A R T I G o

Osmose e Empolamento
de Laminados
Resumo - Este trabalho explica as causas das bolhas de água na interface gelcoat-Iaminado. Oconhecimento das
causas deste fenômeno toma fácil e óbvia acompreensão das medidas preventivas. São apresentadas duas sugestões
inéditas, não mencionadas pela literatura especializada que trata desse assunto. Em primeiro lugar o autor discorda da
afirmação quase unânime de ser a hidrólise do poliéster aprincipal causa do problema. Em segundo lugar, é sugerido o
uso de escamas de vidro no gelcoat para reduzir sua permeabilidade eretardar o fenômeno de OSMOSE.
1- Oproblema de bolhas de água em laminados pode ser reduzido significativamente combinando boas técnicas de
laminação com escamas de vidro no gelcoat.

Antonio Carvalho Filho

Os equipamentos de Fiberglass em contato prolongado Afinal, a literatura sobre resinas poliéster sempre foi unâ-
com solventes, especialmente água, podem desenvolver nime em afirmar amaior resistência àhidrólise das resinas
bolhas na interface do laminado interno com o intermediá- iso em comparação às orto.
rio. Essas bolhas são causadas por osmose, fenômeno no Hidrólise, como sabemos, significa decomposição pela
qual as moléculas do solvente atravessam o laminado in- água. Assim, a hidrólise do poliéster implica na decompo-
terno ese acumulam em falhas de laminação presentes na sição das ligações éster, regenerando as moléculas origi-
interface entre ele e o laminado intermediário. Esse fe- nais de glicol e diácido usadas para sintetizá-lo. A hidróli-
nômeno é muito conhecido, se manifestando com grande se dos poliésteres libera glicollivre, solúvel em água eca-
intensidade em reservatórios, cascos de embarcações e paz de formar bolhas (Fig. 1).
piscinas em contacto prolongado com água. Em menor es- Essa reação acontece à temperatura ambiente, porém
cala esse problema ocorre também em revestimentos e com velocidade muita baixa, que dificilmente explicaria o
equipamentos em presença de soluções aquosas ou ou- fenômeno das bolhas nos laminados. Estudos recentes in-
tros solventes. dicam que a hidrólise dos poliésteres à temperatura am-
biente somente tem importância após 10-11 anos de imer-
oQUE ÉOSMOSE são. Ésabido, contudo, que as bolhas de água se manifes-
tam nos laminados muito antes disso, com cerca de 2-3
Oconhecimento detalhado do mecanismo de osmose anos de imersão. Portanto, a hidrólise do poliéster não
em laminados sugere as medidas preventivas para minimi- pode ser causa das bolhas observadas.
zar oproblema. Os primeiros estudos do assunto levaram à Ofato éque existem nos laminados outras substâncias
suspeita de que as bolhas poderiam ser causadas por "ina- hidrosolúveis, como excesso de glicol eácido livre presen-
dequação do laminado interno". Posteriormente foi deter- tes no poliéster, além de impurezas no tratamento superfi-
minado que esse problema teria várias causas e manifes- cial das fibras de vidro, catalisador eacelerador. A presen-
tações que otornam extremamente complexo. ça dessas moléculas solúveis em água explica ofenômeno
Quando a osmose foi estabelecida como explicação de osmose e o aparecimento das bolhas sem necessaria-
para as bolhas, foi sugerido também que ahidrólise do po- mente admitir a hidrólise da resina. Portanto, mesmo se
liéster era a principal fonte das substâncias solúveis em existisse um poliéster absolutamente não hidrosolúvel, as
água, necessárias para formar acélula osmótica que origi- bolhas ainda poderiam ocorrer devido a presença de ou-
nava as bolhas. Afinal, era necessário explicar de onde vi- tras substâncias solúveis em água no laminado.
