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ATLAS de Pressões e Ameaças

às Terras Indígenas na
Amazônia Brasileira
Arnaldo Carneiro Filho
Oswaldo Braga de Souza

São Paulo, novembro de 2009.

O Instituto Socioambiental (ISA) é uma associação Série Atlas de Pressões e Ameaças às Terras
Indígenas na Amazônia Brasileira
sem fins lucrativos, qualificada como Organização da
Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), fundada em 22
Brasil Socioambiental Autores
de abril de 1994, por pessoas com formação e experiência Arnaldo Carneiro Filho
Cartô Brasil Socioambiental é uma série de publicações cartográficas, Oswaldo Braga de Souza
marcante na luta por direitos sociais e ambientais. Tem como objetivo
aberta a parcerias e sem periodicidade regular, que pretende apresentar Textos
defender bens e direitos sociais, coletivos e difusos, relativos ao meio
um panorama de algumas das principais questões socioambientais da Oswaldo Braga de Souza
ambiente, ao patrimônio cultural, aos direitos humanos e dos povos.
atualidade sob diferentes perspectivas e recortes territoriais (país, biomas, Mapas
O ISA produz estudos e pesquisas, implanta projetos e programas que
bacias hidrográficas, municípios, estados, cidades e outros). A série traz Arnaldo Carneiro Filho
promovam a sustentabilidade socioambiental, valorizando a diversidade
mapas elaborados em linguagem comunicativa e acessível a públicos Edição de arte
cultural e biológica do país.
variados, em diversos suportes e formatos, e é mais um trabalho que Ana Cristina Silveira
Para saber mais sobre o ISA consulte www.socioambiental.org parte da base de dados do ISA mantida desde a sua fundação, em 1994. Pesquisa fotográfica
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fax: (95) 3224-3441, isabv@socioambiental.org Atlas de pressões e ameaças às terras indígenas na Amazônia brasileira / Arnaldo Carneiro
Filho, Oswaldo Braga de Souza. -- São Paulo : Instituto Socioambiental, 2009.
Sob as seguintes condições:
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I. Souza, Oswaldo Braga de. II. Título.
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Sumário
apresentação p.4
introdução p.5 assentamentos
mapa Conjunto de pressões e ameaças sobre as Terras Indígenas  Políticas ineficientes de reforma agrária criam conflitos com TIs p.28
na Amazônia Legal Brasileira p.7 mapa Assentamentos e Terras Indígenas p.29

terras e povos uso do solo
As Amazônias p.8 A Amazônia “pecuarizada” p.30
mapa Os limites hidrográficos da Amazônia p.9 mapa Esboço do uso do solo nas áreas desmatadas da Amazônia Legal p.31

Uma floresta nem tão protegida p.10 queimadas
mapa Áreas Protegidas na Amazônia Legal p.11 O fogo já faz parte do cotidiano da floresta p.32
mapa Focos de calor em 2005 p.33
Os índios no Brasil e na Amazônia p.12
mapa Terras Indígenas na Amazônia Legal p.13 recursos minerais
infraestrutura mineração
Mineração e Terras Indígenas p.34
estradas mapa Processos minerários na Amazônia Legal p.35
A Amazônia das estradas avança sobre a Amazônia dos rios p.14
mapa Rodovias e Terras Indígenas p.15 Passivos socioambientais da mineração em TIs p.36
mapa Classificação das TIs segundo pressões e ameaças da atividade mineral p.37
pac e iirsa
Na mira dos grandes projetos de infraestrutura p.16 garimpo
mapa Obras previstas e em andamento p.17 Atividade garimpeira p.38
mapa Atividade garimpeira por  microbacia p.39
hidrelétricas
As TIs e a nova geografia da geração e distribuição de energia p.18 petróleo e gás
mapa Projetos hidrelétricos, microbacias e mesobacias afetadas p.19 Conflitos e impactos da atividade petrolífera na Amazônia Ocidental p.40
mapa Petróleo e gás: zonas de exploração atual e interesses declarados p.41
Povos indígenas serão os principais atingidos por hidrelétricas p.20
mapa Classificação das macrobacias amazônicas  exploração madeireira
segundo a incidência de projetos hidrelétricos p.21
Ponta-de-lança do desmatamento p.42
Grandes rios amazônicos estão ameaçados p.22 mapa Zonas de atividade madeireira p.43
mapa Classificação das TIs segundo a proximidade com 
rios afetados por projetos hidrelétricos p.23 Urbanização e saneamento
Os índios e as cidades amazônicas p.44
desmatamento
mapa Capitais municipais por população p.45
A dinâmica da devastação p.24
mapa Desflorestamento acumulado na Floresta Amazônica p.25 áreas de tensão
Um balanço do desmatamento nas TIs p.26 Um resumo das pressões e ameças às TIs p.46
mapa Classificação das TIs segundo grau de pressão do desflorestamento p.27 mapa Classificação das macrobacias amazônicas por pressões e ameaças p.47

Atlas de Pressões e Ameaças às Terras
Indígenas na Amazônia Brasileira 4
apresentação o endereço espacial da degradação
O
Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas dos dados cartográficos realizado neste trabalho não visou atividades e agentes que provocaram, provocam e devem
na Amazônia Brasileira apresenta uma visão alcançar precisão absoluta, mas apontar os principais continuar provocando num futuro imediato impactos
complementar e integrada de diferentes formas vetores da degradação dos ecossistemas amazônicos e negativos diretos e indiretos sobre as TIs e as regiões onde
de intervenção no território amazônico e de seus impactos delimitar os espaços geográficos onde eles se movimentam, elas estão localizadas. Neste caso, falamos de pressões que
sobre as Terras Indígenas (TIs). A publicação pretende numa linguagem acessível que facilitasse sua visualização. ocorrem, por exemplo, na forma de invasões, ocupações
contribuir com a reflexão e o debate sobre os principais Reunimos informações sobre agropecuária, mineração, e desmatamentos ilegais; roubo de madeira; incêndios
problemas socioambientais dessas áreas ao oferecer ao exploração madeireira, projetos de infraestrutura, população florestais; atividade garimpeira; barragens; presença de
leitor o endereço espacial de alguns deles. Pretende apoiar e saneamento, entre outras. Em quase sua totalidade, elas atividades agropecuárias e minerárias, serrarias, frigoríficos e
também as ações e estratégias de movimentos e lideranças foram obtidas em instituições oficiais, como o Instituto núcleos urbanos. Também apresentamos informações sobre
indígenas, pesquisadores, técnicos, militantes, organizações Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Instituto Nacional intervenções que podem manter ou ampliar em médio e
não governamentais e instituições diversas que lutam pelo de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Agência Nacional de Energia longo prazo esses impactos, destacando o que consideramos
desenvolvimento sustentável da Amazônia e pelos direitos Elétrica (Aneel), o Departamento Nacional de Produção ameaças (ou pressões potenciais): requerimentos de pesquisa
de suas populações. Mineral (DNPM) e a Agência Nacional de Petróleo, Gás minerária; estradas, usinas hidrelétricas e linhas de transmissão
Natural e Biocombustíveis (ANP). previstas e em estudo; entre outros. Em alguns casos, a
Os textos e mapas das páginas seguintes não têm a análise desses dados permitiu classificar regiões e áreas
pretensão de fazer uma exposição exaustiva de cada tema O objetivo da publicação é indicar dinâmicas territoriais atuais, específicas segundo o grau dos impactos socioambientais
tratado, mas de apresentar um panorama geral sobre cada mas também discutir cenários e tendências. Recolhemos e sofridos atualmente e de suas vulnerabilidades em diferentes
um deles. Sem descuidar do rigor técnico, o tratamento tentamos traduzir em linguagem cartográfica dados sobre horizontes de tempo.

1 como ler o atlas?
Na orelha interna da capa da publicação, há 1 Os mapas estão relacionados a Com essa disposição na página, o leitor pode
um mapa com todas as TIs da Amazônia Legal alguns temas-chave, como, por exemplo, localizar no mapa principal que está lendo
e uma lista numerada com seus nomes em infraestrutura, recursos minerais e alguma informação destacada no texto.
2 4 ordem alfabética e por estado. TIs específicas desmatamento. Esses temas estão indicados no 3 Ainda na página do texto, à sua esquerda,
são citadas em vários textos e retratadas, em canto esquerdo superior da página que contém está a seção Bibliografia, que traz as
separado, em alguns cartogramas – mapas os textos do atlas (sua forma de apresentação publicações, artigos, textos diversos e sites
menores com informações adicionais – não segue uma ordem de importância). usados como fontes.

3 espalhados pela publicação. Mantendo a
orelha aberta, é 2 Sempre acima dos mapas, nas páginas Logo abaixo do texto principal estão os
possível ler os que os precedem, são apresentados textos mapas que focalizam sempre as TIs na
mapas do atlas e que contextualizam a inserção das TIs no tema Amazônia em face de algum tipo de ação
consultar a lista destacado e no território amazônico. Vários nociva, pressão ou ameaça socioambiental.
ao mesmo tempo deles apresentam exemplos emblemáticos de 4 Ao longo de toda a publicação foram
para localizar e identificar as TIs mencionadas regiões e TIs mais afetados por determinada dispostos ainda tabelas e gráficos com
e outras que o leitor desejar. atividade ou agente. números sobre o assunto tratado.

ocorrem conflitos e surgem ameaças às TIs e ao conjunto de direitos a elas agregado pela Constituição. Na medida em que se intensificam essas relações. social. no entanto. apesar das pendências históricas ainda Mesmo nos casos em que a demarcação das terras as cidades e os órgãos de governo. que prazos. lideranças do agronegócio. sejam quais forem sua dinâmica populacional. Ainda que extensas. Houve um salto nas relações (TIs) nos últimos 20 anos no Brasil. Os povos indígenas e quem defende seus direitos são convertidos em vilões do “desenvolvimento” e agentes do “atraso”. suas necessidades dentro daqueles limites. bem de governança. O futuro Essas conquistas deslocam o eixo das preocupações e o crescimento da sua demanda de consumo e a das comunidades indígenas – assim como a integridade das reivindicações dos índios. A demarcação de territórios extensos. historicamente focadas na luta pela disponibilidade de recursos naturais. Uma onda de projetos e interesses nota: foi incluída nos limites da Amazônia Legal toda a extensão dos municípios do Maranhão pertencentes a ela. na Amazônia. Nos últimos anos. segmentos mais conservadores do governo e da imprensa. a contempla rigorosamente a Constituição e as expectativas políticas de ocupação do território atravessam as fronteiras formação de mosaicos de áreas protegidas e de grandes dos povos ocupantes. contornos ao mapa da região. ela representa certo confinamento nacionais. Ganha importância o desafio da gestão e da proteção cada vez mais do contexto territorial. florestas e dos recursos naturais nelas existentes – dependerá terra. agora estão como da sua capacidade de gerir o conjunto das suas relações com a sociedade brasileira. parlamentares de variados matizes ideológicos vêm se empenhando em passar à sociedade a idéia de que a criação de áreas protegidas é uma ameaça ao crescimento da produção agropecuária. permitem entrever que a floresta não é entrave às atividades produtivas. áreas que há 20 ou 30 anos cultural em que essas comunidades estão inseridas. transformando o que antes era “fim do mundo” em corredores de sociobiodiversidade conferem novos histórico: tais comunidades passam a ter de equacionar rotas de passagem entre diferentes mundos. de representação política nacional e de encontravam-se isoladas. econômico e desses vastos territórios. as TIs encontram-se cercadas. transportes e de comunicações. Os mapas apresentados nas próximas páginas. empresários do setor hidrelétrico e mineral. que não têm estruturas institucionais Por outro lado (o lado de fora). no presente e no futuro. quase inacessíveis. das Unidades de Conservação (UCs) e TIs para conter o Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 5 . estudos e consultas prescritos na legislação ambiental são trâmites burocráticos dispensáveis. Avanços e desafios das  introdução Terras Indígenas na Amazônia H ouve grande avanço no processo de instrumentos econômicos e tributários capazes de enfrentar cada vez mais interligadas às redes de infraestrutura de reconhecimento oficial das Terras Indígenas demandas que se diversificam e adquirem escala. em que pese a importância das leis ambientais. as não resolvidas. Cria-se uma falsa oposição entre os interesses das populações tradicionais e o que é considerado “progresso”. sobretudo estabelecidas entre os povos indígenas e os seus vizinhos. Ao mesmo tempo.

mineral. mas de forma esquizofrênica: enquanto tenta. O mapa maior. Agora ela lança ramificações e estabelece núcleos ilegal de terras. nota: foi incluída nos limites da Amazônia Legal toda a extensão dos municípios do Maranhão pertencentes a ela. Esse trecho realizados nos últimos três anos. pelo avanço da fronteira agropecuária e por diversas outras formas de exploração dos recursos naturais. Como indicam detalhada e. ativos em várias direções. como muitas vezes tem sido afirmado. concentração de renda. na página 7. tirar do papel ações ainda incipientes de controle do desmatamento. teremos alcançado nosso objetivo. em apenas pressão madeireira. o Atlas de Pressões e Ameaças às anunciado de intervenções que vão além do desmatamento e o centro do Pará (ao longo da calha do Rio Amazonas) até Terras Indígenas na Amazônia Brasileira revela a existência de cujos impactos ainda não são totalmente conhecidos. tornam quase impossível sua leitura agentes e atividades econômicos sobre a faixa que se estende públicas. a muito custo. as TIs amazônicas e um conjunto de agentes e as pressões da atividade mineral. mapas e textos deste atlas. oferecem um panorama do caos desde o Acre. No mapa da página anterior. a dinâmica territorial da devastação é induzida por vetores específicos originados. na garimpeiro. o que intensifica as atividades que são retratados com maior detalhe ao longo transmissão planejadas. passando por Rondônia. agora agrupadas definido. Fugindo de generalizações. de gestões governamentais. Segundo a imagem. não se pode falar mais em uma onda de projetos de infraestrutura. empreendimentos de infraestrutura e agropecuária custeados com dinheiro público são responsáveis por grande parte do desflorestamento na Amazônia. sobrepostos a um esboço da do Bioma Amazônico. Ao pretender chamar a atenção para essa situação. para o debate de alternativas econômicas mais sustentáveis para a Amazônia. financia – por meio de instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). ao mesmo tempo. degradação dos por certa afinidade de origem. O Estado está presente na Amazônia. Como apontam os textos desta publicação. o saque dos recursos naturais. já permitem território amazônico a partir de um perímetro com contorno expressiva da população amazônica têm sido a ocupação uma visão mais organizada dessas pressões. oriundos do primeiro. pressões sobre o território e os recursos naturais. chama a atenção o movimento dos Essa realidade não tem origem apenas na falta de políticas Combinados num só mapa. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 6 introdução desmatamento. de hidrelétricas e linhas de demandas energéticas e econômicas. foram incluídas informações sobre estradas e desmatamentos tempo consideradas isoladas e mais preservadas. em franca consolidação. gera novas três imagens. madeireiro. outros bancos regionais e estaduais – atividades que estão destruindo a maior floresta tropical do planeta. . insegurança. Se sua leitura possibilitar uma visão objetiva dos desafios colocados para a conservação da diversidade cultural e biológica. porção sul da Amazônia. ilustra a sobreposição de interesses e pressões socioambientais Além da situação crítica já bastante conhecida do conjunto Estado esquizofrênico resultantes dos setores agropecuário. empreendimentos uma fronteira agrícola que avança gradualmente sobre o e interesses econômicos cujas consequências para parte Os dois mapas menores. em grande parte. de TIs localizadas no chamado “arco do desmatamento”. violência. o sul do Amazonas. Ao contrário. considerado por alguns como “arco Os mapas incluídos nesta introdução representam. seu objetivo é oferecer um panorama abrangente de como as TIs estão sendo ou serão impactadas por obras de infraestrutura. de toda a publicação. o Amapá. de infraestrutura e energéticos. chegando a áreas até pouco ecossistemas. esta publicação não tem a intenção de demonizar nenhum segmento ou atividade econômica. petroleiro. No mapa desta página combinaram-se do desenvolvimento”.

2009.introdução conjunto de pressões e ameaças sobre as terras indígenas na amazônia legal brasileira Oceano Atlântico FONTE: ISA. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 7 . NOTA: foi incluída nos limites da Amazônia Legal toda a extensão dos municípios do Maranhão pertencentes a ela.

