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cadernos de teatro

MAX REINHARDT
TEATRO INFANTIL EM DEBATE
ADERRADEIRA CEIA - Luiz Marinho
MOVIMENTO TEATRAL
DOS JORNAIS
MAX REINHARDT:

ASAI,VACÃO DO TEATRO Só PODE VIll DO
ATOR, PORQUE É ,\ EU~ 1\ ,\ MAIS NINGU[~,\l
QUE PEIlTF. NCl~ O TE:'1l0.

AMISSÃO DO TEATROCONSISTE EM RETI-
RAR A PALAVRA DO TúMULO DO LNRO,
INSUFLAR-LIlF. VIDi\, ENCHE·LA DE SANGUE,
O SANGUE DE HOJE, E LEVÁ-LA A UM CON-
TATO VNO CONOSCO, PARA QUE POSSAMOS
RECEM-LA, DEIXI\NDO'1\ GERMIN1\R DENTRO
DE NOS.

". . . . .~
CADERNOS DE TEATRO N. 59 MAX Rm{IIARDT, cujo centenário transcorre este
outubro-noyzmbro-dezembro·1973 ano, nasceu em Baden em 1873. Iniciou sua carreira
\ :
.~ L , __J ~_. ; ; . como atar em uma peça de Schiller. Em 1894 foi coa-
tratado para trahalhar no DClllscllCs Theater, de Berlim,
interpretando papéis de composição. Formado na escola
Publicação d'O TABLADO patrocinada pelo naturalista do FreieBühnede Dilo Brahm, ~IR contudo
Serviço Nacional de Teatro eDepartamento de Assuntos não se fili<Ju ao naturalismo nem se enquadrou em
Culturais (MEC) nenhuma das categorias de seu tempo, seja realista,
Redação e Pesquisa d'O TABLADO ímpressionista ou expressionista. Seguiu sua própria ins-
piração e começou realmente sua carreira de diretor ao
fundar um cabaré-artístico (Sc/wll & Raueh) do qual
Diretor-responsácel - Jo.\O SÉRGIO MARINHo NUNES
nasceu o KIeines Theater.
Diretor-ereeutioo - MARIA CLARA MAOIADO
Abandonando a profissão de ater para se dedicar
Diretor-tesoureiro - EnDY REZENDE NUNES apenas à direção, é 110 NellCS Theater que oseu renome
Redator-diefe - VmGINIA VALLI cresce, quando em 1005 apresentou Sonho de uma Noite
Seéretário- SÍLVIA Fecs deVerão, com as seguintes inovações: utilização dacena
giratória, cenári<! plástico (árvores em relevo), música,
Redação: OTABLADO dança, rcvelamlo ao espectador, através do movimento
Av. Lineu de Paula Machado, 795 - ZC 20 c da luz, uma arte rica e mais poética.
Rio de Janeiro - G~anabara - Brasil Assumiu a partir daí a direção do Delltsehes Thea·
ter, montando Kleist, Shakespeare, Moliere, Goethe,
Dr ter/ar publicados nos CADERNOS DE TEATRO Schiller e outros. Além desse trabalhe, dedicou-se ao
ró poderão ser representados mediante autorizaçáo Knmmerspiel, um teatro mais Íntimo, de proporções
dD Sociedade Brasileira de AutorerTealrai.! (SBAT), reduzidas, onde apresentou Ibsen. Dirigin tambémópe-
ao. Almirante Barroso, 9i, Guanabara. . ras e operetas, em que seu gênio criador pôde unir a
música, a dança, o ritmo e as cores em cspetáculos
1873 - 1973 renovadores.
No CircoSchumann de Berlim, montou Édipo, de
Sófocles, cm1910, usando a própria arena, com ccno-
grafia monumcntal deescadas ecolunas, criandoCSJ.Jaço
1 \
REINHARDT FALA DO
comaUIJ1io da luz c fugindo definitivamcnte às limita·
ções do palco à italiana.
ATOR
Depois da Primeira Cuerra Mundial, realizou seu I.

idcal de um íealm dem:c:sa no Grosses Schauspiclhaus,
onde montou a Or6till, de Ésquilo, e que ficou conhe-
cido como oTeatro dos Cinco Mil.
MR foi também oiniciador doFestival deSalzburg, Creio na imortalidadedo teatro. É o melliorrefúgio
apresentando Jedermann, de Hofmannsthal, no adro da para aqueles queguardaramsubreplicamentesua infàn o

cia no balso efugiram comesse tesouroescondido para
catedral.
continuar"biincando' até o fim desuas vidas.
MR se exilou nos Estados Unidos com a ascensão
do nazismo ao poder.
MR, descobridor de talentos, valorizou a função do
ator no teatro. Utilizando todos os recursos, procurava
dar ao texto uma forma indcpendente de vida. Foi muito
influenciado por Wagncr esuasidéias da "obra de arte
total", utilizando então todas as artes para valorizar o
drama. Também Gordon Craig foi um de seus inspira.
dores, quando procurava organizar o espaço conforme Quando seíalado teatro eistoé, sem dúvida, oque
seus princípios. esperais de umhomem de teatro como eu, temos que
Compreendeu o sentido de equipe, reunindo arts- colocar oater na primeira e na última linha, já que só
tas epintores sobseu comando. Suas inovações técnicas aele ea ninguémmais pertenceoteatro. Ao fazer esta
- cena giratória, por e.~emplo do Sanha e de Faus/o - aíírmaçâo somentetenhocmvista os ateres profissionais,
foram copiadas mais tarde. Assim também a utilização comopenso, antes de tudo, noator comopoeta ecriador,
de degrans que davam uma dimensão vertical aoespaço Todos os grandes autores uramáticos são ateres natos,
e valorizava o jogo - como em Júlio César, as cenas hajam ou não esereidntal profissão com maior ou menor
rolantes, sem contudo se desar dominar pela técnica. êxito.Penso no atorcomodiretor, como metteur enscene,
"Poucos encenadores terão servido ao teatro de
A ~uminação, praticamente descoberta por Appia e comomúsico, arquit€lo, pintor ecertamente, por último,
CraIg, teve em suas mãos uma utilização ainda não
maneira tão completa e complexa, sob tantas fonnas
diferentes. Inimigo ferrenho de qualquer sutarismo, não ..
I no ator-cspecfador, pois o talento dramático do especta.
e.;p~orada.- P,~ximid:de d.e ator.especta~or, uso do pros-
~

houve tipo de repertório, forma de espaço cênico ou dor é quase tão decisivo como odo ator. Oespectador
c:mo, prmclplo do cammho d~ flores ,do teatro japo- estilo de direção que não tivesse abordado nas suas dere intervir também a fim de que nasça o verdadeiro
nes e atores colocados no mae do publico foram os teatro, queé aarte mais completa, mais poderosa, mais
quase quatro décadas de trabalho inintmupto, dedi·
recursos usados por MR tentando criar uma efetiva direta equereúne todas as demais. Em cadaser humano
cando-se a cada lima dessas experiêm com igual
participação do público na ação. existe, consciente ou inconscientemente, o "desejo de
paixão e procurando, através de cada uma delas, um
único ob;etivo: ateatralidade pura. Numc época como transformação". Todos trazemos em nós mesmos as poso
anossa, em que cada um costuma defender asua visão sibilidades de todas as paixões, de todos os destinos, de
particular de trabalho teatral como o único dogma eer- todas as formasde vida. Nada do que éhumano deíra de
I.
dadeiro, alição de Reinhardt, sempre aberto aqua~uer ter eco emnós. Nãl) fosse assim, não poderíamos nem
LÍI'lOS lDISUIlados: tipo de experiência, representa útil matéria para medi- na vidanem Ir.I arte compreender aos demais. Porém, o
tação." que herdamos: a educação, as experiências individuais,
EncycIopiJie do ThéIllre Conlemporaín, voL L
não fecundam e não desenvolvem senão uma pequena
1he Thtatre Three ThOlJltlnd Yean - Sheldon Cheney - To-
&.. PubL/43.
parte dos milhares de germes que emnós existem. Os
+~ demais debilitam-se ponco apouco eterminam morrendo.
I
A vida burguesa é estrita. Iimilnda e muilo pobre tia, prazer, dignidade o sorriso estereotipado da finura. mesmus ecril-lo novamente (recriá.lo). Inslintivamente, riosa necessidade de passear por meio da ima~naçã~,
...t de uma forma a outra, de destinoa outro, d~ uma p~­
em matéria emotiva. Nesta pobreza encontram-se vir- Perguntamos a nossos semelhantes: 'Como c,:;tá?" sem rccusam assmilar a vida pela instruçãO, segundo a
xão a outra: foram esses seus primeiros ensncs ~e voo
tudes, entre as quais se penetra e se avança dificulto- nos preocnparmos coma resposta ou mesmo semver- fórmula de "uma colherada por bora". Não querem
para alémda estreiteza de Sua e:cislência material Se
snnente, Oser normal sente, cmgeral "uma vcz" na dadeiro interesse. E dízeme-lo scmpre com um tom absorver a erpcriência dos outros. Transformam·se com
é certo que fornos criados à imagem d.e Deus, deve
vida o êxtase do amor; "uma vcz" na vida a transbor- regulado tâo perfeitamente que se poderia fixar suas rapidez do relâmpago efazem tudo de acordo com seus
haver emnós algo do divino impulso cnador.
dante alegria da lilenladc c doódio; enterra"uma vcz" notas, invariavelmente, repelidas ao infinito, para desejos. Seu poder de imaginação é avassalador.
Shalespeare, o maior e o mais extraordinário ~ro­
com profunda dor umser amado c, finalmente, morre, , e1Jlressar a satisfação de nos encontrarmos com eles, ?
hlo é um simples sofá? Pois, sim, uma estr~da
dígio do teatro, nasceu do.n~da. ~~i. poeta, ater e dire-
elo mesmo "uma vr:l. Porém isto é pouquíssimo para enquanto que no que no fundo o falo nos é abselnta- de Icrro e es que, cmseguida, a locomotiv~ ronca, ~lva
as nossas IJ<!tcncialidades inatas de amor, de ódio, de mente indiferente, quando não desagradável. e roda, cles se põcma contemplar, alraves dos VIdros toroCriava paisagens e engm ediflclos .com Sll~ pala-
vras. Entre todos foi ele que conseguIU aproXImar-se
felicidade, de dor. Todos os dias excrcitamos nossos O código social corrompeu até o alor, o homem das janelas, de umedeoutro lado ~os vag~ enquanto
mais do criador. Fo*u por si mesmo um inundo eem-
músculos e nossos membros para que se fortifiquem e cuja missão é a de expressar os sentimentos. Quando vem o guarda, sevcr?, que rev~sa os bilhetes. De
para evitar que se atrofiem. Porém, nossos órgãos espi- pleto e maravilhoso: a terra e suas flores, ofogo e sens
se educamgerações ensinando-as a conter suas emoções, repente o trem se detem na estaçao... terrores o ar e sens fantasmas e ohomem, entre tudo
rituais, criarlos semdúvida para scremempregados na já não resta nada, em suma, para reprimir ou libertar. É ~ Teatro. Teatro ideal, modelo de aríe dramá- isso - ~s homens com todas as suas paixões: hanani-
vida, ficam inativos, sem exercício e perdem, com o tica. Isso e!plica o fenômeno de que, tanto no teatro dade de uma grandeza elementar e ao mesmo tempo
Como é possível que o comediante, profundamente
tempo, sua faculdade de funcionamento. É do funcio- como no cinema, as crianças são sempre. os m:Jho:es profundamente humana.
preso às ficções da vida bnrguesa, possa à noite dar ., .
namento completo desses órgãos que depende não só r.... .....
aíeres. Fossem elas favorecidas pelas CITcunsta~clas,
esse salto prodigioso a fim de converter-se num rei Oteatro se encontra hoje ameaçado, la. osa ~n­
nossa saúde espiritual e moral, como também nosso seriam todas crianças prodígios. Justamente n~ J~g~s
louco, cujas pai.'i:ões tudo transtornam- Como é possível some-se, em sua forma alual, pois o buhclo e a VIda
corpo. infantis é onde melhor se poderia estudar os prmclpals
que faça crer ao espectador que está se matando por acelerada das grandes cidades, se ~em que lhe ofere-
Sentimos sem a menor dúvida como nos satisfaz ciúmes ou se suicidando por amor? Uma das caracte- fundamento; do teatro.
uma gargalhada, como nos alivia um soluço, como nos çam os meios para exislir, o despojaram ~a atmosfera
rísticas de nosso teatro atual é que nele quase não exis- As decoraçóes e os acessórios que ela utilizam, dramática. Não se adaptou ainda, orgamcamente, ao
apazigua um aceso de cólera. Buscamos até inrons- tem enamorados. Quando um ator diz em cena "ame-te", mesmo sob a forma de coisas, são transformadas logo rápido crescimento das metrópoles modernas. A art?
cientemente essas explosões. Diz-se que os ciumentos cmmuitos teatros se fará um fundo musical a fim de por sua imr,ginaçãosoberana. A~ar disso, q?anta r.ea- particularmente o teatro, abandonado pelos bons esp~­
buscam anlentemenle o sofrimento. É por que temos expressar um estado de espírito po6tico. Substitui-se, lidade, que surpreendente naturahsmo, q~e 1~~r~vlSa­ ritos, pode tornar-se omais ~ste of~cio e ~h~gar à mas
uma necessidade absoluta de sentir emoçócs e de mani- deste modo, a vibração da alma por uma vibração de ções geniais, que pouco espaço reservado a obJetiv,d~.de miserável das prostituiçõcs. l emos UI seu palido parente,
festá-Ias. Nossa educação certamente trabalha emsen- violinos, sem a qual não se poderia distinguir um dodrama, ctudo acompanhado de uma clara ecrsoen- o cinema que, nascido na grande urbe moderna, sabe
tido contrário. Seu primeiro mandamento pode expres· "amo-te" de um "comovai" Em geral as mulheres são cia, que nunca os abandona, de que ludo que ocorre indubitavelmente conservar seu postomuito melhor que
sar-se assim: "Dissimula o que se passa contigo, não mais expressivas e mais impulsivas, por se encontra-
deves deixar perceber nada de tua a~tação, de tua ali não é senão um ~go. o teatro. Porém, a paixão de fazer teatro e de ver tea:
rem mais próximas da natureza que ohomem. Em tem- Sucedeomesmo com oator. É um erro supor que lro é um instinto primitivo da humanidade. Ele fara
fome, de tua sede, procura ocultar toda alegria, toda a pos passados, quando os ateres estavam distanciados
dor e toda ira; é necessário afogar tudo o que é primi- o comediaLte possa esquecer o espcctador, se é pre~­ que se reúnam hoje e sempre, atores, e espectadores e,
ainda da sociedade burguesa, e vagavam como boêmios
tivo e que tende a manifestar-se." samenle nos momentos de maior turbação, .10 sentir unidos dionisiacamente, ele os alçara sob;e a terra e
pelo mundo, indubitavelmente, desenvolviam-se entre .....
Eis como se formam os "freios" de que tanto se
,
milbares de pessoas suspensas, apaiIonad~ e. trêmul~ criará o grande e único teatro que Irara a Sllprema
eles personalidades mais poderosas e mais ori~ais.
fala em nossos dias - a doença da moda - ohisterismo Suas paixões eram mais impetuosas, sens acessos mais em sens próprios lábios, que essa consClenCla Ih~ da felicidade. I

