Uma Tecnologia do Comportamento

B. F. Skinner

Fonte: O Mito da Liberdade, pp. 9-24, ed. Summus editorial.

Na tentativa de resolver os problemas cruciais que nos afligem atualmente, é natural buscar soluções onde
melhor atuamos. E, nosso campo de atuação é o do poder, ou seja, o da ciência e o da tecnologia. Para conter a
explosão demográfica, procuramos métodos melhores de controle da natalidade. Ameaçados por um holocausto
nuclear, construímos armas de defesa e de intimidação e sistemas de mísseis antibalísticos cada vez mais
poderosos. Tentamos evitar a fome mundial com novos alimentos e melhores métodos de produção. Esperamos
que o aperfeiçoamento dos serviços de saneamento básico e da medicina controlem as doenças, que melhores
condições de moradia e transporte resolvam os problemas dos guetos, e que novos meios de redução ou
eliminação de detritos estabilizem a poluição ambiental. Podemos assinalar notáveis realizações em todos esses
campos, e não é nenhuma surpresa a tentativa de ampliá-las. Mas a situações caminha decididamente para o
pior, e é desanimador constatarmos o aumento dos erros da própria tecnologia. A falta de uma infra-estrutura na
área de saneamento básico e saúde agravam os problemas populacionais; e com a invenção das armas
nucleares, a guerra adquiriu dimensões catastróficas, e a busca incessante de felicidade é em grande parte
responsável pela poluição. Darlington já disse que “cada novo recurso utilizado pelo homem para aumentar
seu poder sobre a terra, tem servido para diminuir as perspectivas de vida de seus sucessores. Todo o seu
progresso foi realizado à custa do prejuízo ao ambiente, prejuízo este que não consegue reparar nem poderia
prever”.
É difícil dizer se o homem seria ou não capaz de prever os danos, mas, deve repará-los ou tudo estará perdido.
Isso só será possível se se reconhecer a natureza da dificuldade. Se nos limitarmos à aplicação das ciências
físicas e biológicas não resolveremos nossos problemas, pois as soluções se encontram em outra área. Os
melhores anticoncepcionais só controlarão a explosão demográfica desde que sejam usados. Novas armas
podem compensar novos sistemas defensivos e vice-versa, mas um holocausto nuclear só poderá ser evitado se
as circunstâncias que levam as nações à guerra puderem ser mudadas. Novos métodos de agricultura e medicina
de nada valerão se não forem aplicados e o problema habitacional não é uma questão apenas de edifícios e
cidades, mas de como as pessoas vivem. O problema da superpopulação somente será solucionado se as pessoas
forem persuadidas a não se aglomerarem, e o ambiente continuará a se deteriorar até que as práticas que
conduzem à poluição sejam abandonadas.
Em suma, precisamos modificar em grande parte o comportamento humano, e não poderemos fazê-lo, por mais
que nos esforcemos, apenas com o auxílio da física ou da biologia. (E há outros problemas, tais como o colapso
de nosso sistema educacional, a alienação e revolta dos jovens, para os quais a tecnologia física e biológica é
tão obviamente irrelevante que jamais foi aplicada.) Não basta “usar a tecnologia com uma compreensão mais
profunda dos problemas humanos” nem “aplicar a tecnologia às necessidade espirituais do homem” e tampouco
“estimular os tecnólogos a olhar os problemas humanos”. Tais expressões sugerem que onde começa o
comportamento humano termina a tecnologia, e que devemos prosseguir, como no passado, com o que
aprendemos a partir de experiências pessoais ou da reunião de experiências pessoais chamada história, ou do
conjunto de experiências encontradas na sabedoria popular, nas regras práticas dos costumes. Tudo isso esteve à
nossa disposição durante séculos, e tudo o que temos para oferecer é o estado do mundo atual.
O que precisamos é de uma tecnologia do comportamento. Poderíamos resolver nossos problemas rapidamente
se pudéssemos controlar o crescimento da população mundial com a mesma precisão com que controlamos o
curso de uma espaçonave; ou aperfeiçoar a agricultura e a indústria com um pouco da confiança com que
aceleramos partículas de alta energia, ou caminhar para um mundo de paz com o passo seguro com que a física
se aproxima do zero absoluto (ainda que ambos a princípio estejam longe de serem alcançados). Entretanto,
falta uma tecnologia do comportamento comparável em poder e precisão à tecnologia física e biológica; e os
que não acham tal possibilidade ridícula, provavelmente estarão mais assustados do que tranqüilos. Eis quão
distantes estamos de “compreender os problemas humanos” no sentido em que a física e a biologia os
entendem, e como onde estamos de evitar a catástrofe para a qual o mundo parece inexoravelmente caminhar.
