UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
HISTÓRIA DO BRASIL II (HUM 03041) – TURMA A – 2017/1 - PROFA. DR.A
REGINA CÉLIA LIMA XAVIER
GUILHERME GIOTTI SICHELERO
Quais são os aspectos mais significativos para a compreensão do
período imperial?

I

Para definir os aspectos mais significativos de um determinado período sempre
partimos de pressupostos subjetivos. A concepção de história do historiador é
determinante nesse processo, contudo o diálogo com a historiografia é o outro
lado dessa moeda. Enfim, é um processo dialético de antagonismo e inter-
relação das partes.
Assim como salientou Ruggiero Romano,

"Será que o historiador pode tentar fazer um “julgamento”?
Pode “tomar partido”? Questão inútil, já que sempre se julga
e sempre se toma partido... mas existe hipocrisia em tomar
partido em silêncio e a honestidade em confessá-lo... Calar-
se não significa dar provas de objetividade; significa
simplesmente conservar alguns na ignorância e levar outros
a fazer de conta que não entendem." (ROMANO, 1995)

Partindo desses pressupostos devemos definir as diretrizes desse julgamento,
dessa escolha. Sendo assim, a nossa analise parte da perspectiva do
materialismo histórico e o nosso método – do ponto de vista da ciência histórica
– é o que Edward Thompson denominou de Lógica Histórica. Contudo, não
ignoramos os desenvolvimentos metodológicos e teóricos realizados pela
chamada Escola dos Annales, sobretudo no que diz respeito ao que Peter Burke
(1991, p. 8) classificou como primeira e segunda gerações, ou seja, as
contribuições sobretudo de Marc Bloch, Lucien Febvre e Fernand Braudel.
Concordamos com Ciro Flamarion Cardoso quando salienta que,
"Há, na verdade, muito maior compatibilidade entre o
marxismo e as idéias do grupo dos Annales do que do
primeiro com tendências supostamente marxistas, como as
de Louis Althusser e seguidores ou as da chamada Escola
de Frankfurt. Mas há também diferenças. A mais importante
é, provavelmente, a pouca inclinação teórica dos

proletários e burgueses) em sua forma jurídica entram em contradição com o primeiro. Desse modo. . ” (MARX. 47-48). em que a produção e reprodução da vida material ocupam um lugar determinante no desenvolvimento das coletividades humanas – o que alguns marxistas denominaram de determinação econômica em última instancia. pois não são eles quem escolhem as circunstâncias sob as quais ela é feita. como quiseram os marxistas vulgares. acreditamos que o jovem Marx sintetiza essa relação em uma frase genial: “Os homens fazem a sua própria história. 1997) O materialismo histórico." (CARDOSO. No prefácio a Contribuição a Crítica da Economia Política. Após um determinado nível do desenvolvimento das forças produtivas (entendidas como os meios de produção e a força de trabalho) as relações de produção (as relações econômicas entre os que trabalham e os que se apropriam: escravos e patrícios. p. 47) argumenta – a partir de suas pesquisas sobre a filosofia do direito de Hegel – que o estado e a relações jurídicas não podem ser entendidas por elas mesmas. as relações econômicas de produção (a infraestrutura) condicionam os elementos políticos. servos e senhores. Evidentemente que Marx. São os interesses materiais dos homens com determinadas posições no processo produtivo (classe social) que para reproduzirem-se necessitam agirem no processo histórico. Karl Marx (2008. não a fazem de livre e espontânea vontade. ou seja. contudo não cabe tratar desse assunto nesse espaço. Embora o desenvolvimento do materialismo histórico se aprofunde apenas com um Marx mais maduro. como o próprio nome diz. Engels e os marxistas (me refiro sobretudo a Antonio Gramsci e Georg Lukács) foram muito mais além na análise da classe social e da sua consciência enquanto tal do que uma análise puramente economicista. contudo. aquele que trabalha – é antagônico ao opressor – aquele que se apropria – porque seus interesses são irreconciliáveis. sociais e intelectuais (a superestrutura). 25) Um dos pontos principais do materialismo histórico é a luta de classes. mas estas lhes foram transmitidas assim como se encontram. 2011. p. da Economia Política. São os antagonismos de classe que movem a história. para sair das aparências e entrar na essência desse processo é necessário o estudo das relações materiais de produção. p. Contudo. O oprimido – aquela que produz a riqueza social. esse processo se dá de modo dialético entre ambas as partes e não apenas como uma determinação economicista. historiadores dos Annales e o fato de não disporem de uma teoria da mudança social. 2008. de modo que abre espaço para uma revolução social e para o desenvolvimento de outro modo de produção (MARX. é uma perspectiva materialista da história.

