MÓDULO 1 – Relações Trigonométricas

OBJETIVOS
Ao final deste módulo o aluno deverá ser capaz de:
 resolver problemas que envolvam relações trigonométricas;
 determinar ângulos e comprimentos dos lados de um triângulo qualquer;
 decompor forças em suas componentes ortogonais;
 determinar resultante de sistema de forças.

1. INTRODUÇÃO – REVISÃO

1.1. SISTEMA DE UNIDADES

As unidades adotadas na mecânica referem-se às unidades de comprimento,
tempo, massa e força. A unidade de força é a unidade derivada, geralmente chamada de
Newton (N), definida como a forma que imprime uma aceleração de 1m/s² à massa de
1kg, conforme ilustrado na Figura 1.

a = 1m/s²
F=1N
m = 1 kg

FIGURA 1. Corpo sob ação de uma força.

1N = (1kg)(1m/s²) = 1kg.m/s²

Na tabela 1 apresentam-se as unidades do Sistema Internacional (SI).

Tabela 1. Sistema Internacional de Unidade.

Quantidade Símbolo dimensional Unidade básica

Comprimento L metro (m)

Tempo T segundo (s)

Massa M quilograma (kg)

Força F Newton (N)

ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof.: BORJA

Na tabela 2 apresentam-se algumas conversões de unidades equivalentes.

Tabela 2 - Conversão de Unidades.
UNIDADE EQUIVALENCIA

1 MPa 1 N/mm2

1 MPa 1 x 10 6 N/m2

1 GPa 1 x 10 9 N/m2

1 kgf 9,81 N

1 kgf 2,20 lb

1 polegada (ou 1”) 2,54 cm

1 m2 10000 cm2

1.2. TRIGONOMETRIA

A trigonometria é uma ferramenta poderosa para soluções de problamas que
envolvam áreas, ângulos, decomposição de forças, em todas as áres técnicas.

O nome trigonometria significa medida dos três ângulos de um triângulo e
determina um ramo da matemática que estuda as relações entre esses ângulos e as
medidas dos lados de um triângulo. As relações trigonométricas podem sem observadas
na Figura 2.

sen  EF

cos   OF

tg  AB

cot g  DC

sec   OB

cos ec  OC

OE  R  1
FIGURA 2. Círculo e funções trigonométricas.

ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof.: BORJA

2ac.cos B c²  a²  b² . utilizamos as relações trigonométricas conhecidas como Lei do Seno e Lei do Cosseno. Triângulo Qualquer.4.: BORJA .3. TRIÂNGULO RETÂNULO No triângulo retântulo.cos C ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. Relações Trigonométricas de um Triângulo Retângulo. A hipotenúsa é o lado oposto ao ângulo de 90º e é determinada pela relação: a 2 = b2 + c 2 → conhecida como TEOREMA DE PITÁGORAS. apresentadas a seguir e representada graficamente na Figura 4.cos A FIGURA 4. Figura 3. Relação fundamental da trigonometria: sen²x + cos²x = 1 1. TRIÂNGULO QUALQUER Para a solução de problemas de triângulo qualquer.2bc.2ab. cateto oposto c sen   hipotenusa a cateto adjacente b cos   hipotenusa a cateto oposto c tg   cateto adjacente b hipotenusa a sec   cateto adjacente b c c b   arctg ( )  arcsen ( )  arccos ( ) b a a FIGURA 3.1. LEI DOS SENOS: a b c    2R sen A sen B sen C LEI DOS COSSENOS: a²  b²  c² . b²  a²  c² . os catetos são os lados que formam o ângulo de 90º .

