disponível em www.scielo.

br/prc

Estudo de Caso como Procedimento de Pesquisa Científica:
Reflexão a partir da Clínica Fonoaudiológica

Case Study as Scientific Research Procedure: Reflection from Clinical Work

Laïs de Toledo Krücken Pereira*, a, Dalva Maria Alves Godoyb, & Denise Terçariolc
a
Universidade do Sul de Santa Catarina ,bUniversidade do Estado de Santa Catarina
c
Universidade do Vale do Itajaí

Resumo
O artigo tem por objetivo refletir sobre questões metodológicas e epistemológicas relativas à utilização
do Estudo de Caso como estratégia de pesquisa científica. São apresentadas três modalidades de estudos
de caso na área da fonoaudiologia, focalizando a seleção de caso a partir de análise estatística, o uso do
arquivo clínico na pesquisa e a construção da teoria de clínica. Analisam-se vantagens, possibilidades,
dificuldades e cuidados necessários à utilização da estratégia. Os resultados evidenciam a flexibilidade
da estratégia relativamente à seleção dos casos, coleta, análise e interpretação dos dados, salientando sua
versatilidade. Destaca-se a transitividade da estratégia por diferentes esferas de conhecimento, da atuação
clínica à construção teórica e ao ensino, ressaltando seu papel na construção do conhecimento na área.
Palavras-chave: Estudo de caso; Pesquisa qualitativa; Método de pesquisa; Clínica.

Abstract
The objective of this article is to consider methodological and epistemological questions concerning the
use of case study as a strategy of scientific research. Focusing on case selection through statistics analy-
sis, the use of clinical files in research, and the construction of clinical theory, three kinds of case studies
in the area of speech pathology are presented. Advantages, possibilities, difficulties, and necessary cares
concerning the use of the strategy are analyzed. The results point out to the flexibility of the strategy in
terms of selection of cases, collection, analysis, and interpretation of data, stressing its versatility. From
clinical performance to theoretical construction and education, the transition of the strategy through
different spheres of knowledge is evident, which emphasizes its role in the construction of knowledge.
Keywords: Case study; Qualitative research; Research methods; Clinique.

O Estudo de Caso é um procedimento utilizado habi- tal de sensibilidade ao que é ambíguo, ao duplo sentido e
tualmente na intervenção clínica com objetivo de com- ao hipercomplexo. Neste sentido, a clínica pode ser vista
preensão e planejamento da intervenção, destacando-se além de área específica de atuação como uma aborda-
pela possibilidade de integração de diferentes técnicas e gem ou forma de olhar, como apontam Costa e Brandão
campos do conhecimento. Nessa condição, o conheci- (2005) em suas considerações sobre a possibilidade de
mento teórico é dirigido ao individual e ao particular, construção de novas formas de atuação que se sustentem
em um autêntico ato de ‘debruçar-se sobre o leito’, o que, numa forma ampla de concepção de clínica.
etimologicamente, encontra-se presente na palavra clí- A clínica configura-se como um precioso e particular
nica, conforme aponta Barbier (1985). O autor refere tam- espaço de conhecimento, semelhantemente a um labora-
bém o significado “procedimento de observação direta e tório (embora sem a possibilidade de controle dos ele-
minuciosa”, relacionado ao termo (p. 45) e à condição mentos interferentes), no qual a todo momento se testam
de a clínica incluir a exploração e compreensão dos sig- e se constroem hipóteses. Nesse espaço se confrontam
nificados presentes nas ações do sujeito. teoria e realidade, hipóteses e soluções por vezes ines-
Para Barbier (1985), a clínica representa conceito-chave peradas e desconhecidas, no embate cotidiano de supe-
pela condição de se situar no encontro entre a ciência ração de dificuldades e buscas por melhores condições
fundamental e a ciência aplicada com relação ao homem. de vida. Em tal espaço, afirma Souza (2000), a prática
O autor propõe a valorização do espaço clínico como es- não se configura como aplicação de teorias, pois a impre-
paço científico, enfatizando sua característica fundamen- visibilidade e o acaso dos encontros exigem que se pro-
duza e se opere sobre as teorias, originando novos vetores
*
Endereço para correspondência: Rua Eduardo Nicolich, de teorização.
33, Apto. 602, Agronômica, Florianópolis, SC, Brasil, CEP A fonoaudiologia focaliza o homem enquanto sujeito
88025-530. Tel.: (55) 48 3204 9164, (55) 48 9933 8058.
E-mail: laiskpereira@gmail.com comunicante, sendo seu campo epistemológico “neces-

