TEORIA DAS FALHAS

quando o engenheiro prepara o projeto para um determinado carregamento. . mas já analisando o qual tipo de material empregado na obra estabilizando dessa forma e estipulando um limite superior para o estado de tensões definindo a falha do material. Assim. Outro fator contribuinte para o dimensionamento estrutural seriam os modos de falha que são prontamente definidos se o elemento estiver submetido a um estado de tensão uniaxial. Na prática da engenharia estudam-se quatro teorias para prever a ruptura de um material submetido a um estado multiaxial de tensões. sendo caracterizado como dúcteis ou frágeis. Utilizam-se estas teorias para se calcular as tensões admissíveis descritas em muitas normas de projeto. como no caso de tensão simples. o critério para ruptura fica mais difícil de estabelecer. Caso o elemento esteja submetido a estados de tensão biaxial ou triaxial.1 INTRODUÇÃO Elementos estruturais e seus componentes são dimensionados e projetados de acordo com o material corresponde a sua estrutura.

2 REFERENCIAL TEÓRICO A falha do material varia de acordo com a cada característica de rigidez do corpo. formam o próprio material. por meio de experimentos. .1 Teoria da Tensão de Cisalhamento Máxima ou Critério do Escoamento de Tresca O caso mais comum de escoamento de um material dúctil é o deslizamento que ocorre ao longo dos planos de contato dos cristais que. formam o próprio material. Temos dois grandes subgrupos para melhor classificação: materiais dúcteis e frágeis. biaxial. geralmente a falha será especificada pelo início do escoamento. aleatoriamente ordenados.1 MATERIAIS DÚCTEIS O caso mais comum de escoamento de um material dúctil. como o aço. 2. Se o material for dúctil. triaxial) determinando assim as tensões admissíveis. ela será especificada pela fratura. se confeccionarmos um corpo de prova com uma faixa estreita com o alto polimento e submeter a um teste de tração simples. se for frágil. Na Figura 1. assim comprovará a tensão provoca pelo escoamento devido ao material em estudo.1. Esse deslizamento deve-se a tensão de cisalhamento. é o deslizamento que ocorre ao longo dos planos de contato dos cristais que. Essa teoria poderia ser comprovada. Levando em consideração as forças externas envolvidas em cada peça (tensões uniaxiais. aleatoriamente ordenados. expõem ilustradamente esse teste. 2.

Escoamento do aço Fonte: (Salete Buffoni. Considerando-se um elemento do material tirado de um corpo de prova para um ensaio de tração. A tensão de cisalhamento máxima é determinada a partir do círculo de Mohr apresentado na Figura 2.b. como apresenta a Figura 2. Figura 1 . e as linhas apresentadas na Figura 1 demonstram os planos de deslizamento. submetido apenas ao limite de escoamento σE.a. que ocorrem a aproximadamente 45º do eixo da faixa altamente polida. SD) Geralmente o escoamento de um material dúctil é o aço. Assim temos que: 𝜎𝐸 𝜏 𝑚á𝑥 = (1) 2 .

ocasionando o escoamento do material submetido a somente uma tensão axial. em 1868.c. Assim. a tensão de cisalhamento máxima deve ser menor ou igual à tração simples aplicada na estrutura. Porém. Figura 2 . propõe uma ideia a qual prevê em um material dúctil sobrecarregado com qualquer tipo de carregamento uma tensão de falha. Esses planos coincidem com a orientação das linhas de Lüder. Henri Tresca. apontando a ruptura decorrente do cisalhamento por consequência da falha dos materiais dúcteis. No caso de duas tensões principais no plano possuírem o mesmo sinal. SD) Nos planos de tensão principal. ambas forem tração ou compressão. isso é aplicado nos casos em que a tensão principal fora do plano for zero. é necessário colocar a tensão de cisalhamento em função com as principais tensões. de acordo com a Figura 2. isto é. . a falha tem como característica acontecer fora da superfície aplicada. A tensão de cisalhamento máxima absoluta do escoamento do material tem início quando o valor da tensão de cisalhamento atinge um valor máximo. Para o estudo.Elemento de um material tirado de um corpo de prova Fonte: (Salete Buffoni. a tensão de cisalhamento atua no plano de 45°. Para evitar à ruptura.

