RBRH - Revista Brasileira de Recursos Hídricos Volume 5 n.

3 Jul/Set 2000, 31-43

CENÁRIOS DA GESTÃO DA ÁGUA NO BRASIL: UMA CONTRIBUIÇÃO
PARA A “VISÃO MUNDIAL DA ÁGUA”

Carlos E. M. Tucci
IPH - Instituto de Pesquisas Hidráulicas – UFRGS
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Ivanildo Hespanhol
Universidade de São Paulo – USP
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Oscar de M. Cordeiro Netto
Universidade de Brasília – UnB - UNB/FT/ENC
Campus Universitário - CEP 70910-900 – Brasília, DF - Fone (61) 307-2304
cordeiro@unb.br

RESUMO baseado em estudos de cada país. Este artigo é
um resumo da Visão do Brasil incluída dentro dos
estudos da América do Sul.
A gestão dos recursos hídricos no Brasil
passa por um cenário de transição institucional A World Water Vision foi apresentada no
nd
com a privatização dos serviços públicos e pela 2 World Water Forum que ocorreu em Haia, no
regulamentação da legislação de recursos hídricos. mês de março de 2000.
Este artigo apresenta uma análise histórica A avaliação e o prognóstico do desenvol-
dos recursos hídricos no Brasil, a situação atual e vimento sustentável dos recursos hídricos de um
cenários tendenciais. A análise é realizada dentro país trata da integração dos componentes dos
dos seguintes aspectos: institucional, desenvolvi- sistemas naturais com o sócio-econômico. Esses
mento urbano, rural, energia, eventos críticos, de- elementos foram analisados, considerando-se ce-
senvolvimento de recursos humanos, científico e nários de desenvolvimento econômico e social,
tecnológico. buscando-se assim, identificar a visão esperada
A análise é uma visão dos seus autores para o país.
dentro do contexto do exercício desenvolvido a Deve-se destacar que este artigo não deve
nível internacional da visão da água, que caracteri- ser considerado como exaustivo na abordagem do
za alguns cenários básicos. tema, mas seletivo, devido às suas características
Esta análise mostra que existe um caminho de análise mais global. Não se buscou aqui propor
muito longo ainda a ser percorrido principalmente plano de atividades algum, mas destacar tendên-
no campo institucional, que passa por acordos cias e recomendar ações globais.
entre os agentes da sociedade envolvidos na ges-
tão da água.
HISTÓRICO

INTRODUÇÃO O desenvolvimento do setor de gestão dos
recursos hídricos, em países em desenvolvimento
A avaliação e a análise dos recursos hídri- como os da América do Sul, passou por estágios
cos do Brasil, considerando-se o cenário atual e a semelhantes aos dos países desenvolvidos, mas
tendência de seu desenvolvimento até 2025, no em períodos diferentes. Após a segunda guerra
âmbito da World Water Vision, faz parte de um mundial, houve um grande desenvolvimento eco-
esforço mundial, baseado na iniciativa de várias nômico e a construção de muitas obras hidráulicas,
entidades internacionais. principalmente de geração de energia elétrica.
Na América do Sul, a iniciativa coube ao Nessa época, países em desenvolvimento como o
SAMTAC (South America Technical Advise Comi- Brasil estavam na fase de inventariar seus recur-
tee) do GWP (Global Water Parternship), que pre- sos, desenvolvendo a construção de obras hidráu-
parou um estudo básico da região (GWP, 2000) licas de menor porte (Tabela 1).

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· Início da construção de grandes Início da pressão · Medidas não estruturais para enchentes. · Desenvolvimento de Planos de Drenagem Urbana para as cidades. · Melhora da qualidade da água das fontes não– · Privatização do setor energético. observou-se o início da enquanto esse processo de controle se acelerava pressão ambiental nos países desenvolvidos devi. pontuais: rural e urbana. qualidade da água. mento internacional no Brasil. Pantanal. · Aumento de usinas térmicas para produção de · Busca de solução para os conflitos energia. foram eliminados os financiamentos internacio- 32 . devido à crise fiscal e econômica. · Poluição rural. água. Cerrado e · Controle da contaminação dos aqüíferos das Costeiro. · Redução do investimento em hidrelétricas Interações do Ambiente · Preocupação com conservação das florestas. institucionais da água. Visão histórica de aproveitamentos da água (adaptado de Tucci. Nesse ros e da poluição difusa. · Aumento do impacto das enchentes urbanas. · Inventário dos recursos hídricos. Período Países desenvolvidos Brasil 1945-60 · Uso dos recursos hídricos: abastecimento. transfronteriços. O efeito das preocupa- período. Engenharia com pouca navegação hidreletricidade. Desenvolvimento · Aumento do conhecimento sobre o comportamento · Investimento no controle sanitário das grandes Sustentável ambiental causado pelas atividades humanas. 1960-70 · Controle de efluentes. · Deterioração ambiental de grandes áreas · Início da pressão ambiental. os países em desenvolvimento geralmente ções sobre o clima global e a pressão sobre áreas não possuíam nenhuma legislação de controle como Amazônia contribuiu para diminuir o investi- ambiental. fontes não-pontuais. to. · Fortes impactos das secas do Nordeste. · Desenvolvimento do gerenciamento dos recursos · Aumento da disponibilidade de água no hídricos dentro de bases sustentáveis. observou-se o início da pres. · Legislação de recursos hídricos. Nesse período. Global · Prevenção de desastres. empreendimentos hidrelétricos. 1980-90 · Impactos climáticos globais. Na etapa seguinte. principalmente à degradação das águas super. · Fontes pontuais e não pontuais. · Medidas estruturais de controle das enchentes. · Contaminação de aqüíferos. · Início da privatização dos serviços de energia e saneamento. 2000. · Legislação ambiental. que enfatizava a Nos anos 70.Cenários da Gestão da Água no Brasil: Uma Contribuição Para a “Visão Mundial da Água” Tabela 1. devido ao aumento da produção industrial e · Controle da poluição doméstica e industrial. concentração urbana. nacionais: Amazônia. nos anos 80. ambiental · Legislação para qualidade da água dos rios. os desses controles. houve melhora da qualidade da países desenvolvidos enfatizaram a consideração água. · Ênfase em hidrelétricas e abastecimento de Controle ambiental · Contaminação de aqüíferos. foi aprovada a le- ficiais. · Piora das condições urbanas: enchentes. nos países desenvolvidos. 1990-2000 · Desenvolvimento Sustentável. projetos de grandes sistemas. · Privatização do setor de saneamento. do. ambiente. etc. 1995). Nordeste. metropolitanas. · Deterioração da qualidade da água dos rios · Controle na fonte de drenagem urbana. · Programas de conservação dos biomas preservação da camada de ozônio. energia por meio das hidrelétricas. da contaminação de aqüífe- sub-solo. 1970-80 · Usos múltiplos. · Pressão para controle da emissão de gases. resultando nas primeiras legislações gislação ambiental e os critérios de controle de restritivas quanto ao despejo de efluentes. · Controle dos impactos da urbanização sobre o · Aumento de investimentos em irrigação. No Brasil. contaminando a água subterrânea. cidades. Nesse momen- são ambiental em países em desenvolvimento. · Início dos empreendimentos hidrelétricos e preocupação ambiental · Qualidade da água dos rios. · Avanço do desenvolvimento dos aspectos Ênfase na água · Uso integrado dos recursos hídricos. · Controle ambiental das grandes metrópoles. · Deterioração da qualidade da água de rios e lagos próximos a centros urbanos. mas os resíduos foram transferidos para o dos impactos globais. Em face sistemas hídricos e hidrelétricos. · Desenvolvimento da Visão Mundial da Água. · Legislação ambiental.