422

à condição primordial de o objeto de estudo ser não ape- cias ditas sociais. é essa flexibilidade na mudança de método que nente no transitório. para adap- conhecimento específico. dica. o universal no particular. O Caso como estratégia de investigação do ponto de vista rigor científico é. pela objetividade. será examinado o Estudo de bem conduzir a razão. com o empenho de Descartes. seu papel o de procurar a verdade nas ciências e o de postos e método. conhecimento científico mostrou que a excessiva exigên- ções gerais sobre a utilização do Estudo de Caso como cia de rigor científico pode restringir a construção do estratégia de pesquisa científica nas áreas que têm a clí. focalizando-se as condições es. sariamente multidisciplinar e interdisciplinar”. é o espaço no qual a precisão Este artigo tem por objetivo refletir sobre questões me. A seguir. o ser humano. ções que cria no meio em que vive. ou seja. está na natureza do procedimento de investigação científica. objeto. elabora ‘interpretações’ que confe- quer área científica. a utilização de esquemas. a mite. como que afeta seu comportamento. em áreas do conhecimento que têm a clínica como espa. surgiu no contexto das ciências natu- Inicialmente será apresentada a revisão de literatura rais. Ao final. má-la em ‘mundo’. deve prevalecer a condição de Pressupostos e Método que “existem alguns métodos científicos. o método há que ser considerado “uma destaca Alves (1985). O método. Nas ciências do homem.. mas um espí- rito e um só tipo de visão propriamente científica” como O conhecimento científico se caracteriza pela busca de afirma Granger (1994. serão feitas considera. dos objetos. que possibilite variável no espaço e no tempo. Como ressalta o todológicas e epistemológicas relativas à utilização do autor. delimitando possibilitam a elaboração de classes e o relacionamento seu espaço científico (Cunha. A partir dessa perspectiva. Na concepção desse estu- manifestações. têm a clínica como referência. que é a mesma em meio à multiplicidade de suas teira do saber” (1983. expressão da preocupação com teórico e metodológico. o método deve subordinar-se são integradora é característica em particular das ciên. p. procede-se à prir devidamente seu papel tem que se adaptar às condi- análise de condições e possibilidades. então’. p. sendo portanto demanda visão integradora e múltipla. subjacente à forma das coisas. com a finalidade de garantir a condi- de de avaliar as suas possibilidades de contribuição à ção específica do conhecimento científico. Transcende os limites. uma ordem invisível. O nível do ‘saber que’ ao mesmo tempo de utilização e de produção de conhe. dioso. representada construção do conhecimento científico. conhecimento. Destaca ele que. A busca pode garantir que a ciência se torne ainda mais metó- da compreensão do conhecimento humano em uma vi. como Para Bachelard. mento oriundo de diferentes áreas (Minayo. Esse nível está rela- nhecimento científico. a evolução do pecíficas de utilização. O nível seguinte é o do apreender seu objeto de estudo em sua complexidade. elas em benefício próprio. é condição fundamental na construção de seu Segundo Hegenberg (2001). Nas ciências sociais. Ao Também variável no espaço e no tempo. necessita assim de procedimento particular. o ‘saber como’ (knowledge how). astúcia de aquisição. sua disposição e as condi- ciência aplicada. Assim. em deter- que ofereceu suporte às considerações teóricas relativas minar as regras de todo conhecimento científico. com a finalida. na construção do O Conhecimento Científico: conhecimento científico. Há aqui a manipulação que implica visão abrangente sustentada por conheci. 2000). desse processo tem vários níveis. o rigor científico para cum- ço de ação. que é ao mesmo tempo técnica. Nesse nível como a fonoaudiologia. 22 (3). O espaço clínico. p. cionado à lógica universal. útil na fron- sas. como aponta Granger (1994). que vai além do saber individual.. (knowledge that. Busca a natureza íntima das coi. o perma. o aponta Severino (1996. conhecimen. 122). como que também pensa sobre sua ação e o que lhe acontece. os atributos começam a ser abstraídos dos objetos e tituição do objeto de conhecimento da área. 2004). bem como o caráter complexo da rem ‘inteligibilidade’ às coisas. em 1673. um estratagema novo. uma vez que a ‘dificuldade’ culdades relativas à aplicação do Estudo de Caso como não está nas teorias ou no método. connaître). ções do seu objeto de estudo. a cientificidade da pesquisa. que têm como objeto de estudo alguém nas falante como pensante. o do ‘saber de’ (knowledge of. Entretanto. a necessidade de flexibilização dos procedimentos com relação aos ajustes ao objeto.Psicologia: Reflexão e Crítica. seus pressu. entretanto. imediata. modificando a si e ao seu 423 . o invisível no visível. O estudioso. 45). de raciocínio tem papel fundamental. clínica. sendo à constituição do conhecimento científico. a relação teoria-prática. 422-429. O mais básico deles é A construção do conhecimento científico nas áreas que. assim. entre sistemas de referência. Dessa forma clínica se configura como condição fundamental na cons. os três tipos de conhecimento estão intimamente Estudo de Caso como estratégia de pesquisa científica associados e nos acompanham ao longo da vida. aliás. independe do espaço e mente flexível e capaz de respeito e apreensão de seus do tempo e subordina-se a um sistema de significações múltiplos desdobramentos a fim de tranformar-se em co. to-ação. a existência em ação de um ‘se . vantagens e difi. savoir) é independente da experiência cimento. enfatiza o tar-se à ‘circunstância’ em que vive de forma a transfor- papel da prática na produção de conhecimento de qual. predominam os sentidos e a percepção. esse nível per- constituir origem e destino de formulações teóricas. permitindo a ação sobre prática humana. O zelo por tal rigor muitas vezes mostrou nica como campo de atuação. 24). O conhecimento advindo social e pedagógica.

