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Campus de Bauru

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
ÁREA DE GEOTECNIA
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MECÂNICA DOS SOLOS
Volume I

Paulo César Lodi

Mecânica dos Solos – Volume I 2

SUMÁRIO Pág

1.1. INTRODUÇÃO 03

1.2. ORIGEM DOS SOLOS 05
Tamanho das Partículas 07
Constituição Mineralógica 08
Sistema Solo-água 11
Estrutura dos Solos 12

1.3. TIPOS DE SOLOS EM FUNÇÃO DA ORIGEM 15

1.4. CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS 20
1.4.1. Classificação Táctil Visual dos Solos 21
1.4.2. Classificação Genética Geral 23
1.4.3. Classificação Granulométrica 23
Índices de Consistência 27
Conceitos Importantes 31
Atividade das Argilas 32
1.4.4. Classificação Unificada (SUCS) 36
1.4.5. Classificação segundo a AASHTO 39

1.5. ÍNDICES FÍSICOS 42
1.5.1. Relações entre Volumes 42
1.5.2. Relações entre Massas e Volumes 43

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CITADAS E CONSULTADAS 46

Mecânica dos Solos – Volume I 3

1.1. INTRODUÇÃO

Por ser o solo um material natural, cujo processo de formação não depende de
forma direta da intervenção humana, o seu estudo e o entendimento de seu
comportamento depende de uma série de conceitos desenvolvidos em ramos afins de
conhecimento. A mecânica dos solos é o estudo do comportamento de engenharia do
solo quando este é usado ou como material de construção ou como material de
fundação. Ela é uma disciplina relativamente jovem da engenharia civil, somente
sistematizada e aceita como ciência em 1925, após trabalho publicado por Terzaghi
(Terzaghi, 1925), que é conhecido, com todos os méritos, como o pai da mecânica dos
solos.
Sendo um material de origem natural, o processo de formação do solo, o qual é
estudado pela geologia, irá influenciar em muito no seu comportamento. O solo é um
material trifásico, composto basicamente de ar, água e partículas sólidas. A parte fluida
do solo (ar e água) pode se apresentar em repouso ou pode se movimentar pelos seus
vazios mediante a existência de determinadas forças. O movimento da fase fluida do
solo é estudado com base em conceitos desenvolvidos pela mecânica dos fluidos.
Podem-se citar ainda algumas disciplinas, como a física dos solos, ministrada em cursos
de agronomia, como de grande importância no estudo de uma mecânica dos solos mais
avançada, denominada de mecânica dos solos não saturados. Além disto, o estudo e o
desenvolvimento da mecânica dos solos são fortemente amparados em bases
experimentais, a partir de ensaios de campo e laboratório.
A aplicação dos princípios da mecânica dos solos para o projeto e construção de
fundações é denominada de "Engenharia de Fundações". A Engenharia Geotécnica (ou
Geotecnia) pode ser considerada como a junção da mecânica dos solos, da engenharia
de fundações, da mecânica das rochas, da geologia de engenharia e mais recentemente
da geotecnia ambiental, que trata de problemas como transporte de contaminantes pelo
solo, avaliação de locais impactados, proposição de medidas de remediação para áreas
impactadas, projetos de sistemas de proteção em aterros sanitários, etc.
As aplicações de campo da mecânica dos solos são as seguintes:

• Fundações: As cargas de qualquer estrutura têm de ser, em última
instância, descarregadas no solo através de sua fundação. Assim a
fundação é uma parte essencial de qualquer estrutura. Seu tipo e detalhes
de sua construção podem ser decididos somente com o conhecimento e
aplicação de princípios da mecânica dos solos.
• Obras subterrâneas e estruturas de contenção: Obras subterrâneas como
estruturas de drenagem, dutos, túneis e as obras de contenção como os
muros de arrimo, cortinas atirantadas somente podem ser projetadas e
construídas usando os princípios da mecânica dos solos e o conceito de
"interação solo-estrutura".
• Projeto de pavimentos: o projeto de pavimentos pode consistir de
pavimentos flexíveis ou rígidos. Pavimentos flexíveis dependem mais do
solo subjacente para transmissão das cargas geradas pelo tráfego.
Problemas peculiares no projeto de pavimentos flexíveis são o efeito de
carregamentos repetitivos e problemas devidos às expansões e contrações
do solo por variações em seu teor de umidade.

assim como do processo de compactação empregado é essencial para o projeto e construção eficientes de aterros e barragens de terra. Mecânica dos Solos – Volume I 4 • Escavações. necessita-se de um conhecimento completo do comportamento de engenharia dos solos. Escavações profundas podem necessitar de escoramentos provisórios. dos efeitos do fluxo de água através do solo. onde o solo é empregado como material de construção e fundação. especialmente na presença de água. O conhecimento da estabilidade de taludes. Para a construção de aterros e de barragens de terra. do processo de adensamento e dos recalques a ele associados. aterros e barragens: A execução de escavações no solo requer freqüentemente o cálculo da estabilidade dos taludes resultantes. . cujos projetos devem ser feitos com base na mecânica dos solos.

ciclos gelo/degelo e alívio de pressões em maciços rochosos. Normalmente. portanto. • Repuxo coloidal: o repuxo coloidal é caracterizado pela retração da argila devido à sua diminuição de umidade. tendendo a gerar tensões internas e auxiliar no seu processo de desagregação. As demais fases (líquida e gasosa) correspondem à porosidade do solo. Mecânica dos Solos – Volume I 5 1. Variações climáticas podem levar ao trincamento das rochas e. a água irá penetrar essas trincas atacando quimicamente os minerais. é a fase sólida que irá caracterizar o solo e esta pode variar em sua forma e tamanho. pois grãos compridos deformam mais na direção de sua maior dimensão. o solo pode ser definido como o material resultante da desagregação das rochas apresentando um índice de vazios maior que a rocha que o originou. Os principais tipos são: as variações de temperatura. água e gases. • Ciclos gelo/degelo: as fraturas existentes nas rochas podem se encontrar parcialmente ou totalmente preenchidas com água. provocando o aparecimento de tensões internas que tendem a fraturá-la. pode vir a congelar. O Intemperismo físico não altera a composição química da rocha. Já os processos químicos e biológicos podem causar a completa alteração física da rocha e alterar suas propriedades químicas. por conseguinte. É. cada qual possuindo uma constante de dilatação térmica diferente. em função das condições locais. Essa decomposição é resultante da ação dos agentes físicos. Acontece que uma rocha é geralmente formada de diferentes tipos de minerais. Esses agentes podem ocorrer simultaneamente na natureza e acabam por se complementarem no processo de formação das rochas. . o repuxo coloidal. expandindo-se e exercendo esforços no sentido de abrir ainda mais as fraturas preexistentes na rocha. o que em contato com a rocha pode gerar tensões capazes de fraturá-la. • Variações de Temperatura: da física sabemos que todo material varia de volume em função de variações na sua temperatura. ORIGEM DOS SOLOS O termo solo é aplicado na Engenharia Geotécnica para designar o material granular que cobre a maior parte da superfície terrestre. Estas variações de temperatura ocorrem entre o dia e a noite e durante o ano. Pode ocorrer também. A origem dos solos está relacionada à decomposição que ocorre nas rochas presentes na crosta terrestre. Esta água. aumentando sua área de superfície e facilitando o trabalho do intemperismo químico. que o congelamento da água nas trincas leve ao fissuramento da rocha devido às tensões geradas. Mesmo rochas com uma uniformidade de componentes não têm uma arrumação que permita uma expansão uniforme. Isso fica demonstrado quando analisamos o efeito da temperatura e da água nas rochas. No contexto geotécnico. MACHADO (2002) ressalta que os processos de intemperismo físico reduzem o tamanho das partículas. o que faz a rocha deformar de maneira desigual em seu interior.2. constituído por um conjunto de partículas sólidas. químicos e biológicos (intemperismo). Seu significado difere daquele empregado na área agronômica que considera apenas os horizontes superficiais de pequena espessura que podem conter matéria orgânica. e sua intensidade será função do clima local.

O intemperismo por carbonatação é mais acentuado em rochas calcárias por causa da diferença de solubilidade entre o CaCO3 e o bicarbonato de cálcio formado durante a reação. O H+ penetra nas estruturas cristalinas dos minerais desalojando os seus íons originais (Ca++. Em resumo. até mesmo. Alguns minerais quando hidratados (feldspatos. incluindo sais que ao reagirem com ácidos provocam cristalização com aumento de volume. hidratação (responsável pela expansão da rocha) e carbonatação (principalmente em rochas calcárias) são os exemplos clássicos de intemperismo químico. por exemplo) sofrem expansão. Na+. o que permite a entrada de agentes químicos e biológicos. reagindo com os mesmos. os minerais na presença dos íons H+ liberados pela água são atacados. • Hidrólise: dentre os processos de decomposição química do intemperismo. Vale ressaltar também que a água transporta substâncias ativas quimicamente. K+. conseqüentemente. • Hidratação: é a entrada de moléculas de água na estrutura dos minerais. levando ao fraturamento da rocha. O intemperismo biológico é resultante da ação de esforços mecânicos induzidos por raízes de vegetais. isolados ou combinados (caso mais comum) "fraturam" as rochas continuamente. • Carbonatação: o ácido carbônico é o responsável por este tipo de intemperismo. os solos serão misturas de partículas pequenas que se diferenciam pelo tamanho e pela composição química.) causando um desequilíbrio na estrutura cristalina do mineral e levando-o a destruição. o intemperismo químico irá formar solos mais profundos e mais finos do que os solos formados onde há predominância do intemperismo físico. PINTO (2000) enfatiza que o conjunto desses processos ocorre mais freqüentemente em climas quentes e que. Por outro lado. estricções e formação de juntas na rocha. A hidrólise. a hidrólise é a que se reveste de maior importância. Por outro lado. provocando a sua expansão. o que por sua vez. etc. Estes processos. a própria ação humana. . • Alívio de pressões: alívio de pressões irá ocorrer em um maciço rochoso sempre que da retirada de material sobre ou ao lado do maciço. porque é o mecanismo que leva a destruição dos silicatos. o intemperismo químico irá provocar alterações na estrutura química das rochas. irá contribuir no fraturamento. verifica-se que os solos resultantes de intemperismo físico irão apresentar composição química semelhante à da rocha que lhes originou. escavação de roedores e. que são os compostos químicos mais importantes da litosfera. Analisando a formação dos solos face aos tipos de intemperismo. Mecânica dos Solos – Volume I 6 auxiliando no processo de intemperismo (a água aumenta em cerca de 8% o seu volume devido à nova arrumação das suas moléculas durante a cristalização). cujos efeitos aumentam o fraturamento e tende a reduzir a rocha a blocos cada vez menores.

que tipo de fração predomina no solo. Dessa forma. o grão de areia ficaria com diâmetros da ordem de 100 a 200 metros (um quarteirão). Para uma análise mais precisa.1. é possível quantificar-se as frações presentes em cada solo assim como suas características de plasticidade.1) ilustra os limites das frações de solo pelo tamanho dos grãos definidos pela norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Outros apresentam partículas finas que só podem ser identificadas por ensaios específicos. Esse tipo de análise fornece apenas informação qualitativa. Mecânica dos Solos – Volume I 7 Tamanho das Partículas O tamanho das partículas de um solo é uma característica que irá diferenciá-los quanto à sua composição granulométrica. A diversidade de tamanhos é enorme e podem ser encontrados tamanhos que variam de 1 a 2 mm (partículas de areia) até 10 Angstrons (0. A Tabela (1. A Figura seguinte ilustra de forma comparativa os tamanhos de algumas partículas presentes nos solos. As partículas mais grossas (areias e pedregulhos) podem estar envoltas pelas partículas mais finas. Esquema comparativo do tamanho das partículas num solo Num solo qualquer. Numa primeira análise. . a saber: areias. utilizam-se os ensaios de granulometria e de limites de consistência. os limites irão variar conforme o sistema de classificação adotado. Isso torna difícil a identificação do solo por simples manuseio. efetua-se a classificação do solo através de análise táctil-visual. Percebe-se que alguns solos apresentam partículas perceptíveis a olho nu como os pedregulhos e areias grossas. Denominações específicas são empregadas para as diversas faixas de tamanho dos grãos. Se essa partícula de argila for ampliada e ficar do tamanho de uma folha de papel. siltes e argilas. No entanto. A identificação dos solos é um processo que procura identificar as principais frações presentes no solo como um todo. encontram-se partículas de diversos tamanhos. ou seja. Figura 1.000001 mm – partículas de argila).

Mecânica dos Solos – Volume I 8 Tabela 1. O conjunto de silte e argila é denominado como a fração de finos do solo. A Figura seguinte ilustra o tamanho de algumas partículas.1. Diferentes tamanhos de partículas em solos Constituição Mineralógica As propriedades químicas e mineralógicas das partículas dos solos formados irão depender fundamentalmente da composição da rocha matriz e do clima da região.00 mm Areia fina de 0. enquanto que o conjunto areia e pedregulho é denominado fração grossa ou grosseira do solo.8 mm Areia média de 0. Figura 1.6 cm a 25 cm Pedregulho de 4.42 mm Silte de 0.6 cm Areia grossa de 2.05 mm a 0. costuma-se separar os solos finos dos solos grossos através da peneira 200 (#200) que é a peneira correntemente usada em laboratório e possui abertura (≈) de 0. Estas propriedades influenciam de forma marcante o comportamento mecânico do solo.05 mm Argila inferior a 0.0 mm a 4. .8 mm a 7. 2000) Fração Limites Matacão de 25 cm a 1 m Pedra de 7. Limites das frações de solo pelo tamanho dos grãos segundo a ABNT (PINTO.005 mm a 0.005 mm Na prática.2.075 mm.42 mm a 2.

Outros minerais como feldspato. anidrita O quartzo.000 Å. Este enfoque é puramente didático e não representa necessariamente o método pelo qual o argilo-mineral é realmente formado na natureza. Seu estudo pode ser facilitado "construindo-se" o argilo-mineral a partir de unidades estruturais básicas. carbonatos e sulfatos. é bastante estável. Estes solos são formados. A partícula resultante fica com espessura da ordem de 1.calcita. mica. dentre as quais apresentam-se os pedregulhos. calcita e mica também podem ser encontrados neste tamanho. Essas estruturas se ligam por meio de átomos de oxigênio que pertencem simultaneamente a ambas. na sua maior parte. Eles podem ser divididos em dois grandes grupos. dolomita Sulfatos . serpentina Grupos Minerais: Óxidos . Assim. Possuem forma geométrica. Os feldspatos são os minerais mais atacados pela natureza originando os argilo- minerais que constituem a fração mais fina dos solos (geralmente com dimensão inferior a 2 µm). e em geral resiste bem ao processo de transformação rocha-solo e forma grãos de siltes e areias. limonita Carbonatos . Sua composição química é simples (SiO2). portanto do intemperismo físico). a saber: • Primários: aqueles encontrados nos solos e que sobrevivem à transformação da rocha (advêm.hematita. em que átomos de alumínio são circundados por oxigênio ou hidroxilas [Al (OH)3].feldspato. que as partículas sejam constituídas de um único mineral. As partículas dos solos grossos. Silicatos . gibsita. • Secundários: os que foram formados durante a transformação da rocha em solo (ação do intemperismo químico). . como cubos ou esferas e apresenta baixa atividade superficial (devido ao tamanho de seus grãos). mas contendo usualmente substituições de íons e outras modificações estruturais que acabam por formar novos tipos de argilo-minerais. são constituídas algumas vezes de agregações de minerais distintos. como a caulinita. composição química e estrutura própria e definida. entretanto. Os argilo-minerais apresentam uma estrutura complexa. sendo mais comum. Mecânica dos Solos – Volume I 9 Os minerais são partículas sólidas inorgânicas que constituem as rochas e os solos. Alguns minerais-argila são formados por uma camada tetraédrica e uma octaédrica (estrutura de camada 1:1). determinando uma espessura da ordem de 7 Å (1 Angstron = 10-10 m).000 Å. as partículas são eqüidimensionais. Na composição química das argilas existem dois tipos de estrutura: uma estrutura de tetraedros justapostos num plano.gesso. presente na maioria das rochas. Um cristal típico de um argilo-mineral é uma estrutura complexa similar ao arranjo estrutural aqui idealizado. quartzo. sendo sua dimensão longitudinal de cerca de 10. com átomos de silício ligados a quatro átomos de oxigênio (SiO2) e outra de octaedros. por silicatos (90%) e apresentam também na sua composição óxidos. com ligações de hidrogênio que impedem sua separação e que entre elas se introduzam moléculas de água. As camadas encontram-se firmemente empacotadas. magnetita. cuja estrutura está representada na Figura (1. as estruturas apresentadas neste capítulo são apenas idealizações.3).

Exemplos típicos são as esmectitas e as ilitas cujas estruturas simbólicas estão representadas na Figura (1. que são mais fracos do que as ligações entre camadas de caulinita onde íons O2+ da estrutura tetraédrica se ligam a OH. o arranjo octaédrico é encontrado entre duas estrututras do arranjo tetraédrico (estrutura de camada 2:1). que é de 10 Å. Mecânica dos Solos – Volume I 10 Figura 1. a espessura será da ordem de 10 Å. enquanto que a das esmectitas é de . (a) esmectita com duas camadas de moléculas de água (b) ilita (PINTO.3. As partículas de esmectitas apresentam um volume de 10-4 vezes menor do que as de caulinita e uma área 10-2 vezes menor. As camadas ficam livres e as camadas. 2000) Nesses minerais. Nesses casos. as ligações entre camadas são feitas por íons O2. a superfície das partículas de esmectitas é 100 vezes maior do que das partículas de caulinita. Estrutura simbólica de minerais com camadas 2:1.4. pois as placas se quebram por flexão.da estrutura octaédrica. no caso das esmectitas. 2000) Noutros minerais. Sua dimensão longitudinal também é reduzida. ficam com a espessura da própria camada estrutural.e O2+ dos arranjos tetraédricos.4). Figura 1. Isto significa que para igual volume ou massa. A superfície específica (superfície total de um conjunto de partículas dividida pelo seu peso) das caulinitas é da ordem de 10 m2/g. Estrutura de uma camada de caulinita (a) atômica (b) simbólica (PINTO. ficando com cerca de 1000 Å.

Nom entanto. oriundas a partir da superfície livre da água. ficando circundados . É comum. 2000). Ex: Montmorilonita (OH)4Si2Al4O20nH2O • Água higroscópica: Água que o solo possui quando em equilíbrio com a umidade atmosférica e a temperatura ambiente. átomos de alumínio estejam substituídos por outros átomos de menor valência. comportando-se como sólido na vizinhança da partícula de solo. • Água de constituição: É a água presente na própria composição química das partículas sólidas. Para neutralizar essas cargas negativas. Quando a água entra em contato com as partículas argilosas. Uma argila esmectita com sódio adsorvido. A liberdade de movimento das placas explica a elevada capacidade de absorção de água de certas argilas. As bordas das partículas argilosas apresentam cargas positivas. As forças de superfície são muito importantes no comportamento de partículas coloidais. sendo a diferença de superfície específica uma indicação da diferença de comportamento entre solos com distintos minerais-argila. Pode estar em equilíbrio hidrostático ou fluir sob a ação da gravidade ou de outros gradientes de energia. como o magnésio (Mg++). resultantes das descontinuidades da estrutura molecular. Estes cátions atraem camadas contíguas. existem cátions livres nos solos como o cálcio (Ca++) ou o sódio (Na+) aderidos às partículas. pois não alteram o arranjo dos átomos. Daí a diversidade de comportamentos apresentados pelas argilas e a dificuldade de correlacioná-los por meio de índices empíricos (PINTO. Sistema Solo-água A água se apresenta no solo sob diferentes formas. mas com força relativamente pequena. O comportamento das argilas seria menos complexo se não ocorressem imperfeições na sua composição mineralógica. Estas alterações são definidas como alterações isomórficas. Os termos mais comumente utilizados para descrever os estados da água no solo são os seguintes: • Água livre: Preenche os vazios dos solos. Não é retirada utilizando-se os processos de secagem tradicionais. mas íons negativos neutralizam essas cargas. Está submetida a grandes pressões. • Água adsorvida (adesiva): É uma película de água que adere às partículas dos solos finos devido à ação de forças elétricas desbalanceadas na superfície dos argilo-minerais. e que nesta. Esta se eleva pelos interstícios capilares formados pelas partículas sólidas. o que não impede a entrada de água entre as camadas. devido à ação das tensões superficiais nos contatos ar-água-sólidos. é muito mais sensível à água do que tendo cálcio adsorvido. mas partículas resultam com uma carga negativa. entretanto. as moléculas se orientam em relação a estas e aos íons que circundam as partículas. • Água capilar: É a água que se encontra presa às partículas do solo por meio de forças capilares. O tipo de cátion presente numa argila condiciona o seu comportamento. a ocorrência de um átomo de alumínio (Al3+) substituindo um átomo de silício (Si4+) na estrutura octaédrica. sua expansão quando em contato com a água e sua contração considerável ao secar. por exemplo. Os cátions e íons são facilmente trocáveis por percolação de soluções químicas. Mecânica dos Solos – Volume I 11 cerca de 1000 m2/g. torna-se extremamente difícil isolar-se os estados em que a água se apresenta em seu interior.

