Série Estudos 1

Cadernos da Comunicação
Série Estudos

Jornalismo Esportivo
Os craques da emoção

Secretaria Especial de Comunicação Social
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro

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Preto

2 Cadernos da Comunicação

Agradecemos a todos os jornalistas e professores que,
com seus depoimentos, possibilitaram uma reflexão sobre
o jornalismo esportivo no Brasil.
Na iconografia, contamos com a valiosa colaboração
do Jornal dos Sports e seu arquivo histórico, e do nosso
companheiro Alberto Jacob que, gentilmente, cederam fo-
tos para esta edição.

Rio de Janeiro (Cidade). Secretaria Especial de Comunicação
Social.
Jornalismo esportivo : os craques da emoção / Prefeitura da
Cidade do Rio de Janeiro.— Rio de Janeiro : A Secretaria , 2004.
116 p.: — (Cadernos da Comunicação. Série Estudos; v.11)

ISSN 1676-5494

1.Jornalismo esportivo – Brasil. I. Título.

CDD 079.81

Os Cadernos da Comunicação são uma publicação da
Secretaria Especial de Comunicação Social da Prefeitura da
Cidade do Rio de Janeiro.
Setembro 2004

Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro
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Rio de Janeiro – RJ
CEP 20211-110
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Todos os direitos desta edição reservados à Prefeitura da
Cidade do Rio de Janeiro. Nenhuma parte desta publicação
pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/
ou quaisquer meios (eletrônico ou mecânico) ou arquivada
em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão
escrita da Prefeitura.

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Preto

Série Estudos 3

Secretaria Especial de Comunicação Social
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro

Secretária Especial de Comunicação Social
Ágata Messina

CADERNOS DA COMUNICAÇÃO
Série Estudos

Comissão Editorial
Ágata Messina
Helena Duque
Leonel Kaz
Regina Stela Braga

Edição
Regina Stela Braga

Redação e pesquisa
Andrea Coelho

Revisão
Alexandre José de Paula Santos

Projeto gráfico e diagramação
Marco Augusto Macedo

Capa
Carlos Amaral/SEPE
Marco Augusto Macedo

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Correio da Manhã – Compromisso com a verdade 2 .Rio de Janeiro: As Primeiras Reportagens – Relatos do século XVI 3 .New Journalism – A reportagem como criação literária 8 . Justiça e Verdade 5 .A Cultura como Notícia no Jornalismo Brasileiro 9 .O Cruzeiro – A maior e melhor revista da América Latina 4 .Getulio Vargas e a Imprensa Série Estudos 1 .Diário Carioca – O máximo de jornal no mínimo de espaço 10 . Capital da Controvérsia – A construção.A Indústria dos Quadrinhos miolo finalizado.Verão de 1930-31: Tempo quente nos jornais do Rio 9 .Manual de Radiojornalismo 7 .Para um Manual de Redação do Jornalismo On-Line 2 .Brasília. a mudança e a imprensa 6 .Jornalismo. 17:00 Preto .A Imagem da Notícia – O jornalismo no cinema 10 .Reportagem Policial – Realidade e Ficção 3 .Fotojornalismo Digital no Brasil – A imagem na imprensa da era pós-fotográfica 4 . 4 Cadernos da Comunicação CADERNOS DA COMUNICAÇÃO Edições anteriores Série Memória 1 .Ultima Hora – Uma revolução na imprensa brasileira 8 .O Rádio Educativo no Brasil 7 .p65 4 22/8/2008.Um Olhar Bem-Humorado sobre o Rio nos Anos 20 6 .Mulheres em Revista – O jornalismo feminino no Brasil 5 .

Em 1928. fundado em 1930. às vezes. Os grandes jornais passaram a dedicar ao esporte cada vez mais espaço. devido à cor das suas páginas. Série Estudos 5 O primeiro jornal. até que. Este volume dos Cadernos da Comuni- cação. ainda no tem- po em que sequer se imaginava ver esse esporte tão britânico transforma- do numa paixão nacional. de rádio e de TV. Profissionais da imprensa escrita. usando uma linguagem dra- mática que transformava os jogadores em mito. falam da tática e da técnica necessárias para chegar ao coração dos torcedores. apresenta o mundo fascinante do jornalismo es- portivo. é aprimorado nas faculdades por meio de técnicas que ensinam como apurar e elaborar uma boa reportagem. portanto. As crônicas sobre temas relacionados ao futebol representam um ca- pítulo à parte. A partir daí. que passou a ser nacionalmente conhecido como “o cor-de-rosa”. É também na cidade do Rio de Janeiro que ainda se mantém em circulação um dos primeiros jornais exclusivamen- te dedicados ao noticiário esportivo. Mas o resulta- do final compensava o pecado. dirigi- do à colônia italiana de São Paulo e. com circulação diária. além de pro- fessores universitários. Ágata Messina Secretária de Comunicação Social miolo finalizado. no final da década de 60. 17:00 Preto . um suplemento do jornal paulista A Gazeta. tor- naram-se verdadeiras peças de literatura. convocando os leitores a formar um time de futebol. escrito em italiano. Foi justamente um aviso publicado naquele jornal. Série Estudos. que deu origem ao Palestra Italia. a dedicar parte do seu espaço ao noticiá- rio esportivo não era escrito em português. rebatizado de Palmeiras na época da II Guerra Mundial. surgia A Gazeta Esportiva. Nos jornais cariocas. o futebol também conseguiu um grande espaço.p65 5 22/8/2008. Mas a paixão continua presente. O sucesso junto ao público foi tão grande que acabou se tor- nando uma publicação independente. A paixão com que escre- viam lhes fazia cometer. Algumas. surgiu uma novidade que veio para ficar: cadernos exclusivamente dedicados ao esporte. O jornalismo esportivo. escritas por Mário Filho e Nelson Rodrigues. Tratava-se do Fanfulla. com pro- fissionais especializados no assunto. Estamos falando do Jornal do Sports. no Brasil. o pecado da imprecisão. pode-se dizer que o país passou a ter uma imprensa esportiva. hoje.

continua sem saber o final. não importa quantas vezes você o assista. 17:00 Preto . 6 Cadernos da Comunicação O esporte é o único tipo de entretenimento em que.p65 6 22/8/2008. Neil Simon. teatrólogo americano miolo finalizado.

Série Estudos 7 Sumário Introdução ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 9 Entre torcer e distorcer – Juca Kfouri ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 9 Tática ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 13 Imprensa Escrita ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 15 História de paixão – Paulo Vinicius Coelho ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 15 Um olhar feminino no Jornal dos Sports – Cristina Konder ○ ○ ○ 21 Santiago . 17:00 Preto .p65 7 22/8/2008.Segunda – Mario Filho ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 27 Aurora dos possessos – Nelson Rodrigues ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 31 A leitura é o grande Lance! – Roger Garcia ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 35 Placar .A revista para quem gosta de esporte – Sérgio Xavier ○ ○ ○ ○ ○ 41 O desafio diário de um colunista – Fernando Calazans ○ ○ ○ ○ 47 Rádio e TV ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 53 O comentarista e a liberdade de expressão – Luiz Mendes ○ ○ ○ 53 O grande show radiofônico – José Carlos Araújo ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 59 Na mesa-redonda – Sergio du Bocage ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 65 O poder das imagens – Sérgio Noronha ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 71 Em busca da emoção perdida – Teixeira Heizer ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 77 Técnica ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 83 Pequeno manual da reportagem esportiva – Luciano Victor Barros Maluly ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 85 Introdução ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 85 Pesquisa ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 89 Entrevista ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 92 Seleção de dados e elaboração do texto ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 103 Como compreender a arte de Daiane dos Santos? – Wilton Garcia ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 111 miolo finalizado.

Foto Jornal dos Sports . 21/6/1970. Pelé dribla o último adversário italiano no caminho do tri. 17:00 Preto .p65 8 22/8/2008. miolo finalizado.

p65 9 22/8/2008. é preciso ter bem claro que ambas são festas esportivas. é preciso ter bem claro que ambas são festas esportivas. Em regra. aumentam a frustração por derrotas absolutamente normais. muito mais crítica e aprofundada. com as exceções de praxe. Mas há limites e nem sempre estes são obedecidos. embora os exageros sejam demasiados. por um lado. Já a postura das TVs deixa a desejar. O jornalista esportivo brasileiro dos meios eletrônicos vive a permanente ambigüidade entre torcer e informar. Juca Kfouri* A recente cobertura dos Jogos Olímpicos revelou todas as virtu- des e algumas das mazelas da imprensa esportiva brasileira. 17:00 Preto . o que exacerba vitórias que. o comportamento da imprensa escrita ganha de goleada. Até mesmo quando a conquista é valiosa por si mesma. É a velha contradição entre torcer e distorcer. É claro que é compreensível o tom emocional das transmissões. que haja a priorização das competições que tenham atletas brasileiros e que as narrações assumam um tom nacionalis- ta. com o telespectador. não guerras. Introdução Entre torcer e distorcer Quando se cobre uma Olimpíada ou uma Copa do Mundo. por outro. diga- se desde logo. Jornalistas que saem do seu país para um evento esportivo internacional têm apenas um compromisso: com o leitor. com o ouvinte. Quando se cobre uma Olimpíada ou uma Copa do Mundo. a tendência é miolo finalizado. Se nas guerras a primeira derrotada é sempre a verdade. no esporte nada justifica a repetição do mesmo fenômeno. não falam muito ao coração do torcedor e. É natural. não guerras.

Voltando ao ufanismo de plantão. Por exemplo: exalta-se um quin- to lugar de uma nadadora brasileira com a mesma sem-cerimônia com que.p65 10 22/8/2008. 10 Cadernos da Comunicação no sentido de torná-la ainda maior. absolutamente insuficiente diante do tamanho da popula- miolo finalizado. alguém diz que “fulana ficou só (o grifo é meu) com a prata”. algo impensável em países mais avançados. Houve quem dissesse que a final contra a Itália era a decisão mais esperada dos Jogos. imediatamente. do evento) e a cobertura jornalística do mesmo momento. até dizer que o jogo encerrava as competições coletivas em Atenas houve quem dissesse. num atropelo sem fim à ética e aos bons costumes. O exagero leva às contradições. No afã de dourar uma façanha que já estava suficientemente banhada em ouro. nos quais o jornalista que fizer propaganda é. alijado do sindicato da categoria. irrefutável. o jorna- lismo sério não pode permitir que se confunda o significado de tal marca. porque tanto o handebol quanto o pólo aquático foram decididos depois da magnífica vitó- ria brasileira sobre os italianos. ao se comentar uma medalha de prata de uma atleta es- trangeira que era favorita ao ouro. Outra bobagem. entre a constatação. Já bastam aqueles que assumiram o figurino de garotos-propaganda e transforma- ram a programação dominical em verdadeiros bazares que ven- dem de cerveja a palha de aço. como no caso da medalha de ouro do vôlei masculino. de que o esporte brasileiro bateu seu recorde de medalhas de ouro (quatro em Atenas. contra três de Atlanta oito anos atrás). Jornalistas não podem assumir o papel de vendedores de ilu- são e é necessário que fique bem clara a fronteira entre o espor- te tratado como entretenimento (a hora do jogo. 17:00 Preto . uma bobagem sem tamanho diante da incomparável popularidade do futebol e do basquete.

precisa se preocupar em jogar luz sobre os fatos. contra a exaltação eletrônica pura e simples de uma verdade que encobre uma porção de mentiras. Sim. em regra. exatamente o que permite o exercício do bom jornalismo. necessariamente. mas o jornalista não é nem artista nem ilusionista. diariamente. 17:00 Preto . miolo finalizado. por mais que a cobertura esportiva seja contaminada. Entre a euforia e a depressão há um espaço enorme. na Rede Cultura de Televisão e. o show precisa continuar. pela emoção que desperta.p65 11 22/8/2008. o jornalismo impresso tem desempenhado. (*) Juca Kfouri é colunista do diário Lance! . na rádio CBN. o CBN Esporte Clube . do tamanho da delegação brasileira na Grécia e do investimento de dinheiro público e das estatais no esporte. comanda o programa se- manal Cartão Verde . Série Estudos 11 ção brasileira. Mostrar a fragilidade do resultado e cobrar por mais eficácia é o papel que.

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17:00 Preto .p65 13 22/8/2008.miolo finalizado.

quando o Brasil perdeu de 2 x 1. A animação deu lugar à tristeza. Capa do jornal Gazeta Esportiva na véspera da final da Copa do Mundo. com o jogo Brasil x Uruguai.p65 14 22/8/2008. em 1950. miolo finalizado. 17:00 Preto .

um bom jornalista. escolhido pelo texto ali escrito. percebia precisar mais do que isso. O pai desconsiderou a promessa. do qual tomei parte. Significava não restringir seu conhecimento à área esportiva. Precisava ser Jornalista. assim com J maiús- culo. O garoto em questão já sabia que não praticava nenhum esporte com qualidade. O menino Paulo Vinícius virou jornalista e. amanheceu nublado. Recebera a promessa do pai de que poderia assistir ao seu time do coração. O pai. com céu ameaçador. Mas só se o dia não amanhecesse com chuva. formar-se como cida- dão. Pegou o carro e foi ao estádio. Carregava a paixão. imprensa escrita HISTÓRIA DE PAIXãO Paulo Vinicius Coelho* O garoto tinha 14 anos. A tarefa não é sim- ples. Não que- ria repetir o sofrimento. velho de guerra. já ha- via passado frio muitas vezes num estádio de futebol. Olhou para o céu. entender um pouco de política. Sofrimento. Engana-se quem pensa ver o telefone substituído pelo computador. cuidado na apuração. no domingo. que sofrimento? A pergunta do garoto fazia todo o sentido na cabecinha de 14 anos. ora. Ali. fui lembrado outras tantas vezes: um bom jornalista de esportes é. checagem exaustiva. Queria ser jornalista. Um completa miolo finalizado. O que podiam representar duas horas de frio perto da alegria de assistir ao time do coração? O domingo. antes de tudo. 27 de agosto de 1983. acredite. Exige rigor na informação. 17:00 Preto . A paixão se encarregaria de formar sua especialização. ler jornais.p65 15 22/8/2008. em 1990. tem gente que coloca o adjetivo bom ao lado do nome da sua profissão. Contei parte dessa história no texto com o qual me apresentei à editora Abril. para o rosto do menino. Implica passar horas ao telefone. ano da seleção para o Curso Abril.

atletis- mo. casas. Cida- des. explicar a trajetória de um herói. carros. para escrever sobre esportes. Assim como não existe profissional que se torne escravo dela. todos os dias. só ela fará você escrever bem pelo resto da vida. 16 Cadernos da Comunicação o outro. A vida muda. que você só não vai passar se trabalhar direito e publicar tudo o que deve ser publicado. Alberico de Souza Cruz. Variedades. se faz matéria de Política. Gente como Armando Nogueira. Jornalista não é amigo. A editoria esportiva é vista como porta de entrada por quem pretende che- gar mais longe. Milton Coelho da Graça. Se isso acontecer com você. Por que o esporte forma tanta gente para outras editorias? Porque escrever sobre esporte implica falar sobre a crise política ou econômica de um clube. No esporte. Variedades. Problema mais sério do que esse vive quem queria – e não quer mais – trabalhar com futebol. Informação apurada vira informação publicada. é o tratamento dedicado a quem vive numa redação esportiva por quem traba- lha com informação distante do caderno de esportes. passou a se preocu- par mais com filhos. miolo finalizado. Economia. Não é diferente o trabalho numa editoria de Política. A cara feia de quem pensava ser amigo pode ser fome. Diferente. contar o drama pessoal de um atleta. Para onde vamos mandar o menino? Ah. às vezes. pense. Verdade apenas do ponto de vista das feras for- madas nessa editoria. Mas ser visto como porta de entrada faz gente que não se preparou ser encaixado no fundo da redação. Porque se a paixão de menino levou você à fren- te do computador. a paixão se vai. nem confidente. depois de checada. manda para o Esporte. 17:00 Preto . Vá fazer outra coisa. mas não há jornalista sem conversa diária com a fonte. Gente apaixonada que envelheceu. basquete.p65 16 22/8/2008. Economia. vôlei. contas.

que se tornaria Palmeiras décadas mais tarde. A importância dos veículos que se dedicavam ao esporte co- meçou mais cedo. não formava opi- nião. menor poder aquisitivo significava também menor poder cultural e. tivesse vida longa. João Saldanha dizia não acreditar que Placar. Placar é publicada há 34 anos. ter menos dinheiro para com- prar boas publicações sobre o assunto. que sonhavam tomar à força o Estádio Parque Antár- tica dos palestrinos. O preconceito não era infundado. Durante todo o século passado. De fato. Nesse tempo. Foi. Lutar contra o preconceito de que só os de menor poder aquisitivo poderiam tornar-se leitores des- se tipo de diário. o primeiro palpiteiro que se meteu a escre- ver sobre futebol sem entender nada do assunto. Não se tratava de periódico voltado para as elites. seria necessário ao apaixonado ir ao estádio. duvidava que o futebol fosse pegar. como Graciliano Ramos. A travada entre os são- paulinos. conseqüentemente. Série Estudos 17 Gente séria. talvez.p65 17 22/8/2008. as poucas páginas dedicadas a espor te nos diários paulistanos falavam sobre outra guerra. 17:00 Preto . no entanto. na década de 1910. E se o futebol – como os demais esportes – dela fizesse parte. isto é. Gente séria conti- nuou duvidando que jornais e revistas especializadas tivessem su- cesso. mas atingia um público cada vez mais numeroso na São Paulo da época: os italianos. recém-fundada revista especializada em esportes. miolo finalizado. o que torna- va a luta ainda mais inglória. Foi assim que nasceu o Palestra Itália. no meio da Segunda Guerra Mundial. ler não constava de nenhuma lista de prioridades. dirigir redação esportiva que- ria dizer tourear a realidade. havia páginas de divulgação esportiva no jornal Fanfulla. Um aviso não muito pretensioso de uma das edições chamava-os a fundar um clube de futebol. No final dos anos 60. Em São Paulo.

com prestígio até no exterior. A Gazeta Esportiva deixou as bancas e passou a ter sua versão na internet pelo site www. Em 2001. com o nome de A Gazeta Esportiva. o suplemento tor- nou-se um jornal diário e ganhou um grande número de páginas. o capitão Mauro levanta a taça na come- moração da conquista da Copa de 1962. desempenhando importante papel na defesa das instituições democráticas e que.gazetaesportiva. 17:00 Preto . revistas e jornais de esportes foram surgindo e desapare- cendo com o passar dos anos. em 1932. Assim. com coberturas amplas de todas as modalidades es- portivas.net. Os esportes passaram a ter destaque especial nesse jornal e o sucesso foi tamanho que Cásper criou um suplemento destinado exclusivamente a divulgar eventos ligados a essa área. 18 Cadernos da Comunicação Fotos Internet No jornal à esquerda. o tornaram-no um dos mais completos jornais esportivos do país. artilheiro de 1947. ilustração mostrando Lula. À direita. Em 1918. Em 1947.p65 18 22/8/2008. miolo finalizado. Suas matérias. o jornalista Cásper Líbero havia adquirido o jornal paulista A Gazeta. tornou-se o porta-voz da Revolução Constitucionalista. que logo se tornou um sucesso de público. cujo primeiro número circulou em 24 de dezembro de 1928.