7) Amazônia 2009. número de espécies extintas. Brasil. No Brasil. 2 Amazônia é muito importante para a estabilidade do clima à biodiversidade. país.8 mil de peixes continentais. geográficas. 3 regime de chuvas em lugares como a Argentina. Rolla e Fany Ricardo (Coord.9 milhões de quilômetros quadrados. 2008. inclusive 1. Domínio Ecológico Amazônico apontam para as variações climáticas (atuais e passadas).9 (2. de 5 milhões de quilômetros Amazônia Brasileira – o equivalente quadrados (dois terços do ao território de Minas Gerais! Entre os (5.6 No Brasil. usam e protegem um vasto repertório de por nove países: Bolívia. Amapá. parte do Maranhão.6 milhões de quilômetros quadrados e o centro-sul do Brasil. 8. 1. Julho de 2007. distribuídos Esses grupos detêm. 2009. Instituto Amazônia Legal. 30-37. nela vivem 33 milhões de habitantes. desflorestamento e água. 1. 10) GeoAmazônia. quilômetros quadrados.6 milhão ou Domínio Biogeográfico Amazônico é o conjunto de geológicas. abarca 37% do Bioma Cerrado. Alícia brasileiro criou o conceito de Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). com uma área de 6. 40% do Bioma longo da América do Sul. Nos anos 1950. Lúcio Flávio Pinto. a recursos genéticos e conhecimentos tradicionais associados Guiana Francesa. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 8 terras e povos As Amazônias H á várias formas de definir a Amazônia. 40. que abrange mais de 586 mil quilômetros quadrados Socioambiental (ISA). . 2009. Guiana. Mato Grosso e grande e talvez milhares de espécies de Almanaque Brasil Socioambiental 2008. como as do Araguaia e do Tocantins). Acre. Equador. segundo o Instituto (3) Amazônia Brasileira 2009. Vol. desse recurso. In Ciência Hoje.3 mil de aves. Pará. das formas de ocupação e uso dos de indígenas de 370 povos diferentes. incluindo áreas de mil espécies de plantas medicinais. Peru. Estima-se que a evaporação e a (incluídas as macrobacias consideradas parcialmente O Bioma Amazônico é a região de maior biodiversidade do transpiração da vegetação amazônica.7 Ele tem 6. Colômbia. outras habitadas por seringueiros. babaçueiros. Pg. Instituto Socioambiental (ISA). o que assegura a regulação do drena sete países e corresponde a quase 40% da América do Pantanal e pequenos trechos de formações vegetais variadas. recursos naturais existentes no bioma. 9) Amazônia. 2007. uma área com pouco mais de florestas já foram destruídos na (4) O Livro de Ouro da Amazônia. In Tocantins.6 superficial do planeta. para tentar castanheiros. Calcula-se que contenha quase 30% de todas as de até 50 metros de altura. composta por árvores amazônicas. liberem aproximadamente sete Bacia Amazônica é o maior compartimento de água doce espécies existentes.2 milhões de de quilombos e centenas de Ralph Trancoso. Ediouro. Perspectivas do Meio Ambiente na Amazônia. abriga mais de 30 mil espécies 4 trilhões de toneladas de água por ano na atmosfera. incentivos fiscais.). A planeta. o Bioma 357 comunidades remanescentes Arnaldo Carneiro Filho. 2004. Ela Amazônica. Paraguai Sul. formações vegetais. Rede Amazônica desenvolver e integrar a região de Informação Socioambiental por meio da concessão de Apesar de toda essa riqueza Georreferenciada (RAISG). Suriname e Venezuela. João Meirelles Filho. Estima-se que os povos indígenas amazônicos manipulem perto de 1. vivem também (1) Amazônia. Pg. Esse território inclui os países amazônicos. A Amazônia animais. Além da Floresta água originadas no Oceano Atlântico e transporta-as ao afluentes e rios formadores do Rio Amazonas. o Brasil tem o maior PNUMA/OTCA/ Centro de Pesquisa da estados do Amazonas. perdendo um patrimônio de centenas (6.10 Estamos Universidad del Pacifico. 5 mil territórios (sem contar comunidades isoladas e urbanas). 1 311 de mamíferos e 163 de anfíbios. As explicações para A Amazônia abriga ainda uma enorme diversidade essa formidável multiplicidade de espécies e ecossistemas sociocultural. A Bacia por um mosaico de habitats com grande variedade na regional. Roraima. Por causa de sua grande extensão em florestas contínuas. Áreas Protegidas e Territórios Indígenas. o governo socioambiental. 83-106. distribuídos em 2. País).2 ecossistemas florestais existentes na Bacia Amazônica. ribeirinhos. Ela impulsiona grandes quantidades de vapor de Hidrográfica Amazônica é composta por todos os ocorrência e quantidade de espécies. Considerando seus limites políticos em cada O Bioma Amazônico.8 bibliografia transição e trechos de outras Na Amazônia Brasileira. plantas e micro-organismos Legal brasileira é caracterizada antes de conhecê-las. com cerca de 15% do total disponível de plantas. Javier Tomasella e Amazônico tem 4. Rondônia. No239.

tocantins xingu Oceano Pacífico alto cuiabá araguaia paraguai são médio lourenço paraguai Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 9 . notaS: 1) o limite da Amazônia Legal inclui a totalidade da extensão dos municípios do madeira parnaíba Maranhão pertencentes a ela. 2009.terras e povos Os limites hidrográficos da Amazônia oiapoque Oceano Atlântico jari cassiporé negro litoral foz do do pará amazonas litoral paru gurupi noroeste jataru (MA) litoral japurá nordeste (MA) pará marajó içá jutaí mearim javari itapecuru purus tapajós juruá alto Fonte: ISA. 2) incluídas as macrobacias consideradas parcialmente amazônicas.

O grau de implantação das áreas protegidas varia muito. De acordo com o Sistema Nacional de Unidades de quilômetros de UCs de uso sustentável. protegidas estão previstos na legislação brasileira como forma ocupados por áreas protegidas. num quadro de restrições orçamentárias e desarticulação em especial das UCs. (3) Áreas protegidas.4% do Mato Grosso é verdadeiras barreiras contra o avanço do desflorestamento. Outro O Parque Nacional de Anavilhanas é Conservação da Natureza (SNUC). garantem a qualidade de vida comparativa do Brasil nas negociações internacionais sobre distribuição de UCs e TIs por estado é desigual e revela de inúmeras populações. do nordeste do Mato Grosso bibliografia características naturais relevantes. mais da metade de Roraima está na mesma situação.1 milhões de quilômetros quadrados ou Extrativistas (Resex). a UC é uma parte do importante conjunto de áreas protegidas uma das UCs do grande corredor de território sob regime especial de administração ao qual conectadas está situado ao longo do Vale áreas protegidas da Amazônia central. 3 mudanças climáticas. Portanto. Por exemplo. perfazendo 264.6% e e mosaicos. Enfim. Assim. 261-269. onde podem conviver diversos atores na Amazônia está intacta. no a criação de TIs e UCs interligadas. O desafio é conseguir controlar entre TIs e UCs). a mananciais de água. passando pelo norte do Pará. As UCs podem ser de ao centro do Pará. . mais de 98% de sua cobertura vegetal e órgãos responsáveis. recursos naturais e a presença de moradores. aumenta a capacidade de sobrevivência de espécies planeta. encontra-se protegido nesse estado. In Almanaque Brasil e os Parques Nacionais (Parnas).7 mil “proteção integral” e de “uso sustentável”. tradicionais que dependem de seus recursos para sobreviver. Alícia Rolla e Fany Ricardo (Coord. pode potencializar essas funções e constituir No norte da Amazônia. as Reservas Biológicas (Rebios) incluindo 25 etnias indígenas. Além de abrigar comunidades (comunidades tradicionais. entre outras. Além disso. 2007. mas as de Conservação (UCs) correspondem a 22% do território Corredores e mosaicos experiências com esse tipo de instrumento são poucas no País. produtores rurais.4 mil quilômetros quadrados de UCs de proteção integral e quase 200 mil roberto linsker/terra virgem Arquipélago de Anavilhanas no Rio Negro. Instituto Socioambiental (ISA). evitem o desmatamento. No primeiro caso. o índice 2 protegendo habitats de forma insuficiente facilita o trânsito chegando à fronteira com o Peru – existe um corredor de de quase metade da Amazônia protegida esconde uma de animais. um pequeno trecho recoberto por UCs e somente 4. se aplicam garantias especiais de proteção por possuir do Rio Xingu. Cerca de metade dessas UCs é federal e a biodiversidade. Apenas 3. Apesar de estarem seriamente ameaçadas um conjunto extenso de terras com diferentes destinações outra metade estadual.7 mil quilômetros quadrados (quase 12% da e ecossistemas. respectivamente. As Unidades de conservar os recursos naturais de grandes territórios. estendendo-se de leste a oeste – desde 14. amazônico e as Terras Indígenas (TIs) a 21% (considerando Ainda não existem políticas públicas consistentes para facilitar apenas áreas no continente e descontando-se sobreposições As áreas protegidas são fundamentais para a conservação da a sua implantação e gestão. áreas protegidas contíguas que é provavelmente o maior do realidade não tão favorável. Incluem-se nessa categoria as Reservas a Amazônia e o Cerrado. na forma de corredores Mato Grosso e no Maranhão os índices são de 18. Instituto estão as áreas onde não são permitidos o uso direto dos e quase 25% por UCs federais). 2009. o Amapá. 1 em alguns lugares. 146.).8% do Bioma Amazônico Esse tipo de ligação de áreas isoladas ou que estejam do sul de Roraima e a grande faixa central do Amazonas. já que estão em discussão ou sendo regiões críticas que precisam de maior proteção. uma população de cerca de 12 mil pessoas. tem papel Velásquez. As UCs de uso sustentável estratégico para a conservação por ser uma Socioambiental 2008. Além de abrigar Socioambiental (ISA). com 588. A manutenção de grandes grande parte delas não é fiscalizada. pretendem compatibilizar a conservação com o manejo ligação entre os dois maiores biomas nacionais: de seus recursos. não tem infraestrutura como a regulação do clima e o abastecimento de blocos de áreas protegidas poderá representar uma vantagem e funcionários em número suficiente. a dispersão de sementes e as trocas genéticas. Pg. prefeituras etc). Amazônia Legal). Cristina as Estações Ecológicas (Esecs). 2) Amazônia Brasileira 2009. político-administrativa do Estado. Enquanto colocados em prática mecanismos para compensar países que o Amapá tem cerca de 70% de seu território protegido e Se sua posição geográfica for definida adequadamente. entre Manaus e Barcelos (AM). 2. Ele contém 244 mil quilômetros quadrados FOTO O que são as UCs? de TIs.7%. quilômetros quadrados (73% formados por TIs (1. Apesar de existir na letra da lei. as Florestas Nacionais (Flonas) e as Reservas Os mosaicos de UCs e os corredores ecológicos de áreas pouco mais de 43% da Amazônia Legal são de Desenvolvimento Sustentável (RDS). são responsáveis por uma série de serviços ambientais. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 10 terras e povos Uma floresta nem tão protegida H oje.

2) excluídas Áreas de Proteção Ambiental (APA). 2009. Pacífico Oceano terras e povos áreas protegidas na amazônia legal Oceano Atlântico Indígenas na Amazônia Brasileira Atlas de Pressões e Ameaças às Terras 11 FONTE: ISA. NOTAS: 1) o limite da Amazônia Legal incluí a totalidade da extensão dos municípios do Maranhão pertencentes a ela. .

4 produtivas. já que. Pg. 2007. Ainda segundo dados do ISA.890 quilômetros quadrados.gov. Junho de 2009. sem contato oficial com o Estado e a sociedade ocupadas pelos índios são aquelas “por eles habitadas Socioambiental (ISA).15% da população 10 mil anos). 2 demarcação e o tamanho atual das TIs. originalmente estabelecidos território amazônico. Instituto Socioambiental (ISA). mas no último recenseamento da população brasileira doenças transmitidas pelos brancos (28%). Em 1 sem que seja preciso desmatar ainda mais. A realidade. (4. garimpeiros. . dos direitos e da cultura dos índios quanto na conservação (3) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). mil índios vivem nessas áreas (1. De acordo com (1) Povos Indígenas. assegure sua proteção e impeça busca dos recursos naturais ali preservados. mais de 734 mil pessoas declararam-se Os direitos indígenas  indígenas. especialmente em faixa de fronteira. desrespeito à sua cultura (41%) e País. Só abandonadas pode multiplicar a produção agrícola nacional metade dessas línguas recebeu registro científico. A regularização dessas áreas visa acabar com os o reconhecimento das TIs por ato declaratório que tornem fazendeiros. que são mais que suficientes procedimentos administrativos. envolvente e sobre os quais não se tem informações em caráter permanente.br/home/ demarcação de TIs. porém.085. patrimônio da União. Cálculos do Instituto Socioambiental (ISA) feitos 3 na Constituição com base nas populações das TIs estimam que os índios brasileiros seriam aproximadamente 450 mil. as utilizadas para suas atividades pelo Estatuto do Índio. vários tipos inúmeras cidades. o Poder Público é obrigado. a maioria dos brasileiros (68%) apoia a território nacional. Governo e lideranças ruralistas beto ricardo/isa 180 línguas originadas de dois troncos principais admitem que a recuperação de propriedades degradadas ou (Tupi e Macro-Jê) e várias famílias linguísticas. madeireiros. cerca de 300 ocupação indígena na Amazônia remonta há pelo menos Tucumã-Rupitã. Instituto é outra. ambientais necessários ao seu bem-estar e as necessárias http://pib. 2000. A criação de TIs não diminui as terras formal dessas áreas é feito por etapas e obedece alguns e ameaças aos povos indígenas apresentam-se no disponíveis à agropecuária. bibliografia correspondem a 98% da área total de Terras Indígenas no dos rios e dos lagos existentes nas TIs. As Terras Indígenas na Amazônia permanente e o usufruto exclusivo das riquezas do solo. todo País. por meio da Fundação Nacional do Índio (Funai). segundo a Constituição Federal.org/pt. 6) Amazônia Brasileira 2009.). Alto Rio Içana (AM). Brasil. Instituto Socioambiental (ISA).775/96. Existem ainda referências a 46 grupos indígenas o Parágrafo 1º do Artigo 231. abastecem com produtos de http://www. FOTO somam 1. segundo seus usos. Os entrevistados disseram que os três maiores problemas dos índios são: Nunca foi feito um censo indígena específico para todo o invasão de terras (57%). falantes de para a sua expansão no País. Veja nas (5) Povos Indígenas no Brasil 1996-2000. Beto Ricardo.103. de 1973.ibge. segmentos contrários aos direitos indígenas a sua reprodução física e cultural. vivem 173 povos em 405 TIs. ou 21. Vez ou outra. Alícia seria um risco à segurança nacional. que habitavam antes da formação do Estado Nacional e. as imprescindíveis à preservação dos recursos e hoje dispostos no Decreto 1. brasileiro. conflitos fundiários e assegura a integridade do território públicos os seus limites. pescadores e caçadores em Socioambiental (ISA). há 643 Terras Indígenas (TIs) em diferentes etapas de identificação e regularização. (A Vista aérea da comunidade baniwa de da região. em 2000. e posteriormente alterados (2) Site Povos Indígenas no Brasil. Muitas terras indígenas. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 12 terras e povos Os índios no Brasil e na Amazônia E xistem no Brasil 227 povos indígenas.6 A Carta Magna confere aos índios a posse amazônica). elas são sua ocupação por terceiros. Responsável). A Constituição Federal consagrou o “direito originário” dos índios sobre suas terras: ela reconhece que eles as Na Amazônia Legal. que haveria “muita terra para poucos índios” ou que a da floresta. O processo de reconhecimento páginas seguintes como várias dessas e outras pressões Beto Ricardo (Ed. Ainda segundo a Constituição.5 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso. As TIs têm importância fundamental tanto na proteção (consultado em 26/10/2009) tentam confundir a sociedade ao divulgar a idéia de costumes e tradições”. 226-233. a promover entretanto.7% portanto. que somam Segundo pesquisa de opinião encomendada pelo ISA ao 1. em 2000. têm sido invadidas por grileiros. Rolla e Fany Ricardo (Coord.965 quilômetros quadrados ou cerca de 13% do Ibope. tal direito deve prevalecer sobre outros.socioambiental. Instituto “isolados”. as terras tradicionalmente In Almanaque Brasil Socioambiental 2008. precisas de localização ou etnia.

