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INFORMATIVO

Programa

BOLETIM

OFICINA DE SABORES:
A COZINHA SUSTENTÁVEL
A Oficina dos Sabores: "A Cozinha Sustentável" terá a participação especial de Isaura Silva, antropóloga de profissão mas uma apaixonada pela cozinha, que irá partilhar alguns dos seus conhecimentos, tais como: - combinação de alimentos (compatibilidades/incompatibilidades) - o equilíbrio ácido-básico na dieta, aprender a manter o nosso corpo alcalino - a importância de cuidar o nosso intestino (limpeza, jejuns, etc) como base da saúde - as diversas formas de preparar o nosso alimento e os seus efeitos (ao vapor, no forno, saltear) - os hábitos relacionados ao acto de comer (atitude, estado anímico) - é possível ter uma dieta equilibrada sem o consumo de alimentos de origem animal? Iremos ainda abordar a industrialização da produção de alimentos, a contaminação dos alimentos, os alimentos transgénicos, os alimentos silvestres, a dieta mediterrânica, a pesca, hábitos alimentares e produção de resíduos e consumo de água e energia, desigualdades no acesso a alimentos. Inscrições pelo Tel 262 771 060 ou e-mail: mpicambiente@gmail.com

Introdução teórica com debate Excerto do filme “Uma verdade mais

que inconveniente” (Meat the Truth) Confecção de pão de bolota, focáccia de queijo e nozes, sopa Vichyssoise à minha moda, tortilha de legumes, pataniscas de lentilhas, croquetes de aveia, salada com ervas e flores silvestres, alho francês à Brás, seitan, bifinhos marinados, tarte de labaças, mousse saudável, bolo de maçã integral decorado com flores cristalizadas Jantar convívio Quando? 27 de Junho - domingo Onde? Sede da Associação Cultural, Desportiva, Recreativa de Melhoramentos do Pereiro (Vilar - Cadaval) Hora início? 15 h

Editorial
É com agrado que registo o sucesso das últimas actividades da nossa associação. De facto, a adesão e interesse das pessoas que se inscreveram mostraram que foi uma aposta ganha a organização das Oficinas de Formação de Fabrico Tradicional de Pão. A industrialização da produção de alimentos e a comercialização em grandes superfícies foram distanciando-nos da verdadeira essência dos alimentos, pelo que urge recuperar saberes ancestrais. Por outro lado, para sermos saudáveis precisamos antes de mais de alimentos saudáveis e isso só é possível com uma produção (e comercialização) de proximidade, para além de práticas agrícolas adequadas, como a produção em modo biológico. Nós temos um papel fulcral, na medida em que, enquanto houver clientes (o mesmo é dizer consumidores, que somos todos nós) haverá cultivo de variedades agrícolas tradicionais, haverá moinhos e o pão voltará a ser nutritivo e saudável como o foi outrora. Ao darmos o devido valor aos nossos produtos com qualidade estamos ainda a contribuir para a economia local e soberania alimentar de Portugal, isto é, a reduzir a nossa dependência da importação de alimentos. Ou será que apenas quando as prateleiras dos supermercados deixarem de estar sempre cheias com o que importamos, por um qualquer motivo (e poderão ser muitos: crise dos combustíveis, dos transportes, quebra de produção devido às alterações climáticas, etc) é que vamos dar o devido valor àquilo que se pode, e deve, produzir cá? A presidente da Direcção Mª Alexandra Azevedo

Nesta edição:
Oficina Fabrico de Pão Comer com Gosto
Diversidade Planetária
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Madeira Livre de OGM Proteger as Florestas Breves Espaço Jovem Atento