o controle da água é intenso. que operam em cidades nas quais não possuem o mentos internacionais que.3 Jul/Set 2000. que são os recursos Outro conflito é observado entre água para para execução e as agências para implementação. iniciando com as grandes metrópoles estaduais. direito de concessão dos serviços. A lei de recursos hídricos São Paulo. A falta de água em grande parte do ano compromete seriamente as O desenvolvimento dos recursos hídricos e condições de vida da população em áreas exten- a conservação dos sistemas naturais constituem sas do semi-árido. conservação ambiental. Esses conflitos localizados tem sido promissor para o gerenciamento dos re. baixa precipitação. No entanto. o que cola do sul do Brasil. industrial e à ocorrência de enchentes urbanas. privatização de serviços de empresas e instituições Os anos 90 foram marcados pela idéia do que são públicas. piração alta durante todo ano. ainda não foi aprovado o nalização do uso da água e o reuso poderão permi- suporte institucional básico que permita a tomada tir uma solução mais sustentável. associa- da a uma forte demanda de água. A água é um demanda mostram que. Esse direito é financiaram aproveitamentos hidrelétricos. brasileiras. sub-solo desfavorável em muitas regiões (água salobra ou formação cristalino) e baixo desenvol- SITUAÇÃO ATUAL vimento econômico social. não existe déficit de preocupação dos planejadores. leiras apresentam condições críticas de sustentabi- dições sociais e econômicas do País. que contaminam os mananciais. A tendência de Institucional redução de disponibilidade hídrica dessas áreas é significativa dados os dois fatores citados.Revista Brasileira de Recursos Hídricos Volume 5 n. impacto na capacidade de expansão do sistema no ocorre uma transição institucional. a aprovação das legis. os investi. ições e reduzindo o valor econômico das empresas des. e na maior par- dos fatores ambientais que têm suscitado grande cela do território brasileiro. a preservação ambiental. do solo rural e o controle da poluição difusa. como na vizinhança das cida- dos recursos hídricos nas grandes metrópoles bra. doméstica. necessitam de soluções específicas. observam-se condi- os que se vislumbram hoje no Brasil são a consoli. A região metropolitana de São Paulo. A racio- de bacias. pulverizando as atribu- ram-se para apoiar a melhoria ambiental das cida. recursos hídricos. volta. que importa a maior parte da água da bacia do rio ção em curso. com discus- cursos hídricos. lidade devido ao excesso de cargas de poluição foram destacados os principais elementos. são dos interessados no âmbito de comitês e asso- 33 . No entanto. que envolve a Brasil. 31-43 nais para construção de hidrelétricas. de decisão pelos comitês. está praticamente sem opções de novos lações de parcela importante dos Estados e o início mananciais. ções críticas em períodos de estiagem no semi- dação dos aspectos institucionais do árido nordestino e em algumas regiões onde o uso gerenciamento dos recursos hídricos. vizinhos. RBRH . Ocorrem. A seguir. no O nordeste brasileiro apresenta condições âmbito de uma visão racional de aproveitamento e hídricas desfavoráveis que combinam: evapotrans- preservação ambiental. As condições atuais de disponibilidade x pios básicos aprovados na Rio 92. No entanto. abastecimento e irrigação em regiões críticas como O processo institucional brasileiro apresentou uma o nordeste ou nas regiões de forte demanda agrí- evolução muito importante nos últimos anos. Já se O desenvolvimento institucional encontra. Nesse sentido. um desafio da sociedade brasileira. no período anterior. já que há empresas estaduais. do encaminhamento de uma questão eco- entre o investimento no crescimento dos países e a nômico-institucional. O final dos anos 90 e o início do novo século (e milênio) está marcado internacionalmente Disponibilidade e demanda pelo movimento pela busca de uma maior eficiên- cia no uso dos recursos hídricos dentro de princí. a instituição da Piracicaba devido à contaminação dos mananciais Agência Nacional da Água. o uso e controle litanas. possui uma perda não do gerenciamento por meio de comitês e agências faturada de cerca de 35% de água tratada. prerrogativa dos municípios. Esse processo depende. foi aprovada em 1997. estando sua regulamenta. na média. Os grandes desafi. também. que deve levar As grandes concentrações urbanas brasi- em conta vários fatores relacionados com as con. com grande No setor de água potável e saneamento. em desenvolvimento sustentável que busca o equilíbrio parte. des médias e principalmente das regiões metropo- sileiras. observam freqüentes racionamentos em Recife e se em fase de transição.

