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Hidrelétrica Belo Monte e Processos de Des-territorialização no Médio Rio

Xingu - Pa

José Antônio Magalhães Marinho (UFPA)
Geógrafo, Faculdade de Geografia – Campus de Altamira
josemarinho@ufpa.br

Márcia Pires Saraiva (UFOPA)
Historiadora, Campus de Santarém
mars.ara@bol.com.br

Resumo
O trabalho discute, de maneira introdutória, como a Hidrelétrica Belo Monte, em fase de instalação
no médio rio Xingu, Estado do Pará, vem gerando processos de des-territorialização, entendidos,
aqui, como precarização territorial de agricultores camponeses que, em diferentes contextos
históricos, territorializaram-se e vêm se reproduzindo no espaço atingido pela Hidrelétrica.
Evidencia que pressões, ameaças e indefinições, usadas como estratégias de limpeza do espaço,
tem como consequência a deterioração material e psicológica de quem esta na área do grande
projeto, tornando a territorialização de mães e pais de famílias cada vez mais precarizada. Com
isto, evidencia-se que, apesar do contexto político diverso a Ditadura Militar e da existência de
dispositivos legais, como EIA-RIMA e Audiências Públicas, a política energética na Amazônia
continua valendo-se de antigos expedientes coercitivos, decretando o barramento de rios para uso
exclusivamente econômico, em detrimento de outras formas de apropriação secularmente
construídas.

Palavras-chave
Hidrelétrica Belo Monte, processos de des-territorialização, rio Xingu

em diversas bacias hidrográficas brasileiras. a opção pela hidreletricidade como fonte de energia consagrou a grande hidrelétrica. Cercada de controvérsias desde os anos 1980. Estado Pará. partes dessas pessoas são deslocadas para assentamentos rurais e/ou urbanos. No entanto. e as tradições culturais. Daí a instalação dessas grandes “próteses”. que implantadas nos leitos de rios constituem verdadeiras “próteses”. a instalação das grandes hidrelétricas constitui. quanto de movimentos sociais da Transamazônica. No âmbito do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). segundo Magalhães (2009). onde têm de buscar um recomeço. tem inundado extensas áreas. bem como os elos familiares são desestruturados. dados oficiais apontam que apenas na construção das hidrelétricas de Sobradinho. via de regra. bem como uma postura mais respeitosa em relação aos atingidos pelas barragens. observa-se crescente preocupação oficial de mostrar um novo “modelo” de construção de hidrelétrica no Brasil. com as chamadas hidrelétricas a fio d’água. tanto de povos indígenas. além da redução das áreas inundadas. conforme Silva (2010). quando da primeira tentativa de instalação. Belo Monte sempre enfrentou resistências. No Brasil. cujos impactos socioambientais são os mais variados. das quais 80% eram camponesas. causa deslocamento compulsório e compromete vastas áreas que fornecem sustento para milhares de famílias. deparar-se com críticas e resistências. Com isso. Na Amazônia. Situação agravada pelo recorrente descumprimento de obrigações dos empreendedores com os reassentados.Introdução As hidrelétricas constituem aquilo que Santos (1995) chama de grandes objetos. como base do desenvolvimento industrial do país. vigoroso processo de des-territorialização. A instalação desses grandes objetos artificiais. Em geral. Itaupu e Tucuruí cerca de cento e cinquenta mil pessoas foram transferidas compulsoriamente. as compensações financeiras recebidas pelas famílias deslocadas rapidamente se volatilizam. cada vez mais. na década de 1970. busca-se enfatizar o avanço da engenharia brasileira no setor. Todavia.1. No decorrer da última década. uma das principais obras do PAC é a Hidrelétrica Belo Monte no rio Xingu. do ponto geográfico. em uma conjuntura política contraditoriamente favorável. também. as negociações com as famílias atingidas estariam sendo mais “amigáveis”. não mais contribuindo para a manutenção das condições de vida anteriores. Neste sentido. . por exemplo. de forma que passou a existir uma vinculação quase que natural entre hidreletricidade e grande hidrelétrica. Uma das implicações mais dramáticas desses empreendimentos envolve o deslocamento compulsório de milhares de famílias das áreas inundadas. desorganiza profundamente as relações sócio-espaciais existentes. Segundo Magalhães (2009). uma vez que. grandes coisas artificiais.