Há 2500 anos, poder-se-ia dizer que o homem se conhecia tão bem quanto qualquer outro aspecto de seu
mundo. Hoje, é a si mesmo que menos conhece. A física e a biologia progrediram de forma incrível, porém não
houve o desenvolvimento correspondente de uma ciência do comportamento. Atualmente, o interesse pela física
e biologia gregas é apenas histórico (nenhum físico ou biólogo hoje recorreria a Aristóteles), mas os diálogos de

mas podiam penetrá-los e “possui-los”. uma tecnologia eficaz. Por exemplo. Não somos capazes de explicar essa situação apenas dizendo que os gregos sabiam tudo o que havia para saber sobre o comportamento humano. até agora. e felizmente. apenas parte do quebra-cabeça. As pessoas esclarecidas não acreditam mais que os homens sejam possuídos por demônios (embora o exorcismo seja vez por outra praticado. Assim. o superego e o id – e considera-se que a interação entre essas instâncias é responsável pelo comportamento do indivíduo no qual se inserem. embora incipientes. Aristóteles alegou que aceleração de um corpo em queda se devia a um júbilo cada vez maior por se aproximar do solo e. medimos e comparamos. permaneceu por muito tempo a considerá- las como se tivessem desejos. contamos. mais tarde. porém as ciências do comportamento ainda recorrem a estados internos. Além disso. mas algo essencial à prática científica está faltando em quase todos os debates atuais sobre o comportamento humano. A diferença é que os instrumentos e métodos empregados são proporcionais à complexidade do assunto investigado. por vezes denominado “impetuosidade”. Pode-se sempre argumentar que o comportamento humano é um campo especialmente difícil. mas Sócrates e seus discípulos teriam poucas dificuldades em acompanhar a maior parte das discussões atuais sobre os problemas humanos.) A primeira experiência do homem com causas provavelmente veio do seu próprio comportamento: as coisas se moviam porque ele as movia. alcançamos um progresso notável no controle do mundo físico e biológico. É fácil concluir que existe algo no comportamento humano que torna impossível uma análise científica e. Não se justifica dizer que na área do comportamento humano não existem à disposição instrumentos e métodos igualmente poderosos. os deuses gregos serviam como explicação às causas dos fenômenos físicos. a física e a biologia modernas tratam com êxito de questões certamente tão complexas quanto muitos aspectos do comportamento humano. Isso tem a ver com o modo como consideramos as causas do comportamento. as autoridades no assunto supuseram que um projétil era lançado para a frente por um ímpeto. podemos afirmar que. A distinção é clara quando se diz que o corpo contém várias personalidades que o controlam de formas diferentes em períodos diversos. ainda que este fosse invisível. Em certo sentido. Se hoje estão conosco. não é pelo fato de possuírem qualquer verdade eterna. não se desenvolveram muito. mas o passo decisivo ainda não foi dado na área do comportamento humano. pois ninguém poderia dizer ser mais importante chegar à Lua. A ciência e a tecnologia tinham atingido um ponto em que. por conseguinte. a coisa poderia ser feita. impulsos. as teorias gregas do comportamento humano não levaram a nada. sua maneira de considerar o comportamento humano deve ter conduzido a um engano fatal. Com respeito à tecnologia. sentimentos. quase todos ainda atribuem ao comportamento . os métodos científicos mal foram aplicados ao comportamento humano. mas numa prática correta não existe lugar para isso. A física e a biologia logo abandonaram explicações deste gênero e se voltaram para outras mais proveitosas. finalmente culminaram na ciência moderna. e o processo tenha ressurgido nos textos dos psicoterapeutas). as possibilidades foram esgotadas.Platão ainda são indicados e citados aos estudantes como se lançassem alguma luz sobre o comportamento humano. Estamos distantes das soluções. Sem dúvida que é. não faziam parte deles. Embora a física cedo tenha deixado de ver as coisas por este prisma. diz-se que um delinqüente juvenil sofre de um distúrbio de personalidade. educacionais e econômicos. e tendemos a pensar assim justamente por sermos incapazes de lidar com ele. Não há tal estímulo quanto aos problemas levantados pelo comportamento humano. Ninguém se surpreende ao ouvir dizer que o portador de boas notícias caminha mais rápido por se sentir feliz. O estimulante em relação à viagem à Lua foi sua viabilidade. mas ainda assim não muito. Tudo isso foi afinal abandonado. Segundo Butterfield. mas nossos sistemas políticos. permitir um padrão de vida mais elevado? A escolha não foi uma questão de prioridades. Todavia. de modo algum. conseqüentemente. Enquanto a física e a biologia gregas. o comportamento humano é comumente atribuído a agentes internos. Os psicanalistas identificam três dessas personalidades – o ego. Utilizamos os instrumentos da ciência. ou age com menos cuidado devido à sua impetuosidade. Aristóteles não entenderia uma página sequer de física ou biologia modernas. ainda assim. Não havia nenhum problema em dizê-lo se a personalidade não fosse considerada como algo distinto do próprio corpo que acaba por se complicar. Ainda se encontram referências negligentes quanto a intenções tanto na física como na biologia. Certamente o conheciam mais que ao mundo físico. Será que é realmente mais fácil colocar um homem na Lua do que melhorar o ensino em nossas escolas públicas? Ou do que construir moradias de melhor qualidade para todos? Ou do que proporcionar a todos trabalho bem remunerado e. mas por não conterem os embriões de algo melhor. motivações e outros atributos fragmentários de um agente interno. ou se fixa obstinadamente num modo de agir por simples força de vontade. (O termo “causa” não é mais usual na sofisticada linguagem científica. isso não é uma explicação. com um excelente empurrão. mas será útil aqui. era a outrem. Se a interpretação do movimento não pudesse ser a ele atribuída. mas. não obstante. Geralmente. embora adaptados a condições muito diferentes.