1. N N 10 10 A 30° A 30° FIGURA 5. direção e sentido. A força é representada por um segmento desta linha. A linha de ação é a reta ao longo da qual a força atua. capaz de alterar o estado de movimento ou provocar deformações. caracterizada por seu ponto de aplicação. desenhe uma linha paralela a A. Desenhe outra linha a partir da extremidade de A que seja paralela a B. mas sentidos diferentes. Essas duas linhas se interceptam no ponto P para formar os lados adjacentes de um paralelogramo. A intensidade de uma força é definida por sua linha de ação. MÓDULO 1 – Estática dos Pontos Materiais 2. usando uma escala apropriada. 2. una as origens dos vetores componentes em um ponto de modo que se tornem concorrentes (Figura 6b). Sua representação é feita através de vetores. ADIÇÃO DE VETORES Todas as quantidades vetoriais obedecem à Lei do paralelogramo da adição. Para ilustrar. FORÇAS NO PLANO Uma força representa a ação de uma ação de um corpo sobre outro.  A partir da extremidade de B. ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. o comprimento desse segmento pode ser escolhido para representar a intensidade da força. NOÇÕES FUNDAMENTAIS – ESTÁTICA DOS PONTOS MATERIAIS 2. sua intensidade. Linha de ação de uma força. sendo caracterizada pelo ângulo que forma com algum eixo fixo (Figura 5).: BORJA . os dois vetores componentes A e B na Figura 6a são somados para formar um vetor resultante R = A + B usando o seguinte procedimento:  Primeiro.2. As duas forças nesta figura têm a mesma intensidade e a mesma linha de ação. provocando efeitos opostos sobre um ponto material A.

os vetores podem ser somados em qualquer ordem. ou seja. em outras palavras. Este procedimento é conhecido como a lei do paralelogramo para a adição de duas forças.3. O R resultante se estende da origem de A à extremidade de B. que então representa o vetor R = A + B (Figura 6c). A A A R P B B B a) b) c) FIGURA 6. Resultante de duas forças concorrentes – Lei do Paralelogramo. Diante do exposto. De modo semelhante. vemos que a adição de vetores é comutativa. 2. ou seja. Essa força é chamada de resultante das forças e pode ser obtida pela construção de um paralelogramo. como visto acima. que é um caso especial da lei do paralelogramo. podendo ser deduzida matematicamente ou experimentalmente. pode-se afirmar que duas forças que atuam sobre um ponto material podem ser substituídas por uma única força R que tenha o mesmo efeito sobre esse ponto. Regra do Triângulo. ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof.  A diagonal desse paralelogramo que se estende até P forma R. R = A + B = B + A. conectando a extremidade de A com a origem B (Figura 7b). REGRA DO TRIÂNGULO Também podemos somar B a A (Figura 7a) usando a Regra do Triângulo. R também pode ser obtido somando A a B (Figura 7c). em que o vetor B é somado ao vetor A da forma “extremidade-para-origem”.: BORJA . Por comparação. A A B R R B A B R=A+B R=B+A a) b) c) FIGURA 7.

F2 e F3 atuam em um ponto O (Figura 10).5. depois. F1 + F2) e. Em vez disso. ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. se três forças. 2. 2. ou seja. ou seja. No caso especial em que os dois vetores A e B são colineares. a resultante de quaisquer duas das forças é encontrada (por exemplo. F1.: BORJA . normalmente requer cálculos extensos de geometria e trigonometria para determinar os valores numéricos da intensidade e direção da resultante. A subtração é definida. aplicações sucessivas da lei do paralelogramo podem ser realizadas para obter a força resultante. O uso da lei do paralelogramo para adicionar mais de duas forças. portanto. como mostrado. Lei do Paralelogramo – Subtração de Vetores. de modo que as regras da adição vetorial também se aplicam à subtração de vetores. Adição de vetores colineares. ADIÇÃO DE VÁRIAS FORÇAS (RESULTANTE DE VÁRIAS FORÇAS CONCORRENTES . A R´ A B -B FIGURA 9. R A B FIGURA 8.SISTEMA DE FORÇAS) Se mais de duas forças precisam ser somadas. a lei do paralelogramo reduz-se a uma adição algébrica ou escalar R = A + B.B) Essa soma de vetores é mostrada graficamente na Figura 9. como um caso especial da adição. essa resultante é somada à terceira força. Por exemplo. problema desse tipo podem facilmente ser resolvidos usando o “método das componentes retangulares”. como ilustrado na Figura 8. SUBTRAÇÃO DE VETORES A resultante da diferença entre dois vetores A e B do mesmo tipo pode ser expressa como: R´= A – B = A + (. FR = (F1 + F2) + F3. ambos possuem a mesma linha de ação.4. produzindo a resultante das três forças.