Todos eles envolvem alguma forma de vibração. não havendo ainda um consenso internacional sobre os mesmos. apresenta comportamento bem distinto da água livre. . Portanto. seu comportamento perante a água será intermediário entre o da caulinita e o da esmectita. formando estruturas como a da Figura (1. não absorvem água entre as camadas.4b). pela presença de íons de potássio provocando uma ligação mais firme entre elas. de solo para solo. elevando a distância basal a 14 Å. No caso das esmectitas. Pode-se então determinar seu peso específico e então determinar o índice de vazios máximo (emáx) que corresponde a seu estado mais fofo possível. da concentração eletrolítica. sendo a gravidade o fator principal agindo na formação da estrutura dos solos grossos. 2002). Com a elevação do teor de água. os solos grossos (areias e pedregulhos com nenhuma ou pouca presença de finos) podem ter o seu comportamento avaliado conforme a sua curva característica e a sua compacidade. Pelo fato de possuírem arranjos estruturais bastante simplificados. 2000. De fato. As ilitas. destes contatos (PINTO. a estrutura dos solos finos ocorre em uma diversificação e complexidade muito maior do que a estrutura dos solos grossos. que apresentam estruturas semelhantes às das esmectitas. Dessa forma. As deformações e a resistência dos solos quando solicitados por forças externas dependem. compressibilidade ou permeabilidade. Estrutura dos Solos Denomina-se estrutura dos solos a maneira pela qual as partículas minerais de diferentes tamanhos se arrumam para formá-lo. em um recipiente. forma-se no entorno das partículas a conhecida camada dupla. sendo este estado referido como de água sólida. a água penetra entre as partículas. Como os solos finos possuem o seu comportamento governado por forças elétricas. Os procedimentos para a execução de tais ensaios são padronizados pelas normas NBR 12004 e 12051. As características da camada dupla dependem da valência dos íons presentes na água. somente no que se refere ao seu grau de compacidade. tomando-se todo cuidado para evitar qualquer tipo de vibração. Uma maior umidade provoca o aumento desta distância basal. Os contatos entre as partículas podem ser feitos pelas moléculas de água a elas aderidas. Vibrando-se uma areia dentro de um molde. nestas condições. enquanto os solos grossos têm na gravidade o seu principal fator de influência. MACHADO. É necessário avaliar o índice de vazios de uma areia em confronto com os índices de vazios máximo e mínimo em que ela pode se encontrar. esta ficará em seu estado mais compacto possível. as primeiras camadas de moléculas de água em torno das partículas do solo estão firmemente aderidas. portanto. Há uma variedade grande de ensaios para a determinação de emin e γdmáx. É a camada em torno das partículas na qual as moléculas de água estão atraídas a íons do solo e ambos à superfície das partículas. Mecânica dos Solos – Volume I 12 por moléculas de água. como ilustrado na Figura (1. geralmente coloca-se o solo secado previamente. pois não existe entre as moléculas a mobilidade das moléculas dos fluidos. a estrutura destes solos difere. seja em termos de resistência ao cisalhamento. A água. Devido às forças eletroquímicas. determina-se seu índice de vazios mínimo (emín). A estrutura de um solo possui um papel fundamental em seu comportamento. Para emax e γdmín. da temperatura e da constante dielétrica do meio. até a completa liberdade das camadas.4a) em que duas camadas de moléculas de água se apresentam entre as camadas estruturais. variando muito em diferentes partes do Globo.

quando os contatos se fazem entre faces e arestas das partículas sólidas. entre elas ocorrem forças de atração e de repulsão. Mecânica dos Solos – Volume I 13 Os índices de vazios máximo e mínimo dependem das características da areia. denominando-os de estrutura floculada. A compacidade relativa é um índice adotado apenas na caracterização dos SOLOS NÃO COESIVOS. embora haja um relativo paralelismo entre as partículas. Quando duas partículas de argila estão muito próximas. que se refere à disposição das partículas na massa de solo e as forças entre elas. Em águas salgadas. Os valores são tão maiores quanto mais angulares são os grãos e quanto mais mal graduadas as areias.5) ilustra algumas estruturas típicas de solos grossos e finos.33 Areia de compacidade média entre 0. Classificação das areias segundo a compacidade (PINTO. pelo índice de compacidade relativa (CR): emáx − enat CR = (1. arranjos estruturais bem mais elaborados são possíveis. ainda que através da água adsorvida. As argilas sedimentares apresentam estruturas que dependem da salinidade da água em que se formaram. Da combinação das forças de atração e de repulsão entre as partículas resulta a estrutura dos solos. face a face. em relação a estes valores extremos. a estrutura é bastante aberta.2. mais compacta é a areia. As forças de repulsão devem-se às cargas líquidas negativas que elas possuem e que ocorrem desde que as camadas duplas estejam em contato. Estruturas floculadas em água não salgada resultam da atração das cargas positivas das bordas com as cargas negativas das faces das partículas. As forças de atração decorrem de forças de Van der Waals e de ligações secundárias que atraem materiais adjacentes. e de estrutura dispersa quando as partículas se posicionam paralelamente.1) emáx − emín Quanto maior a CR. . 2000) Classificação CR Areia fofa abaixo de 0. devido à presença das forças de superfície.2) apresenta a classificação da compacidade dos solos grossos em função de sua compacidade relativa (CR) de acordo com Terzaghi.66 Areia compacta acima de 0. Tabela 1. A Figura (1.66 No caso dos solos finos. O Professor Lambe (1969) identificou dois tipos básicos de estrutura do solo. O estado de uma areia (ou sua compacidade) pode ser expresso pelo índice de vazios em que ela se encontra. em virtude das ligações de valência secundária. A Tabela (1.33 e 0.

Esta diferenciação é importante para o entendimento de alguns comportamentos dos solos como. 2000). Alguns arranjos estruturais presentes em solos grossos e finos e fotografias obtidas a partir da técnica de Microscopia Eletrônica de Varredura (MACHADO. Existem microporos nos vazios entre as partículas argilosas que constituem as aglomerações e macroporos entre as aglomerações.5. Mecânica dos Solos – Volume I 14 Figura 1. a posição relativa das partículas é mais elaborada. por exemplo. ainda que apresentando considerável parcela de partículas argilosas (PINTO. No caso de solos residuais e compactados. existem aglomerações de partículas argilosas que se dispõem de forma a determinar vazios de maiores dimensões. como por exemplo. a elevada permeabilidade de certos solos residuais no estado natural. . a sensitividade (ou sensibilidade) das argilas. Intimamente. 2002) O conhecimento da estrutura permite o entendimento de diversos fenômenos notados no comportamento dos solos.

Nas regiões tropicais as condições são mais favoráveis a taxas elevadas de degradação. Os principais tipos de solos quanto à sua origem são os solos residuais. Os solos residuais são aqueles onde os materiais resultantes permanecem no local de decomposição da rocha. esses horizontes são denominados de: horizonte I (de evolução pedogênica). desfragmentar-se completamente. Isso explica o aparecimento de solos residuais nessas regiões (MACHADO. Segundo VARGAS (1978). horizonte IV (alteração de rocha) e. No entanto. horizonte III (residual profundo).6. Esse mineral possui grande potencial de expansão na presença de água. ao longo de zonas de menor resistência. O solo saprolito é caracterizado pelo horizonte onde o solo ainda guarda características da rocha que lhe deu origem. Mecânica dos Solos – Volume I 15 1. solos transportados. pela pressão dos dedos. horizonte II (residual intermediário).6) ilustra os respectivos horizontes. Perfil do solo proveniente da alteração da rocha (PINTO. precipitação e vegetação. deixando relativamente intactos grandes blocos da rocha original envolvidos por solo de alteração de rocha. TIPOS DE SOLOS EM FUNÇÃO DA ORIGEM Os solos irão apresentar características diferenciadas conforme seu processo de formação. rocha sã fissurada. Os horizontes de rocha alterada são aqueles onde a alteração progrediu. xistosidade e camadas.3. inclusive veios intrusivos. 2000) O horizonte denominado residual maduro é o horizonte superficial onde o solo perdeu sua estrutura original tornando-se relativamente homogêneo. 2002). Os horizontes formados pela ação do intemperismo variam mais intensamente da superfície para as camadas inferiores. Figura 1. No Recôncavo Baiano observa-se a ocorrência de solos residuais formados a partir de rochas sedimentares. solos orgânicos e solos de evolução pedogênica. Essa taxa de decomposição irá depender de fatores como a temperatura. O folhelho (rocha sedimentar) produz uma argila conhecida popularmente como massapé que tem como mineral constituinte a montimorilonita. A Figura (1. sua resistência já se encontra bastante reduzida podendo-se. O agente de transporte ocorre numa velocidade menor do que a taxa de decomposição da rocha. fissuras. Grandes variações de volume podem ocorrer no solo quando o mesmo variar sua .

geralmente fofo. formando os “talus”. O “loess”. ao pé da encosta paralela à falha geológica que atravessa a Baia de Todos os Santos (MACHADO. sob a ação de seu peso próprio. As partículas menores serão transportadas até locais onde a velocidade diminua. Os solos coluvionares são aqueles formados pela ação da gravidade. formando torrões dificilmente levados pelo vento. nota-se que os grãos maiores serão depositados onde as velocidades da água são maiores. A força do vento seleciona muito mais do que a água os pesos dos grãos que podem ser transportados. Os solos aluvionares são aqueles onde o agente transportador é essencialmente a água. é comum o surgimento de uma camada de pedregulho que delimita seu contato. siltes e argilas. Dessa forma. geralmente contém grandes quantidades de cal. Sua constituição depende da velocidade das águas no momento de deposição. O transporte pelo vento origina os solos eólicos. Um exemplo típico são as areias constituintes dos arenitos brasileiros por ser uma rocha sedimentar com partículas previamente transportadas pelo vento. No entanto. Entre esses solos. VARGAS (1978) cita o exemplo das escarpas da Serra do Mar onde os mantos de solo residual com blocos de rocha podem escorregar. eólicos (vento) e glaciais (geleiras). Sua classificação é feita de acordo com o agente de transporte. a ação do transporte do vento se restringe ao caso das areias finas ou siltes. 2002). O processo ocorre quando grandes volumes de água em seu caminho para o mar transportam os detritos das erosões e os sedimentam em camadas. e as argilas têm seus grãos unidos pela coesão. Como os grãos maiores e mais pesados não podem ser transportados. Outros exemplos são as dunas nas praias litorâneas e os depósitos de “loess” muito comuns em outros países. 2002). As camadas de pedregulho sedimentam-se inicialmente seguidas das areias. No sul da Bahia existem solos formados pela deposição de colúvios em áreas mais baixas. aluvionares (água). facilitando a distinção das camadas. em ordem decrescente de seus diâmetros. comum na Europa oriental. em Salvador. indo acumular-se ao pé do talude em depósito de material detrítico. resulte numa topografia suavemente ondulada. a saber: solos coluvionares (gravidade). solos fluviais (água dos rios) e solos pluviais (água de chuvas). É o caso do Planalto Brasileiro onde ocorrem camadas recentes de solo coluvial fino sobre solo residual de material semelhante. responsável por sua grande . permitindo o processo de sedimentação. Esses talus estão sujeitos a movimentos de rastejo. Isso pode acarretar sérios problemas nas construções (aterros ou edificações) assentes sobre estes solos (MACHADO. Mecânica dos Solos – Volume I 16 umidade. Podem-se enumerar alguns tipos de solos aluvionares: solos marinhos (água dos oceanos e mares). Esse tipo de depósito sofreu uma evolução pedológica posterior a sua deposição. pode ocorrer que a erosão no topo de morros de solo residual profundamente alterado. Encontram-se solos coluvionares (tálus) também na Cidade Baixa. Os solos transportados são aqueles originados por algum agente de transporte que os conduz até o seu local atual. Isso implica na uniformidade dos grãos dos depósitos eólicos. O Professor Milton Vargas sugere que se enquadre esses solos na classe dos solos de “evolução pedogênica” que são conhecidos como solos porosos. os quais se apresentam geralmente com altos teores de umidade e são propícios à lavoura cacaueira. com conseqüente deposição coluvial nos vales. durante chuvas violentas.

1978. o cimento calcário existente no solo pode ser dissolvido e o solo entra em colapso. os solos porosos cuja formação ocorre devido a uma evolução pedogênica em clima tropical de alternâncias secas no inverno e extremamente úmidas no verão. esses detritos acabam se depositando no terreno. ocorre o transporte de partículas de solo e rocha. . Essa formação ocorre pela lixiviação dos horizontes superiores com concentração de partículas coloidais nos horizontes profundos. Assim. sendo de pequena importância para o contexto nacional. sua ocorrência se dá apenas em solos finos (argilas e siltes) e em menor escala nas areias finas. São solos de granulometria arenosa. Estes solos são encontrados nas baixadas litorâneas e nas várzeas dos rios e córregos em camadas de 3 a 10 metros de espessura. O húmus pode ser facilmente carreado pela água. As turfas são solos fibrosos resultantes da concentração de folhas. sua coloração avermelhada. Sergipe. Sua fração argila é constituída basicamente de minerais cauliníticos com elevada concentração de ferro e alumínio na forma de óxidos e hidróxidos. Quando umedecido.8) abaixo ilustram alguns tipos de solos. É um tipo de solo extremamente deformável com elevada permeabilidade que permite que os recalques devido às ações externas ocorram rapidamente. As Figuras (1. Nesse movimento gravitacional. Por outro lado.7) e (1. A camada superficial tem pouco interesse para a engenharia e é denominada de “solo superficial” por possuir pequena espessura. Quando ocorre o degelo. Os solos orgânicos são aqueles formados pela mistura de restos de organismos (vegetais ou animais) com sedimentos pré-existentes. Apresentam-se na natureza na condição não-saturada com elevado índice de vazios e baixa capacidade de suporte.9) apresenta um exemplo de microscopia eletrônica de um solo residual compactado de gnaisse aumentado em até 20. A evolução pedogênica envolve processos físico-químicos e biológicos responsáveis pela formação dos solos na agricultura. mas geralmente com parcelas de argila. São formados pelas geleiras pela ação da gravidade. Sua formação ocorre pelo movimento de gelo das regiões superiores para as inferiores. Geralmente apresentam uma cor escura (presença de húmus) e forte odor característico. Têm ocorrência registrada na Bahia. A Figura (1. PINTO 2000). Os solos glaciais comumente ocorrem na Europa e Estados Unidos. caules e troncos de florestas. Rio Grande do Sul e outros estados brasileiros. Esses solos são denominados lateríticos e possuem espessuras que podem superar 10 m de profundidade com extensas zonas do Brasil Centro-Sul. possuem grande interesse técnico. Variados tamanhos de partículas são transportados. Esses solos são altamente compressíveis apresentando alto índice de vazios com baixa capacidade de suporte (VARGAS. Mecânica dos Solos – Volume I 17 resistência inicial. contudo.000 vezes. os solos formados são bastante heterogêneos com granulometrias que variam de grandes blocos de rocha até materiais com granulometria fina. Dessa forma. Daí.

8.7.Mecânica dos Solos – Volume I 18 Figura 1. Exemplos de tipos de solos Figura 1. Solo residual e orgânico .

Mecânica dos Solos – Volume I 19 Figura 1. Microscopia eletrônica de um solo residual de gnaisse (compactado) .9.

os sistemas de classificação vigentes ajudam a entender primeiramente o comportamento dos solos e a orientar um planejamento para a obtenção dos principais parâmetros dentro de um projeto. a classificação de um solo assume um papel extremamente importante no entendimento de seu comportamento frente às solicitações que este poderá experimentar nas obras. CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS Do ponto de vista da Engenharia. cuja gênese é bastante diferenciada daquela dos solos para os quais estas classificações foram elaboradas. Nesse particular. BUENO & VILAR (1998) ressaltam que um sistema de classificação. ou seja. Os principais tipos de classificação dos solos são: classificação por tipo de solos. deve ser inteligível a todos dentro do sistema de classificação que foi utilizado. classificação textural (granulométrica). classificação unificada (SUCS ou USCS .Unified Soil Classification System) e o sistema de classificação dos solos proposto pela AASHTO (American Association of State Highway and Transportation Officials). muitas classificações surgiram e procuram enquadrar o solo dentro do contexto próprio de interesse. Um sistema de classificação ideal ainda não existe e. Por conta disto. Isso ocorre porque o sistema utilizado para classificar um solo para fins rodoviários pode ser totalmente ineficiente para o mesmo solo em relação à sua utilização como material de construção ou para fundações. e devido a grande ocorrência de solos lateríticos nas regiões Sul e Sudeste do país. ser flexível para se tornar particular ou geral conforme a situação exigir e. contudo. Situações ocorrem em que um determinado tipo de solo poderá ser enquadrado em vários grupos. apesar das certas limitações. que estes dois últimos sistemas de classificação foram desenvolvidos para classificar solos de países de clima temperado. começou a se desenvolver na década de 70. . quando mencionado. classificação genética geral. recentemente foi elaborada uma classificação especialmente destinada à classificação de solos tropicais. Esse tipo específico. Mecânica dos Solos – Volume I 20 1. um mesmo solo poderá pertencer a mais de um grupo dentro de um mesmo sistema de classificação. denominada de Classificação MCT. Deve-se ter em mente que as diversas classificações existentes devem ser tomadas com certa reserva. ser capaz de se subdividir posteriormente. Isso ocorre devido à sua natureza variável. Deve-se salientar. dentro do que se espera destes. tais como: ser simples e facilmente memorizável para permitir rápida determinação do grupo ao qual o solo pertence. não apresentando resultados satisfatórios quando utilizados na classificação de solos tropicais (saprolíticos e lateríticos). deve possuir alguns requisitos básicos. PINTO (2000) ressalta que mesmo aqueles que criticam os sistemas de classificação não têm outra maneira de relatar suas experiências senão através dos resultados obtidos num determinado problema para um tipo específico de solo.4. Esta classificação. brasileira. sendo apresentada oficialmente em 1980 pelos professores Nogami e Vilibor.

10). Ensaios rápidos são realizados procurando-se determinar determinadas características predominantes do solo e.10. a partir disso. Análise táctil visual . Mecânica dos Solos – Volume I 21 1. Figura 1. Esse tipo de análise é denominado de táctil-visual e é apenas uma análise primária do tipo de solo. as demais características (Figura 1.1.4. Classificação Táctil Visual dos Solos Os solos podem ser estimados previamente através de análises simples e diretas através de seu manuseio em campo ou em laboratório.

os ensaios realizados são os seguintes: a) Teste visual e táctil: após misturar-se uma pequena quantidade de solo com água. Mecânica dos Solos – Volume I 22 Esse tipo de análise deve vir sempre acompanhado de ensaios específicos de laboratório para a quantificação exata das propriedades do solo. Os solos orgânicos são classificados de acordo com sua coloração que geralmente é cinza ou escura. verifica-se a desagregação da amostra. As argilas apresentam grande resistência enquanto que os siltes e areias apresentam baixa resistência. apresentam partículas visuais a olho nu e permitem muitas vezes o reconhecimento de minerais. os grãos finos das argilas proporcionam uma sensação de farinha ao tacto. Essa desagregação é rápida quando os solos são siltosos e lenta quando os solos são argilosos. d) Teste de resistência dos solos secos: Um torrão de solo seco pode apresentar certa resistência quando se tenta desfazê-lo com a pressão dos dedos. os solos argilosos. os solos siltosos levam entre 15 a 60 minutos e. Finalmente. as argilas apresentam uma certa dificuldade de se soltarem das mãos apresentando características de um barro. Normalmente. quando secas. e) Teste de dispersão em água: colocando-se uma pequena quantidade de solo numa proveta com água e agitando-se a mistura. coloca-se esta sob água corrente observando a lavagem do solo. mas perceptível ao tacto. c) Teste de desagregação do solo submerso: colocando-se um torrão de solo parcialmente imerso em recipiente com água. Após esses testes. Os solos arenosos depositam rapidamente (30 a 60 segundos). as argilas quando misturadas com água e trabalhadas entre os dedos. O solo siltoso só se limpa depois de um certo fluxo de água necessitando também de certa fricção para a limpeza total. nota-se que as areias são ásperas ao tacto. . o material fino (silte + argila) pode aglomerar-se formando concreções que passam a falsa idéia de material granular. procura-se verificar o tempo para a deposição das partículas conforme o tipo de solo. silte e argila em cada solo. apresentam uma semelhança com pasta de sabão escorregadia e. podem levar horas em suspensão. o silte é menos áspero que a areia. O solo arenoso lava-se facilmente escorrendo rapidamente da mão. Importante ressaltar que esse tipo de classificação fornece resultados mais qualitativos do que quantitativos. Nesse tipo de teste é possível se detectar a presença de areia (quartzo) pela sensação dos dedos com a pasta formada e pelo brilho que exibem. No entanto. procura-se classificar o solo conforme as informações obtidas acrescentando-se também a cor do solo e sua procedência. Análises mais elaboradas devem ser feitas para a quantificação das frações predominantes de areia. Possuem odor característico de material em decomposição e são inflamáveis quando secos. b) Teste de sujar as mãos: após se fazer uma pasta (solo + água) na palma da mão.

4. z = profundidade de queda da partícula (cm). fornece também a profundidade de queda da partícula (z) que é a distância entre a superfície da suspensão até o centro do bulbo do densímetro. por sua vez. o clima da regional.3.2)  ( ρ S − ρ W ) t Di = diâmetro equivalente (mm). Recorre-se então. é representada através de uma curva de distribuição granulométrica em escala semilog com o eixo das ordenadas contendo as porcentagens que passam ou que ficam retidas. topografia regional e os processos orgânicos. Normalmente.3) (Tipos de Solos com Relação à sua Origem): solos residuais. agente intempérico de transporte. Para solos finos.2. 1  µ z2 Di = 0.005530. A expressão (1. Basicamente depende de alguns fatores: natureza da rocha de origem. Esse tipo de classificação abrange os solos descritos anteriormente no item (1. No ensaio de sedimentação. Isso permite a determinação do diâmetro equivalente (Di) das partículas para a fração fina do solo.075 mm). Essa leitura de densidade. Essa. Para solos grossos. em peneiras pré-determinadas. utiliza-se a Lei de Stokes que admite que a velocidade de queda de uma partícula esférica de peso específico γs. solos transportados. A abertura das peneiras deve ser da maior para a menor. a velocidade é obtida indiretamente determinando-se a densidade da suspensão em tempos pré-determinados. feita com um densímetro. 1. ρS – ρW = diferença entre a massa específica dos sólidos e da água (g/cm3).2) apresenta uma forma prática para o cálculo do diâmetro das partículas. t = tempo de leitura (min). Classificação Genética Geral A classificação genética geral classifica os solos de acordo com a sua formação originária.s. ao processo de sedimentação que consiste na medida indireta da velocidade de queda das partículas no meio (água). Para tanto. ⋅  (1.4. desprezando-se a potência 10-4) e. utiliza-se somente o peneiramento que é realizado por meio de peneiras pré-distribuídas conforme especificação de norma. As quantidades retidas em cada peneira são então determinadas. num fluido de viscosidade µ e peso específico γw é proporcional ao quadrado do diâmetro dessas partículas. O ensaio de granulometria geralmente é feito de acordo com o tipo de solo. solos orgânicos e solos de evolução pedogênica. a velocidade de queda da partícula. Dessa forma. Mecânica dos Solos – Volume I 23 1. a peneira de menor abertura é a peneira de número 200 da ASTM (abertura de 0. e o eixo das abscissas com o diâmetro equivalente das partículas. pode ser calculada pela razão entre a profundidade de queda (z) e o tempo para que isso ocorra. O conhecimento da origem dos solos é fator de suma importância para a melhor compreensão das características e parâmetros obtidos para o solo. Classificação Granulométrica As partículas dos solos possuem diferentes tamanhos e a medida desses tamanhos é feita através da análise granulométrica do solo. enunciada anteriormente. . µ = viscosidade dinâmica da água (em Pa. o processo de peneiramento torna-se impraticável.

