Ordem de Cister

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Ordem de Cister, ou Ordem Cisterciense (Ordo cisterciensis, O. Cist.,) é uma ordem religiosa monástica
católica beneditina reformada. Aos seus membros religiosos de clausura dá-se o nome de monges cistercienses,
ou monges brancos, como ficaram conhecidos devido à cor do hábito.

Há também na Igreja Anglicana, tanto na Comunhão Anglicana quanto no Movimento Anglicano Continuante,
Ordens com o Carisma Cisterciense, como a Ordem Cisterciense Anglicana no Brasil. Porém, não ligadas
canonicamente à Ordem Cisterciense Romana.

Índice
1 História
2 Papas Cistercienses
3 Os Cistercienses em Portugal
4 Os Cistercienses no Brasil
5 Arquitectura cisterciense
6 Abadias e mosteiros
6.1 Portugal
6.2 Brasil
6.2.1 Outros mosteiros inspirados no carisma Cisterciense mas não ligados
canonicamente à Ordem Cisterciense
7 Ver também
8 Notas
9 Bibliografia
10 Ligações externas

História
A sua origem remonta à fundação da Abadia de Cister (em latim,
Cistercium; em francês, Cîteaux), na comuna de Saint-Nicolas-lès-
Cîteaux, Borgonha, em 1098, por Roberto de Champagne, abade de
Molesme. Este, juntamente com alguns companheiros monges, deixara
a congregação monástica de Cluny para retomar a observância da antiga
regra beneditina, como reação ao relaxamento da Ordem de Cluny.

Através da "Charta Charitatis", em complemento à regra da Ordem
beneditina, Estevão - terceiro abade de Cister - estabeleceu que a
autoridade do suprema da Ordem seria exercida por uma reunião anual
de todos os abades. Os mosteiros eram supervisionados pelo mosteiro-
sede, em Citeaux, e pelos quatro mosteiros mais antigos da Ordem.
Com a aprovação da Carta da Caridade, em 1119, surge propriamente a
Ordem Cisterciense, sendo assim a primeira ordem religiosa
canonicamente instituída da Igreja.

A ordem terá um papel importante na história religiosa do século XII, Armas da ordem de Cister
vindo a impor-se em todo o Ocidente por sua organização e autoridade.
Uma de suas obras mais importantes foi a colonização da região a leste do Elba, onde promoveu
simultaneamente o cristianismo, a civilização ocidental e a valorização das terras [1].

Restauração da regra beneditina inspirada pela reforma gregoriana, a ordem cisterciense promove o ascetismo,
o rigor litúrgico e erige, em certa medida, o trabalho como valor fundamental, conforme comprovam seu
patrimônio técnico, artístico e arquitetônico.

Além do papel social que desempenha até a Revolução Francesa, a ordem exerce grande influência no plano
intelectual e econômico, assim como no campo das artes e da espiritualidade, devendo seu considerável
desenvolvimento a Bernardo de Claraval (1090-1153), homem de excepcional carisma. Sua influência e seu
prestígio pessoal o tornaram o mais célebre dos cistercienses. Embora não seja o fundador da ordem, continua
sendo o seu mentor espiritual [2].

Atualmente, a ordem cisterciense é de fato constituída de duas ordens religiosas e várias congregações. A
ordem da « Comum Observância contava em 1988 com mais de 1300 monges 1500 monjas, distribuídos em 62
e 64 monastérios, respectivamente. A ordem cisterciense da estrita observância (também chamada o.c.s.o.)
compreende atualmente quase 3000 monges e 1875 monjas, distribuídos em cento e dois monastérios
masculinos e setenta e dois monastérios femininos, em todo o mundo. São comumente chamados "trapistas",
pois a criação da ordem resultou da reforma da abadia da Trapa (em Soligny-la-Trappe, Baixa-
Normandia,França).[3].

Mesmo separadas, as duas ordens têm ligações de amizade e relações de colaboração. O hábito também é
semelhante. Os cistercienses são conhecidos como monges brancos em razão da cor do seu hábito.

Embora sigam a regra beneditina, os monges cistercienses não são propriamente considerados beneditinos. Foi
no IV Concílio de Latrão (1215) que a palavra "beneditino" surgiu, para designar os monges que não
pertenciam a nenhuma ordem centralizada,[4] em oposição aos cistercienses.