. a análise do processo de independência. Por ser a única monarquia da América latina suscitou debates interessantes acerca do assunto.49-50). agora partimos para a apresentação concreta dos aspectos. De questões que hoje nos interessam enquanto sociedade e sobretudo interessam ao autor do trabalho.58-59). de maneira que optamos por realizar uma abordagem somente sobre as teses mais importantes e aquela pelo qual temos mais afinidade. o interrogador é a lógica histórica. a estrutura política dessa formação social. 1981. Como se produz a riqueza social? Como ela é distribuída entre as classes sociais? Quais são as classes sociais? Qual sua relação com o mercado? Quais são os principais produtos comercializados nesse mercado? Enfim. É nesse sentido que não ignoramos a contribuição dos Annales (embora tenham outros pontos importantes desenvolvido por esse movimento que não abordaremos aqui) no que diz respeito a ideia de presentificação do trabalho do historiador. p. contudo entendemos ser mais importante uma abordagem que leve em consideração as conjunturas políticas e quais as facções que estavam por trás. Quais são os aspectos mais significativos para a compreensão do período imperial? Em primeiro lugar. Nesse sentido. Como indicou Fernand Braudel (1992. e o interrogado é a evidência. mas por que citar um método utilizado para a análise de fontes primárias em um trabalho de recorte historiográfico? Para deixar claro que os conteúdos considerados importantes aqui partem de pressupostos teóricos específicos e. Em terceiro lugar. de perguntas especificas elaboradas no presente. seletivas. a objetividade cientifica seja esclarecida. A historiografia sobre o assunto é vastíssima e uma abordagem nesse sentido superaria esse espaço. provisórias e sobretudo limitadas pelas perguntas e conceitos utilizados pelo historiador (THOMPSON. as perguntas formuladas pelo historiador devem ser adequadas as evidências para que a história real seja alcançada. Em segundo lugar. as verdades produzidas por esse método são incompletas. o conteúdo da interrogação é a hipótese. Ele parte da ideia do discurso histórico enquanto um diálogo entre conceitos e as evidências em que a hipótese e a pesquisa empírica são os condutores desse método. Contudo. Ora. sempre levando em consideração o conteúdo de classe destas. p. seu tutor Lucien Febvre passou os últimos dez anos de vida repetindo: “história ciência do passado. sendo assim. a base econômica e social dessa sociedade. a infraestrutura dessa formação social. Sendo assim. ciência do presente”. II Esclarecidas as questões de cunho teórico.A Lógica Histórica é um método cientifico adequado ao material histórico.

