PARECERES EXCLUSÃO DE SÓCIO DAS SOCIEDADES

COMERCIAIS

PARECERES EXCLUSÃO DE SÓCIO DAS SOCIEDADES COMERCIAIS
Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais | vol. 55/2012 | p. 419 - 427 | Jan - Mar / 2012
DTR012464

Miguel Reale

Área do Direito: Comercial/Empresarial
Sumário:

1. O problema1 da exclusão de sócio das sociedades mercantis tem evoluído, nos diversos Países,
de uma situação que poderíamos considerar contratual para outra de tipo institucional.

De início, a questão foi posta em termos de mera estipulação entre os sócios, ou, mais
precisamente, em função do interesse dos sócios contratantes, entendendo-se que devia prevalecer,
nas decisões, a vontade da maioria.

Em época de franco predomínio individualista, assim foi entendido, por várias décadas, apesar de o
art. 339 do nosso Código Comercial ter previsto duas hipóteses: a do sócio que se despede e a do
que “for despedido com causa justificada” (“sic”), cabendo à sociedade, em ambos os casos, o
“direito de reter os fundos e interesses do sócio”, “até se liquidarem todas as negociações pendentes
que houverem sido intentadas antes da despedida”.

Como se depreende do texto legal ora examinado, a possibilidade de exclusão de sócio ficava
apenas na dependência de causa justificada, tendo surgido, entre os juristas, como veremos,
divergência quanto à necessidade ou não de cláusula expressa no contrato prevendo ou
disciplinando a hipótese da despedida.

2. Outro ponto que merece desde logo ser destacado não se refere ao direito material, isto é, às
hipóteses de exclusão, mas sim à forma de seu procedimento.

Duas posições foram assumidas pela doutrina e a jurisprudência no tocante ao assunto, a saber:

a) competência originária do Registro do Comércio para tomar conhecimento da despedida,
ressalvado ao excluído o direito de pleitear em Juízo a anulação do ato;

b) competência do Poder Judiciário, quer para a decretação originária da exclusão, quer para
contrastear o ato administrativo, verificando a sua legitimidade.

A primeira orientação foi a que veio a prevalecer, por exemplo, no direito italiano, à vista da
disposição expressa do art. 2.287 do Código Civil (LGL00200) de 1942, tendo predominado
também no direito pátrio, muito embora sem que tivesse havido expresso repúdio da manifestação
originária do Judiciário, questão esta que, após a Constituição Federal de 1946, como o
demonstraremos oportunamente, deve ser posta em novos termos.

Não é demais salientar que, acorde com o direito italiano, se a sociedade é composta de dois sócios,
a exclusão somente se pode fazer em Juízo, por iniciativa de um deles (cf. Waldemar Ferreira,
Tratado de Direito Comercial, São Paulo, 1961, vol. III, pág. 165).

3. Antes de apreciar as discrepâncias doutrinárias mais significativas, a que aludi, cabe lembrar que
a vigência da Lei das Sociedades por Quota de Responsabilidade Limitada – Decreto n. 3.708, de 10
de janeiro de 1919 –, com o disposto no art. 15, veio colocar o problema da exclusão de sócio sob
outro prisma.

