economia criativa

Resposta
Técnica A FORÇA DOS COLETIVOS CRIATIVOS

Desde os primórdios, o ser humano descobriu que sozinho não conseguiria superar as dificuldades que
se apresentavam em seu ambiente: a necessidade de comida, abrigo e proteção contra os predadores
fez com que percebesse que atuar em conjunto aumentava suas chances de sobrevivência.

Pouco a pouco são descobertas as vantagens de se atuar coletivamente, agregando habilidades e experiên-
cias para fornecer soluções com projetos, produtos e serviços criativos. E isso passou a valer também para
o mundo dos negócios, já que o melhor caminho para o sucesso pode estar na associação com diferentes
agentes, que antes seriam vistos como concorrentes. A força dessa união extrapolou para além da gestão
tradicional e chegou para o campo da economia criativa, na forma dos coletivos criativos.
Se a cultura, os produtos criativos e as empresas brasileiras já eram vistas pelo restante do mundo com
qualidade diferenciada, essa percepção teve um aumento significativo, motivado pela realização da Copa
do Mundo da FIFA 2014 no país. Chega o momento também dos coletivos criativos ganharem espaço nesse
universo.
Sendo assim, essa resposta técnica tem o objetivo de apresentar ao empreendedor criativo a ideia por trás
da formação desses coletivos, mostrando vantagens, como estruturá-los e exemplos de sucesso.

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O que são coletivos criativos?
Com o fortalecimento da indústria da cultura, por meio de patrocínios, editais e leis de incentivo, a compe-
tição fica acirrada e todos disputam um pedaço das verbas disponíveis para direcionar aos seus projetos.

Mas, ao invés de en-
xergar concorrentes por todos
os lados, alguns empreendedores
atentaram para a necessidade
de estabelecer parcerias, para
agregar conhecimentos
complementares.

Assim, os coletivos criativos podem ser classificados como associações entre pessoas de profissões simila-
res, ou diferentes, dentro da economia criativa (músicos, fotógrafos, designers, entre tantos outros profis-
sionais), com o objetivo comum de desenvolver projetos e o cenário artístico-cultural de determinada região.

Fique atento! Ainda que levem em conta noções fundamentais da gestão tradicional, para
obter vantagem competitiva na hora de elaborar e executar projetos culturais (planejamento, cro-
nograma e orçamentos), os coletivos tendem a ser estruturas independentes e desierarquizadas.

No texto Holocracia – O fenômeno dos coletivos, o designer Rodrigo Franco, criador do site Puro.cc ressalta
que “os coletivos são ambientes criativos porque os membros costumam ter a mesma importância e parti-
cipam das decisões de maneira mais igualitária. Um sistema sem autoridade definida, em um regime de ho-
locracia, na qual os processos e ações são decididos pelo grupo e colocados em prática da mesma forma.”

Portanto, o segredo é equilibrar os princípios da administração com a liberdade artística,
que é o alicerce da economia criativa, objetivando a viabilização de projetos que destaquem
esses coletivos dos demais, ao mesmo tempo em que sua
essência seja mantida.

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Os objetivos dos coletivos criativos
Os coletivos atuam não apenas em um setor da economia criativa. Existem coletivos de moda, música,
audiovisual, teatro, literatura, design, artesanato, comunicação e propaganda, que podem focar exclusi-
vamente em uma dessas áreas ou serem interdisciplinares, unindo profissionais de diferentes formações.

Assim, pode-se identificar as seguintes finalidades básicas desses coletivos:

a) Arte-ativismo: termo aplicado a qualquer manifestação artística na rua que
busca provocar reflexão sobre a vida urbana e a contemporaneidade.
b) Projetos socioculturais: a exemplo de grupos de artistas que promovem ofici-
nas e workshops gratuitos, beneficiando integrantes de comunidades em risco so-
cial e gerando empregabilidade em atividades da indústria criativa.
c) Ajuda mútua: como no caso em que cineastas aliam-se a músicos para a pro-
dução de videoclipes e divulgação desses trabalhos musicais. Um modo de dar vi-
sibilidade a esses produtos e também demonstrar sua competência na produção
audiovisual.
d) Projetos comerciais: algumas organizações que trabalham com cultura e arte ado-
tam esse modelo colaborativo para obter as vantagens competitivas desse modo de
cooperação entre seus membros e, assim, obter lucros como uma empresa qualquer.