p. Embora tenhamos apresentado. por último. foi feita nos mesmos espaços. 2005. Wilma Peres Costa (2005. o primeiro aspecto que vamos discutir é a questão da independência. p. O tema da independência brasileira é um dos mais polêmicos e com ampla produção e discussão historiográfica. Por último. de modo geral. os conflitos ocorridos no período. o autor vê o desmoronamento das antigas relações colônia-metrópole como parte desse processo. É nesse contexto que a independência brasileira está inserida: .Em quarto lugar. Partindo das Teorias da Construção do Estado e da Teoria das Elites. ao contrário da América espanhola onde a fragmentação da elite era extrema. a grosso modo. os aspectos que consideramos mais importantes de forma decrescente em nível de importância. Na perspectiva de Costa (2005. Sendo assim. 54) ao fazer um levantamento da historiografia brasileira sobre essa questão estabeleceu dois parâmetros básicos: a continuidade e as descontinuidades. o autor argumenta que a unidade territorial brasileira permaneceu após a independência porque a formação da elite intelectual brasileira. p. 96) a tese de Maria Odila é uma representação extremada de continuidade com o período colonial. a ênfase nos conflitos ocorridos no período sobretudo a Guerra do Paraguai e os conflitos regionais ocorridos durante o período regencial. desse modo o conceito de Antigo Sistema Colonial está intimamente relacionado com o de Antigo Regime. Outra tese importante que merece ser abordada é a de José Murilo de Carvalho. Segundo o autor. as conjunturas políticas e. De modo que. na Universidade de Coimbra e em quadros burocráticos da magistratura. Rodrigo de Souza Coutinho de transformar a América portuguesa no centro do Império (COSTA. esse processo teria realizado uma homogeneização da elite brasileira (COSTA. um breve esboço daquelas perspectivas consideradas principais pode exemplificar a complexidade da questão. Ao pensar a crise das relações feudais de produção e o desenvolvimento das relações capitalistas de produção enquanto dominantes na Europa.97-98). Nesse sentido. o Antigo Sistema Colonial – a grosso modo – era uma modelo de acumulação de capital comercial em que as coloniais estavam subordinadas as metrópoles. seguido da base econômica- social. 102-103). Talvez a tese mais importante a respeito dessa questão é a de Maria Odila da Silva sobre a interiorização da Metrópole. a tese de Fernando Novais sobre a crise do Antigo Sistema Colonial. os interesses comuns entre as elites portuguesas e brasileiras existentes desde o final do século XVIII recrudescem com a chegada da família real ao Brasil. Para a autora. a interiorização da Metrópole corresponderia a interesses da elite centro-sul brasileira que estava pautada na política do ministro D. em 1808. Desse modo. a abordagem desses pontos ocorrerá de modo cronológico. ou seja. p. 2005. que guiaria a independência e a formação do estado nacional.

No que diz respeito a base econômica do Império Brasileiro. “[. Revolução.” (NOVAIS. Para José Luís Fragoso (2016. A perspectiva de Fragoso parte de uma visão de continuidade em relação ao período colonial. 2016..] fica cada vez mais claro a necessidade de estudar a história econômica brasileira tendo como pano de fundo o ‘sistema econômico’ formado pelo império português. 129). além disso aponta para uma relação tanto entre essas. que levaria o Brasil do Antigo Sistema Colonial para um novo Sistema Mundial de Dependências.exportadora.129-130). TOMICH.” (FRAGOSO. por isso Stuart Schwartz denominou de “paradigma dependentista” (MARQUESE. embora reconheça que ela é hegemônica. charque. p. 343). os países centrais do capitalismo) determinava o produto de países da periferia. a historiografia mais “tradicional” sempre tratou de afirmar que. Nesse sentido. assim a concentração de escravos seguiria esse processo (FRAGOSO. alterando a estrutura do poder político – com a exclusão da metrópole portuguesa. alimentos. MOTA. etc) que relacionado com a reprodução da agroexportação desenvolve condições necessárias para a acumulação endógena por parte dos grandes comerciantes residentes no Rio de Janeiro. embora essa corrente interpretativa possua uma parcela de razão. assim como na colônia. p. 1996. existia uma economia escravista voltada para o mercado internacional e que ocorreu uma mudança do produto destinado para esse mercado (do açúcar para o café). Segundo o autor existiam outros setores sociais e outras formas de produção (como a camponesa. 2016. 132) . entretanto. Fragoso aponta para a existência de um mercado interno de caráter pré-capitalista (voltado para a produção mercantil de produtos agrícolas.. p. além disso valoriza as relações econômicas internas em detrimento das externas: “[. o Brasil no século XIX – assim como no período colonial – é mais complexo que apenas a produção de plantation escravista- exportadora. Essa corrente historiográfica valorizava a visão de que a demanda do mercado internacional (ou seja.] o processo de emancipação política do Brasil configurou uma revolução. 83) Embora tenhamos críticas a tese de Fernando Novais (sobretudo a ênfase dada a circulação ao invés do processo produtivo) concordamos com o autor sobre as diretrizes mais gerais e o contexto no qual ocorreu a independência brasileira. p.. por exemplo). quanto com a agricultura escravista. de maneira que o eixo econômico mudaria do nordeste para o sudeste.. uma vez que rompeu com a dominação colonial. 2009. p.