nham essas substâncias hidrosolúveis eofato das resinas A osmose pode ser entendida da seguinte maneira. As
isoftálicas apresentarem menor incidência de bolhas que moléculas de uma solução qualquer estão em permanente
as ortoftálicas, levou os primeiros pesquisadores asugerir movimento, chocando-se umas com as outras com energia
a hidrólise do poliéster como origem destas substâncias. que aumenta com atemperatura. Quanto maior atempera-

Antonio Carvalho Filho - Owens Coming Fiberglas Ltda - São Paulo - Tel. 240-7900

44 Polímeros: Ciência e Tecnologia - Nov/Dez-91

móstico depende de: cipiente A. ~n éadiferença de concentração de solvente na membra- lução A é mais concentrada que a B. po. Nesse caso não ocorre mudan.nb rém. nas moléculas de solvente. Ocoeficiente de gue até que as duas concentrações se igualem e os fluxos difusão C(T) aumenta com a temperatura causando incre- se equilibrem. mesma temperatura são separadas por uma membrana Oequilíbrio osmótico não acontece instantaneamente. Membrana Semipermeável fluxos de solvente ainda permanecem nos dois sentidos. A partir do momento em que as soluções são colocadas em comunicação. Quanto maior vel nos dois recipientes éconhecida como pressão osmóti. A permeabilidade da membra- barrando a passagem do soluto. sepa.2. Q= C(T). semipermeável. B porém. brana por unidade de tempo eárea. Os fluxos do As moléculas de soluto não passam pela membrana por- solvente através da membrana são iguais ea pressão osmótica não que têm grandes dimensões. membrana pode ser quantificada por: vente são iguais nos dois sentidos. tfj Cone. Membrana semipermeável é aquela que Ofluxo de solvente pode ser lento edemandar dias ou me- deixa passar apenas as moléculas do solvente (pequenas) ses para atingir oequilíbrio. Suponhamos a situação mostrada na Fig. a quantidade de solvente que atravessa a em A que em Beofluxo é. B Temp. mais longo o tempo para ser atingido o ca e no ponto de equilíbrio éexpressa por equilíbrio osmóstico. portanto. 2 . maior a movimentação das moléculas. 3 . menor o tempo. Essa afirma.As soluções A e Btêm a mesma concentração. tavam no mesmo nível. • Espessura da membrana semipermeável. oque não éocaso das peque- se manifesta. ~P = (na . na . variação'de pressão nos recipientes onde Qé a quantidade de solvente que atravessa a mem- e ofenômeno deosmose não é percebido.maior membrana por unidade de área e tempo é inversamente de Bpara A. ~n ~x permanece inalterado. função da temperatura. No equilíbrio a pressão em A émaior que em Bporque houve passagem de solvente de Bpara A através da membrana semipermeável. A radas pela membrana semipermeável. A taxa de passagem de solvente pela ça na concentração das soluções porque os fluxos de sol.A>B Poliéster hidrolisado Glicollivre Fig. iente A até as concentrações se igualarem e os fluxos se equili- ção é válida tanto para as moléculas do solvente como brarem. Ré a célebre constante dos gases e T é a temperatura absoluta. Nesse caso. medida pelo desní. exis. diferença de concentração das soluções. Quanto maior esse coeficiente. elevando o nível do recip- tura. Oexcesso de solvente transferido de B para A eleva o Assim.apenas por essa razão . onde duas onde na e nb são as concentrações molares originais das soluções com o mesmo solvente. Onível do recipiente A Q=C(T). Molécula de poliéster + Conc.nb) RT • Coeficiente de difusão da membrana. como Cone.. essa espessura. ocorre maior passagem de solvente de Bpara A. difusão do material da membrana.Hidrólise do poliéster. Fica então claro que quando acontece o equilíbrio os . A = Cone. Membranas absolutamente Polímeros: Ciência e Tecnologia . A '" Temp. proporcional à sua espessura ediretamente proporcional à rência de solvente de Bpara A. 1 . B. Essa transferência prosse. como também o do recipiente B Não existe. Esse desiquilíbrio de fluxos resulta na transfe.Nov/Dez-91 • 45 . eles se igualam eapressão osmótica deixa de aumentar. ~ P éa pressão osmótica. para as do soluto. mentos equivalentes na permeabilidade da membrana. Essa diferença de pressão. 3. que a constitui. otempo requerido para ser atingido oequilíbrio os- nível da solução A significando aumento de pressão no re. ofluxo de solvente equação acima pode ser integrada para: tem início de A para B e no sentido contrário.Ao serem colocadas em comunicação. Ocorre. as duas soluções es- Fig. sem passagem de soluto. espessura da membrana tem menos moléculas de solvente por unidade de volume Portanto. com liberação de glicol. A >Cone. mesma concentração e soluções A e B. ao ser atingida a igualdade de concentrações nas duas soluções. sendo função solução A e dessa para aquela. na é expressa pela quantidade de solvente que a atraves- As moléculas do solvente passam da solução Bpara a sa por unidade de tempo e unidade de área. na correspondente ao incremento de espessura ~x. que como a concentração da solução A é maior. C(T) éocoeficiente de Vejamos agora asituação mostrada na Fig. Fig. onde aso. sendo o fluxo de A para B da sua espessura e do coeficiente de difusão do material igual ao fluxo de Bpara A.