é muitas vezes fruto ção de arroz por inundação. cionista para plantio direto.Cenários da Gestão da Água no Brasil: Uma Contribuição Para a “Visão Mundial da Água” ciações de bacias. que ocorrem somente em alguns anos. sem um Mirim. aumento da cidades. reservando água de boa qualida- para busca de melhoria e desenvolvimento de para abastecimento público e outros usos sustentável. onde o gado e a soja têm produzido importan- metrópoles e aumento das cidades médias. que conflitos e problemas têm sido gerados neste am. Cada um dos proble. principalmente no leque para esse tipo de cidade. na irrigação distantes demais para buscar uma solução geren. deve-se ressaltar a necessidade de con- prejuízos econômicos. apresenta alta rentabilidade econômica. en- bastecimento com a poluição orgânica e química. entre outras conseqüências. observam-se agrícola. servação do solo. o uso da irriga- mento inadequado da drenagem urbana e. O custo de controle na rização das vazões. gua. contribuição do freático para os rios e maior regula- nimização dos impactos. que possui reduzi. d) enchente urbana gerada pela freqüentes perdas. água para agricultura e o abastecimento humano A falta de água em anos mais secos. do que o blema. área em que a disponibilidade hídrica é maior. muitas vezes. existem várias fase de planejamento é muito menor que o curativo regiões do Brasil onde a erosão e a degradação do depois que os problemas ocorrem. forte degradação da quali. constituir-se em alter- gerencial e nenhum programa de apoio às cidades nativa adequada. Em grande parte do sul do ção hídrica. os impactos tenderiam a se disseminar desloca para o Pantanal. com importantes bene- Esse fenômeno está agravado nas grandes fícios que são: redução da erosão. A solução desse tipo da falta de regularização e de programas preventi. Desenvolvimento rural da disponibilidade hídrica durante a estiagem. Nesse te alteração na geração de sedimentos que se sentido. degradação como as metrópoles. tais como: a) degradação ambiental dos cesso se desenvolve na bacia do São Francisco. De. planejamento preventivo ou mesmo curativo dos Além do atendimento hídrico à produção processos. perdas de moradias e bens. Nas regiões sul e sudeste. 34 . Existe um conflito natural entre o uso da nal. vários dimentos voltados para a fruticultura irrigada. A água é fator essencial de desenvolvimen- Desenvolvimento urbano to rural em regiões de grande variabilidade sazonal de água e em regiões secas como o nordeste. Existe uma importante expansão de empreen- vido a essa grande concentração urbana. enquanto que os Estados e a União estão investimento em irrigação. Como conseqüência. benéficos. Brasil. existindo espaço Em face das grandes demandas agríco- para prevenção. No entanto. tem-se observado uma mudança de prática interrupção de atividade comercial e industrial em agrícola no sentido de troca de plantio conserva- algumas áreas. Grande porque os municípios não possuem capacidade parte do setor agrícola prefere assumir os riscos. do rio Uruguai e ambientais na região da lagoa mas citados é tratado de forma isolada. de conflito passa pelo aumento da eficiência dos vos para redução dos impactos das secas ocasio. com retorno de doenças de veicula. exceção do arroz por inundação no sul. mananciais. o reúso pode. principalmente ocorre em algumas regiões tanto para a agricultura quando a demanda é muito alta como para irriga- como para o abastecimento. e) falta ção ainda depende de redução do custo dos proje- de coleta e disposição do lixo urbano. já que solo mal conservado é dade de vida. sistemas de irrigação e pelo gerenciamento ade- nais. da disponibilidade de á- esses números chegam à vizinhança de 90%. exigindo recursos significativos para mi. persiste uma agricultura de subsistência que sofre industrial e pluvial. quado dos efluentes agrícolas quanto à contami- nação. quanto que nas áreas distantes dos rios perenes c) contaminação dos rios por esgotos doméstico. O Brasil apresenta 80% da população em onde a viabilidade do desenvolvimento econômico áreas urbanas. não existe capacidade las. que em algumas regiões brasileiras. fonte da poluição difusa. Nos estados mais desenvolvidos. A tendência solo são importantes como na bacia do rio Para- urbana atual é de redução do crescimento das guai. depende. b) aumento do risco das áreas de a. entre outros fatores. à Esse processo ocorre. No entanto. O Ceará. do arroz existem conflitos do uso da água na bacia cial adequada que os apoie. inadequada ocupação do espaço e pelo gerencia. institucional e econômica para administrar o pro. também. tos de irrigação para a maioria das culturas. mortes. No entanto. Esse pro- biente. que ainda não possui do rio Taquari. tem apresentado soluções criativas para os conflitos de uso nas áreas de baixa disponibilidade sazo.

não envolvem obras estrutu- ro depende 91% da energia hidrelétrica e tem pla. Além disso. que possui um expressivo volume de condicionantes desfavoráveis ao desenvolvimento recursos planejado para diferentes Estados do econômico brasileiro pela limitação no fornecimen. deverá ocorrer a Como as enchentes e secas geram prejuí- regulação dos processos de compra e venda de zos mas não geram receitas como outros setores energia. mesmo assim. de recursos hídricos. Não desenvolvimento tecnológico existe nenhuma política de controle e as que exis- tem são totalmente equivocadas. o que nejado a sua diversificação com termelétricas a gás geralmente é politicamente pouco “rentável”. Um dos projetos em curso. determinando o funcionamento de empre. por meio de ações efeti- tem estado sujeita como resultado de: a) ocupação vamente descentralizadas. apesar do 83% a parcela das hidrelétricas. que. são eventos freqüentes. transmissão e distribuição. ocorrendo o evento. é o reduzida ampliação da oferta. mantidas econômica. Em seja na sua própria subsistência. as regiões centro. é o de buscar criar programas nacionais pre- Enchentes e secas ventivos de redução do impacto das inundações e das secas. dificilmente serão implementados programas preventivos eficientes. Existem pro- da demanda. RBRH . que orientem a população com educa- As enchentes urbanas têm sido uma das ção. existe pêndio. apresenta forte dependência da climatologia. com venda dos empreendimentos ou de poços nem sempre beneficia diretamente a existentes e instalação de novos empreendimen. sen- pio recebe recursos a fundo perdido. As secas. 31-43 Hidroenergia Com esse tipo de ação. é declarado estado maioria dos profissionais que trabalha na área ad- de calamidade pública. sul e sudeste (onde se encontra grande Essa situação é preocupante na medida em que parte da capacidade instalada) apresentam vazão um evento dessa natureza em um sistema de cas- média cerca de 30% maior que a do período ante. como para a tomada de decisões. desde 1970. mesmo com o perío. o que significa que. a gestão desses fenômenos sas da geração. para os próximos anos. falta de pessoal qualificado no setor. deverá ser realizada a partir de indicadores sociais O sistema está passando por um processo e de saúde da população. podem ser criadas ProÁgua. recursos hídricos dependem de profissionais quali- existe uma combinação de falta de conhecimento e ficados tanto para a execução de vários tipos de interesse na solução desses problemas. Normalmente. A em que. climáticos abaixo e acima de determinados pata. para a mesma capacidade desastroso caso não existam programas preventi- instalada. cata de barragens poderá produzir um cenário rior. com me. população. nordeste. na sua maioria. Nesse caso. Atualmente. Atualmente. quiriu seu conhecimento exercendo a função. o municí. na sua grande parte parques térmicos a gás. dessa forma. o sistema. A aferição dos resultados das iniciativas to de energia. Mas. nesse sen- tido. Considerando que períodos longos gramas específicos e ações isoladas ou pontuais. até 2002 ainda manterá em chentes é o rompimento de barragens. ou b) urbaniza- ção das cidades. gramas preventivos de segurança das barragens. como alternativa condições climáticas mais desfavoráveis. está no limite de atendimento brasileiro. mas certamente interessa às empresas tos. inadequada do leito maior dos rios. nos próximos anos. não existe regulamen- Associado ainda ao risco de falha. sem que do que apenas um grupo reduzido se capacitou por seja necessária concorrência pública para o dis. principalmente no nordeste do de vazões altas. minimização dos seus impactos para a população. alternativas de sobrevivência e planos para se grandes calamidades a que a população brasileira antecipar às emergências. na medida atividades. A construção de açudes de privatização. O sistema de produção energética brasilei. o que tem au. rais. apesar Uma potencial calamidade devido às en- dessa diversificação.3 Jul/Set 2000. nor risco de falha. deve-se tação para bacias de grande porte quanto à pro- considerar que. O desenvolvimento e a preservação dos mentado os prejuízos nas cidades. responsáveis pelas obras. pequeno risco. meio de mestrado e doutorado. Recursos humanos e provavelmente superiores a 1 bilhão dólares. que poderá as tendências de aumento da demanda e com contribuir para minimizar esse problema. não está adequadamente prevista na estrutura institucional vigente. O sistema. mas não há um programa regional preventivo de mares podem ocorrer. O país perde anualmente. principalmen- 35 . O grande desafio. somas altas.Revista Brasileira de Recursos Hídricos Volume 5 n. é possível gerar mais energia. mas regulamentação do uso do solo. vos de minimização de impactos. oeste.