 Se uma força F precisar ser decomposta em componentes ao longo de dois eixos u e v (Figura 12). formando. dando uma força resultante FR que forma a diagonal do paralelogramo. Fu e Fv. o paralelogramo. FIGURA 10. Lei do paralelogramo.: BORJA . ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof.  Rotule todas as intensidades das forças conhecidas e desconhecidas e os ângulos no esquema e identifique as duas forças desconhecidas quanto à intensidade e à direção de FR ou às intensidades de suas componentes. Método das componentes retangulares. Os lados do paralelogramo representam as componentes. PROCEDIMENTO PARA ANÁLISE  Duas forças “componentes” F1 e F2 na Figura 11 se somam conforme a lei do paralelogramo. então iniciando na extremidade da força F.6. FIGURA 11. 2. Decomposição de forças. assim. FIGURA 12. construa linhas paralelas aos eixos.

como mostra a Figura 15. FIGURA 14. nessa situação. F1 e F2. Três cabos puxam um tubo de tal modo que geram uma força resultante com intensidade de 1800N. Qual é a intensidade de F? Dica: determine primeiro a resultante das forças conhecidas 1200N 800N FIGURA 15. Determine a intensidade e a direção da força resultante. Se dois dos cabos estiverem submetidos a forças conhecidas. Qual a intensidade da força em cada cabo. 3. determine o ângulo  do terceiro cabo. MÓDULO 1 – Exercícios 1. O gancho ilustrado na Figura 13 está sujeito a duas forças. FIGURA 13. Todas as forças estão localizadas no plano x-y. A resultante FR das duas forças que atuam sobre a tora de madeira (Figura 14) deve estar orientada ao longo do eixo x positivo e ter uma intensidade de 10kN. de modo que a intensidade da força F neste cabo seja mínima. 2. Determine o ângulo  do cabo acoplado a B para que a intensidade da força F B nesse cabo seja mínima. .

Todas as forças estão localizadas no plano x-y. FIGURA 17. ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. 5. de modo a criarem uma força resultante com intensidade de 1000N. 6. determine o ângulo  da terceira corrente. 600 N 400 N FIGURA 16. determine a resultante das três forças ilustradas na Figura 18. Sabendo-se que  = 40º. determine as intensidades das forças FA e FB que atuam em cada corrente e o ângulo de FB para que a intensidade FB seja mínima. de modo que a intensidade da força F nessa corrente seja mínima. Se a força resultante for de 600N. orientada ao longo do eixo y positivo. Três correntes atuam sobre o suporte. A força F atua nessa direção. FA atua a 30º do eixo y.4. Qual é a intensidade de F? Dica: determine primeiro a resultante das duas forças conhecidas. Se duas das correntes estão submetidas a forças conhecidas. como mostra a Figura 16. medida no sentido horário a partir do eixo x positivo. A viga ilustrada na Figura 17 deve ser içada usando-se duas correntes.: BORJA .

8. Determine a intensidade da força resultante e sua direção. FIGURA 18. paralelo e perpendicular aos planos. determine os componentes x e y da força de 800lb. Com base na Figura 20. 9.: BORJA . FIGURA 20. Referindo-se à Figura 19. determine as componentes da força P e F ao longo dos eixos x e y os quais são respectivamente. medida no sentido horário a partir do eixo x positivo. FIGURA 19. das forças atuantes no aro ilustrado na Figura 21. ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. 7.

FIGURA 23. FIGURA 21. Determine a intensidade da força F. 12. das forças ilustradas na Figura 23. 10. Determine a intensidade e a direção  de F1. medida no sentido anti- horário a partir do eixo x positivo. Três forças atuam sobre o suporte da Figura 24. de modo que a resultante FR das três forças seja a menor possível na conexão apresentada na Figura 22.: BORJA . de modo que a força resultante seja orientada ao longo do eixo x´ positivo e tenha intensidade de 1 kN. FIGURA 22. Determine a intensidade da força resultante e sua direção. ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. 11.