conside- mológico tem a função de vigilância crítica. Esta mação da suntuosidade que é a vida dos seres humanos unidade deve ser parte de um todo e ter realce. A totalidade invés de sinônimo de modelos e normas a serem segui. processos envolvidos no fenômeno em estudo. que a situação a ser estudada não pode ser isolada Herman e Schoutheete (1977). O autor 424 . tanto a aquisição de um privados. ou do sucesso na investigação. o Estudo de Caso é a do seu encaminhamento. desenha- sária a aceitação tanto dos critérios de historicidade. portanto. do objeto pode ser preservada através da amplitude e dos. considerado em sua riqueza de significa. e é ele que vai se velmente o mais relevante dos tipos de pesquisa quali- refletir na interpretação dos dados. segundo Bruyne. tar e ratificar seu caminho. como do a partir de múltiplas fontes de evidência. formado entre os pólos epis. Essa capacidade de Investigação Científica do pesquisador reflete suas preocupações sociais e sua condição de perceber correlações multilaterais e em cons. teórico. rando-se que o interesse do pesquisador deve ser com do-se pelos modos de raciocínio que guiam a pesquisa. é fundamental que se reconheça que todo incluem dados obtidos tanto em observações diretas e conhecimento é aproximado. embora o considere pou- co. fundo de um objeto. é o pêutico. referencial teórico que orienta o pesquisador. morfológico e técnico. Nesse trajeto. que constituem a sua arte. princípios e estabelecimento como da interação entre os dados observados e a dimen- de resultados. mento e a perda de energia. constituin. O autor considera ain- trução do conhecimento. o econômico. talhadas quanto possível. assim. controlar a co adequado à quantificação das informações. da que o Estudo de Caso orienta a reflexão sobre uma tos: o didático. Minayo (2004). ao indicar procedimentos estru. 2002. A estruturação interna da pesquisa. fruto de construção. são temporal em que se dá o fenômeno. coleta de dados. mento ou propor uma intervenção. história de um fenômeno. a história de vida de uma pessoa ou um processo tera- rado. incorpore a capacidade criadora e a experiência do pes- quisador. Outro aspecto a ser conside. a autora considera a necessidade da utilização de tudo de Caso “é uma categoria de pesquisa cujo objeto é instrumentos e teorias que possam “fazer uma aproxi. de forma a relativizar O Estudo de Caso como Estratégia e complementar o instrumental técnico. nos limi. conhecimento na área da saúde. uma unidade que se analisa aprofundadamente”. métodos. Uma vez do de Caso. proposição de ações transformadoras. e o pedagógico. análise. afirmam Goode e Hatt (1973). grifo do autor). ao de maneira a preservar seu caráter unitário. Ao polo morfológico tativa. ser em sociedade” (Minayo. do com vistas a promover uma análise do contexto e dos temológico. a respeito do objeto de estudo rada como uma idéia reguladora de alta abstração. passado ou corrente. Psicologia: Reflexão e Crítica. 15). que a lhado conhecimento sobre o mesmo. que deve poder ser confrontado à teoria. entrevistas sistemáticas. A autora ressalta que o trabalho científico caminha verticalidade dos dados. que leva o pesquisador à tomada de decisões e/ou à turados e ordenados que evitarão a dispersão do pensa. O pólo teórico tem a função de guiar a elaboração de Triviños (1987) aponta o Estudo de Caso como possi- hipóteses e a construção de conceitos. nas quais se de colaboração. uma falhas que permitirão a correção de desvios e o alcance vez que pode ter por objeto determinada comunidade. a cientificidade deve ser conside. pois o Estudo de Caso deve ser realiza- forças de sua organização. bem ção de suas teorias. da comunicação. através dos diferentes níveis de em duas direções. ao guiar o pesquisador na busca de seu cena. o que seria pra- escolha do método esteja condicionada pelo campo de ticamente impossível através de outros métodos de investigação. identifica os seguintes aspec. de maneira a permitir amplo e deta- tes da consciência possível. Caso na pesquisa quantitativa. p. 422-429. ressalta a necessidade portanto. Para Leonard-Baxton (1990). Refere a possibilidade de utilização do Estudo de cabe compor a figura do objeto científico e cabe ao técni. da formação de índices e tipos de dados. pois o método possibilita compartilhar dado que a complexidade do estudo está determinada pelo ou compreender uma experiência. evento ou situação. investigação. respeito à relação fenômeno-contexto. produzindo uma análise crítica propósito. O pro. refere a estudiosa. analisando o papel do método na cons. isto é. Conforme o autor. nizar dados e reunir informações. o Es- teoria. são várias as dimensões e os cia. ao apontar o Estudo de Caso caracteriza-se por sua natureza. É essencial. em que é neces. A outra. configura um campo de do seu contexto. Caracteriza-se também por sua abrangência. que a realidade social transcende em riqueza qualquer Segundo Triviños (1987. meio conforme a interpretação que dá a sua circunstân. 22 (3). 133. abandonando trajetos e reven. Cada fato relevante para o conjunto de eventos saber como o aperfeiçoamento de uma metodologia e a descritos no fenômeno é um dado potencial para o Estu- elaboração de uma norma. significativa e por isso permitir fundamentar um julga- Viegas (1999). ao analisar diferentes aspectos do aspectos que estão presentes no método científico e que. Assim. precisa de liberdade para inven. O Estudo de Caso caracteriza-se como o estudo pro- tante mutação presentes na realidade objetiva. ressaltado por Nachmias e Nachmias (1996). uma delas responsável pela elabora. tão numerosas e de- Para Minayo (2002). como em arquivos públicos ou cedimento científico é. O pólo episte. p. Os autores dos e no dinamismo da vida individual e coletiva como caracterizam o Estudo de Caso como um meio de orga- ponto inerente ao fenômeno de estudo. ainda. Ressalta. devem ser considerados na sua seleção e utili- de que o método na produção do conhecimento teórico zação com propósitos de pesquisa científica.