Temperatura da Água Tempo para Formação de Bolhas ção B. Orestante do laminado constitui a 100° e 2dias parede do recipiente A. As moléculas que não incidem nas falhas de A osmose em laminados ocorre da seguinte maneira: laminação existentes na interface (recipiente A) atraves- As moléculas de solvente passam através do laminado sam o laminado estrutural. pode ser exemplificado pela tabela abaixo: móticas nas condições mostradas na Fig. nor esse coeficiente. com o laminado interno.25 mm e 2. Quanto maior a espes- solvente que atravessa amembrana escapa por suas pare. elas também escapam pela parede do recipiente A.Falha de laminação (oclusão de ar) na interface Voltando à Fig. não se acumulando nele. nados internos com 0.Laminado interno dualmente. no equilíbrio. corresponde à membrana 20 0 e 2anos semipermeável. solubilizando substãncias ali encontradas. As so. menor ataxa de permeação. uma célula osmóstica exige também. não é impermeável ao solvente. Parede do recipiente A .Formada pelo laminado intermediário e estrutural. Porém. conforme sabemos. Olaminado interno. quando é grande a Solução B. sendo igual azero quando na =nb· Recipiente A . se conseguirmos leva para chegar aos locais de formação da célula osmóti- reduzir a permeabilidade da membrana de modo que oflu. Esse fato éusa- do em laboratório para reduzir otempo dos ensaios de ava- liação de membranas. Para água. po que essas moléculas passam de Bpara A. Orecipiente B éconstituído pelo próprio equipamento que contém asolu. após 350 horas e 1500 horas respectivamente para lami- ca não acontece. Quanto mais alta atemperatura. como sabemos. Isso explica porque água desmineralizada é extre- mamente prejudicial aos laminados de Fiberglass e água do mar não étão agressiva quanto água doce. da solução armazenada. As soluções Fig. A redução da para sua existência. Portanto. Essa parede. solvente que escapa pela parede de A for maior que a que b) Coeficiente de difusão do laminado interno. mais tempo osolvente des. mas apenas em mipermeável. mais lenta é a passagem e mais lon- te em A. B) atividade motriz das moléculas de solvente emenor otem- po requerido para ser atingido oequilíbrio. se acumulam nelas. do contato dela com as soluções A e B. sendo eventualmente dissipa- interno a uma taxa que depende de: das do lado oposto. um ambiente confinado A cujas pare. são direta. vamos analisar oque aconteceria se a do la minado interno com o laminado intermediário. • Temperatura. Quanto mais elevada atempe- CÉLULA OSMÓTICA EM LAMINADOS ratura. Quanto maior a concentração laminação. taxa de passagem do solvente pelo laminado interno não des deixam passar menos solventes que a membrana se. da membrana. sura da membrana semipermeável.Osolvente que passa pelo la minado interno se acu- caso as moléculas do solvente passam de Bpara Aatravés mula no recipiente A. parede do reservatório A não fosse impermeável. Se essa condição não for cumprida. ao mesmo tem. go é o tempo para surgimento das bolhas. formando solução com substâncias solúveis lá encontra- 46 Polímeros: Ciência e Tecnologia . Ofluxo de Recipiente B. 2. 40 0 e 1 mês 60° e 20 dias lha de laminação presente na interface do laminado inter. o tempo para surgimento de bolhas em função da temperatura Os laminados de Fiberglass podem formar células os. não ocorre acúmulo de solven. ca.0 mm de espessura.4 diluidas são mais prejudiciais que as concentradas no que diz respeito à formação de bolhas por osmose.Volume limitado pelo equipamento (tanque ou solvente pela membrana semipermeável é maior no início reservatório). A taxa de passagem de solventes pela membrana. Membrana Semipermeável. sooe 5dias no com o intermediário.impermeáveis não geram pressão osmóstica.Nov/Dez-91 . 14--. que aatravessa eédissipado na Osolvente que atravessa o laminado interno pode ter atmosfera. não seu retardamento. permeável a moléculas do sol- vente e impermeável ao soluto. acontece aumento de pressão no "recipiente A" porque o c) Espessura do laminado interno. maior éa Água (Sol. d) Temperatura da solução. Se a quantidade de luções diluidas são mais agressivas que as concentradas.4. a pressão osmósti.Solução armazenada pelo equipamento. bem como a pressão osmótica final. Esse fluxo diminui gra. maior a taxa de permeação. As moléculas que encontram falhas de a) Concentração da solução. implica na eliminação do empolamento. Orecipiente A éformado por qualquer fa. Quanto me- entra nele pela membrana. Gelcoat (membrana semipermeável) mente proporcionais à diferença de cOllcentração de solu- ções. Uma experiência realizada com resina poliéster em xo de solvente que entra através dela seja inferior ao que contato com água a70°C resultou no surgimento de bolhas escapa pelas paredes do recipiente A. o chamado recipiente A. dois destinos. Nesse Solução A . em contato diferença de concentrações na enb. Portanto.