07% 49.23% 711.85% FONTE: ISA.780 0. 1 Dominial Indígena) 6 1.05% Com restrição de uso a não índios 4 0. ou seja.04% Registrada no CRI e/ou SPU 287 70.0% NOTA: *A extensão deste grupo refere-se apenas àquelas seis em revisão.99% 704.257 0. terras e povos terras indígenas na amazônia legal Oceano Atlântico Oceano Pacífico TErrAS IndíGEnAS nA AmAzônIA LEGAL Por SITuAção jurídIco-AdmInISTrATIVA (22/6/2009) Situação Jurídico-administrativa No de Tis % do No de Tis Extensão (ha) % da extensão de Tis Em identificação (6 em revisão)* 57 14.48% 38.14% 9.07% Declarada 37 9.86% 96.589.71% Reservada.758 88.165. 2009. As outras terras nesta categoria ainda não tiveram seus limites definidos.011 0. 2009. (Sujeita a contestações) 9 2.253.0% 108.012 100.606.846 0. Homologada 5 1.300 8.060 1.22% 1. FONTE: Amazônia Brasileira 2009. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 13 .65% Aprovada pela Funai. Instituto Socioambiental (ISA). (Duas demarcadas pelo Incra.64% Total na amazônia legal 405 100. que já tiveram algum tipo de definição de limites anteriormente.

outros acabaram instalando-se estimulados por fronteira agrícola avança a partir do leste do Pará. da população local. outra grande estrada ameaça os povos Em 1975.org. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras 14 A Amazônia das estradas avança Indígenas na Amazônia Brasileira infraestrutura estradas sobre a Amazônia dos rios A s estradas têm sido o meio de acesso para o Há anos. distantes e prover acesso a serviços públicos. ocorrem os maiores índices de desflorestamento e a Mais tarde. o Pará e o Amazonas. Em indutoras da devastação. Eles vivem na área de influência dez vezes e passou para 268.imazon. Ambiente na Amazônia. 2 da Floresta Amazônica. 2000.. Relatório do Projeto nessa região já sofrem com o assédio cada vez maior de planejadas para a região. no entanto.5 Um estudo (6) Avança Brasil: os custos ambientais pela terra e outros recursos naturais. facilitar o escoamento de grãos e carne produzidos no A rodovia BR-163. velocidade e já seriam maioria na malha viária local. a grande Instituto Socioambiental (ISA). anos 1970. podem ser (4) Geo Amazônia. O Estado da Amazônia. que liga Cuiabá (MT) São inúmeros os exemplos de prejuízos e mesmo tragédias Centro-Oeste e atender a demanda por serviços básicos a Santarém (PA). a finalização dos 950 quilômetros ainda não wigold schaffer/mma roubo de madeira. de estradas. (2) Lentidão na demarcação estimula invasores da Terra Indígena Cachoeira teriam sido abertos dentro da TI. Mais de 32 mil índios. poderia ser de até 180 Cenários Futuros para a Amazônia. são apontados crescimento construída de forma irregular. Site do (4% já desmatados). integrar locais ou 35 anos.2 mil quilômetros asfaltados. Amintas Brandão Jr. a Amazônia Brasileira tinha 29. quase levou à extinção.br/novo2008/ área estaria ocupada por invasores. Entre de 10% pavimentados). aproveitaram da situação para invadir as terras. nenhum outro tipo de empreendimento Pacifico. 2008. do povo Arara. foi aberta nos anos entre povos indígenas causados pela abertura de rodovias. cerca de 735 quilômetros de vicinais 153 (Belém-Brasília). PNUMA/OTCA/ podem sofrer algum tipo de impacto do asfaltamento da 2004. Partindo da rodovia e mudou a feição do Bioma Amazônico. O asfaltamento da estrada maior intensidade sobre as TIs. Parte significativa dessas vias é 4 de infraestrutura é tão responsável pelo desmatamento: (5) Transporte. Há informações de que quase um quarto da que até então se concentrava ao longo dos principais rios. que viviam no norte do Mato Grosso. O mesmo ocorre no centro. do Mato Grosso e Rondônia rumo ao coração da Rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém). colonos foram assentados no local pelo governo. bibliografia informais – em grande parte abertas por madeireiras (1) O Avanço das Estradas Endógenas ilegalmente – estariam se multiplicando com muita Mudança na feição do bioma na Amazônia. calculou que o desflorestamento associado a obras viárias para a Amazônia. Grileiros e madeireiros também se de Tocantins. por doenças e conflitos. In as consequências da obra. a Anthony Anderson e Adalberto Veríssimo.org/nsa/ detalhe?id=2434 1980. sem os estudos de impacto 75% dele ocorre em uma faixa de até 100 quilômetros Almanaque Brasil Socioambiental 2008. da BR-364 (Cuiabá-Porto Velho).. Perspectivas do Meio indígenas. Quase toda tentar integrar a Amazônia à economia Mato Grosso são regiões onde as vias ilegais avançam com a obra e o plano elaborado pelo governo e sociedade nacional. Quando não são acompanhadas de políticas Junho de 2006. 1 Carlos Souza Jr. Instituto Socioambiental (ISA). da estrada.9 mil quilômetros (menos Na Amazônia. dos quais 5. http://www. As invasões atravancam o processo de configurou o chamado “arco do desmatamento”. e hospitais. a extensão da malha rodoviária multiplicou-se quase Centro de Pesquisa da Universidad del BR-163 (Cuiabá-Santarém). 5/4/2007. Rondônia. em 2000. que se arrasta há 20 anos. o governo federal anunciou 1970 como mais uma das grandes a pavimentação desse trecho. de 37 etnias diferentes.socioambiental. o que fez com que a taxa obras de infraestrutura projetadas pela ditadura militar para pretensamente Como indica o mapa. Oswaldo Braga de Souza. Casa Civil da Presidência da República.4 mil quilômetros de desenvolvimento sustentável. Em 2002. regularização. A construção de grandes rodovias pelo governo militar. A abertura da BR- arquivosdb/ea_1p. Instituto madeireiras e grileiros de terras.pdf Transamazônica (BR-230). Perto dali. como tem ocorrido com as TIs. As 33 TIs localizadas 3 e áreas protegidas. onde http://www. segundo o Inpe. está localizada nessa partir dos anos 1960.6 . importantes para estimular a economia. civil para mitigar e compensar seus impactos negativos ainda não foi concluído. Grupo de Trabalho Interministerial. nos Como outros projetos de infraestrutura. Adriana Ramos. região. Roraima e o oeste do de desmatamento na região desse um salto. entre o Mato Grosso. Agosto de 2004. No início dos anos faixa que margeia a área central da Região Norte. A abertura da rodovia. Instituto do Homem e do Meio Ambiente A TI Cachoeira Seca. 336-338. como escolas incêndios florestais. norte (3) Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável para a Área de Influência políticos e fazendeiros. que tem 734 mil hectares da Transamazônica (Norte-Nordeste) e da BR-163 Seca (PA). Pg. populacional desenfreado e a intensificação de conflitos ambiental e as licenças exigidas por lei. interiorizou a ocupação não indígena. da Amazônia (Imazon). O asfaltamento aumentaria ainda o risco de os índios Panará. em terras públicas ao redor das rodovias. onde estimativas apontam que as estradas continuam parados. sul do Pará. as estradas são mil quilômetros quadrados ao longo dos próximos 25 de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e Instituto Sociombiental (ISA). o surgimento de garimpos e a asfaltados da BR-163 é reivindicada como forma de FOTO apropriação ilegal de terras em TIs na Amazônia.

Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 15 . 2009. infraestrutura • esTraDas rodovias e terras indígenas Oceano Atlântico ESTrAdAS E dESmATAmEnTo nA TI cAchoEIrA SEcA do IrIrI (PA) FONTE: IBGE .SIPAM.

067 que. mas grande e Greenpeace. Conservação Peru-Brasil-Bolívia* 21 12.br/amazonia/pdf/ Analise_EIA_RIMA_Consolidado_15_ Investimento Financiamento atravessa uma das áreas mais bem preservadas da Eixos de Integração No de Junho_2009_autarquias. Na Amazônia. Daí a pressão e água fez com que a Amazônia fosse sempre destacado no financiamento de projetos dentro e fora do para diminuir restrições à sua execução e. criada em 2000 pelos doze aplicar R$ 503. em 2007.9 bilhões em todo Brasil.org. Política Ambiental e conexão da malha energética de Brasil. O Banco Nacional e controle dos recursos naturais explicam o interesse de no PAC e na IIRSA é a pavimentação da rodovia BR-319 Contribuições ao Processo de Licenciamento e Análise do Estudo de (Manaus-Porto Velho). 2) modificado a partir dos originais.pdf Hidrovia Paraguai. principais portos e aeroportos.1 milhões. foram investidos do Mato Grosso e Maranhão de caráter regional). Trata-se do maior programa para Legal. também do setor privado e de agências multilaterais. como Os investimentos. telecomunicações e principalmente rodovias já R$ 10. Não é à toa que a implantação de grandes considerado uma repetição em nova roupagem de programas de infraestrutura perduram no tempo e espalham-se pelo projetos de infraestrutura seja prioridade dos governos para de governos anteriores. a maior parte dos governos nacionais.072 121 e potencial hidrelétrico pode afetar até 50 TIs. se necessário.1 bilhões para geração e transmissão de energia e desmatamento. Aproveitamento de recursos naturais (minério de ferro.rbrasil. em especial de usinas hidrelétricas. A promessa é e educação. linhas de transmissão. uso Um dos mais importantes empreendimentos previstos (4) BR-319 – Projeto de Reconstrução.org. In Um exemplo é a Iniciativa para Integração da Infraestrutura taxas de crescimento duradouras para o País. uma plataforma de exportação para o resto populações localizadas nas áreas de influência dos projetos. mas por ano.210 921. 1 alterar a legislação ambiental e limitar os direitos de naturais. com LIVRo_IRSA_PORT. A obra causa polêmica porque www. Até agora. R$ 35. Idesan. Janeiro de 2009. http://www. oleodutos.greenpeace. levando em consideração a para escoamento de produtos amazônicos e minerais via Oceano Pacífico Internacional.895 pessoas.000 1 Paraná Invasões podem potencializar conflitos e dificultar a http://www. ferrovias.000 1.4 nota: 1) excluídos os eixos Sul e Sul-Andino. Apesar de poder ser Os impactos socioambientais de grandes empreendimentos amazônica. que. US$ 21 bilhões. em geral.6 bilhões em logística de transporte (excluídos gastos de um programa semelhante ao PAC estimou entre as suas (3) O futuro da Amazônia: os impactos do desenvolvido no subcontinente. http://www. Laurence. madeira. que não abragem o Brasil e a Amazônia. 2007.iirsa. vista como uma grande reserva de recursos Brasil. http://www. o que estimula a grilagem e o construção e integração de hidrelétricas.5 http://www. comunidades que são alvo constante maio_2007. até 2010.702 65 isolados. Uruguai. Corporação Andina de Fomento (CAF). do Brasil e do mundo.conservation.br países da América do Sul.br/pac gasodutos. Peru e Venezuela correlacionados na política de Mercosul-Chile Melhoramento da malha rodoviária.org. (1) Financiamento a megaprojetos: conjunto de investimentos supostamente capaz de produzir não conseguem atender a demanda por saneamento. Maio de 2002.027 1. os canteiros de obras muitas vezes bibliografia a região há décadas. . a perspectiva de In Ciência Hoje 61. a disputa pelo acesso. Interoceânico Central Interligação dos pólos industriais de Belo Horizonte. 2007. redes rodoviárias e fluviais Timothy J. * Eixos com projetos previstos para o território pan-amazônico. Cimi 877 quilômetros. Redução dos custos de transporte para exportação de grãos e minérios 3 1. Conservação Internacional. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 16 infraestrutura PAC E IIRSA Na mira dos grandes projetos de infraestrutura A enorme quantidade de minérios. Mato Grosso. ouro e produtos florestais) interligação com outras estradas. gás e soja na Bolívia e o Oceano Pacífico precisam ser identificadas e quatro povos publicacoes/files/politica_ambiental_3_ Capricórnio Melhoramento da malha rodoviária e ferroviária e interconexão com a hidrovia Paraná-Paraguai 27 2.br/ do Sul. 2 consequências a perda de até 506 mil hectares de floresta Programa Avança Brasil. linhas de transmissão Andino* 92 8. para o mesmo período. de pistoleiros. Levantamento recente indica que ela e Desenvolvimento projetos (em US$ milhões) (em US$ milhões) (5) Uma Tempestade Perfeita na pode significar o desmatamento de até Amazônia – Desenvolvimento e Amazonas* Pavimentação de rodovias para escoamento da produção de regiões centrais do continente 91 8.pdf Objetivos estimado prioritário Amazônia. a região produtora de petróleo.402. terras de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem se empresas. Colômbia.br/publicacoes/files/ Escudo das Guianas* 44 1. Uma avaliação da implantação na Amazônia (2) Site oficial do PAC. os subsídios oficiais. a estrada foi aberta em 1973.org. Rede Brasil sobre Regional Sul-americana (IIRSA).400 117 uma população de quase seis mil Implicações da IIRSA e projetos e rede de telecomunicações de Bolívia. o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a aquecimento da economia. Ricardo Verdum. conservation.608 6. Construção de hidrelétricas.197 2.gov. Com Impactos Ambientais. Haveria ainda na área de conservação no Brasil.org Total 402 53. território. Na Amazônia de energia e nas condições de acesso acaba fazendo o Instituições Financeiras Multilaterais. A perspectiva de melhora no fornecimento Contracorrente. facilitação do transporte nos rios Paraguai e Uruguai 70 13.pdf Interligação das malhas rodoviárias. Fearnside e William F. http:// Investimentos previstos pela IIRSA (2005-2010) 5 parte nunca foi asfaltada. Argentina e Chile influência da rodovia 11 outras TIs que Nº 3. como o Avança Brasil. Killeen. orçada em R$ 390.215 39 milhões de hectares até 2050 e Conservação no Contexto da IIRSA. foi anunciado. saúde novos desafios. GTA. Equador.5 regularização de algumas dessas áreas.3 Philip M.brasil. há previsão de investimentos de preço das terras aumentar. madeireiros e grileiros de terras. pelo governo de Luís Inácio Lula da Silva como um levam à criação de núcleos urbanos precários. As políticas públicas buscaram O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) é uma espécie atender demandas externas e não as da própria população de contraparte nacional da IIRSA. Junho de 2009. bauxita. Site oficial da IIRSA. Rio de Janeiro e São Paulo com Mato Grosso 54 7. governos e políticos pelas obras. o equivalente ao território do Distrito Federal.

Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 17 . PAC. ISA. 2009.infraestrutura • pac e iirsa Obras previstas e em andamento Oceano Atlântico Fonte: CAF. nota: foi incluída nos limites da Amazônia Legal toda a extensão dos municípios do Maranhão pertencentes a ela.

2007. além de R$ 5. a Bacia do Amazonas vazantes. Para a Região Norte. distribuição de energia. o deslocamento e reassentamento de nesse sistema podem transmissão previstas Mírian Regini Nuti. La Rovere e F. Como em Tenotã-Mõ. também de grandes territórios. E. por si só. Há estimativas de que só a Revista Estudos Avançados 21 (59). Usinas e tem seu próprio potencial praticamente inexplorado moradores. Enquanto isso.E Mendes.3 do sistema de cheias e Sistema (EPE)/MME. o padrão de página 36). o equilíbrio Tucuruí. ordem diferente do que no resto Região Norte. A natureza e pescaria artesanal na região amazônica empregaria 70 mil 109-117. 2007. Pg. 2008. até 2010. 114-32.br/pac linhas de transmissão. mas quadrados da usina de Tucuruí (PA) tenha desalojado de 25 Network (IRN).L. Citado em Águas Turvas. expansão potencial da geração de energia hidrelétrica essas não são as únicas consequências da construção de planícies inundáveis. Sílvio Coelho dos Santos. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras 18 As TIs e a nova geografia da Indígenas na Amazônia Brasileira infraestrutura hidrelétricas geração e distribuição de energia D e acordo com as informações assinaladas no transmissão abre caminho para consolidá-la como uma mapa. Alterações interligado (3) Análise das estimativas de população nacional e linhas de atingida por projetos hidrelétricos.). pessoas. 2 represado. abriga a maior parte do potencial ainda a ser aproveitado O alagamento de áreas. também podem the World Commission on Dams. Sistema Interligado Nacional por meio de novas linhas de forma de ocupação da terra.787 MW – deverá uma barragem. construção de barragens na O setor de mineração e metalurgia consome cerca da Instituto de Estudos Socioeconômicos Amazônia comporta problemas de metade da capacidade instalada de energia elétrica da (Inesc). FOTO Centrais Hidrelétricas (PCHs). Um estudo da Comissão Mundial de Barragens afluente do Amazonas. mapa ao lado. estão operando hoje na Amazônia Legal grande exportadora de eletricidade para os centros 16 usinas hidrelétricas (UHEs) e 67 Pequenas urbanos brasileiros. mil a 35 mil pessoas. 2007. de potência instalada. International Rivers Network (IRN). elas seriam 1 milhão. 66% da e conflitos.8 . Mas. manteria outras 250 mil e geraria entre US$ 100 (IEA/USP). Como indica o Além de ecossistemas aquáticos e terrestres. Usinas Hidrelétricas e Segundo especialistas. em particular o alumínio. André Saraiva de Paula. PCHs.7 O detalhe é que as Brasil. International Rivers não apenas de uma região. Representantes do governo e de Empresa de Pesquisa Energética Grande parte do potencial hidrelétrico do centro-sul do empresas falam de um contingente de até 300 mil. concedeu a elas subsídios da ordem dos ciclos de vida depende de US$ 2 bilhões. a exploração madeireira.) disseminação de doenças. da diminuição ou extinção de peixes que fazem pecuária e a criação de peixes. 57-88. O grau de especialização produzida hoje no Brasil é agregada a produtos destinados frente às políticas energéticas do e de adaptação de animais e à exportação. a Impactos Socioambientais. 1 segundo o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) (2) Plano Nacional de Energia 2030. por exemplo. de espécies de várzeas e Pg. Pg. E estima que a formação do reservatório de 3 mil quilômetros daniel beltrá/greenpeace e Patrícia Bonilha (Ed. Glen Switkes (Org. 41-56. José G. Os povos indígenas Parakanã. nenhum outro lugar.brasil.gov. mas http://www. (veja tabela). que. Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). Existem outras 177 PCHs e 70 UHEs Impactos sobre grandes territórios planejadas.6 Aproximadamente 20% da energia elétrica (8) Análise do projeto Belo Monte e de sua rede de transmissão associada do País. 2007. a economia. os setores industrial e minerário. Tundisi. Pg. Brazil. Elas ainda vão além do assoreamento do rio também sobre a agricultura. a A Amazônia guarda alguns dos piores exemplos de relação Cape Town. a distribuição e o crescimento entre custos e benefícios de hidrelétricas (saiba mais na 2000. a (4) Exploração do potencial hidrelétrico da Amazônia.5 socioambientais. já são motivo de uma série de problemas impactar toda a cadeia para a amazônia Hidrelétricas e Impactos Socioambientais. 2005.4 bilhões em 4. In Integração. o PAC prevê bibliografia investimentos de R$ 24. ao contrário do que muitas pessoas acham.7 mil quilômetros de pessoas afetadas por projetos hidrelétricos no País. com efeitos ainda pouco conhecidos prevista para o Brasil até 2020 – de 43.3 bilhões em dez UHEs e seis Não existem dados sistematizados sobre o número de (1) Site oficial do PAC. redesenha dependendo do local e das dimensões do empreendimento. o ciclo hidrológico. com até 30 megawatts (MW) Hidrelétrica de Tucuruí no Rio Tocantins (PA). In acontecer na região amazônica.4 (5. Assurini e (7) Hidrelétricas e suas consequências Gavião foram diretamente afetados. milhões e US$ 200 milhões por ano. A WCD case study prepared as an input to as relações do Brasil com a Amazônia. In empresas do ramo já têm sua carga de impostos reduzida e plantas é muito grande. a ampliação da conexão da região ao ser impactados o clima. In Integração. Segundo os planos do governo. Alertas sobre as consequências de barrar o maior da população. País já foi aproveitada. parte da dieta das comunidades ribeirinhas.6) Tucuruí Hydropower Complex. Instituto de Estudos Avançados Os dados revelam uma nova geografia da geração e o alcance dessas consequências podem variar bastante. por sua vez.