compreendem: falta de rigor. influência do questões primárias de pesquisa. Para tanto. quisa. A primeira e mais im. Pode indivíduo observando a atividade da vida real. M. (2009). “em sua particularidade. O Estudo de Caso não é. objetiva o controle do con. padrão fixo como acontece na pesquisa experimental. o Estudo de Caso se dado como ferramenta exploratória. de Caso. de uma comunidade. bem como o planejamento sobre os eventos e qual o enfoque dado por ele ao fenô. O Estudo de Caso. os Estudos considerados relevantes. Nela o fenômeno está. 2001). meno. pois possibilita um podem constituir pontos frágeis. Estudo de Caso como Procedimento de Pesquisa Científica: Reflexão a partir da Clínica Fonoaudiológica. xi). a teoria há a possibilidade de estudar dois ou mais indivíduos e serve como modelo para análise e comparação dos resul- não existe o objetivo de comparação). Por isso a estratégia do Estudo de Caso trunfo do procedimento. que no Estudo de Caso o pesquisador entra no mundo do portamento das crianças durante o recreio escolar). explicando e comparando por justaposição e compara. L. pois se acredita que essas condições história de vida. considerado dentro de suas Para assegurar a condição de cientificidade do Estudo características. de Caso são análises que incorporam várias perspecti- A pesquisa experimental. sa dos dados e a delimitação teórica prévia. podendo integrar diferentes condições devem ser atendidas. em que serve a propósitos pontos de dados. D. de dições contextuais. uma pesquisa fácil. K. Várias técnicas de investigação a proposições teóricas e não a populações. apóia-se nas proposições teóricas pré-estabelecidas para ção dos fenômenos) ou de Estudos Multicasos (quando conduzir a coleta e a análise dos dados. No entanto. uma forma de se coletar evidências. em contrapartida. Do ponto de vista da pesquisa científica. constitui também o ponto fraco como método de pesquisa requer a apresentação rigoro- desse “parente pobre” entre os métodos de ciências so. ao passo tos específicos de uma realidade maior. gorosamente controlada pelo experimentador. a coleta de dados é ri- de estudantes) e microetnográficos (referentes a aspec. & Terçariol. por isso deve seguir um conjunto de de diagnóstico ou de intervenção. p. possibilidade de aprofundamento e compreensão do ob- dições relativas ao uso ou ao preparo do pesquisador. identifica diferentes formas de Estudo de Caso. ensino. Essa condição de versatilidade. ela é extrema. global onde o papel da teoria não é deformado. texto (Yin. dências e. que é o grande neralizar teorias. apesar de o Estudo de Caso de uma situação ou contexto específico (Yin. Merecem particular aten- estudo aprofundado do fenômeno. Godoy. da pesquisa científica. rar à cientificidade integrado num processo de pesquisa de forma distinta. Os re- Com referência à condução de um Estudo de Caso. tacar a flexibilidade do Estudo de Caso como uma de râneos em que não se pode controlar comportamentos suas características. É importante ressaltar que o Estudo de Caso como mente complicada. de certa forma. A sustentação teórica é aspecto fundamental no Estu- distinguível de seu contexto e é exigida atenção espe. o que não ainda assumir a forma de Estudos Comparativos de significa menor rigor na coleta e análise dos dados. como qualquer outra estratégia de pesquisa. ressalta Yin (2001). daí a necessidade da identificação das método de pesquisa se diferencia de sua aplicação no condições da investigação e do preparo do pesquisador. Diferen- com inúmeras variáveis de interesse e não apenas com cia-se também do uso clínico. A coleta de dados. T. onde a tão discerníveis dentro do contexto da vida real. No Estudo de Caso. O Estudo de Caso é útil. do estudo e demanda de muito tempo para a sua conclu. destaca sobretudo por manter a visão unitária do objeto dera uma ferramenta explanatória. segun. parecer. embora vas simultaneamente. pois neste o objetivo é proporcionar uma discus- O Estudo de Caso é uma situação única em que se lida são e debate entre os participantes do grupo. muitas das restrições se referem a con. observação do tipo de controle que o pesquisador tem sua análise e a interpretação. e o preparo do pesquisador. pode-se des- quando se quer investigar acontecimentos contempo. mas uma são. algumas de estudo em seu contexto. o uso clínico procedimentos pré-especificados. Outra condição é a ção: a seleção dos casos. descrevendo. só pode aspi- cial às variáveis que o influenciam. lidar com con- quais os históricos-organizacionais. A unidade ciais. que.. A. observacionais. deliberadamente. não sultados do Estudo de Caso possibilitam generalizações existe uma forma única. pouca base para generalizações e extensão conferirá robustez ao estudo. Segundo Tellis (1997). como o com. jeto de estudo. D. Além cional (referentes a eventos específicos. é particularmente útil para responder per. 2001). entre as procedimento se quer. a coleta e o registro de dados. Yin (2001) o consi.Pereira. são altamente pertinentes ao fenômeno investigado. Outras críticas. de análise situa. uma vez que o podem ser combinadas tendo em vista o propósito da objetivo da pesquisa de Estudo de Caso é expandir e ge- pesquisa. Essa seleção apropriada investigador. na pesquisa experimental. como uma greve disso. fenômeno e contexto nem sempre es. ou didático comporta recortes diferentes dos do âmbito Apesar de freqüentemente o Estudo de Caso ser abor. Assim. teórica de análise do Estudo de Caso deve especificar as do o autor. é fundamental considerar vários aspectos que guntas do tipo ‘como’ e ‘por que’. caracterizando-se como estudo intensivo Como ressalta Yin (2001). portanto. para muitos. do de Caso. perspectivas disciplinares e diferentes técnicas investi- portante condição é definir o tipo de pergunta da pes. Na pesquisa. Assim. tados e possibilita a ‘generalização empírica’. Casos (quando há o estabelecimanto de comparação O Estudo de Caso baseia-se em várias fontes de evi- entre dois ou mais enfoques específicos. gatórias. as questões de seja igualmente direcionada a responder questões de pesquisa e as unidades de análise não podem seguir um pesquisa ‘como’ e ‘por que’. considera Yin (2001. Neste crítica epistemológica dos problemas e dos conceitos não 425 .