Para resolver o problema da pobreza precisamos desenvolver o amor próprio. Como Dodds já assinalou. Não há nada no gênero na física moderna ou na maior parte da biologia. Um deus amistoso poderia dar a um guerreiro uma quantidade extra de μενοs. traços de caráter. precisamos propiciar o senso de objetivo e reduzir o sentimento de alienação ou desesperança. teorias. também queremos saber de onde se originaram esses mecanismos. o indivíduo agora tem sentimentos de agressão (não-físicos) que levam a atos de hostilidade (físico). ou psicoterapeutas – continuam se referindo ao comportamento humano de modo pré-científico. a biologia continuou por muito tempo a apelar para a natureza das coisas vivas. Supõe-se com freqüência que a objeção “behaviorista” a idéias. O problema de se passar de um tipo de matéria para outra poderia ser evitado se tudo fosse ou mental ou físico. desenvolver um certo senso de responsabilidade pelos filhos e reduzir o papel desempenhado pela família extensa no alívio da ansiedade em relação à velhice. revista. objetivos e metas. com o que poderia lutar brilhantemente. Esta é a passagem básica. gerando uma extensa “psicologia das diferenças individuais” através da qual as pessoas são comparadas e descritas em termos de traços de caráter. devemos lidar com o desejo de poder ou com as ilusões paranóides dos líderes. etc.. Para trabalhar pela paz. Ou. sentimentos. fato este que explica bem o porquê de uma ciência e uma tecnologia do comportamento terem sido tanto tempo protelados. e que o homem é agressivo por natureza. deliberações. pode a mente mover o corpo? A questão foi colocada ainda em 1965 por Karl Popper nos seguintes termos: “O que queremos compreender é como tais mecanismos não-físicos como intenções. a questão implica de modo significativo a possibilidade de a máquina se assemelhar mais de perto a um homem. os gregos acreditavam que se um homem se comportava de modo insensato era porque um deus hostil havia introduzido um ατη (paixão desenfreada) em seu peito. e Zeno julgava que o intelecto era Deus. publicação profissional. e a ansiedade adquirida quando se é criança persiste na idade adulta. sua história pessoal. A física e biologia se afastaram consideravelmente das causas personificadas quando começaram a atribuir o comportamento dos objetos a essências. economistas. encorajar a iniciativa. que somente poderá ser solucionada pelo retorno à crença nas capacidades internas do homem. qualquer livro que aborde de alguma forma o comportamento humano fornecerá exemplos disso. Qualquer edição de jornal. e a alternativa mais viável é recorrer aos acontecimentos físicos precedentes. Alguns filósofos tentaram permanecer no mundo mental . devemos nos lembrar que as guerras se iniciam na mente dos homens. psicólogos. a punição (física) que uma criança pequena recebe ao se engajar em brincadeiras sexuais produz sentimentos (não-físicos) de ansiedade que interferem em seu comportamento sexual (físico) quando adulto.500 anos e ainda permanecem sem respostas. lingüistas. Certas questões refratárias sobre a natureza da mente têm. é claro. Não podemos seguir este caminho hoje. e reduzir a frustração. qualidades ou naturezas. Como. que há algo de suicida no homem – um instinto de morte talvez – que leva à guerra. teólogos. antropólogos. algumas das propriedades de uma substância se deviam à essência do mercúrio e as substâncias eram comparadas de um modo que poderia ser chamado de “química das diferenças individuais”. E. refere-se a material do que consta serem feitos. devido à competição (física) durante o curso da evolução. naturalmente. precisamos alterar nossas atitudes em relação a filhos. políticos. filósofos. desejos. propósitos. decisões. planos. superar o orgulho pelo tamanho da família ou pela potência sexual. Afirma-se que os atributos genéticos do indivíduo. e não abandonou totalmente as forças vitais como explicação até o século XX. não quer dizer nada”. Newton criou esta prática em seus contemporâneos: “Dizer que cada espécie de coisa é dotada de uma qualidade oculta específica através da qual age e produz efeitos manifestos. aptidões e capacidades. entretanto. por exemplo. Por exemplo. Quase ninguém a questiona. Estamos cientes de que para controlar o número de pessoas no planeta. Aristóteles pensava que existisse algo de divino no pensamento. Não temos nenhum meio efetivo de realizar qualquer um desses projetos: nós mesmos podemos experimentar uma crise de fé ou a perda de confiança. Para o alquimista medieval. Embora ele não agisse exatamente de acordo com suas palavras. O comportamento. um produto da evolução das espécies. educadores. tensões e valores podem atuar de modo a acarretar mudanças físicas no mundo físico”. sociólogos.humano intenções. e essas duas possibilidades fossem consideradas. Para amenizar o descontentamento da juventude. Para esta questão os gregos tinham uma resposta simples: dos deuses. por exemplo. Quase todos que estão familiarizados com os problemas humanos – como cientistas. escritores. sido discutidas durante mais de 2. o restante. (Qualidades ocultas foram exemplos de hipóteses rejeitadas por Newton ao afirmar: “Hypotheses non fingo” (“Não invento hipóteses”). O estágio não-físico obviamente abrange longos períodos de tempo: a agressividade remonta a milhões de anos de história evolucionária. ainda é atribuído à natureza humana. explicam parte do funcionamento de sua mente e. Se ainda é possível questionar se uma máquina é capaz de demonstrar intenção.