e toda essa vã comédia que, emsuma, enche a nossa violentos. Nenhum interesse entorpecia seu livre eurso. força para libertar-se inteiramente e para despojar-se Creio na imortalidade do teatro. f; o melhor refu-
vida. Paixões, scntimentos, emoções, nada disso existe Eram comediantes de corpo e alma. Hoje em dia "a dos últimos véns que cobrem os recantos. ma~ sec~etos gio para aqueles que guardaram subrepticamente .sua
hoje em dia. Dispusem(}-nos a substituí-los por uma carne" está sempre bem disposta, porém, a alma é débil de sua alma. Também para a criança aquilo e um Jogo, infância no belsi e fugiram com esse tesour~ escondl?o,
série de expressões formalistas de um valor geralmente e os interesses estão divididos. No entanto, todas essas porém, um ~go praticado com uma serieda~e prof~da para continuar brincando atéofim desuas VIdaS. Porem,
reconhecido e aceito pela sociedade de que fazemos considerações e todas essas regras desapareceram ante e que exige a presença de "espectadores submISSOS, aar te dramática é ao mesmo tempo .libertação d d
do
parte. Essa sociedade é tão rígida e nos aprisioua tão o milagre do gênio. Mas os gênios são poucos e muitos mudos, atentos, que seguem o desenvolvimento desse jogo artificial das convenções sociais, pOIS o ever .0
I.
jogo e que lhe emprestam concurso. .." ator não é dissimular, mas revelar. Só o aíor que nao
estreitamente, que todo movimento espontânco fica r.ão os teatros.
Aarte dramática nasceu durante a pnmeIra mfan- sabe mentir, que aparece sem véus que o cubra~, ~
exeluído quase que completamente, Do mesmo modo São as crianças que refletem mais claramente a
cia da humanidade. Ohomem, reduzido a viver uma que se dedica inteiramente é digno do nome.,Afínalí-
que nossa roupa, que se fabrica em série para todos os essência do gênio, quase todas elas são gênios natos. dade mais elevada do teatro é a verdade, ?ao a ver-
tamanhos, temos duas ou três dezenas de fórmulas trio Sua faculdade de assimilação é única e as tendências existência breve entre uma multidão composta ,d~ seres
dade exterior e materialista de todos os dias, .mas ~
\~ais que se aplicamem todas as ocasiões. Possuímos criadoras, que se manifestam em seus jogos, são geral- inteiramente diferentes de si mesmos, tão pronmos a
"venlade essencial da alma". Voaremos com mm ,faCl-
4 expressões faciais convencionais para expressar símpa- mente geniais. Elas querem descobrir o mundo por si ele e ao mesmo tempo tão distantes, sentiu tuna ímpe-
lidade e mais comodamentc sobre ooccano, do Ilnc se TEATRO INFANTIL EM
...r".
nos transladásscmos da praça Vcmlôme :i pra~~1 da
élpera. Sem dúvida: o rnminhn (Iue nos couduzir:í aos
DEBATE
nossos semelhantes scgue sempre a rola das estrelas, e
oator secneonlra nesse caminho. Com a luz do poeta,
dcscc aos ahismos ainda inexplorados da alma humana
- "de sua própria alma" - para lransformar-sc miste-
riosamente e voltar Jogo ":i superfície com as mão" os
olhos e a hoca cheios de maravilhas".
O ator é ao mesmo tempo cseullor c estátua: é o
homem que se cncontra no limite extremo do reino da
realidade e do sonho, c se mantém com os dois pés
sobre ambos. O poder de auto-sugesião do atar é t~o
grande que só não suscita transformaÇÕC5 intcriorcs e
psíquicas, mas pode produ7jr ainda altcrações f~icas
emSC\l próprio wrpo. Deveisaindavos rccordar omila-
gre de Konnersreuth, no qual uma simples moça do
campo vivia toda Iluinta-fcira a paixão de Cristo, com Por que há geralmente mais /Jeças infantis em cartaz
um podcr de imaginaçiio tão fonnidávcl que até suas do que lJeças para adultos?
mãos se tomavam laceradas e qne chorava cfctivamente Maria C/ara Machado - Oteatro infantil, aparen-
lágrimas de sanguc. Dar·vos·á isto uma idéia dos mila- temente, é muito mais fácil de ser realizado. Requer,
gres, dos misteriosos domínios onde a arte dramática
aparentemente, uma monlagemsimples e 05 i.ngredi~nles
pode conduzir, pois sem dúvida é o mesmo procedi. são: graca fácil, correrias, tombos, umsentimentalismo
menlo que permite ao alor, segundo a palavra de Sha- barato. Ôautor novo queselança a fazer teatroinfantil
kespeare, mudar vsivelmcnte de expressão, de forma, é, muitas vezes, umfracassado no teatro para adulto.
de atitude, transformar seu ser integralmente, para Ele acha que a criança pode ser facilmente enganada
chorar a morte de Hécuba e fazcr também o públko com uma sub-llíeraíura moralista e rançosa. Quanto ao
chorar.
produtor, acontece coisa parecida: pega u~ punha~o
Oator se estigmatiza cada noite e sangra as mil de ateres inexperientes, inventa uma pr~duça~ 9ue nao
feridas que seu sonho lhe inflige. dê mnito trabalho, que seja barata, cujO cemno possa
caber na frentedo da peça emcartaz nopalco do teatro
que vai ocupar, que useum espaço ~Ínimo, não d.epe~
de iluminação e, sobretudo, que de bastante di;ilierr~.
Oprodulor aventureiro pensa assim: uma peça mfantíl
tem bilheteria garantida e não íem proble~a com _a
censura. A criança não tem aonde ir aos dommgos, nao
sabe criticar, os pais geralmente não assistem pois têm
o seguinte raciocínio: "Meu filho está no testrc, vendo
peça infanti~ felizmente não preciso assislir porque ~ça
1..
húantil é xaropada". Então, perguntamos: Por que deu:
o filho ver?Porque é uma diversão para a idade dele .
Ea peça é boa? Muito garoto sai ~~tusiasma.do: ganhou
balão, balas, revistinhas, pôdepartiCIpar, subIU no palco,
MARIA CLARA MACHADO ele.
(Caderno, deTfatro, n. 18/t902 )
o intérprcte de pe

