You are on page 1of 32

EDITORIAL

SUMÁRIO
SOB NOVA DIREÇÃO JULHO/AGOSTO 2017/06

A
pós a festa da Consolata, em junho, e o término
dos Capítulos dos missionários e das missionárias,
entramos no mês de julho para um período de
descanso, a fim de recuperarmos nossas energias
e enfrentarmos o segundo semestre do ano.
Saudamos de maneira especial os reeleitos Superiores Cristian Nonato, colombiano
Gerais dos dois Institutos fundados por José Allamano, é Jovem Missionário
da Consolata.
padre Stefano Camerlengo e irmã Simona Brambilla. Foto: Francisco Martinez
Também os Conselheiros e as Conselheiras que foram Dimensión Misionera
eleitos para ajudar a conduzir os Institutos pelos pró- Arte: Cleber Pires

ximos seis anos. No dizer de quem participou dos dois
Capítulos, realizados na Itália, foi um “tempo de graça e  ATUALIDADE----------------------------------------------03
união, uma experiência extraordinária”. Uma extraordinária experiência
Anair Voltolini
O mês de agosto, liturgicamente denominado pela
Igreja Católica como o mês das vocações, nos motiva a  JUVENTUDE----------------------------------------------04
A vida como dom de Deus
refletir sobre a importância de viver em plenitude a nossa Joice Naira Fernandes
vocação. Por que a escolha do mês de agosto? A Igreja  PRÓ-VOCAÇÕES----------------------------------------05
escolheu este mês em função do Dia do Padre, come- Um chamado para servir
Robério Crisóstomo da Silva
morado no dia 4, em honra a São João Maria Vianney.
 INFÂNCIA MISSIONÁRIA-------------------------------06
No início apenas as vocações sacerdotais e religiosas Alimento para a IAM
tinham destaque. Depois, o leque foi ampliado, até por- Patrícia Souza e Jaime Luiz Gusberti
que no segundo domingo do mês, já se comemorava o  VOLTA AO MUNDO-------------------------------------08
A12 / ACI/RTP/The Guar. / Aleteia / Ecclesia / Info Cat.
Dia dos Pais. Assim, lembramos durante agosto, de ma-
 ESPIRITUALIDADE----------------------------------------10
neira especial a importância da vocação, seja religiosa, Sementes da Palavra
sacerdotal ou leiga. O importante é colocarmos nossos Ronaldo Lobo
dons vocacionais a serviço dos irmãos e, como dizia o  TESTEMUNHO-------------------------------------------12
Bem-aventurado José Allamano, fazer o bem, bem-feito. Santa Bendita, rogai por nós!
Rosa Clara Franzoi
Entrevistamos nesta edição o padre promotor vocacio-  FORMAÇÃO MISSIONÁRIA----------------------------14
nal da arquidiocese de São Paulo, Messias Ferreira, que Para uma Igreja em saída
relatou as várias ações e trabalhos da Pastoral Vocacional Robério Crisóstomo da Silva e Kika Alves

na cidade, afirmando que é possível sim, a existência de  FÉ EM AÇÃO---------------------------------------------16
Vantagens em cooperar
uma Igreja missionária nos centros urbanos. A vocação Nei Alberto Pies
é uma semente a ser cultivada.  FAMÍLIA CONSOLATA-----------------------------------17
A Igreja no Brasil caminha para o 4º Congresso Mis- Unidos para dispersar-se...
Giacomo Mazzotti
sionário Nacional, a ser realizado na arquidiocese de
 MISSÕES RESPONDE-----------------------------------21
Olinda e Recife entre os dias 7 e 10 de setembro (vide A paróquia
rubrica Formação Missionária). Importante passo para Edson Luiz Sampel
fazer a Igreja ser sempre mais missionária, como insiste  ÁFRICA----------------------------------------------------22
o papa Francisco, uma Igreja em saída, a serviço dos po- A África que não existe
Isaack Mdindile
bres e marginalizados. Saibamos acolher e conviver com  ESPECIAL--------------------------------------------------24
os indígenas (vide rubrica Especial), afrodescendentes Indígenas na metrópole
e refugiados, na construção de outro mundo possível! Nayá Fernandes

Vivamos nossa vocação com alegria. A alegria do Evan-  CIDADANIA-----------------------------------------------26
Trabalho voluntário: solidariedade e missão
gelho, a alegria de ser parte do Povo de Deus! Onde quer Carlos Roberto Marques
que estejamos, em nosso lar, trabalho ou comunidade!  BÍBLIA------------------------------------------------------27
Que a Virgem Consolata, o Bem-aventurado José Moisés: a missão de liderar e conduzir
Mauro Negro
Allamano e irmã Irene Stefani nos acompanhem nesta
 ENTREVISTA-----------------------------------------------28
caminhada! Desejamos que eles também acompanhem Semente a ser cultivada
os trabalhos dos Institutos dos missionários e das mis- Maria Emerenciana Raia
sionárias e sua nova direção!   VOLTA AO BRASIL-----------------------------------------30
Acnur / Ag. Brasil / C. Brasil / M. da Saúde / POM

2 JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES
ATUALIDADE

Uma extraordinária
experiência
Missionárias da Consolata que animou as sessões de trabalho, os tempos de
reflexão e de oração, de encontros em assembleia e
realizaram seu XI Capítulo Geral de grupos. Sentíamo-nos todas como em uma barca
em Roma, encontro significativo fazendo-se ao largo, avançando rio acima, o Espírito
de avaliação e programação para do Senhor estava presente e insuflava com força as
velas, mas também muito viva e presente estava
os próximos seis anos. Maria, a nossa terníssima Mãe, a Consolata. Ao timão
da barca estava o Allamano – o Pai Fundador. Com
de Anair Voltolini essa poderosa guia e proteção, nos sentíamos bem
seguras e os trabalhos capitulares fluíam gerando
muita serenidade, paz, alegria e coragem para assumir

A
s irmãs missionárias da Consolata concluíram com responsabilidade e em comunhão os desafios e
no dia 7 de junho de 2017 o evento que reuniu as propostas para a caminhada.
em Roma, por quase dois meses, 40 missio- Três assuntos fundamentais constituíram o núcleo
nárias provenientes dos quatro continentes do Capítulo: a aprovação de três documentos já es-
onde estão presentes em diversas comuni- tudados por todas as irmãs: o Diretório Geral, que
dades com um único objetivo: viver e partilhar a fé orienta a vida do dia a dia das comunidades, o Plano
em Jesus Cristo e testemunhar e anunciar os valores Geral de Formação e o Regulamento Administrativo;
do Evangelho. a reflexão sobre a Reestruturação e Organização do
Este foi o terceiro Capítulo ao qual participei. Instituto; a aprovação de alguns temas para um iti-
Posso dizer que em cada um deles, na diversidade nerário espiritual-carismático a serem aprofundados
nos próximos seis anos. A eleição da
Direção Geral foi um momento cul-
ARQUIVO MC

minante de todo o percurso, com a
reeleição de madre Simona Brambilla.
Um espaço muito significativo foi
dado ao encontro com os missionários
da Consolata, também eles reunidos
em Capítulo, e um pequeno grupo
de Leigos Missionários da Consolata:
dois dias de reflexão e partilha sobre
a Evangelização hoje à luz da meto-
dologia missionária dos pioneiros da
Irmãs Carmelita Semeraro, Cecília Pedroza, Natalina Stringari, Jacinta Theuri e Simona Brambilla. Consolata enviados em Missão para
de tempos, de participantes e de temáticas, houve a África, aprovada pelo Allamano, e a mensagem da
sempre uma manifestação surpreendente da graça Bem-aventurada Irene Stefani à nossa atual presença
do Senhor. O Capítulo foi preparado e realizado num e ação apostólica. A percepção minha e de muitas/os
clima de muita oração, envolvendo não somente as foi que a missão partilhada, o espírito de colaboração,
irmãs Capitulares, mas todos os membros do Instituto. a inspiração original do Allamano de sermos Família
da Consolata em Missão, é hoje um valor confirmado,
Assembleia marcante mais reconhecido e mais luminoso. 
Esta assembleia marcou a minha vida e certamente
a vida de cada membro participante, pelo dom da Anair Voltolini, MC, é Superiora Regional
fraternidade, da partilha, da unidade de intentos das irmãs Missionárias da Consolata no Brasil.

JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES 3
JUVENTUDE

A vida como
dom de Deus
Deus pode, por caminhos que Apoio na religiosidade
só Ele conhece, dar ocasião Não se pode ver o suicídio como insanidade, ou
algo que faz a pessoa fugir de uma determinada
ao suicida de um benéfico situação imposta pela vida. A questão é muito mais
arrependimento. profunda e complexa. Sabemos que, para aquele
que desistiu de viver, argumentos normalmente
de Joice Naira Fernandes não são bastante para convencê-lo de que a morte
voluntária não é a saída. Contudo, o apoio dado
pela religiosidade pode ser muito positivo em al-

P
ara a Igreja Católica, a vida é um bem ina- guns desses casos. Para nós, cristãos, a felicidade
lienável e precisa de cuidados. Muitas são plena é algo espiritual e está interligada a esta Mão
as cartas encíclicas em que está presente Celeste que nos permite trilhar com mais segurança
o posicionamento da Igreja Católica acerca as sendas da vida. Não que esse trilhar venha de
da vida, sobretudo num contexto bíblico forma fácil, mas a caminhada se tornaria menos
da relação do Criador com a criatura, desde sua pesada e as sobrecargas e problemas poderiam
concepção até o seu fim neste mundo. O Catecis- ser encarados com mais esperança, coragem e
mo da Igreja Católica (CIC) aborda tal temática, amor pela vida.
Percebemos que, se pararmos para analisar
ARQUIVO POM

cartas ou conversas de pessoas que tiraram suas
vidas, iremos observar na maioria delas que são
pessoas que mesmo rodeadas de outras pessoas,
não conseguiram estabelecer laços duradouros
de convivência, mesmo até presentes no núcleo
familiar, onde já não existe família, mas “fami-ilhas”.
Recordo-me de uma palavra indígena, potiron,
do tupi que unifica duas ideias: po que denota
“mão” e a noção de tiron, que significa “junto”.
Por isso, a noção de potiron é a noção de mãos
juntas. Deveríamos acolher o sofrimento do outro,
Juventude Missionária Sul 1 reunida em Guarulhos, SP. orientar, aconselhar, ser elo e fazer parte dessa
considerando que, para avaliar a gravidade do “junção de mãos”, em outro sentido, ter empatia.
suicídio, é preciso que se conheçam as motivações, Passar por dificuldade e ver o caminho percorri-
que vão de fatores externos até aos psicológicos. do nessa jornada, por mais difícil que tenha sido,
No CIC nº 2282 temos: por causa dos distúrbios pode trazer uma beleza de ver a vida num ângulo
psíquicos graves, a angústia ou o medo grave da mais maduro, saber que após essa dificuldade há
provocação, do sofrimento ou da tortura […] isto a oportunidade de desfrutar de bons momentos
pode diminuir a responsabilidade do suicida. Con- e se questionar: “se eu tivesse me matado não
tinuando no nº 2283 estabelecendo que somente estaria vivendo isso hoje”. É preciso prestar mais
não se deve desesperar da salvação das pessoas atenção ao ensinamento que isso pode me trazer
que se mataram. Deus pode, por caminhos que só nessa superação, não se trata de fingir que as
Ele conhece, dar-lhes ocasião de arrependimento coisas não existem, mas é não dar uma dimensão
salutar, designando um certo tipo de desconstru- que não precisa ser dada. 
ção do que se pensava há muito tempo em que o
suicida estaria condenado ao inferno. Joice Naira Fernandes é coordenadora estadual da Juventude Missionária do Piauí.