Psicologia: Reflexão e Crítica. & Hughes. não há controle das variáveis. no entanto. A primeira examina a nova pesquisa objetivando responder ‘como’ e ‘por que’ possibilidade de seleção de Estudo de Caso a partir de não representam um evento dentro da média da popu- pesquisa quantitativa. Ressalta-se que o Estudo de Caso. 1986). Para essa nova pesquisa. objetivar o controle do contexto. apoiados em conceitos e que a coleta de dados casos extremos (Woods. Essa fonológica uma habilidade fundamental para a aprendi- concepção ressalta a diversidade possível de formas e zagem da leitura e da escrita e. A segunda expõe a análise de ca. a seguir se apresen. ou seja. devem ser investigadas. amplian- tões ‘como’ e ‘por que’. O referencial teó. utiliza a ângulos através das quais a análise pode ser realizada e tarefa de leitura de pseudopalavras como importante ins- também os diferentes enfoques a que essa análise pode trumento de diagnóstico. 227). ram-se os dados referentes ao desempenho em leitura de texto estão firmemente imbricados. A pesquisa experimen- tal trabalha com uma amostra representativa da popu. considerados e analisados. (2005). a estratégia de Estudo de sos clínicos como procedimento de pesquisa em Estudo Caso é recomendada.. memos. To- seja dirigida por um esquema teórico. uma vez que. considerada outro investigou a contribuição da consciência fonológica e a ponto delicado. outras variá- veis. plinares.pdf 426 . fatores que escaparam ras. 422-429. O aporte teórico técnica de pesquisa adequada. a fim de garan- Estudos de Caso não se limitem a descrições. por mais tir uma amostra mais homogênea para análise. ao considerar o fenô- de Caso documental. ou póteses. pode ser um precioso depó- produz sobre o objeto estudado. Florianópolis. mas que sejam orientados por hi. o Estudo de Caso a partir da análise esta- tendência de fragmentação e disjunção do conhecimento tística deve utilizar como unidade referencial de análise científico.br/teses/ estatisticamente e. tende à preservação da condição de complexi. como o Estudo de Caso busca A Seleção de Caso a Partir de Análise Estatística estudar o fenômeno dentro de seu contexto. orienta-se a uma visão que. lação. área de atuação das auto. e aprofundando. A. 1973). Curso de Pós-Graduação em Lingüís- Os dados de uma pesquisa experimental são tratados tica. podem vir a constituir de utilização do Estudo de Caso. e como teoria a que fundamentou a dade do ser humano. como ressalta Yin (2001). resultados desprezados são denominados outliers. Na estratégia de Estudo de Caso. O Uso do Arquivo Clínico com a Finalidade lação e objetiva o controle do contexto de ocorrência do de Pesquisa: Um Procedimento fenômeno. M. torado não-publicada. ao permitir a ao controle rigoroso da pesquisa experimental podem ser integração do ponto de vista de diferentes áreas disci. Para se população estudada. No Estudo de Caso. e a investigação está 1 Godoy. o conhecimento sobre o assunto. 22 (3). uma pesquisa experimental que rico se reflete na análise dos dados. D. citado por influência do método de alfabetização sobre o desenvol- Lüdke & André. freqüentemente.ufsc. dessa pesquisa experimental foram descartados os dados Considerando a importância do Estudo de Caso como de três sujeitos que apresentavam médias abaixo de dois método de investigação e sua importância para o campo desvios padrão da média da amostra. Esses completas que sejam. Retrieved from http://www. 1977. pseudopalavras de três casos extremos. despreza- das ciências humanas e sociais. pode vir a confirmar ou refutar a teoria utilizada. Aprendizagem inicial da leitura e da escrita no português do Brasil: Influência da consciên- pautada em várias fontes de evidências presentes nesse cia fonológica e do método de alfabetização. em profundidade. constituído pelo registro do atendi- quisador a fim de se observar os efeitos que essa variável mento prestado a pacientes. para conduzir a coleta e a análi- de Morin (2000). de forma a possibilitar a utilizado na pesquisa foi o modelo cognitivo de duplo realização de inferências dos dados que sejam válidas processamento que considera a capacidade de análise para o seu contexto e que possam ser replicáveis. ao sito de material para pesquisa. da mesma forma que levando o pesquisador a observar fontes de evidência pre- a pesquisa experimental. como pesquisa explanatória. mas diferencia-se dela por não do. em que fenômeno e con. a análise dos dados deve seguir vimento inicial da leitura e da escrita1. pertinentes ao fenômeno. contrapondo-se à Dessa forma. O arquivo clínico. oriundos da Fonoaudiologia. O procedimento de Estudo de Caso pois. Para a análise dos resultados estar subordinada. 1986). SC. Segundo Krippendotff (1980. Nela as variáveis que provavelmente influen- ciam o fenômeno são isoladas e manipuladas pelo pes. tam algumas reflexões relativas a situações específicas Esses três casos. Universidade Federal de Santa Catarina. como ilustração.tede. O Estudo de Caso se caracteriza. A terceira tece considerações sobre meno dentro de seu contexto de vida real. a partir da média da PLLG0348. como recomenda a metodologia do Estudo de Caso. a da amostra inicial. é negligenciada” (Bruyne et al. classicamente. o que se quer deliberadamente é estudar o fenômeno em seu caráter unitário dentro de seu contexto. Esse arquivo é constituí- contrário. é necessário que os de dois desvios padrão são desprezados. Fletcher. Evidentemente. sentes na vida real. p. o que permite um conhecimento am- ria de clínica. valor fundamental na perspectiva pesquisa experimental. investiga-o a importância do Estudo de Caso na construção da teo. Os três tipos de estudos comentados são plo e detalhado sobre o mesmo (Goode & Hatt. se dos dados. afirmam os autores. busca responder às ques. Tese de Dou- contexto. os dados que estão acima ou abaixo evitar esse risco.