e naturalmente perderá status à medida que começarmos a entender melhor o comportamento humano. A partir dela. mas um centro do qual o comportamento emana. expressa o seu sentimento e por ele é explicado. Em psicoterapia. permanece divino como era para os gregos. por exemplo. O mundo mental rouba o espetáculo. até mesmo. que não fugimos porque temos medo. Provavelmente adotamos esta estratégia não tanto por falta de interesse ou poder. Dizemos que é autônomo e. damos muita pouca atenção às circunstâncias precedentes. não será esclarecida. A tarefa de análise científica é . visto ser a objeção principal ao mentalismo de natureza bem diferente. política. em crítica literária. etc. Em lingüística. sentimentos. na realidade. por exemplo). ao afirmar. ainda assim. Na literatura psicanalítica deve haver pelo menos uma centena de referências à sensação de ansiedade para cada referência a um episódio de punição a que a ansiedade poderia se seguir. As condições das quais o comportamento é função também são negligenciadas. Quer nós próprios expliquemos os sentimentos. e assim fazendo. na crença de ser uma questão de tempo a compreensão da natureza física dos mesmos. As teorias contemporâneas “intrapsíquicas” de psicoterapia nos dizem como um sentimento interage com outro (como a frustração provoca agressão. atribuímos seu comportamento a alguém que não podemos ver. Mas quantos dos que consideram o argumento de James razoável. físico. William James corrigiu o ponto de vista reinante sobre a relação entre sentimentos e a ação. As dimensões do mundo mental e a transição de um mundo para outro realmente levantaram problemas embaraçosos. ou o que ouviu ou leu sobre a peça que foi assistir. acreditando que a fisiologia finalmente explicasse o funcionamento do aparelho mental. como os sentimentos interagem e como os que são expulsos da mente lutam para retornar. pelo que deve ter ocorrido durante a evolução da espécie para explicar o comportamento humano e parecemos falar com especial segurança exatamente porque o que na verdade ocorreu pode apenas ser inferido. o comportamento é geralmente considerado como a matéria de onde se inferem atitudes. De forma semelhante muitos psicólogos fisiologistas continuam a falar abertamente de estados de consciência. Em ciência. Se perguntarmos a uma pessoa: “Por que você foi ao teatro?” e ela nos disser: “Porque tive vontade de ir”. parece em verdade superficial. e comparadas com o drama fascinante encerrado nas profundezas da mente. mas geralmente é possível ignora-los. em relação a uma ciência do comportamento isso significa “milagroso”. vulnerável. O psicoterapeuta é informado sobre o início de vida de seu paciente quase que exclusivamente através das recordações deste. Por mais de 2. Em outras palavras. Há um grande interesse em nossos dias. A explicação mental põe fim à curiosidade. que por sua vez. O homem autônomo serve para explicar apenas aquilo que ainda não somo capazes de explicar de outra forma. nossa tendência será tomar sua resposta como uma espécie de explicação. argumentar que o importante não é o que ocorreu realmente. o próprio comportamento. sem dúvida. e cujo comportamento também não podemos explicar. podem ser irreais. por exemplo. de acordo com a visão tradicional. Parece. Muito tempo atrás. A função da hipótese de um “homem interior” é fornecer uma explicação. Notamos esse efeito em conversas informais. observaram que nenhum fato precedente foi na verdade salientado? Nenhum “porque” deveria ser considerado seriamente. que preferimos antecedentes históricos nitidamente fora de alcance. Nenhuma explicação se deu ao porque fugimos e sentimos medo. e isto pode ser uma boa estratégia. o que sentimos quando temos medo é nosso comportamento que. por exemplo. O comportamento não é reconhecido como objeto de estudo por direito próprio. Seria muito mais o caso de averiguar o que ocorreu quando ela foi ao teatro no passado.argumentando que somente a experiência imediata é real. O psicólogo profissional com freqüência pára no mesmo ponto. dá origem e cria. que – como se sabe –.. mas devido a uma velha convicção de que não existem antecedentes relevantes para grande parte do comportamento humano. mas aceitamos o “tive vontade de ir” como uma espécie de sumário de tudo isso e provavelmente não pedimos detalhes. A posição é. e a psicologia experimental começou como uma tentativa de descobrir as leis mentais que governavam as interações entre os elementos mentais. mas só recentemente se fez algum esforço para estudar o comportamento humano como algo mais do que um mero subproduto. o que um homem diz é quase sempre visto como expressão de idéias ou sentimentos. e ele pode. etc. as coisas inquietantes que uma pessoa faz ou fala são quase sempre consideradas meramente sintomas. cessa qualquer explicação. Incapazes de compreender a maneira ou a razão da uma pessoa se comportar. mas é por termos medo que fugimos. intenções.500 anos. necessidades. mas sobre o qual não estamos dispostos a fazer perguntas. Ele não é um mediador entre a história passada e o comportamento atual. Sua existência é fruto de nossa ignorância. e que outros fatores em seu ambiente presente ou passado poderiam induzi-la a ir (em vez de fazer alguma outra coisa). muita atenção foi dada à vida mental. Ele inicia. teologia e economia. É curioso que Freud adotou justamente o caminho complementar de que o estágio mental é. quer expliquemos o comportamento em função dos sentimentos. mas aquilo de que o paciente se recorda.

