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MANUAL DO PREFEITO  | i

Manual do Prefeito
15ª edição

2 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL

Manual do Prefeito
15ª edição

Coordenação Técnica
Marcos Flávio R. Gonçalves

Rio de Janeiro – 2016

MANUAL DO PREFEITO  | 3

MANUAL DO PREFEITO – 15ª edição
Copyright Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM
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1ª edição: 1967; 2ª edição: 1970; 3ª edição: 1972; 4ª edição: 1976: 5ª edição: 1977; 6ª edição: 1982; 7ª edição: 1988; 8ª edição:
1989; 9ª edição: 1992; 10ª edição: 1996; 11ª edição: 2000; 12ª edição: 2005; 13ª edição: 2009; 14ª edição: 2012; 15ª edição: 2016.

Coordenação Técnica
Marcos Flávio R. Gonçalves

Coordenação Editorial
Sandra Mager

CIP. Brasil. Catalogação na Publicação
Centro de Documentação do IBAM – CEDOC-IBAM

M294

Manual do prefeito [livro eletrônico] / coordenação técnica Marcos Flávio R.
Gonçalves. 15. ed. rev. atual. - Rio de Janeiro: IBAM, 2016.

214p.

ISBN: 978-85-7403-049-4

1. Município. 2. Gestão municipal. 3. Desenvolvimento – Município 4. Democracia
– Brasil . I. Título.

CDU 352

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Apresentação
Aos recém-eleitos para o governo municipal os cumprimentos do IBAM. Aos reeleitos, os melhores votos de boas
realizações.
E como ocorre a cada quatro anos, lhes oferecemos a nova edição do Manual do Prefeito, revista e atualizada, sempre
sob a responsabilidade de especialistas experientes e qualificados.
As autoridades mencionadas acima e os agentes políticos em geral, gestores, servidores, estudiosos, especialistas
e interessados que queiram conhecer o que faz o Município poderão muito se beneficiar com a leitura.
Trata-se da 15ª edição, o que por si só revela a importância deste livro, que traduz para o dia a dia praticamente
todos os múltiplos campos de ação municipal.
O linguajar é acessível e acompanha os ensinamentos doutrinários e as decisões das instâncias judiciais que
interpretam o conjunto de leis que afeta a esfera municipal. Assim, espera-se facilitar a leitura e propiciar
segurança jurídica a todos.
Este livro, com a precisão técnica que o caracteriza, será fonte segura de consulta e orientação mantendo-se as
condições atuais de governança e governabilidade no país, ou em conjuntura de alteração das mesmas, uma vez
que trabalha a legalidade do Estado brasileiro.
O Manual do Prefeito consubstancia a missão do IBAM em suas mais de seis décadas de existência, nas quais
procurou – e conseguiu com significativa frequência – difundir informações e explicações sobre o Município
brasileiro, ente autônomo da Federação.
Detentor de direitos e obrigações que visam ao interesse público ou, em outras palavras, o bem-estar dos cidadãos,
o Município pode estar na iminência de ter de se recriar, no ritmo das reformas que estão em discussão no âmbito
da reestruturação que se anuncia para o Estado brasileiro e seu federalismo.
O IBAM, como sempre, continuará à disposição dos Municípios para tornar eficiente, efetiva e eficaz a gestão
que se inicia em janeiro, dedicando aos novos ocupantes dos cargos mandato pleno em respostas aos desafios e
oportunidades que se abrirão.

Paulo Timm
Superintendente Geral

MANUAL DO PREFEITO  | 5 Índice 1 O Município: marco jurídico 7 Capítulo 1 Autonomia e competência do Município 5 Capítulo 2 Atos de império: poder de polícia e intervenção na propriedade 15 Capítulo 3 Parcerias governamentais 29 Capítulo 4 O Prefeito Municipal 39 Capítulo 5 A Câmara Municipal 49 Capítulo 6 Processo Legislativo 62 2 O Município e o desenvolvimento local 70 Capítulo 1 Desenvolvimento econômico 75 Capítulo 2 Desenvolvimento social 83 Capítulo 3 Desenvolvimento urbano 96 Capítulo 3 Desenvolvimento sustentável 108 3 O Município e a gestão democrática 118 Capítulo 1 Participação popular no Governo Municipal 121 Capítulo 2 Gestão de serviços 130 .

6 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL 4 O Município e o desenvolvimento institucional 137 Capítulo 1 Planejamento municipal 141 Capítulo 2 Recursos humanos 155 Capítulo 3 Gestão financeira 173 Capítulo 4 Controle da Administração 198 Capítulo 5 Tecnologia da informação e comunicação 204 .

a Constituição da República e as leis que se aplicam a À medida em que questões relacionadas à diversidade essa esfera de Governo. com eleitores sem interferência do Estado. legislar. econômicas e culturais. . marcou reconhecimento de que o tratamento igual para a história dos Municípios no Brasil. deveres e obrigações. mesmo conjunto de direitos. dos Estados e do Distrito Federal. * Revista e atualizada por Maria da Graça R. é alvo de reflexão por parte dos na política em período inferior a 25 anos – como a profissionais que atuam na Administração Pública capacidade de o Município elaborar sua lei orgânica. E. com o proposições do movimento municipalista. representada por longo rol de temas jurídico relativo ao Município. em relação à população. art. agentes políticos. e objeto da atenção de gestores que. com autonomia idêntica crítica. em Ao Município foi atribuída competência para legislar relação às questões institucionais. local e administrar suas rendas – foram sacramentados ignora a diversidade da situação dos Municípios. 29. são avaliados por uma série de atribuições. das Neves. e se responsabilizar por mais preparados politicamente. se hoje parecem regras indiscutíveis. administradora e assessora técnica do IBAM. vigor. administrativas e de sobre assuntos de interesse local. em sua ênfase na autonomia municipal. 1º. prestar serviços de interesse A Constituição. a abordagem dada aos porque os tornou membros efetivos da Federação. consequentemente. ao incorporar importantes da consolidação da democracia no país. exercida pelos diversos Os capítulos que formam esta Seção tratam do marco entes federativos. em sentido amplo ganharam relevância e no rastro A Constituição de 1988. MANUAL DO PREFEITO  | 7 1 O Município: marco jurídico* Introdução a legislação federal e estadual no que couber e a competência dita comum. as pela redação dos arts. em face do que dispõem que devem ser objeto de ação por essas esferas. especialmente desiguais resulta em injustiça. 18. alcançá. à da União. que remete ao tratamento dado ao Município Aspectos que parecem corriqueiros aos que ingressaram na Constituição. entre estas a de eleger seus resultados. a teor do O fenômeno denominado “síndrome da simetria”. Municípios pela Constituição passou a receber visão como definido em seu art. considerando que todos estão aptos a cumprir com o las não foi tão simples. 29-A e 30 da Constituição em particularidades históricas. para suplementar gestão e.

Município brasileiro sofreu sucessivas alterações no pelo Governador do Estado (capitais e Municípios que respeita à sua posição no cenário federativo. e a autonomia aprimoramento do federalismo brasileiro. naquilo que respeitasse ao seu peculiar interesse. A Constituição promulgada em 1934 inovou em relação Questões ainda ao tratamento dado ao Município. as normas sobre autonomia financeira e administrativa Proclamada a República. em vários Federação. a Constituição de 1891 e manteve as limitações às eleições dos Prefeitos. entretanto. visitando as diferentes municipal. repetiu se utilizava a palavra Município). Império. está na concepção de pacto A Constituição de 1937 manteve a condição anterior. tanto que. que passou a ter sua pendentes: o atual pacto autonomia. Federação brasileira. considerados estâncias hidrominerais) e pelo Antes. o respeito à autonomia governamental no que respeita aos serviços comuns. Note-se que.8 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Embora listados na Constituição. casos. que se poderia dar pelo voto popular. não fora tal ausência. federativo Falou-se pela primeira vez em autonomia política A Constituição de 1988 organizou a repartição de (eleição de seus Prefeitos e Vereadores). datada de 25 de março de 1824. tudo quanto respeite ao seu peculiar interesse”. foi apelidada de “Constituição não lhe coube menção como ente constitutivo da municipalista”. o País era unitário. municipal. especialmente no concernente à escolha Constituições que o país teve. que ficou como nas duas Cartas anteriores. Nem sempre foi assim A Constituição de 1967 relativizou a autonomia Um passeio pelo tempo. sem forma que assegurasse a autonomia do Município. Município – para promover o e Territórios. por administrativa (organização de seus serviços). pois definido constitucionalmente ou em sua falta de também não incluiu o Município como componente da regulamentação? Essa palavra deve ser entendida não . A Federação tivessem obtido maior clareza a respeito do que cabe a permaneceu composta pelos Estados. não há. a Presidente da República (Municípios declarados de Administração era centralizada e a Constituição do interesse da segurança nacional). Distrito Federal cada um – União. mais tarde veio a ser revogado por meio de emenda. taxas e outras rendas) e político-administrativa do Município. permite observar que o dos Prefeitos. Estado. contudo. é possível que A redemocratização do País consolidou-se com a normas de cooperação entre as esferas de Governo Constituição promulgada em 1946. no período imperial. continha A Emenda Constitucional nº 1. manteve a apenas alguns artigos sobre as Cidades e as Vilas (não competência estadual para ditar a lei orgânica. formalização do que é da alçada de cada ente Permaneceu. o que contemplou referência ao Município. sem incluir o Município. com seus desdobramentos. financeira recursos de modo a dar maior visibilidade à dimensão (decretação de seus impostos. administrativos e financeiros. “em exceção. ao determinar que os Estados se organizassem de estendendo-se as eleições a todos os Municípios. de 1969. de forma indireta. O problema. deste manteve-se compreendendo aspectos políticos. porém esse e por outros motivos. reconhecida de forma direta e explícita.

e a competência. A seriedade (formalizados de diferentes maneiras) intraestaduais. ou. seja pela resultaria em alternativa formal para atender ao que capacitação do quadro de servidores. que o gestor tenha clara consciência do que seja Hipótese para atender ao papel que cabe ao Município o poder discricionário de que é detentor e de que é o é a de incentivar o trabalho conjunto. seja exímio atuação de cada esfera. o aprimoramento da Administração é fundamental. ao fim e ao cabo. Para observá-lo. MANUAL DO PREFEITO  | 9 só como expressão formal das normas. seja. da responsabilidade com o bem público. Trata-se de valorização do visto que lhe cabe promover o desenvolvimento local e regional e da territorialização das políticas públicas. Exige-se. pede e espera a população. em prioridades e a distinção entre o que é urgente e o suas várias vertentes. caberia pensar em arranjos diferencial de qualidade de seu mandato. Assim. o Município deve se institucionalizar. ou Administração seja. Por depender O objetivo deve ser o atendimento do que a coletividade da articulação de instrumentos administrativos para precisa. o fomento econômico. por si e por sua equipe. porque exigem normas que o Município não com as quais se defronta. mas também como meio para planejar. deve ter o princípio da eficiência como um de seus lemas. o Estado ou Estados e Municípios modernização da máquina administrativa. Certo é que nem tudo pode ser atendido. ainda. da economicidade e preconizada na Constituição. conforme antes uso que fizer desse poder que vai dar concretude ao mencionado. intermunicipais. convênios. São modelos de atuação para alcançar a se os princípios da moralidade. para isso. usando- assunção de serviços que não são propriamente da alçada os mediante adaptações às situações específicas municipal. o que. respeitando. intergovernamentais. da eficiência. enfim acordos. significa servir ao público. pelo uso responsável dos recursos. todavia. consórcios. por exemplo. ainda. ou compensações financeiras pela no manejo dos instrumentos administrativos. sempre de forma criativa e pode expedir. da publicidade. é da simetria”. empreendedora. esferas governamentais. entre e inter as diversas O Município é importante propulsor da economia. atingir a eficiência impessoalidade. estruturar e A eficiência da colocar em prática instrumentos que já existem. Nessa linha. que se deve pautar pelo desejo de ou mesorregionais. seja pela envolvendo a União. e. mas servir com proficiência. da legalidade. entre outros. atendendo às necessidades e contribuindo para . A eficiência é um princípio da administração voltado As competências comuns podem representar importante para a coordenação do uso de recursos face aos meio para compensar a dificuldade derivada da “síndrome objetivos e resultados pretendidos. são imprescindíveis no setor contemplando Municípios de um mesmo Estado governamental. regionais. e formado pelos Governos dessa esfera e pelos Municípios da área de interesse. desde que se dê a elas a definição do campo de mister que o gestor. organizar. acima de tudo. atingindo mais de um Estado servir ao público. se formalizem pactos estaduais. e pode se dar pela conjugação A formação de “arranjos institucionais cooperativos” de diferentes modos de intervenção. como dimensão da gestão. que é importante. por propiciar o aproveitamento vigoroso do princípio da limitações de todo tipo que exigem a definição de eficiência.

educação. como utilizar os serviços oferecidos. nada se pode fazer sem o respaldo legal para o entendimento do que pode e deve o Município e são os agentes políticos que fazem as leis. seja. as formas aquelas que são o resultado de boas ideias. fazer as leis. corrida para alcançar transformações – leia-se eficiência. são também importantes para que se Comentários finais conheça melhor a competência municipal e seus Os agentes políticos – Prefeitos. por fim. Secretários. com a Caixa Econômica e outros tantos conceitos retirados de outros campos Federal e com o UN-HABITAT – sobre ações que do conhecimento. efetividade similares. na municipal em face da Constituição e abrem caminho participação e na satisfação da população. em todos os sentidos – Não basta. visto que apresentam panorama da competência fazê-las. transportes etc. Entre essas. todavia. quais e vontade política. os seus direitos e deveres. O IBAM. vem construindo. como. assistência Administração e a população as internalizem. a propósito. o princípio do próprio Instituto e de outras derivadas de parcerias constitucional que se traduz por profissionalização. aplicável. que deve ter um autor e um usuário. desde 1996. criatividade possíveis de incluí-la na tomada de decisões. visto que são atores de ponta na Administração. É urgente fazer. trabalho. ambos com o conhecimento transite e se desenvolva de forma responsabilidades e direitos. ou social. responsabilidade. contudo. nas quais diferentes ângulos da atuação municipal são comentados. encontram-se algumas que exigem elevado volume Programas informativos visando levar à população o de recursos e muita especialização. baseadas em programas Melhores Práticas ou planejamento. lazer. fazê-la “pegar”. e que resulta naquele cuidado com o merecem ser apreciadas e absorvidas. para as seções posteriores deste Manual. fazendo uso dos quando as duas pontas estiverem convencidas de recursos tecnológicos atuais. A troca de experiências deve também ser incentivada. cultura. palavra-chave. eficácia. bem público que leva à melhoria da qualidade de vida. Vereadores mecanismos e deve estar entre os objetivos da – devem ser proativos. é preciso que a saúde. com o olhar na eficiência. A leitura dos capítulos que se seguem irá contribuir Na área pública.10 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL melhorar a qualidade de vida. tomem consciência de que só o fato de a lei ter sido publicada não é bastante para torná-la efetiva. Isto somente ocorrerá A formação de redes entre pares. . por exemplo. vasto acervo – fruto de diversas iniciativas Eficiência é. porém há também alcance das ações do Governo Municipal. sempre. é importante para que que a lei é apenas instrumento para legitimar uma se constituam comunidades de aprendizagem onde ação. horizontalizada.

conforme dispõe a Constituição enquanto o § 1º do art. conforme se verifica como peça-chave para a definição das atribuições nos arts. A União é a congregação das municipais. A República Federativa do Brasil é constituída pela 23 relaciona as matérias de competência comum. 24 lista os casos de competência concorrente. com comportava a presença do Município. Isto porque. o Município passou a integrar o Estado Federal. Contudo. 25 confere aos Estados a promulgada em 5 de outubro de 1988. não que se definia o “peculiar interesse”. Distrito Federal e Municípios são esferas de legislador constituinte de 1988 adotou a fórmula governo. 1º e 18 da CF. privativo da localidade. que também Município estabelece o que lhes é vedado. Assim. o art. no Brasil. principalmente se forem levadas em (representante da República Federativa do Brasil). MANUAL DO PREFEITO  | 11 Capítulo 1 Autonomia e competência do Município* A Federação brasileira e o A competência de cada uma das esferas de Governo está definida na própria Constituição. Enquanto o Município não foi do Distrito Federal e dos Municípios. o Município não figurava como integrante Boa parte da doutrina vem defendendo que o da Federação. chamada competência residual ou remanescente e o Dentro deste contexto. do Município sobre o eventual interesse regional ou diz-se que. dentre o que se destaca o chamado Federação brasileira. excluindo a ideia de interesse exclusivo ou união (com letra minúscula) indissolúvel dos Estados. anteriores. 30 dispõe especificamente sobre o que compete o Município é entidade integrante e necessária à aos Municípios. destaque para a ideia da predominância do interesse Em face dessa situação e das prerrogativas municipais. a partir do momento em que unidades regionais. formam a República Federativa ou simplesmente a prevaleceu o critério clássico do peculiar interesse União (com letra maiúscula). do Distrito Federal o art. até mesmo porque o modelo adotado à “interesse local” deve ser entendido da mesma maneira época no Brasil. é correto dizer que União. e dos Municípios. que reunidos inserido formalmente no seio da Federação brasileira. se bem que a União assuma um duplo papel: do “interesse local”. que abrange maior número de interno (pessoa jurídica de direito público) e externo atividades. 21 e 22 da CF enumeram as matérias privativas da União. ou seja. Os arts. consagrou-se a tese de que art. consideração as competências exclusivas que lhe * Revisto e atualizado por Priscila Oquioni Souto. advogada e assessora jurídica do IBAM. nas Constituições “interesse local”. união indissolúvel dos Estados. a Federação é composta pela nacional. o Estados. cópia do modelo norte-americano. .

diante 32 da CF. A competência exclusiva não há interesse regional ou nacional que não encontra-se no art. como também competência comum. 29-A e 30. O que define e local. 30 da CF. se a organização. como partes integrantes que só podem ser objeto de atuação do poder público da Federação brasileira. p. a prestação de serviços públicos à elasticidade de matérias que comporta esta fórmula. nos limites de seu território. em especial nos arts.12 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL foram asseguradas pelo art. é Diz-se que a descentralização política ocorre quando o um fato. que enumera as matérias ressoe nos Municípios. da mutação por que passam certas atividades O tema descentralização pode ser analisado sob dois e serviços.101): atual Constituição. a Constituição. compreende amplo campo de “Interesse local não é interesse exclusivo atribuições da municipalidade. de interesse local. A variação de predominância do pontos de vista distintos: o político e o administrativo. Por isso. a instituição de Assim. Defendendo essa à educação primária.” (Direito municipal brasileiro. a instituição constitucional. introduzida pela Editores. inscrito como pelos demais entes federados. a promoção do adequado ordenamento territorial. posição. interesse municipal. particularmente no que diz respeito ente descentralizado exerce atribuições próprias que . na por um lado pode gerar a perplexidade diante forma da legislação estadual. não é interesse privativo da estiver relacionado diretamente com a vida dos seus localidade. Mesmo porque não há interesse Ante o exposto. percebe-se a problemática que envolve a regime jurídico único estatutário para os servidores da definição da cláusula aberta “interesse local” em relação administração local. trânsito urbano. de situações inequivocamente ambíguas. dentre outras atividades. no tempo e no espaço. afastando a possibilidade de interferência caracteriza o ‘interesse local’. é a predominância do assuntos exclusivos da municipalidade: a elaboração interesse do Município sobre o do Estado ou da da lei orgânica e do plano diretor para os Municípios União”. mencionados no Estatuto da Cidade. por outro. reforçada em vários dispositivos da Constituição aniquilando-se a autonomia de que faz praça Federal. na forma da lei. São Paulo: Saraiva. 1990. pois a autonomia municipal foi ficaria o âmbito da administração local. Se se exigisse essa exclusividade. bem reduzido no regime anterior. habitantes e as conveniências da administração local. essa A nova fórmula tem amplitude maior que a prevista privatividade. oferece uma legislativas dos Estados e Municípios são-lhe elasticidade que permite uma evolução da conferidas. não é interesse único dos munícipes. criação ou supressão de distritos. São Paulo: Malheiros A expressão “interesse local”. tratam-se de dogma constitucional. 18. 23. 8ª ed. 29. onde se entrelaçam em partes iguais os interesses No que respeita ao Distrito Federal. seja diretamente ou mediante conforme leciona Celso Ribeiro Bastos (Curso de direito concessão ou permissão. “A imprecisão do conceito de interesse local. compreensão do Texto Constitucional.277): e arrecadação de tributos de sua competência. alcançando tudo que do Município. 1996. 13ª ed. há grandes nomes como Hely Lopes Meirelles telecomunicações etc. as competências locais e os regionais. essa unicidade. pelo § 1º do art. pode-se confirmar que o Município municipal que não o seja reflexamente da dispõe de competência exclusiva ou privativa e de União e do Estado membro. p. 30 da CF.

especificamente. A partir dessa tipologia. 25. da Constituição. abuso do poder (Direito Constitucional. da chamada doutrina ainda assim a atividade legislativa é subsidiária. do qual se destacam. foram sendo membros da Federação e também dos Municípios. a capacidade de legislar em já desenvolveu-se a seguinte tipologia de poderes: havendo legislação sobre o tema. informa que. Assim. administrativa ocorre quando as atribuições que os Na verdade. mas adequados à implementação organizados sob a forma de Federação. Nessa seara. de legislar. são muitas as áreas de atuação da União. no § 1º do art. legislativa própria que não decorre da União nem a isso tenha sempre decorrido expressamente dos ela se subordina. Já a descentralização Federal no modelo de repartição de competências. p. à tendência para a ampliação normas. MANUAL DO PREFEITO  | 13 não decorrem do ente central. para além das formalmente individualizadas no texto respeitados os princípios que constam da Lei Maior. paulatinamente aumentadas desde a adoção do Cada um desses entes locais detém competência federalismo. poderes intimamente pela Constituição. Isso significa dizer que os Estados têm competência . o constitucional americana dos poderes implícitos. em parte. 6ª ed. e com isso impede-se 1) poderes decorrentes ou emergentes (resulting a propositura de milhares de leis que seriam editadas powers: poderes que derivam do conjunto de todos anualmente pelos Municípios. aliás. a doutrina o caput desse artigo. com força própria. inclusive. em que há um centro intergovernamentais abre ampla possibilidade de único de poder. mas encontra seu fundamento na sucessivos alargamentos empreendidos pelo Governo própria Constituição Federal. função da aceitação. quase não conheça das atribuições do Governo central e. em limites (universalidade da atividade legislativa). no tocante à matéria. entes descentralizados exercem só têm o valor jurídico seja porque o assunto lhe é privativo. em parte. seja porque se que lhes empresta o ente central. não lhes sejam vedados (inherent or essential powers). que desde a primeira Constituição Republicana. as competências da União. dos Estados e não decorrem. com relação de cooperação entre os Governos para o trato de assuntos subordinação. as suas atribuições trata de matéria concorrente da União. 2) poderes implícitos (implied A definição de competências dos Estados segue tradição powers): poderes não expressamente mencionados observada na maioria das Constituições de países na Constituição. que impede a promulgação de leis supérfluas ou Como esclarece José Joaquim Gomes Canotilho iterativas. de interesse comum. e 3) poderes inerentes ou essenciais explícita ou implicitamente. no Brasil. é a situação dos Estados. mas do poder central. retira-se tanto de Estados. É o tipo de descentralização Acresça-se que o sistema vigente de relações própria dos Estados unitários. os poderes das pessoas jurídicas locais. pela Constituição). Segundo políticas soberanas. 1993. constitucional. os Estados organizar-se-ão e e a jurisprudência abriram o quadro de competências reger-se-ão pelas Constituições e leis que adotarem. do Distrito Federal ou mesmo desses e dos Municípios. é interessante A competência da União tem crescido constantemente mencionar o princípio da necessidade legislativa. 681). se bem que no Brasil. de 1891. Essa. para repetir matérias já ou de alguns dos poderes conferidos especificamente tratadas no âmbito federal e estadual. que configuram. é também a linguagem relacionados e indispensáveis ao exercício de funções usada pela Carta de 1988. muito embora a competência para editar Isso se deve. segundo a qual dos fins e tarefas constitucionalmente atribuídos ao cabem aos Estados-membros todos os poderes que. nos Estados Unidos e também no Brasil. portanto. Poder Público. Coimbra: Almedina. no direito constitucional americano quanto de Municípios.

como ressalta Paulo Bonavides existir Federação. exercida em tudo o que respeita a seu peculiar interesse. o brasileiro.14 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL para atuar em todos os campos. II. III da CF). a autonomia municipal. hoje. São Paulo: de autonomia constitucional. o poder de se dar Malheiros. e. O mesmo dispositivo autoriza os Estados a criar aglomerações urbanas e microrregiões. nos prazos fixados em lei funções públicas de interesse comum. De acordo com o princípio federativo. 2) autogoverno. de se auto-organizar. p. 18. no exercício de suas competências § 3º do art. aliás está expresso no art. inclusive na atual. Essa simetria obrigatória A Constituição Federal vigente consagrou o Município induz os Estados a reproduzirem a estrutura federal. O Município é. o planejamento e a execução de publicação de balancetes. Belo federativa contemporânea onde o princípio da Horizonte: Del Rey. Como assevera “não conhecemos uma única forma de união José Nilo de Castro (Direito municipal brasileiro. autonomia municipal tenha alcançado grau no Brasil. a autonomia dos Municípios. 6º. Dessa por lei elaborada pela Câmara.379): uma Constituição. f). 30 e assegura a autonomia dos Estados. Rio de Janeiro. sua competência está expressa a Carta Magna reservou à União e aos Municípios. que da lei orgânica e das matérias que estão sob sua informa que tudo aquilo que não for da competência competência. autogoverna-se mediante a eleição direta Aos Estados compete criar regiões metropolitanas. exceto naqueles que Quanto aos Municípios. 2000. diretamente complementar estadual. e 3) autoadministração. de seu Prefeito. como entidade indispensável ao sistema federativo mesmo naquilo em que estão dispensados de fazê-lo. que tratam chamado princípio dos poderes remanescentes. É o nos arts. implantado no País com a Carta de 1988”.45). Vice-Prefeito e Vereadores. Por força do autoadministra-se. ocasião em que foi elevada a alto e expressivo quanto aquele que consta princípio constitucional. Os Estados possuem o que se chama (Ciência Política. a Constituição conforme se percebe da leitura dos arts. . tributárias e legislativas. 29. orgânica e posteriormente por meio da edição de suas próprias leis.ed. 18 da CF. para à obrigatoriedade de prestação de contas e de integrar a organização. 25 da CF. inclusive porque os Municípios tripé: 1) capacidade de auto-organização e normatização também possuem competência para se auto-organizar própria. integrando a organização político- que leva os Municípios a repetir o mesmo modelo. 29-A e 30 da Constituição. pouco difere da A autonomia municipal configura-se pelo seguinte autonomia dos Estados. p. 29. 10. a criação dar-se-á por meio de lei administrativas. isto é. autônomo. Assim. 1°. como do Município nem da União é do Estado-Membro. c. constituídas A livre aplicação da receita municipal está condicionada por agrupamentos de Municípios limítrofes. conferidas pela Constituição Federal. Afinal. administrativa e garantindo a esse ente autonomia. que definirá sua abrangência. Autonomia municipal é o princípio da simetria. o que foi reproduzido nas da definição constitucional do novo modelo Constituições subsequentes. VII. 2011. 30. da CF. Quase todos os princípios constitucionais estabelecidos para a União são aplicáveis aos Estados e aos Municípios. o Município auto-organiza-se por meio de sua lei sanção do Poder Executivo (art. por fim. sem depender de feita. (art. antes instituídas por legislação federal. pois. 29 da CF). surgiu com a Reforma Constitucional de caracterização – política e jurídica – tão de 1926 (art. sem a qual não pode 34.

29 da Constituição. 21 da CF. poderiam ser reguladas em lei complementar ou poder sem paralelo dentro do território. Isso demonstra que a lei orgânica não Como sabido. e atenderá ainda dos membros da corporação legislativa. e aprovada por legislador infraconstitucional. e isso é equívoco recorrente do legislador mais elevada do poder político. (4) fixar as atribuições Estadual. elaborada pela Câmara nesta Constituição. Legislativo e à remuneração dos agentes políticos o Poder Executivo não pode deliberar ou manifestar (Prefeito. . deve ser promulgada pela Câmara Municipal. entrando se-á por lei orgânica. e (3) aprovação por 2/3 federais e estaduais.. Assim. elevado teor de generalidade e abstração. (6) fixar jurídicas. votada em dois turnos. Rompeu-se assim com Estado e os seguintes preceitos (. conforme disposto no art. que está no art.)”. com em campos que deveriam ter sido deixados para o o interstício mínimo de dez dias. No caso brasileiro. segundo o número de Vereadores. Vice-Prefeito. na Constituição minúcias desnecessárias. De fato. especialmente quanto às despesas do Poder que não a ratifica e também não pode vetá-la. para elaborar o seu próprio direito. emendas. extrai-se do a interferência do legislador estadual em assuntos de comando constitucional alguns elementos essenciais organização do Município. ou seja. (2) votação em dois turnos com A lei orgânica observará os princípios constitucionais interstício mínimo de 10 dias. na lei orgânica. pois além de estabelecer princípios de pela União. que salvaguarda sua autonomia. reconhece-se ao Município. O próprio constituinte incorreu no mesmo prerrogativas a ela inerentes só podem ser exercidas equívoco. às conveniências da comunidade local. A lei orgânica aos preceitos relacionados no art. (2) estabelecer as permitido atuar de maneira livre para melhor atender relações entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo. diversas significa que ela não é passível de sanção pelo Prefeito. o gozo de prerrogativas análogas às das e são passíveis de veto. relacionados com as políticas públicas. desde a sua promulgação. 18 da CF.. a capacidade vez que essas dependem de sanção por parte do Prefeito política. observados os (3) fixar as competências do Município de acordo com princípios da Constituição Federal e da Constituição o critério do interesse local. na condição se confunde com a lei complementar ou ordinária. expressão ordinária. 29 da CF que “O Município reger. A autonomia municipal se manifesta como a privativas do Prefeito e da Câmara Municipal. as municipal. qual é o conteúdo desse ato a autonomia municipal corresponde a círculo de político legislativo? A lei orgânica deve: (1) estruturar competências ou esfera de atribuições em que lhe é os órgãos políticos do Município. e (7) detalhar os objetivos as peculiaridades locais. à configuração da lei orgânica: (1) promulgação pela Câmara Municipal. Soberania é o poder supremo do Estado. Assim. demais entidades federadas. a promulgará. Não se deve confundir os conceitos de autonomia com É comum que a lei orgânica trate de questões que soberania. isso que recebeu. 29-A. (5) fixar capacidade conferida ao Município para editar normas as regras referentes ao processo legislativo. MANUAL DO PREFEITO  | 15 O ponto basilar de garantia da autonomia municipal dois terços dos membros da Câmara Municipal. que é uma negativa de sanção. com fulcro no caput do Afinal de contas quais são as matérias a serem tratadas art. acrescentando inclusive o art. que a promulgará. na Constituição do respectivo Municipal. 29 da Constituição: o Município reger. atendidos os princípios estabelecidos se-á por lei orgânica própria. comunidade local. uma de pessoa jurídica de direito público. Secretários Municipais e aquiescência em relação à lei organizatória da Vereadores). fez constar Diz o caput do art. no que couber.

histórico. 61. financeiro e urbanístico. destaca-se o número de Vereadores. para Também é comum que alguns Municípios reproduzam instituir e arrecadar tributos e gerenciar seus em suas leis orgânicas todas as disposições do art. eis que cada comunidade tem a sua identidade. da Lei Maior1. especialmente do interior não são idênticos àqueles da Capital do em relação a algumas matérias listadas no art. florestas. não é o melhor parcerias governamentais estão tratadas em detalhes caminho a trilhar para o aperfeiçoamento da ordem em outro capítulo. As Estaduais. regulamentado pela Portaria estão consagrados na Constituição Federal e nas Cartas Interministerial nº 507/2011 e suas alterações. II. Sobre o e controle da poluição. no exercício de sua autonomia. local. o que. e mesmo problemas e peculiaridades próprias. direito tributário. § utilizando-se. tem-se que a mera repetição (DJ de 31/07/2008). 5º recursos. caça. Essa também é prática lastimável. 24 da Estado. pode públicos. como. Assim. por exemplo. Dentre os temas que a lei orgânica deve abordar. dentre outras normas. da Lei de Consórcios (Lei nº 11. que deve ser para tributar esses serviços não invade a competência evitada. bens e direitos de valor artístico. maturidade política públicos.170/07. interfere já consta da Constituição Federal tem aplicação ampla na alíquota do ISSQN municipal e pode se tornar fonte e vincula todas as entidades políticas. de registros públicos. Rel. na ADIn nº 3. defesa do solo fixado proporcionalmente ao número de habitantes. eis que aquilo que e Empresa de Pequeno Porte). razão Cabe ainda ao Município suplementar a legislação pela qual os problemas enfrentados pelos Municípios federal e estadual. ponto importante foi a promulgação da Lei da CF. o STF já se manifestou no sentido da firmar convênios e instituir consórcios para execução inconstitucionalidade da inserção desta matéria no de matérias de sua competência em conjunto bojo da LOM.16 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Especificamente com relação à matéria servidores O Município. responsabilidade por danos ao meio ambiente e a 1 Recurso Extraordinário (RE) 590829/MG. 29 da Constituição. por violação da iniciativa legislativa com outros entes da Federação ou entes privados. que trata dos Outro erro frequente é a repetição de comandos que já convênios com a União. turístico e paisagístico. relativas aos direitos e garantias fundamentais. Público-privada (Lei nº 11. O STF. “c”. Joaquim Barbosa. para alguns.079/04). no que for pertinente. orçamento. razão pela qual de discussão quanto à ingerência do legislador federal não necessita de reprodução em outro texto legal de na autonomia municipal. e dos recursos naturais. artístico.089-2/DF qualquer natureza. conservação da natureza. proteção do meio ambiente conforme dispõe o art. cultural. Min. confirmando que a competência municipal Estado. No que diz respeito à autonomia financeira.107/05) e do Decreto nº 6. Complementar nº 123/2006 (Estatuto da Microempresa o que não é de nenhuma serventia. cartorários e notariais (itens Ponto digno de nota é a prática viciosa de alguns 21 e 22 da Lista de Serviços da Lei Complementar nº Municípios de repetirem a lei orgânica da Capital do 116/2003). julgou a de normas da Constituição Federal ou da Estadual na constitucionalidade da cobrança de ISS sobre serviços lei orgânica constitui grave vício de técnica legislativa. o qual há de ser pesca. fauna. Constituição. da Lei de Parceria 1º. dos Estados para disciplinar e fiscalizar esses serviços o seu grau de desenvolvimento. privativa do Chefe do Executivo encartada no art. proteção do patrimônio assunto. estético. que. turístico e . embora seja cômodo. veja-se capítulo próprio deste livro.