Hanah Arendt. Centra- se nas estratégias do consórcio empreendedor e nas implicações territoriais subsequentes. No âmbito da Geografia. a hidrelétrica obtém Licença de Instalação e começa a ser construída na área conhecida como Volta Grande. dentre outros. de maneira introdutória. Michel Foucault. não alagando nenhuma terra indígena. reduzindo drasticamente a área de inundação em relação ao projeto original. bem como suas implicações multidimensionais nas territorializações pré-existentes. inclusive com o empreendedor informando as pessoas sobre seus direitos. O espaço é anterior ao território. na Volta Grande do Xingu. esse autor afirma que espaço e território não são termos equivalentes. Nessa perspectiva. As estratégias que vêm sendo usadas na “limpeza” do espaço físico. e buscando negociações justas com as famílias removidas da AID (Área de Influência Direta). algumas. Felix Guattari. Subsequentemente. alguns elementos que assinalam a complexidade territorial da Volta Grande. ciência onde é considerado um conceito-chave. Antes de entrar diretamente nessa problemática. algumas considerações acerca das concepções de território e des-territorialização tornam-se necessárias. no entanto.em 2011. Nesse sentido. des-territorialização e precarização territorial Com o avanço dos processos ditos globalizantes. inclusive. de autores como Henri Lefebvre. visando à instalação da hidrelétrica. uma importante contribuição encontra-se em Raffestin (1993). indicando seu fim. Neste trabalho. Ao se apropriar de um espaço. discutindo em que medida configuram processos de des-territorialização. O RIMA de Belo Monte busca evidenciar que o longo período que a obra passou para sair do papel foi gasto em seu aprimoramento. o projeto atual da hidrelétrica respeita as condições socioambientais existentes no Xingu.Território. Conforme esse documento. em seguida. uma breve contextualização do projeto hidrelétrico é apresentada. Preocupado em assinalar a derivação do conceito. são discutidas a seguir. 2. tendo em vista que muitas famílias de camponeses já tiveram suas terras desapropriadas e muitas outras vivenciam angustiante incerteza acerca da permanência ou deslocamento compulsório de suas terras. abordam-se. incorporando perspectivas arejadas por contribuições de fora da disciplina. Com esse intuito. algumas dessas interpretações são retomadas com a intenção de referenciar a noção de des- territorialização. algumas questões relativas à remoção de camponeses da área de instalação da Hidrelétrica Belo Monte. Este se forma a partir do espaço como resultado da ação de atores sintagmáticos (atores que realizam um programa) em qualquer nível. o ator “territorializa” esse espaço. resgatando- se. o território “é um . as interpretações sobre o território têm se ampliado. muitas questões acerca do território têm sido suscitadas.