4 JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES
PRÓ-VOCAÇÕES
ARQUIVO AMV

Um chamado
para servir de Robério Crisóstomo da Silva “Se Deus me chama hoje, não
sei se me chamará amanhã”

E
(Bem-aventurado José Allamano)
ste foi o tema da segunda etapa do encontro
vocacional promovido pelos missionários da
Consolata no dia 17 de junho de 2017, sábado, sua voz e as três dimensões da vocação humana. Na
no Centro de Animação Missionária e Voca- sequência foi feita a partilha do texto de Mt 20, 20-28,
cional - CAM, em São Paulo. Este encontro foi o qual aponta a missão de Cristo como servidor. Este
preparado pelas equipes tanto do Centro Missionário momento foi muito bem motivado e participado, pois
como também da comunidade do Seminário Teológico os jovens manifestaram que a missão como vocacio-
Padre João Batista Bísio, com o apoio dos seminaristas nados é buscar na caminhada vocacional, despertar
James Macharia e José Braz. em cada um a espiritualidade do Bem-aventurado José
O evento contou com a participação de vários jovens Allamano, buscando imitar Cristo em seu serviço de
vocacionados de São Paulo, os quais vêm fazendo uma promover a paz, a misericórdia e a concórdia entre as
caminhada de discernimento vocacional com os mis- realidades plurais hoje enfrentadas em todo o mundo.
sionários da Consolata. Em um clima de muita oração Para complementar este momento, os vocaciona-
e partilha das experiências que cada um vem fazendo, dos fizeram uma espécie de leitura orante com parte
a partir das suas comunidades de origem seguindo o do texto extraído do livro “Discípulos em Missão, um
carisma do Fundador dos Missionários da Consolata, caminho de espiritualidade”. O tema do texto foi:
o Padre José Allamano, se percebe jovens motivados “Amados e Chamados”.
e entusiasmados com o futuro que se concretiza na Em seguida tiveram a oportunidade de assistir
possível entrada dos mesmos ao Propedêutico, etapa um documentário com o nome: “Caminhos Abertos”.
inicial na formação do futuro religioso, missionário e Este material buscou oferecer uma abordagem de um
sacerdotal. jovem que ao deparar-se com as várias possibilidades
O encontro começou com um momento de aco- da vida, busca descobrir a sua vocação, ou seja, onde
lhida e oração feita pelo padre Robério Crisóstomo, empregar a própria vida em uma causa que verdadei-
missionário da Consolata e animador vocacional, o ramente valha a pena.
qual abriu um espaço para que cada um expressasse O evento foi concluído com uma celebração eu-
suas alegrias, dificuldades e perspectivas para o futuro. carística, animada e preparada pelos próprios jovens
Este momento foi bem acolhido pelo grupo e cada um vocacionados. Rezemos pelas vocações! 
manifestou seus sentimentos com muita tranquilidade

?
e serenidade. Robério Crisóstomo da Silva, imc, é coordenador da Animação Missionária e Vocacional
da Consolata na Região Brasil.
Chamado de Deus
Padre Robério procurou partilhar aspectos como:
o ato de chamar de Deus, a resposta do ser humano
PENSANDO SOBRE A SUA VOCAÇÃO
a Ele, os caminhos em que Deus nos deixa ouvir a VÁ EM FRENTE, VEJA A PÁGINA 18
JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES 5
INFÂNCIA MISSIONÁRIA

Alimento para a IAM
“Não se começa a ser cristão por assim como todas as demais pessoas, estabeleçam
um diálogo com Deus, cultivando a amizade com Ele.
uma decisão ética ou uma grande Isso tudo vai transformando o coração da pessoa. A
ideia, mas pelo encontro com um vivência da espiritualidade torna a criança e o ado-
acontecimento, com uma Pessoa, lescente sensíveis aos impulsos do Espírito Santo,
que dá um novo horizonte à que os ajuda a separar o que é bom, do que faz mal,
para si e para os outros.
vida e, com isso, uma orientação A espiritualidade é essencial para a vida de quem
decisiva” (DAp 12). se coloca como discípulo e discípula de Jesus. Quem
não a cultiva, não serve para ser missionário.
Para crianças e adolescentes missionários, a vida
de Patrícia Souza e Jaime Luiz Gusberti só tem sentido quando vivida na profundidade do
encontro com Deus. Se, para viver, necessitamos
nos alimentar, muito mais

A
ARQUIVO POM
s crianças e os ado- ainda, para corresponder a
lescentes sabem nossa missão, necessitamos
que o nosso tempo da força que vem da oração.
é marcado por uma Eis a razão de ser da espiri­
crise de valores: tualidade. A fé gera a oração,
da fé, da solidariedade, da a oração amplifica a fé. A vida
fraternidade, da justiça, do de oração alimenta, pois, a
verdadeiro amor. Por isto nossa espiritualidade, a nossa
precisamos de um caminho dimensão mística, e ajuda-
que nos faça reencontrar e -nos a realizar a missão que
aprofundar valores autênti- o Senhor nos confiou.
cos: esta é uma razão a mais Quando, em 19 de maio
para cultivar momentos de de 1843, dom Carlos Forbin
profunda vivência interior, Janson (1775-1844), bispo de
de espiritualidade. A este Nancy, França, fundou a Obra
respeito o papa Francisco da Infância Missionária, teve
na Exortação Apostólica o cuidado de que as crianças
Alegria do Evangelho nos e adolescentes crescessem
desafia a dizer sim a uma como pessoas, em todos os
Espiritualidade Missionária seus aspectos: fé, saúde, edu-
(78). A base principal desta cação, bem-estar, moradia.
espiritualidade é a Santíssi- A fé e a vida caminham lado
ma Trindade: Jesus enviado a lado. Dom Carlos desejava
do Pai na força do Espírito que as crianças e adolescentes
Santo, fonte da missão. se tornassem profetas de seu
A experiência de muitos tempo, sujeitos de uma nova
grandes homens e mulheres história, construída a partir
de todas as épocas - São da força que vem de uma
Francisco Xavier e Santa Teresinha do Menino Jesus, espiritualidade vivida no dia a dia. Não esqueçamos
por exemplo - ensinam que é dentro de nós que que a espiritualidade vai além de rezar e meditar, é
descobrimos e cultivamos os valores mais sólidos, antes de tudo um “estilo de vida”, construído a partir
que sustentam o nosso agir. É por isso que não do encontro com a pessoa de Jesus Cristo. 
existe Missão sem vida interior, sem a vivência de
momentos profundos de oração, de espiritualidade. Patrícia Souza, sds, é Secretária Nacional da IAM. Jaime Luiz Gusberti é padre dio-
São momentos para que a criança e o adolescente, cesano, de Caxias do Sul, RS, e secretário do Centro Cultural Missionário (CCM).

6 JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES
MISSÃO EM CONTEXTO

Encontro de amigos
Amigos da Consolata se reúnem plinada e sólida - ministrada pelos missionários e
pela sétima vez em Rio do Oeste, missionárias da Consolata - que os projetou para o
futuro, ajudando-os a ser o que são hoje: pessoas
Santa Catarina. bem sucedidas, honestas, que valorizam o bem e
a fé. Eles e elas usam muito esta frase: “o que sou
hoje, eu aprendi aqui!
de Rosa Clara Franzoi Mas, afinal, qual é a motivação principal, verda-
deira, que faz estes senhores e senhoras virem de
tão longe, deixarem seu conforto e tranquilidade de
um fim de semana? Além de quanto já foi mencio-

P
ela sétima vez o Grupo dos “Amigos da Con- nado, a grande motivação é manter a ligação entre
solata” realizou o seu Encontro Anual 2017, si, à Consolata, ao Bem-aventurado José Allamano,
em Rio do Oeste, Santa Catarina, entre os aos missionários e às missionárias e ao ideal mis-
dias 26 e 27 de maio. A Equipe organizado- sionário. Fazem questão de ter sempre a presença
ra, tendo como presidente Moacir Chiarelli de representantes dos padres e irmãs da Consolata,
estava empolgada e a programação, muito atraente. para que, através de uma palestra missionária, sejam
Os “Amigos da Consolata” formam um

BLOG AMIGOS DA CONSOLATA
grupo ‘original’, que surgiu há sete anos –
portanto em 2010 - na pequena cidade de Rio
do Oeste, que tem um belíssimo santuário
dedicado a Nossa Senhora Consolata, onde
os missionários tinham o Seminário São
Francisco Xavier e as missionárias tinham
o Colégio Pio XII, hoje, Colégio Estadual
Expedicionário Mário Nardelli, referência
na Região.
Ora, por ali passaram muitos jovens,
rapazes e moças, de Santa Catarina, Para-
ná, Rio Grande do Sul e até de São Paulo.
Alguns seguiram o ideal missionário e hoje
seguem sua vocação em vários países do
mundo. Outros, embora não tenham seguido o informados como anda o mundo da missão, embora
caminho missionário valorizaram muito o que ali sigam os acontecimentos pela revista Missões e um
receberam; e em 2010, lembrando um passado bom número deles sejam colaboradores, enviando
de fortes amizades, um grupo, liderado por Silvio mensalmente sua oferta para as Obras Missionárias.
Kafka começou a alimentar a ideia de convocar os Além disso, eles querem crescer sempre mais como
‘velhos amigos’ para se encontrarem e reviverem pessoas que acreditam na vida e no sucesso. Para
as saudosas lembranças. Claro que a princípio não isso, eles convidam todos os anos um palestrante
foi fácil, devido à falta de contatos. Mas é também renomado para uma conversa ‘motivacional’. O
verdade, que quando se quer algo que se acha deste Encontro foi o “Sr. Antônio de Souza Neto, de
muito importante, sempre se dá um jeito. Afinal, a Curitiba, Pesquisador da Vida Humana, Master em
primeira experiência foi tão boa e tão bem sucedida Coaching da Vida Empresarial ICI e True Direction
que resolveram levar a ideia adiante e formalizaram – USA”. Antônio vem dedicando 20 anos de estudo
um encontro anual. sobre o ser humano. Fica a pergunta: como não
voltar para casa revitalizados e com vontade de
Por que em Rio do Oeste? retornar novamente em 2018? 
Segundo os depoimentos, foi ali que encontraram
a primeira oportunidade de uma educação, disci- Rosa Clara Franzoi, MC, é membro da Equipe de Redação.

JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES 7
novembro. No dia 13 de junho, foi divulgada a
mensagem para a data, visando a preparação
da celebração. O papa inicia a mensagem com
a citação evangélica do tema central: “meus
filhinhos, não amemos com palavras e nem
com a boca, mas com obras e com verdade.
Estas palavras do apóstolo São João são um
imperativo do qual nenhum cristão pode
prescindir. A importância do mandamento
de Jesus, transmitido pelo discípulo amado
até os nossos dias, tem pleno sentido diante
das palavras vazias que saem da nossa boca”,
Brasil diz o papa. O pontífice termina a mensagem
Caminho de Santiago de Compostela convidando toda a Igreja a fixar o seu olhar
Na Solenidade de São Pedro e São Paulo, a todos que estendem suas mãos invocando
dia 29 de junho, foi inaugurado o primeiro ajuda e solidariedade. “Que este Dia sirva de
trecho no continente americano do tradicio- estímulo para reagir à cultura do descarte,
VOLTA AO MUNDO

nal Caminho de Santiago de Compostela. O do desperdício e da exclusão, e a assumir a
trecho escolhido fica em Florianópolis, SC, e cultura do encontro, com gestos concretos
é reconhecido pela Catedral de Santiago. A de oração e de caridade, para uma maior
iniciativa do Caminho Brasileiro conta com evangelização no mundo”. Os pobres não são
o apoio da Associação Catarinense dos Ami- um problema, mas “um recurso para acolher
gos do Caminho de Santiago de Compostela e viver a essência do Evangelho”, conclui.
(ACACSC), da Academia Brasileira de Hagiologia
(ABRHAGI) e da arquidiocese de Florianópo- Estados Unidos
lis. O projeto foi idealizado pelos peregrinos Homossexuais e castidade
Mariana Mansur e Fábio Tucci Farah, ambos O cardeal americano Robert Sarah, pre-
jornalistas. O trajeto de 21 quilômetros sairá feito da Congregação para o Culto Divino e a
da Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, Disciplina dos Sacramentos, disse que supor
passando pelas igrejas São Pedro e Nossa que os homossexuais não sejam capazes de
Senhora dos Navegantes, e chegará ao San- aprender a virtude da castidade é degradá-los.
tuário Sagrado Coração de Jesus. Segundo o cardeal, a castidade é uma “virtude
para todos os discípulos e os padres privam os
Vaticano homossexuais da plenitude do Evangelho se
Site do Sínodo da Juventude no ar não os chamam a viver castamente”. O cardeal
A Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos escreveu o prólogo do livro do autor Daniel
lançou no dia 14 de junho, um site para envol- Mattson, “Por que não me considero gay”.
ver mais os jovens na preparação do próximo
Sínodo, marcado para outubro de 2018. A Portugal/Inglaterra
nova página, disponível em http://youth. Incêndios fazem dezenas de vítimas
synod2018.va, apresenta um questionário Mais de dois mil bombeiros lutaram para
em várias línguas (italiano, inglês, francês, controlar um gigantesco incêndio florestal na
espanhol e português), sobre temas como região central de Portugal em junho. O fogo
religião, trabalho, família e redes sociais. O já tinha deixado até o dia 19, pelo menos
próximo Sínodo terá como tema os jovens, 62 pessoas mortas e dezenas de feridos. Na
a fé e o discernimento vocacional. Em ja- Inglaterra, a Torre Grenfell, na parte oeste de
neiro deste ano, foi divulgado o documento Londes, foi o palco de um outro incêndio, no
preparatório, anunciando a realização deste dia 14 de junho. A Torre possui 24 andares,
questionário online. nos quais moravam cerca de 600 pessoas.
O incêndio começou por volta da 1 hora da
Dia Mundial dos Pobres madrugada no quarto andar. Muitos ficaram
No encerramento do Ano Santo da Miseri- presos no prédio e não sobreviveram. Os
córdia, o papa Francisco instituiu o Dia Mundial mortos somaram, ao menos, 79 pessoas. 
dos Pobres, que será celebrado, neste ano, no
33º Domingo do Tempo Comum, em 19 de Fontes: ACI/RTP/The Guardian, Aleteia, Ecclesia, Info Catolica, Portal A12.
8 JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES
Intenção Missionária
JULHO - Pela Evangelização: Pelos
nossos irmãos que se afastaram da
fé, para que, através da nossa oração
e do nosso testemunho evangélico,
possam redescobrir a proximidade do
Senhor misericordioso e a beleza da
vida cristã.
FOTOS: JAIME C. PATIAS