Papas Cistercienses
Papa Início Termino Período de Pontificado
Beato Eugênio III 15 de Fevereiro de 1145 8 de Julho de 1153 08anos 04meses 24dias
Papa Lúcio III 1 de Setembro de 1181 25 de Novembro de 1185 04anos 02meses 24dias
Papa Celestino IV 24 de Outubro de 1241 11 de Novembro de 1241 17dias
Beato Gregório X 1 de Setembro de 1271 10 de Janeiro de 1276 04anos 04meses 09dias
Papa Bento XII 22 de Dezembro de 1334 25 de Abril de 1342 07anos 04meses 03dias

Os Cistercienses em Portugal
A Ordem estabeleceu-se em Portugal pela primeira vez em Tarouca em 1144, antigo mosteiro beneditino.
Todos os mosteiros cistercienses do século XII mudaram de observância, só Alcobaça foi fundado de novo.
Durante o século XII as fundações mais importantes e numerosas são as das monjas: Lorvão, Celas, Arouca e
São Bento de Cástris, protegidas pelas infantas-rainhas Teresa, Sancha e Mafalda, e Odivelas todas dependentes
de Alcobaça. Durante este período não houve em Portugal ordem mais poderosa, devido sobretudo à riqueza de
Alcobaça que foi também o centro artístico e intelectual da Ordem.

As tentativas de reforma renovaram-se no princípio do século XVI, durante o qual viveu Fr. João Claro e se
fundaram os mosteiros femininos de Tavira e Portalegre e o Colégio do Espírito Santo em Coimbra e se
chamaram beneditinos de Monserrate para reformar Alcobaça. A reforma não conseguiu promover a separação
de Alcobaça, favorecida pelo cardeal D. Afonso e o cardeal D. Henrique. Os cistercienses mostraram então
grande vitalidade fundando vários mosteiros, para monges: o Colégio da Conceição, e o Mosteiro do Desterro
em Lisboa e para monjas, Mocambo em Lisboa e Tabosa deram grande
realce aos estudos históricos, onde se notabilizaram todos os autores da
Monarchia Lusitana. No século XVIII entram em decadência e são
extintos em 1834, seguindo-se a posterior extinção dos mosteiros
femininos.

O pensamento de Joaquim de Fiore, um cisterciense calabrês e filósofo
milenarista, teve profundo impacto em Portugal, estando na origem do
culto ao Divino Espírito Santo, ainda hoje bem presente nos Açores e
nas zonas de expansão açoriana nas Américas, e influindo no
pensamento do padre António Vieira (o Quinto Império) e dando uma
base filosófica ao sebastianismo.

A existência de um curso de água ou um lago é condição essencial para
a fixação desta ordem. Por isso não é de estranhar que muitos dos
conventos cistercienses tenha nomes associados à água, tais como
Fontaine-Guérard, Fontenay, Fontenelle em França ou Fountain em
Inglaterra.
Fonte do Mosteiro de Alcobaça
Os Cistercienses no Brasil
Desde 1938, a Abadia de Hardehausen estava transferindo seus monges
e seu abade, para o Brasil. Em 3 de abril de 1952, a Santa Sé suprimiu a
Abadia de Hardehausen, na diocese de Paderborn, Alemanha, que
existia desde 28 de maio de 1140, e transferiu para o Mosteiro de Nossa
Senhora da Assunção de Itatinga, na Arquidiocese de Botucatu.

A abadia de Itatinga recebeu: "todos os direitos e privilégios que até
então canonicamente, possuía a Abadia de Hardehausen e de que, em
geral, gozam as Abadias Cistercienses".

Em 16 de agosto de 1951, o bispo de Botucatu D. Henrique Golland Abadia Cisterciense em Itatinga
Trindade e o então governador do estado de São Paulo, Lucas Nogueira
Garcez, lançaram a pedra fundamental da Abadia em Itatinga. Além da
Abadia e da paróquia de Itatinga, os monges cuidavam ainda por uns
tempos da paróquia de Mairinque.