irrigação.Este é o regiões do país como a Amazônia. que atuam no o desenvolvimento e a conservação ambiental sentido de limitar as condições indesejáveis do dessas regiões. solidariedade. praticamente não são cas. revisão das práticas hidrométricas e ampliação de coleta de dados de qualidade da água e sedimen. também. O desenvolvimento uso da água para a World Water Vision. o que pode induzir decisões que ge. privado. na lise. Por questão de coerência com o trabalho de. sem mudança significativa quanto à Científico e Tecnológico). a crise da água pode e deve ocorrer em REHIDRO. os autores optaram regulamentação com a criação de comitês e agên. 36 . biente. que existe a dos padrões adequados para a sociedade e o am- necessidade de modernização do sistema de moni.situação crítica (business- trabalho ainda indefinido. é necessário um maior enfoque na de privatização (economics. realizado em nível das bacias hi- qualquer planejamento adequado. essenciais para o gerenciamento de deman. solidariedade e na busca de padrões ideais de qualidade de vida. entre outros) e de busca em nível No processo de construção de cenários de global de qualidade de vida. ênfase na educação.valores sociais e padrões tos básicos de qualidade de vida (the values and lyfestyles) . Este cenário admite que a política atual tem sido incentivado por programas especiais do de desenvolvimento dos recursos hídricos no mun- CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento do. Gallopin e dessas metas envolve o fortalecimento de Rijsberman (1999) identificaram 3 cenários de aná. a falta de institu- cionalização dos mecanismos de gerenciamento dos recursos hídricos resulta em um mercado de Cenário 1 . Devido às características conti- Cenário 2 .Cenários da Gestão da Água no Brasil: Uma Contribuição Para a “Visão Mundial da Água” te na medida em que ocorrer a implementação da senvolvido em outros países. na busca rem conflitos. CAPES melhora nos diferentes preceitos de um adequado (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de gerenciamento. As bacias de pequeno A base deste cenário considera que. a participação pública no A coleta de dados hídricos é essencial para gerenciamento. tecnológico e nentais do país e à grande variabilidade dos ambi- entes. ou seja. etc.. cias para as bacias. techno- especialização de conhecimento interdisciplinar em logy and the private sector) . descentralização das ações. colaboração entre o público e o privado. desenvolvimento dos recursos hídricos e os impac- tos no meio ambiente. cooperação internacional. No entanto. responsabilidade. PADCT/CIAMB. um território muito extenso. por mais paradoxal que as-usual) . Nessas por meio de programas como PROSAB e condições. Observa-se. Cenário 3 . O desenvolvimento se baseia em uma efetiva monitoradas. toramento tradicional. por adotar os mesmos cenários. onde as no conceito de mercado e investimento do setor características e os problemas são diversos exigin. adotar as leis de mercado e inovações tecnológi- servação ambiental.Este cenário envolve a tendência de possa parecer essa situação. É uma visão otimista das leis econômicas do pesquisas de médio a longo prazo que apoiem de mercado e das novas tecnologias. e o equi- no país. diferentes regiões do país. tolerância. é necessário das como abastecimento de água. amor. Existem grupos qualificados no país. para porte. Observa-se que. o cenário em que todas as ações estarão baseadas Pantanal e o Semi-Árido (entre outros). mas. na sua maioria com visão setorizada dos recursos hídricos. sociais e entidades federais com atribuições que envolvem ambientais. exploração dos recursos sem um planejamento O desenvolvimento tecnológico e científico adequado. con. A cobrança pelo uso da água permitirá a in- Monitoramento trodução de tecnologias eficientes e a redução da demanda ineficiente. por meio de automação. Trata-se de uma visão crítica da Nível Superior) e FINEP (Financiadora de Projetos) exploração dos recursos hídricos do país. atingir o desenvolvimento sustentável.Este cenário parte CENÁRIOS do princípio da existência de uma verdadeira vontade coletiva em reavivar os valores da vida humana (liberdade. respeito pela vida Cenários metas humana. a coleta de dados está concentrada em líbrio entre as forças de mercado. o Cerrado. drográficas.econômico.