a ínlanl il SI: seute realizado Felizmente, alguns jornais já possuemcrítico espcciaH- Qualquer produção teatral feita honestamente, COI~
Que adIO das peça.1 Infanlis apresentar/as alualmenlena
vestimlo 11111.1 malha Vl'f oll'lha 11 0 nnn fanlasia luxuosa, 1.1110 nn TI, pois stJ a critira, o esclarecimento por Guanabara?
um bom dirctor e um produtor honesto 6 lima ,esc.ol,'
semncuhuma nulo-('ríiica ou mesmo sem nenhuma cri- parte dos veícnlos de comunicaçâ» poderá alertar os
ticapor parte de 'lucm'Iuer [1UC seja. Ele sc sente atar.
maravilhosa para a fonnação do artista e do tecmCO. Maria Helena Kii/lllcr - Ameu ver, muito min~,
pais sobre a verdadeira significação do teatro na for-
Talvez, qucm sabe, algumdirclor poder;í uescobri-Io e Qualquer grupo teatral, infantil .ou não, sendo bem emgeral. Houve um momento, em 197~: e~ que h~VJ~
llJ.1ção infantil, contribuindo pam mudar a situação dirigido c orienludo, irá necessanamente formar bons 2-3 peças em cartaz, na Hío. Tive a paCICnCIa de ass.lshr
convidá-lo para fazer íeaíro sério? Fazer leatro sério já aluaI.
é uma exprcssão bem suspeita. Pois o teatro infantil profissionais. às 23. Apenas umas 3 ou 4 valiam a pena ser vistas
não é levado a s{:rio pelos pais nem pelos educadores, Esta t'Onstatação não chega a levantar a~ causa~ porque
Que acha dos ltrfos oferecídos ii criança? isso acontece. Acontece em TI uma COIsa muilc desa-
nem pelos homens de teatro nem pelos críticos nem
pelos meios de cnmenicaçio. Os brrupos in[antis estão MCM - Faltam bons textos. Contudo, se aconcor-
gradáve~ que ele foi definido como um te atro ~e
soltos por ai, proliferam e sobrevivemporque a criançn rência fosse mais leal, se fazer TI fosse realmente uma segunda categoria para oqual coe/ll as p~oas que nao
precisa do teatro. Os tealros vivemcheios. atividade emque se aplicasseoque há de melhor numa conseguiramse situar num teatro proflSs~on ~I, . ou que
é considerado por muitos como send? mais fádl e ren-
equipe para realizá·ln, então, apareceriam melhores
doso. Rendoso, muitas vezes ele e, realmen~e, pela
Não aclra qlle o teatro infantil constitlli, na crise atllal, textos. Querer enriquecer à custa da platéia infantil é
despreocupação comque pais e professo~es ~nV1am seus
atáblla de salvação do artista desempregado eqlle, por mais grave do que produzir qualquer pornografia para
adultos. filhos e alunos para verempeças ínlantis sunplesmente
essarauio, não se deve impor-Ilre restiiçóes?
por falia de outro programa, por estarem o~ filmes de
MCM - Jáque oTI é um recurso maravilhoso para ccnsura livre empequeno número ou por 0.10 ter.em ,o
o aíer que quer sobreviver na profissão, porque não Que sugere para melhorar a si/uação? que fazer. Impressionou-me, por ~xem~lo, num_.lImpo-
fazê-lo bem? O fato de ler muito teatro infantil não sio de TI realizado em1972, ouvn a mformaçao, con-
MCM - Em primeiro lugar, que os ~rnais, rádios
obriga a que sejam ruins porque se, de um lado, está etelevisões se ocupem pelo menos uma vez por semana firmada por quase todos os diretores .e pr~lutores
ajudando o alar afazer carreira c apremler, de outro, da crítica hosesta dos espetáculos emcartaz. Segundo, presentes, de que emdia de elnwa a bllhetena sobe
está desijidmdo a criança a se educar. Através do íea- que se promovam concursos de textos com bons prê- consideravelmente. Na falta de outro programa, mano
tro, veículo maravilhoso de diversão e cultura, a irres-
mios para autores de TI, como oque já existe no Sen~ço da-se a criança ao teatro mais próximo, não importa
p'~nsabilidade com que a maioria dos grupos se lança
Nacional de Teatro. Que sejam ministrados aos alnnos qual seja a peça ou o que valha.
na aventura de distrair a criança prejudica toda uma
das escolas de segundo ciclo esclarecimentos sobre a
geração, desservíndo oteatro eaospróprios ataresnovos,
verdadeira siguificação do TI e da responsabilidade que DeliC Ira~er U/ll critério especial para montagem depeça
que começam a carreira mal e sem o sentido de nm acerreta para oatar eprodutor. Que os pais sejam escla-
teatro verdadeiro. Iniciando dessa forma, o ater conti- infanJil não só quanto li produçrio, como dircção e
recidos, através da escola, na escolha do espetáculo a
nuará sendo mais tarde um artista que se vende barato. que levarão seus filhos. interpretação?
Será melhor, então, empregar-se no comércio, vender
Tambên, a valorização por parle de educadores, MHK - Creio que sim, porque a criança tem ela-
livros ou dedicar-se a outra atividade, O TI para ele
professores e autoridades da importância do TI, dei- pas de desenvovlimento bem características e l~iv~rsas
virou um biscale. Os clubes e entidades recrentivas
compram espetáeulos muito baratos, os ateres recebem xando de considerá-lo como infantilismo literário OU do adulto. Um excelente diretor de teatro profISSIonal
seus 20 cruzeiros de eachê e se dão por sntisfeitos. O coisa decriança. ~ preciso que se esclareça que TI não pnra adultos poderia falhar totalmente ao .realizar um
espetáculo baixa a tal nível que é vergonha para .1 é infantilidade mas cosa que deve ser feita por gente espeláculo infantil. Se não tiver uma n~çao ex~ta de
classe e para qnalquer um que queira dedicnr a vida adulta, esclarecida e compelente para que se dê à como a criança vê e experimenta as ~IS~S ~ms con-
ao teatro. criança o melhor emarte e diversão ntraves do tentro. cretamente, de como traz para a s.ua ,~vencla, e org~­
Do ponto de visla do díretcr e do produtor, nem Especialmente as comissões encarregadas da escolha de niza segundo seus esquemas, aquilo que esta espen-
se fala. Afalta de cuidado com que se leva uma peça espetáculos com afinalidade c1assificat6ria para outorga men~do de como seu mundo existe emtermos muito
infantil, a falta de apuro na produção e até mesmo a de prêmios oficiais devem ser formadas por pessoas que
.~ .
mais con~retos, mas próximos da sensibilidade, da
pr6pria falta de ersaícs chegam a ser um crime. Que entendam do assunto. 'rnaginação do que dos esquemas 16gico-abstratos do
espécie de diversão ou de educação lal tipo de espe- ~dulto. Acho que uma peça ou espetáculo infanl~ como
táculo, que se espalha com tanta facilidade pelo Rio e Acha qlle O TI é 11m bom começo para aformação de aliás todo espetáculo, deve partir do es~ctador, de
pelas grandes cidades, estará sendo dada à criança artistas etécnicos de teatro nllm país emqlle há pOllcaJ suas necessidades e interesses, de sua linguagem e
8 brasileira? A maioria das pessoas ignora o problema.
.
.e.sco1as dramáticas? forma de visão, se se quer realmente atin~·lo.
MARIA HELENA KUHNEU responde
,\chá qllc (I TI, III! crisea/llal ela /ca/ro, é atábua dc mais amph. EScrel'er para ela supõe tentar conhecê-Ia
Si/1J;{IÇlio do rm!il:,\;Olla! dncllli'frgado r, ql/C, /101' e-~\(! Pesquisa:
e ver as (' Iim pelo SI'II :\n~lIlo de visio, ler 11111:1 noç;io
lIlOtiW, ruiu se rln'c impor-I"e f(~\triçric.\? 1*
de quesua realidade é outrn cafelasua linguagem
MIIK- Esta pergunta é uma confirmação daquilo e sua maneira depmsar e sentir,
flue j;í foi re:,p0lJ(lido, E1cmen[íl\ quc acham (IUC u;({)
CLAODE - HEUNfÃO DE PESSOAS,CONLUIADAS
Que achadaatlllpiaçtiode clássicos /)ara o TI?
tiveram dUlJlce nn tealro profissional CIIClll no TI.
Qnanto a ser a táoua de salvação do artista, coucordo
PARÀ APLAUDlROU PATEAR (*)
MHK - Adio que pode ser válida se manliver
plenamenie fluCseja UD! fato real. No enlanío, deixar
como elemento básico aquilo que os tomou "cLíssicos",
de fazer rcstrirlo por isso é coisa que jamais me OCOr-
isto ~ aquilo qne ultrapassa determinado espaço e
reria por mais que, individualmente, ache necessário
tempo e pode ter validade geral. Nessa adaptação, no alhadas pagas que ele é mes~o o ~"aioT. E ~odo
proteger e estimular o ator e desenvolver o mercado
til' trabalho, Meu compromisso maior é para com o
entanto, seria sempre fundamental, como em todo e g~. eguro ou principiante, e vaidoso ainda por cima,
público e esse público não pode, a meu ver, em hipó-
qualquer outro caso, manter os dados básicos de uma ~::eI~r um fator de claque, pois enche o teatro co~
comunicação. Porque às vezes, ao mexer num clás~ico, arentes e amigos pedindo-lhes aplausos e ~utras m~·
teso alguma receber um traballio insatisfatório por se tiram elementos que são fundamentais. Clwpeuzinho
C'Jndescendêneia nossa para com aquele que ofaz, Acho lestações de apoio à sua performance. Sao as ditas
Vermelho, por exemplo, é uma estória cu~ conteúdo panelinhas que não são apenas de teatro mas .d/e.todas
que a melhor maneira de ajudar o próprio ator sem
já foi ate objelo de estudo psicanalítico por tudo que as outras manifesta~'ÓCS artísticas, Recursos Ih~ltos a
desconsiderar o público é estimular nele o desenvolvi-
encerra como mito, como linguagem universal que nue recorrem os artistas desonestos e sem platCl~ que
mento de seus recnrsos e qualidades para que seu tra-
atinge até o inconsciente, Reduzida às vezes a fábula
balho crcs~'a ao nível desejado, llesejam fazer nome a qualquer preço, Aclaque? \l,ma
a um enredo ou arremedo disso, transforma-se às vezes verdadeira praga que vicia não só oatol' como opu;hco,
cm uma estorinha sem valor. is as pessoas já riem, às vezes, à simples entra a ou
Que aclUl dos textos da drama/urgia infantil?
fsboço de gesto do cómico que se acostumou a ~ens~~
MHK - Acho que o texto infantil é um dos maio. Que sugere lJara melhorar asi/llaçtio emque se apre- nue é milito enuraçado mC,\liIO, Suas gr~ças, poren~ Ja
res problemas do teatro dirigido a essa faixa, no senta atualmente o TI? Aclaque é uma instiluição tão estável que, quando s'ão cacoctes ra~çosos, piadas da geraÇ<1O do balança.
momento. Primeiro porque o que foi apontado nas MHK - Não podeser obra individual e uma prova se onsa' ue desapareceu, ressurge ,;toriosa ~ob no~as mas-não-cai e as platéias - ainda bem que s~ renova-
veX;s: ag~ra há a claque da televisão, que nao prCCISa
questões anteriores não acontece só ao nível do espe- disso é que as poucas e meritórias exceções dentro do
táculo mas também ao nível do telto. Em 1972 fui campo ainda não conseguiram mudar opanorama geral.
júri do Festival Infantil da Guanabara e em 1973, do Acho que isso só pode ser tentado através de um tra- ler proIiISSIionais pauos
. de
W o como antigamente. IhBasta
""trondosas palmas e garga a
d uma
as para.
:0, _ não chegam a entender nada. O VazIOse faz,
cm tomo desses geniais cômicos da claque ~a~a.
Plauto já denunciara a existência desses profISSIO-
!Tfavaçao,~ .
Concurso de Textos Infantis do SNT. Nesse período, balho conjunto e é para isso que, juntanente com r~er crer ao tele-{)uvinte que as pIadas de ncscs enr nais parasitas do teatro, chamados falrt~rcs. I
portanto, passaram por minhas mãos mais de 50 tcxtos várias outras pessoas, como Luís Mendonça, E. Crillo, díssimos cômicos televisivos são mesmo engra~,~' Fautor - segundo o dicionário - : aquele que f~.
dos quais a maior parte deles rccé~critos , Acresce Gabriel Silva, Niet Lima, João Siqueira e muitos outros, ~as, Os mais ingênuos chegam asupor que oaudIlono vorece, promove ou determina. Quer dizer que as ~o­
a isso um outro problema: já está começando a existir resolvemos criar uma associação de TIO para que, a ( ue às vezes nem existe pois tudo se passa num 'as empresas promotoras de espetáculos setomam a-
uma nova criança, isto ~ a criança formada no contato p.1rtir de um trabalho permanente, ligado não só aos a~hado estúdio) está repleto de fãs e fanzocas que pnues organizadas comercialmente, remmalIas e pagando
1r. .
direto com uma realidade que entra em sua casa dhe- grupos como aos que fazem teatro nas escolas e Iam- aplaudem delirantemente o ídolo. I " ~pnstos. Muitas vezes, os produto:es, em seus afflchcs e
tamente pela tevê, pelos jornais e revistas e que não bém aos professores de matérias afins, possamos lentar Como toda instituição gagá, a claque e ~a ~n~ti. nas carteletas dos ~mais nas seeçees de teatro, l~uvam
espera a mediação dos pais e professoras, como aecn- uma ação sebre essa re'llidade existente, Oque vamos t ' ' 0 ue resiste aos maiores esforços exlIrpatonos, rodigamente determinado espetáculo que todos vrram e
tecia anteriormente, para criarem entre ela e o mundo conseguir, que, obstáculos vamos encontrar, ainda é UI? q / es estão não só em hábitos seculares, maus ~eharam bomba. Quando apeça passa de uma praça para
um anteparo que, muitas rezes, eram também antolhos, difícil dizer. Apenas acreditamos, no momento, que só poIS suas mz • ia d ssoas outra do Rio para São Paulo, por exemplo, acontece o
por sm'a!, como na própria conscienCla
.
as pe ,
Teatro StabilIe
Essa nova criança, mais exposta mas também mais uma tentativa do gênero pode vir a ter a força sufi. l'!assarani o duetor do pior. 'Lê.seoseguinte nos diários locais: "Ta!. peça... o
solicitada, dando muito mais de si, amadurecendo mais ciente e necessária a uma transformação. .. d R
Segun o enzo 1 1 , f"
de Gênova tentou dar um golpe mortal nos pro ISslOnaIS
.
maior sucesso de gargalhada no Rio de Janeiro no cer-
cedo, vendo seu equilíbrio a cada instante pressionado da claque retirando-Ihes os ingressos gratuitos. rente ano", . •
por um dado novo que ela tem que absorver e integrar, ~ resignar-se... Os fautores são uma orgamzaçao, e
A razão da claque deve estar numa espécie de
não é uma criança que se possa satisfazer com teltos aquele que não pode pagar o seu preço faz um ~cesso
rivalidade e luta entre concorrentes ~e um m:smo ra.mo · do em seu trabalho, pois não., pode ,anunemrI é' aos
com uma visão tradicional do mundo. Sua própria dramático ou lírico que, por esse mae, tentanam retirar limita
O fantasia tem outros móveis, sua visão do mundo émuito '
qua tro ven v.t"" as DU'I e tantas craro
o 1:>alhadas "
da p. st m.
(0) Vide As.wcÍllflÍO de Teatro Infantil, pág. 46. os fãs do adversário, fazendo crer através de palmas e
Scgundo alguns aulares, o prÍlprio Nem contava com o QUE VAMOS REPRESENTAR
5.lXXl fautores ou propagandistas das delícias da sua
lloma, profissionais estes preparmlos tccniennente por
professores contralados cm Alexandria.
Na Idade Média, as Sacras lIepresenla~'Õcs, produ-
toras de espctáculos edificantes e moralistas, pagal'am PEHSONAGENS:
sem profissionais c/fuI/w"rs cmcomida e bebidas, ADERRADEIRA CEIA
~ lolii'rc, (lnc fazia sncesso por si, sem necessitar D. NAZINIlA
de claqur, nãn apreciava a classe. VENERANDA

