UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI

INSTITUTO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
BACHARELADO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA

CAPÍTULO 5: ANÁLISE DE SISTEMAS SÉRIE-PARALELO

Amanda Tibães Lopes
Andresa Barral Azevedo
Luana Elisa Siqueira
Lucas Ruas de Aquino
Maíra Valquielly Fernandes Ribeiro
Natália Moreira Mourão

Diamantina
2016

tanto o seu arranjo estrutural como a confiabilidade de suas partes componentes podem ser alterados. por exemplo. através de um diagrama de blocos. como na figura 5.especificado(tal . O nível de detalhe na representação do sistema depende das informações disponíveis relativas à confiabilidade de suas partes componentes e dos objetivos do estudo. especificando componentes individuais como a hélice e a carcaça.1. Este diagrama oferece uma representação gráfica de forma como componentes do sistema estão conectados entre si.5. podem ser subsistemas ou componentes individuais. um microcomputador. Sistemas são aqui representados por arranjos de blocos funcionais os blocos funcionais. aqui designados por componentes. A forma mais difundida de representação estrutural de sistemas utiliza o diagrama de blocos de confiabilidade. A forma como estão arranjados. Uma vez configurado o sistema. mas uma forma ou conjunto de formas pré. no caso do ventilador. Nesse caso. ou detalhada em suas submontagens. Se o sistema não oferecer um nível adequado de confiabilidade. o tipo e a qualidade dos componentes usados interfere diretamente no desempenho e confiabilidade do sistema por eles composto. tais como a placa-mãe ou o ventilador. de forma a realizar um conjunto de funções de maneira confiável e com bom desempenho. pode-se decidir pela representação de subsistemas. cada componente será representado por um bloco. em busca de um projeto que atenda às especificações de confiabilidade. diz-se que o componente i está funcionando. o que não incluiu todas as suas formas de funcionamento. na forma de um único componente. dependendo do tipo de sistema e das condições estabelecidas para o estudo. Sempre que existir uma conexão entre os pontos extremos (a) e (b) na figura. No processo de representação estrutural de um sistema duas decisões devem ser tomadas: (i) quais componentes do sistema devem ser incluídos na análise e (ii) o nível de detalhe utilizado na representação desses componentes. em um processo iterativo. É possível que em sistemas com mais de uma função sejam necessários diagramas de blocos individuais para cada função. Considere a representação. Se o sistema em estudo for.1 INTRODUÇÃO Sistema é todo o conjunto de componentes interconectados segundo um projeto predeterminado. O diagrama de blocos descreve a função do sistema. de um sistema com n componentes. sua confiabilidade pode ser determinada.

Figura 5. O sistema e seus componentes são analisados em um tempo t específico nas análises de confiabilidade. A Representação acima pode ser ampliada para um sistema de componentes.1: Componente i ilustrado na forma de bloco. conforme exemplificado na figura 5. componentes e sistemas estão operantes ou não-operantes. por consequência. É importante saber o estado dos componentes e sistema no momento da análise. alguns modos de falha do sistema não podem ocorrer. A definição das formas de funcionamento de um componente pode gerar múltiplas representações do componente e.2. um perfil da confiabilidade do sistema no tempo pode ser obtido repetindo a análise para diferentes momentos no tempo.2: Sistema ilustrado na forma de diagrama de blocos. 5. Ampliando a definição apresentada na figura 5. ela é necessária.2. Mesmo que esta dedução binária possa não descrever de forma precisa e objetiva alguns tipos de componentes e sistemas. O diagrama de blocos de um sistema apresenta a forma em que os n componentes do sistema estão interconectados de modo a proporcionar o funcionamento do sistema. diz-se que uma função específica do sistema(representada pelo diagrama da figura ) é atingida. na maioria dos casos.1. Nos estudos a seguir. do sistema a que ele pertence. sempre que existir uma conexão entre os pontos extremos (a) e (b) da figura 5. nesse contexto .que alguns modos de falha de i não ocorram). Sendo assim. para tornar possíveis os cálculos envolvidos na análise do sistema. os componentes e sistemas . A análise de confiabilidade do sistema é estática.