De conformidade com o citado preceito,

“assiste aos sócios que divergirem da alteração do contrato social a faculdade de se retirarem da
sociedade, obtendo o reembolso da quantia correspondente ao seu capital, na proporção do último
balanço aprovado. Ficam, porém, obrigados às prestações correspondentes às quotas respectivas
na parte em que essas prestações forem necessárias para pagamento das obrigações contraídas,
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e não o caso diverso de exclusão de sócio pleiteada originariamente em Juízo. e Razões da Apelação n. cujas decisões ficam sujeitas à posterior contrastação do Judiciário. dele excluindo o sócio considerado incompatível com os negócios sociais. com a ampla garantia assegurada pelo processo contraditório. uma vez que seria muito difícil. § 4. 27.º. 1958. com a amplitude e as garantias inerentes a esta. não é aceitável também a opinião daqueles que exigem. advertir que essa minha opinião foi expendida tendo em vista o procedimento administrativo do registro contratual pelas Juntas Comerciais. se especifiquem. em maioria.). à luz dos princípios gerais de direito. b) cláusula expressa no contrato (cf. dos Tribunais.. a fim de não transformar em benefício pessoal o que só deve existir em função da sociedade. sustentei serem necessários. enquanto prevaleceu o entendimento de que cabia. em havendo cláusula expressa no contrato configurando justa causa. nada justifica que se exija cláusula expressa no contrato: o que interessa.º. § 4. Ora. A sociedade mercantil deve existir em caráter permanente. São Paulo. consoante afirmação de Waldemar Ferreira (ob. à vista dessa disposição que. 339 do Código Comercial.. teriam os sócios. Já é bem outra a questão quando a sociedade e os sócios ingressam diretamente em Juízo. de forma que se deve afastar tudo que for capaz de lhe tolher o funcionamento. de aduzir e contestar razões de fato e de direito. da Capital. se não é possível permitir o arbítrio de um ou mais sócios. no seu início. não havendo sequer necessidade de indagar-se de justa causa. por uma razão de prudência. em seu art. o poder de reformar o contrato. págs. Página 2 . os casos em que a sociedade pode lançar mão desta faculdade. PARECERES EXCLUSÃO DE SÓCIO DAS SOCIEDADES COMERCIAIS até à data do registro definitivo da modificação do estatuto social”. vol. Rio. na qualidade de membro do “Conselho Administrativo do Estado” – a propósito de recurso interposto contra ato do Interventor Federal. pois tal solução não se coadunaria com os interesses sociais. ao contrário do direito italiano. ficando a questão “ao alvedrio dos sócios”. 277 e segs. Muito embora com ligeira ressalva. que ordenara à Junta Comercial que registrasse um contrato sem a assinatura de um sócio. 164. em se tratando de sociedade de responsabilidade limitada. excluído pelos demais –. 2. em última análise.). Por isto mesmo. não há como excluir-se a possibilidade de ser pleiteada aquela medida através de ação judicial. como órgão administrativo. págs. Cabe. 459. com as mesmas palavras. 141. pouco importando a mudança de seus elementos componentes. ao Registro do Comércio. Entendeu-se. a cláusula que sujeita a exclusão de um sócio ao arbítrio dos demais. pareceu-me. na Rev. a apreciação das resoluções das empresas concernentes à exclusão de seus sócios. consagrou o princípio fundamental de que “A lei não poderá excluir da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão de direito individual”. 279 e segs. 153. dois requisitos concomitantes para despedida de um sócio: a) justa causa. por iniciativa dos demais. no contrato. sobretudo depois que a Constituição de 1946. 4.684.ª ed. que somente seria admissível a despedida de um sócio. para exclusão do sócio. com fundamento no citado art. Manifestando-me sobre o assunto. Instaurado o litígio perante o juiz. O instituto da exclusão de sócios existe em razão da sociedade e não em benefício daqueles. O mesmo princípio é repetido. 162. todavia. Se o direito pátrio. e em meu Livro Nos Quadrantes do Direito Positivo. prever todas as hipóteses de incompatibilidade entre os sócios” (A Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada. pág. da Constituição de 1969. o qual só exige o pressuposto da justa causa. originariamente. pág. cit. 248 “usque” 256). se a nossa legislação é omissa no tocante ao procedimento de despedida de sócio. meu Parecer inserto na Rev. em 1944. também Carlos Fulgêncio da Cunha Peixoto declara não lhe parecer “inadmissível. págs. em tal caso. não exige o pronunciamento prévio dos órgãos administrativos. 150. é a comprovada existência de justa causa legitimadora da exclusão. no art. dos Tribunais. tendo as partes pleno direito de produzir provas.

