inclinando-a ligeiramente
estica-se a mesma até ficar tesa e passa-se finalmente ., _ . de forma a permitir que a porta se mantenha fechada
por baila dos dois ganchos fortes de baixo, oque, auto- PO~iOlS c./anel([s. Sao ,e~as DO lugar por mao de 1
pelo proprio peso. MUDANÇAS DE CENÁRIO - PLANEJAMENTO
maticamente, a prende no lugar. Aponta da corda é I dobra~lças tllan~ares: qu; sao presas a cad~ l~do Ada
Ii1l1I1adapor tras da li nI1,a retesada,
I I
, como se veAna f'Igu- annaçao. Afolha mfenor. e aparafusada .. em. lIgeIro
' an- MlId([llç([s sobre rodas. Cenários pesados ou de for- Osegredo da mudança rápida de cenário está no
· d
Ta, PIllOS e amarraçao I
- Joclen d b
1 ser usa os em su s 1-
titui gula,
,
com a parte supenor IIaelramente
" • • •
VIrada para a mas complicadas devem ser transportados sobre rodas. planejamento etreinamento repetido de cada movimento
- I os na base da aln" ....aç-ao I na ene a" cona. Quando em uso, a ertremidade mfenor Por exemplo, podem ser colocadas rodas embaixo de de forma que, no momento do espetáculo, nenhum ele-
çao aos gane 1 " , 'UI', I UI I rncn- - I d arma-
da alo
cia Mas neste caso as pontas da corda devem ser çao e coloca~a na abertura yelo lado da fren~e oy co, pedaços de madeira de 5x 10 cm, que por sua vez são mento da equipe do palco fique sem trabalho ou en-
amarradas e fica difícil evitar que a corda ceda um quando, então, as folhas h:res das dobradiças sao l~- presos entre as pernas de um praticável. Todo cenário carregado de uma tarefa que não possa executar. O
o vantadas e a armação inclinada para passar por tras montado sobre rodas é movido com muita faeilidade e, pessoal do palco sempre trabalha melhor em pares, e o
pouc . das mesmas. Quan do a arnmçao -estiver
' DO 1ugar, abai-. quando usado em cena, deve ser preso ao chão por meio número de pares exigidos depende da dificuldade da
Trainéis pregados. Quando a peça requer apenas xam-se as folhas livres de maneira que prendam a ar- de cantoneiras metálicas que são aparafusadas ao ele- mudança. Considera-se quatro pares a média. Otraba-
um cenário, pode-se dispensar a amarração e pregar-se mação da porta contra os prumcs interiores dos trainéis mento do cenário e depois ao chão, por meio de para- lho deve ser dividido em etapas e cuidadosamente dis-
os trainéis uns aos ounos com pregos de acabamento laterais. fusos de palco, isto é, de borboleta. tribuído com toda antecedência. Organiza-se um orga-
nograma afim de substituir um cenário por outro sem ,..... Sugestões para um repertório amador ou escolar
perda de tempo. Essa rotina é infinitamente superior
ao método de se reuuir no palco toda a equipe edizer:
"Como é, pessoal, alguém tem alguma sugest~o a fazer Não é tanto aqualidade do te1to que conta, mas suaintel'pretllção e apl:gsentação
arespeito do primeiro pedaço que deve ser mudado?", geral. Isso não impede que g.g escolha uma peça, de qHaUdade.
As etapas de cada integrante da equipe de maqui-
nistas devem ser datiJ.ografadas em cartões de 7,5 x 12,5
PEÇA PERSONAGENS CENÁRIO ADTOU
cm para que cada um possa ter em mão um lembrete
fácil de suas tarefas, OPa5telão eaTorta (farsa) Julião - Balandrot - Pasteleiro Frente de casa,
Quando uma mudança é ensaiada, algumas. etapas - Pasteleira 1 banco Anônimo
terão pouco rendimento edeverão ser modificadas. Cada O Moço Bom e Obediente Músicos (3) - Ajudante - Pai
mudança deve ser cuidadosamente marcada tanto 110 (nô) - Moço - FU5a - Mercador - Palco nu com alguns
quadro geral (organograma) quanto nos cartões indi- Vizinhos - Abadessa acessórios Barr & G. Stevens
viduais de cada maquinista,
2 Farsas Tabaríllicas Tabarin - Pifane - Lucas Jou-
..... Hu - Fritelin - Isabela - 1 casa à E el casa
Francisquinha à D. Máscaras Ileperíôrío de Tabarin
O Jogo de São Nicolau 3 meninos - Carniceiro - Mu- Palco nu, 2 tambore-
lher São Nicolau tes, salmoura, más- Chancerel
caras
OBoi e o Burro no Cam i- Boi - Burro - Personagens do
nllO de Belém (Natal) Presépio - Anjos - Pastor - Lapínha c/manje- MC
Pastora, - Reis - Rainhas doura Machado
'[[ Toclo Munclo & Ninguém Ninguém - Todo Mundo - Bel-
(cena) zebu - Dinato Palco nu Gil Vicente
Mofina Mencles (cena pas- Paio Vaz - André - Pessival - Palco nu, 1 pote que
toril) João - Braz e Mofina se quebra Gil Vicente
OMancebo que casou com Patrônio - Mancebo - Pai Rico
Mulher Geniosa - FilllO - Pai Pobre - Filha - Palco nu, c/cortina.
Mãe - Músicos eDançarinos Acessórios Casona
Os Cegos 3 Cegos - 1 Caolho Palco nu Ghelderode
AVia. Sacra Narrador - 2 Mulheres - 2 Ho-
.j
mens Palco nu c/praticáveis Chécn
O Carteiro do Rei Madhav - Médico - Velho -
AmaI - Leiteiro - Guarda -
Chefe - Sudha - 3Meninos -
Arauto - Médico Casa de Madhav Tagore
ACova de Salamanca Pancrácio - Leonarda - Cristi-
na - Estudante - Sacristão -
(Do livro Gomo Fazer Teatro, de Henning Nelms, Edi- Compadre - Barbeiro Casa Cervantes
tom Letras e Artes, GB). If
O Urso (farsa) Helena - Smirnov - Lucas Sala de visitas Checov
Nota - Sobre Construção de Cenários e Maleria! eFer- O Pedido de Casamento
ramenlns usados nesse trabalho, consulte os CT ns ,-.,
51/52. (farsa) Lomov - Criado - Mulher Sala de vsíías Checov
·~-,

PEÇA PEHSONAGENS CENA1UO ADTOU PEÇA PEHSONAGENS CENARIO ADTOU
O Jubileu (farsa) Chiputchin - Tatiana - Kisma As Inleljerêncías (drama) Dono do hotel - S/ml~lller -
- Hirin - NastiÍsia - Acionistas Gahinete de presiden- Garçon - P1Ú - Mãe - Filha
de banco te do Banco Checol' - Gorda - Marido - Menina -
Os Males do FllillO (monó- Senhora - Esposo - Amigo - Terraço de hotel de
10~0) II'anovic11 I-Iusmeadórol' Palco nu Checol' Mocinlm - Hapazinho - OHo- veraneio cl mesas e
OCaso do Vestido (poema) Esposa - ~ Filhas - Dama Paleo nu C. Dru111011[1 de An· mem cadeiras M. C. Machado
drade Concersaçtio Sin/onieta Ensaiador 1.0 - Baixo ~.o - Bai- Palco. vazio represen-
Depois da Missa Beatriz - Laura Interior Machado de Assis xo 1.0 - Contralto ~.o - Con- tando estúdio de riÍ-
OEspírito da Nave (nô) Mon~e - Espírito - Barqueiro tralto - Soprano - Tenor - Lo- dia: microfone, ca-
- Viajante - Mãe - Coro - cutor - Uegeute. deiras e estantes Jean Tardieu
Filho Palco nu Motomasa Jure Piquenique no Frollt Zapo - Sr. e Sra. Tépan - Zepo Trincheira cl arame
A Dama illascarada (farôa) Taro - Amo - Amante Palco nu Sumlnuri Onna - Soldados farpado e sacos de
areia. Maca Arrabal
OMarinheiro (poema) 3 Irmãs Palco nu cl caixão Fernando Pessoa
... Guemica Fanchou - Lira - Mulher - Fi- Interior de casa des-
Aquele que Diz Si))) & O Instrutor - O Menino - A ~

lha de 10 anos - JOl11alista - truída por bembar-
..Aquele qua Diz Ntio Mãe - 3Estudantes - OCran- - Escritor - Oficial deio aéreo Arrabal
de Coro Palco nu Bredn
Uma Consulta Farsa do Advogado Pathe- Pathelín - Cuilhermína - Tco- Palco nu com elemen-
Um Doutor - Uma Senllora Escritório Artur Azevedo lin baldo - Juiz - EscJil'ão tos de cena Anônimo
ONovo Otelo (comédia) Antônio - Calisto - Francisca -
AHistória de Zoológico Peter - Jeny Central Park, ~ ban-
Justina Sala J. Manuel de Macedo cos Albee "
O Único Ciúnw de Emer Músicos - Emer - Eightne - ln-
(drama poético) Viagem Feliz de Trenton a Mrs, Kirb - MI'. Kirb - Carelí- Palco vazio, 4 cadei-
guba - Chuchulan - Fantas- ras (auto) e ~ para
Comelell na - Artur - Bealah (filhos)
ma de ChuehuJain - Faml Palco vazio. Máscaras Yeats ...·7'