há a necessidade de se usar uma substância defloculante (hexametafosfato de sódio. Peneiras (ASTM) 270 200 140 100 60 40 20 10 4 100 0 90 10 80 20 Porcentagem que passa 70 30 Porcentagem retida 60 40 50 Composição: 50 40 Pedregulho 0% Areia grossa 2% 60 30 Areia média 9% 70 Areia fina 49 % 20 Silte 18 % 80 10 Argila 22 % Sedimentação Peneiramento 90 0 100 56 7 8 9 2 34 5 6 78 9 2 3 4 5 67 89 2 3 4 5 6 78 9 2 3 4 5 678 9 2 3 4 5 0. é realizado um processo de agitação mecânica. A percentagem de partículas com diâmetros equivalentes menores que o valor calculado pela expressão anterior. estarão abaixo de z. Esse processo é chamado de análise granulométrica conjunta. em seguida. Esses cuidados devem ser tomados também na fase do peneiramento para que as partículas mais finas não se aglutinem formando um diâmetro do agregado. há a necessidade de classificá- lo de acordo com a sua textura (tamanho relativo dos grãos).1 1 10 Diâmetro dos grãos (mm) Class.11. Para tanto. No processo de sedimentação.11) ilustra uma curva granulométrica com a respectiva escala da ABNT e as porcentagens obtidas para cada fração de solo. Depois de obtida a curva granulométrica do solo. Mecânica dos Solos – Volume I 24 Após um tempo t. Curva de distribuição granulométrica do solo (PINTO. as partículas com diâmetros maiores que D. Normalmente. silicato de sódio.00 P(<Di) = Percentagem de partículas com diâmetros menores que Di. As escalas mais comuns são as escalas da ABNT e do MIT. é comum adotar-se o processo de peneiramento em conjunto com o processo de sedimentação. A Figura (1. admitindo-se a uniformidade da suspensão. Isso porque as partículas podem se agregar umas às outras formando grãos maiores ou flocos falseando os valores reais dos diâmetros que devem ser apenas das partículas individuais. etc) para que as partículas possam sedimentar isoladamente.01 0. existem diversas escalas granulométricas que adotam intervalos específicos dos diâmetros dos grãos das diferentes frações de solo. é obtida pela seguinte expressão: ρS ⋅ [r ( H ) − rW ( H )] 100 ⋅ P ( < Di ) = (1.001 0. rW (H) = leitura na solução (água destilada + defloculante) à mesma temperatura T Como os solos são constituídos por diferentes tamanhos de partículas. r (H) = leitura na suspensão a uma temperatura T e. após um tempo t qualquer. o defloculante atua por 24 horas na solução e. 2000) . Areia Areia ABNT Argila Silte Areia fina média grossa Pedregulho Figura 1.3) M S ρ S − 1.

sua curva granulométrica será uniforme (curva granulométrica c). Existem casos onde pode haver ausência de uma faixa de tamanhos de grãos (curva granulométrica b).12. O coeficiente de não uniformidade (CNU) indica a amplitude dos grãos enquanto que o coeficiente de curvatura (CC) fornece a idéia do formato da curva permitindo detectar descontinuidades no conjunto.12).4) D10 Outro coeficiente também utilizado é o coeficiente de curvatura (CC) da curva granulométrica. 2 D30 CC = (1.5) D10 ⋅ D60 onde D10 (Diâmetro efetivo) = abertura da peneira para a qual temos 10% das partículas passando (10% das partículas são mais finas que o diâmetro efetivo). Mecânica dos Solos – Volume I 25 No caso de solos granulares (Figura 1. estes poderão ser denominados de “bem graduados” ou “mal graduados”. O solo bem graduado é caracterizado por uma distribuição contínua de diâmetros equivalentes em uma ampla faixa de tamanho de partículas (curva granulométrica a). Figura 1. respectivamente. D30 e D60 – O mesmo que o diâmetro efetivo. Curvas granulométricas de solos com diferentes graduações (MACHADO. No caso do solo ser mal graduado. para as percentagens de 30 e 60%. . As partículas menores ocupam os vazios deixados pelas maiores criando um bom entrosamento resultando em melhores condições de compactação e de resistência. 2002) Essa característica do solo granular pode ser expressa em função de um coeficiente de não uniformidade (CNU) dado pela seguinte relação: D60 CNU = (1.

Curvas granulométricas de alguns solos brasileiros (PINTO.13) ilustra exemplos de curvas granulométricas de alguns solos brasileiros. Se o valor de CC for menor que 1. Dificilmente ocorrem areias com valores de CC fora do intervalo de 1 a 3. uma vez que solos distintos podem apresentar os mesmos valores de D10 e CNU. Mecânica dos Solos – Volume I 26 Quanto maior é o valor de CNU mais bem graduado é o solo.13.12). Daí.14) ilustra os diferentes tamanhos de partículas assim como o detalhe dos ensaios de peneiramento e de sedimentação.12). A classificação da curva granulométrica pode ser feita acordo com os seguintes intervalos para CNU e CC: CNU < 5 → muito uniforme 5 < CNU < 15 → uniformidade média CNU > 15 → não uniforme 1 < CC < 3 → solo bem graduado CC < 1 ou CC > 3 → solo mal graduado Finalmente. Solos que apresentam CNU = 1 possuem uma curva granulométrica em pé (solo mal graduado – curva granulométrica c – Figura 1. Portanto. somente a curva granulométrica pode identificar um solo quanto à sua classificação textural. a curva será descontínua com ausência de grãos (curva granulométrica b – Figura 1. é importante ressaltar que somente o diâmetro efetivo (D10) e o CNU não são suficientes para representar por si só a curva granulométrica. Solos bem graduados apresentarão CC entre 1 e 3. 2000) A Figura (1. . Figura 1. A Figura (1. a pouca importância que se dá a esse coeficiente.

Ao perder mais água. passa a apresentar o comportamento plástico. Isso faz com que solos com a mesma quantidade da fração argila. apresentem comportamentos completamente diversos a depender do argilo-mineral presente. sua umidade. deforma-se sem variação volumétrica (sem fissurar-se ao ser trabalhado). sua estrutura e até seu grau de saturação. maior será sua superfície específica e. Quanto menor a partícula de um solo. esta por si só não consegue retratar o comportamento do mesmo. portanto. maior será sua plasticidade. Em função da quantidade de água presente num solo. As partículas de argilo-minerais presentes num solo diferem grandemente em sua estrutura mineralógica. O comportamento dos solos finos irá depender de diversos fatores como sua composição mineralógica. podemos ter os seguintes estados de consistência: líquido. semi-sólido e sólido: Sólido Semi-sólido Plástico Líquido LC LP LL w (%) O estado líquido é caracterizado pela ausência de resistência ao cisalhamento e o solo assume a aparência de um líquido. Quando o solo começa a perder umidade. por isso. o estudo dos minerais-argilas é muito complexo e. Diferentes tamanhos de partículas e detalhe dos ensaios de peneiramento e sedimentação Índices de Consistência Do ponto de vista de engenharia. Esses ensaios foram padronizados por Arthur Casagrande. A fração de finos presente exerce papel fundamental.14. o Engenheiro Químico Atterberg propôs alguns ensaios para quantificar. Como ressalta PINTO (2000). ou seja. o material torna-se quebradiço . plástico. de forma indireta. o comportamento do solo na presença de água. Mecânica dos Solos – Volume I 27 Figura 1. apesar da análise granulométrica classificar texturalmente o solo.

geralmente. O LL é o teor de umidade que delimita a fronteira entre o estado líquido e plástico. Os valores de LL e LP são de uso mais corriqueiro na engenharia geotécnica. e Limite de Contração (LC). Ensaio de limite de liquidez . Com um cinzel padronizado faz-se uma ranhura na pasta de solo. conta-se o número de golpes necessários para que esta ranhura se feche numa extensão em torno de 1 cm (Figura 1. Com os valores de umidade (no eixo das ordenadas) versus o número de golpes obtidos (eixo das abscissas). Então. Limite de Plasticidade (LP). o estado semi-sólido do sólido.15.16). traça-se uma reta em um gráfico semilog. Os teores de umidade correspondentes às mudanças de estado são denominados de Limite de Liquidez (LL). Empregando-se umidades crescentes. Mecânica dos Solos – Volume I 28 (semi-sólido). coloca-se uma certa quantidade de solo na concha do aparelho de Casagrande. o LC. O LP delimita o estado plástico do semi-sólido e. No estado sólido. O ensaio do Limite de Liquidez é padronizado pela ABNT (NBR 6459). não ocorrem mais variações volumétricas pela secagem do solo. Figura 1.15). O valor do LL será aquele correspondente a 25 golpes (Figura 1.

são realizadas três medidas de umidade para a determinação do LP com o mesmo solo fissurado. Normalmente. Esse ensaio é relativamente simples uma vez que determina o teor de umidade (LP) para o qual um cilindro de 3 mm começa a fissurar após ser rolado com a palma da mão sobre uma placa esmerilhada (Figura 1. Outras dimensões do cilindro comparativo também podem ser utilizadas nesse ensaio. Ensaio de limite de plasticidade .17.16. Figura 1. Determinação gráfica do limite de liquidez O ensaio do Limite de Plasticidade é realizado de acordo com a NBR 7180.17). Mecânica dos Solos – Volume I 29 Figura 1.

tem caído em desuso. o gráfico idealizado por Casagrande serve de referência para a classificação da plasticidade do solo. apresentado na Figura (1. Este gráfico. Gráfico de Plasticidade de Casagrande (VARGAS.18. utiliza os valores de IP e de LL e está dividido em quatro regiões delimitadas pelas linhas A e B e pela linha U. abaixo.3) apresenta alguns valores de LL e IP para alguns solos brasileiros. 1978) A Tabela (1. A seguir. VARGAS (1978) adverte que somente o IP não é suficiente para julgar a plasticidade dos solos e que há a necessidade de se conhecer os valores de LL e IP.6) O índice de plasticidade procura medir a plasticidade do solo e. Mecânica dos Solos – Volume I 30 Através dos valores dos limites de consistência é comum proceder-se ao cálculo de outros dois índices.18). que constitui o limite superior para o qual não ocorrem valores de IP e LL. quanto maior for o valor de IP. o solo será muito plástico e. representa a quantidade de água necessária a acrescentar ao solo para que este passe do estado plástico para o líquido. Contudo. pouco plástico. fisicamente. Figura 1. O valor do IP pode ser obtido pela diferença entre o LL e o LP: IP = LL – LP (1. Se o ponto obtido com os valores de LL e IP cair na região acima da linha A. No entanto. tanto mais plástico será o solo. Para tanto. são apresentados alguns intervalos do IP para a classificação do solo quanto a plasticidade. Esses índices são chamados de índices de consistência e são de utilização muito comum na prática. a saber: o índice de plasticidade (IP) e o índice de consistência (IC). . IP = 0 → Não Plástico 1 < IP < 7 → Pouco Plástico 7 < IP < 15 → Plasticidade Média IP > 15 → Muito Plástico Dentro desse contexto. Valores de LL acima de 50% (à direita da linha B) definem um solo muito compressível enquanto que valores de LL abaixo de 50% (à esquerda da linha B) definem um solo pouco compressível. o IC por não acompanhar com fidelidade as variações de consistência de um solo.

Mecânica dos Solos – Volume I 31 Tabela 1. provocando geralmente a perda de sua resistência (no caso de solos apresentando sensibilidade). o qual é definido pela razão entre a resistência à compressão simples de uma amostra indeformada e a resistência à compressão simples de uma amostra amolgada. Segundo Skempton: St < 1 → Não sensíveis 1 < St < 2 → Baixa sensibilidade 2 < St < 4 → Média sensibilidade 4 < St < 8 → Sensíveis St > 8 → Extra sensíveis Quanto maior for o St: menor a coesão. A sensibilidade de um solo é avaliada por intermédio do índice de sensibilidade (St). • Consistência: quando se manuseia uma argila.7) R 'c St é a sensibilidade do solo e RC e R'C são as resistências à compressão simples da amostra indeformada e amolgada. A sensibilidade de um solo é calculada por intermédio seguinte equação: Rc St = (1. ao contrário das areias que se desmancham facilmente. respectivamente. o estado em que se encontra uma argila costuma ser indicado . Por esta razão. • Sensibilidade: é a perda de resistência do solo devido à destruição de sua estrutura original. maior a compressibilidade e menor a permeabilidade do solo. remoldada no mesmo teor de umidade da amostra indeformada. Valores de LL e IP para alguns solos típicos brasileiros (PINTO. 2000) Solos LL (%) IP (%) Residuais de arenito (arenosos finos) 29-44 11-20 Residual de gnaisse 45-55 20-25 Residual de basalto 45-70 20-30 Residual de granito 45-55 14-18 Argilas orgânicas de várzeas quaternárias 70 30 Argilas orgânicas de baixadas litorâneas 120 80 Argila porosa vermelha de São Paulo 65 a 85 25 a 40 Argilas variegadas de São Paulo 40 a 80 15 a 45 Areias argilosas variegadas de São Paulo 20 a 40 5 a 15 Argilas duras. percebe-se uma certa consistência. de São Paulo 64 42 Conceitos Importantes • Amolgamento: é a destruição da estrutura original do solo. cinzas.3.

Tabela 1. Quando isso ocorre.25 A Figura (1.25 Argila ativa: A> 1.4.8) % < 0.19) apresenta a variação do índice de plasticidade de amostras de solo confeccionadas em laboratório em função da percentagem de argila (% < . ocorre um desequilíbrio das forças interpartículas. aos poucos este vai recompondo parte daquelas ligações anteriormente presentes entre as suas partículas. a medida da atividade da fração argilosa no solo pode ser feita pela seguinte expressão: IP A= (1. diz-se que a argila é muito ativa. Skempton chamou de atividade da fração argilosa.75 Argila normal: 0. Quando se interfere na estrutura original de uma argila. A esse fenômeno. quando este é colocado em repouso. A Tabela (1. Deixando-se o solo em repouso. Atividade das Argilas Como a constituição mineralógica dos argilo-minerais é bastante variada. a argila presente no solo poderá ser classificada conforme a sua atividade: Argila inativa: A < 0.002mm representa a percentagem de partícula com diâmetro inferior a 2µ presente no solo. Essa pequena fração da argila presente no solo consegue transmitir a este um comportamento argiloso. Consistência em função da resistência à compressão simples Consistência Resistência (kPa) Muito mole < 25 Mole 25 a 50 Média 50 a 100 Rija 100 a 200 Muito rija 200 a 400 Dura > 400 • Tixotropia: É o fenômeno da recuperação da resistência coesiva do solo. A quantificação da consistência é feita por meio de ensaio de resistência à compressão simples. De acordo com a proposta de Skempton. solos com porcentagem pequena de argila (em torno de 15%) que mostram plasticidade elevada e coesão notável principalmente quando secos. perdida pelo efeito do amolgamento. pode acontecer que em determinado tipo de solo os valores dos índices de consistência sejam elevados enquanto o teor de argila presente é baixo.4) apresenta a consistência das argilas em função de sua resistência.002mm IP é o índice de Plasticidade e o termo %<0. Segundo Skempton.75 < A < 1. Mecânica dos Solos – Volume I 32 pela resistência que ela apresenta. Existem no interior do Brasil.

Da equação (1. indiretamente. fornece a resistência do solo. Na mesma Figura apresentam-se valores típicos de atividade para os três principais grupos de argilo-minerais. . Esse ensaio é muito utilizado na área de fundações para avaliar o perfil do solo em profundidade e para estabelecer um valor de resistência a penetração que. Nessas Figuras são apresentadas a compacidade (areias) e a consistência (argilas) em função do SPT – Standard Penetration Test (valor característico do ensaio de penetração estática). Mecânica dos Solos – Volume I 33 0. Figura 1.19.8) percebe-se que a atividade do argilo- mineral corresponde ao coeficiente angular das áreas hachuradas apresentadas na Figura. Variação do IP em função da fração argila para solos com diferentes argilo- minerais As Figuras a seguir ilustram resumidamente o comportamento das areias e das argilas.002mm) presente nos mesmos.

Mecânica dos Solos – Volume I 34 Figura 1.20. Comportamento e compacidade das areias .

. Comportamento e consistência das argilas A Figura seguinte ilustra de forma esquemática os itens até aqui mencionados.21. Mecânica dos Solos – Volume I 35 Figura 1.

4. GC. destinado à utilização na construção de aeroportos que. Corps of Engineers. A letra M que designa o grupo silte provém do Sueco “mjäla”.4. Os solos grossos serão aqueles que tiverem mais de 50% retidos na peneira 200 (comumente representada por #200) e recebem os prefixos G (Gravel) ou S (Sand). SP. essa classificação passou a ser utilizada também para uso em barragens e outras obras geotécnicas. em 1942. SW. GP. foi adotado pelo U. P.S. Mecânica dos Solos – Volume I 36 Figura 1. Cada grupo pode ser classificado em dois subgrupos: H (High): solos com alta compressibilidade apresentando LL ≥ 50% L (Low): solos com baixa compressibilidade apresentando LL < 50% . a classificação é feita de acordo com a sua curva granulométrica. enquanto que nos solos nos quais o comportamento de engenharia é controlado pelas suas frações finas (silte e argila). Os principais tipos serão designados pelas letras M (Mo). a classificação é feita de acordo com suas características de plasticidade. Os solos finos serão aqueles que tiverem mais de 50% passando na #200. Corps of Engineers.S. Os subgrupos recebem as letras W. SM e SC. Esse tipo de classificação adota a curva granulométrica e os limites de consistência do solo. mais tarde. A premissa básica é a de que os solos nos quais a fração fina não existe em quantidade suficiente para afetar o seu comportamento. Diante disso é que esse tipo de classificação também é chamado de Classificação da U. Classificação Unificada (SUCS – Sistema Unificado de Classificação de Solos) Sistema de classificação proposto por Arthur Casagrande. os solos poderão ser GW. Posteriormente. M e C. Dessa forma. GM. C (Clay) e O (Organic). Fluxograma de caracterização do solo 1. Os solos são classificados com duas letras com origem na língua inglesa: um prefixo relacionado ao tipo e um sufixo que corresponde à granulometria e à plasticidade.22.

bem graduado. M = material com quantidades apreciáveis de finos. C = Material com quantidades apreciáveis de finos. As turfas. do inglês “peat”. basta seguir o fluxograma apresentado na Figura (1. Para uma visualização mais rápida da classificação dos solos finos. ML. pode- se lançar mão da carta de plasticidade de Casagrande (Figura 1. mal graduado. 2002) . CH. O = Orgânico H = Alta Compressibilidade.23. Mecânica dos Solos – Volume I 37 Os solos formados por esse grupo poderão ser MH. Resumidamente. P = material praticamente limpo de finos. têm-se as seguintes denominações para o conjunto de letras: Solos Grossos: G = Pedregulho. são geralmente identificadas visualmente e recebem a denominação Pt. Figura 1. Classificação de solos de acordo com o SUCS (extraído de MACHADO. S = Areia W = material praticamente limpo de finos. plásticos. C = Argila. não plásticos. OH e OL. L = Baixa Compressibilidade Para a classificação dos solos grossos.24). CL. que são solos muito orgânicos. Solos Finos: M = Silte.23).

24.(LL – 20). Ao colocar o IP em função do LL do solo num gráfico. divide os solos de alta compressibilidade (à direita) dos solos de baixa compressibilidade (à esquerda). Existe . Acima da linha A encontram-se os solos inorgânicos e. Casagrande percebeu que os solos se faziam representar por dois grupos distintos separados por uma reta inclinada denominada de linha A. os solos orgânicos. A linha B. abaixo. cuja equação é IP = 0. Mecânica dos Solos – Volume I 38 Carta de Plasticidade – Esquema geral Figura 1. Carta de plasticidade de Casagrande .73. cuja equação é LL = 50%.usual A carta de plasticidade dos solos foi desenvolvida de modo a agrupar os solos finos em diversos subgrupos. a depender de suas características de plasticidade. paralela ao eixo da ordenadas.

adota-se B = 15 Se A > 75. etc).005. adota-se A = 35 Se B < 15.5. basta a utilização dos pares LL e IP na carta de plasticidade. A classificação enquadra os solos em grupos com denominações A1 a A3 (solos grossos) e A4 a A7 (solos finos). Classificação segundo a AASHTO O sistema de classificação proposto pela AASHTO (American Association of State Highway and Transportation Officials) foi desenvolvido nos Estados Unidos e é baseado na granulometria e nos limites de Atterberg. Os esquemas mostrados a seguir ajudam a classificar o solo após a determinação das informações obtidas nestes.(IP -10) (1. adota-se LL = 40 Se IP < 10. chega-se à classificação desejada. adota-se IP = 10 Se LL > 60. Os solos altamente orgânicos são classificados visualmente e enquadrados no grupo A8. adota-se B = 55 Se LL < 40. O valor do IG pode ser calculado pela seguinte expressão: IG = (A . b). Esse sistema foi proposto com a finalidade de classificar os solos para fins rodoviários e.. é chamado também de sistema rodoviário de classificação. . c). Contudo. Quando o ponto cair dentro de uma região fronteiriça das linhas A ou B. CH-CL. aqui se considera o material grosso como aquele que possui menos de 35% passando nesta peneira. o IG deve ser determinado utilizando-se somente o IP. CL-ML.35). Mecânica dos Solos – Volume I 39 ainda a linha U (de equação IP = 0. pior será o solo comparado a outro dentro do mesmo grupo. A classificação é feita inicialmente pela verificação da quantidade de solo que passa na #200.01.(LL . quanto maior seu valor. para a classificação dos solos finos. por isso.15). Por exemplo. considera-se um caso intermediário e se admite para o solo nomenclatura dupla (por ex. adota-se LL = 60 Se IP > 30. Se A < 35. Existem ainda subgrupos para esses grupos e o índice de grupo (IG) que é um número inteiro que varia de 0 a 20. O IG deve ser apresentado entre parênteses ao lado da classificação e. ou sobre o trecho com IP de 4 a 7.4. Aproximar o valor de IG para o inteiro mais próximo. da esquerda para a direita. SC-SM.[0. adota-se IP = 30 Observações: a).40)] + 0.9) onde A e B são as percentagens de solo passando na #200. Os solos finos serão aqueles com mais de 35% passando na #200. Quando trabalhando com os grupos A-2-6 e A-2-7. Se IG < 0 deve-se adotar um IG nulo. Deste modo.20 + 0. adota-se A = 75 Se B > 55.9. Seguindo-se os passos indicados. 1. o solo A4 (8) será pior que o solo A4 (5).(LL – 8)).(B .

Correspondem ao grupo SP do SUCS. com pouca ou nenhuma plasticidade.25. 2002) As principais características desses grupos são: • Grupo A1: pedregulhos e areia grossa (bem graduados). • Grupo A3: areias finas mal graduadas não plásticas (IP nulo). Mecânica dos Solos – Volume I 40 Figura 1. A-2-5. • Grupo A2: pedregulhos e areia grossa (bem graduados). . • Grupo A4: solos siltosos com pequena quantidade de material grosso e de argila. com material cimentante de natureza friável ou plástica. A-2-6 e A-2-7 em função dos índices de consistência. Os finos constituem a natureza secundária. Fluxogramas para a classificação segundo a AASHTO (MACHADO. Correspondem ao grupo GW do SUCS. Esse grupo subdivide-se nos grupos A-2-4.

• Grupo A6: argilas siltosas medianamente plásticas com pouco ou nenhum material grosso. . • Grupo A7: argilas plásticas com presença de matéria orgânica. rico em mica e diatomita. Mecânica dos Solos – Volume I 41 • Grupo A5: solos siltosos com pequena quantidade de material grosso e de argila.