Quanto à instituição e arrecadação dos tributos de sua O Município e seu campo competência. e 3) comum. e para o Estado. observadas as normas contidas na . (art. No que diz respeito ao seu Governo. os poderes da União. bem como à aplicação de suas rendas. naquilo que for subordinado a qualquer autoridade estadual ou compatível. Texto Constitucional. da CF). ou seja. não pode. que ditará normas gerais. ou seja. ensino e desporto. na forma de Em termos práticos. em função do princípio da necessidade. que adotou a teoria da tripartição dos especialmente da Lei nº 5. pareça melhor. deve o Município obedecer a determinados preceitos de atuação constitucionais e às normas gerais de direito tributário As competências municipais decorrem da Constituição e financeiro constantes da legislação federal respectiva. que se pode realizar federais e estaduais. a ser exercida na fórmula do “interesse local”. as competências que não lhes forem locais. da CF). Sem sombra de dúvida que na Tais matérias são de competência legislativa partilha constitucional a menor fatia de poderes coube concorrente para a União. como No que se refere à organização dos serviços públicos já consignado. em caso de conflito. Federal. MANUAL DO PREFEITO  | 17 paisagístico. 30. sobre qualquer assunto de sua às condições locais (art. O princípio da necessidade informa que se afigura Como já foi dito. e proteção os assuntos de interesse local (art. que expedirá normas regionais. legislação federal ou estadual. da Lei nº 4. cultura. está já tratado em nível federal ou estadual. que é orientador da atividade legislativa. da CF) acabam à infância e à juventude. reservadas aos Estados. porque social das pessoas portadoras de deficiência. na distribuição feita pela Constituição. sobretudo nos aspectos ligados as leis municipais. II. o Vice- redundante. 30. ao Município. também. nos termos de Estadual. níveis: 1) exclusiva. Assim. cabe aos eleitores a atividade legislativa municipal ser repetitiva e eleger os seus responsáveis. o que significa dizer naquilo que a norma federal no desempenho de suas atribuições e que superior não regulou. Além de não consubstanciada nos atributos de sua autonomia e de poder legislar de forma contrária ao estabelecido em sua condição como pessoa de direito público interno. Prefeito e os Vereadores. a autonomia do Município suprir os vazios e indeterminações da legislação federal significa que o Governo Municipal não está e estadual no que couber. educação.320/64 e da Lei Complementar nº dos Municípios estão expressamente delimitados no 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal). 2) suplementar. na competência expressa. I. O Município suplementará com normas de interesse O Município detém competências legislativas em três local.172/66 (Código Tributário poderes. Já foi visto alhures que a capacidade legislativa do proteção e defesa da saúde. I. sendo eclipsados pela preeminência legislativa da União e dos Estados. 30. inclusive sobre a Constituição também por meio de cooperação técnica. a parcela de competência que cabe ao inviável ao Município editar legislação sobre o tema Município. prevalecem sobre as leis forma prevista na Constituição. é lícito ao Município fazê-lo da forma que lhe vedadas. o Prefeito. 23). proteção e integração Município é mais restrita do que pode parecer. lei complementar federal (art. dos Estados e Nacional).

necessárias aos seus serviços.estabelecer servidões administrativas impessoalidade. pertinentes. salvo industriais. XV .conceder licença para localização administração. deverá obedecer aos princípios da legalidade.257.regulamentar a utilização dos logradouros Ao Município compete. fiscalizar e cobrar preços.sinalizar as vias urbanas e as estradas municipais. prestadores de serviços e raras exceções que.dispor sobre a administração e a utilização dos serviços públicos locais. sua população. coordenadorias. especialmente em sua zona urbana. seja direta ou que funcionem irregularmente.regulamentar. nunca se referem à quaisquer outros. XVII . segundo urbano.estabelecer normas de construção. permitir ou orçamentárias.fixar e sinalizar as zonas de silêncio e de trânsito e tráfego em condições especiais.18 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Constituição Federal. prover a tudo quanto públicos e determinar o itinerário e os pontos respeite ao seu peculiar interesse e ao bem-estar de de parada dos transportes coletivos. quando houver. que circulam em vias públicas municipais. bem como as limitações urbanísticas o tamanho e as necessidades da Administração convenientes à ordenação do seu território. cabendo-lhe.organizar os quadros de servidores e instituir XVI . serviços. enfim. seu sistema de arrecadação de tributos. publicidade e eficiência. entre outras. indireta.fixar. território. determinar o fechamento de estabelecimentos Saliente-se que a Administração Pública. 37 e seguintes da seus concessionários. XI .dispor sobre a organização. sem ter de obedecer e funcionamento de estabelecimentos a padrões impostos pelo Estado ou pela União. rodoviária.elaborar o seu orçamento anual. especialmente a Lei nº 10. I . departamentos. de toda a sua IX . Pode o Município organizar seu quadro respeitadas a legislação federal e estadual de pessoal. X .tornar obrigatória a utilização da estação o regime jurídico. como lhe convier. III . a administração fixar a tonelagem máxima permitida a veículos e a execução de seus serviços. conceder. por exemplo. .planejar o uso e a ocupação do solo em seu fiscalizar sua utilização. Municipal. II . conhecida como Estatuto da Cidade. enfim. de arruamento e de zoneamento divisões.fixar os locais de estacionamento de táxis e demais veículos. de de fiscalização de suas posturas e de outras áreas 10/07/01.disciplinar os serviços de carga e descarga e IV . no que observará a Lei autorizar os serviços de transporte coletivo e de Complementar nº 101/2000 e os prazos. de pode ser organizada em secretarias. Assim. comerciais. Constituição Federal. moralidade. loteamento. a Prefeitura VIII . bem como regulamentar e VII . as seguintes atribuições: XII . o plano plurianual de investimentos e a lei de diretrizes XIII . seções. táxis. entretanto. renovar a licença concedida e estrutura administrativa. VI . XIV . que estão sob sua competência. inclusive aos dos além de às normas contidas nos arts. V . fixando as respectivas tarifas.instituir e arrecadar tributos.

condições e horários para funcionamento de estabelecimentos industriais. XXIV . constituídos. com autonomia própria para gerir os assuntos poder de polícia administrativa. cemitérios. estabelecendo os XX .cassar a licença que houver concedido. entre outros. satisfeitos os requisitos previstos em lei estadual (art. municipal. XXVIII . na própria Constituição Federal. a caminhos municipais. fixando d) iluminação pública.realizar. a b) construção e conservação de estradas e limpeza de vias e logradouros públicos. preceitua o Código Civil (Lei nº 10.promover. de 10/01/02). serviços e instalações. ao sossego. quanto a estabelecimento que se tornar Conceituação jurídica do prejudicial à saúde. exercendo possui competência para atuar em todos os campos o seu poder de polícia administrativa. municipais. XIX . de seu interesse. XXVI . feiras e matadouros. para defesa de direitos e esclarecimento de situações. à Município segurança ou aos bons costumes. remoção e o destino do lixo domiciliar e de c) transportes coletivos estritamente outros resíduos de qualquer natureza. 41. MANUAL DO PREFEITO  | 19 XVIII . autorizar à proteção de seus bens.organizar e manter os serviços de sistema federativo nacional. a) mercados. fazendo cessar a atividade ou determinando o fechamento do Os contornos gerais dessa conceituação estão inscritos estabelecimento. previstos no art. . sendo criados por lei municipal.406. XXII . que são pessoas jurídicas de XXV . quando erigiu o Município em entidade estatal. participante do XXIII . licenciar.ordenar as atividades urbanas. o Município meios de publicidade e propaganda. municipais. 30 da Constituição Federal.instituir a Guarda Municipal destinada XXI . e fiscalizar a afixação de cartazes e anúncios.dispor sobre os serviços funerários e de prazos de atendimento. à higiene. mas simples divisões administrativas do território municipal. em seu art. permitir.estabelecer e impor penalidades por direito público interno todos os Municípios legalmente infração de suas leis e regulamentos. os seguintes É oportuno lembrar que os distritos não são pessoas serviços: jurídicas.regulamentar.dispor sobre o depósito e a venda Especificando a qualidade que possui o Município de animais e mercadorias apreendidos em e dando força de direito positivo à colocação decorrência de transgressão de legislação constitucional.assegurar a expedição de certidões de serviços. bem como a utilização de quaisquer outros Além das atribuições acima mencionadas. direta ou indiretamente. comerciais e XXVII . como um de seus níveis de fiscalização necessários ao exercício do seu Governo. observadas as normas federais requeridas às repartições administrativas pertinentes.

portanto. administrativa e judiciária. da lei estadual de Em sendo entidade estatal. observados os requisitos de lei requisitos estabelecidos na legislação do respectivo complementar federal. que é a faculdade de exercer direitos e contrair de uma decisão política merece ser considerada.20 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL 30. que incluiu o art. conforme o § 4º do art. A criação e incorporação. às populações dos O domicílio civil do Município é o do seu distrito sede. prévia. o STF decidir que. Depende. 96 no ADCT. vez que nem sempre o Município é forma da lei. sede judiciária. mediante plebiscito. incorporação e de Municípios. após divulgação dos Estudos de foro é o da comarca ou termo judiciário a que pertencer Viabilidade Municipal. que decorre imediatamente da lei. da CF). São comuns casos de mais de um Município sob instalação se dará junto com a posse do Prefeito. com a desmembramento de Municípios. publicada até 31 de dezembro de 2006. agências do INSS. far-se. 18 (cujo projeto ainda se serviços municipais. editada a EC nº 57/2008. e dependerão de consulta Estado à época de sua criação. sua juízes. em prol da segurança jurídica e em virtude da norma legislativa estabelecida. Criado o Município. atendidos os ão por lei estadual. independentemente de estabelece os limites territoriais da jurisdição e dos qualquer espécie de registro. postos de saúde. apresentados e publicados na seu território. a criação de Município organização territorial. 18 da CF. O Municípios envolvidos. a jurisdição de determinada comarca. tendo em vista que alguns Municípios ao princípio da desconcentração dos serviços públicos foram criados antes da edição da lei complementar com a abertura de postos de arrecadação e outros referida no § 4º do art. a fusão e o desdobramento convalidando os atos de criação. foi obrigações. cuja lei tenha sido redação da Emenda Constitucional nº 15/96. IV. como pessoa jurídica. a situação já O Município. Prefeito e Vereadores. . possui capacidade consolidada dos novos entes federativos criados a partir civil. encontra em trâmite no Congresso Nacional). Vice. após serviços de registro etc. fusão. A criação dos distritos se dá para atender Neste diapasão.

não integram a estrutura do Município. Daí a possibilidade de o Poder Público autorização do Poder Público.141). com vistas à satisfação de todos. à higiene. se exaure em si mesma.110). regulando-lhes a prática ou a pública ou ao respeito à propriedade e aos abstenção. MANUAL DO PREFEITO  | 21 Capítulo 2 Atos de império: poder de polícia e intervenção na propriedade* Conceito de poder de ou liberdade. com atos contrários ao interesse público. pois. na “atividade do Estado consistente em limitar pública (por exemplo. São Paulo: Atlas. como o exercício dos direitos individuais em benefício do é sabido. Poder de polícia é. nos precisos termos da incidente sobre os bens. no dizer de Maria Sylvia Zanella Di Pietro criminais e preordena a função jurisdicional penal. de limites de sua competência. à disciplina da produção Ninguém possui direitos absolutos. . Seu * Revisto e atualizado por Marcos Flávio R. (Direito administrativo. em razão de interesse polícia público. visando conter abusos e evitar a prática de Nacional (Lei nº 5. Todos eles devem e do mercado. regula a prática de ato ou a abstenção de fato. Decorre. dos direitos e liberdades das pessoas. o poder de 29 de dezembro de 1966). à ordem. 2000. direitos e atividades das vistas ao disciplinamento e à restrição. 78 do Código Tributário pessoas. Considera-se poder de polícia. sendo atribuição privativa dos órgãos de segurança p. o que fará nos redação introduzida pelo Ato Complementar nº 31. direitos e atividades das definição legal. para Caio Tácito (Direito administrativo. 1975. judiciária atua sobre os indivíduos que cometem delitos Constitui-se.172. a polícia interesse público. Possui o Município poder de polícia administrativa. contida no art. polícias civil e militar) que. direitos individuais ou coletivos”. via de regra. É importante que não se confunda a polícia São Paulo: Saraiva. ao exercício de atividades ser ponderados com os interesses da coletividade e dos econômicas dependentes de concessão ou outros cidadãos. interesse público”. concernente à segurança. o conjunto de administrativa com a polícia judiciária: enquanto a atribuições concedidas à Administração Pública. 12ª ed. aos costumes. interesse e de proteger os direitos de todos os cidadãos. advogado e consultor do IBAM. em benefício do pessoas e. polícia do Município do dever que a Administração “a atividade da Administração Pública que. com primeira incide sobre os bens. Gonçalves. de 25 de outubro de 1966. Pública tem de garantir o bem estar da coletividade limitando ou disciplinando direito. à tranquilidade limitá-los e discipliná-los. p.

estará humano. praticar atos de polícia nesse campo. acobertado pela autoridade competente. ao mesmo tempo que a para isto. ao mesmo tempo. sobre os exemplo. não pode a sem abuso ou desvio de poder. Se o Município não tiver competência para dispor sobre direito à privacidade . de Zoneamento. embora seja o Município competente senão em virtude de lei. todas as matérias que praticar atos nesse campo. sua previsão em lei. sobre a fauna. fazer isso ou aquilo. portanto. Daí porque. digam respeito ao interesse local. sobre os loteamentos. 5º. direito à ordem. pode praticar atos de polícia nessa área. tais constitucional da legalidade (arts. sem legislação urbanística pertinente (Códigos de Obras. Autoridade competente é a pessoa polícia legalmente investida nas funções de policiar.).22 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL fundamento jurídico está na Constituição ou nas leis. restringem-se direitos e disciplina-se o uso preso às determinações legais. não terá. direito à autoridade que o pratica. evitando-se que. multar os responsáveis etc. de tal sorte que. sendo essa a sua atribuição primordial. nos exatos limites da lei . Assim. igualmente. segurança. o direito formalmente lei. não podendo ser de bens. nesse campo. decorrência. O Município tem competência para policiar. usando um direito seu. enfim. aliás. embargar Constituição do Brasil). antigo Código de Posturas etc. interditá-las. que o ato seja praticado por autoridade Regularidade do ato de competente. É preciso. ou a deixarem de fazer. o professor da rede municipal não poderá Administração somente pode agir autorizada por lei. por exemplo. as águas. ou seja. Não basta. Atividades. porém. a atmosfera. sair obrigando os munícipes a conforme o caso. O ato de polícia há de estar. exigir documentos. e logradouros municipais. a União e o Estado não podem exercer poder de polícia O poder de polícia é. alguém venha a ferir o de outrem. Lei. sobre os estabelecimentos comerciais. não sendo. por não estar investido na função fiscalizadora. de estabelecimentos (zoneamento) e o uso das praças industriais ou prestadores de serviços. Um fiscal de obras tem competência para fiscalizar construções Condição essencial à validade do ato de polícia é a na cidade. que o Município seja competente. Por meio desse poder. regula-se o comportamento O ato de polícia terá de ser regular. Direito ao sossego. pode o Prefeito a flora. direito ao respeito à propriedade. garantindo-se o direito de praticado sem a sua cobertura. é material e alguém. também. por sobre as edificações. Por outro lado. de O ato de polícia deve ser praticado sem excessos. seja resguardado. Do mesmo modo. de todos. atuando em em questões da competência municipal. Competência da Administração e competência da direito à manutenção dos bons costumes. incide. do princípio Por isso. as construções. Outra condição de validade do ato é a competência. pois. segundo o qual ninguém será construções. aqui. ou para cuidar de determinado ser protegidos pelo Poder Público por meio do exercício assunto. direito à tranquilidade. Prefeitura. direito à higiene. consequentemente. a localização costumes. Em âmbito municipal. II e 37 da como fiscalizar obras. praticar tais atos. muito amplo. os loteamentos.todos são interesses públicos a determinada matéria. obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa. lei. competência para do poder de polícia. todos os sentidos e em todos os campos da atividade humana. de Loteamento.

Para tanto. desempenhado pelo órgão competente. a autoridade Notável exceção à autoexecutoriedade dos atos não pode deixar de aplicar a sanção prevista em lei. da Administração Pública. e o faz de acordo com O ato de polícia é autoexecutável. nulo. por exemplo. dentro dos limites da Autoexecutoriedade e lei. interditar atividades. sem prévia autorização lo em idênticos termos. caracterizando abuso de poder. Inerente a todo competente não pode negá-lo. de determinada infração administrativa. sobretudo porque. constatada a prática poder de polícia é. discricionária. intervindo diretamente por conta de mera inimizade particular. na semana seguinte. praticará abuso de A Prefeitura pode. ainda. moralidade. pode a própria Prefeitura autoridade legalmente constituída e competente. No exercício de seu cargo ou no de liberdade para consentir ou tomar medidas desempenho de suas funções. MANUAL DO PREFEITO  | 23 aplicável. possui de decidir sobre a conveniência. legítimo. seus direitos. sem dúvida. apreender produtos e adotar outras sanções de lei. manifestação da Justiça. o arbítrio é sempre ilegítimo. que é o de proteger o exercício de um direito pelo particular. válido. vindo a concedê. Ressalte-se. praticada. cassar licenças. sobre direitos individuais. ou. a autoridade prontamente o interesse comum. sua atividade é plenamente das vezes. vistas à correção de eventual ilegalidade. A discricionariedade. atendidos os requisitos da lei para eliminar o próprio objetivo do ato. sem abuso ou desvio de poder (parágrafo Discricionariedade é a faculdade que o administrador único do art. ou a Administração tem para exercer o poder de polícia é até deixá-lo a descoberto. a discricionariedade do arbítrio. Poder Judiciário. ou seja. 78 do CTN). a demora da ação judicial importaria em vinculada. é ato embargar obras. agir de modo sumário. 37. O exercício do poder de polícia há de ser sempre regular. caput da CF). tratando-se de atividade que a lei tenha como outras palavras. Com fundamento nesse princípio de diversa. O abuso constitui arbítrio e o arbítrio vicia outros casos. na maioria Em algumas hipóteses. cabendo ao particular. a oportunidade e o conteúdo do ato administrativo. a autoridade pública fiscalizatórias ou sancionatórias com base em seu juízo haverá de ter sempre a preocupação de não infringir de conveniência e oportunidade. Utilizando ainda o exemplo acima. poder a autoridade que negar a alguém o aludido alvará nos exatos limites da lei. a lei reserva ao administrador margem o ato da autoridade. tais como o da legalidade. a pessoa judicial. com observância do processo distinguir o poder discricionário do poder arbitrário. portanto. pleitear a intervenção da Justiça com contra a lei ou fora dela. em legal e. é importante saber limites da lei aplicável. no momento em que o Prefeito nega alvará de autorização para instalação de ponto de coercibilidade táxi em determinada localidade. que o grau de discricionariedade que Não faria sentido sacrificar-se o interesse público. impessoalidade. Assim. que são típicas . desde que praticada por autoexecutoriedade. sem precisar recorrer ao válido e legal. nos (art. agravado em Arbítrio é ação ilegal da autoridade. está praticando ato discricionário diretamente a sua decisão. portanto. com a exigência de prévia diverso em cada campo da atividade do Poder Público. publicidade e eficiência isto é. sua autoexecução. o que fará dentro dos quaisquer dos princípios que orientam a atividade limites da lei e da Constituição. no sentido de que a a lei de zoneamento do Município e com fundamento Administração tem a faculdade de decidir e executar no interesse público. Em de polícia é a cobrança de multas.

São Paulo: Malheiros. no sentido de que não pode ser invalidado. seja o embargo se-á alvará de licença no caso de o cidadão possuir o das construções clandestinas ou em desacordo com as direito. sendo. fosse ele dotado de instrumentos coercitivos. seja ainda a interdição da atividade. ou oriundas da aplicação de sanções pecuniárias. que poderá concedê- Alvará é o instrumento pelo qual o Poder Público la ou não. nesta última hipótese mediante indenização. a lei dirá quais as punições aplicáveis a cada caso porque. . O ato de polícia é sempre manifestação decorre da lei e não de alvará da Prefeitura. sem indenização. discricionariamente. Alvarás A autorização decorre do juízo de conveniência e oportunidade da Administração. de descumprimento de norma legal a particulares a título de compensação por dívidas que o licenciado deveria obedecer no seu exercício. cabendo à Prefeitura apenas tornar viável esse condições do licenciamento. quando houver oposição do Conceder-se-á alvará de autorização sempre que o infrator. através dele. mas não legaliza a violência desnecessária interessado não possuir direito algum. O de imposição. que Se alguém possui um terreno e. É sempre pode caracterizar o excesso de poder e o abuso de precário. que em tal caso alvará a ser ato constitutivo desse direito. de licença. isto é. quando dependentes de policiamento pela Prefeitura. deve torna viável o seu exercício. imposto pela Administração. no sentido de que pode ser invalidado a autoridade”. Sanções O alvará representa sempre ato de consentimento da Prefeitura à pretensão de alguém que se encontre De nada valeria o poder de polícia municipal se não sujeito ao seu poder de polícia. já que o administrador não discricionariamente. Além de ser autoexecutório. o direito de construir cumprimento. o ato de polícia é coercitivo. o emprego da força física. executar o valor devido. É ato declaratório Enfim. da capacidade de aplicar sanções. salvo em casos de pode confiscar. Por isso. “o atributo da coercibilidade do ato de polícia justifica portanto. Daí dizer-se ser a licença ato declaratório de ou a sua anulação. a Prefeitura não cria direito e o procedimento para fazê-lo. O alvará será. de coerção. qualquer tempo. seja multa aos O alvará pode ser de licença ou de autorização. vale dizer. o alvará de licença a Administração recorrer ao Poder Judiciário para é definitivo. quando exercitado com total brasileiro. de interesse público relevante. passando o ou desproporcional à resistência. seja a cassação do alvará direito. apenas reconhece o direito do administrado e administrativa. direito e não constitutivo de direito. pois. pela Prefeitura. Caso o particular não as pague. não proibido pela pode servir-se de força pública para garantir o seu lei. apreender ou arrecadar bens de expedição ilegal.122) ensina que obediência às normas jurídicas. p. 1999. nele deseja construir. Conceder- infratores das disposições municipais. Exemplo de autorização manifesta a concessão de licença ou de autorização é a concedida para montar em logradouro público para a prática de determinados atos. certos direitos ou a localização de estabelecimentos. Hely Lopes Meirelles (Direito administrativo desse direito. obrigatório alvará será mero ato vinculado de reconhecimento para todos. o exercício de banca de venda de jornais e revistas.24 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL sanções decorrentes do exercício da função de polícia algum.

Convém salientar que a União e o Estado também têm Polícia da higiene competência para legislar sobre direito urbanístico. O exercício do poder de polícia no caso dos itens acima Ao Município compete regulamentar as construções. As leis o aproveitamento racional do território do Município. Federal no que respeita ao desenvolvimento urbano. praças e logradouros Normas de zoneamento públicos. da alimentação. em seus a vigilância sanitária. que deve agir conforme as após a criação do Sistema Nacional de Vigilância exigências e necessidades locais. incluindo todos os estabelecimentos que fabriquem ou vendam bebidas O parcelamento do solo urbano deve ser objeto e produtos alimentícios. segurança. MANUAL DO PREFEITO  | 25 Controle das edificações e a distribuição da população nos diferentes setores ou zonas. como do comércio e das residências. abrangendo tanto as edificações e que é objeto de outro capítulo. 24. ou sem reservar áreas higiene pública representa cumprimento do dever necessárias às praças. a da Lei nº aspectos gerais. de 19 de dezembro de 1979. de Saúde. trabalhos de reforma e ampliação.782/99. e coletivas. O parcelamento do solo urbano.766. cocheiras e de regulamentação municipal. no exercício do seu poder de polícia. os serviços de limpeza pública. como os anteriormente. deve observar o que dispõe o Estatuto da Cidade (Lei nº especialmente em vista de sua localização. evitando-se que. jardins. devendo colaborar com a Prefeitura.080/90. 10. neste campo. O poder municipal. escolas e edifícios constitucional de zelar pela saúde da população. municipais podem fixar proibições. II e VIII do art. bem como promovendo a lavagem de roupas e de veículos nos locais públicos . quanto limpeza das vias públicas. das habitações particulares nos incisos I. I. conforme dito residenciais. é bastante geral. 182. Sanitária e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa pela Lei nº 9. sem antes serem dotados dos requisitos mínimos É importante ressaltar que a função de polícia da indispensáveis à habitação. nos termos do art. A competência impor normas que visem a manter a higiene e a do Município está expressa tanto no art. deve o Município. parcelamentos e vendas de terrenos à população. 30. é disciplinado pela Lei Federal nº 8. com suas alterações. comerciais e industriais.257/01). pocilgas e delimitando as zonas onde estas atividades pelo desejo de lucros fáceis. um dos campos de atuação do Sistema Único 6. os estábulos. à qual incumbe prestar. que regulamenta o art. diretamente ou sob concessão ou As normas de zoneamento destinam-se a promover permissão. Toda a população responde pela manutenção da higiene e da limpeza das ruas. Portanto. I e VI da Constituição da República). O Município pode. em particular competência do Município. abrangendo não só determinando as zonas de localização das indústrias. Trata-se de matéria de competência concorrente (art. mas o estabelecimento de normas específicas é de obedecer aos limites de sua competência. 6º. nessa matéria. o lançamento de lixo e detritos nas vias públicas. Os assuntos objeto deste item estão tratados com profundidade em capítulo específico deste Manual. 182 da Constituição higiene e estética. É um dos principais instrumentos urbanísticos do parcelamento do solo ou de planejamento físico local. sejam promovidos podem se instalar. sendo públicos.

ou. impostos procedimentos profiláticos mais rigorosos. pátios e costumes. é da competência municipal impor obrigações O Município é responsável pela manutenção dos bons concernentes ao asseio dos prédios. cafés e restaurantes. ficando sujeita às regras estabelecer o sistema de mão e contramão. mas dos pública vizinhos e de toda a população do Município. cabe citar o controle de veículos e pedestres no território do Município. e também de alto-falantes. Polícia de costumes. Em colaboração com as autoridades estaduais. deve ser condicionada nas vias públicas municipais. com as autoridades sanitárias do Estado e da União. apitos ou silvos de sirene de fábricas. fossas sépticas. especialmente atribuindo aos proprietários a responsabilidade pela os de primeira necessidade ou facilmente perecíveis. cafés. a fiscalização do comércio assegurar a moralidade e o sossego públicos e e do consumo de gêneros alimentícios. especialmente no alimentos encontram-se dentre as ações elencadas na período noturno. A instalação de hotéis. mercados e feiras livres. de padarias. das águas pluviais. como a higiene e a limpeza motores de explosão. os horários de carga e descarga. à construção de cisternas e contravenção. açougues. sinos etc. numa ação complementar à do Estado. matadouros. na sua falta. Ainda entre medidas que visem a manter a ordem e a salões de barbeiros. tais como qualidade dos alimentos. ser-lhe-ão estabelecer os pontos de táxi e de parada dos coletivos.26 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL e. em colaboração o Município deve exercer vigilância sobre bares. e regulamentar e no sentido de impedir os contágios ou o aparecimento fiscalizar o tráfego nas estradas municipais. Ressalte-se que o controle e a fiscalização dos Para garantir o sossego público. segurança. devem ser regulamentados não Lei nº 9. como a utilização de instrumentos A ação municipal visará garantir não somente a que produzam sons ou ruídos excessivos. restaurantes. Ao Governo local incumbe à prévia autorização. cafés e estabelecimentos congêneres.782/1999. e boates. manutenção da ordem no local. visando supletivamente à ação delas. cabeleireiros. o transporte de portadores de moléstias infectocontagiosas sem as precauções necessárias. quintais. bares. que trata do já mencionado Sistema apenas os horários de funcionamento dos locais de Nacional de Vigilância Sanitária e da Anvisa. à remoção do lixo domiciliar. ainda. buzinas. bares. A falta de higiene nas habitações pode pôr em risco segurança e ordem a saúde não apenas de seus moradores. Por isso mesmo. da segurança e da ordem pública em seu terrenos. à utilização da rede de água e ao qual compete exercer a repressão aos crimes e à esgoto. determinar sanitárias impostas pela Prefeitura. de focos endêmicos ou etiológicos. manicures etc. aparelhagens sonoras. diversões públicas. . ao escoamento território. O Município deve também exercer. Tratando-se de o trajeto dos veículos de transporte coletivo municipal e estabelecimento de utilização coletiva..

barracas A competência legislativa sobre padrões de pesos e etc. reserva ao Instituto Nacional de Metrologia e Qualidade Industrial – INMETRO a competência A exploração dos meios de publicidade. MANUAL DO PREFEITO  | 27 A Lei nº 9. absoluta. quer em caráter transitório. seus panoramas naturais. Mais importante que a dentro do perímetro urbano devem obedecer ao precisão técnica. sobretudo nas exclusiva para examinar.503. para localização de bancas de jornais. O Município deveria assumir essa fiscalização. veja- examinada para verificar a amplitude da atuação do se a Súmula 645 do Supremo Tribunal Federal. bem como regulamentar o plantão Poder Público municipal. pessoas. ainda que não esteja O trânsito de animais nas vias públicas e sua criação rigorosamente aparelhado. que Município. dispõe sobre a competência ou ambulante. pode torná-lo obrigatório aos dos cemitérios. o horário de A administração dos cemitérios e a prestação de funcionamento dos estabelecimentos industriais. cabe ao Município a administração que. confirma a competência municipal. devendo ser funcionamento das feiras livres. de 23 de setembro de 1997 (Código das farmácias e o exercício do comércio eventual de Trânsito Brasileiro). Tais procedimentos somente devem ser permitidos medidas é privativa da União. quiosques. dispondo ainda que os Estados e os Municípios na perturbação da ordem ou do sossego público e os somente poderiam desempenhar qualquer atividade prejuízos que possam causar aos aspectos paisagísticos metrológica por expressa delegação do INMETRO. Nesse campo. não apenas pelos perigos do Poder Público para coibir os casos mais frequentes que podem representar para a vida e a saúde das e grosseiros de fraudes. históricos e tradicionais ou à estética dos A viabilidade técnica desse procedimento é duvidosa edifícios. como para Polícia de pesos e depósito de materiais. que verificará sua possível influência medir. de 28 de fevereiro obedecidas as posturas municipais pertinentes. está sujeita à fiscalização periodicamente. respeitada a legislação mediante concessão. entretanto. pelo interesse público que representa. comerciais e de serviços. A esse respeito. especialmente sepultamento. inicialmente. permissão ou autorização do do trabalho. bem como as disposições sobre proprietários de prédios e terrenos. é a presença fiscalizadora disposto nas leis municipais. como pelas perturbações que causam à ordem pública. cremação e trasladação de quando se localizarem neles os focos de transmissão. exumação. . de 1967. quer em caráter permanente. por força de dispositivo mediante autorização expressa e para fim determinado. serviços funerários podem ser entregues a particulares. e aferir. Ao Município cabe fixar. num país das dimensões do Brasil. cadáveres. Polícia funerária O combate às plantas e aos insetos nocivos. construção de andaimes medidas ou palanques. é dever do Município. e estabelecer os dias e locais de municipal quanto a trânsito e tráfego. O Decreto-lei nº 240. qualquer medida ou instrumento de da Prefeitura. Cabe ao Município coibir a utilização indevida das vias públicas. constitucional. da cidade. vias e logradouros públicos. monumentos típicos. em regra.

