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CLAUDIA MARQUES COMARU

REFLEXÕES SOBRE A SALUTOGÊNESE EM PROFISSIONAIS DE SAÚDE

Monografia apresentada à Universidade
Federal de São Paulo - Pró-Reitoria de
Extensão, para obtenção do título de
Especialista em Teorias e Técnicas para
Cuidados Integrativos.

SÃO PAULO
2017

CLAUDIA MARQUES COMARU

REFLEXÕES SOBRE A SALUTOGÊNESE EM PROFISSIONAIS DE SAÚDE

Monografia apresentada à Universidade
Federal de São Paulo - Pró-Reitoria de
Extensão, para obtenção do título de
Especialista em Teorias e Técnicas para
Cuidados Integrativos.

Orientador:
Esp. Moacyr Mendes de Morais

SÃO PAULO
2017

Comaru, Claudia
Título: Reflexões sobre a salutogênese em profissionais de
saúde / Claudia Marques Comaru - São Paulo, 2017.
11, 39f.
Monografia (Especialização) - Universidade Federal de São Paulo.
Pró-Reitoria de Extensão. Curso de Especialização em Teorias e
Técnicas para Cuidados Integrativos.
Título em inglês: Reflections on salutogenesis in healthcare staff
1. Salutogênese. 2. Profissionais de saúde. 3. Resiliência

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO DEPARTAMENTO DE NEUROLOGIA E NEUROCIRURGIA DISCIPLINA DE NEUROLOGIA CLÍNICA CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM TEORIAS E TÉCNICAS PARA CUIDADOS INTEGRATIVOS Pró-Reitoria de Extensão: Profa. Dra. Dra. Paulo Henrique F. Bertolucci Chefe da Disciplina: Prof. Fernando Morgadinho Santos Coelho Coordenadores do Curso de Especialização: Profa. Dr. Sissy Veloso Fontes Prof. Florianita Coelho Braga Campos Chefe do Departamento: Prof. Acary Souza Bulle Oliveira iii . Dr. Dr.

CLAUDIA MARQUES COMARU REFLEXÕES SOBRE A SALUTOGÊNESE EM PROFISSIONAIS DE SAÚDE BANCA EXAMINADORA Presidente da Banca: ESP MOACYR MENDES DE MORAIS ______________________________________________________________________ 1ª Banca: ESP JORGE OLIVA ______________________________________________________________________ 2ª Banca: ESP MARIA CRISTINA DE LOURDES CIVE ______________________________________________________________________ Aprovada em: 04/11/2016 iv .

DEDICATÓRIA À Claudemir de Medeiros Comaru Claudia Marques Comaru v .

e sobrinhos. que cuidaram de mim com o a e o colo de que eu tanto precisava. AGRADECIMENTOS À força que me mantém viva. À equipe do Curso de Cuidados Integrativos e ao Sr. psicoterapeuta que acompanha meu caminho com amor e presença. Vinícius. verdadeiros exemplos de resiliência. Charles e Karla. Gabriel. A meu irmão e cunhada. por todo o companheirismo. meu carinho. companheira de jornada integrativa. Ao professor Moacyr. Campo. Claudemir e Fátima. À amiga CÍntia. ensinaram-me que por trás de todo jaleco branco existe um ser humano que também sofre. por sua alegria e por ter me concedido a confiança de um pai. vi . À Márcia. Aos profissionais de saúde que acompanharam meus pais. por não soltar minha mão. Ao meu marido. Lucas e Gabriel. um reencontro de almas irmãs. Aos meus pais.

"É tudo novo de novo Vamos nos jogar onde já caímos Tudo novo de novo Vamos mergulhar do alto onde subimos” (Paulinho Moska. 2013) vii .

......................... 4 2..................................................................................................... RESULTADOS....................... 4 2....... Conceitos relacionados à salutogênese: senso de coerência e recursos gerais de resistência... x 1..................................................................................... 3 2...................................................................1............................................................................................................................................................ 5 2.........................1............ REVISÃO DA LITERATURA..... Promovendo fatores de proteção em profissionais de Saúde......... MÉTODO............................................................................ DISCUSSÃO.......................vI SUMÁRIO.........................................................................................................................................................................................21 7............. v AGRADECIMENTOS........................... As práticas integrativas em saúde......................................................17 5..............................................................................................................................3...............................2..............................................................................................................................................2................................ O conceito de resiliência..................... INTRODUÇÃO....16 4.................................................................................12 3.......................... 22 ANEXOS ABSTRACT viii .............2.............. REFERÊNCIAS............................................................................. 9 2.........................2...............................................1............ A salutogênese.............. 10 2.........viiI LISTAS.............. CONCLUSÃO....................................................................... ix RESUMO.................................... 19 6.........2..................... Objetivo.. SUMÁRIO DEDICATÓRIA............................................................................................................................ 1 1..