superfície oposta ao ar. Algumas dessas moléculas novamente atravessam o mótica. em presença de radicais livres.. As bolhas de água formadas em lamina- interno for reduzida até ficar inferior à do resto da parede. não tendo tempo para se acumular no reci. Édurante a espera pelo do laminado interno com o intermediário. possibilitando oacúmulo de solvente nas falhas de la. Isso significa que o solvente LAMINADOS passa mais rapidamente pelo laminado interno que atra- vés deles. Essa é. na superfície do laminado perior à dos laminados intermediário e estrutural que cura exposta ao ar. osolvente que atravessa olaminado interno retorna Alguns fabricantes de poliéster usam glicóis para ajus- através dele. na de tais substâncias impossibilita aformação da célula os. Essa práti- piente A (falha de laminação) e não gerando. . a explicação da alta resistência a formaçao de bo- dos. minado interno que constitui amembrana semipermeável.ebolhas . forman. Oestireno épouco solúvel em água combinados. Acontece que geralmente a permeabilidade desses laminados é menor SUBSTÂNCIAS SOLÚVEIS PRESENTES NOS que a do laminado interno. as bolhas não se formam. gumas dessas substâncias. Se tais falhas A hidrólise do poliéster libera glicóis no laminado. Amostras recolhidas permeabilidade inferior à da membrana (Iaminado inter. as concentrações molares das subs. talvez. minação. o benzaldeido é so- através da parede do equipamento. No ponto de equilíbrio.nb) RT sintetizadas com menos glicol. essa reação émuito lenta einsignificante na formação de e não acontece ofenômeno de osmose. as seguintes condições devem ser cumpridas: lhas de água apresentada pelas resinas viniléster quando o Imersão prolongada. bisfenol. ção (oclusão de ar) no laminado estrutural não causam pressão osmótica porque ataxa de passagem de solvente o Obenzaldeido aparede em seguida na lista dos gran- éamesma através das paredes que circundama falha. A célula osmótica fica completada se existirem o Propileno Glicol. não devem apresentar bolhas generalizadas. a concentração nas bolhas de água. mo de hidrólise da extremidade da molécula dessa resina. geradoras de pressão osmótica em o Existência do laminado interno..das. presença de soluções aquosas. ca é condenável por introduzir nos laminados essas subs- pressão osmótica. ca e com otempo levantando o laminado interno. des causadores de bolhas de água. que pode ser proveniente tanto de substâncias solúveis nas falhas de laminação. portanto. Para que ocorra pressão osmótica . A ausência ponto de toque que o estireno é oxidado a benzaldeido. benzaldeido énão esperar pelo tempo de toque da resina an- o Existência de substâncias solúveis na interface tes de prosseguir com a laminação. O benzaldeido não trando nela edela saindo com igual facilidade. Ele é formado pela oxidação do estireno o Apermeabilidade do laminado interno deve ser su. tâncias hidrosolúveis. Comparadas às resinas ortoftálicas. bolhas. Falhas de lamina. Os laminados de poliéster reforçado com fibras de vidro de do recipiente A(Iaminado intermediário eestrutural) ter contém várias substâncias solúveis. sendo dissipadas do lado oposto. Outras atravessam os laminados intermediário e es. truturai. o Existência de falhas de laminação.. Dbs. sintetizadas com tração da solução armazenada no equipamento. Os véus de superfícies usados no la- Polímeros: Ciência e Tecnologia . lhas de água. a pressão os. vre e por isso apresentam menor tendência a formar bo- tâncias solúveis presentes no recipiente A e nb a concen. benzaldeido. Portanto. de bolhas de água.Nov/Dez-91 47 • . Se otempo da imersão for muito comparadas aos poliésteres