Ainda que possa ser entendido à escala nacional. é saber quem domina quem. Souza (2011) também enfatiza que é preciso despir o território de seu manto de imponência com o qual esteve. 2011. Raffestin elabora sua crítica à concepção de território dominante na Geografia Política Clássica.espaço onde se projetou um trabalho. Souza (2011). apesar de constituírem. Haesbaert (2011). não contribuem para precisar a compreensão do território. territórios são construídos e desconstruídos nas mais diferentes escalas espaço-temporais. Tais aspectos. As concepções de Raffestin e de Souza permitem reconhecer outros atores. classe ou instituição pode “territorializar-se” através de processos de caráter mais funcional (econômico-político) ou mais simbólico (político-cultural) na relação que desenvolvem com os “seus” espaços. muitas vezes confrontando-se com o poder central de diferentes formas. muitas vezes. bem como relações de apego e identificação com um dado espaço não devem ser considerados na conceituação do território. Partindo de uma perspectiva ontológica. e que. adornado. cada grupo social. Movimentos separatistas que buscam autonomia política constituem exemplo disso. 78). torna-se possível pensar em territórios que se sobrepõem ao território nacional. via de regra. 95-96). que não o Estado. como atores que se territorializam e produzem seus próprios territórios. . um espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder”. dependendo da dinâmica de poder e das estratégias que estão em jogo (HAESBAERT. essencialmente. bem como podem ter um caráter duradouro. o território é. 1993. seja energia e informação. dramaticamente. Haesbaert (2011) consubstancia sua crítica às interpretações (eurocêntricas) que indicam o fim dos territórios pela intensificação dos processos de desterritorialização. Para esse autor. desdobra-se ao longo de um continuum que vai da dominação político-econômica mais “concreta” e “funcional” à apropriação mais subjetiva e/ou “cultura-simbólica”. em sua discussão sobre a desterritorialização. p. tendo o Estado como grande gestor. na tradição clássica. efêmero ou circular. A partir dessa concepção de território. escala considerada. ampliando seu significado para dimensões diversas à do território nacional. 144). Poderíamos dizer que o território. enquanto relação de dominação e apropriação sociedade-espaço. multidimensional e multiescalar. apresenta uma concepção de território de particular interesse. o modo de vida de populações tradicionais na Amazônia. Com essa abordagem. p. Embora seja completamente equivocado separar estas esferas. p. de matriz ratzeliana. Neste sentido. em sua conceituação do território também privilegia as relações de poder. Nesse sentido. o espaço físico e seus atributos. por consequência revela relações marcadas pelo poder” (RAFFESTIN. objeto de disputas territoriais. Segundo Souza (2011. e busca desnaturalizar o conceito. “fundamentalmente. como o território por excelência. o que importa. podendo estender-se por uma rua ou por um conjunto de países. bem como movimentos sociais que lutam contra a materialização de projetos governamentais que comprometem. Segundo esse autor.

centrais elétricas pequenas. sendo gerada em médias e grandes centrais elétricas. Esses estudos sinalizavam a busca de alternativas energéticas ao petróleo. 36). Neste sentido. que usavam óleo diesel. por exemplo. 2000). territorialização.Contexto de avanço das hidrelétricas na Amazônia no início do século XXI Até os anos 1960. p. Assim. 2011. Haesbaerte (2011) sugere que a noção de des-territorialização. (sempre dialetizada). Consoante essa perspectiva. deve ser aplicada a fenômenos de efetiva instabilidade ou fragilidade territorial. VINÍCIUS. 312). principalmente a parir de 1973. 2004. tem suas condições de reprodução simbólico e/ou materiais desestruturas. Ainda nesta perspectiva. como também sobre as condições de existência de quem ainda persiste no entorno do grande objeto geográfico. pois “o que chamamos de território ou de processo de territorialização constitui algo imanente ao ser. obrigatoriamente. p. de fato impossibilitados de construir e exercer controle sobre seus territórios. na qual determinado grupo social.. e locomotivas movidas à lenha (FENZL. 3. 2011. a noção de des- territorialização pode ser entendida como territorialização precária. para o mesmo autor. seja no sentido de dominação político-econômica. A mudança nesse quadro inicia na década de 1970. que havia atingido preços . do homem e do mundo.] bastando para isso que vivenciem uma precarização das condições básicas de vida e/ou a negação de sua expressão simbólico-cultural”. que funcionavam à base de óleos pesados. mas em condições territoriais marcadas pela instabilidade. não é indicador de des-territorialização. não significa desterritorialização.mostra que esses processos não são absolutos. [. principalmente entre grupos sociais mais excluídos e/ou profundamente segregados e como tal. só é possível falar em desterritorialização parcial e sempre vinculada a processos de re-territorialização. uma vez que “toda existência humana é uma existência territorial” (HAESBAERT. associada a processos de “exclusão” socioespaciais. seja no sentido de apropriação simbólico-cultural (HAESBAERT. “muitos grupos sociais podem estar “desterritorialidos” sem deslocamento físico. p. quando diversos estudos começam dimensionar o potencial hidrelétrico dos rios amazônicos. Segundo Haesbaert (2011. Desse modo. permitindo reconhecer as implicações dessa hidrelétrica não apenas sobre a reprodução i-material de quem já se deslocou (e esta deixando) da área da obra. por si só. a noção de des-territorialização permite refletir sobre as implicações sócio-espacias da Hidrelétrica Belo Monte em uma perspectiva multiescalar e multidimensional. CANTO. tal como mobilidade espacial. imobilidade tão pouco significa. necessariamente. o setor energético na Amazônia apresentava-se bastante debilitado.. sendo um dos componentes indissociáveis da existência (HAESBAERT. 371). mobilidade espacial. Entendida nesses termos. A geração de energia térmica predominava na região. 251).