Na Inglaterra, eles existiam e tinham as palmas MANUEL ROQUE
das mãos duras feito pau. Dizem... Na Espanha: eram SATURNINO
chamados mosqlleteiros por seus aplausos IluC soavam PEDINTE
como tiro de mosquetc.
~I EXSAGElRO
O apogeu da claque aconteceu na Itália. Nos alu-
MOITA BRAVA
guéis dos teatros estava incluída uma tan adicional
para os garroni quc ajndal'ammidosamente no sucesso ~IARIA BoNITA

do mclô, e esses profissionais adquiriram tal prestÍ~o LAMPIÃO
e poder que interrompiam espcf;lcnlos que não fossem ~IAmA..'1 0
aplaudidos por eles. Chegavam a dar palpitcs quanto EnWIGES
à escolha do repertório Iírit'l de alguns teatros.
SOLDADO
Na França a claque se Ibml"o!l'eu a ponto tle
TL:I

Related Interests

TE
comportar diversas especializações: bi.~sc"rs (que pe-
diam bis), plclITfIITs (l!ne choravam), pateadnns c
outras, a tabela de preços variando conforme os tipos
de claque pedidos pelo autor. D. NAZINlIA - Oboi encaretado
Também o Carnegie I/all de Nova York tem sua vinha bufando que era um horror.
claque, paga em dólares, confonne a cedelte. Eddie Partia até para o vento. Vinha com
Ilarclay teria pago milhares de dólares pelos aplausos os chifres ataviados de fitas, um
da claque a AznavoUT. chocalho grande no pescoço... e a
povo atrás dando viva, cachorro la-
Por ludo isso- perdãO!- conclnÍmos que a claque
tindo, menino gritando... Saturnino .
não é uma instituição gagá como pens:ívamos ao iniciar
bem faceiro, bemrosado, montado
esta pesquisa. Viva a claque!
num baio e pegando o hoi pela cor-
VIRGINIA VALLJ da, deu entrada no povoado. Tipe-
gando um boi orelhudo que tinha
sido arrellegado por todos os va-
queiros da redondeza. Foi a prí-
meira vez que vi Sahunino. Fiquei
desadorada por aquele homem. E
no meio daquele povo todo ele me
cobriucoma vista. Ai... Chega me
me falta ar. (Suspira) Não pude
dormir. Fiquei com ele encasque-
(•) Nora DiriollÓrio da I.ínglla PorlllgueliJ - Cdlldido Peça em 3atos de Luís MARINHO tado na cabeça que não tinha een-
2 de Figueiredo. .
solo... Só via na minha frente ele Se ponha à vontade... COnJIJ vai SATURNINO- Compadre, porque
moniado a cavalo, c o povo daudo Duvirgc? não compra logo esse sítio de uma D. Nazinlra w/ta, cai até o pote ~ IAI\UEL ROQUE - Aqnilo é um cabras nãn perderamtempo, arras-
c lcm IIIn coco ,fáglla ao pedinte. monstro! E ainda encontra neste taram o homem a força e levaram
viva. I': ele bem laceiro, bem ro-
MANml. IlOQUE - Não falta vez, se é de estar arrendando todos
sado... mundo genle pra lhe amitar. Mas para operar.. . O resln dos canga-
queixa. Desde que a finada morreu, os anos terra ali e acolá?
enquanlo eu tiver alento, não darei ceiros ficaramsorrindo e bebendo,
V.:NrnANDA - Cala a hoca, mu- que ela ficou pelejando mm os ~h~UJo.L \lOQUE - E compadre
~1.\NUJ:o.l. \lOQm: - O~'Cm compa- dcse
anso a coiteiro, juro! e o pessoal ali presente, sem cora-
Iher. Parece 'Iue estou vendo tam- irmãos peqnenos... dre! Quer gaiofar de mim?Onde cu sabe quanto a viúva est:l pedindo
gempara protestar, só fazia tremer,
bém. Já estonquerendo bem ... Um ia arranjar (linheiro pra comprar pelo sítio? Doze contos .. . VENElIANDA- E por que foi que
V.:NEHANDA - Faltou mãe, faltou e as mulheres re7.wam... Com
homem desses não se apresenta na terra, se não tenho nem para se- SATURNI~O (Abrindo o embornal) ele fez isto, meu velho?
ludo! ponco Lampião se pôs no meio da
minha frente. Só aparece homem mente? - Que não seja esse ovexame! (Re- SATIJR.lilNO - Vamos ver que o salacberrou: Agora vai dançar ludo
mofino. MANUEL !tOQUE - Estou com in- tira 1Il1l maço de notas, contae en- senhor caiu emalguma falta. uu! H3mem e mulher... Os cabras
tenção de me casar outra Vtl. Co- SATURNINO- Por isso não, eu
D. NAZINIIA - Ai minha filha, eu trega o dinheiro). apontaramas espingardas pra cima
arranjo. ~IANUEL ROQUE - Que falta?1 E
madre que acha? (Pausa). Se eu MANUEL ROQUE - Mas compadre, da genteeopessoal começou atirar
só casei com ele, por causa de que há motivos para se cortar os dedos
encontrasse uma moça velha assim MANUEL ROQUE - Mas como? vai ser assim. .. Sem mais nem a roupa... e quando Lampião
ele era avcado. de um cristão assim? É o instinto
como a Veneranda? Elogo agora que vai entrar a plan- menos? disse: Vão dançar mulher e homem,
VEKFJl.OOA - Sim, e como che- tação. E mesmo eu... Compadre perverso daquele bandido!
VEI