801 52. Empresa de Pesquisa Energética (EPE)/MME.748 34.941 – NOTA: modificado do original.840 64.275 37.2% Total/Brasil 251.438 79. FONTE: Plano Nacional de Energia 2030.035 23. ANA e ANEEL. microbacias e mesobacias afetadas na amazônia legal Oceano Atlântico FONTE: ISA. 2009.490 203. NOTA: foi incluída nos limites da Amazônia Legal toda a extensão dos municípios do Maranhão pertencentes a ela.757 15. infraestrutura • HiDreLÉTricas projetos hidrelétricos.07% Paraná 57. *Sobre o potencial inventariado.9% São Francisco 17. Oceano Pacífico GErAção dE hIdroELETrIcIdAdE Por BAcIA hIdroGráfIcA no BrASIL Potencial Potencial Potencial Estimado Bacia Hidrográfica inventariado aproveitado* Total (MW) (%) (MW) Amazônica 106. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 19 .893 1.5% Tocantins-Araguaia 28.9% Outras bacias 41.149 77.495 51. 2007.

existem quatro propostas bibliografia (apenas parcialmente amazônicas) trará algum tipo de em tramitação no Congresso para (1) Plano Nacional de Energia 2030. atingidos pelos projetos hidrelétricos previstos para a uma no Paraná).000 MW de potência instalada prevista. Belo Monte (PA).184 100% Araguaia 3. A Convenção 169 da (2. as Tabela 1. sobretudo para abastecer mineradoras. Oiapoque 250 250 100% Essas regiões reúnem 80% do potencial hidrelétrico Purus 213 213 100% passível de aproveitamento na Amazônia e.691 1. In Integração. 2 determina que atividades econômicas Pg. no Rio Xingu. Federação de Órgãos para socioambientais das barragens. In Revista Ambiental (EIA) negligencia custos e consequências desses povos.556 10. o projeto que autoriza a comunidades interessadas e em menos de uma semana. Restrições socioambientais ao segundo a presença de projetos hidrelétricos e sua barragens colocam em risco o suprimento de peixe. os EIAs também não mencionam problemas graves Negro 4.745 76% quantidade menor de projetos.4% O Amapá também tem um conjunto significativo de funcionamento regular dos ecossistemas que habitam para Xingu 22.109 88. Mírian Regini Nuti. 1 autorizar a construção de usinas que Empresa de Pesquisa Energética (EPE) / portanto.3% socioambientais” ao aproveitamento hidrelétrico (veja na Amazônia. além da inundação de territórios. o Mesmo inexistindo essa legislação. a Constituição e os acordos Assistência Social e Educacional (FASE). 2007. . para Sempre em Altamira (PA). assinalada em laranja. As comunidades indígenas Potencial a Potencial com Potencial com as macrobacias do Tapajós.095 100% ser o segundo maior do Brasil. aprovado pelos parlamentares em 2005. Empresa de Pesquisa Energética (EPE)/MME. Cálculos baseados em informações de 27 Organização Internacional do Trabalho atingida por projetos hidrelétricos.4 O abandono forçado de seus locais de moradia Madeira 14. mas abriga aquele que pode geral. Quanto a esses pontos. Instituto de Estudos que atinjam povos indígenas.079 660 61. Como indica o mapa. são extremamente adaptadas e dependentes do Tapajós 24. aproveitamento de 44% do potencial hidrelétrico da Bacia acervo isa Amazônica e das macrobacias do Araguaia e Tocantins Atualmente. mendicância. muitas como as hidrelétricas.626 17. Grifadas em vermelho.114 75% sobreviver. deles simplesmente não traz nenhuma informação internacionais assinados pelo País têm sobre moradores que precisam ser realocados. Socioeconômicos (Inesc). Não há dúvida. 57-88.3) Análise das estimativas de população Amazônia. sem consulta às Povos indígenas protestam contra hidrelétricas durante Encontro Xingu Vivo Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).1% Paru 938 118 12. foi foto adequados e uma lei específica que regulamente o assunto. Uma parcela significativa portanto.095 3.5% em TIs e áreas próximas. Usinas empreendimentos planejados nessas bacias estimam que (OIT). a Constituição diz que quaisquer Fonte: Plano Nacional de Energia 2030. prévio e informado ouro. Out/Dez de 2007. tabela 1). em 2008.236 4. infantil.795 17. com cerca de como alcoolismo.184 4. subestimados: a maioria dos Estudos de Impacto consentimento livre.5% usinas planejadas. 2007. negativos sobre populações indígenas. são regiões onde é grande empreendimentos que afetem TIs precisam de autorização a possibilidade de usinas provocarem conflitos e impactos do Congresso Nacional. 2007.1% 12. possui uma e modos de vida tradicionais tem efeitos desastrosos.529 66. eles possam afetar pelo menos 44 mil pessoas. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras 20 Povos indígenas serão os principais  Indígenas na Amazônia Brasileira infraestrutura hidrelétricas atingidos por hidrelétricas O mapa classifica as macrobacias amazônicas caso dos índios.700 1. NOTA: modificado do original. referendada pelo Brasil. Os números sobre o assunto são imprecisos e. um grande número de TIs e outras áreas protegidas.172 58. do Madeira e do Tocantins Macrobacia aproveitar (MW) restrições (MW) restrições (%) concentram uma enorme quantidade de empreendimentos.019 7. prostituição e desnutrição Jari 1. No 3 sido desrespeitados sistematicamente. Proposta. que tendem a aumentar com a realização de obras Branco 1. Raul Silva Telles do Valle. estudos de inventário e impactos socioambientais implantação da usina de Belo Monte (PA). consequência sobre as TIs (veja tabela 2). ao mesmo As hidrelétricas e a Constituição Maecuru Nhamundá 161 110 161 110 100% 100% tempo. Uatumã 75 0 0% classificadas pelos técnicos do governo como “restrições Apesar de tantas usinas planejadas ou em construção Total 88. Tocantins 8. Em Trombetas 6. que os povos indígenas serão os principais podem atingir TIs (três em Roraima e MME. sua potencial hidrelétrico na Amazônia potência instalada prevista.6 A macrobacia do Xingu. precisam do (4) Mineração e hidrelétricas em Terras Indígenas: afogando a galinha dos ovos de vezes. consulta prévia aos povos atingidos. também Hidrelétricas e Impactos Socioambientais.373 81. principal fonte de proteína e elemento importante de diversas práticas culturais.841 72.

1% Total 88. Tabela 2.8% Floresta Nacional (Flona) 420 0.106 34% Terra Indígena 39. custo da terra e presença de infraestrutura de importância significativa.095 44.883 3. NOTA: modificado do original. Empresa de Pesquisa Energética (EPE)/MME.2% Reserva de Desenvolvimento 968 1% Sustentável (RDS) Área de Proteção Ambiental (APA) 768 0.05% Demais impactos* 4.355 100% * Cidades.2% Parque Nacional 9. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 21 . PoTEncIAL hIdrELéTrIco nA AmAzônIA SEGundo ImPAcToS SocIoAmBIEnTAIS impacto Potencial (MW) Potencial (%) Sem impacto significativo 30. 2007. 2009. NOTA: incluindo os limites hidrográficos das bacias consideradas parcialmente amazônicas.8% Área de Quilombo 2. FONTE: Plano Nacional de Energia 2030.4% Reserva Biológica 50 0. infraestrutura • HiDreLÉTricas classificação das macrobacias amazônicas segundo a incidência de projetos hidrelétricos Oceano Atlântico FONTE: ISA.520 5. área populosa.545 10. área alagada. rio virgem.

br/ pessoas podem ser deslocadas por conta da construção da irão distribuir energia no Mato Grosso e Rondônia e ampliar zpublisher/materias/Busca. setor elétrico calculam que o empreendimento custe entre Kaxarari e índios isolados deverão ser afetados. Entre outros impactos. Iremar e esteja financiando. http://www.riomadeiravivo. que abrigam cerca de 10 mil moradores. O PAC prevê. . potencial). Oswaldo Sevá Filho (Org. o Rio Tapajós. mas a construção De acordo com os índios Enawenê-nawê. até 2010. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 22 infraestrutura hidrelétricas Grandes rios amazônicos estão ameaçados O mapa apresenta uma classificação das TIs segundo da vazão mínima já registrada. Entre as várias regiões que podem ser afetadas por de R$ 10 bilhões. Há ainda 2. o território boliviano situado acima dos reservatórios deverá da dieta da comunidade e é figura um pouco mais sobre os principais projetos hidrelétricos que Desde os anos 1980. Processos de erosão e assoreamento do rio foram Juruena.com. barragens tradicionais de pesca. Alexandre do mundo (veja na pág.gov. http://www. Centenas de espécies de peixes correm risco central de seus rituais. Jirau. em Porto Velho (RO). seu (7) Site oficial do PAC. estimados em mais Bacia do Tapajós no Rio Xingu. Karipuna. O tamanho dos reservatórios pode ser até o Todo ano os Enawenê-nawê erguem bacias onde existem projetos em construção (pressão futura) não foram consultadas sobre o projeto adequadamente. BNDES. Fábio Couto. 2005. International Rivers Arara da Volta Grande – o rio poderia ter menos da metade é o Rio Madeira. povos indígenas e movimentos sociais ser inundado. As pretende acelerar os procedimentos para tirar do papel pelo dos rios Tapajós e Jamanxim. locais e povos indígenas não foram ouvidos. De acordo com Antônio Ferreira e Sérgio P.canalenergia. 5) Águas Turvas. Cruz.). Empresas do de extinção. localizado nessa região. A mesma história se repete: comunidades FOTO a presença de projetos hidrelétricos nas microbacias esperados a diminuição e possível extinção de peixes. outro formador do Tapajós. no Rio Xingu. Campanha Popular Viva o Rio Madeira Vivo. além de 17 UHEs planejadas. Estima-se que cerca de 16 mil deverá ser destinada a mineradoras e siderúrgicas. Movimentos sociais e organizações planejadas. usinas hidrelétricas.4 mil inventário do Teles Pires. R$ 4. As TIs assoreamento.br/zpublisher/materias/ Meio_Ambiente. Alertas sobre as Belo Monte R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões. Ao contrário do que afirmou o estudo.4 bacia. Alertas sobre as seja construída. nos meses de seca. Esse corredor de transmissão e geração de (6) Cartilha de Mobilização Social mais importante afluente.9 O de R$ 25 bilhões.asp?id=68341 não governamentais realizaram ocupam pouco mais 60% da Bacia do Tapajós. No Rio Juruena. Agência Canal Energia. há 10 PCHs operando. duas obras estão orçadas em cerca menos cinco delas. Glen Switkes (Org. no norte do Mato Grosso. com principal afluente. 20/08/2009. um dos formadores do Tapajós.2 bilhões para construção de linhas de transmissão que Canazio. respectivamente.300 MW.150 MW potência instalada. totalizando 14.7 (4. Essas linhas deverão viabilizar a enorme quantidade de usinas consequências de barrar o maior afluente logo abaixo da represa – onde estão as TIs Paquiçamba e Outro dos grandes rios amazônicos ameaçados por hidrelétricas previstas e em estudo entre o oeste do Mato Grosso e o sul do Amazonas. Agência estimados em até R$ 15 bilhões. emissão de gases de efeito-estufa pela das duas usinas seguiu adiante. Há na região 19 inúmeras mobilizações contra as TIs. Ele é responsável por metade da carga de de Rondônia e estimular a construção de outras (veja mapas Network (IRN). 2008. respectivamente. em Altamira (PA).245 MW de http://www. é provocada pelas obras em usinas no Rio grande concentração de empreendimentos previstos (pressão de peixes e pessoas por mercúrio (dejeto de atividade inconsistente. grande parte da construção estudo de inventário. Aquelas assinaladas em laranja e amarelo estão em garimpeira). Saiba abaixo enquanto os trâmites para sua implantação avançam.br/pac capacidades instaladas de 3.asp?id=73316 usina de Belo Monte. Áreas protegidas canalenergia.000 MW durante O represamento do Madeira pode gerar impactos em cadeia (2) CPFL Energia projeta que Belo Monte importantes conjuntos de áreas protegidas do Brasil e vários meses do ano. mais quatro.18 e 19). nove em construção e mais 54 Canal Energia. Porto Velho. Maio de 2008. Artur de Souza Moret.brasil. contaminação revelaram que o EIA do complexo hidrelétrico do Madeira é suas terras.6 bibliografia (1.org das usinas de Santo Antônio e poderia abrigar até três hidrelétricas e o Rio Jamanxim.com. ameaçam os povos indígenas na Amazônia. possibilidade de seis barramentos. Caso ela Rio Madeira a conexão dos dois estados ao sistema elétrico nacional. e mesobacias onde elas estão localizadas.1 As comunidades que podem ser afetadas desconsiderados. Uru-Eu-Wau-Wau. 3) Tenotã-Mõ. investimentos de possa custar até R$ 25 bilhões. indicou a (9) Eletrobrás entrega estudos de inventário de complexo hidrelétrico do quilômetros de linhas de transmissão. http://www. O peixe representa a quase totalidade e em operação (pressão atual).).10).2 fora os gastos com dois mil consequências dos projetos hidrelétricos quilômetros de linhas de transmissão. dobro do que o previsto.) e Patrícia Bonilha (Ed. Isso não energia deverá ter impactos em alguns dos principais rios vincent carelli Barragens no Madeira e a cidade de impediu que o governo autorizasse formadores dos afluentes da margem direita do Rio Amazonas. a Bacia do Xingu abriga um dos mais metade da potência instalada prevista de 12.5 Os povos Karitiana.3 A usina pode vir a operar com menos da International Rivers Network (IRN). 19/11/2008. a um custo da ordem de R$ 30 bilhões. Grande parte da eletricidade gerada sobre outras regiões. Camargo Corrêa/ Eletronorte/CNEC. lutam para impedir o barramento do Xingu. na mesma Tapajós à Aneel. Avaliações independentes a diminuição do número de peixes em grifadas em vermelho estão situadas em regiões onde há uma decomposição da vegetação submersa. são duas barragens. 2007. cálculos sugerem que. sedimentos do Rio Amazonas e seu nas pp. por meio do afetando boa parte do sul da Amazônia.8 Informações dão conta de que o governo (8) Estudos de inventário hidrelétrico e 3.

2009.infraestrutura • HiDreLÉTricas classificação das tis segundo a proximidade com rios afetados por projetos hidrelétricos Oceano Atlântico Oceano Pacífico FONTE: ISA. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 23 .