com a monopolização de grandes rios para a produção de energia elétrica. nem Tucuruí e nem as sugestões de Fearside parecem importar para a política energética. segundo Berman et al (2010). No Estado do Pará. crescimento no nível de emprego e. a decisão de instalar barragens para geração de energia elétrica continua passando ao largo de efetivas discussões democráticas. VINÍCIUS. construída em Rondônia nos anos 1980. construída na mesma época. a inserção da região na divisão internacional da produção eletro-intensiva. Estudos têm mostrado que os vultosos investimentos no aumento da produção de energia na Amazônia não vêm se traduzido em desenvolvimento econômico e social semelhante (FENZL. 2000). o avanço da hidreletricidade na bacia amazônica encontra-se vinculado a diversos processos de destruição de territórios tradicionais. devido às sucessivas perdas no contexto de implementação da hidrelétrica. . Magalhães (2007. cujo autoritarismo e desconsideração das condições 1 Esses dispositivos foram criados em 1986. Fearside (2005). O retorno dessa opção de desenvolvimento para os povos amazônicos tem sido objeto de muitos questionamentos. gesta-se a primeira linhagem de grandes hidrelétricas na Amazônia. matéria-prima que permitirá. VINÍCIUS. novamente avança sobre a bacia amazônica. na condição de fornecedora de bens primários de origem mineral. mostra que a Hidrelétrica de Samuel. que nesse começo de século. por exemplo. Enquanto não se atinge esse estágio. a situação das famílias camponesas foi tão deteriorada (inclusive subjetivamente) que ao serem reassentadas não mais tinham condições de retomar o modo de vida anterior. cuja consideração. de alto conteúdo energético. CANTO. mais nem Tucuruí e nem a Hidrelétrica de Samuel tiveram a obrigatoriedade de obedecê- los. 2000). Segundo essa autora. aumento da qualidade de vida da população da região. CANTO. deveria constituir referência para os futuros empreendimentos hidrelétricos na Amazônia. Neste contexto. tanto na forma bruta. principalmente a do alumínio. e constituíam parte das estratégias de desenvolvimento regional para a Amazônia no âmbito da ditadura miliar (FENZL. mas de baixo valor agregado. de maneira alguma. processo que culminará. Com isto. 2009) ilustra como a Hidrelétrica de Tucuruí. o barramento de grandes rios amazônicos continua sendo determinado por políticas impostas. produziu impactos socioambientais os mais variados. A explicação para isso estaria no fato de que grande parte da energia produzida é absorvida pelas indústrias eletro-intensivas. já na fase de deslocamento compulsório. quanto transformados em metais primários. Ao contrário. desestruturou brutalmente o modo de vida da população camponesa no vale do rio Tocantins. segundo o autor. Entretanto. Mesmo em um contexto político diverso dos anos 1980 e perante a obrigatoriedade de estudos de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e de Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (RIMA) 1. muito menos. além da realização de audiências públicas. a elevação do PIB regional não refletiria. autoritarismo e embates com a Eletronorte. progressivamente. marcada por indefinições.exorbitantes no mercado internacional.