Difu- sora e Bandeirantes. Não durou. a Revista do Esporte viveu bons anos entre o final da década de 1950 e o início dos anos 60. até concentrar-se nos comentários sobre o futebol argentino na ESPN Brasil. viu o futebol. os principais jornais de São Paulo e do Rio lançaram cadernos esportivos e deles se des- fizeram como se tratasse de objeto supérfluo. E nem assim sobre- viveu às adversidades. uma das mais importantes experiências de grandes reportagens do jorna- lismo brasileiro. Atualmente é chefe de reportagem e comentarista da ESPN Brasil e colunista do Lance! miolo finalizado. no final dos anos 90. Só no fim da década de 1960.p65 19 22/8/2008. Diário do Grande ABC (1990). Série Estudos 19 No Rio de Janeiro. revista Placar (1991 a 1997) e Lance! (1997 a 1999). cortadas e bandeiradas nunca foi prioridade. o jornalista paulistano Roberto Petri lançou seu próprio diário esportivo: O Jornal. Ou melhor: em São Paulo. Viu nascer Pelé. Dessa época para cá. 17:00 Preto . que originou o Jornal da Tarde. surgiu o Caderno de Esportes. os grandes cadernos de espor- tes tomaram conta dos jornais. No final dessa década. (*) Paulo Vinícius Coelho trabalhou como repórter da Gazeta de S. Gastar papel com gols. cestas. viver momentos de estado de graça. seu carro- chefe. o Brasil ganhar títulos mundiais. Bernardo (1988 a 1990). Petri voltou a trabalhar em emissoras de rádio como Gazeta.

Foto Jornal dos Sports . 17:00 Preto . 8/5/1963. A tenista Maria Esther Bueno: medalha de ouro para o Brasil nos Jogos Pan-Americanos. miolo finalizado.p65 20 22/8/2008.

Cristina Konder* Posso dizer que meu amor pelo esporte vem do berço. que decidiram sair para uma nova empreitada. uma das lembranças mais agra- dáveis da minha infância era a hora em que interrompíamos os estu- dos. Somente este ano. pela manhã. Reuniram nomes de peso e deram vida a um novo jornal dedicado aos esportes. E até hoje. o noticiário esportivo é tão importante quanto o noticiário político. que foi um esportista militante (chegou a ser campeão paulista de remo – no dois-sem). Envolve a mesma paixão. miolo finalizado. vocês já conhecem: teve sua origem no início dos anos 30. gra- ças ao convite do Christian Burgos e do Welligton Rocha. 17:00 Preto . Pratiquei natação durante muitos anos. Este jornal. Filhos e alguns netos. imprensa escrita Um oLhar feminino no Jornal dos Sports Em um jornal. para ir com ele ao clube nadar. educou seus cinco filhos inculcando em nossas cabeças o lema greco-romano de mens sana in corpore sano. quando não está muito frio e quando o mar não está muito mexido. Meu pai. Ensinou a todos nós a nadar. a partir da idéia dos jornalistas Álvaro Nascimento e Argemiro Bulcão. no Jornal dos Sports. volto ao amor mais antigo. Para mim. dou minhas braçadas ali no Leblon.p65 21 22/8/2008. Mas minha vida profissional esteve até ago- ra dedicada a uma outra paixão: a política. do então Rio Sportivo. uma emoção tão forte que muitas vezes nos impede de pensar com alguma racionalidade.

Era o início da arrancada que transformou o jornal no maior e mais importante veículo esportivo do país. Comprou-o. o urubu marca presença num jogo Flamengo e Vasco no Maracanã.p65 22 22/8/2008. em sociedade com Roberto Marinho. que trabalhava em O Globo. O termo “Fla-Flu” é uma criação de Mario Filho. inspirado na cor do jornal francês L’auto. Foi uma jogada de marketing: desde aquele dia o jornal ganhou maior desta- que nas bancas e passou a ser carinhosamente reconhecido no Bra- sil como o Cor-de-Rosa. José Bastos Padilha. o rosa entrou para a história do Jornal dos Sports. Arnaldo Guinle e o presidente do Club de Regatas do Flamengo. Foto de Alberto Jacob. passou a colaborar também com o JS. o Jornal do Sports vem solidificando o seu prestígio no país. 22 Cadernos da Comunicação No dia 23 de março de 1936. o “Dinamite” de Roberto. Há 73 anos. Isso sem falar no “urubu”. criado pelo saudoso Henfil em suas inesquecíveis charges nas páginas do JS. até hoje um dos símbolos do Flamengo. miolo finalizado. Mais tarde. em outubro de 1936. 17:00 Preto . um dos maiores artilheiros da história do Vasco. Foi quando percebeu o incrível poten- cial do jornal e decidiu que iria se tornar seu dono. Símbolo do Flamengo. surgiu na manchete do jornalista Aparício Pires. Incorporou ao linguajar dos torcedores e esportistas ex- pressões que entraram definitivamente para o folclore mundial. Mario Filho. Final da década de 70.

Seu conteúdo editorial também é referência na área de Edu- cação. O JS mantém um notici- ário diário sobre o assunto. Somente quem tem 73 anos pode se dar ao luxo de contar e ser parte da história ao mesmo tempo. quer continuar a ser o maior e melhor jornal esportivo do Brasil. só trabalhei em editoria de Esporte alguns meses. com sua circulação em curva crescente. Nelson Piquet e Ayrton Senna. Série Estudos 23 De suas páginas nasceu. que já me recebeu com furo de reportagem sobre o polêmico prê- mio** a ser entregue para a equipe olímpica brasileira de vôlei. E esta é a minha grande tarefa: produzir o melhor conteúdo para que tal se realize. no caso de ganharem a medalha de ouro. em Atenas. no automobilismo. 17:00 Preto . imprimindo a sua marca à cober- tura jornalística esportiva. Emerson Fittipaldi. Foi em O Globo. Hoje. Por suas páginas. Maria Esther Bueno e Guga. Com pulso forte. Criou os Jogos Estu- dantis e os Jogos da Primavera. Durante a minha vida profissional. no tênis. pois entende que Educação e Espor- te caminham juntos em qualquer sociedade. nesses 73 anos de vida. Para isso tenho uma jovem e talentosa equipe. a campanha pela constru- ção do maior estádio do mundo. os dois even- tos chegaram a reunir mais de 200 mil atletas e estudantes e o JS rapidamente ocupou um lugar de destaque no país. desde os tempos de Mario Filho. no atletismo.p65 23 22/8/2008. entre muitos outros. em l949. o JS passou. Nas décadas de 50 e 60. com o Renato Maurí- miolo finalizado. Mario Filho deu início a seus muitos empreendimentos. como todos os jornais. o Maracanã. Nesses 73 anos. por altos e baixos. desfilaram os maio- res jogadores de futebol da nossa história e desportistas como Adhemar Ferreira da Silva. A importância do jornal na empreitada foi tão grande que o estádio leva até hoje o nome do jornalista Mario Filho.

João Rath. Em um jornal. Luiz Mario Gazzaneo. Eu era uma das instrutoras no uso do siste- ma. o noticiário esportivo é tão importante quanto o noticiário político.. Nunca senti. recém- implantado na redação. nos jornais em que trabalhei. Sempre os encarei como sendo inteligentes demais para tal mediocridade. Mas sei de muita discriminação sofrida por colegas.. E como isso é difícil quando se trata de matéria sobre o nos- so time de coração! Não acredito que haja uma receita para ser um bom jornalista esportivo. Trata-se da mesma fórmula usada para ser um bom jornalista: inteligência. E. Trabalhei também ao lado de grandes jornalistas e aprendi muito com eles. então. talvez por isso. meus chefes foram muito eficientes em disfarçá- la. Claro que todos na editoria tiveram uma atuação excelente e eu. Lutero Motta Soares e muitos outros. São considerados hoje os melhores jornalistas do Brasil! São nomes como Evandro Carlos de Andrade. jornalistas das duas editorias têm a obrigação de se esforçar em dobro para ser objetivos.. para meu desgosto. Uma pi- tada de jogo de cintura pode ajudar bastante.p65 24 22/8/2008. tive que abandoná-los bem cedo para assis- tir a outras editorias. pelo fato miolo finalizado. nunca pude deixar de me interes- sar e acompanhar bem de perto todo noticiário esportivo. uma emoção tão forte que muitas vezes nos impede de pensar com alguma racionalidade. discriminação por ser mulher. com o novíssimo sistema de edição. Edyl Valle Jr. Ricardo Boechat. objetividade (a maior quantidade que você conseguir) e amor à profissão. conhecimen- to. Por isso. Augusto Nunes. 17:00 Preto . Paulo Henrique Amorim. 24 Cadernos da Comunicação cio Prado. Mas o amor é fonte de conhecimento. Mas a minha função na época era zelar pelo melhor desempenho da equipe. Envolve a mesma paixão. equilíbrio. honestidade (muita). Sinto-me muito feliz com os chefes que tive. Ou. com mais dificuldades.

17:00 Preto . Série Estudos 25 de serem mulheres.p65 25 22/8/2008. ouviu uma conversa telefônica entre Ary Graça. Em todas. pelo menos. é uma realidade no Bra- sil. Porém. (Nota da autora do depoi- mento. cerca de US$ 40 mil. discutindo sobre o prêmio em dinheiro que seria dado à equipe. a cada compo- nente da equipe. Imagino que as editorias de Esporte também sofram desse mal. Infelizmente.) miolo finalizado. Mas que ain- da los hay. dis- farçar muito bem os preconceitos que possam ter. às vésperas do início das Olimpíadas. E pode ser sentida em todo lugar. Cristina Konder. e o jogador Nálbert. a maioria dos homens se sente na obrigação de. os jogadores queriam mais). Foto Internet As jogadoras Hortência e Paula comemorando mais uma vitória do Brasil no basquete feminino. presidente da Confede- ração Brasileira de Vôlei (CBV). infelizmente. A divergência era quanto ao total a ser pago (a CBV propunha o dobro do prêmio pago em Barcelona. (*) Cristina Konder é editora de Conteúdo do Jornal dos Sports. (**) O repórter Ilam Reismann. los hay. caso ganhassem a medalha de ouro. E não só na editoria de esporte. hoje em dia. A discriminação por sexo.

em jogo contra o Santos de Pelé. “entortando” seu marcador. no final da década de 60. 17:00 Preto . Acima. miolo finalizado. na foto de Alberto Jacob. Foto Internet Duas jogadas do genial Garrincha. na Copa de 1962. no Maracanã. Abaixo.p65 26 22/8/2008.

– Un momentito. Garrincha se sentiu assim. Garrincha. passou-lhe num relâmpago. A cada passo que dava Garrincha. Sentia o peso da responsabilidade. Já estava do Foto Internet outro lado do campo. Jogar no scratch brasileiro é uma responsabilidade muito grande. Era outro fotógrafo. – Eu já bati mais de dez fotografias – lamentou-se Garrincha. alvo de todos os olhares. deixou que o fotografassem. Garrincha. Garrincha. E tenho sete filhas. – Un momentito. Mas Pelé não joga e a res- ponsabilidade é muito grande. – Un momentito solamente. correram para bater-lhe poses especiais. Se Pelé estivesse jogando. miolo finalizado. Nunca sentira tanto peso sobre os ombros. – Un momentito.p65 27 22/8/2008. os que iam ficar atrás do goal de Gilmar. pensava Garrincha. Quando o fotógrafo que ele julgava fosse o último deu-lhe as costas. na posição dele. Garrincha fez o sinal da cruz e rezou. Garrincha conformou-se. Fotógrafos chilenos. Garrincha parou. imprensa escrita Santiago Segunda Quando os brasileiros voltaram a campo. aparecia um novo fotógrafo. no começo de sua carreira no time do Botafogo. 17:00 Preto . Garrincha. seria melhor.

28 Cadernos da Comunicação Foto Internet Garrincha. não teve dúvida: meteu-lhe o pé. 17:00 Preto . Leonel Sanchez devolvia a Toro. que é preciso fazer mais. Landa tinha dado a saída. Aquilo lhe deu certeza da vitória do Brasil. E lá vai Mané. Pelé detestou o juiz peruano com nome japonês. Nilton Santos estourava com Toro. E o Mané está achando que fez pouco. Toro esti- cava um passe para Leonel Sanchez. Rodriguez. enquanto se prolongavam as vaias aos brasileiros. Didi não chutou. driblado por Garrincha. Vavá.p65 28 22/8/2008. Com o Mané assim o Brasil ganha. Dito e feito. Didi. Eu reajo e o Mané não reage. Toro chutava fora. Aposto como o juiz vai dar foul de Nilton Santos. na direita. Como apanha o Mané! Pelé recordou que também apanha- va em todo o jogo. Rodriguez atropelou- o e atirou a bola para a linha de fundo. estendeu a bola para Garrincha que avan- çou. Amarildo e Zagalo: o ataque da Seleção brasileira que venceu a Espanha por 2x1 em 1962. Pelé ouviu as batidas do próprio coração. Pelé se lembrava ainda de Garrincha se persignando. A bola estava com Toro. Quer agradar os chilenos. Antes que chegasse à linha de fundo. miolo finalizado. no Chile.

17:00 Preto . a Copa do Mundo de 1962. Esses dois tópicos fazem parte da crônica publicada no dia 16 de junho de 1962. – Goal! Goal! Garrincha. miolo finalizado. Foto de Alberto Jacob. em 1969. Vavá pulava e metia a cabeça na bola enquanto Pelé saltava.p65 29 22/8/2008. revela o seu talento como técnico. no caso. dando murros no ar. Série Estudos 29 Garrincha ajeitou a bola. Pelé imaginou-se em campo esperando a bola alta para um goal de cabeça. no final dos anos 70. realizada em Santiago do Chile. O título da retranca da sua coluna diária variava conforme o acontecimento do momento. um pouco atrasado. Mario Filho foi colunista do Jornal dos Sports de 1936 até morrer. O chute de Garrincha veio alto. – Meta a cabeça. ensinando crian- ças carentes a jogar futebol num escolinha da LBA (Legião Brasileira de Assistência). Vavá! – Pelé estava de pé.

p65 30 22/8/2008. Os Campeões do Mundo de 1958 Foto Internet miolo finalizado. 17:01 Preto .

eis tudo. anteon- tem. mas de vitória. como dizem os argentinos – borra- chos proféticos –. uma única pessoa que não estivesse com o bafo. O sujeito. estão a merecer o nosso reconhecimento. setenta e cinco milhões de bêbedos. O primeiro papel do scratch tem sido o de promover e de reabili- tar o Brasil aos olhos dos próprios brasileiros. nunca vi o Brasil tão Brasil.p65 31 22/8/2008. com o hálito. Não encontrei. Eram sujeitos que comemoravam na véspera a glória do dia seguinte. Mas seria uma injustiça não dar o nosso apoio aos que de fato beberam. aos que se encharcam de bebida alcoólica. eu nunca vi. imprensa escrita Aurora de possessos Amigos. Diante do bi. O brasileiro não acreditava no Brasil. 17:01 Preto . sim. Esses borrachos. E o impres- sionante é que. Mas a vitória subiu- nos à cabeça mais que a cachaça ordinária. a cidade já se povoava de bêbados. Ami- gos. todo o mundo estava bêbedo. Digo “reabilitar” por- que tínhamos seriíssimas dúvidas sobre a nossa terra. o brasileiro que após a vitória estava sóbrio é um pobre diabo nato e hereditário. o nosso avassalante dever cívico era o pileque também cívico. estava sempre de miolo finalizado. Fomos. de sábado para domingo. não de álcool. Graças a Deus. Muitos não tinham provado nem água da bica. aqui. na minha vida. o Brasil tão brasileiro.

Tudo valorizou o feito brasileiro. mais gana. Amigos. nunca. De 58 para cá. A Tcheco-Eslováquia mar- cou primeiro e aconteceu então o seguinte: – Amarildo voltou a ser aquele possesso incontrolável. Roma. 32 Cadernos da Comunicação olho em Paris. assim como o brasileiro deixou de ser um vira-lata entre os homens. para desanimar. “substituir Pelé” é uma responsabilidade que exige um Napoleão. Caminhando pela nossa inefável Praça Saenz Peña. As dificuldades virilizam o brasileiro. foram de um alto patético. a sentir o próprio élan criador. a sentir o próprio gênio. De Pedro Álvares Cabral até 58. E vem o scratch. Amigos. 17:01 Preto . Londres. que o Brasil deixou de ser um vira-lata entre as nações. Vejam vocês como a vida é engraçadíssima. a gente sonhava com a de S. E pelo contrário. Segundo tempo. Ora. tudo o dra- matizou. Como reagiu Amarildo? A Espanha estava vencendo por 1x0. a abertura de escore significa uma vantagem considerável. Foi lança- do. na decisão de uma “Jules Rimet”. esse rapaz. desde 58. que faz a barba em um salão do Boulevard 28 de Setembro. O inimigo abre o escore. as alternativas do narrador. e como foi colossal a vitória sobre a Tcheco-Eslováquia. mais garra. demonstrar que o Brasil está potencializado.p65 32 22/8/2008. O próprio desenvolvimento da partida. o brasileiro era um sujeito que catava pretextos para se deprimir. O scratch ensinou o brasileiro a conhecer a si mesmo. miolo finalizado. como se sabe. Ora. em condições trágicas. dão- lhe mais ímpeto. foi uma das figuras decisivas da Seleção. E o possesso fez os dois goals que nos deram a vitória e a classificação. Mandaram-no substituir Pelé. Marcos.