das necessidades de ajuste do foco narrativo e do acrés. do por casos clínicos. em torno das quais fo- (1986) como qualquer material registrado que possa ser ram elaborados quadros de organização. inclu- uma clínica-escola de instituição do ensino superior sividade. que consiste na realização de várias leituras até rico. SP. apesar de labo- senvolvimento Humano. A quinta e a sexta complementaram 1986). com constituído pelas várias leituras que se mostraram ne. com o objetivo de verificar vel e sistematizando a coleta de dados. A análise. Universidade de São Paulo. Tal tarefa foi orienta- e do marco teórico escolhido para a pesquisa. delineado mais nitidamente a partir das efetivas diferente focalização e para isso precisam receber trata. L. O material assim constituído foi mento específico. Godoy. de maneira bastante flexível. como relações e associações que pudessem ser conside- turas sucessivas. levantaram uma série de Condição fundamental para o desenvolvimento desses considerações hipotéticas sobre os achados do conjunto estudos é a escolha de procedimento que dê conta dos geral dos casos. 1986). a técni- 2 Pereira. (2009). buscou relacionar os dados da história de cia do esquema de análise. Curso de Pós-Graduação em Psicologia do De- material proveniente de arquivo clínico. integrado roteiros. A. Numa pesquisa. o que resultou no apare- dados. Numa pesquisa. D. heterogeneidade externa. Estes serviram de base considerado documento. A elaboração das categorias trumentos da pesquisa foram roteiros referentes às en. O sob a perspectiva configurada no delineamento inicial método mostrou-se consistente. trevistas com os pais e às avaliações fonoaudiológicas e num esforço de melhor atender à especificidade do ma- psicológicas. mutuamente exclu- constituído pela avaliação diagnóstica fonoaudiológica sivas e seu sistema de classificação deve ser passível de e psicológica realizada com crianças e seus pais. cujos conteúdos podem ter sido Durante esse processo. porque possibilitou a sistema- 427 . 1981. tiva. Os diferentes itens resultantes dessa cate- O procedimento adotado na pesquisa do material foi gorização foram analisados e relacionados entre si. entre as quais o ajuste do próprio ob- intervenção. D.Pereira. Nesse sentido as localizada em grande centro urbano brasileiro. condição ajuste.. ainda. L. T. & Terçariol. A sétima leitura derivou etapa final da discussão dos resultados. foram conside- múltiplo realizado com o objetivo de estudar as condi. mas também se enriqueceram e melhor se delinea- que o material seja considerado esgotado e que os dados ram ao longo do trabalho. as categorias bios do desenvolvimento da linguagem2. E a oitava leitura confirmou e exauriu os dados esta também apontada por Lüdke e André (1986). ou divergentes. citado por Lüdke & André. conforme recomenda Lüdke e psicológica. K. Com isso. Esse foi o procedimento aplicado em um estudo de caso Para a determinação dessas categorias. Distúrbios do desenvolvimento ca de leituras sucessivas utilizada no Estudo de Caso de da linguagem e dinâmica familiar. foram sendo efetivadas algu- obtidos a partir de diferentes técnicas com finalidade de mas modificações. Tal fase da análise e tornaram viáveis a seleção dos casos e a aplicação dos se caracteriza como um processo divergente. Freqüentemente vidual dos casos. rados os critérios propostos por Guba e Lincoln (1981. As categorias provieram basicamente do marco teó- sivas. André (1986). conjunto geral dos dados. considerando o material disponí. o relato de cada caso. entre os casos particularmente importante no estudo de caso múltiplo individuais. O procedimento para coleta e análise dos dados foi sen- cimo de dados que se fizeram necessários a partir desse do construído durante sua própria evolução. condições do material. reprodução por outro juiz. coerência e plausibilidade. A terceira e a pelas estratégias de aprofundamento. A pesquisa foi devem refletir os propósitos da pesquisa e apresentar desenvolvida a partir de material disponibilizado por homogeneidade interna. ligação e amplia- quarta leituras foram individualizadas e possibilitaram ção (Guba & Lincoln. A primeira análise foi indi- a partir do(s) objetivo(s) da pesquisa. de forma prevista por Lüdke e se mostrem redundantes. Em seguida. da pela preocupação com a sistematização e pela coerên- qualitativa. o conjunto dos dados colhidos pela necessidade de padronização no tratamento dos foi reexaminado e organizado. T. riosa. tais casos passam a exigir jetivo. Os resultados dessa análise. cujo objetivo foi utilizado como fonte de informação. O confronto teórico dos dados foi elaborado como e esclareceram dados coletados. tratamen- to e análise dos dados e interpretação. organizados a partir dos modelos clínicos terial e aos propósitos da pesquisa. organizado em confronto com vida dos sujeitos aos das avaliações fonoaudiológica e o objetivo da pesquisa. deu-se em várias etapas. citado por Lüdke & André. ções encontradas e orientando e sustentando o processo da pesquisa em suas diferentes fases: seleção. ções referentes à dinâmica familiar em casos de distúr. A segunda análise foi direcionada para o objetivos da pesquisa. Os ins. isto é. sendo categorias criadas devem ser. adaptando-se às condi- da pesquisa. totalizando oito lei. que se inicia pela seleção do(s) caso(s) analisado em duas etapas. sendo selecionados sete casos. Esse aspecto é possíveis pontos comuns. tados ao referencial teórico. K. M. mostrou-se efetiva. o propósito de identificar tanto elementos emergentes cessárias no decorrer do processo. confron- trata-se de dar nova vida a casos de arquivo morto. Tese de Doutorado não- publicada. definido por Lüdke e André para a organização de categorias. Estudo de Caso como Procedimento de Pesquisa Científica: Reflexão a partir da Clínica Fonoaudiológica. As duas primeiras leituras foram gerais radas pertinentes à questão em foco. (1995). Os autores propõem o de possibilitar a análise dos dados sob nova perspec- para o estudo de documentos a técnica de leituras suces. André (1986). o material do arquivo clínico é cimento de temas e temáticas.