- Diretor de cena o soH Wilder
Entre o Vermute aa Sopa llmélia - Angélica - Doutor Sala Arhll' Azevedo Auto do JOGem Píramc
l1s Desgraças de 11l1U1 Ahel- Rita - Pacífico - Manuel Quarto com berço, (Cena 1, VAto) SonllO Pímmo - Tisbe (travesti) -
Criança (comédia) Madalena - Soldados mesa, marquesa e da 1 Noite de Verão Leão - OMuro - OLuar Palco nu Shakespeare
cadeiras Martins Pena O Vaso Suspirado (comê-
Eu Sal! aViela - Eu Ntio Lindo - Linda - Hapaz - Me-
dia) ~ Beatas - Bispo - Sacristão Sala c/cama & cortí-
SOIl aMorte nina Palco vazio Qorpo-Santo na, acessórios 17, Pereira da Silva
TOlturas de 1 Coração (en- Manuel Flores - Cabo Setenta ,,..
tremez p/mamulen~o) - Benedito - Afonso Gostoso
- Vicentão - Marieta Hua Susssuna i-
Viajantes Para o Mal' (tra- Malll'va - Nora - Cathleen - Cabana c/mesa eban-
gédia) Bmtley - Mulheres - Homens cos S}~lge
ASombra do Desfiladairo Dan Bark - Nora Burke - Mi- Cozinha de cabana, cl
chael Dara - VagalJUndo mesa, cama c ban-
cos Synge
AGramática Cabonssat - André - Machut - Sala, Aparador. Escri-
Branea - João - .Mathias vanínha emesa Labiche
Os Embmlhos (drama) Velho - Vellia - Criada - Ho- Sala c/pOlta e janela, ...
mem - Maquinistas de cena estante, mesa, pol- Todos os textos aqui recomendados foram publicados nos CADERNOS DE
tronas e diversos TEATHO, conforme índice no final desta revsta. Estes textos vêm, geralmente,
objetos M. C. Machado acompanhados de explicações e conselhos sobre sua montagem.
oQUE VAMOS REPRESENTAR PAI - Fico espantado de teu in-
tento e ansadia. Sois tão diferentes
CENA II

um do outro. Tu és pobre e ela é PAI luco - Olá, senhor vizinho!
I gmn quisesse carregar com ela de
minha casa. Antes, porém, por Deus,
eu seria falso amigo, se não vos
rica e tem mais terras do qne pode- Bons ventos o trazem! Em que lhe avisasse do que pode acarretar essa
rias percorrer a cavalo num dia c posso ser útil? decisão. Somos amigos e tendes um
FARSA DO MANCEBO QUE CASOU COM andando a trote. átimo filho, seria grande maldade
PAI POBRE - É um pedido que vos consentir cm sua desgraça. Certa-
MULHER GEl\~OSA MANCEBO - Não deis tanta impor- venho fazer para este meu filho ...
mente, sabeis que minha filha é ás-
tncia :l isto. Se ela tcm fortnna, eu a
PAI luco - Posso saber de que se pera egeniosa como uma megera, e
aumcntarei com meu esforço. Se tem
trata? se o rapaz chegar a casar com ela
De ALEJANDHO CASONA tantas terras que não se pode pcr-
mais lhe valeria uma boa hora de
correr num dia andando atrote, an- PAI POBl\l\ - Amigo e senhor, ten-
Tradução de WALJ

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IlR AYALA darei a galope.
morte do. que tão difícil vida.
des uma finm única...
PAI - Não é só isto. O quanto PAI POBRE - Tranquilize-se, se-
PAI RIco - Uma única, é certo, nhor. Quanto aisso podeis ficar des-
tens de boas maneiras tem essa mo- mas que me preocupa como se los-
Escutai a história que está escrita ça de más e arrevesadas. cansado. Orapaz bem sabe do tem-
PRóLOGO sem duzentas,
num famoso livro, primeiro dos li- peramento da noiva, emesmo assim
MANCEBO - Eu vos asseguro, pai, PAI POBRll - E eu só tenho este deseja casar-se. Não foi enganado.
vros de contos que em terras de Es-
PATRÔNIO (diante da co/tina, fala que não há mula falsa onde for bom
panha se escreveram. E contribua filho. Em outros tempos, quando
ao 1)000) - Minhas senhoras, meus o cavaleiro. E que saberei manter éramos pobres os dois, unimos nos- PAI RICO - Então, não se fala
oprazer e areflexão que vos cause,
senhores, um momento de atenção. Iirme a rédea desde oprincipio. mais. Se assim é, eu a entrego de
para Rmaior glória de seu autor, SR amizade. Hoje, venho pedir-vos,
Quereis divertir-vos com uma anti- bom ~rado, meu filho. E que o céu
o infante D. João Manuel, que há PAI - Olha, rapaz, que seu pai se for de vosso gosto, que unamos te auxilie " nesta empresa. (Ouve-se,
rra história? Apresento-me: sou Pn- 600 anos foi, em Castela, cortesão
trônio. criado e conselheiro do mui- nunca pôde (laminá-la. E tem tal também nosso filhos. [,indo de dentro d(! caSIl, grande rlli-
discreto, poeta de cantares e autor gênio que não há homcm no mundo,
to ih;stre Canele Lueanor, o qual de livros de caçada e de sabedoria. PAI RICO - Será que estou ouvin- do de gritos e pratos qllebrados).
costuma consultar-me toda vez que Rnão ser tu, que queira casar com do bem, i~zinho? É de casamento Não se espantem: é a moça, que
uma dúvida oassalta, Adúvida des- tal demônio. que me falais? discute amigavelmente com sua mãe,
tavez éque aum seu criado prep~­ Retira-se PATRÔNIO e sobem ao (Chama). Olá, menina] Senhora mi-
tablado O M,u'lCEBO e o PAI DO MANCEBO - Podeis bater na porta, PAI POBRE - Já adverti ao rapar. nha mulher! Vinde aqui! Temos
ram casamento com uma moça mili-
MANCEBO. pai. Amoça ébrava? Seja! Mas com da vossa riqueza e da nossa humil-
to mais rica do que ele, e de alta grandes novidadesl
linhagem. É um bom negócio, direis. braveza e tudo é de meu gosto. Se dade. Mas ele insiste...
Mas meu amo não se atreve a levá- PAI - Aconselho-te, meu filho, oseu pai consentir no casamento eu
saberei como se passarão as coisas PAI RICO (avançando, cheio de Saem mãe e filha, milito furiosas,
lo adiante, por um receio que tem, que penses melhor antes de bater
Acontece que a tal moça é a mais nesta portR. Atal donzela que pre- em minha casa desde oprimeiro dia. assombro, para oMancedo) - Então em. grande discussão, disputando-se
violenta e seníosa coisa qne há no tendes émuito mais rica do que nó~ Batei sem medo, este moço quer casar com minha 11m pano que ambas· )luxam cada
mundo. De"tão mau gênio que certa- eda mais alta linhagem. Não ébom PAI - Já que insistes, não digas
filha? lima )lara si.
mente não haverá marido que possa que a mulher supere em dotes e MANCEBO (humilde) - Se fôr de
depois que não te avisei em tempo.
com ela. Por isso eu, Patrônio, con- fortuna a seu marido,
. Peçancs Rmão da moça e queira vosso gosto... PAI RICO - Mas que é isso, se-
selheiro fiel, quero levar ii cena hoje, MANCEBO - Sei disso. Mas pensai nhora? Filha indomável! Assim apa-
Deus que não no-la concedam. (Ba- PAI RICO - É inteiramente de
Personagens: PATRÔNIO neste palco, esta história, para que também, meu pai, que sois pobre te cDln ocajado). Ó de casal meu gosto. Deus te abençoe, meu receis? Não vedes que temos visitas?
M,u'lCEBO sirva de exemplo a vós todos e a e nada tendes pRTa me dar que
OPAI DO MANCEBO meu prezado amo. me possibilite viver honradamente. filho. Que pes'O me tiras das costas.
Moç.A (Atrevida, olhando-os de al-
A MOÇA Esta é, pois a"história do mance- Assim sendo, se não colaborais para PAI POBRE - Então está concedi- to abaixo) - E que visitas são es-
OPAI DA MOÇA bo que casou com mulher geniosa" que este casamento se realize, serei ., Descerra-se acortina, aparecendo da a noiva? tas?
A lvfÃE DA MoçA e das artimanhas que usou para do- forçado a \~ver com privações ou R acasa da moça. OPai da pretendi-
MÚSICOS e DAi'IÇA- maá-la desde o dia em que se CR- ir-me desta terra em busca de me- da, que está só, levanta-se ao Der os PAI RICO - Já esetá entregue. PAI RIco - Este rapaz, minha fi-
BINOS saram. lhor sorte. vizinhos. Mas nunca aconteceu que homem al- lha, é teu futuro marido.
MOÇA - Meu marido? Este? (O guida, oPAI nIco ea MÃ1\. Atrás os grinalda e os enfeites, aI/De-Se can-
MOÇA - Falas com o gato, ma- oMAJ'!CEBO puxa da pistola edis- MANCEBO - Aceia não esteve sa-
lido? para em direção ao caDalo. Oanimal tisfatória. Que isso não torne a
mancebo faz uma reverência. Amo- noivos e pares de moços e nwças lar o cortejo, distante. cai pesadamente. acontecer.
ça ri às gargal/llIdas). Não me pu- coroadas de grinaldas em flor. Can- MANCEBO (sem am' atenção àmll~"
destes encontrar eoisa melhor na tam. e dançam IW cenário mn "Ro- Ihel). Como? Tu também calas? MoçA - Deus nos valha, marido! MOÇA - Não te preocupes. Ama-
feira, meu pai? mance de Bodas". CENA IV Traidor! Não viste o que aconteceu Malaste o cavalo! nhã eu mesma a prepararei. ..
ao cão por não me obedecer? Aviso
MÃ1\ - Muito me espantaria cu, COllTJi]O - Maio cm flor vos traz MANCEBO - Edaí? Pensas que ad- MANCEBO - Bem, agora vou ao
MAtxCEIlO - Digo-te, mulher, que que se insistes em teimar comigo
marido, se fizésscis alhJ1lma coisa gentis atavios mitirei dar uma ordem em minha leito. Cuidado, mulher, que nada me
não se cumpre conosco o costumc tcrás omesmo fim. Dá-me água pa-
usando a cabeça. Então, com omais os alegres campos, ra as mãos agora mesmo! casa e não ser obedecido? (Dá Hill perturbe o sono, com a raiva que
esfarrapado da cidade haverin de as fontés e os rios. desta terra, de servir a ceia dos noí- ponta-pé na cadeira. Volta a olhal' tive esta noite nem sei se puderei
arruiaar-se llossa filha: ., vos sem que lhes falte nada. MOÇA - Mas, marido, como que- para os lados com fúria. Fita o olhar domá Esta cadeira...
Erguem a cabeça res que o pobre gato entenda de nela ese alJroxinlll. Fala calclllada e
PAI RIco - Calai, senhora, e não salgueiros bravios, MoçA - Mas não vês aí tudo? MoçA - Sim, sim... (Apressa se
bacias de água? lentamente) - Mulher, dá-me água em pôr acadeira no lllgar).
reh11queis mais. É de minha vonta- c as verdes espadas MANCEBO - Não vejo onde está a
de e está deeidid(). Amanhã será o de onde apontam MAN"CEBO (Impõe silêncio com 11m para as mãos.
bacia da água para lavar as mãos. MANCEBO - Ilumina ocaminho!
casamento. [lírios. gesto, secamente) - Que? Nem te MOÇA (tremendo) - Água? Agora
MOÇA - Água para lavar as mexes apesar de tudo? Ah, gato mesmo! Porque não pediste antes, MOÇA - Sim, sim ...
MÃ1\ - Vossa vontade? E que mãos! Essa éboa, marido. Contenta- traidor. " Espera, espera e já ve- marido?
vontade é a vossa, seu frouxo? Ai, Dançam e repetem, cantando, (j
rás!
te cm comer e calar que em tua AMOÇA acompanha-o com ocan-
minha filha, minha pobre filha .. , primeira estrofe. casa, certamente, não te davas ao oMANCEBO sai entre as cortinas. (1\ MoçA corre para dentro e coi- elelabro, cedenelo-lhe a dianteira
PAI RICO (Confidencialmente, para luxo dos lavabos. OIlDe-se um miado estridente. Vol- ta COlll lIn/(/. peqllena bacia d.'áglla COlllllllla reverência. Sai oMANCEBO.
avizinho) - Amãe não é menos PAI l\ICO (Chamando a moça à MANCEBO - Te enganas. Sempre ta aentrar com 11m gato espetado na elima toalha) - Espera! Não te can- Fora l'ecomeça o Romance de Bo-
tirana, mnigo. Mas esta já não há parte) - Esh\s casada, minha fill]a, fui pobre, porém limpo. Equero me espada. Joga-o ao pé da moça. ses. Eu mesma te lavarei! das. 1\ MoçJI. IiOItO ecorre até aja-
quem me tira de casa. ouve agora mcu conselho: obedece lavar. (Pallsa. Ela não liga. impor- nela.
e serve a teu marido, que há mais MnGia. Ele dá um soco na mesa, er- MOÇA - Ai, pobre gatinho! (Erglle
sosscgo em obedecer do que em gllendo otom de voz). Quero me la- o bichano tristemente pelo rabo, MM' ICEBO - Menos mal Agora
Feclw-se acorlina e volta aapa- mandar, comprovando qlle está morto). serve a ceia. MOÇA - Loucas! Que fazeis?
receI' PATRÔNIO. var, ouviste? (Olhando em volta de MOÇA - Sim, sim,., agora mes- Psiu .. Não perturbeis meu marido
MÃE (Tomando amoça pela mão si). Ei, tu, dom cachorro! Dá-me MANCEBO - E agora, tu dom ca- mo. É só mandar, marido, (Sel'De, senão seremos todos mortos! (Cessa
e lerando-a para o Olltro lado) - água para lavar as mãos! (Olltra valo. Traz-me água para as mãos! prodigaliz,(/ndo-lhe sorrisos. Fica em a música. Ela impõe silêncio ao pú-
Estás casada, minha filha, ouve ago- vallsa. ESIJem). Como? Não ouvste, Vamos! pé enqllanto ele come). blico, nas pontas dos pés). Silêncio,
CENA III ra um com-elllO: não te deixes ~ão traidor? Eu te ordenei que me MOÇA - Isso não! Pensa, rnarido, MANCEBO - Ah, como agradeço silêncio, todos, por Deus! Meu amo
abrandar nem por bem nem por trouxesses água para as mãos. Ab, que cachorros e gatos há muitos. aos céus por teres obedecido pron- esta dormindo... (Fecha a cortina,
PATRÔNIO - Assim começa a nos- mal; que ao que lambe as mãos, a calas! Não me obedeces? Não perdes levando 11m dedo ao lábio).
sa hsíéria Logo veremcs como Mas cavalos, tens apenas este. tamente. Caso contnúio, com o té-
este dão pancadas. por esperar. (Sai fllrioso para trás
dio que tenho, faria contigo omes-
prossegue e termina, Fortc éamoça das cortinas edá punlwladas fia ca- MAJ'ICEBO - Ora, mulher, pensas mo que fiz com ocavalo. Mlldança de IlIzes. Sai o PAI DA
e bem decidido omancebo. Oque PAI RIco - Ei, senhores. Retire-se chorro, que late espantado). que por que não tenho outro cavalo,
agora ocortejo. Que fiquem sós os
I~