........ Do rio da saúde para o rio da vida..............................07 Quadro 1......................... Enfoques da promoção da saúde e do tratamento de doenças.................. 06 Figura 3.................... Continuum saúde-doença (ease/dis-ease)..................... Saúde no rio da vida ... LISTAS Figura 1.......................................................................................08 ix ....05 Figura 2....

como recursos gerais de resistência. Conclusão. O estudo da saúde mental dos profissionais de saúde costuma adotar o enfoque dos diferentes desfechos e patologias. a) Definir o conceito de salutogênse. Objetivo. O presente estudo constatou a demanda por mais publicações científicas que promovam a resiliência na população de profissionais de saúde. O método utilizado foi o levantamento bibliográfico. Foram feitas pesquisas nas ferramentas de busca Pubmed e Scielo. c) Verificar a existência de metodologias de intervenção de salutogênese em profissionais de saúde. ao considerar os fatores que promovem a saúde dos indivíduos. Método. descritas na literatura científica. x . Resultados. os chamados fatores de risco. senso de coerência e resiliência. Foi observado que poucos estudos divulgam metodologias que promovam a resiliência em profissionais de saúde. A teoria da Salutogênese aponta para uma mudança de paradigma. b) Definir os conceitos relacionados à salutogênese. RESUMO Introdução. especificamente resiliência.

nestas experiência. Na seara do trabalho.9%). Inúmeros estudos sobre as condições de saúde e adoecimento são desenvolvidos. observei uma dinâmica ampla: meus pais. deduzo que eles também se sintam igualmente desafiados ao lidar com sua própria vida e seus desafios cotidianos. em que estudei o estresse ocupacional em enfermeiros e profissionais do SAMU. em que também me incluo como psicóloga. Os profissionais de saúde estão entre os trabalhadores que mais adoecem no Brasil. e os profissionais de saúde. pois percebi o sofrimento proveniente da tentativa de promover saúde em meio a uma lógica que visa a cura física. olha-se também para dentro de si mesmo. Portanto. Nesta pesquisa.6% da população paulistana já foi diagnosticada com distúrbio mental. eu enquanto cuidadora. em que observei de perto as formas de tratamento e promoção da saúde. mas a relação com aquilo que olha? Se for assim. 1 1. moderado e severo (33. Recentemente foram divulgados os primeiros resultados de uma pesquisa internacional sobre a saúde mental da população de megalópoles. Segundo dados da Previdência Social. variando entre leve (33. observa-se um aumento no número de afastamentos por motivo de transtorno mental. quando se olha alguém ou alguma coisa. Grande parte dos estudos desenvolvidos na área de saúde ocupacional volta-se à causalidade da doença. . desconsiderando os fatores de proteção. os transtornos psíquicos ocupam o terceiro lugar quanto aos motivos de afastamento por incapacidade no Brasil (Silva-Junior e Fischer. a que desejo aprofundar neste estudo se refere aos profissionais de saúde. INTRODUÇÃO Será que aquilo que a gente vê é mesmo aquilo que a gente vê? Ou a gente vê não o que olha. Quando questionados sobre a vivência de eventos traumáticos relacionados a situações violentas.2%). 2015). dentre elas São Paulo. E se os profissionais percebem estes desafios com os seus pacientes. (Luiz Eduardo Soares) O tema deste estudo provém do acompanhamento dos tratamentos de câncer dos meus pais. 2012). 54. Minha prática profissional sempre foi voltada aos profissionais de Saúde. De todas as reflexões. verificou-se que 29.6% dos participantes já viveram pelo menos uma experiência na vida (Andrade et al. apontando para os fatores de risco envolvidos nas relações de trabalho destes profissionais: Doenças físicas conhecidas como LER (Lesão por esforço .

No campo da Salutogênese. ou seja. para aprofundar o entendimento acerca da forma com que o indivíduo interpreta suas experiências de vida. dos recursos utilizados para restabelecimento da saúde. . conceito empregado inicialmente pela Física. os transtornos mentais desenvolvidos no trabalho (Araújo et al. É justamente aí que as práticas integrativas tem muito contribuir. Por fim. Caminhando na direção dos fatores de proteção. DORT (Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho). com destaque para resiliência. 2 repetitivo). e emocionais. perdem toda a riqueza da alma humana. Atualmente. capacitando estes profissionais quanto ao autocuidado. E ignoram todas as possibilidades de cura existentes nas dimensões social. 2001). Exemplos que nos inspirem a multiplicar ou criar novas técnicas que promovam o desenvolvimento humano. As práticas curativas pautadas na visão médica convencional tendem a negligenciar o caráter humano-existencial do indivíduo. através de pesquisa bibliográfica. Ao calcar suas técnicas unicamente na extinção de tumores e sintomas. 2010). trazemos também o conceito de resiliência. espiritual e ambiental. o modelo teórico que orienta boa parte das reflexões no campo da Promoção da Saúde consiste no paradigma da doença e dos fatores de risco (Lindström e Eriksson. 2003) (Stacciarini e Tróccoli. que passa a ser trabalhado por outras áreas do saber. . procuramos por estudos publicados que apresentassem metodologias pautadas na salutogênese em profissionais de saúde. como a Psicologia. o sociólogo Aaron Antonovsky propõe um novo modelo teórico pautado pelo conceito “senso de coerência”.

Definir conceitos relacionados à salutogênese. III. 3 1. Definir o conceito de salutogênese. II. Objetivo I. como: recursos gerais de resistência. senso de coerência e resiliência. especificamente resiliência.1. . Verificar a existência de metodologias para promoção de salutogênse em profissionais de saúde. .

