A clarividência magnética do paciente do Sr.

Bouvier não pode explicar o aparecimento
desta religiosa, que nunca conheceu na terra; pois, o exercício desta faculdade sempre tem
sua razão de ser numa certa relação entre as partes interessadas. Se pois podemos admitir
que a irmã do paciente seja a causa indireta da previsão, a intervenção da religiosa é
inexplicável, a não ser pela sua intenção de retomar um organismo terrestre. No segundo
exemplo, não existe nenhum laço entre o sonâmbulo e os pais da criança; o espírito que se
reencarnou é realmente o autor do fenômeno, pois o paciente não é espiritista e não podia
autossugestionar-se neste ponto da mesma forma que não podia receber sugestão do Sr.
Bouvier que estava longe de esperar estes acontecimentos.
O príncipe Emílio de V..., na data de 18 de dezembro de 1874, escrevia em Vevey, na
Suíça, à Revista Espirita para lhes explicar um caso interessante, relativo à reencarnação;
tratava-se do seu segundo filho, de 3 anos de idade: que, pouco tempo antes do seu
nascimento, os espíritos tinham anunciado que esta criança devia ter grandes dons
mediúnicos, pois na sua última existência, que tinha acontecido na Inglaterra, teria ocupado
em desenvolver estes poderes pela prática da magia e da astrologia, e teria abusado delas, o
que o fizera perecer miseravelmente. “Há algumas semanas, diz o príncipe, a criança estava
brincando e tagarelando no meu gabinete, quando ouço-a falar da Inglaterra de que, sem eu
o saber, ninguém lhe tinha dito coisa alguma. Presto atenção e lhe pergunto o que é a
Inglaterra? Ele me responde: Oh! sim, é um país onde estive, há muito tempo.
P. — Eras pequeno como agora?
R. — Oh, não, era maior que você e tinha uma longa barba.
P. — Porventura lá estávamos mamãe e eu?
R. — Não, tinha um outro papai e outra mamãe.
P. — E que fazias lá?
R. — Brincava muito com fogo, e, uma vez me queimei tanto que morri.
Poderia talvez ver-se, nesta narração ingênua, uma transmissão inconsciente do pensamento
do pai ao filho, porém as respostas da criança parecem claramente emanar da sua própria
inteligência que parece ter-se despertado momentaneamente para desaparecer depois, como
acontece muitas vezes em circunstâncias semelhantes. Querendo apoiar a teoria da
reencarnação por sólidas provas experimentais, os jornais espíritas Franceses abriram um
inquérito sobre os fenômenos que se refere a esta ordem de ideias. Desde o 1. ° de janeiro
deste ano, verifica-se que os testemunhos chegam em maior número do que se esperava.
Reproduzi, no número de Abril da “Revista Científica e Moral do Espiritismo”, um
processo verbal feito em Lyon, conforme o qual um médium em encarnações predisse o
nascimento de uma criança do sexo feminino, que devia, em consequência das
circunstâncias pertencentes à sua vida passada, ter uma cicatriz na fronte. Nasceu
efetivamente uma menina com o sinal anunciado.
O “Progresso Espirita”, nos seus números de 5 de Fevereiro e 20 de Março de 1898, cita
três atestados que seria muito extenso reproduzir integralmente, porém demonstram que os
espíritos voltam à terra. Não se trata aqui de sonambulismo, mas sim de médiuns tiptólogos
ou escritores, de modo que a clarividência não tem de intervir na explicação, a menos que
seja atribuída aos espíritos desencarnados. Porém, então, apresenta-se uma outra
dificuldade; é preciso supor que estes seres invisíveis nos enganam voluntariamente, que
mentem conscientemente para sustentar um erro? Esta conjectura não me parece razoável
quando se trata de espíritos que deram provas, em muitas circunstâncias, de altas qualidades
morais e prefiro admitir o que anunciam e o que se verifica, antes que crer num subterfúgio
universal e inverossímil. Chego a um gênero de provas que poderia ser muito discutido,
porém que razoavelmente não podemos deixar em silêncio, já que cinco de cada dez
espíritas que admitem a reencarnação, só chegaram a esta conclusão pelas afirmações dos
seus guias.
Espíritos que afirmam ter vivido várias vezes na Terra