Rafael Garcia. o órgão criou o Sistema comparativamente alto. com eles. mas que ele ainda responde bibliografia sociedade e não duram mais que 15 anos. Em 2003. 2008. 2) as madeireiras esgotam o estoque de madeiras nobres e buscam novas frentes de FHC e Lula extração. Amazonas. In Almanaque Brasil Socioambiental (Rondônia.2 milhões de com a venda da madeira restante. O 2008. região que está sendo acessada pelas Deter vem sendo usado para subsidiar ações de combate madeireiras pelas rodovias do norte do Mato Grosso. a exploração madeireira. o Pará assumiu a liderança na lista dos maiores C In Almanaque Brasil Socioambiental sociais e de concentração de renda. por meio do Programa de Cálculo do Desflorestamento a tendência.org.125 (de cima para baixo) conservada. em geral. elas são as mesmas: Amazônia Brasileira (Degrad). Durante o governo Fernando B Áreas de floresta em diferentes estágios: Henrique Cardoso (1995-2002). Os municípios que desmatadores. capaz de identificar locais a agropecuária. pesquisadores anualmente. o governo Lula consumou uma do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia marca não muito melhor: 18. ficam restritos a poucos setores da do Brasil está diminuindo. altamente degradada e com corte raso. e Rondônia por 13. A devastação sistema veio sanar uma lacuna de informação importante: segue um roteiro conhecido: 1) as madeireiras abrem pesquisas apontam que uma área equivalente àquela vicinais a partir das rodovias na direção de locais com completamente desmatada já pode ter sido afetada por árvores valiosas. grileiros e fazendeiros financiam a conversão da floresta em pasto De acordo com o Inpe. Maranhão estão entre os estados com piores indicadores três anos. Fazenda em Mato Grosso.1 Em 2004. o Inpe colocou pedro martinelli/isa A e a forma como se combinam podem variar na em operação o Mapeamento de Degradação Florestal na Amazônia. de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). o Pará. Imazon. que utiliza imagens de satélites de menor resolução. 283-284. em média 19. no sul (5) Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Pará. 3) aproveitando-se das estradas abertas. Nos últimos daniel beltrá/greenpeace (2) Devastação combina com violência. Desmatamento à margem do Rio Iriri. Pg. os benefícios iniciais do desmatamento.487 quilômetros quadrados B. De acordo anuais. conflitos do boom ao colapso. mas. 24. a propensão de 5 2008. Estimativas apontam que a participação do C. já foram desmatados. Em 2008.6% em 15 anos.8% do total. Pág. Entre 2005 e 2008. Acre. Folha de S. Tocantins e por 32.pdf tinha emprego formal. 2007. apenas 21% Nos últimos 20 anos.3 comunidades ribeirinhas. muitas vezes em áreas protegidas ou de diferentes graus de degradação na região amazônica. Arnaldo Carneiro Filho. Terra do Meio (PA). mas manteve suas taxas num patamar ainda (4) Emissão de gás-estufa no país sobe na Amazônia (Prodes). 2002. Instituto Socioambiental mais desmatam também têm um número de casos de queda do índice geral de desflorestamento da Amazônia (ISA).imazon.5%. acompanhou Socioambiental (ISA). outra frente importante. por exemplo. o Mato Grosso foi responsável por Adalberto Veríssimo. o Inpe estima taxas de desmatamento anuais centro-sul paraense.br que podem ser obtidas em apenas algumas semanas. assassinatos acima da média nacional. 2002.br/novo2008/ da população economicamente ativa da Amazônia Legal 35. 2007 http://www. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 24 desmatamento A dinâmica da devastação O peso de cada uma das causas do desmatamento ao desmatamento em campo. http://www. 388. floresta e solo arruinados. Até 2008. Instituto Desde 1988. com Altamira. O saldo deixado por mais da metade do total.6% do desflorestamento na região amazônica. São Félix do Xingu (PA). . Daniele Celentano e fundiários. mas Uma nova frente importante surgiu em Lábrea.4 (1) O avanço da fronteira na Amazônia: para trás é de estagnação econômica. pobreza. 2 foi observada nas principais frentes de desmatamento (3) Queimadas. Paulo. Esse novo de terras e projetos de infraestrutura. 26/10/2009. 14% dos 4. 4) consolida-se uma quilômetros quadrados da Floresta Amazônica no Brasil FOTOS andré villas-bôas/isa pecuária extensiva de baixa produtividade. arquivosdb/EdAind02_boomcolapso. (Imazon) apelidaram-no de “boom-colapso”. no topo da lista dos municípios que mais desmatam. a grilagem que sofreram extração seletiva de madeira. O do Amazonas.inpe. como desflorestamento nas emissões de gases de efeito-estufa emprego e renda. 2007. norte do Mato Grosso e nordeste do Pará). Por causa do salto e posterior declínio no nível da atividade quilômetros quadrados de floresta foram destruídos A. econômica que esse processo ocasiona.

desmatamento desflorestamento acumulado na floresta amazônica Oceano Atlântico dESmATAmEnTo nAS cABEcEIrAS do rIo xInGu (mT) FONTE: INPE / PRODES. 2009. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 25 .

8985023837/view Ibama fecha 13 madeireiras no Pará. estão aquelas localizadas mais vulneráveis onde há maior facilidade de acesso. passando por Madeireira clandestina abastecida UCs em locais até agora bem preservados pode começar a Rondônia. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 26 desmatamento Um balanço do desmatamento nas TIs A s TIs têm cumprido papel fundamental na A classificação por cores do mapa abaixo levou em conta: conservação: 98.br/noticias/2009/04/27/ situadas na mesma região. frear a devastação de forma duradoura fora dessas áreas. Amazonia. existem várias regiões críticas apresentam o maior grau de pressões relacionadas ao onde é preocupante o índice de desmates nas TIs. As TIs representam uma proteção tão ou mais eficiente do “arco do desmatamento”.org. As TIs Rio Pindaré e Krikati. Eduardo Venticinque conta sua forma geométrica e a contiguidade a outras áreas já o Maranhão e o Pará.greenpeace. In Revista de Estudos Avançados 19 (53). 09/04/2009. desmatados respectivamente. Alto Turiaçu.org. 27/04/2009. 2009. trabalho escravo. entre Leandro Valle Ferreira. Destes. porém. grande parte recentemente. Vale do Javari (AM) e Mundurucu (PA/MT). como a Alto Rio Negro. tráfico e exploração infantil no Pará.3 ilegalmente região amazônica do ilegalmente dessas áreas nos últimos anos. onde teoricamente do que as UCs. (2) Serrarias móveis são nova estratégia da Funai e relatos da imprensa. 02/09/2009.org. centro do Maranhão. que também vem se mantendo no topo da lista Avançados (IEA/USP). novas estradas. extremo oeste agenciabrasil.1 milhão de hectares. está preservada. oeste e norte do Mato Grosso. foram desmatados. Awá e Caru estão (1) O desmatamento na Amazônia e origem externa.159 áreas ocupadas dentro da Apyterewa. Alto Turiaçu. Instituto de Estudos abertas. as TIs grifadas em vermelho Como indica o mapa. As principais pressões e ameaças que recaem sobre essas Greenpeace. Este é o caso das TIs Yanomami e Waimiri Catarina Alencastro.amazonia.gov. foi feita uma análise nessa situação. bibliografia Mais de 93% do desmatamento identificado nas TIs seria de As TIs Alto Rio Guamá.br/gado/ farradoboinaamazonia.) de cerca de 1. 3) TIs que não Grosso e Rondônia. pressionada. O muro onde a fronteira agrícola avança com mais força: em toda FOTO de contenção ao desmatamento representado por TIs e a faixa que se estende do sul do Amazonas. . O desmatamento dentro delas realizados nos últimos três anos e que estão situadas Awá. http:// A TI Apyterewa é um caso um pouco diferente. Atroari (RR/AM). noticia. haveria 1. 2 agrícola (Tocantins. milhares de Segundo levantamento realizado pela Funai entre 2006 e thomás sottili/funai usada por madeireiros ao explorar metros cúbicos de madeira foram retirados 2008. empregos e São aquelas situadas em zonas já consolidadas da fronteira Brasil. chegando ao Pará com madeira roubada dentro da desmoronar caso não haja fiscalização e medidas que possam (principalmente ao longo da Bacia do Xingu) e ao Maranhão. Nessa situação. semelhante: 19% e 58% delas já foram tipos de pressão.3% do desmatamento amazônico nos municípios que mais desmatam.4 mil hectares da Maranhão. Gilberto Costa. Essa proporção sobe para 20 vezes no Pará. estão em situação do Mato Grosso e de Rondônia) ou que sofrem outros materia. estradas. (Para calcular esse índice. O Globo. Dados do Inpe mostram que 8% dos 773. São contíguas e formam uma área e Samuel Almeida. Elas são desflorestamento. Estimativas apontam que. Caru e Rio Pindaré (MA) corresponde a apenas 1.br/noticias/ A atividade madeireira seria responsável TI foram desflorestados. delas. 2) TIs que fazem parte total. Ela está situada em São Félix do apresentam um grau mais baixo de risco. o desflorestamento pode ser até 10 vezes obedecem aos dois primeiros critérios foram consideradas maior fora das áreas legalmente protegidas do que dentro menos ameaçadas. de imagens de satélite dos desmatamentos que levou em pólos madeireiros mais tradicionais da Amazônia. assentamentos e propriedades. Elas estão localizadas em meio a um dos a importância das áreas protegidas. http://www. 1 Seguindo essa classificação.2009-04-27. TI Alto Rio Guamá (PA). 2005.4% de sua área total na Amazônia 1) TIs contíguas ou mais próximas dos desmatamentos Desmatamento nas TIs Alto Rio Guamá (PA). Segundo informações dos municípios que mais desmatam nos últimos 12 anos. Agência mais as pressões por terras.cfm?id=326235 pelo crescimento desenfreado das cidades Ibama associa crime ambiental a próximas.pdf mas igualmente emblemático de área As TIs representadas em amarelo. em regiões do Mato o desmatamento está consolidado. http://www. (3) A Farra do Boi na Amazônia. www. o que deve aumentar ainda As TIs grifadas em laranja são as de grau médio de risco. áreas são a exploração ilegal de madeira e a mineração. mais de 18% Xingu (PA).

desmatamento classificação das tis segundo grau de pressão do desflorestamento Oceano Atlântico dESmATAmEnTo nA TI APYTErEWA (PA) FONTE: ISA. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 27 . 2009.

o governo optou por fazê-lo FOTO aos índios. vezes. Há informações de que as fazendas continuam revela a necessidade de se fortalecer a fiscalização e as nessa região. foi concedida a reintegração de posse agrária em terras contíguas às TIs. de terras continua sendo uma de In Almanaque Brasil Socioambiental suas marcas registradas: 1% dos 2008. o órgão desconsiderou os indícios de presença de mão-de-obra e frente de expansão da agropecuária Válvula de escape indígena. http:// www. a concentração (8) Amazônia.8 . estão nessa região (apesar disso. fronteira Os governos de Fernando Henrique Cardoso e. em especial. o norte coordenação entre órgãos fundiários e a Funai têm degradados. ocorriam esses conflitos. Xikrin de Luís Inácio Lula da Silva intensificaram a tendência. Waimiri Atroari e Wai-Wai). desflorestamento na Amazônia. 2009. A comparação com médias e grandes propriedades é proprietários controlam 57% da injusta porque o índice de desmates por número de área dos imóveis rurais. Mesmo sabendo disso. com quase nenhum conhecimento (ao sul e ao norte da TI Rio Biá e entre as TIs Inauini-Teuni. preparando o caminho para a ocupadas ilegalmente permaneceram interditadas. a presença expressiva de projetos de reforma 1970. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). (CDS) / Universidade de Brasília (UnB). grandes saúde.pdf taxa de desmatamento vem caindo nos assentamentos do Mesmo assim. estavam na Amazônia. chegando até a região conhecida de reforma agrária na Amazônia e a falta de Amazônia.8 milhão de hectares. A partir dos anos derrubando a mata e vendendo madeira para formar Portanto. Apesar disso.yikatuxingu.org. em vez de realizar a reforma agrária nos locais onde pastagens. 7) Assentamentos rurais na contribuem com parte importante dele. Além disso.7 projetos/24/p3vol1. Amazônia: contradições entre políticas agrária e ambiental. segundo dados do Inpe. sob litígio. Entre 1970 e 1994. entre o sudeste do Pará.8 mil quilômetros Hoje. teriam recebido lotes em assentamentos e projetos de já foram desmatados. (4) Estudo socioeconômico e ambiental dos assentamentos localizados na Bacia Meio Ambiente (MMA). Em 2008. Instituto de 10% dos lotes de reforma agrária do País têm licença mais de um terço das terras em Interamericano de Cooperação para ambiental e que na Amazônia eles apresentam uma média uso e 74% do número total de Agricultura (IICA) / Incra. o que resta a muitos assentados é Deni e Kanamari do Rio Juruá). escolas e postos de concentração de assentamentos no oeste do Amazonas com as comunidades indígenas. 2007. 83-106. na do Cateté e Parakanã).br/arquivos/ de quase metade de sua área desflorestada. Incra na região. Há ainda grande transformado algumas dessas áreas em zonas de conflitos infraestrutura. os invasores seguiram conflitos fundiários do resto do País. Em Rondônia. garimpeiros e madeireiras atuam políticas de apoio aos assentados nessas regiões sob pena devolutas. 6. existe um grande número de áreas de colonização na Amazônia. do Tocantins e o oeste do Maranhão. que é menos populosa e tem muitas terras Agrovila do Projeto de Assentamento Coutinho União. quadrados ou 20% do total (o equivalente à extensão de assentamentos no Brasil. Dos 1. vários foram criados em locais já desmatados ou como “Bico do Papagaio”. Lúcio Flávio Pinto. A Funai entrou com uma ação na Justiça e as terras 1 e da atividade madeireira. Assim. No Prelo. não contam com apoio técnico ou financeiro. muitas 4 Yanomami. dos 55 milhões de hectares Tourneau e Marcel Bursztyn. Indígenas no Estado de Rondônia. saneamento básico. Grupo entre Tocantins e Pará (onde estão as TIs Kayapó. a 3 propriedades na Amazônia. essa contribuição é de 116. Em 2005. Nessa situação. François-Michel Le do Incra. funcionando e que grileiros. 2005.6 bibliografia reforma agrária no centro-oeste do Pará e na faixa que se (1. Pg. 83% Centro de Desenvolvimento Sustentável de Pernambuco). cerca de 266 mil famílias em outros pontos da TI. os assentamentos acabam servindo como reserva À época. 18 mil 2 de ampliarem-se os conflitos já existentes ou surgirem novos. Junho de 2008. em Querência (MT). 5. assentamentos no Mato Grosso ocuparam as primeiras ela abriga pouco mais de 23% posições na lista dos maiores desmatadores do Ministério do da população rural brasileira). os assentamentos pelo Incra no País. No caso dos projetos e 2008. 2) O Fim da Floresta? A devastação das Unidades de Conservação e Terras Comparação injusta estende ao longo do nordeste do Mato Grosso. Outros cálculos indicam que menos Os assentamentos representam do Rio Xingu em Mato Grosso.5 A Amazônia foi transformada em válvula de escape dos durante anos. Além de Rondônia. propriedades foram criadas dentro da TI Uru-Eu-Wau-Wau a da legislação ambiental. Cerca de Trabalho Amazônico (GTA) / Regional Apesar de não serem os principais responsáveis pelo de 66% dos lotes repassados Rondônia. entre 2003 andré villas bôas/isa (3. como aponta o mapa. Trombetas-Mapuera. e em Roraima (próximo às TIs partir da compra de lotes implantados nos anos 1970 pelo extrair a madeira de seus lotes ou vendê-los. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras 28 Políticas ineficientes de reforma  Indígenas na Amazônia Brasileira assentamentos agrária criam conflitos com TIs O abandono a que estão relegados vários projetos ocupantes é bem menor nos assentamentos. Instituto Socioambiental (ISA). formação de fazendas.

2009. . 2005 e PRODES/INPE. Pacífico Oceano assentamentos assentamentos e terras indígenas Oceano Atlântico Indígenas na Amazônia Brasileira Atlas de Pressões e Ameaças às Terras 29 FONTE: INCRA. NOTA: foi incluída nos limites da Amazônia Legal toda a extensão dos municípios do Maranhão pertencentes a ela.