World Health Organization. Termalismo Social/Crenoterapia e Medicina Antroposófica. à Medicina Unani Arábica. Segundo o primeiro relatório (2002). as áreas que foram inicialmente reconhecidas pela Política foram a Medicina Tradicional Chinesa. Entendem o processo saúde-doença de forma ampliada. à Medicina Indiana. Sendo conhecidas ora por Medicina Tradicional. a Homeopatia. de 2006. as práticas da Medicina Tradicional são conhecidas como Complementares ou Não-Convencionais. o termo “Medicina Tradicional” está relacionada à Medicina Tradicional Chinesa. Inclui a utilização de medicações. a Ayurveda. Tais práticas agregam à racionalidade médica os recursos terapêuticos da Medicina Tradicional. partindo do autocuidado. . REVISÃO DA LITERATURA 2. Plantas Medicinais e Fitoterapia. na qualidade do vínculo terapêutico.1. terapias manuais e espirituais. 2002. estimulando a promoção global do cuidado humano. 4 2. No Brasil. As práticas integrativas em saúde De modo a resgatar a visão tradicional do tratamento à saúde. as práticas foram incorporadas ao Sistema Único de Saúde através da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. 2014) . . em que a alopatia vigora. E amparam suas práticas na escuta acolhedora. Complementar ou Alternativa. tais práticas tem oferecido grande benefício nos tratamentos de saúde ao redor no mundo. e viabilizar uma compreensão mais ampla sobre o processo saúde-doença. visando a integração do indivíduo ao meio ambiente e à sociedade. e tratamento não-medicamentoso que inclui acupuntura. as práticas integrativas e complementares em saúde tem ocupado mais espaço na sociedade. No Brasil. Em países que possuem a medicina convencional como padrão. bem como as diversas formas da medicina indígena. que envolvem o uso de ervas. A Organização Mundial de Saúde publica desde 2002 o documento “Estratégia da Medicina Tradicional” que orienta as práticas para pautar as prioridades de atuação na área (World Health Organization. animais ou minerais.

as possibilidades advindas seriam a patogenia (o colapso) ou a salutogênese. A salutogênese A visão que ampara as práticas integrativas em saúde pode ser considerada pelo o que Aaron Antonovsky conceituou nos anos 70 como a salutogênese. o pesquisador desenvolveu seu modelo teórico que passou por sucessivas mudanças. À época. Antonovsky voltou sua atenção ao pequeno grupo de mulheres que seguiram sua vida de forma satisfatória (Lindström e Eriksson. entende-se que não é possível promover a saúde em um contexto de adoecimento. Esta visão dicotômica do processo saúde-doença inviabiliza uma leitura integrativa. 5 2. o eixo horizontal liga em suas extremidades a ausência de saúde (H-) à saúde (H+). Vemos esta visão presente na lógica biomédica . separadas por um evento de tensão. Em meio aos achados que confirmavam sua hipótese. Figura 1. Ao opor os dois polos. . 2010). o Holocaustro).2. ilustradas abaixo. Continuum ease/dis-ease Neste primeiro modelo. 2010). Deste evento. o evento estressor. A partir desta percepção. (Lindström e Eriksson. o sociólogo estudava o efeito do estresse na menopausa de mulheres que tinham vivido situações extremas (dentre outros eventos. Ele tentava explicar de que forma os indivíduos desenvolviam a saúde em meio às adversidades.

da queda d'água para cima. temos dispostos primeiro a morte. o tempo utilizado para a cura biológica pode também contemplar a utilização de recursos que promovam a integração das dimensões espiritual. a educação em saúde. Perceba que a saúde não é posicionada como um objetivo estanque. 2010). Saúde no rio da vida (Health in the River of Life) Neste segundo modelo. visto que é nela que estamos por toda a vida. e no topo a promoção da saúde. onde temos liberdade de . operando no fluxo da vida em direção a estilos de vida mais saudáveis. seguida da lógica curativa. . Na base do desenho. temos a salutogênese como uma realidade mais palpável. vemos que todos os recursos tem como foco atuar sobre um risco eminente. Nos casos de patologias em estágios avançados. e não somente da saúde (Lindström e Eriksson. física e social. Assim. Considerando o sentido vertical. ela nem aparece como lugar. a proteção. Ora conseguimos e nos aproximamos do topo. em que um movimento complexo opera entre a salutogênese e a morte. prevenção. A seta da salutogênese indica a direção da qualidade de vida e bem estar. Aqui vemos um aprimoramento da lógica salutogênica. 6 convencional. da promoção. em que o principal objetivo é a cura do paciente. Antonovsky ilustra a diferença entre o modelo biomédico e o da saúde pública através da figura de um rio. Figura 2.

podemos nos encontrar próximos à salutogênese ou patogênese de acordo com as condições individuais e ambientais existentes (Lindström e Eriksson. apontando que em qualquer momento podemos ir na direção da salutogênese ou patogênese. em momentos de mais ou menos vitalidade. qualidade de vida e bem estar. Uma recente revisão sistemática da literatura entendeu o modelo salutogênico como um recurso de promoção da saúde em que a resiliência individual pode ser desenvolvida. Na extensão de todo o rio está a dimensão da doença. neste modelo. sugerindo uma postura . onde o termo “paciente” deve ser substituído pelo termo “agente”. Leme (2012) trata da salutogênese como uma concepção de indivíduo ativo em seus cuidados de saúde. a seta da salutogênese alcança até o estágio da doença. com uma boa qualidade de vida e bem estar (European Union. o rio flui na direção da salutogênese. O que aponta os múltiplos recursos que podem ser utilizados em prol da promoção da saúde em qualquer momento da vida de uma pessoa. Podemos perceber que. O autor propõe a “Medicina da Saúde”. 2010). ora nos aproximamos da morte e perdemos em autonomia. Do rio da saúde para o rio da vida Neste aperfeiçoamento do modelo anterior. em que é possível ajudar pessoas a sentirem-se mais saudáveis. ao nascermos. 2010). . Figura 3. 7 escolha para viver. Assim.