Determine a intensidade e a direção. FIGURA 24. a partir do eixo x positivo (Figura 26). 14. da força resultante das três forças que atuam sobre o suporte.: BORJA . 15. 17. ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. medida no sentido anti-horário. se F1 = 300N e = 20º. Ainda com base na Figura 24. 13. Expresse F1 e F2 como vetores cartesianos. determine a intensidade e a direção. a partir do eixo x. Determine a intensidade da força resultante e sua direção. 16. medida no sentido anti-horário. FIGURA 25. (Figura 26). a partir do eixo x´. medida no sentido anti- horário. da força resultante das três forças que atuam sobre o anel A (Figura 25). de modo que a força resultante seja orientada verticalmente para cima e tenha intensidade de 800 N (Figura 25). Determine a intensidade e a direção de  de F1. Considere que F1 = 500N e  = 20º.

da força resultante que atua sobre o suporte. a partir do eixo x positivo. de modo que a força resultante seja orientada ao longo do eixo y positivo e tenha intensidade de 1500N (Figura 27). a partir do eixo y positivo. Determine a grandeza da força resultante e sua direção. ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. medida no sentido anti- horário. FIGURA 27. 20. 21. Determine a intensidade e a orientação  de FB. se FB = 600N e  = 20º (Figura 27). 19. FIGURA 26. Determine a intensidade e a orientação. medida no sentido anti-horário. Determine as componentes x e y de F1 e F2 das forças atuantes no suporte da Figura 28. 18.: BORJA .

Determine os componentes x e y de cada força que atua sobre a chapa de ligação da estrutura tipo treliça que sustenta a ponte. da força resultante que atura sobre o anel em O. 25. 23. determine a intensidade da força resultante e sua direção. 24. FIGURA 28. Demonstre que a força resultante é nula. a partir do eixo x positivo.: BORJA . ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. FIGURA 30. Se  = 60º e F = 20kN. 22. se FA = 750N e  = 45º. de modo que a força resultante seja orientada ao longo do eixo x positivo e tenha intensidade de 1250N (Figura 31). FIGURA 29. medida no sentido horário. Determine a intensidade e a orientação. medida no sentido anti-horário. a partir do eixo x positivo. Determine a intensidade e a orientação  de FA.

27. determine a intensidade da força F. na forma vetorial cartesiana e calcule a intensidade da força resultante. FIGURA 31. Se FR = 2/3 F1 e F1 estiver a 90º de F2. Expresse cada uma das três forças que atuam sobre a coluna da Figura 32. As três forças concorrentes que atuam sobre o olhal (Figura 33) produzem uma força resultante FR = 0. Qual é a intensidade mínima de FR? ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. Com base na peça de suporte ilustrada na Figura 34. de modo que a resultante das três forças FR seja a menor possível. FIGURA 32. 28. FIGURA 33. 26. determine a intensidade necessária de F3 expressa em termos de F1 e do ângulo . como mostrado.: BORJA .

30. conforme ilustrado na Figura 36. 29. Expresse cada uma das três forças que atuam sobre o suporte em forma vetorial cartesiana (Figura 35) em relação aos eixos x e y. determine a intensidade necessária de F3 expressa em termos de F1 e do ângulo  FIGURA 36. Se F2 = ½ F1 e F1 estiver a 90º de F2. de modo que a força resultante seja orientada ao longo do eixo u positivo e tenha intensidade de 50 lb. FIGURA 35.: BORJA . de modo que a força resultante seja orientada ao longo do eixo x´ positivo e tenha intensidade FR = 600N. Três forças F1. FIGURA 34. Determine a intensidade e a orientação  de F1. 31. Com base nessa figura. como ilustrado na Figura 37. F2 e F3 atuam sobre um olhal. ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. As três forças concorrentes que atuam sobre o poste produzem uma força resultante FR = 0. determine a intensidade e a orientação  de F2.

Qual é a intensidade da força resultante? FIGURA 38. ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. determine a intensidade e a orientação.: BORJA . Se F2 = 150 lb e  = 55º. 33. medida no sentido horário. a partir do eixo x positivo. Determine a intensidade da força F atuante no suporte da Figura 38. 32. da força resultante das três forças que atuam sobre o suporte da Figura 37. de modo que a força resultante das três forças seja a menor possível. FIGURA 37.

ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. além da tendência dessa força F fazer girar um corpo rígido em torno de um eixo fixo (Figura 39).  compreender e aplicar a definição de transmissibilidade. MÓDULO 02 – MOMENTO DE UMA FORÇA OBJETIVOS Ao final deste módulo o aluno deverá ser capaz de:  compreender o significado de momento de uma força e seus efeitos quando atua em um ponto situado em um corpo. Hibeller). Momento de uma força (R.  determinar o momento de uma força (intensidade) em um determinado ponto material. MOMENTO DE UMA FORÇA Quando uma força é aplicada a um corpo. O momento de uma força em relação a um ponto (situado num corpo) é definido como o produto do módulo da força (F) pela distância do ponto à linha de ação da mesma (d). Quanto maior a força ou quanto mais longo o braço do momento. Essa tendência de rotação algumas vezes é chamada de torque.: BORJA . mas normalmente é denominada momento de uma força.  determinar o momento resultante de um sistema de forças sobre um ponto material. ou simplesmente momento. O momento depende do módulo de F e da distância d de F em relação ao eixo fixo. A intensidade do momento é diretamente proporcional à intensidade de F e à distância perpendicular ou braço do momento d. ela produzirá uma tendência de rotação do corpo em torno de um ponto que não está na linha de ação da força (Figura 1). FIGURA 39. 3. maior será o momento ou o efeito de rotação.C.

O momento MO em relação ao ponto O. direção e sentido. FIGURA 41. Hibeller). Como resultado. que estão situados no plano sombreado. a intensidade de uma força F ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof.1 INTENSIDADE A força F é representada por um vetor que define seu módulo. ou ainda em relação a um eixo que passa por O perpendicularmente ao plano.: BORJA . FIGURA 40. é uma quantidade vetorial. Se F for aplicado ao longo da chave (Figura 40).C. O vetor d (chamado de braço de momento ou braço de alavanca) é a distância perpendicular de O à linha de ação F (no plano). Força aplicada no sentido da sua linha de ação (R. como ilustrado na Figura 41.Hibbeler). Considere uma força F que atua em um corpo rígido fixo no ponto O. uma vez que ele tem intensidade e direção específicas. Portanto.C. uma vez que a linha de ação de F interceptará o ponto O (eixo z). seu braço do momento será zero. Momento de uma força (R. o momento de F em relação a O também será zero e nenhuma rotação poderá ocorrer. 3.

Momentos no sentido horário serão negativos. etc. o polegar da mão direita dará o sentido direcional de MO (Figura 3a).em relação a um ponto O é expresso por MOF  F  d . FIGURA 42. 3. 4.m]. a curva natural dos dedos da mão direita. [kN. o momento resultante na figura 4 é: ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. direcionados ao longo do eixo positivo z (para fora da página). nesse caso.m]. Quando essa ação é realizada. em que todas as forças estão no plano x-y (Figura 42). [N. representa a tendência da rotação causada pelo momento. A regra da mão direita usada para estabelecer o sentido da direção de MO. MOMENTO RESULTANTE Para problemas bidimensionais.: BORJA . o vetor do momento está direcionado para fora da página. o sentido direcional de cada momento pode ser representado por um sinal de mais ou de menos. Por convenção. o momento tende a produzir uma rotação no sentido anti-horário. Como.m]. que é perpendicular ao plano que contém a força F e seu braço do momento d. As unidades da intensidade do momento consistem da força vezes a distância. esse vetor é representado apenas pela seta curvada (Figura 41b). Nota-se que o vetor do momento é representado tridimensionalmente por uma seta curvada em torno de uma seta. Em duas dimensões. ou seja. o momento resultante (MR)O em relação ao ponto O (eixo z) pode ser determinado pela adição algébrica dos momentos causados no sistema por todas as forças. Desse modo. [kgf. De acordo com essa regra. adotaremos que os momentos positivos têm sentido anti-horário.2 DIREÇÃO A direção de MO é definida pelo seu eixo do momento. Usando essa convenção de sinais. quando eles são dobrados em direção à palma.