5. Este tipo de sistema é muito utilizado nos projetos de produtos industriais pelo fato de apresentarem um menor custo.2 SISTEMAS EM SÉRIE Os sistemas em séries são caracterizados por possuírem componentes conectados de forma direta. O arranjo em série é representado em blocos da seguinte forma. é necessário se conhecer as confiabilidades de cada componente que o compõe.Ri = não confiabilidade i-ésimo componente no momento da análise. em que a falha de qualquer um destes ocasiona a falha dos demais. para que seja possível determinar a confiabilidade de todo o sistema. uma vez que este arranjo não apresenta redundância de componentes. pode ser descrita por: Rs =P (x 1 ∩ x 2 ∩ …∩ x n ) .3: Diagrama de blocos de um sistema em série. ) = probabilidade de ocorrência de um evento. P ( . Como já mencionado. mas para as quais se estabelece um valor limite que caracteriza a ocorrência da falha. cada componente que o constitui. Rs = confiabilidade do sistema no momento da análise. para que todo o sistema se mantenha funcionando.3: Figura 5. Ri = confiabilidade do i-ésimo componente no momento da análise. ou seja. Notação que será utilizada nos capítulos 5 e 6: Xi = evento do i-ésimo componente em um estado operante. de todo o sistema. Desta forma. deve também está operando. i= evento do i-ésimo componente em um estado não-operante. tal que P(Xi) = Ri e P(i) = i. a confiabilidade do sistema. Figura 5.confiabilidade do sistema no momento da análise.discutidos estão sujeitos (i) a falhas catastróficas ou (ii) a falhas causadas por degradação gradual. i = 1. Em um sistema em série.Rs = não. s = 1.

pode-se descartar os termos de maior ordem. que os componentes deste sistema possuem modos de falha independentes entre si. têm-se a seguinte expressão para a confiabilidade de um arranjo em série: n Rs =P ( x 1 ) ×… × P ( x n ) =∏ Ri i=1 A equação acima. têm-se o limite superior na confiabilidade do sistema: Rs ≤ mini {R i } Considere um sistema em série em que todos os componentes sejam idênticos. a confiabilidade do sistema é dada por: n Rs =(1− Ŕ) Através da aplicação do teorema binomial. a expressão (1− Ŕ)n . 5. a partir do termo de terceira ordem. obtêm-se uma aproximação para a confiabilidade do sistema: Rs ≈ 1−n Ŕ Ao considerar um sistema em que os componentes são distintos. pode-se determinar a confiabilidade necessária de um determinado componente.3 SISTEMAS EM PARALELO . pode ser escrita da seguinte maneira: n(n−1) 1+n(− Ŕ)1+ (−Ŕ)2 +…+(−Ŕ)n 2 Ao supor um valor relativamente pequeno para Ŕ . a aproximação é reescrita assim: n Rs ≈ 1−∑ Ŕi i=1 Por meio destas aproximações.Ao supor. a confiabilidade do sistema diminui aceleradamente. Desta forma. Através do componente menos confiável no sistema em série. no qual a não-confiabilidade é representa por Ŕ . conhecida como a regra do produto em confiabilidade. Desta forma. que a falha de um componente não interfere na probabilidade de falha dos outros. de maneira a se alcançar uma determinada confiabilidade para o sistema. leva a uma situação na qual à medida com que o número de componentes aumenta. ou seja.