é benéfica por seu caráter didático. em maior ou menor anterior. com qualificação. diferentes bacias. acreditam os autores O desenvolvimento institucional é a condi- que esse exercício é válido até para. O próprio desenvolvimento institucional nas população. o tes devido ao curto período transcorrido. O terceiro cenário se água e de outros mecanismos de controle gerencial caracteriza por incluir objetivos coletivos de uso e deverá passar por uma negociação política muito aproveitamento da água. lecer um plano realista de recursos hídricos para o das condições econômicas e da politização da país. agência e grupos taxados). poderão a crer que ocorrerá uma avanço importante na ocorrer discussões mais prolongadas com proces- legislação. ção institucional. em parte. não favorece o processo de planejamento. Essa situação. Não existindo um acordo entre os agentes os três cenários apresentem resultados semelhan. Devido à dinâmica das mudan. em que a gestão da água se processaria grau. cenário de valores sociais em função da região. coorde. ção básica para todo processo de gerenciamento te. nas quais está ocorrendo a necessidade de se chegar a soluções factíveis. o comitê não teria força de decisão superficial. Como cas no âmbito desses cenários. A tendência é de que. condicio. No entanto. do país. de outro. A tendência é de que a agência No entanto. financeiros e tecnológicos. to.Revista Brasileira de Recursos Hídricos Volume 5 n. já que a De acordo com as tendências apresenta. Essa análise é conseqüência. do sistema e da cobrança. mas com grandes variações regionais quanto à sua implementação. de uma reação ao cenário tão poderá ser estabelecido. Rio Grande do Sul. a população brasileira está cansa- da de pagar tributos. definidos a partir de valo. (membros do comitê. O segundo cenário privilegia uma tentes. dificilmente cada um desses cenários pública de desperdício de recursos. eventualmen. não menos importan. outro. A seguir. o esclarecimento da opini- gundo os autores. De fato. No âmbito do cenário de 2025. 31-43 O primeiro representa uma mera reprodu. implementação institucional no nível federal. é apresentada a ocorra uma reação organizada à cobrança. RBRH . provavel- rios. dependerá da forma como a Agência Nacional lado. específicas das bacias hidrográficas. por exemplo. rentes evoluções em função das condições já exis- tamento da água. 37 . des distorções. Trata-se. risco é de que toda ação de cobrança pelo uso da la 2. aos graves problemas associados a um aproveita. o processo insti- nômico” e se apresenta como uma solução rápida tucional já avançou nos últimos anos. o nar as primeiras ações junto aos estados e estabe. tratando-se apenas de um ensaio. em acompanhar o cenário econômico e. por um te. levam Nas regiões sem um aparente conflito. o fator de demonstração pode- necessite de pelo menos dois anos para criar uma rá alterar esta tendência. No tocante às metas. A implementação da cobrança pelo uso da mento ineficiente da água. O Brasil é um dos países em TENDÊNCIA desenvolvimento que mais arrecadam com tributos (30% do PIB) e de forma muito injusta. desenvolver os programas necessários.3 Jul/Set 2000. A etapa seguinte. seguramente apresentará dife- ção no futuro da situação atual de uso e aprovei. a previsão para um dos recursos são fundamentais para a viabilidade horizonte de 25 anos é temerária e sujeita a gran. as condições levando-se em conta. mente haverá um conjunto legal instituído consoli- dado. Dessa forma. que e recursos para implementar a agência da bacia e necessitaria de um maior detalhamento. prioritariamente. distribuição dos valores arrecadados é muito desi- das e discutidas no item anterior para cada um dos gual. se a cobrança vier a ser enten- aspectos analisados pode-se observar que. so decisório pouco efetivo. dida como uma nova taxação e com a tradição damente. sejam estabelecidos acordos devido à As condições. permitir influir na evolução dos próprios cená. Na Tabe. por da Água desenvolverá suas ações na implementa. é previsto que nômica. Dada a natureza dessa res sociais e de considerações de qualidade de negociação. mas. Portan- visão tendencial dentro do horizonte previsto. de acordo com a região. acredita-se que esse sistema de ges- vida. nas Institucional áreas onde o conflito pelo uso da água seja mais intenso. crítica dos usos e a específica capacidade eco- Para o período 2000 a 2005. a situação nantes econômicos. o recursos hídricos no Brasil e as suas característi. se. seguramente existirá a tendência de alguns setores para atingir suas metas de longo período. estrutura mínima de pessoal. a ampla negociação. ão pública e um processo transparente de gasto ças de um país como o Brasil. Em Estados como o Ceará. é possível que poderá ser atingido. São Paulo e abordagem do “recurso hídrico” como “bem eco. são apresentados alguns aspectos de água fique sujeita a ações judiciais intermináveis. que inviabilizaria o gerenciamento da bacia. intensa nos próximos anos. isola.

resistência à cobrança pelo uso · sistema de cobrança pelo uso da · sistema de cobrança pelo uso da da água e com ausência de água implementado. com · comitê e agências criados. mecanismos econômicos e de · comitês e agências são criados. · privatização da produção e energética. pouca participação da sociedade · bacias hidrográficas · limitada ação estadual e civil. energética. disponibilidade e controle dos garantir o atendimento · aumento da incidência das efluentes. · bacias hidrográficas administradas sociais. os efeitos de alguns processos que cente surto de privatização de serviços públicos de tendem a alterar significativamente o cenário dos água e esgoto. Características dos possíveis cenários. · diversificação da matriz diversificada. sem gerenciamento integrado. paliativos. · privatização apenas dos serviços rentáveis. mantendo-se o cenário atual por poder público e usuários. considerando os condicionantes instituições atuantes. na dricos. e redução das doenças. Há que se considerar. concentrar o aumento da serviços e do aumento da · atuação do poder público para urbanização. independente da capacidade de doenças de veiculação hídrica · melhoria dos indicadores sociais e pagamento de parte da e contaminação química. administradas por usuários e municipal no gerenciamento poder público. o Brasil vem sofrendo. · investimentos economicamente de drenagem urbana. Energia · matriz energética pouco · diversificação da matriz energética. Desenvolvimento · agravamento da falta de água · sistemas de água potável e de · sistemas de água potável e urbano nas grandes metrópoles e nas saneamento privatizados. Dimensão Crítico (business-as-usual) Eficiência Econômica (Economics. · falta de energia com distribuição da energia. São características da situação atual a fase de transi- Além dos problemas associados à sua ção entre o regime estabelecido pelo extinto grande extensão territorial e da grande diversidade PLANASA e os novos modelos de gerenciamento das condições socioeconômicas prevalentes em do setor saneamento e de gestão de recursos hí- suas múltiplas regiões. · manutenção de subsídios sociais na energia. bem como o cres- última década. particularmente no setor significativo desenvolvimento tecnológico que vem 38 . baixa regularização.Cenários da Gestão da Água no Brasil: Uma Contribuição Para a “Visão Mundial da Água” Tabela 2. Desenvolvimento urbano de abastecimento de água e saneamento. · permanência da falta de água rentáveis de regularização em locais · plano de ampliação da no semi-árido com baixo críticos. decréscimo na expectativa de vida em regiões críticas. · aumento da regularização em · falta de água em regiões de locais críticos. · aumento dos índices de · recuperação da qualidade da água · melhoria dos indicadores sociais mortalidade infantil e de rios contaminados. climáticos de reduzida oferta · plano emergencial para períodos · impacto de variabilidade energética. também. saneamento parcialmente cidades médias onde se deve · pagamento pela população dos privatizados. disponibilidade hídrica no semi- desenvolvimento e gastos árido implementado. água implementado. das regiões produtivas. redução das doenças. Valores sociais (The values and Technology and the Private Sector) Lyfestiles) Institucional · Regulamentação da legislação · regulamentação da legislação · regulamentação da legislação implementada. · privatização da produção e estrangulamento econômico · plano emergencial para períodos distribuição da energia. · racionamento energético. porém com implementada. o recursos hídricos nacional. intensa da sociedade. urbanização por meio de planos de canais urbanos. com participação dos recursos hídricos. climáticos de reduzida oferta climática. Eventos · aumento de perdas · medidas não-estruturais de controle · medidas não-estruturais de extremos econômicas devido às de enchentes e controle na fonte dos controle de enchentes e controle enchentes e aos gastos impactos da urbanização por meio na fonte dos impactos da inadequados com a construção de planos de drenagem urbana. população. · agravamento sanitário dos rios próximos das cidades e de toda rede de drenagem. ora em desenvolvimento. implementada.