SD) Caso um material esteja sujeito a um estado de plano de tensões e suas principais tensões no plano exibirem as coordenadas (σ1. Figura 3 . (2) e (3).Critério de Tresca Fonte: (Salete Buffoni. . a falha irá acontece no plano e tem-se que: σ max−σ min τ max = (3) 2 Com a equações (1). Temos assim: 𝜎 𝑚𝑎𝑥 𝜏 𝑚𝑎𝑥 𝑎𝑏𝑠 = (2) 2 Caso as tensões principais possuírem sinais opostos. σ2) apontada no limite ou fora a área sombreada hexagonal. a teoria da tensão de cisalhamento máxima para o estado plano de tensões expõem para qualquer tensão principal no plano com σ1 e σ2 de característica de acordo com as seguintes fundamentações: |𝜎1| = 𝜎𝐸 𝜎1 𝑒 𝜎2 𝑡𝑒𝑚 𝑠𝑖𝑛𝑎𝑖𝑠 𝑖𝑔𝑢𝑎𝑖𝑠 { |𝜎2| = 𝜎𝐸 𝜎1 𝑒 𝜎2 𝑡𝑒𝑚 𝑠𝑖𝑛𝑎𝑖𝑠 𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜𝑠 {|𝜎1 − 𝜎2| (4) Um gráfico dessas equações é apresentado na Figura 3. o material tende a falha.

σ. 1 1 1 𝑢= 𝜎1𝜀1 + 2 𝜎2𝜀2 + 𝜎3𝜀3 (6) 2 2 Caso o material se comporte de maneira linear elástica aplica-se a lei de Hooke. no qual uma desempenha a energia mínima para a realização de alguma alteração no volume. a energia em cada ponto do volume do material é denominada como densidade de energia de deformação sujeita a uma tensão uniaxial. Com base na figura 4. Hencky Quando um material deformado por um carregamento externo propende a guardar a energia internamente em todo o conjunto do seu volume.a. substituindo a equação: 1 𝜀𝑥 = [𝜎𝑥 − 𝑣 (𝜎𝑦 + 𝜎𝑥 )] 𝐸 1 𝜀𝑦 = 𝐸 [𝜎𝑦 − 𝑣 (𝜎𝑥 + 𝜎𝑧)] (7) 1 𝜀𝑧 = [𝜎𝑧 − 𝑣(𝜎𝑥 − 𝜎𝑦)] 𝐸 Na equação (6) e simplificando obtemos: 1 𝑢 = 2𝐸 [𝜎12 + 𝜎22 + 𝜎32 − 2𝑣(𝜎1𝜎2 + 𝜎1𝜎3 + 𝜎2𝜎3)] (8) A densidade de energia de deformação é a soma de duas partes. . Assim. σ2 e σ3.1.2.2 Teoria de Energia de Distorção Máxima. descrita como: 1 𝑢 = 2 𝜎𝜀 (5) Este método de falha apoia-se nas distorções ocasionada pela energia deformação. a densidade de energia de deformação em um elemento de volume do material subordinado ás três tensões principais σ1. Critério de Von Misses e H.

(σ2 − σmed) e (σ3 − σmed). em 1904. A energia de distorção é resultante do restante das tensões (σ1 − σmed). M.b. Já a segunda simboliza a energia necessária para distorcer o elemento.Deformação de um elemento de volume do material Fonte: (Salete Buffoni.porém sem mudar a forma do elemento. apresentada na Figura 4. uma vez que as deformações principais provocam tensão na peça. Huber. Sabendo disso. a qual foi definida a energia de distorção por unidade de volume do material é igual ou maior que a energia de distorção por unidade de volume do mesmo material quando ele é submetido a escoamento em um teste de tração simples. . Figura 4 . propôs uma teoria.c. apresentada na Figura 4. A energia armazenada tem como característica própria a mudança de volume do elemento como a mudança de volume provocada pela aplicação da tensão principal média σmed = (σ1 +σ2 +σ3)/3. SD) Os experimentos demonstram que os materiais quando sujeitado a uma tensão uniforme (hidrostática) não escoam igual a σmed.

significa que houve uma falha no material. σ1 =σE. SD) Se em um local pontual do material estiver tracionado. σ3 = 0 e assim. temos a seguinte função: 1+𝑣 𝑢𝑑 = [(𝜎1 − 𝜎2)2 + (𝜎2 − 𝜎3)2 + (𝜎3 − 𝜎1)2 ] (9) 6𝐸 No caso do estado plano de tensões. nessa ordem na equação (8). σ2 e σ3 por (σ1 − σmed) . σ2 =σ3 =0 e assim: 1+𝑣 (𝑢𝑑 )𝐸 = 𝜎𝐸² (11) 3𝐸 Como a teoria da energia de distorção máxima requer que ud = (ud)E. . Figura 5 .Critério de Von Misses Fonte: (Salete Buffoni. σ2) nos pontos de limite ou fora da área sombreada. 1+𝑣 𝑢𝑑 = [𝜎12 − 𝜎1𝜎2 + (𝜎2)2 ] (10) 3𝐸 Em um teste de tração uniaxial. deixando as coordenadas da tensão (σ1. então temos que: 𝜎1² − 𝜎1𝜎2 + 𝜎2² = 𝜎𝐸² (12) A equação (12) está representada graficamente através da curva da Figura 5. Permutando o σ1. (σ2 − σmed) e (σ3 − σmed). Essa comparação pode ser apresentada na imagem a seguir.