em 1831 (MONTEIRO. agora os interesses ganham outros nomes! A frente do movimento de 7 de abril estavam os liberais moderados e os exaltados. sobretudo . Oposição essa que terminaria com o prefácio – noite das garrafadas – e com abdicação de D. os autores – ao analisarem o caso do Vale da Paraíba na formação do mercado mundial do café no século XIX – realizaram esse processo a partir de uma análise da economia e contradições internas (interesses dos setores sociais envolvidos) em relação com o mercado mundial e. 120-121). eram formados pela pequena-burguesia urbana. embora as contribuições de João Fragoso em relação aos outros setores sociais e formas de produção além da escravista-exportadora sejam de suma importância. os segundos. durante a Assembleia Constituinte. sendo assim. Nesse sentido. A primeira. Uma constituição que subordinava o poder legislativo ao Imperador. De maneira que. Pedro I. Pedro I. período regencial e segundo reinado. Rafael Marquese e Dale Tomich (2009. a segunda. o resultado foi a oposição feroz entre Câmara e monarca. ou seja. Portanto. p. eram formados por pequenos comerciantes. as suas contradições vieram à tona. 343) classificaram-na como uma espécie de “paradigma dependentista” ao contrário. 2016. Conquistado o estado por parte do partido brasileiro. sendo assim: primeiro reinado. acreditamos que a forma utilizada pelos autores em sua análise – uma mediação entre relações internas e externas – seja a mais adequada para a abordagem da economia brasileira no século XIX. as suas variações e demandas. Os primeiros. além disso. contudo quando os setores mais radicais do partido brasileiro iniciaram o ataque ao partido português. formada por brasileiros latifundiários proprietários de grandes fazendas voltadas para a agroexportação. uma perspectiva que supervaloriza as questões endógenas. eram formadas pelas facções portuguesa e brasileira. produtores. pequena-burguesia urbana e setores militares. concordamos com Marquese e Tomich no que diz respeito a crítica da supervalorização das relações endógenas e. A independência política brasileira havia surgido de um acordão entre esses setores. No que diz respeito às conjunturas políticas durante o Império brasileiro. mas que sobretudo subordinava o partido brasileiro ao português.Há críticas importantes em relação a perspectiva historiográfica de Fragoso. a grosso modo. Segundo os autores Fragoso ao tratar os aspectos internos como determinantes nesse processo – trazendo um arcabouço teórico de seus estudos sobre o período colonial – acaba por ignorar os aspectos externos. p. Após a independência as principais forças políticas na conjuntura brasileira. formada por portugueses que estavam na burocracia e no grande comércio. iremos dividir de modo tradicional a abordagem dos períodos (mesmo que essa divisão não corresponda exatamente as conjunturas) para facilitar a analise. O resultado foi o fechamento da Assembleia Constituinte em 1823 e a postergação da constituição de 1824 por parte de D.

Sobre as revoltas durante a regência. A oposição tentou reagir com a maioridade prematura de D. 2009. 2016. social e econômica (BASILE. contudo a conjuntura agora era outra e as facções atendiam a outros interesses (MONTEIRO. enquanto que os moderados não possuíam um projeto especifico.profissionais liberais e funcionários públicos (BASILE. Com Araújo Lima se inicia aquilo que ficaria conhecido como reação conservadora liderada pelo partido do Regresso e que duraria até 1850. a hegemonia saquarema trataria de consolidar o estado imperial. p. Ele era formado por antigos setores do moderados e caramurus. Os exaltados exigiam mudanças profundas e apelavam para manifestações de rua. Em oposição ao Regresso se formou o Progresso. p. p. Reforma do Código de Processo Criminal. A base desse domínio estava na criação da Guarda Nacional (em 1831). A base da estabilidade política já havia sido realizada pelo Regresso. 122). de maneira que levou a uma sucessão de ministérios ora liberais. p. De 1831 a 1837 o predomínio liberal dominou a regência. de maneira que ainda estão presas a. desse modo foi destituindo uma por uma das mudanças ocorridas durante o período liberal (Lei da Interpretação do Ato Adicional. 1850). 51) elas não foram estudadas com a profundidade necessária. Em relação aos conflitos ocorridos durante o período imperial iremos abordar aqui os três processos que consideramos mais importantes: as revoltas do período regencial. É a última conjuntura do Império. Com dificuldades em manter a unidade do império o regente Padre Antônio Feijó entregou o poder em 1837 a Araújo Lima. um certo ufanismo pelas lutas populares ou ainda por . ocorrida em 1848. Pode-se dizer que a partir 1837 inicia-se o segundo reinado. 64). entretanto não aceitavam a volta de D. O Regresso colocaria em pauta uma política de centralização que servia aos interesses dos novos donos do poder econômico (os cafeicultores). segundo Marco Morel (2003. Pedro II. 1841. Segundo Marco Morel (2003. p. a Revolta dos Malês e a Guerra do Paraguai. p. subordinação da Guarda Nacional. 232-233). As medidas tomadas por essa política foi a de descentralização do Império brasileiro. Agora. À direita desses dois grupos estavam os caramurus. 2016. 1840. perspectivas conservadoras que apenas veem desordem e. 36) foram os moderados que comandaram a política durante a regência. eram contra as reformas e tinha interesse pela volta do antigo monarca (MONTEIRO. ora conservadores durante a década de 1840 (MONTEIRO. 2016. Pedro I. 121-122). de um lado. p. 2016. de outro lado. na aprovação do Código do Processo Criminal (em 1832) e sobretudo no Ato Adicional de 1834. p. uma facção sem uma base social muito bem definida (BASILE. A última rebelião do império foi a Praieira. 2009. daí até a queda da monarquia em 1889 o Brasil viveria um período de estabilidade política. 59-60). A base social desse partido eram os novos barões do café do Sudeste. 125-126).