a criação de um órgão regulador específico. nordeste escala. tindo a evolução dos conceitos anteriores de sane- tecimento de água e de coleta de esgotos. de licitação. nas da tecnologia moderna ocorrem muito mais rapi- regiões menos desenvolvidas do país. derá. que deverá contar acelerada. principalmente no que tange a entes. No entanto. Nessa situação. portanto. exercer com maior eficiên- enquanto que as regiões sudeste e sul poderão cia. tro-oeste. em menor período. bases tarifárias. onde são condições sanitárias e ambientais dessas regiões. no sentido de atender às necessidades das 39 . onde se concentram os maiores principalmente no que tange ao controle da polui. níveis de renda e de maior capacitação técnica e ção. por meio do órgão regulador uma situação correspondente ao segundo cenário. até 2025. retardamento das regiões menos favorecidas. também. pois haverá maior interesse em investir Acredita-se que as regiões do Brasil evolui. atrair grandes investimentos do setor privado. das regiões mais ricas (sul e sudeste). dependerá de dois fatores básicos. a um qualidade de mananciais de água potável facilitan. as regiões mais ricas do ticas do primeiro e segundo cenários. ambiental e de gerenciamento de recursos hídri- Com a aprovação dos novos modelos de cos. verifica-se o aumento dos posição de efluentes líquidos estiverem associados níveis de cobertura devido à melhoria da relação às políticas vigentes de proteção ambiental. apenas quando os critérios para tratamento e dis- Como conseqüência. bem como o sur- clusive em relação à solidariedade social. há que orientadas para a gestão sustentável dos recursos se controlarem os interesses associados às áreas hídricos nacionais. sendo que total. tamente. particularmente aos associados ao caz do governo e dos demais setores da socieda- controle da poluição de corpos receptores de eflu. a consolidar compartilhando com o governo. dade de ocorrência de crises associadas ao uso da cendo padrões de qualidade. RBRH . que mensão de desenvolvimento urbano. cen- água. estabele. os planos de gestão das bacias hidrográficas cor. também. água. é pouco provável que transfor. a melhoria dos serviços de abas. de cobertura quando da preparação dos contratos mações radicais ocorram. características agente fiscalizador e controlador. que realmente lhe compete. irá ocorrer damente nos grande centros urbanos e regiões uma melhoria significativa dos recursos hídricos. isto é. demonstra que os benefícios oriundos com a participação de diversos atores sociais. mas embora as ações estejam dos serviços de água e saneamento básico. a uma melhoria de qualidade de vida. A região centro-oeste deverá fazer cumprir com rigor. onde já existe uma rão de forma diferenciada no que se refere à di. não havendo uma atuação efi- respondentes. significativo desenvolvimento do setor de sanea. introduzidos os conceitos de usuário-pagador e de A experiência. bem como o sistema de gerenci. a possibili- que possa ordenar e monitorar o setor. a evoluir para as características predo- tecimento de água e coleta de esgotos sanitários minantes no segundo cenário. as funções. Esses aspectos levam. sistema de informação e mecanismos de veiculação hídrica. A situação país. permi- benefício/custo na execução de sistemas de abas. áreas de gimento de epidemias associadas às doenças de cobertura. implici- proteção aos usuários. as mento de água e esgotamento sanitário. que representa uma tendência para a evolução na nhias estaduais e municipais de saneamento com direção do terceiro cenário. Entretanto. de saneamento Essas características apontam para um ambiental. torna-se menos provável. Caberá ao regiões norte e nordeste tenderão a evoluir para governo. 31-43 ocorrendo no setor. irão reinante em cada um desses grupos distintos ten. o integrar o planejamento das atividades das compa. podendo exigir e do terceiro cenário. até o ano 2025. bem como os grandes centros urbanos. a responsabilidade situações correspondentes aos cenários subse. resultando em uma melhoria significativa das gerenciamento de recursos hídricos. eventualmente. específico para o setor. infra-estrutura para o abastecimento de água. ao final do período considerado. tágio de maior desenvolvimento e industrialização amento por bacias hidrográficas. A tendência para o terceiro cenário dar-se-á sistemas de tratamento de água e de esgotos. in.Revista Brasileira de Recursos Hídricos Volume 5 n. de apresentar. É imprescindível. Essa condição levará. Essa condição proporcionará melhoria de empresarial. Em primeiro Com a melhoria das condições sanitárias lugar. pode ser superior a 50% da população estruturas no primeiro cenário (crítico). as normas de controle assumir uma posição intermediária. pelo atendimento às necessidades de abasteci- qüentes observados no início do período. as regiões sudeste e sul apresentariam caracterís. amento básico para o atual. auferida em países em es- poluidor-pagador. é provável que as regiões norte. nas grandes regiões urbanas. de. No que tange à tendência de privatização mento no Brasil. em áreas delimitadas. metropolitanas. No início do atende a mais de 90% da população e. de esgotamento sanitário. que dependendo e centro-oeste manterão grande parte de suas da região. ou do as condições de tratamento e abastecimento de seja as do norte e nordeste e.3 Jul/Set 2000.