Djalma Santos atira sobre o goal e Vavá. passou entre o goleiro e a trave e foi-se enfiar no barbante. na pequena área. o grande médio com uma deslumbrante categoria. Os tchecos jogaram a sua melhor partida e foram tritura- dos por nós. Amigos. invadiu. deu na medida. que. onde foi colunista de 1958 até 1980. Foi ainda Amarildo que. O povo os carregou no colo.p65 33 22/8/2008. Dizem de Santiago. Amarildo tinha a baba elástica e bovina dos rútilos epiléticos de Dostoievski. na sua atropelada de centauro doido. Série Estudos 33 Contra a Tcheco-Eslováquia. Mas para um possesso não há ângulos impossíveis. no Jornal dos Sports. em ambas as ocasiões. aumenta para três. E Amarildo despe- jou o tiro. publicado na coluna “Nelson Rodrigues dá bom dia”. Correu pela esquerda. Então. Não havia ângulo. ano de sua morte. o maior jogador da Terra. 17:01 Preto . partiu para a bomba. o scratch nos enfia pela cara a grande verdade: – não há ho- mem mais genial que o brasileiro. em 13 de junho de 1962. não era apenas o empate. De uma forma ou de outra. muito mais. Amigos. estávamos também inferiorizados no marcador. escritor e teatrólogo Nelson Rodrigues. colocou lá para dentro das redes tchecas. Então. como uma louca. cortou uns dois. Depois. na sua disparada de possesso. fugindo pela esquerda. Apoteose furiosa para todos. deu na bandeja para Zito. Era o caminho para a vitória. os bicampeões do mundo já chegaram. A bola. miolo finalizado. Amarildo montou no demônio ou foi por ele montado. Artigo do jornalista. varreu mais dois adversários e. O caminho para o bi. Era mais. Amigos. apoteose para Garrincha.

17:01 Preto .miolo finalizado.p65 34 22/8/2008.

17:01 Preto . Em períodos de vacas magras. segundo o IVC (Instituto Verificador de Circu- lação). tende a se afastar. Um dos mairos é o diário Lance!. abordando praticamente todos os esportes. Grandes competições. O interesse do leitor aumenta ou diminui em razão de alguns fatores. Roger Garcia* O jornalismo esportivo tem um público cativo no cenário na- cional. Pan-Americanos ou eventos em que brasileiros ou ídolos estejam em evidência. imprensa escrita A leitura é o grande Lance! A pátria de chuteiras continua sendo o carro-chefe das publicações esportivas. Talvez pela ampla concorrência dos veículos não segmentados. Jogos Olímpicos. cada qual com o espaço proporcional à sua relevância. figura há algum tempo entre os dez jornais mais vendidos do país (incluídos todos os grandes jornais). ampliam as tiragens dos jornais. O principal é sobre o seu time de coração. Praticamente todos os grandes e médios jornais do país des- tinam uma editoria e um espaço nobre. como Copas do Mundo. quando não um caderno. miolo finalizado. existam poucas publicações no Brasil neste setor. até porque nos últimos dez anos foram levantadas duas Copas do Mundo.p65 35 22/8/2008. por exemplo. estabeleceu-se como uma referência esportiva e atinge os princi- pais centros do país. que. para dar a cobertura diária dos principais acontecimentos das mo- dalidades esportivas no Brasil e no mundo. Fundado em outubro de 1997.

cursam a universidade com a meta traçada de integrar uma editoria de Esporte. até porque nos últimos dez anos foram levantadas duas Copas do Mundo. sugerir uma pauta interessante. naturalmente. Mas a pátria de chuteiras continua sendo o carro-chefe das publicações esporti- vas. um conhecimento específico. para o aspirante se tornar um jornalista esportivo integrado no mercado é preciso. o domínio do assunto. Em razão deste interesse crescente. No meu modo de ver. A partir daí. ou até mesmo profissional. No mundo do es- porte há sempre correlação geopolítica. está dado o primeiro passo para se fazer uma grande matéria. é importante para o estagiário. ganharam mais espa- ço. seja qual for o veículo. Muitos. Outros esportes. vejo o jornalismo espor- tivo cada vez mais consolidado. o interesse do leitor cresceu além das frontei- ras do futebol. Ela facilita a busca por novas informações. Uma grande vitória de um clube de massa é retorno certo. Ela se reflete nas vendas dos jornais. especialmente aqueles em que atle- tas brasileiros ou equipes se desenvolveram. passar por outras editorias. cada vez maior quando se tem boa noção sobre os mais variados assuntos. e o Brasil segue pródigo na revelação de jovens talen- tos. 17:01 Preto . O grau de percepção é. geralmente. e a leitura contribui muito para o desenvolvimento do texto.p65 36 22/8/2008. assim como ocorreu comigo. E a paixão clubística é o maior combustível desta re- lação com a informação. por vezes passaram até a rivalizar com o futebol. É um mercado bastante procu- rado pelos estudantes de Comunicação Social. miolo finalizado. amplia a capacidade de elaborar pautas. portanto. Tendo. a evolução do jornalista se dá. antes de mais nada. 36 Cadernos da Comunicação Nos últimos anos. Num jornal não segmentado. com um conhecimento cada vez mais diversificado. Uma cultura esportiva é obtida por interesse e leitura. apesar da situação econômica forçá-los a se tornarem “tipo exportação”.

aprendi que a linguagem de TV é muito diferente do “dialeto” das redações impressas. é bem mais fácil conseguir um estágio ou o pon- tapé inicial na profissão. Série Estudos 37 Tenho 36 anos de idade e uma experiência profissional de 13 anos. No mesmo período. e seus correspondentes espalhados pelo Brasil. Cobri os Jogos Olímpicos de Atlanta. em 1991. pilotos da Stock Car. 17:01 Preto . onde tam- bém fui assessor de imprensa dos filhos dele. em 96. são mais palpáveis do que na época em que peguei o diploma. O diário enviou para a cobertura em Atenas cinco repórte- res e um fotógrafo. recebi proposta para ser o editor executivo-adjun- to do Lance!. Eu me formei em 1990 e quase desisti.p65 37 22/8/2008. trabalhei no Jornal do Brasil e em O Dia. até ganhar uma oportunidade na Agência de Notícias Sport Press. desde então. Lance! nas Olimpíadas Uma cobertura de grande porte. em setembro do ano passado. durante os Jogos Pan-Americanos. Lá. Em 2003. mobilizou as duas redações do Lance!. as va- gas nas redações. tive uma experiência interessante editando o site oficial do Galvão Bueno e. tive rápida passagem pelo Sportv. no Rio de Janeiro e em São Paulo. Com o boom da internet e um momento favorável para o surgimento de jornais e a ampliação de suas equipes em 97. cargo que exerço até os dias de hoje. sendo que a coordenação ficou a cargo do miolo finalizado. como a dos Jogos Olímpi- cos. com o lançamento de um livro sobre o Zico. E tive uma certeza: quem passa por jornal leva vantagem sobre quem constrói carreira apenas na TV. Hoje em dia. Já até “invadi” o mercado editorial. Sempre militei no esporte. Uma experiência fundamental. depois me mudei para Londrina (PR). O jornal é a maior escola para o jornalista. para a repercussão dos resultados na Grécia.

Peter Matzner é a grande sensação nos 100 metros nado livre. principalmente nos servidores do site Lancenet! que propiciaram maior velocidade no envio das informações direto de Atenas aos internautas. Além dos enviados especiais. foram feitos investimentos na área tecnológica.com. Exclusivamente para ela.br) complementados ainda por material for- necido por agências de notícias. editor-sênior Marcelo Damato.lancenet. Foto do Jornal dos Sports. há um robusto suporte em suas redações. O compromisso da cobertura olímpica foi o de oferecer um jornalismo multimídia e diferenciado. Uma sobre o futebol e miolo finalizado. (www. além do noticiário completo dos esportes.p65 38 22/8/2008. 38 Cadernos da Comunicação No Troféu Brasil de Natação de 1963. 17:01 Preto . no site Lancenet!. Uma novidade foi a capa dupla e “invertida”. Esta é a sua maior equipe na maior festa esportiva do mundo. A cobertura olímpica do Lance! teve entre 12 e 16 páginas diárias. com matérias especiais e de bastidores. 11/2/1963.

além do tempo real das competições. quadro de medalhas. em 1956. 17:01 Preto . agendas dos eventos. Enfim. (*) Roger Garcia é editor-executivo-adjunto do jornal Lance! miolo finalizado. o internauta tem à disposição blogs temáticos dos enviados especiais. links sobre a história dos países e dos esportes envolvidos. Ao lei- tor. num conceito de duas edições numa só. bastava girar o jornal para encontrar o material sobre os Jogos de Atenas e todos os ícones das modalidades. Austrália. outra olímpica. No Lancenet!. Série Estudos 39 Adhemar Ferreira da Silva (ao centro) na entrega de medalhas para os campeões e vice-campeões olímpicos em Melbourne. uma cobertura à altura da posição ocupada hoje pelo Lance! no segmento esportivo. Foto Jornal dos Sports.p65 39 22/8/2008.

miolo finalizado.p65 40 22/8/2008. 17:01 Preto .

A revista começou em março de 1970. coloridas. Os jornais ainda não tinham cader- nos de esportes e os poucos que tinham se limitavam a cobrir os clubes do pró- prio estado. Só a capa tinha cor.p65 41 22/8/2008. acabou a festa. Placar iniciou com uma revista que tinha 31cm x 23cm de largura. Em junho. Mas a venda cresceria conforme o desempenho da Sele- ção brasileira. Nascida em março de 1970. ela se tornou um referencial para quem gosta e pesquisa o esporte. Placar não se limitava a contar o jogo como fazia a imprensa escrita. com Pelé se preparando para a Copa de 70. Acabou a Copa. A número 1. 17:01 Preto . aproveitando o oba-oba da Copa do Mundo. capa e miolo no mes- mo papel. vendeu 182 mil exemplares. Mas aí a cor começou a entrar nas abertu- ras de matérias e a equipe teve uma grande idéia: palpites semanais miolo finalizado. Sérgio Xavier* Contar a trajetória da Placar é mergulhar um pouco na histó- ria do próprio futebol brasileiro. Não havia nada na Foto Internet época que cobrisse o futebol do Brasil inteiro. imprensa escrita placar A revista para quem gosta de esporte Fotos espetaculares. A média caiu para 39 mil exemplares por semana. arrojadas. chegou a 228 mil com a conquista da Copa.

na Edi- tora Abril. Fotos espetaculares. Divino Fonseca) misturavam bas- tidores. que a loteria nunca mais seria a mesma. O formato caiu para 21cm x 28cm para se adequar às exigências gráficas da Abril. arrojadas. por isso “soltavam a matraca”. E. 17:01 Preto . a série de matérias que formaria definitivamente o nome Placar: “A Máfia da Loteria Esportiva”.p65 42 22/8/2008. Não que Placar nunca tivesse falado de outros es- miolo finalizado. Foram denúncias tão contunden- tes. Os redatores (e aí a revista contava com grandes penas como Carlos Maranhão. A tiragem subiu para 100 mil e Placar começava a se firmar como o grande veículo do futebol brasileiro. Algumas características eram inéditas na imprensa esportiva brasileira. com ilustra- ções de primeira. histórias humanas e o resultado era prazeroso. Em 1983. uma nova aposta. Grandes entrevistas sempre foram também a marca da Placar. a primeira grande mexi- da. Henfil colocava suas tiras na revista. cobrindo tudo. Placar sempre rivalizou. mostrando subornados e subornadores. O conjunto da obra fazia a diferença. técni- Foto Internet cos e personagens da bola sabiam que ali a repercussão era nacional. Em 1980. Começa a Placar Todos os Esportes. coloridas. Nos seus 32 anos. Michel Laurence. a grande coqueluche da época. Os leitores percebi- am e davam a resposta. Dois anos mais tar- de. Os jogadores. com as revistas Veja e Ca- pricho no ranking de cartas enviadas. Placar não se limitava a contar o jogo como fazia a imprensa escrita. 42 Cadernos da Comunicação sobre loteria esportiva.

mas agora a coisa era mais assumida. Série Estudos 43 portes (Emerson Fittipaldi teve uma boa cobertura). Ainda em 1996. Placar semanal tinha fe- chado as portas definitivamente. Em 1995. a mudança mais drástica: Placar Mais. passou a ter assinaturas e a falar uma linguagem jovem. mesmo quando o futebol voltou a dominar a cena a partir do segundo semestre de 1985. a Placar deu lugar à Ação. 17:01 Preto .5cm x 35. A circulação ficou em torno de 200 mil exemplares/mês. A média de venda desses especi- ais ficava em 70 mil/mês. uma revista para cobrir esportes da classe A (automobi- Foto Internet lismo. animada com a conquista da Copa e a explosão do marketing es- portivo. Mas um especial era lançado por mês com o nome Placar. As vendas despencaram. a venda seguiu caindo. em 2002. Em 1990. Textos grandes deram lugar a notinhas. mais uma experiência semanal e. Em 1996. a Abril relançou a Placar em for- mato gigante (27. Não deu certo. Em 1989. Ação durou apenas um ano.p65 43 22/8/2008. esportes radicais etc). a revista começou uma adaptação da lingua- gem a fim de atingir também um público mais velho. diminui o formato para 22. Em 2001. De guias a miolo finalizado. sexo e rock & roll”. Placar apostou todas as fichas em especiais. quase adolescente. muitos especiais (foram quase 50). E o futebol ficou bem menor. mesmo com preço baixo.8cm). Começou em abril de 1995 com a capa “Edmundo Precisa de Carinho”. com o fiasco brasileiro na Itália. Os jovens leitores agradeceram (não conseguiam guardá-la na pasta da esco- la). muitas fotos e. A re- vista teve uma forte campanha publici- tária e adotou o slogan “Futebol.6cm x 29.9cm.

Show de criatividade na reportagem da revista Placar. com uma seqüência de quatro fotos e apenas nove palavras. em 1996. gran- des ídolos. Placar forjou uma marca construída em cima de credibilidade e isenção. mesmo nos períodos de maior crise do setor. não abriu mão da qualidade editorial e da independência. Mais do que uma revista. um evento que sem- pre permitiu que o tema futebol desse lugar aos outros esportes. Destacou-se no jornalismo esporti- vo porque. futebol brasileiro.p65 44 22/8/2008. Placar falou de Copa do Mundo. aliás. Desde 1972. 44 Cadernos da Comunicação DVDs. 17:01 Preto . miolo finalizado. (*) Sérgio Xavier é diretor de redação da revista Placar. é claro. Falou. de Olimpíadas. Placar sempre cobriu os Jogos Olímpicos com seus guias e enviando os melhores repórteres e fotógrafos para o campo de batalha. A lição dos 35 anos de vida é de que eles não foram em vão.

Série Estudos 45 miolo finalizado. 17:01 Preto .p65 45 22/8/2008.

Zico em foto de Bruno Veiga na revista República. em 1999. miolo finalizado.p65 46 22/8/2008. 17:01 Preto .

na Copa da Itália. imprensa escrita O desafio diário de um colunista No caso do cronista esportivo. Principalmente no caso da minha coluna. uma vez que não é fácil ter uma idéia por dia. João Máxi- mo. primeiro como repórter e depois redator. Em 70. mais vale uma boa idéia do que uma grande notícia. onde permaneci por dez anos. representa um grande desafio. que é bem mais opinativa do que informativa.p65 47 22/8/2008. miolo finalizado. quando o Jornal do Brasil era uma grande escola de jornalismo. e tive a oportunidade de cobrir a Copa do Mundo. Dois anos mais tarde. estava em O Globo. e sim de que. passei a assinar uma coluna es- portiva. em 68. Desde 90. Fernando Calazans* Comecei. O que. Não se trata de falta de assunto. coisa rara de acontecer. porque eu acha- va que aprendia mais na redação. que hoje é publicada cinco vezes por semana. mais vale uma boa idéia do que uma gran- de notícia. sempre no jor- nalismo esportivo. fui convidado para voltar a traba- lhar no Jornal do Brasil. no caso do cronista esportivo. me levou para trabalhar com ele. apesar de muito recompensador. 17:01 Preto . Depois de seis meses de estágio consegui o meu registro profissional e continuei no JB. Fiz um curso interno no próprio jornal e acabei aban- donando a faculdade de jornalismo no segundo ano. Em 1976. até que voltei para O Globo e não saí mais. o editor de Esportes do Correio da Manhã.

mas não deram em nada: um não foi aceito e o outro acabou sendo retirado pela própria pessoa que moveu a ação. preci- so me cuidar para não produzir um texto mal-humorado e ranzinza. tivemos a CPI do futebol bem conduzida pelo Senado e que resultou em uma tonelada de papéis que repousa no Ministério Público. Podemos considerar que se trata de uma das piores crises já vividas até aqui. as denúncias são apuradas.p65 48 22/8/2008. Estamos vivendo um período delicado em relação ao desem- penho dos times cariocas. Obviamente que nem todos entendem o lado constru- tivo da crítica e a intenção em colaborar ao apontar as falhas e maus procedimentos. aliás. A mídia. Procuro me esforçar no sentido de inovar a linguagem. gosto desse clima. por sua vez. Sei que pode- ria estar fazendo o que faço em casa. São várias as provas levantadas contra dirigentes. mas confesso que não gosto da internet e só considero o computador impres- cindível como máquina de escrever e correio eletrônico. mas não pode mudar o curso desses acontecimentos. que. Já tivemos vários exemplos de que. Nada acontece. Por conta disso. miolo finalizado. sem definição. 17:01 Preto . Já tive um ou dois processos contra mim. Sou vi- ciado em redação. são minha melhor fonte. Jornal Nacional. do ambiente. Gosto de estar presente para conversar com os repórteres. Globo Repórter. 48 Cadernos da Comunicação Procuro me adaptar aos avanços tecnológicos. e dificil- mente os escândalos e falcatruas são tratados como deveriam. provas e mais provas são exibidas e nada. hoje produzo um tex- to bem mais enxuto. mas não chegam a ser consideradas pela Justiça conforme deveriam. No esporte. prefiro o pique da redação. no Brasil. mas se vou trabalhar de qualquer forma. a história se repete. Sempre lembrando que o primeiro passo para mudar algo é o reconhecimento de que está errado. faz o seu papel.

me esforço para estar por dentro de tudo sobre futebol e confesso que não dou conta. Com um gol de Nunes (camisa 9) contra o Atlético.p65 49 22/8/2008. muito menos possí- vel. No meu caso. na época das Olimpíadas. de Minas Gerais. por exem- plo. Além disso. bas- quete ou tênis. de uma final de vôlei. acompanhar várias modalidades. uma vez que só comento aquelas que acompa- nho. hoje sabemos que não é necessário. Série Estudos 49 Faz aproximadamente uma década que o perfil do colunista mudou. e não abro mão. miolo finalizado. ou assistir a dois (ou mais) jogos em um único dia. Sem contar que aprecio. Tenho que decidir quais são as par- tidas prioritárias. 17:01 Preto . o Flamengo sagra-se campeão brasi- leiro de 1980. Foto Jornal dos Sports . o futebol costuma ceder muitas linhas de minha coluna para visitantes inéditos e ilustres.

como se tivesse sido fácil jogar décadas atrás. Arábia. Foto Internet Seleção que venceu o País de Gales. 50 Cadernos da Comunicação O futebol está muito mudado. Logo eles têm de competir e perdem o direito de brincar de bola. Bulgária. Fala-se de jogadores como Pelé e Garrincha. o menino que começa jogando bola de meia na rua é transferido de forma prematura para a categoria infantil. Precisam jogar. Ao mesmo tempo. sem a pureza da paixão pelo futebol. com tristeza. Didi. em 1958. São jogado- res que passam de clube em clube sem fidelidade à camisa. com a certeza de que desempenhos semelhantes ao deles não existem e não existirão jamais. Nilton Santos. Turquia.. Criam jogadores com caráter mercantilista. Gilmar. marcação de verdade. Zito. Noto. jogar para ganhar. sim. percebo nos de hoje um ar de superioridade. Garrincha. Belini.. Atualmente. Pelé. na Suécia: Desordi. Zagallo e Mário Américo (massagista). época em que havia. e muitas das dificuldades que vemos hoje. como naquela época em que eles não eram exportados para Ucrânia. miolo finalizado. Orlando. que o tor- cedor de hoje já não é impulsionado pelas mesmas convicções e paixões de antes. Mazzola.p65 50 22/8/2008. 17:01 Preto .