AGOSTO - Universal: Pelos artistas
de Joseph Kihiko
do nosso tempo, para que, através
das obras do seu engenho, ajudem
todas as pessoas a descobrir a

S
egundo Hb 11, 1 “a fé é o firme fundamento beleza da criação.
das coisas que se esperam, e a prova das
coisas que não se veem”. A fé é totalmente
orientada para o futuro e liga-se somente ao Deus deu para cada um de nós talentos ou dons,
invisível. A fé é necessária para a salvação do uns com um só dom, outros com mais. Ele conhece
mundo. Essa fé tem duplo objeto que são crer na os nossos corações e sabe quando estamos usando
existência de um Deus invisível e crer também na os nossos talentos para a honra e glória dEle. O santo
sua providência remuneradora, fundamental para a padre chama a atenção de todos para estarem aten-
nossa felicidade. tos a estes dons e usá-los em nosso favor e favor dos
Para agradar a Deus, é necessário ter fé, pois quem outros. Não podemos ser preguiçosos e simplesmente
se aproxima de Deus tem de crer que Ele existe e nos acomodarmos em nosso mundo e não usá-los,
que se torna o recompensador dos que o buscam pois quando colocamos em prática esses dons, Deus
seriamente (Hb 11, 6). Infelizmente na história do nos dá muito mais.
cristianismo existem muitos cristãos que se afastaram A primeira carta de Pedro (1Pd 4, 10) afirma: “Servi
de crer em um único Deus. Existe um bom número uns aos outros, cada um conforme o dom que rece-
deles que ficaram desanimados pelas perseguições, beu, como bons despenseiros da multiforme graça
outros se afastaram porque não experimentaram de Deus”. Muitos artistas sentem que seu dom existe
uma verdadeira conversão e ainda têm que se afastar para a autoexpressão ou para obter reconhecimento
porque não vigiaram e oraram, caindo em tentação para si mesmo. Mas eles são chamados a servir o povo
e em laços. de Deus e a Igreja através destes dons que Deus deu
O santo padre chama os cristãos a rezarem para os a eles. Através da intenção missionaria do mês do
irmãos que se afastaram da fé para que eles possam agosto, o santo padre chama todos a rezarem para
abrir os seus corações e acolher Deus para morar os artistas, para que através de seus talentos possam
neles e possam vencer as barreiras que se opõem ajudar o povo a descobrir a beleza da criação. 
ao seu crescimento para que possam na essência ser
parecidos com Cristo. Joseph Kihiko, imc, é estudante de teologia em São Paulo, SP.

JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES 9
ESPIRITUALIDADE

Sementes da Deixemos que o Divino Semeador semente que precisa ser semeada
nos bons corações para ter uma
sempre prepare o terreno do nosso colheita farta. O semeador evoca
coração ao longo da nossa vida, uma cena comum da lavoura de
um pequeno agricultor. Nos dias de
semeie as sementes, para que haja hoje, onde tudo é mecanizado, dado
uma colheita frutuosa. a concorrência e o custo benefício,
é difícil achar um semeador que sai
para semear. Ainda assim, a imagem
de Ronaldo Lobo segredo, na narrativa. O primeiro ganha vida e dá asas à imaginação.
narrador verdadeiro é e continua Voltando para o tempo de Jesus,
sendo o dos contos de fadas’. São a vida de um camponês não era

A
liturgia dominical no mês de histórias sem nenhum registro es- fácil, com arrendamento, impostos,
julho aborda as parábolas crito, pertencem aos antepassados, pragas e secas, que minavam a sor-
do Senhor no Evangelho que tiraram dos mitos, contos, ritos te de uma colheita. No entanto, o
de São Mateus. O termo e dos ensinamentos. Jesus usava nosso semeador sai para semear.
‘parábola’ vem do grego este método e os camponeses da Se a semente é a Palavra de Deus,
parabole, que significa a colocação Judeia entendiam muito bem a sua deduzimos que o semeador é o
de coisas, uma ao lado da outra, mensagem. As religiões orientais, próprio Deus na historinha de Jesus.
para fins de comparação. Jesus ainda hoje usam esta técnica.
usava constantemente esta técnica O terreno
quando ensinava os seus discípulos A parábola Não sabemos como era prepa-
e as multidões. Eles se reuniam ao A comunidade do evangelista rada a terra nos tempos antigos
redor dele, ele contava historinhas, Mateus conservou muitas dessas e as técnicas que os agricultores
das quais os seus ouvintes tiravam historinhas, popularmente chama- usavam para ará-la. Mas as semen-
uma mensagem. O biblista B B Scott das de ‘parábolas do reino’. Um tes caíram à beira do caminho, em
diz ‘a parábola é uma metáfora ou grupo das sete parábolas encontra- solo pedregoso, entre os espinhos,
comparação tirada da natureza ou da -se no capítulo 13 e outras são e em terra boa. O resultado é obvio
vida comum, prendendo o ouvinte espalhadas ao longo do seu Evan- para os ouvintes de Jesus, como é
por sua vivacidade, e deixando a gelho. A maioria delas situada na do seu conhecimento, a semente
mente em dúvida suficiente sobre vida dos camponeses, das ações só pode permanecer na superfície
sua aplicação precisa para provocá- diversas que acontecem no dia a no primeiro caso, no solo pedregoso
-la até o pensamento ativo’. Jesus, dia dessas famílias. não tem como a raiz penetrar. Os
com certeza, aprendeu isso da vasta No texto particular de Mt 13,1- espinhos não deixarão a planta
tradição oral que a cultura judaica 23, o evangelista nos conta a pa- crescer, sufocam-na e somente no
fornecia no seu cotidiano. Já os rábola do semeador, ou melhor último caso tem chance de pro-
Rabinos ensinavam, contando e ‘das sementes e dos solos’, depois duzir uma boa colheita. Surgem
recontando histórias, as verdades explica-a para comunicar como fun- mais algumas dúvidas - será que
da Sagrada Escritura. ciona a Palavra de Deus. Entre linhas, o semeador, por falta de terreno
Ainda hoje, contar história é o a parábola narra as dificuldades que semeava em lugares públicos? Será
que mais acontece no mundo das as primeiras comunidades cristãs que semeava primeiro a semente e
crianças. Dizia Walter Benjamin tiveram no processo da evangeli- depois arava a terra? Dúvidas bestas,
que ‘o conto de fadas, que ainda zação. Os camponeses conseguem mas quem sabe, neste caso, tudo
hoje é o primeiro conselheiro das captar a mensagem apresentada de pode acontecer.
crianças, foi outrora o primeiro da forma simples por Jesus. A Palavra Veja outras adversidades que o
humanidade, permanece vivo, em de Deus é apresentada como uma semeador enfrenta: o chão batido,

10 JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES
Palavra
porque o homem é capaz de pe-
car, deve amar a Deus de todo o
seu coração, com toda a sua alma
e com todas as suas forças (Dt 6,
5). Somente quando a Palavra de
Deus toma conta do nosso coração
entendemos o projeto de Deus em
nossa vida e na vida da comunidade.
Jesus foi um grande exemplo para
os cristãos no seu jeito de ser mi-
sericordioso e cheio de compaixão
com os menosprezados. Há uma
enorme diferença quando as pala-
vras expressam a compaixão genuína
ou são ditas por obrigação. Esse é
um processo permanente da vida
do ser humano, cuidar o terreno do
seu coração. Lá acontece a conver-
são, surge o amor, a misericórdia,
o bem-estar e nasce a comunhão
e a fraternidade.
Jesus faz questão de dizer aos
seus discípulos que eles são capazes
de entender, mas ainda têm muito
a aprender. Diz a mesma coisa para
nós hoje. Enfatiza a fé, sem a qual não
temos como perceber a presença
do reino no meio da comunidade.
As metáforas usadas abordam várias
facetas das personalidades huma-
nas. O coração apedrejado desiste
logo do reino e não luta por ele. Há
aqueles que querem seguir a vonta-
de de Deus, mas também, tem um
compromisso com o materialismo,
a ansiedade para proteger a própria
vida. O que falar dos que sofrem
para plantar a sua Palavra nos cora- com corações empedrados! Mas
ções humanos! O termo hebraico há pessoas de coração puro que
para semente (zera) significa, não vivem uma vida de testemunho
apenas, a semente das plantas, sem alarde, emanam a presença
mas também o sêmen dos homens de Deus. Mas Deus continua a sua
os espinhos, as aves e o sol. Saben- e animais. Devemos entender a obra. Lembremos sempre de que ‘a
do da realidade daquele tempo, semente que no sentido espiritual, colheita e a semente são frequen-
podemos adicionar ainda: a seca, se torna a imagem simbólica da temente metáforas para diversos
o endividamento, o arrendamen- vontade divina. aspectos da relação de Deus com
to, os impostos, os gafanhotos, os O povo da Bíblia via o coração Israel’ (Manfred Lurker). Deixemos
dízimos, os empréstimos a serem humano como centro de todos os que o Divino Semeador sempre
pagos, as preocupações diárias de movimentos espirituais e corporais. prepare o terreno do nosso coração
um agricultor e uma família para Ele era sede da razão, da vontade, ao longo da nossa vida, semeie
sustentar na lista dos adversários. do sentimento, era simplesmente as sementes, para que haja uma
Todos eles não afetam a semente símbolo da vida. O grande manda- colheita frutuosa. 
diretamente, mas podem contribuir mento do Povo de Deus, ‘Escuta
ao estrago. Ou seja, não são poucas Israel’ apelava ao coração humano Ronaldo Lobo, SVD, é Superior dos Verbitas
as adversidades que Deus enfrenta em primeiro lugar. Precisamente, em Curitiba, PR.

JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES 11
TESTEMUNHO Com a invocação do
título, os cristãos
FOTOS: ARQUIVO MC

do Planalto de
Moçambique, da tribo
Makonde, continuam
até hoje clamando
por irmã Benedetta
Mattio, missionária da
Consolata falecida em
2002.
sabes quem é Mama Bendita?”
Irmã Benedetta – o povo a cha-
mava carinhosamente de Mama
Bendita, foi missionária da Con-
solata, italiana, uma das últimas
admitidas no Instituto pelo próprio
Fundador, o padre José Allamano e
que partiu para as missões da África,
Moçambique, muito jovem – não
tinha ainda 20 anos – e lá passou
toda a sua vida, até à idade de 94
anos, quando o Senhor a chamou

Santa Bendita,
para junto dele. Isto aconteceu no
dia 15 de abril de 2002, em Matola,
Moçambique.

rogai por nós!
Seus filhos
Para os cristãos, particularmente
para a tribo Makonde, a notícia
de sua morte foi um duro golpe;
e juraram que trariam de volta
seus restos mortais para que ela
de Rosa Clara Franzoi merecedora de ser venerada e descansasse junto deles. Diziam:
invocada como santa”. Só que um “Mama Bendita era uma de nós”.