possui intensidade e direção próprias. Para definir esse ângulo. 5. (MR)O será um momento no sentido anti-horário (para fora da página).d + (MR )O   F1. FIGURA 43. 5. r deve ser tratado como um vetor deslizante.Fsen . sen . de modo que  possa ser representado corretamente (Figura 44). e se o resultado for negativo (MR)O será um momento horário (para dentro da página). O ângulo  é medido entre as origens de r e F.d3 Se o resultado numérico dessa soma for um escalar positivo.1 INTENSIDADE A intensidade do produto vetorial é definida pela equação MOF  r. mais exatamente em relação ao eixo do momento que passa por O e é perpendicular ao plano de O e F (Figura 43). o momento MO quando obtido por esse produto vetorial. MOMENTO DE UMA FORÇA – FORMULAÇÃO VETORIAL O momento de uma força F em relação a um ponto O ou. nominalmente. r representa um vetor posição dirigido de O até algum ponto sobre a linha de ação de F.d2  F3 . MO = r x F Nesse caso. de fato. Vamos mostrar agora que. então: ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof.d1  F2 . pode ser expresso na forma de um produto vetorial.: BORJA . (MR )O   F. Uma vez que o braço de momento d  r.

o polegar fica direcionado para cima ou perpendicular ao plano que contém r e F. a ordem de r x F deve ser mantida para produzir o sentido da direção correta para MO. ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof.Fsenθ  F(r.: BORJA . Essa propriedade é chamada de princípio da transmissibilidade de uma força. F pode ser considerado como um vetor deslizante. Em outras palavras.2 DIREÇÃO A direção e o sentido de MO são determinados pela regra da mão direita do produto vetorial. Note que tanto a “curva” dos dedos. o momento da força em relação ao ponto O da figura 8. já que a distância perpendicular ou o braço do momento do ponto O à linha de ação da força não é necessário. como a curva em torno do vetor de momento.sen  )  Fd 5. que está na mesma direção de MO. MFO  r. Assim. MO  rA  F  rB  F  rC  F Como F pode ser aplicado em qualquer ponto ao longo de sua linha de ação e ainda criar esse mesmo momento em relação ao ponto O. deslizando r ao longo da linha tracejada e curvando os dedos da mão direita de r para F (“r vetor de F”). indica o sentido da rotação causado pela força. Como o produto vetorial não obedece à propriedade comutativa. 6. FIGURA 44. Assim. PRINCÍPIO DA TRANSMISSIBILIDADE A operação do produto vetorial é frequentemente usada em três dimensões. podemos usar qualquer vetor posição r medido do ponto O a qualquer ponto sobre a linha de ação da força F (Figura 45). então.

12edição – São Paulo.: BORJA . ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. 2011. Estática: mecânica para engenharia. R.C. REFERÊNCIAS: HIBELLER. FIGURA 45. Pearson Prentice Hall. Tradução: Daniel Vieira.

MÓDULO 2 . ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof.: BORJA . Determine o momento resultante das quatro forças que atuam na barra mostrada na Figura 47 em relação ao ponto O. Determine o momento da força em relação ao ponto O para cada caso ilustrado na Figura 46. ❷. FIGURA 46.Exercícios ❶. FIGURA 47.

: BORJA .  determinar o centro de massa de figuras de linha. MÓDULO 03 – CENTRO DE GRAVIDADE OBJETIVOS Ao final deste módulo o aluno deverá ser capaz de:  compreender o significado de centro de massa (centro de gravidade. consideremos uma placa horizontal. ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof.  visualizar e identificar o centro de massa de figuras planas conhecidas.  dividir figuras planas complexas em figuras planas conhecidas. Para mostrar como determinar esse ponto. FIGURA 48. CENTRO DE MASSA . 7.  determinar o centro de massa de figuras planas complexas..CENTRÓIDE O centro de massa ou de gravidade (CG) é um ponto no qual se localiza o peso (P) resultante de um sistema de pontos materiais (Figura 48). centroide) de figuras planas e linhas.  entender e determinar de Momento ESTÁTICO (de área). dividiremos essa placa em n pequenos elementos (Figura 49). Placa homogênea.