2 e dos subsídios oficiais. Os anos 1970 também marcaram a chegada à Amazônia era de 14% de pastos abandonados ou degradados. viu sua área de pasto de cultivos para agrocombustíveis na Amazônia. 630 índios estão confinados frigoríficos e abatedouros. urbano não indígena na área. Pesquisas de grandes projetos agropecuários atraídos pela política de apontam que.br/novo2008/ o rebanho amazônico dobrou de álcool ultrapassou a marca de um bilhão de litros. 80% do desmatamento na Amazônia. Imazon. incentivos e distribuição de terras do governo militar. Entre 2001 e 2004. Paulo do País diminuiu.org. Já existem (2) Instituto Brasileiro de Geografia e crescimento três vezes maior que a usinas de açúcar e etanol em Presidente Figueiredo (AM). de R$ 183 bilhões. foram observados ainda casos de Boiada na BR-163. Entre 2007 na Amazônia na Era das Mudanças expandir-se. Essas pressões ocorrem sobretudo pecuária passaram a andar juntos. Além disso. Maraiwatsede está entre as TIs como disseminadoras da cadeia produtiva da carne. na região de das terras cultivadas com grãos trechos de florestas convertidos diretamente para o cultivo Rurópolis (PA). Também cresce a preocupação com a possível ampliação (1) A pecuária e o desmatamento recentemente. no nordeste do Mato Grosso. A região impulsionou da oleaginosa no Mato Grosso. Os O Mato Grosso é o maior produtor de gado e soja do País. A maneira mais fácil era abrir pastagens. A ocupação média não Fora das zonas produtoras tradicionais do Mato Grosso.3 O PAC arquivosdb/120849pecuaria_mudancas_ tamanho. Há inúmeras fazendas e um núcleo papel de estradas como a BR-163. a degradação ambiental ao redor delas.imazon. 15 mil metros cúbicos para 285 mil metros cúbicos e a de Barreto e Eugênio Arima. . Com o tempo.2 mil hectares já foram derrubados. no caso da grilagem) – Amazônia Legal. Mato Grosso e Rondônia. há o temor de (3) Agência Nacional de Petróleo.anp. http://www. http://www. Nessas áreas. daniel beltrá/greenpeace o aumento vertiginoso desse bibliografia rebanho nos últimos 20 anos e. do baixo custo das terras (ou custo zero.pdf para 73 milhões de cabeças. no sudeste do Pará e norte nos anos 1960 e desde essa época vem sendo desmatada. desmatamento na ti Maraiwatsede (mt) apresenta-se sob a forma da ocupação ilegal. calcula-se que a criação de gado seja responsável por Um exemplo é a TI Maraiwatsede. no Brasil. em momentos de alta dos preços agrícolas. no Pará. Ritaumaria Pereira. está a maior concentração de conta dos conflitos e invasões.br da economia amazônica (o dobro também ocupem pastagens e empurrem ainda mais bois em da taxa nacional). ações políticas prática foi adotada por grileiros para tentar simular a posse ou judiciais contra demarcações e até atividades produtivas legal de uma área.br média nacional. a agropecuária respondeu por 12% do PIB da para impedir a reintegração da posse integral dos Xavante. a estimativa plantada com soja em Rondônia e no Pará ainda é pequena. setembro de 2007. a produtividade continua Desmatamento bem menor que no resto do País. enquanto a do resto e 2008. a área chega a uma cabeça por hectare.5 milhões na produção de climaticas. entre 2003 e 2005. No mapa.ibge. Produtores rurais e políticos lutam na Justiça A pecuária amazônica expande-se principalmente por causa Em 2006. a sojicultura pode forçar o avanço das pastagens sobre a FOTO candidatos a legalizar uma propriedade e receber os recursos A Amazônia Legal abriga 36% do rebanho bovino e 23% floresta. Por do Mato Grosso.gov. direção à floresta.gov. chama a atenção o hoje em uma única aldeia. passando de 37 milhões prevê investimentos de R$ 696. biocombustíveis e etanol no estado até 2010. fato incomum até então. mais desmatadas do País: 57% dos seus 165. 1 mas teve crescimento acelerado entre 2000 e 2006. http://www. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 30 uso do solo A Amazônia “pecuarizada” A pressão do agronegócio sobre as TIs na Amazônia oficiais precisavam comprovar que estavam produzindo. De 1996 a 2006. A atividade avança Ela foi tomada dos índios Xavante por fazendeiros e grileiros principalmente em Rondônia. a BR-364 e a Transamazônica. Desmatamento. Apesar disso. Estatística (IBGE). Há alguns anos. grilagem de terras e consentidas pelos índios. a produção de biodiesel de Mato Grosso subiu de Climáticas. Hoje. Gás influenciou o crescimento de 22% que as plantações destinadas à agroenergia do centro-sul Natural e Biocombustíveis (ANP). 2008. Essa “pecuarização” Ulianópolis (PA) e Arraias (TO).

394 18.259 40 14. uso do solo esboço do uso do solo nas áreas desmatadas da amazônia legal Oceano Atlântico FONTE: IBGE.227 30 12.226 20.109 15.247 25.USP Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 31 . dESmATAmEnTo.000 50 17.532 10.000 27.000 20 Boi Soja Desmatamento 5.203 70 25.165 17. 2009. NOTA: foi incluída nos limites da Amazônia Legal toda a extensão dos municípios do Maranhão pertencentes a ela.000 60 21. PrEçoS do BoI E dA SojA 80 30.000 10 0 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 0 FONTE: FEALQ .000 13.383 18. IMAZON e ISA.911 11.846 18.

Nº 157. 2 de carbono resultante da combustão da vegetação. Com variações inesperadas Há mais de 20 anos. nas zonas de expansão da fronteira agrícola da destinada a plantio de soja na região de Santarém (PA). Texto para Discussão houve um grande avanço no número função de mudanças no ciclo hidrológico.739 acaba se transformando em incêndio florestal. Segundo o Inpe.2 mil impactos na saúde humana e a perda hectares de roças teriam sido devastados. Folha On Line. na região foram registrados 163. http://www1. cerca de 18% do estado. o fenômeno climático El Niño produziu uma seca combater incêndios. mas depois de anos de repetição da prática acaba (2) Parabólicas. os períodos de 2006-2007 e 2007-2008. Os ecossistemas e o clima são muito afetados pelo fogo em Diversos autores. sofreram com falta de água e alimentos. Uma das consequências mais importantes (4) Mato Grosso extrapola 16 vezes o limite de poluição da OMS. Pará e Rondônia. Em 2005.br/ pub/td/2002/td_0912. Algumas provocados por incêndios acidentais. Jan/Fev 2000. considerando estragos casas. Instituto de Pesquisa focos de calor. do solo saltaram de 68 mil para 101 mil (veja e da atmosfera. esse salto e o aumento no índice de novos incêndios. In o bioma mais atingido pelas queimadas No curto prazo.pdf de focos registrados na Amazônia: eles biomassa. Há uma coincidência entre das queimadas é que elas tornam uma área vulnerável a 18/3/2009. às vezes. focos de calor no parque indígena do xingu. 2005 hoje dois dos maiores desafios socioambientais da As comunidades estão se organizando Amazônia e das Terras Indígenas (TIs).br/queimadas/ florestais vêm se concentrando no Mato e cerca de 70% das emissões nacionais originam-se do Grosso. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 32 queimadas O fogo já faz parte do cotidiano da floresta P revenir e conter queimadas e incêndios florestais são vezes as queimadas saem do controle. em Roraima que criou as condições para um incêndio que atingiu uma área estimada em até 40. Em 2005. Abril de 1998. http://sigma. 27. até 2000. Os índios têm dificuldade para adaptar suas aconselhável por causa da fumaça das queimadas. 1 Amazônia entre 0. também das roças de poluição até 17 vezes maior que o Entre as populações pré-colombianas. (3) O Custo Econômico do Fogo na Amazônia. na quantidade de No 912.com. criando um ciclo vicioso de degradação. http://www. muitas calor no Brasil com imagens de satélite. As queimadas e incêndios (um dos principais responsáveis pelo aquecimento global) Pesquisas Espaciais (Inpe).gov. gráfico). O Parque Indígena do Xingu (MT) é outro exemplo de TI da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). De lá para cá.shtml áreas degradadas no mesmo espaço O Brasil é o quarto maior emissor mundial de gás carbônico (5) Instituto Nacional de de tempo. incluindo parte de que as queimadas podem custar à TIs como a Yanomami. 2002. o Inpe monitora o número de focos de depois que as árvores de valor comercial foram retiradas. Instituto Socioambiental assumiu a liderança do placar. Barbosa e Philip Martin Fearnside. O fogo avança de pastagens estariam expostas a uma quantidade de fazendas vizinhas. o fogo sempre foi FOTO indígenas.cptec.6 mil quilômetros Um estudo realizado em 2002 apontou quadrados. da fauna.1 mil famílias indígenas foram atingidas: perderam Interno Bruto (PIB). mas. 4 cultivo.inpe. Hoje. ele é usado para a queima da vegetação que restou pelo desmatamento fora da TI). o solo incorpora os nutrientes resultantes da daniel beltrá/greenpeace Ciência Hoje.2% e 9% de seu Produto 1. chegaram a ficar isoladas. 5 desmatamento e das queimadas. entre Econômica Aplicada (Ipea). . Segundo lideranças indígenas. Vol. recentes no clima regional (provocadas provavelmente Amazônia. Reinaldo Imbrozio aberta e clima mais seco. a Amazônia Legal combustão.folha.3 De acordo com outra pesquisa. 2003. que sofre com as queimadas. bibliografia no ciclo de chuvas e o ressecamento da vegetação. foram registrados cidades do “arco do desmatamento” 208 focos de calor na área. Uma parte das queimadas foge de controle e (ISA). o Cerrado foi degradados ou para sua conversão em plantações de grãos. na composição da vegetação. com um instrumento tradicional para a limpeza de áreas para Queimada realizada para limpar área técnicas tradicionais de manejo do fogo às mudanças aumento dos casos de doenças respiratórias. continua sendo utilizado para reforma de pastos (1) As lições do Fogo. Entre 1997 e participando de cursos para evitar e e 1998.ipea.uol. De fisionomia mais Muitas vezes. Um total de pelo menos 2. br/folha/ambiente/ult10007u536637. empobrecendo.

2009. queimadas focos de calor em 2005 Oceano Atlântico FONTE: INPE-CPTEC. Oceano Pacífico focoS dE cALor no BrASIL E AmAzônIA FONTE: INPE-CPTEC. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 33 . NOTA: foi incluída nos limites da Amazônia Legal toda a extensão dos municípios do Maranhão pertencentes a ela. NOTA: os percentuais referem-se aos focos de calor da Amazônia em relação ao total do Brasil.

da água e do ar. Fany Ricardo Disponibilidade 1. Em 2005. a produção de minérios do Brasil foi de R$ 54 repercussão política. o nordeste do Mato Grosso e o Congresso proposta para o Estatuto dos Povos Indígenas continuaram a ser registrados no Departamento Nacional de oeste do Tocantins concentra muitas pesquisas mineralógicas elaborada na Comissão Nacional de Política Indigenista Produção Mineral (DNPM). ISA. 2) Mineração em Terras Indígenas Concessão de Lavra 529 8 4   4 indígenas mobilizaram-se e atividades mineradoras na maior floresta tropical do mundo. O texto da Carta de 1988 vedou a em último caso.769 142   4. Ao destinar as TIs à sobrevivência física e cultural TIs têm mais de 50% de sua extensão na mesma situação.br Requerimento de Registro de Extração 13         (depois de regulamentado o responde por apenas 7% do Produto Interno Bruto (PIB) da Total 48. Instituto obtiveram algumas vitórias.452 5. a realização da exploração minerária nas TIs. 2 pretendem transformar em regra o que deveria ser feito só exceção nessas áreas. com 364. Entre esses avanços.942 4.7% do total Processos minerários em TIs na Amazônia Legal (até 2005) Constituinte (1986-1988).4 Os investimentos em pesquisa e bibliografia Amazônia Legal precisão DNPM Autorização de Pesquisa 5. atividades extrativas (mineração futura).287 205 18 5. e a Alto Rio Negro (AM). . milhares de pedidos de (saiba mais no próximo texto) e no leste do Pará.5 fonte: Mineração em Terras Indígenas na Amazônia Brasileira. contíguas às TIs Waimiri Atroari (AM e RR) e Xikrin do Cateté (PA) Apesar disso. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 34 recursos minerais mineração Mineração e Terras Indígenas A mineração traz riscos às TIs porque. estão a anulação de todos os pedidos e pesquisa (veja tabela) – incidindo em 125 TIs na Amazônia. tem o ouro como objeto. contaminação do solo. disponibilidade” (mineração potencial) em Rondônia. a Constituição Federal reconheceu terras com mais processos são Yanomami (AM/RR). Requerimento de Pesquisa 8.064 em andamento ou pedidos de autorização para início de (CNPI) – onde as comunidades indígenas têm assento – que processos minerários – entre alvarás e licenças de exploração. cassiterita e cobre.gov. As empresas mineradoras contam (Ibram). basta dizer que O embate entre interesses de empresas mineradoras e aproximadamente 148 mil pessoas vivem naquelas 125 TIs. pode provocar erosão. em suas várias As TIs Cajueiro (RR).064 assunto). defensores dos direitos indígenas sempre teve grande Em 2008.887 17 4   13 minerário em TIs acabou ficando com isenções e subsídios do governo e apenas uma fração (4) Departamento Nacional de Requerimento de Lavra Garimpeira 22. o que O mapa indica concentração importante de atividades prévios de impactos e tratam o direito de consulta às ainda não aconteceu. A indústria extrativa mineral Produção Mineral (DNPM).405 9     9 (3. 1 Repercussão política A mineração na Amazônia Para se ter uma idéia do problema. as do País) deverão ser investidos na implantação e expansão Processos Processos desconsiderados mineradoras tentaram diminuir de minas e usinas na Região Norte.3 Até 2010. Roosevelt (RO). requerimentos de lavra garimpeira grande incidência de requerimentos de pesquisa e áreas “em elas. com 640. http://www. garantido o direito região e gera só 3% dos empregos formais. As Algumas propostas de regulamentação em discussão no dos povos indígenas. 2005 decisão de analisar e autorizar sociais produzidos pelo setor. A região que Por outro lado. Quase metade dos processos das comunidades à realização da atividade em suas terras. oeste do de pesquisa e lavra feitos até então. estão muito aquém Licenciamento 1. na Amazônia Brasileira. no entanto.org.152         Socioambiental (ISA). assoreamento. Chama a atenção a regulamenta a matéria e incorpora avanços defendidos por áreas “em disponibilidade”. recentemente o governo encaminhou ao autorização de pesquisa e exploração mineral em TIs abrange ainda o leste do Pará. 66 pessoas Mato Grosso. Outras 35 impactos. desde essa época. Organizações bauxita. a previsão de licitação para Eles estão registrados em nome de 329 empresas. parlamento representam uma ameaça aos povos indígenas: essa ameaça e definiu que a mineração deve ser uma Menkragnoti (PA).446 172 7   165 a cargo do Congresso Nacional de seus lucros fica na Amazônia. com 413. Baú e Arara (PA) têm mais de participarem dos resultados da lavra. não preveem a necessidade de estudos atividade nas TIs até que o tema fosse regulamentado. e o direito de veto físicas e quatro cooperativas.dnpm. Durante bilhões e a Amazônia Legal respondeu por mais de 25% a Assembléia Nacional desse valor.ibram. Os benefícios Lavra Garimpeira 1. A Os números dão a idéia dos interesses em jogo. onde estão situadas Processos com válidos e com Possíveis Processos Total de ao máximo qualquer restrição algumas das maiores reservas conhecidas de minérios como Fase incidência poligonal na erros de cancelados p/ processos em TIs às suas atividades.627 http://www.br Requerimento de Lavra 6. cerca de R$ 8 bilhões (36.). de mineração em andamento (mineração atual) em áreas comunidades como mera formalidade. Xikrin do Cateté. Kwazá do Rio São Pedro e das comunidades afetadas de serem consultadas e modalidades. 5) Instituto Brasileiro de Mineração Registro de Extração 17         cada empreendimento das divisas que ele gera.580 275 40 18 217 da sociedade civil e lideranças o esgotamento das jazidas do centro-sul tendem a ampliar as (1. entre outros 90% de seu território com incidência de processos. no sudoeste do Pará e na TI Yanomami (AM/RR). Pequizal (MT). existiam no órgão 5.481 37 8   29 e Alícia Rolla (Org. 2005.