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ERANIlA - Vôte! Soldado e SATURXINO - Não se apoquen· eu vou ficar botandosentido, o ma-
gaste a casar com ele? arrancou botija? PEDI1-nE (A Veneranda ) - Apa- cho que se manifestar vai ter a
viÍlvo'são duas nações de gente que te... Um dia o senhor me pagará.
D. NAZINIIA - Espere, depois da- meu coração não abraça! troa é donzela? mesma sina do noivo lá 1t3 terreiro!
Nem que seja com um favor.
quele dia eu não achei mais graça Todos líem. SlIrge um pedinte c VENERASDA - Com todas as Sanfoneiro, toque uma música! Eu
MANUEL ROQUE (Magoado) - MANUEL ROQUF. - Se Deus for
em nada. Estava ficando seca, sem canta, acompalllrando-se de IIIn bonras' peguei minba sanfona, botei no bis-
Nesse caso, se seu coração não servido!
comer nem dormir, quanto uma lar- ganzlÍ. saco e disse: Não toco! E Lampião
abraça soldado, abraça cangaceiro! PEDl1>'1E (Para se retirar, cantan- PEDINTE - Então se arretire, mi-
dinha de sábado, mandei um bilhete feito uma fera! Não loca? Você se
para ele historiando tudo, c ele VENEIIANDA - Soldado e canga- do) - "Deus lhe pagueesta esmola, nha santa. Não posso contar na sua
atreve a responder nessa altura a
prontamente riscou na minha poria ceiro pra mim, é uma peste só! PEDINTE - (cantando): lá no reino da gulora!" nresenca
1 •
L1mpiã'l? E cu comtoda coragem:
e bateu palmas. O velho meu pai Clrega Satumino, fala de mão com "Era um homem preguiçoso SATURNINO - Ei, meu velho! En- VE.'iEIIANDA (Saindo) - Virgem! Não toco porque tenho aqui uma
saiu da banda de fora e mandou ele M. Roque. tre pra passar o sol! PEDINTE - Dá-me licença para eu filha donzela, e ela não vai repetir
que neste mundo havia.
apeiar. Enião ele disse que a con- SATURNINO - Bom dia, compa- contar, palroa? que o pai tocou num baile desse
Um dia determinou-se
versa dele não era com o velho e dre. Que lhe traz por aqui (Cami. D. Nazinlwabre a porta e o pc· para ela dançar! Nisso Doninha mi-
simcom a filha.. . Pai respondeu nlra até àmeJII epõe uma bolsa de botou um roçado em 3 dias, D. NAZINlL\ - Sim" mas eu vou nha filha corre porta à fora e Coris-
num aceiro de uma mata, dinte entra. sair também!
queesperasse umpouco que ia cha- palha). co vai em seu alcance. Lampião
mar a filha, mas entrou pro qnarto onde os macacos vivia!" PEDI1>'1E - Não, não carece! encarou-me e disse: Você nâo quer
MANUEL ROQUE - Bom, vim dar PEDUiTE - Ademora épouca, meu (Põem uni tamborete para o Iledin-
e começou a botar bala na espia- tocar agora, não é? Pois bem, você
as horas e também tratar de um filho. Anunciaram que Lampíân te. Sentam-se todos). Numa festa de
garda. Vendo aquilo, eu mais que (Falando) Favoreça com uma não loca agora e mais nunca! Man-
negócio. vem marchando pra essas bandas e casamento, eu era o sanfoneiro e
depressa montei na garupa de Sa- esmolinha para um a1eijido qne não dou me agarrar ebotou minhas mãos
I'OU me escapulindo de mansinho... estava tocando lá. Obaile já ia às
turnino, e a gente esquipou rua ii pode trabalhar. emcima de uma mesa e com um
fora. As mu/lreres se afastam e w/tam MANUEL ROQUE - Lampião 1'01- tantas, quando de repente chegou a
D. NAW<11A - Já roi! (Vai até à facão, tora meus dedos! (Pausa). E
fou? Iropa de Lampião e invadiu tudo.
• M.uHJEL ROQUE (aparecendo) _ àabnofada. cuia de farinlra que fiá em cima Comeram, beberam e coisa, e aí
Mje vivo penando pelas feiras, sem
O de casa! S.\TUIII;I~O - Não se aperreie poder trabalhar, tirando esmolas
da mC$a, tira um pouco de farinha Lampião gritOll: Vou dançar mais a
D. N.mNIL\ (indo à poria) - O SATURNINO - Mande-me as com uma clrícara, e põe na mochila meu velho. Ele não faz mal a nino noiva! Onoivo protestou edisse que aqui e acolá e nunca mais ninguém
de fora! (Abre aaporla e M. Roque ordens. do pedinte). guém assim uão. a noiva só dançava mais ele! Iam- deu notícias de Donina minha
entra). PEDIII'1E - Não faz mal a nin- pião, fulo de raiva, disse: O galo filha.
MANUEL ROQUE - Estou pred- SATURNINO - Mas, sim compadre.
MANUD. ROQUE - Compadre sando de fazer uns benefícios na guém? Que Deus livre osenhor dele que canta neste terreiro soo eu e MANUEL ROQUE - Essa praga um
Não se aperreie por mim. .. Eu
Saturuino está? em sua porta! (Erguendo as mãos). nenhum mais. Fez um sinal e os dia haverá de ter um fim. Com o
terra que arrendei Queria que o herdei um pedaço de terra que meu
D. NAZINHA - Foi à rua mas não compadre Salnrnino me emprestasse Não está vendo estas mãos sem cabras pegaram o noivo e levaram mundo de volantes que anda atrás
avôme deitou, evendi por um bom
14 tarda a chegar... Entre compadre! seu arado eumas enxadas... dedos? Pois foi Lampião que torou para o terreiro para fazer o serviço deles, acho que os dias do cangaço
preçol
com um facão, meu filho! nele... Onoivo estrebuchou mas os estão contados!
PEl)I ~;n: - Não, meu filho, en- S.\TURNINO - Saiu alguma mulher Quando desaparece, ele se benze,
lluanto tiver coiteiro para dar gU:1- ofendida? ergue (~~ mãosesoluça emocionado.
...-. ro.., Lampião toma aquele alento se bota pra cá? Adeus, minha negra: MENSAGEIDO - E para dar umas
tapas num safado amarelo de sua
ese a~elha, pedeabênção erepete: Hoje mesmo vou arribar para a
rida... PWINTI - Ilom, ofendida, não, Apaga-sealuzevolta acena A. rua.. . Casa onde só têm mulher marca, carece de eu arredar de onde
VK'II':UANDA (Voz) Posso enlrar? mas foi um desrespeito! fêmea! O homem que tem é um estou? (Parte para dar emManuel
·Viva a sagrada famia,
l'E1l1NTI'; - Já, minha senhora. doido! Vou-me enquanto é tempo. Roque).
D. NAZINIIA - Quando ele está no céu 1 divina luz,
SATURNINO- Uma tarde, Lampião viva o senhor S. José, (Sai). SATURNJI\O (Interpondo-se) -
lia lua dele, tem dessas esquisitices,
(Vo/laVClleTllnda). arranchava com a tropa perto de viva o mistério da cruz, SATURNIXO (rindo) - SeLampião Vamos ter calma! Compadre, pcço
mas pra qucm não mexe comele,
um tupete de serra e descansava de para sempre, amém, Jesus!" desse naquela loca de mulher. .. quevá caminhando.
eletem bom coração... Uma conhe-
SAIlJIlNIKO - Vocês só sabem cida minha estava em cima da cama uma longa jornada, quando menos (Manuel Roque olha-o significalica- MANUEL HOQUE - Não! A uma
csperou foi surpresado pelos maca- corja traiçoeira dessa, não se dá as
bolar falta nos cangaceiros.. . Que- na hora de parir quando anuncia- Meu padrinho abençoa com amão mente e ele se desconserta).
rem peversídade maior do que ram a chegada de Lampião, correu cos, que baixaram bala para cima costas!
e diz: "Virgulino, tu estavas preci- D. NAZlNlIA - Ave Maria! Tem
fazem as volantes? Vocês pensam todo mundo, até a parteira, e ela efizeram todo mundocorrer."Qucm MENSAGEIRO (Aborrecido) - Bom,
sando de uma provação! Abre oteu menina até de nove anos!
que esses macacos não se aprovei- ficou sozinha, coitada! Pois Lampião não correu, morreu...• Lampiãofoi não posso perder tempo! O capilào
olho... Estás esquecendooJoazeirol
tam? Vestem-se decangaceiro epra· entrou pro quarto, fezoparlo, lavol: ferido no pé, que ficou esmigalhado. Mas ainda não chegou a tua mandou avisar que vem pernoitar
Escondeu-se numamoitaelá perdeu Chega um mellSageiro, Congo.
ticam misérias!Como o que fizeram O menino e ainda deixou dinheiro hora!. .. Daqui a pouco passará por hoje aqui! E quer tudo como ajus.
ceiro, batecom força à porta, todos
no sítio da Sapucaia! Todo mundo para oresguardo. Hoje está umme- tanto sangue que deu uma grango- aqui um menino que te prestará tou.
olham, pura atramela e entrasem
pensou que tivesse sido a tropa de nino, taludo e se chama Virgulino. Iina.. . Três dias e três noites pas- socorro... Tu vais escapar dessa. MANUEL ROQUE (Encolerbldo )-
pedir licença. Manuel Roque fica
Lampião e depois se apurou que sou uaquele padecer. (Aqui começa Maslogo queestiveres curado, cuida Muito bem! Logo "i! Este dinheiro
SATURNlNO - Provera Dens que obseroando, Satumino desconfiadoe
tinha sido a volante... acena C). Semcomida, sem .ígua, de ir a Joazeiro.. . Tenhoumposto assim fácil...
eutivesse vindocomodom deLam- D. Nazinhatrêlllula, caminha até a
MANUEL BOQUE - Sei, está certo, pião. Se o homem não tivesse sido se queimando de febre, cheio de para ti. Nisso abençoa e desaparece. rede e tirandoacriança, sai para o
mas os soldados foram punidos.. . tão perseguido, tão provocado, tão bicho no pé que já fedia (Começa (Escllrece acena, depois voltaa IlIz interiorda casa. (Retira o maço de dinheiro do
S.UUlININO - Punidos? E qual a injustiçado, elehojeera um santo... a se arrastar com o pé pra cima). na cena A). Com pouco passou o bolso, cospe em cima e ioga na cara
punição? targue de besteira! Já viu pois ele troure a sina de ser santo! Já não tinha mais umpingo de san- menino, sacudiu Lampião e ao cabo ME./isAGEIRO - Posso falar? Ofre- de Saturnino) . Nojento!
cadeia ser castigo? E eu garanto .gue. .. os bichos começavam a cor- de um tempo ele foi ao Joazeiro e guês aí é depaz?
~IANUEL ROQUE - Não diga he-
como já estão soltos! Queria que rer para a boca e para os olhos lá meu padrinho Cícero mandou seu
uma irmã minha estivcsse naquele resia! Paizinho Uchoa promover ele ao MANUEL ROQUE - Pode falar!
(Aterroriz.ae/o, arranca bichos ima- Fim do 1.0Quadro
meio pra ver se ficava só emcadeia! SATURNiSO- Compadre já teve a ginários), já não aguenta a catinga posto de capWio! Quem évocê, não se pode escurecer.
MAl\lIEL ROQUE - Muito bem, en- dita de ver uma santa aparição?Pois da ferida... procurava chupar fo- MANUEL ROQUE - Bom, isto foi SATURNINO- Não, ele não vai
tregue uma innã sua a Lampião! ele teve! Ele viu a visagem de meu lhas de mato, mas não aplacava a verdade... Mas é o padre Cícero falar na sua presençal Ele veio aqui
padrinho Cícero! Já é noite. Acasa estámal ilumi-
PEDum - Deus o guarde! Um sede... Aqui e acolá dando passa· que é Ião bom que queria ver se a um trato comigo! É coisa parti-
nada por dois alcoviteiros. As portas
homem que já ofendeu pra mais de mentos... e sempre se arrastando botava Lampião no bom caminho. cular! estáo fechadas.Estão em cena Satllr.
duzentas mulheres! pra tomar chegada na estrada pra PEDINTE - Só peço a Deus que MANUEL ROQUE - Compadre! nion e D. Nazinha.
SATURNINO- As mulheres tam- Cena B- Acena escurece, porém, se entregar... Tem intenção de cha- livre vocês todos de Lampião em Você está desmerecendo pra mim!
bém têm culpa... Vivem atrás dele, Saturninocontinua falando. Acende· mar por alguém mas a voz não suas portas! Vou indo... Lampião MENSAGEIRO(Pegando nopunhal) D. NAZlNIIA - Quando esse povo
apaixonadas.. . Não viu o caso de se a luz azul na cena (também na acode.. . Pára de rastejar, abre o vem por aí subindo a serra! (Sai e - Se o Saturnino quer que eu faça vemassistir aqui, só falto me aca-
~Iaria Bonita? Ele nem sabia que sala deSatumino e se fará processo bornal e pllxa umrosário, aperta na doladode fora, à porta, canta ): esse homem se calar de uma vez? bar... e aquela catinga deles! Vir-
ela existia neste mundo.. . demímicas). Quando acender a luz, mão mas não temmais vigor para
D. NAzINl1A - Depois que Maria Úlmpião, prastado ao chão, camo rezar. Está esbilitado, desanima, "Deus é quempaga essa MANUEL ROQUE- Vocês s6 têm gem!
Bonita foi para a companhia dele, pé esquerdo envolvido em panos, baira a vista e espera a morte... [esmola disposição anuados! SATURNIXO - Nemse ponha com
os cangaceiros começaram a respei- estará àmorte. Dáalgumas síncopes Nisso, uma claridade bem na sua Lá DO reino da guIara!" àlENSAGEIRO (Úlrgando as armas vexame, que o capitão dá a última
tar mulherl e torna-se cada vez mais fraco. Tem gota de sangue por quem é amigo
frente lhe encandeia a vista (Luz (Vestiparece) no chão) - Pois venha de lá!
PrnIXIE - Por isso não, que quan· sede e respira vom sofreguidão. forte no pae/re, queaparece), quan- MANUEL ROQUE - Eu respeito a dele!
do houve o caso do baile, Maria Quando opadre Cícero lhe aparece do ele levanta os olhos, se apresenta
6 Bonita já acompanhava Lampião! ele se ajoelha e toma a bênçtio. na sua frente meu padrinho Cíce- .
..J, VENERANDA (Apreensica) - Meu
Deus!Subindoaserra! Agora, seele
casa de um homem. Vamos para o D. NAZL\llA - Sim, eu sei ores-
terreiro! peito a todo mundo... mas hoje,
o choro sacou o pnnhal e vinha n. Nazinha corre clira acrianç.a ela dade! IkJll' () menino lia rede (11Ie
não sei porcjue, estou com uma compadre catuc-.í üio comvara! Eu gas ccopa alta àc.abeça. Usacabelo malar I) filho? Eu mc pus na Ireníe rede. ninguém mexe nele.
lranca... (Pausa). Trouxeste a ga- estava até queto querendo fazcr um escorrido e pastilhas. Tra: lima pc· r. dissl': Til I'sl~ I'iramll) hicho? Tu
sosa? Tu sabesqueocapitão é doido benefício a ele... E ele foi quem quena rosa à altllra da cre/llll es- D. Nazinlw [(lei/a /1m )l0IlCO filas
nã,) ('sliís 1'L'1Il1o '11Ie Itlra malar D. NAZINIIA- Não! Não! Meu
!JlJr gasosa! se arrebitou para a minha banda! qllerda, vestido c/aro, maugal com· esse inocente tem que passar IXlr filho não! Poupe meu filho pelo obee/ece.
SATUIINI~() - Eslú ludoproviden- Agora a ripa vai baixar em cima prielas, meiascompridas cgrosseiras ribn de mim primeilO? E ele mur-
alpargatas, cartucheira, embornal c amor de Deus!
ciado... Acarne, a farinha, () fubi, dele, pra deixar de ser IIIal agradc- chando, rel'Olheu a anila e foi se SATlJllNINO - O capitão FI uma
arapadura, as ancerelns, asbalas... cido! Qnando ocapitão chegar, 1'011 mailapetrechos. ,lo eutmr em ceua deitar outra vez. Hoje de manhã 1'11 M. BONITA- Nãose vexe D. Na· rezmedisseque uma ordem de Ma-
dizer tudinho! demora um pouco e tira o c/wpéu. zinha... Vou falar a verdade (Para
deixei o menino na casa de um JIIO-
D. N.mNIIA - E os cohertores ria Bonita era mesmo que fosse sua
D. NAzlKlla - Pra trás, a gente Está cansaela cse sentacm 111I1 lam- rader de Cruz Santa.. . I.iJmpião). Tuontemquiseste malar •(.1111lzig/lantlo).
também? borete. um inocentecomoeste! Eantes que
vivia IIecessitado mais era feliz!
SATURNIKO- Sim, também! Está Agora, vive nesa sujeição, olenden- tivesse outra ínlluêaca, cu ia man- LAMPIÃO- Cala a bom aí, ho-
tudo no celeiro... Só falta mesmo do até aos inocentes, pelo amor de Entra, sorrateiramente sem ser dar esconder obichinho! mem! Vai entregar as provisões aos
M. BONITA- O homem vem já visto, Lampião e se põe por trás, homens.. . Vamos nos arretírar
chegarem. dinheiro!Vamos pra longe enquanto
por aí! (Tira o dwpéu ). Ele anda W fPlÃO - Maria , tu está duvi- pela madrugada!
é tempo... se não, vamos ter um
escutando.
queiloso porque caiu numa traição dando de minha palavra?Já não te
Ollw-se 11massobio prolongadoe triste fim! e perdeu seis homens dos nossos. disse que não bulo mais com me-
um tinir de gllisos. Os elois se en- M. BONiTA- Eu queria que a Pausa. Sat/lrnino sai, Lampião
(Fixando o olllllr em Satumino). nino? Até não jurei? (Para Satur- sentae MariaBonita tira·lhe o cha·
treollwram e Saturnino mi até a Ollve-sebater àporta três panca· Ele não perdoa o amigo que senhora amanhã, logo que amanhe-
nino): Evocê ia obedecer omando péu e penteia-lhe os vastos cabelos.
porta. Abreeolhafora, D. Nazinha dasconvenciouais. D. Nazinha pren· atraiçoa! ça (Abre um embornal e tira Um
de Maria Bonita? Osemblante ele Lampião transmu·
ilJ.S tintivamente caminha até arede ele a re,spiração. Satumino inflrlen. SATURNINO - Nessa parte, ele fIIaço ele dinheiro) vá a Cruz Santa
e pousa a mão fUI criança. Pausa. e dê esse dinheiro a... ta·se agora, doódio, para a file/mI,
ciaelo pelas palavras ela nmlller fica pode estar descansado ccmigo. Eu Satumino vacila um pOIlCO, bair·~ colil/. D. Nazinha sai para o interior
Satl!rnino fecha a porta, wlta e nervoso, faz um sinal ele silêncioc sou fiel até a morte! avista enão responde. D. Nazinha,
senta no tamborete. da casa.
wi escutar à porta. D. Nazinha vira·se um pouco toda trêmula, chega-se Iler/o do
~1. BONITA (Olhando ao redor) para ouvir melhor eavista Lampião. marielo. Acriança já não c/lora.
- Moita Brava, leva aquele pote Sol/a mn 1m! edeira cair estrondo· M. BONITA- Oqueéque tefalta?
SATURNINO - Era um tropeiro de Voz - Como é, sêo Saturnino, não Sei que está com alguma amargura.
aguardente. d'água aos homens. É como opa· samente a chocolateira que trazia
vai abrir esta porta hoje, não? LnlPIÃo - Como é? la? Estás farejando alguma coisa?
tão disse: ninguém entra para cá! lIll mão. Os outros dois tambémse
D. NAZIXIIA - Não sei. .. Depois LAMPIÃO- (A VOZ suave) - Não,
qnc aquele aleijado eoníou aquelas assustamese põem de pé autoflla· S.n URliIKO- Ela... ela não es-
Saturnino abre a porta c entra o cangaceiro obedece ( sai. Ma- ticamente. tavafalando comigo não!Ela eslava não é nada!
histórias, fiquei tão arreceiosal... Moita Brara(Mensageiro). riaBonita lança umolhar sondando combinando mais Nazinha... E M. BoNITA- Já reparei que toda
SATURNINO - Meu receio agora é ao redor, leoonta·se e vai se sentar LAMPIÃO - Maria... Oque em mesmo a gente não tinha ajustado vez que tu voltas de [eazeiro, ficas
emcompadre Manuel Roque... um MOITABRAVA - Tem coisa por em um tamborete perto do casal e que vocês estavam tramando? .. .. nada! assim capiongo.
negócio me diz que ele vai para a aqni! Será que vocês estão eseen- emtom confidencial chama os dois
rua me denunciar. (Alterado). Mas LAMPIÃO (Manso) - É meu pa·
dendo algum macal'O? (Procura ecOflfia. drinho... cemaqueles conselhos.. .
antes que ele me denuncie, Lampião pela casa toda ). Maria Bonita não responde. Ergue Lampião olha comdesprero para
vai dar um jeitonele! (Bate com a alticamcnte acabeça, cerra um pou· Satumino ecospe delado. M. BoNITA- Eu aprecio os con-
mãonamesa ese leranta). SATURNINO - (Riso amarelo) - M. Bo~1TA - Virgulino vem já coos olhos, entumece o be~o infe· selhos do meu padrinho, embora
Pode caçar a casa toda. Eu não sou por aÍ. .. Nãoquero queele saiba. rior e com lJaSSOS decisioos cai até D. NAZINlIA - Pois se ela tivesse nãosiga! Mas me dá uma animação
D. NAZINllA - Não, Saturnino, o
mais certo éagente ir embora! Ima- homem de traição! Ele hoje está uma fera! Quandoele arede do menino. Ocasal fica em mandado, eu ia, capitão! Eü lam- para ir pra frente!
está assim, temo atépor ele mesmo. suspensoe sem ação. Alaria Bonita bém sou mãe... e mãe... WlPIÃO (Voz Ilrofunda e triste)
gine aqueles meninos todos nas MOITABRAVA - Ocapitão vem já.
Vira bicho! (Emais perto ainda, os olha para dentro da rede e fita - Já comigo é diferente... fico
nshas deLampião! Edepois agente (E sechegando à porta). D. Maria SATURNINO- Mas a gente ainda
três estão de cabeças bemaproxi· Lampião. Este, empurrandoos tam· esmorecidoimaginando... comvon-
vai ficar comesse remorso no lombo Déa, pode tomar chegada! Tudo na ia falar como senhor!
madas). Essa noite, o nenê eslava boretes e comtodo o chocalhar de tade de voltar atrás... mas já não
para oresto da vida! santa...
apcrriadinho sem querer dormir e seus apetrechos, caminha até àrede LAMPIÃO (Semdar atenÇlio a Sa· posso.. . Tenho que seguir minha
SATUR.'iINO - Ah! Eu não voume chorando sem consolo... Já ia as também. Ouve·se então o choro do tumino) - Está certo, D. Nazinha! sina... Já não posso mais ser bom!
arredar daqui deirando meus pos- Entra Maria BonUa. Traz um cha· tantas e o menino chorando, pois
su:dos abandonados... Não mandei péupretode fIIassa ecom abas lar· menino, que acordou assustado. Só quero que não falte tom a rer- ~Ieu fim vai ser triste!
não é que Virgulino enfezado cem
. /10:1,\ U(lIIor:irmadll) - ~ Ii · gosto de rspairurr nem um segun- l/ui nascido emPajei!
nha sina c: ;1 lua, ou Ix)a 011 ruim do, era o dia lodo cuidando das por Lampião apelidado Estou bem perto do men fim benção! Não cruzo maisos hatentes
estarei l11!1tigo. Edepoislluelu mor- obriga~'Õ<:s c pregaudo fivela em no município de Vila Bela tplC mr. importa IlP morn'r? dele.
rores, não quero ficar viúva 1Il'1II 11 111 ~ Ialo João, Pedro 1111 \Iarlilll MANUELHOQUE- EII me vejo na
sapato! Mais pra frente ouvi falar no lugar denominado
minuto, jmo! Vou l111ltigO! cm Iampiân e o 'lue ouvi contar riacho de São Domingo e onde vou comparecer? ohril1ação de denúncia Isso eulenho
L.UII'I I\O (Desolado) - Para o dele, era o hemem que eu queria. de Pernambuco no Estado. j{t fiz tudo que queria "o. Poderia ser meu pai.
comig
iuferno! Disposto, audejo e de açâo. Entoei Quem me importa se morrer
MARIANO - Oxcnlc! Pai c.st:í no
~ 1. BONITA- Meu padrinho d:í o homem na eabeça de um jeito, Gado bravo para ele (grilanda) seupapel. Agora me diga umacoisa,
umjeito... Acho que se ele pedir que fiquei eaida por ele, meu cora- não estando mal montado í~êêêê ... ôÔÔÔÔ... pai não foi servido pelo cangacl'Íro
aos santos por nós. .. No mínimo çic só podia abraçar um homem sendo um cavalo bom não?
iremos para o purgatório! daquela felpa. Então me determi- julgava o bicho amarrado
nei: mandei recadopor Luís Pedro, Quando Lampião lêos lft!rsos, vai MA~iUEL ROQUE - Fni não. ~Ias
LAMPIÃO (Desesperançado ) - ou vinbo pro curral sadio
dizendo quequeria falar com ele... ou com um quarto quebrado. nnm crescendo oléno final, quando compadre agora é capaz de tudo, e
Provera Deus! dáogrilode cntl~~iasmo eohomem não vai deixar de ensinar a minha
e que antes de ter visto já gostava
~f. BO;';ITA - Mas vamos deixar manso de há pollCo toma-se inquie- morada a Lampião quando hí che-
dele. Com uma semana ele apresen- Saturnino chega e fica escutando.
de pensar emmorte, que j:í houve teuse cm minha porta. ~fandei en- Lampwo mi lendo e se entllsias- to... Quando os homens lá fora gar.. . Ele sabe qual e a minha
muitas ontem. trar e disse: Esse é o homem qne mando até ficar exaltado. escutamogritodeentusiasnio tam- opinião.
II ATO
eu amo. E inqniri. Como é? Quer bém gritam e oulft!-se sanfona fes- MARIAXO - Então não dá mais
Pequena }Jlll/sa. me levar ou quer que eu oacompa- /ira. tempo de ir ii ma ..; De i;oje para
Até aos 17 anos Casa de Manllel Roqlle. Poderá
nhe? E ele respondeu: Como você amanhã eles vêm ei
vivia calmo eassossegado ser aproveitado o mesmo cenário,
LAMPIÃO - Vigie tinteiro e pena qniser, Maria, eutambém quero! Se ~1. BoNITA - Está uma lindeza...
até todos o coahedam deeez queessas casasdo mato pou-
qne eu quero aproveitar essa intui- estiver disposta a me acompanhar,
por lutador honrado Chega estoucom um estalo na gar- codivergem limas dasoutras. Assim, MANUEL ROQUE - Não, eles hOje
vamosembora. Entrei pra dentro de ganta... não vêm mais não, porqne ainda
çân que está emriba do meu peito e nessa idade retrocessos far-se-á llm disfarce mlldando a po- I'ão se prover na casa de Satumino!
hoje. casa, arrumei a trouxa, botei o ma-
fizeram·no mau edesgraçado. D. N.mm~ - Vigie como estou sição dos móveis e trocando-se a Só estarão por aqui de amanhã em
tulãono quarto epassei por U meu
arrepiada! (U~posição das paredes internas.
marido, que estava na sala se aea- diante... Amanhã de manhãzinha
Abreoembornal etira uns papéis Porém jásabem osleitores É lJoUCo depois das 1.~ Iraras. vou falar com o delegado... " mi
bando de medo, e disse: Adeus Zé! S.mJRNI.