âncoras da “Medicina da doença”. Dessa forma. ilustrados abaixo: Quadro 1. seja pela mudança de hábitos ou como pela busca de significado existencial pessoal. temos que os enfoques da saúde e doença possuem poucos pontos em comum. . A arte. a visão salutogênica pretende seguir além da técnica e da convenção. a espiritualidade e a visão transdisciplinar pretendem resgatar a condição humana adormecida em nós. despertando o que nos move em direção à saúde. visto que são ancorados em paradigmas distintos. alguns conceitos foram construídos na direção da salutogênese. O autor ainda sugere um quadro comparativo dos enfoques de atenção à saúde e à doença.25). Enfoques da promoção da saúde e do tratamento de doenças (Leme. 2012) Tipo de Enfoque Saúde Doença Tratamento Foca mais a causa e menos a Foca mais a consequência e consequência menos a causa Custos Baixos Altos Veículo Consciência Medicação Interesse Coletivo Privado Proposta Curativa – trata a causa Paliativa – enfoca o sintoma Profissionais Médicos e outros profissionais Médico Plano de ação Bio-psico-social-espiritual Biopsíquico Áreas envolvidas Ciência/Arte/Espiritualidade Ciência (Saci) (Tripé) Nível de ação Tradução + Convenção Convenção Modus operandi Filósofos (sabem que não Sofistas (supõem saber) sabem) Predomínio ideológico Holístico e sintético Especializado e analítico Interação Interdisciplinar / Transdisciplinar Multidisciplinar / Interdisciplinar Gramática Poesia e prosa Prosa Prática Sacerdotal Comercial Aproximação Humana Técnica Pelo quadro acima. Neste sentido. 8 participativa. tais como: senso de coerência e recursos gerais de resistência (de . A justificativa da aplicabilidade da Medicina da Saúde se dá principalmente pelo fato de que a maior parte dos tratamentos implica em “corrigir algo que poderia ser evitado” (p.

experiência. Quatro tipos de experiência de vida norteiam o SOC: 1) Compreensão: A vida possui uma parcela de previsibilidade e pode ser inteligível. 4) Proximidade emocional: Conceituada recentemente. conhecimento. materiais e psicossociais que viabilizam a compreensão e a estrutura do viver. reorientando sua vida de forma construtiva e significativa na direção da saúde (Lindström e Eriksson. apresentaremos os conceitos senso de coerência. as pessoas são capazes de utilizar os aprendizados da experiência prévia em novas situações. como dinheiro. 2010). apoio social. Enquanto os GRRs identificam os componentes. No que diz respeito à relação com o desfecho “saúde e qualidade de vida”. o senso de coerência ilustra a possibilidade de usá-los (European Union. vontade de sentido (de Frankl). dentre outros (Lindström e Eriksson. que consiste na capacidade do indivíduo de utilizar recursos internos e externos na direção da promoção da saúde. 2. coping (de Lazarus). 2010). vale a pena investir energia na resolução de problemas. A seguir. Neste sentido.2. resiliência (de Werner). . Antonovsky construiu o conceito de senso de coerência. Os recursos gerais de resistência (GRRs) são fatores biológicos. 2010). apego (de Bolwby). 3) Significado: A vida faz sentido. Conceitos relacionados à salutogênese: senso de coerência e recursos gerais de resistência Utilizando um questionário de base qualitativa. se refere aos vínculos emocionais estabelecidos e ao sentimento de pertença a uma comunidade. inteligência e tradição – também considerados “fatores de proteção” no campo da Psicologia. empatia (de Eisenberg). 9 Antonovsky). recursos gerais de resistência e resiliência.1. 2) Gerenciamento: Os recursos que possui são suficientes para lidar com as demandas pessoais. estudos apontam que um alto índice de SOC pode . As pesquisas envolvendo o SOC consistem na aplicação do Questionário de Orientação de Vida (Life Orientation Questionnaire) e posterior tratamento dos resultados em análises multivariadas.

Anne Frank. 10 proteger contra a ansiedade. 1988). O conceito de resiliência Segundo a definição do dicionário Aurélio. a palavra resiliência significa a “propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação. otimismo. Capacidade de superar. Nelson Mandela. individuação e sentido de vínculo com a vida. Das competências relacionadas à formação da resiliência destacam-se: inteligência. a resiliência envolve duas estruturas básicas: adversidade e adaptação positiva (Araújo et al. 2008). A adaptação positiva diz respeito à competência frente às demandas de ajustamento social. Nesta interrelação se ancoram as potências que podem tecer os sentidos da vida.define os conceitos amparados pelo modelo da salutogênese. e é na relação que podemos entender . O conteúdo da adversidade se refere à dificuldade do indivíduo de lidar com determinadas situações negativas. de recuperar de adversidades” (Ferreira. 2. este movimento de mão dupla . flexibilidade. controle e coping. . 2010).em que o indivíduo interage com o ambiente . Também foi observada associação entre o alto índice de SOC e a adoção de hábitos de vida saudáveis (European Union. Conceito utilizado inicialmente pela Física. Stephen Hawking.2. Já no âmbito da Psicologia. 2011). persistência. abertura para o outro. A palavra resiliência tem sua origem no latim resilo. pessoas como Viktor Frankl. foi observada associação positiva com outros fatores de risco. É na relação que nos construímos como sujeitos. Neste contexto. como otimismo. autonomia. 2010). generosidade.2. disciplina. responsabilidade e a capacidade de dar sentido aos eventos (Araújo et al. Um processo dinâmico. Mahatma Gandhi. Frida Kahlo e Herbert de Sousa trazem em suas histórias de vida a marca da capacidade humana criativa em contextos de adversidade. há a ressignificação do evento estressor como potencial de desenvolvimento. depressão e burnout (Lindström e Eriksson. capacidade amorosa. 2008). a resiliência se refere à capacidade de um material retornar ao seu estado original depois de ser submetido à pressão (Barlach et al. 2011). em que se identificam fatores externos e internos. que diz respeito à capacidade de retornar ao estado anterior (Ferreira et al. Como exemplos de resiliência em nossa História. competências para responder às demandas externas. Assim. Da mesma forma.