2009. nota: foi incluída nos limites da Amazônia Legal toda a extensão dos municípios do Maranhão pertencentes a ela. Oceano Pacífico Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 35 .recurSos minerais • mineração Processos minerários na Amazônia Legal Oceano Atlântico Fonte: DNPM e ISA.

suspendeu as verbas e a questão foi parar na Justiça. A relação entre os índios e a Vale As TIs marcadas em vermelho (pressão potencial) vem sendo conflituosa. Os Xikrin protestam e exigem mais apresentam uma enorme incidência de requerimentos de recursos e rapidez na prestação de serviços. A Vale. começou Em 1987. vieram siderúrgicas. Há acúmulo de lixo e movimento de marcílio de sousa cavalcante/isa B de processo minerário incidente em seu território. diabetes e hipertensão estão mil pessoas. A obra é considerada um desastre Waimiri Atroari. Entre essas 5 explorada pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). não indígenas nas aldeias. apoio a Socioambiental (ISA). 2005 imigração. A. Rio Alalaú. Serra dos Carajás (PA). de atividades de mineração em andamento em áreas 44. estavam a Paranapanema. O rompimento de reservatórios A TI Xikrin do Cateté tem 99.5% constam de 195 processos minerários no DNPM: contíguas. mas trouxe população se recuperou e (ISA). 2006 de suas atividades. Site dos Povos Indígenas do Brasil quantidade e variedade de alimentos. Depois de reconhecida oficialmente em igarapés foram desmatados. http://pib.1 a operar na área aquela que chegou a ser maior mina de nas terras Waimiri. Destes. começou a ser quadrados e obrigou o Bibliografia explorada pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). 4) Mineração em Terras Indígenas 1 bilhão de toneladas de minério de ferro já foram extraídas aldeias para gerar apenas na Amazônia Brasileira.5 milhões de hectares. Maria Carmen R. Os processos envolvem 11 substâncias diferentes e empresas interessados nas jazidas de minério. que. dois dos casos mais emblemáticos dos e cobre.3 Em 2006. FOTOS incidência de 8 títulos minerários e 120 requerimentos de mais de 526 mil hectares por conta da pressão de políticos responsável pela drenagem de 55% da TI. 1996. As TIs grifadas em amarelo (pressão atual) são aquelas onde há concentração A TI Waimiri Atroari tem 2. Doenças atualmente soma mais de incomuns como câncer. estão as TIs Xikrin do Cateté (PA) e 193 requerimentos de pesquisa. para com ações de saúde. 2. entre outros. Janeiro de 2008. além de uma concessão de lavra e mais uma impactos causados pela mineração entre povos indígenas.). Para compensar (ISA). níquel.32 % de sua área com 1971. área limítrofe à TI Xikrin do Cateté. a Eletronorte (2) Especial Carajás. a Vale pesquisa ou abrigam áreas classificadas “em disponibilidade”. Nascentes e margens de descoberta na região. cassiterita e chumbo. Mais de 60% empresas. Instituto Socioambiental do local. Com as minas.org/pt/ povo/Waimiri Atroari sedentarização e novos hábitos de consumo.socioambiental. Repórter distribuição de renda. Mais de deslocamento de duas (1.com. Terra socioambiental: inundou Indígena Waimiri Atroari (AM). em 1982. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras 36 recursos Passivos socioambientais  Indígenas na Amazônia Brasileira minerais mineração da mineração em TIs O mapa classifica as TIs de acordo com a natureza sendo registradas. Instituto compensar os índios Xikrin pelos impactos socioambientais educação. a Usina Hidrelétrica de Balbina foi construída B. In Povos Indígenas no Brasil 2001-2005. Nesta situação.php?id=1264 Em 1989. Naquelas grifadas em alaranjado (pressão futura) há pesquisas mineralógicas ocorrendo ou registros de pedidos de Os Waimiri Atroari autorização para início de atividades extrativas. autorização de pesquisa. A comunidade também começou atividades econômicas e (5) Waimiri Atroari. http://www. César Gordon.2 financiou a demarcação Brasil. As atividades da mineradora causaram Os Xikrin do Cateté Na década de 1970. como cobre. no sudeste daniel beltrá/greenpeace A do Pará. 250 MW. uma grande jazida de cassiterita foi uma série de impactos negativos.4 cassiterita do mundo.3 mil quilômetros No início dos anos 1980. Vale do Rio Doce. estradas. do a receber dinheiro. . nenhuma os índios. a CVRD iniciou um programa com ações de o Projeto Waimiri Atroari. algum crescimento econômico. Vista aérea da aldeia Alalaú do povo deles têm o ouro como objeto. a Serra dos Carajás.br/exibe. de suas terras e implantou reporterbrasil. a Reserva Indígena Waimiri Atroari foi interditada e perdeu de lavagem do minério contaminou a Bacia do Rio Alalaú. Fany Ricardo e Alícia Rolla (Org. muito desmatamento. o que facilitou o acesso a maior vigilância do território. mina de ferro pesquisa. saúde e infraestrutura. em especial de cassiterita Waimiri Atroari (AM/RR). (3) Mal-entendidos com a Companhia educação.

2009.recursos minerais • mineração classificação das tis segundo pressões e ameaças da atividade mineral Oceano Atlântico Oceano Pacífico FONTE: ISA. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 37 .

no decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) reforçou a 2004 AC 01 ouro sudoeste do Pará. 5 de ouro microbacia. em 1992. como mangueiras e calhas. Instituto na TI Roosevelt (RO). fotos eles tornaram-se núcleos de crescimento populacional De 1987 a 1990.311 do País. Amazônia. violência. usa equipamentos simples. um decreto 2004 RR 204 143 de ouro 2007 RO 138 75 de ouro. inclusive as Desde os anos 1970. Vários trabalharam indígenas manifestam interesse em garimpar.3 mil áreas de garimpo na Amazônia. A Socioambiental (ISA). quando uma das intoxicação ocorre também pela inalação do vapor na queima (2) Serviço Geológico do Brasil (CPRM). quando surgiram vários garimpos na terras da antiga Reserva Garimpeira. presença dos invasores em suas terras. Mais de mil trabalho degradantes. como ficou conhecido. principalmente peixes. de uma espiral de violência iniciada em 1999. O assunto divide opiniões. Mesmo aberto do mundo.1 Em 1993. com 2. O do Estado (ainda estão pendentes esclarecimentos do STF às indicações do mapa. O Massacre de Haximu. Instituto Socioambiental (ISA). prostituição. Estima-se que existam A adoentada.5 mil no Brasil). O caso mais famoso foi Serra Pelada B. uma 2004 TO 22 6 de quartzo hialino. apreenderam equipamentos e diamantes. 341-345. Ministério de Minas e Energia (MME) estima hoje a presença sobre a matéria). Recentemente. do amálgama. é uma das principais zonas garimpeiras necessidade de regulamentação da parte do Congresso Amazônia (Total) 1. No caso da Pateo. Entre 2008 e 2009. http//:www. garimpos um dos problemas mais graves das de invasores. outro massacre. as Florestas Nacionais do Jamanxi e de Amaná.8 milhões de hectares. os problemas ativas e inativas (veja tabela).cprm. o governo federal criou na área a Reserva e condicionou a garimpagem pelos índios à autorização NOTA: 1) Não há registros para o Maranhão. 2006. (1) Yanomami. garimpeiros assassinaram 16 são imprecisas e difíceis de conseguir porque a atividade é bibliografia indígenas. In Povos Indígenas do Brasil Em 2004. o Espírito da Floresta. mas registro comunidades indígenas amazônicas. Pg. dessa vez de 29 garimpeiros. Em 1983. 228-229. Operações policiais retiraram milhares Ano de Estado No Obs. 1 de diamante (inativo) reconheceu a situação e proibiu a atividade garimpeira de 2004 MT 214 182 de ouro não indígenas nas TIs. ocorreu extração do ouro. temporária e quase sempre ilegal. Bruce Albert. Piloto de helicóptero da Força Aérea índios morreram por conta de conflitos e doenças (hoje (PA). 16 de diamante presidencial criou um grupo de trabalho para fiscalizar e 2006 AM 58 46 de ouro Os polígonos alaranjados assinalados no mapa indicam a coibir qualquer tipo de exploração mineral em TIs.br maiores jazidas de diamante do mundo foi descoberta na área. In Almanaque Brasil lideranças Yanomami voltaram a denunciar o aumento da O garimpo é uma forma de mineração rudimentar que Socioambiental 2008. Alguns povos antônio gaudério/folha imagem de 20 mil garimpeiros na região. entre disseminar epidemias entre populações indígenas. Garimpo costuma depois da homologação da TI Yanomami. do Tapajós. dos índios Cinta-larga. A Constituição Federal isso não tem impedido seu retorno. As maiores sequelas acometem o sistema Quase cinco mil garimpeiros chegaram a trabalhar no local. O polígono localizado junto à TI Mundurucu. O tema 2004 AP 44 38 de ouro presença de garimpo (ativo ou inativo) em uma determinada ainda aguarda regulamentação legal. o mercúrio utilizado para o amálgama 2000-2005. O crime foi o clímax pode contaminar a água e animais. nos anos 1980.gov. tanto líderes Cinta-larga quanto garimpeiros Garimpos na Amazônia a interesses políticos e econômicos fizeram dos foram feridos ou mortos. Pg. . Há experiências clandestinamente na TI Mundurucu. Janeiro de 1990. por causa da ausência completa de fiscalização. 2) Os dados da tabela não correspondem Garimpeira do Tapajós. totalizando 3. O retorno do Caos. 2008 PA 630 585 ativos (519 de ouro). doenças. foi considerado genocídio pela Justiça. Rogério Duarte do Seu impacto socioambiental é muito grande. Garimpo ilegal de diamantes na Terra Indígena Parque Aripuanã (RO). que chegou a ser o maior garimpo de ouro a céu Brasileira removendo mulher Yanomami os Yanomami são cerca de 15. quase 40 mil garimpeiros invadiram as desenfreado. condições de A. terras Yanomami (AM e RR) atrás de ouro. diversas operações de retirada dos invasores. 2007.2 As informações sobre elas charles vincent/isa B continuaram. o Ministério do de extração realizadas de forma organizada e com métodos Meio Ambiente (MMA) criou a Área de Proteção Ambiental de baixo impacto ambiental. Por conta dos conflitos na TI Roosevelt. nervoso e podem levar à perda da coordenação motora. Fonte: Serviço Geológico do Brasil. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 38 recursos minerais garimpo Atividade garimpeira A inoperância e a conivência do Estado combinadas Entre 2000 e 2004. e de hoje cerca de 1.9 milhões de hectares protegidos. Em 2006.

nota: foi incluída nos limites da Amazônia Legal toda a extensão dos municípios do Maranhão pertencentes a ela. registros do banco de notícias do ISA. Pacífico Oceano recursos minerais • garimpo Atividade garimpeira por  microbacia Oceano Atlântico Indígenas na Amazônia Brasileira Atlas de Pressões e Ameaças às Terras 39 Fontes: pedidos de lavra garimpeira aprovados no DNPM até 2009. . levantamento do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) de garimpos legais e ilegais (2001).

a companhia estadunidense não associado (sem petróleo) do País. Orellana. Ao final do caso. Como em outros empreendimentos realizados na povos Sateré-Mawé e Munduruku. Paumari do último caso. a emissão de gases poluentes.822. governamentais por pretender atuar em território bibliografia indígena no exterior quando é proibida de fazê-lo dentro O óleo extraído em Urucu (AM) é o melhor do País. 1983. é transformado em derivados nobres. dos Informação (CEDI). a extração. Paumari do Lago Manissuã. 2 desenvolvimento no Amazonas. http://www. In Povos Indígenas extraídas junto com o petróleo podem ser altamente No início dos anos 1980. Cerca de 30 mil pessoas e Peru. A empresa realizou Entre 2002 e 2008. de alto valor para Construção do Gasoduto Juruá. 2008. Paulo. a produção Revista do Brasil. apenas numa autorização da Funai e em contratos com a de barris ao ano. a Petrobrás construiu o gasoduto Urucu- Dezembro de 2008.800.611. a Elf-Aquitaine Há pelo menos mais nove campos petrolíferos em (5. no a sair de suas terras. essas atividades. A questão das indenizações próximas ao poços em funcionamento nessa região. 5/8/2009. De acordo campos de petróleo e gás em atividade e grande à instalação de poços.500 Urucu roças e de floresta. no Bioma Amazônico encontram-se em seu extremo oeste. 650 quilômetros Recentemente. Amazônia. de terras e à migração descontrolada. Aconteceu na imprensa. Não existem terras indígenas de explorar petróleo no Acre e no Equador. passou de 15.3 Cajuhiri Atravessado. Gás PERU 16. Centro tóxicos. Revista BOLÍVIA 2. O (7) Gás do Amazonas é o novo foco Total 243. com 2008. Haveria inúmeros casos de doenças entanto. O Estado de S. amazônico. habitado pelos índios Huaorani. assoreamento e de óleo e substâncias tóxicas. incluindo povos indígenas obrigados petróleo) na Amazônia Brasileira. a produção de petróleo do Amazonas In Povos Indígenas no Brasil 1984.744. se não forem tomadas medidas preventivas pesquisas para encontrar petróleo nas duas áreas sem o caiu de 3. A atividade o lençol freático e o solo da região com milhões de litros perto dos Andes. NOTA: Dados para o ano de 2006. As reservas do estado são de quase 70 COLÔMBIA 4. 10/12/2002. como diesel e nafta. Entre 1964 e 1992. Quando descartados diretamente no meio a ação desastrosa da companhia francesa Elf-Aquitaine estudos. A exploração de petróleo foi responsável ainda por um estão na lista de projetos estratégicos da Petrobrás. No Acre.6 Os campos de gás de Natural e Biocombustíveis (ANP).237 . Napo.redebrasilatual.786 Putumayo foram abandonadas em alguns locais e quatro pessoas (4) Bacia sedimentar do Amazonas é a bilhões de metros cúbicos. refinarias. Texaco. 148-150.6 milhões (3) Chernobyl Amazônica. com base absolutos.anp.com. País Produção (barris/ano) Principais áreas de produção feitas perto de aldeias. Trechos de das reservas nacionais. As TIs Nacional de Yasuni. Manaus. Grande parte do gás transportado será usada para (2) Aconteceu na imprensa. os movimentos indígenas e organizações locais agregado. SURINAME 4.693. Tadeu Breda. em termos Pg. contaminam lençóis freáticos e o ecossistema. Outro gasoduto. Petrobrás/Instituto Piatam.shtml GUIANA .161 Santa Cruz teriam morrido por manusear algumas delas. . A Luta dos Sateré-Mawé contra a Elf-Aquitaine. Bolívia. . até o consumo. Bananas de dinamite não detonadas produção brasileira.6) Agência Nacional de Petróleo. Neste pelos estragos continua em aberto. 1 teriam sido atingidas. no norte do Equador. Os resíduos de perfuração e as substâncias que são abastecer usinas termoelétricas na capital amazonense e Sônia Lorenz.000 .891 Sucumbios. BRASIL 16.9 milhões para 11. na Colômbia. 102-110. em 2008.4 Urucu. Por outro lado. ela teria contaminado rios.br/ Petrobrás. Labjor/Unicamp.753. o refino e o transporte. A exploração comercial.2% da revistas/38/chernobyl-amazonica. causou repercussão internacional municípios próximos. deverá ligar Urucu e Porto Velho (RO). Produção de Petróleo na Pan-amazônia http://www.7% da produção nacional. com mais de 40 17/8/2007. derrubados e queimados. Perspectivas do Meio Ambiente na Amazônia. 1984. Pg. Loreto pagou uma indenização aos dois povos indígenas. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras 40 recursos Conflitos e impactos da atividade  Indígenas na Amazônia Brasileira minerais petróleo e gás petrolífera na Amazônia Ocidental C omo pode ser observado no mapa. Fonte: GeoAmazônia. Há dez bacias sedimentares (onde pode haver contaminação de rios. Ecumênico de Documentação e ambiente.615 Ucayali.5 Com Ciência.comciencia. às invasões uma ação contra a empresa. limita-se ao Vale do Rio Urucu (AM). teriam sido http://www.gov.br VENEZUELA . Por (1) Estudo Prévio de Impacto Ambiental O uso do petróleo pode trazer riscos ao ambiente desde do Brasil.7 . sobretudo no Equador petrolífera também pode provocar erosão. hoje denominada Chevron. Juruá e Araracanga. os principais adequadas. explosões foram amazonense de gás natural correspondeu a 17.500. ainda em fase de no Brasil 1983. oleodutos e gasodutos com os representantes de comunidades locais que movem parte dos depósitos passíveis de aproveitamento podem abrir caminho ao desmatamento.5% para 1. no Parque causados por contaminação. Edição 38. dos maiores desastres ambientais ocorridos em território primeiro guarda a maior reserva terrestre de gás natural da Petrobrás. CEDI.br/reportagens/ EQUADOR 182. incluindo sítios sagrados. explorou centenas de bilhões de metros cúbicos. PNUMA/OTCA/ Centro de Pesquisa da Universidad del Pacifico. em refinarias de Manaus. Os maiores estragos são questionam a falta de transparência de informações sobre Entre 2006 e 2009. Pastaza petroleo/pet12. as estradas e os canteiros de obras necessários poços em Shushufindi. Segundo denúncias dos índios. causaram polêmica os planos da Petrobrás e diversos problemas congênitos entre a população a sudoeste de Manaus. onde as prospecções começaram em isso. nas TIs Andirá-Marau (AM e PA) e Coatá-Laranjal (AM). consentimento das comunidades indígenas. o que equivale a cerca de 14% terceira em produção de petróleo. próximos ao município de Carauari. causados por vazamentos em dutos ou navios de carga. a empresa desistiu do empreendimento Lago Paricá e Paumari do Cuniuá estão nas imediações do depois de ser denunciada por organizações não Urucu polígono com potencial de exploração.