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Ano 6, N.º 20
Junho de 2010

http://mpica.info

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BALANÇO DAS OFICINAS DE FORMAÇÃO DE FABRICO TRADICIONAL DE PÃO
Conforme divulgado realizou-se uma Oficina de Formação de Fabrico Tradicional de Pão no dia 18 de Abril e dada receptividade que recebemos decidiu-se repetir no dia 23 de Maio. Devido ao mau tempo a primeira oficina decorreu no moinho de Aviz (Serra de Montejunto), reconstruído e propriedade de Miguel Luís Nobre (www.arteaovento.com.pt) na parte da manhã e depois a parte da tarde foi passada na azenha do moleiro José Tavares Soares, mais conhecido por “Zé Moleiro”, enquanto que a segunda oficina decorreu apenas no moinho de Aviz. O programa teve inicio com uma introdução teórica com as intervenções de Alexandra Azevedo (MPI) e do agricultor João Vieira (dirigente da Associação de Agricultores do Distrito de Lisboa e da CNA – Confederação Nacional de Agricultura), a preparação de massas, que reflectiu um pouco nas transformações que têm ocorrido na agricultura nas últimas décadas, primeiro a Revolução Verde (aumento da produção com o recurso aos adubos químicos e pesticidas) a que sucede a Revolução Biotecnológica (cultivo de transgénicos). A ameaça dos transgénicos para a agricultura e a saúde das populações, a lógica da competitividade imposta aos agricultores, sem olhar ao prejuízo a outros níveis, como a perda de variedades de espécies agrícolas (agrobiodiversidade), abandono da terra pelos agricultores “não competitivos”, perda de conhecimentos ancestrais, erosão do solo e contaminação química (pesticidas e fertilizantes químicos) foram alguns dos aspectos realçados. João Vieira mostrou ainda as suas sementes de variedades tradicionais que todos os anos continua a semear para que não desapareçam. Seguiu-se a preparação das massas de pão em que usou a lêveda natural e algumas variedades tradicionais, como a espelta e os trigos Almansor, Barbela e Maçaroco. Da ementa servida ao almoço destacamos coelho e grão guisados com ervas aromáticas (especialidades do senhor Manuel Batista, moleiro e padeiro), queijos frescos de cabra e, claro, o pão de múltiplas variedades, onde não faltou o pão de bolota de azinheira, pão de bolota de carvalho, focáccia de queijo e nozes e focáccia de azeitonas. Os produtos biológicos produzidos local/regionalmente predominaram nesta refeição que foi do agrado de todos. À tarde, falou-se da moagem tradicional tendo o senhor “Zé Moleiro” e o Miguel Luís Nobre falado da arte e de histórias de moinhos, na primeira e segunda Oficina respectivamente. Terminandose com a cozedura em forno de lenha das massas preparadas antes do almoço e a degustação do pão obtido. Estas Oficinas foram na realidade viagens no tempo, nos sabores e nas ideias!