Por que montar coletivos criativos?
"Nossa ideia é unir forças para crescer. Quando juntamos
em um mesmo espaço várias empresas ligadas por esse
conceito de economia criativa estamos na verdade
compartilhando nossos clientes e criando uma rede
de ideias e soluções” responde Gabriela Fiuza, or-
ganizadora do coletivo Casamarela, de Recife/PE.
Fazem parte dessa iniciativa a marca pernambuca-
na Calma Monga, que encabeça o projeto; a agên-
cia de comunicação Pavio; a Xodó Filmes; a Muma,
escritório de e-commerce de design; a 30ideias, tec-
nologia; a loja colaborativa Combi; a escola de fotografia
Instituto Candela e o El Paso Café (Diário de Pernambuco, Fonte: uol. Disponível em: http://goo.gl/
2014). bW3n1J. Acesso em: 26 de julho de 2014.

É uma proposta derivada do conceito de coworking, que reúne em um espaço físico compartilha-
do e profissionais de diversas áreas que querem trabalhar juntos. Eles trocam ideias e experiên-
cias e se beneficiam dessa rede de contatos. 

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/ Assim, o empreendedor da economia criativa é beneficiado com a participação de coletivos
porque pode:

Aumentar sua Encontrar Expandir Divulgar seus Trocar ideias e Aumentar sua rede de
visibilidade inspiração seu projetos e experiências com contatos para novas
como força para ideias portfólio. trabalhos outros profissionais oportunidades de negócios e
criativa. inovadoras. realizados. criativos. descobrir novos parceiros.

Como organizar um coletivo criativo de sucesso
Algumas questões surgem na hora de estruturar um coletivo. É necessário pensar em várias possibilidades,
definindo primeiro como se dará a interação entre os profissionais envolvidos, que pode ser de duas formas:

Presencialmente Virtualmente
Com seus membros reunidos O coletivo utiliza as ferramentas da Tecnologia
em um mesmo local, com o de Informação ao seu dispor para conduzir seus
planejamento e execução de trabalhos, sem a necessidade de todos os integrantes
tarefas específicas. estarem em um mesmo ambiente ao mesmo tempo.

Uma vez definida essa dinâmica, que pode mesclar essas duas modalidades de interação em determinadas
etapas do projeto, é preciso seguir algumas orientações para que esse conceito de trabalho colaborativo
funcione:

a) Adote uma postura profissional: uma boa parceria é fundamental para alcançar bons resulta-
dos, por isso é importante avaliar o profissionalismo e o comprometimento dos outros profissionais
com quem vai iniciar um coletivo.
b) Defina um cronograma: é sempre importante fixar prazos para as várias fases dos processos
adotados. Assim, é possível planejar todas as etapas com datas de início e fim, bem como as priori-
dades, permitindo de um a dois dias antes do término desse prazo para uma revisão geral antes de
submeter o projeto para concorrências ou editais.

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c) Defina as ferramentas: estão à mão do empreendedor diversas ferramentas para compartilhar
arquivos (Dropbox), fazer videoconferências (Skype), entre outros (Google Docs, Google Calendar).
Eles podem auxiliar no planejamento e condução de seus projetos criativos. Além desses exemplos,
ganham destaque as ferramentas de gestão de projetos coletivos, como o Redbooth, Mural.ly e
Corais.

/ O designer gráfico João Lavieri lembra de outros atributos para o sucesso dos coletivos:

Agilidade Outra dica impor-
Praticidade tante é analisar o portfó-
lio dos possíveis parceiros
Velocidade
e conhecer mais sobre a
Organização reputação e o histórico
Formalidade profissional de cada
Fonte: LOGOBR, 2011.
um deles.