O elemento de solo mostrado a seguir ilustra as fases presentes no solo em termos de massas e volumes. O índice de vazios (e) é a relação entre o volume de vazios do solo (VV) por seu volume de sólidos (VS). Vw. esse valor é de 100%. de vazios e total do solo.5. Mar e MT são as massas de sólidos. Volumes Massas Var Ar Mar (zero) VV VT VW Água MW MT VS Sólidos MS Figura 1. A porosidade (n) é definida pela razão do volume de vazios do solo (Vv) por seu volume total (VT). a saber: sólida. O solo apresenta três fases. água. VV VV VW n= e= Sr = VT VS VV Esses três índices físicos não são obtidos experimentalmente. As fases líquida e gasosa (ar) constituem o volume de vazios (Vv) presente no solo. ÍNDICES FÍSICOS Os índices físicos são relações estabelecidas entre as fases presentes no solo de modo a caracterizá-lo quanto às suas condições físicas. Fases do solo em função de suas massas e volumes Var. quando saturado. a razão de Vw por VV. A porosidade expressa a mesma idéia do índice de vazios. 1.5. MS. sólidos. ou seja. o valor de Sr é nulo e. água. As diversas relações obtidas entre as fases do solo são empregadas para expressar as proporções entre as mesmas. respectivamente. líquida e gasosa. .1. ar e total. Mecânica dos Solos – Volume I 42 1.26. Mw. mas sim através de outros índices físicos. VV e VT representam os volumes de ar. Quando seco. VS. O grau de saturação (Sr) expressa a proporção de água presente nos vazios do solo. Relações entre Volumes As relações de volume comumente empregadas são: a porosidade (n). o índice de vazios (e) e o grau de saturação (Sr).

MW MT MS MW w= ρ= ρS = ρW = MS VT VS VW Na prática geotécnica. A única exceção é para a umidade (w) que expressa a massa de água (MW) presente no solo em função de sua massa de sólidos (MS). Os índices físicos que comumente são determinados em laboratório são a massa específica natural (ρ). Sr e w são adimensionais e. . é comum a utilização de peso específico (γ) ao invés de massa específica (ρ). excetuando-se o índice de vazios. Estes apresentam a mesma idéia da massa específica com a diferença de que a razão será de peso por volume. a umidade (w) e a massa específica dos sólidos (ρS). Relações entre pesos e volumes Os índices físicos n. Para maiores detalhes sobre a determinação dos índices físicos em laboratório.5. Esses índices físicos estão apresentados logo abaixo. PT PS PW γ= γS = γW = VT VS VW A Figura seguinte ilustra resumidamente as relações entre Pesos e Volumes. Relações entre Massas e Volumes Os demais índices físicos são expressos por suas relações de massa e volume. o trabalho de NOGUEIRA (1995). As relações mais usuais entre massa e volume são: a massa específica natural do solo (ρ). Figura 1. por exemplo.27. e. Os demais índices físicos são calculados através de correlações. Mecânica dos Solos – Volume I 43 1. A massa específica é expressa em g/cm3 enquanto que os pesos específicos são expressos em kN/m3 de acordo com o Sistema Internacional (SI). a massa específica dos sólidos (ρS) e a massa específica da água (ρW). os demais são expressos em termos de porcentagem. veja-se.2.

Quando a correlação é feita com o índice de vazios. podem-se obter outros dois índices físicos. Vw = Sr.15) Quando a correlação é feita com a porosidade. adota-se o volume dos sólidos como sendo igual a um (VS = 1).ρ W VV e ρ S + S r . .13) Massa específica saturada (Sr =100%) 1+ e ρS ρd = (1. obtêm-se as expressões relacionadas a seguir: Volumes Massas Quando Vs =1 tem-se: Var Ar Mar (zero) e e =VV. n= = (1.10).e.5 (g/cm3) 2.ρW ρS + Sr. ρ= (1.e.e Água Sr.0 < ρ < 2.5 < ρS < 3. Essas duas expressões são obtidas matematicamente quando se admite que o solo não sofra variações volumétricas. adota-se o volume total como unitário (Figura 1. o que não ocorre nas situações corriqueiras de campo.0 (g/cm3) 0 < e < 20 0 < n < 100% 0 < Sr < 100% 0 < w < 1500% Costuma-se correlacionar os índices físicos com o índice de vazios e com a porosidade.28.11).ρ W ρ Sat = (1. Mecânica dos Solos – Volume I 44 Os limites de variação desses índices físicos são: 1.14) Massa específica seca (Sr =0) 1+ e da expressão anterior pode-se demonstrar que: ρ = ρ d (1 + w) (1.ρW 1 Sólidos ρS Figura 1. de acordo com Figura (1.0 g/cm3.. ρ S + S r .29).e. Dessa forma.12) MS ρS VT 1 + e 1+ e O valor de ρW é assumido como ρW = 1. Fases do solo em função do índice de vazios M W S r .e.e 1+e Sr. a saber: massa específica saturada (Sr = 100%) e massa específica seca (Sr = 0).ρ W w= = (1.28). Na expressão para o cálculo da massa específica obtida acima.e.

16).n. A massa específica natural costuma apresentar valores da ordem de 1. Argilas orgânicas moles podem apresentar valores abaixo de 2. Quando não se dispõe do valor da massa específica dos sólidos.29. Argilas orgânicas moles podem apresentar valores em torno de 0. Fases do solo em função da porosidade As relações obtidas são as seguintes: VV n MW S .18) VT A massa específica dos sólidos (ρS) possui valor que varia de 2. Ressalta-se que é comum aparecer no meio técnico a expressão densidade como sendo a massa específica do solo.0 g/cm3 (PINTO. deve-se tomar cuidado com a expressão densidade relativa que expressa a relação entre a massa específica de um material pela massa específica da água a 4ºC (ρw ≈ 1.ρW Vw = Sr. w= = r (1.n 1-n Sólidos (1. n 1 Sr.75 a 2. . Quando não é conhecida.6 a 2.3 a 1.0 g/cm3.ρ W (1. VS 1 − n M S (1 − n )ρ S MT ρ= = (1 − n )ρ S + S r .n).ρS Figura 1. a densidade relativa será sempre adimensional e terá valor igual à massa específica do material. pode-se adotar o valor de 2. é comum adotar-se um valor para o solo em análise.9 g/cm3.17).0 g/cm3. A massa específica saturada encontra-se geralmente em torno de 2.5 g/cm3.0 g/cm3).5 g/cm3.n. Dessa forma. Mecânica dos Solos – Volume I 45 Volumes Massas Quando VT =1 tem-se: Var Ar Mar (zero) n =VV. 2000).69 g/cm3 para solos arenosos (correspondente ao quartzo) e de 2.ρW (1-n). Argilas lateríticas apresentam valores de até 3.ρS + Sr. A massa específica seca apresenta uma faixa de valores que varia de 1. No entanto.0 g/cm3.ρ w e= = (1.n Água Sr.n.67 a 2.n.90 g/cm3 para solos argilosos.

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Campus de Bauru DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL ÁREA DE GEOTECNIA b b P x r0 r2 r1 α2 α1 z σV σx x A z MECÂNICA DOS SOLOS Volume II Paulo César Lodi .

COMPACTAÇÃO DOS SOLOS 17 Diferença entre Compactação e Adensamento 17 Ensaio de Compactação 18 Curva de Compactação 19 Energia de Compactação 20 Influência da energia de compactação na curva de compactação do solo 20 Influência da Compactação na Estrutura dos Solos 21 Influência do Tipo de Solo na Curva de Compactação 22 Escolha do Valor de Umidade para Compactação em Campo 22 Equipamentos de Campo 23 Controle da Compactação 26 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CITADAS E CONSULTADAS 29 . TENSÕES NOS SOLOS 03 Princípio das Tensões Efetivas 03 Esforços Geostáticos 03 Acréscimos de Tensões no Solo 05 2. Mecânica dos Solos – Volume II 2 SUMÁRIO Pág 2.1.2.

Dessa forma. numa determinada cota. Atuam basicamente no solo. O conceito de tensão em um ponto advém da mecânica do contínuo e. Mecânica dos Solos – Volume II 3 2. b) qualquer acréscimo de resistência do solo só pode ser justificado em termos de tensões efetivas (σ’).z σ = tensão geostática total γ = peso específico do solo z = cota do ponto até a superfície do terreno .1. quando tensões normais se desenvolvem em qualquer plano. Princípio das Tensões Efetivas Pelo fato do solo possuir três fases. sejam normais ao plano. admite-se que as tensões atuantes em um plano horizontal. Observando esses fatos. as tensões decorrentes de seu peso próprio (tensões geostáticas). Além disso. A pressão que atua na água intersticial é denominada de pressão neutra e é denominada pela letra u.1) Esses postulados enunciados por Terzaghi constituem o Princípio das tensões efetivas e pode ser expresso em duas partes: a) σ’ = σ – u. a tensão vertical em qualquer profundidade é calculada simplesmente considerando o peso de solo acima daquela profundidade. Terzaghi notou que a tensão normal total num plano qualquer deve ser a soma da parcela de pressão neutra e de tensão efetiva: σ = σ’ + u (2. a tensão vertical total será obtida pelo produto do peso específico natural pela cota do ponto desejado: σ = γ. A pressão que atua nos contatos interpartículas é chamada de tensão efetiva (σ’) sendo a que responde por todas as características de resistência e de deformabilidade do solo. ar e partículas sólidas) este conceito tem sido utilizado com sucesso na prática geotécnica. As tensões cisalhantes serão nulas nesse plano. TENSÕES NOS SOLOS O conhecimento das tensões atuantes num maciço de solo é de fundamental importância para a engenharia geotécnica. boa parte dos problemas em mecânica dos solos pode ser encarada como problemas de tensão ou deformação planos. parte dessa tensão será suportada pelo esqueleto sólido do solo e parte será suportada pela água presente nos vazios. Admitindo-se que o peso específico não varia. estando o solo saturado. de escavações (alívios de tensões) e de carga externas (acréscimos de tensões). Esforços Geostáticos Numa superfície horizontal. apesar do solo ser um sistema trifásico (água.

tem-se que: σ’ = σ – u = γsat.γw. A Figura seguinte ilustra um perfil estratificado com diferentes valores de peso específico e a variação das tensões ao longo da profundidade. atua também uma tensão horizontal.γw). A tensão efetiva será a diferença da tensão total e a neutra no ponto considerado.zw u = pressão neutra atuando na água γw = peso específico do da água (γw = 10 kN/m3) zw = cota do ponto considerado até a superfície do lençol freático Ocorre que. os valores de peso específico alteram- se para cada camada.γ3 (sat) u z Figura 2. O valor da pressão neutra no ponto considerado só dependerá da altura da coluna d’água. Perfil de solo e diagrama de tensões Quando o solo estiver saturado.γw).1. em a natureza. σ’. Mecânica dos Solos – Volume II 4 Se houver água presente na camada de solo. Dessa forma. Essa tensão horizontal constitui uma parcela da tensão vertical.z onde: γ’ = γsat . ou seja.z = γ’.z dessa forma: σ’ = (γsat . dentro de um maciço. diversas camadas sobrepostas. A determinação das tensões horizontais encontra aplicação na determinação de empuxos .z .γ1 σ Nível d’água (NA) z2 Solo 2 .γw Num elemento de solo.γ2 (sat) σ’ z3 Solo 3 .z = (γsat . σ. as camadas de solo apresentam-se estratificadas. A conseqüência imediata é que o cálculo das tensões em um determinado ponto deverá ser feito pela somatória das tensões em cada camada. a pressão neutra é obtida da seguinte forma: u = γw. a tensão efetiva poderá ser calculada diretamente utilizando-se o peso específico submerso (γ’ ou γsub). Como a diferença de pressões total e neutra fornece a tensão efetiva. u z1 Solo 1 .

esta é de fácil aplicação e tem apresentado avaliações satisfatórias das tensões atuantes no solo. a equação anterior pode ser reescrita: k 0 = 0. Solos residuais e que sofreram evoluções pedológicas posteriores apresentam valores de k0 de difícil avaliação (PINTO. carregamentos em sua superfície. Acréscimos de Tensões no Solo Os acréscimos de tensão dentro de um maciço de solo ocorrem quando estes recebem cargas externas. terra armada. homogêneo. σv (k = coeficiente de empuxo) Quando não ocorrem deformações no solo. e elástico linear. O valor de k0 pode ser obtido por meio da teoria da elasticidade ou através de correlações: µ k0 = onde µ = coeficiente de Poisson (Teoria da elasticidade) 1− µ k 0 = 1 − senφ ' (Fórmula de Jaki) onde φ ' é o ângulo de atrito interno efetivo do solo k 0 = (1 − senφ ' ).2) ilustra a aplicação da carga em superfície (no plano e em três direções).( RSA) senφ ' (Fórmula de Jaki estendida para argilas sobre-adensadas) RSA é a razão de sobre-adensamento do solo Como φ ' é sempre próximo a 30º.5 (para RSA = 4. .5( RSA) 0. ou seja. para RSA > 4. A teoria da elasticidade é empregada para a estimativa dessas tensões. a) Carga Concentrada na Superfície do Terreno (Solução de Boussinesq) As hipóteses assumidas por Boussinesq para a obtenção da solução das tensões provocadas por uma carga concentrada são as seguintes: superfície horizontal de um espaço semi-infinito. A Figura (2. As soluções aqui apresentadas referem-se aos principais tipos de carregamentos encontrados na prática. 2000). Apesar de muitas limitações e críticas feitas ao emprego da teoria da elasticidade. etc). k0 torna-se maior do que um) As formulações empíricas acima só têm validade para solos sedimentares. k0 se aproxima da unidade. Mecânica dos Solos – Volume II 5 para o cálculo de estabilidade de estruturas de contenção (muros de arrimo. k é denominado de coeficiente de empuxo em repouso (k0). Seu cálculo é feito pela seguinte expressão: σh = k . isotrópico.

mantida a relação de r/z.8P 0. P P P 1.3a). (b) e bulbo de tensões (c) À medida que ocorre o distanciamento horizontal do ponto de aplicação de P (aumento de r).6P z (a) (b) (c) Figura 2. Na vertical abaixo do ponto de aplicação da carga (r = 0).0P 0.2) (modificada) z2 Se traçarmos um gráfico da profundidade (eixo z) versus a tensão (eixo x). as pressões são: 0.3. Carga concentrada aplicada na superfície O cálculo do acréscimo vertical de carga (σv) é dado pela seguinte formulação: −5 3P  r 2  2 σv = 1 +    (2.3b). Mecânica dos Solos – Volume II 6 x A P P r A r y (a) z (b) σv σv z Figura 2. Limites de propagação de tensões (a).3b) ilustra a distribuição .2.2) 2πz 2   z   onde: P = carga concentrada z = distância do ponto de aplicação de P até o ponto de interesse r = distância (em superfície) do ponto de aplicação de P até o ponto de interesse Note-se que nessa equação.48 P σv = (2. o gráfico resultante será semelhante ao da Figura (2. A Figura (2. ocorre uma diminuição da intensidade das tensões até um certo ponto onde P não exercerá mais influência (Figura 2. a tensão é inversamente proporcional ao quadrado da profundidade do ponto considerado.

O conjunto das isóbaras recebe o nome de bulbo de tensões (Figura 2. Newmark desenvolveu uma integração da equação de Boussineq para o cálculo de carregamentos uniformemente distribuídos numa área retangular.3c).2b). Baseado na solução de Boussinesq (Figura 2. a solução de Boussinesq não é aplicável. Westergard propôs então um modelo no qual as deformações laterais são totalmente restringidas:  1 − 2µ    P  2 − 2µ  σv = ⋅ (2. que apresentam grande capacidade de resistência lateral. As tensões foram obtidas em pontos abaixo da aresta da área retangular (Figura 2. Unindo-se os pontos dentro do maciço com o mesmo valor de acréscimo de tensão. y P y x z x σV • m = x/z n = y/z z Figura 2. surgem as linhas denominadas de isóbaras.4.3) 2πz 2 3  1 − 2 µ   r  2  2   +     2 − 2 µ   z   µ = coeficiente de Poisson c) Carregamento Uniformemente Distribuído sobre uma Placa Retangular A partir da proposta de Boussinesq.4). Placa retangular uniformemente carregada . outras soluções foram obtidas para outros tipos de carregamentos. Mecânica dos Solos – Volume II 7 de tensão na vertical passando pelo eixo de simetria da área carregada. b) A solução de Westergard Essa solução foi utilizada por Westergard para simular condição de anisotropia que acontece em depósitos sedimentares que contêm camadas entremeadas de material fino e areia. Para esses depósitos.

5) ou através da Tabela (2. definiu os parâmetros m e n para uma placa retangular com lados a e b (Figura 2.4).5) Iσ é um fator de influência que depende apenas de m e n. Dessa forma. Dessa forma. Os valores de Iσ podem ser mais facilmente determinados com o uso de um gráfico (Figura 2.4) 4π  (m 2 + n 2 + 1 + m 2 n 2 )(m 2 + n 2 + 1) m + n2 + 1 − m2n2      A equação anterior depende apenas da geometria da área carregada. os termos que estão entre as chaves podem ser tabelados e então: σ v = P. Valores do fator de influência em função de m e n . Mecânica dos Solos – Volume II 8 Observou-se que a solução era a mesma para soluções em que as relações entre os lados da área retangular e a profundidade fossem as mesmas.Iσ (2.5. A solução de Newmark pode ser escrita pela seguinte equação:  1  2   2mn(m + n + 1) 2  (m + n + 2)  2 2 2 1 P   2mn(m 2 + n 2 + 1) 2  σv = + arctg 2 (2.1). Figura 2.

A Figura seguinte ilustra esse tipo de situação. IσR P IσR = IσACGR –IσBCHR – IσDFGR + IσEFHR D F E •R G H Figura 2. 1998) d) Carregamento Uniforme sobre Placa Retangular de Comprimento Infinito (Sapata Corrida) Quando uma das dimensões de uma placa retangular for muito superior à outra (comprimento superior a duas vezes a largura). O esquema apresentado a seguir ilustra uma placa carregada uniformemente com carga P e o ponto A onde atuam as tensões. no qual o vértice coincide com a origem. A tensão no Ponto R (σR) devido à placa carregada ABDE será: A B C σR = P. Esquema para cálculo de Iσ no ponto R (BUENO & VILAR. os valores de tensão resultantes no maciço de solo podem ser obtidos por formulação desenvolvida por Carothers & Terzaghi. quando o ponto de interesse não passar pela origem deve-se somar e subtrair áreas carregadas convenientemente. 2002) Como todas as deduções estão referenciadas a um sistema de coordenadas. Fatores de influência para uma placa carregada (MACHADO.1. Mecânica dos Solos – Volume II 9 Tabela 2. .6.

as tensões podem ser calculadas de acordo com a seguinte equação:  3    2      σ v = P. Placa retangular de comprimento infinito As tensões no ponto A situado numa profundidade z qualquer e com distância x do centro da placa são dadas por: P σv = (α + sen α cos 2 β ) (2.8)  1 +  r     2    z      .1 −  1   (2. podem ser calculados por meio de integração da equação de Boussinesq para toda a placa.7) π e) Carregamento Uniformemente Distribuído sobre uma Área Circular Os valores de tensão provocados por uma placa circular. Essa integração foi feita por Love e para uma determinada profundidade z.6) π P σx = (α − sen α cos 2 β ) (2. abaixo do centro da placa de raio r. Mecânica dos Solos – Volume II 10 L B P x α/2 α β σV x A σx z Figura 2.7. na vertical que passa pelo centro desta.

022 0.023 0.007 0.025 0.135 0.012 0.455 0.295 0.346 0.057 0.186 0.052 0.041 0.413 0.84 0.127 0.039 0.066 0.646 0.002 0 0 0 0 0. O valor desse fator depende da relação z/r e x/r (Figura 2.137 0.146 0.029 0.374 0.011 f) Carregamento Triangular de Comprimento Infinito Esse tipo de abordagem é utilizado quando se deseja conhecer os valores de tensão que ocorrem no interior dos maciços devido à presença de aterros e/ou barragens.005 0.105 0.071 0.073 0.014 0.10).044 0. são apresentadas duas soluções mais comuns para esses tipos de carregamentos: o triângulo isósceles (Figuras 2.125 0.625 0.5 4 0.083 0.5 3 3.045 0.01 0.029 0.135 0.011 3 0.022 0.013 0.028 0.336 0.024 0.277 0.013 0.418 0. também podem ser calculados pela Tabela (2.012 0.75 0.109 0.045 0.064 0.911 0.765 0.016 0.137 0.015 0.004 2 0.01 0.086 0.022 0.9) e o trapézio retângulo (Figura 2. Os fatores de influência são expressos em porcentagem no gráfico.052 0.015 0.01 0.194 0.56 0.2.964 0. Os valores de Iσ.06 0.043 0.056 0.073 0.25 0. .03 0.196 0.041 0.006 2.037 0.374 0.5 0.087 0.117 0.691 0.057 0.25 0.5 0.8.508 0.309 0.031 0.335 0. para pontos quaisquer do terreno.003 0 1.784 0.05 1 1.091 0.983 0.015 4 0.014 0.009 0.002 1. Mecânica dos Solos – Volume II 11 Isolando-se o termo entre as chaves.002 0 0 1 0.143 0.015 10 0.258 0. Figura 2.016 0.015 0. tem-se o fator de influência Iσ.524 0.007 0.019 0.5 2 2. o raio da placa carregada r e a distância horizontal x que vai do centro da placa ao ponto onde se deseja calcular o acréscimo de tensão.057 0.001 1.031 0. A seguir.986 0.018 0.46 0.895 0.027 0.021 0.026 0.2).017 0.223 0.2 0.024 0.013 0.424 0.003 0 0 0 0.028 0.75 0.8).012 0.013 0.076 0.284 0.018 7 0. Nessa figura tem-se a profundidade z.15 0. Gráfico de Iσ para placa circular uniformemente carregada Tabela 2.033 0.03 0.256 0.061 0. Valores de x/r e z/r para cálculo de Iσ para placa circular carregada x/r z/r 0 0.5 0.25 0.018 5 0.

Carregamento em forma de triângulo isósceles de comprimento infinito P  α 1 + α 2 + (α 1 − α 2 ) x σv =  (2.10. Carregamento em forma de trapézio retângulo de comprimento infinito A x z .9. Mecânica dos Solos – Volume II 12 b b P x r0 r2 r1 α2 α1 z σV σx x A z Figura 2.9) π b  P 2 z r1 r2  α 1 + α 2 + (α 1 − α 2 ) − ln 2  x σx = (2.10) π  b b r0  b a x P r0 r1 r2 α β z σV σx Figura 2.