curto. Uma maneira de evitar a transformação do estireno em camas de vidro. As resinas bisfenólicas. deixa de existir o "recipiente A" ra ambiente. dos geralmente têm cheiro de amêndoa. revelam al- no). Porém. lúvel em água econtribui para aformação de bolhas em so- mótica pode ser eliminada se apermeabilidade do laminado luções aquosas. característico do Isso explica a extraordinária resistência a bolhas dos equi. Osolvente excessio de glicol não reagido na síntese do poliéster. não se acu. A propoxilado em lugar do propileno glicol são menos suscetíveis ainda àformação de bolhas. pamentos cujos laminados internos são construídos com es. têm menor teor de glicolli- sendo n1 +n2 + n3' etc. prida. Contrariamente ao estireno. en. laminado interno evoltam para orecipiente Bde onde vie. da pare. em sua síntese. as isoftálicas são LlP = (n1 + n2 + n3 +..em lamina. ou empolamento. Estruturas sem o la. Então acontece aquilo que já foi falado. sendo assim o maior pressão osmótica é: responsável pela pressão osmóticca em soluções aquo- sas. à temperatu- não estiverem presentes. As resinas Pré-requisitos Para Formação de Pressão Osmótica viniléster não contém glicol e por isso estão livres da influ- Em Laminados ência desse grande gerador de pressão osmótica. O propileno glicol é a substância que aparece em maior do as bolhas. analisadas em laboratório. co- se acumula nessas falhas aumentando apressão osmósti. e praticamente não gera pressão osmótica em soluções tre no "recipiente A" do que é dissipado para a atmosfera aquosas. Se qualquer uma dessas cinco condições não for cum- ram. tar aviscosidade etixotropia de seus produtos. existe na resina nem em qualquer outro ingrediente usado mulando no "recipiente A". Isso énecessário para que mais solvente en.

Oácido acético. As bolhas de ar . toftálico deixa passar menos água que um equivalente em gênio-têm as paredes internas ricas em benzaldeido por resina isoftálica. Otermo gelcoat usado na indústria náutica corresponde ao nosso lami- mento superficial das fibras de vidro. A mos de pressão osmótica. porém seu efeito combinado indústria náutica faz exatamente o contrário. A solução Oefeito das escamas de vidro é dramático na redução definitiva do problema de bolhas aconteceria se fosse pos. também é muito bom. outras substân. Os laminados bilidade e são muito usadas em contato com solventes.lons metálicos. ção seria válida se a permeabilidade das resinas fosse o res de todas substâncias solubilizadas no recipiente A. escamas têm taxa de permeação igual a 5% de seu valor nado interno. . gerando pressão osmótica. Tipo de Resina Penneabilidade relativa à água tamente sobre o interno sem esperar pelo tempo de toque.minado interno permitem aaplicação imediata do laminado meação obtidas com resinas contendo escamas de vidro. Aoxidação mediário com resina isoftálica porque a permeabilidade do estireno à benzaldeido ocorre quando a cura acontece dessas ésuperior àdas ortoftálicas. Isso acontece porque a laminação sobre resina úmida facilita a A tabela indica que para combater as bolhas de água é molhagem interlaminar ereduz a probabilidade de oclusão melhor usar laminado interno ortoftálico e laminado inter- de ar eoutras falhas de laminação na interface. que contribui para a pressão osmó. Ovéu de Atabela abaixo mostra valores típicos de taxas de per- superfície impede que as fibras de vidro do laminado inter. Isso explica porque o laminado intermediário pode ser aplicado imedia. meação à água de algumas resinas e seus laminados. As resinas vini léster sinteti- Ocoeficiente de difusão da água nas resinas varia com zadas com bisfenol