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ARTIGO: COMER COM GOSTO
Publicamos um artigo escrito por Margarida Silva, bióloga, professora na Escola Superior de Biotecnologia – Universidade Católica do Porto, que consideramos de grande importância pelos alertas que nos deixa sobre o que comemos numa linguagem acessível a todas as pessoas. “Deve haver poucas pessoas que não gostem de comer, e eu não sou uma delas. Gosto de experimentar receitas das sobremesas mais exóticas, amassar pão à procura do mais genuíno sabor, ficar-me esquecida nas livrarias a apreciar livros de cozinha recheados de resultados impossíveis de obter em casa. Mas não sou de olhar só para o resultado: os meus ingredientes escolho-os com cuidado e atenção porque é a minha família, a saúde e boa disposição de todos, que está em causa. E, neste capítulo, sou muito tradicional: procuro o melhor, sem compromisso. Por exemplo, se olho para a lista de ingredientes de uma embalagem de comida e vejo números além dos nomes... é porque foi feito no laboratório e não no campo. E o que sai do laboratório, pela minha lógica, não pode ser comida. Mas mesmo eliminando o que inclui números ainda sobra muita coisa que não entra no meu carrinho de compras. Por exemplo, não aprovo ingredientes que, há cem anos apenas, ninguém usaria na cozinha, mesmo se começarem pela palavra Vitamina, ou jurarem que fazem bem aos intestinos. E depois ainda há aquelas comidas que se querem fazer passar por outras - chamo-lhes os travestis. Margarina e bolachas com "sabor" a chocolate são bons exemplos, mas os adoçantes que querem fazer de conta que são açúcar para poupar nas calorias são talvez daqueles a quem mais cuidadosamente barro a porta de casa. Quando tenho dúvidas, aplico uns testes muito simples: pode ser produzido numa quinta, ou pescado no mar? Percebo como passa do estado original para a embalagem final? Se a resposta é não, é porque não é para mim. Isso leva-me a passar ao lado de quase todo o pão dos supermercados e padarias, repleto que está de "melhorantes" e "enzimas", ou ainda da míriade de outros alimentos com espessantes, corantes, estabilizantes ou demais maravilhas da tecnologia alimentar. Claro, a maneira como a comida é processada também conta, não basta escrutinar os ingredientes. A radioactividade, por exemplo, pode ter muitos fins úteis, mas comida irradiada rima com comida doente... e que nos põe doentes a nós. E a aplicação de radiação electromagnética (vulgo forno de microondas) garantidamente também não foi pensada para nos trazer mais saúde. Quanto ao leite UHT, o tal que ainda está igual a si próprio mesmo após seis meses de esquecimento no fundo do armário, bem, arranjem leite do dia pasteurizado, encham um copo de cada um e façam o teste à família toda, a ver se não distinguem o que ainda sabe a leite daquele que do leite já só tem o aspecto. Na busca da comida como "nos bons velhos tempos", gosto de reparar também nos ingredientes "invisíveis". Prefiro, tal como a restante população europeia, que as minhas hortaliças sejam sem pesticidas, o meu leite sem antibióticos e a minha carne sem hormonas... mesmo se trouxerem o selo europeu de autorizado. Se for do campo e não de aviário ou de aquacultura, melhor. E sendo colhido e comido na época, melhor ainda. E que dizer da mais moderna de todas as invenções alimentares, os alimentos geneticamente modificados, ou transgénicos? Já ouvi as sete maravilhas sobre eles: mais nutritivos, mais duradouros, mais limpos de pesticidas, muito estudados e seguros, até a fome no mundo e a crise energética (através de biocombustíveis) eles se preparam para resolver. Mas eu confesso: a primeira vez que comprei óleo de soja e depois verifiquei pelo rótulo que continha soja geneticamente modificada senti um aperto abaixo do estômago que nunca me engana. Esta comida transgénica pode ser apropriada para cobaias de laboratório, mas não é comida de gente. Mas claro, o problema é poder escolher. Para já anda por aí soja e milho transgénico, mas já este ano a Comissão Europeia pretende aprovar arroz transgénico. Arroz! O mais castiço dos cereais que comemos em Portugal! Fui informar-me e fiquei a saber que os portugueses são os "chineses" da Europa: cada um de nós come em média 17 quilos de arroz por ano, enquanto os italianos, que estão em segundo lugar atrás de nós, não comem mais que uns míseros sete quilos. Os dinamarqueses, coitados, não sabem o que é arroz doce e não vão além de quilo e meio por ano. E agora, querem abrir a nossa porta ao arroz transgénico?! Isso é, para a gastronomia, o mesmo que deitar abaixo o Mosteiro dos Jerónimos seria para a nossa história e cultura! Senhor Ministro da Agricultura: espero que goste de arroz de ervilhas, de arroz malandro, de arroz de forno e de arroz de pato. Espero, em suma, que goste de arroz, porque ser português também é isso: durante a última grande guerra devemos em grande parte ao arroz a nossa sobrevivência alimentar. Quando se sentar em Bruxelas e chegar a vez de votar o arroz transgénico, Senhor Ministro, vote por nós. Margarida Silva, bióloga

