Nome: LUZIMARIO GOMES LEITE (E-mail: luzimariogomes@ig.com.

br)
Advogado atuante nas áreas de Direito Previdenciário, Administrativo, Civil e do Consumidor
Endereço: Rua Major Jovino do Ó, 63, centro, Campina Grande-PB, CEP 58.400-268, Campina Grande-PB
Fone/fax: (83) 3321-0158. Celulares: (83) 8866-9256/9910-4374
Título: O Início de Prova Material na Aposentadoria por idade Rural
Área: Direito Previdenciário/benefícios/Aposentadoria por Idade
Data de confecção do artigo: 29 de julho de 2010.

O INÍCIO DE PROVA MATERIAL NA APOSENTADORIA POR IDADE RURAL1

1. INTRODUÇÃO

Assunto pouco discutido em aulas e obras de Direito Previdenciário, a produção
de prova material – ou pelo menos aquilo se convencionou chamar de seu “início razoável” – toma
uma grande relevância na prática, notadamente quando os jovens advogados, recém saídos dos
bancos das cátedras, se vêem diante de um caso concreto onde a comprovação do direito do seu
cliente não é tão fácil.

A prova unicamente testemunhal é rejeitada, o que revela a necessidade de fazer
acostar documentos, na via administrativa ou em juízo, da atividade rural.

No entanto, analisar se determinado documento serve ou não como “início
razoável de prova material” acaba por ter forte subjetividade por parte do aplicador do Direito, o
que dificulta uma definição e impossibilita uma enumeração numerus clausus.

Assim, a construção jurisprudencial é a sua principal definidora, entendendo no
caso concreto se este ou aquele documento possa servir como tal.

2. FUNDAMENTO LEGAL

A regra do direito à Aposentadoria por Idade é: 1) ter 65 (sessenta e cinco) anos,
se homem, ou 60 (sessenta), se mulher; e 2) cumprir a carência legal de 180 (cento e oitenta)
contribuições, para o segurado inscrito na Previdência Social a partir de 24 de julho de 1991, ou

1
Artigo Registrado no Primeiro Cartório de Registros e Notas de Campina Grande-PB.

a comprovação do tempo de serviço – e aí está incluído o efetivo exercício de atividade rural – só produzirá efeitos quando baseada. inciso I. para o segurado inscrito até a referida data.032/95. inciso I. utilizando para tanto também o Decreto nº 3. segunda parte. Já o § 2º. estabelece a necessidade de comprovação do efetivo exercício de atividade rural. § 7º. com a redação dada pela Lei 9. a Constituição Federal prevê no artigo 201. para efeito de da obtenção de benefício previdenciário”. como dispõe o artigo 55. no caso dos trabalhadores rurais referidos no artigo 11.aquela prevista na tabela progressiva do artigo 142. tendo há muito tempo o Superior Tribunal de Justiça editado a Súmula 149: “a prova exclusivamente testemunhal não basta à comprovação da atividade rurícola. posto não ser admitida a prova exclusivamente testemunhal. o artigo 39. Já a Lei 8. não há nenhuma celeuma jurisprudencial. . ainda que de forma descontínua. observada a mesma exigência de comprovação do efetivo exercício da atividade rural individualmente ou em regime de economia familiar. regulamenta o texto constitucional e prevê os requisitos para cada um deles. que disciplina os benefícios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). No entanto. a Lei dos Benefícios prevê em seu artigo 48.213/91. Neste norte. inciso II. do mencionado Diploma. § 3º. § 1º.048/99 (Regulamento da Previdência Social). para ambos os sexos. pelo menos. em início de prova material. inciso V. a referida redução de 05 (cinco) anos na idade. assegura a eles o direito à aposentadoria por idade no valor de 01 (um) salário mínimo. por tempo igual ao número de meses de contribuição correspondente à carência do benefício. Assim. Quanto aos segurados especiais especificamente (art. a redução de 05 (cinco) anos na idade para os trabalhadores rurais de ambos os sexos. da Lei 9. da Lei 8. inciso VII). e incisos VI e VII. alínea “g”. Quanto a este ponto. 11. desde que comprovem o exercício de suas atividades em regime de economia familiar. no período imediatamente anterior ao requerimento do benefício.812/91.213/91. alínea “a”.