7%) pela água no Brasil tem origem em obras promovidas pelo Estado e 25 (38. em processo de implantação no rio Xingu. Vários estudos (HENCHER. a exploração energética do rio Xingu. mas seguindo a lógica de mercado. pressiona órgãos ambientais para a concessão de licenças. segundo Berman et al. 2003) mostram como setores da Igreja Católica e 2 Em 2011. cujos desdobramentos postergaram. Neste contexto. por mais um tempo. Postura. No caso das hidrelétricas do “Complexo Madeira” . inclusive territórios aquáticos.3%) originados por iniciativas privadas. As mobilizações sociais na região da Transamazônica e Xingu remontam aos anos 1970.Elementos da territorialização da hidrelétrica Diferentemente daquilo que o RIMA de Belo Monte busca mostrar. a resistência social esboçada desde os anos 1980 e ao descumprimento de questões legais. 4. sob pretexto de iminente colapso no abastecimento de energia. Assim. Na verdade. aliás. 87). foi a decisão política em detrimento do resultado vindo do debate público sobre a instalação ou não das hidrelétricas. no final dos anos 1990. RIBEIRO. (2010). o que prevaleceu. por exemplo. Desempenhando papel central na manutenção dessa política. além de disponibilizar grandes somas para viabilizar a implementação dos projetos. 2012)2. o longo período que a hidrelétrica levou para sair do papel não decorreu da preocupação ambiental dos governantes em relação aos impactos negativos do empreendimento original. evidenciando que esse agente continua sendo o principal indutor do “crescimento econômico” na região (ALMEIDA. p. as estatísticas mostram que 42 dos conflitos (61. como os consórcios de grandes empresas capitalistas que “negociam” a remoção de famílias atingidas por barragens como se estivessem negociando com agentes econômicos do mesmo naipe. não por acaso. segundo Malvezzi (2012).socioambientais regionais permanecem como uma constante. mantida no caso da Hidrelétrica Belo Monte.Santo Antonio e Jirau. o Estado. tornando privado o que antes era público ou bem da União” (MALVEZZI. Situação que se agrava quando agentes privados são investidos de poder (de Estado) e passam a atuar em nome do interesse público. 2009). apressadamente. grande parte dos atuais conflitos pela água no Brasil tem origem em obras promovidas pelo próprio Estado (MALVEZZI. Avanço que na Amazônia se dá com a tutoria do Estado (BRITO. 2001). não obstante as implicações territoriais e a resistência de atores sociais diversos. e mobiliza aparato de segurança para manutenção da “ordem” onde há manifestações de resistência.1. . principalmente. vincula-se. sobre seus territórios. apesar da realização de estudos críticos e de algum grau de debate. 2012.Hidrelétrica Belo Monte: territorialização e precarização territorial no médio rio Xingu 4. 2002. “o capital avança sobre comunidades tradicionais.

Em termos populacionais. deve-se destacar que nesse momento. dos quais 228 km² já seriam hoje o próprio rio Xingu. . reconhecendo o papel das lutas sociais. com o apoio de várias entidades e movimentos sociais. claramente. 2005). o governo federal lança mão de uma estratégia que produzirá bons resultados na próxima investida para barrar o Xingu. posição extremamente importante para que o governo recuasse com o seu projeto energético. após inúmeros embates políticos e judiciais e certo arrefecimento de parte da resistência. cuja interpretação extrapola os limites desse trabalho. 2011). mais precisamente. assumiu o comando desse processo a Eletronorte.362 16. 2009). Em 1989. chamou a atenção para as precárias condições de vida dos colonos na Transamazônica e.Sindicatos de Trabalhadores Rurais organizaram um movimento social que. entidades de classes. aqui.420 Meio rural 1. envolvendo variados agentes urbanos e rurais. Imóveis. especialmente em termos socioambientais. subsequentemente. E como um verdadeiro “Frankenstein energético” (PINTO. a construção de hidrelétricas no rio Xingu tornou-se objeto de grande resistência. bastante modificada em relação às primeiras propostas de barramento do rio Xingu. Segundo essa autora.822 Quadro 1: Montante de imóveis e pessoas na ADA de Belo Monte. realizado em Altamira. Contudo. 233. começa a ser instalada na Volta Grande do rio Xingu. povos indígenas e dirigentes de órgãos públicos.241 824 2. para esvaziar a resistência contra a instalação de hidrelétricas no rio Xingu. explicitou. Fonte: Brasil. Em um momento de culminância desse processo.747 4. por conta de suas implicações socioambientais. conforme a quantidade de água existente no rio Xingu (BRASIL. Colidindo com essa perspectiva. 2009. produção que deverá variar ao longo do ano. No final dos anos 1990. A área de inundação esta estimada em 516 km². obtém Licença de Instalação. Trata-se de um sistema de engenharia projetado para operar a fio d’água com uma capacidade instalada de 11. que as nações indígenas eram radicalmente contrárias à construção de hidrelétricas na bacia do rio Xingu. Belo Monte. Refere-se. ocorre novamente outra tentativa de barramento do Xingu. começa a pensar e implementar ações pautadas em uma proposta de desenvolvimento alternativa ao modelo imposto. mas contratações sem licitação e a tentativa de obter licença ambiental apenas no âmbito estadual motivaram uma Ação Civil Pública que resultou na suspensão do projeto. estatal que fixa escritório em Altamira e passa a atuar junto a prefeituras. a estratégia de assédio e aliciamento da população local e das instituições (MELO. apresenta as características descritas a seguir (Quadro 1). famílias e pessoas residentes na área diretamente afetada Localidade Imóveis Famílias Pessoas Altamira 4. segundo o RIMA. o I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu. em 2011.1MW. inicialmente. a ADA (Área Diretamente Afetada) de Belo Monte.