01) F z  P   dp (eq. sucessivamente (Figura 50).: BORJA .. elas podem ser consideradas paralelas (Figura 49). FIGURA 49. A resultante dessas pequenas forças é igual ao peso total de todos os n elementos que foi dividido a placa. Essas forças (ou pesos) estão orientados em direção ao centro da Terra. A força exercida pela Terra sobre esse pequeno elemento de placa é denominada de P1 (força peso do elemento 1). ou seja (eq. Sobre cada elemento (nésimo) age a ação da gravidade. por finalidades práticas. Divisão placa em n elementos.. FIGURA 50. 02) ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. e assim. As coordenadas do primeiro elemento são denominadas x1 e y1. e as coordenadas do segundo elemento x2 e y2. Coordenadas dos elementos (finitesimais) de uma placa homogênea.  Pn . porém. Isto é: F z  P  P1  P2  .

efetuando o somatório dos momentos em relação ao eixo x obtemos a coordenada y do centro de gravidade. Momentos dos pesos..P (eq.P . 05) Então. é então igual ao momento do peso resultante em relação a esses eixos.P (eq. em relação aos eixos x.  x n .. isto é: M P x  y..P   x. 06) De maneira semelhante. FIGURA 51.  y n .: BORJA .P   y. 04) M P x  y 1 . y  y.. podemos somar os momentos em relação ao eixo y e obter a seguinte equação: M P y  x.P (eq. 09) ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. Pn (eq. 07) Podem-se generalizar essas fórmulas e escrevê-las simbolicamente na seguinte forma: x  x. P2  . P2  . Pn (eq. 08) P P Ou seja. y   ydp /  dp (eq. A soma dos momentos dos pesos (Figura 51) de todos os elementos materiais. P1  y 2 . para determinar a coordenada x do centro de gravidade. x   xdp /  dp .y. M P y  x 1 . P1  x 2 .

Determine o módulo e o ponto de aplicação da única força equivalente às forças dadas. 8. pode-se reescrever a equação 08 correlacionando o momento de peso com o momento estático (de área). Uma laje de 5m x 7. FIGURA 52. 10) A A Ou seja. 11) ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. BARICENTRO .dA (eq. não tem massa. ou seja. ou seja. Laje com forças aplicadas. x   xdA /  dA . troca-se a força aplicada pela área.dA . y  y.CENTRO DE GRAVIDADE DE FIGURAS PLANAS Se levarmos em consideração que a placa trata-se apenas de uma figura plana (Figura 53). y   ydA /  dA (eq.: BORJA .5m suporta cinco colunas que exercem sobre ela as forças indicadas na Figura 52. obtendo-se a seguinte equação: x  x.Exercício 1.

as seguintes definições:  Baricentro ou centro de gravidade: CG. y ).y).  Eixos baricêntricos: x . Adotaremos. negativo ou nulo. FIGURA 53. O Momento Estático de uma superfície composta por várias figuras conhecidas é a somatória dos Momentos Estáticos de cada figura.y  Momentos estáticos: Msx e Msy  Área da figura plana: A Admitindo a figura plana da Figura 53. Obs. de coordenadas ( x .: É utilizado para a determinação das tensões transversais que ocorrem em uma peça submetida à flexão. como sendo o único ponto da figura plana. podendo ser positivo. CONCEITO FUNDAMENTAL: Momento Estático de um elemento de uma superfície plana em relação a um eixo é o produto da área do elemento pela sua distância ao eixo considerado. Momento estático de área. que obedece simultaneamente a duas condições: ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. posicionada em relação a um par de eixos de referência (x. pode-se definir seu baricentro. Logo: O momento estático do elemento em relação ao eixo x será: M’x = y dA O momento estático do elemento em relação ao eixo y será: M’y = x dA Momento estático é uma grandeza escalar com dimensão M = [L]³.: BORJA . a partir de então.