com base em “início de prova material”. Rel. no caso de produtores em regime de economia familiar. com indicação do segurado como vendedor ou consignante. contrato de arrendamento. tem-se em vista que a própria Lei dos Benefícios prevê no artigo 106 alguns documentos. e não taxativo.10. comprovante de cadastro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA. Diante desse contexto. Rel. 2 STJ. Outro que não esteja na referida relação poderá ser considerada como “início de prova material” que. ou licença de ocupação ou permissão outorgada pelo INCRA. sendo admissíveis. Min. de que trata o § 7o do art. de sindicato ou colônia de pescadores. não carecem de corroboração por prova testemunhal: contrato individual de trabalho ou Carteira de Trabalho e Previdência Social. isto é. declaração fundamentada de sindicato que represente o trabalhador rural ou. notas fiscais de entrada de mercadorias. com indicação do nome do segurado como vendedor. Arnaldo Esteves Lima.04. resta pacificado que “o rol de documentos hábeis à comprovação do exercício de atividade rural. por estarem enumeradas em lei. Essa benesse legal de aceitar o “início de prova material” se dá “em razão das dificuldades encontradas pelos trabalhadores do campo para comprovar o seu efetivo exercício no meio agrícola” 3.213/91. para produzir efeito. parceria ou comodato rural. DJ 17. 341 3 STJ. 433.2005. terá em seu poder uma “prova plena” do efetivo exercício de atividade rurícola. parágrafo único da Lei 8. de 24 de julho de 1991. comprovantes de recolhimento de contribuição à Previdência Social decorrentes da comercialização da produção. . bloco de notas do produtor rural. 30 da Lei no 8. Quando se fala que a comprovação do efetivo exercício da atividade rural far-se- á. AgRg no Ag 437826/PI. José Arnaldo da Fonseca. os quais.213/91. desde que homologada pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. são considerados como “prova plena”. da Lei 9. DJ 24. é meramente exemplificativo. inscrito no art. dependerá de corroboração pela prova testemunhal. p. entreposto de pescado ou outros. quando for o caso. emitidas pela empresa adquirente da produção.2006. pelo menos.212. 106. portanto. se o trabalhador rural possuir algum dos documentos previstos no artigo 106. AgRg no REsp 700298/CE. cópia da declaração de imposto de renda. documentos fiscais relativos a entrega de produção rural à cooperativa agrícola. Min. Por esses documentos previstos na legislação serem considerados “provas plenas” e por essa mesma lei dispor que a comprovação poderá se dá com base em “início de prova material”. outros documentos além dos previstos no mencionado dispositivo”2. p. com indicação de renda proveniente da comercialização de produção rural.

ser aceito um documento recente com intuito retroativo. Feitas essas observações. Por exemplo. Como o próprio texto legal informa. Apesar disso. a fim de provar fato passado. § 2º).2008. 1 . pois “é prescindível que o início de prova material abranja necessariamente o número de meses idêntico à carência do benefício no período imediatamente anterior ao requerimento do benefício. AgRg no REsp 939191. passa-se a mostrar alguns exemplos de documentos que são considerados como “inicio de prova material”. isoladamente só serve para comprovar a atividade nos dias atuais. não se exige que o início de prova material corresponda a todo o período equivalente à carência”. mesmo informando que o segurado trabalha como agricultor num determinado imóvel há 05 (cinco) anos. pois. 39. o início de prova material deve ser contemporâneo à época dos fatos a provar”. porém. É isso que se extrai da Súmula 34 da TNU: “Para fins de comprovação do tempo de labor rural. 4 STJ. já poderá valer como documento com tal característica. uma declaração emitida hoje. conforme julgados de nossos Pretórios. desde que a prova oral permita a sua vinculação ao tempo de carência”4. ALGUNS DOCUMENTOS RECONHECIDOS COMO “INICIO DE PROVA MATERIAL” Ao longo dos anos nossos Tribunais já apreciaram diversos processos envolvendo a discussão sobre a existência ou não. I. Isto quer dizer que não há necessidade de o segurado acostar um ou vários documentos para cada ano do período equivalente à carência do benefício. Rel. Hamilton Carvalhido. p. não podendo. Min. a comprovação da atividade rural pode ser feita “ainda que de forma descontínua” (arts. de documentos passíveis de serem reconhecidos como “início de prova material”. DJ 07.04. e 48. vale dizer. se acostada a ela estiverem outros “inícios de prova material” do período todo. Tanto é assim que a Turma Nacional de Uniformização da Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais (TNU) já tornou esse entendimento uníssono ao editar a Súmula 14: “Para Concessão de aposentadoria rural por idade. 3. dês que a prova testemunhal amplie a sua eficácia probatória ao tempo da carência. no caso concreto. há de observar que o “início de prova material” deve ser contemporâneo ao período a que ela pretende comprovar a atividade rural.