quando a sociedade for composta de apenas dois sócios. para a sua atualização. É por esses motivos que a mais recente doutrina. S’il y a de justes motifs. encore que les statuts ne prévoient point le cas ou qu’ils continnent des dispositions contraires”. entende “que o direito de exclusão é inerente à natureza do contrato de sociedade. J. imperativamente. aceitam que a criação e desenvolvimento de uma empresa não é questão que possa deixar-se na livre disposição das vontades privadas. a lei italiana que a propositura de ação se impõe. o ato de exclusão é.. 685. porquanto nos previne contra o equívoco de pensar-se que o afastamento de um sócio só pode ocorrer por ato da maioria. págs. ao qual fica sempre reservado o direito de fazer apreciar em tribunal a justiça da medida tomada em relação a ele” (ob. e. 685 do Código de Obrigações suíço. o que nada tem de injusto ou violento. como se vê. Na realidade. O que se quer preservar. Segundo esse monografista português. (. desde que se configure justa causa. um progresso jurídico traduzido na superação da linha tradicional de valoração individualista do interesse dos sócios e na afirmação do valor da empresa em si. Partindo dessa premissa A. a rigor. cit. Dispõe. com a necessidade conseqüente de defender a sua continuidade” (O Direito de Exclusão de Sócios nas Sociedades Comerciais. 53 e 307). pois tal acontecerá quando exista um motivo grave que justifique a exclusão do sócio em causa. Muito embora não chegue a tal ponto. Enneccerus-Kipp e Leonhard. “Art. do princípio constitucional da universalidade da jurisdição e dos princípios gerais de direito. por exemplo. consoante tem sido reiteradamente firmado na doutrina e na jurisprudência. l’exclusion d’un societaire peut être prononcée par le juge sur la demande d’un quelconque des autres societaires. Este ponto é de grande importância. 16 e 17). PARECERES EXCLUSÃO DE SÓCIO DAS SOCIEDADES COMERCIAIS Nesse sentido. A. pág. na história das sociedades comerciais. escreve. mas sim um bem econômico que está prestando serviços à coletividade. Avelãs Nunes.. até mesmo quando o contrato vede aquela providência.) A possibilidade de exclusão de sócios representa. não podendo a sociedade ser desprovida de tal direito. que resulte provada a existência de justa causa. 6. equivale.. 1968. mais ainda. 53). visto como se dá apenas e tão-somente com Página 3 . parece-me incontestável que. J. indo além da tese por mim ainda esposada em 1944 (a de que a exclusão é determinada pelo interesse da sociedade). mesmo no silêncio do contrato. até mesmo por decisão da minoria ou quando houver apenas dois sócios. cuja presença se tornou conflitante com os interesses e o desenvolvimento da empresa. A possibilidade de exclusão de sócio. majoritários ou não. absoluto. mesmo no silêncio do estatuto. Coimbra. como vimos. revelar qual a “ratio juris” do instituto. em benefício de cuja continuidade o instituto foi elaborado. haja ou não cláusula contratual. págs. “Mesmo os teóricos do neoliberalismo. o direito de exclusão é um direito de defesa da sociedade contra quem põe em perigo a sua estrutura econômica (consoante o afirmam Vivante e Brunetti). a uma dissolução parcial antecipada da sociedade. mas dissolução “sui generis”. se a iniciativa é de um ou mais sócios. proclama que o sujeito real da relação e o fulcro determinando do ato de exclusão é a empresa como tal. O direito suíço é. visto como. mesmo na falta de uma explícita concessão legal do direito de exclusão” (ob. com a despedida de um sócio. cit. É o que deflui. por assim dizer. 5. vem. razão pela qual “nas sociedades por quotas um sócio maioritário pode ser excluído por voto da minoria. desde logo. da sociedade. em consonância com os objetivos sociais visados. Avelãs Nunes. ou uma “aplicação do princípio conservativo da empresa” (Innocenti). cabe invocar o disposto no art. a despedida pode ser judicialmente decretada. em se tratando de exclusão pleiteada em Juízo basta. não é o puro querer dos sócios. com apoio em ensinamento de Mossa. o qual. de outro lado.

