A sociedade do consumo: O prazer de consumir.

Nome dos Alunos: Camila Knak Dornelles; Deise Tatiane Ferreira Camargo; Eliane de
Lima; Jennifer Colman motta; Katiele Mariana de Aquino; Vanissio Padilha; Juliane
Borzzatto dos Santos; Rodrigo Dall'amaria Soffiatti; Bruna da Silva Monteiro.

Nome do Professor: Carmem Castro

Resumo: O consumo define nossa identidade social, hoje o que consumimos
nos define, define quem somos na sociedade e a que grupo pertencemos. Ao
mesmo tempo o consumo se tornou uma forma de Individualismo, consumimos
conforme nossas preferências individuais. A uma grande influencia da
publicidade na sociedade de consumo atual, a publicidade nos induz ao
consumo excessivo de bens muitas vezes desnecessários. É preciso entender
que há uma diferença entre consumo e consumismo. Precisamos pesar o que,
de fato, é realmente necessário do que é apenas para o prazer de consumir.
Palavras-Chave: Sociedade; Consumo; Publicidade.

1. Consumo e identidade social:
A antropóloga Lívia Barbosa diz que consumo é constitutivo do modo de se
viver da vida social. Todo bem de consumo tem o objetivo de reprodução física, mas
sobre tudo nos produzimos socialmente. Consumo é o conjunto de práticas de consumo
que ajudam a estabelecer nossa identidade como seres sociais.
O consumo define nossa identidade em qualquer lugar ou tempo na história.
Todo bem material tem um significado, portanto é capaz de comunicar e que se
constituem diferentemente nas sociedades. Então consumo fala de afeto, história e
fronteiras entre sociedades, um processo enraizado da vida cotidiana.
Coexistem duas dimensões em qualquer objeto que consumimos. A dimensão
funcional, a utilidade, e dimensão expressiva, o significado, elas estão intrinsecamente
ligadas. Por exemplo: roupas tem função de aquecer e proteger, mas também em uma
determinada sociedade significa algo que expressa o que a pessoa é.
Em algumas sociedades ocidentais mais tradicionais, orientam e pré estabelecem
o consumo, dominam e sujeitam os indivíduos. Usando novamente a vestimenta, ela
determina a posição social, se é pobre ou rico, se é viúva, se esta ou não disponível para
relacionamentos, as leis sociais determinam isso.
Já no Brasil, temos a possibilidade de escolha do que queremos comunicar,
materializadas em práticas de consumo, bem concretas. Quando uma pessoa decide, ter
um estilo esportivo, por exemplo, ela pode fazer essa escolha e isso implicará em
consumir determinados produtos.
As práticas sociais de consumo, não são genéricas, tudo o que consumimos é
específico e particular, que nos diferem um do outro.
Para o autor do livro Império do Efêmero Gilles Lipovetsky, a roupa não é mais
usada apenas com o objetivo de cobrir o corpo ou mostrar seu status social, e sim a
significar algo maior, ligada à criatividade, estética e à individualização das pessoas. A
moda para Lipovetsky, passou a existir no momento em que foi possível interpretar de
forma diferente as roupas usadas por um indivíduo, de acordo com a época e local em
que ele está.
Para Bauman o "consumismo" é um tipo de acordo social resultante da
conversão de desejos, ganhos ou anseios humanos (se você quiser "naturais" em relação
ao sistema) na principal força de impulso e operações da sociedade,uma força que
coordena a reprodução sistêmica, a integração social e a formação do indivíduo
humano, e também desempenha um papel fundamental no processo de auto-
identificação individual e em grupo, e a seleção e realização de políticas de vida
individuais.

2.Consumo como forma de Individualismo
Quando Jean Baudrillard se refere ao Consumo, em seu livro “A Sociedade do
Consumo”, aborda uma visão crítica mostrando que cada vez mais, os seres humanos
estão afastando-se de seus semelhantes e passando a ficarem rodeados de objetos de
diversos tipos. Contudo os indivíduos se sentem dependentes de novos produtos.
Pessoas acabam associando felicidade ao consumismo.
Para o filósofo Gilles Lipovetsky, em entrevista a RBS TV (21/09/2014), existe
hoje uma individualização crescente em relação ao consumo, ligada às novas
tecnologias que permite os consumidores a fazerem a sua escolha conforme suas
preferências individuais e não mais como antes, na sociedade de consumo em massa,
onde todos éramos obrigados a ver os mesmos programas ao mesmo momento.
Atualmente as pessoas gerenciam seu tempo e seu espaço conforme suas vontades e
necessidades. Ao mesmo tempo a sociedade está exercendo cada vez menos limites de
comportamento, cada vez mais cresce o fascínio dos jovens em realizaras suas compras
baseadas em marcas e não em suas reais necessidades. Antigamente as pessoas
compravam para se sentirem valorizadas, apesar de isso ainda existir o principal é a
questão de prazer, citou como exemplo “Quem escuta música pelo iPod, por exemplo,
faz um consumo hedonístico, para sentir as coisas. É a dimensão das experiências que
ganha importância”.
Ainda conforme Gilles (2014), existe cada vez mais uma demanda por
necessidade, as pessoas fazerem milhares de coisas ao mesmo tempo, mas nem todos
conseguem se adaptar a esta nova realidade, causando um sofrimento para alguns
indivíduos que não conseguem administrar como as coisas se vão tão rápido. Para tentar
reduzir os possíveis danos a este sofrimento passasse a cultivar práticas de busca de paz
interior, como ioga, massagens entre outras alternativas. Salienta que estes
comportamentos são antagônicos ao consumismo, mas não necessariamente todos eles,
pois fora do Brasil uma destas práticas que é a meditação, é usada com o objetivo de
repor as energias para conseguir manter este ritmo acelerado.Apesar desta aceleração
existir cada vez mais, ainda temos setores que não podem sofrer dela, como a educação,
que requer a criação do conhecimento e exige paciência e tempo.
Para Bauman a busca por prazeres individuais articulado pelas mercadorias
oferecidas hoje em dia, uma busca guiada e a todo tempo redirecionada e reorientada
por campanhas publicitárias sucessivas, fornece o único substituto aceitável – na
verdade, bastante necessitado e bem-vindo – para a edificante solidariedade dos colegas
de trabalho e para o ardente calor humano de cuidar e ser cuidado pelos mais próximos
e queridos, tanto no lar como na vizinhança (BAUMAN,2008 p. 154).
Na obra “Vida Para o Consumo”, o autor Zygmunt Bauman observa que nos
últimos séculos o consumismo cresce vertiginosamente e alerta é um atributo da
sociedade. Diz Para que uma sociedade seja digna desse atributo, a capacidade
essencialmente individual de querer, desejar e ter anseio devem ser separados
("alienado") dos indivíduos (como foi a capacidade de trabalhar na sociedade de
produtores) e deve ser reciclada/ retificada como uma força externa capaz de pôr em
movimento a "sociedade de consumo" e manter-se afastado como forma específica da
comunidade humana, ao estabelecer os parâmetros específicos da vida e estratégias
específicas e manipular as probabilidades de escolhas e comportamentos individuais”.