O
forasteiro que chega ao Planalto Como soubessem que o translado
povo Makonde venera Makonde, ficará decepcionado ao do corpo por via aérea, do extremo
e invoca Santa Bendita procurar o nome de Santa Bendita Sul ao extremo Norte do Moçam-
como sua protetora espe- no calendário litúrgico. bique teria custado uma soma
cial. Mas, fica a pergunta: No entanto, nenhuma das muito grande, começaram a soltar
quem é Santa Bendita? pouquíssimas santas que hon- listas para angariar doações e assim
Irmã Dalmacia Colombo, uma das ram este nome, poderia suscitar poderem colaborar. E para mostrar
biógrafas de irmã Benedetta Mat- tanta devoção entre os cristãos da que estavam falando sério, escre-
tio, assim escreveu a respeito: “A tribo Makonde, que demonstram veram uma carta às missionárias
devoção a um santo ou a uma ter muita familiaridade com irmã da Consolata fazendo o pedido;
santa, não nasce do nada. Supõe Bendita Yanaswe. A este ponto, e entregaram as primeiras con-
a existência de uma pessoa, ca- a única solução é perguntar aos tribuições em dinheiro. As irmãs,
nonizada pela Igreja, e inscrita no seus devotos, como fez Jesus no consultando o Conselho Geral, na
catálogo litúrgico, depois de um caminho de Emaús: “que santa é Itália, ante tantas demonstrações
longo processo que prova ter sido essa que invocais com tanta fé e de amor e respeito pela falecida,
um cristão, uma cristã que praticou carinho?” Não estranhe o visitante acabaram cedendo. Assim, no dia
a caridade em alto grau e que se ao ver as pessoas se olharem ad- 22 de abril, às 6h, do aeroporto de
destacou na vivência de outras miradas e perguntarem: “tu és o Maputo, no voo da LAM partiu o
virtudes evangélicas, e, portanto, único que pisas nosso chão e não féretro, chegando a Pemba às 11h.

12 JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES
De Pemba a Nangololo são mais ou
menos 450 km. À saída do aeroporto
teve início o cortejo fúnebre for-
mado por muitas viaturas: carros,
caminhões e jipes superlotados,
porque eram muitos que queriam
acompanhar a Mama Bendita. Des-
de as 8h, uma multidão já esperava
ansiosa para dar o último adeus à
Mama. Ao longo das aldeias e cida-
des por onde o cortejo passava, o
povo se manifestava com atitudes
emocionadas, que demonstravam
muita gratidão. O cortejo chegou à
Missão de Pemba, a cidade, pelas
13h30. A multidão manteve-se a
um quilômetro, para que o caixão
pudesse passar de mão em mão até
a Igreja. Esta é uma tradição usada
quando fazem o sepultamento de
pessoas importantes.

Testemunhos eloquentes
Mama Bendita estava ali nova-
mente com eles. Durante a cele-
bração, houve dois momentos de
intensa participação: durante a
prece dos fiéis e depois, antes da
bênção final, na despedida.
Dona Geraldina Mwito, filha de
um dos primeiros casais cristãos
do lugar começou dizendo: “irmã
Bendita foi a nossa mãe, a mãe dos
nossos pais, dos nossos filhos e dos diante do caixão, prestou-lhe a sua vivo; eu não teria me formado
nossos netos. Ela nos escutava, homenagem: “Mama Bendita, tu professor, médico; eu não teria
nos orientava no caminho certo; és mais moçambicana que italiana; conseguido levar até o fim a mi-
ela foi uma de nós e nos amou és mais makonde que piemontesa. nha gravidez; eu, hoje, não seria
muito”. Vicente Ululo, ex-deputado Tu pertences ao nosso povo, não o pai de família que sou; eu não
da República Moçambicana, que só porque viveste 75 anos aqui seria sacerdote, religiosa; eu não
era criança nos anos 40, lembrou: conosco; mas também porque seria cristão, não teria conseguido
“naquele tempo nem os nossos aprendeste e usaste perfeitamente chegar a Deus”.
pais e nem nós compreendíamos a nossa língua, como qualquer um Uma das irmãs lembrava que
o valor da escola. Irmã Bendita, de nós”. Um outro senhor, simples havia quem distorcesse o nome
incansável, sem desanimar, todos os e humilde expressou o que tinha dela e a chamasse de “irmã Ban-
dias passava de casa em casa, para no coração: “Mama Bendita tratava dita” – que traduzido é ‘Bandida’;
explicar isto aos nossos pais e, com a todos com respeito e ternura. mas, fazia notar, que nem ela se
muita paciência, fazia-os entender Ela tomava sobre si os nossos ofendia e nem as pessoas se admi-
a importância de instrução, da es- sofrimentos, porque acreditava ravam. Aliás, houve quem dissesse
cola... E no final da conversa, ela profundamente que em cada um que aquele nome lhe caia muito
saía feliz, porque tinha conquistado de nós vivia o Cristo sofredor e re- bem, porque, de certa forma, ela
mais aliados. Eu posso dizer com dentor”. Porém, quantas pessoas, foi uma ‘bandida’, roubando muita
franqueza: sem irmã Bendita, eu naquele momento, com certeza, gente do caminho do mal, levando
hoje seria um analfabeto”. Já no terão sussurrado a si mesmas no todos para Deus... 
pequeno cemitério de Nangololo, silêncio do coração: “sem você
após a celebração, um senhor, Mama Bendita, eu não estaria Rosa Clara Franzoi, MC, é membro da Equipe de Redação.

JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES 13
FORMAÇÃO MISSIONÁRIA

Para uma Igreja
em saída
A Igreja Missionária
do Brasil prepara-
entre os dias 26 e 28 de maio, o seu
37º Encontro Estadual Missionário na
Paróquia Nossa Senhora Aparecida
Assessoria
Padre Estevão Raschietti, mis-
sionário xaveriano, assessorou os
se para a realização (Capelinha), na cidade de Franca, participantes e buscou apresentar
do 4º Congresso em preparação ao 4º Congresso de forma profunda e concreta as
Nacional, entre Missionário Nacional. formas adequadas que devemos
O Encontro contou com a presen- assumir para que o espírito de co-
os dias 7 e 10 de ça de 152 missionários de diversas munhão e profetismo não se torne
setembro de 2017 dioceses do estado e mais 60 pessoas algo pejorativo, mas que deve ser
na arquidiocese de envolvidas nas equipes de trabalho compromisso de todos os batizados.
e teve como objetivo animar a Igre- Padre Estevão é responsável pelo
Olinda e Recife, ja do estado de São Paulo em sua Centro Cultural Conforti (CCC), em
Pernambuco. missão, abordando o mesmo tema Curitiba, no Paraná e foi, por muitos
do 4º CMN. anos, diretor do Centro Cultural
de Robério Crisóstomo da Silva e Kika Alves

"A
alegria do Evangelho
para uma Igreja em sa-
ída”. Este é o tema do 4º
Congresso Missionário
Nacional (4º CMN) a ser
realizado na arquidiocese de Olinda e
Recife, em Pernambuco, nos dias 7 a
10 de setembro de 2017. O objetivo
do evento é impulsionar as Igrejas
locais para um dinamismo de saída e
caminhar juntos no testemunho da
alegria do Evangelho, da comunhão
e do profetismo. O evento também
está em sintonia com as prepara-
ções do 5º Congresso Missionário
Americano (CAM) a ser realizado
na Bolívia em 2018.
O Conselho Missionário Regional
(COMIRE) Sul 1 da Conferência Na-
cional dos Bispos do Brasil (CNBB) e
o Conselho Missionário Diocesano
(COMIDI) de Franca, SP, organizaram

14 JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES
Missionário (CCM), em Brasília, DF. discípulas de Jesus. Este discípulo através da Eucaristia, momento ma-
Tendo em mãos o texto-base do deve assumir uma postura de seguir riano através do terço missionário,
Congresso Nacional, os participan- os passos do Mestre. Cristo é que animação, noite cultural e partilha
tes ouviram o assessor falar sobre guia a sua comunidade, aponta para das distintas experiências de cada
o paradigma da saída missionária e onde deve ir. Sendo assim, o discí- diocese ou sub-região, houve seis
a Igreja sinodal que é da escuta e da pulo não deve colocar-se à frente do oficinas com temáticas reflexivas
reciprocidade e sobre a verdadeira Mestre. Foi Ele quem os chamou, lhes à luz do texto-base: Comunhão,
alegria do Evangelho que é fazer a ofereceu algo novo, desconhecido, Missão e Sinodalidade, Missão Inter
vida se tornar um dom. mas que agora é pegar ou largar. Gentes. Refugiados e Migrantes,
Para oferecer aos participantes Neste cenário Cristo promete que os Pastorais Sociais a Serviço da Missão,
uma reflexão acessível, dinamizada transformará em verdadeiros pes- Missão Ad Gentes: ir à outra mar-
em contextos atuais, padre Estevão cadores. Não podemos esquecer ou gem, Vocação Missionária a Serviço
partiu da seguinte reflexão: a origem deixar passar despercebido que para da Missão e Profecia e Martírio. Estas
da palavra “missão”, que significa eles é algo novo, e talvez estranho. oficinas tiveram boa participação
“envio”, “partir”, “sair”. Todo o “en- Questionam-se: “como assim, fazer dos integrantes do Congresso, em
vio” pressupõe um ponto de partida, de nós verdadeiros pescadores?”. clima de partilha e discussão.
um ponto de chegada e uma tarefa. Neste cenário, Jesus aponta para
Sendo assim, entendemos que o onde eles devem ir (“sigam-me”), Participantes
ponto de partida é Deus Pai, que desloca-os de suas atividades, suas Dentre os participantes do 37º
envia o Filho e o Espírito Santo, que amarras, dá a eles a missão de serem Encontro estavam o bispo referencial
por sua vez, enviam a comunidade, verdadeiros pescadores de homens. da Animação Missionária no Regio-
destinatária e protagonista do anún- A missão é andar solto, o discípulo nal, dom José Luiz Bertanha, o bispo
cio do Evangelho. Neste processo, o agora tem a tarefa de seguir os passos diocesano de Franca, dom Paulo
missionário percebe que o ponto de do Mestre. Não é um deslocamento Roberto Beloto, o autor do Hino e
chegada é a alegria da vida plena no aventureiro e virtuoso para “pregar da Oração do Encontro, padre Mário
Reino de Deus. A tarefa é anunciar o Evangelho a espaços geográficos Reis Trombetta, o frei José Carlos
a proximidade desse Reino, convi- cada vez mais vastos ou populações Barbosa, pároco de Nossa Senhora
dando as pessoas a se tornarem maiores em dimensões de massa, Aparecida, conhecida como Cape-
mas cumprir o que o Mestre linha e o padre Everton Aparecido
manda fazer”. A saída e o se- da Silva, da diocese de Presidente
COMIDI FRANCA

guimento dos quais falamos é Prudente e assessor do COMIRE.
uma saída profunda, que toca Na celebração eucarística de en-
as dimensões mais íntimas da vio, presidida por dom José Luiz no
vida dos discípulos. Não é sair domingo, os missionários recebe-
simplesmente para impor a ram a cruz e foram motivados pelo
própria vontade e a própria Evangelho do dia e pelas palavras
visão de mundo, mas apren- do bispo, a serem comunicadores
der com Ele a forma correta de esperança e paz. Os que irão
de anunciar. A causa aqui é participar do 4º Congresso Missio-
imitar as práticas do Mestre, nário Nacional receberam todas
ou seja, como aproximar do as orientações necessárias e nas
outro, o que oferecer para reuniões por sub-regiões conver-
o outro, o que falar para o saram sobre formas de se articular
outro. Entendemos que Jesus e animar as dioceses. A oração de
mostra um novo jeito de ser encerramento do Encontro foi um
pescador, pois não é somente momento mariano e a entrega da
sair com as boas intenções imagem de Nossa Senhora Apare-
de fazer do mundo uma só cida para a diocese de São José dos
família e ser solidários com Campos, que sediará o 38º Encontro
os mais pobres, e buscar com em agosto de 2018. 
isso apenas uma realização
pessoal, mas dar testemunho Robério Crisóstomo da Silva, imc, é coordenador da
da verdade. Animação Missionária e Vocacional dos Missionários da
Além dos momentos Consolata na Região Brasil. Kika Alves é coordenadora
liturgicamente celebrados do COMIDI de Franca.

JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES 15
FÉ EM AÇÃO

Vantagens
em cooperar
“Aquele que alivia o fardo do a nossa ação e a ação dos outros. Na verdade, a liber-
mundo para o outro não é inútil dade pressupõe um pacto de cooperação mútua para
que ambos alcancemos a liberdade, ou seja, somos
neste mundo” (Charles Dickens) sempre condição para a liberdade, nossa e dos outros.
de Nei Alberto Pies
Preocupa que, mesmo sem perceber, temos sido
muito permissivos na construção de um modo de vida
extremamente individualista, que prega o uso de todos

A
o desaprendermos a cooperação, empobre- os meios para a construção do sujeito social, inclusive
cemos nossas relações sociais e a própria o uso da violência e da competição desmedida. Neste
condição de humanidade que se realiza a contexto, não há nenhuma preocupação com a reso-
partir da interdependência com os outros. lução dos conflitos, com os contextos e as condições
Ao abrirmos mãos da intrínseca relação entre em que vivem os outros; busca-se somente consolidar
o eu e o outro, perdemos a dimensão da construção uma situação em que os vencedores se afirmam a partir
social que é sempre coletiva; que nos faz humanidade do sufoco, superação ou sufocamento dos vencidos.
em movimento.
Nossa cultura alimenta-se de ideários individualistas Solução
na medida em que estimula, ao máximo, a busca da O que mudou mesmo é que refinamos cada vez
superação pessoal, a partir de nossa autodeterminação. mais nossos instintos competitivos, dando-lhes uma
forma e um conteúdo mais definido. Além de estar
mais claro, este ideário está bem disponível às novas
gerações. E em tempos em que tudo o que é assimilado
deve ser aplicado, muitos, sobretudo adolescentes e
jovens, desafiam-se para colocá-lo em prática, sem
escrúpulos.
E a cooperação? Bem, a cooperação não traz van-
tagens suficientemente consistentes para inspirar um
ideário ou um estilo de vida. É geralmente tratada
como solução em situações limites de nossa vida como
nos conflitos interpessoais, nas relações de médico-
-paciente, na complexidade dos assaltos e roubos, na
ajuda humanitária e na solidariedade a pessoas em
iminente risco de vida.
As vantagens da cooperação servem mesmo para
promover a vida e a dignidade, para qualificar as
nossas relações sociais. A cooperação é uma ferra-
menta para nos fazermos gente. É a possibilidade de
A máxima expressão do modo de levar a vida hoje, vivermos em condições menos estressantes, capazes
para muitos, já foi cunhada pelos romanos: “se queres de reconhecimento mútuo e recíproco, capazes de
paz, prepara-te para a guerra”. Outra máxima: “minha compreender que ninguém se basta. Quem pensa
liberdade termina onde começa a liberdade do outro”, assim, nos acompanhe! 
propõe, igualmente, a construção de uma liberdade
individualista, supondo haver uma linha limítrofe entre Nei Alberto Pies é professor e ativista de direitos humanos.

16 JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES
Família
consolata

Unidos para
dispersar-se...
de Giacomo Mazzotti “Santo Inácio nos ensina

O
a fazer tudo para a maior
Fundador dos jesuítas, San- glória de Deus e a ser
to Inácio de Loyola, é sem
dúvida nenhuma, um dos
fortes no combate às
grandes mestres de José paixões. Vós deveis fazer
Allamano, como modelo tudo o que Deus quer e
de vida espiritual e, sobretudo, de procurar não só o bem,
“estratégia missionária”. mas o melhor”.
O laço mais evidente que unia
os dois santos é o simples fato que (Bem-Aventurado
José Allamano)
Allamano, além de reitor do San­
tuário de Nossa Senhora Consolata
foi também, por toda a sua vida, rei- a Obediência. Eis as suas palavras:
tor do pequeno Santuário de Santo “entrego-vos hoje, uma cópia da
Inácio; um Centro de Espiritualidade Carta que Santo Inácio escreveu
situado nos vales piemonteses de a seus filhos, sobre a virtude da
Lanzo, a 910 metros de altitude, Obediência e que enviei também
nas proximidades de Turim. Neste aos que estão na África, à qual
Santuário eram organizados, no acrescentei uma introdução. Quero
período de verão, dois cursos de pois, que a Obediência seja a vossa
Retiros Espirituais (para sacerdotes característica”.
e para leigos), e Allamano sempre Porém, de Santo Inácio, o Funda-
estava presente para a orientação dor admirou e imitou, sobretudo, o
espiritual dos participantes. Depois ardor apostólico. De fato, os jesuítas o que agrada ao Senhor; procurar
da fundação do Instituto da Conso- se destacavam, desde a fundação, não só o bem, mas o melhor; de-
lata, também os jovens candidatos pelo espírito missionário, pela dis- sejar ardentemente que Deus seja
à missão, aproveitavam para dias ponibilidade de irem em qualquer conhecido e glorificado. Santo Inácio
de oração, descanso e lazer, na parte do mundo aonde o papa os possuia este ardor: o fogo do amor e
maravilhosa moldura dos montes destinava e à disposição para qual- do zelo apostólico, que lhe abrasava
vizinhos. Também nesses encontros quer trabalho. Uma “Companhia” o coração... Ele não era um fraco; e
o Allamano fazia questão de marcar em movimento, cujos membros eu também não quero gente assim,
presença. se “unem para dispersar-se e se mas gente alegre e ativa. Quero
dispersam mantendo-se sempre gente que não se dissipe; que te-
Proximidade unidos”. nha uma vontade férrea: vontade
A “proximidade” afetuosa e con- Assim Allamano queria os seus de santificar-se, e que, tudo o que
victa de Allamano com o fundador missionários e missionárias: com o realizarmos aqui e na missão, seja
dos jesuítas, revela-se também no único sonho de partir em missão, para a maior glória de Deus!”. 
fato de ele ter proposto aos seus mas estreitamente unidos, como
missionários e missionárias a fa- uma família em “unidade de inten- Giacomo Mazzotti, imc, é postulador da Causa de Cano-
mosa ‘Carta de Santo Inácio’ sobre ção e ação”. Ele dizia: “Fazer tudo nização do Bem-aventurado José Allamano.

JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES 17
Com os PIMA
Missão com os akimel

ARQUIVO MC
o’odham = o povo
PIMA, nos EUA.

de Adelangela Paita

H
á mais ou menos dois anos
vivo em Sacaton, Arizona,
Estados Unidos, numa Re-
serva Indígena. Ali temos
uma Comunidade Missio-
nária entre o Povo PIMA. Trata-se
de uma tribo muito antiga, que
procura conciliar as tradições her-
dadas com a cultura de um país
em vertiginoso desenvolvimento.
Há séculos eles habitavam as
margens do Rio Gila - um rio que 2004, os ‘Direitos à Água’ foram próximo deposita sobre a campa
hoje não existe mais - mas que, reconhecidos e vários canais pu- alguns objetos pessoais do defunto
para eles, continua vivo, cercado deram ser construídos, oferecendo e todos se despedem dele. Feito
de histórias, lendas e poderes... a possibilidade do retorno da agri- isso, encaminham-se para o local
A história registra acolhida e cultura. A data de 10 de dezembro onde foi preparado o alimento, pela
ajuda seja por parte dos Miligan é celebrada com muita festa para família ou comunidade. A primeira
= os brancos, em relação a outros perpetuar a lembrança do grande porção é oferecida ao falecido e
povos ali confinados. Não obstante Gila. Hinos, trajes típicos e decora- é posta bem em evidência. Neste
o clima quentíssimo e semiárido, ções estilizadas que representam momento, inicia para o falecido um
eles souberam mudar o deserto as ondas do rio, são as principais longo caminho de quatro anos, para
em férteis campos, mediante uma características. poder retornar sobre seus passos e
rede de canais que irriga o plantio recolher o que pode ter ficado para
e garante as colheitas. A “Reserva Vida pós-morte trás... visitas a familiares e amigos
Gila Rivar Indian”, foi reconhecida Quando a morte os separa, a através de sonhos e intervenções
em 1895. A atual estrutura do gru- família ampliada reúne-se para particulares... Somente ao raiar
po é autônoma e foi aprovada em longas vigílias de oração e prepa- do sol do quarto aniversário de
1939. O próprio nome Gila Rivar ração do funeral. No cemitério os morte, ele conseguirá chegar à paz
Reservation indica o empenho deles presentes tomam parte das orações definitiva. A tradição PIMA ensina
de valorizar o passado e conservar e bênção do corpo. Depois, o fére- que, ao término deste período,
viva a memória de um rio, que era tro é baixado lentamente a terra, o morto não pode mais ser mais
tudo para eles. De fato, na década envolto numa coberta nova, em nomeado. 
1870-80 uma barragem desviou a cima de ramos entrelaçados, que
água, criando graves problemas protegem o corpo - segundo eles Adelangela Paita é missionária da Consolata entre os
e, sobretudo, muita pobreza. Em - do frio e do calor. O parente mais PIMA, Arizona, EUA.

QUER
QUERSER MISSIONÁRIO?
SER MISSIONÁRIO? QUER
QUERSER MISSIONÁRIA?
SER MISSIONÁRIA?
TEL.: (11) 2232.2383 TEL.: (11) 2231.0500
E-mail: amv@consolata.org.br E-mail: mc@consolata.org.br

18 JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES
ARQUIVO IMC
Nova Direção Geral
Padres Jaime Patias, Godfrey Msumange, Stefano Camerlengo, James
Lengarin e Antonio Rovelli (esq. para direita) são os membros da Nova
Direção Geral do IMC.

de Redação em 1984 na República Democrática cidade de Turim, norte da Itália,
do Congo, onde trabalhou na mis- o Instituto Missões Consolata
são, formação e direção regional. (IMC) é hoje uma Congregação

O
s missionários da Conso- De 2005 a 2011 ocupou o cargo pluricultural e internacional com
lata realizaram seu XIII de vice-superior geral. 982 missionários originários de
Capítulo entre os dias 22 No dia 13 de junho, a assem- 23 países, vivendo em 231 comu-
de maio a 20 de junho, bleia elegeu os quatro conselheiros nidades presentes em 28 países
em Roma, Itália. No dia que fazem parte da Direção Geral, de quatro continentes: África,
12 de junho reelegeram o padre assim constituída: vice-superior Américas, Ásia e Europa.
Stefano Camerlengo como Supe- geral, padre James Lengarin, que- Participaram do XIII Capítulo
rior Geral da Congregação para niano, segundo conselheiro, padre Geral 45 missionários: 22 afri-
os próximos seis anos. A eleição Godfrey Msumange, tanzaniano, canos, 15 europeus e 8 latino-
ocorreu com maioria absoluta no terceiro conselheiro, o brasileiro -americanos, representantes de
primeiro escrutínio. padre Jaime Carlos Patias e quarto 18 circunscrições. Os LMC também
O missionário italiano, natural conselheiro, o italiano Antonio estiveram presentes. 
de Morrovalle, Macerata, comple- Rovelli.
tou 61 anos durante o Capítulo (dia Fundado em 1901 pelo Bem- Com informações da equipe de comunicação
11 de junho). Foi ordenado padre -aventurado José Allamano na do XIII Capítulo Geral do IMC.

JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES 19
Construindo a identidade dos LMC
de Luiz e Fátima Bazeggio no Quênia, a necessidade da missão parábola o chamado não diz respeito
fez surgir o envolvimento dos leigos apenas aos sacerdotes e religiosos/

Q
uando surgiu o convite (catequistas) como sal da terra e as, mas também aos leigos que são
para que os leigos parti- luz do mundo. pessoalmente chamados pelo Se-
cipassem dos Capítulos O catequista evangelizava usan- nhor de quem recebem uma missão
Gerais dos missionários e do os meios do momento: esco- para a Igreja e o mundo.
missionárias da Consola- la, ambulatório, visitas e além do Muito ainda há para ser parti-
ta trabalhávamos com os Evangelho partia para a promoção lhado sobre a oportunidade de ter
documentos das Missionárias da humana. representado as comunidades do
Consolata (MC) para recuperar a O passo seguinte foi apresentar Brasil e ouvir a caminhada dos LMC
memória histórica dos Leigos Mis- os acontecimentos que marcaram o de diversos países; isso reforçou em
sionários da Consolata (LMC). início e a caminhada dos LMC para nós o sentido de pertença à família
Além do pedido de que os LMC gestar a sua identidade. Consolata como o terceiro elemento
respondessem às questões sobre Ao longo dos anos a busca para carismático para através do estudo,
os caminhos recíprocos, os sonhos construir a identidade LMC foi ba- oração e partilha de vida, continuar
e futuros projetos, foram somados seada em princípios evangélicos, construindo a identidade de Leigos
aspectos da caminhada que gesta- respondendo com convicção ao Missionários da Consolata. 
ram a identidade LMC. O primeiro chamado do Senhor “Ide também
ponto destacado foi que em 1904, vós para minha vinha” pois nesta Luiz e Fátima Bazeggio são LMC, Brasil.

ajude-nos e venha
fazer parte desta obra
Missões é o veículo de comunicação do Instituto Missões Consolata e retrata o
trabalho missionário de levar a consolação aos que sofrem, aos que andam tristes,
aos que estão sem esperança.