até meados do século passado. basicamente. A definição dessa ADA. Tal processo. responsável pela formação do Reservatório do Xingu. com base na economia extrativista (CHAMBOULEYRON. Dos recursos explorados. uma breve descrição do complexo quadro territorial da Volta Grande é apresentada.2. esta previsto um barramento principal no rio Xingu. Antes de tratar de algumas estratégias usadas nesse processo de desocupação. entretanto. isto sem mencionar as indefinições acerca da extensão da área que será inundada pela Hidrelétrica. Painel de Especialistas: análise crítica do Estudo de Impacto Ambiental do Aproveitamento Hidrelétrico de Belo Monte. o qual alimentará as turbinas da Casa de Força Principal.Notas sobre a complexidade territorial da Volta Grande do Xingu O vale do rio Xingu constitui um espaço marcado por diversos territórios construídos ao longo de um processo de ocupação econômico secular. não só porque atingiu o alto curso do rio. Belém. abrange terras nos municípios de Altamira. deu-se. mimeo. Fonte: Brasil. Figura 1: Representação esquemática da Hidrelétrica Belo Monte. 3 Para uma crítica consistente aos EIA-RIMA e à viabilidade dessa hidrelétrica ver MAGALHÃES. (orgs). No meio rural. Vitória do Xingu e Brasil Novo. 29 de setembro de 2009. 2009. 2008). tem sido objeto de muitas críticas. uma das quais recai sobre os critérios utilizados na referida definição. Aqui. como se observa abaixo (Figura 1)3. a ADA atinge a área urbana da sede municipal. situada a poucos quilômetros a jusante do atual povoado Belo Monte. S. cuja água será desviada por um Canal de Derivação (o RIMA previa dois canais) para o chamado Reservatório dos Canais. .Em Altamira. 4. HERNANDEZ. na Volta Grande do Xingu. que remonta ao período colonial. mas porque inseriu contingentes de trabalhadores não-índios nos seringais. F. A instalação de Belo Monte envolve obras nos municípios de Vitória do Xingu e Altamira. no sítio Pimental. sobretudo as áreas ribeirinhas ao longo dos igarapés que cortam a cidade. provavelmente a borracha foi o que engendrou as maiores transformações..