MOCA - E como não te haveria MoçA. Escllta, levando a mão à
resultou desta união, logo osabereis, este vai se livrar de mim se não me orelha.
atender? Que cuide de não me abor- de ob~dccer, marido? Sei muito bem
Eu me retiro, que ocortejo está por noivos até o outro dia. MOÇA - O que fizeste, marido?
Mataste o pobre cão. Olhem que
chegar, e só '~m aqui para vos avi- recer, do ccnnárío terá tão negra qu não há qualidade que assente tão
tipo de bemem éesse. ,.
sar que ocasamento se fez e já tra- Despeden>-se entre risos e abra- morte quanto os outros. 0'oltando- bem numa mulher como a de servir CENA V
zem a noiva à casa de seu marido. ços esaem todos cantani/o. OMAN- MANCEBO - Mandei que trouxesse se para ela, qlle rotrocede, assllsta- e honrar ao senhor de sua casa.
(Saúda o cortejo). CEBO descerra acortina eentra com· água e não me obedeceu. (Limpa o da). E não haverá viva alma nesta Manda-me o quanto quiser. Eu ju- PAI RIco - Não se ouve nada.
a noica em· slla casa. Está posta a punhal na toalha da mesa e toma casa a quem não faça o mesmo. ro... Que se terá passado aqui? (Chama).
ocortejo, que celll pelo meio da mesa e sobre ela 11m candelabro aolhar ao redor fle si, contrariado.
.. (Para fora). Ei, dom cavalo! Ouviste? MANCEBO (interrompendo) - Ca- Meu genro! Oh, meu genro! (Sai o
praça, aparece e de~ila diante do aceso. Ao flllido, por uma janela, Dirige-se a um SllpostO guto, do 011- Dá-me água para as mãosl la-te! Chega! MANCEBO).
público e sobe ao tablado. Vêm Dê-se acabeça do caDalo ruminando tro lado da cortina). Etu, dom gato,
MOÇA (pertllrbada) - Enloqueceu! MoçA - Sim, sim, perdão. MANCEBO - Já está mansa...
gaitas, tambores epandeiros. Em se- no cl/rral. EnqllOnto a. noiva retira a me traz água para as mãos!
PAI Bico - Mansa? Minha filha! ÚLTIMA CENA
DOS JORNAIS
MANCEBO - Mansa como uma ovc-
lha. MÃi, - Que fazeis aqui, marido,
tão cedo ccom uma espada na mão?
PAI RICO - Mas isto é maravilho- PAI - E qnem sois para pergun-
so. Conta-me como te arranjastc lar-me alguma coisa, senhora?
para conscguir tal milagre?
lvrÃE - I-Iein, perguntais quem
MANCEBO - Puxando forte a rr- sou?
dea desde oprincípio. Mandei ocão PAI - Falai, quando fordes man-
trazer água, como não obedeceu,
msteio a punhaladas diante dela.
dada, e muito cuidado para não me
aborrecer. (Ouve-se ele elentro ocan-
OS POSSESSOS - de Dostoievsky-Camus
Fiz o mesmo com o gato e depois to ele I/m galo).
com o cavalo. Assim que, quando
ordenei-lhe que me trouxesse água, MÃE - Com que então essa é a
obedeceu voando por medo de so- nova fqla vossa, hein, marido?
frer igual castigo. Eu vos garauto PAI - E antes de replicar mais ....
que, de hoje cm dante, vossa filha uma _palavra, olhai bem o que vou ELZBIETA MORAWIEC esquerda - oquarto ele Chatov. Entra oNarrador (Ta-
será a mulher mais bem mandada fazer. Ei, tu, dom galo, trazer-me deusz Malak) que participa ativamente da ação. É a
do mundo. E juntos teremos uma ágna para lavar as mãos! ele que, Inzendo sua giná~tíca, Kirilov lhe expõe a idéia
vida muito feliz. do suicídio que dsve restituir a liberdade ao homem,
MÃE - Mas oque fazeis, dom fu- A pIÍncípio, apenas a escuridão. A furiosa eslri- libertá-lo do medo e tomá-lo Deus; é ao narrador
PAI RICO - Por todos os diabos, Jano? É com o galo esta conversa? dêneia de uma lancinante música pop atravessa a sala. que Chatov (Aleksamler Fftbisiak) conta sua viagem i\
rapaz Ql:e grande idéia ,]:le estás PAI _ Silênciol E fique de olho Quando um projctor de grande potência joga sua luz América e o apoio financeiro que Stavrol(lline lhe con-
dando Se :u puder faze:, o ~c.:- no qne se vai I!assar aqui. (Para o sobre o palco, vê-se Stavroguiue (Jan Nowicki). Sobre cede. Apartir daí os fios da intriga vão se fechar em
]:10 fom a mae, que tambem c h-I suposto galo). Não ouviste que te
sua cabeça, na tela, aparece uma troika agrande galope. torno do ausente. Vcr-se-á Liza Drozdova (Hanna
mnai pedi água para as mãos? (Pausa). A cena, de colorielo cinza puxanelo para o azul, está Haleewiez] ir iI casa de Chatov a pretexto de lhe pro-
vazia; ao lado direito da rampa - o muro estragado por um trabalho mas, na realidade, para conhecer Ma-
MANCElJO - Não sei o que dizer, Que; ~ã~ me. obedeces? Espera, es- de uma casa com balcão de madeira. Nnm tom ofe-
meu sogro. Mas penso que nunca os pera. I Sm funoso). ria Lebiadkina, sua vizinha do primeiro andar. Bela
gante, ritmado pela música, começa a Confissão ele como um pássaro exótico na brancura de seu vestido,
segundos tempos foram bons. Lem- NEE - Pelo que vejo hoje afesta Stavroguine. Ê não somente uma confissão da alma como um anjo que desce ao abismo do pecado e da
brai-vos daqueles versos de Luca- écompleta... (Arregaça as mangas). mas aquela diante de um tribunal; de uma galeria ouve- miséria, Líza contrasta com o negro austero do casaco
nor:
se ocrepitar de uma máquina de escrever que relata o de Staravoguine e com o elos demênios que, infalível
"Se no início não mostras que Volta oPAI trazenelo ogalp mor!o, processo verbal. Stavrognine conta sua iniciação no mal: e implacavelmente, mudam o cenário e estimulam os
[és capuz, pelo pescoço. o estupro de Matrioclla, de 12 anos, o suícldio da me- fatos da ação. Ela contrasta, enfim, com Lebiadkine
não poderás mostrá-lo nunca 'I~ nina e seu próprio gozo na vigília dessa morte. Numa (Jerzi Binczyck), cujo uniforme verde se emporcalhará