e aparentemente foi capaz de fazê-lo devido a uma forte pista. de Diana no banho –. na França. Somos capazes de perceber o que os organismos fazem ao mundo que os cerca. ameaçando-os com o seu tridente”. e parece um tanto ridículo falar do triunfo de um corpo em queda ou da impetuosidade de um projétil. mas de acidentes. poderia muito bem se assemelhar ao homem interior em cujo comportamento afirma-se residir essa explicação. nem o da biologia por examinar a natureza dos espíritos vitais. o ambiente era considerado como simples cenário passivo do nascimento. Nossa época não está sofrendo de ansiedade. está relacionado com as condições em que a espécie humana se desenvolveu e com as condições em que o indivíduo vive. faziam com que ela se escondesse atrás de roseiras. Há razões para termos levado tanto tempo para chegar a esse ponto. seleciona. e quaisquer sentimentos que possam surgir são. as pessoas “necessariamente pisavam em certos ladrilhos ou placas que se achavam dispostas de tal forma que. A história da teoria da evolução ilustra bem o problema. Quem responde a um questionário não sente as atitudes ou opiniões que o levam a escolher determinados itens e não outros. traços de caráter. mas o papel do ambiente não é absolutamente claro. subprodutos. ao dele retirarem o que necessitam e ao afastarem seus perigos. O homem inteligente não sente sua inteligência. O delinqüente juvenil não sente seu distúrbio de personalidade. De acordo com a descrição do próprio Descartes. As contingências de sobrevivência responsáveis pela herança genética do homem produziriam tendências a agir agressivamente. e não sentimentos de agressão. operadas hidraulicamente por meio de válvulas ocultas. mas não podemos sentir nossa própria exaltação? Sem sombra de dúvida. Os objetos de estudo da física e da biologia não têm um comportamento muito semelhante ao das pessoas. são subprodutos e não devem ser confundidos com coisas. Há uma razão bem mais importante para nossa morosidade em descartar explicações mentalísticas : tem sido difícil encontrar alternativas. Ninguém observou o fato de o ambiente ter sido responsável pelo surgimento de muitas espécies diferentes. e outros eventos perigosos e dolorosos a que as pessoas estão freqüentemente expostas. agimos da mesma forma quando não o sentimos. mas não o que foi inventado para explicar o comportamento. O homem possesso não sente o demônio que o possui e pode até mesmo negar sua existência. mas é muito mais difícil observar o que o mundo faz com eles. afirma-se que essas dimensões da mente ou do caráter somente são observáveis com o auxílio de complexos processos estatísticos. Conhecia certas estátuas que se moviam nos jardins do palácio real. crimes. A punição do comportamento sexual muda o comportamento sexual. e se tentassem segui-la. considerado como um sistema físico. na melhor das hipóteses. escolas. sentimentos. e o homem exterior cujo comportamento deve ser explicado. reprodução e morte das mais diferentes espécies de organismos. (De fato. Uma razão ainda mais importante é que o homem interior parece às vezes ser diretamente observável. Inferimos a exaltação de um corpo em queda. Portanto. o processo de seleção natural passou despercebido apesar de sua extraordinária importância. nem o introvertido sua introversão. Podemos seguir o caminho tomado pela física e pela biologia. A menos que haja alguma intervenção caprichosa e criativa esses fatos devem estar relacionados. ou outros atributos do homem autônomo para prosseguirmos em uma análise científica do comportamento. (Atribuía-se esse fato insignificativamente a uma Mente criadora. intenções. fábricas e em qualquer parte. mas como Freud salientou.) O orador não sente as regras gramaticais que aplica na construção de sentenças. Durante os milhares de anos da história do pensamento humano. Antes do século XIX. O homem interno foi criado à imagem do exterior. O progresso da física não se deu pelo exame mais atento do triunfo de um corpo em queda. sugerindo assim que algo semelhante no comportamento humano poderia ser explicado mecanicamente. não precisamos tentar descobrir o que na realidade são as personalidades. Presumivelmente. guerras. As estátuas divertiam justamente porque procediam como se fossem pessoas. estados de espírito. mas pela deficiência dos ambientes sociais nos lares. propósitos. e na verdade nenhuma intervenção é necessária. O efeito do ambiente sobre o comportamento permaneceu obscuro por um período ainda mais prolongado. recusam-se a arranjar emprego. planos. ao entrarem nos jardins. faziam com que a estátua de Netuno viesse em direção a eles. voltando-nos diretamente para a relação entre o comportamento e o ambiente e deixando de lado supostos estados intermediários da mente. Foi Descartes quem primeiro sugeriu que o ambiente deveria desempenhar um papel ativo na determinação do comportamento. os homens falaram gramaticalmente por milhares de anos sem que soubessem da existência de regras. Os adolescentes abandonam as escolas.explicar de que maneira o comportamento de uma pessoa.) O problema é que o ambiente atua de um modo imperceptível: não impele ou puxa. tornou-se naturalmente a chave para a teoria da evolução. e se associam apenas aos de sua própria idade não por se sentirem alienados. Quando foi finalmente descoberto. sentimos o que está dentro da nossa própria pele. ao se aproximarem da estátua – por exemplo. Realmente sentimos certos estados de nosso corpo associados ao comportamento. mas as pessoas realmente agem como pessoas. A sugestão foi apreendida por Descartes: os . devemos procurá-las no ambiente externo.