2003).8%). 2011). verificou-se que os estudos de resiliência abordam predominantemente os fatores de risco (abuso sexual. O conhecimento do senso comum indica que pessoas que passam por situações estressantes tendem a ser menos resilientes. apoio social. Novas possibilidades para o estudo da resiliência pela Psicologia surgem com os estudos da Psicologia Positiva. meus pais construíram vias de possibilidades. mesmo em contexto de adversidade (Luthar. que para eles se construíram no caminho espiritual e do apoio social. O fortalecimento e entendimento dos laços familiares. na contramão dos estudos clássicos da Psicologia que. a abertura para experiências espirituais e a possibilidade de falar sobre sua vivência permitiu que sua resiliência aumentasse. dentre outros) (Oliveira et al. Estas conclusões indicam que o fenômeno da resiliência consiste em um processo dinâmico de adaptação positiva. auto-estima. tendem a focar os aspectos de doença e desajuste (Araújo et al. em entender o acúmulo de sabedoria como um possível potencial de mudança e desenvolvimento na velhice. Estudos de coorte acompanharam indivíduos da infância à maturidade. . No entanto. . Dos instrumentos de coleta utilizados. No entanto. Sabe-se que uma maior proporção de mulheres do que homens tem maior capacidade de enfrentamento a adversidades na infância e maturidade (Werner. 11 nossas feridas. Dos estudos realizados sobre o tema. Da mesma forma. tal qual os estudos médicos. entre os anos 2000 e 2006. desemprego. Das correlações estabelecidas entre variáveis dependente e independente. A experiência que motivou este estudo trouxe esta ideia de forma clara e sensível. Mesmo durante os tratamento de câncer por que passaram. No senso comum. sabemos que um maior tempo de vida tende a formar indivíduos mais resilientes. 2008). em que as potências de vida e os recursos de bem estar são focados.7%). e indicaram que uma pequena parcela daqueles que passaram por situações estressantes recorrentes desenvolveu distúrbios emocionais e de comportamento. morte. perdas) e de proteção (otimismo. estudos que compreendam as diferenças de gênero quanto à resiliência precisam ser desenvolvidos. a metodologia de entrevista predomina (38%) seguido do uso das escalas psicométricas (18. estudos dos anos 80 apontam outra perspectiva. uma boa parte investigou adultos (42. 2005). poucos estudos se voltam a esta temática. dentre outras. flexibilidade. guerras.

ao lado dos professores e gerentes. Promovendo fatores de proteção em profissionais de saúde O estudo dos fatores estressores no trabalho da enfermagem revela uma categoria profissional que. a importância do cuidado paliativo como possibilidade de humanização do tratamento. . 2.3. Estes resultados corroboram estudos que apontam o trabalho em enfermagem como fonte de estresse e sofrimento psíquico (Estryn-Behar et al. não há como evitar o contato com os dramas humanos que diretamente os impactam. Apesar de serem treinados para curar doenças. ela se relaciona a uma forma ou atitude de vida. se coloca como uma das que mais relata situações de estresse no trabalho (McVicar. Como bem apontado por Leme (2012) “a saúde é um recurso fundamental para uma vida plena. . sendo importante compreender esse conceito da forma mais ampla possível. queimando reservas importantes para momentos críticos e para um envelhecer saudável” (p. 1990). No entanto. Uma das estratégias utilizadas nestes momentos é o distanciamento. as relações interpessoais entre a equipe hospitalar e o atendimento ao paciente e sua família. Mais do que um estado. vivem de forma doentia e.49). 2003). o sentimento de impotência da equipe no caso de óbito e o sofrimento decorrente do convívio com o paciente. observo que muitas vezes os profissionais se perdem em meio à complexidade de conteúdos que vem da sua atividade de trabalho. Vemos comumente os psicólogos sendo chamados pela equipe em momentos que extrapolam sua capacidade de enfrentamento. Na prática profissional em instituições de saúde. No que se refere às experiências de morte no cotidiano da profissão. 12 Precisamos refletir sobre os recursos utilizados pelos profissionais de saúde que podem contribuir no enfrentamento de situações difíceis. em que evita-se o relacionamento mais próximo com o paciente de modo a se proteger do impacto emocional. como descrevem Stacciarini e Tróccolli (2001). Em outras palavras. apesar de muitos acreditarem que são saudáveis. Gutierrez e Ciampone (2006) chamam a atenção para as divergências entre os profissionais da equipe. os casos de burnout expressam que tal estratégia não seria de todo eficaz. consequentemente. destacam-se os recursos inadequados. Entre os aspectos relatados como estressores por profissionais que atuam na assistência.