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DIVERSIDADE PLANETÁRIA CONGRESSO MUNDIAL SOBRE O FUTURO DA ALIMENTAÇÃO E DA AGRICULTURA
Neste ano Internacional da Biodiversidade e em que decorre o debate público sobre o futuro da PAC, achámos pertinente apresentar um resumo do congresso "Planeta Diversidade", realizado em Bona, Alemanha, de 12 a 16 de Maio de 2008, que reuniu representantes de movimentos de base, locais e regionais, e as instituições que trabalham na tradição agrícola e alimentar, assim como na inovação e na reconciliação baseadas na diversidade cultural e biológica. Este Congresso decorreu à margem da Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade (mais conhecido como o Protocolo de Cartagena) pela causa comum da defesa da diversidade contra as tendências destrutivas e ameaçadoras na agricultura, desenvolvimento rural e produção de alimentos. Alguns dos temas chave discutidos foram: a soberania alimentar, o acesso a alimentos, água e solo saudáveis para as populações, os direitos dos consumidores e relações justas com produtores, as tradições alimentares e agrícolas e a sua qualidade, produção alimentar e zonas livres de transgénicos, as mulheres e a agricultura, o livre intercâmbio de sementes e o melhoramento participativo, o livre intercâmbio de conhecimentos e a diversidade, o fim das patentes sobre a vida, agrocombustíveis versus segurança alimentar, a agro-ecologia e a inovação em agricultura biológica, as hortas da esperança, os direitos e saberes indígenas, a diversidade cultural e espiritual, as sementes Terminator, árvores geneticamente modificadas, biologia sintética e outras novas tecnologias que ameaçam a diversidade". Acorreram ao apelo 679 pessoas de 93 países, representando muitas dezenas de Organizações não Governamentais do ambiente, consumidores e agricultores, pessoas/activistas e cientistas. Estiveram presentes 6 representantes portugueses: Irina Maia da GENET (uma das entidades organizadoras), José Amorim e Sabine Mengel, da Colher para Semear, Nuno Belchior e Tânia Simões do Projecto 270 e Johan Diels do GAIA. Do programa constou uma manifestação em frente do local onde estavam reunidos os representantes dos governos dos países parceiros (mais de 190) nas negociações das Nações Unidas sobre a Convenção da Biodiversidade. As negociações versavam a extinção de espécies, a engenharia genética, o controlo das sementes, áreas sobreprotegidas e diversidade agrícola, questões de sobrevivência. As principais palavras de ordem dos mais de 6.000 manifestantes eram: "Pelo direito humano a uma alimentação adequada, diversa e saudável – contra o mau uso da agricultura para agro-combustíveis, e outras matérias-primas para especulação internacional", "Pelo direito dos consumidores e agricultores a decidir – contra experiências genéticas com a nossa alimentação e o nosso ambiente", "Pela livre troca de sementes e conhecimentos agrícolas – contra as patentes sobre a vida e biopirataria", " Pela preservação da diversidade regional – contra as monoculturas da agro-indústria e o genocídio mundial dos pequenos agricultores", "Pela diversidade biológica – regional, justa e livre de OGM!" Seguiram-se discursos de representantes de organizações participantes. Entre outros: Vieira Gentil Couto, da Via Campesina e MST – Movimento dos Trabalhadores sem Terra, do Brasil, Percy Schmeiser, o agricultor canadiano que ganhou o processo contra a Monsanto, Vananda Shiva (Índia). Seguiu-se o Festival da Biodiversidade, uma enorme exposição ao ar livre com stands de produtores agrícolas e guardiãos de sementes, organizações, artesãos, empresas, restaurantes, música, animação, discursos, etc. O congresso teve um intenso programa de conferências e workshops durante 3 dias, em várias línguas, principalmente inglês, alemão, francês e espanhol (na lista dos voluntários que ajudaram na organização constavam mais de 20 tradutores). No site do evento http://www.planet-diversity.org/é possível tomar conhecimento dos resumos das conferências, do curriculum dos palestrantes, assim como das sínteses ou conclusões dos workshops. O site continua em desenvolvimento onde os participantes, e não só, podem continuar o trabalho de rede e onde colocam uma imensa quantidade de contactos e informação, textos, fotos, vídeos, notícias, o mapa mundial da rede, etc. Em anexo juntamos a tradução do Manifesto aprovado pelo Congresso assim como das conclusões simbolicamente expressas num poema de Pipo Lernoud, vice-presidente da IFOAM, Argentina. MANIFESTO DO PLANETA DIVERSIDADE

Nós, povos do Planeta Diversidade, reunimo-nos para celebrar a riqueza e a diversidade biológica e cultural, que é a nossa herança, e para afirmar o nosso compromisso a transmitir esta herança intacta às gerações futuras.