Torne-se um missionário membro da família Consolata, mantendo o
nosso trabalho, contribuindo financeiramente. Mediante a sua
contribuição, enviaremos Missões para você como forma de gratidão!
Veja como é fácil:
R$ 15,00 R$ 20,00 R$ 30,00 R$ 40,00 R$ 65,00 ou mais
1 Exemplar 2 Exemplares 4 Meses 5 Meses 10 Meses
da última edição da última edição últimas edições últimas edições últimas edições

por BOLETO BANCÁRIO

por CHEQUE NOMINAL E CRUZADO - Instituto Missões Consolata

AG.: 545-2 AG.: 0355 AG.: 0386-7
por DEPÓSITO BANCÁRIO
 C/C: 38163-2 C/C: 17759-3 C/C: 945-8

Envie para nós o Comprovante, junto com seu Nome,
Data de Nascimento, CPF, Endereço, Telefone e E-mail para:

Rua: Dom Domingos de Silos, 110 - 02526-030 - São Paulo - SP - Telefax: (11) 2238.4595 - E-mail: redacao@revistamissoes.org.br

20 JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES
MISSÕES RESPONDE

A paróquia Seria bom que os
de Edson Luiz Sampel
católicos privilegiassem
a paróquia onde

M
uitos católicos confundem “paróquia” com
“igreja”. Trata-se, no entanto, de realidades moram, recebendo os
completamente distintas. Vejamos como o
código canônico define a paróquia: “paró- sacramentos nesse local.
quia é determinada comunidade de fiéis,
constituída estavelmente na Igreja particular e seu nesse local. É um hábito salutar, pois quem assim age,
cuidado pastoral é confiado ao pároco, como seu além de cumprir a lei eclesiástica - o que já suscita
pastor próprio, sob a autoridade do bispo diocesano” bastante alegria -, valoriza a diocese e tende a se
(tradução do cânon 515, parágrafo 1º do Catecismo aproximar mais dos seus vizinhos, formando com eles
da Igreja Católica - CIC). uma comunidade não só eclesial, mas igualmente civil.
Essa comunidade, vale dizer, a paróquia, se encon- Lembremo-nos que na condição de paroquianos
tra em certo território da diocese. Quase sempre, na (ou fregueses) deveríamos encarar a paróquia onde
secretaria paroquial acharemos o mapa da paróquia moramos como nossa “mãe” eclesial, que não há de
ou freguesia (sinônimo de paró-

ARQUIVO IMC
quia, mas termo pouco usado),
isto é, o conjunto de logradouros
(ruas, avenidas, alamedas etc.)
que perfazem a paróquia.
A “igreja”, com “i” minúsculo,
no sentido de edifício, é o templo,
geralmente a sede ou matriz da
paróquia, onde se realizam os
serviços ou cultos religiosos, so-
bretudo a celebração eucarística.
Assim, o correto é dizer: “vou à
igreja da paróquia tal”, porque a
paróquia é a comunidade dentro
do território.

Vaticano II
A partir do Concílio Vaticano
II, a legislação tornou-se mais
flexível no que tange ao dever
de o fiel participar da missa e Paróquia de Monte Santo, BA.
dos demais sacramentos na própria paróquia, isto ser rejeitada, mas amada e, se possível, melhorada
é, no local onde reside (domicílio canônico). Sob a com nossa ajuda. Não vamos ao templo para “nos
égide do código de 1917, todo católico era obrigado sentirmos bem”; todo domingo vamos à igreja da
a assistir à missa dominical na paróquia onde tinha paróquia com o objetivo de, com o pároco (que
domicílio canônico. Este preceito caiu por terra, con- representa o bispo), oferecermos a Deus o santo
tudo, ainda prevalece o princípio da territorialidade sacrifício da missa. 
para a diocese e, consequentemente, para a paróquia,
que é uma parte da diocese. Edson Luiz Sampel é Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense,
Seria bom que os católicos privilegiassem a pa- do Vaticano (PUL). Membro da Sociedade Brasileira de Canonistas (SBC) e do conselho
róquia onde moram, frequentando os sacramentos diretor da Academia Marial de Aparecida (AMA). el.sampel@uol.com.br

JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES 21
FRANCO GIODA
A África que O continente é complexo,

não existe
não homogêneo, mas
diverso, especialmente do
ponto de vista religioso.

de Isaack Mdindile Dimensão da história
A história da África como aquela do povo de
Israel é um “memo” e memória de um povo. Sem

A
história africana já passou por muitas “en- a história não há libertação nem salvação. Porque a
carnações”, ou definições, como terra das história tem a ver com valores. E os valores que nós
missões, pulmão da humanidade, porta das preconizamos são aqueles que nos podem permitir
trevas etc. Mais recentemente, houve uma um futuro diferente do presente que nos é dado
mudança global na historiografia africana. Essa viver. Sendo assim, repensar a história, a histografia
mudança foi motivada por uma maior conscientização e descolonização da África é fundamental. Porém,
das forças poderosas da globalização e a necessidade os desafios ultrapassam os aspectos conceituais de
de fornecer uma perspectiva sobre o fenômeno. descolonização no domínio da história africana. Exis-
O continente continua desconhecido, mas isso tem formações estruturais históricas, hierárquicas e
não é o problema. O problema são as narrativas in- tendências dentro da política, da economia e até da
completas e cosméticas com finalidades lucrativas. Igreja que estão enraizadas na colonialidade.
Ora, a África como uma realidade única e singular, Os africanos vivem entre o paraíso do passado
não existe. A África é complexa, não homogênea, mas perdido e o futuro desconhecido. Essa tensão está
sim, muito diversa, especialmente de ponto de vista sempre presente no cotidiano. Hoje quase todos
religioso. Ser africano não é igual a ser negro e vice- somos obrigados a abraçar a única cultura/história
-versa. Parece óbvio, mas não é! A africanidade vai ocidental. A tirania de viver uma cultura unilateral.
além da raça, nascimento, tribo, geografia e religião. De fato, a história africana quase parou ao encontrar
É importante explicar o papel da África no passado, com a história ocidental. O que sobrou são arquivos
que vem até a atualidade. Isso ajuda a afirmar sua históricos, lembranças sem vida. Hoje essa história
posição na formação gradual de assuntos globais. A deve resgatar a dimensão memorial da história,
história afrocêntrica muitas vezes foi reacionista, isso isso é a atualização e ressignificação dos ocorridos,
devido às visões perniciosas da histografia imperial e especialmente os valores. Cabe a nós como evange-
colonial. Hoje cada vez mais cresce a consciência, seja lizadores alimentar a esperança de quem se deixa
eclesial e secular de contar e cantar sobre a África alcançar pelos traços do rosto do outro. 
pelos próprios africanos. Esse é um dever sagrado,
portanto indispensável. Isaack Mdindile, imc, é seminarista em São Paulo, SP.

22 JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES
Construção da paz
Há um mundo de paz giosa livre no país. Tais gestos faltam com respeito
aos seus cidadãos e a todas as comunidades. Muitos
a ser construído a atos religiosos foram promovidos, e entre eles, no
partir das religiões. dia 9 de junho, foi declarado dia especial de jejum
para o clero, religiosos e fiéis, e de oração durante
as missas. Por fim, os bispos fizeram um apelo aos
de Mário de Carli líderes políticos para que assegurem que todos os
religiosos de todas as comunidades sejam protegi-
dos e que o direito de cada cidadão de adorar Deus,
segundo suas crenças, seja garantido.

D
os 170 milhões de habitantes em Bangla-
desh, os muçulmanos sunitas constituem Promovendo a paz
90% da população, os hinduístas são 9% A Conferência Cristã da Ásia (CCA) realizou um
e as outras comunidades cristãs, budistas, seminário com cerca de 30 jovens líderes cristãos
muçulmanas xiitas e ahmadis, constituem provenientes de vários países asiáticos. Os jovens
ao todo cerca de 1% da população. São as minorias participaram de discussões sobre a construção de
religiosas que procuram se defender dos ataques uma educação para a paz sob diversas perspectivas
de indivíduos e grupos ligados a partidos islâmicos inter-religiosas, através de várias metodologias de
ou ‘grupos extremistas islâmicos’ que saqueiam e aprendizagem e espiritualidade. Visitaram vários
santuários e mosteiros religiosos
budistas, hinduístas, muçulmanos
DIVULGAÇÃO

e sikhs, em Chiang Mai e arredores.
Assim, esse seminário pretendeu
conduzir os jovens à consciência de
ser agentes na construção da paz
e na transformação dos conflitos
nas comunidades locais através de
abordagens interculturais e inter-
-religiosas.
No Iraque foi belo o gesto de 50
jovens muçulmanos de Mossul, no
bairro de Dergazliya, ao limpar e
restaurar a igreja dedicada à Nossa
Senhora numa área bombardeada
pelos combatentes do Estado Islâ-
mico. Ao passar uma mensagem
de paz ao mundo inteiro, os jovens
pretendem mostrar que nós não
podemos tratar todos do mesmo
incendeiam propriedades e residências de cidadãos modo. Isso iluminou o diretor da Rede das Orga-
hindus, cristãos e budistas, em diversas partes do nizações da Sociedade Civil, Maher Al Obaidi, que
país. Um fenômeno difundido é o da grilagem de incentivou os cristãos a regressar a Mossul, pois todos
terras atingindo 431 mil pessoas, pertencentes às necessitam da presença dos cristãos. Afirmou que
populações indígenas e minorias religiosas, vítimas de é fundamental cuidar e limpar a cidade destruída e
conflitos ou porque foram expulsas de seus terrenos. que agora é o momento de reestruturar mesquitas,
Em Nova Délhi, Índia, os fundamentalistas hin- igrejas e outros lugares de culto. Há um mundo de
duístas devastaram a sala de oração de Fátima na paz a ser construído a partir das religiões. 
arquidiocese de Hyderabad. A Conferência Episcopal
indiana firmou que os atos são contra a prática reli- Mario de Carli, imc, é missionário da Consolata em Nova Redenção e Ibiquera, BA.

JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES 23
ESPECIAL

Indígenas na
metrópole
Retratos da vida dos Povos Indígenas Guarany
da tribo Mbya localizados na aldeia Tekoa Pyau,
Jaraguá, São Paulo, SP.
FOTOS: WESLEY DIEGO EMES

Aldeias em São Paulo todos os que estão na roda externa”, aldeias. No município de São Paulo,
conta Aurytha Tabajara, que tem 37 por exemplo, somente os Guarani
mostram que outro anos e deixou a aldeia Imburana, têm aldeias, nas regiões de Pare-
modo de vida é no Ceará, onde nasceu, há 7 anos. lheiros e do Jaraguá.
possível para os Povos Aurytha estava no Pateo da Cruz, Outros povos como os Pankararu,
Indígenas. no campus da PUC-SP, em Perdizes, os Pankareré ou os Kariri-xocó vivem
vestida com uma blusa verde e espalhados pela cidade, concentra-
usando brincos e colar de penas e dos ou não em diferentes bairros
de Nayá Fernandes sementes. Durante o intervalo do e assim, continuam tentando pre-
cursinho pré-vestibular que faz na servar a cultura e a espiritualidade
Universidade, em preparação para a próprias dos seus povos. A principal
prova que pretende prestar no fim motivação para sair das aldeias de

A
bebida do povo Tabajara deste ano, ela falou com a repórter. origem, na maioria das vezes, é
é o Mocororó. Ela é feita Na capital paulista, a indígena do a mesma de qualquer brasileiro,
somente com o sumo do povo Tabajara divide o aluguel com buscar melhores condições de vida
caju, que é espremido na uma prima, no bairro do Jabaquara, para si, suas famílias e seu povo.
mão e colocado numa cuia e já trabalhou numa empresa de
que fica embaixo da terra por sete telemarketing, como babá, cuida- Mais de 300 povos
dias. “Para tirar a cuida da terra é dora de idosos e diarista. De acordo com dados do Instituto
preciso realizar um ritual, o Toré. São A situação de Aurytha é a mes- Brasileiro de Geografia e Estatísti-
duas rodas. Na roda central ficam ma de muitos indígenas que vem ca (IBGE), de 2010, há 305 etnias
o tambor e as lideranças indígenas, para “a cidade grande” por motivos indígenas no Brasil, que falam 274
entre elas o cacique e o pajé. Tam- diversos e aqui tentam estudar línguas diferentes. Embora haja
bém as pessoas que precisam ser ou trabalhar. Ao contrário do que uma situação muito precária dos
curadas de alguma doença ficam imagina a maioria da população, Guarani, no Jaraguá, onde cerca de
no centro, recebendo a energia de nem todos os indígenas vivem em 700 pessoas vivem num espaço com