. Portanto. Fica evidente a importância do autocuidado nesta população ao lado do incentivo a práticas de promoção de resiliência em sua prática profissional. o investimento excessivo no âmbito do trabalho termina por prejudicar as relações familiares e o autocuidado. a dificuldade de satisfazê-las. 2011). 13 O enfrentamento da finitude certamente constitui um dos momentos mais desafiadores da prática médica. 1996). devemos considerar as instituições de saúde. o profissional de saúde. rumo ao sofrimento psíquico e consequente . As doenças crônicas e degenerativas. é importante considerar o efeito do processo de trabalho no bem estar do profissional de saúde. a matéria prima e o produto de trabalho são seres humanos. que pertence às chamadas Organizações de Serviços Humanos. bem como os sentidos e significados que envolvem o seu fazer para si e para sua rede de apoio. característica que implica em objetivos de trabalho pouco precisos. conseqüentemente. traz os desafios de atuarmos para além do conceito de cura. Certamente a forma com que o profissional lida com este tema refletirá na sua conduta frente ao paciente. Devemos lembrar também das expectativas dos próprios profissionais de saúde que por vezes entram em conflito com aquelas trazidas por seus pacientes (Söderfeldt et al. é essencial considerar as características do trabalho no ambiente hospitalar. podendo enrijecer sua prática profissional. no que tange aos valores organizacionais impostos aos trabalhadores. O sentimento de medo e ameaça pode tornar-se uma constante no trabalho sob pressão. Frente às demandas do cotidiano. exigindo um alto grau de comprometimento e responsabilidade. Assim. Ainda sobre a complexidade do trabalho em Saúde. tal reflexão se faz necessária como meio de cultivo da saúde mental desta população. O foco volta-se à qualidade de vida e bem estar. Ao lado disso. treinado para curar doenças. justamente por trazer à tona a sua representação da morte. vê-se muitas vezes frustrado em suas tentativas de extirpar doenças. Além disso. as expectativas da “clientela” são as mais diversas ocasionando. Nestas organizações. campo fértil para ações que desenvolvam recursos de enfrentamento e saúde (Ribeiro et al. As instituições podem tanto operar no sentido da saúde e do bem estar (controle sobre o trabalho e relações recíprocas) como também no sentido oposto. Neste contexto. cuja incidência aumenta em ritmo exponencial.

Cuida-se muito da casca. porque extrapolam a dimensão física. as causas que mais acometem médicos e enfermeiros: as questões emocionais. são os que mais praticam automedicação de medicamentos das categorias: do sistema nervoso. . não como pacientes (Leme. a uma real possibilidade terapêutica de cuidado do profissional. Leme (2012) contempla o caráter espiritual no cuidado aos profissionais de saúde. De forma que eles possam se perceber como agentes. assim. passamos a conhecer e desenvolver o domínio sobre nossas potencialidades. Podemos verificar. e pouco cuida-se do interior. da essência. uma das principais estratégias de promoção da saúde consiste no autoconhecimento. antiinflamatórios e antipiréticos (Brito. na direção da salutogênese e. a necessidade de promover ações que tenham como objetivo a autoregulação destes profissionais como uma possibilidade terapêutica. O autor nos convida a atentar àquilo que nos interessa e/ou do qual necessitamos. Ao voltarmos a atenção para essas atividades. alcançando os aspectos emocionais e espirituais. Os profissionais de Saúde necessitam fortemente de ações que promovam os fatores de proteção. .. o controle da dor e inflamações. pois cada paciente nos convida a cuidar da mesma questão em nós. analgésicos. mas sim em toda a atividade que envolva trabalho corporal e arte. 2010). um movimento instrospectivo. especificamente médicos e enfermeiros. Quando contemplamos o tema da medicalização. 2012). Desta forma. resiliência. fica mais fácil compreender o sofrimento de alguns profissionais no atendimento de determinados casos. Infelizmente este movimento nada contra a maior parte da nossa sociedade. 2011). Este trabalho é realizado não somente através da psicoterapia. Despende-se um alto investimento em recursos estéticos e pouco se volta ao trabalho de autoconhecimento. observa-se que os profissionais de saúde. a partir da finalidade dos medicamentos. 14 adoecimento (baixo controle e relações de trabalho rígidas) (Ribeiro et al. podemos dizer que as metodologias que tem como objetivo a salutogênese tem potencial para atenuar o sofrimento psíquico relacionado ao trabalho. Afinal. Percebemos. especificamente. No que tange à análise deste estudo. A identificação com questões do paciente diz respeito a uma possível ressonância.

atua na construção de um ambiente social saudável em que os conflitos seriam reduzidos frente a uma melhor compreensão das diferenças e limites. E em que possíveis fenômenos como o absenteísmo e o sofrimento psíquico poderiam ser compreendidos dentro da complexidade da experiência de cada indivíduo. . segundo Leme (2012) . 15 Pouco é falado sobre o significado humano existencial da atividade de trabalho que. .

. Foram feitas pesquisas nos sites de busca Pubmed e Scielo. “profissionais de saúde e resiliência”. Para que o material bibliográfico fosse inserido no estudo. com as palavras-chave: “profissionais de saúde e salutogênese”. bem como seus correlatos na língua inglesa. 16 3. A fase seguinte consistiu na leitura de todo o material de modo a compor os capítulos. . Os textos selecionados foram lidos na íntegra para compor o presente estudo. em que foram excluídos os artigos de revisão bibliográfica e que envolvessem predominantemente a pesquisa quantitativa. MÉTODO O método utilizado foi o levantamento bibliográfico de material que abordasse a temática da salutogênese em profissionais de saúde. contemplando os objetivos definidos para o estudo. Todo o material pesquisado foi selecionado após a leitura dos resumos. alguns critérios foram definidos: escrita na língua portuguesa ou inglesa e ter relação com o tema estudado.