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Nós rejeitamos o desespero de um mundo focado no consumo, na concorrência e na extinção e declaramos que não aceitamos a desconfiança, a violência e o medo como formas de nos relacionarmos entre nós e com outros seres. Preferimos os mercados locais e regionais à globalização; a equidade e a reciprocidade à dominação. Consideramo-nos parte da natureza e não donos dela. Aprovamos a sabedoria que une a precaução à procura de conhecimentos. Vemos que a precaução é necessária para evitar causar dano a tudo o que amamos, que tem para nós valor, que nos possibilita a vida e que procuramos entender; e sabemos que aqueles que arrogantemente rejeitam o princípio de precaução colocam em perigo a base das nossas vidas. Procuramos um mundo com alimentos bons, saudáveis, nutritivos, seguros e ao alcance de todos. Reverentemente devotamos uma admiração sem limites à beleza e à interdependência de toda a diversidade biológica. No que toca à diversidade da nossa própria espécie, valorizamos e celebramos especialmente: - os protectores das sementes e os que perpetuam os saberes tradicionais, - os cultivadores de alimentos sãos e os artesãos e consumidores de "slow food", - os pequenos agricultores, camponeses e trabalhadores rurais que nos alimentam e sustentam, - os activistas que pedem contas, e exigem responsabilidade, transparência e participação pública, - os artistas e os poetas que nos compelem a abrir os olhos e o coração, - os pacifistas que nos apontam a direcção do respeito mútuo e da boa convivência, - os cientistas que nos ensinam a agir em cooperação com a natureza e entre nós, - os sábios que nos recordam o que devemos ao passado, - e os profetas que nos avisam como nos julgará o futuro. Finalmente, celebramos aqueles com quem não concordamos porque são eles que nos obrigam – assim como os obrigamos a eles – a uma maior sabedoria. Com grande respeito, abraçamos todos e reconhecemos que somos todos, cada um de entre nós, os afortunados herdeiros e os responsáveis antecessores desta casa comum, o Planeta Diversidade.
Este manifesto foi subscrito pelos participantes de Planeta Diversidade, em Bona, Alemanha, em 16 de Maio de 2008. É baseado em muitos comentários e contribuições dos participantes e é entendido como um documento vivo. Futuros comentários são bem vindos. (adaptado do artigo de José Amorim (jose.eduardo.amorim@sapo.pt) e Sabine Mengel (samengel@gmx.net) publicado em “O Gorgulho” n.º 10, Outono 2008 – Boletim da Colher para Semear – Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais.

MADEIRA É LEGALMENTE UMA ZONA LIVRE DE TRANSGÉNICOS!
Foi noticiado no jornal americano New York Times que a Comissão Europeia permitiu que passasse o prazo para contestar a declaração de zona livre que a Região Autónoma da Madeira tinha emitido... e por isso a declaração torna-se legal e oficial, com poderes para impedir cultivos transgénicos!! Houve países a fazer a mesma declaração, como Austria, Itália, França, mas a da Madeira pela primeira não foi contestada pela Comissão Europeia! Para impedir o cultivo de transgénicos nas Madeira, o governo Português disse à Comissão que seria impossível separar os cultivos transgénicos das outras plantas e receiam que ponham em risco a saúde ambiental e ecológica da Madeira. A EFSA (Agência Europeia de Segurança Alimentar) como sempre recomendou a Comissão Europeia ignorar as preocupações portuguesas, insistindo que não há novas evidências científicas dos riscos dos transgénicos. Esta posição da Comissão Europeia é visto como um sinal de esperança para os países que querem ter a liberdade de impedir o cultivo de transgénicos e os americanos, em especial a multinacional Monsanto, temem maiores restrições da Europa às importações trans-atlânticas, já que a maioria dos transgénicos são cultivados no continente americano. E os Açores, agora, por que esperam?
(Fonte: http://www.nytimes.com/2010/05/10/business/energyenvironment/10green.html?src=busln, 9/5/2010)