O Abade de Itatinga ficou sendo D. Alfonso Kiliani Heun até 1957 (era
Abade desde 1933) quando foi transferido para a Alemanha por Ordem
do abade-geral D. Sigardo Kleiner. Foi eleito, em seu lugar, D. Roberto
Fluck, antigo prior de Itaporanga, que recebeu a bênção abacial em 30
de maio de 1957, e no mês de julho foi eleito abade-presidente da
Congregação Cisterciense Brasileira. Abadia Cisterciense em Itaporanga

Mosteiro Nossa Senhora de Nazaré

Em 15 de setembro de 1993, alguns jovens, com a aprovação de seu Bispo, começaram a viver sob a Regra de
São Bento e, depois de alguns anos de contato com a Ordem Cisterciense, fundaram em 1998 o Mosteiro Nossa
Senhora de Nazaré, localizado no município de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. Essa Comunidade de
monges, que foi inicialmente acolhida pelo senhor Bispo da Diocese de Santa Cruz do Sul, o qual lhes deu
aprovação canônica, já figura entre as pré-fundações da Ordem Cisterciense, e, pelo contato com o Abade
Geral, com o Sínodo e com o Capítulo Geral da Ordem, apoiada pelo Bispo da Diocese, busca aprofundar uma
comunhão que deseja chegar à incorporação definitiva à Ordem Cisterciense. Apesar do acento fortemente
contemplativo dessa Comunidade monástica, vão até ali muitos visitantes, ansiosos por descobrir o Mosteiro,
ou por encontrar-se com Aquele a quem os monges consagraram suas vidas: o Cristo Jesus.
Arquitectura cisterciense
As Abadias cistercienses ficam
isoladas das cidades,
caracterizadas pela racionalidade
na articulação dos espaços e
despojamento de elementos
decorativos. Usam-se soluções
locais com materiais disponíveis
Mosteiro Nsa. Sra. de Nazaré e tradições culturais existentes.
O seu revestimento é branco.

A planta padrão respondia às exigências de funcionalidade e economia Planta tipo cisterciense
de espaço e de movimento abolindo o supérfluo. A planta articula a vida 1- Igreja
e as obrigações distintas de monges, noviços e conversos. 2- Porta do cemitério
3- Coro dos conversos
A igreja situa-se no ponto mais alto e estava do lado norte com o 4- Sacristia
claustro imediatamente a sul. A igreja adapta-se à rectangularidade 5- Claustro
global da composição com cabeceira recta (na Batalha já é redonda) 6- Fonte
com capelas no transepto. No braço sul uma escada comunica com o 7- Sala Capitular
dormitório. A igreja divide-se a meio entre monges e conversos. Não 8- Dormitório dos monges
tinha uma fachada monumental nem torres a acentuar a massa exterior. 9- Dormitório dos noviços
A planta baseia-se na relação 1:2. Há uma simplificação da tipologia e 10- Latrinas
exibição da própria arquitectura, a decoração centra-se nos capitéis. As 11- Caldário
naves laterais surgem quase à mesma altura da central. 12- Refeitório
13- Cozinha
O refeitório, mais a sul, sempre com a fonte em frente articula-se com o 14- Refeitório dos conversos
claustro. A cozinha,a oeste, divide o refeitório dos monges e o dos
conversos . Cozinha e refeitório voltam-se para o curso de água.

No lado Este alinham-se a sala do capítulo e a sala comunitária. O dormitório ocupava longitudinalmente todo
o piso superior. O complexo do edifício era rectangular marcado por contrafortes. Não havia casas de banho
nem uma residência independente para o Abade. Os dormitórios não possuem celas individuais.

Há dois tipos de claustro: o claustro do silêncio e claustros de carácter agrícola. O mosteiro cresce claustro, a
claustro.

Abadias e mosteiros
Portugal
Ano de
Nome Cidade Notas
fundação
Convento de São João de Tarouca Tarouca 1144 Masculino
Mosteiro de Santa Maria de Celas ou Mosteiro das
Coimbra 1221 Feminino
Celas de Guimarães
Mosteiro de Santa Maria de Lorvão ou Mosteiro de Lorvão, Masculino, depois
878
Lorvão Penacova feminino
Masculino, depois
Mosteiro de Arouca Arouca Século X
feminino
Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça ou Mosteiro de
Alcobaça ou Alcobaça 1178 Masculino
Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça
Convento de São Cristovão de Lafões ou Real
São Pedro do
Mosteiro de 1123
Sul
São Cristovão de Lafões
Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa ou
Carregal,
Convento de 1692 Feminino
Sernancelhe
São Bernardo de Tabosa
Santa Maria das Júnias
Santa Maria de Bouro
Santa Maria das Salzedas
Santa Maria de Maceira Dão
Santa Maria de Ceiça
Évora
Santa Maria de Cós
Santa Maria de Aguiar