Caso de sucesso
Um exemplo de coletivo que vem se destacando é o Coletivo do Porto, que congrega cinco empresas da
indústria criativa, instaladas em um mesmo imóvel nos arredores da zona portuária da cidade do Rio de
Janeiro, região que passa por um processo de revitalização.

Objetivo Integrantes
O objetivo da Companhia de O Coletivo do Porto é formado pela empresa de soluções
Desenvolvimento Urbano da Região digitais Piloti; a FGuaraná, comunicação estratégica,
do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), produção de conteúdo e gerenciamento de crise; a
em parceria com o Sebrae/RJ, é fazer Ampliativo, design estratégico; a consultoria de marketing
com que a região torne-se um polo de relacionamento eConecta e a Filtra, serviços de gestão,
da indústria criativa. interatividade e monitoramento.

Fonte: Coletivo do Porto e O Globo, 2013.

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Unidos, conseguimos oferecer tudo de que o cliente pode precisar,
em sua área de atuação específica. O cliente pode contratar cada
serviço separadamente, mas há um vínculo muito grande entre as
empresas do coletivo, sempre indicamos uns aos outros.
Fernanda Guaraná, da FGuaraná

Assim, o coletivo atende as mais diferentes necessidades dos clientes: do desenvolvimento de site à asses-
soria de imprensa, realização de projetos de design e inovação, passando por projetos de marketing, criação
de clubes de fidelidade à comunicação em diferentes mídias.

Ações
recomendadas

Após aprender um pouco mais sobre os coletivos e suas vantagens,
são feitas as seguintes recomendações para o empreendedor cria-
tivo que optar por esse método de trabalho:

ƒƒ Converse com profissionais que participam de coletivos de sua área de atuação e saiba mais sobre suas
experiências, os desafios e problemas a serem superados.
ƒƒ A partir da formação de um coletivo criativo, o empreendedor deve buscar a formalização do novo
empreendimento. Para tanto, questões como a constituição e a natureza jurídica da empresa deverão
ser observadas pelos empreendedores.
Como dica de leitura, acesse a série Empreendimentos Coletivos, do Sebrae/ES, e confira o Portal do
Empreendedor, que conta com diversas informações sobre formalização e os tipos de empresa do Brasil
(naturezas jurídicas).

Para inovar, conte com o apoio do Sebraetec em áreas como design, produtividade,
propriedade intelectual, dentre outros. Para mais informações, confira o portal do
programa e procure o Sebrae de sua região.

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ƒƒ Participe de concursos, concorrências e editais com seu coletivo. Esses são excelentes meios de viabi-
lizar a realização de projetos criativos. Mas, para aumentar suas chances de vitória, aconselha-se que
o coletivo determine quais integrantes estarão incumbidos de quais etapas do projeto e leiam atenta-
mente o regulamento, assim como combinem antecipadamente a divisão da premiação. Fique de olho
nas entidades públicas e privadas que promovem editais e concursos, listadas abaixo:

Cessão de espaço nos Centros Culturais do
Editais do Ministério da Cultura Banco do Brasil (CCBBs) 2014/15

Editais da Funarte Oi Futuro

Editais da Agência Nacional do Cinema Banco Nacional do Desenvolvimento
(BNDES) para eventos culturais
Seleção de projetos culturais da Caixa
Rumos Itaú Cultural

Visite o site do Se-
brae. Ele traz muitas in-
formações sobre o seg-
mento de economia
criativa.

Empreendedor! Saiba que uma das maiores vantagens de integrar um coletivo são as possibilidades
de ganhos de sinergia, ou seja, o todo é maior que a soma das partes. Assim, é possível aumentar sua
competitividade em face dos inúmeros desafios para o sucesso dentro do mercado criativo.

Sua opinião faz a diferença!
Por isso o Projeto de Inteligência Competitiva do Programa Sebrae 2014 quer Participar
saber mais sobre suas expectativas e satisfação. Responda a breve pesquisa
que elaboramos especialmente para você e seu negócio!

SEBRAE
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Micro e Pequenas Empresas Diretor de Administração e Finanças: José Claudio dos Santos | Fotos: banco de imagens Conteúdo: Leandro Andrade

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