Fichamento – Ferran Tamarit GOLDENBERG, Mirian.

Pesquisa Qualitativa em Ciências Sociais

Referência GOLDENBERG, Mirian. “Pesquisa Qualitativa em Ciências Sociais”. In: A arte de pesquisar:
Bibliográfica como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. 8ª Ed. [1997]. Rio de Janeiro: Record,
2004, p. 16-24.
Resumo Goldenberg (2004) aborda o debate entre o paradigma positivista e o paradigma compreensivo
em relação às técnicas e métodos qualitativos de pesquisa. Realiza um percurso por algumas
das principais propostas teórico-metodológicas desenvolvidas nas Ciências Sociais, desde sua
formação no século XVIII até a época atual. O denominador comum da pesquisa qualitativa
seria sua definição oposta aos postulados positivistas e a afirmação que “as ciências sociais
têm sua especificidade, que pressupõe uma metodologia própria” (p.17).
Questões centrais
Paradigma Fundado por Augusto Comte (1798-1857) em base à unidade e hierarquização sequencial das
positivista ciências sobre “critérios de abstração, complexidade e relevância prática” (p.17). A pesquisa
deve ser neutra e objetiva e atender ao fim de descobrir regularidades ou leis sem interação do
pesquisador.
Émile Durkheim (1858-1917) considerava os “fatos sociais como coisas” e afirmava que “o
fenômeno social, como o fenômeno físico, é independente da consciência humana e verificável
através da experiência dos sentidos e da observação” (p.17).
Paradigma Nascido na segunda metade do século XIX como movimento crítico ao modelo positivista nas
Compreensivo ciências sociais. Influenciado pelo idealismo kantiano e o historicismo alemão, propõe uma
distinção entre “natureza” e “cultura” e abordagens metodológicas específicas para o estudo da
realidade social.
Wilhelm Dilthey (1833-1911) acreditava que “os fatos sociais não são suscetíveis de
quantificação, já que cada um deles tem um sentido próprio” (p.18). Diferenciou o método das
ciências naturais (erklaren), que “busca generalizações e descoberta de regularidades” do
método das ciências sociais (verstehen), que “visa à compreensão interpretativa das
experiências dos indivíduos dentro do contexto em que foram vivenciadas” (p.19).
Max Weber (1864-1920) defendia que “o principal interesse da ciência social é o
comportamento significativo dos indivíduos engajados na ação social”. Os cientistas sociais são
simultaneamente “sujeito e objeto de suas pesquisas” e seu objetivo deve ser a compreensão
das ações sociais “dentro de um contexto de significado” (p.19).
Antropologia Entre finais do século XIX e inicio do século XX, a Antropologia Evolucionista estava focada no
Evolucionista estudo das chamadas sociedades “simples” ou “primitivas” (caracterizadas como “sociedades
sem escrita, longínquas, isoladas, de pequenas dimensões, com reduzida especialização das
atividades sociais”). Dentro desta corrente surgiu uma tendência contraria a chamada
“antropologia de gabinete”, que priorizava o convívio com os nativos (p.20).
Autores como Lewis Henry Morgan, Franz Boas e Bronislaw Malinowski, instituíram o trabalho
de campo e a “ideia de que os antropólogos deveriam passar um longo período de tempo na
sociedade que estão estudando para encontrar e interpretar seus próprios dados” (p.20).
Antropologia As principais contribuições de Franz Boas, além da crítica frontal ao evolucionismo, foram o
Cultural desenvolvimento da metodologia de trabalho de campo e do conceito de “relativismo cultural”
Americana segundo o qual “o pesquisador deveria estudar as culturas com um mínimo de preconceitos
etnocêntricos”. Ambos conceitos situaram o objetivo da antropologia na compreensão da “vida
do individuo dentro da própria sociedade em que vive” (p.21). Foi também precursor da
chamada antropologia cultural americana e formou influentes antropólogos como Ralph Linton,
Ruth Benedict e Margareth Mead.
Funcionalismo Na obra Argonauts of the Western Pacific (1922), Bronislaw Malinowski propõe “compreender
“de dentro” o significado das lógicas particulares características de cada cultura” a partir da
observação participante, na qual “o pesquisador, a través de uma estada de longa duração,
deve [...] viver, falar, pensar e sentir como os nativos”. Esta obra representa uma verdadeira
“ruptura metodológica”. Nela propõe que estudando as sociedades “primitivas” (respondendo as
perguntas “o que os nativos dizem sobre o que fazem? O que realmente fazem? O que pensam
respeito do que fazem?”) poderíamos compreender melhor a sociedades “complexas” (p.21-22).
O funcionalismo entende que “cada cultura tem como função a satisfação das necessidades
básicas dos indivíduos que a compõem” e que o fato social deve ser analisado “do ponto de
vista das relações de interdependência que ele mantém, sincronicamente, com outros fatos
sociais no interior de uma totalidade” (p.21).
Antropologia Surgida na década de 1970 nos EUA. Destaca Clifford Geertz, o qual propunha um “modelo de
Interpretativa e análise cultural hermenêutico” a partir de uma “descrição em profundidade (“descrição densa”)
Pós-interpretativa das culturas como “textos” vividos, como “teias de significados” que devem ser interpretados”.
Assim, considera os “textos” antropológicos “ficções” construídas (não falsas ou inventadas),
levando ao questionamento do papel do antropólogo e sua posição como autor no texto (p.23).
A partir de sua proposta surgiu à antropologia reflexiva ou pós-interpretativista, a qual discute a
legitimidade do trabalho antropológico e propõe que “o resultado da pesquisa não seja fruto da
observação pura e simples, mas de um diálogo e de uma negociação de pontos de vista, do
pesquisador e pesquisados” (p.24).

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