24 JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES
1,7 hectares, impressiona escutar ficaram mais conhecidas, bem como ajuda de custo, principalmente para
as crianças falando o tupi guarani. nossa principal luta: a demarcação as crianças que cantam no Coral
Mas esta não é a realidade de muitas das terras”, disse Olívio, que nasceu Guarani.
etnias. Dos entrevistados, apenas no Paraná e tem cinco filhos.
os Guarani conseguiram preservar A aldeia onde eles moram atual- Estratégias de (re)
integralmente a língua. mente fica na região de Parelheiros, existências
“No Nordeste, os povos indíge- no extremo sul da capital paulista. Lá Ao ser perguntado sobre a situ-
nas foram proibidos de falar suas vivem cerca de 300 pessoas, numa ação de empobrecimento em que
línguas. Meus avós contam que extensão de 25 hectares. Olívio é vivem os indígenas nas comunidades
viviam como fugitivos. Eram ca- autor de 15 livros, palestrante e urbanas, principalmente os Guarani,
çados e mortos simplesmente por um dos fundadores da associação que estão nas aldeias do Jaraguá,
serem indígenas. Eles já se fizeram dos Guarani. Daniel Muduruku afirma que a pre-
de mortos para não serem assassi- Na aldeia há uma escola do Esta- sença indígena na cidade é sinal de
nados de fato. Falar a língua e não do, um Centro de Cultura Indígena que um modo de vida diferente é
possível. “Os indígenas urbanos
são fruto de um fenômeno muito
comum na sociedade brasileira: a
questão territorial, que obriga à
migração. Penso também que tal
êxodo tem ocorrido por conta da
necessidade de buscar melhores
condições de vida e formação inte-
lectual ou ainda projeção cultural.
Grandes centros costumam oferecer
opções viáveis para que os indíge-
nas possam viver suas culturas, por
mais contraditório que isso possa
parecer. Não se trata, portanto, de
uma “fuga”, mas de autoafirmação
identitária que encontra eco em
lugares que precisam refletir sobre
o tipo de desenvolvimento que rege
um país como o nosso. Realmente,
eu penso que nossa presença nos
centros urbanos acaba se tornan-
o português era definitivamente (CECI), mantido pela prefeitura e do a consciência necessária para
proibido. Hoje, há uma antropóloga a Unidade Básica de Saúde (UBS) que as pessoas reconheçam que
que está fazendo um trabalho de Krukutu. Além disso, todas as noites outro modo de vida é possível.
resgate da nossa língua na aldeia”, eles se reúnem para rezar na Opy’i – Nesse sentido, os indígenas urbanos
conta Aurytha, que desde os 8 anos casa de reza. “É a força que Deus que cumprem um papel fundamental
anota as histórias contadas pela recebemos lá dentro que nos ajuda na manutenção de uma utopia.
avó, Francisca Binga. a preservar a cultura. Passaram-se Nossas comunidades – apesar das
muitos séculos e muitas domina- dificuldades que passam – são
Guarani Mbya ções, mas os Guarani conseguiram verdadeiras ‘ilhas de resistência’,
Ele ficou conhecido no mundo permanecer. A Opy’i é o principal afirma Daniel, que nasceu na aldeia
inteiro depois de levantar uma faixa lugar da aldeia”, explicou Olívio. dos Munduruku, no Pará, é autor
vermelha na qual estava escrito Muitos Guarani trabalham den- de 50 livros, entre eles “Meu avô
“Demarcação”, durante a abertura tro da aldeia, outros fazem arte- Apolinário”, escolhido pela Unesco
da Copa do Mundo de Futebol no sanato que é vendido quando os para receber menção honrosa no
Brasil, em 2014. Jeguaka Mirim tinha indígenas recebem grupos de visi- Prêmio Literatura para Crianças e
13 anos na época e é filho de Olívio tantes. Além disso, uma parcela da Jovens na Questão da Tolerância. 
Jekupê, liderança indígena da aldeia população é aposentada e os demais
Krukutu, do povo Guarani Mbya. “Foi se organizam para divulgar a cultura Nayá Fernandes é jornalista, formada em filosofia e teo-
muito importante, porque naquele em escolas e eventos, ocasiões em logia e pós-graduada em jornalismo literário. Desenvolveu
momento as comunidades indígenas que recebem, também, alguma projetos no Vale do Jequitinhonha (MG) e na Amazônia.

JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES 25
CIDADANIA

Trabalho voluntário:
solidariedade e missão
Lavei-vos os pés; também vós

JAIME C. PATIAS
deveis lavar-vos os pés uns
aos outros”. (Jo 13, 14)
de Carlos Roberto Marques

A
gosto é, na Igreja, o mês das vocações, não
apenas as religiosas, mas também a vocação
de leigos, voltada à constituição das famílias
e a serviços de cunho social e religioso. Duas
datas importantes são celebradas neste mês:
o Dia Internacional da Solidariedade (31), instituído
pela ONU, e o Dia Nacional do Voluntariado (28), que
também tem seu dia internacional, em dezembro.

Vocação
Não há como dissociar trabalho voluntário, soli-
dariedade e missão. Os três estão intrinsecamente
relacionados e têm como fundamento o amor ao
próximo. Para os cristãos, esse amor é mandamento de
Deus, revelado, de forma clara e precisa, pelo próprio
Cristo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. E
amar como Jesus nos amou é amar de forma radical,
doando a própria vida, se preciso for.
O crente, por certo, vai atribuir sua vocação ao nos grandes desastres ambientais, ou nos surtos de
chamado de Deus; outros poderão atribuí-la a um epidemias, lá estão eles, arriscando suas vidas em
acontecimento que, de alguma forma, os comoveu, favor das vítimas. Isto é também missão. Entre nós,
instigou e impulsionou a um tipo de trabalho volun- existem os centros do voluntariado, que direcionam
tário, no sentido sempre de aliviar o sofrimento dos pessoas de boa vontade, que pretendem ocupar-se
mais carentes, um impulso por obra do acaso. Um de trabalhos dessa natureza.
pensamento atribuído a Einstein diz que “o acaso seria Para quem quer servir, as necessidades estão aí,
uma maneira de Deus se manter no anonimato”, ou algumas nem tão visíveis porque a mídia não lhes dá
seja, comunicar-se com os não crentes. destaque, e as oportunidades são muitas e variadas,
para gostos e habilidades de todo tipo, seja em organi-
Missão zações sociais, seja nas obras da própria Igreja, como a
O dia 8 de agosto marca a criação da Cruz Verme- Pastoral da Criança e inúmeras pastorais sociais; basta
lha Internacional, com mais de 150 anos de serviços querer e colocar-se disponível: “Fala, Senhor, que teu
prestados à humanidade, independente de raça, cor, servo escuta!” (1Sm 3,9). 
credo ou classe social. É obra de puro amor e solidarie-
dade. De mesmos princípios é a organização de ajuda Carlos Roberto Marques é Leigo Missionário da Consolata, (LMC), bacharel em Direito
humanitária Médicos Sem Fronteiras. Nas guerras, pela USP e membro da equipe de redação.

26 JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES
BÍBLIA

Eis que ponho as
minhas palavras em
tua boca! (Jr 1, 9) Moisés:
a missão de
liderar e conduzir
de Mauro Negro sua missão e do significado que ela expressa.
Moisés tem a grande e fundamental missão de
conduzir, de liderar. Ele deve fazer seu povo passar

O
s personagens bíblicos são fascinantes. Eles de um lado para outro. Sim, passar do lado da idola-
não são importantes por si, pela sua bravu- tria de vários deuses e da dependência do faraó, rei
ra ou valor, mas pelo fato de que Deus age do Egito, para o lado da liberdade de seguir o Deus
neles. Esta é a sua grandeza. verdadeiro, o Senhor. Moisés é que conduz à Páscoa,
Um deles, aparentemente conhecido, é que é a passagem pelas águas. Todos conhecemos
Moisés. Digo aparentemente, pois, ele aparece em esta história, mas ficamos no mais grandioso e mar-
livros, teatros, filmes e até novelas. Mas, embora cante, sem compreender o significado do momento
muito comentado, Moisés será sempre pouco co- de Deus, que chamamos de “teofania”.
nhecido. De fato, a Escritura, iniciando no livro do
Êxodo, passando pelos livros do Levítico e Números Liderança à prova
e indo até o livro do Deuteronômio, fala pouco do Moisés é o líder que Deus escolhe para a difícil
personagem em si. Mas deixa clara a importância de missão da libertação no Egito. Lá, um deus como o
faraó e seus outros deuses eram pesados, opressores.
O líder para levar à liberdade de crer em um Deus
DIVULGAÇÃO

único deveria ser, sobretudo, profundamente ligado
a seu Deus. Este é Moisés, que fala com Deus, que
pergunta, propõe, responde e até cobra de Deus.
Então, Deus se revela a Moisés dando-lhe a conhe-
cer seu Nome: o “Senhor”. Depois comissiona Moisés
para a liderança de seu povo, oprimido pela idolatria
e pelo faraó. “Vai, pois, e eu te enviarei ao faraó!”
(Ex 3, 10). A liderança de Moisés será sempre posta à
prova, primeiro pelo faraó, depois pelo próprio Povo
que Moisés deve conduzir.
A figura de Moisés é central no Antigo Testamento,
ultrapassando inclusive suas fronteiras e indo até o
Novo Testamento. Na realidade, Jesus é um “novo
Moisés”, pois também deve conduzir seu Povo de um
lado para outro: do lado da escravidão do pecado
para o lado da liberdade de filhos de Deus.
Uma missão recebida é sempre difícil. Mas se
vivida com intensidade e dedicação, é a afirmação
de um personagem em relação ao que foi dito e fei-
to. Moisés, o líder e libertador, que conduz à Terra
Prometida. Um dos modelos para a compreensão de
Jesus Cristo. A todos, Graça e Paz! 

Mauro Negro, OSJ, é professor e biblista - PUC São Paulo, SP. mauronegro@uol.com.br

JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES 27
Semente
ENTREVISTA

a ser cultivada e vocacionadas, com encontros e
mos o itinerário vocacional junto momentos de oração, jornadas,
aos vocacionados: despertar para feiras, cursos, celebrações e reti-
a vocação humana, cristã e eclesial; ros vocacionais, participação nas
discernir os sinais indicadores do celebrações arquidiocesanas, em
chamado; cultivar os germes da encontros pessoais mensais com
vocação e acompanhar o proces- cada vocacionado para “encarnar”
so de opção de cada vocação em o itinerário vocacional.
particular, facilitando e favorecendo
um ambiente propício para que Como o senhor vê a influência
o vocacionado possa tomar uma da religião na sociedade plural em
decisão clara, tranquila e madura. que se vive? Na sua opinião, como
Agora, para que percorrer um iti- podemos despertar os jovens para
nerário vocacional com os jovens? a vocação sacerdotal ou religiosa?
CLEBER PIRES

Para facilitar uma visão mais rea- Não é porque temos uma so-
lista do caminho a ser percorrido ciedade plural que devemos de-
e possibilitar o desenvolvimento sanimar. Jesus não desanimou em
sadio do vocacionado; também é seu caminho. Portanto, é de suma
importante que o jovem perceba a importância que pensemos sobre
de Maria Emerenciana Raia importância de não pular etapas e de como despertar as vocações, em
se fazer o caminho com serenidade. especial nos mais jovens que te-
Contamos com uma equipe muito rão a oportunidade de se dedicar