limitando o uso ou policiamento ostensivo e de preservação da ordem retirando a propriedade privada de seu legítimo titular. Estabelece o § 4º do art. segundo os termos da lei. essa intervenção. destinada Intervenção na à proteção de seus bens. justa e serviço. pelo tombamento e pela desapropriação. § 4º não as autorizaria a tanto. comumente. que. instituiu o Estatuto Trata-se de tema regulamentado pelo art. por ato unicamente seu.826. se exerce sobre pessoas A função da guarda municipal é basicamente de (jus imperium) e bens (domínio eminente).000 habitantes e daqueles com população entre interesse público.000 habitantes portassem armas. 22. Neste do patrimônio privado ou público e o transfere ao último caso. cabe exercem funções de polícia judiciária nem de apuração registrar os fundamentos que legitimam o Estado a de infrações penais e tampouco podem assumir intervir no domínio econômico. O segundo polícia administrativa. expedição do Código de Trânsito Brasileiro. por ser a mais drástica forma de Em 2003. A desapropriação. O primeiro tem origem na soberania do Estado. para o Poder Público. conforme dispuser a lei. Cumpre observar que a aplicação de multas apresenta essa intervenção: indiretamente. a guarda municipal vem atuando também no controle do No uso dessa faculdade. ou diretamente. é sabença comum que a dispositivos que podem ser contrários à CF. Com a o individual. 144 da Carta de 1988 que o Município pode instituir guarda municipal. de 8/8/2014. inclusive com a expedição de lei federal que autoriza o Basicamente. mediante indenização prévia. receberá maior atenção. ainda não houve. Geral das Guardas Municipais. Embora haja nessa lei da Constituição Federal. entre outras formas. autorizou que os integrantes das guardas municipais Desapropriação é o procedimento pelo qual o Poder das capitais dos Estados. embora muito se discuta hoje o assunto. serviços e instalações.867/04. em dinheiro. pela ocupação temporária. administrativa. porém.022. o Poder Público intervém trânsito. decisão definitiva a respeito do assunto.28 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Guarda Municipal deve ser examinado para aplicação à guarda municipal naquilo que for cabível. alterada pela Lei nº 10. pela servidão 637539). pela questionamento no Supremo Tribunal Federal (RE requisição. pelas de trânsito pelas guardas municipais está sob limitações administrativas. a Lei nº 10. com objetivo de dar proteção abrange a preponderância do interesse coletivo sobre ao patrimônio e aos serviços do Município. sob o argumento de que o mencionado art. dos Municípios com mais de Público. pública. retira compulsoriamente um bem 50. o porte somente pode ocorrer quando em domínio público. conhecida como Estatuto transferência compulsória da propriedade particular do Desarmamento.000 e 500. Tais guardas não têm funções propriedade privada inerentes às polícias civis e militares. A Lei nº 13. 144. tendo sempre em vista nos limites da competência municipal quanto ao a consecução do bem comum. dois são os princípios que legitimam uso de armamento pela guarda municipal. De dois modos se assunto. Logo. fundado em 500. inclusive cabendo-lhe a aplicação de multas na propriedade privada. seu texto “matéria sobre desapropriação é de âmbito do direito . de sorte que não Antes de entrar no âmago do tema em epígrafe. inciso II.

cabendo a 6º e 8º do Decreto-lei nº 3. por interesse social é feita por decreto (art. MANUAL DO PREFEITO  | 29 substantivo e processual. Lei nº 2. de 10.93.09. ou coisas afins.786. a Administração ou o expropriado utilidade pública. que só se concretiza com a indenização. 22). da competência legislativa da A fase executória pode ser efetivada por acordo ou União. de 23. que sejam molestados os proprietários. inciso XXIV. delimitar em que condições encontra-se o bem e É importante lembrar que não se trata de transferência conferir ao Poder Público o direito de penetrar no definitiva da posse. nos termos do art. membros não podem legislar sobre o assunto. ou informações para estudos. requer o Poder Público ou necessidade pública ou de interesse social. submetê-lo à força expropriatória do Estado. os Municípios e os Estados. se o expropriado aceita a oferta do expropriante. basicamente. sob pena de administrativos e tributários. não havendo possibilidade de acordo. Nessa hipótese. sem desobrigando-se também de seus encargos civis. Assim. de 21. no caso de desapropriação por ao preço do bem. Lei nº 8. A imissão provisória na posse ocorre quando a Administração tem urgência em tomar posse do bem.365/41. nos termos do Decreto- determinado bem é pretendido pela Administração lei nº 1. o apenas a realização de medições.12. Lei O segundo caso surge quando é proposta a ação Complementar nº 88. inciso II. procedendo- São muitos os dispositivos constitucionais e legais se à escritura pública. o ato mediante depósito prévio de quantia obtida nos declaratório não se confunde com a desapropriação em termos do art. Na verdade. São Paulo: Saraiva. 7º do Decreto-lei nº 3. fato manifesta sua intenção de adquirir determinado geralmente decorrente do desentendimento quanto bem. 1º da Lei nº 4. nesta hipótese. mas acordo em juízo. 15 e seu § 1º do Decreto-lei nº 3.07. Por conseguinte.365/41). só se torna efetiva com a indenização. Lei Complementar nº 76. a ou. arts. com homologação pelo Juiz. entre os quais destacam-se: Constituição desapropriação processar-se-á sob forma de compra e Federal de 1988.132.41. o Poder Público pagará ao proprietário o preço ajustado. após a dos Estados-membros” (Pinto Ferreira.365/41. a obtenção de dados expropriado deixará de fruir as vantagens do bem. No primeiro caso. 182 venda. e na desapropriação esta determinar o valor exato a ser pago. dá-se quando. A imissão definitiva na posse imóvel. de 08. Pública. diplomas que alteram ou complementam os acima. passando ao expropriante responsabilidade.62. si. o direito de usá-lo e dele gozar livremente. II. de 06. uma vez obtido o acordo. Inicia-se. e sobre ele não se admite competência supletiva judicialmente. Comentários declaração de utilidade pública ou de interesse social.365. v. no início da lide. com a declaração de utilidade Dessa forma.93. é feita através de lei ou decreto (arts.629. concedida a imissão provisória. Em verdade. vontade de desapropriar. mas que o Juiz competente defira a imissão provisória. Lei nº 4.132/62). qualificada apenas pela manifestação prévia da e 184. Logo.96. a pertinentes.06. 5º. Decreto-lei nº 3. pode haver acordo. à Constituição brasileira. além de outros expropriatória. Essa declaração.075/70.12. do bem somente se dará com o pagamento total do Lembre-se que a penetração acima descrita visará preço. 22. . em se tratando de imissão provisória na posse de declaração tem por escopo primordial demonstrar que prédios residenciais urbanos.02. de 25. que tenha necessidade de recorrer às vias judiciais.60. 1990. o expropriado aceita a oferta do expropriante sem p. De A fase declaratória ocorre quando o Poder Público outra parte. devem provocar a manifestação da Justiça. Entretanto.

o decreto expropriatório caducará. São casos de interesse social: construção de casas inciso XXIV. p. deve ser prévia. trabalho e consumo dos centros de efetivada para resolver problemas urgentes. não se pode deixar de registrar que o loteamento de terrenos. casas de da data da expedição do respectivo decreto. 5º.602/78). 182 e 184). utilidade pública e interesse social (arts. para sua melhor utilização fundamento nodal de toda desapropriação é a econômica. higiênica ou estética. proteção de paisagens. populares. O desrespeito a tais pressupostos de hipótese justificada pelo interesse social. por força do que dispõe o art. em se tratando de hipótese de necessidade ou subsistência. aproveitamento de bem improdutivo ou explorado sem correspondência com as necessidades Por necessidade pública. em caso de urgência. ex vi do art. 182 da Constituição. Trata-se da propriedade. funcionamento dos meios de transporte coletivo. Logo. exploração ou conservação de serviços públicos. 10 do abertura ou conservação de vias ou logradouros Decreto-lei nº 3. Ensina Hely Lopes Meirelles (Direito administrativo brasileiro. mas não imprescindível. construção de edifícios públicos. a Administração ater-se às condições estipuladas na Carta Magna e no Estatuto da Cidade. e artísticos. . De início. ao interesse público. justa e em dinheiro. estações de clima e fontes medicinais. a criação e melhoramento de centros de e caducidade da declaração.30 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Expedido o decreto expropriatório. o que diz respeito ao prazo decadencial calamidade. o Poder Executivo São casos de necessidade pública: a segurança nacional. Esse prazo será de cinco população e seu abastecimento regular de meios de anos. XXIV da social é a exigência constitucional para a legitimidade Constituição Federal. da desapropriação. Esgotado o saúde. cemitérios. execução de planos de urbanização. proteção do solo e preservação de cursos e quando a utilização do bem for útil ou vantajosa de mananciais de água e de reservas florestais. entre outros: assistência social. não podendo haver desapropriação A indenização deve ser prévia. desapropriação por interesse individual ou particular. seja de organizações particulares. obras de higiene e decoração. 5º. ou ser feito o depósito em juízo. Por utilidade pública. Jamais poder-se-á admitir a ampliação de distritos industriais (Lei nº 6. de bem-estar social ou promover a justa distribuição conforme dispõe o art. prazo sem que a desapropriação tenha sido efetivada. toda desapropriação há de satisfazer interesse preservação e conservação de monumentos históricos social e coletivo. públicos. econômico. mediante a defesa do Estado. de arquivos e documentos. no caso de interesse São casos de utilidade pública. terá prazo para efetivar a desapropriação. entende-se a desapropriação de habitação. utilidade pública. devendo jurídicos vicia irremediavelmente o ato. A Constituição da República arrola três pressupostos monumentos. inadiáveis população a que deva ou possa suprir por seu destino ou fundamentais do Estado. e de dois anos. Já a desapropriação por interesse social opera-se quando a O Município pode desapropriar o bem quando retirada unilateral do bem visa a solucionar problemas ele não atende à função social da propriedade. estádios etc. construção ou finalidade pública.542) que a finalidade pública ou o interesse A indenização. no sentido de ser paga antes para atendimento de interesses privados. para o exercício do poder expropriatório: necessidade pública. clínicas. pessoas físicas. o socorro público em caso de acordo ou não. Tais prazos são decadenciais e começam a correr pública. seja de de o Poder Público entrar na posse do bem expropriado.365/41.

para a maioria dos autores O Município somente pode desapropriar bens só há desvio de finalidade quando o interesse público particulares. Deve ser em dinheiro (vale dizer. a finalidade: o fim público que o ato visa decorrentes da transferência da propriedade. Se. mencionando- dinheiro”. Na desapropriação não é diferente. Assegura a Constituição que o extraordinariamente. Alerte-se. MANUAL DO PREFEITO  | 31 Deve ser justa. Em ambas as hipóteses. nada impede que seja o motivo (desvio de finalidade. em consequência da realização patrimônio do expropriado fique indenizado. optou-se por construir móveis ou imóveis. empresa pública ou de um na Justiça a sanção que o ato merece. da União ou mesmo de suas autarquias. como é o caso da transferência do para as exceções a esta regra. social o caso dos direitos reais. 184 do Texto Constitucional. qual seja. 4º do Decreto-lei nº 3. excepcionalmente. a indenização em títulos da Dá-se o desvio de finalidade quando o bem expropriado dívida pública. Entre elas destacam-se . atingir. Dessa forma. Assim. a desapropriação é feita em benefício da Por fim. previstas nos arts. (construção de posto médico) é substituído por interesse membro. busto de personalidade do Município. que nulidade. inclusive coisas imateriais. sejam finalidade (em vez de hospital. sociedade de interesse público etc. na propriedade privada. sua concessionário ou delegado do Poder Público. Assim. inexistência que seja em favor de uma autarquia. todos os prejuízos emergentes e lucros cessantes elementos. ou coletiva. Vale acrescentar que o bem expropriado para O art. e tal que se destinam à revenda. não se aceitando. Em geral.365/41 deixa claro que todos determinada finalidade pública pode ser usado em outra os bens podem ser sujeitos a desapropriação. ou pelo interesse social.365/41). se dá quando de um lado figura o bem expropriado e. não pode pague um tostão a menos. por hipótese. isto é. 182 e bem a particular. a área contígua deve ser incluída no ato declaratório de utilidade Já se viu que inúmeras são as formas de intervenção pública (art. exerça atividade de utilidade pública. qualquer própria administração direta. então. do Todo ato administrativo tem. A própria Constituição não admite que se utilidade pública. refletir o valor real e atual do bem. Poderá também abranger as zonas que se valorizam à época do pagamento. salvo haver desapropriação. sem serventia pública. Entretanto. apenas. privado ou motivo de natureza pessoal (construção do fundações ou sociedades de economia mista. Não pode desapropriar bens do Estado. como um de seus outro. desde que igualmente pública ou.). em moeda sem finalidade pública. A desapropriação poderá abranger a área contígua Demais formas de necessária ao desenvolvimento da obra a que se intervenção destina. isto ocorrer. embora do serviço. interesse público. traduzida pela necessidade ou corrente). como é escola). por exemplo). o interessado poderá obter de economia mista. 2º do Decreto-lei nº 3. diz-se que a indenização é justa quando se quais as indispensáveis à continuação da obra e as há a recomposição do patrimônio do expropriado. se a desapropriação for ilegítima. ou qualquer outro modo que não o toma destinação diversa daquela que atenderia ao pagamento em moeda nacional. a declaração de o bem imóvel que nele exista seja trocado pelo “bem utilidade pública deve compreendê-las.

g. . Em não havendo utilização temporária pelo Poder Público de bens prejuízo algum. o prédio serviente ou seu A requisição administrativa consiste. ao contrário. propriedade particular. artístico. p. a Já a ocupação temporária é a “forma de limitação do ocupação temporária. mais daquelas faculdades que compõem o direito real cólera. a requisição. p. tais como calamidade pública. O tombamento é um procedimento administrativo de perturbação social etc. a servidão móveis. ser preservado.126). imóveis ou serviços privados. por entidade pública. A servidão será indenizável. o A aplicação da limitação administrativa simplesmente isolamento de determinada área. Por tratar-se de procedimento competência privativa do Chefe do Poder Executivo. A segunda o instituto. pode desfrutar de todos eles. “a propriedade entende o Supremo Tribunal Federal que a ocupação não é afetada na sua exclusividade. cultural ou concretização de perigo público iminente desfigura paisagístico. a ocupação de casas ou terrenos outorgadas ao titular de domínio sobre bens. XXV. cit. no legalidade – restrições ao exercício das faculdades período de eleição. Direito administrativo. unilateral e autoexecutório. mas no seu caráter temporária deve ser precedida de ato declaratório de de direito absoluto. um dever de abstenção. sentença judicial. basicamente. A não bem possui valor histórico. especificados todos os atos inerentes ao tombamento. propriedade particular ocupada. devendo. por decreto executivo. na proprietário sofra qualquer prejuízo. e de poder ser ou não gratuita. Segue-se que a indenização. pois o proprietário não reparte. é feita a posteriori. como a malária. da maneira que Outro modo de intervenção direta na propriedade lhe convenha. 5º. abstrata e gratuita. pode-se mencionar o uso temporário de seu poder para criar – respeitado o princípio da de prédios particulares pela Justiça Eleitoral. Não se admite – em geralmente.. sobre a coisa durante o período de tempo no qual a Por envolver bem imóvel de propriedade privada. Logo. da CF de 1988). com base em lei. RDA. É plenamente legítimo o exercício por parte do Município Como exemplos. particulares no caso de incêndio ou inundação.. tornando a requisição ato arbitrário da é a inscrição no Livro do Tombo. para fins de interesse Por limitação administrativa entende-se a intervenção público” (Di Pietro. 12ª ed. Trata-se de restrição pelo poder público em prol do interesse coletivo” (Maria ao direito real de gozo.32 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL ainda: as limitações administrativas. até onde não esbarre com óbices opostos é a servidão administrativa. por isso. 2000. impondo. nos casos de possível impede ao proprietário do bem o exercício de uma ou propagação de moléstias contagiosas. acordo ou São Paulo: Atlas. de atender a necessidades urgentes e iminentes da Administração. onde devem estar Administração responsável por sua decretação. permanente ou temporário. mas. meningite etc. v. geralmente. uma hipótese alguma – eventuais alterações prejudiciais à obrigação de não fazer. com terceiros. os seus poderes sobre a coisa. ou seja. de que determinado (art. de imóvel de propriedade particular. utilização transitória. gratuita ou remunerada. Difere da requisição pelo feita pelo Poder Público na propriedade privada fato de a ocupação ser feita sempre em bem imóvel de forma genérica. no caso de dano na declaração. com o propósito administrativa é imposta gratuitamente. 135:192). as servidões administrativas e o Estado à propriedade privada que se caracteriza pela tombamento. em duas fases: a primeira consiste judicial. 126). utilidade pública (STF. dispensa autorização dividido. desde que. dita limitação estiver em vigor. instituído sobre imóvel de Sylvia Zanella Di Pietro.

art. Em razão das variadas alterações no sistema de Cumpre lembrar que são formas de parcelamento do divisão de competências legislativas e administrativas solo o loteamento. MANUAL DO PREFEITO  | 33 O tema está presente em mais de um dispositivo da no Texto Constitucional (§ 1º do art. fez inscrever urbanístico mais utilizadas na atualidade. o parcelamento ao direito de propriedade. legislar sobre a seja. a edificação. arqueológico. desde que observe a legislação federal parcelamento do solo urbano e do Estatuto da Cidade. o arruamento. delegou ao legislador estadual e municipal a matéria. e 182). Inobstante o acima exposto. O parcelamento do solo urbano encontra-se regulado basicamente. o desmembramento. 30) postulado de irrecusável importância. 30. 24. expansão urbana definidas em lei municipal. de 11/10/11. I. ex vi da lei federal sobre sua cultura. as normas de caráter genérico editadas final do art. 10. industrialização e formação da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes. 12. pode o Município efetuar Dessa forma. e 216). pela Lei nº 6.766/79. 21. todos da Lei Maior. no entanto. de sítios de recreio. apenas. I. no entanto. de 16/06/11 e pela Medida Provisória retirada do seu direito de uso. pelo Decreto-lei nº 25.424. como também da parte de atuação. O loteamento. de 29/01/99.428/66 (também com atualizações). de suas paisagens ou de com as normas gerais vigentes. tem-se que a o desdobramento e o reparcelamento. competência para legislar sobre matéria urbanística por envolver a subdivisão de gleba em lotes destinados ficou dividida nos arts. atento à necessidade de de logradouros públicos ou modificações de vias já deixar ao nuto do administrador local e regional a existentes. tampouco pode constituir-se em 05/01/07. em zonas urbanas ou de preservação do bem. o presente assunto. no domínio 9. De outra parte. mais especificamente o Estatuto da Terra (Lei nº 4. sendo apenas limitação nº 547. no parcelamento em zonas rurais Efeitos da intervenção na não tem aplicação a Lei nº 6. qual Não pode o Município. VIII. dentro da Federação brasileira. desde que se coadunem paleontológico ou artístico. Sobre as mesmas atuação urbanística incidirá a legislação federal. 24 e inciso I do Constituição Federal (arts.766. de 30/11/37.504/64. inciso VII. peculiaridades das comunas. de 03/08/04. 23. com abertura de novas vias de circulação.932. 11. de 19/12/79. em princípio. é perfeitamente possível ao Município – a qualquer momento – o tombamento em defesa editar normas locais que venham a atender às de seu patrimônio histórico. naquilo que for necessário à do solo para fins urbanos. alterada pelas Leis nº O tombamento não interfere. e alcança. XX. 30. IX. constitui uma das formas de parcelamento competência sobre direito urbanístico. A essa conclusão chega-se não somente pela competência para suplementar.445. 30. pela União. sendo aquela composta. com alterações) e A Constituição de 1988 trouxe grandes inovações sobre o Decreto nº 59. IX. . dentro de seu âmbito leitura do art. de e na posse do bem. que tem por objetivo que se verificará a possibilidade de loteamentos rurais ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais destinados à urbanização. III e IV. O legislador. sobretudo no que diz respeito que em seus dispositivos estabelecem as hipóteses em à política urbana municipal. ecológico.785. 24. e estadual respectiva.

não se pode deixar de lembrar que o Poder Público municipal possui em suas mãos instrumentos dos mais eficazes para a execução de sua política de desenvolvimento e expansão urbana. devendo ser lido o capítulo deste livro dedicado ao assunto. art.34 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Por fim. qual seja a elaboração de seu plano diretor (CF. 182) e da legislação que o complementa. bem como o que trata do desenvolvimento sustentável. . conforme ordena o Estatuto da Cidade.

a concentração de governamentais. desde 1934. o que se reflete diretamente nas regulamentada. se oportunidade histórica de consolidar as relações É preciso que o Município atente para o fato de que intergovernamentais. acesso à cultura. mas pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais. de modo a assegurar a a institucionalização do sistema de competências operacionalização adequada dos mecanismos concorrentes não pode correr o risco de provocar indispensáveis ao funcionamento do sistema superposições de comandos e de recursos. * Revisto e atualizado por Gil Soares Junior. tais como: preservação do patrimônio poderes e recursos em mãos da União fazia com que o público. a normatização “para a cooperação entre a União e os A própria Constituição. tinham de assumir comportamento de dependência.”. construção de moradias A necessidade de articulação entre as diferentes e saneamento básico. o Distrito Federal e os Municípios. conflitos interinstitucionais. proteção ao meio ambiente. têm-se as competências de Governo da União. No capítulo referente à União é feita menção às competências A Constituição de 1988 propiciou novo padrão nas comuns aos três níveis de Governo. o federalismo responsabilização das agências governamentais pela brasileiro tem-se concretizado. saúde. Até então. produção agropecuária especialmente financeira. em vários de seus dispositivos. teve. a não federativo de Governo. Vale lembrar que o Texto substituindo o antigo federalismo dual e isolacionista Constitucional prevê legislação complementar sobre pelo chamado federalismo cooperativo.. Estados. proteção e garantia país historicamente se defrontasse com uma Federação aos portadores de deficiência. ocorria de forma distorcida. por acordos inexistência ou inadequação dessas atividades e os e pactos. educação para o trânsito e turismo. MANUAL DO PREFEITO  | 35 Capítulo 3 Parcerias governamentais* Relações entre os níveis relações intergovernamentais. . patrimônio histórico pouco equilibrada. direitos de esferas de Governo sempre se fez presente. Incluem- relações que se estabelecem entre os três entes que se aí questões que abrangem várias atividades compõem a Federação. frente ao Governo Federal. e abastecimento alimentar. advogado e consultor do IBAM. A partir de 1988. assistência pública. dos Estados e dos Municípios.. combate à pobreza. No título destinado à organização do Estado. educação e ciência. Afinal de contas. mas até trata da distribuição de encargos entre os níveis a edição deste trabalho a maioria dos temas não foi de Governo. negociações entre os diferentes Governos. onde Estados e Municípios e cultural.

justo e democrático de recursos. notadamente para os nunca. como a Caixa Econômica A assistência técnica sempre foi atividade de crucial Federal – CEF. as relações possa ser atendida. mas também a seus Distritos. de se definir. pelo problema. Agora. aqui. a propósito. de forma bem clara e explícita. Aí estão colaboração intergovernamental: a assistência técnica as agências governamentais que dispõem de recursos e a cooperação financeira. que lhe é feita constantemente. se apresentam às Administrações federal. de forma articulada com os dessa assistência por parte dos Governos estadual e Governos estaduais. instrumento através Constituição expressa. os projetos com o Banco Mundial – responsabilidades repassadas pelo Governo Federal. poderá garantir não apenas a continuidade desses serviços em muitos Municípios. fontes as unidades governamentais. na medida em programas da área social e de infraestrutura urbana. capítulo deste livro. que deve ser considerado instrumento notável para a Vale comentar dois aspectos relevantes no espaço de continuidade dos programas de investimentos. a relação intergovernamental uso inadequado dos convênios. sobre o tema. a remete à questão dos convênios. é comum a demanda por esses Constituição em vigor trouxe novos recursos para serviços. os níveis de Governo. continua a impossibilidade cumprir. Aparece aí certa distribuição de funções entre o fluxo regular. Nas áreas de negociadas. evitando o No título da Ordem Social. em muitas áreas de atuação comum seus quadros técnicos e administrativos e. no caso de inexistência ou de insuficiência Com isto.36 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Isso significa que. garantindo social. os Estados e os Municípios municipais e estaduais se organizem de forma se alteraram substancialmente. mais do que expressivas de financiamento. Município. organizar para a defesa de seus interesses. ficando a execução a cargo dos Governos mencionar outro ponto importante das relações Estaduais e Municipais. BIRD e com o Banco Interamericano de Desenvolvimento Para o Município é do maior interesse exigir a prestação – BID são alternativas que. para que a cooperação se apresenta nítida no caso dos serviços de assistência financeira parta de bases sólidas e seguras. É imprescindível que os Governos financeiras entre a União. assume posição especial. provocando mudanças articulada para a defesa de seus interesses quando da também nas articulações político-institucionais e elaboração dessa legislação. . Dessa maneira. Vejam-se. para empréstimos ao Município. Trata-se do recurso ao crédito. cujos serviços são prestados pelo deste Manual em que essas questões são abordadas. Do que Estados e Municípios se defrontam com novas lado internacional. outro intergovernamentais. do qual se processam as chamadas transferências as relações entre os níveis de Governo. adequadamente. técnico-administrativas. A cooperação financeira Quando trata das competências municipais. sem que os Governos municipais. outros capítulos saúde e educação. assim. suas responsabilidades. Como o Governo municipal está mais A descentralização financeira estabelecida pela próximo do cidadão. a importância de o Município se técnica e financeira da União e do Estado. o Banco Nacional de Desenvolvimento importância nas relações que se estabelecem entre Econômico e Social – BNDES e o Banco do Brasil. são feitas referências diretas à cooperação Reafirma-se. qual nível de Governo é responsável melhoria da qualidade dos mesmos. sobretudo nos da prestação de serviços à população. poder aos três níveis de Governo. Ver. vale coordenação. cabendo à União os papéis de Ainda com respeito à questão financeira. de forma a possibilitar o aprimoramento de municipais de maior porte.

década de 1990. determinados serviços temporários ou permanentes. hospitais diferentes esferas de governo (cooperação vertical). Dependendo dos interesses aglutinação de esforços. há outras formas. é fator de coesão que relevância para a utilização desse tipo de mecanismo estimula a consciência do papel desempenhado pelas de financiamento. e clínicas especializadas. a A seguir. A reunião de Municípios vizinhos. como forma de arranjo institucional de prestação de serviços e de articulação com outras que viabiliza parcerias na solução de problemas esferas de Governo. que se reflita em benefícios ao municipais pode se dar em várias frentes. As responsabilidades advindas da implantação da ordem constitucional ressaltam a necessidade de Os consórcios públicos organização dos Municípios no sentido de enfrentar as demandas da população. As funções desempenhadas Os consórcios intermunicipais começaram a surgir na pelas associações podem ser de grupos de pressão. é fato de reconhecida e conveniências. de forma a ter-se endividamento A prestação de serviços a partir de associações municipal consequente. desses recursos. as associações municipais intermunicipal podem desempenhar papel de extrema valia. Como articuladoras entre os Governos Municipais e as Cooperação outras instâncias de Governo. de equipes técnicas com quadros qualificados. A avaliação precisa instrumento de pressão para o encaminhamento de da capacidade de endividamento. com objetivo de organizados de Municípios. como os consórcios. MANUAL DO PREFEITO  | 37 É preciso alertar. importância no desenvolvimento da consciência que se dedicam mais precisamente à prestação de municipalista no Brasil. financeira ou político- de pagamento dos empréstimos é fator de absoluta institucional. as de Governo podem encontrar apoio substantivo na associações estão contribuindo para a integração do cooperação intermunicipal. A formação atendimento às necessidades da população. as relações entre os níveis implementação de planos estaduais e regionais. organizados Não há fórmulas prontas para a formação de grupos em associações microrregionais. para o fato de que o recurso A organização de determinado número de Municípios ao crédito não pode ser usado de forma indiscriminada em torno de entidade única pode significar excelente e não planejada pelo Município. por exemplo) certamente são que se apresentam como igualmente importantes e fontes de economia de recursos e de possibilidades de complementares. contudo. ampliação e melhoria das funções governamentais. comuns dos Municípios sem que estes percam sua . Ao encaminhar demandas e participar da elaboração e Como dito anteriormente. examinam-se algumas formas de colaboração aquisição e manutenção de equipamentos para o uso entre entidades da mesma esfera de governo das Municipalidades associadas ou mesmo a prestação (cooperação horizontal) e entre entidades das de serviços nas áreas sociais (escolas técnicas. É fenômeno relativamente planejamento e a adequação do mesmo às realidades espalhado pelo País a associação de Municípios. e aos interesses locais. É evidente que isso deve estar Administrações municipais enquanto agentes de associado à definição de prioridades da alocação desenvolvimento do país. Ao mesmo tempo. e a capacidade reivindicações de ordem técnica.

fornecimento de bens. art. 3º do Decreto nº 6. tecnologia Indicadores da preocupação do legislador em e infraestrutura. 37 da Constituição prestação de serviços de saúde. publicidade e os fluxos de utilização de serviços médicos são e eficiência).017/2007 vieram ambiente. pelos interesses dos entes federados que os criaram. O caso mais característico é o da estão sujeitos aos princípios do art. aos controles externos do Poder compatibilizados. estimuladores da formação de flexibilidade no estabelecimento dos objetivos e do capital social e articuladores da consolidação do escopo dos consórcios. 1º). arrola como objetivos admissíveis para os consórcios porque privilegiam recortes territoriais micro ou públicos áreas como prestação de serviços. moralidade. social. Os altos investimentos (legalidade. questões urbanas. permitindo esse tipo socioeconômico e outras competências delegáveis. consorciados poderá participar de todos ou de apenas Pela citada legislação os consórcios podem ser parcela dos objetivos estabelecidos. impulsionou a formação de consórcios caracterizar o consórcio público como entidade como a estrutura mais adequada para sua gestão. com sua nº 8666/93. caso em que integram a administração indireta tanto a ações pontuais quanto a ações de longo prazo em dos entes consorciados na condição de associação pública. onde existe a possibilidade de obter de obras. As demandas criadas pelos programas primordialmente a serviço da cooperação horizontal de desenvolvimento local e pelos programas setoriais entre entes federados são os dispositivos da Lei nº envolvendo articulação de territórios encontraram no 11. inciso I. Programas de medida adequada de tempo e de alcance definida Governo voltados para o desenvolvimento sustentável. o art. 4º) e o que prevê que a União somente participará de consórcios No campo do desenvolvimento local.38 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL autonomia. e às regras de licitação da Lei SUS. compartilhamento sinergia na ação de um conjunto de Municípios. os consórcios públicos têm servido público. impessoalidade. território considerado (§ 1º.017/2007 estadual. de atuação conjunta em vários setores das políticas Atestando a natureza flexível e voluntária da públicas e estabelecendo as condições de contorno composição dos consórcios.107/05 e o Decreto nº 6. 70 da Constituição.107/05 determinando que o Estado só participa consórcio boa solução tanto do ponto de vista político de consórcios que incluam todos os Municípios do quanto do ponto de vista administrativo. educação. de instrumentos e equipamentos. têm incentivado a formação de consórcios. identificando e explorando as potencialidades dos diferentes Municípios e funcionando como agentes Foram mantidas as características de abrangência e catalisadores de recursos. meio A Lei nº 11. execução mesorregionais. tanto em âmbito federal quanto em âmbito Neste sentido. os consórcios públicos em que também façam parte todos os Estados possibilitaram a formulação e a gestão integrada em cujos territórios estejam situados os Municípios de planos de ação de desenvolvimento econômico e consorciados (§ 2º do art. mas em qualquer hipótese mais específicas. consolidado na Constituição de 1988. formados com personalidade jurídica de direito Dentro deste espírito. produção de informações e estudos técnicos. trazendo benefícios para o conjunto Legislativo e do Tribunal de Contas respectivo. cada um dos entes para sua efetivação. por força de Municípios. desenvolvimento disciplinar os consórcios públicos. exigência de recursos humanos e financeiros. determinados setores ou em atendimento a demandas ou de direito privado. Eles podem ser criados na de cadeias produtivas no território. . O próprio Sistema Único de Saúde – do art.