continuará a ocorrer no Brasil um fluxo migratório das regiões mais pobres para as mais ricas. des para a sustentatibilidade regional da atividade. a trado rentabilidade que tornam viáveis o investi- longo prazo. ciais seja voltado para produtos de maior rentabili- mesmo com a possibilidade de ocorrência de con. saúde. caso não haja um com. irão acentuar-se. Como resultado. 40 . implementar as políticas de hoje. poderão ser anulados pelos processos de processo a longo prazo dependerá do uso tecnoló- degradação da qualidade ambiental. já que o plan- de gerenciamento de recursos hídricos. melhora dos indicadores sociais a partir de investi- com a ocorrência pontual. o país deverá registrar os dois do solo. temático à irrigação de baixo valor agregado. entre o hemisfério norte e sul do planeta. além de acirrar A tendência é de que na região semi-árida problemas de escassez de água. o que se constata. tentatibilidade social da população por meio da ticas correspondentes aos dois primeiros cenários. mentos privados. ou fugindo das calamidades que assolam a foram perenizados. é que haja a predominância do cená. endimentos exigem uma regularização da água rência do desenvolvimento de políticas adequadas sem falhas durante períodos longos. com vido para a melhoria das condições sanitárias da dificuldades na implementação das decisões dos região. A extensão em que cada um des- rança e saneamento básico. o uso agrícola na vizinhança dos grandes manan- Pelas razões expostas. nas regiões sul. por exemplo. essa é uma situação é do uso da água e da cobrança. no sentido de se eliminar a governamental no sentido de proporcionar recursos exclusão social. criando melhores oportunida- como. por meio do inves. rer dois processos opostos na área rural: Este êxodo populacional para as áreas ur. De Em suma. tendência de investimento de empresas agrícolas zação de tecnologia moderna e maior na região do São Francisco. centro-oeste. os em um mesmo ano.Cenários da Gestão da Água no Brasil: Uma Contribuição Para a “Visão Mundial da Água” populações menos favorecidas. entre as prestadoras de serviço e promover o desenvolvi- regiões sul e sudeste e demais regiões do país. comitês de bacia. dos pela população menos favorecida. sudeste mentos sociais não necessariamente relacionados e. onde os rios não vida. as diferenças que são observadas financeiros adequados. poluição dos corpos d’água e surto de predomine. principalmente fruticultura e o café em algumas regiões têm mos- o das classes mais favorecidas. o Brasil apresentará. tio é permanente. a tendência. segu. pode-se inferir que até o ano acordo com as condições atuais. mento tecnológico do setor. principalmente pelo maior número de safras rio em que tudo permanece como está. esses empre- benefícios e avanços que serão obtidos em decor. b) aumento de conflitos. bem gestão necessárias para o controle das agências como aquelas que já existem no Brasil. Pode-se. de algumas características à água. A prometimento de toda a sociedade. assim. utili. no setor to se dará muito mais no sentido de buscar a sus- de água e saneamento nas cidades. aumentando o risco do surgimento de todos comitês e de restrições de diferentes naturezas. e estilos de vida. Ao contrário dos processos de Com a implementação da regulamentação imigração entre os países. áreas de proteção de manan. Por outro lado. dade. em Nas áreas agrícolas fora da cobertura da uma legítima busca por melhores condições de disponibilidade hídrica sem riscos. talvez. o desenvolvimen- 2025. ção do uso da água. específicas do cenário associado a valores sociais timento de recursos em educação. com importante cres- conscientização da população. desencadea. ciais. participa. A sustentatibilidade desse biente. mento. bem como pelo ses cenários será estabelecido e o período de o- desenvolvimento de uma política para melhorar a corrência dependerão. encostas de morros e margens de córregos e com obediência aos acordos e às decisões dos rios. as caracterís. o que comprometerá todo trabalho desenvol. diante de questões cimento econômico da região por meio de investi- relacionadas à importância da água e do meio am. a) redução da demanda da irrigação nos proje- banas associado à falta de infra-estrutura urbana tos existentes devido à cobrança e à racionaliza- irá resultar na ocupação de áreas não adequadas. esperar uma ção do setor privado no setor de saneamento. irá migrar para as áreas urbanas das sendo pouco eficiente e conflituoso o recurso sis- regiões mais desenvolvidas. assim como do Desenvolvimento rural campo e pequenas cidades para as grandes e médias cidades. doenças de veiculação hídrica. da ação distribuição de renda. basicamente. mas é esperado que o primeiro encostas. nas áreas de pouca disponibilidade de água. os problemas associados à ocupação inadequada Provavelmente. poderão ocor- mais difícil de ser controlada. sua região. Ou seja. voltando-se para agricultura de subsistência dições mais favoráveis. tais como enchentes. gico. basicamente. que. o potencial de água é pequeno. deslizamento de tipos de processos.

de enchentes. propor. já que será necessário mudar a missão e distribuição. Caso maior do sistema. as agências reguladoras tratem dessa questão. Enchentes . apesar de eventuais manda está no limite da oferta. localização dos sistemas hidrelétricos. O sistema privatizado tenderá a aumentar a venção de riscos das barragens brasileiras. des discrepâncias regionais de ações. mente da disponibilidade hídrica e o aproveitamen- to do semi-árido. principalmente. No Com a regulamentação do setor com rela. espera-se que pouca folga de oferta é o de ocorrência de externa. Como é impossível prever as condi- sustentabilidade social. as perspectivas desse setor serão as nantes legais de ação privada na distribuição. vavelmente haverá um importante desenvolvimento Os grandes desafios deverão envolver o tecnológico no setor em função do benefício asso- controle da ocupação dos limites da Amazônia. fator de perdas. Esse processo dependerá muito das políticas governamentais de apoio de investi. drenagem. rão apresentar resultados bons como já acontece O mercado atacadista de energia. como o brasileiro. evoluções positivas. acredita-se que haverá um ponderável ção à privatização dos serviços de geração. O profissionais. em pesquisa aplicada e em extensão rural. por ções climáticas de longo prazo. como mencionado.Revista Brasileira de Recursos Hídricos Volume 5 n. de- prevê-se uma ação federal mais efetiva para garan. deve. cíclicas e de longo prazo. grande maioria dos engenheiros que atuam em tro dos limites disponíveis dos gasodutos) em fun. poderão ocorrer riscos de racionamen. comprometimento da produção baseado em hidre. Em paí- podem comprometer as atividades econômicas ses.3 Jul/Set 2000. o ciado a um prêmio do conhecimento prévio dos desenvolvimento do cerrado. dada a inércia de ajuste de gradual solução de alguns problemas críticos de do sistema. rio conceber e planejar o sistema não só para que cionando atendimento a uma maior demanda por ele possa ter um plano de emergência para esta água para irrigação. 31-43 O cenário para o horizonte 2025 previsto é durante um longo período. muitos dos quais ainda em fase incipiente em um sistema. Essas ações requerem um processo No entanto. pacto pode ser significativo. como também incorporar duas premissas irrigada praticada no raio de ação dos rios perenes para planejamento diversificação: das fontes e da ou perenizados. penderá de forma significativa da previsão das tir investimentos em capacitação do homem do condições climáticas de curto e médio prazo. Enchentes e secas mento. Em outras regiões. diversificando a matriz energética. na medida em que os condicio. diversificando a matriz energética. a visão létricas deve diminuir permitindo reduzir o risco de técnica e política equivocada das obras de controle racionamento. contrário. transmissão e geração estiverem mais bem defini. Pro- campo. que atualmente estão limitadas pela capa- cidade econômica do país. que en- hoje (no Paraná. Deve-se modificar. matriz energética tenda a aumentar as térmicas. a tendência de curto prazo concepção de projeto e planejamento adotada pela será de expansão das usinas térmicas a gás (den. espera- geração por térmicas dentro da capacidade de se que sejam desenvolvidos mecanismos legais e fornecimento de gás importado da Bolívia e da programas preventivos para as bacias onde o im- Argentina. torna-se necessá- meio de investimentos externos à região. como Estados Unidos e França. deve-se observar que ainda ocorrerão gran. sionais. Quanto aos programas de conservação do No cenário tendencial espera-se que na solo. em que a de. Quanto aos sistemas de alerta e de pre- dos. que controlando a gestão dessas barragens. Portanto. (> 70%) devido ao potencial disponível. lento de educação de diferentes segmentos profis- to devido às incertezas da variabilidade climática. condicionantes que norteiam os preços. de organização. entanto.A elaboração recente dos planos de drenagem urbana de algumas cidades brasilei- ras provavelmente permitirá mitigar os impactos Hidroenergia das enchentes urbanas dessas cidades até trans- correr todo horizonte de 25 anos do cenário. a tendência de privatização concretas se houver uma forte mudança de atitude do setor de energia levará a uma dinamização de técnicos e decisores nos próximos anos. trará em funcionamento nos próximos anos. Como a maioria das O risco de um sistema hidrelétrico com barragens tenderá a ser privatizada. sobretudo para a fruticultura situação. lidades climáticas. o que representa toda uma geração de ção do retorno mais rápido dos investimentos. piores possíveis. trans. por exemplo). esse aspecto 41 . que depende forte. RBRH . As regiões mas no horizonte previsto deverá possuir ainda onde o agricultor é mais bem treinado e onde há grande predominância das usinas hidrelétricas uma ação mais presente da extensão rural. somente existirão melhoras Por outro lado.