fenômeno social. ou melhor. se conjugam aos da O Estudo de Caso na Construção ordem do ‘saber que’ (knowledge that. a vezes imprevisíveis. contribuindo para a construção do conheci- justificada pela própria natureza da área que tem origem mento científico. dis- de levantamentos de dados. 22 (3). 5). representar e conduzir as suas vidas tilidade é a possibilidade de trânsito entre as diferentes nos processos de adoecer: modos singulares e por muitas esferas de conhecimento: a da ação. mentos. Dessa busca por teorias que possam rem uma significação humana na medida em que são explicar os diferentes modos de adoecer (e não diferen. nascem indagações. sensível e imediato. Afinal o conhecimento inadequação da generalização do conhecimento obtido científico é sempre provisório e a relação entre teoria e pelo estudo de um ou poucos casos. gridade e em seu contexto. referente à clínica. como sua integração e interpretação. Na tentativa de explicar as peculiaridades de cada caso. materiais ou cognitivos. o Estudo de Caso deve ração teórica. incorporados à realidade tes tipos de doenças). esses conheci- pesquisa. dos procedimentos de pesquisa científica. assumidos pela ação. e a do ensino. til que se ajusta à realidade através de múltiplas e dife- tes maneiras pelas quais seus pacientes se posicionam rentes técnicas e instrumentos. Nessa perspectiva. Con- psicólogos. da Teoria de Clínica independentes da experiência imediata e dos limites do espaço e do tempo. referente à formação e aprimoramento profissional. na atuação terapêutica. Na construção da teoria. contribuição ao conhecimento científico. savoir). pode transcender do particular ao geral através da elabo- Conforme nos diz Yin (2001). No espaço clínico. significar. a compreensão está atrelada à intervenção. da reflexão. especialmente nas áreas da tam. relativa à construção teórica. psiquiatras. p. tinguindo-a de sua utilização para fins clínicos ou de lidade de descrever um contexto de vida real no qual ensino. já constituídos. e por este meio garantir sua condição de cial complexo ou explicar ligações causais em interven. assim como outras áreas que com. só adqui- do conhecimento. as singularidades que na clínica se apresen. connaître) e do ‘saber como’ (knowledge how). Nessa condição. que possibilite Na situação clínica. do terapeuta à construindo a condição para o alcance do objetivo da pessoa que é atendida. Outra condição também relacionada à versa- ceber. tendo indicação de utilização O Estudo de Caso oferece a possibilidade de alarga- quando a pergunta de pesquisa se apresenta por meio de mento da visão. à seleção dos casos. ao se entender o adoecer como um modo da dinâmica dos processos em sua complexidade. passíveis de interpretação e reflexão teórica. com referência cena não apenas a explicação dos quadros patológicos. 422-429. os que realizam a ação de cuidar (fonoaudiólogos. tização do procedimento da investigação. Essa flexibilidade pode diante dos agravos à saúde. confirmando ou refutando conhecimentos ser utilizado quando se quer entender um fenômeno so. entende. permitiu a pa. ou seja. dos dados. Psicologia: Reflexão e Crítica. bem como que possam orientar concreta do mundo. o estudo de caso constitui es- partilham a clínica como espaço de atuação. uma intervenção ocorreu. saúde. verbal e pré-verbal. da ordem do ‘saber de’ (knowledge of. Considerações Finais ção do(s) caso(s) a partir do(s) objetivo da pesquisa(s) e a de consistente fundamentação teórica. Ressalta-se ainda a necessidade de criteriosa sele. é uma área tratégia de busca de comprensão e de subsídios que pode do conhecimento cujo corpo teórico-metodológico é ob. análise e interpretação mas também os modos que as pessoas têm de sentir. é fruto tanto Dessas perguntas podem nascer novas teorias ou teorias de uma visão limitada de ciência e metodologia como da complementares às já existentes. teóricos. o que particular de se posicionar no mundo e que este modo constitui sua condição específica de contribuição à cons- demanda muitas vezes cuidados profissionais. per. que a valorização restrita do Estudo de Caso. entre outros) se forme afirma Gutiérrez (2002. O Estudo de Caso tem a fina. ou à coleta. trução do conhecimento científico. o conhecimento oriundo da per- tanto a emergência de dados nas diferentes etapas do cepção direta e da intuição têm papel inegável no ajuste procedimento. Ao se configurar como clínica. O Estudo de Caso só prática é ‘retroalimentar’. cultural e psicológico. Essa afirmação pode ser específicos. conforme a concepção de Hegenberg A Fonoaudiologia. “os sistemas. ‘primo pobre’ se bem formuladas resultam em perguntas de pesquisa. A abrangência de vi- 428 . (2001). entra em ser constatada nos relatos apresentados.” A presente análise evidenciou que os diferentes modos de cuidar. sejam orientam por teorias produzidas em diversos campos naturais ou artificiais. O Estudo de Caso se configura como estratégia versá- ela convoca o sujeito que a pratica a explicar as diferen. transcender a atuação particular e os objetivos clínicos jeto de constante (re)construção. enfermeiros. Essa condição ções ou situações da vida real que são complexas demais salienta-se como a específica do Estudo de Caso como para tratamento através de estratégias experimentais ou estratégia de construção do conhecimento científico. se o Estudo de Caso como ferramenta imprescindível para dronização dos dados recolhidos e sua reelaboração em os que se preocupam em explicar o adoecer também como categorias. apreendendo o indivíduo em sua inte- ‘como’ ou ‘por que’. condição da cientificidade da estratégia de Estudo de Caso. A estratégia permite a análise Dessa forma.