Tal intervenção consistiu em treinamento interno. 2005). foi realizada uma intervenção com base na orientação salutogênica para tratamento do estresse ocupacional entre médicos. em que se encorajava a colaboração mútua. Milberg & Strang (2007) estudam a resolução de conflitos entre enfermeiras de uma casa de repouso de idosos. na Suécia. 2005). 2008. com as palavras-chave: “profissionais de saúde e salutogênese”. Programas de cunho educacional. foi relatado a elaboração de novas formas de atuar. programas educacionais. fisiológicos e cognitivos. “profissionais de saúde e resiliência”. técnicas de relaxamento. este recurso psicoeducativo tem o objetivo de promover o autoconhecimento a partir da identificação de ansiedade. Foi desenvolvido para ser aplicado em escolas a todas as crianças. 17 4. independente de seu grau de saúde emocional (Stallard. supervisão individual e grupos de suporte. o programa FRIENDS. o programa de 10 sessões tem o objetivo de promover a resiliência emocional de crianças. Verificou-se a carência de programas de intervenção e prevenção de resiliência (Oliveira et al. portanto. Werner. A intervenção consistiu em sessões de aconselhamento e grupos de supervisão com foco na personalidade individual e nas emoções para a promoção de um ambiente menos estressante. Em estudo de Rabin et al (2005). o estudo não apresentou resultado significativo. identificação de pensamentos . Para a população infanto-juvenil. mais significativa. Como resultado. Berg & Hallberg (1999) promoveram intervenções em profissionais de enfermagem de Saúde Mental que consistiam em supervisão clínica em grupo. Os autores afirmam que tal metodologia contribuiu para uma nova forma de ver o trabalho. Poucos estudos utilizam intervenções na abordagem da salutogênese em profissionais de saúde. um exemplo de intervenção. Paula Barrett. Baseado na terapia comportamental. construído pela Dra. RESULTADOS Foram feitas pesquisas nas ferramentas de busca Pubmed e Scielo. de reabilitação e terapêuticos precisam ser desenvolvidos para usufruto da população. e a redução de conflitos entre os profissionais. foi validado pela UNESCO sendo. No entanto. Com a utilização de recursos comportamentais. .

É oferecido um livro que é preenchido ao longo do programa (Stallard. 18 ansiogênicos ao lado da possibilidade de substituí-los por pensamentos saudáveis. . e como lidar com problemas e desafios. . 2005).

o psicólogo se vê mais voltado aos afazeres burocráticos do que relacionais. inserindo nesta compreensão os fatores de risco. Mais escassos são os estudos envolvendo profissionais de saúde. no entanto carece de maior aprofundamento das questões individuais. e raramente volta-se ao profissional de saúde. É importante considerar que os fatores de risco e proteção derivam de fontes internas e externas que interagem constantemente (Ribeiro et al. 2011). muitas pesquisas estudam a resiliência pela escala de antonovsky. Como mencionado nos resultados. Quando no campo da Psicologia. bem como sua interação com o binômio saúde-doença (Oliveira et al. observamos poucos exemplos de metodologias de promoção de resiliência relatadas pela literatura científica. nossa atuação é pensada para o paciente. Daí a importância de abordarmos este assunto de modo a ampliar o arcabouço teórico da psicologia. Até mesmo nos setores de Saúde Ocupacional. Ao trabalharmos em instituições de saúde.2008) Os estudos quantitativos possibilitam a caracterização geral da população bem como a avaliação da força da interação entre variáveis dependentes e independente (Maia. 19 5. considera-se importante a compreensão dos conteúdos subjetivos envolvidos na teia de significação da população em questão: as motivações. Um movimento que tenha como norte uma aproximação do equilíbrio entre os dois fatores constitui o caminho para a consolidação de resiliência. bem como deixar esta grande contribuição para a ciência. de natureza quantitativa. visto que são dinâmicas. A atuação da Psicologia voltada a esta população é também escassa. Corroborando com este . relações e intensidade de todos os elementos envolvidos na formação (ou ausência) da resiliência. Percebe-se a necessidade da realização de pesquisas que contemplem a interação dos fatores de risco e de proteção nos mecanismos de resiliência. direções. . Porém. DISCUSSÃO Frente à diversidade de teorias na direção da salutogênese. podemos pensar a possibilidade de formar um campo hábil ao desenvolvimento de competências de resiliência. no que concerne ao estudo dos fatores de proteção. As metodologia de promoção de resiliência precisam respeitar a natureza dos fatores de proteção. Consideramos relevante esta forma de pesquisa pela possibilidade de contemplar uma grande amostra. 2010).

. como as esferas governamental e da sociedade civil (Ribeiro et al. 20 ponto de vista. também. aos profissionais que atuam neste contexto peculiar. é imprescindível que outros atores incentivem tais ações. Frente a uma realidade de desastres naturais recorrentes. 2011). 2010). uma demanda de Saúde Pública. Ao lado dos esforços individuais para a ampliação dos estudos sobre fatores de proteção. é preciso pensar estratégias de desenvolvimento de fatores de proteção para os atingidos e. o Relatório “The Hitchhiker`s Guide to Salutogenesis” fortalece a importância dos estilos de vida que podem influenciar positivamente na melhora do bem estar geral (European Union. .

