Podemos fazer a objeção, contra este tipo de provas, que todos os espíritos que se

manifestam não se lembram de uma vida anterior à última; porém se levarmos em
consideração que o despertar das recordações está em relação com um certo grau vibratório
do períspirito, e que este está ligado ao desenvolvimento espiritual do ser,
compreenderemos facilmente que, a média dos homens desencarnados sendo de uma
moralidade inferior, seu períspirito ainda grosseiro não possa ressuscitar diante da vista
interna o panorama das suas existências passadas. Porém, assim como é possível renovar
integralmente a memória em certos pacientes sonambúlicos, da mesma forma, Espíritos
superiores que possuem um poder magnético, proporcional ao seu grau de evolução moral,
têm o poder suficiente para, quando necessário, despertar as recordações latentes.
Contentar-me-ei em citar um exemplo deste gênero, extraído da Revista Espírita de 1866
(pág. 175 e seg.) porque parece confirmar a opinião emitida acima. Trata-se do espírito de
um médico muito estimado, o Dr. Cailleux; refere, por intermédio do médium Morin, que,
embora tivesse saído desde há muito do estado de perturbação, achou-se um dia num estado
semelhante a uma espécie de sono lúcido. E disse: “Quando meu espírito sofreu uma
espécie de entorpecimento, era, por assim dizer, magnetizado pelo fluido dos meus amigos
espirituais; devia resultar daí uma satisfação moral que, dizem eles, é minha recompensa e,
além disso, uma animação para prosseguir no caminho seguido pelo meu espírito desde há
um bom número de existências, estava, pois, adormecido por um sono magnético-espiritual,
vi o passado formar-se num presente fictício; reconheci individualidades desaparecidas nos
tempos ou antes que tinham sido o mesmo indivíduo. Vi um ser começar uma obra médica;
um outro, mais tarde, continuar a obra deixada, esboçada pelo primeiro, e assim por diante.
Cheguei a ver em menos tempo do que o empregado para dizer-vos, de idade em idade,
formar-se, crescer e tomar-se ciência, o que, no princípio não era mais que os primeiros
ensaios de um cérebro ocupado em estudos para alívio da humanidade sofredora. Vi tudo
isto, e, quando cheguei ao último destes seres que, sucessivamente, tinham trazido um
suplemento à obra, então, reconheci a mim mesmo. Aí, tudo desapareceu, e tornei-me o
espírito ainda em atraso deste vosso pobre doutor”.
Ver-se-á nesta narração uma alucinação espiritual da alma do Dr. Cailleux? É possível,
embora improvável, pois os espíritos avançados não enganam, da mesma forma que não o
fazem neste mundo as pessoas de bem. Não se trata, neste exemplo, nem de experiências
nem de investigações tentadas pelos seus guias; mostra-se ao espírito, por uma introspecção
que lhe permite escavar conscientemente as camadas profundas do seu ser. Se refletirmos
que isto foi obtido há 32 anos, quando era ignorado o meio de produzir a ressurreição das
antigas lembranças, pelo hipnotismo ou o magnetismo, poderá talvez ser vista neste fato
uma analogia favorável à crença nas vidas sucessivas.
FIM