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AMBIENTE E CIDADANIA - PROTEGER AS FLORESTAS TROPICAIS
Segundo a Greenpeace, 80% das florestas primárias (ou virgens) do planeta foram já degradadas ou destruídas. Esta situação está a provocar sérios problemas, nomeadamente a extinção galopante de espécies (animais, árvores e outras plantas), o empobrecimento de regiões vulneráveis, diminuição das chuvas, conflitos com os povos indígenas e o aquecimento global da Terra. Entre as causas para a destruição das últimas florestas do planeta estão: a criação de gado, através da conversão para a produção de matérias-primas paras as rações (como a soja transgénica) e a conversão em pastagens; o comércio de madeira exótica, sendo ilegal a grande maioria do seu abate; a construção de barragens, estradas e empreendimentos turísticos; a exploração mineira; os incêndios e a introdução de espécies exóticas. Cerca de 49% das florestas primárias existentes situam-se nos trópicos, são conhecidas por florestas tropicais ou húmidas, e existem na América do Sul (Amazónia), no Sudoeste Asiático (Indonésia, Ilha do Bornéu) e em África Central (Gabão, Congo, Camarões, Libéria, República Democrática do Congo). Os países desenvolvidos são os principais clientes destas madeiras, tais como Estados Unidos da América, Europa e Japão. Estimando-se que cerca de metade das importações de madeira tropical para a União Europeia seja ilegal. As florestas da Amazónia representam 45% das florestas tropicais, quase metade das espécies conhecidas (animais e plantas) vive na Amazónia. Em 1970, 99% da floresta amazónica permanecia intacta, actualmente possui uma das mais elevadas taxas de destruição de floresta do Mundo, por exemplo em 2001 apenas 1% da área total desflorestada foi autorizada. A Europa foi o maior importador de madeira amazónica entre Janeiro e Outubro de 2004, representando 38,7% das exportações daquela região. A madeira sob a marca DLH é exportada para Portugal através de uma empresa com sede na Dinamarca, cujos fornecedores estão envolvidos no abate ilegal, sendo dos comerciantes internacionais de madeira que mais beneficiam com a destruição da Amazónia. A magnífica floresta tropical da África Central é a segunda maior floresta tropical do mundo e quase metade está na República Democrática do Congo. Apesar de estar em vigor desde 2002 uma moratória a novas concessões madeireiras, duas empresas portugueses obtiveram em 2003 autorizações avulsas de exploração de mais de 6 milhões de hectares de floresta tropical, destinada à nossa indústria madeireira. Portugal foi em 2002 um dos maiores importadores europeus de madeiras tropicais (toros, madeira serrada, folheados e contraplacados), em 2004 foi o 5º maior importador mundial de madeira da Amazónia, ou seja, é responsável por mais de um terço do total da área desflorestada na Amazónia brasileira. Exemplos de espécies tropicais: Sapele, Iroki e Ekki, Jotoba, Ipê, Tatajuba, Pau-santo, Pau-rosa, Tacula, Sucupira, Tola, Aformosia, Teca Africana, Assamela e o Pau-preto. Estas duas espécies, tal como o Pau-santo do Brasil, o seu comércio está restringido pela CITES (Convenção sobre o comércio internacional das espécies da fauna e da flora selvagem ameaçadas de extinção) uma convenção internacional em vigor desde 1975 e subscrita por 157 países, entre os quais Portugal. O que podemos fazer? 1- Comer menos carne, este é sem dúvida o conselho que poderá ter maior impacto se queremos mesmo proteger as florestas e está ao alcance de todos. Basta ter vontade! 2- No caso de optar por madeira exótica, exigir madeira certificada. A certificação da madeira é já uma realidade, sendo o sistema de certificação “Forest Stewardship Council” (FSC) a única garantia de que a madeira é proveniente de florestas bem geridas. 3- Não consumir o mogno, Pau-preto, Pau-santo e Teca Africana, por estarem ameaçadas de extinção. 4- Reduzir o consumo de madeira, reutilizando um móvel antigo (transformando-o e adaptando-o às suas novas necessidades) em vez de comprar um novo, por exemplo. 5- Optar por outras madeiras, em substituição das madeiras exóticas. Em Portugal destacam-se pela sua qualidade algumas espécies autóctones como: carvalho, cerejeira brava, freixo, pinheiro manso, pinheiro bravo e cipreste (há autores que defendem que estas últimas 3 espécies foram introduzidas); ou espécies introduzidas naturalizadas como: castanheiro (cuja madeira é o castanho), nogueira e plátano; ou ainda por madeiras europeias como: faia, pinho nórdico. 6- Apoiar organizações não governamentais de que defendem as florestas tropicais, tais como, Greenpeace e WWF (Worldwide Life Found – Fundo Mundial para a Conservação da Natureza).