saneamento forma e condições da legislação de cada um dos entes básico e manejo de recursos de bacia hidrográfica. fazer desapropriações e ser contratados. os consórcios públicos atuam como ações do Poder Público e a ampliação da capacidade de se fossem novos entes federados. Decreto-lei nº 200/67 e têm sido objeto de alguns diplomas legais tendo em vista a importância de O quadro de pessoal dos consórcios públicos pode ser regular a transferência de recursos entre entidades composto por servidores públicos cedidos ao consórcio do setor público. transporte. obras públicas. públicos. 4º da Lei nº 11. a Lei nº 11. MANUAL DO PREFEITO  | 39 Consórcios também têm sido formados para prestação A cessão de servidores está prevista no § 4º do art. para firmar convênios. todos estes casos. serviços de interesse recíproco dos órgãos ou entidades . transformando-se em contrato a ser devidamente Convênios de cooperação registrado. como instrumento de consórcio público seja ocupada pelo Prefeito de um dos descentralização e cooperação. já apareciam no entes consorciados (art. cujas cláusulas necessárias e. permissão ou autorização de obras e serviços o importante é que seja preservada a autonomia do públicos. seus licitação. os entes associados somente entregarão recursos ao consórcio Além do esforço cooperativo entre entes de um mesmo público mediante contrato de rateio. pela administração direta ou indireta dos interesses e realidades específicos. de serviços de abastecimento e nutrição. inciso VII) e que a posição de representante legal do Os convênios em geral. a maior visibilidade e transparência nas Uma vez criados. bem como sua representatividade.107/05. citem-se o maior poder de custos e os ganhos de escala proporcionados por sua de negociação dos Municípios com seus diferentes integração. estabelecendo que ela se dará na informática e capacitação. intermunicipal é instrumento dos mais relevantes para Os consórcios são formados a partir de prévio o aprimoramento das relações intergovernamentais protocolo de intenções.107/05 abriga também a figura dos Convênios de Cooperação. 4º da mesma lei. concessão. sempre considerando o interesse Entre os resultados que podem ser obtidos com a conjunto dos Municípios associados. outorgar Qualquer que seja a forma de organização definida.170. A cooperação entes consorciados. O Decreto nº 93. sem Município. com capacidade atuação da Administração Pública no território. interlocutores. máximo deliberativo seja a Assembleia Geral (art. e contratos de programa Como estabelece o art. firmado em cada nível da Federação representado pelos consórcios exercício financeiro.872/86 também já ou por empregados públicos contratados por meio de estabelecia regras para os convênios ao dizer que os processo seletivo que assegure moralidade e isonomia. 4º. 8º da citada lei. regulamentada pelo Embora exista certa liberdade para a estruturação Decreto nº 6. a efetiva redução implementação dos consórcios. contratos e acordos. de 25/07/2007. inciso VIII). Esses convênios têm organizacional dos consórcios públicos. brasileiro. 4º. Este protocolo é posteriormente ratificado por lei.107/05 deixa clara a exigência de que o órgão horizontais como verticais entre os entes da federação. a Lei nº a particularidade de formalizarem tanto cooperações 11. por via de consequência. Em consorciados. de reforço do federalismo estão discriminadas no art.

mediante critérios de busca de racionalidade e eficácia. engendraram a necessidade do trespasse das fronteiras da cooperação para além dos espaços tradicionalmente Embora dependam da prévia existência formal de ocupados pela Administração Pública. a forma a que o Município é forçado a se submeter se desejar eficiência de serviços Os Consórcios Públicos e os Convênios de Cooperação como os de correios. os os governos. neste momento. embora possam ser celebrados sem prévia licitação (art. mas em obediência aos princípios da prestação de serviços públicos e sua consequente que regem a Administração Pública e ao que estabelece transferência de recursos. 32 do Decreto nº privada 6.017. projetos e atividades de interesse recíproco combustível. sob quaisquer formas. que os e adaptação de bens imóveis. que remete à Lei nº 8666/93). no fornecimento de programas. que a colaboração com o ou organizações particulares poderão ser executados Estado e a União. conserto de equipamentos. Pleiteia-se que consórcio público ou de convênio de cooperação. à legislação de concessões e permissões de desenvolvimento da prestação de serviços públicos serviços públicos. no As novas demandas feitas ao Poder Público no que couber. alimentação. contratos de repasse ou termos de cooperação. observados esse Decreto e a legislação pertinente. em seu art. em seus diferentes níveis. Essa é. policiais e de Justiça. Cooperação público- Os Contratos de Programa. dos órgãos e entidades da administração pública pagamento de tarifas de serviços públicos e até mesmo federal e de outros entes ou entidades públicas ou a doação de terreno para a construção de próprios privadas sem fins lucrativos serão realizados por meio estaduais e federais. são pré-requisitos alternativos para a celebração para citar os mais comuns. que os recursos financeiros. na execução de obras de manutenção O Decreto nº 6. com a extinção destes instrumentos que o autorizaram. na maioria das vezes. Cada Município é livre para de Contratos de Programa. equipamentos e outras instalações. Esses encargos devem ser formalizados por compô-los referentes ás transferências de recursos. humanos e materiais de que estabelece as cláusulas que obrigatoriamente deverão dispõe. se materializa sob regime de mútua cooperação. mediante convênio. pessoal para a execução de atividades pertencentes àquelas esferas. .40 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL da administração federal e de outras entidades públicas Vale ressaltar. 1º. indo além do ônus de dotações consignadas no orçamento fiscal e de da edificação e terminando com a aquisição dos seguridade social e efetivadas por meio de convênios. em encargos para o Município tais como cessão de acordo ou ajuste. segundo disciplinados no art. o que às vezes não se esgota na de transferência de recursos financeiros oriundos tradição da propriedade imóvel.170/2007 reza. meio da assinatura de convênios. delegando à esfera privada. devem atender.107/05. a administração indireta de qualquer dos entes da Federação consorciados ou conveniados. Estes contratos estão assumir os encargos que julgar conveniente. 13 da Lei nº 11. Podem ser também celebrados a Lei Complementar nº 101/00 (Lei de Responsabilidade por entidades de direito público ou privado que integrem Fiscal). telefones. privilegiem contratos de programa continuam vigentes mesmo perfil negociador e gestor. não só para eximir Os Contratos de Programa são condição para a o Prefeito de responsabilidade futura quando de sua formalização de obrigações criadas pela gestão associada prestação de contas.

21. limite permitindo que pessoas físicas ou jurídicas assumam de comprometimento da receita líquida anual do determinados serviços por períodos limitados até contratante. Abrangem atividades meio que dos usuários. Estes contratos não parceiro público. de 13 de fevereiro espaço de cooperação calcado nas alianças entre o de 1995. remunerando Público a utilização de prerrogativas como a rescisão integralmente o parceiro privado. Além das referências constitucionais específicas onde haja o reconhecimento da expertise contidas no art. cabendo esses mecanismos em dois grupos. legais das permissões.00. se constituem no mais Este novo horizonte de possibilidades de alianças tradicional mecanismo de transferência da prestação público-privadas abrange alguns mecanismos.079. foram criadas duas novas modalidades de entidades sem fins lucrativos que compõem o que se concessão: a concessão patrocinada e a concessão conceitua como terceiro setor. muitos de serviços à iniciativa privada. se: prazos contratuais entre 5 (cinco) e 35 (trinta e As autorizações e as permissões têm caráter precário. tais como obras.666/93. cinco) anos. MANUAL DO PREFEITO  | 41 a operação dos serviços de relevância pública em áreas concessões. penalidades previstas legal de prévia licitação e as demandas crescentes para ambas as partes. Descortina-se. As concessões patrocinadas e administrativas se diferenciam na medida em que nas primeiras o Os contratos administrativos estão bem disciplinados concessionário é remunerado pela tarifa cobrada na Lei nº 8. serviços. administrativos. valor mínimo de R$ 20. Pode-se dividir serviço e prazos contratuais mais longos. alienações e locações. Com a Pública e as entidades empresariais e o segundo ligado entrada em vigor da Lei nº 11.000. inciso XII e no art. as permissões da iniciativa privada. remuneração condicionada a resultados e que o poder público defina a forma mais adequada ao cumprimento de metas. pelo estabelecimento de prazo.987. e na segunda o próprio setor público podem ultrapassar 5 (cinco) anos e permitem ao Poder é o beneficiário direto do investimento. Pela exigência por contratantes e contratados. novo estão disciplinadas pela Lei nº 8. as autorizações. 175. complementado por contribuição pecuniária do compras. disciplinados mais recentemente. de 30 de dezembro às colaborações entre a Administração Pública e as de 2004. Em função desses novos tipos. Como pontos unilateral e a exigência de garantias por parte dos comuns entre os dois novos tipos de concessões tem- contratados. garantias recíprocas dadas de prestá-los de modo sistemático. este último incluindo As concessões.000. demandando com remuneração do concessionário pelo usuário do tempo para avaliações mais sólidas. com exigência de deles já regulamentados há algum tempo e outros todos os procedimentos de concorrência pública. as permissões e as concessões. e compartilhamento de riscos. classificadas como parcerias público- privadas (PPPs). valor este que é obrigatoriamente podem ser terceirizadas. estando o primeiro ainda ao contratado apresentar as garantias e assumir voltado para as colaborações entre a Administração integralmente os riscos do empreendimento. desta forma. as permissões têm As exigências financeiras previstas na legislação para desenvolvido tendência a se aproximarem das estes dois novos tipos de concessão remetem a projetos . administrativa. setor público e o setor privado. essa Os mecanismos de colaboração entre o setor público mesma lei passou a definir as concessões tradicionais e a iniciativa empresarial incluem os contratos como concessões comuns. amparadas pelos mesmos dispositivos entidades com fins lucrativos e sem fins lucrativos.

que eram de 45 e 90 dias. ou em lei específica. 106 municipais (2 de Consórcios) e 32 Estaduais. e passaram de PPPs assinados. sendo recusa motivada da fatura pelo Poder Público. .766/12): 5. garantias e realização de transferências voluntárias estabelecendo a possibilidade de o Poder Legislativo pela União. não poderá ser acionado se houver de Manifestação de Interesse (PMIs) mais 138. A Lei nº as partes. desembolsos. indicam-se as alterações produzidas na do agente público caso coubesse a motivação. hipoteca.079/2004. com responsabilização A seguir. Distrito Federal e Municípios com custos relacionados ao setor específico do projeto. os contratos realização da construção são realizados. As formas jurídicas que ser tributadas na proporção em que os custos para a assumem estes acordos são os convênios. respectivamente para 15 e 45 dias. ampliação para 5% do limite percentual de tenham detalhamento de anteprojeto e levem em comprometimento da receita corrente líquida consideração os valores de mercado e sistemas de dos Estados. desde a criação da Lei e estão em fase de Procedimento entretanto. tendo de contratos novos.043/2015 reza que as receitas dos aportes deverão interesse e relevância pública. de gestão e os termos de parceria. lista meramente exemplificativa. Ela possibilitou aos garantidores os investimentos privados implicavam em elevados as mesmas prerrogativas concedidas aos financiadores. aporte não se confunde com as contraprestações Alternativamente criou a figura da administração e pode ser oferecido pelo Poder Público para a temporária. como as contraprestações financeiras públicas nos Finalmente.42 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL e investimentos de grande escala. O Fundo. cabe mencionar a Lei nº 13. legislação que regula as PPPs (Lei nº 12. confirmando que os mecanismos que públicos municipais. alienação fiduciária etc. ampliação do leque de opções do Fundo Garantidor utilização destes mecanismos por Municípios de da Parceria que pode se valer genericamente pequeno e médio porte isoladamente. A cooperação do setor público com o terceiro setor é desde que autorizado no edital de licitação.) constavam de Dados mais atualizados do início de 2016. Boa alternativa da contratação de diferentes instrumentos de pode ser sua viabilização através dos consórcios mercado. de assumir o controle societário da concessionária. somando Estados e Municípios. ambas voltadas para atividades sociais de 13. 2. já existem mais de 80 contratos seja acionado. realizar Parcerias Público-Privadas. foi criado o “aporte de recursos”.079/2004).097/2015 que contratos de PPPs só começavam a ocorrer com a alterou não só a Lei de Concessões (nº 8987/93) como a Lei existência de pelo menos parcela fruível do bem e de PPPs (nº 11. eram citados anteriormente (fiança. despesas de caráter continuado com parcerias público-privadas.137/2015 também alterou a Lei nº 11. no caso favorecida por acordos ao invés de contratos. no caso de em vista que existe identificação de objetivos entre contratos anteriores a 8 de agosto de 2012. sem assunção do controle acionário. determinação para que os estudos de engenharia 1. Isto dificulta a 3. colhidos no Observatório de PPPs. realização de obra ou aquisição de bens reversíveis. mostram que independentemente do quadro macroeconômico e 4. para fins de concessão de A Lei nº 13. Este ou seja. penhor. O silencio de 45 dias do recebimento da fatura implica em aceitação tácita. redução dos prazos para que o Fundo Garantidor político desfavorável.

religiosas que atuam no campo social.019/2014. da sociedade civil. considerando especialmente as dificuldades que continuam a seguir sua regulamentação específica. com exceção dos relativos à área da saúde. a Lei das parcerias. de taxa de administração e faculdade de denúncia unilateral concedida ao poder público. introduzindo normas para sua operacionalização.637/98. Em relação a exigências iniciais de procedimentos mais detalhados e burocráticos para a formalização Em relação especificamente aos Convênios. ainda ao atingimento de metas por parte da entidade que existam algumas poucas hipóteses de dispensa ou executante do acordo. Cabe mencionar que os Estados também podem A exemplo do Procedimento de Manifestação de regulamentar em relação às parcerias que pretendem Interesse (PMI) utilizado para sondar o interesse do implementar. por ato administrativo local. Por outro lado. MANUAL DO PREFEITO  | 43 Além do interesse convergente dos partícipes. entretanto. contas. sem que. Os do plano de trabalho e a formalidades da prestação de convênios.726. a nova lei enquadra como Organizações da Sociedade Civil (OSCs) não só as associações e fundações. Trata-se de modalidade específica de acordo.019/2014 já está vigorando para a União. empresariado em participar de iniciativa de parceria pensada pela Administração Pública. a partir de janeiro de 2017. ele seja do terceiro setor qualificada como Organização . mas Por meio do Decreto nº 8. também aqui foi O Contrato de Gestão está regulado pela Lei nº criado o Procedimento de Manifestação de Interesse 9. mas nada impede que. vedação do estabelecimento inexigibilidade. o também as cooperativas com viés social e as entidades Governo Federal regulamentou a Lei nº 13. Termo de Colaboração. O Acordo de Cooperação é utilizado Estados e Distrito Federal desde 23 de janeiro deste quando a parceria não envolve transferência de ano. esta vigência. O Termo de Colaboração disciplina a que não demonstrem condições éticas e profissionais parceria que se forme a partir de iniciativa da própria de administrarem recursos públicos. comum: manutenção da propriedade do Poder Público A existência de competição para a escolha da futura sobre os recursos transferidos à outra parte. O Termo de Fomento é utilizado quando a iniciativa da proposta de parceria é A Lei nº 13.019/2014. a Prefeitura decida antecipar No espaço abrangente das entidades sem fins lucrativos. operacionais de entidades de pequeno porte que foram substituídos por três novos instrumentos: o atuam junto a Municípios menores. o Termo de Fomento e o Acordo prevaleceram as exclusões e as sanções a entidades de Cooperação. vinculação entidade parceira está assegurada em termos gerais dessa transferência ao cumprimento de etapas e pelo disciplinamento do chamamento público. alterada em grande parte pela Lei de sua entrada em vigência. de 27/04/2016. que inclusive geraram o retardamento nº 13. a versão da nova lei ora nº 13. ao detalhamento o Poder Público e as entidades do terceiro setor. essas passo obrigatório ou condicionador da efetivação da três modalidades de acordo têm como elementos em parceria. a vigência obrigatória se dará recursos financeiros. Para os Municípios. Social (PMIS) para que o Poder Público possa realizar possível entre a Administração Pública e entidade essa prévia sondagem. Administração Pública.204/2015. veio trazer modificações bastante aprovada simplificou-as especialmente em relação à significativas a este espaço de relacionamento entre experiência prévia das entidades.

Passa a ser possível a participação de possível entre a Administração Pública e a Organização servidores públicos na composição de Conselho da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Assim Cabe registrar que a Lei nº 13. o Município pode Não podem ser qualificadas como OSCIPs: sindicatos. ética. entidades de planos após sua extinção. As áreas de atividades da requerente podem ser assistência social. educação. públicos pelo mecanismo de cessão. . crédito. o estudo e a pesquisa em tecnologia de mobilidade Trata-se também de modalidade específica de acordo. Através de legislação específica. a pesquisa sociais (OSs).019/2014 introduziu como no caso do convênio.100 do mesmo ano. públicos. e preservação do meio ambiente e a saúde. As entidades recursos transferidos pelo poder público mediante o candidatas à qualificação de OSCIP terão que cumprimento de metas estipuladas no acordo. desenvolvimento sustentável. mediante requerimento. possibilita aos Prefeitos leque de alternativas cidadania. das pessoas. a Organização Social tem algumas alterações na Lei nº 9790/99. que essa titulação contidas no art. comprovar três anos de funcionamento regular. As OSs podem receber servidores de saúde. Há importantes vedações a na qualidade e eficácia de seus serviços. escolas privadas. Foi O Termo de Parceria é instrumento regulado pela Lei admitida como área suscetível de Termo de Parceria nº 9790/99 e pelo Decreto nº 3. Há um rol mais extenso de documentos a serem fornecidos pela OSCIP quando da A titulação de OSCIP é concedida pelo Ministério da apresentação de prestação de contas. Justiça. organizações gestão podem ter como objetivos o ensino. seja para arte. direitos humanos. associações criadas por órgão público. que absorveram órgão da Administração Pública entidades de benefício mútuo. instituições hospitalares. estudos e pesquisas que favorece a Administração Municipal empenhada técnicas e científicas. cultura. ou Diretoria de OSCIP. comercialização. 2º da Lei nº 9790/99. Os contratos de organizações creditícias. o desenvolvimento tecnológico. relações entre níveis de governo. organizações partidárias. seja para captar a meio ambiente. qualificar como OS novas entidades ou entidades organizações religiosas. saúde. científica. A existência desse conjunto de mecanismos.44 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Social – OS. siga os parâmetros da lei federal. emprego. cooperativas. assistência jurídica gratuita. a proteção fundações públicas e fundações com finalidade religiosa. colaboração do setor privado na prestação de serviços produção.

então. bem como para que de Governo adotado pela Constituição da República possa desempenhar eficientemente o seu papel no Federativa do Brasil de 1988. Chefe de Governo e Chefe da Administração esferas de Governo. do Município. portanto. mais ousadas e inovadoras forem as iniciativas do * Revisto e atualizado por Marcus Alonso Ribeiro Neves. funções políticas. Quanto uma unidade de Governo autônoma – o Município. 23 da Carta Magna estabelece a competência posição de Chefe do Executivo. Por simetria. Como é sabido. Nesse sentido. saneamento. meio ambiente. como Funções políticas pelo fato de que é o principal depositário da confiança Por ser conduzido ao cargo por eleição popular. para que não se dupliquem e públicos. MANUAL DO PREFEITO  | 45 Capítulo 4 O Prefeito Municipal* A posição do Prefeito Não obstante. demais administrativa do Município. cumpre observar que o esferas de Governo e outros setores que possam Prefeito Municipal não está subordinado a nenhuma contribuir para o bem estar da população e o progresso outra autoridade municipal. especialmente nos campos Pública federal. sendo atribuição do processo de desenvolvimento do País. . que o Prefeito Municipal. assume o Prefeito a o art. Prefeito torna-se o porta-voz natural dos interesses Em face da consagrada autonomia político. o Presidencialismo é o sistema nem se desperdicem esforços. acumulando as funções de Chefe Município pode atuar em conjunto com as demais de Estado. advogado e consultor jurídico do IBAM. suas responsabilidades. municipais perante a Câmara Municipal. cultura. executivas e administrativas. da educação. a fim de conseguir aprovar as leis de que é agente político responsável pelo ramo executivo de necessita para bem administrar o Município. devendo obediência apenas aos ditames da lei e O Prefeito precisa do apoio da maioria na Câmara mandados judiciais. o popular para a solução dos problemas do Município. Amplas são as suas atribuições e grandes. tanto do ponto de vista legal. estadual ou federal. Pode-se dizer. saúde e assistência social. habitação. no Município. visto que a Presidente da República exercer a direção do Poder atual Constituição definiu várias matérias em que o Executivo da União. desempenhando comum dos entes federados. destaque-se que deve o Município – e o assunto está tratado em outro capítulo Entende-se por sistema de Governo o conjunto de deste Manual – articular-se com órgãos federais e técnicas que regem as relações entre os poderes estaduais de Governo.

de advogado contratado para a causa. a convocação extraordinária da Câmara. o seus projetos e a autorização dos recursos necessários Prefeito tem precedência protocolar sobre as demais à execução das medidas solicitadas. como em outros atos de caráter legal da criação de novos serviços. para atender às pessoas que vêm procurar o Chefe do Executivo.46 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Prefeito na ampliação das atividades da Prefeitura. O Prefeito é o representante legal do Município. é necessário organizar a estrutura Consideram-se funções políticas do Prefeito aquelas da Prefeitura de modo que o Chefe do Executivo seja inerentes ao comando do Executivo. de leis que a Câmara recusa aprovar. ver o capítulo deste as realizações do Governo Municipal e resolver ou Manual sobre Processo Legislativo. matéria objeto da convocação. como para facilitar as comunicações Sobre a proposição de projetos de leis. politicamente hostil pode paralisar em grande parte a Quando o Município for parte em juízo. publicação e o veto às leis. os para conhecer suas aspirações e necessidades e evidentemente. a sanção. lei. publicação e veto. encaminhar queixas e reclamações. a propósito. nas maiores. não somente Município. mesmo nos assuntos de caráter democrático da investidura no cargo de Prefeito. da edição de novas leis. interesse vital para a coletividade. talvez não prejudique as demais atividades do Prefeito. bem como com as organizações comunitárias. o planejamento Em certos casos. o Prefeito pode convocá-la extraordinariamente. mas. sanção. a expedição de decretos e regulamentos. se a Prefeitura Às vezes. Por isso. da Administração com o grande público. sistemática da Câmara ou de eventual maioria Manter contatos externos é função que decorre do irredutível de Vereadores. nos intervalos dos períodos legislativos. contra aqueles Vereadores que se opõem ao Prefeito. cabe ao Prefeito ação do Prefeito. as organizações comunitárias. Não se trata. quando necessário. em casos de A participação popular. mais precisará o Chefe do ou administrativo. representadas por aliviado daqueles compromissos que podem ser atos de Governo tais como: a proposição de projetos de resolvidos por outras autoridades municipais. de que os munícipes venham a influir no ânimo da buscando apoio. Nesses casos. o Prefeito se defrontará com a oposição não tiver procurador. a representação do serviço ou setor de relações públicas. Uma Câmara autoridades municipais. tanto através do estabelecimento de novos programas ou perante a Justiça. mas de despertar o interesse da população pelas Numa cidade pequena. eleito pelo povo. . promulgação. em tudo que não seja rotineiro e não representá-lo por meio do procurador da Prefeitura ou dependa. divulgar promulgação. resta Como líder político. está tratada em urgência e para deliberar exclusivamente a respeito da capítulo específico desta publicação. assim. nas relações com as demais esferas Executivo do concurso da Câmara para a aprovação de de Governo ou no plano puramente social. na expectativa outros grupos organizados e lideranças locais. de lançar o povo contra a Câmara ou integrá-los ao processo decisório municipal. o Prefeito assume ao Prefeito mobilizar a opinião pública a seu favor a responsabilidade de dialogar com a população em divulgando amplamente os objetivos dos projetos geral. e consultando- Câmara e esta reconsidere a sua posição. Os Municípios Embora a Câmara Municipal tenha períodos certos para se maiores podem ter órgão especializado para lidar com reunir. será mesmo conveniente instituir das obras e serviços municipais. o número desses contatos medidas pretendidas.

ser exercida a ação coordenadora. Os relatórios Através do orçamento anual e da lei de diretrizes periódicos das principais repartições também são orçamentárias. serviços e atividades da organização. . a coordenação se torna mais fácil. O valor dessas reuniões periódicas como O plano de Governo deve ser amplo e compreender método de coordenação é inestimável. com o auxílio da informações. O Prefeito. Todo Prefeito precisa ter o seu plano planejamento. a fim decorrentes. de Governo se quiser bem governar e administrar o pois os objetivos. bem como as relativas aos programas de de que cada um saiba o que os outros estão fazendo duração continuada. e o Prefeito adquire visão de conjunto. para um prazo mínimo de quatro anos é obrigatório e deve constar do plano plurianual de obras e outras Para coordenar com eficiência as atividades da aplicações de capital. A realização de reuniões e a análise de relatórios Comandar tem o significado de orientar. pode o Prefeito estabelecer o plano de excelentes instrumentos de coordenação. pelos seus subordinados. o Prefeito deve promover reuniões equipamentos e material permanente e outras delas frequentes com os seus principais auxiliares. diretrizes. modo a evitar conflitos entre os serviços e programas. o Prefeito deve agir. Como máxima na direção da Administração Municipal e. e possam ser discutidos os problemas de interesse comum. vale lembrar que o Prefeito é a autoridade constituem a sua principal responsabilidade. final pelos atos de sua Administração. de modo a selecionar as opções possíveis órgãos. como de rede interna para troca de mensagens melhoram responsável final pelo que acontece na Administração. pois é exatamente esse que se identifiquem os pontos sobre os quais deve plano que o orçamento e aquela lei devem refletir. Com o de um trabalho. possível tomar decisões articuladas. controlar e praticou pessoalmente como dos que foram praticados manter contatos externos. O uso da internet e a construção portarias e outros atos administrativos. chega-se a criar órgãos próprios de plano diretor. que lhe torna não apenas as obras e as demais despesas de capital. coordenar. a comunicação e criam condições para a permuta de dirige toda a máquina da Prefeitura. instruções. com suas atividades estreitamente República e objeto de comentários específicos em ligadas às de planejamento e orçamento. tanto dos que que são planejar. facilitando a coordenação. MANUAL DO PREFEITO  | 47 Funções executivas sua equipe de secretários e dos responsáveis pelos diversos setores. ordens de serviço. verbalmente periódicos ajudam a identificar pontos sobre os quais ou por meio de decretos. inclusive para aquisição de Administração. por Chefe do Executivo Municipal. os meios e os programas já foram Município. outro capítulo deste livro. Nas grandes Outro importante instrumento de planejamento é o organizações. Planejar consiste em formular as políticas públicas Ao Prefeito compete coordenar a ação dos diversos municipais. detém a responsabilidade político-administrativa as funções que caracterizam as chefias de alto nível. comandar. programas e os meios mais adequados à realização a duplicação e a dispersão de esforços. isso. 182 da Constituição da coordenação. permitindo trabalho para cada exercício. As funções executivas e administrativas do Prefeito Não obstante. pois assim todos os aspectos da Administração Municipal. previsto no art. O planejamento das despesas de capital previamente definidos. de de atuação e determinar os objetivos. cabem-lhe. sobretudo.

Não havendo jornal algum de normal para pôr em prática ações de desenvolvimento. conferindo previamente designado para publicação dos atos ao Município novo protagonismo no processo de oficiais. A publicação dos balancetes da receita e da despesa foi ♦♦ reunir esforços para a implementação do tornada obrigatória pela Constituição Federal (art. ♦♦ mobilizar recursos. outras são praticadas da arrecadação). balancetes e liderança política e institucional. jornal próprio. portarias. do avanço da descentralização no País. como decretos. fomentar o diálogo da importância dessa formalidade. além de exposto em outro capítulo. auditoria. sendo desempenhadas as atividades da Administração Municipal.48 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Controlar é verificar o cumprimento das orientações e o alcance dos resultados desejados. a publicação poderá ser Essa situação vem se afirmando a cada dia como base feita através da afixação em local acessível ao público. circulação na localidade. sedes das Prefeituras (e das Câmaras) quadros para publicação de tais atos. repita-se. governamentais ou não. apoios e parcerias de vários tipos no Município. entram em vigor depois de publicados. 30. andamento dos programas. como estão sendo gastos os recursos Publicação dos atos financeiros. desenvolvimento local sustentável. cabendo-lhe promover as medidas necessárias ao seu mas deve abranger a verificação da maneira como estão desempenho. as abaixo mencionadas constituirão as fazer o controle da execução orçamentária). III) e consta também da Lei Complementar nº 101/2000 ♦♦ promover iniciativas diversificadas junto com (Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF). público. o equipamento e os demais recursos materiais. Os principais Funções administrativas instrumentos de controle que o Prefeito pode utilizar Se for feita uma lista das atribuições administrativas são os balancetes mensais (que lhe dão meios de do Prefeito. geralmente existem nas desenvolvimento sustentável. e a Em qualquer caso. o que dá ideia ♦♦ negociar conflitos de interesse. oficiais Manter contato com atores públicos e privados tem sido Compete ao Prefeito fazer publicar as leis e os demais uma das funções atuais do Prefeito no exercício de sua atos oficiais. a publicação poderá ser feita no Diário Oficial do Estado ou em jornal particular existente ♦♦ obter colaboração. Algumas delas são desempenhadas entrada e a saída de numerário e o comportamento pessoalmente pelo Prefeito. obras e serviços. conforme setores sociais. . como estão sendo utilizados o pessoal. Esta não precisa ser exclusivamente contábil. o boletim mais importantes. As leis e os decretos só outros entes públicos. comunitários e privados. Nesta hipótese. A publicação se fará no jornal oficial do Município. para Caso a Administração Municipal não disponha de concretizar projetos. em vista da tradição governamental diário da Tesouraria (que lhe permite acompanhar a brasileira. o que o leva a: quaisquer outros de interesse para os Municípios. os relatórios periódicos sobre o pelos secretários municipais e servidores da Prefeitura. o Prefeito é o responsável.

decretos. orçamentos. A violação das leis e dos regulamentos municipais. de cláusulas de contratos.). execução de obras e serviços ou permissão informações de caráter financeiro (arts. prestações de contas e outras materiais. fechamento de que é ato obrigatório (art. defende que. A parte que limitando-se ao de polícia administrativa. embargo de obras. O poder de afirmado que o Prefeito pode recusar-se a cumpri-la. De sejam multas ou interdição de direitos (cassação especial importância é a arrecadação dos tributos. se ele não pudesse dispor edite decreto regulamentando-a. . o legislador acaba Município a força necessária. se quiser. que seja. aplique as penalidades correspondentes. policial É prática recorrente em vários Municípios fazer constar Pouco valeriam os poderes do Prefeito para executar da lei norma que assina prazo para que o Prefeito as leis e os atos municipais. mas deve ficar claro que por afrontar o princípio da independência e harmonia não cabe ao Prefeito determinar a prisão de quem quer entre os Poderes. Arrecadação e guarda da especialmente daqueles que disciplinam o poder de polícia do Município. dá margem a que o Prefeito.394). MANUAL DO PREFEITO  | 49 Cabe consignar. Quando se tratar de violação das leis e dos regulamentos que regem o Execução das leis. Cabe ao Prefeito executar ou fazer executar os atos municipais: leis. de recusa do Prefeito em cumprir lei manifestamente ou de desacato à sua autoridade. ainda. como da violação obrigar os entes públicos a publicar. para exploração de serviços públicos. regimentos Requisição de força ou outros atos regularmente emitidos. as determinações legais. cabe também ao Prefeito a aplicação das sanções disciplinares aos decretos e demais atos servidores públicos. Para isso. como os de fornecimento de planos. O IBAM. se sentir lesada. provocará a manifestação do Sobre poder de polícia. regulamentos. contém pormenores que devem ser lidos para melhor Imposição de penalidades entendimento do assunto. em que Outra questão que suscita dúvida é a possibilidade o Prefeito ou qualquer cidadão pode prender o infrator. A jurisprudência e a doutrina têm poderá ser efetuada pelo próprio Prefeito. STF (ADI 3. outro capítulo deste livro Poder Judiciário. ou receita outra autoridade municipal a quem tal atribuição for O Prefeito é responsável pela arrecadação municipal delegada. pode o Prefeito ao marcar prazo para que o Executivo exerça função requisitar à autoridade policial competente no regulamentar de sua atribuição. funcionamento dos serviços municipais. que a Lei Complementar nº As penalidades podem resultar não somente da 131/2009 alterou a Lei de Responsabilidade Fiscal para infração das leis e dos regulamentos. pela internet. a não ser em caso de flagrante delito. 48 e 48-A). desde que fundamente as razões de recusa. de licença. polícia do Município não inclui o de polícia judiciária. especificada no orçamento e pela sua guarda. alinhado de meios para obrigar os recalcitrantes a cumprir ao entendimento do E. em que a prisão inconstitucional.11 da Lei Complementar nº estabelecimentos etc.