Superposição de carregamentos para o trapézio retangular de comprimento infinito Note-se que nas equações anteriores.P = . (b/a) P P α1 α2 α1+α2 α2 A A A a b b (a) (b) (c) (a) = (b) – (c) Figura 2. Neste.12).13) Dessa forma. . a b (b/a). o problema volta a ser tratado como de carregamento triangular.11. Mecânica dos Solos – Volume II 13 P   β + α − 2 (x − b ) x z σv = (2. Quando b/z = 0.I σ (2. é possível o cálculo de tensões para o trapézio retangular utilizando-se um ábaco (Figura 2. o fator de influência (Iσ) é função das dimensões a e b e do ponto considerado na extremidade direita da área de largura b. os acréscimos de tensão podem ser calculados pela diferença dos carregamentos indicados nas figuras seguintes.11) π a r2  P 2 z r0  ln + 2 (x − b ) x z σx = β + α + (2. o valor da tensão pode ser expresso da seguinte forma: σ v = P.12) π a a r1 r2  Aplicando-se o principio da superposição.

4z. É utilizada para carregamento de forma irregular na superfície e consiste.12. Esse valor é denominado de unidade de influência. determina-se o valor de r. Note-se que se o círculo de r = 0. é possível desenhar-se o ábaco de Newmark ou “ábaco dos quadradinhos” (embora as áreas não sejam quadradas e sim setores de anel circular). cada circunferência corresponderá a um valor de Iσ.) e. Assim. O exemplo a seguir ilustra o procedimento descrito. em construir-se um ábaco que leva em conta a relação r/z e o fator de influência Iσ.8). Admite-se que o carregamento na superfície será o mesmo em qualquer profundidade e que este pode ser dividido em diversas áreas.005P. Mecânica dos Solos – Volume II 14 Figura 2. traçam-se circunferências concêntricas. por ex.27z for dividido por 20 teremos um valor de I igual a 0. . Cada uma dessas áreas contribui com uma parcela de acréscimo de tensão. geralmente adota-se um valor para Iσ (variando de 1 em 1 décimo. calcula-se o valor da relação r/z. Normalmente. Estas são então divididas em 20 partes iguais ocasionando 200 áreas de igual efeito. 2002) g) A solução de Newmark Essa solução foi desenvolvida por Newmark a partir da solução de Love (equação 2. basicamente. Com o valor da profundidade estabelecida. Ábaco para cálculo de Iσ para carregamento na forma de trapézio retangular (modificado de MACHADO. Com os valores de r em uma determinada escala. em seguida. Para a construção do gráfico. Dessa forma. Para r = 0. a divisão é feita em pequenas áreas de número igual a 200.

I.005P. A planta da edificação apresenta formato irregular.1 0.13a) ilustra o ábaco de Newmark com a escala AB a partir da qual foi construído. Mecânica dos Solos – Volume II 15 teremos um círculo com um raio maior. Dessa forma. contam-se os . Para se conhecer o valor de tensão aplicado por uma edificação de forma irregular a uma determinada cota no subsolo.2P 0.40 4.005) N = número de fatores de influência A Figura (2.2P-0.1P 0. c) conta-se então o número de “quadradinhos” que foram ocupados pela planta. Conveniente que se faça a planta da edificação em papel vegetal ou outro similar. b) coloca-se o ponto desejado da edificação no centro do ábaco.27 2. a coroa circular obtida com a primeira circunferência também possuirá um valor de σv = 0. deve-se então construir outro ábaco para a cota desejada.005P (I = unidade de Influência) Valores obtidos para z = 10 m Iσ σv r/z (m) r (m) 0. deverá haver uma compensação do número de quadradinhos.13b) apresenta um exemplo de aplicação do ábaco de Newmark.). Evidentemente que. não será possível a obtenção de quadrados inteiros em determinados pontos.N (2. procede-se da seguinte maneira: a) desenha-se a planta da edificação na mesma escala em que o ábaco foi construído. Isso facilita a obtenção do valor de tensão em outro ponto para a mesma cota. Se se deseja conhecer a influência da edificação em cota diferente.1P/20 = 0.14) (equação de Love reescrita) P   r σ     1 +  z         I = 0.  3    2     σ v   1  =I = 1 − 2   (2.7 0. devido à forma irregular da edificação.1P) e.2 0. No entanto.0 A Figura (2. O valor da tensão que se quer conhecer será dado pelo produto da carga aplicada pela edificação (P) pela unidade de influência (I) e pelo número de fatores de influência ou quadradinhos (N): σv = P. por ex. um valor de I = 0.15) onde: P = carga aplicada pela edificação I = unidade de influência (geralmente igual a 0. Para saber o acréscimo de tensão dessa edificação em uma determinada cota em profundidade. O ponto a ser analisado deve ficar no centro do ábaco. conseqüentemente. basta apenas desenhar a edificação na mesma escala em que foi construído o ábaco (AB = 10 metros. ou seja.1P (ou seja. 0.

2000) .15) apresentada anteriormente. Ábaco de Newmark (a) Exemplo de aplicação do ábaco de Newmark (b) (PINTO. Mecânica dos Solos – Volume II 16 quadradinhos que a edificação ocupa. A tensão no ponto considerado pela edificação na superfície será fornecida pela equação (2. (a) (b) Figura 2.13.

deformabilidade e permeabilidade dos solos. Ele pode ser pouco resistente.2. já que através do processo de compactação consegue se promover no solo um aumento de sua resistência estável e uma diminuição da sua compressibilidade e permeabilidade. contudo. terra armada. a depender do tipo de solo) e as cargas são normalmente estáticas. misturas solo-cal). postulou ser a compactação uma função de quatro variáveis: a) Peso específico seco. Pareceria razoável em tais circunstâncias. foram desenvolvidos e a compactação é um desses métodos. O objetivo principal da compactação é obter um solo. alguns métodos de estabilização ou de melhoria das características de resistência. a compressão do solo se dá por expulsão do ar contido em seus vazios. Diferença entre Compactação e Adensamento Pelo processo de compactação. Solos II). Uma outra possibilidade é tentar melhorar as propriedades de engenharia do solo local. de tal maneira estruturado. ou pela incorporação no solo de elementos estruturais. Neste capítulo será apresentado um método de estabilização e melhoria do solo por vias mecânicas. o solo de um determinado local não apresenta as condições requeridas pela obra. etc. que possua e mantenha um comportamento mecânico adequado ao longo de toda a vida útil da obra. melhorando as suas características de resistência. "jet-ground". sendo alguns destes realizados pela mistura ou injeção de substâncias químicas (misturas solo-cimento. solos finos. as cargas aplicadas quando compactamos o solo são geralmente de natureza dinâmica e o efeito conseguido é imediato. Para resolver este problema. a segunda opção pode ser o melhor caminho a ser seguido. Deve-se ressaltar que existem diversos outros métodos de estabilização dos solos. Deve-se notar. simplesmente relocar a obra. Em vista disto. de forma diferente do processo de adensamento. que considerações outras que não geotécnicas freqüentemente impõem a localização da estrutura e o engenheiro é forçado a realizar o projeto com o solo que ele tem em mãos. na prática da engenharia geotécnica. muito compressível ou apresentar características que deixam a desejar de um ponto de vista econômico. Mecânica dos Solos – Volume II 17 2.). enquanto que o processo de adensamento é diferido no tempo (pode levar muitos anos para que ocorra por completo. b) Umidade. A compactação dos solos tem uma grande importância para as obras geotécnicas. os quais têm por função conferir ao mesmo as características necessárias para a execução da obra. Mec. COMPACTAÇÃO DOS SOLOS Entende-se por compactação o processo manual ou mecânico que visa reduzir o volume de vazios do solo. o solo é o próprio material resistente ou de construção. Em diversas obras. . solo envelopado. deformabilidade e permeabilidade. Os fundamentos da compactação de solos são relativamente novos e foram desenvolvidos por Ralph Proctor. que. denominado de compactação. Muitas vezes. onde ocorre a expulsão de água dos interstícios do solo (capítulo de compressibilidade. Além do mais. uma possibilidade é adaptar a fundação da obra às condições geotécnicas do local. Ex: solo reforçado. dentre elas os aterros rodoviários e as barragens de terra. Dependendo das circunstâncias. c) Energia de compactação e d) Tipo de solo (solos grossos. etc. na década de 20.

de 5 a 6 pontos para a construção da curva de compactação. . de modo resumido. o Eng0 Norte americano Ralph Proctor postulou os procedimentos básicos para a execução do ensaio de compactação. • Este processo é repetido até obter-se. em média. caindo de uma altura de aproximadamente 30cm. as principais fases de execução de um ensaio de compactação. como demonstra a Figura (2. a mesma é colocada em um recipiente cilíndrico com volume igual a 1000 ml e compactada com um soquete de 2500g. A energia de compactação utilizada na realização destes ensaios é hoje conhecida como energia de compactação "Proctor Normal".14). após o que se adiciona água na amostra para a obtenção do primeiro ponto da curva de compactação do solo. • Ao se receber uma amostra de solo (no caso.14. Mecânica dos Solos – Volume II 18 Ensaio de Compactação Em 1933. O solo então é destorroado e passado na peneira #4. é recomendável que a mesma fique em repouso por um período de aproximadamente 24 hs. Figura 2. Para que haja uma perfeita homogeneização de umidade em toda a massa de solo. em três camadas com 26 golpes do soquete por camada. deformada) para a realização de um ensaio de compactação. • Após o preparo da amostra de solo. o primeiro passo é colocá-la em bandejas de modo que a mesma adquira a umidade higroscópica (secagem ao ar). 2002) • A amostra é então destorroada procurando-se aumentar a umidade em cerca de 2% donde se efetua novo processo de compactação. A seguir são listadas. Ensaio de compactação (Proctor Normal) (MACHADO.

Mecânica dos Solos – Volume II 19 • Ao notar-se que o peso específico úmido se mantém constante em duas ou três tentativas sucessivas.15. O ramo da curva de compactação anterior ao valor de umidade ótima é denominado de "ramo seco" e o trecho posterior de "ramo úmido" da curva de compactação. absorvendo grande parte da energia de compactação.w) em um par de eixos cartesianos. decrescendo com a umidade a partir de então. traça-se a curva de compactação do solo.wót). tendo nas ordenadas os pesos específicos do solo seco e nas abscissas os teores de umidade. Se o ensaio começou com umidade 5% abaixo da ótima. apresentada na Figura (2.15) é apresentada também a curva de saturação do solo. Figura 2. Curva típica de compactação Curva de Compactação A partir dos pontos experimentais obtidos conforme descrito anteriormente. a umidade é baixa. o valor do peso específico seco já caiu. tornando-se mais fácil o rearranjo estrutural das partículas. • Após efetuados os cálculos dos pesos específicos secos e das umidades. a umidade é elevada e a água se encontra livre na estrutura do solo. Isso indica que não há mais necessidade de se aumentar a umidade do solo. lançam-se esses valores (γd. Nota-se que na curva de compactação o peso específico seco aumenta com o teor de umidade até atingir um valor máximo. como se demonstra na Figura (2. No ramo seco. Como no processo de compactação não conseguimos nunca expulsar todo o ar existente . determinam-se o peso específico do solo seco e o teor de umidade de compactação. a água contida nos vazios do solo está sob o efeito capilar e exerce uma função aglutinadora entre as partículas.15). No ramo úmido. com 5 determinações o ensaio estará concluído (em geral. não mais que 6 determinações).15). À medida que se adiciona água ao solo ocorre a destruição dos benefícios da capilaridade. Na Figura (2. • De cada corpo de prova assim obtido. O teor de umidade para o qual se obtém o maior valor de γd (γdmax) é denominado de teor de umidade ótimo (ou simplesmente umidade ótima . e os acréscimos forem de 2% a cada tentativa.

16) γ w + w ⋅ Sr γs Essa equação determina famílias de curvas que dependem apenas do Peso específico dos sólidos (γs). apresenta-se “laminado” com uma parte destacando-se da outra ao longo de planos horizontais. mas nunca acima dela.h.16) apresenta curvas de compactação obtidas para diferentes energias. Esse fenômeno decorre do fato de que o solo se comprime inicialmente com a passagem do equipamento para. um esforço maior de compactação irá influenciar insignificantemente o aumento do peso específico seco uma vez que não consegue expulsar o ar dos vazios. Mecânica dos Solos – Volume II 20 nos vazios do solo.17) V E = Energia de compactação. Energia de Compactação Embora se mantenha o procedimento de ensaio descrito anteriormente. todas as curvas de compactação (mesmo que para diferentes energias) se situam à esquerda da curva de saturação. por exemplo) podem ser representadas pela equação (2. . A insistência da passagem de equipamento quando o solo se encontra com teor de umidade elevado.N .Sr γd = (2. Pode-se mostrar que curvas de igual valor de saturação do solo (70. A energia de compactação empregada em um ensaio de laboratório pode ser facilmente calculada mediante o uso da equação (2. Influência da energia de compactação na curva de compactação do solo Quando a umidade do solo estiver abaixo da ótima. A Figura (2. h = altura de queda do soquete (m). 80. Os pontos ótimos das curvas de compactação se situam em torno de 80 a 90% de saturação. P. no entanto. P = Peso do soquete (N) . n = número de camadas e V = volume do solo compactado (m3). γ w . há uma redução do teor de umidade ótimo e uma elevação do valor do peso específico seco máximo. quando a umidade está acima da ótima. O solo poderá se encontrar em qualquer posição abaixo da curva de saturação. portanto. O solo borrachudo. 90 e 100%.17). a aplicação de maior energia de compactação provoca aumento de peso específico seco. se dilatar semelhantemente a uma borracha. faz com que ocorra o fenômeno conhecido na prática de engenharia como borrachudo. As pressões neutras tornam-se elevadas e o solo cisalha ao longo de plano horizontais. apresentada a seguir.n E= (2. N = número de golpes por camada.16) que expressa γd em função de Sr. Na medida em que se aumenta a energia de compactação. A energia aplicada passa a ser transferida para a água que a devolve como se fosse um material elástico. um ensaio de compactação poderá ser realizado utilizando-se diferentes energias. em seguida. Isso ocorre também no campo.

Energias de compactação por impacto (MASSAD.5 30.3) apresenta uma comparação entre os padrões adotados para a realização dos ensaios de compactação. A Tabela (2.3 Influência da Compactação na Estrutura dos Solos A Figura (2. enquanto que no lado úmido da curva de compactação formam-se solos com estruturas predominantemente dispersas.4 Proctor Modificado 4.3.5 45. Surgiram então as energias do Proctor Modificado e Intermediário. superiores à energia do Proctor Normal.2 Intermediária 4.cm/cm3) (cm) camadas Golpes (cm3) Proctor Normal 2. com possibilidade de elevar a energia de compactação e capazes de implementar uma maior velocidade na construção de aterros.7 5 12 2000 6.5 45.7 5 26 2000 13. . Tabela 2. Mecânica dos Solos – Volume II 21 Figura 2. de grande porte.9 kg⋅cm/cm3 para o Proctor normal. Efeito da Energia de Compactação nas Curvas de Compactação obtidas para um mesmo solo Tendo em vista o surgimento de novos equipamentos de campo.7 5 55 2000 28.5 3 26 1000 5. 2003) Altura de Número Número Volume do Massa Energia Designação Queda de de Cilindro (kg) (kg.9 Proctor Normal 4.16. As energias de compactação usuais são de 5. 13.17) apresenta a influência da compactação na estrutura dos solos. Conforme se pode observar desta figura. Note-se que as diversas energias podem ser obtidas com um cilindro de 2000 cm3.4 kg⋅cm/cm3 para o Proctor Intermediário e 28.3 kg⋅cm/cm3 para o Proctor Modificado. as estruturas formadas no lado seco da curva de compactação tendem a ser do tipo floculada. O único parâmetro diferenciador é o número de golpes.5 45. houve a necessidade de se criar em laboratório ensaios com maiores energias que a do Proctor Normal.

para a energia de compactação adotada. Conforme se pode observar nesta Figura. Figura 2. em função de sua umidade de compactação. A Figura (2. a compactação do solo deve proporcionar a este. obtida por meio de um ensaio de penetração realizado com uma agulha Proctor. Mecânica dos Solos – Volume II 22 Figura 2. a maior resistência estável possível. Influência da compactação na estrutura dos solos Influência do Tipo de Solo na Curva de Compactação A influência do tipo de solo na curva de compactação é ilustrada na Figura (2.18. quanto maior a umidade menor a . Conforme se pode observar nesta figura. Influência do tipo de solo na curva de compactação Escolha do Valor de Umidade para Compactação em Campo Conforme relatado anteriormente. Pode-se observar também que as curvas de compactação obtidas para solos finos são bem mais "abertas" do que aquelas obtidas para solos grossos.19) apresenta a variação da resistência de um solo. os solos grossos tendem a exibir uma curva de compactação com um maior valor de γdmax e um menor valor de wót do que solos contendo grande quantidade de finos.17.18) apresentada adiante.

vibração ou por uma combinação destes. caso o solo fosse compactado no teor de umidade w1. Figura 2. No caso de o solo ser compactado na umidade ótima. vindo a alcançar o valor de umidade w2. Não basta que o solo adquira boas propriedades de resistência e deformação. A compactação de campo se dá por meio de esforços de pressão. da espessura da camada de compactação e do número de passadas sucessivas aplicadas. para o qual o valor de resistência apresentado pelo solo é praticamente nulo. com maior eficácia. contudo. . Equipamentos de Campo Os princípios que estabelecem a compactação dos solos no campo são essencialmente os mesmos discutidos anteriormente para os ensaios em laboratório. o valor de sua resistência cairia somente de R para r. já que a vibração utilizada isoladamente se mostra pouco eficiente. da quantidade de água utilizada e da energia específica aplicada pelo equipamento que será utilizado. ele iria apresentar uma resistência bastante superior àquela obtida quando da compactação no teor de umidade ótimo.19. sendo a pressão necessária para diminuir. impacto. os valores de peso específico seco máximo obtidos são fundamentalmente função do tipo do solo. estando o mesmo ainda a apresentar características de resistência razoáveis. Assim. Mecânica dos Solos – Volume II 23 resistência do solo. o volume de vazios interpartículas do solo. a qual depende do tipo e peso do equipamento. este solo poderia vir a se saturar em campo (em virtude de um período de fortes chuvas. Os processos de compactação de campo geralmente combinam a vibração com a pressão. Pode-se fazer então a seguinte indagação: Porque os solos não são compactados em campo em valores de umidade inferiores ao valor ótimo? A resposta a esta pergunta se encontra na palavra estável. Variação da resistência dos solos com o teor de umidade de compactação (VARGAS. 1979) Conforme se pode notar. Conforme também apresentado na Figura anterior. por exemplo). elas devem permanecer durante todo o tempo de vida útil da obra.

Os rolos lisos possuem certas desvantagens como: • Pequena área de contato • Em solos de pequena capacidade de suporte afundam demasiadamente dificultando a tração. pedregulhos e pedra britada. É indicado na compactação de outros tipos de solo que não a areia e promove um grande entrosamento entre as camadas compactadas. podendo ser manuais ou mecânicos (sapos). Rolo estático do tipo pé-de-carneiro Rolo Estático do Tipo Liso Trata-se de um cilindro oco de aço. A camada compactada deve ter 10 a 15cm para o caso dos solos finos e em torno de 15cm para o caso dos solos grossos. Rolo Estático do Tipo Pé-de Carneiro É um tambor metálico com protuberâncias (patas) solidarizadas. São usados em bases de estradas.21) ilustra rolos compactadores do tipo liso. A camada compactada possui geralmente 15cm. lançados em espessuras inferiores a 15cm. A Figura (2. a fim de que seja aumentada a pressão aplicada. etc. para materiais de alta plasticidade. em capeamentos e são indicados para solos arenosos. Possuem peso mínimo de 15kgf. em forma troncocônica e com altura de aproximadamente de 20cm. podendo ser preenchido por areia úmida ou água. Mecânica dos Solos – Volume II 24 Soquetes: São compactadores de impacto utilizados em locais de difícil acesso para os rolos compressores. Este tipo de rolo compacta bem camadas finas de 5 a 15cm com 4 a 5 passadas. A Figura seguinte ilustra rolos compactadores do tipo pé-de-carneiro. trincheiras. Figura 2. como em valas.20. . para materiais de baixa plasticidade e 7t. Podem ser auto propulsivos ou arrastados por trator. Os rolos lisos possuem pesos de 1 a 20t e freqüentemente são utilizados para o acabamento superficial das camadas compactadas. Para a compactação de solos finos utilizam-se rolos com três rodas com pesos em torno de 10t. com número de passadas variando entre 4 e 6 para solos finos e de 6 a 8 para os solos grossos.

Os rolos pneumáticos podem ser utilizados em camadas mais espessas e possuem área de contato variável. onde os rolos pneumáticos ou Pé-de-Carneiro não atuam com eficiência. Figura 2. função da pressão nos pneus e do peso do equipamento.22) ilustra alguns tipos de rolos pneumáticos existentes. Mecânica dos Solos – Volume II 25 Figura 2. bases e subbases de estradas e indicados para solos de granulação fina a arenosa. A Figura (2. A espessura máxima da camada é de 15cm. São utilizados eficientemente na compactação de solos granulares (areias). Nestes casos. Pode se usar rolos com cargas elevadas obtendo-se bons resultados. . muito cuidado deve ser tomado no sentido de se evitar a ruptura do solo. Rolos estáticos do tipo liso Rolo Estático do Tipo Pneumático Os rolos pneumáticos são eficientes na compactação de capas asfálticas. Rolo estático do tipo pneumático Rolos Vibratórios Nos rolos vibratórios. a freqüência da vibração influi de maneira extraordinária no processo de compactação do solo.22.21.