[ mms...
»
MÃE - Vejo muito bem, marido. Inz refletiela, a silhueta da menina-madona com ofilho em mais de um esgoto. Depois da saída de Liza, entra
Porém, tarde demais vos lembrais de aparece sobre o balcão. Stavroguine cai ao chão toma- Lebiadkína (Izabela Olszweska); sua conversa cheia de
Cuidado, aí vem vossa mulher...
tal providência. Isto deveria ter co- do de uma crise epiléptica. Personagens de negro, sem alusões com Chatov é subitamente interrompida pelo
PAI - Por tua alma, rapaz! Deixa meçado há trinta anos. Agora tão rosto, o retiram de cena. Este quadro oferece uma regresso do irnão bêbedo. Conhece-se o epílogo das
comigo esta espada bem já nos conhecemos que nada abertura de ambiente ao cspetáculo, ele nos introduz cenas familiais em Dostoiel'sk)' e é o que se escuta por
disso me convenceria, ainda que ma- rapidamente no tema da peça, o ser psíquico do pro- tnís da cena: gritos e pancadas. Tudo isso se funde
MAt'lCEJJO - Aqui está. Que océu tasses cem cavalos. (Al'rebatanelo o num tema musical ensurdecedor. E eis-nos no salão de
vos ajude. Adeus, meu sogro. tagonista.
galo da mão do marielo li agredin- Stavroguina (Zofia Niwinska). Majestosamente vestida
elo-o com ele). Vamos! Vamos! Para O I ato é uma exposição de diferentes motivos da de preto, num diálogo com Praskóvia Drosc1ova (Ce-
Sai oMAt'lCEBo. Descel'l'a-se acor- dentro, toleima! Já, não há galo fabuJação do drama. Um leve biombo divide a cena Iina Niedz\~ecka), esta de verde papagaio, Stravogui-
tina outra vez eentre a MÃE. morto qne te salve. Vamos, vamos! em dois. A direita - a casa de Kirilov (A. Kozak), iI na anota os midos vagos a respeito da ligação que seu
filho tivera, na Suíça, com Dacha Chatova, sua pro· Verkhovensky, marionete barulhenta, o confundirá com
mulher que dá à luz um filho de Stavroguine. Vestido
tegida. Chamada diante de Stavroguina, Dacha (Maria a grandeza do mal clilQJa de um coroamento, pela pro-
de preto, Lipoutine, que vem procurar Chatov, aparece ACURA PELO TEATRO
Rahezynska) nega a veracidade desses ditos c aceita messa do mito. Aqui, no III ato, falecerá Liza, estra-
na porta como o anunciador do destino. Afelicidade
docilmente casar-se com Stepan Trofimovitch Verkho- çalhada pela turba de demônios e que morrerá, no
de Chatov em sua caminhada para o aniquilamento
vensky (vViktor Sadecki). Estc conscnte sem muita caminho, o liberal "de alcova" Stepan Verkhovensl)', e
lança uma sombra prchmdameníe irônica e absurda
oposição. Vcm cm seguida a apresentação de uma ga- aqui também morrerá Chatov. Wajda integrará, no MARIANE KOIILER
na harmonia. dcssa cena (nascimento-morte) com a da
leria provincial de liberais; os Chigalcl'; os Lamchine, II ato, a visita ele Stavroguine aos Lebiadkine, a entre-
os Lipoutine - reunidos cm volta da meu em casa de morte de Liza (núpcias-mOlte) c parece antecipar (J
vista de Piotr Verkhovensky com Kirilov, em que este
Vcrkhovensky. Odebate gira em torno dos diferentes clima do fim de Kirilov. Este morre na penumbra; du-
último prometerá definitivamente se oferecer, suicidan- Aos treze anos eu copiava as melhores páginas de
planos, ninguém escuta ninguém, estando cada um rante sua últímn conversa com Verkhovensl)' o brilho
de-se, para esconder o homicídio pseudo-político a meus autores preferidos. Lia-os e relia-os. Decorava-os.
]Jreoeupado cm demonstrar suas próprias revelações. da l1\mpada se enfraquece, ora reluz diafanamente, en-
conSllinar-se em Chatov. Também se verá aí Varvara Acreditava superados esses cestumes romanescos e eis
Üm retumbante "Eu acuso!" domina o hunulto: é o quanto a lâmpada oscila como um pêndulo que se
Stavrognina erpulsando Síepan Trofimovitch, e final- que essas coisas voltam a galope. Sob a forma de psi-
Nanador que, do prrscêaie, grita contra Verkhovensl)', apre.ssa para o instante supremo no meio do um mur-
mente oconeiliábulo dos intrigantes numa recepção em múrio de cochidns - de Satanaz e do homem? Os coterapia.
tendo este, por um perjneno furto, enviado um certo casa de Vir!1Uinsky e que correspende auma cena aná- demônios aí estão, na eSlJectativa, sombrios, silenciosos, A expressão cênica consiste em resguardar seus
Fefka II deportação. Todos os motivos da intriga do Ioga no atob anteder. Essa cena e'apresenta
da de uma
prestes a intervir, Quando, na estrada, numa carroça sentimentos atrís da linguagem de outra pessoa. Para
primeiro ato culminam na reunião à qual assistem no perspectiva cinematográfica imposta pelo diretor: ela
salão de Sta\~'oguina: as questões relativas a Stavro- de cigano na qual ele percomra os caminhos da "mãe quem sofre de fobia, angústia, neurose, o psiquiatra
se passa num plano afastado, no fundo do palco, posta apresenta uma antologia de textos: dois mil textos, de
glúne, sempre ausente, se tornan cada vez mais insís- Hússia", procurando consolo na parábola dos porcos
mais em relevo pela aproximação deliberada do Narra- 50 linhas cada um. É também uma antolo~a de senti-
tentes: o que é para ele Lebiadknina, porque ela se do Evanlielho segnndo S. Lucas, Stepan Trofimovitch
dor. É nessa recepção que Piotr Verkhochensl)' rece- mentos. Encontra-se aí, sob a forma mais condensada
ajoelhou na escada da igreja diante de Varvara Sta- morre reconciliado com Deus c com Vurvara Stavro-
berá da parte dos convidados a confinnação da não-
gtlÍna, 11m personagem de negro está presente, a es- possível, omedo, o ciúme, o ódio e também a confian-
I'roguina, o que sabe dela e de Nikolai Stavroguine seu denúncia do "assassínio político". OII ato termina com
preita, esperando seu último suspiro. Mas a própria ça, a esperança ou a alegria. O paciente escolhe um
irmão Lebiadkinc com suas alusões, O malestar que aintervenção do Narrador; ao som do leitmotia musical morte de Stm~'oiilIine concluindo o espetáculo é obra texto ou outro. A experiência mostra que ele não es-
essas (juestões despertam dispersa a reunião: Liza e o do espetáculo, ele anuncia a fuga de Liza com Sta- dos demônios. Daeha Chatova e Varvara Stavroguina colhe ao acaso. Instintivamente, vai às pal:l\~'as que
noivo, Stavroguina e Praskovia Drozdova, Chatov e vrogtline. recebem uma carta de NikoJai chamando Daeha a vol- exprimem seus próprios problemas. Essa primeira es-
Daeha, em diferentes pontos da sala.Permanece só no tar para a Suiça. Como criados, a negra equipe gira colha 6 um diagnóstico.
OIII ato desencadeia uma avalanche de aniquila-
centro, espantada e scrridente, uma ehícara de café na em tomo das duas mulheres. Dois personaliens que
mento; é um poema dramático da merte, A máquina
mão, uma rosa artjfjcialrlos cabelos, o enigma de Ma- fazem parte dela tecem uma corda e saem pela porta oódio vai bem em Electra
ria Lebiadkina. Entram ~ucessivamente Piotr Verkho- desencadeada comeca a recelher uma abundante colhei-
ta, e é com mais a\;dácia que os personagens de negro disposta no meio do palco, como se penetrassem no
vensky e Sta'~'oguine. Oprimeiro explica o caráter Ii- aberto espaço irreal Os outros demônios punm Ducha Aos 18 anos, Sofia é uma contestadora - e também
lanh'ópico das relações de Nikolai e Lebiadknina, o se- se destacam do fundo da cena para intervir na ação;
delicadamente para a porta; qnaado ela a abre, verá uma mal amada. Ela é violenta e fogosa, insone e
gt!Ddo declara que esta última não é sua mulher, A eles não só deslocam móveis e cenários, mas estão
Stavroglúne enforcado no seu vão. Quando o narrador angustiada. Amãe a leva a um psiquiatra. ODr. B.
tensão crescente nas cenas seglúntes (riso demente de sempre perto dos heróis; mais eles os levam a a~r e
conclui, laconicmnente: os médicos exdniram o caso decide por uma psicoterapia de expressão cênica. So-
Liza, leitura feita por Piotr Verkhovensl)' de uma carta acebam eles próprios agindo. Acanção no barco à vela
de seda cantada no ato anterior por Stavroguine e de demência - os demônios tapam-lhe a boca. Faz-se fia escolha o personagem de Electra numa peça de
do pai anunciando o casamento com os "pecados de a obscuridade e uma músca desesperada penetra a Sartre: Les MOllches. Nesta peça, Electra queixa-se vio-
'Verkovensky tem aqui seu acabamento plástico na
um outro") conduzem à grande cena do I ato - Cha- sala. lentamente da indiferença de sua famílía Ela injnria
cauda branca de uma cortina que desce do teto. A
tev esbofeteando Stavroguine - cena que termina com a estatua de Júpiter, símbolo da autoridade familiar.
nrimeira noite de Liza e Stavroliuine acaba de aconte-
um tema musical de terror e desespero, Epara concluir E);prime-Ihe seu desprezo e ódio.
a simetria desse ato, Stavroguine visita Kirilov e Cha-
~er. Verkhovensky se precipita no palco anunciando o
assassinato dos Lebiadkine e o incêndio da casa. Omonólogo de Electra tem apenas uma semelhança
tov. Aintrodução do herói está realizada. longínqua. com a realidade. Opai de Sofia é um pobre
Os demônios erguem a corína. Abranca Liza se
OII ato pedería chamar-se a Tentação de Síavro- coitado... comparado a Júpiter.
evade na obsemidade da noite para seu destino final;
guine. Como oanterior (e como oIII), começa na obs· Mas otom das imprecsçêes, arevolta e oódio assen-
não terá tempo de dar um adeus apressado a Stepan
curidade, com a música lancinante e aimagem de uma Trofimovitch em sua corrida irresistível para nm círcnlo tam perfeitamente em Sofia.
troika a galope. Uma trhte estrada cinzenta contorna brilhantemente avermelhado no fundo do palco, onde Na psicoterapia de expressão cêníea, o paciente é
a rampa pela direita: o inferno das estepes russas; é cairá sobre ela a turba dos "demônios", ou opopulacho. ,<1', examinado por uma equipe que compreende um mé-
aqui que Fec1ka (Kazimiers Kaczor) tentará' levar Sta- Agora é a vez de Chatov morrer, Como as Erinias, os dico-psiquiatra, um psicólolio, um professor de arte
vroguine a assassinar os Lebiadkine, é aqui que Piotr personaliens de negro estão de atalaia junto de sua dramática, Todos três trabalham em colaboração, mas
(Le Théatre en Polognc, 2/19721 opapel do professor de arte dramática é novo e par-
ticnlannente delicado. Porqne? Por qne a principal di- lhe pareccm, subitamente, sem significação. Para ter- "SUPERSTAR" RlUllO ao Supermercado
ficuldade de toda psicoterapia clássica é o silêncio do minar ela. cscolhe uma página de Colette - que fala
doente. Diante do médico, Sofia opõe uma resistência de sensualidade e de alegria. DOlll!O pm Abelar~o! E eu compro a Capital por I zek, que custou 100.000 cruzeiros ii sua produtora,
- consciente ou inconsciente. Ela se recusa a falar de SOO! VendIdo Jesus por [aO! Teresa Raquel (batendo orccordc carioca).
seus problemas. A expressão cênica permite contornar Claudel suscita o diálogo N.ão é um }ei.lão nem se trata de títulos registrados Mas a moda - ou a necessidade - começou mes-
essa dificuldade. Sofia fala de si... tomando empres- no painel eletromco da nova Bolsa de Valores de São mo em São Paulo, com o dilema hamletiano do ator
tada a máscara de Electra. E o faz com tanto mais Sofia, no começo, trabalhou só com o professor de
cxpressão. Mas na segunda etapa otrabalho se fez em Paulo. Esses pregões estranhos poderiam representar a de televisão Altair Lima: ser ou não ser um artista
liberdade quanto mais se sente em segurança. escalada de superproduções teatrais que ameaçam bem pago pelo vídeo devorador de talentos ou libeliar-
~rupo. Eu quis participar de uma experiência do grupo.
Para dar ao doente essa sensação de segurança, o Éramos seis. Havia Maria (que saía de um período transforma: a Pau!icéia, numa Broad\~ay desvairada. se da fr:Istração cm um trabalho que não correspondia
professor dramático deve permanecer neutro, isto é, não longo de intemamento), Marc, um jovem esquisofrê-
Com deZOito espetaculos em cartaz, 260 ateres comeu- ao seu Ideal. Aniscando tudo num espetáculo hippie
se afastar da técnica. Não fala a Sofia dos problemas nico. Encontrci também Sofia. Oprofessor nos deu a
do regularmente e ~itenta músicos contratados, a ~em- I q~e vinha fazendo muito bamlho no estrmJgeiro, AI-
que a levaram a consultar um psiquiatra, não discute parada teatral paulista trarslormau-se numa butique tmr empenhou seus poucos bens e apostou em }Jaír,
escolher entre Claudel, Checov e Gogol. Escolhcmos
sua escolha e nem tenta influenciá-la. Ele se contenta onde os espectadores podem escolher espeláculos sob um musical de enredo frágil que, antes da censura
Le Soulier de Stltin e distribuimos os papéis. medida para cada gosto. brasileira, falava de drogas, orgias e de.pacifistas que
em dirigi-la como se dirige um ator principiante. En-
sina-lhe a articular melhor as palavras, a 'gesticnlar Para os psiquiatras, a doença mental qnalquer que Para os nacionalistas certos de que o Brasil não queimavam seus cartões de alistamento militar para não
e exprimir-se com mais naturalidade. seja, ela se traduz por uma ruptura na comunicação precisa importar musicais de Broadway ou de Lon- fazer a gnena (do Vietnam, é claro) preferindo amor
com opróÀimo. No grupo, sentados um ao lado do outro, dres, há A Capital Federal, de Artur Azevedo. Os que a~ som de músi~as rel!giosas laudató?as da masturba-
As palavras, na medida em que são bem escolhi- em círculo, os laços se fazem naturalmente. Um diálogo
das, agem sobre nós. Elas podem nos levar ii ação, nos preferem avanguarda poderão escolher oencontro sur- ç~~ e da sodcmia e dmlogando na lmguagem de cur-
se inicia por causa do texto. Discute-se a interpreta- realista de um velho roteirista homossexual de Holly- l1çaol;J1(le;,grolll1cl do tipo "quem tá com Eros tá na
frear ou nos liberar. Este efeito já é sensível quando ção de cada um. Estimula-se, critica-se. As intenções
lemos uma página em silêncio. Mas permanece super- woad esellmassagista venal em A Ma~sagem, de Mau- sua, bíchol Com alguns corpos nus mostrados alguns
do autor são analisadas juntamente. Dessa fonna, ro Hasi, on o te-ato de José Celso Martinez Correa segundos perante um público ávido, Altair nâo fez só
ficial. Reler uma página, decorá-la, é uma maneira de aprende-se a escutar o outro. Aoueir,
se impregnar. Estudar o texto, palavra por palavra, Gracias Sena/, ou Re-Dolição. Mas M espetáculcs nos: sua independência: importou um üil'lls theatl'alis que
dissecar cada intenção do atol', mimá-lo ou represen- Passei uma tarde com Marie, Marc e Sofia. Ja- tálgicos que falam da melancolia dos velhos mar~ina- grassa como epidemia cm São Paulo.
tá-lo é uma maneira de levar ao paroxismo a carga ex- mais tive a impressão de me encontrar entre antigos lizados da sociedade (Em Família, de Oduvaldo Via-
plosiva que ele contém. Até o momento em que ela doentes. Eles não estavam ensmesnades, mas sensí- na Filho) ou a macabra celebração da violência, do Derrubando Tudo
explode. veis e atentos. Otempo passou depressa. sexo e da morte contida nas quatro paredes do cárcere Nessa mesma época (1969), a empresária Huth
As primeiras experiêrcias de expressão cêniea fo- de Alta Vigi/ílncia, de Jean Gênet. Escobar arrasou seu teatro no bairro da Bela Vista com
ram feitas por Emile Dars (antigo diretor artístico do Os (lue se preocupanlcom a neurose das cidades a fúria do povo francês clenubando a Basífha. Neste
Vieux Colombier) no centro terápieo de erpressio, da grandes, que tornam seus habitantes homicidas insen- caso, a "velha ordem" era a do teatro carcomido, com-
Faculdade de Medicina de Paris, dirigido pelo dr. L. preensível e dividido em atas, com os ateres se possí-
síveis ou inocentes vítimas da poluição ideológica capi-
Stévenin. Adescarga emotiva que um texto provoca foi vel falando para o público e com o intuito de serem
talista, correrão para ver Peq,uBnos .'\ssassil1atos, de
medida pelas modificações do eletro-encefalograma e Jules Feiffer, passada na Nova Iorque de hoje, de re- entendidos. Perante uma platéia atônita, dependurada
pelo aumento da adrenalina no sangue. No curso das cordes de índices de criminalidade e violência. Para de arquibancadas metálicas móveis, mas feliz por nc-