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o - Capitão, não perca
de dentro, senta-se à meuJ e puxa do mais antigo ditado
E nunca mais parei. Sou assim tempo por aqni não... Quero DlC Estão em cena Manuel Roque e pedir anxílio.
acandeeiro para perto desi. D. Na- qne não se julga feliz
mesmo, não 1'0110 atrás, nasci com avisar uma coisa: compadre Manuel Mariano. EDII'IG~ (Entrando) - Benção
zinha aparece com o rofé e serce. o queviveembom estado
a sina de arribaç-ão! Roque vai lhe dennnciar... ele
Em seguida providencia o tinteiro qne vem a naufragação ~IANUEL ROQUE - Compadre Sa-
p.1i! Comose foi com a empreitada?
D. NAZINIIA- Sua bistória dá-se hoje...
eentregaaMaria Bonita quepor Slla e acaba emmau resultado. tumino me desmereceu qne pra mim Seu Satumino anumeu os instm-
r,f.z leva aLampwo edepais chega- uns ares com a minha, nessa parte Lu!pJ.~o (Exasperado eaL'ançan-
não vale mais semente de gato... mentos?
se para perto de D. Nazinha para de arribar com um homem... Eu Eu bem que disse a meu pai dopara Salumino) - Quem? Quem MANUEL ROQUE - Minha filha,
Não sei como ele se pasS'Ju pra isso!
conversar. Lampião firo escrevendo. também mandei recado para Satur- é esse filho de uma égua? 9nde
desta vez acreditei MARHKO - Que é, pai? aquele homem é um sujeito sem
nino pra ele vir me buscar, antes que advogado bom é o rifle mora? compostura. No começo arrumeume
D. NAZINIIA - Não ignore minha delemeconhecer... MANUEL ROQUE - É triste, mas
que com ele deportei SATUItNI~O - Vá agora que dá
pobreza. .. Desculpe não poder dar vou lhe contar: Seu padrinho é Coi- até dinheiro pra comprar o sítio!
LAMPIÃO (Pondo·se de pé) - todos nossos inimigos tempo de pegá-lo desprevenido...
melhor agasalho. Maria! Bote sentido' teiro. t\ão foi coisa que ninguém Sem carecer de garantias, só na pa-

