Clérigos regulares

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Clérigos regulares ou clérigos religiosos é um termo que designa os padres católicos ("clérigos") que são
também membros de alguma ordem religiosa ("regulares", um termo que significa "seguidor da regra" da
ordem), mas não são cônegos regulares, que são diferentes por possuírem uma catedral ou uma igreja
colegiada. Geralmente os clérigos regulares se dedicam de forma mais completa aos cuidados pastorais no
lugar das obrigações da "Liturgia das Horas" e tem menos observâncias penitenciais a cumprir em suas vidas
regulares.

Índice
1 Status canônico
2 História
3 Ver também
4 Referências

Status canônico
Os clérigos regulares são os clérigos da igreja que se dedicam à pregação, à administração dos sacramentos, à
educação dos jovens e outros obras pastorais e, ao mesmo tempo, são religiosos no mais estrito senso da
palavra, proferindo votos solenes e vivendo a vida comunitária de acordo com uma regra aprovada pela Santa
Sé[1]

No Corpus Juris Canonici, o termo "clérigos regulares" é frequentemente utilizado para designar cônegos
regulares e os clérigos regulares são considerados por alguns autores como uma subdivisão ou adaptação
moderna da família dos cônegos regulares. Isto acontece por causa da relação muito próxima que existe entre
os dois; pois apesar de distintos dos clérigos seculares por causa dos votos e da vida comunitária regrada, os
clérigos regulares forma uma classe distinta no estado religioso, a clerical, diferente da monástica, que inclui os
monges e os eremitas[1].

Há quatro diferenças entre os clérigos regulares e os monges. Em primeiro lugar, os clérigos se dedicam ao
ministério pastoral enquanto que os monges são dedicados à vida contemplativa e à solene celebração da
liturgia. Além disso, os clérigos são obrigados a cultivar as ciências sagradas enquanto que os monges podem
fazê-lo, mas não estão obrigados. Os clérigos devem ainda usar um hábito que idêntico ou parecido com uma
veste clerical, uma obrigação inexistente para os monges. Finalmente, o nível de austeridade requerido dos
clérigos, por conta de suas funções, é menor do que aquele que caracteriza a vida puramente monástica[1].

Apesar de clérigos regulares e frades se dedicarem à ao ministério pastoral e ao estudo das ciências sagradas,
estes geralmente não são padres ordenados.

História
A data exata na qual os clérigos regulares aparecem na igreja não é conhecida com precisão. Alguma forma de
clérigos regulares já existia nos primeiros anos do cristianismo primitivo. Muitos eminentes teólogos defendem
inclusive que eles teriam sido criados pelo próprio Jesus, na forma dos apóstolos, que era os ministros de sua
igreja por definição e foram convocados por Ele pessoalmente para praticar os conselhos da vida religiosa[2].
Por ter fundado em sua casa uma comunidade de padres que levavam uma
Clérigos regulares
vida religiosa comunitária, para a qual uma regra foi criada, Santo Agostinho
(séc. IV) é considerado de forma geral como o fundador dos clérigos regulares
e, com base na sua regra, constituições de cônegos regulares e diversas
comunidades religiosas da Idade Média foram criados. Durante todo o período
medieval, os clérigos regulares foram representados pelos cônegos regulares
que, sob o nome de Cônegos Negros de Santo Agostinho, Premonstratenses
(conhecidos também como "Cônegos Brancos" ou "Norbertinos") e outros,
dividiam a posse das grandes abadias e mosteiros por toda a Europa com os
monges.
Jesuítas
Não foi até o século XVI que os clérigos regulares no sentido moderno (e
mais estrito) apareceram. Assim com as condições existentes no século XIII
produziram uma mudança no ideal monástico, o mesmo ocorreu no século
XVI, com uma profunda mudança na religiosidade da Igreja Católica. Este
desenvolvimento, adaptado às necessidades da época, ocorreu em vários
grupos de clérigos que, desejosos de viver de forma mais perfeita o exercício
de seu ministério sacerdotal resguardados pela vida religiosa, fundaram
diversas organizações, as várias ordens de clérigos regulares existentes hoje.
A primeira ordem a ser fundada foi a Congregação dos Clérigos Regulares da
Divina Providência, cujos membros são conhecidos como "teatinos", fundada
em Roma em 1524[3]. Em seguida vieram os Clérigos Regulares do Bom
Jesus, fundada em Ravena em 1526, mas abolida pelo papa Inocêncio X em
1651, e os Clérigos Regulares de São Paulo ("barnabitas"), de Milão, 1530[4].
Depois vieram os Ordem dos Clérigos Regulares de Somasca ("somascanos"), Camilianos
de Somasca, 1532; a Companhia de Jesus ("jesuítas"), 1534; os Clérigos
Regulares da Mãe de Deus de Lucca, 1583; os Clérigos Regulares Ministros
dos Enfermos ("camilianos"), Roma, 1584; os Clérigos Regulares Menores,
Nápoles, 1588[5], os Clérigos Regulares da Mãe de Deus das Escolas Pias
("piaristas"), Roma, 1621 e os Padres Marianos da Imaculada Conceição da
Virgem Maria, Polônia, 1673 (que, depois de uma renovação, tornou-se uma
congregação clerical em 1909).

Desde o fim do século XVII, nenhuma nova ordem foi acrescida a esta lista,
embora o nome "Clérigos Regulares" tenha sido assumido ocasionalmente por
comunidades que tecnicamente são apenas congregações religiosas ou Piaristas
piedosas, como os Clérigos Regulares de Nosso Salvador 1851–1919) e a
Sociedade do Pálio (1851).

Ver também
Clero secular
Clero regular

Referências
1. "Clerks Regular" na edição de 1913 daEnciclopédia Católica(em inglês)., uma publicação agora emdomínio
público
2. Cf. Suarez.
3. "Theatines" na edição de 1913 daEnciclopédia Católica(em inglês)., uma publicação agora emdomínio público
4. «About Us", The Barnabites»(http://barnabites.com/aboutus)(em inglês). Site oficial da ordem
5. «Clerics Regular Minor»(http://adornofathers.org/) (em inglês). Site oficial da Ordem
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