Isso se reflete no campeonato brasileiro. 17:01 Preto . Nossa Seleção ainda é a melhor porque os outros decaíram. Tenho total aversão a esse tipo de futebol.p65 51 22/8/2008. a pegar. para seguir a tendência. que está nivelado por baixo. É o chamado fute- bol de negócios. de interesses financeiros. não deixar jogar. fazer falta. E a imprensa? Para acompanhar o futebol como ele é. Os patrocinadores entraram em campo e muda- ram o jogo. Série Estudos 51 Na categoria de base. e o espaço para as matérias individuais pelo noti- ciário de negócios. procuro privilegiar o lado humano em minha forma de sentir. analisar e escrever sobre jornalismo esportivo. cada vez mais. (*) Fernando Calazans é colunista esportivo do jornal O Globo . o ser humano. miolo finalizado. a matar jogada. O futebol brasileiro está perdendo o esplendor e a técnica. parar o jogo. mas é evidente que não te- mos um futebol tão bonito como antes. um fu- tebol violento que me desgosta muito. os técnicos e professo- res dão prioridade à agressividade em campo. marcar. a imprensa em geral trocou a figura humana.

na Suécia. Foto Internet miolo finalizado. 17:01 Preto . na Copa do Mundo de 1958.p65 52 22/8/2008. Bela defesa do goleiro russo Yashin.

que fica perto de Juí. que ao ver os jogos de futebol. passa a torcer por eles e a nutrir uma paixão cada vez maior. escolhe seus ídolos e time. onde trabalhei em jornal e depois no servi- ço de alto-falante numa emissora de rádio. rádio e tv O comentarista e a liberdade de expressão Hoje. afinal. na Tupi. e foi registrado no DIP depois de uma carta que ende- recei ao Getulio pedindo autorização para funcionar como ór- gão da juventude brasileira. 17:01 Preto . já completei 80 anos de idade. Luiz Mendes* Sou do Rio Grande do Sul. Acompanhei praticamente toda a história do futebol brasi- leiro. Em Porto Alegre. esporte ao qual mais me dediquei e estudei. Antes. Participei da funda- ção da Rádio Globo aqui no Rio de Janeiro. Tive o privilé- gio de escrever num jornal chamado Alerta. come- çando uma jornada de 62 anos de carreira.p65 53 22/8/2008. miolo finalizado. o profissional é apenas uma peça da máquina – rádio ou emissora de televisão. que durou cerca de dois anos. eu estava em Porto Alegre na Rádio Farroupilha. Dois anos mais tarde. estive na TV Rio. na Rádio Nacional. Nasci em Palmeira das Missões. Meu interesse pelo esporte começou como o de todo menino. eu torcia para o Grêmio. entre outras. o profissional era a própria máquina. mas no Rio adotei o Botafogo como time oficial.

se estamos na frente da televisão. mas. Depois chegou o rádio e. Mas. 17:01 Preto . 54 Cadernos da Comunicação Já não sou tão fanático por assistir aos jogos. e o jornal con- tinua fazendo história. Só que agora prefiro guardar as críticas mais contun- dentes para mim. mais uma vez. O rádio desperta a imaginação.p65 54 22/8/2008. Mas isso não é suficiente para elevar o rádio a uma categoria superior. quando chego lá na rádio. posso dizer que estou realizado profissionalmente. Quando o locutor narra que o goleiro fez uma defesa sensacional. Hoje. como colocar a imaginação para funcionar? Não dá. O advento das faculdades de Comunicação modificou o jor- nalismo esportivo. a fundamental diferença entre os dois meios de comunicação. Vida Doméstica. precisamos admitir a maior velocidade e capacidade de extensão do rádio. depois de tantos anos comentando na Rádio Globo. ouvíamos que o jornal seria subs- tituído. mas continuo bas- tante crítico. Quando. podemos criar em nossa mente o lance que desejarmos. em seguida apareceu a televisão. gostava bastante do que fazia. dizia a seguinte heresia: “rádio é diversão de cego”. Mas hoje. Lembro-me que quando apareceram revistas como O Cruzeiro. o profissional é apenas uma peça da miolo finalizado. cada um tem seu espaço. em es- pecial quando desfruto da possibilidade de burilar as frases e exer- citar minha capacidade intelectual. Muitas vezes eu saio de casa pensando em fazer um comentário ferino. é aquilo e pronto. Quando eu apenas narrava os jogos e ainda não conhecia a liber- dade de expressão atribuída ao comentarista. sem dúvida. depois de 15 anos de rádio fui para a televisão. já não tenho vontade de falar de forma tão dura e sim de analisar equilibradamente o assunto. a internet. Esta é. Hoje enten- do que não é bem assim. entre outras. todos diziam que os jornais (que qua- se não publicavam fotos) estavam com os dias contados.

Certa vez. transmissão excelente”. gente que antes não passaria nem pela porta da estação. o importante é que somos responsáveis pela formação histórica do ouvinte. Quando ousávamos acompanhar os jogos no exterior. que sofre grande influência da TV e atua em emis- sora de rádio. 17:01 Preto . a projeção da voz. recebemos (como sempre acontecia depois do encerra- mento) um telegrama com a mensagem que mais temíamos: “transmissão inchegou” (inchegou para economizar palavras). temos que usar o que é a força desse veículo. Romário.. Antes. Já no rádio. com a mensagem “parabéns. hoje a fidelidade é pela emissora. A convicção de miolo finalizado. Série Estudos 55 máquina – rádio ou emissora de televisão. Era uma verdadeira loteria. porque a televisão é coloquial. E. não importando o locutor. ao olhar a Cordilheira dos Andes. não ultrapassou.”. em viagem para Santiago do Chile. totalmente desprovido de um referencial. Sendo pioneiro e. de fato. O ouvinte era fiel ao locutor de quem gostava. Cada um com suas características.p65 55 22/8/2008. ele hoje diria assim: “Romário. A primeira transmissão aqui no Rio de Janeiro foi realizada por Amador Bueno. alguns bastante cômicos. Criou-se um estilo que se apegou mais à televisão do que ao rádio. en- quanto o Romário não soltasse a bola ele ficava repetindo o nome. continua Romário com a bola. esse era o estilo de Amador Bueno. em que algumas ocasiões obtivemos êxito. ficamos imaginando como nossa voz ultrapassaria aquela gélida barreira para chegar ao Brasil. na Rádio Clube do Brasil. não é preciso mudar a entonação da voz para falar nela. Romário. Depois de duas horas de nar- ração. A ausência de recursos técnicos acarretava muitas dificulda- des nas transmissões. o profissional era a própria máquina. estávamos sujeitos a muitos imprevistos. Vemos muita gente tra- balhando sem voz adequada. com um estilo bastante peculiar de narrar.. Romário avança. por conta disso.

miolo finalizado. de certa forma. por exemplo. refiro-me a uma brilhante jogada de Arthur Friedenreinch em 1935. estimulando o inte- resse do ouvinte por um dos melhores artilheiros que o mundo já viu. Essas analogias não chegam a ser uma preocupação. que inclinava o tronco para frente numa espécie de diagonal. outro recurso que utilizo para enriquecer os comentários é a comparação com grandes craques. quando ocorrem. Ou seja. estou. a maneira como ele conduz a bola (não a qualidade do seu jogo) é muito parecida com a do Pelé. (*) Luiz Mendes é comentarista esportivo da Rádio Globo. dificultando a tomada de bola pelo ad- versário. não as desperdiço. 17:01 Preto . mas. que jogava no Fluminense e foi para o Futebol Clube do Porto em Portugal. empenho-me em semear no ouvinte o interesse por conhecer cada vez mais sobre o esporte. Foto Internet Três momentos do brilhante artilheiro Arthur Friedenreinch. Quando. Em virtude de poder contar com minha excelente memória visual.p65 56 22/8/2008. 56 Cadernos da Comunicação tal responsabilidade me levou a introduzir ilustres biografias em meus comentários. Tem um jogador chamado Carlos Alberto.

Série Estudos 57

Combate entre o campeão de boxe Éder Jofre, o “Galo de Ouro”, e Ocipes dos Santos.
Foto Jornal dos Sports, 26/2/1962.

miolo finalizado.p65 57 22/8/2008, 17:02

Preto

Tostão, Pelé e Jairzinho
na Copa do Mundo de 1970.
Foto de Orlando Abrunhosa
para a revista Fatos & Fotos.

miolo finalizado.p65 58 22/8/2008, 17:02

Preto

rádio e tv

O grande show
radiofônico
De todos os meios de comunicação,
o rádio é o que mais me atrai, por ser
o mais dinâmico, nenhum outro consegue tal
velocidade nem trabalha tão bem a emoção.
José Carlos Araújo*

Minha carreira começou muito cedo. Aos seis anos de idade trans-
miti a primeira partida de futebol. Um dos times em campo era o
Fluminense, que escolhi por ser o mais colorido da loja em que
minha mãe me levou para comprar meu time de botão. De trans-
missão em transmissão, cada vez eu ficava mais distante da medici-
na ou da diplomacia (carreiras que meus pais sonhavam para mim),
e antes mesmo de sair do Colégio Pedro II, aos 15 anos, comecei a
trabalhar como repórter de rua na Rádio Continental e depois como
locutor comercial da Eldorado.
Formei-me em Geografia pela Uerj e prestei concurso para pro-
fessor do estado, mas a paixão pelo esporte ficou novamente em
primeiro lugar. Comecei a procurar emprego como locutor e não
encontrava quem me desse uma oportunidade. Até que, um dia,
Valdir Amaral e Celso Garcia me contrataram como plantonista da
Rádio Globo. Mas foi em 77, ao entrar para a Rádio Nacional, que
dei o pulo-do-gato para o início da minha transformação de
comunicador esportivo em apresentador de um grande show.
O Fluminense acabou virando meu clube de coração, mas quan-
do estou trabalhando deixo de lado a condição de tricolor. Na ver-
dade, estou sempre torcendo para que os grandes times tenham

miolo finalizado.p65 59 22/8/2008, 17:02

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Vasco. ou seja. já transmiti várias modalidades esportivas. mas. acabei narrando a final de basquete feminino. principalmente quando o jogo está equilibrado e é um tal de cesta lá. esta bem mais tranqüila do que o futebol. fui para fazer a cobertura do futebol. em 96. O que é muito diferente. A carioca Norminha chora ao perder um lance. em uma Copa do Mundo. Isso se reflete diretamente no aumento da au- diência. Nas Olimpíadas de Atlanta. é mais emocionante de ser transmitido do que uma partida de futebol. Além dis- so. depois da eliminação da Seleção brasileira. Que. Principalmente se estivermos hospedados no mesmo hotel em que a Seleção do Brasil está. 60 Cadernos da Comunicação uma boa colocação. A transmissão de Fórmula 1 é outra experiência bastante in- teressante.p65 60 22/8/2008. por exem- plo. Foto de Alberto Jacob. 17:02 Preto . oferece a oportunidade de viajarmos para lugares maravilho- sos e não requer o envolvimento do profissional de jornalismo antes e depois da competição. ficamos 24 horas no ar. Flamengo. Fluminense e Botafogo são meus times oficiais quando “estou em campo”. sem dúvida. miolo finalizado. mas logo se recupera e conquista o título de bicampeã brasileira no campeonato de 1966 contra as paulistas. cesta cá sem parar. Apesar de ter me especializado em futebol.

O repórter Pedro Costa estava com um celular e registrou tudo. Hoje já estamos acostumados com esse recurso. que é onde atuo hoje. mas. em Turim. Somos responsáveis pela criação das imagens mais ricas através das palavras que emitimos e os receptores são as “caixolinhas” (ca- beças pensantes) dos ouvintes em toda parte do Brasil. A história mais curiosa que se passou comigo foi uma crise de soluço durante a transmissão de uma partida Flamengo X América no estádio do Bangu. por ser o mais dinâmico. Foi durante a Copa do Mundo de 90. Série Estudos 61 Mas nenhum benefício ou prazer que os outros esportes possam oferecer abala minha paixão pelo futebol. na Itália.p65 61 22/8/2008. O advento do celular contribuiu para deixar o rádio mais veloz. jornal e televisão. a qualidade da recepção tem sido prejudicada. 17:02 Preto . que vou transmitir hoje à noite. ela cria a imagem e isso se reflete na credibilidade da notícia. já trabalhei em rádio. Ter uma boa voz é fundamental para o desempenho do profissional de rádio. o rádio é o que mais me atrai. na Inglaterra) na estação do pendolino (trem bala da Itália). Está tudo arquivado desde o primeiro jogo até o de número 2. Moça Bonita. nenhum outro consegue tal velocidade e trabalha tão bem a emoção. como proprietário de uma empresa que presta serviços para a Rá- dio Globo.. Princi- palmente a transmissão de futebol pelo rádio. De repente eu comecei a solu- miolo finalizado. que começamos a utilizar os aparelhos na transmissão. resultado dos jogos. Faço questão de anotar e registrar todos os lances: data. e-mails recebi- dos. É a partir de um conjunto de vozes características que po- demos identificar a emissora em que o profissional está trabalhan- do. Houve uma briga dos hooligans (torcedores violentos..133. Mas. Nesses 40 anos em que faço jornalismo esportivo. com os avanços tecnológicos voltados para diminuir o tamanho dos aparelhos. de todos os meios de comunica- ção.

informações sobre trân- sito. Aliás. apelei para todos os meios que conhecia. O mercado de rádio esportivo no Brasil está cada vez mais acha- tado. o nome Garotinho surgiu a partir da Copa de 74. fiquei calado por alguns instantes e o soluço continuava. quando o repórter Denir Menezes. Houve uma interrupção na partida. Etapas que envolvem os fatos que estão ocorren- do na cidade: rebelião ou fuga no presídio. No dia seguinte. ou seja. 17:02 Preto . passou a fazer o mesmo comigo. 62 Cadernos da Comunicação çar. o rádio esportivo transformou-se num segmen- to importante do jornalismo. Historicamente. Jorge da Mata. outdoors (cartazes de comerciais – mídia de rua). Hoje temos uma geração de comunicadores que estão aptos a desenvolver um jornalismo esportivo da mais alta qualidade. o durante e o depois do jogo. mas não sabia como ajudar. backlight (painel fotográfico translúcido iluminado por trás). Nervoso. recursos que antes não estavam disponíveis. (*) José Carlos Araújo é locutor esportivo da Rádio Globo. Falta criatividade aos homens de rádio esportivo para arrebanhar uma porção maior des- se bolo publicitário. Quando comecei.p65 62 22/8/2008. Uma fatia da publicidade passou para as mídias alternativas como busdoors (anúncio dos ônibus). isso porque os custos ficaram muito mais elevados. miolo finalizado. cerca de um minuto e meio depois o maldito soluço passou. Apolinho (Washington Rodrigues) era o comentarista e percebeu a minha aflição. Graças a um telefonema do Dr. do locutor que se limitava a transmitir o jogo. a manchete do jornal O Dia era algo pare- cido com “Soluço pára Garotinho no Flamengo X América”. e nada. existia a figura do speaker. Vejo-me como comunicador de um grande show. observando que eu tinha o costume de chamar os colegas assim. composto pelo antes. que estava de plan- tão no Instituto Nacional do Câncer e sugeriu que eu chupasse uma pedra de gelo. é o jornalismo no esporte.

Série Estudos 63

Ayrton Senna, tricampeão mundial de Fórmula 1 em 1991. Foto Jornal dos Sports.

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Preto

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rádio e tv

Na mesa-redonda
O cronista deve ser imparcial
em suas colocações, nas análises que faz.
Mas, daí a não ser um torcedor,
vai uma distância muito grande.
Sergio du Bocage*

O jornalista esportivo é um privilegiado. Já sei que os que traba-
lham em outras editorias vão contestar, reclamar, mas esta é a mais
pura verdade. E o motivo é simples: ele é o único que presencia o
fato sobre o qual vai escrever, do princípio ao fim. Em nenhuma
outra situação o jornalista tem esta oportunidade de viver a notícia,
compartilhar dela, estar no momento do fato.
Quantos de nós, que trabalhamos com esporte, já tivemos de
mudar um texto por causa daquela cesta no último segundo? E o
gol que surge nos acréscimos de um jogo e faz a taça trocar de
mãos? O toque na borda da piscina, a disputa de um tie-break, o
golpe que surpreende. Não faltam situações. A emoção de uma co-
bertura esportiva é inigualável, seja ela em qual dimensão. Sempre
veremos o homem buscando a superação de uma marca ou de si
próprio, o aprimoramento; haverá alegria e tristeza, frustração, eu-
foria, idolatria. E não há como não se envolver.
E se abrirmos o leque aos demais jornalistas especializados em
outras áreas, quem não gostaria de estar em uma Copa do Mundo
ou numa Olimpíada? Para não exagerar, dê uma passadinha na Tri-
buna de Imprensa do Maracanã numa final de campeonato: está
sempre lotada e não só de cronistas esportivos.