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BREVES
Infelizmente continua a ser mais barato importar madeiras ilegais, é por isso urgente um mercado exigente e estímulo a novos plantios com madeiras nobres, para que elas sejam uma alternativa, isto é, que haja madeira suficiente.
Bibliografia e websites: 1- “Madeiras nacionais nobres mas esquecidas”, revista Fórum Ambiente n.º 29, Agosto 1996 2- “50 Coisas simples que pode fazer para salvar o planeta, ”, The Earth Work Group, Círculo de Leitores, 1993, p.74 3- “Desflorestação mundial: O fim das florestas primárias?”, ABC Ambiente n.º 22, Agosto/Setembro, 2000, p.16-17. 4- “Quercus e Greenpeace pedem fim da importação de madeira ilegal”, QUERCUS Ambiente, Maio/Junho, 2004, p.6 5- “União Europeia deve banir comércio de madeira ilegal”, Quercus Ambiente, Novembro/Dezembro 2004, p.29 6- “Greenpeace e Quercus bloqueiam carregamento de madeira da Amazónia”, Quercus ambiente, Março/Abril 2005, p.6. 7- http://www.greenpeace.org 8- http://www.globalforestwatch.org

Balanço do LIMPAR Portugal
O projecto LIMPAR PORTUGAL foi sem dúvida de grande sucesso, o que deixou os mentores do projecto naturalmente satisfeitos, pela mobilização de voluntários que conseguiu, pelo lixo recolhido, pelo impacto que teve na comunicação social e consequentemente constituiu uma boa forma de sensibilizar toda a gente para o problema dos resíduos, mesmo para os que não puderam ou não quiseram participar na recolha do lixo. Em todo o país foram identificados cerca de 13mil pontos com lixo, entre florestas e terrenos urbanos, participaram cerca de 100 mil voluntários e foram recolhidos 70 mil toneladas de lixo e tudo isto em apenas um dia, o chamado dia “L” (Limpar) que foi no dia 20 de Março. Por exemplo, só no concelho do Cadaval participaram 127 voluntários e foram recolhidas 37 toneladas de lixo. Foram recolhidos um pouco de tudo, pneus, embalagens de plástico, sucatas, garrafas de vidro, sofás, electrodomésticos. Em declarações à Agência Lusa um dos mentores, Paulo Torres, disse “Esperamos não ter de repetir, que as pessoas tenham compreendido a mensagem e que procurem desfazer-se do lixo de maneira conveniente”.
(Fonte: http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1428620)

Portugal tem uma das pegadas hídricas mais elevadas entre 140 países
Lusa, PÚBLICO

Segundo um relatório “Planeta Vivo 2008” recentemente divulgado pela WWF, Portugal tem uma das "pegadas hídricas" mais elevadas por habitante, ocupando a sexta posição entre 140 países. Entre os seis países que têm a mais elevada pegada hídrica estão cinco da região Mediterrânica: Grécia, Itália, Espanha e Chipre, além de Portugal. Esta situação é causada principalmente pelo um sector agrícola "pouco eficiente", Estima-se que cada português é responsável pela utilização de 2.264 metros cúbicos por ano. Mais de 80 por cento desse valor diz respeito ao consumo de bens agrícolas, e mais de metade corresponde à importação de bens para consumo, principalmente de Espanha - ou seja, 54 por cento da pegada hídrica em Portugal é externa. A pegada hídrica de um país é, assim, o volume total de água usado globalmente para produzir os bens e serviços consumidos pelos seus habitantes, tanto em território nacional como no estrangeiro, no caso dos bens importados. É preciso sensibilização para se mudarem comportamentos e hábitos de consumo.
(Fonte: http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1424606)

