CABRAL, Mara Aparecida Alves. Prevenção da violência conjugal contra a mulher. Ciênc.

saúde coletiva, Rio
de Janeiro, v. 4, n. 1, 1999 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-
81231999000100016&lng=en&nrm=iso>. access on 02 May 2010. doi: 10.1590/S1413-81231999000100016.

Resumo: Prevenção da violência conjugal contra a mulher
A violência do homem contra a mulher, vivendo em regime conjugal, é um problema
psicossocial e jurídico muito importante, pois suas consequências afetam também a família
dos envolvidos, a economia do país e a sociedade. A violência conjugal ocorre em todos os
níveis sócio-econômicos, predominando nos de baixa renda, pois as dificuldade financeiras e
a miséria favorecem o clima de instabilidade no humor, exacerbando a agressividade. Foi a
partir das lutas feministas (contra os crimes da paixão), que começou em nosso país, a
conscientização de que a violência contra a mulher é absurda e deve ser erradicada. Essa
conscientização junto aos meios de comunicação e à sociedade, abordavam o tema como um
problema social e de saúde pública, mostrando suas consequências psicofísicas. Com isso
conseguiu-se junto ao Estado, a criação de órgãos específicos de combate a este tipo de
violência, e a criação da Delegacias especializadas em atendimento de mulheres agredidas.
Sabe-se que desde a idade média os maus tratos às mulheres eram tolerados e enaltecidos. No
Brasil da época colonial, era permitido aos maridos “emendarem” suas companheiras através
do uso da chibata. Percebe-se então que a agressão física às mulheres fazem parte das raízes
culturais, trazidas pelos colonizadores Europeus e reforçada pelo positivismo de Auguste
Comte, no qual a mulher deveria ser submissa, altruísta e desprovida de desejo sexual,
cuidando exclusivamente dos afazeres domésticos. Sabe-se que um grande número de
agressões ocorre quando a mulher decide trabalhar fora ou manifestam pontos de vista
diferentes de seus maridos. Dados demonstram que 23% das mulheres brasileiras estão
sujeitas à violência doméstica segundo a Sociedade Mundial de Vitimologia, sediada na
Holanda. E 40% dos homens que espancam suas esposas são violentos com seus filhos; um
terço destas crianças vão reproduzir a agressividade contra si e os outros quando crescerem.
Estatísticas revelam que em 1997, no Rio de Janeiro, registraram-se 5.098 ocorrências de
violência doméstica por mês, ou seja, 170 novos casos por dia e segundo relatório do
Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, estes dados só vem aumentando. Em campinas,
São Paulo, o Grupo Ação Mulher e Família registrou no ano de 1998 até o mês de setembro
177,2 casos de violência contra a mulher por mês. Estas ocorrências se refletem no sistema de
saúde pública e na economia dos países. Acredita-se que um em cada cinco dias de
absenteísmo no trabalho feminino, decorre da violência doméstica. Ela custa a países
desenvolvidos como o Canadá 1,6 bilhão de dólares ano, somando-se os gastos com
atendimento médico e queda de produtividade. O que favorece a agressão do homem contra a
mulher e vice e versa? Dentre os aspectos biológicos, além da predisposição genética e do
temperamento violento, pesquisas tem associado a agressividade e a violência a uma
desregulação no sistema límbico. Também a atuação de alguns hormônios como a testosterona
no homem, e o estrógeno e progestágenos na mulher, parecem ter importância nas alterações
de humor. Quanto aos aspectos psicológicos ressalta-se a importância do ambiente familiar no
equilíbrio no comportamento de crianças e adolescentes, portanto dos futuros adultos. Dentre
os aspectos psicossocias, a pobreza destaca-se, embora tenham sido registradas violência em
todas as classes sociais. Sendo assim,a violência traz consequências que podem ser dramáticas
à saúde psicofísica dos envolvidos. Na maioria das mulheres vítimas de violência doméstica,
destacamos sinais e sintomas depressivos, ansiosos, perturbações do sono, transtornos
alimentares, fobias, dificuldades sexuais, manifestações psicossomáticas. Ressalta-se também
maior incidência de alcoolismo, tabagismo e abuso de calmantes entre essas mulheres.