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miolo finalizado. o diário Lance!. Iam para lá porque eram editorias “meno- res”. Aos poucos foram descobrindo que não só o esporte necessita- va de um conhecimento tão grande quanto os demais assuntos. assim. Ao contrário: quando eu ainda estava na Universidade Federal Fluminense (UFF). perderia a medalha de ouro por ter sido flagrado no exame antidoping. o que se ouvia era que as editorias de Polícia e de Esporte eram as portas de entrada para o foca/estagiário. onde. início dos anos 80.p65 66 22/8/2008. por sinal. depois. minha carreira. em 1981. como a Nacional. tive o orgulho de começar. o Cor-de-Rosa. e até mesmo mais um jornal especializado no as- sunto. para aprender e. cada vez mais comple- tos e dinâmicos. onde se “ralava” de verdade. começaram a surgir os cadernos de esporte. efetivamente. de Política ou de Economia. 17:02 Preto . Logo depois. Ben Johnson supera Carl Lewis na final dos 100m rasos em Seul. como também era um grande gerador de recursos financeiros. que compete diretamente com o tradicional Jornal dos Sports. Foto de Sergio du Bocage. ingres- sar nas editorias mais respeitadas. 66 Cadernos da Comunicação Mas houve um tempo em que o jornalismo esportivo não tinha o status atual. E.

é muito importante. e hoje. São veí- culos muito distintos. foram poucos os veículos onde trabalhei. Saí em 1994 para abrir minha empresa de assessoria de impren- sa. com Aristélio Andrade e Telmo Zanini. levado pelo amigo Itamar Guerreiro. a DB Press. a ampliar seu miolo finalizado. Esta experiência. Em TV. Série Estudos 67 Por falar em carreira. assumi a responsabilidade de acompa- nhar o Campeonato Estadual de Juniores. Márcio Guedes e Alberto Leo. levado pelo Telmo e onde conheci pessoas que muito me ajudaram: Dival Santos. mas tenho o prazer de dizer que me senti e me sinto muito bem em todos eles. que ensinam tudo o que você necessita na profissão: agilidade e saber apurar e redigir. também. o que o obriga. por mais idiotas que possam parecer. o trabalho já era bem diferente – enquanto no jornal você se torna um setorista de determinado clube ou se especializa em três ou quatro modalidades olímpicas. participando dos famosos videoteipes que a TVE apresentava nas noites de domingo. e Januário de Oliveira e Achilles Chirol. com precisão. em 1983. e em 1984 fui contratado pela TVE. O primeiro passo foi dado num estágio. na TV Bandeirantes.p65 67 22/8/2008. 17:02 Preto . na TV Manchete. Na TVE. que me deram a oportunidade de fazer parte de uma equipe das melhores. na TV você cobre de tudo um pouco. em jornal e TV. No JS. Repórter que tem vergonha de perguntar vai voltar para a redação precisando de um algo mais. chegando ao cargo de editor de futebol ou subeditor geral com o alvinegro Carlos Macêdo na che- fia. Nunca o repórter deve se dar por satisfeito com o que apura! Todas as per- guntas. trabalhei na Manchete. ainda estagiário. o diretor. com Paulo Stein. Fazia o noticiário de 12 clubes durante a semana. o que me permitiu criar amigos em todos eles. que durou ape- nas uma semana. devem ser feitas para não haver dúvidas. fui para o JS como estagiário e exerci todas as funções possíveis. um trio com o qual voltei a trabalhar depois. De lá. num terceiro momento. na TVE. até hoje.

bodyboarding. deixando para trás o até então imbatível Carl Lewis. daqueles que milhares de pessoas dariam um braço para poder to- car. calça comprida e camisa. sem transparecer qualquer sentimento contrário? Trabalhar com esporte exige boa memória. gostar de esportes. vôlei de praia. Ora. Aliás. beach soccer. também sem crachá específico. foi a principal delas. também. tem tudo isso sim. disfarçado de remador. Mas trabalhar numa editoria de Esporte exige. Quem sabe. passar o domingo inteiro na praia. pois até eles têm seu clube de miolo finalizado. Ou ir ao estádio ver seu time de coração jogar e ainda estar ali. a de árbitro. exige imparcialidade. Que tal. viajar. Nos fins de semana. provavelmente sem almoço e tendo de voltar para a redação para escrever a matéria? Ou entrar num barco. de sapato. sem poder dar um mer- gulho. passar mal e ainda ter de buscar o resultado? Ou assistir. a seu time de coração ser goleado e ter de colocar no papel a alegria do campeão. ir para alto-mar acom- panhar uma regata. 17:02 Preto . números. ali mesmo no Maracanã. história. ir à praia para acompanhar uma competição de sur- fe. conhecimento de re- gras. é engraçado o leitor/ouvinte/telespectador que não aceita ser o cronista esportivo um torcedor de futebol. Pode parecer que trabalhar com esporte é sempre agradável. nesse mesmo fim de semana. mas também pai- xão. certamente ele vai buscar outra profissão – que não é. 68 Cadernos da Comunicação foco e a ler e ouvir ainda mais sobre o assunto. E não só futebol.p65 68 22/8/2008. Além de burlar a rígida segurança ao entrar na Vila Olímpica sem crachá. com minha máquina. e registrar. bem pertinho de seus ídolos. mas sem dúvida ter ido à Olimpíada de Seul. ainda consegui chegar ao fosso de fotógrafos. acima de tudo. pelo JS. leis. se o sujeito não gosta de futebol. Nesse período todo. o momento em que Ben Johnson cruzou a linha dos 100m rasos. conhecer novos lugares? É verdade. a preferência popular. algumas coberturas foram marcantes e pre- cisaria de um livro para contá-las todas.

aprendi um pouco da profissão que escolhi. Mas desde que as- sumi uma das cadeiras do programa de debates da TVE nas noites de domingo – a tradicional mesa-redonda –. Há. vai uma distância muito grande. 17:02 Preto . franqueza e coragem de quem acredita no que diz. vários foram os torce- dores que passaram a me procurar para saber qual o clube de minha preferência. faço verdadei- ramente o que gosto. no início. Viam. Criticar é acei- tável. daí a não ser um torcedor. o maior cuidado que um jornalista esportivo deve ter é exatamente o de evitar atingir a paixão dessas pessoas. Enquanto eu era repórter. até mesmo. Aliás. Existe um ditado que afirma ser o homem capaz de mudar de mulher ou de qualquer outra paixão. os que são reconhecidos pela sua ligação com determinado clube e nem por isso perdem o respeito e o reconhecimento do público. mas humilhar. se pudessem. ali. fiz amigos. Confesso que. em qualquer instância. é fun- damental para que se realize um trabalho correto.p65 69 22/8/2008. estava tudo bem. É claro que os mais passionais não me “engolem”. mas tive uma surpresa bem feliz: mesmo de outros clubes. literalmente. Série Estudos 69 coração. O respeito ao torcedor. Mas são minoria. me engoliriam vivo. miolo finalizado. telespectadores se diziam mais confiantes no que eu dizia pelo simples fato de eu assumir ser rubro- negro. E ainda sou jornalista esportivo! Sou ou não um privilegiado? (*) Sergio du Bocage é repórter e comentarista esportivo da TVE Brasil. mas nunca de seu clube de futebol. O cronista deve ser imparcial em suas colocações. Mas. provocar. Ou. trabalhei em bons luga- res. tinha receio de que declarar ser Flamengo fosse me causar problemas. isso nunca. É por aí. Em 20 anos de profissão. nas análises que faz.

17:02 Preto . miolo finalizado.p65 70 22/8/2008.Foto Internet Romário comemora o título de campeão mundial de 1994.

quando o Jânio de Freitas. TV Tupi.p65 71 22/8/2008. passei por esses e por outros lugares fazen- do de tudo. Até que um dia. Minha melhor escola foi o improviso: depois do microfone aber- to não temos escolha. Criamos mecanismos para construir nosso discurso. mas. Correio da Manhã. sem contar que ainda recebemos o auxílio miolo finalizado. foi preciso reescrever o título de uma matéria e lá estava eu. é preciso falar. rádio e tv O poder das imagens Na transmissão do jogo em si. Nessa época. saiu e foi substituído por Alberto Dines. o contínuo virou redator auxiliar. Já fiz até roteiro de show. levando as matérias para a oficina. mas nem sempre jornalismo. O Cruzeiro. o jeito era apelar para os novatos. em qualquer lugar do mundo. Sérgio Noronha* Comecei numa redação como contínuo. depois de uma mudança no Jornal do Brasil. a televisão é imbatível. por essas e outras. TV Rio. havia uma recomendação para que o texto das legendas não ocupasse menos de uma linha. como nem sempre o autor da matéria estava presente para fazer isso. Jornal do Brasil. chefe de redação. completando legenda. entrei para o esporte. Eu trabalhava com Marcos de Castro e Armando Nogueira. Foi o próprio Armando quem me con- vidou para ser comentarista esportivo da TV Globo. 17:02 Preto . TV Educativa. aprovei- tando mais uma oportunidade e recebendo elogios do secretário da redação: “Está melhor do que o anterior”. Enfim. E foi assim que comecei a escrever os meus primeiros textos. disse ele. TV Globo. Nos anos 60.

pois tem mais tempo e facilidade para entrevistar um número maior de pesso- as. em média. Cada mídia tem uma linguagem própria. ilustração (narrador). os técnicos acham que o jornalista não entende tanto quanto pensa. em qualquer lugar do mundo. em alguns casos utilizando o celular. por exemplo. principalmente em outro estado. 72 Cadernos da Comunicação de quem escreve. repórter e ainda a reprise do lance. um acúmulo de conhecimento e a possibilidade de expressá-lo. em geral. pelo fato de não termos jogado futebol profissional. um pintor. 24 câmeras. na verdade. comentarista. mas. o jornal é muito mais para registrar. O rádio leva vantagem na cobertura do pré-jogo e do pós-jogo. a televisão é imbatível. Mas na transmissão do jogo em si. O que nós. que depois podem repetir um lance de vários ângulos. Um comentário pode até ter alguma repercussão junto ao diri- gente esportivo e aos jogadores. Um ponto de Ibope em São Paulo. A TV conta com imagem. temos.p65 72 22/8/2008. comentar e opinar sobre os fatos do que para cobrir o factual. Para a transmissão de um jogo da Seleção brasileira utilizamos. caso contrário. pois ela atinge um público monumental. Depois que a televisão transmite um fato. Mas não é assim que funciona. Apesar de sempre existir uma saída para situações mais complexas. não há mais o que dizer sobre o assunto. é o poder de observação. Para ser um bom profissional. o jornalista precisa ter isenção. isso não impede que tenhamos histórias muito en- graçadas para contar. profissio- nais. A impressa é docu- mental. o rádio está sendo massacrado pela televisão. Cada vez mais. um crítico de teatro teria que ter sido um ator e um crítico de arte. Modestamente. significa 47 mil apa- relhos ligados. esmagador. sendo que isso não corresponde apenas a esse miolo finalizado. 17:02 Preto . Hoje. eu nunca fiquei sem ter o que dizer.

17:02 Preto . que trabalha comigo. Não se pode simplesmente tirar uma coisa do ar e colocar outra. escrevo num papel e mostro para ele. Quando se está cobrindo o carioca. SP. O comentarista precisa trabalhar em muita sincronia com o locutor. Série Estudos 73 número de pessoas assistindo. Quem acoplou sua publicidade a um desses jornais. por exemplo.). TV. que custam em média 450 mil dólares. não tem jeito. não conhe- cemos os jogadores todos. é preciso recompensá-lo de alguma forma. por exemplo. e o Jornal Hoje. temos em média duas ou três pes- soas por aparelho. Lembro-me de uma final de vôlei coincidindo com o Jornal Nacional e a novela. mas o Luís Roberto. Quan- do isso acontece. TV etc. Eu procuro ficar atento. E tirar do ar essa programação significa queda de audiência e desencaixe de di- nheiro. A maior dificuldade é quando a transmissão é feita do estúdio. vendo pela televisão. Como é que você faz? Quando o tempo já está vendido a alguém. Um problema da TV é estar diretamente ligada à publicida- de. Os 30 segundos mais caros da TV americana são nas finais de basquete e de futebol. os jornais regionais (RJ. porque às vezes o locutor se engana. mas quem paga o de- sencaixe de um milhão de dólares”? O argumento é muito forte. miolo finalizado. per- de. Para transmitir uma partida que se realize ao meio-dia.p65 73 22/8/2008. O responsável pela programação disse: “Tudo bem. principalmente quanto aos nomes dos jogadores. Em todas as Olimpíadas temos vários problemas com choque de horário de eventos importantes acontecendo no horário de programas de interesse nacional. será preciso tirar do ar o Globo Esporte. Ao cobrir o campeonato brasileiro. vocês podem colocar o vôlei. erra muito pouco.

e começaram a jogar coisas na minha cabeça. todos parecidos. Sinalizei informan- do que também não sabia. Entretanto. até porque a presença no estádio é uma exigência dos contratos. Exatamente quando o Luís Roberto gritou “gooooool”. pelos gestos. no ano passa- do.p65 74 22/8/2008. porque o público às vezes é muito agressivo. da Bahia. De repente aconteceu uma substituição no Vitória e o jogador que entrou foi à frente. isso se torna impossível. O Luís Roberto continuou: “é gol do Vitória. Mas é raro não estarmos no local do jogo. Houve um jogo Vasco e Vitória. Foto Internet Roberto Dinamite uns dos maiores artilheiros do Vasco da Gama nas décadas de 70 e 80. Eu fiz um jogo em Santos. miolo finalizado. omitir o nome do jogador que fez um gol é muito grave. até hoje ele não se perdoa. mas não conhecemos bem os de outros es- tados.” Para o narrador. o Vitória consegue. o locutor olhou para mim esperando que eu soubesse o nome do autor. Sem parar de gritar. Noventa por cento do time baiano é composto por negros.. até lata. quando não existe cabina. 74 Cadernos da Comunicação depois do terceiro ou quarto jogo já conhecemos o jogador pelo andar. o Vitória chega lá. onde a cabina era aberta. Ele continuou berrando “gooooool” e nada de o repórter entrar.. 17:02 Preto . o tal joga- dor tirou a camisa. que foi transmitido daqui.

p65 75 22/8/2008. que durante uma partida deram pontapé um no outro. de noite se encontram e vão beber cerveja juntos. Série Estudos 75 Outra vez um cara pulou e puxou o monitor. chegaram a sacudir a nossa unidade móvel e só a polícia conse- guiu controlar a situação. descobri- mos que não é uma coisa tão maravilhosa quanto pensávamos. não tenho time. arrebentou o cabo. Ainda em Santos. em outro jogo. miolo finalizado. Temos que ter a capacidade de criticar de uma maneira ela- borada. mas eu salvei o monitor. ele quase caiu lá em baixo. Temos de ser os últimos a sair do estádio. Atualmente. se eles não se irritam? (*) Sérgio Noronha é comentarista esportivo da TV Globo. Por que eu vou me irritar. Quando começamos a ver o futebol por dentro. de maneira que o torcedor não considere ofensiva. em- bora isso seja muito difícil. com sinceridade. 17:02 Preto . O torcedor sempre acha que o co- mentarista está contra. Descobrimos que jogadores.

17:02 Preto . Foto Internet Romário confraterniza com a equipe vascaína após um gol.p65 76 22/8/2008. miolo finalizado.

de todas as áreas ou editorias. sem. Dentro dessa conceituação. a par de outros prosaicos. Ainda nesse desambicioso lidão deixo bem claro que não consi- dero o jornal como aquilo que você lê. Teixeira Heizer* Esses velhos olhos assistiram. 17:02 Preto . sem rele- vância.p65 77 22/8/2008. viajaram do pitoresco ao contundente. e de quaisquer veículos. tudo ao sabor das emoções que. amplificando-os. nas últimas cinco décadas. a toda sorte de acontecimentos esportivos. atra- vés de um comportamento profissional necessariamente ético. imaginando-o apenas um figurante na história. nem o rádio aquilo que você ouve e. Essa preliminar deve ser entendida como uma bula a balizar os caminhos dos jornalistas. de forma exa- gerada por vezes. ou reduzindo-os às medidas das lentes fechadas. afora a avalanche da computação eletrônica que opera como elemento adjacente. Essa análi- se repousa com maior incidência sobre os veículos de maior po- der de fogo – jornal. Enfocaram momentos épicos. sobretudo. agiríamos. ser desprezada a lógica de cada um. dos conservadores aos de vanguarda. de forma preguiçosa e a preguiça é uma inconveniência nesse veloz mundo científico da miolo finalizado. ao final. rádio e TV – dentro do universo das comu- nicações. entretanto. no mínimo. a televisão aquilo que você vê e ouve. ditaram a sua reprodução jornalística. É cla- ro que uma característica vigorosa deve norteá-la: a ética geral. rádio e tv Em busca da emoção perdida Teoria pálida essa que omite o torcedor.

possivelmente o mais importante (O Estado de S. década de 50. ou seja. imaginando-o apenas um figurante na história. Teoria pálida essa que omite o torce- dor. ima- gino que os jogadores podem explorar toda a sua técnica e usar sua garra. a emoção. Ao invés. Contudo. impelindo o jogo ao nível dramático. suas emoções rapidamente são con- troladas. na da técnica normativa de então.p65 78 22/8/2008. em que o goleiro brasileiro O sistema de lide e da pirâmi- Walter afasta o perigo com um soco na bola. entendi que o jorna- lismo praticado em outras áre- as deveria obedecer aos rigores Lance de um ataque dos italianos. Há quem sustente que as competições restringem as emoções somente aos seus praticantes. estaríamos. seu componente mais sa- boroso. sempre contestei o acerto do emprego desses esquemas em duas editorias: Polícia e Esportes. sei que vou avançar para situações. Afinal. 78 Cadernos da Comunicação comunicação social. Essa introdução há de servir como uma ponte para ligação ao assunto que me é reservado: o jornalismo esportivo. Com mai- miolo finalizado. emoções não são privilégios dos atletas. E. 17:02 Preto . É a sua superação – sublimação mesmo. até aqui impermeáveis. De- Foto Internet tenho-me na principal delas. de invertida certamente tinha sentido. De cima da experiência de várias décadas de jornalismo e de professor uni- versitário. escravizando os pom- bos-correio da Agência Reuters a fim de atravessar mensagens pelo Canal da Mancha ou o revezamento de jograis para levar as novas aos mais longínquos quintais da Grécia e cercanias. Ao fixar-me em analisá-lo. algumas é verda- de. ainda. se não houvesse uma rebelião contra o imobilismo jornalístico. Num dos jornais em que trabalhei. Pau- lo). até por uma questão de objetividade.