primeiras sessões, o texto é trabalhado. Sofia, mge, li- os mais sonhadores há (grátis) montagens gUJaSianas per assistir ao Apocalipse de camarote, Rutl} Escobar
teralmente, as imprecações de Eletra. Ela, assim, libera de Senhora, de José de Alencar, adaptado para opalco,deu carta branca ao diretor Victor Garcia, encarregado
sua própria agre~sividade. Mas um bom ator, explica ou (a5 cruzeiros em temporada popular) as antiqua- de coreografar ii pirotécnica de som e de luz de O
Emile Dars, não é aquele que vive o texto. Ele deve das artimanhas de Fígaro, de Beaumarchais, que conta Balcão de Jean Gênet. Como comentava na saída uma
representar e tomar uma certa distância em relação ao a esperteza do criado do conde de Ahnaviva para sal- senhora deslumbrada com os personagens (bispos co-
personagem. Pouco a pouco, ii medida. que o apren- var a noiva virgem do direito de senhor medieval ii brindo de ouropéis seus corpos nus, possuindo mulhe-
dízado progride, Sofia trata Electra. com mais objeti- primeira noite com a criada casadoura. res imensas em mesas operatórias): "Não entendi nada
vidade, As palavras, em sua boca, perdem a virulên- mas achei maravilhoso!".
cia. Um dia, espontaneamente, ela abandona Electra Frutos de HAIR Daí à montagem de ilhe/ardo e Heloisa pelos ato-
e escolhe textos que exprimem aspectos mais esboça- .... Ofenômeno, por enquanto essencialmente paulista, r~s e empresários Miriam Mehler e Perry Sales foi fá-
dos de sua própria personalidade. Ela passa gradual- só tem pejo menos um similar no Rio (entre dez peças CIl: empenharam até seu apartamento para levantar os
mente da cólera à tristeza - da melancolia ii esperan- (L'Expression Scélliquc - Emile Dars e dr. 1. c. Be- em cartaz) o extraordinário Tango do polonês Mro- 170 millJões investidos em Abelardo e Heloísa, a Looe
ça. Até odia em que a cólera, a contestação, arevolta noit, Ed. Sociales Françaises - eít, Elle.)
Story místico-lasciva do inglês Honald MilJar sobre um nadas interpretado por um atol' branco e um atar ne-
teólogo castrado pclo amor impossível por sua aluna, gro) chama-o de "calllorcla" e avisa: "Chega de papo,
que pratica com o douto mestre a ars alllandi qlJe os você já encheu!" Herodes (Jarbas Braga), com trejeitos
dois traduzem do latim. afeminados, zomba de Jesus e de seus pretensos mi-
lagres, '
Pagar para ver Oespetáeulo tem números de elmrleston, luzes fos-
Na semana passada, porém, Altair era novamente forescentes equase 200. OOOcmzeiros de teta de acrílico,
o mocinllo destemido que neste pôquer teatral pagava mas termina na crucificação de Cristo, erguido sobre
para ver, investindo -uma soma asb'onômica para o um fundo clctrônico: uma espiral de formas e cores
teatro brasileiro: 700.000 cruzeiros com amontagem de que gira sem cessar. É lógico quc não se mostre aHes-
Jesus Christ Supers/;ar, fora os 5.000 dólares de direi- surreição: nada pode ressurgir do nada, mesmo quando
to de tradução emontagem que enviou a seus autores embalado por algumas boas canções de rock.
londrines Tim Biee eAndrew Lloyd Weber.
Aestréia de JCS teve uma atmosfera bíblica condi- Tudo lotado
zente com seu tema. (Foi adiada várias vezes pelo atra-
so da refonna total sofrida pelo teatro ACluarius e Apesar do sucesso a que talvez esteja predestinada
depois pela demora com que chegou o, certificado de a montagem brasileira, duas aírízes-empresárias, Tere-
liberação pela Censura). Mais de mil pessoas procura- sa Haqel, no llio, Cleyde Iáccnís, em São Paulo, man-
vam entrada no teaho, mas era mais fácil um camelo têm se de acordo num ponto: o público hOje em dia
passar por uma agulha do que o público pela porta procura no teatro uma téenica e 11m conteúdo que
estreita que fora aberta inevitavelmeute com uma hora não admitem mais as improvisações pirotécnicas ,~­
de atraso. suais, No camarim do Teatro Anchieta, onde comanda
Vaiando os retardatários que não encontravam lu- todas as noites a batalha de montar fi Capital Federal,
gar na sala escurecida, inúmeros espectadores faziam Cleyc1e Iáconis explica: "Não existe receita capaz de
uma imitação aceitável da cacofonia animalesca que prever o sucesso de uma peça, mas o público quer
acompanhou Noé em SUfl arca quarenta diRs seguidos. montagcns ricas junto com textos que dêem substân-
Mas do caos surgiu a figura de Altair Lima avisando cia", Se isso é verdade, sua peça é substancialmente
pejo microfone que a Criação ia começar e Jesus ia rica, Nos dez primeros dias de fi Capital Federal, pela
surgir em cena - ennm! primeira vez talvez na história do teatro brasileiro, foi
preciso dispersar o público COlll ajuda da rádio-pahl1-
Sem ressurreição lha. No último fim de semana de abril, 11m mês depois
da estréia, a lotação do teatro (359 lugares) foi ultra-
A~cendendo literahnente do chão numa platafor- passada em mais de 200 lugares estras, nos três dias,
ma, a figura do Eduardo Conde tinha o aspecto tradi- rendendo 11Ul total de mais de 28.000.cruzeiros.
cional de Jesus, de cabelos longos e barbas alouradas, Teresa Baqael, também com casas superlotadas
Só sua bela voz deli certa credibilidade à sua origem desde a estréia, este mês de Tango, acha que a "di-
divina. Amontagem apela para recursos vulgares como tadnra dos diretores que se achavam donos do texto,
Maria Madalena (Maria Célia Camargo) ninando Je- desfigJJrando-o como quisessem" já passou, ,~oltou a
sus adulto em seu colo e dizendo que já teve mil ho- palavra, alijada pelo teatro de agressão que serviu só
mens mas aquele a consumia, para finalizar aconse- para afa~iar opúblico: "Quem paga para sair de casa
lhando-o: "Tente não pensar que osoninho vai chegar". e sern insultado? Só quem faz análise ou é masoquista,
»·
o público seguiria a segunda parte do conselho. A não~ Teresa Ilaquel acha que o boom do teatro tem
primeira metade foi segJúda à risca pelo diretor (o por base "a politização do público", que quer com-
próprio Altair Lima) : Jesus, açulado por erfenms, gri- preender asituação em q11e vive (não só no Brasil, mas
ta histérico: "Curem-se por si mesIDos", numa paródia em todo o mundo], "pois o q11e acontece na Polônia
anacrônica dos poderes curativos dos pensamentos de pode nos sen~r de advertência, como mostra a peça de
Mao Tsé--Tung. Perseguindo Judas (em noites alter- Mrozek." ,
Xeque-Mate oGrupo ALEPH ciedade em que vivem. E, além da ironia, a nota dra-
mática sobre a solidão, a injustiça social, a exploração
principalmente, porque tínhamos que ter um nome
para nos inscreve11110s."
No llltimo fJ'OTit dcss~l batalha, o teatro, dividido do homem pelo homem, oimperialismo. Depois veio o problema de escolher uma obra.
dentro de si mesmo e ecenomicamente em fOlmação, Imediatamente, oespectador percebe que não está Até então tinham ensaiado peças de entretenimento e,
dispõe de poucas armas: para conquistar a fortaleza vendo atares profissionais, que ninguém interpreta nin- sobretudo, improvisações. Tenninaram por escolher
SEHGIO VODÁNüVIC
da Censura, só é possível usar o nríete da conversa guém eque os recursos técnicos que possuem não são os Hip. .. hip _.. Ufa! do argentino Dalmíro Sanz, ainda
ou o bacamarte elo "jeito". Ao contrário elo imlush'ial que caracterizam os egressos das academias dramáticas. que seu texto não lhes satisfaça totalmente. Sua estréia
que vai abrir uma fábrica, o empresário não sabe si- E algo ainda mais importante, verifica-se que não exis- no festival significou ouvirem as primeiras' críticas. De-
qucr quando ou se colocará sea produto à venda. De- No Chile, o I'TUPO tcatral oue se menciona frc-
11 . , tem textos propriamente e que aqueles que estão em cidiram continuar, procuraram textos, mas não encon-
pendendo do arbílTio do censor de plantão, ou do qiientemeaíe na conversa entre gente jovem e que é cena estão se expressando a si próprios, glosando suas traram nenhum que dissesse o que eles querian dizer.
andamento burocrálico dos papéis, o alraso pode ser considerado pelos críticos como o mais importante -.l, vivências, mostnndo sua realidade íntima. Resolveram apurar as improvisações com que se di-
apenas de, alguns dias - como no caso de Superstar - dentro da renovação teatral, não faz publicidade nos Quando o espetáculo ternina, os intérpretes tor- vertiam e se apresentaram em 1969 no Teatro La Be-
ou levar meses, como A MrlJsagem. No pior dos casos, jornais, não funciona em teatro próprio para espetá- nam a se misturar com opúblico e conversam com os fonua, da Faculdade de Ciências e Artes Musicais da
há as peças que morrem antes do nascimento: três me- culo público e nem sequer pa~a impostos pelas entra- que ficam comentando as impressões da função. Tudo Universidade do Chile, com ~ título Quiete tls/ed ftnJ.
ses atrás, segundo as ccntas do ator Valmor Chagas, das que vende. É o Gmpo Aleph, integrado por estu- principia e termina como se fosse uma reunião de eóctell1wlotov?
havia 351 pcças proibidas no país. Valmodoi para dantes universit!trios de diversas faculdades e univer- amigos. Não havia um tema central, recordam agora, "Foi
Paris "descansar dcsse pcsadclo, esperando que os ven- sidades que, de sexta adomingo, oferecem um programa uma improvisação para fora, sem nenhuma ordem. Mas
tos n~,elhorem com o tcmpo e surjam censores mais intitulado WlJa inmunrIo de fantasia, no que antiga- a gente gOstOll eisso nos serviu para nos darmcs conta
cultos _ Quem sã{)?
mente foi a sala de auln da Academia de Teatro de de que havia aí um caminho a seguir."
Os que ficaram aqui - o pequeno exército de Ensaio da Universidade Católica, Quando Hins Ehrmaan ', editor de arte e cul- E continuaram com ojogo das improvisações, mas
díretores, cenógrafos, ateres, autores, corcóp;rafos, mú- O espeetader que ouviu algum comentário sobre tura da revista Erei/ia, descobriu ogmpo e publicou a desta vez seguindo uma linha central, O gmpo se ha-
sicos, iluminadores, cantores c bailarinos que tornam esse espeíáeulo só pode gniar-se, para chegar ao seu a primeira crítica sobre eles, o pessoal de teatro no via consolidado e era agora formado por uma comuni-
São Paulo 11m festival colorido das mais diversas ten- destino, por uma bandeira azul desfraldada cm frente Chile indagou assombrado quem eram esses desconhe- dade de amigos que buscavam uma forma de expres-
dêncías teatrais - não querem espcrar por tempos me- de um casarão velho da rua Victorino Lastarría, fora cidos que conseguiam despertar a atenção do crítico sar sentimentos comuns. Nunca tiveram um diretor,
lhores. Para eles, tão importante quando o crescimento do centro comercial da cidade. Ao chegar, encontrará teatral mais terrível de Santiago. Sua ignorância estava nem qualquer deles quis ser o cabeça. Qualquer um
da renda nacional foi oinvestimento de várias décadas uma passagem onde estão expostas algumas fotos e, se compensada. Os integrantes do Crupe Aleph também apresentava uma idéia, e juntos buscavam a maneira
de talento e paciência. Generosamente ilTigado pelo chegar um ponco antes da função, verá um gmpo de não conhecem o pessoal de teatro chileno, e às vezes de dar-lhe uma fonua dramática. Uma grande parte
trabalho de estrangeiros e brasileiros, des(le o italiano pessoas, preponderantemente jovens, que conversa. nem mesmo seus nomes. acabava considerando-se imprestável, outra entrava no
Cíanni Ratto no polonês Ziembinski e o paraíhano Chamará sua atenção a vestimenta de alguns, um guar grupo das "possíveis". Quando havia bastante material
Ariano Snasuna, o salto qualitativo dQ teatro brasilei- Tudo começou há três anos, quando um grupo de
da-pó azul semelhante aO usado por alguns operários: destas últimas, selecionaram, uniram e Inrmaram o es-
ro parece-lhes irreversível. estudantes do Instituto Nacional quiseram fazer teatro,
são os componentes do grupo teatral. Em uma mesa petáculo que é agora o comentário daqueles que bus-
sem que fossem espectadores habituais. Ao grupo jun-
Os entraves, a inércia burocrática e a concorrên- perto da porta, pagam sua entrada aqueles que que- cam, em Santiago, indícios de renovação detitro do
taram-se amigos. "A mim me interessou - comenta um
cia da TV colorida, do cinema ebreve até do video- rem. Opreço e 10 cent (cinqiienta centavos de dólar) teatro chileno.
cassete, poderão dificultar, mas não impedir que e c, quer se incorpore aos gmpos que conversam, quer dos integrantes - porque havia moças bonitas, e vi a
oporltmidade de me divertir". Mas essa motivação pri-
supermercado teatral se tome cada vez mais rico, va- 5e nanlenha solitário, é certo que algum dos jovens
meira de guase todos os integrantes do grupo foi se
oAnli·teatro do ALEPH
riado e atraente, E, além disso, orgulhoso do que já de azul se aproximará para convidá-lo para um café.
conquistou e do que realizará. Opríncipe Hamlet es- Logo se abre a porta da sala onde se realiza a repre- transfonnando em algo sério, sem que a princípio se Os integrantes do Grupo Aleph, universitários de
clarece aos ateres que representarão para seu padrasto, sentação e enquanto os espectadores se acomodam nas dessem conta. 23 anos como média de idade, de origem social bur-
o odiodo soberano usurpador do tronc: "~ peça é a sessenta cadeiras metálicas que cabem na sala, os in- "Quando soubemos que a Universidade Católica gnesa e ideologicU!llente comprometidos com a extre-
arma com que venceremos o rei". Assim parece estar térpretes iniciam um recital de canções comprometidas. patrocinava um Festival de Teatro Universitário-Ope- ma esquerda, mostram-se um tanto desconcertados
agindo o teatro de agora - confiante na sua própria El roek rIe! Vie/l1am é uma das mais aplaudidas. Em rário. .. pensamos que era a oportunidade de fazer quando os consideram fenômeno teatral. Aeles, parece-
força para conseguir a parte que lbe cabe da disputa seguida vem o teatro: um conjunto de pequenos es- nossa primeira apresentação em público. Quando fo- lhes que o teatro é algo que lhes é alheio, pois enten-
pela preferência de um consumidor cada vez mais quetehes que se desenvolvem com fluidez um após ou- mos nos inscrever, indagaram qual o nome do gmpo, dem como tal as aeademias, a impostação de voz, a
receptivo. tro, nos quais se ironiza a propaganda comercial, os e só então vimos que não sabíames C0ll10 nos chamá- interpretação dos personagens, em resume, a máseara.
alienantes programas de televsâo dedicados a uma vamos, Depois de pensar em vários nomes, decidimos- Eles tentaram uma forma de expressar-se e encontra-
música supostamente popular, à universidade em sua nos por Aleph. Porque? Pelo conto de Borges, pelo seu ram essa. Nenhum deles passou por uma escola, geral-
(Da revista V~a ) capacidade de produzir profissionais integrados na so- significado matemático, enfim, por qualquer coisa, mas, mente, viram ou vêem pouco teatro e são absolutamen-
te ignornntes a respeito do que se faz em outros cam- que nunca viram teatro, começam a sentir a emoção c MOVIMENTa TEATRAL TEATno DULCINA
pos em matéria de teatro que possa equiparar-se COI1\ satisfação de poder expressar-se espontaneamente." Toda Fera tem um Pai que é don-
oque eles fazem. Pode-se dizer que, com a maior ino- E talvez nessa aguda explicação resida o por que zela, comédia de E. Rodrigues e
cência, descobriram o teatro, ou melhor, o reinvcn- o grupo Aleph constihd omais revclueionário dos con-
(AbliI- maio -junIlo) Costinha, em seus ultimes dias.
taram juntos teatrais chilenos.
Agora qne pela primeira vez se deram conta do TEATRO GINÁSTICO
esforço qne é fazer durante três meses todos os fins (LI/till Amaricl/lI TlJél/lra RaGiclv-4/g Spling/71) últimos Dias de Amor ePaz, mu-
de semana uma representação, começam a sentir ne- ~ical nqrtenmerícano produzido e
cessidade de aprender no qne diz respeito ii voz. AI- TEATnO DE ARENA
gnns começam a dar sinais de afonia c se preocupam.
Igualmente, para suas improvisações, estão pensando na J A Gatinha Detelive, de Lucio
dirigido por Vitor Barbara, com
Suzana Morais e Gracindo [uníor.
Participação de D. Salvador e do