.A sy i i A i (eq. A3 . M sy M sx x .  y n .A1  x 2 .. pode-se concluir.x + M2... Mx = M1. Determinar o momento estático da Figura 54 em relação ao eixo especificado.  x n .  An ) (eq. 15) y  M .A 2  x 3 ... será: x  M . 13) Se a figura plana for composta por diversas figuras básicas... y (eq. 12) A A Da definição da equação 12. M sx  y..x = ycg3 . 14) (y .A4  ..A (eq. A1 M2. ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof.: BORJA . qualquer que seja a figura plana: M sy  x.x FIGURA 54.x = ycg1 .A .An ) y 1 1 (A1  xA2  A 3  A 4  .A  y 2 .A 3  x 4 . a área total da figura composta é a soma das áreas das figuras componentes. A2 M3.. o cálculo do CG ( x . bem como.A sx i i A i Exercício 2.A3  y 4 .x = ycg2 ...  An ) Nessas condições. M1. o resultado dos momentos estáticos são a soma algébrica dos momentos das figuras componentes.A 4  . qualquer que seja a figura plana... (x 1.. Figura complexa.x+ M3.An ) x (A1  xA2  A 3  A 4  ...A2  y 3 . y ).

y x dA y x -y dA´ -x FIGURA 57. CG com eixo de simetria de superfícies planas relativamente a um ponto. o seu momento estático relativamente ao eixo é nulo e o seu centroide situa-se sobre o eixo. ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. o seu centroide situa-se nesse ponto (ver Figura 57). Quando uma superfície é simétrica relativamente a um eixo. Quando uma superfície é simétrica relativamente a um ponto. conforme ilustrado na Figura 55.: BORJA . CG com dois eixos de simetria de superfícies planas. C´ C´ C´ C´ B´ B´ B B B´ B´ B B C C C C a) b) FIGURA 56. Simetria relativamente a ponto. Caso a superfície apresente dois eixos de simetria. como observado na Figura 56. CG com um eixo de simetria de superfícies planas relativamente a um eixo. o centroide situa-se no ponto de intersecção destes eixos. 9. SIMETRIA Simetria relativamente a eixo. Y P B´ -x x dA´ dA CG P´ B X a) b) FIGURA 55.

: BORJA . Na Tabela 1 ilustra-se figuras planas conhecidas (de formato usual) e seus respectivos centros de gravidade. 3a 3h 2ah parabólica 8 5 3 3h 4ah Parabólica 0 5 3 Arco de 3a 3h ah parábola 4 10 3 n 1 n 1 ah Arco geral a h n2 4n  2 n 1 Setor 2r sen  0  r2 circular 3 ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. TABELA 1. CENTROIDES DE FIGURAS PLANAS DE FORMATOS USUAIS Figura x y área b h bh Triângulo 3 3 2 4r 4r r 2 ¼ de círculo 3 3 4 4r r 2 Semi-círculo 0 3 2 4a 4b ab ¼ de elipse 3 3 4 4b ab Semi-elipse 0 3 2 Semi.

. x... CENTROIDES DE LINHAS O centro de gravidade de uma linha coincide com o centroide C de uma linha de comprimento L definido pelo formato da linha (Figura 58).L y . (16) .... Centróide de uma Linha.. . eq. As coordenadas x e y do centroide da linha L são obtidos a partir das equações (16) e (17)..L Segmento L (in) x (in) y (in) (in²) (in²) AB 24 12 0 288 0 BC 26 12 5 312 130 CA 10 0 5 0 50 ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof..: BORJA .10. (17) Exercício 3.. A figura abaixo mostra o formato de uma peça fina e homogenia (fio). FIGURA 58..... Determine as coordenadas de localização do centro de gravidade. eq...

L = xL = yL = 60 600 180 Introduzindo os valores obtidos.: BORJA .. nas equações define-se o centróide da forma de linha.  L   y . L  X   10 in 60 180 Y. na tabela acima.  L   x .. L  Y   3 in 60 ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof. obtendo-se: 600 X.

Exercícios 01: Determinar o centro de gravidade das linhas das figuras abaixo.0 Y = 0.2 3 cm Y = 1. MÓDULO 3 .85 x 3 cm 2m 4m (c) (d) ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof.4 2m 2 cm x 2m 2 cm X = 0.4 Y = 1.: BORJA . 3m x y 2 cm 2m 5 cm X = 1.3 4m Y = 1.8 X = 1.1 3 cm y (a) (b) y y 2 cm 2 cm X = 0.

: BORJA . (a) (b) (c) (d) ESTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES Prof.02: Determinar o centro de gravidade das superfícies planas (região hachurada). posicionando o CG na respectiva figura.