Esse entendimento era comum aos mais experi- mentados jornalistas. decisão do Mundial de 50. No Diário da Noite e no Diá- rio de Notícias. A modernização do tradi- cional diário paulista embutiu. a utili- zação do copidesque não prevaleceu apenas para enxugar o materi- al escrito mas. de cuja fundação participei. distante da rotina. Infelizmente. Michel Lawrence e Fausto Neto soube- ram cultivar a qualidade de texto. também. A diagramação do vespertino Ulti- ma Hora revelava maior liberdade. definhou. uma certa liberação no uso dos neologismos e outros que tais. após a perda de alguns no- mes acreditados. embora o mes- mo conteúdo neles aparecessem. torna- va-se necessário. Hamilton de Almeida Filho. em um logro ao leitor. inclusive com sua produção gráfica mais ousada. Guima. ao longo dos tempos. Daí. no mundo inteiro. sobretudo os de esportes. sustentamos igualmente nosso direito de escrever sem muitas peias. para adorná-lo. que colher a informação da boca do declarante – crua e dura – e transmiti-la sem melhor vestimenta. Confeitá-la. constituía-se. O velho francês Albert Lawrence. Dante Matiussi. Assumo a certeza de que as histórias esportivas nu- trem-se de componentes singulares. contudo. foi na revista Placar. Perdeu suas características principais. Veja-se dois exemplos de declarações publicadas. no fatídico Brasil X Uruguai. no mínimo. equilibrando seu peso ao fato descrito. Meu melhor momento. Maurí- cio Azevedo. Os irmãos Mesquita devem ter demorado para visualizar o Maracanã superlotado. gol era grafado como pon- to. de formas diferentes. a bela revista. Paulo.p65 79 22/8/2008. 17:02 Preto . serem narrados e comentados em linguagem própria. miolo finalizado. Aprendi. quase livre. avançam pelo universo das torcidas. não atribulou meus dias. Quando entrei para O Estado de S. Eis que Friaça chuta e marca o primeiro gol. Nesse caso. eletrizando-as por longo tempo. por não saber portugu- ês corretamente. também. 170 mil torcedores agi- tam-se e um coral gigantesco grita: “ponto”. Série Estudos 79 or força. tornando-o mais saboroso ao gosto dos leitores.

os irmãos Wolney e Doalcey Camargo. sobretudo nos dois maiores centros culturais do país – Rio e São Paulo: Oduvaldo Cozzi. o tempo todo. voltavam-se para o mesmo lado. considerei. Desci ao nível do chão e. engraçado. Waldir Amaral e. Nomes de grande expressão rivalizavam com Gagliano Neto. Naquele dia. em Gotemburgo/Suécia) (Do livro O jogo bruto das copas do mundo) 1938 – Copa do Mundo da França – A voz poderosa do locutor Gagliano Neto atravessa o Atlântico. Pelé ainda estava no alto cabeceando a bola. Ele nos lesou. Parecia o prenún- cio. do sucesso do rádio brasileiro. com seu futebol de mentiras. a hipótese de não voltar a Moscou. ultima- miolo finalizado. Ruy Porto. (Fachetti. referindo-se a Garrincha. notável zagueiro italiano. Nunca vi coisa igual. autorizando uma prospecção do que seria a reportagem esportiva. pipocando os aparelhos de- nominados capelinhas (por seu feitio semelhante a uma igrejinha). olhei para cima. perplexo. na coletiva de 15/6/58. Ary Barroso.p65 80 22/8/2008. (Tsarev. A fim de ser figurante de um circo. contava com mai- or impulsão. dali para a frente. em transmissões sensacionais. mais tarde cristalizado. até. nada faltava. Parecia um helicóptero em sua mágica capacidade de permanecer no ar o tempo que quisesse. Seu re- pertório. As pernas aleijadas. 80 Cadernos da Comunicação Subimos juntos – fora do tempo – para cabecear uma bola. constituía-se em um só drible. Mario Provenzano. certamente. Eu era mais alto e. Raul Longras. na Copa de 1970) Sua figura era grotesca. 17:02 Preto . como se fossem duas foices.

O rádio lhes ofereceu caminhos livres. Não há como fugir da análise segundo a qual o locutor tem incumbência múltipla. tornando-os espectadores de algo que não vêem. até hoje. o czar das transmissões esportivas das décadas de 60 e 70: “Você tem que maquiar o jogo para fazer o ouvinte vê-lo. 17:02 Preto .p65 81 22/8/2008. qualquer compromisso com a ordem direta das Pelé marca o segundo gol do Santos. Mas criticá-las seria. Adianto que. uma covardia. sobretudo.Pre-ponderância mesmo no ano de 1966. a um só tempo. Não havia e não há. numa magia merecedora de aplausos. além de ouvi-lo”. Eles criaram estilos vários. frases. expositivas e. muitas vezes redundantes. A definição melhor é a de Waldir Amaral. Série Estudos 81 mente. os locutores têm que fugir do factual e criar situações nem sempre reais para transferir em emoções aos ouvintes. só de orações intercaladas e apostos explicativos. Afinal. tudo num malabarismo vocal admirável. Suas transmissões eram. nas emissoras cariocas. ainda. José Carlos Araújo. Pedro Luiz. salientando- se. Rebelo Júnior. no mínimo. analí- ticas. Fiori Giglioti e José Silvério. Ágeis nos raci- ocínios. Edson Leite. muitas vezes. o aspecto fantasioso da transmissão leva o ouvinte a sonhar com uma competição muito miolo finalizado. alguns locutores esportivos repousam seu trabalho em frases preparadas e encaixadas segundo o correr da bola. com vocabulários adjetivados tão do agrado dos Foto Internet ouvintes. narrativas. As transmissões esportivas não têm copidesque e nem sem- pre a regência do verbo está correta. em São Paulo.

Nada mais que isso. Talvez. Foi assim com Ary Barroso. o fator emoção deve sempre presidir essas programações. evidentemente. Nada há de supe- rar as fotos que aparecem nas falas. rádio e TV. As transmissões esportivas nas televisões exigem menos do narrador que não tem necessidade de preencher os vazios ocasi- onais da competição. Embora o rádio esportivo acione um só sentido. A imagem amplia a mensagem. cujo imediatismo torna-as portadoras de um grau de dificuldade bastante grande para repórteres e locutores. miolo finalizado. A imagem opera por ele. Inutilmente. 17:02 Preto . sua carga de emoção é maior do que a da televisão. De todas as formas. neste caso. mais recentemente. (*) Teixeira Heizer dedicou-se ao jornalismo esportivo desde os anos 50. Luiz Mendes. tanto os de rádio quanto os das televisões. 1977). A voz humana opera apenas como uma pálida legenda. a audição. figurando o áudio. preferencialmente). É autor do livro O jogo bruto das copas do mundo (Rio de Janeiro: Mauad Editora. esse fato condicione o telespectador a um esforço menor ao acionar seus mecanismos de atenção. Tais teo- rias. não se aplicam aos programas. ao mesmo tempo. como um componente meramente de apoio. Os narradores de televisão sempre tentaram imprimir a força de sua voz e seu estilo particular às transmissões. revistas. em jornais. Ruy Viotti e. mas ela alcança o receptor nem sempre preparado para recebê-la. Tanto é assim que nas décadas de 60 e 70 os estádios estavam repletos de torcedo- res munidos de rádios de pilha.p65 82 22/8/2008. embora esta se sustente sobre a audição e a visão. estes sujeitos às normas vigentes (frases e palavras curtas e em ordem direta. com Galvão Bueno e seus seguidores da Globo. exalando emoções por todos os lados. 82 Cadernos da Comunicação mais emocionante do que a vista no estádio.

p65 83 22/8/2008. Série Estudos 83 miolo finalizado. 17:02 Preto .

17:02 Preto .miolo finalizado.p65 84 22/8/2008.

o tempo para coleta de informações e para compreensão do fato torna-se um empecilho à produção. e o repór- ter acaba dependendo apenas do desenrolar dos fatos. mas que são determinados pelo aconteci- mento. com dados escolhidos pela equipe de reportagem. assim. Os dados dependem da característica daquela cobertura. Os dados são sele- cionados com tempo e cabe. o local e a competição já estão previamente marcados. auxilia o trabalho do repórter. inserir informações adicionais durante a transmissão. o texto começa a tomar corpo. as personagens já são conhecidas previamente e o levantamento da pauta. pela ausência de referenciais.p65 85 22/8/2008. As personagens já foram. escolhidas. por conter in- formações extras. porque a data. por informações que acrescentam muito pouco ao pú- blico que absorve aquela notícia. O jornalismo trabalha. mas no jornalismo esportivo o fato vem sempre antes. 17:02 Preto . Pequeno manual da reportagem esportiva Luciano Victor Barros Maluly* Introdução A reportagem esportiva possui aspectos diferentes de alguns se- tores do jornalismo. Em uma competição. tanto ao pauteiro – quando o veículo dispõe desse profissional – quanto ao repórter. primeiramente. O trabalho de reportagem começa com o interesse do jornalista em conhecer previamente todos os aspectos que envolvem uma competição ou um noticiário. E isso não é miolo finalizado. Se o repórter desconhece o assunto. Se o jornalista lida apenas com da- dos factuais. A notícia acaba sendo construída. são duas as explicações: ou ele tem poucas informações sobre o fato ou a pesquisa acrescentou muito pouco à cobertura. em sua maioria. É pelo processo de levantamento de dados que as idéias vão surgindo e.

os resultados anteriores dos clubes e dos atletas dentro daquela competição ou mesmo em eventos anteriores. se. Afinal. no entanto. Se um repór- ter repete demais alguns dados é porque tem somente tais dados. Nele. no jornalismo esportivo. prepa- rativos e desfechos de noticiários. mas para treinos. A pauta possui elementos que são primordiais para o desen- volvimento da matéria como um histórico dos personagens en- volvidos e do fato que está por acontecer. 86 Cadernos da Comunicação somente para coberturas de competições. 17:02 Preto . todos os aspec- tos devem ser desenvolvidos: os principais dados da vida pesso- al e profissional dos personagens. e isso só depende da quanti- dade e da qualidade da informação que é transmitida. a notícia é diferenciada e apresenta algo novo quem pesquisou está munido de informações extras. porque é dele que depende o interesse do público pelos clubes e pelos atletas. O histó- rico da competição também é incluído. as- sim como as regras da miolo finalizado.p65 86 22/8/2008. tudo que envolve o fato é importante. os principais confrontos entre os competi- dores e os episódios que fizeram parte daquela disputa.

o doping. por isso. 17:02 Preto . por exemplo. O conjunto de informações anteriores ao fato é relatado. a classificação. se um clube ou atleta atua próximo de sua torcida (se o clube ou o atleta atua em casa) são informações adicionais à matéria e que devem ser incluídas na pauta. não podem passar despercebidas. mas também do próprio torneio. No caso do Brasil. como as contusões. A torcida é um ponto de observação na pauta porque sua parti- cipação interfere diretamente no resultado de uma competição. Os bastidores de uma partida ou de um noticiário também são incluídos porque a competição está se desenrolando. Série Estudos 87 competição. assim como inciden- tes que podem ocorrer durante a partida. a escalação. a Ilustração Internet miolo finalizado. não só do esporte. são as maiores torcidas do Brasil) ou a localização. as torcidas organizadas tornaram-se parte do espetáculo e da cobertura jornalística e.p65 87 22/8/2008. os treinamentos. as punições. A quantidade expressiva de torcedores (Corinthians ou Flamengo.

o jornalista possibilita a interferência das fontes duvidosas e da própria empresa jornalística. A pauta é apenas um referencial para a cobertura. tes iniciais. O re- pórter começa assim uma peregrinação para sintetizar todas as informações incluídas na pauta. É evidente que. o outro já está em pauta. do encerramento da competição anterior. Se o atleta ou clube participa de um tor- neio. o repórter coleta informações no local do fato.p65 88 22/8/2008. o regulamento. 88 Cadernos da Comunicação torcida. As informações são coletadas com a pes- Corinthians – Paixão e glória. A matéria esportiva começa. mas também é importante ter fontes já pautadas e pesquisadas. 17:02 Preto . O maior número de informações au- xilia na composição textual e na produção da matéria. com dados brutos e condicionados aos bastidores e ao fato. A matéria é de responsabilidade do repórter que detecta e transmite o que é real- mente importante para o público e para os envolvidos na informa- ção. a comissão técnica (principalmente os trei- nadores). no âm- bito jornalístico. é possível colher informações que ain- da não tem e acrescentá-las à matéria. 2002). ser manipulado pelo entrevistado ou mesmo legitimar uma fonte imprópria. muito antes. Quando ele conhece o assunto e os entrevistados. A ausência de informações sobre os envolvidos e/ou sobre o assunto tira a credibilidade do repór- ter que pode. Se ficar preso à pauta. Os dados permitem ao repórter estar preparado para a escolha dos entrevis- tados e para a própria entrevista de campo. que ele escolheu no local do fato ou mesmo pautou sem antes conhecê-la. pelo desconhecimento. antes. de Juca Kfouri (São Paulo: quisa em arquivos e entrevistas com as fon- Bookmen. as federações e a imprensa. miolo finalizado. porque os eventos desportivos são seqüenciais.

facilitaram a procura por dados antes de difícil acesso. principalmente a internet. A matéria fundamentada apenas Semanários famosos no início do século XX. As publicações dos meios de comunica- ção de massa são documentos acessíveis e com fontes considerá- veis. Um documento necessita da verificação do jornalista antes de ser transmitido. o jornalista confirma com as fontes se aquele dado é válido ou não. Série Estudos 89 pesquisa Qualquer tipo de pesquisa jornalística requer do profissional uma atenção especial diante dos dados. mas é importante confirmar com a fonte produtora ou mesmo com as especializadas a validade daqueles dados. Após a análise e captação da informação. Outra maneira de conferir a veracidade dos dados é comparando documentos. geralmente. por isso. As novas tecnologias. miolo finalizado. porque nem sempre eles são confiáveis.p65 89 22/8/2008. 17:03 Preto . o jornalista tem a possibilidade de confrontar e verificar as publicações. é publicada em vários meios de comuni- cação e. Uma notícia.

por- tanto. É importante.p65 90 22/8/2008. Assim. a especulação cien- tífica e tecnológica diante do novo ou mesmo do inédito trouxe ao jornalismo uma desconfiança diante dos fatos divulgados. nem sempre. a informação colocada via internet é confiável. Apesar disso. Muitos arquivos já estão disponíveis na web e os dados possuem validade para publicação. já que os meios de comunicação de massa poderiam ser utilizados como miolo finalizado. teses. As publicações de caráter científico (artigos. o que serve de alerta para os profissionais de comunicação. mas muitos dados são brutos. mas muitas notícias requerem uma quantidade de maté- rias para explicar um fato. pois. Os arquivos dos meios impressos como jornais e revistas e de emissoras de televisão e rádio são documentos um pouco mais confiáveis porque o jornalista pode citar de onde tirou determina- das informações e mesmo porque há uma legitimação junto ao pro- dutor e aos responsáveis pela publicação. Além de confirmar com os responsáveis pela notícia a vali- dade da informação ou mesmo comparar dados. Os meios eletrô- nicos servem como instrumento de auxílio na busca de informa- ções. 17:03 Preto . porque um fato vai se desenvolvendo conforme os acontecimentos. as publicações jornalísticas devem ser conside- radas como um todo. Uma cobertura jornalística pode ter apenas uma publi- cação. o jornalista tem de tomar cuidado com o desenrolar da matéria. O erro na captação da informação é possível porque muitos dados transmitidos pela imprensa podem ser falsos. do começo ao fim da apuração da notícia. 90 Cadernos da Comunicação pelo recurso das novas mídias é perigosa. livros. sempre desconfiar de uma publicação. Torna-se perigoso divulgar uma informação recortada antes do desfecho do fato. ou seja. dis- sertações e monografias) são reconhecidas como fontes confiáveis para a produção de uma matéria.

etc. peças de teatro. filmes. Além de auxiliar na criação do texto. principais fontes (pessoas ligadas ao tema com endereço. fone. O jornalista consegue explorar um contexto amplo na matéria. se tem uma validade desse tipo de informação. cinema. A pesquisa é elaborada de forma rápida e perceptiva. com personagens e histórias. a analogia enriquece de detalhes a reportagem.p65 91 22/8/2008. miolo finalizado. teatro. A cobertura é funda- mentada com diversos referenciais. É importante ter um banco de dados sobre determinado assunto. as informações artísticas e culturais são também utilizadas como um dado novo na matéria. Série Estudos 91 propagadores de falsas promessas ou falsas experiências e não como divulgadores de ciência e tecnologia. e-mail para contato). Produções artísticas e culturais como literatura. porque ele (jornalista) pode ser persuadido a ela- borar matéria muito mais de caráter publicitário do que jornalístico. Uma pesquisa é publicada quando os dados já foram previamente testados e. fax. en- tre outras informações. assim. O conteúdo do arquivo é composto por um resumo do assunto. fugindo da cobertura simples e factual da competição. títulos de obras já produzidas (livros. 17:03 Preto . Se um atleta foi personagem de um livro ou é semelhante ao prota- gonista ou mesmo quando uma história é parecida com a outra. endereços de sites.). Uma disputa pode ser transformada em espetáculo. O repórter desvincula-se do inédito e utiliza as pesquisas e as produções já comprovadas cientificamente. Em pou- cos minutos. fotografias. o repórter consegue recolher as informações necessá- rias para a sua matéria. A informação jornalística é sempre respeitada como um relato que acrescenta algo ao público. música são fontes úteis para o aprimoramento da matéria esporti- va. como é o caso da participação de um atleta em filme ou de uma personalidade ou de uma modalidade que esteja no conteúdo de um livro. matérias já publicadas em outros meios de co- municação.