Des. Arnaldo Esteves Lima. Manoel Erhardt. 540).2008.05. DJ 07. Paulo Gadelha. Des. Como já dito. posto que pode vir a ser considerados como tal todo documento não incluso no artigo 106 da Lei de Benefícios. Fed.380/RS. STJ: REsp nº 425.02. p. DJ 29. p. REsp 608007/PB. AgRg no Ag 493294/SC. ou de que tenha endereço na zona rural. DJ 26. DJ 19.2008. Rel. cônjuge ou familiar próximo (pais. Poderão ser considerados como “início de prova material” quando deles se extraia menção de que o segurado.04. processo 2006. nascimento ou outro documento público idôneo: Nesse sentido é a Súmula 06. Min. DJ 07. Fed. 235. Des. • Título eleitoral ou Certidão do TRE: STJ. p. Rel. 958.2007. Hamilton Carvalhido. pelo menos a princípio. AgRg no REsp 939191. Nesse contexto.03. 394. lavrador. repita-se. Rel. Hélio Quaglia Barbosa. Rel. • Prova de participação no Programa Emergencial Frentes Produtivas de Trabalho: Decisões do Tribunal Regional Federal da 5ª Região na AC 433529/PB. e AR 1166/SP. trabalhador rural ou outros sinônimos.03. Min. Rel. Francisco Cavalcanti. filhos. 397. Des. p.72. . Vicente Leal. Rel. Há de se observar ser prescindível que em tais documentos a informação se refira unicamente ao segurado.8643-8.) seja agricultor. p. DJ 20/09/2002. Rel. • Certidões de casamento. • Recebimento de benefício decorrente de programa governamental relacionado à agricultura: Acórdãos do Tribunal Regional Federal da 5ª Região na REOAC 471451/RN. Hamilton Carvalhido. p.04. já que os aí referidos. 334. DJ 17/06/2009.2003. Min. DJ 26. etc. Fed. Min. Francisco Barros Dias. cuja eficácia dependente de corroboração por testemunhas. DJ 12. 1. Rel. Rel. Fed. Min. Min. p. óbito.05.95. DJ 07. DJ 13.11.01. DJ 14/05/2008. Rel.2007.2006. passa-se a fazer uma relação dos documentos usualmente mais reconhecidos como “início de prova material”. Hamilton Carvalhido. informando ainda alguns casos concretos relacionados. p.11. p. e na APELREEX 2196/CE.1999. bem como precedentes do STJ (AgRg no Ag 695925/SP. 217. Min. e na AC 276235/CE.2008. p. p. irmãos. Rel. TNU. Paulo Gallotti.2007. 1. e no AgRg no REsp 939191. Min. 350). por transparecer. Hamilton Carvalhido. 132. • Ficha de Alistamento Militar ou Certificados de Dispensa do Serviço Militar ou de Dispensa de Incorporação (CDI): Conforme decido pelo STJ no REsp 226290/SP. a agricultura no regime de economia familiar (TNU. são considerados “provas plenas”. a construção jurisprudencial é a principal fonte de exemplares do que seja “início de prova material” do efetivo exercício da atividade rural.

406. Des. 248.2005. 386). Fed. Nilson Naves. • Documentos relacionados ao PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar: Decisões dos Tribunais Regionais Federais da 3ª Região (AC 994674/MS. CONCLUSÃO Como visto. Os exemplos acima expostos são meramente exemplificativos.12. Rel. DJ 13. Laurita Vaz. Rel. O reconhecimento da qualidade de “início de prova material” ocorre caso a caso. Min. Min. Edílson Nobre (Substituto). Rel. p. Rel. DJ 02. pois os aí listados são classificados como “provas plenas”. Min.2004. Marianina Galante. AgRg no REsp 911224/CE. Rel. Hélio Sílvio Ourem Campos [Substituto]. Des.05. 313. dado ao fato da própria Lei prevê sua descontinuidade. tendo em vista estarem relacionados em texto legal. mesmo que não haja prova suficiente para todo o período equivalente à carência do benefício. Min. Hélio Sílvio Ourem Campos [Substituto]. os documentos passíveis de reconhecimento como “início de prova material” do efetivo exercício da atividade rural são todos aqueles não previstos no artigo 106 da Lei 8. DJe 19. e AR 3384/PR. DJe 09/12/2008. 4. de herdeiro ou do próprio segurado ou familiar: Julgados do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (AC 428907/SE. Laurita Vaz. no caso concreto. DJ 13.2008. Contrato de Comodato com o proprietário do imóvel.2008. Declarações e Carteiras de Associado do Sindicato de Trabalhadores Rurais e de Associação Rural. Min. DJ 14. p. • Recebimento de cesta básica decorrente de estiagem: Julgado do Tribunal Regional Federal da 5ª Região na AC414794/PB.12.2007. p. 1).2008. CCIR (Certificado de Cadastro de Imóvel Rural) e ITR (Imposto Territorial Rural) em nome deste. EREsp 499370/CE. p. Rel. Paulo Gallotti. AgRg no REsp 1049930/CE. DJ 11. • Ficha de atendimento médico-ambulatorial ou ortodôntico: Como já apreciado pelo STJ ao julgar o REsp 504568/PR. 386) e do STJ (AgRg no AgRg no REsp 642594/CE.05. Min. DJ 14.213/91.2007. Rel. p.2008. p. a ser reconhecidos como “início de prova material”. DJ 13. . Paulo Gallotti.04. DJ 14. 975) e da 5ª Região (AC 428907/SE. podendo outros tantos documentos vir.2007. p. dependendo da contemporaneidade do documento com o período que se pretende provar a atividade rural. Fed. • Fichas de Inscrição.12.02.05. Rel. p.05. Rel.715. Laurita Vaz.