il che del resto la legge stessa fa direttamente con opportuni richiami a norme generali in materia. requerida em Juízo. nas épocas e modos devidos. a prazo de duração. isto é. como detentora dos direitos e obrigações sociais” (Rev. que poderá equiparar-se à anterior. Este ponto é de singular importância para o objeto da presente Consulta. 249). 53). pág. pois em tal hipótese essa só se verifica para o sócio que se retira. em geral os tratadistas se limitam a discriminar algumas hipóteses mais significativas. Este é um exemplo típico de que. mas sem mudança da personalidade jurídica. se caracterizam como sendo motivos justos e bastantes para a eliminação. com irreparável dano para a empresa e a coletividade. embora sujeitos a termos. 7. podemos dizer que. Página 4 . un rapporto che è suscettibile di arricchirsi con il volgere del tempo anche per effetto di elementi nuovi. que põem em realce a natureza especial dos contratos de sociedades que. aquele que deixa de entrar para o fundo social com as cotas e contingentes com que se obrigou (Lei n. nesta matéria de exclusão de sócio. Há. Valdemar Ferreira frisa: “Não a dissolve a exclusão do sócio: ela continua como se constituíra. 1960. parece-me de grande alcance a disposição dos arts. ou como a exclusão exija. di cui alcuni estranei alla comune volontà contrattuale” (Rivista di Diritto Civile. deixou o assunto a critério do intérprete. ao invés de dissolver-se a sociedade. Tratando do mesmo assunto. pág. não pretendem eles esgotar a matéria. de 10-1-1919. A estrutura social. acorde com a doutrina e a jurisprudência.708. 1ª ed. pois se refere à hipótese particular de recusa de contribuição expressamente estipulada no contrato social. A redação de nossa lei (combinação desse dispositivo com o do art. os casos configurados em lei. 289 do Código Comercial) é sabiamente genérica.º). porém. per cui una volta fissata la volontà contrattuale il rapporto che ad essa consegue è per così dire fissato anch’esso e almeno relativamente immutabile. Ciò avvicina la società agli altri contratti e rende a questa applicabili i principi generali in materia di contratti. merecendo ser lembradas estas palavras de Ernesto Simonetto. cit.. verticaliza-se no sentido do sócio responsável o dispositivo legal. segundo a qual “l’esclusione del socio non opera per sè sola lo scioglimento della società. não sem frisar que. a exclusão só requer prova de justa causa. de continuidade e progressão: “La società indubbiamente ha origine da un contratto e da questo contratto nasce un rapporto giuridico di durata. que subsiste a mesma. Rio de Janeiro. Feita essa ressalva. seja o de falta de contribuição outras (contingentes) a que se obrigou. o que deve preponderar é o valor objetivo e transpessoal da empresa. e os sócios que permanecem terão uma nova situação jurídica. Invocando a legislação italiana. Fran Martins observa: “É... Muito sabiamente o legislador pátrio. Abstração feita das hipóteses legais. ao invés de enumerar as causas de exclusão. na verdade. se modifica. Parte II. como se dá com o cotista remisso. 7. tais e tantas podem ser as modalidades de obrigações assumidas pelo sócio como seu “apport” à sociedade. 1960. mas que não é a mesma” (Sociedades por Quotas no Direito Estrangeiro e Brasileiro. Ma. 133 e 140 do Código Comercial alemão que faculta seja pedida a exclusão daquele sócio que for responsável por um ato ou fato que configure um dos casos de dissolução da sociedade. operando-se tão-somente em relação a ele a desvinculação social. lembremos as seguintes causas fundamentais: a) falta de pagamento ou amortização das cotas sociais. Tribs. Assim sendo.. pág. resta ver quais são as principais hipóteses que. 252. não podem deixar de ser examinados em seus valores dinâmicos. permanecendo a pessoa jurídica viva em relação aos demais. art. prevendo seja o caso de entrada de numerário. Cf. Assentes tais princípios e reconhecido que. mentre gli altri rapporti giuridici hanno tutti una certa staticità. assim como as previstas em lei não constituem uma enumeração taxativa. outrossim. PARECERES EXCLUSÃO DE SÓCIO DAS SOCIEDADES COMERCIAIS relação ao sócio eliminado. la società invece costituisce un rapporto in movimento continuo. 779). 3. um caso especial de dissolução. Sociedade por Quotas. pág. A esse respeito. em primeiro lugar.