F(Novolac) também têm baixa permea- o seu tipo. sendo as menores taxas de per. to- mediário atravessem aresina úmida (não curada) do lamina. Olaminado interno or- em presença de oxigênio. Assim. o Iami- tica em presença de soluções aquosas. Algumas dessas substâncias esuas possíveis origens são: Dbs. como acetona. No que diz respeito à permeabilidade à água. cargas eestireno. usado para hidrolisar osilano do trata. serve também para outra função muito Laminado com 30% fibras de vidro 80 importante no combate às bolhas ao reduzir as falhas de Laminado com 20% escamas de vidro 5 laminação na interface. único fator acontrolar aformação de bolhas. léster sintetizada com bisfenol. benzaldeido e outros. . Esse fato éde grande importância na forma- veis listadas acima estão presentes tanto nas resinas vini. no com resina ortoftálica.contendo oxi. vidro nos laminados internos.contendo fibras de vidro .Sais solúveis presentes em cargas minerais. não existe . o chamado "recipiente A". todas as substâncias solú. porém não as eli. isoftálico deixa passar mais água para a atmosfera. à temperatura ambi- . Quem diria: laminado inter- Isoladamente elas podem não representar muito em ter. mando as ortoftálicas como referência. permitindo que elas mina. os laminados com 30% de fibras de vidro têm permea- dos na laminação. olaminado estrutural retarda adissipação das moléculas sem dúvida reduz a incidência de bolhas. não reforçadas. coat iso e laminação com resina ortoftálica. atingindo a superfície da estrutura. cobalto. nado intermediário com resina isoftálica contém menos Além do propileno glicol ebenzaldeido. permanecendo as outras. Além dessas considerações. ca. seguido de resina isoftálica. Sendo isso impossível.Nov/Dez-91 . Por outro lado o laminado essa razão. sem esperar pelo tempo de toque. nada (o propileno glicol). por ter menor permeabilida- léster como nas poliéster. o uso de resina viniléster de. pelo menos devemos original. oque étambém muito bom. do interno.são menos permeáveis que as resinas não reforçadas. além de Ortoftálica 100 Isoftálica 138 não dar tempo para ooxigênio do ar transformar oestireno Viniléster (bisfenol A) 108 em benzaldeido. Resinas com 20% de sível impedir que a água ou solvente atravessasse o Iami. de água e solvente para o lado oposto. bilidade a água igual a 80% da apresentada pelas resinas Com excessão dos glicóis. diferença apreciável entre as resinas ortoftálicas e as vini- -Impurezas na resina. pigmentos.Resíduos de MEKP e naftenato de cobalto. Portanto. . principalmente cálcio. intermediário.nb)RT meabilidade. Isso justifica o uso de escamas de procurar reduzir sua passagem a valores mínimos. talvez mais importantes que a per- ~P =(n 1 + n2 + n3 + . 23°C A laminação imediata sobre a resina úmida. ente. propileno glicol que o correspondente em resina ortoftáli- cias hidrosolúveis são encontradas nas bolhas de água. se acumulem no "recipiente A". provenientes das fibras de vidro. o que é bom. formulação e método de síntese. As fibras de vidro reduzem a . sem escamas. Em geral. ção da célula osmótica porque. MEKP.Acetona proveniente dos roletes. usando gel- pode ser apreciável se lembrarmos que a pressão osmóti. Essa observa- ca final édeterminada pela soma das concentrações mola. toda equalquer bolha de ar gera ben. Sabemos que existem outros fatores. o que zaldeido hidrosolúvel. pincéis e rolos usa. permeabilidade das resinas. As escamas reduzem a taxa de penetração da água e 48 Polímeros: Ciência e Tecnologia . da permeabilidade dos laminados. nado interno. a influenciar o fenômeno de osmose. porque apenas uma das causas do problema éelimi.