j
possibilidade de tomar aulas de expressão ffsica. Gentil, pelo Grupo Caeílda Becker.
Díreçâo de Glaudiomar Carvalhal. Grupo Abolição.
E (Iuando se lhes indaga do futuro do teatro, en-
colhem os ombros, Necessitam, como grupo humano, TEATRO GLAUCIO GIL
aumcnlar suas vivências para poder expressar novos TEATHO DAS ARTES
sentimentos: "Gostaríamos qne nosso próximo espeíá- D. Casmurro, adaptação de J. Ca-
O Segrelro do Valho Mudo, de valcanti Borges, com Ziembinski,
culo fosse algo mais positivo e que não fiquemos la- Nelson Xavier. Direção do autor, Osmar Prado, Isabel Siva, Paulo Pn-
mentando nossas fl1lstrações como temos feito". Mas com Cecil Thirê, Camila Amado, dílha, Diana Morel, FabioJa Faca-
eles compreendem que isso não depende do que quei- Suzana Gonçalves, Marieta Severo roli, Marcos Weinherg e outros. Di-
ram elllressar, mas de senti-lo P, para isso, é necessá- e Aderbal Junior. ....
rio qne mnde o contexto social em que vivem. Se se reção de Ziembinski e cenografia de ~

lhes pergunta se continuarão 11a trilha das improvisa-
TEATnO DE BOLSO
Eichbauer. Figl1l'Íl1os de Kalma
Murtinhc,
~
ções, não sabem "A improvisação J10S serviu até hoje. ~
Não temos nada contra um texto previamente escrito. Computa Computador Computa, lIii
Os Desquitados, comédia de Ami- ~