P
adre Messias de Moraes bem formada e atuante que ajuda ao serviço eclesial, mas também
Ferreira é o promotor vo- na organização das atividades de às vocações mais avançadas que
cacional da arquidiocese de animação vocacional, através de é uma realidade da Igreja hoje.
São Paulo. Ele falou à revista encontros, de formação e momentos Muitos adiam a sua resposta ao
Missões sobre a questão de oração nas paróquias, comu- chamado do Senhor e, assim, temos
vocacional e as ações da Pastoral nidades, regiões episcopais e nos esta realidade também. Devemos
Vocacional na metrópole. seminários. Temos um calendário olhar com carinho e atenção para
de atividades para o ano inteiro com as vocações. Diante da realidade em
Sabemos que uma das preocu- ênfase no mês de agosto, que é o que se encontra a juventude hoje,
pações de Dom Odilo, enquanto mês que a Igreja dedica às vocações. aquele que se permite discernir a
cardeal arcebispo de São Paulo, é vocação conhece o rosto misericor-
a diminuição do número de voca- Que ações estão sendo realiza- dioso do Pai e acolhe Cristo. Assim,
ções. Como está sendo trabalhada das, seja pela arquidiocese, seja o que se precisa para despertar nos
esta questão? pela Pastoral Vocacional, para in- jovens a chama da vocação: inseri-
A arquidiocese de São Paulo fun- crementar o número de vocações? -los numa pastoral de conjunto, isto
dou no ano 2000 um local específico Temos atividades voltadas para a é, motivá-los a participar na Pastoral
para acompanhar as vocações: o formação de agentes “chamadores” da Juventude (e/ou outras afins);
Centro Vocacional Arquidiocesano. vocacionais, tais com a Escola Vo- propiciar experiências de reflexão
Este ano completamos 17 anos de cacional e as Manhãs de Formação, e oração, com indicação de leituras
fundação do Centro. É ali que faze- atividades para os vocacionados formativas; incentivá-los a montar

28 JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES
um Projeto de Vida; a participar de a sair de seus mundos fechados e a para a missão. “Quem se deixou
atividades comunitárias; propiciar comunicar a alegria do Evangelho. atrair pela voz de Deus e começou
momentos com outras pessoas que A vocação é um dom, um tesouro a seguir Jesus, rapidamente desco-
já fizeram a mesma opção; con- que o Senhor coloca nas mãos de bre dentro de si mesmo o desejo
versas semanais ou mensais onde cada um, uma semente que deve irreprimível de levar a Boa Nova aos
é possível ajudar o vocacionado a ser cultivada e germinada. Portanto, irmãos, através da evangelização
perceber seu crescimento dentro do ser Igreja hoje, numa realidade tão e do serviço na caridade. Todos os
itinerário vocacional. Além desses desafiadora como a da cidade de cristãos são constituídos missioná-
momentos, cada comunidade pode São Paulo, é ser missionário em rios do Evangelho. Com efeito, o
pensar ações mais específicas e saída, isto é, em movimento em discípulo simplesmente é tocado
próprias para cada realidade local. direção aos mais necessitados e e transformado pela alegria de se
Lembrando que é importante ter, excluídos da sociedade. O rosto de sentir amado por Deus e não pode
em cada paróquia, uma Equipe Vo- Cristo se manifesta nestas ações e guardar esta experiência apenas
cacional Paroquial (EVP) que muito nestas pessoas. Uma pessoa que para si mesmo: ‘a alegria do Evan-
ajudará nesta etapa do processo de faz a opção vocacional na Igreja gelho, que enche a vida da comuni-
chamamento dos jovens. e percorre o itinerário vocacional dade dos discípulos, é uma alegria
apresentado anteriormente percebe missionária’. (...) Se experimentamos
Como o senhor analisa a for- em nós muita fragilidade e às vezes
mação dos seminaristas na arqui- podemos sentir-nos desanimados,

C. ANJOS DA VIDA
diocese? devemos levantar a cabeça para
A formação dos seminaristas na Deus, sem nos fazermos esmagar
arquidiocese de São Paulo percorre pelo sentimento de inaptidão nem
um itinerário. Começa na vivência cedermos ao pessimismo, que nos
comunitária, nas paróquias, fase do torna espectadores passivos duma
despertar vocacional, depois segue vida cansada e rotineira. Não há lugar
para a Pastoral Vocacional, passa para o temor: o próprio Deus vem
pelo ambiente dos seminários e re- purificar os nossos ‘lábios impuros’,
torna para o trabalho pastoral paro- tornando-nos aptos para a missão”.
quial. Em cada etapa, há momentos Gostaria de destacar que, desde o
formativos muito importantes. Na ano 2000, fazemos na arquidiocese
paróquia, para perceber o clamor do o acompanhamento daqueles que
povo sofrido. Na Pastoral Vocacional, são chamados ao Diaconato Perma-
para perceber as inúmeras áreas de nente e que, com sua experiência
atuação da Igreja em favor dos mais nesse movimento de saída o rosto de familiar e profissional, auxiliam os
necessitados. Nos Seminários, para Cristo que clama nos mais excluídos, presbíteros em diversas realidades.
a formação acadêmica que resultará no povo em situação de rua, nos No Centro Vocacional Arquidio-
na qualidade do trabalho pastoral marginalizados, enfim, naqueles cesano também trabalhamos em
posteriormente a ser desenvolvido que mais precisam da nossa ajuda. parceria com as ordens religiosas
nas paróquias também em favor dos e Congregações femininas, onde as
mais pobres. Afinal, esta é a opção Alguma outra questão que gos- mulheres que sentem chamadas à
preferencial da Igreja. E, na arqui- taria de comentar? Haverá um vida religiosa são orientadas e di-
diocese de São Paulo há todas estas Sinodo em nível arquidiocesano recionadas segundo seus carismas.
etapas no itinerário vocacional. O sobre as vocações? Quanto ao Sínodo Arquidiocesano,
importante é o jovem perceber que Gostaria de acrescentar a men- estamos inicialmente na fase do
não poderá pular etapas, pois sua sagem do Papa para o Dia Mundial “ver”, onde com a graça do Espíri-
formação e o seu trabalho posterior de Oração pelas Vocações deste ano to Santo e escuta da voz de Deus,
depende do cumprimento de cada em que destaca a dimensão missio- começamos a identificar as neces-
uma destas etapas. nária da vocação cristã. Em 2016, sidades da evangelização em nossa
Francisco nos fez o convite a “sair arquidiocese. Estamos discutindo,
Ser Igreja Missionária na cidade de si mesmo para pôr-se à escuta refletindo e buscando meios para
de São Paulo. Acha isso possível? da voz do Senhor e a importância concretizar esta proposta em todos
Com certeza. Retomemos as da comunidade eclesial como lugar os âmbitos da Igreja. 
palavras de Francisco. Uma Igreja privilegiado onde nasce, alimenta
aberta e em saída, esta é a proposta! e se exprime a chamada de Deus”. Maria Emerenciana Raia é jornalista
Jovens em movimento, convocados Agora, em 2017, o convite se amplia e editora da revista Missões.

JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES 29
Brasília (DF) todo o mundo. O número recorde ganhou
Campanha Missionária 2017 atenção internacional por conta da cele-
As Pontifícias Obras Missionárias (POM) bração do Dia Mundial do Refugiado, 20 de
apresentaram o DVD da Campanha Missioná- junho. No Brasil tem crescido especialmente
ria 2017 com o tema: “A alegria do Evangelho o número de solicitantes de refúgio prove-
para uma Igreja em saída” e o lema: “Juntos nientes da Venezuela. Conforme dados do
na missão permanente”. Esta Campanha Ministério da Justiça, em 2015 foram 829
acontece todos os anos no mês de outu- pedidos e, este ano, até o mês de maio,
bro quando foram registradas 3.971 solicitações, ou
se realiza, no seja, quatro vezes mais.
penúltimo A maioria dos venezuelanos ingressa
domingo, a no Brasil por Roraima. O governo daquele
Coleta do Dia estado estima que desde o agravamento da
Mundial das crise político-econômica na Venezuela, 30
Missões (este mil venezuelanos chegaram em Roraima.
ano dias 21 e Segundo o Acnur, no ano passado foram
22). registrados 9.689 refugiados no Brasil, ante
Produzido 8.863 em 2015. Já o total de pedidos de
pela Verbo Fil- refúgio passou de 28.670, em 2015, para
VOLTA AO BRASIL

mes e orga- 35.464, em 2016.
nizado pelas
POM, o DVD São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia
contém nove Queda em mortes por acidentes
capítulos, um O número de mortes causadas por aci-
para cada dia dentes de trânsito caiu em mais de 11% no
da Novena, com destaque para testemunhos comparativo entre 2015 e 2016, conforme
de missionários e missionárias que vivem a os dados do Sistema de Informação sobre
alegria de anunciar o Evangelho em diversos Mortalidade (SIM), divulgados em junho,
contextos de missão. Dispostos em temas, pelo Ministério da Saúde. Enquanto em
os capítulos seguem o roteiro da Novena 2015 o número de vítimas fatais do trân-
Missionária conforme indicado no livrinho. sito foi de 43.780 pessoas, em 2016 houve
Pode ser utilizado também em reuniões das 38.651 mortes. Entre as causas em que
pastorais, conselhos paroquiais e comuni- as mortes tiveram redução significativa,
tários, grupos e movimentos, e até mesmo estão os acidentes com automóvel e os
nos encontros de oração. atropelamentos, com um decréscimo de
Além do DVD, as POM prepararam o 23,9% e 21,5%, respectivamente. Entre
cartaz, o livrinho da Novena e os marca- os motociclistas, também houve redução
dores de páginas, que trazem o Zapcode da mortalidade em 4,8%. Em números
com acesso para três vídeos extras sobre a absolutos, os estados de São Paulo (1.169
Campanha Missionária. Para utilizá-lo basta óbitos), Rio de Janeiro (709) e Bahia (472)
baixar gratuitamente o Aplicativo Zappar apresentaram a maior redução de mortes
no Smartphone (celular e tablet). Depois, no trânsito. Apesar da queda de mortes
ao direcionar o aparelho para o cartaz é por acidentes de trânsito, um dado ainda
possível assistir aos vídeos e acessar os preocupa: o aumento no percentual de
conteúdos da Campanha Missionária. Mais brasileiros que combinam álcool e direção.
informações: Assessoria de Comunicação De acordo com a Pesquisa de Vigilância de
das POM. E-mail: imprensa@pom.org.br Fatores de Risco e Proteção para Doenças
Tel.: (61) 3340.4494 Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel),
do Ministério da Saúde, em 2016, 7,3% da
Roraima população adulta das capitais brasileiras
Venezuelanos pedem refúgio declarou que bebe e dirige. No ano anterior,
O Alto Comissariado das Nações Unidas o índice foi de 5,5%. 
para Refugiados (Acnur) informou que em
2016, aproximadamente 65,6 milhões de
pessoas foram obrigadas a se deslocar em Fonte: Acnur, Agência Brasil, Cáritas Brasil, Ministério da Saúde, POM.

30 JULHO/AGOSTO 2017 MISSÕES
Seja um mantenedor
desta Obra Missionária

Saiba mais

www.revistamissoes.org.br
colabore
Expediente
Diretor: Paulo Mzé Editora: Maria Emerenciana Raia Equipe de Redação: Rosa Clara Franzoi, Isaack Mdindile, Joseph Kihiko e Carlos Roberto Mar-
ques Colaboradores: Mauro Negro, Giacomo Mazzotti, Marcus E. de Oliveira, Nei A. Pies, Edson L. Sampel, Mário de Carli, Joaquim Ferreira Gonçalves
e Jaime C. Patias Agências: Adital, Asia News, CIMI, CNBB, Ecclesia, Fides, POM, Misna e Vaticano Diagramação e Arte: Cleber P. Pires Jornalista
responsável: Maria Emerenciana Raia (MTB 17532)
Impressão: Forma Certa - Fone: (11) 2081.6000 Administração: Luiz Andriolo Sociedade responsável: Instituto Missões Consolata
(CNPJ 60.915.477/0001-29) - Colaboração anual: R$ 65,00 BRADESCO - AG: 545-2 CC: 38163-2 Instituto Missões Consolata (a publicação anual de Mis-
sões é de 10 números) MISSÕES é produzida pelos Missionários e Missionárias da Consolata - Fone: (11) 2238.4599 - São Paulo/SP / (11)
2231.0500 - São Paulo/SP / (95) 3224.4109 - Boa Vista/RR
Endereço: Rua Dom Domingos de Silos, 110 - 02526-030 - São Paulo - Fone/Fax: (11) 2238.4595
Site: www.revistamissoes.org.br - E-mail: redacao@revistamissoes.org.br
A alegria do Evangelho
para uma Igreja em saída

4o Congresso
Missionário
Nacional

7 a 10 de setembro 2017
Recife (PE) Arquidiocese de
Olinda e Recife