a reportagem perde o teor jornalístico. Antes.p65 92 22/8/2008. Algumas virtudes. A matéria estaria pronta com o informe do torneio e dos envolvidos nele. Sem eles. dirigentes dos clubes e das fede- rações. como é o caso da comissão técnica. mas cabe ao jornalista perceber que. porque é aquele fundamento que o atleta miolo finalizado. uma disputa envolve personagens que nem sempre estão competindo. Os entrevistados são escolhidos conforme o grau de envolvimento com o acontecimento e seus depoimentos são interpretados pelo jornalista. aquele deta- lhe é o referencial para a cobertura. Em uma competição. são pontos que o jornalista pode explorar durante a entrevista. o local de treinamento ou se a torcida está a favor. mas é primor- dial ter um referencial. árbitros. o jornalista condiciona a matéria ao novo aspecto. Os competidores são as principais personagens da competi- ção e para entrevistá-los o repórter precisa conhecer os princi- pais detalhes da carreira daquele atleta. Os entrevistados são as personagens da narrativa. torcedores e a própria imprensa. como a altura ou a velocidade. como da área de saúde. durante e depois da competição. administração etc. Se outro fato acontece. Elas servem para buscar informações complementares ao fato. justificar os dados e humanizar a matéria. A escolha dos entrevistados é o momento mais delicado da re- portagem esportiva. 17:03 Preto . Os profissionais de outras áreas também são entrevistados para dimensionar o trabalho dos profissionais que atuam no esporte. direito. 92 Cadernos da Comunicação entrevista A fase de coleta de dados para a reportagem chega ao ponto crucial com a elaboração das entrevistas. no esporte. por- que os fatos estão condicionados à participação deles no desenro- lar da história. seria normal entrevistar os atletas envolvidos e recolher respostas dos competidores.

falsa expectativa diante do resultado. tem um diferencial que o des- Fotos Internet taca no universo esportivo. o retorno antecipado de uma con- tusão. mesmo em com- petições coletivas. O dever do jornalista é levar as informações ao público e deixar que ele as interprete. A expectativa da vitória é para todos (apesar de o acaso ser uma das características do esporte). na disputa e mostra os competidores como iguais. Uma série de resultados negativos de um atleta pode estar ligada à sua condição fí- sica. pode ser o fator da derrota.p65 93 22/8/2008. é importante colocar essas virtudes. en- tre outros fatores. se acertar. Dessa forma constrói-se. dificuldade de adaptação ao local da competição (clima. Série Estudos 93 vai explorar durante a competição. mas. 17:03 Preto .). A preparação física é um elemento que in- terfere diretamente no resultado de uma com- petição. Caso o atleta esteja preparado. interferem na performance do atleta. preparação física inadequada. alimentação desbalanceada. assim como os problemas pelos quais passou. As perguntas são colocadas de acordo com a competição e entre os competidores. pode ser o início de uma vitória. mas ela também causa a decepção. miolo finalizado. O jornalista esportivo precisa estar atento aos últimos resultados conseguidos pelo atleta e interpretar se aquele competidor (ou equipe) possui realmente condições de vitó- ria. Manchete Esportiva O jornalista despreparado envolve o público circulou de 1955 a 1959. um aspecto real da disputa. altitude etc. Uma contusão séria e ainda em fase de tratamento. eliminando uma Da Editora Bloch. para o público. Se ele falhar. porque cada um.

O jornalista esportivo passa a armar um cenário das competições. principalmente com uma série de perguntas sobre o problema. fazendo com que o público fique muito mais interessado na vida do atleta do que em sua performance durante a competição. As perguntas são elaboradas de acor- do com o universo vivido pelo atleta. 17:03 Preto . geralmente. Problemas pessoais apenas serão explo- rados fora dos torneios porque já existe um desconforto do competidor diante do fato e sua concentração pode ser prejudicada. A comissão técnica é a equipe de apoio e. também pode interferir na performance do atle- ta e o jornalista deve tomar cuidado com este fator. A ques- tão escolhida é que vai dimensionar o mo- mento do atleta e suas reais chances numa competição esportiva. Revista do Esporte: Assim como o aspecto físico. com as personagens sendo construídas por meio de fatos. mas não explorá-lo intensivamente. o emocional famosa na década de 60. é dela que miolo finalizado. Um atleta que obteve resultados negativos durante o ano tem me- nos possibilidades de vencer uma competição.p65 94 22/8/2008. Pode ser até interessante citar o fato. 94 Cadernos da Comunicação O perigo está em esconder do público algumas informações ou detalhes que poderiam ser ditos antes do resultado final. ao contrário de um atleta com resultados positivos e que não apresentou nenhum problema físico durante Foto Internet o calendário. Casos como envolvimento na justiça ou problemas de saúde com o atleta ou a família interferem na notícia e podem criar comoção ou mesmo uma falsa interpretação em relação ao noticiário. Evitar o sensacionalismo na informação é importante para a cobertura esportiva.

p65 95 22/8/2008. Um atleta lesionado. Outro fator que pode interferir no resultado e deve ser infor- mado ao público é se a comissão técnica elaborou planejamento para uma competição. o repórter deve observar se alguém da equipe técnica tem formação em Educação Física. é necessário destacar que a preparação do atleta foi deficiente e sua performance não é a ideal. como um profissional de Educação Física. desde o noticiário. concentração. O repórter deve dirigir-se ao responsável pela equipe (geralmente é o treinador) e perguntar a ele e também ao atleta se o trabalho de determinado profissional complementaria o treinamento. os meios de preparação (alimentação. A tática da comissão técnica para uma competição. fora de forma ou mesmo com algum problema psicológico é um dado esclarecedor para o público. um enfermeiro do esporte. precisa ob- miolo finalizado. se os competido- res dispõem de uma comissão técnica ade- Foto Internet quada para uma disputa. em primeiro lugar. um médico. Série Estudos 95 o repórter vai conseguir informações sobre a condição de cada um para a competição. O repórter. um fisioterapeuta. assim como se ele está evoluindo em algum aspecto ou se atingiu a condição física e psicológica ideal. altitude etc. um nutricionista. O repórter deve observar. 17:03 Preto . é importante destacar seu talento. caso contrário. mesmo sem as condições ideais. um psicó- logo. Se mesmo assim o atleta conseguir algum resultado positivo. como a escalação.) e as infor- mações sobre outros atletas. Muitas vezes. um fisiologista. os clubes ou atletas não têm nem comissão téc- nica. são alguns dos fatores que podem influenciar o resultado. No míni- mo.

96 Cadernos da Comunicação servar as fases de treinamento e. Os integrantes da comissão técnica. têm a tradição de omitir da imprensa a tática que vai ser utilizada numa competição. como os principais fundamentos utilizados durante a competição ou no decorrer da carreira.) são pontos que podem ser explorados já que determi- nam as condições mínimas para um ser humano que se dedica exclusivamente ao desporto. a alimentação balanceada. téc- nica e física). além dos pontos fracos que são e podem ser explorados pelos adversários. entre outros). especialmente os treina- dores. o vestuário (calçados. 17:03 Preto .. uniformes.. As estatísticas dos atletas também auxiliam na preparação porque determinam os elementos de instabilidade do atleta ou da equipe. O jornalista esportivo pode ilustrar a reportagem com números. a concentração (se o atle- ta tem como se comunicar com os familiares ou se o dormitório é confortável). elaborar um questionário de perguntas re- lacionadas à preparação. trem.. As perguntas são elaboradas de acordo miolo finalizado. “Esconder o jogo” é um artifício para surpreender o adversário. O jornalista tem de respeitar a decisão da comissão técnica..p65 96 22/8/2008. com per- Foto Internet guntas relacionadas aos atletas ou clubes. O período de trei- namento em relação a uma disputa (a quan- tidade de dias para preparação tática. o local de preparação adequa- do ou com poucas condições de uso (cam- pos ou ginásios esburacados ou com grama alta. o transporte ideal para a distância (ônibus. avião.). mas com as informações dos últi- mos esquemas táticos explorados nas competições é possível de- terminar o elemento surpresa e os elementos que serão utiliza- dos pelos concorrentes.

Jus- tamente por desrespeitar as regras ou desejar ser o centro das aten- miolo finalizado. Se ela joga ou treina há algum tempo com os mesmos atletas e com a mesma comissão técnica. os pontos fortes e os defei- tos. sua característica é uma surpresa. a altura. pois muitos não ad- mitem interferência em seu trabalho. mas torna-se parcial e antiético por parte do jornalista julgar um árbitro por uma falha durante o jogo. entre outros. mas jogar o tor- cedor contra o juiz é perigoso. mas se a equipe troca muito de comissão técnica e de atletas. A velocidade. como forma de esclarecimento. Outra falha é fi- car explorando o erro passado de um árbitro. O trabalho jornalístico visa informar sobre quais as condições de cada árbitro para dirigir uma disputa. Série Estudos 97 com as características de cada um. Se ele errou numa disputa anterior. ou seja. são elementos primordiais para uma competição individual. mas o jornalista deve insistir nas aplicações das regras e na ética do desporto como um todo.p65 97 22/8/2008. As entrevistas com árbitros são complexas. é possível também alertar sobre a força do conjunto de uma equi- pe. O pú- blico tem o direito de saber o porquê do erro. Já no coletivo.. a força. Um erro pode prejudi- car o trabalho de um ano inteiro. Um árbitro polêmico que geralmente cria confusão é um exemplo. 17:03 Preto . se possui curso de Educação Física ou algum curso oficial etc. a condição física (se está bem preparado e no peso ideal) e técnica (se o juiz co- nhece as regras. A arbitragem é o elemento decisivo no de- Foto Internet correr de uma disputa. não quer dizer que vá errar agora. valendo muito mais o valor individual do que o coletivo. se tem a bagagem ideal para conduzir uma disputa (pelo número de competições que participou e está participando). o estilo de jogo já está prede- terminado.

como ex-árbitros e professores. são motivados pela ne- cessidade do jornalista de obter informações extras para sua matéria.p65 98 22/8/2008. Os depoimentos coletados dos dirigentes. algum artigo continuar obscuro. o regulamento e seleciona os pontos duvidosos antes de questionar os cartolas. a comissão de arbi- tragem. A preparação do árbitro e a aplicação das regras continuam sendo o mais importante em uma notícia esportiva. os profissionais de Educação Física e os especialistas em arbi- tragem. O jornalista pergunta sobre as condições dos atletas e das equipes para a disputa. assim. Cabe ao repórter explorá-las ao noticiário por meio de entre- Foto Internet vistas com os árbitros. qualquer erro será motivo de taxação e polêmica. A insistência do repórter em polemizar a figura de deter- minado árbitro desvia a atenção do público para a arbitragem. benefícios e punição de pessoal (comissão técnica. que sempre acaba julgando previamente aquele juiz e. anteriormente. conforme o investimento. Se. Os investimentos nos atletas ou nos clubes por intermédio de contratações. ele acaba sendo alvo dos jornalistas que exploram seus erros e exageros. Os regulamentos também estão condicionados aos dirigentes. O jornalista deve mostrar os pontos miolo finalizado. dispensas. os chamados cartolas. O jornalista avalia. as federações. atleta e demais funcionários) ou mesmo na parte física (re- formas nas instalações do clube e aquisição de equipamentos) são determinantes para que o jornalista perceba se a agremiação está se preparando para a competição em que está inscrita. 98 Cadernos da Comunicação ções. o jornalista deve procurar um especialista em legislação desportiva e continuar confrontando suas dúvidas com os dirigentes. 17:03 Preto . mesmo as- sim.

o torcedor pode predeterminar uma fraca atuação por deter- minados motivos. principalmente. A responsabilidade do jornalista é grande. Toda a informação transmitida pelo repórter vai ser confrontada com a atuação dos competidores. ou aqueles que participam diretamente de trei- nos e jogos. são figuras participantes da cobertura jornalística. muitas vezes. Se uma equipe está com seu principal jogador suspenso ou se um atleta vem de sucessivas der- rotas. mas se o jornalista deixou de informar sobre os acontecimentos. o jornalista pode criar um elo de frustração diante da expec- tativa do torcedor. quando o este está atuando próximo de miolo finalizado. O público fica então precavido sobre a real possibilidade de vi- tória. O jornalista transmite as informações que real- mente podem interferir durante o desenvolvimento de um torneio. 17:03 Preto .p65 99 22/8/2008. O jornalista vai preparado para a entrevista porque sabe quais são os argumentos dos torcedores. Os torcedores. condicionado por aquilo que o repórter transmi- te. pois o torcedor fica. A participação dos torcedores é fundamental para a performance do atleta. Série Estudos 99 Fotos Internet duvidosos e esclarecer o que pode acontecer na competição com a opinião dos dirigentes e dos juristas. Se a performance for diferente da infor- mação. os torcedores irão trabalhar com outros referenciais.

Além disso. Um estádio lotado traduz a con- Fotos Internet fiança da torcida num bom espetáculo ou num resultado positivo. é benéfico para a captação de informações. O comparecimento dos torcedores ao local de competição tam- bém interfere. mesmo de outros meios de comunicação. um atleta ou uma competi- ção. 100 Cadernos da Comunicação sua torcida ou na cidade natal. A opinião deles torna-se necessária para complementar uma notícia. mesmo sendo o esporte um espetáculo de entretenimento. Outro ponto é quando os resultados anteriores foram positivos ou negativos. A intimidade e a discussão sobre jorna- miolo finalizado. o profissional de Comunicação é uma fonte com credibilidade junto ao público. seja este uma equipe. os colegas de profissão apresentam um conheci- mento maior sobre determinado assunto. Numa cobertura jornalística. Uma seqüência de vitórias ou derrotas aumenta ou diminui a ansiedade do torcedor por um resultado positivo. A preocupação do jornalista deve ser escolher um profissional que seja especialista no assunto e não apenas um amigo ou colega.p65 100 22/8/2008. mas o estádio vazio signifi- ca o desinteresse por aquele jogo. os profissio- nais de Imprensa tornam-se também fontes. O trabalho de alguns especialistas. Este acaba mostrando o quanto o torcedor está informa- do. 17:03 Preto . As perguntas precisam ater-se so- mente ao tema da matéria. Muitas vezes. O jornalista observa os fatos e questiona o espectador acer- ca das dúvidas que ele tem sobre os atletas e equipes e quais os pontos positivos que atri- bui à possibilidade de vitória.

torna-se necessário o depoimento de um advogado espe- cializado em Direito Esportivo. Dessa forma. principalmente a Educação Física. mas o fato de possuir vínculo com a fonte torna sua opinião parcial. mas um diálogo entre dois profissio- nais sobre um tema esportivo. miolo finalizado. Os especialistas são profissionais das mais variadas áreas do conhecimento (humanas.p65 101 22/8/2008. o engenheiro civil e o arquiteto são fontes com credibilidade. A pauta deve ser conduzida com precisão. Na reforma de um estádio ou de um complexo esportivo. Os depoimentos de profissionais vinculados às fontes oficiais. o Direito. O especialista é o elemento que vai proporcionar um possível esclare- cimento extra-oficial sobre o fato. 17:03 Preto . Não são dois colegas conversando sobre esportes. Série Estudos 101 lismo são então deixadas de lado. a opinião de um outro perito no assunto pode ampliar a informação e ajudar o público na interpretação de deter- minado fato. mas com clareza dos fatos. Os especialistas auxiliam na compreensão de pontos diretamen- te ligados ao esporte. exatas e biológicas) e seus depoimentos auxiliam no esclarecimento de determinado assunto que não ficou claro para o jornalista. O depoimento de determinados profissio- nais serve também para o repórter desvincular-se das fontes ofi- ciais ou daquelas que estão totalmente envolvidas com o fato. que fazem parte da notícia. sem preservar nem ferir o colega. Uma informação nova é importante para complementar a matéria e des- vendar dúvidas que podem prejudicar a interpretação do público. Um matemático é necessário no caso da pontuação em torneios que podem determinar a classificação de uma equipe ou atleta. Se o repórter tiver uma dúvida sobre o regulamento de um tor- neio. A opinião de um médico é impor- tante no caso da cirurgia que afastará um atleta de determinada competição. pois o tema é esporte e não o jornalista. são neces- sários.

sejam esses dados condicionados ao aspecto físico. além de esclarecer as regras do Foto Internet torneio e as reais possibilidades de cada um. diretamente relaciona- das ao assunto. o repórter elimina lacunas que podem complicar o entendimento do noticiário esportivo pelo público. táticos e técnicos da equi- pe ou atleta. Com eles. 102 Cadernos da Comunicação a Farmácia e a Medicina. para es- clarecer dúvidas. As perguntas devem ser sempre abertas. o aspecto jurídico. já que possui um conhecimento determinante para a compreensão básica dos aspectos físicos. mas sempre apresentando a possibilidade de um diálogo entre a fonte e o jornalista como forma de adquirir dados miolo finalizado. O repórter deve mesclar todos os competidores. como medicamentos e nutrientes. 17:03 Preto . Sempre haverá rivais numa disputa. técnico. Os especialistas par- ticipam da reportagem indiretamente. o profissional de Educa- ção Física trabalha como um consultor de esportes que vai ampliar a visão do público. O jornalista escolhe os entrevistados que podem contribuir para o esclarecimento dos fatos. os compo- nentes das substâncias ingeridas pelos atle- tas. como a legislação desportiva e os regulamen- tos. político ou estrutural. e assim por diante.p65 102 22/8/2008. mostran- do as chances de cada um na competição. seja ela individual ou coletiva. na Farmácia e na Nutrição. problemas relacionados à saúde do atleta. O mesmo pode ser observado com os outros profissionais: no Direito. Todas as pessoas envolvidas de forma direta ou indireta na notí- cia são fontes de consulta para o repórter esportivo. na Medicina. sobre o evento. Na competição. e também do repórter. A entrevista com diver- sos profissionais serve para ilustrar o que prejudica ou contribui para a performance do atleta. tático.