como indicou Vitor Izecksohn (2009. A crítica de Maestri (2013. Apresentamos aqui resumidamente em três correntes principais: em primeiro lugar. p. Hamilton Monteiro (2016. 223-224) argumenta que as revoltas regências foram uma resposta extremada ao não atendimento de suas demandas por parte do governo central. No que diz respeito a Revolta dos Malês. Essa abordagem parte de pressupostos marxistas e supervalorizou a ideia dos interesses ingleses na região. visto que existe uma longa tradição historiográfica que defende a ideia de que a revolta não teve relação com a escravidão. desataram forças que estavam contidas pelo centralismo imperial. Essa abordagem diz respeito a historiografia produzida por militares. III Portanto. Nesse sentido. 123) acredita que as reformas liberais. em terceiro lugar. p. embora houvessem medidas de secessão e adoção de republicas. que supervaloriza o papel do exército brasileiro. Nesse sentido. 309-310) consiste nas semelhanças da abordagem de Doratioto com a historiográfica de trincheira sobretudo em relação a sua análise político-factual tradicional e produção de uma diabolização do inimigo. 100) isso não é uma questão obvia. o objetivo desse artigo foi de selecionar aqueles aos quais consideramos os principais aspectos do Império do Brasil. no que tange a historiografia brasileira. já logo após o conflito. que pautavam uma proposta de descentralização do poder central. a abordagem historiográfica produzida pelo segundo em relação a Guerra do Paraguai é hegemônica na historiografia brasileira atual. Mário Maestri (2013. 418). em segundo lugar. Nesse sentido. Marcello Basile (2016. consideramos uma rebelião escrava. o intuito desses movimentos nunca foi de se separar do Brasil – um exemplo disso é que sempre as republicas proclamadas eram de caráter provisório. p. Assim como a Independência. o que autor chama de historiografia de trincheira. precisamos esclarecer quais nossos posicionamentos teóricos e . em primeiro lugar. que teria sido uma guerra santa islâmica com o único objetivo de expandir o islã na região. de modo que ignora as contradições desse processo para encaixar no velho rotulo do brasileiro cordial. 11-12) realizou uma análise consistente acerca das principais correntes historiográficas. No que diz respeito às suas causas. Embora as críticas de Maestri a Doratioto sejam duras e pertinentes. durante o clima de crise da ditadura militar brasileira. a Guerra do Paraguai já foi analisada a partir de vários enfoques diferentes e constantemente apresenta-se novas visões do conflito. a visão americanista do conflito desenvolvida por José Júlio Chiavenato. p.uma historiografia que supervaloriza a nação. Como indicou João José Reis e Eduardo Silva (1989. o que autor denominou de “restauração e modernização da historiografia nacional-patriótica brasileira” produzida por Francisco Doratioto em um clima de crise das esquerdas e avanço conservador no mundo. p. além disso ressalta que. p.

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