para fins de uso e gozo de um bem: “Nella seconda ipotesi d’inadempimento vero e proprio dell’obbligazione del conferimento il legislatore ha disciplinato il caso di un’obbligazione a esecuzione continuativa. solenemente conferiu à sociedade. não apenas em virtude dos fatos que me foram relatados. no contrato social conferiu à sociedade. como uma das causas típicas de exclusão. mediante constituição de comodato. e) incúria e desídia do sócio administrador que recusa a colaboração devida. aos deveres sociais. 97 e segs. 1939. c) satisfação dessa obrigação de maneira irregular ou dolosa. istoPágina é. Bernard Caillaud – L’Exclusion d’un Associé dans les Societés. 152). pág. fino a che la società dura. l) interdição. i) exercício de poderes de gerência por quem não os possua. quindi. cit.. sobretudo quando envolva ofensa e injúria a um consócio.. 129 e segs. a tale suo obbligo se la cosa perisce prima del termine.A.) 8. qual’è.. Paris. constante ou reiteradamente. Dessarte. terras essas essenciais à sua atividade produtiva. por sua gravidade e natureza. rispettivamente prima della fine della società: da questo momento in poi il socio perde il diritto agli ulteriori utili e può essere escluso dal rapporto sociale” (ob. obs. conferimento) prometida pelo sócio. g) concorrência desleal à própria sociedade.. o direito de “promover a exploração agro--pecuária da Fazenda M. quella del conferimento in godimento: per effetto di essa il socio ha il dovere di assicurare alla società l’uso o il godimento della cosa fino al termine prefisso. Parecem escritas para a presente Consulta as seguintes ponderações de um dos mais abalizados monografistas da matéria. comprometer o bom nome da entidade. Pádua. se o sócio em questão. il socio contravviene. como condição de sua participação na sociedade. continuidade de desenvolvimento da empresa açucareira. págs. d) uso indevido e prejudicial dos poderes sociais por parte de quem exerça a administração da firma. A. ou se furta. Arturo Dalmartello. III. Mais ainda: até e enquanto necessária aos interesses da empresa. mas especialmente à vista dos documentos que me foram oferecidos. 1966. tendo por objeto as terras que. A. expressa e solenemente estipulado como contribuição de ambos à criação. J. de propriedade dos sócios varões”. cit. 1956. f) emprego indevido de bens da sociedade. sobretudo visando impedir o exercício da administração da empresa. págs. É pacífica a doutrina em apontar a falta de contribuição (“apport”. h) declaração de falência do sócio ilimitadamente responsável.. PARECERES EXCLUSÃO DE SÓCIO DAS SOCIEDADES COMERCIAIS b) falta de cumprimento de obrigação estipulada como contribuição para a formação e desenvolvimento da empresa. Avelãs Nunes. trata-se de afetação patrimonial insuscetível de ser interrompida até e enquanto vigente a sociedade. em benefício próprio e de terceiros. Passando a analisar o caso especial da Fazenda M. legitimando. assim. Osmida Innocenti – L’Esclusione del Socio. a título de comodato. j) contínuo embaraço dos negócios sociais. até 5 . Pádua. se non vi ha prefissione di termine. tipicamente. k) conduta irregular que possa.. o. (Cf. juntamente com um seu irmão. a sanção máxima da exclusão. m) inadimplemento da obrigação geral de colaboração. Bastaria uma delas para justificar essa grave medida: a absurda e extemporânea propositura de uma ação de divisão. Cap. apreciando o caso de uma obrigação de execução continuada. parece-me que o sócio excludendo infringiu mais de uma das normas que regem a vida societária. Arturo Dalmartello – L’Esclusione dei Soci delle Società Commerciali. ou cuja posição possa comprometer o crédito social.

Fernando Rudge Leite e Caio Mário da Silva Pereira. o sócio. longe de se manter fiel ao pactuado. Estamos perante uma hipótese de obrigação de execução continuada. Seção I – Doutrina. cujas conclusões subscrevo integralmente. mas impedir que terceiros lhe impeçam o adimplemento. PARECERES EXCLUSÃO DE SÓCIO DAS SOCIEDADES COMERCIAIS final dissolução e liquidação. 144. 1 Texto originalmente publicado na Vox Legis. 1980. ainda pendente de julgamento. propor uma ação de divisão. p. excogitou uma extemporânea doação das terras aos filhos menores. Pois bem. 93-101. mas inteiramente desprovida de qualquer senso jurídico. como tutor natural. para. Página 6 . em nome destes. cuja exclusão foi pedida. vol. depois. dez. como resulta das razões aduzidas nos Pareceres dos Professores José Frederico Marques. que ambos os sócios proprietários não só devem cumprir. Sugestões Literárias. São Paulo.