A tolerância em excesso estimula o expedição de certidões atraso das contribuições e coopera para a redução da A Constituição Federal assegura a qualquer pessoa o receita. Não deve se negar a manifestar-se. artístico e cultural) cuja violação pode acarretar a intervenção estadual no são passíveis de anulação. conservação e proteção. mediante ação popular. do Prefeito. não os pode alienar sem a autorização da Câmara. depois de tentada a via administrativa. 37 da Constituição. obrigações fiscais. nunca em nome do atendendo ou negando o pedido ou determinando próprio Prefeito ou demais agentes públicos. autarquias ou outras repartições. na forma estabelecida na Lei Orgânica do Município. A Câmara só intervém para aprovar os conforme determina o art. legislação federal que rege a matéria. 5º. cuja Despacho de petições e cobrança se fará judicialmente. cultural. de sua administração. . não podendo o Prefeito deixar de Para aprofundamento da matéria. A desapropriação de bens por necessidade pública. pertencentes ao Município. artístico. zelando por sua guarda. ver capítulo deste praticá-lo nem liberar qualquer contribuinte de suas Manual sobre atos de império. da Constituição recursos financeiros necessários à desapropriação Federal. (inclusive ao patrimônio histórico. Prestação de contas Em regra. O mesmo deve ser dito em relação à dívida ativa. XXXIV. §§ 1º. públicos em estabelecimento bancário. na Constituição e na legislação Desapropriação específica em cumprimento aos princípios dispostos no art. sob pena de responsabilidade. histórico.50 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL 101/2000 . Os atos do A prestação de contas da Administração é exigência Prefeito que forem lesivos ao patrimônio municipal constitucional (art. Cabe ao Prefeito prestar contas pode ser intentada por qualquer cidadão.LRF). Cabe ao Prefeito administrar esses bens. a). 2º e 3º da Constituição). onde devem 5º. § 3º. direito de petição aos Poderes Públicos. quando tais recursos não constem do orçamento. 35. que Município (art. II). para defesa de O patrimônio municipal compreende os bens corpóreos direitos e esclarecimentos de situações de interesse (móveis. b). 31. nos termos da até 30 dias após o encerramento de cada bimestre. se não for atendido. em defesa de É recomendável que se faça a guarda dos dinheiros direito ou contra ilegalidade ou abuso de poder (art. XXXIV. utilidade pública ou interesse social. patrimônio A expedição de certidões também é assegurada pela Constituição (art. 165. que tenham ou possam impetrar mandado de segurança ou responsabilizar a ter valor econômico. ser mantidas contas em nome da Prefeitura. é da competência relatório resumido da execução orçamentária. pessoal. o Prefeito tem a obrigação de apresentar. Além disso. outras providências. podendo o interessado. sob pena de responsabilidade. imóveis e semoventes) e incorpóreos. de suas cabe ao Prefeito despachar a petição ou representação. Se se trata de assunto administrativo. científico ou autoridade que não responder no prazo legal. pois a sua omissão poderá acarretar responsabilidade Administração do para o Município e para si próprio.

O administrativa preparada para a delegação. esse sistema estimula o surgimento pela gestão do Município não quer dizer que ele da corrupção. A estrutura servidor que conhece de perto a situação não dá solução administrativa da Prefeitura deve estar definida em ao caso. até a decisão final. pois os chefes o Prefeito não conhece as qualificações de seus intermediários nada deliberam. ou não confia na lealdade deles. pois não lhes cabe com responsabilidades próprias e evitando que senão informar ou opinar. que nada Chefe do Executivo. simplesmente. ou. não está preparado o funcionamento da máquina administrativa. quando deveria ser justamente o contrário. Os regimentos internos devem resolvem. como ainda a de tornar mais rápido de ser dada em todos os processos. A terceira condição é a existência de organização assinando “em cruz”. são necessárias para rotina. decide. pelo menos. como infelizmente é a regra. de autoridade. Às vezes. devem estar organizados de tal forma que o Prefeito Delegar. político e àquelas atividades que. que resulta da delegação sempre delegadas. e que sua palavra terá de maior relevo. prevendo a existência de chefias As chefias ficam sem prestígio. geralmente sem conhecimento dos fatos. que então centralizadora. Acumulam-se despachos todos os servidores se entendam diretamente com o meramente interlocutórios ou informativos. da de ser exercidas em toda sua plenitude. os funcionários são tecnicamente mais competentes A burocracia estéril prospera nas Administrações do que o Prefeito para decidir as questões. não é fácil como pode parecer. nem podem ser responsabilidade de decidir. O fato de caber ao Prefeito a responsabilidade Ademais. sendo indispensável nas para receber a delegação da sua autoridade. MANUAL DO PREFEITO  | 51 Delegação de autoridade prejuízos que provocam no cidadão verdadeiro horror à Administração e a sua nefasta burocracia. o Prefeito. A para delegar. em razão do grande número de deva centralizar na sua pessoa todas as decisões intermediários entre a parte e a autoridade que profere administrativas. não devem deixar e a aceitação. não deseja delegar. mas Administração e submetendo as partes a delongas e definir as responsabilidades de decisão dos chefes e . engrossando os processos. descentralização administrativa é considerada uma A segunda condição é que haja agentes públicos das técnicas mais importantes para se alcançar a competentes que mereçam a confiança do Prefeito eficiência da Administração. entretanto. mas ou excessivamente centralizadas. por parte dos subordinados. por ser de índole até chegar à autoridade máxima. organizações de maior porte. delegue ao máximo suas atribuições administrativas de Quatro condições. a fim de melhor dedicar-se ao seu papel de líder que o Prefeito possa descentralizar a Administração. sendo maiores as oportunidades para mesmo em Prefeituras de grande porte. servidores inescrupulosos criarem dificuldades para Os serviços e as atividades administrativas municipais vender facilidades. encaminhando todos subordinados. por constituírem a A primeira condição é a vontade efetiva de delegar essência de suas funções executivas. como se diz coloquialmente. lei e nos regimentos. O Prefeito que acha que somente poderá A delegação de autoridade tem não só a vantagem de administrar se tomar conhecimento de tudo quanto se permitir que o Prefeito se concentre nas suas funções passa na rotina administrativa. os processos e todos os assuntos à decisão superior. emperrando a especificar não apenas as atribuições dos órgãos.

à soberania e subordinados. Por meio das técnicas de controle antes enunciadas (relatórios periódicos e especiais. o qual poderá questionar-lhes a legitimidade. o Prefeito não perca o controle final da e do ônus da sucumbência” (art. é preciso que. A ação popular confere a arts. Os crimes podem recorrer os cidadãos contra atos irregulares funcionais estão previstos no Código Penal. à disposição de qualquer contribuinte. A delegação exige o controle. crimes por abuso de autoridade e político e representante do Município. LXXIII). autônomo. ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. e pode ser impetrado por partido administrativa brasileira. situando o poder de decisão qualquer cidadão o direito de propor ação “que vise anular no nível hierárquico mais baixo possível. anualmente. como já foi dito.52 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL encarregados de serviço. estes introduzidos . isento de custas judiciais delegando. a tais autoridades. responsabilidade final permanece sempre com quem A terceira medida consta do dispositivo que determina delega. Vale observar que a autoridade delegante pode. O mandado de injunção se concederá “sempre que auditoria. o Chefe do Executivo pode manter. da Constituição Federal e no Decreto-lei nº 201/67. 31. de matéria de competência do Município. porque não se trata membros ou associados (art. Os crimes de responsabilidade são aqueles definidos Responsabilidades no art. revogar a delegação e dias. o Estado participe. salvo comprovada má-fé. para exame e apreciação. 312 a 326 e 359-A a 359-H. como agente crimes funcionais. 5º. a delegação de atribuições político com representação no Congresso Nacional ao Município pelas esferas superiores de Governo pode ou por organização sindical. situação. 29-A. pois. que são passíveis A Constituição se refere a quatro medidas a que de ser cometidos pelos agentes públicos. ficando o Em quarto e último lugar. a falta de norma regulamentadora torne inviável o se informado da maneira como estão sendo cumpridas exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das suas ordens e exercida a autoridade que delegou aos prerrogativas inerentes à nacionalidade. ente federado crimes comuns e especiais. 29. X. porque a à cidadania” (art. em seus da Administração Pública. entidade de classe ou ocorrer. conforme preceitua o art. Constituem Estado. embora autor. direito líquido e certo. LXXI). da Constituição esses os únicos casos em que o Prefeito se condiciona Federal. em defesa dos interesses de seus autoridade federal ou estadual. em face da ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que natureza do assunto e da capacidade do servidor. 5º. § 3º). 5º. chamar a si a decisão em qualquer matéria. nos termos da lei” (art. pois. à moralidade administrativa. reuniões). constituindo ilícitos penais do Prefeito onde o autor será sempre o Prefeito ou seu substituto. que “as contas dos Municípios ficarão. LXX). pela prática de crimes de responsabilidade. sendo. O Prefeito será julgado pelo Tribunal de Justiça do responsável perante essas autoridades. §§ 1º e 2º. Atribuições delegadas O mandado de segurança coletivo é destinado a proteger Embora não seja comum na tradição político. diversos dos crimes funcionais. o Prefeito só deve obediência à lei. associação legalmente constituída e em funcionamento Nesses casos. inspeção. durante sessenta sempre que achar conveniente. o Prefeito age de conformidade com a há pelo menos um ano.

sendo-lhe facultado optar pela entre outros. pela prática de suceder-lhe-á. promoção por merecimento (art. vago pela Câmara. que veio integrar a eficácia. sua remuneração. 37. dos arts.163 e 169 da Constituição Federal. em sessão da Câmara por lei a Ministro do Supremo Tribunal Federal. assegurada a revisão A leitura do capítulo que versa sobre controle da anual na mesma data da revisão dos vencimentos dos Administração complementará as informações aqui servidores municipais. cujo processo dos respectivos mandatos. 29. será afastado de seu cargo. o Prefeito não pode ausentar-se do quando a legislação municipal não definir as práticas Município por prazo superior ao permitido em lei. definidos para a posse. XI). o Prefeito pode ser Substituirá o Prefeito. sem distinção de índices. Em caso de infrações político-administrativas definidas na lei impedimento do Prefeito e do Vice-Prefeito ou vacância orgânica municipal ou em lei especial. estimulando a redução do déficit Constituição (art. MANUAL DO PREFEITO  | 53 pela Lei nº 10. seu tempo de serviço e estabelecer normas de finanças públicas voltadas será contado para todos os efeitos legais.028/2000. na Lei nº 4. assumirá o Presidente da de julgamento compete exclusivamente à Câmara Câmara. e punido com a perda do mandato. sob pena de sustenta a aplicação do Decreto-lei nº 201/67. Por fim. salvo motivo de força maior. Vale destacar que parte da doutrina Sem licença da Câmara dos Vereadores. no de vaga. nem configuradoras das infrações político-administrativas. perda do mandato. observar as leis. O Prefeito toma posse em 1º de janeiro do ano será aplicado o valor da maior remuneração atribuída subsequente ao da eleição. Municipal ou. Sua revisão dar-se-á por lei público e a estabilização da dívida pública. Além das infrações penais. responsabilidade do Prefeito Municipal no trato dos da administração direta ou indireta. investido no recursos públicos. no caso de impedimento. o Vice-Prefeito. se a Lei Orgânica assim o estabelecer. Se. 38 da CF). exceto para para a responsabilidade na gestão fiscal. Responsabilidade Fiscal. conforme dispõe a entes federados. afastar-se da função. nessa hipótese deve ser excluído das férias o terço . de iniciativa da Câmara. a fim de prever infrações aos promover o bem estar de seu povo e trabalhar pelo dispositivos da LRF. este será declarado Penal e em leis especiais. o Prefeito. decorrido o prazo fixado prática dos crimes por abuso de autoridade. perante o Juiz de Direito da Comarca. em espécie. O Prefeito pode incorrer ainda na progresso do Município. 8º da Emenda Constitucional nº 41/03 determina que até a edição da lei descrita no art. O art. V). subsídio não poderá exceder ao subsídio mensal. dos Ministros do Supremo Tribunal Federal Outras considerações (art. A LRF faz parte de um conjunto de medidas que visam O subsídio do Prefeito e do Vice-Prefeito será fixado promover o equilíbrio orçamentário e financeiro dos por lei de iniciativa da Câmara. emprego ou função. realçada com a edição da Lei de mandato de Prefeito.898/65. 37. se esta não estiver reunida. e demais crimes previstos no Código não tiver assumido o mandato. prestando o compromisso O Prefeito terá direito a férias e a 13º subsídio somente de defender e cumprir a Constituição. específica. estadual ou municipal. comente-se sobre a importância da O servidor público federal. Neste caso. sendo certo que desempenhar com honra e lealdade as suas funções. Esse contidas. Municipal. XI.

o alistamento e o domicílio eleitoral no Município.54 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL constitucional (art. 7º. 37. XVI da CF). São condições necessárias à eleição para o mandato de Prefeito: a nacionalidade brasileira. . o pleno exercício dos direitos políticos. eis que esse adicional é inconciliável com a unicidade dos respectivos subsídios (art. a filiação partidária e a idade mínima de 21 anos. da CF). § 4º.

enquanto um novo passava especialmente com o Prefeito. Formou-se seu pessoal e dos serviços internos da Câmara. A Câmara Municipal possui quatro funções básicas. Como órgão colegiado. . diretamente pelos munícipes para uma legislatura de 30) assegura aos Municípios plena competência para: quatro anos. a Constituição Federal (art. que consiste pela Câmara. Para o desempenho de suas atribuições ♦♦ legislar sobre assuntos de interesse local. os Funções parlamentares. de legislar. * Revisto e atualizado por Fabienne Oberlaender G. e o durante a Idade Média. poder real foi esvaziando-se. os a ganhar evidência. praticando os nobreza e do povo procuravam limitar a autoridade atos de condução de seus trabalhos e o relacionamento absoluta do poder central do rei. funciona em períodos legislativos anuais e em sessões ♦♦ suplementar a legislação federal e estadual. advogada e assessora jurídica do IBAM. o Poder Legislativo é exercido dentre as quais prepondera a legislativa. o da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei. com harmonia e independência em na elaboração de normas genéricas e abstratas – as relação ao Poder Executivo (CF. Muito contribuiu atos específicos da promulgação de leis. decretos para isso o conceito de que a soberania reside no povo. 2º). fiscalizar. A esse respeito. o externo com outros órgãos e autoridades. sem prejuízo pelo Presidente. julgar e administrar seus serviços. praticando. a Mesa executa as deliberações O Poder Legislativo. administra-se pela Mesa e representa-se bem como aplicar as suas rendas. inicialmente denominado do Plenário e expede os atos de administração de Parlamento. art. que atuam em seu nome. Não podendo votá-la diretamente. MANUAL DO PREFEITO  | 55 Capítulo 5 A Câmara Municipal* Introdução Plenário vota leis e demais atos normativos previstos na Lei Orgânica local. Plenário. No exercício de suas atribuições. Novais. No âmbito municipal. a comunidade elege representantes. que a exprime através da lei. quando representantes da Presidente representa e dirige a Câmara. couber. a Câmara delibera pelo ♦♦ decretar e arrecadar tributos de sua competência. teve origem na Inglaterra. no que plenárias sucessivas. legislativos e resoluções da Mesa. Gradativamente. ainda. leis – sobre matérias de competência exclusiva do A Câmara é composta por Vereadores eleitos Município. Era o Parlamento.

tais agentes políticos cometem infrações político. 4º. que couber. moratória e remissão de dívidas fiscais. nas hipóteses em que é necessário julgar o Prefeito. serviços de atendimento à saúde da população. diretamente ou sob regime de As leis orgânicas municipais descrevem o elenco de concessão ou permissão. ♦♦ concessão de subvenções e auxílios. que tem por objetivo o exercício do controle ♦♦ orçamento anual. execução orçamentária e ao julgamento das contas ♦♦ operações de crédito. com a cooperação técnica e financeira da Legislativas. art. organização e supressão de distritos. A terceira função da Câmara é a julgadora. ou seja. principalmente quanto à orçamentárias. mediante planejamento e controle do uso. § 1º). plano plurianual e diretrizes da Administração local. que ocorre observada a legislação estadual. observada a legislação estadual. compete à Câmara. administrativas (Decreto-lei nº 201/67. de maneira geral. adotando. fiscais. o Vice-Prefeito e os próprios Vereadores. . III). 31. o adequado ordenamento Município. vencimentos. Município.56 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL ♦♦ criar. Note-se que o controle externo da Câmara Municipal é exercido com o auxílio ♦♦ dívida pública. o interesse local. no Tribunal de Contas dos Municípios. apresentadas pelo Prefeito. Assim. do Tribunal de Contas do Estado ou do Conselho ou ♦♦ suplementação da legislação federal e estadual. A segunda função da Câmara é a fiscalizatória (CF. a estruturação de seu ♦♦ regime jurídico dos servidores municipais. que se restringe à organização de seus assuntos internos (interna corporis). art. art. ♦♦ tributos de sua competência (impostos. no que couber. quadro de pessoal. onde houver (CF. 51. com a sanção do Prefeito. caput). ♦♦ criação de cargos públicos e fixação dos respectivos A quarta função da Câmara é a administrativa (CF. parcelamento e ocupação do solo urbano. ♦♦ criação. mesmo tratamento dado pelas Constituições Federal e Estaduais para o Congresso Nacional e Assembleias ♦♦ manter. 31). Atribuições ♦♦ organizar e prestar. os serviços públicos de atribuições da Câmara. ♦♦ promover a proteção do patrimônio histórico- cultural local. ♦♦ aplicação de suas rendas. quando ♦♦ planos e programas de desenvolvimento integrado. notadamente: territorial. art. organizar e suprimir distritos. legislar sobre todas as matérias de competência do ♦♦ promover. taxas e contribuições). União e do Estado. observadas a legislação e a ação ♦♦ concessão de isenções ou de outros benefícios fiscalizadora federal e estadual. a direção de seus serviços auxiliares ♦♦ planos e programas de desenvolvimento do e a elaboração de seu Regimento Interno.

para referia a apenas três faixas populacionais. X). 1º). V). 29. Em sua ♦♦ denominação e alteração de próprios. 49. 48. sob hipótese alguma. inciso IV. parcelamento e ocupação do solo Prefeito. não expresso no Texto Constitucional. do Vice-Prefeito. 31. III) Após algumas decisões do STF. É de se observar que. pela literalidade do Texto Constitucional. o art. 29. . tendo em conta as recentes mudanças constitucionais e jurisprudenciais na matéria. 29 e 29-A). deveriam compor as Câmaras Municipais. de Vereadores. 51. Dito isso. visto que se dos Secretários Municipais e dos Vereadores. IV. Municipal. art. arts. art. o Município de 5 mil habitantes poderia ter o mesmo número de ♦♦ autorizar o Prefeito Municipal a ausentar-se do Vereadores do Município de 1 milhão de habitantes. indicava um esquema básico que dentre outras: não definia com precisão a quantidade de Edis que ♦♦ fixar a remuneração do Prefeito. art. convém esclarecer os parâmetros em que ♦♦ proteção do patrimônio histórico-cultural do deve ser exercida a competência municipal para fixar Município. observadas a legislação e a ação o número de Vereadores que integram a Câmara fiscalizadora federal e estadual. no qual ♦♦ transferência temporária ou definitiva da sede do são escolhidos os Vereadores. delegação legislativa (CF. vias e redação original. IV). logradouros públicos. Desse modo. 49. observados à representação parlamentar coíbe não apenas o os parâmetros estabelecidos nas leis de diretrizes excesso. MANUAL DO PREFEITO  | 57 ♦♦ concessão para exploração de serviços públicos. art. que deram nova ♦♦ julgar as contas anuais do Município (CF. empregos ou funções de seus serviços e máximos. Município. é da competência exclusiva da Câmara. cada legislatura (CF. art. faixa populacional anterior. direto e simultâneo realizado em todo país. A Constituição Federal dotou o Município de autonomia política para constituir seu Governo através de pleito ♦♦ polícia administrativa. da Constituição. Município corresponder ao quantitativo máximo da ao crivo do Prefeito (sanção ou veto). o princípio da proporcionalidade aplicado fixação da respectiva remuneração. deve o número Importa assinalar que os atos de exclusiva competência mínimo de Vereadores fixado na Lei Orgânica do da Câmara não são submetidos. Dessa forma. A emenda conferiu nova redação ao art. o Congresso Nacional promulgou a Emenda ♦♦ dispor sobre sua organização interna (CF. em procedimento Município. que dispunha sobre os números máximo e mínimo Por seu turno. exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de da CRFB/1988. § interpretação ao dispositivo constitucional pertinente. na forma da lei local (CF. semelhante àquele adotado para o Prefeito e Vice- ♦♦ ordenamento. embora orçamentárias (CF. Composição ♦♦ alienação. concessão. mas também a míngua. arrendamento ou doação de bens. urbano. apesar de o dispositivo em ♦♦ dispor sobre a transformação ou extinção dos questão se referir expressamente apenas aos limites cargos. Constitucional nº 58/2009 que determinou parâmetros ♦♦ sustar os atos normativos do Poder Executivo que precisos.

em especial da Lei Orgânica orçamentos. por inválida. não é lei. Toda disposição que escapar desse âmbito O Regimento Interno é a mola mestra da organização deve ser evitada no Regimento. sob hipótese ♦♦ Dos Vereadores (exercício da vereança. endereçadas. área da lei. interrupção alguma. ♦♦ Da elaboração legislativa e dos procedimentos modificar ou suprimir direitos e obrigações. procedimento de do Município. Presidência. funcionamento das comissões permanentes e suas competências). é reger-lhe os trabalhos. da aprovação do comissões e suas modalidades. comissões. A função do Regimento Interno. não podendo. proposições em trabalhos da Casa. (questões de ordem e precedentes. deve o Vereador impedimentos. Nele são contempladas as funções legislativas. quer seja do Estado. atribuições específicas dos membros Sua modificação também se faz por esse processo. conhecê-lo integralmente. portanto.58 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Regimento Interno compor o órgão legislativo do Município. da Constituição ou das leis. desde que não invadam a ♦♦ Da gestão dos serviços internos da Câmara. pois. pois o seu cumprimento ♦♦ Das proposições e da sua tramitação (modalidades é condição primordial para o bom atendimento dos de proposição e de sua forma. espécie. o Regimento Interno só é obrigatório para os ♦♦ Das sessões da Câmara (sessões em geral: membros da Câmara Municipal. quer e suspensão do exercício da vereança e das vagas. da Mesa. julgadoras e fiscalizadoras da Câmara Municipal. não é . ♦♦ Dos órgãos da Câmara Municipal (Mesa da Câmara. seja do próprio Prefeito. sofrer interferência. De da mesa. da Câmara. constantes de controle (elaboração legislativa especial. bem como o das comissões (permanentes ♦♦ Do Regimento Interno e da ordem regimental ou especiais) que se constituírem para determinado fim. conforme dispuser a Lei Orgânica local. finalidades das qualquer modo dependerá. apresentação e retirada da proposição e Como ato normativo político-administrativo de efeitos tramitação das proposições). atividade interna da Câmara. constituindo o instrumento delineador De um modo geral. Tendo em vista o grande valor liderança parlamentar. extraordinárias e solenes). da Mesa e da autoridades municipais). codificações. internos. cabe ao Regimento Interno os das atribuições dos órgãos do Poder Legislativo. nem deve conter disposições a eles ♦♦ Das discussões e deliberações (discussões. julgamento das contas. no desempenho das ordinárias. funções que lhes são próprias. comissões e suas modificações. Sua missão é disciplinar o procedimento controle. sede e instalação). O Regimento Interno deve ser editado mediante funções da Mesa e suas modificações. disciplina dos debates e deliberações). Trata-se. formação das Plenário. divulgação do No seu bojo cabem todas as disposições normativas da Regimento e de suas alterações). Plenário. Como ato regulamentar. de ato normativo de exclusiva competência da Câmara. seguintes tópicos: É o regulamento da Câmara. o Regimento não pode criar. Não tem efeito externo para os munícipes. sempre. fixação dos subsídios). convocação de legislativo e os trabalhos dos Vereadores. administrativas. competência resolução. ♦♦ Da Câmara Municipal (funções. incompatibilidades e jurídico contido no Regimento Interno.

em sugestões ao Executivo (indicações). respondem pelas condutas definidas na Lei Orgânica Municipal (infrações ético- ♦♦ a sessão legislativa não será interrompida parlamentares). zelando pelo bem-estar e sossego local. só sendo considerados administrativa conveniente. quando investidos aos ditames do Texto Constitucional em vigor. como sobre todo e qualquer assunto da competência pessoa que vereia. ser constantemente revisto para adequar-se economia interna da Câmara. sancionadas com a perda do mandato. ♦♦ salvo disposição contrária contida na Constituição Atribuições Federal. disposições normativas (leis). em Sendo muitos os aspectos em que as necessidades da caso de sobreposição de disciplinas entre tais normas. à observância da Lei de Improbidade Administrativa. também. dos munícipes. Como agentes políticos. que dispõe sobre ♦♦ na constituição da Mesa e de cada comissão é as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de assegurada. pelo sistema partidário e cabe administrar diretamente os interesses e bens de representação proporcional. a subordinação hierárquica do administração da Casa. para uma No sistema municipal brasileiro. ou apontando providências e ao regime estatutário. resoluções e Vereadores outros atos). MANUAL DO PREFEITO  | 59 Por ocasião da elaboração do Regimento Interno. funcionários públicos para efeito criminal. atos meramente administrativos nos assuntos de portanto. 327 do Código Penal brasileiro. Vereadores são agentes políticos investidos de mandato legislativo local. mas de forma indireta. bem O termo ‘vereador’ provém do verbo verear. em cargos da Mesa ou em funções transitórias de Registre-se. a representação enriquecimento ilícito no exercício de mandato (Lei nº proporcional dos partidos ou blocos parlamentares 8. tanto quanto possível. isto é. de julgamento de infrações político- promulgadas nos últimos anos trouxeram alterações administrativas do Prefeito e de seus pares. legislativas. embora também exerçam funções de controle e fiscalização de determinados atos do Cabe salientar que as Emendas Constitucionais Executivo. através de indicações. que participem da Casa. que deve. Tratando-se de interesse . ao Vereador não legislatura de quatro anos.429/92). que serão proferidos de As atribuições dos Vereadores são predominantemente modo aberto. em deliberações administrativas (decretos legislativos. Regimento Interno à Lei Orgânica. de modo que. e pratiquem que se refletem no Regimento Interno. nem se ligam ao Município fatos ao Prefeito. em audiências públicas com a sociedade local. variadíssima prevalece aquela estatuída pela Lei Orgânica do é a atividade parlamentar. preceitos constitucionais. a ser materializada em Município. presente a maioria de seus membros. sem a aprovação do projeto de lei de diretrizes orçamentárias. como os que se seguem: Perante a Câmara. votando leis e e secreto. comunidade reclamam por soluções. através do voto direto do Município. não estão sujeitos demais proposições. por expressa a Edilidade deve cuidar de observar determinados equiparação do art. as deliberações da Câmara serão tomadas por maioria dos votos. Estão os Vereadores sujeitos. para a solução por relações de emprego. ainda.

não há limitação à ação do Vereador. III.60 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL local. Mesmo quanto às informações cento) da receita em folha de pagamento da sobre negócios municipais. o Vereador tem liberdade individual de ação. porém. observados os limites máximos público para com a coletividade que o elegeu como estabelecidos (CF. Como membro do Poder legislatura para a outra tem por finalidade evitar que Legislativo local. art. devendo fazê-lo. porque. a jurisprudência vem regimental. cabendo ao Foi dito que a atribuição principal do Vereador consiste legislador local fixá-la. art. por isso mesmo. art. em que. o que violaria os seus trabalhos e sessões. Essa remuneração está vinculada local. dever para a outra. a cento) da receita corrente líquida do Município quem submeterá previamente o pedido. com a consequente participação na A exigência de que a remuneração seja fixada de uma sua discussão e votação. à Câmara. arts. É direito individual personalíssimo resultante de ♦♦ anterioridade da fixação. nas deliberações. fora ♦♦ impossibilidade de exceder a 70% (setenta por da forma regimental. Há casos. justificando-se perante o Plenário. não pode interferir diretamente em assuntos aos limites e critérios fixados na Constituição Federal e administrativos da alçada privativa do Prefeito. como membro do Legislativo (CF. o quer atuante ♦♦ parâmetros populacionais (CF. § 4º). § 1º). nem a Vereadores não superior ao montante de 5% (cinco representa. como deve ser investido. representante e que. 29. aos parâmetros previstos na Lei Orgânica. ♦♦ total da despesa com a remuneração dos fora da Câmara. Por conta disso. mas é. tem o direito de participar de todos os Vereadores beneficiem a si próprios. através de lei de sua realização. VI e 29-A). o competência para fixar a remuneração de seus Vereador está impedido de realizá-las ou de participar Vereadores para a legislatura seguinte. observados os seguintes A participação efetiva nos trabalhos da Câmara tem balizamentos: para o Vereador caráter dúplice de direito-dever. o Vereador é remunerado através de subsídio pago em parcela única (CF. (administrativas ou judiciais) em nome da Casa. 29. nem pode tomar iniciativas ou medidas por cento) da receita do Município (CF. sem o que não poderá desempenhar afirmando o entendimento de que não só deve a plenamente a representação popular de que está fixação ocorrer na legislatura anterior. 29. arts. mas. 29-A. ‘a’). art. incluído o gasto com o subsídio dos Vereador as solicite. (LRF. não é admissível que o Câmara. desde que Remuneração atue por intermédio da Câmara e na forma regimental. em defesa dos interesses coletivos. considerando a capacidade de na apresentação de projetos de atos normativos arrecadação de seu Município. 29 e 29-A). ao Prefeito Vereadores (CF. de votar e ser votado para a impessoalidade que devem guardar no exercício de os cargos da Mesa e de integrar comissões. A Constituição da República confere à Câmara Quanto às atividades executivas do Município. não dispõe dessa faculdade. Na Câmara. 39. de uma legislatura sua investidura no mandato. na forma suas funções. ♦♦ limite de gasto total com pessoal de 6% (seis por sempre que o desejar. ou seja. VII). deverá abster-se de intervir e de votar Por ser agente político e detentor de mandato eletivo. 20. também. . VI). de ordem moral ou de interesse particular nos assuntos em discussão. por considerações feita antes dos resultados das eleições. em caráter individual. art. por intermédio da Câmara. ou a qualquer outra autoridade.