1;)i'
agora sim descansei! Ele mora nas terras do engenho me dissesse não! Eu mesmo vi toda lavra! Eu já estava com o dinheiro
M. BoNITA - Eeupossoler luxo? ~Iulunga, sítio de Mata Funda.
Eu nasci para perambular por esse ...,.,,_., "Leitor sendo possível a conversa dele com um cangaceiro no pé (lo bolso, contente.. . Quando
Seus nomes estão anotados L~MPIÃO (Chegando à porta) - que chegou lá. Eu ignorei, e oean- chega um cangaceiro e pela conver-
mundo de Dem. Nmca me adom~•• ;.1U toda atenção suas casas já queimei. !êêê tropa! Vamos nos divertir no gaceiro quase me mata. Sol que vi Satumino era coiteiro e
de 9uatro paredes e por des9ifi(;' equeno fascículo Não poupei nem mesmo o
~~I ~m um ~roço de Mme~ q .r;,
nos dá explicação [gado
sítio da Mata Funda! MARlAI\O - Mas pai... O que aquele
nesto,
dinheiro era dinheiro deso-
dinheiro de Lampião! Eu fi·
vIVIa dia e noite socado d:nt,. F !" ''-'-~uW pi, quem é V~o nesta lula me empenhei
me diz! Meu padrinho coiteiro! Eu
20 casa batendo sola! Eu nao fiP.lJ###BOT_TEXT###quot;lb .L peU~1~unha de LampIao! Gritos triunfais, acordes de san- respeitava tanto meu padrinho, que quei com tanta paitão que avoei O
'.) .::, j...7}
para aqual fui empurrado. + fana. Iraquezal Ele não me põe mais a dinheiro nacara delee mearretirei!
t II .~ ' .
Vw 1 - Vou contar até três, se cemlo?Eu sou homem pra negociar ~IANUEL l\OQUE - Pronto! Não
É ponco mais c/c 1,~ horas. Ktio dos pra pegar Lampião! Não te Ouwl/l-se ruíc/os rle p6.~SOS e rle .,:.. uão abriremvou arrombar a porta. minha palavra?Eu voufalar porque carece mais cu ir à rua ... EstamOJ
CI/l ccnll MI/III/c/lIaquc c Mariano. buhra do 1~lrago 'jlIe I~unpiã() IIpetrechos mctálicos.
Um... dois.. . três ... acho que todo homem de opinião garantidos.
fez nas reses dele? Mas Indo isto deve perseguir esse bando.. . mas EOWIGES (EntTII nert1Jsa c c/lO·
EOIVIGl:'i - Logovi.. . Tanta far- por garautia.. . porque Lampião Voz I - Esta casa pan'Cc que
SOUlAIlO - Larguem as armas! não troco minha palavra por di- rmulo) - Pai, quase eu era causa-
tura assim. " EII não queria nnldar uãovai chegar nelll a vimd. AIXl- está abamlemdal
nheiro! dora dc sua desgraça. Quando saí
uão, mas Iiciva espantada. .. O líeia vai surprt'sar Lampião na casa
de Salumiuo. Osdois homenssc sobre$Saltam c TENENTE - Desculpe, não til'e ín- naquela danação, deixei a porta da
homem do dia pra noile tomou-sc
Voz 2- Acho que não! Tem Manuel Roquc, virando-se, dá 11111 lenção de insultá-lo, mas se ofere- cozinha sem passar a lramela (Solu-
c/ebartÍ (1). Era nceena, era Cavalo
ça ). Vi de lá quando ohomem veio
~Iarillho ... Tudo por conta dele! Volta EdlVige.s correndo e empur- roupa na corda e bodeno chiqueiro! tiroaesmo. Os dois largamas armas cem prêmio a quemguiar a polícia
de mansinho, empurrtlu a porta e
ra aporta, aflita efala. eficam olhando osoldadoque ime· até o bando, e se o senhor dá essa
MAXUEL BOQm: - Amanhã vali
acerlar a vida dele! Vw 1 - Podem estar tom bhiga. °
diatamenteabre aporta e faz te- pista, é justo que receba o prêmio! entrou! Se não fosse pelos meninos
eu tinha corrido pra lhe avisar...
EOWIGES - Pai, estamos desgraça- Atastem-se e me deíremsó! Vou ba- nenteentrar. OsoMadobaira aanna MANUEL ROQUE (Eraltarlo) - Se
EOWIGES - Pai, deixe ele pra lá dos! Vem ali... Vem jána porteira ter, (Bate com força à porta)..Ode também. MANUEL ROQUE - Já não tem mais
o scohor repelir novamente que vai
e fique pra cá comsua consciência uma trepadecangaceiros! casa! importância! Está tudo na paz. Vá
me dar dinheiro, eu não tenho medo
limpa. TENEXTE - Queria morrer, meu da sua patente não! Eu ponho ose- botar os meninos pra dentro que
senhor? On está escondendocanga· nhor da casa pra fora ! não tarda a anoitecer.
MANUEL 1I0QUE- Não! Primeiro Mariano corre à procura das es- Silêncio.Os homcnsseentrcolham
porque fiz uma jura de perseguir pingardas, Manuel Roque começa a e o pai faz um sinal para silencia· ceiro por aqui?
TENENTE (Tolerante, mas qnase
todos os eoiteiros que tivesse notí- fechar a.s portas combreddade. Mariano fica cncostado à janela,
rcm. Pausa. ~IANUEL ROQUE - Não permito perdendo apaciência) - Está certo
cia e depois.. . Eu preciso me era- mas defrontc Ilara a cena.
que meponha de coiteiro! Mas pode meu amigo, mas vamos ao que nos

rantir. .. /\ gora e' ele 011 ell. h MA~UEL !lOQU E- Eleslhe viram? se acomodar, se vem ua pista de interessa: onde é que vou encontrar
Voz 1- Abram. Sei qne tem EOWIGES - Anunciata está eom
EowIGES - Iá isso é. Eow)(:ES - Viram não! Eu me gente aí! Abram, é de paz. Lampião! (Aponta COIll a mão os Lampião?
tamboretes, o tenente se senta mas defluxo, esquentada... Vou agasa·
MANUEL 1I0QUF. - Onde estão os abaixei e vimrasteira. Manuc/ fica de pé).
MANUEL 1I0QUE - Infelizmente Ihá-Ia cedo.
meninos? MANUEL ROQUE- Corra ese eseou- Batendo nocamente. Manuc/ Ro- tenho que dizer, é meu compadre, ~IANUEL ROQUE - Dê lambedor
da no mato mais seus irmãos! queengatilha uma bala. MANUEL !lOQUE - ~Iarjano" bote mas perdeu a vergonha...
EOWIGES - Estãonoharreiro mais de malva-rosa e embrulhe no co-
olençol na corda para que Duvirge
dindinba se banhando. TE.

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ElliE - Por caridade, seja bertor.
A/IIoça .se dirige para aporta dc venha coar um eafezinho para nós.
MANV'EL IIOQUE - Mas você dei- Vw 1 - Não alirem! Aqui é a (Rapazsai). hreve que o tempo é ouro!
frente. Onve-se Ulll psiu c Mariano vira-
xar aqueles meninos sozinhos com eolícia! Quero falar! Abra aporta.. . MANUEL ROQUE - O senhor vai
aquela velha caduea... Em tempo Tú,:E.

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TE - Que notícia me dá? se para olhar.
E de paz! eooontrar Lampião arranchado na
de afogar! Vá buscar. MA.'lUEL ROQUE - Não, pela perta Lampião j:í passou )Y)r aqui?
da cozinha... Só volte cá quando casa do Satumino, no sítio Arapon-
EOWIGES - E pai já almoçou? A tiver um lençol branco na corda... MANUEL ROQUE - Aindanão! Mas ga do Engenho Várzea de Dentro. MANUEL ROQUE - Que é?
Há uma peqlleTlll pallS!l e depois
tarde vai caindo. aporta é forçada. Manl/tI Roque e se não quiser esperar por ele, aqui TENENTE - Não quero perder nem MARIANO (Caminhando para a
e se a genle morrer fujapra rua.
MANUEL BOQUE - Quero não. Vá Mariano deixam as tOTllciras eficam sei onde encontrá-lo a esta hora com mais um minuto. Vou agora mes- porta e depois saindo) - É um
buscar seus irmãos! (Sai a moça). paI.. ,
EowlGES (Chorando) - Abencâo
' apontando para aporta. todo obando! Amanhã mesmo eu ia mo... Quero surpreendê-lo quando menino e está me chamando.
para a rua avisar.
MARIANO - Qual é a arma qne o dia for nascendo. Até logo.. . EO\1GES - Será que veio ehamar
MANUEL HOQUE - Deus te acom- dindinha? D. Ciríaca talvez tenha
temos em casa? Vw 1- Sou amigo mas se atira- obrigado...
panhe! Volta Mariano efica coneersando começado com dores... Ela disse
MANUEL ROQUE - Quatro espin. rem, vão se dar mal. MANuEL ROQUE - Não por isto!
com o soldado. Mas não quer esperar um cafezinho que era com essa lua.. . e vai ser
gardas e duas caixas de bala, ama- Amoça sai, os homens armam as fêmea ... (Vai olhar da janela).
nhã eu trago munição e reforço. [eSpingardas e correm para as por- ,{ porta é novamente forçada. não?
TENEl.'TE - Então, falehomem! E TENENTE - Não, tenho que cami-
MANUEL ROQUE - Sua avó não
MARIANO - Reforço como, pai? teiras. Ficam ceSperando. Surge, descalço por trás das homens,
Quem é que tem esta disposição de lembre-se: há um prêmio à sua nhar por toda a noite para de ma- tem mais cabeça para está pegando
um soldado disfarçado em congo·
vir garantir vida de ninguém? MANUEL ROQUE - Fique com a ceiro, bem nas pontas dos pés e se
espera. drugada estar assediando Iam- menino!
MANUEL ROQUE - Orem, eos pri- porteira de lá que eu fico com a amparando por trás da mesa aponta MANUEL ROQUE (COIll indigTlll' pião... O tempo urge. .. Adeus! MARIANO (Voltando) - Era um
Z mos daCruz do Caboclo?Estão doi- de cá. para os dois. + ção) - Osenhor está me deseoshe- (Saem). bilhete que nm vaqueiro mandcu en-
Iregar ao scahor. (l\ntre~(/ obilhete estolUI nas torneiras, traz foice, ser- 2.a CENA MANUEL BOQUE (Perdendo acal· MARIANO - Parou! 3.a cena- Quando acende a luz
lIa/)(li). ras, Ileiteiras, põe tudo emcillla da ma) - Não aguento mais... Tenho M.UlUEL ROQUE - Estão se amei- os três e.sfão em cena alquebrados
M/INUEI, IIOQut: (Passando II mesa e, por fim, umlllvião c susllen- Quando abrc a cortina, a cena que ir ver os meninos, como estão! e imóveis. Jánão há maisluar entre
tando!
Etllciges) - Lê aí, menina, o '1ne dendo com as mãos pra cillla olha está convenientemente esCllra. A/lc- (Começa ase dirigir para a porta as frestas, odia e,sttÍ prestes acla-
vem a ser. CllIIl ódio l)(1m aporta emge.stode III!S pelas frestas das portas e telha- da cozinha, Mariano se interpõe c Pequena pausa. Recomeçam os relir. Ao longe ou fie-se Uiil C/ia la-
EIl\VIl;t:s (Lendo mlll) - Es... defesll. Tudo isto fartÍ COIII ruído e do, entra claridadc de luar. Nota-se fala UIII pouco mais alto). passos que vão se tlirigindo para a tindo c mais longe outro responde
pc...ri...me é... esta noite, tenho nUIII espaço de tempo que corres- atenslionervosa entre os três. Edll'i- MAIUANO - Pai! Se aquele... e.squina tia casa, os três acoml)11- ao latido.
um IIl'~ÍJCK) a lraaalar. Pccdc se ponda 110 que Edwiges gllstou pra ~es COIII espingardaencostadaàpa-
Quer sair daqui e descobrir onde é nham COm acabeça Il marcIralenta
pie.. .V' ;I. .. mr..
. I . " I
. Lo1mplao. cumprir() quefez. rcde, rcm batendo COIII os /tÍbios c oesconderijO?Estespestes estão por tios passos. MA.'mEL !lOQUE - Estú fazendo
passando as contas do rosário. Está aí mesmo, de olho na gente,..
EOWIGt:'i (Voltllndo) - Pai estú sentada. Marll/el Roque, de llé, man- muito calor, as folhas estão para-
Os trC~ ~e eutreol/lllm arrtlslldos. EOIVIGES (Emocionada) - Oh, EOWIGES (MurnlUrando) - E'stão
tudoresolvido... Deírei os meninos tém-sealerta. Depois lira um relógio das... cuido que vai chover.Se cho-
Pausa. meu Deus! Que padecer! indo Ilara ooitão!
dentro do fomo da casa de farinha da algibeira, acende um fósfoiO sob ver vai entrar água no forno. Vai
MANUEL !lOQUE - Vão cercar a molhar os meninos, vai IIlQlhar
venla.. . Cangaccilo não vai lá... ochapéu c olha ahora.
~lAIUANO - Eagora pai? Manuel Roque volta e senta nUIII casa!
c mesmo que Anunciada chore de Anunciada que está com deflnxo...
EUWIGEY - Valei-me Deus. MANUEL !lOQUE - Meia noite. tamborete COIII a cabeça entre as
c:í nãose escuta. Vim pra ficar. Espectaliw. NOr;(Jmen fe os pas- ~l.lJllANO - Serúoque Deus de-
~IANUEL !lOQUE - Veja se ainda mãos. Edwiges termina o terço, se
MANUEL !lOQUE - Mas eu não EO\Y1GES (Quase mrlflnurando) - benze e se senta alquebrada. Ma- sos. PallSa. terminar, pai! Não afroxel
alcança otenente, Mariano. Mas não Se/Ú que eles ainda vemd?
Ilnero você aqui não! Volte já! riano respira alterado. Pausa longa.
vú longe, qne a noite desce. (O
RD\Y1GES - Não pai! Meu Ingar é MARIANO - Acho custoso Com MARIANO - Vão focar fogo na Edwiges está impassíre! de olhos
rtlJlIIZpega lllJ/Il espingarda e sai ).
aqni jnnto mais osenhor! a luafina que está fazendo . ED\Y1GES - Estão escutando? casa... fitos elll frente.
Se a jumenta não estivesse com a
barrriga que está ele alcançaria ... MANUEL !lOQUE - Minha finja, ~IAII'UEL ROQUE (Meia voz) - EOWICES - Valei-me Santa Bár-
m,l, a pé... se eles vencerem, o lJue acho mais Lampião não promete pra faltar... Paralll a respiração e erguem a bara! (Ergue os olhos para océu).
MANUEL ROQFE - Não, meu filho,
acertado, vão praticar misérias com MAnJAXO (Meia voz) - Só seele cabeça no ar.
EUWIGES - Deus é servido que não estou me acovardando não!
de é de alcançar!