Cenários da Gestão da Água no Brasil: Uma Contribuição Para a “Visão Mundial da Água” só foi regulamentado depois da ocorrência de Considerando que a base institucional é a grandes desastres. III. F. desenvolvimento de programas nacionais e regio- nos anos 50 no Sudeste e em parte da década de nais que atuem sobre os principais problemas e- 80 no Nordeste. Os municí. · Proteção de mananciais e tratamento de sões de médio prazo meteorológica têm permitido esgotos. Tanto para o trato das enchentes como das GALLOPIN. tratando-se de even- tos que. como na década comitês com as suas respectivas agências e o de 60 no Pantanal. Na Argentina. desses fenômenos dificilmente serão mitigados pela infra-estrutura existente. condição necessária para o gerenciamento dos ção dessa questão ocorreu. nos anos 40-50 no rio Uruguai. vem incluir: ções no Brasil já começam a ser mitigados com a adoção de medidas preventivas. p. avaliar o evento com antecedência de alguns me. Draft version of 23 july 1999 – World Comission on st nistrar os efeitos dessas calamidades. no entanto. n. M. administrativa muito maior para fazer gastos e con. é necessário Considerando. de água nas áreas críticas. após a recursos hídricos. 9-15. (1999) Second secas é necessária a mudança de atitude por meio Generation of 3 Global Level Scenarios: Business- da implementação de programas preventivos. Vol. Os elementos aqui expostos apre- sentam uma dimensão da visão dos autores. prever. No que se refere à seca. (1995) Desafios em Recursos Hídricos e pios atingidos por enchentes têm uma liberdade Meio Ambiente I. Uma as-Usual (BAU). De fato. C. A Água em Revista. mas preventivos sejam aperfeiçoados. no entanto. novembro. 5. G e RIJSBERMAN. o impacto das secas uso da água nas bacias e regiões hidrográficas será minimizado. provavelmente. passando pela existência do lucrativo mercado dos carros-pipa. as previ. críticas. Torna-se necessário. a regulamenta. no âmbito da estrutura planejada para a Visão da A- mérica do Sul. Economy and the ameaça real à evolução no trato dessas questões é Private Sector (S1). as secas inter. seja desenvolvido de forma eficiente. continuarão sem preven. and Values and Lifestyles (S2”. são por demais conhecidos os enormes interesses envolvidos na denominada indústria da seca: des- de o pagamento de frentes de trabalho até verbas para construção de açudes de eficiência duvidosa. À medida em que metodologias de previ- são sejam desenvolvidas e soluções para as áreas Para que o processo de planejamento do críticas sejam implementadas. E. REFERÊNCIAS ção. a “verdadeira” economia que se formou para admi. Technology. 42 . as informações e os dados descritivos da realidade atual foram proveni- entes de fontes que permitem caracterizar de forma razoável a realidade. a revisão do Plano Na- anuais de período de retorno de 30 a 40 anos que cional de Recursos Hídricos. deve-se ressaltar que os efeitos mergentes identificados. que progra. a implementação dos atuam sobre seqüência de anos. no entanto. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES O desafio deste estudo foi de identificar e destacar as principais questões de recursos hídri- cos do Brasil. tratar projetos quando é decretado o estado de calamidade pública. · Adequado controle das enchentes urbanas. entre outras ações. julgam os autores que as priori- privatização. aproveitando essas informações nas áreas mais · Conservação do solo rural. · Preservação e aumento da disponibilidade ses. TUCCI. Water for the 21 Century – World Water Vision. No entanto. dades nacionais do setor de recursos hídricos de- Os efeitos das secas de grandes propor.

rural. which requires agreements between the agents of society involved in water manage- ment. energy. 31-43 Water Management Scenarios in Brazil: a Contribution to the “World Vision of Water” ABSTRACT Water resources management in Brazil is going through a period of institutional transition with the privatization of public services and regulation of water resources laws. RBRH . This analysis shows that there is still a long way to go in development. 43 . urban development. especially in the institu- tional sphere.3 Jul/Set 2000. and scientific and technological. This article presents a historical analysis of water resources in Brazil. human resources development. with the current situation and scenarios involving different trends. Analysis is performed considering the following aspects: institutional. critical events.Revista Brasileira de Recursos Hídricos Volume 5 n. describing a few basic scenarios. The analysis is the authors’ vision within the context of the exercise developed internation- ally regarding the Vision of Water.