13). dificilmente voltaremos a nos identificar com a cegueira da falta de consciência. Tal qual a fábula da águia. nunca mais voltou a viver como galinha. pode ser que ocasionalmente ainda volte a visitar o galinheiro. A extrema acurácia que sua profissão exige. É urgente a demanda pela publicação científica de intervenções que contribuam no desenvolvimento de fatores de proteção para a população geral e. . apresentada pelo Dr. A teoria da salutogênese é extensa e diversa. combinado aos dramas cotidianos no trabalho com seres humanos em sofrimento. embora tivesse sido mantida e domesticada como galinha” (p. no entanto pouco relatada em estudos científicos sob a forma de intervenções em profissionais de saúde. adaptadas às suas condições e necessidades. especificamente. Seguindo o pensamento de Veríssimo. para os profissionais de saúde. . ilustram o cenário propício para ações estruturadas de bem estar e qualidade de vida. CONCLUSÃO “Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inultimente” (Érico Veríssimo) Os conceitos apresentados oferecem a ampliação do conceito de saúde para além de um objetivo estanque e padronizado. Ela era uma águia. Ricardo Leme (2012): “Pode ser que a águia ainda se lembre das galinhas com saudade. uma vida com significado diz mais a respeito da qualidade de vida do que da mera ausência de doença. 21 6. Mas até onde foi possível saber. Uma vez encontrada a nossa potência de saúde enquanto cuidadores.

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E a vida vai seguindo novos caminhos. sinto o chamado. Nestes dez anos. o estresse ocupacional em profissionais de enfermagem de hospitais públicos do Rio de Janeiro. E senti no coração a certeza de que essa era uma nova trilha aberta no meu caminho. Nestas mudanças. Por isso estou aqui. senti raiva frente a condutas aparentemente insensíveis e. vim para São Paulo e iniciei a pós em Cuidados Integrativos por indicação da minha psicoterapeuta. abrindo novas trilhas para novas experiências. tive contato com o conceito de Salutogênese. Muitas são as lembranças de todos os encontros e desencontros vividos. Tudo fez sentido. vivenciei muitas mudanças. aprendizados… E de todo esse caminho até aqui. seja na especialização em Saúde do trabalhador. estudei o estresse ocupacional em profissionais do SAMU. neste momento. de resiliência e de sentido de vida. medos. tomamos conhecimento do motivo do fardo e para onde ele nos levará. Muitas reviravoltas. Em paralelo à caminhada profissional. E o que fazer quando o seu trabalho é justamente aliviar o sofrimento alheio? Em meio às tramas do tratamento. . Motivo da escolha do tema Em meus estudos na Academia. nos últimos dez anos acompanhei o tratamento de câncer dos meus pais. Pude ver que por trás dos profissionais de saúde existem seres como eu. após um ano de partida do meu pai. Na especialização. o fardo se torna menos pesado. Ou melhor. Quando sabemos onde estamos e o que estamos fazendo. . Logo nas primeiras aulas. 24 ANEXOS Anexo 1. uma marca ficou: a convivência com os profissionais de saúde. vivi conversas importantes. a tentativa de seguir minha vida apesar de. de fortaleza. que buscam alcançar a felicidade e afastar-se do sofrimento. como no Mestrado em Saúde Pública. vi o medo em muitos olhares de quem deveria passar segurança. Um chamado que me leva a investir esforços na promoção de recursos de saúde. no mestrado. percorri os caminhos da saúde do trabalhador da Saúde.

▪ Experiência profissional nas áreas de Saúde do Trabalhador. . Promoção da Saúde e Saúde Mental. 25 Anexo 2. ▪ Contato: claudiacomaru@gmail.com . pesquisa e ensino. atuando na assistência. Minicurrículo do autor Claudia Marques Comaru ▪ Psicóloga (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro). mestre em Saúde Pública e especialista em Saúde do trabalhador (Fundação Oswaldo Cruz).

Foi uma bela recepção de boas vindas ao novo lar. Fui desafiada continuamente a sair da zona de conforto. sentindo emoções e sensações há tempos não vividas. pela forma de me relacionar. . 26 Anexo 3. Gratidão. pela forma de me afetar pelos acontecimentos. seja pela postura. Foi interessante perceber meu empoderamento ao longo do processo. experimentando novas possibilidades. com minhas motivações internas. Revisitei partes muito importantes da minha história. O que o curso representou para mim O curso representou a possibilidade de reconexão à minha essência. com o real motivo de existir. pelo olhar. .

Conclusion. sense of coherence and resilience. The aim of was to define the concept of salutogenesis. check for methodologies presented by scientific literature to promote resilience in healthcare staff. The Salutogenesis theory improve a paradigm breakdown when considering the factors that promote individual`s health. The present analysis provides the demand for some scientific studies that promote resilience in healthcare staff. Method. define concepts related to salutogenesis as general resistence resources. . The method consisted in the documental analysis of the surveys on data-base research using key words. Results. Objective. Research was conducted in Pubmed and Scielo. . The study of mental health in healthcare staff usually focus on different outcomes and diseases so-called risk factors. 27 ABSTRACT Introduction. A few number of researchs involve methodologies that promote resilience in healthcare staff was found.