Só que até agora não temos encontrado nenhum que mar Rocha.
uma coletânea de textos de Milor -I
nos represente, que diga o que queremos dizer." Fernandes. Direção de Carlos Kroe- :1
ii Bruxínha que era boa, de 1'1 C ber, com Fernanda Montenegro e
Mas oGrupo Aleph não se limita a representações
Machado, produção de Professoras Fernando Terres
, na pequena sala da calle Vietorino Lastania nem a um
Associadas "por um teatro infantil Zartan o rei das Salvas, de Ilee-
programa de televisão dedicado à juventnde de que par-
melhor", mar Nunes, texto preiníado no IV
ticipam atualmente. Iniciaram um trabalho que pode
converter-se na semente da bn'ande revolução teatral Na COIte do Rei Balão, de Mara- Festival de Teatro InfantiL
do Chile. Dois a dois, ditigem-se às populações mar~­ nhão Filho, direção de Iumara
nais que circundam a grande Santiago e aí ensinam seu TEATHO MAISON DE
método de fazer teatro e de se expressar à gente lm- TEATnO CASA GRANDE FRANCE
mílde que habita esses lugares. .."
Frei/d Explica... E"plica?, comê-
• 9 mais interessante foi 1'iGa in 11llllldn de [I/nfl/sia do FIair, direção de Altair Lima,
"Deíramos que eles próptios proponham seus te- Aleph, E um grupo de csludantes universitários que não cstu- dia de Ron Clark eSam Bobrik. Di-
com Edgar Aranha, Medeiros Lima,
mas esoltem a rédea da imaginação nas improvisações. daram teatro, mas que cscolhemm de ali(Uma lorma o teatro reção de João Beíhearourt, produ-
como meio de expressiio. Numa série de cenas feericanwnte rápidas Selma Coronezzi, EH Ribeiro Lago
Linútamo-nos a indicar-lhes como dar fonna (1ramá- ção de Willianl Es~. Com Jorge Dó-
e muito espontâneas eles refletem sua experiência de vida e seus e outros.
tiea ao resultado. Já temos alguns trabalhos interes- lia, Iara Cortes, Hildegard Angel,
dilemas; sentem-se cllOcados com a alieoação das Gedetes pop c
santissimos. O único impedlho que encontramos é sua música e a maneira como isso é cÀ']llorado pelo comércio; Eduardo Tomaghi e Luis Anmndo
quando aparece alguém de mais culnua que quer inte- sofrem com a solidão; atacam uma universidade que lhes dá TEATRO COPACABANA Queiroz.
grar o grupo e que já tenha alguma noção do que é poucos valores; não podem cducar seus espíritos politieanenle,
Tudo isso e outros temas são apresentados com a frescura da O Dia elll que raptaram o Papa,
teatro. Este, o que quer é representar um personagem
juventude, de una maneira vil'a, e considerável humor, E ,'ão comédia de João Bethencourt, com
TEATRO MUNICIPAL
ereclama que quer ser outra coisa diferente do que éna autênticos. Sua técnica pode ser limitada mas sua sinceridade e Eva Todor, André Vilon, Afonso Por Mares Nunca dantes Navega-
vida real enão se mostrar em sua condição.. É a antigá profundidade de sentimentos contribuem para isso. (Hans Stuart, Vania Melo e outros. dos, espetáculo sobre Camões, com
noção do teatro como evasão. Ao contrário, aqueles Ehrmann, rev. cit.)
roteiro de Paulo Grisoli e Tite Le- TEATRO SENAC
mos. Direção de Grisoli. Com Paulo
Cesar Peréio, Hegina Viana, Carlos
cenário de Joel Carvalho, figurinos
de Bettv Coimbra, trilha sonora de
Um Edifício Cllllnwdo 200, de Ubiraja;'a Cabral e sUdes de Lew
Imperial, Jorge Chaia c outros. Mú- Paulo Pontes, com Milton Morais, Steinfeld. A~'Sístentc de direção:
1 S.IMPóSIO DE TEATRO
sica de Sidnei Miller. Iluminação Tânia Scher eVera Brahin, Díreçâo Milton Dobhin; iluminação: Jorge
de Gianni Hatto c Dinâmica de de José Hoberlo. Carvalho; direção de cena: Carlos
KJaus Viana. Wilson Silveira; clehicishl: Hoberto,
TEATRO TERESA RAQUEL c eseeuçio do cenário: Wagncr dos
TEATRO MIGUEL LEMOS Tango, farsa de Slamovir Mrozek. Santos. No clcnco: Am Lúcia Paula
Soares, Walf May'~ André Santos
o Jardineiro 110 Rei c Ninguém Díreçâo de Amir Haddad. Com Te- Dias, Louise Cardoso, Sílvia Fucs, Patrocinado pela Secretaria de Educação e Cuitu-
segura esse rato, de Jair Pinheiro. resa Haquel, Sergio Brito, Ari Cos- Andrea Guimarães (substitufda IJor ra, através de seus órgãos - Departamento de Culhua
Com distribuição de revistas e sor- lov, Henata Sorrah e outros. Leda Zepeliu), Vania Veloso Bor- c Serviço de Teatro, realizou-se no João Caetano, sob
teio de prêmios. ges, Tutu Guimarães, Bernardo Ja- a presidência do diretor deste último Serviço, sr. Geisa
TEATRO IPANEMA hlonski, Ilonahlo Fucs (subst. por Boscoli, o Simpósio de Teatro Escolar, Amador e In-
TEATRO NACIONAL Haie. é (lia de Rock, de José Vi- Carlos Wilson Silveira), Bicardo- fantil, com a finalidade de coligir subsídios para a im-
DE COMÉDIA cente. Díreção de Bubens Correia, Neemmn, José Augusto Pereira e plantação do te:tro nas e~colas da Gu~na~ara. ~p.re­
"II' ., r :t
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com Pepa Huiz, Abel Pera, Salúquia possui e conserva, ao longo de oito rães - intérprete da lírica tia Ade- galhães junior, João Bethe~lcoUl:t,. Pernambuco de O~­
Bentíní, Mauro Gonçalves e outros. meses de carreira e de várias subs- laide, atropelada e morta quando veira, O. Buchsbaum, Mana Lucia Amaral e Ian 1vh-
Mini Prafrentex, de Helena Koh- tituições, um tal poder de convicção passeava de bicicleta em Copacaba- chalski. Os pontos de visla dos conferencistas foram de-
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~- ~-------- -------------------------------------------.....-.:!'I