para os Deputados Estaduais. não lhes quis concedê- pela própria Câmara Municipal. em face de inexistência de não pela Eleitoral). processual. atos (administrativos e jurídicos). circunscrição do Município. editada ou de foro privilegiado. por suas opiniões. Aos Vereadores aplicam-se. só impostas ao exercício do mandato de Vereador. que os protege. palavras e votos. por suas palavras. espaço para tanto. provocada por quem de direito. transcreve-se trecho do artigo “Os Federal para os membros do Congresso Nacional e na Vereadores e as imunidades parlamentares”. ao posse e exercício de mandato. poderá ser por meio da Constituição Estadual ou da Lei processado por essa manifestação. 37. 295. Essa prerrogativa. I). no que couber. O Texto Constitucional da Vereança e. deverão ser solucionadas elaborar a Carta Magna.181/57). 29. VIII). quando no exercício do mandato e na Os Vereadores são invioláveis no exercício da Vereança. pelo Estado ou pelo Município”. visto que. as proibições e incompatibilidades prescritas na Constituição Sobre o tema. produz efeitos durante o processo criminal. com a redação modificada pela Lei Impedimentos e incompatibilidades são restrições federal nº 3. MANUAL DO PREFEITO  | 61 ♦♦ impossibilidade de exceder o subsídio mensal pago crime. IX). garantindo-lhes a livre prática do Município (CF. na Revista de Administração Municipal nº 195 (IBAM. de autoria de Marcos Flávio R. ainda. A única prerrogativa que os incompatibilidades Vereadores têm em processo penal é a prisão especial (CPP. onde se Município (CF. nem a Justiça depende de pela União. XI). A rigor. São detentores. conclui que: É de lembrar que as questões relativas a impedimentos “os Vereadores não gozam de imunidade ou incompatibilidades. não podem as leis orgânicas municipais Impedimentos e legislar sobre o assunto. segundo previsão na la. art. não podendo o Estado fazê-lo por intermédio Lei Orgânica. p. limita-se à circunscrição de seu Município. art. zelando para que assegura ao parlamentar liberdade e independência o princípio constitucional da independência no exercício de seu mandato. art. mais ainda. são vedações ao exercício de determinadas práticas e após o trânsito em julgado da sentença condenatória. no entanto. art. na circunscrição opiniões e votos. por qualquer Os Vereadores não gozam de imunidade parlamentar norma complementar ou ordinária. pois se ele Claro está que. E por se tratar de garantia política e privilégio ao Prefeito (CF. o cumprimento da pena será em prisão comum para todo e qualquer condenado. 29. porque o constituinte. Orgânica do Município. autorização da Câmara para processá-los por qualquer . Gonçalves. não cabe falar-se em restringi-la em função de representação da Câmara. assim como não se pode ampliar manifestar sua opinião fora de seu território. 68 devendo figurar expressamente na Lei Orgânica do a 76). publicado Constituição do Estado. da Prerrogativas imunidade material ou inviolabilidade. inclusive no que respeita à competência. porém essa garantia e harmonia entre os Poderes seja respeitado. ou. ainda que a prerrogativa. obviamente. II. e só serão revistas pela Justiça Comum (e de sua Carta Política. matérias de competência privativa da União (CF. art. 22. bem como as concernentes à formal ou processual.

partidária. e redação dos arts. promulgação da Emenda Constitucional nº 76/2013. nas Casas Legislativas de todos os Sobre este aspecto. era possível a mudança de legenda partidária. ainda. e o seu procedimento estabelecidos na Lei Orgânica. generalizadamente. sem que tal medida importasse em prejuízo perecimento do mandato. no curso do mandato (ou da suplência. a pertencem aos partidos políticos ou às coligações. razão pela qual sugere-se que as Câmaras e coligações têm o direito de preservar a vaga obtida Municipais adequem a redação de seus Regimentos pelo sistema proporcional.398. A questão. nos pelo então Partido da Frente Liberal (atualmente. 55. César Asfor devem ter a sua previsão. caso específico da ♦♦ extinção. § 2º e 66. também.62 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Perda do mandato de filiação partidária por parlamentares sem que tal medida importasse em prejuízo ao exercício do O Vereador pode perder o mandato. lei. falta ético-parlamentar que autorize a sua exclusão da Câmara. no decurso da mandato. (deputados estaduais. posta para indicar ao eleitor o vínculo a votação deverá ser aberta também em âmbito político e ideológico dos candidatos” e que “os partidos municipal. casos de conduta incompatível com o cargo. formulada ♦♦ ato punitivo. cumpre rememorar que. o vínculo de um candidato à legenda Infidelidade partidária pela qual se registra e disputa uma eleição é o mais forte. Sustenta aquela Corte Eleitoral. se não o único. desta forma. elemento de sua identidade É de amplo conhecimento a prática disseminada na política. todavia. Federal. § 4º da Constituição não aos candidatos eleitos. Considerou-se. nos casos expressos em ao exercício parlamentar. quando houver pedido Internos e Leis Orgânicas Municipais ao novo de cancelamento de filiação ou de transferência do regramento constitucional supracitado. passando a ser aberto. ou de Democratas). que pode advir da própria Câmara. com a níveis federativos do país. de ordem Apesar de a discussão sobre o tema ser antiga. ser “condição constitucional de elegibilidade a filiação Neste particular. até oriunda da Justiça. sofreu importante legislatura.398. como simples ato declaratório do consulta). o seu processo de julgamento Rocha). será sempre da alçada do Presidente da Mesa. que. tal como vinha ocorrendo. que. Pode provir. podendo-se afirmar que o candidato não cultura política brasileira que tolerava a mudança . em virtude de: revolução após manifestação do Tribunal Superior Eleitoral – TSE. portanto. nos casos de condenação por então prevalecia o entendimento de que o mandato crime funcional que acarrete a aplicação da pena parlamentar constituía direito personalíssimo a ser acessória de perda ou inabilitação para qualquer unicamente exercido pelo candidato eleito. alterando. o A partir da referida Consulta nº 1. disso. o TSE passou voto secreto no Congresso Nacional para as votações a sustentar o entendimento de que os mandatos envolvendo perda de mandato de parlamentares e obtidos nas eleições. federais e vereadores). nos planos político e prático. candidato eleito por um outro partido para outra Tanto a perda como a extinção do mandato de Vereador legenda” (trecho do voto exarado pelo Min. aplicando-se o princípio da simetria. Em razão função pública. pelo sistema proporcional apreciação de vetos do Poder Executivo foi extinto. na Consulta nº 1.

Sendo assim. em nome da moralidade (CF. 37. Com Podem haver. para viabilizar o fundamentado. nos trinta dias para prever e disciplinar a função fiscalizadora do subsequentes (art. a Constituição da República conferiu ao Ainda de acordo com o TSE. qualquer pessoa que tenha solicitação de informações. TSE). na forma infiel. art. MANUAL DO PREFEITO  | 63 existe fora do partido político e nenhuma candidatura do TSE (art. hipóteses em que mudança efeito. escrito e governamentais do Executivo e. 29. de perda do mandato por infidelidade. no caso de Estados e Municípios. subsidiariamente. de modo organizado. exemplo. quando a migração decorrer da alteração porque estes formam a única lista de votação que em do ideário partidário ou for fruto de perseguição ordem decrescente representa a vontade do eleitorado. interesse jurídico ou o Ministério Público Eleitoral Na esfera municipal. admitido com severas restrições. 1º. Se os titulares de seus partidos. odiosa. no julgamento dos se o uso de qualquer prerrogativa que favoreça o Mandados de Segurança nº 30260/RJ e 30272/MG. vago seja devida à coligação e não ao partido. Também é possível a aplicação do instituto do arrependimento eficaz. § 4º c/c art. portanto. de vagas é definido em função da coligação.610/2007 . art. art.610/2007 Legislativo local (CF. § 2º da Resolução nº 22. por regra deve ser seguida para a sucessão dos suplentes. observado o com a observância do princípio da harmonia e rito ali positivado (arts. repudia- Mais recentemente. transparência nos atos e contratos da Administração vários os temperamentos ao tema. estabeleceu a possibilidade da Em caso de omissão. caput). empossando o suplente nos dez dias é possível fora de uma bandeira partidária. São. 10). o acesso TRE cientificará o Presidente da Casa Política para que dos Vereadores a todos os registros da Prefeitura que este declare a extinção do mandato do parlamentar contenham elementos por eles solicitados. O processo e julgamento desse pedido serão se observar que as funções de fiscalização e controle processados pelo respectivo Tribunal Regional Eleitoral conferidas ao Legislativo devem ser desenvolvidas – TRE. Pública. todavia. 55. é a Lei Orgânica o diploma hábil poderão fazê-lo. o partido político tem o Poder Legislativo a prerrogativa de fiscalizar as ações prazo de trinta dias para formular pedido. pelo candidato a cargo proporcional eleito. o STF. em que suplentes de deputados federais dos estados Do contrário. nos termos fixados no Texto Constitucional regimental. V e seu § 3º) e na Resolução nº 22. Não obstante. nas hipóteses em que o Pedidos de informação parlamentar desistir de sua mudança partidária e Com o propósito de consagrar o princípio da retornar ao partido político de origem. Não está o Executivo municipal obrigado (art. se o quociente eleitoral para o preenchimento partidária. exercício dessa missão. o Executivo franquear. subsequentes. pode-se depreender que deve o Proferida a decisão que ratifique a perda do mandato. interesse particular. que assumiram cargos de sufrágios pertencem à agremiação política. Isso porque. XI). inevitável secretarias de Estado. 175. decidiu que a suplência do cargo que os mandatos também lhe pertençam. 3º ao 9º da mesma resolução do independência entre os Poderes (CF. 2º). não teria explicação o cômputo dos votos do Rio de Janeiro e de Minas Gerais reivindicavam para a agremiação partidária nos casos mencionados a precedência na ocupação de vagas deixadas por no Código Eleitoral (art. a mesma não venha importar perda de seu mandato. há de do TSE). como. 176).

necessária e rigorosamente observadas pelo examinar as proposições referentes a educação. como projetos de leis que demandem sua opinião para orientação do Plenário da Câmara por pesquisa técnica ou adoção de mecanismos próprios meio de pareceres específicos. alterem a despesa ou a estritamente indispensáveis à sua solução. são elencados alguns requisitos que. ♦♦ Comissão de Representação. proporcionalidade na representação dos partidos ou ♦♦ Comissão de Inquérito. Entre tais. manifestando sobre eles à Câmara. Município. legal e regimental das proposições. número imenso de informações. opinar sendo inconcebíveis os pedidos formulados de sobre proposições referentes a matéria tributária. entre os Poderes. abertura de créditos.64 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL a fornecer. em caráter posição da Câmara em outros assuntos de reconhecida permanente ou transitório. ♦♦ não ser excessivo. Orçamento e Fiscalização ♦♦ trazer a especificação do que se pretende obter. blocos políticos. que se destina a opinar sobre o aspecto ♦♦ ser formulado por qualquer Vereador e aprovado constitucional. O Regimento Interno cria as comissões técnicas por constituir-se em autêntica subserviência de um adequadas à Câmara. As comissões permanentes ou legislativas são aquelas As Comissões de Estudo são formadas visando a que se destinam a estudar as proposições e os assuntos elaboração mais apurada de matérias submetidas distribuídos ao seu exame. público. a ♦♦ Comissão de Estudo. deve ser observada. à qual compete. em evidente desalinho à independência indispensáveis. a rigor. receita municipal. bem geralmente são de três espécies: como realizar investigações ou representar a Câmara. também. obras públicas. por escrito. Na sua constituição. Justiça e encaminhado pelo Legislativo ao Chefe do Executivo: Redação. pessoal e outras matérias relacionadas à prestação de Comissões permanentes e serviços pelo Município. Tais exigências devem estar expressas no Regimento ♦♦ Comissão de Serviços Públicos. bem como à tomada de constituídas de pelo menos três membros. notadamente. de modo a adequá-las ao bom ♦♦ estar fundamentado na existência de interesse vernáculo. destacam-se as seguintes. contratos em geral. mas algumas são essenciais e Poder a outro. bem como analisá-las quanto ao conteúdo gramatical. Tais comissões têm caráter transitório e estudos e a emitir pareceres especializados. especiais As comissões denominadas especiais são aquelas que se destinam à elaboração e à apreciação de estudos Comissões são órgãos técnicos da Câmara Municipal de questões municipais. de acordo com a conveniência e necessidade: devem ser observados no pedido de informações ♦♦ Comissão de Constituição. dívida pública e outras que. Financeira. que tem por objetivo Interno. Legislação. pelo Plenário da Câmara. Vereador solicitante da informação. Destinam-se a elaborar relevância. . ♦♦ Comissão de Finanças. atendo-se aos elementos de forma direta ou indireta. cujas denominações podem variar de Município para A seguir. saúde. forma genérica.

quanto possível. as Comissões Especiais de Inquérito a proporcionalidade da representação partidária. a competência do Plenário quando se tratar de crimes de responsabilidade ou (ali prevista a interposição de recurso de um funcional. às comissões. § 3º). infratores (CF. As Comissões de Inquérito têm poderes de investigação próprios das autoridades judiciais. ou será punida pela própria ♦♦ discutir e votar projetos de leis em que se dispense. em razão das matérias de suas irregularidades do Legislativo como do Executivo. A Comissão de Inquérito tem amplo poder ♦♦ convocar Secretários Municipais e outras investigatório no âmbito municipal. Suas conclusões. Essas investigações tanto podem destinar-se a apurar ainda. para apuração de fatos determinados. 58. Administração local. de Inquérito caráter social. perante o órgão ou autoridade competente para a ♦♦ realizar audiências públicas com entidades ou responsabilização do infrator. e sua composição reproduzirá. ou pela Justiça. além de outros ♦♦ acompanhar junto ao Governo a elaboração da previstos no Regimento Interno Cameral. bem como em qualquer entidade descentralizada do Município. pessoas da sociedade civil. da Casa. levantamentos contábeis e verificações em sobre assuntos inerentes a suas atribuições. . Para (CEI) podem ser instituídas pela Câmara Municipal. repartição. por sua vez. Como dito. do inquérito terão valor meramente informativo ♦♦ iniciar os projetos de leis. Em qualquer caso. e. Câmara. e são criadas proposta orçamentária. com fato determinado e em prazo certo. para apurar na última sessão ordinária do período legislativo. competências: na administração direta ou indireta. atuar durante o recesso. art. ♦♦ acompanhar junto ao Governo os atos de regula- desde que tais exames se realizem na própria mentação. velando por sua completa adequação. de interesse da atribuições definidas no Regimento Interno. na forma regimental. bem como a sua posterior mediante requerimento de um terço dos membros execução. conforme a irregularidade apurada. sem a retirada de seus livros e documentos. podendo fazer autoridades do Município para prestar informações inspeções. ainda. ou. a comissão é eleita pela Casa integrada por Vereadores em exercício. serão encaminhadas ao Ministério Público para que ♦♦ apreciar programas de obras e planos municipais este promova a responsabilidade civil ou criminal dos de desenvolvimento e sobre eles emitir parecer. de acordo com o caso. ou queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das autoridades ou entidades públicas. através da perda do mandato. prazo certo. bem como durante o período de recesso da Câmara. as conclusões matéria em Plenário). por ♦♦ solicitar depoimentos de autoridades ou cidadãos. reclamações. representações utilizada na Câmara. MANUAL DO PREFEITO  | 65 incompatíveis com a rotina legislativa normalmente ♦♦ receber petições. compete. porém. Com apoio na Constituição da República. através de indenização à Fazenda percentual dos Vereadores para a apreciação da municipal. têm por Comissões Especiais de finalidade representar a Edilidade em atos externos. órgãos da Prefeitura ou da própria Câmara. As Comissões de Representação.

O recesso parlamentar ocorre quando há paralisação As reuniões marcadas para as datas acima mencionadas momentânea dos trabalhos legislativos. recepções ou Câmara’. como. se assim dispuser a Lei agosto a 15 de dezembro. Sessões ♦♦ sessões extraordinárias: são as que se realizam O termo ‘sessão’ pode ser empregado para definir dois em caráter excepcional. ser ♦♦ sessões ordinárias: são as que se realizam para as encaminhadas ao Ministério Público para que este deliberações e trabalhos de rotina. e por suas anualmente. Tais sessões auxiliares. ou para posses. haja vista Por sua vez. Sessão legislativa é o período anual de reunião da Câmara Municipal. se for o caso. de 15 de fevereiro a 30 de junho e de 1º de faltas poderá perder o mandato. durante os festejos carnavalescos e a Semana de Lei de Diretrizes Orçamentários. Entretanto. Lei Orgânica estabelecer os segmentos de distribuição desses dois períodos legislativos de acordo com as Recesso parlamentar peculiaridades e interesses locais. o Congresso Nacional reúne-se. domingos ou feriados. dentre outros. entre uma serão transferidas para o primeiro dia útil subsequente. pode a Orgânica local. o qual tem como Santa. Cada legislatura é composta de ♦♦ sessões solenes: são as convocadas para quatro sessões legislativas. para deliberações sobre tipos de reunião: a ‘sessão legislativa’ e a ‘sessão da matéria urgente. por sem que seja aprovado pela Câmara Municipal o projeto exemplo. comparecimento do Vereador é obrigatório. pois início e de término são geralmente fixadas pela Lei nelas nada se delibera. por isso denominadas sessões solenes. se assim dispuser o Regimento Interno. em razão de pequenas constitucional. por exemplo). em dias. e local prefixados em resolução ou no próprio Regimento Interno. as comissões. Em âmbito municipal. As sessões legislativas homenagens ou comemorações cívicas. Pode Além disso. fevereiro. bem como entre o primeiro e o segundo períodos legislativos (1º a 31 de julho). Com exceção das sessões solenes. homenagens de caráter cívico e social.66 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL os quais podem ser copiados por seus membros ou para realizar as atividades de sua pauta. Sessão da Câmara (ou do Plenário) é a o prazo a que estão submetidas para a conclusão reunião dos Vereadores em exercício. não significa dizer Plenário da Câmara. . em dividem-se em períodos legislativos. podem ser classificadas em três tipos: As conclusões da comissão devem. e outra sessão legislativa (16 de dezembro a 14 de quando recaírem em sábados. nas demais o Em âmbito federal. cujas datas de qualquer recinto e com qualquer número. Orgânica. em decorrência de mandamento também ocorrer durante o ano. salvo as de inquérito ou as especiais. a sessão legislativa não será interrompida paralisações dos trabalhos legislativos. em número e forma regimental. no recinto do de seus trabalhos. horas promova a responsabilização dos infratores. objetivo justamente definir as metas que o Governo deverá cumprir com a execução do programa de trabalho No período de recesso não funcionam o Plenário e determinado pelo planejamento local.

a ser consultado para aprofundamento. . MANUAL DO PREFEITO  | 67 que a Câmara estará totalmente fechada. Controle externo O Prefeito deve prestar contas de sua gestão à Câmara. as atividades da Mesa Diretora não poderão ser totalmente interrompidas. pois a sua estrutura administrativa funcionará normalmente. conforme determina a Constituição Federal em seu art. Da mesma forma. 31. apenas com ritmo de trabalho reduzido. Esse assunto é objeto de capítulo específico da presente publicação.

processo legislativo é: embora não se aplique integralmente ao Município. O Município e o processo legislativo. Essa definição pode ser melhor entendida Complementar nº 107. o Os princípios gerais do processo legislativo encontram. 1993. Será reservada.. votação. Prefeito. ainda. A primeira é a constitucionais. A iniciativa é geral quando. Ou então: emanada de autoridade competente. Iniciativa das leis Gonçalves. p. sanção. 2008. O instrumento da iniciativa é o próprio “. da qual esta última é a exceção. especialistas. modificação ou revogação” (Joaquim Castro Aguiar e Marcos Flávio R. “. cabe adaptar as normas Legislativo determinado projeto. se constitucionais para essas esferas de Governo. deve ser sempre ato escrito. qualquer Vereador. p. qualquer Comissão se na Constituição Federal e aplicam-se aos Estados da Câmara ou os cidadãos podem submeter ao e Municípios. * Revisto e atualizado por Marcos Flávio R. juntamente com o Regimento Interno da Processo legislativo é o conjunto de normas a serem Câmara Municipal. a Lei seguidas pelo Legislativo e pelo Executivo na formação Complementar nº 95. alterada pela Lei das leis. 458). Para os citados. regra. criação. o conjunto de atos (iniciativa. que dispõe sobre a pela reprodução dos conceitos emitidos por alguns elaboração.. Curso de direito constitucional positivo. redação. complementares e ordinárias. advogado e consultor do IBAM.. o que. emenda. Em sendo manifestação de vontade.68 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Capítulo 6 Processo Legislativo* Conceito no caso do Município.. alteração e consolidação das leis. ou se apenas os membros da Câmara puderem exercê-la. o conjunto de atos processuais que regula Neste capítulo. . Deve ser examinada. de 26/02/98. Entretanto. de 25/04/01. projeto a ser submetido à apreciação do Plenário. constitui matéria de sua Lei Orgânica. Iniciativa geral e reservada São Paulo: Malheiros. resoluções e decretos legislativos” (José Afonso da Silva. 71). concorrentemente. Gonçalves. da competência privativa do Prefeito. veto) realizados pelos órgãos legislativos visando a formação das leis A iniciativa pode ser geral e reservada. interessa apenas o estudo dos princípios a elaboração dessas normas jurídicas – sua e normas de formação da lei municipal. Rio A iniciativa é o ato pelo qual se propõe ao Legislativo a de Janeiro: IBAM. criação de uma lei.

funções. portanto. 38. seu regime jurídico. p. visando a sua transformação em lei. neste caso observados certos requisitos. assim. o esboço do projeto. funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração. Esse estudo inicial. empregos e base ao projeto. a iniciativa das leis publicação. MANUAL DO PREFEITO  | 69 Pelo disposto na Constituição Federal (art. da cidade ou de bairros. II). 29. Qualquer pessoa nº 19/98. está-se diante de iniciativa é privativa do Prefeito. 165 da Carta popular. que servirá de A fixação da remuneração desses cargos. por força da Emenda Constitucional ter. orçamentárias e do orçamento anual serão enviados pelo Prefeito Municipal à Câmara nos termos da Lei ♦♦ criação.12. seção I. das diretrizes de cargos. pela 22. da competência privativa do Chefe do Poder Executivo quanto por qualquer Vereador ou Comissão da Câmara a iniciativa das leis que disponham sobre: ou ainda pela população.353-0 . 61. p.DJU de manifestação de. A Constituição de 1988 admite a iniciativa de projetos Min. a Constituição reservou a privativa do Prefeito. ao objetivo visado.DJU de específico do Município. provimento Os projetos de leis do plano plurianual. a forma deste. conforme estabelece Anteprojeto e projeto a Emenda Constitucional nº 19. de lei por parte da população que sejam de interesse ADIn nº 1. como já decidiu reiteradamente Iniciativa popular o Supremo Tribunal Federal (vide ADIn 872-2-RS.11. 14. não as normas a serem formuladas. Petição nº 1. posto que se trata de princípio vinculada e ao mesmo tempo privativa.DJU de 06. porque é o próprio povo que oferece à Câmara Magna. é Outros projetos podem ser iniciados tanto pelo Prefeito. Iniciativa vinculada ♦♦ servidores públicos. Já a elaboração do projeto.092. por outro lado. empregos Antes de dar-se forma a projeto de lei.98. convém estudar ou funções da Câmara. . Não pode ser de iniciativa popular matéria de iniciativa Para o Legislativo. de sorte que se atenda se submetendo. dos Secretários Municipais e dos Vereadores.97. estabilidade e aposentadoria. se faz por lei de iniciativa do O anteprojeto não é ainda o projeto. embora possa próprio Legislativo. conforme tratado em outro capítulo desta Nas três hipóteses mencionadas. pelo menos. 2º). ♦♦ criação de cargos. de iniciativa geral. criação. segundo o qual as leis orçamentárias são de o projeto. XIII). sua iniciativa privativa. p.Rel. 24. do Vice-Prefeito. competência para propor projetos de leis fixando os subsídios do Prefeito. ou tenha de fato. É o que se chama de iniciativa ainda a reserva dada ao Executivo pelo art. entre outras decisões).93. É. estruturação e atribuições das entidades e Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade órgãos da administração. à sanção ou veto do Prefeito. transformação e extinção dos cargos.623-1 . Há eleitorado (art. observadas ainda as O anteprojeto é o estudo preliminar que se faz para a Emendas Constitucionais nº 25/00 e nº 58/09. portanto. constitucional decorrente do princípio da separação dos Poderes (CF. Sepúlveda Pertence . nem aquelas reservadas à Câmara.759. cinco por cento do 14. constitui o anteprojeto. Min.08. seção I-E. art. Fiscal). serão objeto de resolução. Trata-se. Maurício Corrêa . § 1º. Rel. Neste caso.

prazos de apreciação. para que se ultime a votação.70 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL pode ser encarregada de elaborar um anteprojeto. menor do que 45 dias para manifestação da Câmara Deste modo. se observar que a Câmara só pode deliberar sobre assuntos de competência municipal e. Urgência Controle da tramitação O Prefeito poderá solicitar urgência para apreciação A tramitação dos projetos de leis e de outros atos deve de projetos de sua iniciativa. Convém salientar. como a usurpação dessa competência por outrem. os relativos ao Código de Obras. Outra hipótese de vício da proposição é o da incompetência Codificação é o nome dado à elaboração sistematizada do seu autor. tenha competência para a iniciativa. neste caso. para discussão. Executivo atribuições privativas da Câmara. A Comissão de Justiça e Redação. se o projeto se coaduna O projeto de lei é a proposta escrita e articulada de ou se choca com normas jurídicas superiores. Estatuto dos Servidores etc. a Câmara pautar-se conforme as normas constitucionais. não deve ser tolerada determinada matéria. será esta incluída na ordem do dia. se for o caso. O Regimento Interno codificados exigem estudos mais acurados. portanto. Essa Comissão observa. Se o titular de iniciativa e apresentação do dos diversos princípios e normas pertinentes a projeto o detém de modo privativo. receber qualquer proposição que verse sobre assuntos todavia. legais e não se manifestar sobre a proposição no prazo regimentais pertinentes à questão. Se. conversão em lei. deve- sobre o projeto em regime de urgência. Desse modo. submetido à apreciação da Câmara. que esses prazos não correm nos períodos de alheios à competência da Câmara (por não ser matéria recesso do Legislativo nem se aplicam aos projetos de ou da competência do Município ou da competência código. Código de Posturas. alguém que tenha competência para fazê-lo. examinam os detalhes técnicos e o interesse processo legislativo e só poderá ser feita por quem público das proposições que lhes são distribuídas. a legalidade e constitucionalidade do projeto. sobrestando-se a deliberação quanto aos demais Um controle inicial deve merecer a atenção de todos assuntos. nessa faixa. De início. A Lei Orgânica do Município pode determinar prazo somente deve atuar no círculo que lhe foi reservado. que é órgãos que controlam a tramitação das proposições desencadeado com a apresentação do projeto por são as Comissões. conforme ou equivalente. votação e. Código Tributário. ditando ao Presidente da Casa o cuidado no seu exame e não devem ficar sujeitos a comportamento a adotar ou o caminho a seguir. um texto. a Presidência da Mesa deve deixar de sobre tais projetos de urgência. O Alguns Regimentos Internos especificam outras Executivo não pode solicitar prazo para apreciação hipóteses em que a Presidência deixará de receber desses projetos. em certo ramo do Direito. As Comissões Técnicas permanentes. maior deve cuidar disso. como aquela que delega ao Poder . até que se delibere matéria que é objeto da proposição. a proposição. fará exame e emitirá parecer sobre viu-se no estudo da iniciativa. Parte-se do pressuposto de que os projetos do próprio Poder Legislativo). determinado na LOM. quanto à competência da Câmara para tratar da as deliberações ficam suspensas. ou as Especiais que A apresentação do projeto à Câmara desencadeia o se formem. Outros Não se inicia com isso o processo legislativo.

entendeu que os Estados podem adotar a imediatamente superior à metade do número de medida provisória no seu processo legislativo. a maioria de que deve estar presente para que o funcionamento ou 2/3 será sempre igual a 10. se são medidas foram vistas como reservadas ao Chefe do nove Vereadores presentes. mais do que à presença. Sendo ímpar. ou ligada à composição da Câmara. A de votos dos Vereadores presentes à sessão. Essa afirmação Nesse passo. As hipóteses de edição deverão mais correta. ser as mesmas indicadas na Constituição Federal. desde que haja relevância e urgência. A maioria absoluta é fixa. MANUAL DO PREFEITO  | 71 Medidas provisórias isso. Importante registrar que tais Vereadores. não varia. porém. o que vale totalidade dos Vereadores. art. número de Vereadores presentes à sessão. não é exata e a primeira definição é previsão nesse sentido. A maioria absoluta está. não veio substituir – em termos – o decreto-lei editado pelo é. votos desse número mínimo de Vereadores para que a matéria seja aprovada. da Câmara. que de Vereadores que se encontram no Plenário. também indivíduos presentes numa assembleia. Note-se que há um quórum para funcionar e outro para votar. perto da unanimidade. quer apenas seis Vereadores tenham comparecido à reunião. portanto. diz-se também ser esta uma forma de maioria ocasional ou relativa. necessário fixada em razão ao número de Vereadores que para o seu funcionamento ou votação. pode também o Município expedir seria válida se o número de Vereadores fosse sempre medidas provisórias desde que a Lei Orgânica contenha par. a maioria simples será de Executivo federal. Se estiverem presentes seis Presidente da República. Salvo disposição em contrário da Constituição. as Como se viu. seja. a maioria absoluta e a maioria de 2/3 são deliberações da Câmara serão tomadas por maioria de calculadas em relação ao número total de Vereadores votos. descabendo Se uma Câmara possui 11 Vereadores. quer todos Quórum os 11. desde Vereadores que compõem a Câmara. Muitas vezes é que prevista na respectiva Constituição. como se demonstrará Emenda é a “proposta de direito novo como a seguir: modificação do direito novo já proposto” (segundo Maioria simples – é representada pelo maior número a definição de Manoel Gonçalves Ferreira Filho). Na Câmara compõem a Câmara. cinco. 47). sua maioria o seu uso indiscriminado. prefixada. dada como sendo a “metade mais um”. o Supremo Tribunal Federal – STF. Numa definição simples. ou seja. julgando a Ação Direta de Inconstitucionalidade Maioria absoluta – corresponde ao número inteiro nº 425-5. Significa a opinião de quase a Municipal ocorre a exigência de quórum. Assim. a maioria simples varia de acordo com o Em 2002. Por emenda é “uma correção formulada a dispositivo de . Em dizer que existe um número mínimo de Vereadores uma Câmara composta de 15 Vereadores. porque é extraída do número A Constituição prevê o uso da medida provisória. por conseguinte. absoluta será invariavelmente seis. presente a maioria de seus membros (CF. a maioria simples será de quatro. quórum é o número de Maioria de 2/3 – outra forma de maioria. são necessários os a votação seja válida. Maioria Emendas Existem vários tipos de maioria.

sentir a necessidade de introduzir acréscimos com a lei de diretrizes orçamentárias. assim como tramitação. depois de ter enviado mensagem contendo projeto “I . 166. para realmente modificar o b) serviço da dívida. portanto. mas apenas o direito de propor emenda. já III . 63. § 3º): Pode. competência reservada para iniciativa de certos projetos de lei. ocorrer a hipótese de o Prefeito. não proíbe emendas aos projetos de iniciativa em alguns casos. a população também pode.72 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL uma proposição” (Joaquim Castro Aguiar). O poder de emendar. projeto. poderá emendá-lo? o poder de emendar a proposta de lei. percebe-se que só pode incidam sobre: haver acréscimo de dispositivos à proposição inicial. seja. se a Câmara não pode iniciar o Deve-se observar. estando excluídas as emendas que nome – mensagem aditiva –. pouquíssimas são as restrições a emendas. na sua proposição inicial. encaminhada ao Presidente da apenas os provenientes de anulação de Câmara. O Prefeito tem o plano plurianual. justificando a medida. Então. que essa possibilidade é reservada à Câmara significa também dizer que o Prefeito não pode alterar nem os As emendas ao projeto de lei do orçamento anual e seus projetos. Nesse caso. Somente os Vereadores. não podendo ocorrer supressão ou substituição de dispositivos. essa questão. Assim. ou Muito se discutiu. ou aos projetos que não são de sua iniciativa. sobre criação de de apresentar emenda. I). propor modificação ao projeto em no entanto. Pode. conjunta ou isoladamente. deve fazer uma II . propor emendas à LOM. por exemplo. todavia.sejam relacionadas: contendo. de aprovar o proposto. As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias Já se pode concluir que o poder de emendar não não poderão ser aprovadas quando incompatíveis com acompanha o poder de iniciativa. Pelo seu próprio despesa. então. sempre nas condições demarcadas pela própria LOM. ressalvada a hipótese a O Prefeito não pode propor emendas. art. aos projetos que o modifiquem somente podem ser aprovadas caso (CF. o Prefeito terá de retirá-lo e reapresentá-lo.indiquem os recursos necessários. como se viu antes.sejam compatíveis com o plano plurianual e de lei. A Constituição. É da competência privativa do Prefeito a iniciativa de inclusive a Mesa e as Comissões. admitidos mensagem aditiva. de suas Comissões. privativa do Executivo. entretanto. todavia. emenda é. Propor uma a faculdade de enviar mensagens aditivas. possuem a faculdade leis que disponham. o Prefeito b) com os dispositivos do texto do projeto de não tem sequer a prerrogativa de enviar mensagem lei”. e não detém o Como se vê. não . Quanto a) com a correção de erros ou omissões. cargos. poder de emendar tais projetos. a reformulação pretendida. que o Vereador não tem projeto. funções ou empregos na Prefeitura e autarquias municipais. outrora. mas tem tão somente Se o projeto for de iniciativa privativa do Prefeito. é do Plenário da Câmara e. aditiva. O poder de emendar é reservado apenas à Câmara. desde que não haja aumento da despesa prevista (art. a) dotações para pessoal e seus encargos. A afirmação de seguir.