Plataforma Transgénicos Fora promoveu debate “Alimentação Hospitalar - Transgénicos e Saúde”
Foi no dia 22 de Maio no Anfiteatro do Edifício Egas Moniz da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e teve como oradores HELENA JERÓNIMO, socióloga, professora auxiliar no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa PATRÍCIA ALMEIDA NUNES, Dietista, Pós-graduada em Gestão de Serviços de Saúde e em Doenças Metabólicas e Comportamento Alimentar, doutoranda na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, JOSÉ LUÍS GARCIA, Doutor em sociologia, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, professor na licenciatura de Ciências da Saúde da Universidade de Lisboa, ISABEL DO CARMO, Médica, Doutora pela Faculdade de Medicina de Lisboa, especialista em Endocrinologia e Nutrição, directora do serviço de endocrinologia do Hospital de Santa Maria e MARGARIDA SILVA, Bióloga, doutorada em biologia molecular, professora auxiliar da Universidade Católica. Os profissionais de saúde eram o público-alvo, sendo fundamental que esteja sensibilizados sobre os riscos na nossa saúde do consumo de transgénicos.

espaço

Jovem Atento

A pensar nos sócios mais novos criámos este espaço para publicar os teus desenhos e textos sobre o tema ambiente. Ficamos a aguardar os teus trabalhos. Começamos por publicar uns textos de Laura Azevedo Varges, residente no Vilar e que o escreveu quando tinha apenas 11 anos de idade. Espero que gostes.

Para preservar o mundo, eu posso…
No rio: Se te fizessem um desafio de beberes a água de um rio seria melhor esqueceres isso porque na maior parte das vezes a água do rio é extremamente poluída. Isso tudo só porque os rios muitas vezes servem de esgoto ou então algumas pessoas que não têm cuidado nenhum atiram toda a espécie de lixo para o rio. A única maneira de se parar com isto é simplesmente o rio deixar de ser esgoto, ser depurado (processo de limpeza da água) e as pessoas andarem informadas do assunto e deixarem de atirar lixo para o rio. O que tu podes fazer é ir falando deste assunto a todos os teus familiares e amigos. Ficarão admirados por saber que estás preocupado(a) com esse assunto e de certeza que te ouvirão. No mar: O mar também sofre dos mesmos problemas que os rios. Primeiro, a água imunda dos rios vai parar ao mar, segundo, as pessoas até atiram mais lixo para o mar do que para os rios e terceiro, também há o perigo de derrames de petroleiros que formam as chamadas marés negras. É por estas e por outras que também não se deve andar a brincar à “bebida salgada”. A única maneira de parar um pouco com isto é informar melhor as pessoas e os petroleiros devem ter mais cuidado com o que fazem. Por fim, o que tu deves fazer é simplesmente ir falando deste assunto à tua família e amigos. Assim ficas já com uma grande conversa prometida. Em terra: Por todo o lado onde tu passes é muito normal veres tudo cheio de lixo e de toda a espécie de porcaria. Nada seria assim se muita gente não estivesse mal informada sobre este assunto. Claro que sabes o simples gesto das pessoas que faz o chão estar sempre tão sujo. Também já deves saber a única maneira de acabar com este pandemónio: informar as pessoas e fazer campanhas de sensibilização para crianças e adultos. As razões para as pessoas atirarem o lixo para o chão são as seguintes: muitas vezes comes qualquer coisa e não dá jeito nenhum andar com o pacote na mão, quando não há caixotes do lixo por perto. Faz um esforço, coloca o papel num bolso e à primeira oportunidade colocas o pacote no lixo. Conversa também sobre isto. Sobre o ar: O ar é poluído das seguintes formas: utilização excessiva de veículos e outros produtos contaminantes, simplesmente. Claro que se pensarmos melhor há mais razões para o ar estar poluído, mas esta é a principal. As pessoas devem evitar utilizar todo o tipo de produtos contaminantes e devem passar esta mensagem aos familiares amigos. Como podes ver há muita coisa que tu podes conversar com os teus familiares e amigos. O mundo cada vez fica mais poluído e em consequência podemos ver muitas coisas como por exemplo a fragilidade que se começa a notar na camada de ozono. É por isso que é tão importante começar a tomar atitudes e eu conto com toda a gente que lê este texto para colaborar no longo caminho de recuperação de que o mundo necessita. Setembro, 2006