Portanto. da qual a análise científica só agora se liberta. sentimentos. antropologia. propósitos e intenções. o indivíduo é livre. bem como as práticas a ele associadas. pediatria. Por outro lado. O resultado é um peso enorme do “conhecimento” tradicional que deve ser corrigido ou substituído por uma análise científica. Até certo ponto. e têm sido sempre procurados. Duas características do homem autônomo são particularmente problemáticas. Progredimos consideravelmente ao desalojarmos o homem autônomo. Esses campos têm seus especialistas e cada especialista tem a sua teoria. infelizmente. como poderemos constatar. Esse ponto de vista. mas foi uma pista falsa. sociologia. Ele lidera uma espécie de ação de retaguarda através da qual. e muitas dessas áreas lidam apenas com grupos de pessoas.organismos vivos deveriam se mover por razões semelhantes. O comportamento que opera sobre o ambiente para produzir conseqüências (comportamento “operante”) pode ser estudado através de arranjos ambientais a que conseqüências específicas estejam condicionadas. O comportamento é moldado e mantido por suas conseqüências. na qual todo comportamento era visto como reação a estímulos. mas tais coisas não ocorrem . O homem autônomo sobrevive face a tudo isso por ser uma feliz exceção. A teoria da informação se deparou com a mesma questão quando um “processador” interno teve de ser criado para converter input em output. mas este não partiu graciosamente. e os espectadores gregos comovidos com a representação de um destino inevitável. O ambiente não apenas “cutuca ou sacode”. Sua função é semelhante à da seleção natural. e não resolveu o problema básico. religião. Os teólogos reconciliaram a predestinação com o livre-arbítrio. É autônomo no sentido de que seu comportamento não tem causa. não apenas antes como após sua resposta. mas seleciona. É verdade que a herança genética do homem só pode se modificar muito lentamente. lingüística. e foi deixado de lado pela mesma razão. é capaz de mobilizar um apoio formidável. Há dois resultados importantes. Profetas e astrólogos freqüentemente pretendem predizer o que os homens farão. A sabedoria popular e a perspicácia de ensaístas como Montaigne e Bacon implicam em algum tipo de previsibilidade na conduta humana. ética. A morte de um líder ou uma tempestade no mar alteram o curso da história. onde os dados estatísticos ou atuariais impõem poucas restrições ao indivíduo. aguilhão – o efeito sobre o organismo foi denominado “resposta” e os dois juntos formavam um “reflexo”. Biógrafos e historiadores buscam as “influências” nas vidas dos indivíduos e dos povos. Quando Pavlov demonstrou que novos reflexos podiam ser estabelecidos através do condicionamento. saíam do teatro como homens livres. filosofia. planejamento urbano e na vida familiar. As contingências investigadas têm se tornado cada vez mais complexas. é possível tolerar o controle externo. e não surpreende que a hipótese de Descartes tenha ocupado uma posição dominante na teoria do comportamento por tanto tempo. O efeito de um estímulo de eliciação é relativamente fácil de perceber. Do ponto de vista tradicional. traços de caráter. economia. e os indícios estatísticos e atuariais das ciências sociais apontam na mesma direção. podemos formular a interação entre o organismo e o ambiente de uma forma bem mais clara. A tecnologia do comportamento operante já se encontra bem adiantada. Os teólogos aceitaram o fato de o homem estar predestinado a fazer o que um Deus onisciente sabe que fará e a dramaturgia grega escolheu o destino inexorável como seu tema favorito. tais como salamandras. direito. educação. O modelo estímulo-resposta nunca foi muito convincente. assim como um professor ou um caso amoroso modificam uma vida. O homem interior não é seriamente ameaçado pelos dados obtidos pela observação casual ou pelos estudos da estrutura do comportamento. porém. nascia a incipiente psicologia do estímulo-resposta. (Ele excluiu o ser humano. ) A ação propulsora do ambiente passou a ser chamada de “estímulo” – palavra retirada do latim para designar “incitamento” de stimulus. Os reflexos foram pela primeira vez demonstrados em pequenos animais decapitados. devem ser reexaminados visto que a análise científica tem revelado relações insuspeitadas de controle entre o comportamento e o ambiente. que deverá ser solucionado se quisermos obter vantagens de nossas conquistas. ele pode ser considerado responsável pelo seu comportamento e ser merecidamente punido pelas suas transgressões. mas as mudanças no ambiente do indivíduo têm efeitos rápidos e dramáticos. e em quase toda teoria a autonomia do indivíduo é inquestionável. história. provavelmente para evitar controvérsias religiosas. Um escritor assim se referiu a isto: “Somos cutucados ou sacudidos ao longo da vida”. e uma a uma vão assumindo as funções explicativas anteriormente atribuídas a personalidades. É uma figura ainda importante na ciência política. arquitetura. embora em uma escala temporal bem diferente. e talvez possa se revelar ser adequada aos nossos problemas. essa possibilidade levanta outro problema. O primeiro se refere à análise básica. Uma vez que este fato seja reconhecido. psicoterapia. É hoje evidente que devemos considerar o que o ambiente produz num organismo. O segundo resultado é de ordem prática: o ambiente pode ser manipulado. pois algo semelhante a um homem interior precisava ser inventado para converter um estímulo em uma resposta. estados de espírito. e é significante que tal princípio foi contestado durante o século XIX por parecer negar a existência de um agente autônomo – “a alma da medula espinhal” – a que o movimento de um corpo decapitado era atribuído.