sem privilegiar um ou outro competidor. o mando de jogo modificado. O jornalista coloca o fato em destaque no início da matéria por ser o ponto de referência.p65 103 22/8/2008. Série Estudos 103 para esclarecer a importância de um fato esportivo. chuvas de última hora. A contusão de um atleta. o jornalista esportivo parte para a fase decisiva da seleção dos dados que vai possibilitar a construção da reportagem. Inicia-se o texto com o miolo finalizado. mas o jornalista que cobre o cotidiano do esporte tem de estar atento aos últimos acon- tecimentos que envolveram uma disputa. Outros fatores que podem interferir na performance do atleta são as últimas campanhas. A primeira informação é aquela que vai direcionar o texto e nela o jornalista esporti- Foto Internet vo opta pelo último acontecimento ou aque- le que interferiu diretamente no desenvolvi- mento do fato. seleção de dados e elaboração do texto Após a coleta dos dados. 17:03 Preto . a rivalidade dos adversários. Com a pesquisa e as entrevistas realizadas. São muitas as intervenções no desenrolar de uma competição e seria difícil listar todas. entre outros. mesmo sendo ele favorito numa disputa. uma suspensão pela federação ou a convocação para uma seleção (seja do país ou para al- gum evento esportivo) são acontecimentos que podem influenciar na performance de um competidor. o favoritismo para uma conquista. o jornalis- ta seleciona as principais informações para a elaboração do texto. com a pesquisa e as entrevistas.

na classificação do campeonato. É um momento da atualidade. O enfoque inicial vai direcionar o texto e seu desenvolvimento é o componente principal nesse momento de elaboração. Ao detectar qual será a abordagem principal. São talvez os dados mais fáceis de coletar e os que merecem maior atenção. por não serem fontes oficiais nem da competição. O jornalista esportivo pode ter di- versos dados. O repórter deve selecionar os dados que recolheu no local de treino ou no local da competição ou ainda com entrevistas realizadas diretamente com os envolvidos e complementar miolo finalizado. no local da com- petição. e as que de- vem ser selecionadas. mas sua função é de interagir essas informações com o trabalho de campo. o jornalista parte para a informação direta sobre a competição.p65 104 22/8/2008. com as notícias mais recen- tes sobre aquele acontecimento. nem dos atletas nem dos clubes. Trabalha- se aqui um esclarecimento sobre o último fato que interferiu na disputa. Um erro no horário. no nome dos atletas. como organizadores e competidores. acarretam uma falta gravíssima porque o públi- co compra aquela informação como prestação de serviços e vai se orientar por ela. da comis- são técnica. entre outras falhas. árbitros. A errata é injustificável neste caso porque a fonte consulta- da não foi a ideal e não tinha credibilidade para a mensagem. dirigentes. As informações checadas com as fontes oficiais. com dados ligados diretamente a ela. O repórter deve tomar cuidado em se pautar pelos dados recolhidos de outros meios de comunicação. na escalação de uma equipe (inclu- indo comissão técnica e dirigentes). desde fontes documentais a entrevistas indiretas (tipo fone ou e-mail). no preço dos ingressos. 104 Cadernos da Comunicação fato que está mais próximo do público. são as mais confiáveis. porque é essa informação que modificou por último a rotina dos fatos e tem uma probabilida- de maior de influenciar no andamento de uma competição. 17:03 Preto .

Além disso. A ruptura da co- municação interpessoal é um perigo para a própria profissão. de estar cara a cara com o entre- vistado. O público acredita no jornalista. mas sim do jornalista que tem a responsabilidade pela divulgação da matéria. A informação principal ou a última notícia é captada e transmitida por aquele repórter que esteve realmente envolvido com o fato. além de ser a demonstração de que os fatos estão sendo narrados de acordo com o ocorrido. A entrevista de campo traz consigo a complexi- dade das relações na cobertura esportiva e na construção da notí- cia. O comunicador passa de su- jeito para objeto. que. O erro em captar a informação apenas pela pesquisa e pela en- trevista indireta é que o julgamento por parte do jornalista fica con- dicionado ao fato secundário ou à interpretação de terceiros. por estar presente no local. 17:03 Preto . no jornalismo esportivo. Assim. Relacionar o entrevistado a determinado assunto não é função do público. Nada como sentir o ambiente. As entrevistas feitas no local facilitam a fase de coleta de dados. de observar o seu comportamento diante das questões que são colocadas na hora pelo entrevistador. pois elimina a complexidade da entrevista.p65 105 22/8/2008. ao perceber o mo- mento crítico. Série Estudos 105 com os dados que já tem. A matéria fica condicio- nada ao depoimento das fontes que podem conduzir ou manipular a informação como queiram. um elo de ligação entre o público e o evento. O diálogo direto do repórter com os envolvidos amplia e ilustra o trabalho de reportagem por causa da proximidade com os persona- gens. o repórter torna-se testemunha do fato. A participação do repórter no local do fato é. Sua participação como integrante do fato foi nula por estar ausente no processo de cobertura do acontecimento. ele pode perceber alguns fatores que interferiram diretamente no acontecimento. em suas miolo finalizado. coloca uma questão fora da pauta.

o jornalista deve buscar esclarecê-lo com as pessoas responsáveis pelo ocorrido. no caso da cobertura da competição. ou seja. por exemplo. As entrevistas realizadas com os atletas e a comissão técnica posicionam o público sobre o traba- lho realizado no local de treinamento. Uma preparação física inadequada ou uma contusão. pois ele é o re- presentante do público diante do tema abordado. Uma no- tícia transmitida pelo repórter esportivo começa. O público é infor- mado sobre a preparação física e sobre o desenvolvimento em cam- po nos treinamento antes da disputa. no caso de noticiários anteriores ao fato. O repór- ter expõe ao público o que realmente aconteceu com os participan- tes e contextualiza.p65 106 22/8/2008. Tudo o que ocorreu durante a fase de preparação foi observado durante a competição. pela relação com o tema. sejam elas dirigentes. o que facilita a cole- ta de dados no local de treino ou da competição. mui- to antes da competição. na verdade. seja individual ou coletivamente. A fase de preparação. está sempre em contato direto com o entrevistado. Uma pergunta bem colocada do jornalista instiga o público como se fosse ele o entrevistador. 17:03 Preto . além da comissão técnica e miolo finalizado. o jornalista esportivo transmite de for- ma direta como foi a preparação dos atletas para uma competição e os fatos que influenciaram essa fase do trabalho. torcedores ou a imprensa. e de performance. no primeiro dia de treinos. o trabalho dos atletas. O jornalista esteve atento a todas as fases e condicionou a performance do atleta ou da equipe à fase de preparação. Se algum fato anormal inter- ferir no cotidiano dos treinamentos. 106 Cadernos da Comunicação fontes e naquilo que está sendo divulgado A participação direta do comunicador em uma entrevista torna-se essencial. com certeza influenciaram a performance do atleta durante o tor- neio. Durante os noticiários. O jornalista esportivo. por meio de informações adicionais. é o momento crucial dessa fase da reportagem no jornalismo esportivo.

quando um atleta desperdiça a chance de uma vitória por um erro de conclusão ou quando é penalizado pelos juízes. miolo finalizado. busca o complemento com o depoimento de especialistas. o jornalista relata os acontecimentos con- forme a seqüência de lances ocorridos durante a competição. a informação diária. Caso necessário. em seguida as da comissão técnica. dirigentes. Série Estudos 107 dos atletas. O trabalho vai desde a chegada do atleta ao local. O mesmo acontece durante a disputa. como dissemos. As entrevistas escla- recem sobre os atributos e as falhas dos trabalhos das equipes e dos atletas diante do resultado final. destacando o motivo que ocasionou a vitória ou derrota. No final. Já durante a disputa. 17:03 Preto . ou seja. A opinião principal sempre é a dos atletas. mes- mo que não seja favorito. mas cabe ao jornalista condicionar o resulta- do à fase de preparação e também ao talento dos competidores. As entrevistas realizadas durante o evento devem ser colocadas conforme as fases do acontecimento. durante e de- pois da competição. A sensibilidade e o conhecimento do repórter são fundamentais por- que depende dele a seleção dos fatos principais. O mesmo acontece para com- plementar. torcedores e especialistas. destacam-se os vence- dores e os derrotados. caso seja necessário. passa pela disputa e termina quando todos vão embora. como no caso da interrupção de um torneio por causa de um dirigente que adentrou ao local da disputa. pois a mistura das declara- ções pode ocasionar confusão diante da seqüência temporal do fato.p65 107 22/8/2008. pode interferir no resultado final da com- petição. antes. destacando os principais em sua narração. a não ser que um deles venha a interferir diretamente no resultado. O fato de um atleta ter o aquecimento prejudicado mo- mentos antes da partida ou a desistência de um competidor. O jornalista tem de estar atento a todos os fatos que ocorreram na disputa. respectivamente.

Destaca o novo evento e alerta sobre as dificuldades e os atributos para a disputa. o próximo compromisso vai incluir diferentes competidores. traba- lhando-os em seqüência. A cobertura jornalística começa. O resultado final é mostrado pelo repórter como decorrente de uma série de fatores. porque. o jogo posterior. mestre em Comunicação Social pela Umesp e graduado em Co- municação Social pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). muitas vezes. 108 Cadernos da Comunicação O jornalista então mescla os fatos com os depoimentos. da Universidade Anhembi- Morumbi (UAM) e da Universidade de São Paulo (USP). ou seja. miolo finalizado. com pesquisas e entrevistas. (*) Luciano Victor Barros Maluly é doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP. 17:03 Preto .p65 108 22/8/2008. novamente. A reportagem deve ter uma li- gação com os fatos passados que foram transmitidos em matérias ante- riores a respeito da fase de preparação. torneios e fatos. o jornalista esportivo começa a trabalhar a próxima notícia. No final da matéria. sem deixar nenhuma dúvida sobre o que real- mente aconteceu naquela competição. É docente da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). A contusão de um atleta é um problema a resolver e que pode atrapalhar a performance futura.

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Foto Internet miolo finalizado.p65 110 22/8/2008. 17:03 Preto .

força e destreza rasgam o vento na performance magistral de Daiane. esporte. Seu ritmo alucinante de malabarismos frenéticos ins- creve uma poética desportista. em que o corpo emerge-se como instrumento de resultados pontuais entre arte e esporte.p65 111 22/8/2008. O movimento plástico do corpo atlé- tico lançado ao ar (des)materializa-se ao tocar o solo. cujo percurso perfaz uma mobilidade claramente sedutora – corpo preparado. Como pensar a reportagem em que o corpo destaca-se como arma esportiva? Nesta vertente. a matéria jornalística recorre ao corpo miolo finalizado. A combi- nação de velocidade. Na imagem de um salto acrobático perfeito. Como compreender a arte de Daiane dos Santos? O jornalismo esportivo tem um papel fundamental na troca de informações sobre o contexto olímpico de jogadores. dirigentes e patrocinadores. em que a notícia elabora diferentes transversalidades contextuais. 17:03 Preto . agilidade. A dinâmica deste trabalho objetiva tratar de mecanismos discursivos que ajudam a ampliar o conhecimento e a prática do jornalista e dos demais profissionais da área da comunicação diante da cobertura esportiva. atletas. que agracia o público/torcedor. Tomo como objeto de leitura a noção de corpo para nortear o instante preciso das marcações de Daiane dos Santos. jornalismo e mídia são circunstâncias operacionais. audácia e coragem de uma forma corpo- ral elástica. As coordenadas entre corpo. a ginasta brasileira Daiane Garcia dos Santos dança com desenvoltura. Wilton Garcia* Há um corpo esplêndido solto no ar.

dirigentes e patrocinadores. Seja através da captação de imagens e sons com o uso de aparelhos digitais na imprensa escrita. No âmbito das grandes marcas de incorporações mercadológicas. fazemos dos exercícios físicos nos- sa morada. Mas hoje. os equívocos. O jornalismo esportivo tem um papel fundamental na troca de informações sobre o contexto olím- pico de jogadores. mensurada pela influência das novas tecnologias. a técnica jornalística sobre a pauta. Talvez na Grécia antiga fosse difícil imaginar um homem cor- rendo na rua ou numa praça. Pre- cisão e instantaneidade da notícia são características produzidas pela qualidade dos avanços tecnológicos e digitais. para cui- dar do próprio corpo. 17:03 Preto . de acordo com as novidades que acompanham seu regis- tro fidedigno. As entrevistas tornaram-se uma celebração discursiva à parte. A circulação da informação jornalística deve ponderar alguns fatores importantes. via internet e redes telemáticas. Efetivamente. cada vez mais. Os jogos Olímpicos de Atenas 2004 vieram demonstrar e co- roar os melhores competidores do mundo. A cultura do corpo saudável transversaliza a noção de competição para dar lugar a um discurso inflamado de possibilida- miolo finalizado. 112 Cadernos da Comunicação esportivo da garota como uma mediação entre objeto e produto. cada comentário fez parte de uma profusão de debates e de- poimentos que ajustavam as disputas.p65 112 22/8/2008. O trabalho da mídia neste evento pôde ajudar a apontar os er- ros. a matéria e a mensagem deve privilegiar a ética. ela não atua. que desenham essa nova cultura contemporânea. no rádio ou na televisão ou. Os recordes foram pro- longados. ainda. Cada maté- ria. bem como deve manter o grau máximo de flexibilidade sobre a transmissão da notícia. A cobertura jornalística completa deste evento pôde ser. na imediata transmissão dos fatos. apenas realiza sua ginástica artística. que deveriam ser evitados. as falhas. atletas. durante duas ou mais horas.

a elaboração de representações do corpo no es- porte contemporâneo? E principalmente. Sua espetacularização midiática é fruto de resultados satisfatórios. edição. Série Estudos 113 des mercadológicas. pergunto: É possível pensar algum esporte sem o uso do corpo? Qual seria a extensão dos predicativos e/ou traços para estabelecer. O jornalismo esportivo deve estar atento a essas nuanças do corpo no esporte. a manifestação do corpo.) e miolo finalizado. Das manobras discursivas apontadas pelas técnicas do jornalismo. pois estima-se que a qualida- de de sua performance vale ouro! Acredito que. Como pensar a reportagem em que o corpo destaca-se como arma esportiva? Nesta vertente.p65 113 22/8/2008. assim como se observa os jogos olímpicos – um dos maiores eventos esportivos que formaliza a prática do esporte no mundo. reportagem. As habilidades jornalísticas (redação. principalmente no contemporâneo. apenas realiza sua ginástica artística! Deste modo. em que a performance deve acusar bons aproveitamentos. é possível relatar um fato esportivo sem a representação do corpo? Existe uma série de questões que problematizam. pois o corpo da atleta é preparado para a competição e não necessariamente para uma simples exibi- ção. a matéria jornalística recorre ao corpo esportivo da garota Daiane dos Santos como uma mediação entre objeto e produto. Efetivamente. ela não atua. 17:03 Preto . Po- rém. o corpo deixa de ser apenas uma imagem para ser provedor de resultados. cada vez mais... na área esportiva. A história de Daiane dos Santos em Atenas 2004 teve um destaque fundamental para os observadores internacionais. as estratégias de uma reportagem sobressaem aos dife- rentes percursos consensuais que enunciam os fatos. é a partir dessas perspectivas contemporâneas sobre corpo e esporte que as escolas de comunicação devem preparar seus alunos como futuros profissionais para atuar no jornalismo.

miolo finalizado.. Atualmente. 2003). 12/2/1973. Emerson Fittipaldi comemora mais uma vitória no Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1. desenvolve pós-doutorado no Departamento de Multimeios do Instituto de Artes da Unicamp.p65 114 22/8/2008. 114 Cadernos da Comunicação comunicacionais (transmissão. distribuição. que observem e (re)considerem as inquietações do esporte nas passagens de dife- rentes estilos de vida. Foto Jornal dos Sports. entre outros. 17:03 Preto .. difusão. Organizou com Urbano Nojosa Comunicação & Tecnologia (Nojosa edições. (*) Wilton Garcia é doutor em Comunicação e Estética do Audiovisual pela ECA/USP.) devem inte- grar um cor pus de experiências flexíveis.

São Paulo: Arte & Ciência. Cor po e cultura. 2001. A cultura digital. Cor po e comunicação – sintomas da cultura. Bernadette e Wilton Garcia (Orgs. Rio de Janeiro: EdUERJ.). In: LYRA. 2002. Cor po e Cultura. Roger. Bernadette e Wilton Garcia (Orgs. O jogo e os homens. Wilton. Bernadette e Wilton Garcia (Orgs. Trad.). Cristina Magro. São Paulo: Nojosa edições. 2001. Belo Horizonte: Editora UFMG. 2002. 2003. São Paulo: PubliFolha. (Fo- lha Explica) GARCIA. COSTA. Bernadette. KELL. In: LYRA. ________. MATURANA. São Paulo: Paulus. Cultura midiática: perspectivas contemporâneas. Corpo e forma – ensaios para uma crítica não- hermenêutica. M. 1987. Humberto. SANTAELLA. 1997. Comunicação & tecnologia.).p65 115 22/8/2008. 17:03 Preto . Rocha (Org. Urbano e Wilton Garcia (Orgs.).). São Paulo: Paulus. As máquinas falantes. Lisboa: Cotovia.). São Paulo: Xamã-ECA/USP. GUMBRECHT. In: NOVAES. O homem-máquina: a ciência manipula o corpo. O corpo em agôn. LYRA. Rogério da. A ontologia da realidade. Adauto (Org. LYRA. _______. Miriam Graciano e Nelson Vaz. 2003. Culturas e artes do pós-humano – da cultura das mídias à cibercultura. miolo finalizado. João Cezar de C. 2004. 1998. Maria Rita. São Paulo: Cia das Letras. Hans Ulrich. O corpo espetacularizado. Série Estudos 115 Bibliografia CAILLOIS. Lúcia. In: NOJOSA. 2003. Cor po e imagem. São Paulo: Xamã-ECA/USP.

bold. corpo 8/9. na Imprensa da Cidade.p65 116 22/8/2008. subtítulos em LiquidCristal. e notas em Arial. corpo 8/9. 116 Cadernos da Comunicação Este livro foi composto em Garamond. corpo 18. Miolo impresso em papel offset 90gr/m2 e capa em cartão supremo 250gr/m2. bold. miolo finalizado. legendas em Arial. corpo 12/ 16. corpo 12. títulos em LiquidCristal. bold. bold. em setembro de 2004. abertura de capítulos em LiquidCristal. corpo 12. 17:03 Preto .