Neurociências e Terapia

Cognitivo-comportamental
A interseção da psicologia com outras áreas do conhecimento, é uma tendência
crescente. Até os primeiros trabalhos que serviram de base para a teoria behaviorista
serem formulados, os modelos oriundos da psicologia não podiam ser replicados,
generalizados para outras situações que não a experimental, e sua verificação era
contestável. Portanto, a metodologia utilizada até então pouco contribuía para a produção
de conhecimento científico.

Com o rigor experimental alcançado pelo behaviorismo, observou-se a inversão
deste quadro. A partir de então, a aplicação da metodologia científica às teorias
psicológicas começou a ser valorizada. A Terapia Cognitivo-comportamental (TCC), que
tem no behaviorismo suas bases filosóficas, também segue o preceito de que é
necessário que uma área do conhecimento tenha suporte empírico e experimental para
que se produza conhecimento científico.

Ao longo do tempo, os estudiosos se dedicaram mais clarificar as bases
biológicas que estariam envolvidas com respostas medicamentosas. A literatura evidencia
a discrepância entre número de estudos publicados avaliando mudanças neurobiológicas
devido a intervenções com medicação versus o número de estudos em psicoterapia,
sendo o número de estudos com medicação significativamente maior.

Uma busca realizada na base ISI/Thompson Reuters indicou mais de 200
artigos por ano publicados a partir de 2008 relacionando medicação e neuroimagem, ao
passo que o número de artigos com diferentes psicoterapias e neuroimagem não passou
de 50. Possivelmente, essa disparidade está relacionada à visão de ciências que estudam
mente e cérebro como instâncias separadas. Contudo, podemos considerar que mente e
cérebro são integrados e interdependentes.

Os processos mentais exercem influência na plasticidade cerebral em vários
níveis, como celular, molecular, e em circuitos neurais. Para ilustrar essa relação,
Beauregard (2007), cita que pensamentos que induzem medo aumentam a secreção de
adrenalina, enquanto pensamentos relacionados à felicidade aumentam a secreção de

a aprendizagem pregressa da situação e a forma como ela é memorizada e recuperada. Afinal. cognições e comportamentos do indivíduo. por sua vez. influencia nas emoções. A TCC baseia-se no modelo cognitivo e articula-se com uma série de processos básicos. . A TCC oferece uma perspectiva interessante para a integração com o campo da neurociência.endorfina. e com o sistemas de crenças dos indivíduos no processo psicoterapêutico. Os processos neurais estão envolvidos com outros processos fisiológicos - como o imunológico e endócrino .que. os aspectos atencionais relacionados a situação. o que demonstra sua evidente relação com as neurociências. a forma como uma informação é percebida. produzindo alterações no padrão de comunicação sináptica de forma semelhante aos efeitos produzidos por drogas psicotrópicas. como percepção. estão associados à comunicação entre os processos mentais e cerebrais. uma vez que qualquer intervenção está vinculada a um suporte de pesquisa experimental e empírico. atenção e memórias. Por outro lado intervenções psicoterapêuticas atuam no tecido neural.

. alguns paralelamente a uso de medicação apropriada. As várias técnicas de TCC representam intervenções capazes de produzir alterações de longo prazo na emoção. notou-se que a TCC tem grande porcentagem de eficácia em todos eles. A relação entre neurociências e TCC pode ser comprovada por investigações neurocientíficas das hipóteses básicas da TCC que demonstram que (i) comportamentos funcionais e não-funcionais podem ser aprendidos através da aprendizagem ao longo da vida. Após serem observados os resultados de várias pesquisas que estudaram as mudanças neurobiológicas por estudos de neuroimagem em pessoas com diversos transtornos. na cognição e no comportamento de pacientes. outros apenas com uso da psicoterapia. conforme demonstrado pelo sucesso psicoterapêutico alcançado pelo uso de técnicas convencionais e não convencionais que têm correlatos neurobiológicos. devido a neuroplasticidade. atenção seletiva e memória e (iii) a atividade cognitiva pode ser alterada. (ii) a atividade cognitiva contribui para o comportamento disfuncional e experiências emocionais através de processos básicos como percepção.

embora os efeitos neurobiológicos de sua atuação ainda sejam pouco conhecidos. porque os transtornos de ansiedade são em partes caracterizados pela resistência a extinção de reações emocionais aprendidas a estímulos ansiogênicos e por comportamentos de evitação. A TCC favorece a reestruturação dos pensamentos e a modificação das emoções e comportamentos e promove novos aprendizados. Os resultados mostraram que a TCC regularizou os circuitos neurais disfuncionais envolvidos com regulação de emoções negativas e a extinção. Alguns aspectos interessantes diz respeito sobre os achados de neuroimagem decorrentes do tratamento com TCC versus medicação. A TCC abrange técnicas específicas que permitem tanto a extinção do medo condicionado quanto a regulação cognitiva de emoções que são as técnicas de exposição. Foi capaz de modificar a atividade neural disfuncional relacionada aos transtornos de ansiedade nos pacientes que responderam ao tratamento. . o paciente fortalece seu senso de controle. uma vez que auxilia o paciente a focalizar a atenção em outros estímulos que não estejam causando desconforto físico. A técnica da exposição favorece a extinção do medo condicionado. podem ter atuações semelhantes. Durante as exposições. A distração leva a redução dos sintomas de ansiedade. Portanto a TCC é capaz de promover mudanças neurobiológicas associadas aos benefícios terapêuticos já amplamente demonstrados. É considerada como estratégia de regulação cognitiva da emoção. A técnica de distração utilizada no tratamento com TCC. No entanto esses achados não foram homogêneos. Muitos transtornos mentais estão envolvidos com a incapacidade de controlar o medo e dificuldade de regular emoções negativas. A reestruturação cognitiva possibilita ao paciente questionar os fundamentos de seus pensamentos. revelando um caminho comum de modificação cerebral. Os circuitos neurais da extinção tem importante implicação clínica. A memória do medo uma vez estabelecida é relativamente permanente. distração e reestruturação. favorece que o paciente mude o fluxo de seu pensamento. reduzindo expectativas futuras de dano e aumenta seu senso de autoeficácia. Esses achados sugerem que a psicoterapia com TCC e a farmacoterapia em alguns casos. A TCC tem se mostrado eficaz no tratamento de vários transtornos mentais.