81.

Qualquer que seja a disposição do espírito, produzida por uma das três qualidades, que
um homem realiza um determinado ato, ele colhe o seu fruto num corpo dotado, desta
qualidade.
82. A retribuição devida aos atos vos foi revelada inteiramente; conheci agora estes atos de
um Brâmane, são estes atos que podem levá-lo a felicidade eterna (Nihsreyasa).
83. Estudar e compreender os Vedas, praticar a devoção austera, conhecer Deus (Brama),
dominar os órgãos dos sentidos, não fazer mal e honrar seu mestre espiritual, são as
principais obras que conduzem a bem-aventurança final.
84. Porém, entre todos estes atos virtuosos, realizados neste mundo, disseram os Santos, há
um ato que tenha mais poder que todos os outros para levar a felicidade suprema?
85. De todos estes deveres, respondeu Bhrigú, o principal é adquirir, por meio do estudo dos
Upanichads, o conhecimento da alma (Atmâ) suprema, é a primeira de todas as ciências;
por ela, com efeito, adquire-se a imortalidade.
86. Assim é! Entre estes seis deveres, o estudo dos Vedas, com o fim de conhecer a Alma
Suprema (Paramâtmâ) é considerado como o mais eficaz para alcançar a felicidade tanto
neste mundo como no outro.
87. Já que nesta obra do estudo dos Vedas e na adoração da alma suprema, estão
inteiramente compreendidas todas as regras da boa conduta, enumeradas acima por ordem.
88. O culto prescrito pelos Livros Santos é de duas espécies: uma, em relação com este
mundo e trazendo gozos, como, por exemplo, os do Paraíso; outra, separada das coisas do
mundo e que leva à felicidade suprema.
89. Um ato piedoso, procedente da esperança de obter proveito neste mundo, como por
exemplo, um sacrifício para fazer chover, ou na outra vida, como uma oblação feita com o
fim de ser recompensado depois da morte, é considerado estar preso a este mundo; porém,
aquele que é desinteressado, e dirigido pelo conhecimento do Ser Divino (Brahma), é
considerado desvinculado deste mundo.
90. O homem que realiza frequentemente atos religiosos interessados, chega a classe dos
deuses (Devas); porém aquele que realiza a miúdo obras piedosas desinteressadas, se
despoja para sempre dos cinco elementos e obtém a libertação dos laços do corpo.
91. Vendo igualmente a alma suprema que está em todos os seres, todos os seres estão
igualmente na alma suprema, quando oferece sua alma em sacrifício, identifica-se com o ser
que brilha com sua própria luz.
92. Embora negligencie os ritos religiosos prescritos pelos Sâstras, o Brâmane deve com
perseverança meditar na Alma suprema, vencer seus sentidos e repetir os Textos Santos.
93. Aqui radica a vantagem do segundo nascimento, principalmente para o Brâmane; pois o
Dwidja, cumprindo este dever, obtém a realização de todos os seus desejos, e não de outra
forma.
94. O Veda é um olho eterno para os Manes (Pitris), os Deuses e os homens; o Livro Santo
não pode ter sido feito pelos mortais, e não é suscetível de ser medido pela razão humana.
95. Os compêndios de leis que não são baseadas nos Vedas, assim como todo sistema
heterodoxo de