com a abertura da rodovia Transamazônica (BR 230) e com as políticas de colonização e ocupação econômica.241 imóveis. bem como dos povos indígenas Juruna e Arara. à pesca e à caça. chegando a um número de pessoas 60% inferior. 2005). dados históricos indicam que as famílias da região variam de 5 a 7 membros.“limpeza” do espaço físico e precarização territorial do campesinato O RIMA de Belo Monte considera que a ADA rural da hidrelétrica caracteriza-se predominantemente por pequenos imóveis. em terras próximas à BR 230. práticas que ainda caracterizam o modo de vida do campesinato ribeirinho. segundo Magalhães. Apesar da tentativa de se escamotear insatisfações. que se dedicaram a cultivos temporários e a lavouras comerciais. bem como indígenas que ali se encontravam.3. O primeiro. 2008). destinou-se a pequenos produtores. esse grupo de atingidos rurais dispõe das opções de tratamento resumidas no quadro a seguir. destinou-se preferencialmente à ocupação da grande empresa agropecuária. que ainda vivem na Volta Grande (SARAIVA. oriundos de várias regiões. associadas principalmente à produção agropecuária. com 824 famílias que totalizariam 2. sobretudo por parte do empreendedor. Na Volta Grande. Já a Gleba Paquiçamba. e o campesinato ribeirinho. em uma área afastada da Transamazônica. 4. continuaram se reproduzindo através de práticas ligadas ao extrativismo vegetal. muitas denúncias e questionamentos vêm marcando esse processo de “limpeza” do espaço na Volta Grande. GRUPO DE ATINGIDOS OPÇÕES DE TRATAMENTO PROPRIETÁRIOS E POSSEIROS (com e sem Projeto de Regularização Fundiária título de posse regulamentado) de pequenos Projeto de Aquisição/indenização Rural imóveis e de minifúndios que a) residem e Projeto de Reassentamento Rural trabalham ou b) não residem mas trabalham em Projeto de Reestruturação das Áreas imóveis que serão total ou parcialmente afetados. A partir dos anos de 1970. essa atividade envolveu seringueiros e seringalistas. criado em 1979. população bastante questionável. muitas da quais miscigenadas. criada em 1988. Esse campesinato atraído para a região a partir dos anos 1970. principalmente a pimenta e o cacau (ROCHA. instalam-se o Projeto Agropecuário Rio Jôa e a Gleba Paquiçamba. Remanescentes Projeto de Reparação GRANDES E MÉDIOS PROPRIETÁRIOS E Projeto de Regularização Fundiária POSSEIROS RURAIS que a) residem e trabalham Projeto de Aquisição/indenização Rural . fragilizando a territorialização do campesinato ali existente. cuja origem remonta ao tempo da borracha. as famílias remanescentes. Parte desse campesinato diversificado já foi deslocada compulsoriamente e parte encontra-se à mercê da Norte Energia. Com o declínio da borracha.Na área da Volta Grande. diferentemente das estimativas usadas no EIA/RIMA que consideraram apenas os membros das famílias encontrados em casa na ocasião da pesquisa. Essa área teria 1. novas formas de territorialização começam a se materializar. consórcio responsável pela construção da hidrelétrica. estão sendo diretamente atingidos pela Hidrelétrica Belo Monte. Ainda conforme o referido RIMA.822 pessoas. visto que.

Denunciou que. o lamento e a dor das pessoas. que já estão sendo instalados. observa-se que a pressão e as ameaças continuam sendo estruturais no deslocamento compulsório de pessoas atingidas por grandes hidrelétricas na Amazônia. pensativo... Hoje. SENADO FEDERAL. representante da comunidade Arroz Cru. Isto é o que se observa nos relatos de muitos camponeses atingidos pela hidrelétrica. e que. Para esse autor. repete-se. Aldice. ao contrário. porém. 2009. Essa continuidade está relacionada à intencionalidade que preside a criação e a localização desses grandes objetos no espaço (SANTOS. entretanto. porém nele produzem.. Em Diligência da Comissão de Direitos Humanos do Senado em Altamira. afirmou que os: . PARCEIROS. Sra. 16). Quadro 2: Grupo de atingidos rurais e opções de tratamento. não possuem nenhuma atividade produtiva.. Ana Alice. informou que: . p. ele vive pelos cantos. 1995). Outra agricultora. mas seus fins últimos nos escapam. A depoente afirmou categoricamente que não deseja sair de sua propriedade e não está disposta a ceder nenhum direito à empresa Norte Energia. em uma conjuntura política democrática. cuja pressão e ameaça constituem estratégias recorrentes. 17). e na terceira vão ter de assinar na marra’ (BRASIL. econômica. Nesses depoimentos. p. entram sem permissão nas propriedades e dizem que os agricultores devem assinar autorização para que sejam iniciados os trabalhos de construção dos canteiros das obras porque ‘se não assinar da primeira vez. Projeto de Aquisição/indenização Rural TRABALHADORES RURAIS (regulares ou Projeto de Reassentamento Rural sazonais) que trabalham nos imóveis rurais afetados (dependem economicamente) OCUPANTES DE IMÓVEIS que serão totalmente Projeto de Aquisição/indenização Rural ou parcialmente afetados e que. assim como ocorreu no caso da Hidrelétrica de Tucuruí (MAGALHÃES. agora. passam uma segunda. Remanescentes AGREGADOS. ela e seu pai sofrem ameaças constantes e costumam receber visitas de prepostos da empresa avisando que. 2011. FILHOS DE PROPRIETÁRIOS (ou outra situação) com unidade familiar própria que não detêm o Projeto de Regularização Fundiária domínio do imóvel. Ou seja. SENADO FEDERAL. A operacionalização dessas opções de tratamento. dos grandes objetos técnicos na Amazônia continuam precarizando a condição territorial de agricultores camponeses na região da mesma forma que no contexto da Ditadura Militar. em 2011. Fonte: Brasil. vem se materializando através de ações. embora não Projeto de Reassentamento Rural residam. aqui.agricultores que representa vêm sofrendo ameaças por parte dos prepostos da Norte Energia. a territorialização funcional. representante dos agricultores da Volta Grande do Xingu. ARRENDATÁRIOS. por meio da empresa E-labore. pois obedecem a uma lógica que .a área onde mora será atingida pela barragem e fica muito próxima aos canteiros de obras. Por isto são extremamente funcionais. 2011. ficarão no prejuízo (BRASIL. Consequentemente. ou b)não residem mas trabalham em imóveis que Projeto de Reestruturação das Áreas serão total ou parcialmente afetados. a Sra. Contou que seu pai vive há mais de 60 anos no mesmo lugar. se não venderem. era um homem alegre. antes. em razão disso. 2007). esses objetos são criados com uma intencionalidade mercantil e com objetivos claramente definidos. que.