MANUAL DO PREFEITO  | 73 pode haver emenda que aumente a despesa prevista. ou Todas as regras sobre quórum. decorrido o qual o silêncio . o sobretudo quanto a assuntos que não possam ser sancionará. A sanção. então. até ♦♦ o projeto é aprovado integralmente. O projeto de lei não há de ser necessariamente aprovado. mediante proposta da maioria absoluta dos que resultem em aumento de despesa. denominado autógrafo. deixando de transformar o projeto em lei. Esse prazo é de 15 dias úteis. pode ser aprovado com emendas. Será expressa se manifestada através da aposição da assinatura do Prefeito ao original preparado para Após o processo normal de discussão e votação. projeto aprovado pela Câmara ainda não é lei. Observe-se que o detalhes dessas questões. Quando o Prefeito sanciona. e se a projeto ou para vetá-lo (“rejeitar”). inclusive os não sancionados porém pode haver emenda que a diminua. os projeto vir a se transformar em lei. O projeto que não recebe a votação da publicada. através do seu Plenário. durante um ano (a sessão No processo legislativo. aprovação que pode ser expressa ou tácita. votação. ♦♦ o projeto é aprovado com emendas. A sanção traduz a aprovação do Executivo objeto de emendas. que ainda não Rejeição ou aprovação do percorreu todas as etapas necessárias do processo projeto legislativo. o projeto é tido como rejeitado. permanecendo omisso. emenda nesse membros da Câmara. As emendas serão A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente aceitas somente se estiverem dentro das limitações pode ser objeto de novo projeto. na mesma sessão mencionadas. Câmara mantém o veto. entremeia o recesso de julho). Se o Plenário da Aprovado o projeto de lei pelo Plenário da Câmara. Será tácita se ele das três hipóteses configura-se: não vetar nem sancionar. Corresponde a sessão legislativa sentido não será aceita. prazo etc. é que transforma em lei o projeto aprovado pela Câmara ♦♦ o projeto é rejeitado. desaprovado tempo promulgando a lei. De qualquer modo. são arquivados. esta Sanção poderá aprová-lo ou rejeitá-lo. decorrer o prazo previsto para sua manifestação. Se o projeto é O Prefeito tem prazo para sancionar (“aprovar”) o aprovado pela Câmara e vetado pelo Prefeito. maioria exigida é tido como rejeitado. ser em votação. O projeto não há de ser necessariamente aprovado. ele será remetido ao Prefeito que. ressalvadas (com o veto mantido). em que se devem ser atendidas para que a Câmara Municipal. Municipal. Submetido o projeto à deliberação da Câmara. A nova lei deverá. está ao mesmo O projeto rejeitado é o projeto repelido. aprovação. aos trabalhos da Câmara. sob qualquer de suas formas. poderá votar em contrário à sua ao projeto. são muito importantes. possa deliberar validamente. Câmara não concorda com os termos da proposição. as hipóteses das leis orçamentárias. É tão somente um “projeto de lei aprovado”. aquiescendo. no todo ou em parte. de acordo com as condições locais. A Lei Orgânica do Município a aprovação pela Câmara é condição essencial para o especifica. uma votação. Os projetos rejeitados. Se o projeto não comporta emendas legislativa. existem regras básicas que legislativa é dividida em dois períodos.

de proposições. o veto será colocado na ordem mesmo. podendo suprema. ressalvadas as parágrafo. veto. ao Presidente da Câmara. Veto A apreciação do veto deverá dar-se em determinado Assim como o Prefeito pode sancionar o projeto. se outro não for estabelecido. 66. A maneira. que pode ter percebido problemas que não o veto possui fundamentação de ordem estritamente foram vistos antes pela Câmara. política: o Executivo apenas o julgou contrário ao A Câmara somente pode rejeitar o veto do Executivo interesse público. por ser considerado Câmara pode estar concordando com as razões do contrário ao interesse público. a ausência de sanção e Emenda Constitucional nº 76/2013 suprimiu do § 4º do de veto não faz caducar o projeto. demonstra que a Câmara é a vontade maior pelo voto da maioria absoluta de seus membros. por isso. Prefeito. Dessa forma. ou a redação original. Vetado o projeto. deliberando recoloca o projeto em novo exame pela Câmara. ainda que seja constitucional. Será parcial. sobrestadas as demais Dois são os fundamentos constitucionais para aposição proposições. Por isso. do dia da sessão imediata. de inciso ou de alínea (CF. os motivos do veto. mas o transforma em art. A no processo legislativo. esta acolhê-lo ou não. portanto. a aposição estadual ou municipal só terá validade se estiver em de veto sempre provoca nova apreciação do projeto. terá de ser fundamentada. Se nesse prazo todo o projeto. preceito da Não é o veto uma deliberação absoluta. pode prazo. O prazo será de O veto pode ser total ou parcial. interesse público. art. conformidade com a regra constitucional. § 2º). se abranger 30 dias. a ser previsto na Lei Orgânica. o veto será colocado na ordem Câmara. ressalvadas as de veto: a inconstitucionalidade e a inconveniência ao matérias de medidas provisórias. A não é um ato definitivo e absoluto. Dessa pelo voto da maioria absoluta de seus membros. o que muita gente desconhece. ser superado. o Prefeito terá de dizer por que veta (“rejeita”) apreciação do veto deverá dar-se em determinado o projeto: são as chamadas “razões do veto”. devendo a LOM adaptar-se nesse sentido. também. Essa se o aceita ou não. porque enseja Constituição. direta ou indiretamente. se atingir apenas parte do não houver deliberação. até sua votação final. 66 a referência ao voto secreto para apreciação do lei. qualquer norma ou ato federal. Concretiza-se a rejeição no veto. Dessa maneira. prazo. O veto a emendas apostas pelo Legislativo não restaura O projeto pode ser vetado por inconstitucional. porque a omissão é uma forma silenciosa de sanção. que inclui o poder de A Câmara somente pode rejeitar o veto do Executivo derrubá-lo. porém. competência para apreciar o veto. até sua votação final. Na segunda hipótese. O projeto relativamente à parte vetada. o Prefeito comunicará. . então. O veto parcial do dia da sessão imediata. Agora. o voto é aberto. a ser previsto na Lei Orgânica. Essa recusa. Se nesse prazo que é a recusa de sanção a projeto aprovado pela não houver deliberação. A vontade do Legislativo pode. matérias de medidas provisórias. O prazo será de igualmente vetá-lo. se outro não for estabelecido. Será total. para apreciá-lo. dentro de 48 O veto pode.74 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL importa em sanção. ele horas. A Constituição é a lei fundamental ou a reapreciação do projeto pela Câmara. Ao acolher um veto. sem prejudicar o texto todo. contudo. a de lei poderá ser vetado. mas que apenas Câmara reunir-se-á. sobrestadas as demais somente abrangerá texto integral de artigo. por ferir. 30 dias. seja.

Na falta destes. terá eficácia. Quando o Prefeito sanciona a lei. no qual lei devolvida ao Prefeito para promulgação. Se esse ato determinar a O Prefeito tem o prazo de 48 horas para promulgar a apreciação do projeto pela Câmara. o Presidente da Câmara não promulgar a lei no prazo estipulado. E se. Se o veto a lei municipal autorize a publicação dos atos oficiais tiver sido rejeitado e o Prefeito não quiser promulgar a da Comuna. entende-se como válida nova lei. será a nova em casos especiais. até em jornal particular. veto. Não serão objeto de delegação nem os atos de competência exclusiva da Câmara. também a interna da Câmara. o projeto de lei transforma-se em lei. tais como A promulgação representa atestação de que a lei remuneração dos agentes políticos. o ato normativo não Só se reexamina a parte vetada. MANUAL DO PREFEITO  | 75 pela manifestação de sua maioria absoluta. É a publicação condição essencial para que a lei opere O veto parcial não recoloca em debate todo o projeto. Deve ser feita em jornal de grande circulação ser promulgado e entra em vigor após a publicação. que tanto pode ser o Diário Oficial do mesmo antes da reapreciação da parte vetada. pois. que todos tomem conhecimento do seu conteúdo. diretrizes orçamentárias e não for acolhido pela Câmara. Promulgação e Leis delegadas publicação A Lei Orgânica do Município pode adotar ou não o regime de leis delegadas. Sem publicação. conforme dispuser a LOM. no Município. a promulgação caberá ao Presidente da Câmara. também no prazo de 48 horas. e os termos de seu exercício. A publicação compete a quem promulgou o restante do projeto. um jornal oficial do próprio Município ou. só votação. orçamentos e nem matéria que deva ser tratada por lei para promulgação. elaboração do existe. Após a promulgação. efeitos jurídicos. sempre observado o que dispõe a Lei Orgânica. quanto nos casos em que se comunicou a rejeição do veto. Prefeitura ou na Câmara. No caso desse veto. que serão elaboradas pelo Com a sanção expressa ou tácita ou com a rejeição do Prefeito. ato contínuo. perfeita e acabada. para se à vontade do Prefeito. A promulgação indica. após solicitar a delegação à Câmara Municipal. o Vice-Presidente o fará. vedada qualquer emenda. nem a legislação municipal promulga. complementar. ocorre a publicação da lei. que a nova lei é apta a O ato delegatório especificará o conteúdo da delegação produzir os seus efeitos jurídicos. Se o Prefeito apuser veto e este sobre planos plurianuais. deve a lei. . por fim. na promulgará. o Presidente ou o Vice-Presidente da Câmara a a publicação feita em local acessível ao público. que está sancionado. Isso tanto nos casos de sanção expressa ou tácita. Após a deliberação em que se rejeitou o veto. sobrepor. Estado. Se não o fizer nesse prazo. esta a fará em uma lei. ser-lhe-á devolvida a lei. pelo que deve ser obrigatoriamente executada e Regimento Interno e disposição sobre a organização respeitada.

O uso de aparelhos celulares. afetam o modo de vida de todos e em todas atuação dos diferentes níveis de Governo em cada país. permite a percepção. visíveis que caracterizam os novos tempos. a divisão como comuns. estão acontecendo. o Município foram profundamente * Revista e atualizada por Alexandre Carlos de Albuquerque Santos. por mais nacionais. sobretudo na escala do Estado em cada nação. com a naturalidade de quem sempre indissolúvel dele. permite o acesso a essa informação e. contudo. classifica e qualifica o atual Não são. processo de transformação. de DVDs e de outros equipamentos o Estado brasileiro e. Sabe-se que todos os fatos. as relações entre as sociedades e os conferir transparência à sua gestão. mais ainda. arquiteto e Superintendente de Desenvolvimento Econômico e Social do IBAM. Em outros Hoje não pairam dúvidas de que se vive numa processos na economia. da intensidade das mudanças. sociedades e comunidades locais também ocorrem e – ressalte-se – no próprio momento em que os fatos mudanças perceptíveis e importantes. apenas essas mudanças mais momento da expansão capitalista: globalização. Estados nacionais e os modelos políticos que regem funcionam também como elemento de pressão da as estruturas e os papéis dos respectivos aparelhos de população sobre os gestores. na formulação de políticas públicas e na longínquos.76 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL 2 O Município e o desenvolvimento local* Introdução conviveu com essas inovações. as localidades. Certamente se constituem em poderoso internacional do trabalho. foram afetadas as relações de nem se conhecem em torno de causas que entendem trocas comerciais em nível internacional. O alcance dos meios de comunicação nos papéis reservados aos Governos Municipais e às faz com que as notícias cheguem de todos os lugares. os modos de produção e instrumento de comunicação que pode estar ao alcance consumo em cada sociedade. . computadores. Os últimos trinta anos do século XX foram marcados mesmo que superficial. a lógica de localização dos gestores para se comunicar com os cidadãos e para das empresas. na organização dos Estados aldeia global. e permitem a mobilização de grupos de pessoas que Em decorrência. Por outro lado. por profundas transformações no modelo de As Chamadas “Redes Sociais”. Uma palavra apenas designa tal Município. de Como mostram outros capítulos deste livro. são hoje uma realidade desenvolvimento econômico em escala global. como parte integrante e hoje disponíveis.

não se pode afirmar Além do reposicionamento do papel do Município na que exista modelo de atuação único ou replicável. bem-sucedidas na última década. de um mobilizar em cada caso. situem o Município como unidade gestão que contemplem. da abrangência expressivas no mundo do trabalho. tecnologias de informação e comunicação. impondo o atendimento . vem cabendo o do número e da qualidade de atuação das organizações papel de gerente e apoiador de processos de gestão. novos processos de intensificação de processo de qualificação de mão de descentralização intergovernamental e de participação obra igualmente situado nos Municípios. seja pela ação dos meios de tendo o equilíbrio monetário e financeiro como meta comunicação de massa. mudanças em função da escala da localidade. e competentes para satisfazer sua clientela. A esse aumento de responsabilidade. contudo. amplo alcance. Ao evolução da participação social – seja pelo crescimento Governo Federal. específicas. decorrentes da inserção do país na economia global. democratizado e sob expansão das sinalizados. da sociedade civil. no mesmo contexto. também soluções identificadas como bem-sucedidas variam provocados pelos mencionados ajustes. realça o papel do Município. cidadã em relação à coisa pública foram claramente Verifica-se no país. Seja em decorrência dessa retração. e. com a focalização de investimentos em indivíduos comuns. A introdução da proposta. MANUAL DO PREFEITO  | 77 afetados por processos de mudanças justamente às necessidades de assistência social pelos Governos. parcerias com promotora do desenvolvimento em seu território. das parcerias estabelecidas e dos rurais. do nível de engajamento da respectiva afetando estabelecimentos econômicos urbanos ou sociedade civil. A tendência é que o cidadão se torne exigente dos impactos resultantes dos ajustes estruturais no e que os Governos e as agências de prestação de nível macroeconômico têm ficado a cargo dos Governos serviços públicos atuem como empresas profissionais Municipais. recursos correspondeu igual ampliação dos meios à disposição fiscais escassos e maior participação da sociedade civil do Município. não A combinação desses fatores – mais encargos. tem ampliado. aliada à falta de qualificação das pessoas para recursos que as Administrações Municipais lograram desempenharem novas funções. articulando as necessidades de planejamento nas administrações recursos de toda ordem e fundamentadas em conceitos municipais e a adoção de fórmulas inovadoras de de sustentabilidade. por exemplo. exigindo a A partir da Constituição de 1988. que produzem efeitos sobre os principal. seja seja ainda pelo papel cada vez maior das “Redes por força de determinações normativas da Constituição Sociais”. a ocupação informal. substanciais parcelas de responsabilidade na de direitos de consumidor e de cliente também do prestação de serviços públicos e no equacionamento Estado. de outro. das condições políticas e institucionais de inovações tecnológicas nos circuitos produtivos. o setor privado ou o estabelecimento de consórcios Embora nessa direção haja o registro de experiências intermunicipais. A conquista da cidadania investe os indivíduos de 1988. lado. o que limita o efeito de políticas públicas – vem impondo às Administrações municipais a busca implementadas de forma tradicional e potencializa de formas inovadoras de atuação que. notável Nesse contexto. As prestação de serviços públicos. sobretudo na escala local. induzindo-os a participar política e infraestrutura econômica ou em programas sociais de efetivamente de assuntos que os afetam diretamente. verificam-se.

Do ponto de Assim. também a outras dimensões além da ambiental. tais como: (a) a las mais acolhedoras. e em atribuições tipicamente municipais. a partir de sua exploração. com perspectiva de sustentabilidade. Mesmo na chamada inclusão social. que pode até conduzir a a essas experiências que estão na base dos bons processos rápidos de acumulação econômica. apenas como crescimento econômico. que busca promover a inclusão e de geração de renda. sendo atualmente a instância compreensão e valorização dos contextos culturais responsável pelo Cadastro Ambiental Rural – CAR que característicos de cada localidade. de trabalho. de sustentação e de continuidade. Reconhece-se hoje que qualquer meio social é dotado constitui lição aprendida e descartada a exploração de. como alguns autores vêm chamando. há aspectos comuns inadequada de tais recursos. ou à perspectiva de outro. A dimensão ambiental é apenas uma das que Nesse sentido. Trata-se de preocupação significado da expressão desenvolvimento sustentável. ativos . A ideia do uso do solo no meio rural. salubres e até mesmo menos necessidade de se proceder a esforços efetivos de onerosas em termos de gestão. (c) a sendo ampliadas. como a gestão incorporando outras necessidades ou imposições do uso do solo e do espaço nas cidades de modo a torná. é necessário sair de um ponto que pode ser vista do senso comum. Por outro lado. universal e pública que. alcance da intervenção ou da escala do Município. contemporâneas ao conceito. a perspectiva deve ser forma integrada e sustentável. de receitas. de estreitamento dos elos de relacionamento social capitais. (d) a necessidade a situa como elemento de controle e monitoramento de gerar renda e trabalho para as pessoas. independentemente da natureza e do altos custos para a qualidade e as condições de vida. se fala em sustentabilidade. desde que explorados de forma adequada e existentes e latentes nas comunidades e localidades. contudo. para à ideia de preservação ambiental. por exemplo. visto não sobrevivência e necessidade. que busque integrar a proteção e a recuperação assegurar às gerações futuras os recursos naturais para ambiental à necessidade de promover mudanças que possam. envolve políticas sociais ou urbanas setoriais ou ou quando se tenta idealizar um modelo de quando propõe promover o desenvolvimento local de desenvolvimento sustentável. mas com resultados.78 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Se não há um modelo de atuação. às de aos conflitos relativos ao uso econômico do território e preservação. A questão ambiental faz parte da agenda da maioria Para isto é necessário compreender melhor o dos Governos municipais. pelas políticas locais. em princípios de sustentabilidade ampliada quando Quando. ampliada. fundamenta-se no médio prazo. (b) a focalização em necessidades área rural as responsabilidades dos Municípios vêm específicas das minorias étnicas e de gênero. à medida que é assimilada abandonando a ideia corrente de desenvolvimento. tende a transformar a abordagem que está associada ao crescimento econômico. A bem como para as próprias condições de gestão local forma de abordagem. é necessário esclarecer o que se pode permeiam o conceito de sustentabilidade ampliada. entender por desenvolvimento sustentável. portanto. em especial no que toca de sustentabilidade associa-se. como mencionado a seguir: Deve ser lembrado que recursos ambientais e paisagísticos constituem-se em enorme potencial Dimensão Social. prover sua efetivas nos patamares de desenvolvimento. a expressão está hoje associada interpretado como meramente preservacionista. mas as ameaças e prejuízos ao meio ambiente.

e programas de geração de renda. para maior disposição dos grupos sociais de renda. como também se traduz no aumento das estabelecimento de parcerias com movimentos sociais receitas públicas. que se baseiam de compromisso com a continuidade dos esforços na exploração sustentável de recursos ambientais empreendidos. como valoriza e potencializa as relações da sustentabilidade. Além desses. códigos Neste particular devem ser sublinhadas políticas de relacionamento do grupo humano focalizado. De certa forma. e culturais das localidades ou das microrregiões. como a mencionada valorização sociais no âmbito das comunidades. ou que as iniciativas informais não são alcançadas pela esportiva. por sua vez . já artística. Programas de inclusão de jovens da renda e a afirmação da cidadania. vêm se constituindo em alternativas os exemplos de experiências bem-sucedidas de eficazes de inclusão produtiva e formal de segmentos inclusão social e de promoção de alternativas sociais com baixa qualificação para ocupar postos de sustentáveis de desenvolvimento econômico local emprego em circuitos produtivos mais amplos. baseados tributação. de ampliação das desses ativos de forma a potencializar seus papéis na ocupações produtivas e dos empregos. em de identidade das comunidades. Dimensão Cultural. além de contribuírem para a ampliação identidades culturais. vêm sendo explorados em grupos sociais organizados na resolução dos problemas. e para maior nível relacionadas ao campo do turismo. potencializa e também vem sendo valorizada. em seu sentido amplo – associações de moradores. na valorização de atividades artesanais. a busca de alternativas ocupacionais sustentáveis organizações da sociedade – não apenas permite maior vem sendo questão central para as Administrações precisão e transparência na alocação dos recursos locais. O das famílias. muitas vezes no âmbito do folclore. que. Exemplos que combinam distintas dimensões disponíveis. Contribui. pereniza valores culturais. diante dos desafios hoje enfrentados. o que não formulação e implementação de políticas urbanas. apoiados em conhecimentos e técnicas dos mais constituído pelas formas de relacionamento humano idosos das localidades. sindicatos. São numerosos muitos casos. constituem por meio da oferta de oportunidades de educação elemento de equilíbrio financeiro dos governos. das formas de organização e de e sustentáveis para o desenvolvimento socialmente representação do grupo. que assegura Assim. saberes populares. Dimensão Econômica e Financeira. que fortalece. MANUAL DO PREFEITO  | 79 sociais. a exploração de variações recursos da própria comunidade. têm logrado resultados efetivos nele verificadas. organismos de representação patronal. pode-se dizer que qualquer atividade ou ação continuidade e crescimento de oportunidades de de Governo deve estar permeada pela valorização desenvolvimento econômico. ou seja. apenas permite a melhoria da renda dos indivíduos e sociais ou de desenvolvimento econômico locais. solidariedade que praticam. das relações de troca e de inclusivo e sustentável das localidades. locais direcionadas para a expansão e consolidação Ações concebidas e implementadas com base nesse de pequenos e micro empreendimentos comunitários compromisso tendem a ser melhor assimiladas pelos ou familiares e para a organização de grupos de beneficiários e contribuem para o fortalecimento produtores em associações ou cooperativas. mobilizando específicos. Tais que se fundamentam em processo de resgate das iniciativas. de saberes artesanais com a perspectiva de geração sobretudo. de patrimônio latente e potencial.

que constitui questão Neste sentido. e que. a disposição âmbito da sociedade civil. no contexto atual. as universidades e intermunicipais é também exigência dos dias atuais. Mesmo um projeto e preservar seus recursos físicos. governamentais dos três níveis de Governo e nas três contemplando ações que se desdobram em territórios esferas de Poder. além daqueles atores situados no constituídos por mais de um Município. potencializar locais podem implementar. o sucesso e a continuidade de é que. onde soluções integradas parcerias governamentais e não governamentais e e construídas numa estratégia de futuro sustentável sobre compromissos claramente estabelecidos para o devem abarcar políticas e programas voltados conjunto de instituições envolvidas. exploradas especificamente nos capítulos que se seguem. o empresariado. deve também ser sublinhado. o que se quer realçar na introdução desta Seção Em grande medida. social. que considere o capital cultural latente e potencial respeito aos direitos humanos e sociais e para criação das comunidades. Trata-se de desafio cuja superação aponta para o pode não ter continuidade ou sustentabilidade se melhor caminho da gestão do desenvolvimento local e não estiver assentado sobre amplo conjunto de territorial no contexto atual. indiquem para potencialidades das organizações sociais locais. como as organizações e para o estabelecimento de parcerias e de consórcios instâncias de representação social.80 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Dimensão Institucional. capazes de mobilizar as programas e projetos públicos que as Administrações forças e capacidades das comunidades. deste Manual. perspectivas concretas de integração e equidade social. alternativas de geração de ocupação e renda e que utilize de forma racional os recursos ambientais. na medida em que a questão da e continuidade das parcerias e dos compromissos promoção do desenvolvimento sustentável vem estabelecidos entre os diversos agentes e agências sendo tratada cada vez mais em escala supralocal. . ambientais e construído com base no respeito às demandas e paisagísticos. que sinalize claramente para de oportunidades inclusivas de ocupação e renda. o conjunto de medidas direcionadas central para a conquista de efetiva condição de ao desenvolvimento institucional das administrações desenvolvimento local integrado e sustentável (em suas municipais. A sustentabilidade institucional refere-se à solidez Finalmente. ao desenvolvimento econômico. urbano e ambiental das localidades e das microrregiões onde se inscrevem. econômica e ambiental). nas ser chamado de boa arquitetura institucional para os escalas local e microrregional. não resta alternativa para iniciativas bem-sucedidas de desenvolvimento local as Administrações locais se não aquela que as situa dependem da adequada construção do que pode como agências de desenvolvimento sustentável. cultural. de forma integrada. tratado especificamente na quarta seção dimensões social. Assim.

MANUAL DO PREFEITO  | 81 Capítulo 1 Desenvolvimento econômico* Inserção da economia demanda por mão de obra qualificada. apontando para o surgimento de nova locais e a expansão da oferta de ocupações e empregos. globalizado A intervenção da Administração. levando novos desafios às Administrações municipais. arquiteto e Superintendente de Desenvolvimento Econômico e Social do IBAM. Desde o final dos anos 1980. a reestruturação da economia Estado ou das atividades empresariais privadas. a agenda dos diferentes demanda invariavelmente a abertura de espaços de níveis de Governo. pautada na articulação Desse contexto surge a proposta do desenvolvimento entre os atores locais. entre atores e na reorganização estratégica das forças em função da combinação entre redução da mão de produtivas e sociais existentes na localidade. Nele obra pela inserção de novas tecnologias. reforma do parte-se da premissa de que o desenvolvimento local Estado e abertura da economia. organismos internacionais e diálogo com os atores privados e a construção de pactos organizações não governamentais vem incorporando amplos. que consiste em modelo de que unam esforços e otimizem recursos. estratégia de desenvolvimento. nos quais sejam definidas ações conjuntas ações relacionadas à valorização da dimensão local visando a criação e o fortalecimento das empresas da economia. Deve. para surtir efeito. mas e a crise do emprego resultaram em aumento da sim do modo como o conjunto da sociedade organiza * Revisto e atualizado por Alexandre Carlos de Albuquerque Santos. da subsequente crise mundial do emprego. e que entorno. estabelecida as características culturais da localidade e de seu ainda no fim dos anos 1970 nos países centrais. portanto. especialização territorial da produção (arranjos produtivos locais) e local no mundo ampliação da competição entre empresas e localidades. com respeito ao inicialmente do processo de reestruturação produtiva e meio ambiente. dinamização da economia fundamentada numa visão A edificação dessa nova estratégia decorreu de sustentabilidade ampliada. ser pautada pela articulação assumiu no Brasil contornos ainda mais contundentes. ou seja. visando a construção de pactos econômico local e territorial. . não é questão que dependa apenas da intervenção do No Município brasileiro.. capaz de promover a inclusão social.

os atuação. Mesmo quando não preside o processo. trabalho e qualificação pactos regionais de desenvolvimento que englobem profissional. cabe ao setor público o papel elementos nos quais a capacidade de gestão das de facilitador e fomentador das atividades esferas locais de poder é praticamente nula. organizando fóruns. em Deve-se. empreendedores. ter em vista que a dinâmica relação às outras esferas de Governo. As autoridades municipais. nacional e global. empreendimentos. Muitos local. A política macroeconômica nacional.82 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL sua produção. com o objetivo de explicitar seus pontos fortes e fracos. possuem algumas econômica local não é condicionada apenas por vantagens que lhes são conferidas pela sua escala de fatores locais. comunitárias. assim como ações Municípios reunidos podem atingir escala suficiente voltadas a proporcionar aos munícipes. Nesses Para identificar essas ações. universidades – estratégias de desenvolvimento econômico. visando traçar estratégias de atuação que Existem no Brasil inúmeros exemplos de Municípios promovam o desenvolvimento numa perspectiva que implantaram estratégias de desenvolvimento de sustentabilidade. da produção das grandes empresas. coletividade dos Municípios envolvidos. lideranças cotidiano do Município. elaborando planos e possibilidades reais de inserção da economia local implementando ações para dinamizar a economia nos sistemas regional. Isso pode ser encaminhado por meio de oportunidades de emprego. Municípios de identidade produtiva semelhante e disponham de mecanismos de integração física. potencialidades produtivas subaproveitadas. sindicatos. Isso se deve ao grande repertório de ações especificidades geográficas. o Municípios definem suas estratégias de intervenção engajamento da Administração Municipal é condição por meio da elaboração de planos participativos de imprescindível para que as iniciativas possam ser bem- desenvolvimento local. na esfera local tem por base a vocação municipal para refletindo diretamente na geração de trabalho e renda exercer o papel de facilitador e impulsionador de para a população local. perspectivas de inserção que o Município pode realizar no intuito de fomentar nos mercados regionais. isoladamente. calcados em visão coletiva das sucedidas. mas que podem ser trabalhadas constitucionais. contudo. ancorado em suas competências a esfera municipal. formulando e discutindo com os atores não se pode falar do impacto desses elementos sobre o locais – empresários. levando em consideração as local. na qualidade para a realização de atividades que seriam inviáveis de cidadãos e atores econômicos da comunidade. Isso porque o Há ainda questões de âmbito regional que transcendem Governo municipal. nacional e global. tendo em vista sua localização no fluxos internacionais de capital e a lógica globalizada território regional. devem-se identificar ações que contemplem a novo olhar sobre o território econômico municipal. A proximidade com o cotidiano da população . realidade institucional e a economia local. O mesmo produtivas. Vários fomentar a atividade empresarial. Os pactos decorrentes desses planos permitem que Ações municipais sejam mobilizadas as forças necessárias à realização O estímulo ao desenvolvimento econômico sustentado de transformações substanciais na esfera econômica. torna-se necessário lançar casos. a localização e características dos mercados consumidores são Nessa perspectiva. pode promover medidas para por ações consorciadas de Municípios.

trabalhando segmentos produtivos Investir na implantação e diferentes. Essa lei confere ao têm se voltado para as questões relacionadas ao Município importante papel. seja A necessidade de criar um tratamento diferenciado em obras de saneamento. as medidas estimuladas pela nova legislação positivamente a estrutura social local. comprometendo a e pequenas empresas na comercialização dos produtos agrícolas. bem como da capacidade urbana que ampliarão o número de atrativos. considerando distintas vias capazes de facilitar o funcionamento dos pequenos de abordagem. até intervenções de recuperação especificidades operacionais. podem-se ressaltar algumas brasileiro. pois estimula a para micro e pequenas empresas estão resultando na distribuição de renda e induz os segmentos populares ampliação da receita das municipalidades. é fator que afeta sobremaneira as comunidades rurais. sendo este último caminho empreendimentos. de grande porte como atuam na esfera local do micro Ações relacionadas à facilitação da inscrição e baixa dos e pequeno empresariado. de 14 de dezembro de 2006) da produção local. superar os diversos entraves existentes no circuito econômico local. . MANUAL DO PREFEITO  | 83 e a possibilidade de diálogos diretos e continuados com de gerar trabalho e renda que esses empreendimentos suas lideranças permitem a formulação de políticas apresentam. e sim da base de arrecadação. O fomento aos pequenos negócios nas leis formuladas em âmbito municipal. foi elaborada justamente com o intuito de definir as diretrizes do tratamento específico a ser dispensado Nesse contexto. a longo prazo. diferenciado para as micro por exemplo. bem como à tributação das micro e alternativa bem mais adequada à realidade do pequenas empresas. refere-se à inexistência de especialmente importante: infraestrutura adequada para o desenvolvimento de suas atividades econômicas. no entanto. Tanto procuram atrair investimentos empreendimentos dependem de regulação municipal. elos distintos das cadeias produtivas e empreendimentos de porte e caráter diferenciados. gerado pela formalização de através de programa que contemple medidas para microempreendimentos. sobretudo por aqueles mais afastados nas quais a participação do Município tem-se mostrado dos grandes centros. as Administrações municipais as empresas de pequeno porte. que ajudarão a preservar o para as micro e pequenas empresas decorre de suas patrimônio ambiental. visto que muitas das ações desenvolvimento local. De modo e aos empreendimentos cooperativos tende a impactar geral. recuperação de infraestrutura Dentre as ações mais comuns aplicadas nas estratégias Outro grave problema enfrentado pelo Município de desenvolvimento local. vem recebendo atenção especial pequeno Município. visto que as reduções de taxas e É importante. A precariedade das Estabelecer tratamento condições de acessibilidade das estradas vicinais. A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas públicas conectadas às necessidades e especificidades (Lei Complementar nº 123. que as ações municipais impostos tendem a ser compensadas pelo aumento não sejam pensadas de forma isolada. São notáveis legislação municipal ainda os benefícios do investimento em infraestrutura em Municípios de economia centrada no turismo. sobretudo a um comportamento mais ativo.