2009.recursos minerais • peTrÓLeo e gÁs petróleo e gás: zonas de exploração atual e interesses declarados Oceano Atlântico Oceano Pacífico FONTE: RAISG. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 41 .

em 1986. em anos posteriores. inadequadas e de baixa produtividade. o roubo de madeira é um dos principais problemas áreas indígenas. Serraria Madenorte em Breves (PA). especialmente primeira comunidade indígena no Brasil a realizar um projeto A. 1996 os índios e não havia planos de manejo.4 milhões Menos de 3% da produção de madeira amazônica é obtida (6) Amazônia. que sobra é queimada sem nenhuma finalidade. Em 2007. a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica (Alfa)/IEB. In O Manejo da Paisagem região oeste do Amazonas. Inpe. Junho de 2008. No mesmo ano. estradas e comprar madeira irregular. Mato Grosso e Rondônia. os preços lesavam enfrentados por seus moradores. Ministério Público zona madeireira. O contato com os invasores exploração madeireira na TI Xikrin do Cateté. esses Rondônia). fez com que os Xikrin paralisassem a extração em suas madeireira do banco de notícias do ISA.4 mil quilômetros quadrados de Socioambiental (ISA).7 As madeireiras promovem novas derrubadas Brasileira.8 . tornaram-se comuns invasões às TIs terras e. mas muitas madeireiras sofrem ameaças de morte. Polícia Federal e Funai. In Povos Indígenas no Brasil 1991-1995. Em 2007. principais pólos madeireiros. O volume aproveitado de US$ 2. O Pará era de cada tora processada é de apenas 42%. A experiência 2 transporte. Wandreia Baitz. madeireiras tenham extraído até três vezes mais madeira do serrarias. Mais tarde. In Povos Indígenas do Brasil 1996-2000. Na raso) em 2008. Ibama e Greenpeace inspecionam no Pará. 1 dos maiores índices de contágio por tuberculose no País. 81-84. 24/8/2009. As lideranças que vêm denunciando a situação (3) Para entender o polêmico projeto de contratos foram anulados pela Justiça. a falência hectares da TI foram desmatados. de 1991 a 2002. em 2004.9 mil Associação do Povo da Floresta Kaban ey. Aliança para longo da calha do Rio Amazonas.3 B.5 A fatia exploracao_madeireira_xikrin. Em 2008. 2001. embora a Constituição de 1988 tenha vem tendo efeito devastador: a comunidade apresenta um Isabelle Vidal Giannini. 2008. 83-106. o centro-sul do estado. de metros cúbicos de madeira tenham sido por manejo sustentável. a indústria florestas certificadas de acordo com os padrões internacionais. E o pior: metade do então responsável por 45% da produção regional. Muitas comunidades nunca conseguiram controlar Principais zonas madeireiras de Trabalho Amazônico (GTA) / Regional a atividade e continuaram sem ter noção de seus impactos. de Romero Jucá na Funai (1986-1988) chegou a defender seguir todos os requisitos legais e ambientais. 8) O setor madeireiro da Amazônia como pólos muito ativos (veja o mapa menor). a área comprovadamente In Almanaque Brasil Socioambiental 2008. Em muitos casos. Cerca de 12% da área daniel beltrá/greenpeace Federal. 2) Exploração madeireira detona de estradas. Enquanto o nordeste quilômetros quadrados de florestas na Amazônia. “Situação grave na Terra Indígena Sete de Setembro pela invasão madeireira”. escolas e postos de saúde. (1. corredores de serão convertidas para a agropecuária. 2008. 2007. A do Mato Grosso e o sul do Amazonas despontam degradada em 2007 foi totalmente desmatada (com corte (5.socioambiental. os Paiter (Suruí de Socioambiental (ISA). que o acertado inicialmente com os indígenas.4 Cerca de 2% dos 247. Grupo renda. o norte equivalente ao território de Alagoas). áreas degradadas e registros de exploração degradados (com corte seletivo de árvores) 14.3 bilhões e 380 mil empregos (4% da Sistemas Prodes. pelo menos 24.org/ epidemia também é consequência da escassez de caça e files/file/PIB_verbetes/xirkin/projeto_ Alguns povos indígenas aceitaram a exploração de suas pesca causada pela devastação. A (ISA). com o apoio do ISA.8 mil seguido pelo Mato Grosso (33%) e Rondônia (15%). há estimativas de que as As indicações do mapa reúnem informações sobre processo de degradação de áreas que. Pg. foram Carta enviada pela Associação Metareilá. Instituto Socioambiental proibido a extração madeireira por não índios nessas áreas. Denys Pereira e Marco Lentini. Instituto essas contrapartidas não foram cumpridas. Lúcio Flávio Pinto. O setor é a ponta-de-lança do desmatamento ao iniciar o Rondônia.6 das Unidades de Conservação e Terras Indígenas no Estado de Rondônia. mas também ao abrir e a Paisagem do Manejo. Associação Pamaur e Instituto Florestal Iabner Gabgir do Povo Indígena Suruí ao do Pará continua sendo a maior e mais antiga o número subiu para 24. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 42 exploração madeireira Ponta-de-lança do desmatamento J á nos anos 1980. http://pib. que as próprias comunidades indígenas financiassem sua assistência e intermediou contratos entre algumas delas e A porta de entrada da TI Sete de Setembro (RO) também Bibliografia madeireiras.pdf terras pela pressão exercida pelas madeireiras. Deter. da Amazônia. Pg. Degrad e Queimadas 2007-2008. madeireiras agem ao não apenas ao extrair ilegalmente. seguiram invadindo TIs. (7) Monitoramento da Cobertura madeireira da região gerou uma renda bruta As técnicas aplicadas pelo setor na Amazônia em geral são Florestal da Amazônia por Satélites. população economicamente ativa). No caso da TI Xikrin do Cateté (PA). Acordos foram firmados em troca da construção foi aberta para as madeireiras pela Funai. Instituto consumidos pelos principais pólos madeireiros manejada era de apenas 12. A administração de manejo de produtos madeireiros e não madeireiros a serrarias no Rio Jaurucu (PA).9 mil quilômetros quadrados (o Ministério da Justiça. Hoje. tenham sido a daniel beltrá/greenpeace B FOTOS da Amazônia para roubo de madeira. Estima-se que. de participação da exploração madeireira no Produto Interno (4) O Fim da Floresta? A devastação dos serviços prestados pela Funai e a necessidade de gerar Bruto (PIB) dos três estados varia entre 15% e 20%.

exploração madeireira zonas de atividade madeireira Oceano Atlântico FONTE: IMAZON. MT Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 43 . 2005 e IBGE e ISA. fronTEIrAS mAdEIrEIrAS nA AmAzônIA LEGAL rr aP aM Pa Ma aC ro To FONTE: Imazon. 2005. 2009. NOTA: foi incluída nos limites da Amazônia Legal toda a extensão dos municípios do Maranhão pertencentes a ela.

na Amazônia. Fonte: IBGE. A população urbana indígena vem crescendo e.7% 224. da calha do Rio Amazonas. essa população subiu de 1.4% 308. Segundo a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). são índios.3% 342.5 parte das enfermidades sofridas pelas crianças indígenas Em 2000.9 construído vasos sanitários com fossa séptica em 23. até esgotos e grande parte dela é abastecida com água retirada Amazonas 80.9 .1 Brasil. no Alto Rio Negro. São Gabriel da houve uma proliferação importante de cidades ao longo Geografia e Estatística (IBGE). Pouco mais da metade dos moradores urbanos de de São Gabriel da Cachoeira (AM). 2006 e seu processo de urbanização foi tão 50 mil e 250 mil e mais de 90% têm até 50 mil. O resultado: contaminação da Tocantins. 2007. Grande Amazônia 76. também água. Em números de várias capitais amazônicas. a média brasileira é de 92. http://www.org/nsa/ remotos. Mas a verdade é que a população amazônica Cuiabá.3 Brasil 92. A sede urbana não tem rede de Amapá 67.8 A ausência de (9) Urbanização. moradores das cidades da Amazônia Legal têm acesso à (5) Levantamento Socioeconômico. da Cachoeira (AM).5% 639 Bibliografia casas em aldeias indígenas amazônicas. no nordeste do Pará e norte do degradando rios e igarapés. Belém. Sérgio Ernani Nogueira Cleto concentração de núcleos urbanos no o desmatamento e a destinação inadequada do lixo estão Filho. problemas sanitários.br Um dos maiores mitos sobre a região é de que ela seria As capitais estaduais abrigam grande parte da população: (3) Urbanização e Agricultura Indígena no São Gabriel da Cachoeira. 134-144.2 (1) São Gabriel da Cachoeira (AM).gov. têm água encanada. Ludivine Eloy e Cristiane noroeste do Amazonas. Mas esses problemas não afetam os índios só em locais Nota: Os dados sobre rede de água e esgoto referem-se a 2007 e sobre internações Instituto Socioambiental (ISA). Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 44 Urbanização e saneamento Os índios e as cidades amazônicas N ão é possível fazer uma comparação simples brasileiros: dos quase 40 mil habitantes. passando de 2.1% 14. 66% dos habitantes de São Gabriel não contavam Acre 68.9% 914. porque muitas aldeias estão passaram de 10% para 40% do total.9 Plano Diretor do Município.8% 254. Nos últimos 20 anos. Pg.9% 509.2% 569.373 atendida por rede atendida por rede doenças relacionadas de água de esgoto ao saneamento indígenas enfrentam hoje alguns dos principais problemas pessoas no período. A Amazônia Legal tem 824 municípios e em torno Lasmar.ibge. O lixão local está localizado Vista aérea de São Gabriel Mato Grosso 88% 12.6% 57. Pg.4 Dos moradores da cidade. Saúde e Sociedade.8% 2. hoje correspondem a 70%. 72-75. São Luís e Alto Rio Negro. é obrigada a lidar com as (2. In Povos Indígenas no Brasil 2000-2005. há uma grande coleta e tratamento de esgoto. detalhe?id=2611 ao fixar-se na periferia das cidades. Muitos busca de instrução formal e renda. O órgão afirma ter à beira de um igarapé que deságua no mesmo Rio Negro. 237-243. 33.6% (veja tabela). Pg. Vol.8% 27. Pará 58% 4. enquanto Relatório de pesquisa. 2007. a ocupação desordenada.1 elas.7 rede de esgoto e só uma parte dos dejetos coletados é Demográfico e Sanitário da cidade milhões para mais de 16. inúmeros povos absolutos. Jan/abr.5 Foto Maranhão 81. 27% não Roraima 97. os moradores urbanos 1 Internações Entre outras razões.2% 15% 660. Em números População urbana População urbana hospitalares por em regiões distantes.4% 485.9 2008. 2005. 8. Leandro Luiz Giatti.5 Tocantins 93. 8) Instituto Brasileiro de mesmas dificuldades enfrentadas pelos migrantes pobres Ao contrário do que pode parecer. Instituto Socioambiental (ISA). De qualquer forma.3% 20.4 tem vinculação com a qualidade da água consumida por com instalações sanitárias. vindos do campo. mais de 90% Saneamento Básico entre as condições sanitárias das cidades e das TIs.5% do total e o inchaço urbano. Maranhão. 7. absolutos.1% 495. 16. só 13% dos Nº 1.3% das É alto o número de internações por doenças relacionadas a Rondônia 51. Entre 1970 e 2000. apenas 12 contam com o serviço). Há 40 abastecimento e saúde pública: um anos. A Amazônia urbanizada hospitalares a 2008. poluição e biodiversidade Como indica o mapa. nenhuma aldeia tinha rede de esgoto na Amazônia (no do Rio Negro sem tratamento.8 milhões de tratada. no Mato Grosso e em Rondônia.2% 15. 6 Rondônia e Pará são atendidos por rede de água.8 índios já convivem com lixo acumulado.2 Muitos foram para a cidade em (por 100 mil hab) de saneamento básico que afligem os brasileiros. Legal representavam 35. é o mais indígena dos municípios populacional”. um “vazio quase 20% dela concentra-se em Manaus. disseminação de doenças e impactos na fauna. In Ciência Hoje.7 beto ricardo/isa (4) Reflexões sobre água de intenso quanto o do resto do Brasil. por exemplo. Vol. Cachoeira é um retrato fiel do que ocorreu na Amazônia. Mapa-pôster. http://www.socioambiental. Maio de 2003.346 para 12. Nº 193. A falta de moradia é um problema Faculdade de Saúde Pública / USP.5% têm entre Socioambiental (ISA). Em média. esse contingente multiplicou. Instituto já passa dos 24 milhões de habitantes de 1% deles tem mais de 250 mil habitantes.5% 4.2% 12. 6. habitantes hoje. os moradores urbanos da Amazônia A expansão dos serviços públicos não acompanhou estudo de caso na Amazônia Brasileira. extremo predominantemente rural e pouco habitada. se mais de seis vezes.

NOTA: foi incluída nos limites da Amazônia Legal toda a extensão dos municípios do Maranhão pertencentes a ela. 2009.urbanização e saneamento capitais municipais por população Oceano Atlântico FONTE: IBGE. Oceano Pacífico Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 45 .

como a rodovia desflorestamento e água. concentram-se em sua região sul. no Filho. Bibliografia do Pará. Trata-se de uma região de forte podem ser consideradas um pouco a Bacia do Rio Xingu abriga um dos expansão da fronteira agrícola mais protegidas do avanço da mais importantes corredores de Terras Indígenas do mundo. Para indicar os maiores perigos para as em Rondônia e no oeste do Mato Grosso. nos afluentes da rede hidrográfica onde elas estão localizadas. Amazonas e no Acre. o geográfica e hidrográfica estratégica. está prevista a vias de acesso. Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 46 áreas de tensão Um resumo das pressões e ameaças às TIs O s povos indígenas da Amazônia dependem com pressões originadas sobretudo do desmatamento. 18. do bioma. de desmatamentos macrobacias. Madeira. O estado abriga as O mapa apresenta uma classificação das macrobacias conjunto formado pelas macrobacias dos rios Madeira. Hoje comuns indica as sub-regiões mais diretamente afetadas por esses nessas três macrobacias. até a dos rios Purus e Juruá. margem direita do Amazonas. representado por desde suas cabeceiras. amazônicas segundo o grau das pressões e ameaças a que e Xingu abriga as maiores áreas desflorestadas da Amazônia. O Mato Grosso tem posição Bastante pressionado do ponto de vista socioambiental. na seja dos rios e do lençol freático. portanto. e da atividade madeireira. O indicador usado para a classificação foi a Embora a área desmatada total seja diferente nas três o futuro dos povos que neles habitam – depende da gestão presença de atividades de mineração. no oeste foto foz no Rio Amazonas. As outras ameaças. diretamente da água disponível em suas terras. Belo Monte. A macrobacia do Rio Madeira por mais desmatamentos no sul do está em situação parecida. Arnaldo Carneiro construção da maior hidrelétrica BR-319 (Manaus-Porto Velho). A recuperação ou abertura de novas Os dados para elaboração deste texto foram retirados de: Amazônia. onde existem poucas todos os tipos de pressões e áreas ainda a ser abertas. hidrelétricas e hidrovias. de ter consequências que se propagam no tempo e no espaço. da Amazônia. A mancha razurada em cinza é de agravamento das pressões nessas regiões. Pg. como o assoreamento. pelas infraestrutura incluídas no PAC: as rodovias BR-319 e BR-163. mas o Mato Grosso é responsável realizados nos últimos três anos e das principais obras de Isto é. Como destacado no mapa da p. com grande presença macrobacias possuem grau baixo ou de desmatamento e estradas. humano. com impactos nos As maiores pressões e ameaças sobre o Bioma Amazônico. 40. A saúde de seus ecossistemas – e estão expostas. até agora Bastante pressionada e ameaçada. a de desmatamento desde os anos pedro martinelli/isa Bacia do Xingu concentra 1970. Portanto. a tendência de grandes quantidades de agrotóxicos em suas lavouras. TIs na região. Nº 239. ou porque o peixe ainda é uma de suas principais (RO) podem provocar uma proliferação de novas hidrelétricas fontes de alimento. considerarmos que a expansão do “arco do desmatamento” maiores taxas de queimadas e incêndios florestais e pelo uso linhas de transmissão. médio de pressão. Tapajós cabeceiras mais importantes desses afluentes: Araguaia. entanto. a retirada da cobertura florestal e As macrobacias do Tocantins e Araguaia estão localizadas mesmos vetores. Javier Tomasella e Ralph Trancoso. portanto. é preciso avaliar as condições da ecossistemas e povos indígenas locais. 30-37. Se por quase a metade do desflorestamento da Amazônia. elas estão perdendo florestas no mesmo ritmo. suas taxas de desmatamento são semelhantes. de desflorestamento menores na 163 (Cuiabá-Santarém) e no sul comparação com outros locais. Também no Rio Xingu. no Pará. no ameaças pontuais. em Altamira (PA). Tapajós e Xingu. a consequente degradação das cabeceiras dos rios podem em regiões onde a fronteira agrícola já é consolidada e que conviveram com altas taxas Assinalada em vermelho. em fronteira agrícola e apresentam taxas especial ao longo da rodovia BR. usinas hidrelétricas e hidrovias (não aumenta a demanda por obras de infraestrutura. para consumo as linhas de transmissão das usinas de Santo Antônio e Jirau qualidade e na vazão da água. nessa ordem de importância). ambiental dessas regiões. por exemplo. . pode aumentar as pressões In Ciência Hoje. Julho de 2007. As macrobacias nordeste do Mato Grosso. alterações no ciclo hidrológico. Rio Xingu. Vol.

NOTA: incluindo os limites hidrográficos das bacias consideradas parcialmente amazônicas. 2009.áreas de tensão classificação das macrobacias amazônicas por pressões e ameaças Oceano Atlântico FONTE: ISA. Oceano Pacífico Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira 47 .

FSC Impressão Pancrom Tiragem 3 mil exemplares .