“Travessão” 27. Mas depois vieram para negociar afirmando que a terra ficaria numa área de canteiro de obras. representante da Associação dos Agricultores da Volta Grande do Xingu. segundo ela. No caso amazônico. outros relatos de campo informam que a desapropriação das terras situadas na faixa mais próxima do rio Xingu estariam gerando indenizações bem modestas. 5 Entrevista concedida a José Marinho. Com isto. a utilização de critérios desvinculados da realidade sociocultural da região. Mas estão preocupados. Essas informações remetem a um problema comum nas indenizações para instalação de grandes projetos na Amazônia. também não sabem se continuam seu trabalho ou se esperam uma possível desapropriação. passou por lá dizendo que não era para eles se preocuparem. com pouco tempo foram indenizados. vicinal que atravessa a Volta Grande. Em trabalho de campo no “travessão 27”. o relato de agricultores expressa a mesma angústia. 19). e a Norte Energia estabeleceu o prazo de trinta dias para deixarem a terra. E disseram para a gente não fazer mais nada5”. Outro aspecto enfatizado pelos agricultores da Volta Grande do Xingu é a falta de informações sobre as implicações de Belo Monte. Jul. Em seu depoimento à Comissão de Direitos Humanos do Senado. Esse clima de desinformação aumenta a insegurança e os boatos. na primeira vez. Um dos mais difundidos dá conta de que os primeiros proprietários que tiveram suas terras desapropriadas receberam indenizações maiores.nos é estranha. pois não sabem se vão sair de suas terras ou não. o Sr. devido à intensificação da especulação fundiária. enquanto que os últimos ficarão com indenizações pequenas. a esposa de um dos agricultores supostamente privilegiado informou que “o pessoal da Norte Energia. Com isto. 2011. como está ocorrendo nos municípios a Hidrelétrica Belo Monte. em função de seus proprietários não terem como prática os cultivos agropecuários. 2011. 4 Entrevista concedida a José Marinho. afirmou que “as pessoas estão muito desinformadas sobre as obras e que é comum a ocorrência de ameaças contra os agricultores que resistem a deixar a empresa entrar em suas terras” (BRASIL. as propriedades que não apresentam as benfeitorias consideradas no caderno de preços tendem a ser subvalorizadas e seus proprietários recebem indenizações que não lhes permite adquirir terras nas imediações. Volta Grande do Xingu. qual seja. Por outro lado. A razão para isso estaria no fato de não possuírem muitas benfeitorias. p. . tais objetos obedecem à lógica da acumulação que alimenta empreiteiras. SENADO FEDERAL. Um dos agricultores afirmou: “tenho que tentar manter o que fiz para os meus filhos4”. “Travessão” 27. grandes mineradoras e variados setores ligados ao agronegócio. Volta Grande do Xingu. 2011. A partir daí. Jul. José Aparecido. Eles dizem que chegaram à área no final dos anos de 1970 e desde então começaram a trabalhar com cacau e com gado. No “Travessão 27”. Estariam envolvidos muito mais com atividades de natureza extrativa.

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