Obtêm-se a curva de compactação e daí os valores de peso específico seco máximo e o teor de umidade ótimo do solo. para cada camada compactada. • No campo. 2) Deve-se realizar a manutenção da umidade do solo o mais próximo possível da umidade ótima. Este valor deve atender a seguinte especificação: wcampo . Exemplo de rolo pneumático Controle da Compactação Para que se possa efetuar um bom controle da compactação do solo em campo. Mecânica dos Solos – Volume II 26 Figura 2. sendo que a espessura da camada compactada deverá ser menor que 20cm. temos que atentar para os seguintes aspectos: • Tipo de solo • Espessura da camada • Entrosamento entre as camadas • Número de passadas • Tipo de equipamento • Umidade do solo • Grau de compactação alcançado Assim. alguns cuidados devem ser tomados: 1) A espessura da camada lançada não deve exceder a 30cm. 3) Deve-se garantir a homogeneização do solo a ser lançado.23. deve-se verificar. Na prática. à proporção em que o aterro for sendo executado.2% ≤ wot ≤ wcampo + 1% . qual o teor de umidade empregado e compará-lo com a umidade ótima determinada em laboratório. tanto no que se refere à umidade quanto ao material. o procedimento usual de controle da compactação é o seguinte: • Coletam-se amostras de solo da área de empréstimo e efetua-se em laboratório o ensaio de compactação.

deve-se procurar utilizar a estufa. O volume de areia que saiu do frasco é igual ao volume de solo escavado. o solo terá de ser revolvido e. Para a determinação do peso específico seco do solo compactado. dado pela razão entre os pesos específicos secos de campo e de laboratório (GC = γd campo / γd máx ) x 100. normalmente inferior a 10. empregam-se geralmente aterros experimentais para se determinar o número . Existem outros métodos também utilizados para determinar a umidade no campo. Devem-se obter sempre valores de grau de compactação superiores a 95% e menores que 103%: 95% ≤ GC ≤ 103% • Caso estas especificações não sejam atendidas. a compactação dos solos em campo é definida para um determinado número de passadas. acionando o manômetro localizado na tampa do aparelho. o método mais empregado é o do frasco de areia. de modo que o peso específico do solo pode ser determinado. agita-se o frasco. a ampola é quebrada pelas esferas de aço e o CaC2 combina-se com a água contida no solo. que consiste de uma haste calibrada a qual está ligada a um êmbolo apoiado sobre uma mola. hermeticamente fechado. Com o valor de pressão medido. uma nova compactação deverá ser efetuada. coloca-se o frasco de areia com a parte do funil para baixo sobre a mesma e abre-se a torneira do frasco. onde são colocadas duas esferas de aço. Para se medir o volume da cavidade. Este número dependerá do tipo de solo a ser compactado. Quando possível. Este aparelho permite medir o esforço necessário para fazer penetrar a agulha na camada compactada. No caso de grandes obras. a amostra do solo da qual se quer determinar a umidade e uma ampola de carbureto (carbonato de cálcio (CaC2)). os valores de umidade são obtidos através de uma tabela específica. Outro método de controle de compactação bastante utilizado é o método de Hilf que possibilita o cálculo preciso de GC e uma estimativa da variação da umidade. tais como a queima do solo com a utilização de álcool ou de uma frigideira. Uma outra forma de se verificar a resistência do solo compactado é através da cravação da Agulha de Proctor. extraindo-se o solo e pesando-o em seguida. comparando-o com o obtido no laboratório. Define-se então o grau de compactação do solo. o número de passadas do rolo vai perdendo a sua eficiência na compactação do solo. Para a determinação da umidade. Faz-se uma cavidade na camada do solo compactado. formando o gás acetileno. que correlaciona a umidade em função da pressão manométrica e do peso da amostra de solo. Mecânica dos Solos – Volume II 27 • Determina-se também o peso específico seco do solo no campo. Os valores de resistência obtidos nesse ensaio são utilizados no controle da compactação em campo. Deste modo. Maiores detalhes sobre esse método podem ser encontrados em OLIVEIRA (1965). que exercerá pressão no interior do recipiente. Influência do Número de Passadas do Rolo Com o progresso da compactação em campo. deixando-se que a areia contida no frasco encha a cavidade por completo. Este aparelho consiste em um recipiente metálico. do tipo de equipamento disponível. Para a determinação da umidade no campo utiliza-se normalmente o umidímetro denominado "Speedy". e das condições particulares de cada caso.

Caso com 15 passadas não se atinja o valor do peso específico seco determinado. 8 a 12 passadas do rolo em uma camada de solo a ser compactada é suficiente. Em geral. Mecânica dos Solos – Volume II 28 ótimo de passadas do rolo. . é recomendável que se modifiquem as condições antes fixadas para a compactação.

5. ."The use of the slíp Circle in the Stability Analysis of Earth Slopes"."Impulsos de Terra" . J. SM6. (l960) . on Shear Shength of Cohesive Clays. T. Vol.M."Seepage. II."Embakement on Soft Ground".W. Journal of the New England Water Works Association. C. II. HARR.Y. pp.W. Simp. and BJERRUM. (l972) . and KOVACS. Engn. A. T. LAMBE. Boulder. Co. M. I.W. A."Stress Path Method". 1940). BUENO. R. & VILAR."Physical Componentes of the Shear Strength of Saturated Clays". Departamento de Geotecnia. Tese de Doutoramento. 2 (também em Contributions to Soil Mechanics.E. ASCE.E. BJERRUM. on Shear Strength of Cohesive Clays. Research Conf. Drainage and Flow Nets". ASCE. H."Nonlinear Analysis of Stress and Strain in Soils"."Foundation Engineering". (l957) . ASCE . and ZELASKO.Curso de Especialização em Mecânica dos Solos. McGraw Hill. New Jersey. (l962) . J."Comparison of shear Strenth Caracteristics of Normally Consolidated Clays". EESC-USP."Ground water and Seepage". L.L. 1. vol. (1998) – Apostila de Mecânica dos Solos. ALPAN. N. (l967) . Boulder. L. e WHITMAN. Editorial Limusa - Wiley S/A. 309-331. McGraw Hill Kogakusha. New York. (l981) . São Paulo.W. (l960) . GAIOTO. Brasil. O. ASCE. DUNCAN."Seepage Through Dams". no. Geot. Geotechnique."The Measurement of Soil Properties in the Triaxial Test". Proc. (l977) . ASCE. HVORSLEV. Proc. Vol. Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP). 93.. G. México. R.S. LAMBE. New York. Research Conf."Cadastro Geotécnico das Barragens da Bacia do Alto Paraná". (l963) . D.D. on Shear Strength of Cohesive Clays.Specialty Conf. no. Tokio.. S. (l960) ."Foundation Analysis and Design". J. (l972) ."The Relevance of the Triaxial Test to the Solution of Stability Problems". J."An Introduction to Geotechnical Engineering".J. John Wiley & Sons. no. 1-54. and SIMONS."Análise Comparativa entre alguns Métodos de Ensaio de Tração de Solos Compactados".A. Boulder. N. Co. LEONARDS. no. 1629-1653. Vol. (Ed. dos Solos e Eng. ASCE. pp. (l937) . L. 1925-1940. M. (l972) . (l967) . Vol. London. BISHOP. Bacia do Alto Paraná. KONDNER.l-l7. (l955) ."Mecánica de Suelos". Purdue. (l970) . on Performance of Embakement on Soft Ground. Journal of the Soil Mech.J. A. SM 5. Vol.)(1962) . HOLTZ. B. 1136 p. Edward Arnould. Boston Society of Civil Engineers. Research Conf. BOWLES. 289-324. LNEC (l977) . Vol. (l967) . and CHANG. 96. 2. A. BISHOP. Prentice Hall. McGraw Hill. CASAGRANDE. Div. CEDERGREEN. Colorado. Mecânica dos Solos – Volume II 29 Referências Bibliográficas Citadas e Consultadas ABGE (l983) . New York. Vol. and Found.E. Journal of the SMFD. BJERRUM. pp. Proc. W.V.W.D. R. and HENKEL. pp."The Empirical Evaluation of the Coefficient Ko and Kor"."A Hyperbolic StressStrain Formulation for Sands" II Congresso Panamericano de Mec. M..pp. Soil Foundation. de Fund. BISHOP.R. VII.

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σ’ . σ’ RESISTÊNCIA AO CISALHAMENTO DOS SOLOS Paulo César Lodi (σ1-σ3) (σ1-σ3)máx τ (σ1-σ3)Estado crítico (a) (b) s = c + σ.tgφ (σ1-σ3)Residual φ σ3=cte (σ1-σ3)arbitrário para um dado ε c ε (%) σ. Campus de Bauru DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL ÁREA DE GEOTECNIA σ’1 PPM = Plano Principal Maior ppm = plano principal menor σ’3 PPM τ Plano de Ruptura φ’ ppm ppm φ' θ cr = 45  + 2 P c' θcr PPM σ’3 σ’1 σ.

Resistência ao Cisalhamento dos Solos 2 SUMÁRIO Pág RESISTÊNCIA AO CISALHAMENTO 03 Ensaios para a Determinação da Resistência ao Cisalhamento 06 Ensaio de Cisalhamento Direto 07 Ensaio de Compressão Triaxial 08 Ensaio de Compressão Simples 10 Resistência das Areias 11 Resistência das Argilas 12 Aplicação dos Resultados de Ensaios a Casos Práticos 15 Os Parâmetros de Pressão Neutra 19 Trajetória de Tensões 20 Parâmetros Elásticos do Solo 23 Exercícios resolvidos 28 Sinopse 32 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CITADAS E CONSULTADAS 33 .

Sem critérios para especificar a ruptura. Quando essas forças e a tensão normal atuantes atingem um valor crítico. para o mesmo material. Esse tipo de ruptura é denominada de ruptura plástica (por deformação excessiva) e pode ser caracterizada pela tensão de cedência uma vez que quando esta for atingida. s = f(σ). Isso ocorre porque os movimentos relativos entre as partículas do solo. este será solicitado até que aconteça a ruptura do mesmo. A ruptura irá ocorrer para uma combinação crítica da tensão cisalhante e normal num plano qualquer. Certos tipos de solos podem apresentar curvas com valores crescentes de tensão até um valor característico (tensão de cedência) e. Outro tipo de comportamento dos solos fica caracterizado pelo surgimento de uma tensão de pico que em seguida decresce até atingir um valor constante (resistência residual). Existem ainda materiais que apresentam comportamento do tipo work-hardening (endurecimento ou encruamento). Nesse caso. no interior de um maciço. traçando-se uma tangente aos círculos. Normalmente. A Figura (1. tem sido utilizada a faixa de 15 a 20% para os solos. esta pode ser arbitrada em função das deformações. O critério de Mohr admite a resistência (s) como sendo função da tensão normal (σ). são decorrentes da ação das forças cisalhantes. Note-se que em qualquer situação. pode-se dizer que a resistência ao cisalhamento do solo corresponde à máxima tensão de cisalhamento que o solo pode suportar sem sofrer ruptura ou a tensão cisalhante no plano em que a ruptura estiver ocorrendo. em seguida. obtém-se uma curva denominada de envoltória de resistência do solo. O ponto de tangência da envoltória nos círculos representa os pontos de ruptura dos mesmos. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 3 RESISTÊNCIA AO CISALHAMENTO Devido à sua natureza atritiva. em determinados planos. pois envolve ruptura propriamente dita e deformação excessiva. Os estados de tensão são representados por círculos denominados círculos de Mohr. Nesse instante. Esses critérios expressam matematicamente uma envoltória de ruptura que delimita os estados de tensão possíveis para um solo. Simplificadamente. Esses planos são chamados de planos de ruptura. ou seja. diz-se que ocorre a ruptura do solo. a ruptura poderá ser arbitrada em função da deformação que se deseja obter. outros círculos podem ser obtidos. O critério de Coulomb admite que essa curva envolvente é uma reta. o conceito de ruptura não é tão simples quando se trata dos solos. No entanto. o estado de tensão é determinado por um círculo máximo. apresentarem deformações crescentes sem acréscimo de carga. constata-se que o critério de ruptura de Mohr-Coulomb consegue reproduzir com boa fidelidade o comportamento resistente dos solos. . as deformações aumentam sem cessar podendo inviabilizar qualquer tipo de obra que utilize esse solo. Quando um corpo de prova (cp) é ensaiado. Dessa forma. Esses apresentam valores crescentes de tensão com os aumentos de deformação. a ruptura pode ser representada tanto pelo valor de pico (mais comum) quanto pelo valor residual (casos específicos). Alterando-se as condições de solicitação. a resistência dos solos é caracterizada pela resistência ao cisalhamento. A resistência dos solos é avaliada por intermédio de critérios de ruptura.1) ilustra as envoltórias de resistência. As curvas de tensão versus deformação para os solos apresentam características diferenciadas. No âmbito da Mecânica dos Solos.

as áreas de contato entre as partículas (zona plastificada). σ’ Figura 1. resultando em uma maior resistência por atrito do solo.1) pode ser então reescrita: s = c +σ. Terzaghi considera em sua teoria (Teoria Adesiva do Atrito) que a superfície de contato real entre dois corpos é apenas uma parcela da superfície aparente de contato. a altura das protuberâncias é muito menor do que o diâmetro das partículas. A equação (1. Isso faz com que cada contato aparente englobe minúsculos contatos reais. estas são efetivamente rugosas. pois em níveis microscópicos. Nas partículas grossas. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 4 Tensões no Plano de Ruptura Envoltória de τ Mohr-Coulomb r2 1 Envoltória de Resistência r1 σ. Portanto. Assim. 2003). tendem a aumentar proporcionalmente ao acréscimo de carregamento. maiores serão os ângulos de atrito obtidos.1) s = resistência do solo. O contato entre as partículas ocorre apenas nas protuberâncias mais salientes resultando na plastificação do material na área dos contatos entre as partículas. o critério de Moh-Coulomb permite obter a envoltória de resistência do solo conforme a seguinte equação: s = r1 +σr2 (1. Envoltória de resistência do solo e critério de Mohr-Coulomb Assim. r1 é denominado de intercepto de coesão do solo (c) e r2 de coeficiente de atrito do solo (tgφ). Isso deve-se ao elevado valor das tensões transmitidas nos contatos entre as partículas de solo.1. quanto maiores e mais rugosas as partículas. donde se deve esperar altas tensões nesses pontos .2) as tensões poderão ser totais ou efetivas assim como o ângulo de atrito. r1 e r2 = parâmetros de resistência e σ = tensão normal Comumente.tgφ (1. O fenômeno do atrito nos solos ocorre pelo deslizamento ou rolamento das partículas sólidas umas sobre as outras. Ressalta-se que c corresponde a um valor de coesão do solo e φ a um ângulo de atrito do solo (BUENO &VILAR.

O estado de tensão é determinado pelas tensões principais maior (σ1) e menor (σ3).2) ilustra um estado de tensão com o plano de ruptura. (1. Isso ocorre em função da faixa de carregamento aplicada. então: σ ' 3 1 − senφ ' = (1. Importante mencionar que a coesão real não consiste no valor obtido pela envoltória de resistência do solo (r1). a mesma desaparece. Nos solos residuais. cada situação será específica e determinará parâmetros de resistência específicos para o solo. O plano de ruptura é determinado pela inclinação entre o Plano Principal Maior (PPM) e a origem dos planos. Portanto. resultando um esquema resistente semelhante ao que ocorre nas partículas grossas (MACHADO. os contatos devem se dar. Na determinação da resistência ao cisalhamento.3) σ '1 1 + senφ ' σ '1 1 + senφ ' se a coesão é nula. Pode ser decorrente também da ligação entre os grãos exercida pelo potencial atrativo de natureza molecular ou coloidal que pode agir também na água intersticial. através das quinas das partículas e cada contato deve ocorrer através de uma única protuberância. à razão de sobre-adensamento (RSA) e à diminuição da umidade. é posível obter-se a seguinte expressão: σ ' 3 1 − senφ ' 2c' 1 − senφ ' = − . os valores de c e de φ podem variar para um mesmo solo. Dessa Figura. sílica. A Figura (1. Após completa saturação do solo. os contatos face a face serão menos frequentes devido às forças de superfície. Sua origem está ligada à cimentação entre partículas proporcionada por carbonatos. Portanto. dentre outras substâncias. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 5 de contato. O critério de Mohr-Coulomb não leva em conta o efeito da tensão principal intermediária (σ2). Os maiores valores de coesão aparente estão relacionados aos solos argilosos. O mesmo não ocorre com as partículas finas. o Pólo (P).4) σ '1 1 + senφ ' . 2002). A coesão real do solo resulta da atração química entre as partículas do mesmo. Essa inclinação é chamada de ângulo crítico de ruptura (θcr). A coesão aparente é decorrente do efeito de capilaridade no solo e é característica de solos parcialmente saturados. O aumento da coesão está diretamente ligado à quantidade de argila presente e atividade coloidal. Apesar de serem mais lisas. O valor de r1 é obtido como coeficiente linear de uma equação dentro de uma faixa de tensões e não corresponde ao valor de coesão sem efeito de forças externas. o pólo e os planos principais. Essa ação na água intersticial forma uma camada de água adsorvida que envolve os grãos contribuindo para a ligação entre os mesmos. predominantemente. a cimentação empresta resistências elevadas ao solo. óxidos de ferro. do tipo de ensaio e do valor da RSA. A coesão real pode ser entendida como a resistência do solo quando sobre este não atua nenhuma força externa.

Ensaios para a Determinação da Resistência ao Cisalhamento A medida da resistência dos solos pode ser feita em laboratório ou em campo. Por outro lado. há a dificuldade do controle de certos ensaios onde não se tem a idéia precisa da dissipação de pressões neutras e nem do grau de perturbação causado ao solo pelo processo de cravação do equipamento. Essas situações ocorrem para os solos puramente coesivos (s = c) e puramente atritivos ou arenosos (s = σ’. há o inconveniente da amostragem dos solos que pode causar amolgamento. restando apenas a opção do ensaio de campo. da drenagem. As vantagens desses ensaios estão relacionadas ao conhecimento das condições de ensaio. Não obstante. da moldagem. . Resistência ao Cisalhamento dos Solos 6 σ’1 PPM = Plano Principal Maior ppm = plano principal menor σ’3 τ Plano de Ruptura φ’ ppm ppm φ' θ cr = 45  + 2 P c' θcr PPM σ’3 σ’1 σ. pólo. planos principais e de ruptura Podem ocorrer situações particulares para a equação da resistência de Mohr-Coulomb. Envoltória de Mohr-Coulomb. Os resultados desses ensaios são correlacionados com a resistência do solo. Os ensaios de campo mais utilizados são o ensaio de palheta ou vane test (usado para medir a resistência não-drenada de argilas saturadas) e os ensaios de penetração como o Standard Penetration Test (SPT) e o Cone Penetration Test (CPT).tgφ’). Certos solos são extremamente difíceis de serem coletados. σ’ Figura 1. A principal vantagem do ensaio de campo é a de ser mais representativo do maciço por envolver maior volume de solo.2. No laboratório os principais ensaios utilizados são o de cisalhamento direto e de compressão triaxial. grau de compactação e facilidade de aplicação de determinadas trajetórias de tensão nos corpos de provas. perturbação das amostras e a não representação do maciço como um todo.

Na parte (b) da Figura. Força Pedras normal porosas δv Força Transdutor cisalhante de força δ Rolamentos Plano de ruptura (a) τ τ Envoltória de resistência s’ = σ’.tgφ’ (b) τC (c) σA τB τmáx = τA τA τres δ (mm) σA σB σC σ Figura 1. pela área (A) da seção transversal do corpo de prova. Não se leva em conta nos cálculos a diminuição da área do corpo de prova ao longo do ensaio. Baseado no critério de Coulomb. as amostras podem ser do tipo indeformadas ou reconstituídas em laboratório por processos de compactação. verifica-se qual será o valor da tensão cisalhante que irá provocar a ruptura do solo. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 7 Ensaio de Cisalhamento Direto O ensaio de cisalhamento direto é o processo mais antigo de determinação da resistência dos solos. a curva tensão versus deformação obtida e a envoltória de resistência para diferentes pares de tensões. Os valores de tensão normal (σ) e cisalhante (τ) são obtidos dividindo-se os esforços normal (N) e tangencial (T). Aplicando-se uma força normal (N) ao corpo de prova.3) ilusta o esquema do ensaio. Não é possível a determinação dos . respectivamente. Repetindo-se o processo por pelo menos duas vezes. identifica-se a tensão de ruptura (τmáx) e a tensão residual (τres) que o cp ainda suporta após ultrapassada a ruptura. Cisalhamento direto: (a) Esquema do ensaio (b) curva tensão deformação (c) envoltória de resistência O ensaio apesar de sua praticidade apresenta certas deficiências. O ensaio é simples podendo ser realizado com deformações controladas (medindo-se as tensões obtidas) ou sob tensões controladas (medindo-se as deformações). é possível obter-se a envoltória de resistência do solo. O corpo de prova (cp) é colocado numa caixa de cisalhamento formada por dois moldes. A Figura (1. As principais leituras obtidas são de deslocamento horizontal (δ). Uma das partes permanece fixa na prensa enquanto que a outra pode se movimentar e aplicar um esforço tangencial (T) ao solo.3.O plano de ruptura já está definido a priori e pode não ser o mais fraco. vertical (δV) e tensão cisalhante (a tensão normal é constante para cada ensaio).

O ensaio triaxial é um ensaio mais completo que permite uma melhor avaliação dos parâmetros de resistência. é possível aplicar-se pressão na água que atuará em todo o corpo de prova. No caso das argilas. P = σ3.5D (D=3.0 ou 7. Figura 1. Equipamentos mais modernos permitem que o ensaio possa ser realizado de uma ou de outra forma sem que haja a necessidade da prensa. Outra maneira de se realizar o ensaio é colocar a câmara numa prensa que a deslocará para cima pressionando o pistão que permanece fixo (ensaio com deformação controlada). Como não existem tensões cisalhantes na base e na geratriz do cp.4) ilustra o equipamento utilizado num ensaio triaxial. portanto. O corpo de prova ficará sob um estado hidrostático uma vez que a pressão confinante irá atuar em todas as direções. principalmente das areias. o ensaio de cisalhamento direto tem sido utilizado apenas para a determinação da resistência dos solos. dissipar ou não as pressões neutras geradas pelo confinamento. A leitura de força é feita por meio de anel dinamométrico. O corpo de prova (cp) utilizado é de formato cilíndrico com altura (h) variando de 2 a 2. 2003) . procede-se então ao carregamento axial do cp. Nessa etapa. Ensaio de Compressão Triaxial O ensaio triaxial consiste na aplicação de um estado de tensões ao solo numa câmara (triaxial) com água. Esse carregamento é feito pela aplicação de forças no pistão que penetra na câmara triaxial (ensaio com carga controlada). 5. Não há como controlar a drenagem.5 cm) envolto por uma membrana impermeável. inclusive na vertical. Finda essa etapa de confinamento e mantendo-se a tensão confinante constante. o ensaio poderá ser realizado de forma lenta (condição drenada) e de forma rápida com carregamentos rápidos para impedir a saída de água (condição não drenada). ou seja. Isso é possível pela presença de pedras porosas na base e no topo do cp e pelas conexões da câmara que permitem a saída ou entrada de água. Se o ensaio é de carregamento.2. Os ensaios são feitos nas areias considerando-se que a drenagem ocorra e. ou seja. o plano principal maior será o plano horizontal estando o Pólo situado no mesmo ponto da tensão confinante (σ3). o corpo de prova poderá ser adensado ou não. Esquema utilizado no ensaio triaxial (BUENO & VILAR. os planos horizontais e verticais são os planos principais. Devido a essas dificuldades. A Figura (1.4. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 8 parâmetros de deformabilidade nem do módulo de cisalhamento. o problema é tratado em termos de tensões efetivas. Preenchendo-se a câmara com água. Essa pressão é denominada pressão confinante (σc ou σ3) .