b. geralmente está a 45° da direção do cisalhamento. apresenta a falha durante a presença da tração.2 MATERIAIS FRÁGEIS 2. O plano de fratura do elemento. Na figura a seguir (Figura 7). 2. as duas teorias resultam no mesmo valor quando as tensões principais em questão são iguais. demonstrando na Figura 7. A superfície da fratura tem como característica ser helicoidal.Comparação entre os métodos Fonte: (Salete Buffoni. Figura 7 . SD) Embasado nesse teorema deduz que.Falha de materiais frágeis . Figura 6 .1 Teoria da tensão normal máxima – W. No ensaio de torção o local no qual a tração máxima ocorre resulta na fratura do material.2. assim a fratura atinge o limite de resistência (σr). Rankine Nos materiais frágeis a falha tende ocorrer por uma fratura sem escoamento aparente.

Fonte: (Salete Buffoni. tem que obedecer tais critérios. no qual compreende um ensaio de tração uniaxial. realizam-se três ensaios no material. no qual as propriedades de tração e compressão são diferentes.Teoria da tensão máxima Fonte: (Salete Buffoni. . SD) 2. compressão uniaxial utilizadas para determinar os limites de resistência a tração (σr)t e a compressão (σr)c. Assim. SD) No decorrer da experiência conclui-se que a tensão de tração necessária para a falha de um corpo em um teste de torção é próximo da necessária na fratura de um corpo de prova sob uma força de tração simples. o material esteja submetido ao estado plano de tensões tem-se que: |𝜎1| = 𝜎𝑟 |𝜎2| = 𝜎𝑟 (13) A imagem a seguir tem como característica a representação gráfica da equação 13.2 Critério de Falha de Mohr O critério de Falha de Mohr prevê a falha do material. Assim. σ2) em um ponto do material fora da área sombreada. Em um material frágil a falha ocorre quando a tensão principal máxima σ1 atingir o valor correspondente a resistência que o material aguenta submetida a uma tração simples. verificando através da Figura 8. ressaltando que essa teoria é valido para materiais frágeis sob uma força de tração sobre compressão. verificando a coordenada da tensão (σ1. Figura 8 . Para se aplicar a falha de Mohr. supondo que o material ir sofrer a fratura.2.

Critério de falha de Mohr Fonte: (Salete Buffoni. SD) No círculo A representa a situação de tensão σ1 = σ2 = 0. σ2 = σ3 = 0 e o círculo C representa a condição de cisalhamento puro provocada pelos três círculos contidos em um envelope de falha indicado pela curva extrapolada desenhada tangencialmente a eles. Figura 9 .Critério de falha de Mohr Fonte: (Salete Buffoni. no círculo B representa a condição de tensão σ1 = (σr)t. Outro ensaio necessário para execução da análise de torção o limite de resistência ao cisalhamento do material. O círculo de Mohr é construído para cada uma dessas situações. Caso o círculo tiver um ponto de tangencia com o plano de tensões ou se estender por meio dessa superfície não ocorrerá à falha. representada na figura 9. Na Figura 10. o gráfico das tensões principais σ1 e σ2 (σ3 = 0). Dessa forma. o estado de tensão em um ponto é estabelecido pela coordenada da tensão. SD) . ou sua localização no entorno dela. Figura 10 . σ3 = − (σr)c. A falha ocorre quando o valor absoluto de qualquer uma das tensões principais atingem um valor igual ou maior que (σr)t ou (σr)c.

como exemplos vazios. pois a fratura por tração que se sucede do seu início dependendo das concentrações de tensões com desenvoltura nas imperfeições do material. variando de acordo com qual tipologia do corpo para corpo. . Esse critério é bastante limitado. superfícies pequenas e micro trincas.

eng. Disponível em:<http://www. Critério de Von Mises e critério de resistência: exercícios resolvidos.br/rm4/Cap_2_criterios.pdf>. SD.tudoengcivil. Salete.professores. . LIMA.uerj. Critérios de falhas. 2015. Luciano Rodrigues Ornelas de. Disponível em:<http://www. Acesso em: 08 nov. Acesso em: 08 nov.html>.uff. SD. Acesso em: 08 nov.com.br/2015/07/criterio-de-von-mises-criterios-de. 2015. Critérios de Resistência: escoamento/plasticidade e ruptura.br/salete/res1/aula141.labciv.pdf>. 2015.3 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO BUFFONI. AUTOR DESCONHECIDO. SD. Disponível em:<http://www.