todos os participantcs têm o mesmo objetivo, através
de diversos caminhos; incentivar, aperfeiçoar, melhorar
J Textos àdisposição dos leitores na
o110SS0 teatro. E contam com nosso apoio integralnes- Secretaria d'O TABLADO
ta luta. Temos tido a ativa participação do público nos
debates, através de perguntas, su~estões e críticas _
o que reflete l](}>'Sa possibilidade de, no futuro, che~ar
aos objetivos comuns. ' Autor anônimo OPastelão e a Torta 23
Duas Farsas Tabnrú1icas ,............. 25
(O Globo, 10/6/72) OJogo de Adão 37
Albee Edward AHistória do Zoológico 40
Arrabal Femaado Piquenique no Front ;................... 36
B. de Flliull: Cuemíea 50
Azevedo Artur Uma Consulta .....•............. ,............ 25
No meu ponto de vista particular, o teatro infantil
na GB, pelas suas características especiais, é'respon~á­ Barr & Stevens OMoço Bom eObediente (nô) 28
vel pela fonnaÇ<10 da platéia que o assiste e dos pro- Brecht Berthold Aquele que diz Sim .................. 41
fissionais que o executam. Por principios, sou contrário Cervantes ACova de Salamanca ,................ 38
a qualquer forma de censura, mas considero que, neste OJogo de S. Nicolau 26
caso espccífico, deveria haver um setor especial que Chancerel Leon
Antígona (adaptação) .. ... .. ... .. 31
veJifjca~se os aspectos de 11igiene social e psicológica .~

que dClxam de ser atendidos pelos espetáculcs infantis Checov Anton O Urso 29 .~
OPedido de Casamento 38
que andam em cartaz. Oteatro infantil é uma alívidade ~
lúdica, (Udática, e esta censura - com perdão do ter- OJubileu 46 ~.
mo - deveria ser instituída pela Secretaria de Edu-
cação, como órgão informativo que esclarecesse ou
chamasse a atenção dos pais da deformação, que faz Publicações recebidas:
Drummcnd de Andrade OCaso do Vestido
Ghelderode Michel
Labiche Eugene
Os Cegos
A Gramática
·

"
· 39
24
47
".
d(
:),'1

dessa atividade lúdica e didática uma coisa pornoP1á-
Macedo J. Manuel ONovo Otelo , , 43
fica e amoral. Existe apenas uma exceção: a experiên-
cia (;0 TAB~ADO. Vez por outra aparecem al~uns
I Machado Me OBoi e oBurro 32
espctaculos bIssextos, como a Ilha Magica do Contaelol' TEATRO CONTEMPORANEO HISPANOAME- As Interferências ........................... 36
de Hist6rias. que são iniciativas de qualidade, porém, RICAl'iO, em 2 volumes, contendo textos de diversos Os Embnuhos L' 47
raras. Considero o SimpDsio merecedor de todo o es- ~u~ores latino-americanos. Hambre, de Jorge Ros,a (Bo- Machado de Assis Antes da Missa 38
tímulo ecolaboração, não apenas por parte dos teóricos ltvm), Fluft, el Fantasmifa, de Maria Clara Machado Martins Pena As Desgraças de Uma Criança 45
e práticos, que propõem um teatro infantil sadio mas Gobiemo de Alcoba, de Samuel Roviuski (Costa Rica); Motomasa Juro Sumidagawa (nó) 42
principalmente por parte de todos os setores de ~omu­ La Trilogia dei Matrimonio, de Rolando Steiner (Ni- Onna Surínurí ADama Mascarada (farsa) 42
nicação social, que podem transmitir, af:ravés das suas carágua), D. Quijote de Todo el Mundo, de Ivan Gar- OMarinheiro 50
Pessoa Fernando
experiências, a maior das colaborações. cia Guerra (Rep. Dominicana), Los CabaUos, de Mau- Eh Sou aVida , 45
ricio Rosencof (Uruguai) e outros. Apublicação, em Qorpo-Santo
Sófocles Antígona ..... .. ................... ..... ... .. 31
(O Jornal, 20/6/72) 2 volumes, é da Editora EsceUcer S. A., Comandante Torturas de Um Coração ................ 44
Azcánaga, s/n., Madri -16. Suassuna Ariano
ASombra do Desflladeiro ............... 51
30 ANS DE JEU THEATRAL, de Raoul Canat, Synge JM Viajantes para o Mar 48
resumindo otrabalho de uma eqaípe dedicada ao tea- Tagore O Carteiro do Rei 33
tro e à infância. Toulouse, França.. Tardien Jean Conversação Sinfonieta 48
Vicente Gil Todo Mundo e Ninguém 31
A CAÇA E O CAÇADOR, de Francisco Pereira Os MistéJios da Virgem (Mofina Mendes) 20
da Silva, em 2 atos, texto premiado (Prêmio Coroa de OÚnico Ciúme de Emer 43
Teatro - 3.0 lugar), Yeals
Livros à venda na secretaria d'O TABLADO

Antígona, de Sófoclcs 4,00
Assim na Terra Como no Céu, Fritz Ilcchwalder. 6,00
Ch:llléu de Sebo, F. Pereira da Silva 5,00
Édipo Hei, Sófoclcs 5,00
Está Lá Fora Um lrspetcr, PriL'strey 5,00
Joana D'Arc, Claudel 5,00
OLivJ:Q de Cristóvão Colombo, Claudel 5,00
De Um~ Noite de Festa, Joaquim Cardozo 5,00
OPagador de Promessas, Dias Gomes 5,00
APena e a Lei, Suassuna 5,00
OTeatro eseu Espaço, Peter Brook 13,00

Livros de autoria de MC Machado:

Cavalinho Azul (conto) 12,00
Como Fazer Teatrinho de Bonecos 12,00
Vol. contendo: A Mcnina e o Vento, Maroqui
nhas, AGata Borralheira e Maria Minhoca. 10,00
Vol contendo: Pluft, o Fantasminhn, O Rapto,
Chapeuzinho Vermelho e o Boi e o Burro, 10,00
Vol. contendo: OCavalinho Azul, OEmbarque
de Noé, Camaleão na Lua 10,00

Estão também à venda n'O TABLADO

Cem Jogos Dramáticos, de MC Machado e
Marta Rosman 6,00
CADERNOS DE TEATHO, número avulso.... 5,00
Assinatura anual ... .. ....... ...... ........... 20,00
Opagamento de qualquer pedido poderá ser
feito mediante cheque visado, em nome de
Eddy Rezende Nunes, pagável no Rio de Ja. Impresso por
neiro GB GRÁFICA EDITORA DO LIVRO LTDA.

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