Brasil
Ano de
Nome Cidade Notas
fundação
Abadia Nossa Senhora da Santa Cruz Itaporanga (SP) 1936 Masculino, Congregação Brasileira
Abadia Nossa Senhora de São São José do Rio Masculino, Congregação de São
1939
Bernardo Pardo (SP) Bernardo
Abadia Nossa Senhora Mãe do
Jequitibá (BA) 1939 Masculino, Congregação Brasileira
Divino Pastor
Abadia de Nossa Senhora da 1140-
Itatinga (SP) Masculino, Congregação Brasileira
Assunção de Hardehausen-Itatinga 1951
Abadia Nossa Senhora de Fátima Itararé (SP) 1953 Feminino, Congregação Brasileira
Mosteiro de Nossa Senhora do
Claraval (MG) 1969 Masculino, Congregação de Casamari
Divino Espírito Santo
Abadia Cisterciense Nossa Senhora Santa Cruz de
1973 Feminino, Congregação Brasileira
da Santa Cruz Monte Castelo (PR)
Abadia Cisterciense Nossa Senhora Campo Grande
1976 Feminino, Congregação Brasileira
Aparecida (MS)
Abadia Trapista Nossa Senhora do Campo do Tenente Masculino, Ordem Cisterciense da
1983
Novo Mundo (PR) Estrita Observância (trapistas)
Feminino, Cistercienses da Estrita
Mosteiro Nossa Senhora da Boa Vista Rio Negrinho (SC) 2010
Observância (trapistinas).

Outros mosteiros inspirados no carisma Cisterciense mas não ligados canonicamente à Ordem
Cisterciense

Ano de
Nome Cidade Notas
fundação
Mosteiro Cisterciense da Bem-Aventurada Virgem Maria Formosa Masculino, Católico, direito
2010
Nossa Senhora da Ternura (GO) diocesano
Rio
Masculino, Católico, direito
Mosteiro Cisterciense Nossa Senhora de Nazaré Pardo 1998
diocesano
(RS)
Abadia Nullius de New Kingsbridge - Ordem Goiânia Masculino, Igreja Anglicana,
1969
Cisterciense Anglicana - Mosteiro São Rafael (GO) direito diocesano

Fontes: Congregação Brasileira dos Cistercienses[5], CNBB[6], CRB[7], CERIS[8]

Ver também
Arte cisterciense
Ordens religiosas
Ordem Trapista
Bernardo de Claraval
Ordem Cisterciense no Movimento Anglicano Continuante (Brasil)
Ordem Cisterciense na Comunhão Anglicana [1]

Notas
1. Jean Chélini, Histoire religieuse de l'Occident médiéval, Hachette, Pluriel, 1991, p. 369.
2. Georges Duby, Saint Bernard, l'Art cistercien, Champs, Flammarion, 1971, p. 9.
3. Cf. Marcel Pacaut, Les moines blancs. Histoire de l'ordre de Cîteaux, Fayard, 1993, p. 358-359 e p. 360-361. Para as
estatísticas da OCSO, verOrdre Cistercien de la Stricte Observance (T rappistes) (http://www.ocso.org/HTM/net/monwb
-fr.htm)
4. Jacques Dubois, Les ordres monastiques, éd. PUF coll. Que sais-je?, 1985, p. 67.
5. «Cistercienses no Brasil»(http://www.abadiaitaporanga.org.br/cisterciensesnobrasil.html). Consultado em 31 de julho
de 2015
6. Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (2012).Catálogo da vida religiosa monástica e contemplativa. Brasília:
Edições CNBB. 52 páginas
7. Conferência dos Religiosos do Brasil.«Instituições associadas»(http://www.crbnacional.org.br/site/index.php/instituico
es-associadas). Consultado em 31 de julho de 2015
8. Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (2009).Anuário Católico do Brasil. 2009/2010 12ª ed. Brasília:
CERIS

Bibliografia
COELHO DIAS, Geraldo J. A. et alii (1999), "Cister no Vale do Douro", GEHVID, Ediçoes Afrontamento.
ISBN 972-36-0498-1

Ligações externas
Página oficial da Ordem de Cister
Cistercienses no Brasil
Abadia de Nossa Senhora da Assunção - Brasil
Abadia de Nossa Senhora de São Bernardo - Brasil

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