nova. 95-101). SP: Cultrix. G. A ciência e as ciências. P. Filosofia da ciência. D. J. São Paulo. W. Alves. a epistemológica. SP: EPU. M.. SP: Editora da Universidade Estadual Paulista. (1997). social science. 33-41. Hegenberg. C. RJ: Fran- cisco Alves. Petrópolis. Introduction to case study. a saber. (2001). R. 9-29).html dução do conhecimento e não somente à sua utilização. São Paulo. 260). Aceite final: 04/12/2008 429 . São Paulo. (2005). www. A. O ponto de mutação. A. Woods. (1973). R. SP: Brasília. São Paulo. Ciência com consciência. Fonoaudiologia como lugar na ciência. A. M. Godoy. pectivas epistemológicas. Dinâmica Porto Alegre. 17(2). Estudo de caso: Planejamento e métodos. & Hughes. (1999).). R. G. São tigação a caracteriza como instrumento coerente a uma Paulo. A. L. A. são e flexibilidade peculiar dessa modalidade de inves. Retrieved January 10. In M. a teórica. & Brandão. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. MA: Cambridge University Barbier. Cunha. Morin. Fonoaudiologia: Recriando seus sentidos: Interfaces (pp. F. considera-se fundamental que essa condi. Cambridge. São Paulo. Gutiérrez.” (Capra. p. método e criatividade (pp. da pesquisa em ciências sociais.. D. análises institucionais. Assim. Fletcher. a aborda- gem sistêmica enfatiza princípios básicos de organização . L. (1987). Minayo. 1(3). language studies. R. 1ª revisão: 16/06/2008 lados. para aqueles que têm a clínica como área os e técnicas. L. SP: Nacional. Tellis. S. & Schoutheete. RJ: Vozes. & Hatt. a morfológica e a Souza. A dual methodology for case studies: Synergistic use of a longitudinal single site with replicated multiple sites. Abordagem clínica no contexto comunitário: Uma perspectiva integradora. 27). Métodos em pesquisa social. estar vinculada à pro. C. O desafio do conhecimento. (2009). Epistemologia. C. SP: Roca. (2002).. Psico- logia & Sociedade. & André. 3(2). RJ: Zahar. S. In M. from http:// de hoje espera-se. Florianópolis. nários de debates (pp. D.. Freire (Ed. Rio de Janeiro.. (2000).Pereira. Leonard-Baxton.). Em vez de se concentrar nos elementos ou substâncias básicas. DF: Editora da Universidade de Brasília. São Paulo. K. Passos (Ed. L. Curso de Pós-Graduação em Educação. S. Saber de e saber que: Alicerces da racionalidade. 2005. Organization Science. Referências SP: Atlas. Capra. P. W. Estudo de Caso como Procedimento de Pesquisa Científica: Reflexão a partir da Clínica Fonoaudiológica. A noção de ciências humanas clínicas e as Press. D. Tese de Doutorado não- publicada.. (1985). SP: Hucitec. (1977). E. (1996). assim como a consistência de uma pesquisa que tenha Severino.. M.. F. As propriedades sistêmicas são destruídas quando um sis. Minayo.). 3 Por este termo se entende a condição de que: “Os siste- mas são totalidades integradas. 3-6). RJ: Vozes. Fonoaudiologia: Seminários de de- bates (pp. R. Triviños... mais que nunca. Minayo. Costa. Lüdke. 248- 266. (2001). (2000). Bruyne. Fundamentos da metodologia científica. Granger. (1990). Brasiliense. G. N. Rio de Janeiro. T. Yin.. Pesquisa em educação: Abor- dagens qualitativas. A visão referente à produção científica. RS: Bookman. (1994). em elementos iso. física ou teoricamente. que nos dias Report. N. In M. (2004). Viegas. Embora possamos discernir partes individuais em 2ª revisão: 17/09/2008 qualquer sistema. A. 1987. Métodos em fonoaudiologia: Princípi- técnica. & Terçariol. J. M.13- tes dimensões presentes na elaboração de uma pesquisa. S. London: Arnolds. São Paulo. RJ: Zahar. Research methods in tinção das diferentes finalidades de um Estudo de Caso. SC. Statistics in Bachelard. Ciência. RJ: Bertrand Brasil. C. S. (1985). & Nachmias. C. (1986).edu/ssss/QR/QR3-2/tellis1. Pesquisa social: Teo- ria. técnica e arte: O desafio da pesquisa social. Goode. Recebido: 11/05/2007 tema é dissecado. M. (1996) A fonoaudiologia como ciência: Pers- utilizado a estratégia metodológica de Estudo de Caso. está relacionada ao preparo do pesquisador nas diferen. a natureza do todo é sempre diferente da 3ª revisão: 03/12/2008 mera soma de suas partes. C. Fonoaudiologia: Semi- de referência. São Paulo. The Qualitative ção seja focalizada na formação profissional. SP: Plexus. (1987). inclusive a dis- Nachmias. (2002). Petrópolis. A. (1983). Herman. (2000). O problema científico: Construção formal ou delimitação no real. M. M. Univer- sidade Federal de Santa Catarina. K. W. P. J. Freire (Ed. (1986). C. P. Introdução à pesquisa em ciências sociais: A pesquisa qualitativa em educação. cujas propriedades não po- dem ser reduzidas às de unidades menores. SP: Roca. São Paulo. visão sistêmica3 da ciência. In M.