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ore. Não quero nem imaginar. lJuer vê se pega a gente madoma. Ma/lUe/ Roque caminha nas pon·
MARIANO - É.. . Pareceque ouvi tas dos pés e procura olIrar pela Estou é com revolta! (E COIII ódio).
MANUEL ROQUE - Duvirgcs, EOWIGES - Nada, a volante vem EOWIGES (Meia coz) - Querem Mas sesaircom ~ida deste... Saturo
aí! Tenho fé em Deus! E eles não mais café para aplacar o sono? coisaI fresta da janela tio oilão.
agarreoque tiver aí de comer, úgua, nino vai me pagar! Ele vai pagar!
cobertor e ganhe os matos com os vão aguentar o fogo não! (Pausa ). MANUEL ROQUE (Meia voz) - Ele vai amargai mais que três noi-
Manue/ Roque se levanta, faz MANDEL ROQUE - Não di~lllgo
meninos! Se Mariano não pegar o Vou acender uma vela pro meu pa- Vi~e.
sinal de silêncio e encosta o ouvido nada! tes destas juntas!
tenente, só estaremos nós dois pra drinho Cícero.
Edwiges cautelosamente mi até a à porta. Os dois ficam ollrando. MARLU\o - Pai, não pense em
defender a casa. MANUEL ROQUE - Talvez não Pausa. PallSa. Recomeçam as pisadas
adiante. Minha Iílhal Pelo que vejo, mesa eretirando oabafador da cho- vingança! Pense em rezar. Pai até
EUWIGES - Pai eu fico! É no agora mais fortes e tomam à porta agora não rezou...
nem sei o padre Cícero por quem colateira serve café em 11m só cane-
menos mais um tiro. EOWIGES - Escutaram? da frente, Edwiges, nerww, pega
é... Ele é teu padrinho, mas é pa- co aos dois. MANUEL ROQUE - Eu tenho ca-
~IANUEL ROQUE - Não! Se aqueles MANUEL ROQUE - Vem dali! no braço do pai. Oufie-se uma forte
drinho de Lampião também! pancada na porta da frente. Edwi- beça pra isso?Tenho que está aler-
cangaceiros descobrem aquelê eito EOWIGES (Meia voz) - Ainda
de meninos no mato, vai ser uma está morno! Ouoem-se vários passos compas- ges gritaelogoemseguida eSCllta-se tado.
carnificina! Comvocê não! Você é As portas já estãotodas fechadas. MANUEL ROQUE - Ser,í que os me- sados que depois param. Os três o rinchar apavorante daiumenta e
atinada pode dissimular! Ouvem-se passos e MarianoL'o ltando uinos estão bemagasalhados? Faz arrumam(/,\ armas e esperam. três instintivamente sc agarram. E Pausa. Edwiges, cada r~z mais,
pem porta traseira. medo é cobra... detOlm tensãonercosa em qlte esta- fica comaspecto anomw/. Ouce-se
Edwiges arruma algallla coisll e EOWIGES (Meia DO; ) - Dindínha MARIANO- É mais um. vampassamarespirar alioiados pro- nocamente a jumenta caminhando,
sai pelo interior da casa. Manuel MARUNO- Não alcancei mais o ficou queimando chifre, cobra lá MANDa ROQUE (Cocilichando ) - fundamCllte. agoradesinquieta e relinchando bai-
Roque traz as três espingardas, ex- tenente! não encosta! Estãoaqui defronte! Nãose meraml MARIANO - É a jumenta que se chinllO.
IJcrillll'llta·as sem bala. Lubrifica.as.
Verifim a segurança das portas, /'(/; I' filho .It' fntrmllramfmdestl- soltou.
Jlam:a. Ollve-se lIIil piar de ave Os três ficamde respiração /l'csa. ~hRlANO - Pobre da Mimosa!
/)(/$$a tnue, tra;; ulllas e.lCOTas, pôe /ino. no/ul/m. &pcctatiw. Pausa. Escurece a cena. Está é aperriadal
MANUU. \lOQUE- Elaestá curas- MAIUAI\O - Mas se o pai não li· III ATO ,
.~. D. NAZINlIA - No começo era di- pobre mas V. S. pode logo ir man- SATURNINO - Mas V. Senhoria
cada como parto... e eu aqui. .. zesse aquilo, ela ia sair leito doida ferente. Eles eram cenodadcs, mano dando. não podeporaculpa do seu enlaus-
sempoder dar jeito. .. parado... por esse mundn afora... o terceiro ato torna a se passar sos, vinham se eurar das mazelas...
TENENTE- Obrigado. Desejo apc· to cmriba de mim!
emcasa de Satumino. Estão em casa Agora é ludo cheio de rócio.. . e nas ljue conceda alguns minutos TENENTI:- Se não fossegente da
Os passos se l/is(llllcium. Si/t!ncío. EtllVi"es se /cvunta e selll pala- Satufllillo e D. NazillllU. cada vez mais a gente vai ficando para me refazer. .. depois [alare- sua casla, já se tinha estirpado o
Pallsa. vras beÍia o mtio c/o lHJi. O sol já com obrigação! mcsl cangaceirismo de nossa terra há
clareia plenamente a cena. D. Nm"llA - Vou te dizer IIlJ1a SAnJRNlNO - É mas tu nunca S.nURNINO- Podetomar assento! muito tempo.
MARIANO - Parece quc ouvi a coisa... Essa noite eu niíO dormi mais passaste necessidade.!
MARIA1ill (Olllllllc/Opelas frestas) e desde hoje que imagino... nã~ (O tenente senta pesadamente e S.mJRNINO - MasV.Senhoria não
porteira bater? D. NAZINllA - Mas é um comer respira fundo) . Ô Nazinha, Nazi· prova que eu...
- Já é dia! Eles hojenão vêmmais posso me aquelar... Agente aqUI
MANUEL ROQUE - f: ovento! que amarga na boca da gente! Só Ilha... (Nazillha aparece e ao ver
aqui. na segurança, garantido, e o com- TENENTE - É, infelizmente nada
em ima~nar a ~diação que a essas o tenente crÚl alma nooo). Vi~e
~IARlA~O - Não! padre Manuel Roque pegado de sur- podemos provar e nada podemos
horas estão fazendo a uns inocentes aqui uma tigela pro tenente.
Edrviges chora no ombro do pai presa com aquele horror demenino fazer, a não ser apelar para a eons-
e a teu mando! No que vai, tu vais D. NAZINlIA - A~ mas ele está ciência e honra de cada cidadão
Os dois arrllmam os arlllas. Um e este deixacair duas lágrimas. pequeno.
terminar entrando pro cangaço! ferido! Não quer passar pra eamari- que se diz de bem.
"a lobate ruic/osamente os asas. Os SAnJRNINO - Pelos meninos faz
b
MANUEL lIOQrE - Lourado seja pena, mas por compadre... ~~e d~. SATlJIlNINO - Taí, não é custoso nha? V. S. está ressacado, carece
três se sobressaltam e ogalo canta.
Deus! moralizou... Jogou·me o dmhelIo não! Já estou enfezado desta vida tirar uma madama.
Logo em segllimento ao can.to 1!0 D. Nazin1Ja volta eentregao leite
na cara, e em cara de homem não pachorrenta. TEXENTE - ~[uito agradecido, ao tenenteque toma de 1111I sógole.
eralo EtlIL~"es
b' b
b"argallw com IlIsterlS'
mo, corre, abre as portas sem lJlle se bate! É coisa que fede 1 sangue! D. NAZINllA - Mas eu te largo! mas estoubem.
ninguém consiga controlá-Ia. Pelas D. N'AZINlIA - Mas também não Vou para oinferno mas não abraço S.mJRNINO - Então, quer que eu D. NAZlNIIA - Euestava eseutan-
janelas obsma-seqllejá édia. era para tu &uardaderes esse resaí- uma vida dessa! passe uma rede? do as conversas... Eu já tenho pe·
bo lodo não! Tu não podes escure- SATIJIlNINO - Larga de besteira! lejado para Saturnino largar essa
cer que ele já te fez favor... Não TENENTE - Não, não posso me vida.
MANIJU. ROQUE - Duvirge, esbar- Vai cuidar da ceia que épara oca- demorar por aqui! Tenho que agir
re, esbarre com isto ! te lembras no tempo daquela crise, pitão não chegar com especulação. com alguma brevidade. SATURNINO - ~[ulhcr! Cala tssa
quando te erpulsaramdo sítio enão
MARIANO - Você está doida, da- pagaram nem odinheiro dl semente hoca e se reeelha.
D. Nazinha sai. SatllTllino abre o D. NAZINIU (lá na porla pura
nada? que tu tinha plantado... com quem sair) - Aprecia leile com sal ou TENENTE - Nada tema, senhor
embornal e retirando maços de di-
te viste? rapadura? S alurnino! Nada farei com osenhorl
nheiro começa a contar, qllando
Edwirges vira-se l10ra os dois e SATURNINO - É, mas quando eu Quero apenas convencer e tentar
aparece àporta otenente. Saturnino TENENTE - Com rapadura.
continua gargalhanc/o, já erausta. quis pagar esse favor, oque foi que salvar sua dignidade enquanto há
Manuel Roque rapidamente apode. esconde apressado odin1Jeiro. Ote·
ele fez? Veio com aquele orgulho SATURNINO (Meio desconfiado) - tempo para salvá·la!
ra·se de um reUJO eestalando-o, bate nente está cheio de ferimentos. Traz
todo pra minha banda! (E querendo Me desculpe a pergunta, mas... S.mJRNINO - Seu tenente... Eu
na filha (procura·se dar aimpressão um lenço vermelho amarrado na
encerrar oassllnto). Vá cuidando da V. Senhoria parece que sofreu uma já fui um homem sério... trabalha-
que apanhotl no rosto), Edwiges cobeça e apesar de estar abatido,
ceia que a tropa vem por aí comen· refrega, e foi mal sucedido? dor... Cumpridor dos meus deve-
para de rir e cobrindo o ros/o COm ainda tem ooz forte eenérgica.
do os guardanapos de SInta Apo- TENENTE (Com indignação conti. res... Mas um dia sofri uma injus,
as mãos soluça abafado. lónia! da) - É admirável esse seu prognós- tiça que me tirou o gosto de ser
TENENTE - É aqui que mora sêo
D. NAZINllA (Reflerloo)- Tu já Salurnino? tico! Osenhor não se engana! Lutei bom...
~[ANUEL HOQUE - ~Ieu Deus, foi a noite toda com Lampião e sua
imaginaste.. . o teu fiIOO quando SATURNlNO - Exalo. Está falando
prrciso... Não fiz de perverso... famigerada tropa. .. e hoje pela D. NAZINHA - Nessa parte eu não
crescer e que puserem opai de coi- com ele. tiro a razão dele não...
~[ARlANO - Deus sabe, pai. Ele teiro... a vergonha que ele vai manhã, só eu estava com vida, en-
TENENTE - Então peço permissão quanto do lado deles apenas moro SATURNINO - Tinha omeu roçado,
não vai ignorar isto! sentir? para entrar, pois tenho muito que reu um cachorro! Ehomem, apenas pagava foro, não devia a ninguém
MAh1JlI. ROQUE - Eu nunea arrio SATUR.'{INO - Tu arora
b
estás, toda falar com osenhor. alguns baleados. (E se afobando). e com a graça de Deus, ia levan-
bei amão para dá num filho ... que santa, mas no começo, tu ate apre· SATURNlNO (Abrindo a porla) - Mas tudo isto se deve asujeitos eo- do... Mas um dia o proprietário
dirá na cara! ciavas fi chegada deles. l' Entre e se ahanque, a casa é de vardes e ordinários da sua espécie. do meu sítio mandou-me desxupar
TENENTE - Qual foi a vantagem retira o menino ouve-se um assobio Moita Bmva acolllpanha.o. Movi·
:IS terras d(~lIl ro dI' nilo dias - isln TI':Xt:l\rE- Osenhor foi injllsli- ele disse flue vinha cear comirro
11 do senhor mandar matar ofazendei· muito forte). lIlento.
('ra :1111,';: d:1;:;I[:a. EII diss!' :1 ele (:ado, mas pl'nsoo somcule 110 sell hojd ro? Nenhuma! Apenas deixou luto,
caso, sli pr()(;lIrIllI vingall

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