As tensões medidas neste ensaio durante a fase de cisalhamento são tensões totais. Este ensaio é também chamado de ensaio “Q” (do inglês “quick”) ou simplesmente não-drenado “UU” (Unconsolidated Undrained). A escolha irá depender dos parâmetros e condições específicas de cada projeto. Em seguida. as curvas de tensão-deformação são obtidas em termos de tensão desviadora (σ1-σ3). Normalmente. Note-se que aqui. O ensaio é chamado lento “S” (do inglês “slow”) ou ensaio drenado “CD” (Consolidated Drained). define-se então a envoltória de resistência do solo em termos de tensões totais ou efetivas. O ensaio adensado-rápido (CU ou R) permite a drenagem do corpo de prova somente na fase de confinamento. Como na fase de ruptura. Outra alternativa é utilizar a teoria dos estados críticos. o máximo valor da tensão desviadora (Figura 1. de modo que todo excesso de pressão neutra no interior do corpo de prova seja dissipado. todo acréscimo de tensão será absorvido pela água intersticial e. Como no ensaio o valor de σ3 é constante. onde o cisalhamento ocorre a volume constante tanto para a situação drenada quanto para a não-drenada. os valores de pressão neutra desenvolvidos podem ser medidos. ensaio adensado rápido (CU ou R) e ensaio rápido (UU ou Q). Desta forma. não ocorrem acréscimos de resistência pelo aumento da tensão confinante. O teor de umidade do corpo de prova permanece constante e as tensões medida são tensões totais. no caso de ensaios realizados com contra pressão). Após a aplicação da pressão confinante espera-se que o corpo de prova adense. Neste ensaio. O critério para obtenção do máximo valor da tensão desviadora também pode ser arbitrado em função das deformações ou ainda através da resistência residual. nesse tipo de ensaio. aplica-se a pressão confinante até que o corpo de prova adense. No ensaio não-drenado (UU ou Q) não ocorre a dissipação de pressão de presão neutra em nenhuma das fases (confinamento e cisalhamento). portanto. existem três maneiras de se conduzir um ensaio triaxial convencional. Após vários ensaios com diferentes cps. Como a drenagem está impedida. Em seguida. a pressão neutra no cisalhamento permanece praticamente nula (ou constante. impede-se a drenagem fechando-se os registros e aumenta-se a tensão axial até a ruptura. Basicamente. Este ensaio é também chamado de ensaio rápido “R” (do inglês “rapid”) ou adensado rápido “CU” (Consolidated Undrained). . o ponto máximo da curva tensão-deformação corresponde a um círculo e no ensaio de cisalhamento direto corresponde ao ponto de ruptura. Portanto. na fase de ruptura. a tensão efetiva permanece inalterada. a tensão axial é aumentada lentamente. No ensaio lento (CD ou S) ocorre a permanente drenagem do cp. sem que se altere a umidade do corpo de prova. o comportamento obtido para o solo pode ser descrito tanto em termos de tensão total quanto em termos de tensão efetiva. ocorre a dissipação de pressões neutras nas duas fases e as tensões medidas são efetivas. ou seja. é possível obter-se o círculo correspondente ao estado de tensão para a ruptura.5). Na fase de confinamento. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 9 O ensaio triaxial é composto de duas fases: a fase de confinamento e a fase de cisalhamento. ou seja. a saber: ensaio lento (CD ou S).

Na compressão simples. σ1 τ (a) (b) Rc Rc (σ 1 − σ 3 ) Su = c = = 2 2 φ=0 Su = c ε (%) Rc σ.6. Compressão Simples: (a) Curva tensão-deformação (b) Círculos de Mohr .6) ilustra a curva tensão-deformação do ensaio e os respectivos círculos obtidos para a compressão simples e a envoltória não drenada para ensaios UU.tgφ (σ1-σ3)Residual φ σ3=cte (σ1-σ3)arbitrário para um dado ε c ε (%) σ. Para tanto. A Figura (1.5. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 10 (σ1-σ3) (σ1-σ3)máx τ (σ1-σ3)Estado crítico (a) (b) s = c + σ. sem fissuras e o cisalhamento deve ocorrer num tempo relativamente pequeno (inferior a 15 minutos) para que as pressões neutras não sejam dissipadas. σ3 = 0. Ensaio Triaxial: (a) Curva tensão-deformação (b) Envoltória de Resistência Ensaio de Compressão Simples Esse tipo de ensaio constitui uma particularidade do ensaio triaxial. σ’ Figura 1. a pressão confinante é a atmosférica. o solo deve estar saturado. σ’ Ensaios UU Figura 1. O ensaio pode fornecer uma estimativa da resistência não-drenada em ensaios do tipo UU. Isso faz com que a resistência à compressão (Rc) na ruptura se torne igual a σ1. logo. O ensaio só é possível em solos coesivos devido às condições de moldagem.

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Resistência das Areias

A situação drenada é a que melhor representa a resistência das areias devido às
condições de permeabilidade dos solos grossos. A resistência das areias é atribuída a duas
fontes: ao atrito propriamente dito (deslizamento e rolamento das partículas, umas por sobre
as outras) e a uma parcela de resistência estrutural representada pelo arranjo das partículas.
As principais características que interferem na resistência das areias são a
compacidade (em média, o ângulo de atrito interno no estado mais compacto é cerca de 7 a
10º maior do que o ângulo de atrito interno da mesma areia no estado mais fofo), o tamanho
(areias com partículas maiores apresentam valores de resistência ao cisalhamento um pouco
superiores), a forma e a rugosidade dos grãos e a granulometria. Areias mais compactas
apresentam maior resistência que as areias fofas. Quanto ao tamanho das partículas, tem-se
observado que as areias grossas apresentam maiores ângulos de atrito do que as areias finas.
Nota-se também que areias compostas de grãos angulares evidenciam maiores ângulos de
atrito do que areias de grãos mais regulares; partículas mais rugosas mostram também maiores
ângulos de atrito do que partículas mais lisas. A seleção das partículas interfere, grosso modo,
da mesma forma que a compacidade. Um solo bem graduado oferece melhores oportunidades
de entrosamento, podendo propiciar um solo mais compacto e, consequentemente, mais
resistente que um solo mal graduado. A água pouco influi na resistência da areia pois, de uma
maneira geral, o ângulo de atrito das areias úmidas é igual ao das areias secas, a menos de l°
ou 2°, o que permite conhecer o ângulo de atrito utilizando tanto amostras secas como
saturadas (em condições drenadas). Outro fator que interfere no ângulo de atrito,
principalmente para altas resistências, é a tensão intermediária principal (σ2). Ensaios de
deformação plana tendem a fornecer ângulos de atrito (φ’ps) de 4 a 8º maiores que os obtidos
em ensaios de compressão triaxial. Para resistência menores, os ângulos de atrito tendem a ser
iguais. A Tabela (1.1) ilustra os principais fatores que interferem na resitência das areais.

Tabela 1.1. Fatores que interferem na resistência das areias (HOLTZ & KOVACS, 1981)
Fator Efeito
Índice de vazios (e) e↑ φ’↓
Angularidade (A) A↑ φ’↑
Graduação (CNU) CNU↑ φ’↑
Rugosidade ® R↑ φ’↑
Água (W) W↑ φ’↓ (pouco)
Tamanho da Partícula (T) Nenhum efeito (para mesmo e)
Tensão principal intermediária φ’ps > φ’triaxial (φ’triaxial > 34º)
Pré-carregamento Efeito mínimo

Uma característica importante de se ressaltar no comportamento das areias saturadas é
o seu comportamento frente a solicitações rápidas em condições não-drenadas. No caso de
areias fofas, pode ocorrer a liquefação do maciço devido à sua baixa permeabilidade. O
conhecimento do índice de vazio crítico do solo (ecrít) possibilita ajustar-se um valor de
referência quanto a compacidade que servirá para separar a possibilidade ou não de liquefação
do maciço. Segundo Casagrande, o ecrit corresponde ao estado inicial de compacidade de um
corpo de prova o qual, submetido a um ensaio triaxial com tensão confinante constante, não
viesse a apresentar variação de volume entre o início do carregamento de cisalhamento e o
instante de ruptura. Taylor especifica a determinação do ecrit a partir de ensaios triaxiais a
volume constante. O ecrit seria representativo do estado inicial de compacidade do corpo de

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prova, quando as tensões de confinamento tanto no início do cisalhamento como no instante
da ruptura forem iguais.

Resistência das Argilas

A resistência dos solos argilosos se diferencia da dos solos arenosos por uma série de
fatores. O comportamento tensão-deformação de uma argila em carregamento hidrostático ou
típico de adensamento edométrico é bem distinto do comportamento das areias. As areias
apresentam curvas típicas para cada índice de vazios em que se encontrem. Seu estado inicial
de compacidade irá depender de sua formação em a natureza. Se as tensões empregadas não
forem elevadas, as variações nos índices de vazios serão insignificantes. Dessa forma, as
areais fofas continuam mantendo sua compacidade. Uma areia compacta pode ter sua origem
nos processos de deposição em a natureza ou ainda ser levada a essa situação por solicitações
como o efeito de vibrações. No caso das argilas, verifica-se que sua resistência depende de
seu índice de vazios inicial que é resultado de seu histórico de tensões e de sua estrutura.
Interferências na estrutura de solos residuais ou argilas sensíveis por amolgamento, na
amostragem ou no cisalhamento, são responsáveis por diminuição substanciais da resistência.
Nota-se que o comportamento tensão-deformação de diferentes corpos de prova com índices
de vazios iniciais diferentes, após atingirem suas respectivas pressões de pré-adensamento,
converge para uma única reta virgem de adensamento (PINTO, 2000).
O histórico de tensões experimentado pelo solo o conduz a um estado mais denso do
que o mesmo solo normalmente adensado. Alguns contactos entre partículas podem resultar
plastificados e permanecem mesmo após o descarregamento do solo, o que gera uma parcela
de resistência adicional nos solos pré-adensados. A relação de pré-adensamento ou sobre-
adensamento (RSA) fornece uma idéia das condições de adensamento do solo:

σ ' ad
RSA = (1.5)
σ'

onde: σ’ad é a tensão de pré-adensamento e σ’ é a tensão efetiva atuante

Quando o cisalhamento ocorre, uma argila pré-adensada irá experimentar expansões
volumétricas assemelhando-se ao comportamento tensão-deformação das areias compactas
drenadas. As argilas normalmente ou levemente pré-adensadas (RSA<4) assemelham-se às
areias fofas e experimentam, portanto, reduções de volume quando cisalhadas.
Como os solos argilosos apresentam baixas permeabilidades, ocorrerá dissipação lenta
das pressões neutras frente às solicitações. Daí, a necessidade de se conhecer essas condições
de dissipação para cada caso específico de carregamento. Isso pode ser feito pelos ensaios
triaxiais citados anteriormente (ensaios CD, CU e UU).

Em condições drenadas (ensaios CD), os solos normalmente adensados apresentam
envoltórias de resistência passando pela origem ou com interceptos de coesão (c) próximos a
zero. Os solos pré-adensados apresentam uma pequena parcela de resistência adicional
caracterizada pelo intercepto de coesão. Esse acréscimo de tensão pode ser explicado pela
constatação experimental de que quando ocorre diminuição do índice de vazios, a resistência
do solo aumenta. O pré-adensamento induz contactos plastificados que permanecem com a
retirada das cargas. Nesse tipo de ensaio, a resistência é crescente com o aumento da pressão
confinante (σ3). As seguintes equações são obtidas:

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s = τ = σ’.tgφ’ (1.6) (solos normalmente adensados)

s = τ = c’ + σ’.tgφ’ (1.7) (solos pré-adensados)

Em condições não-drenadas (ensaios CU), a fase de ruptura é realizada sem drenagem.
Dessa forma, é possível a obtenção de envoltórias totais e efetivas. A envoltória efetiva obtida
é aproximadamente igual à envoltória otida no ensaio CD. Ressalta-se que no ensaio CU, a
ruptura ocorre porque as tensões efetivas atingiram valores críticos. Portanto, os círculos em
termos de tensões totais resultam dos círculos em termos de tensões efetivas.
Os solos normalmente adensados apresentarão envoltórias de resistência passando pela
origem:

s = τ = σ’.tgφ’ (1.8) (tensões efetivas)

s = τ = σ.tgφ (1.9) (tensões totais)

Nos solos pré-adensados, a tensão efetiva torna-se maior que a total pelo
desenvolvimento de pressões neutras negativas (Figura 1.7). Isso ocorre pelo fato da variação
de volume ser no sentido de expansão em função da ausência de drenagem. Os círculos de
tensões efetivas (E) situam-se à direita dos círculos de tensões totais (T).

Figura 1.7. Envoltória de resistência no intervalo pré-adensado (BUENO & VILAR, 2003)

As envoltórias em solos saturados pré-adensados serão do tipo:

s = τ = c’ + σ’.tgφ’ (1.10) (tensões efetivas)

s = τ = c + σ.tgφ (1.11) (tensões totais)

Em se tratando da situação não-drenada, em ensaios UU, a drenagem estará impedida
durante a fase de confinamento e cisalhamento. Isso faz com que pressões neutras sejam
geradas no cp nessas duas fases. Na fase de confinamento, a pressão confinante irá gerar
pressão neutra de igual intensidade no cp. Isso faz com que o acréscimo de tensão confinante
apenas desloque os círculos de tensão total para a direita. De imediato, constata-se que não
haverá ganho de resistência pelo aumento do confinamento uma vez que não houve aumento
na tensão efetiva. O círculo efetivo será único (Figura 1.8).

Resistência ao Cisalhamento dos Solos 14 τ φ’ φ=0 Su = cu σ. σ’ Figura 1. Cada ensaio CU com pressão confinante igual à tensão efetiva da amostra será aquele que irá apresentar resultado idêntico ao dos ensaios UU para a mesma amostra.8.15) Essa expressão mostra que resistência não drenada depende da tensão efetiva a que o solo estará submetido e da pressão de pré-adensamento.12) 2 cu é a coesão não drenada e Su é a resistência não drenada.(σ 0' )1− m .14) σ0  sa  σ 0  na m é um expoente com valor da ordem de 0. PINTO (2000) apresenta as relações da resistência não drenada (Su) a partir da tensão confinante de adensamento (σ’0).( RSA) m (1. O ensaio mais comum é o ensaio de palheta ou vane test. Diversas correlações também podem . Su = RRna (1.13) σ 0'  Su  S   '  =  u'  . Essas relações são chamadas de razão de resistência para a situação de argila normalmente adensada (RRna) e sobreadensada (RRsa).8. As duas expressões acima podem ser rearranjadas da seguinte forma: S u = RRna . A resistência não drenada também pode ser determinada através de ensaios de campo. A resistência não-drenada pode também ser obtida através de ensaios do tipo CU. Envoltória não-drenada de solos argilosos A equação característica de resistência é do tipo: (σ 1 − σ 3 ) S u = cu = (1.(σ ad ' )m (1.

Por exemplo. pois imediatamente após a construção tem-se a situação mais crítica. então. ao término da construção. a construção rápida de um aterro sobre um depósito de argila mole de baixa permeabilidade como se representa na Figura (1. VILAR (2002) e MASSAD (2003). determinar a resistência disponível.9. Embora existam também procedimentos teóricos para calcular pressões neutras. as análises . com todas as pressões neutras atuando. induzirá pressões neutras nas argilas as quais. No presente caso. São Carlos – Autores: Benedito de Souza Bueno e Orencio Monje Vilar). constata-se que seria aplicável a resistência não drenada obtida em ensaios rápidos. Aplicação dos Resultados de Ensaios a Casos Práticos (A partir daqui. pode-se ter a tensão efetiva e com o emprego da envoltória em termos de tensão efetiva. PINTO (2000). Figura 1. o que nem sempre é fácil ou possível. Se julgarmos válido o princípio das tensões efetivas então é lícito imaginar que a “verdadeira” resistência do solo é aquela determinada em termos de tensões efetivas.9). porque é necessário conhecer as pressões neutras existentes no problema em questão. Apresentaremos adiante outros exemplos. Entretanto. praticamente sequer terão começado a dissipar. Uma vez sendo possível o conhecimento das pressões neutras e conhecendo as tensões totais atuantes. À medida que passa o tempo. Frente à variedade de ensaios existentes e às diferentes resistências obtidas surge a inevitável pergunta: Qual ensaio e qual resistência utilizar num determinado problema? É óbvio que cada ensaio busca reproduzir situações correntes na prática. O engenheiro deve contemplar as diversas etapas pelas quais passará a obra e procurar definir quais dessas etapas serão mais críticas. Maiores informações e detalhes sobre ensaios de campo e das correlações podem ser encontradas em SCHNAID (2000). persistem dificuldades de ordem prática para tal procedimento. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 15 ser utilizadas para a estimativa da resistência não drenada. Construção de um aterro sobre um depósito de argila mole Importante ressaltar que mesmo existindo algumas situações típicas não é possível padronizar roteiros: compete ao engenheiro detectar as situações críticas em cada problema e decidir que atitudes tomar. Existem duas formas de abordagem dos problemas de estabilidade: a análise em termos de tensões efetivas e a análise em termos de tensões totais. donde o mais correto seria empregar análises em termos de tensões efetivas. o texto foi extraído da Apostila de Mecânica dos Solos da EESC/USP. gradualmente vai se processando o adensamento e o esqueleto sólido passa a suportar mais tensões efetivas com ganho de resistência.

Como premissa básica desse tipo de análise. temos que o ensaio rápido busca representar situações em que não há tempo para a dissipação de pressões neutras geradas pelo carregamento aplicado. Muitas vezes este tipo de análise fornece resultados conservadores. Exemplo clássico de aplicação é na análise de estabilidade do talude de montante de uma barragem após rebaixamento rápido (Figura 1. sem possibilidade de dissipação das novas pressões neutras geradas. ocorresse uma solicitação rápida. b) sapata apoiada sobre argila Os ensaios adensado-rápidos seriam aplicáveis a situações onde o maciço estivesse em equilíbrio com as tensões aplicadas e em seguida. porém. O maciço.10). Figura 1. supõe-se que as pressões neutras existentes no caso prático em estudo são as mesmas que se desenvolvem nos corpos de prova submetidos aos ensaios representativos do caso em estudo.11. já adensado sob seu próprio peso. consiste em empregar resultados de ensaios não drenados. Exemplo de aplicação de ensaios adensado-rápidos . Exemplos de aplicação dos resultados de ensaios rápidos: a) barragem. Figura 1. por qualquer razão. fica sujeito às pressões neutras em seu interior.11). Retornando à discussão sobre a aplicação dos resultados dos diversos ensaios. final do período construtivo. Outros exemplos de aplicação seriam a análise da estabilidade de barragens no fim da construção e o cálculo da capacidade de carga inicial de fundações apoiadas sobre argilas (Figura 1. ainda a de aplicação mais freqüente. que antes estavam equilibradas pela água do reservatório. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 16 em termos de tensões efetivas nem sempre são de emprego corrente. A análise em termos de tensões totais. A baixa permeabilidade impede a imediata dissipação das pressões neutras surgindo a possibilidade de uma ruptura rápida. pois por mais rápida que seja a obra é preciso reconhecer que poderá haver tempo para alguma dissipação de pressão neutra.10. Trata-se então de situações em curto prazo ou de fim de período construtivo. é forçoso reconhecer que a tendência é no sentido do emprego desse tipo de análise.

como as demais em Mecânica dos Solos. Exemplos de aplicação dos resultados de ensaios drenados: a) talude de jusante submetido à percolação. Exemplos seriam a estabilidade do talude de jusante de barragens.13. onde a descompressão pela retirada de solo provoca reduções de resistência ao longo prazo (Figura 1. A despeito dessas restrições. tal correlação. após o fluxo de água ter se transformado em permanente e a estabilidade de cortes em maciços naturais. não é comum a realização de ensaios lentos. Evidentemente. quando houver possibilidade de dissipação das pressões neutras geradas. A envoltória de resistência drenada é determinada usualmente a partir de ensaios adensado-rápidos com leituras de pressões neutras. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 17 Quanto ao ensaio drenado. A Figura (1. 1971 – adaptado). podem-se obter dados úteis em fases iniciais de projeto e na verificação de resultados de ensaios.13) mostra uma correlação entre o ângulo de atrito drenado e o índice de plasticidade em argilas normalmente adensada. evidentemente seus resultados se aplicam a análises de estabilidade em longo prazo. ou quando estas forem independentes das tensões totais atuantes. não deve ser utilizada indiscriminadamente dada a dispersão de resultados e a comportamentos diferenciados comumente observados. Correlação entre φ’ e IP para argilas normalmente adensadas (US Navy.12. . A Tabela (1.2) que se apresenta a seguir sintetiza parâmetros de resistência utilizados em vários projetos ou obtidos em pesquisa. Figura 1. b) corte de um talude Como já se frisou. 40 30 desvio méd padrão ia φ' ( ) 20 10 5 0 20 40 60 80 100 IP (%) Figura 1.12).

. . 0 24 St=40. . .22 16. . St. 0. .5 ( R sat) Barragem de terra – Catalão . . . argila silto-arenosa 50 a 70 23 a 35 . 25 a 12 (Q) > – Itumbiara.93g/cm3. areia média a fina (C) .5 2 kgf/cm 4. silte argiloso micáceo 30 a 45 10 a 25 . . barragem Porto 3.8 22 (R) 0.42 30 . argila siltosa vermelha (basalto) (C) 51 - 23 - - 20.9 24 (Q ) Maciço compactado. 2. 29 (S) σ´ad= 4 a 5 kgf/cm 2 9. 0 28. . . I. .5 (Rsat) 0.65 23.78 . . 1. 0. areia fina a média com . .55 a 5. .2. - Vermelha (coluvionar) (I) . ciço compactado da margem direita 2.9 (ABGE. . . . (6) da barragem de enrocamento de 6. - de terra (10) da barragem de Água 10.9 a . .7 (Q) . 0. 11. 0.Gotta River. .6 22 (Q) .4 24.70 8. . .5 19 (Q) 0. 0. .5 7m prof. 0. da barragem de Ilha Solteira Solo de fundação.5 a 2. barragem Porto Colômbia (solo de basalto) . barr. .79 0. .Tabela 1. .52 a 1.5 (Q) 0. . - 7. . argila silto-arenosa (C) 40 a 60 14 a 28 1. 0 41 Furnas pedregulhos (quartzito) .75 10 (Rsat) . . . 1983).6 7m prof. . 2.4.57 20.4 26 (S) 40 8 1. .7 (R) .9 - 12 (Q ) Maciço compactado.75 1.EESC-USP).4 26 ( R sat) Colômbia γsat=1.7 13 a 20(Q) . . . 0 19 . .Drammen – Noruega C. 11 (Relatório Interno. . argilas normalmente 127 92 .GO 12. .Gotta River –Suécia 60 30 .Suécia 39 18 . . silte arenoso - . margem direita.5 St=12. . . . . 8. . 1. Parâmetros de resistência usados em projetos e pesquisas 18 LL IP γd máx w ot γs c φ c´ φ´ Local/Obra/Observações Solo (%) (%) (gf/cm3) (%) (gf/cm3) (kgf/cm2) (o) (kgf/cm2) (o) Filtros (1) e transições (2) do ma- 1. . . - Maciço margem direita (9) e solo (coluvionar) (I) . .Canadá adensadas (I) 60 33 .75 26.Oslo – Noruega 38 18 .7 . barragem de Bariri - 14 (Q) < Solo de fundação.2. . . .9 1. .Departo.25 17 (Rsat) 0.5. 34. . . .1 2. . . (gnaisse) (I) . .7.5 . .γsat=1.67 20. 0 32 St=5.2 19. .sensibilidade// Fontes: 1.70 . .8. .78 0. 0.2 24 (S) 1. w=wot micáceo (C) . argila arenosa .5-36. . argila pouco siltosa 40 a 60 18 a 28 1. 0. .95 0. . .5 19.6.5 St= 5. 1960)// 1kgf/cm2 = 100kN/m2. .indeformado.11 28.2.54 .5 . Parâmetros de moldagem: CC=96%.92 22 (R) 0 29 (S) superficial de fundação dos maciços . 12 (Bjerrum and Simons.87g/cm3. . 1gf/cm3=10kN/m3 . Geotecnia.3-0. 2. . argila arenosa . maciço MD. . . .60 a 23.3 - - - 1. . 0.43 e (solo de basalto) (I) . . 0 30.80 11 a 14 2. 0-0. a 1. 1. σ´ad=0.2 σ´ad=9kgf/cm 2 28 ( R sat) 5. . 1. areia fina argilosa (C) 23 a 33 8 a 14 > 1.70-2.2 2.5 18 (Q) 0 33 ( R e S) Núcleo impermeável (5) e transição (solo de xisto) (C) . .3 11 (Q) 18 (R) 1. . . . .Seven Sisters.Compactado. . .