de que necessitamos tão aflitivamente. Uma análise experimental do comportamento oferece vantagens semelhantes. falamos de coisas que não podemos observar ou medir com a precisão exigida por uma análise científica e. Uma pessoa é responsável por seu comportamento não apenas no sentido de que pode ser merecidamente culpada ou punida ao se comportar mal. e que problemas surgem quando o conhecimento científico começa a ser relevante nesta luta? Respostas a estas questões podem ajudar a esclarecer o caminho para a tecnologia. Pelo contrário. tão adiantada quanto a física e a biologia. A ciência do comportamento humano não está – de modo algum –. decidido e responsável. Entretanto. e o que afirmam não pode ser “provado”.. Uma simples interpretação será suficiente. e as práticas tradicionais não mais se justificam. A isenção pessoal de um completo determinismo é revogada à medida em que a análise científica progride. desafiá-los. ou que as circunstâncias da vida de um suicida não têm qualquer ligação com o fato de se atirar de uma ponte. teremos muito a lucrar com o uso de termos e princípios desenvolvidos em condições mais precisas. a geada na vidraça assume um aspecto incomum. Podemos rejeitar as explicações tradicionais caso tenham sido testadas e se mostrem deficientes face a uma análise experimental e assim . sociólogos e psicólogos utilizaram seus conhecimentos especializados para provar que o homem é livre. para o ambiente. Quem é que estrutura o controle do ambiente e com que finalidade? Presume- se que o homem autônomo se autocontrole de acordo com um padrão intrínseco de valores: trabalha pelo que considera bom. Pelo fato de questionar o controle exercido pelo homem autônomo e por demonstrar o controle exercido pelo ambiente. Há uma terceira fonte de problemas. podemos mais facilmente localizá-los num contexto mais amplo. A distinção será mantida enquanto a palavra “compelir” sugerir uma forma de controle particularmente conspícua e coercitiva. se este nos parecer proveitoso. lemos que centenas de pessoas morrerão em acidentes de trânsito num fim de semana e nos dirigimos às estradas como se estivéssemos isentos disso. assim. apresenta uma claridade estranha. e infelizmente se tornaram mais críticos à medida que o poder da tecnologia do comportamento se torna mais adequado aos problemas a serem resolvidos. a de lançar alguma luz sobre suas próprias dificuldades. dizendo: eles não têm “os fatos”. principalmente em explicar satisfatoriamente o comportamento do indivíduo. Trata-se de mudanças revolucionárias e os que estão comprometidos com teorias e práticas tradicionais naturalmente resistem a elas. a natureza dessa interpretação é facilmente mal compreendida. não importando o fascínio que possam exercer. O mar. Uma pequena parte da ciência do comportamento levanta a assim chamada questão do “espectro do homem predizível”. mas tem uma vantagem. mas muitos dos seus seguidores não hesitam em garantir a seus pacientes que são livres para escolher cursos diversos de ação e que. a sopa deixa de engrossar no fogão e os especialistas nos dizem o porquê disso tudo. A análise científica transfere os elogios. assim fazendo.nem afetam a todos da mesma maneira. Podemos. O que ocorreu na luta do homem pela liberdade e dignidade. A análise científica caminha naturalmente para o esclarecimento de todas as espécies de relações de controle. Podemos identificar aspectos significativos do comportamento e do ambiente e. afinal de contas. A mesma mudança que trouxe uma certa esperança de solução é responsável pela crescente oposição ao tipo de solução proposta. À proporção que a ênfase recai no ambiente. a dignidade e os valores são os problemas principais. Quando observamos os processos de comportamento sob condições controladas. Mas ele dificilmente pode querer dizer que os que vão à praia não vão por boas razões. esses problemas são discutidos “de acordo com um ponto de vista científico”. portanto. no crepúsculo. mas também no sentido de que é reconhecida e admirada por suas realizações. muitos antropólogos. mas mesmo assim têm mais chances de estarem certos do que aqueles cuja base experimental é deficiente. bem como as culpas. o que não significa que o leitor precise conhecer as minúcias de uma análise científica do comportamento. Freud foi um determinista – de fato. A ciência é comportamento humano e também o é a oposição à ciência. são os arquitetos do seu próprio destino. A liberdade. se não pela evidência –. parece que o indivíduo se expõe a um novo tipo de perigo.. ainda que nem eu nem vocês sejamos compelidos a fazê-lo”. a ciência do comportamento parece também questionar a dignidade ou valor do ser humano. Esta válvula de escape se estreita lentamente à medida que se descobrem novas evidências da previsibilidade do comportamento humano. Joseph Wood Krutch reconheceu os fatos atuariais ao mesmo tempo em que insistiu na liberdade individual: “Poderemos predizer com um considerável grau de segurança quantas pessoas irão à praia num dia em que a temperatura atingir um certo ponto. realmente. Este efeito é em si mesmo um problema de comportamento humano e pode ser abordado desta forma. Alguns historiadores transformaram a imprevisibilidade da história em uma virtude. Com freqüência. Os dados estatísticos são facilmente ignorados. Mas o que o suposto controlador considera bom também o será para quem ele controla? Naturalmente que responder a este tipo de questão implica julgamento de valores. e mesmo quantos se atirarão de uma ponte. e só eles poderão nos dizer como caminharmos para um estudo mais preciso. No que se segue. ser capazes de abandonar os insignificantes.