de escamas de vidro no laminado interno reduz sua perme. cativamente a incidência de bolhas. mudando o solvente. • Usar somente cargas inertes e bem lavadas. 4 . má disper- são dos aditivos nas resinas e outras causas. As cargas oque dissemos referente àágua éaplicável aqualquer podem conter impurezas solúveis que aumentam signifi- outro solvente em contato com laminados de Fiberglass. isto é. sidual esão as melhores nesse particular. pelo menos em teoria. Hankin. 1986.Blister Formation in RP: The Origin of the Osmotic Pro- nitude das bolhas. ajuda a combater o problema. a compreensão da base teórica do proble. SPI. As resinas viniléster não contém glicol re- eas bolhas não se formam. o entendimento do mecanismo de formação da oposto do laminado. para não deixar 2 . Exposed to Water. no for reduzida avalores tais que a quantidade de solven- nado. glicol residual que as isoftálicas epor isso têm pior desem- cendo o solvente não se acumula nas falhas de laminação penho que elas. mudam também as • Nunca usar excesso de MEKP ou cobalto. as bolhas deixam de acontecer. dependendo te disponlveis. • Usar escamas de vidro para reduzir apermeabilidade do bilidade de eliminar as substâncias solúveis presentes laminado interno. ficultar a cura adequada da resina. te que passa por ele seja inferior à que escapa pelo lado ma.Blistering in Gelcoated Reinforced Plastics Laminates se acumulem nas eventuais falhas de laminação presen. Curry. aumenta a presença de substâncias solúveis. mais nates. escassez de MEKP e cobalto. como a permeabili- ocorrência das bolhas e empolamento fica definitivamen. A pressão osmótica pode até mesmo ser • Evitar o uso de aditivos solúveis em água ou outros sol- eliminada com o uso de escamas porque ataxa de escape ventes. 42nd SPI Conference. ver definitivamente o problema de bolhas. 1983. ge. 1979. 41 st SPI Conference. o Polímeros: Ciência e Tecnologia . A lamina. Oestireno residual. 1987. blema. • Todo e qualquer aditivo.. de modo SPI. como REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS bolhas de ar. No que diz respeito à célula osmótica. Essas medidas são: cess. Porém. 6 . 5 . deve ser bem disperso nela para evitar oclusão de ar ou bolsões de substâncias solúveis que formam o cha- Impedir definitivamente o aparecimento de bolhas de mado "recipiente A". retardar osurgimento ou reduzir significativamente amag.Variables Influencing the Blister Resistance of Marine falhas que caracterizem o "recipiente A".outros solventes através do laminado interno retardando o suscetível ele é atrincas quando submetido a impacto. Davis.The Effect of Coatings on Blister Formation. Ouso nual Conference. duas coisas po- dem ser feitas: • Eliminação das falhas de laminação na interface. invés de apenas um. dade diminui com o aumento da espessura.Blister Performance of GRP Systems in acqueous envi- com véu de superfície facilita a remoção do ar e diminui a ronments. Se a permeabilidade do laminado inter- nas resinas eaditivos que entram na composição do lami.1982. Formation. Opro- célula osmótica bem como a identificação da origem das blema é que a espessura do laminado estrutural é muito substâncias solúveis. meável. difi- pode gerar em contato com outros solventes. ção deve ser feita com cuidado e esmero. impossível com as matérias-primas atualmen. lores muito baixos para compensar a maior espessura do • As substâncias solúveis forem todas eliminadas. Edgell. Marino. 38th An- tes nas interface dele com olaminado intermediário. nesse particular que. fibras de vidro mal impregnadas. empolamento.The Effect of Gelcoat Composition on Osmotic Blister abilidade eajuda acombater a pressão osmótica. Malhi. 7-Variables Influencing the Performance of Gelcoated Lami- que quanto maior a espessura do laminado interno. mas • Da mesma maneira. Omesmo se cultando a cura da resina. Norwood.Nov/Dez-91 49 . líquido ou sólido. 34th SPI Annual Conference. Laminates. Jamais usar glicol ou acetona para ajustar avisco- de solvente pela parede do equipamento pode ser igual à sidade da resina. Na impossibilidade de resolver completamente o pro. Isso deve ser feito com cautela por. As resinas ortoftálicas têm maior teor de sua taxa de entrada pelo laminado interno. A maior do que a do laminado interno e. presentes no recipiente A. das espessuras envolvidas. Rockett. restam ao laminador algumas medidas que podem Rose. 36th Annual incidência de falhas de laminação na interface. que além de di- substâncias solúveis que. 38 th SPI Con- • Usar laminado interno mais espesso. Conference of the SPI. resto da parede. o coeficiente te eliminada se: de difusão do laminado interno deveria ser reduzido a va- • Acélula osmótica deixar de existir. Ghotra. Brueggemann. Naturalmente. adicionado à CONCLUSÕES resina. aumenta sua permeabilidade e aplica ao dimetilftalato usado como veículo para o MEKP. Denoms. a não permitir que moléculas de solvente o atravessem e 3 . 1983. A laminação 1. Pritchard. podem resol- repetimo. tornando-a mais per- ram pressão osmótica. com dois véus ao ference. deixa o laminado com estireno residual muito alto. não gera pressão osmótica em presença de água. Edwards. por exemplo. 1981. Adams. 37th Annual Conference of the • Impermeabilização plena do laminado interno. Isso aconte. água ou empolamento émuito difícil em vista da impossi. As escamas de vidro são tão eficientes A eliminação das substância solúveis do laminado é.