Em arranjos com carga compartilhada.9) A confiabilidade do sistema é dada pela probabilidade complementar: (5. são mais utilizados na prática. Em um sistema em paralelo. a taxa de falha dos componentes sobreviventes aumenta à medida que falhas ocorrem. 2 Seja Rs (t) a confiabilidade de um sistema de n componentes com standby e Ti a variável aleatória representando o tempo até a falha do i-ésimo componente. Para um sistema com dois componentes e uma chave de troca . Tal arranjo é conhecido como arranjo paralelo puro. o hospital é abastecido pela rede de distribuição. Outros arranjos em paralelo. O sistema de turbinas de um avião é um bom exemplo desse arranjo. Se uma das turbinas deixar de operar. todos os componentes devem falhar para que o sistema falhe. A chave de troca [c] pode representar um dispositivo automático ou um operador que executa a troca quando demandada. Os sistemas com redundância em standby devem ser analisados como sistemas dinâmicos.10) A análise do sistema em paralelo apresentada anteriormente pressupõe que todos os componentes são ativados quando o sistema é ativado e que falhas não afetam a confiabilidade dos componentes sobreviventes. dois geradores reservas estão disponíveis para serem acionados. o que acarretará em aumento na sua taxa de falha. A confiabilidade de um sistema em paralelo de componentes independentes é determinada a partir da sua não-confiabilidade. No caso de falta de energia. constituindo uma parcela dos arranjos em paralelo existentes. Tal situação vem ilustrada na figura 1(b). Em condições normais. Um exemplo comum desse tipo de sistema é a geração de energia de um hospital. com carga compartilhada e com redundância em standby. as turbinas remanescentes deverão sustentar uma carga de operação maior. Em um sistema com redundância em standby. o componente em standby só é ativado se um dos componentes em operação vier a falhar. isto é: (5. representado na figura 1(a). com função de densidade fi(ti).

11) Como os modos de sucesso são mutuamente exclusivos.livre de defeitos.13) A modificação na Equação (5. a figura 1(c) traz os modos de sucesso na operação do sistema. com probabilidade de falha p c.12) para incluir casos em que a chave de troca é imperfeita. A confiabilidade desse sistema para uma missão de duração t será dada por: (5. (a) Diagrama de blocos de arranjos em paralelo puro. sistemas são compostos por combinações de subsistemas em série e paralelo. tem-se a seguinte confiabilidade resultante para o sistema: (5. Figura 1.11) como: (5.4 SISTEMAS PARALELO-SÉRIE. e (c) representação dos modos de sucesso de um sistema de dois componentes com standby. 5. reescreve-se a Equação (5. SÉRIE-PARALELO E PARALELO-MISTO Em situações reais. Na sequência. Sistemas do tipo paralelo-série caracterizam-se por apresentar redundância no nível do sistema (redundância de alto nível). sendo constituídos por m subsistemas em . é feita multiplicando pc pelo segundo termo no lado direito da equação. que podem ser analisadas reduzindo os subsistemas sucessivamente a componentes em série ou paralelo.12) Aplicando-se a equação (5.12) no caso especial em que todos os componentes apresentam uma taxa de falha constante e igual a λ. desenvolvem-se expressões para a confiabilidade de sistemas paralelo-série e série-paralelo. (b) com standby.

Deseja-se determinar. a confiabilidade do sistema é: (5..17) onde i designa o subsistema e j designa o componente. assim. qual arranjo resulta em um sistema com maior confiabilidade. a Equação (5. apresentam o mesmo número de componentes. A Figura 2(a) traz uma representação genérica desses sistemas. .10) pode ser adaptada para obter a confiabilidade do sistema: (5..16) Sistemas do tipo série-paralelo apresentam redundância no nível do componente.18) Os sistemas com redundância de alto e baixo nível ilustrados na Figura 2.série e n componentes em paralelo. .. em um cenário em que todos os componentes apresentam confiabilidade idêntica R. A confiabilidade do subsistema é: (5. . Tais sistemas são constituídos por n subsistemas em série. o engenheiro de qualidade deva optar por um ou outro design. a um custo idêntico.14) Como m desses subsistemas estão conectados em paralelo. Considere uma situação na qual.15) No caso especial em que todos os componentes do sistema são idênticos e apresentam confiabilidade R. A Figura 2(b) traz um diagrama em blocos com uma representação genérica desses sistemas. os quais apresentam m componentes conectados em paralelo.. Sendo Rij a confiabilidade do j-ésimo (j = 1. m) subsistema em série. n) componente localizado no i- ésimo (i = 1. também chamada redundância de baixo nível. sendo dada por: (5... a confiabilidade do sistema é: (5. A expressão de confiabilidade desses sistemas pode ser obtida seguindo uma lógica similar a dos sistemas paralelo-série. No caso especial em que todos os componentes são idênticos e apresentam confiabilidade R.