25 a 0.25 Argila fortemente sobreadensada -0. determinados para o instante de ruptura (Tabela 1. Os parâmetros A e B podem ser deduzidos teoricamente. Para a determinação do parâmetro A deve-se atentar para as pressões neutras (∆u 2 ) despertadas durante o cisalhamento do solo. Para solos totalmente secos. e para solos parcialmente saturados.75 a 1. pois todo acréscimo de tensão confinante origina igual aumento de pressão neutra. podem ser determinados experimentalmente. B = 0 .3. O parâmetro B pode ser determinado quando se aplica a tensão confinante ∆σ 3 ao corpo de prova.00 Argila arenosa compactada 0. tem-se: u = B ⋅ ∆σ 3 (1.75 Argila levemente sobreadensada 0 a 0. Apresentam-se a seguir alguns valores típicos do parâmetro A. B = 1 .3). concluir que se está trabalhando com um solo saturado. Tabela 1.Valores típicos do parâmetro de pressão neutra A Tipo de Solo A Argila de alta sensibilidade 0.17) ∆u1 Onde: B = ∆σ 3 Pode-se. De acordo com a expressão de Skempton: 1 ∆u 2 A= ⋅ (1. denominados de parâmetros de pressão neutra. devendo-se considerar as compressibilidades da estrutura do solo (C S ) e da fluída (C F ) . Para detalhes acerca dessa dedução pode-se consultar SKEMPTON (1954).16) Os parâmetros A e B. B deve variar entre 0 e 1. que pode ser posta da seguinte forma: [ ∆u = B ∆σ 3 + A(∆σ 1 − ∆σ 3 ) ] (1. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 19 Os Parâmetros de Pressão Neutra Em várias situações na prática é necessário fazer uma previsão acerca das pressões neutras geradas por acréscimos de tensões totais. fazendo-se variar ∆σ 3 e ∆σ1 de acordo com as variações que essas tensões venham a experimentar no problema em estudo. estando impedida a dissipação de pressão neutra.50 Pedregulho argiloso compactado -0. de imediato. Conhecida a pressão neutra (∆u 1 ) gerada por ∆σ 3 e sabendo que ∆σ1 = ∆σ 3 .50 a 1. SKEMPTON (1954) propôs uma expressão para essa previsão.59 a 0 .50 Argila normalmente adensada 0.18) B ∆σ 1 − ∆σ 3 O parâmetro A varia para as distintas condições de tensão-deformação impostas ao solo.25 a 0.

14). Uma representação mais elegante para o pretendido seria tomar apenas um ponto de cada círculo. porém note que seria impraticável por razões de clareza representar todos os estados de tensões. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 20 Trajetória de Tensões Até o momento utilizou-se o círculo de Mohr para representar o estado de tensões em um ponto em equilíbrio. Observe que: q = q' e p = p '+u (1.14. por convenção. s' σ1 + σ3 uM 2 Figura 1.σ3 u B σ3 = cte. Imagine que se quisesse representar os sucessivos estados de tensões porque passa um maciço ou mesmo um corpo de prova. Sirva de exemplo o que ocorre com um corpo de prova submetido a um ensaio adensado rápido.20) 2 2 O lugar geométrico dos pontos representativos constitui a chamada trajetória de tensões. M σ1 .21) e. A εa (b) τ (c) t σ1' + σ3' 2 u T u σ1 . .σ3 = E 2 σ1' .σ3 σ3 = cte. Ensaio de compressão triaxial adensado-rápido e trajetórias de tensões No diagrama σ x τ aparecem apenas três círculos de Mohr. quando σ 3 〉 σ1 resulta q 〈 0 . A trajetória de tensões passa a ser representada num diagrama p x q. que representa o que ocorre no solo quando este passa de um estado de tensões para outro.19) 2 2 σ1 + σ 3 σ1 −σ 3 p= q= (tensões totais) (1. (a) σ1 . como por exemplo o ponto onde atua τ máx que tem coordenadas: σ '1 +σ '3 σ '1 −σ '3 p' = q' = (tensões efetivas) (1. com leitura de pressões neutras (Figura 1. o que pode ser feito em termos de tensões totais (TTT) ou efetivas (TTE). σ ' s.σ3' 2 σ3M ' σ3B ' σ 3A ' σ1A ' σ1B ' σ1M ' σ1M σ.

a relação entre as tensões horizontais e verticais. σ3 σ  ou seja. consolidação e posterior descarregamento do solo (que pode ser provocado por erosão das camadas superiores. ∆σv ou σv σh ou ∆σh t a o t e 45 Ko c a e o 45 A b o s' s' -t f d f d -t (a) (b) a: ∆σh = 0 . Na Figura (1. a trajetória f esquematiza a situação do empuxo ativo. σ h' Ko = (comumente σh’=σ3’ e σv’=σ1’) (1.22) σ v' Observe que as trajetórias esquematizadas podem representar várias situações comuns na prática. ∆σv = 0 f: ∆σh = 0 .). σ1  σ1  procurando simular a deposição e consolidação de um maciço natural. = 1 .15. para o caso em que não há deformação lateral. é chamado de coeficiente de empuxo em repouso. amostragem.σh' to = =0 d: ∆σh aumenta . Resistência ao Cisalhamento dos Solos 21 A Figura (1. . ∆σv diminui (descompressão vertical) Figura 1. Exemplos de trajetórias de tensões A Figura (1.b) o adensamento foi anisotrópico  3 ≠ 1  . ∆σv = 0 2 e: ∆σh diminui . Por exemplo.15a) mostra uma série de trajetórias para distintas condições de carregamento de um corpo de prova inicialmente adensado sob um estado hidrostático.15. ∆σv aumenta (compressão vertical) σv' + σh' b: ∆σh = ∆σv so' = = σ3c ' 2 c: ∆σh = . Nesta situação. etc.16) ilustra o andamento da deposição.∆σv σv' .

Resistência ao Cisalhamento dos Solos 22 t Kr Ko q 1− Ko αo = tgα o = p 1+ Ko A K o = cte descarregamento s' deposição e consolidação Figura 1. com os valores de (σ1 − σ 3 )máx (os círculos correspondentes aos demais corpos de prova foram omitidos). Existe uma relação entre as duas envoltórias. σ1 .18). . A Figura (1. determinar uma envoltória para as trajetórias. Notar que é possível determinar além da envoltória das trajetórias determinada para a ruptura. Relação entre as envoltórias de resistência a das trajetórias sen φ = tgα → φ = arcsen(tgα ) (1.23) a c= cos φ Essas relações são genéricas. podendo ser utilizadas tanto para tensões totais como para efetivas.σ3 τ = s = c '+ σ ' tg φ' φ' τ t s Kr α' Linha K r : t = a' + s' tg α' Trajetórias correspondentes a diferentes corpos de prova ε c a' σ3 σ1 σ '.16. Deposição e consolidação sem possibilidade de deformações laterais e posterior descarregamento da amostra de solo É possível.17. várias envoltórias que fornecem as resistências mobilizadas para dados níveis de deformação (Figura 1. analogamente ao que ocorre com as envoltórias de resistência. como é fácil verificar.17) ilustra as duas envoltórias determinadas para um solo. s ' Figura 1.

as pressões neutras são negativas. Os ensaios de laboratório usualmente empregados para os solos argilosos são os ensaios não drenados (triaxial rápido ou compressão simples). empregando as curvas tensão–deformação dos ensaios de resistência desta última forma de determinação. como se mostra na Figura (1.19. Trajetórias para diferentes níveis de deformação Finalizando. Pressões neutras nas trajetórias Parâmetros Elásticos do Solo A despeito do solo não ter um comportamento elástico. cabe destacar que a trajetória em termos de tensões efetivas (TTE) acha-se deslocada na horizontal da trajetória de tensões totais (TTT). para ressaltar o seu comportamento inelástico.18. que recebe o nome de módulo de deformabilidade (M). s' Figura 1. Um material linear.argilas pré-adensadas s. A inexistência de relações teóricas que consigam retratar com eficiência e razoável simplicidade o comportamento dos solos justifica esse procedimento.σ3 t = a' + s ' tg α ' (pico) * t α' t2 = a2' + s ' tg α2' (εa = 2 %) * * α2' * t1 = a1' + s ' tg α1' (εa = 1 %) α1' * * 1 2 εa (%) a' a'1 s. . são várias as situações onde é necessário empregar os conceitos de Teoria da Elasticidade.19). t ∆u > 0 ∆u < 0 1. Caso TTE se situe à esquerda de TTT. as pressões neutras são positivas e caso ocorra o contrário. argilas normalmente 1 TTT adensadas TTE TTT TTE 2 2. s' Figura 1. do valor correspondente à pressão neutra no instante considerado. No caso de solos. como na prova de carga sobre placas e no ensaio pressiométrico e de ensaios de laboratório. pois se admite que as deformações elásticas se processam rapidamente antes que haja tempo para que as pressões neutras comecem a se dissipar. alguns autores preferem definir um módulo análogo ao de elasticidade. Os parâmetros elásticos podem ser obtidos de ensaios de campo. homogêneo e isotrópico necessita de dois parâmetros para a sua caracterização: o módulo de Elasticidade (E) e o coeficiente de Poisson (ν). Resistência ao Cisalhamento dos Solos 23 σ1 .

e à restituição das tensões que atuavam “in situ”. A principal razão apontada refere-se ao amolgamento de amostra.20.20). ou ensaio de cone (Dutch cone).21.24) Os valores inferiores aplicam-se a argilas de alta plasticidade e os superiores a argilas de média a baixa plasticidade. a particularidades da amostra. Para superar esses problemas tem-se sugerido (WINTERKON and FANG. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 24 Existem basicamente duas formas de se definir o módulo de elasticidade a partir da curva tensão-deformação: o módulo tangente à origem e o módulo secante para um dado nível de tensão ou de deformação (Figura 1. Para os solos arenosos têm sido proposto relações baseadas no ensaio de penetração contínua. em condições não drenadas. Módulo de elasticidade obtido em ensaios cíclicos Existem também tentativas de relacionar o módulo de elasticidade com a resistência não drenada. após ter-se adensado o corpo de prova com as tensões existentes “in situ”. até que haja constância nos valores obtidos (Figura 1. . uma das mais citadas na literatura deve-se a BJERRUM (1972): E = (500 − 1500 )S u (1. Entretanto tem-se observado uma grande dispersão de resultados o que implica a necessidade de precauções na escolha desses resultados. SCHMERTMANN (1970) sugere: E = 2 ⋅ qc (1. como microfissuras. Dentre as várias relações. 1975) submeter o corpo de prova a sucessivos estágios de carregamento (até a tensão de trabalho) e descarregamento. Para cada carregamento. Figura 1.21). determina-se o módulo tangente para metade da tensão de trabalho. Figura 1. τ u .25) Onde: qc = resistência de ponta no ensaio de penetração contínua. Módulo de elasticidade tangente à origem e secante Um procedimento bastante usual é tomar o módulo secante para um nível de tensão determinado em laboratório e os módulos obtidos em campo.

Tabela 1. A grande dificuldade surge na medida de deformações laterais nos corpos de prova e a representatividade desta medida.26) 1+ Ko No caso das argilas saturadas se admitem-se deformações a volume constante. . empregando ensaios triaxiais e a teoria da elasticidade. onde os parâmetros E e ν permanecem constantes. como por exemplo. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 25 Os ensaios de cone nem sempre são realizados com freqüência. 1970). Felizmente. assumir valores ou determiná-los de forma indireta. Uma correlação com os resultados dos ensaios de penetração (SPT) realizados nas sondagens de simples reconhecimento é apresentada na Tabela (1. Em outras situações.22).pedregulhos arenosos e pedregulhos 6. com a densidade e com a velocidade de deformação. Por estas razões costumam-se. No método não há necessidade de medir deformações laterais do corpo de prova e é apresentado um fator de segurança quanto à linearidade da relação tensão-deformação. tais como a heterogeneidade na distribuição de tensões e variações de volume. 1963).areias grossas e areias com poucos 5. nos problemas práticos. com o amolgamento da amostra. Existem também tentativas de se representar a relação tensão-deformação em solos através de equações não lineares. porém deve-se ter sempre em conta as limitações inerentes aos resultados do “Standart Penetration Test”. a partir do coeficiente de empuxo em repouso (também de determinação difícil experimentalmente): Ko υ= (1.siltes. obviamente.4). com o aumento da umidade e que ele aumenta com a tensão de confinamento.0 siltes com pouca coesão . Correlação entre a resistência de ponta (qc) de ensaio de cone e o índice de resistência à penetração (SPT ou N) (SCHMERTMANN. siltes arenosos e misturas de areias e 2. os valores devem ser diferentes. SOUTO SILVEIRA (1965) desenvolveu um método para cálculo de elasticidade e do coeficiente de Poisson. assumir o valor υ = 0. areias e areias pouco 3.0 Dentre os fatores que interferem no módulo de elasticidade. constata-se que na maioria dos cálculos práticos essas variações do coeficiente de Poisson influenciam pouco os resultados. com a relação de pré-á- adensamento (RSA).4.areias finas a médias. cujo desenvolvimento vem a seguir (Figura 1.5 não foge muito da realidade. tem-se notado que ele diminui com o nível de tensões. Se para a definição do módulo de elasticidade persistem grandes entraves.5 siltosas . estes aumentam quando se trata de determinar o coeficiente de Poisson.0 pedregulhos . SOLO qc / N . como a hiperbólica (KONDER & ZELASCO. quando se consideram efeitos locais.

e K e n = valores numéricos determinados experimentalmente. Tabela 1. apresentam-se alguns valores típicos do módulo de elasticidade (Tabela 1. 1970).40 Argila média 45 – 90 Argila dura 70 – 200 Argila arenosa 300 – 425 Argila siltosa 50 – 200 Areia fofa 100 – 250 Areia compacta 500 – 1000 Areia compacta e pedregulhos 800 – 2000 Silte 20 . patm = pressão atmosférica.27) a + bε σ1 −σ 3 O Módulo de Elasticidade tangente inicial (Ei) será: 1 Ei = (1.29)  p atm  Onde: σ3 = tensão confinante.22.6) adaptados de BOWLES (1977).200 Obs. Módulos de elasticidade típicos SOLO E (kgf/cm2) Argila muito mole 3 – 30 Argila mole 20 . Finalizando. possíveis de serem determinados ponto a ponto ou para incrementos de tensões.5.5) e do coeficiente de Poisson (Tabela 1. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 26 Figura 1.28) a A dependência do nível de tensões pode ser verificada através da seguinte expressão: n  σ  Ei = K ⋅ p atm  3  (1. o que é de muita utilidade em análises numéricas como no método dos elementos finitos (DUNCAN & CHANG.: 1 kgf cm 2 ≅ 100 kN m 2 . Relação tensão-deformação hiperbólica A curva pode ser representada então por: ε ε σ1 −σ 3 = ou = a + bε (1. Os conceitos podem ser estendidos para a determinação dos módulos tangenciais.

7) 0.10-0.15 Areia compacta fina (e=0. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 27 Tabela 1.30-0.20-0.7) 0.40-0. Coeficientes de Poisson típicos SOLO ν Argila saturada 0.30 Silte 0.4-0.40 Areia compacta grossa (e=0.4-0.6.35 Areia compacta 0.25 .20-0.30 Argila arenosa 0.50 Argila parcialmente saturada 0.

4 0.20 2 3.6 2.0 3.1 2 4.00 2. Resolução: Exemplo 2: Resultados de ensaios de compressão triaxial adensado-rápido. em um solo saturado. c) As tensões no plano de ruptura para o CP2.00 1. com leituras de () pressão neutra R . CP σ3 σ1 u σ 3' σ1' 1 2.8 1.75 3 5.5 1. b) A envoltória de tensões efetivas.00 1.2 4.0 7. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 28 Exercícios Resolvidos: Exemplo 1: Resultados de ensaios de cisalhamento direto com um solo arenoso: CP σ τ 1 2.2 Determinar: a) A envoltória de tensões totais.0 2. . b) A tensão principal maior no instante da ruptura para o CP2.90 Determinar: a) A envoltória de resistência do solo.

e como φ ' = arc sen tg α ' . 124) o o 3 . Resistência ao Cisalhamento dos Solos 29 Resolução: Com os dados de σ e u. α ' = 24. bem como as leituras de pressão neutra de um corpo de prova de solo normalmente adensado.0 kgf / cm 2 e depois de rompido de forma não drenada (ensaio adensado rápido). 500 400 R (186. σ’ (kPa) Exemplo 3: A curva tensão-deformação. Determinar: a) A trajetória de tensões para o corpo de prova e os parâmetros de resistência do solo. encontram-se representadas a seguir.7 33.2 o . Resolução: a) Com os valores lidos no gráfico tensão-deformação é possível calcular ( ) ( ) p = σ + σ 3' / 2 e q ' = σ1' − σ 3' / 2 .7 300 t g3 τ σ’ o s= 5. calcula-se σ’ (σ’ = σ –u). Assim R C = (σ1 − σ 3 )máx = 3.7 0 . b) A resistência à compressão simples de um corpo de prova do mesmo solo que foi inicialmente adensado com uma tensão de 3. Da Figura. submetido a um ensaio triaxial adensado rápido. Como o solo é normalmente adensado. 2 . que fornecem a trajetória de tensões para o corpo ' ' 1 de prova. c=0.8 o (kPa) 200 s= σ tg 1 15. temos φ ' = 26.3 kgf / cm .8 R2 100 0 0 P 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 σ. A Figura esquematiza as envoltórias e o plano de ruptura para o CP2.0 kgf/cm2. ( ) b) O corpo de prova na compressão simples deve apresentar a mesma resistência a compressão ((σ1 − σ 3 )máx ) que o corpo de prova adensado com σ 3 = 3.

Resolução: A Figura a seguir mostra os círculos de Mohr e a envoltória obtida. .00 Determinar a envoltória de resistência não drenada. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 30 400 σ1 .50 3 4. t’ E (kPa) 100 0 0 100 200 300 400 500 s. s’ (kPa) Exemplo 4: Resultados de ensaio de compressão triaxial (Q) com amostras de argila siltosa compactadas: CP (σ1 − σ 3 )máx σ3 2 (Kgf/cm ) (kgf/cm2) 1 2.50 2 3.14 3.σ3 (kPa) +M 300 σ3c = 300 kPa 200 u 100 0 0 4 8 12 16 20 εa (%) α’ 200 M T t.60 0.28 1.

tg 12 s = 95 200 100 0 0 100 200 300 400 500 600 700 σ (kPa) . Resistência ao Cisalhamento dos Solos 31 τ (kPa) 12 o kPa o + σ .

consideravelmente menores (resistência residual). compressão triaxial e compressão simples. O critério de resistência mais utilizado em Mecânica dos Solos é o de Mohr-Coulomb que especifica que a resistência é função da tensão normal. relação de pré-adensamento e amolgamento. Argilas pré-adensadas e areias compactas exibem resistências pós-pico. 9. . O módulo de elasticidade de um solo pode ser tomado tangente à origem ou secante para um dado nível de tensões ou de deformações. condicionam essa resistência. para grandes deformações. 7. Areias fofas e argilas normalmente adensadas mostram reduções de volume quando cisalhadas. O atrito nas areias deve-se a duas fontes: uma devida ao atrito propriamente dito e que se manifesta por deslizamento e por rolamento e outra devido a dilatância. Argilas pré-adensadas exibem maiores resistências que as mesmas argilas normalmente adensadas. as tensões efetivas. 14. Areias compactas e argilas fortemente adensadas apresentam comportamentos semelhantes quando cisalhadas: resistências máximas para pequenas deformações e aumento de volume. 12. 8. Resistência ao Cisalhamento dos Solos 32 Sinopse: 1. histórico de tensões e faixa de tensões de interesse. Os ensaios de laboratório correntemente utilizados são: cisalhamento direto. τ = c'+σ ' tgφ ' onde τ. bem como a dependência do módulo de elasticidade com o nível de tensões. 13. resulta de tensões interpartículas (tensões “internas”ou “intrínsecas”) proporcionadas por forças de natureza superficial (eletrostáticas.tensão efetiva φ’. A resistência dos solos resulta fundamentalmente de fenômenos de atrito. 6. portanto.ângulo de atrito efetivo 3. Há discrepâncias entre os resultados que se obtém em laboratório e campo de forma que comumente utilizam-se ensaios de campo (placas) para a determinação do módulo. 11. Solos saturados ensaiados em condições não drenadas mostram φ u = 0 . A resistência das argilas é basicamente influenciada pelas condições de dissipação das pressões neutras.coesão σ’. De acordo com tal critério pode-se escrever genericamente. A coesão quando não proporcionada pela cimentação entre partículas. num determinado plano. O emprego de trajetórias de tensões é uma forma elegante e muito útil de representar o andamento das tensões num corpo de prova ou num maciço. Existem teorias que permitem considerar relações tensão-deformação não lineares. dependem de uma série de fatores como. 2. A resistência do solo pode ser conhecida através de ensaios de campo e de laboratório. eletromagnéticas).resistência ao cisalhamento c’. O pré-adensamento é responsável pela introdução do intercepto de coesão na envoltória de resistência. O principal fator que interfere na resistência das areias é a compacidade. 10. As areias não cimentadas e as argilas normalmente adensadas têm uma envoltória do tipo: τ = σ ' tg φ ' . Os parâmetros de resistência c ' e φ ' não são constantes para um dado solo. 5. 4. que em última análise geram um fenômeno de atrito.

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