Os subsídios para isto se encontram na análise básica. Os exemplos de comportamentos citados a seguir não são apresentados como “prova” da interpretação. Isso implica também no levantamento de indagações referentes a “valores”. Isto se deve ao fato de que o inglês. mas os problemas são importantes para o não-especialista e precisam ser entendidos de uma forma não-técnica. . que estão fortemente enraizados. está repleto de termos pré-científicos geralmente suficientes para o propósito de uma conversa informal. FIM. Pode parecer contraditório pedir ao leitor que “fixe sua mente num assunto” ao mesmo tempo em que lhe é dito que a mente é apenas uma ficção explicativa. O papel da seleção natural na evolução foi formulado há pouco mais de cem anos. e a função seletiva do ambiente na modelagem e manutenção do comportamento do indivíduo está apenas começando a ser reconhecida e estudada. em vários momentos. a tecnologia do comportamento continuará a ser rejeitada e. Uma dificuldade é que quase tudo que é denominado de ciência do comportamento continua a vincular o comportamento humano a estados de espírito. natureza humana e assim por diante. sentimentos. São propriedades do homem autônomo. se a idéia é simplesmente um precursor imaginado do comportamento. com ela. quando o significado disso tudo é alterar seu comportamento com relação a esta ciência. e essenciais às práticas nas quais uma pessoa é responsabilizada por sua conduta ou elogiada por suas realizações. importante. A liberdade e a dignidade ilustram a dificuldade. sentimentos e traços de caráter começam a se vincular a condições acessíveis. As ciências do comportamento têm se transformado lentamente em parte porque as entidades explicativas com freqüência parecem ser diretamente observáveis e também pelo fato de ser difícil encontrar outras espécies de explicação.avançarmos em nossa investigação com acentuada curiosidade. O ambiente é. os efeitos anteriores atribuídos a estados mentais. e as alternativas técnicas são muito menos familiares. A língua inglesa contém muito mais expressões referentes ao comportamento humano do que a outros aspectos do mundo. se for necessário. o emprego de expressões casuais poderá com maior possibilidade ser contestado. mas seleciona e essa função é difícil de ser percebida e analisada. possivelmente o único caminho para resolvermos nossos problemas. mas as interpretações aceitáveis não estão fora do nosso alcance. ou que “considere a idéia de liberdade”. É possível que o leitor. pois. Entretanto ela não resolverá nossos problemas até superarmos os pontos de vista pré- científicos. Não impulsiona nem puxa. sinta o texto contraditório. sem dúvida. como “o nascer do sol”. Pois seria ridículo insistir em que ele sempre dissesse que o sol surge no horizonte quando a terra gira ou que as estrelas se tornam visíveis quando a atmosfera deixa de refratar a luz solar. ou falar de “tranqüilizar os que temem uma ciência do comportamento”. Sem dúvida muitas das expressões mentalistas inseridas na língua inglesa não podem ser interpretadas rigorosamente. traços de caráter. da teoria tradicional. Quem usará a tecnologia e com que finalidade? Até que esses problemas sejam resolvidos. Ninguém encara um astrônomo com desdém quando diz que o sol se levanta ou que as estrelas saem à noite. Tudo o que pedimos é que dê uma interpretação mais precisa. Quase todos os nossos problemas principais abrangem o comportamento humano e não podem ser resolvidos apenas com a tecnologia física e biológica. Por esta razão. É necessária uma tecnologia do comportamento. surge. A física e a biologia já seguiram práticas similares e somente se desenvolveram quando as descartaram. a possibilidade de uma tecnologia do comportamento. A análise científica transfere tanto a responsabilidade quanto a realização para o ambiente. mas temos sido morosos no desenvolvimento de uma ciência da qual se poderia extrair essa tecnologia. Os princípios empregados na interpretação dos exemplos encerram uma certa plausibilidade que faltaria a princípios extraídos inteiramente da observação casual. mas seu papel tem permanecido obscuro. Este livro poderia ter sido escrito para um leitor técnico sem expressões desse tipo. À medida que a interação entre o organismo e o ambiente começa a ser entendida. como todas as línguas.