ainda que não vantajosa em termos de confiabilidade. Pode-se demonstrar que a redundância de baixo nível resulta em sistemas com confiabilidade pelo menos tão grande quanto a de sistemas com redundância de alto nível. é necessário prover um gerador sobressalente. Diagrama de blocos com representações genéricas de sistemas (a) em paralelo-série e (b) série-paralelo. Exemplos: .5 SISTEMAS K. ou seja. ou seja. Quando k = N. k = 1 é apenas necessário que qualquer componente opere satisfatoriamente para o sistema funcionar. sempre que o sistema em estudo viabilizar. todos devem funcionar para o sistema funcionar. Sendo assim.N Sistemas em série e paralelo puros são casos especiais dos sistemas k-em-n. devemos ter k ≤ N. Quando tem-se o caso de redundância completa. 5. tal cenário pode não ser possível. nos quais o sistema está operante se k ou mais de seus n componentes estiverem operantes.EM. tem-se que os N componentes estão em série. já que o tempo de parada para troca ou acionamento do componente sobressalente pode comprometer operações vitais do hospital. na qual.9). Redundância k-N é uma generalização de N componentes em paralelo quando existe a condição de que k componentes do total de N componentes idênticos e independentes devem funcionar para que o sistema também funcionar. será mais benéfico prover componentes sobressalentes do que sistemas sobressalentes. Em alguns sistemas. A diferença não é tão grande quando os componentes apresentam alta confiabilidade (R>0.Figura 2. como no caso de geradores de emergência em hospitais. Nesse caso.

pode-se também determinar a confiabilidade do sistema com facilidade.19) é a probabilidade de que exatamente x componentes estejam operando. No caso dos componentes com confiabilidades distintas no momento da análise.  Carros c/ cinco pneus (um step) precisam de pelo menos quatro funcionando p/ poder funcionar.20) corresponde ao número de maneiras que x sucessos (não falhas) podem ocorrer a partir de N componentes. mas necessitam de um único operante para suprir demanda. com confiabilidade R e distribuições de tempos até falhas independentes. . porém existem casos em que esse tipo de consideração leva a resultados pouco realista.  Centrais de geração de energia operam c/ dois ou três geradores. Sistema do tipo 1-2 ou 1-3. somente uma fração dos fios garante a sustentação da carga. os cálculos de confiabilidade foram feitos considerando a independência entre os componentes do sistema. (5. mediante suposição de componentes com modos de falha independentes. Não é possível uma representação genérica do diagrama de blocos para sistemas do tipo k-N.6 SISTEMAS COM COMPONENTES DEPENDENTES Nos sistemas dos tópicos anteriores.  Pontes suspensas e guindastes constituídos de cabos c/ milhares de fios de aço. 5. A confiabilidade de sistemas k-N pode ser facilmente obtida a partir da distribuição de probabilidade binomial supondo-se componentes idênticos. Em algumas situações essa independência é válida. Observe que esta conclusão é válida pois: (5.

as falhas dos componentes são independentes e com isso tem-se um cenário de máxima confiabilidade para o sistema. No limite inferior. Cada proposta modela casos diferentes. ii) Modelo do fator β. há uma dependência entre as falhas do sistema (a falha de um componente aumenta a taxa de falha do restante dos componentes). Há várias ideias para calcular a confiabilidade de sistemas com componentes dependentes. iii) Modelo do fator β generalizado. iv) Modelo da taxa de falha binomial. Já no limite superior. Para cada tipo de sistema há uma especificação distinta para os limites de confiabilidade. o que torna esse modelo inviável para sistemas complexos e com grande número de componentes. mas citaremos apenas quatro: i) Método da raiz quadrada. o método da raiz quadrada leva em conta o arranjo estrutural dos componentes do sistema para estabelecer os limites inferior e superior de confiabilidade. . Por exemplo.