3.A influencia da publicidade
Para Jean Baudrillard um dos grandes fatores que contribui para essa
coletividade é a publicidade. O Consumidor sabe o quanto está sendo influenciado, mas
gosta disso e por isso acaba comprando. Assim como o publicitário, que em muitas
vezes sabe o quão apelativo que está sendo, demonstrando em alguns momentos que o
produto que está vendendo não tem tanta credibilidade assim, mas se faz necessário ter
essa atitude, pois A Sociedade do Consumo pede isso.
Vivemos em uma sociedade onde a mídia nos induz ao consumo excessivo de
bens desnecessários. Temos a disponibilidade e as mais variadas opções de pagamentos,
que favorecem o endividamento.
Em casos mais extremos, o excesso de consumo torna-se uma doença, precisam
consumir para se satisfazer, se rendem aos apelos das propagandas e promoções, o
consumo age como uma droga.

4. Consumo e consumismo
Jean Baudrillard também traz a crítica de que as pessoas, com o tempo,
passaram a desperdiçar mais. Pois acabam consumindo o que não há necessidade.
Acabam gastando com o que não precisam. Pois o consumo vai além das necessidades.
Para se viver nessa Sociedade, é preciso “saber destruir”, pois só assim o mundo
do Consumo gira e outros objetos mais atualizados são fabricados.
Na categorização de bens supérfluos e bens de necessidade também tem essa
característica da especificidade e particularidade entre as pessoas de uma sociedade. Na
pirâmide de necessidades de Maslow, que é uma divisão hierárquica, em que as
necessidades de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das de nível mais alto, essa
pirâmide trás essa uma idéia , que na realidade não é o que acontece.
Entre o consumo e consumismo existe uma grande diferença, no consumo as
pessoas adquirem somente aquilo que lhes é necessário. Já o consumismo se caracteriza
pelos gastos excessivos em produtos supérfluos, movidos pela propaganda. O apego
aos bens materiais começou a se desenvolver nas décadas anteriores, e se fortaleceu na
sociedade contemporânea, tendo como ápice na sociedade atual. Isto o tem tornado uma
das principais características da sociedade, tanto que a sociedade contemporânea é
definida, por estudiosos como Barbosa e Baudrillard, como sociedade do consumo.
Para Baudrillard, o consumo transformou-se na moral do mundo contemporâneo.
Cada vez mais se percebe um esvaziamento das relações humanas e esse vazio é
preenchido pela aparente busca da satisfação de necessidades que na maioria das vezes
é criada pelo mercado, na realidade, é a busca do bem-estar, do lazer, do conforto, do
prestígio, das roupas de grife, padrões alimentares, dentre outros. Além da busca
aparente, o consumo desenfreado é motivado pelo desejo de reconhecimento social. Em
uma sociedade em que o grau de sucesso pessoal é medido pela demonstração de
riqueza, o consumo de bens materiais é a forma de se buscar o tão desejado “status”, em
uma competitividade interpessoal que não encontra limites, em que muitas pessoas
gastam um dinheiro que não possuem, para comprar coisas de que não necessitam, para
impressionar pessoas que não conhecem. O “ser” foi superado pelo “ter”; todavia,
atualmente não basta apenas “ter”, é preciso “parecer”.

Referências:

BARBOSA, Livia. Entrevista: Lívia Barbosa fala sobre culturas de consumo na
sociedade. Rede Globo, 06 jun 2011. Disponível em:
<http://redeglobo.globo.com/globouniversidade/noticia/2011/10/entrevista-livia-
barbosa-fala-sobre-culturas-de-consumo-na-sociedade.html> Acesso em: 15 novembro
2014

BAUDRILLARD, Jean. A Sociedade de Consumo - 2ª Ed. Portugal: EDIÇOES 70 –
BRASIL, 2007.

BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo. A transformação das pessoas em
mercadorias. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

LIPOVETSKY, G - Estamos cansados de tantas novidades.Clicrbs, Porto Alegre, 21 set
2014. Entrevista concedida a Laura Schenkel. Disponível em:
<zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/09/estamos-cansados-de-tantas-novidades-
afirma-o-filosofo-gilles-lipovetsky-4603364.html> Acesso em: 15 novembro 2014

LIPOVETSKY, G. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades
modernas.São Paulo: Cia das Letras, 2009.