Facilitar o acesso aos serviços dado que pequenos Municípios. Essas ações. maiores. concorrência desleal com os empreendimentos formais e a implementação de exigências que inviabilizem as Ampliar o acesso à tecnologia atividades. no entanto. constituindo forma eficiente de gerar dos pequenos negócios. que a construção técnica e estímulo ao associativismo. apresentam significativa capacidade de gerar devem estar no foco estratégico da ação municipal e empregos diretos e indiretos em função do aumento constituir esforço conjunto dos gestores dos municípios da renda regional. competitivas e consigam ofertar produtos e serviços a questão do escoamento e comercialização está de maior valor agregado. ser preocupação apenas dos grandes centros urbanos. exposição dos produtos locais nos de Municípios brasileiros possuem bancos do povo circuitos de eventos comerciais da região e a recuperação ou instituições semelhantes voltadas para oferecer e ordenamento de mercados populares são mecanismos crédito aos pequenos empreendedores. As iniciativas de microcrédito vêm mobilizando a As dificuldades de comercialização de produtos e economia nas comunidades mais pobres das cidades serviços constituem graves entraves ao desenvolvimento brasileiras. muitas vezes eficientes para o fortalecimento das atividades acompanhado de ações de capacitação. em parceria com universidades próximas. o que vem levando diversos Também se registra a importância da conectividade Municípios a desenvolver ações no campo das em pequenos assentamentos rurais como elementos microfinanças. considerando as necessidades e restrições ao Município orientar pequenos empreendedores na dos empreendedores. sobretudo nos Municípios de postos de trabalho para a população em situação de porte reduzido. assistência comerciais. ofertando crédito para empreendedores de acesso às informações sobre produção e mercados. no entanto. e a revitalização dos espaços locais de comercialização A própria rede bancária formal também dispõe de sejam pensadas de forma aberta à participação dos carteiras de microcrédito com essa finalidade. pode inviabilizar o surgimento e o crescimento dos empreendimentos locais. É fundamental. A falta de acesso a esses serviços para os produtores familiares dessas localidades. que visam presente de maneira forte.84 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Apoiar a comercialização excluídos do sistema financeiro tradicional. permitindo significativos ganhos de renda das suas atividades. A tecnologia. Alguns Municípios vêm investindo em políticas que Em Municípios de porte médio ou mesmo nos ampliem o acesso dos empreendedores à tecnologia. o Todo e qualquer empreendimento demanda apoio melhoramento genético de seus rebanhos de caprinos creditício e financeiro para manutenção e expansão e bovinos. centros de pesquisa agrícola financeiros e unidades de extensão rural. maior vulnerabilidade social e econômica. cabe atores locais. evitando simultaneamente a busca da melhor alternativa de acesso a esses serviços. Centenas realização de festas. não deve com identidades produtivas similares na região. vêm estabelecendo programas que contemplam. onde existem ou podem vir a se instalar viabilizando que as empresas locais se tornem mais estabelecimentos produtivos de maior envergadura. a título de exemplo. . as condições de acesso às aproximar os centros de conhecimento e a iniciativa vias – rodovias e ferrovias – nacionais ou estaduais privada. Ações como a organização de feiras livres.

da preocupação Realizar compras locais dos gestores municipais e de sua equipe. Os ganhos com o cooperativismo e o A articulação com o Senac. Várias iniciativas preveem seu circuito econômico interno. mais recentemente. são inciativas que podem mudar o perfil da mão de obra local e. e a atração para o Município ou a região econômica. econômicos. As novidades estão no fato de que hoje em dia produtos como uniformes dos alunos das escolas. assim. se não imprescindível. Algumas Administrações municipais municipal atuar no desenvolvimento econômico também vêm buscando adquirir no comércio local local. visto que também são estimulados as . alimentando. no mundo atual a questão da apreensão cenário de desenvolvimento econômico sustentado. o direcionamento dos recursos para os Propiciar o acesso pequenos negócios resulta na redução da evasão à capacitação de de divisas do Município e na ampliação da renda da população local. Senai e. MANUAL DO PREFEITO  | 85 custos de produção e de revenda de produtos e de estabelecimentos de capacitação profissional e estabelecimento de condições de escoamento de de gestão de pequenos e médios estabelecimentos produtos. transcendem a dimensão com o Sebrae. na população local. sustentabilidade. associativismo. deve se constituir em foco importante. técnica. além de potencializar economicamente para difundir a cultura cooperativista por todo o aqueles empreendimentos que já apresentam território nacional. no entanto. Municípios Alguns Municípios vêm orientando suas compras de tecnologicamente isolados do mundo globalizado atual forma a fortalecer os pequenos empreendimentos ficam à margem das possibilidades de inserção de sua locais. sobretudo no campo das telecomunicações. os empreendedorismo Municípios podem adquirir alimentos para escolas e programas sociais diretamente de agricultores As iniciativas de qualificação profissional representam familiares e pescadores artesanais e de suas uma das formas mais tradicionais de o Governo cooperativas. nas quais são empreendedores permite que negócios que se fomentados valores como cidadania. rápida das facilidades tecnológicas. solidariedade e mostravam inviáveis individualmente tornem-se senso de equipe. visando fomentar atitudes empreendedoras maternidades e postos de saúde. Ações como essas são fundamentais rentáveis. pequenos produtores Existem ainda iniciativas de capacitação voltadas para A organização coletiva dos micro e pequenos o trabalho cooperativo e associativo. a inclusão de conteúdos ligados à temática do empreendedorismo na grade curricular das escolas Apoiar a cooperação e o municipais. Por intermédio do Programa Federal recursos humanos e ao de Aquisição dos Produtos da Agricultura Familiar. fazendo com que os alunos concluam seu ensino com melhor informação acerca do mercado de associativismo entre os trabalho e maior ímpeto para iniciar e gerir negócios. o próprio Com efeito. brasileiros o Poder Público constitui o principal agente econômico. consequentemente. essa capacitação propõe-se ir além da qualificação roupas dos funcionários e o enxoval dos hospitais. Considerando que em boa parte dos Municípios produção nas cadeias produtivas nacionais e globais.

por períodos definidos) compras conjuntas. Quando esta os circuitos econômicos da localidade. não se beneficiará dos significa direcionar uma série de ações para segmento recursos tributários e terá dificuldades para entregar específico da economia. por exemplo. até mesmo. mas que devem ser adotadas com muito na elaboração de determinado produto ou na cuidado. sofra estancamentos na produção. maior local. irão integrantes do arranjo é fundamental para a economia demandar mais serviços e. com o sentido de promover o desenvolvimento . capacitando a mão de obra. Tal modalidade de ação visa a atender de forma impactos não esperados sobre o meio ambiente integral a cadeia produtiva. como o especificamente para o fortalecimento de um arranjo Município abriu mão das receitas que poderia auferir produtivo existente em seu território. auxiliando na divulgação dos produtos que reposiciona a localidade no contexto regional. Finalmente. Contudo. são iniciativas que podem surtir efeitos no Muitos Municípios têm sua economia concentrada curto prazo. promovendo pesquisa Por outro lado. certamente irá produzir um fluxo migratório de pessoas O bom funcionamento dos empreendimentos que buscarão ocupar esses postos e que. nas quais são formados grupos de e incentivo em infraestrutura e. afirma-se que nesse Município os postos disponibilizados pelo novo estabelecimento. Avaliar políticas de incentivo Os Municípios podem apoiar as cooperativas através de capacitação e da cessão de espaços e maquinário e de atração de indústrias para produção e comercialização. caso o gestor opte por solução nessa direção. Podem. por certo. podem gerar ações. Dessa forma. consequentemente. por compradores para obter preços melhores no atacado. dão lugar a chamada “guerra fiscal” e inovação. os Municípios limitavam interessante a criação de espaços de cooperação suas políticas de promoção do desenvolvimento entre empreendedores populares. gerar empregos e ativar prestação de um serviço específico. mas se a mão de especialização envolve diversas atividades da mesma obra disponível na localidade não for compatível com cadeia produtiva. oferecendo crédito adequado. garantindo que esta não natural e cultural. os serviços demandados pela população. comercialização ou consumo que paralisem a economia local. e têm sido desenvolvidos programas voltados mobilização de recursos públicos. É também Ao longo das últimas décadas. Apoiar o APL com o novo estabelecimento.86 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL relações de solidariedade e os vínculos comunitários. meio da cessão de terrenos. arranjos produtivos locais Por certo. Realizar ações integradas em industriais. sobretudo. com a finalidade atrair investimentos em estabelecimentos. ou região existe um Arranjo Produtivo Local – APL. locais nos mercados regionais e adquirindo localmente afastando-a de ações cooperativas com outros parte da produção que seja útil aos seus programas e Municípios da região. nos quais é econômico de suas localidades à criação de incentivos estimulada a realização de ações coletivas como as fiscais (do IPTU e do ISSQN.

sustentável. visto que a criação de soluções adequadas e o estabelecimento de parcerias. é coordenada por fórum integrado pelos Governos locais. e se assenhorar das articulação interna e externa. Entretanto. num modelo que não será sustentado e. Do contrário poderá até estar desenvolvimento local. executar as ações que forem definidas como de responsabilidade da Administração no âmbito do A reunião e organização de informações relevantes Plano de Desenvolvimento Econômico Local e Regional. de Trabalho. sendo. Em que sejam mobilizados todos os setores pertinentes geral tais funções são atribuídas ao órgão central de da Administração Municipal. portanto. Esse processo de adaptação e de forças para o desenvolvimento dos Municípios. é a qualificação de seu pessoal. negociação e as implicações de tal decisão. a autoridade e a responsabilidade centrais nos desenvolver diretamente estudos e pesquisas . sobre o Município. A construção de agências de desenvolvimento se Por meio de grupo de trabalho. ao contexto de cada Município ou região é um dos instância fundamental para a construção de pactos elementos imprescindíveis para o êxito de política de sólidos que permitam a conjugação e o alinhamento desenvolvimento local. muito menos. de Geração de Emprego e Renda etc. instituições de ensino e pesquisa e É importante ter clareza de que ações como as demais atores engajados na esfera da produção. Este pode. em termos de conhecimentos. experiências. esse órgão ou grupo se localiza no na escala de seu próprio Município. mas posição hierárquica e nome: Secretaria (Diretoria. mas não exclusivamente – à Prefeitura. MANUAL DO PREFEITO  | 87 econômico de sua localidade. que deve ter a cooperação de outros. menos. é necessário principal. Cabe aqui apresentadas devem passar por meticulosa à agência formular. Mais importante que a localização do órgão ou grupo de Constituir ou integrar agência trabalho. empresas. A agência de desenvolvimento geralmente coerente com a realidade local. pelo externos ao Governo municipal. conduzir a execução de ações. sua análise cuidadosa e difusão Considerando que tais ações não estarão restritas às para os seus órgãos e para outros atores cabe – atribuições de uma ou outra Secretaria. interlocução. o cuidado na de desenvolvimento seleção do seu perfil. Departamento etc. de elaboração de soluções precisas para os problemas da economia local não pode ser encaminhado de forma Essa última proposta ressalta a necessidade de se adequada sem que esteja disponível e sistematizado organizar a estrutura municipal para participar dos um elemento crucial para formatação de qualquer espaços compartilhados de planejamento e para política pública: a informação. também. seja Na prática. interesse e motivação pelo assunto. integrada e regional. é importante planejamento municipal ou ao de desenvolvimento que haja um órgão formal ou grupo de trabalho local. é possível fazer com baseia na experiência de outros países na criação que as ações de caráter multissetorial possam ser de instituições para o fortalecimento da economia implementadas de forma articulada. informações necessárias a adequada decisão. a mobilização de outros atores almejados. seja na da região setor administrativo que coordena o processo de em que se inscreve. deve ter em mente processos de sensibilização. a adaptação à realidade local para surtir os resultados captação de recursos.) de Desenvolvimento Econômico. quaisquer que sejam sua promovendo o desenvolvimento econômico local. internos ou (conforme as condições locais) que detenha.

os Governos locais não optaram produtivos e todos os níveis de Governo. a geral devem suceder a um processo de consorciamento construção de parcerias com os níveis estadual e municipal. dados estatísticos economia mundialmente competitiva. o em decorrência da globalização e da ampliação da amadurecimento dessa proposta se dá pela ação mobilidade das empresas e do capital. Neste caso. não resultados: reuniões com representantes dos diversos pode ser tratada como uma panaceia. É necessário setores. inclusive. demandando públicos de um mesmo Município.). conseguem minimizar o efeito do imperativo global. medidas simples e baratas. vez que essas estratégias favorecem o variáveis culturais. por um lado. no entanto. da economia local não foi uma ação espontânea por Se a proposta de desenvolvimento econômico parte dos governantes. como vezes. em termos integradas em escala microrregional e aproximam os técnicos e financeiros. convergindo o esforço federativo no sentido de criar intervenção que mobilize todas Considerações finais as esferas e instâncias de representação pelo A inserção das Administrações municipais na gestão desenvolvimento da localidade. ambientais. deve ser instituída por pelo bem-estar econômico e social da população.88 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL específicos para levantar as informações necessárias. perspectiva de sustentabilidade em suas distintas dimensões. muitas etc. sustentado por pactos amplos que tais práticas trazem amplos benefícios para a que transcendam a esfera econômica. Desenvolvimento local não significa delegar ou mesmo a integração de um Município a uma unicamente ao próprio Município a responsabilidade agência já existente na região. podem promover o compartilhamento de soluções mas isso nem sempre está ao seu alcance. numa estabelecimento de parcerias com a iniciativa privada. que gerou solidária. A criação de agência de desenvolvimento regional. bem como as atribuições e pouca ou nenhuma governabilidade. deve recorrer a gestores dos anseios da população. produzidos por entidades especializadas. na qual. mas que produzam bons A proposta de desenvolvimento local. onde as atribuições e os organismos como se as localidades estivessem imunes a processos do Município que estarão envolvidos diretamente no regionais. permitindo voluntariamente pela adoção de estratégias de a consolidação de novo modelo de desenvolvimento desenvolvimento local. Em de desenvolvimento local deve prever. e ação conjunta entre a população local. políticas e sociais. as possibilidades de resposta da localidade não universidades e institutos de pesquisa. os atores Se. lei municipal. Solidariedade entre os atores privados e progressiva disputa entre localidades. . incorporando gestão pública. federal de Governo. Ela se deu essencialmente local foi concebida em uma lógica competitiva. visitas e observações de campo. cooperação regional ações por parte do Poder Público que pudessem entre Municipalidades de identidades semelhantes impedir o esvaziamento econômico. nacionais e mundiais sobre os quais têm processo serão identificados. resultados de censos. Proposta sólida responsabilidades de cada Município que a integra. outros que o desenvolvimento local oferece em meio a uma documentos. consulta ter clareza acerca das limitações e possibilidades a fontes indiretas (exemplos: publicações. por outro puderam constatar “de baixo para cima”.

equitativa da produção. o transporte. (Redação Pode-se dizer que um país é socialmente desenvolvido dada pela Emenda Constitucional nº 90. a saúde. As ações desenvolvidas nessas áreas são reconhecidas contudo. a proteção capítulo. a ao desenvolvimento econômico e à sustentabilidade. A busca pelo desenvolvimento social não se limita. os padrões Durante muitos anos se acreditou que o internacionais de qualidade de vida compreendem a desenvolvimento econômico resultaria por si só em satisfação de necessidades básicas como: desenvolvimento social. de 2015). Constituição Federal: As políticas de desenvolvimento social estão conectadas Art. ou seja. o desenvolvimento compreendido apenas como processo de crescimento e ♦♦ alimentação necessária para atender aos requisitos acumulação econômica não se reflete efetivamente em nutricionais mínimos. em melhorias ♦♦ escola. a assistência aos desamparados. assistência social e ♦♦ coleta de lixo. 6º da e humano da população. . desenvolvimento social. concretas da qualidade de vida. alimentação. quando a sua população tem acesso a ótimo nível de qualidade de vida. desenvolvimento social ♦♦ moradia servida de água tratada. Neste texto são apresentadas algumas reflexões sobre ♦♦ energia elétrica. na forma desta Constituição. 6º São direitos sociais a educação. a previdência social. a moradia. Contudo. em justiça social. ♦♦ esgotamento sanitário. o trabalho. o conceitos que também serão trabalhados neste lazer. educação. Neste sentido. na integração e * Revisto e atualizado por Rosimere de Souza. à satisfação das necessidades básicas. mas como aquelas com mais efetividade para resultados estende-se à promoção do exercício da cidadania e positivos no que diz respeito ao desenvolvimento social à efetivação dos direitos sociais listados no art. a segurança. à maternidade e à infância. o tema do desenvolvimento social a partir do marco referencial das políticas de saúde. MANUAL DO PREFEITO  | 89 Capítulo 2 Desenvolvimento social* Políticas de ♦♦ hospital e assistência médica. em distribuição justa e ♦♦ trabalho. assistente social e consultora do IBAM.

sociais e econômicos por todo o mundo. os promover a integração e o efetivo avanço na conquista quais vêm impactando os mais diversos contextos dos direitos e da cidadania plena. Esses acontecimentos devem ser acompanhados A definição mais aceita em nível mundial para com a instituição de novas formas de relações de desenvolvimento sustentável é aquela na qual a produção. sem objetivos voltados para a humanização e a superação comprometer a capacidade de atender às necessidades dos abismos sociais hoje existentes. aprovação. ótica. no âmbito das Nações Unidas. Espera- ambiental. criada pelas Nações Unidas para padrão de desenvolvimento deve se orientar por tipo discutir e propor meios de harmonizar dois objetivos: de crescimento que aproveite com mais eficiência os o desenvolvimento econômico e a conservação recursos endógenos das localidades ou regiões. específicos para a execução de serviços voltados à ocupação. humano. empreendimentos. capazes de responder às exigências dimensão econômica do desenvolvimento pode ser do ajuste estrutural. negócios e relações de população. Não há os resultados positivos desse novo contexto do desenvolvimento econômico sem desenvolvimento desenvolvimento econômico. Mas ao lado desses avanços também se observa o empobrecimento de grandes contingentes Vale reforçar que na escala do Município e das populacionais que não terão condições de alcançar microrregiões é possível a construção de novas . Desenvolvimento Sustentável.). Nessa abordagem as localidades tornam-se campo A humanidade tem assistido nos últimos tempos à privilegiado para que se avance em direção ao emergência de novo fenômeno econômico. de mudança no tratamento tradicional de olhar e internet etc. por parte de chefes de Estado e de Governo contribuindo para a superação da pobreza. como também na de ajuste fiscal em muitos países no sentido de implementação de políticas inovadoras capazes de aumentar a capacidade de atrair investimentos. assegurando-se das futuras gerações. Essa definição na Constituição Federal de 1988. produção.90 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL promoção dos diversos segmentos sociais. novos modos de produção e medidas de agir sobre problemas sociais. com sistemas à abertura de novas oportunidades de trabalho. São visíveis Atualmente o Brasil dispõe de diversas políticas os impactos positivos no que tange ao acesso à públicas voltadas para assegurar os direitos dos informação e à transnacionalização do capital e cidadãos nos mais distintos campos. É forma de desenvolvimento que dessa forma os direitos fundamentais consagrados não esgota os recursos para o futuro. a busca por novo Desenvolvimento. surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Na perspectiva da sustentabilidade. se com essa iniciativa criar empregos e melhorar Essas premissas foram reafirmadas em 2015 com a a qualidade de vida de populações ali residentes. decorrente desenvolvimento sustentável e o Governo municipal do processo de globalização – com destaque para se destaca como instância capaz de conduzir processo avanços nas formas de comunicação (informática. mas que também projetem capaz de suprir as necessidades da geração atual. sob nova e altos representantes. social e sustentável. onde desenvolvimento social e desenvolvimento de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável econômico situam-se numa perspectiva integrada e e 169 metas que integram a Agenda 2030 para o sustentável.

em consolidação. que passa a assumir papel estratégico nas definições de programas políticas públicas na área setoriais de alcance nacional e na distribuição de social recursos financeiros. na Constituição Federal de 1988. a exemplo do Estatuto da Criança e e execução das políticas públicas. com a crescente responsabilidade do Município na provisão e gestão dos serviços. a descentralização das formas de gestão grupos sociais. enfim por novo padrão de sistemas de proteção social e de programas setoriais desenvolvimento. da implementação de políticas a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação). e as normas operacionais. a LOAS (Lei Orgânica de Assistência Social). como formas no processo de desenvolvimento social. as portarias (incluindo as interministeriais) pela via da qualificação das políticas setoriais. . de redistribuição de papéis entre as distintas esferas estadual e municipal. sob uma conjuntura política de grande mobilização Tais constatações vêm se constituindo em elementos pela redemocratização do País. E que se fundamentam em premissas de participação e encontra-se. política e econômica. em alguns Municípios na direção do desenvolvimento o SUAS (Sistema Único de Assistência Social) e integrado e sustentável. conjunto de normas do ordenamento jurídico brasileiro que 1 Refere-se à dimensão política e de soberania. pode-se dizer que o Município tem a local estiveram entre os grandes impulsionadores missão de atuar como elemento de transformação desse processo. começam a surgir instâncias de Governo e entre Estado e sociedade e a se desenvolver os diversos pilares que dão estão claramente espelhados no cenário institucional sustentabilidade a essa forma de gestão: que vem sendo construído no Brasil desde o período da redemocratização. desde os anos 1990. Estado-Nação. as específicas e de inclusão social de determinados grupos. MANUAL DO PREFEITO  | 91 formas de solidariedade e parceria entre os atores últimos 25 anos. como o SUS (Sistema Único de na concepção de iniciativas inovadoras implementadas Saúde). Conformam tanto as alterações ♦♦ aspectos legais. de reformas do das políticas públicas da esfera federal para as Estado. de potencializar a capacidade de ação do Estado1. no impulsionadores de processos de descentralização final da década de 1980. experimentada nos do Adolescente (Lei nº 8069/1990). quanto citadas neste texto. tem representado papel estratégico sociais e o estabelecimento de redes. educação e assistência social –. como também por leis específicas que tratam dos direitos de determinados Neste contexto. Em Pode-se dizer que os movimentos sociais e de base última análise. que se iniciou na década de 1970. integração. Culminou. marcados pelas leis instituidoras e ocorridas na forma de prestação de serviços de atenção regulamentadoras das políticas descentralizadas social – saúde. país e têm influenciado decisivamente a concepção de políticas e econômicas. ou tem como objetivo a proteção integral dos direitos seja. resoluções dos respectivos conselhos das áreas orientadas para a promoção dos direitos de cidadania afins. ao mesmo tempo em O marco institucional e as que se vão reduzindo as funções da União. com a consagração de intergovernamental e intragovernamental em todo o conjunto de reivindicações por mudanças sociais. Com a gradativa transferência da implementação Os processos de descentralização. social.

23). nº 11. organiza-se de forma regionalizada e deve dialogar com outras áreas setoriais e com os hierarquizada e sustenta-se em princípios similares movimentos no âmbito da promoção da saúde. ♦♦ é competência comum da União. da Pessoa com Deficiência. tais como as (art. destinado a regular os brasileiro. de programas e temáticos e as legislar concorrentemente sobre previdência social. do as unidades de atendimento. serviços adesão.741/2003). na gestão das políticas públicas. cabendo ao Poder Público dispor. também. 197). Constituição definiu o seguinte em diversos artigos: o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13. o Estatuto do políticas e tecnologias desenvolvidas no sistema Idoso (Lei nº 10. Com concepção No contexto da Política Nacional de Saúde. as coordenadorias. ♦♦ mecanismos e instrumentos de gestão. a exemplo dos ♦♦ compete à União. com a finalidade de ♦♦ a saúde é direito de todos e dever do Estado. planos setoriais. garantir condições de acesso à educação e saúde garantido mediante políticas sociais e econômicas e estabelecendo ainda punições para atitudes que visem a redução do risco de doença e de outros discriminatórias contra essa parcela da população. contribuindo assim para a construção de direitos assegurados às pessoas com idade igual ações que possibilitam responder às demandas sociais ou superior a 60 anos. fiscalização Política de saúde e controle.146/2015) que institui a Lei Brasileira de Inclusão ♦♦ a saúde é um dos direitos sociais (art. 30). ♦♦ compete aos Municípios prestar. os programas Distrito Federal e dos Municípios cuidar da saúde territorializados. ações de saúde em âmbito nacional. a Lei Maria da Penha (Lei em saúde. .340/2006) que cria mecanismos para coibir Ao consolidar as demandas na área da saúde. comissões municipais. sobre sua regulamentação. de atendimento à saúde da população (art.92 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL humanos de crianças e adolescentes. agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e ♦♦ diversos arranjos institucionais destinados à serviços para sua promoção. 196). entre outros. ♦♦ mecanismos e instrumentos de financiamento e ♦♦ são de relevância pública as ações e serviços de parcerias entre os entes públicos e a sociedade civil. proteção e recuperação prestação dos serviços públicos. entre outros. como aos da assistência social: um modo de pensar e de operar articulado às demais ♦♦ acesso universal e igualitário. 6º). voltados também e assistência pública e da proteção e garantia das para a ampliação da participação da população pessoas portadoras de deficiência (art. com a cooperação consórcios intermunicipais ou regionais e pactos de técnica e financeira da União e do Estado. proteção e defesa da saúde (art. nos termos da lei. o SUS unificada. aos Estados e ao Distrito Federal conselhos setoriais. a a violência doméstica e familiar contra a mulher. devendo sua execução ser feita As políticas na área da saúde foram as primeiras a ser diretamente ou através de terceiros e. dos Estados. previsto na CF de 1988. por descentralizadas com o desenvolvimento do Sistema pessoa física ou jurídica de direito privado (art. Único da Saúde – SUS. secretarias governamentais. que teve O SUS consiste em modelo de prestação de serviços e início nos anos 1990. saúde. 24).

a financiadas com recursos do orçamento da União. produção de medicamentos e de atender a essa demanda. LGBTs. deve-se observar o nível de complexidade da demanda em razão da densidade O sistema abarca ainda ações de vigilância sanitária. devem focalizar as especificidades de adequação das ações às necessidades da população. ♦♦ descentralização da gestão para Estados e Isto significa que. da diabetes. como necessidades locais é a participação de pessoas e saúde da mulher. Naqueles Municípios com equipamentos. racial. da criança e do adolescente. formação de recursos humanos na área alta concentração populacional. de negros. além de religiosa e outros. 195. dos mulher e o idoso e às questões de ordem sexual. Ao mesmo tempo em que devem da família. além de colaboração na proteção do meio arranjos institucionais supralocais. prioritários para o SUS. de mulheres. outras fontes. qualificar e ampliar a atenção básica: dentre outros. isto é. em especial a AIDS. controle da hipertensão. MANUAL DO PREFEITO  | 93 ♦♦ cobertura integral. orientar a atuação dos Municípios por meio dos Planos . do Distrito Federal e dos Municípios. de modo que se garanta o acesso dos cidadãos às ações de ♦♦ gratuidade dos serviços. incremento ao desenvolvimento científico e tende a ser mais complexa e fazem-se necessários tecnológico. e das políticas públicas através dos conselhos. que nem sempre podem ser oferecidas em cada ♦♦ participação e controle social. organizações na gestão e monitoramento dos recursos saúde bucal. Suas deliberações devem (ou consórcios intermunicipais ou regionais). ♦♦ financiamento público. dentre outros. da fiscalização e controle de substâncias e produtos de capacidade institucional de gestão de cada região para interesse para a saúde. das DSTs. crianças e adolescentes. iniciativas locais que possibilitam maior ser universais. da tuberculose. dois caminhos para pessoas com deficiência. território municipal. saúde em cada Município. de São reconhecidos. constituídos por um ou mais Municípios. desenvolvidas por meio local na concepção e implementação das políticas dos agentes comunitários de saúde e das equipes de saúde públicas de saúde. na organização do sistema de Municípios. São necessárias também ações voltadas para a sensibilização das equipes de saúde quanto ao As ações e serviços públicos de saúde devem ser problema da violência intrafamiliar contra a criança. saúde necessárias para atender problemas comuns. a rede de assistência de saúde. Um bom caminho para a construção de sistema relacionadas a problemas de saúde de abrangência municipal de saúde de fato compatível com as nacional e. nos termos do art. da população no monitoramento e avaliação da ♦♦ formação de “módulos assistenciais resolutivos” política pública de saúde. grupos sociais é hoje o grande desafio da gestão destacam-se as ações básicas. populacional e das condições objetivas. ♦♦ identificação de áreas estratégicas mínimas. Estados. grupos religiosos. e da Os Conselhos de Saúde são instâncias de participação hanseníase. A incorporação das necessidades específicas dos No conjunto de medidas sob a gerência do Município. portanto. ambiente e na formulação da política e execução das ações de saneamento básico.

enfrentar as condições de vulnerabilidade que idosos. articulação. A perspectiva é a de um Estado social com a integração da Assistência Social. São registrados também resultados sobre do desenvolvimento de potencialidades essenciais à educação permanente e a formação profissional na conquista da autonomia. A participação da população como dever do Estado e direito de cidadania. os seguintes aspectos são estruturantes: política. o cuidado à pessoa com assistência social. homens. Nessa nova concepção. estratégico. o agente público desempenha papel dispõe o art. na escola e práticas integrativas e complementares dedicando-se ao fomento de ações impulsionadoras do SUS. o dos direitos de cidadania. sendo o principal responsável pelas funções de execução. consultas virtuais públicas e em diversos espaços. cabendo a este Política de assistência a universalização da cobertura e a garantia de direitos social e de acesso para esses serviços. A concepção de Assistência Social contida na LOAS Atualmente existem boas práticas que podem ser visa assegurar benefícios continuados e eventuais. em 1993. projetos e benefícios sob sua responsabilidade. conforme do SUAS. seus serviços e benefícios passam para deficiência. saúde mental. a Rede de Atenção à Saúde. da Saúde dotado de sistema de gestão moderno. tomadas como exemplos. ações e iniciativas de atendimento à população deixam o campo do voluntarismo e passam a operar sob a ♦♦ agente público com função estratégica: na condução estrutura de política pública de Estado. 203 da CF. do seu financiamento e da gestão. planejamento. prática das equipes. negociação. crianças e adolescentes. monitoramento nº 8742/93) regulamentou os arts. novo campo. nas necessidade de contribuição prévia. as diversas transparência política. sem a também é possível nas conferências públicas. A Assistência a atenção nutricional. programas. de prática assistencialista e tuteladora. nas áreas de saúde bucal. serviços e programas socioassistenciais para atenção à saúde de mulheres e gestantes. prioritariamente pensadas no âmbito das garantias de cidadania sob vigilância do Estado. ocorreram após a aprovação da Constituição Federal de 1988 e ♦♦ primazia do papel do Estado como principal agente: principalmente da Lei Orgânica de Assistência Social – é reafirmado o papel do Estado como principal LOAS. saúde fragilizam a resistência do cidadão e da família. que utilize e da Previdência Social no mesmo tripé da Seguridade as inovações tecnológicas de gestão social e Social. e a assistência farmacêutica na Social exige que as provisões assistenciais sejam atenção básica. A Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS – Lei coordenação.94 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Municipais de Saúde. à pessoa com tuberculose e ao trabalhador. A assistência social foi alçada à condição de informação em busca de competência técnica e política pública. Pode-se dizer que as maiores transformações na No novo modelo socioassistencial implementado pela assistência social do ponto de vista do conteúdo da LOAS. qualidade da saúde indígena na De mero favor. 203 e 204 da e avaliação dos serviços desenvolvidos em Constituição e tornou possível a assistência social . agente construtor e implementador das bases operacionais necessárias à realização dos serviços Instaurou-se a partir de então novo modelo de proteção socioassistenciais.

uma vez que busca garantir segurança de gestão. ações socioassistenciais. SUAS. serviços socioassistenciais. de serviços para a permanência de indivíduos ♦♦ comando único nas três esferas: o comando único e famílias. princípios desse novo modelo socioassistencial. a organização em todo o território nacional pessoas em situação de vulnerabilidade pessoal e/ de serviços socioassistenciais destinados a milhões de ou social às demais políticas setoriais. na Política Nacional de Assistência Social (Resolução essas seriam as condições fundamentais para tornar CNAS nº 145. ♦♦ segurança social: renda operada através de concessão Em 2005. através de alojamentos. a oferta de auxílios em bens materiais e em pecúnia Reconhece-se também a importância de espaços de caráter transitório (benefícios eventuais) para as como o Fórum Nacional de Secretários Estaduais de famílias. lazer. e de rede direito de cidadania. Assistência Social – Fonseas e o Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social – ♦♦ segurança do convívio familiar: oferta de serviços Congemas na implementação da política. moradia. da cidadania e conquista de maior grau de garantindo unidade e continuidade na oferta dos independência pessoal. sob a primazia do comando do da intersetorialidade. Neste Por sua vez. e estruturação da Política Pública de Assistência escuta profissional qualificada e resolutividade no Social e é legitimado pelas instâncias de pactuação atendimento. esse arranjo contexto. com a participação . seus membros e indivíduos. e de negociação (Comissão Intergestores Tripartite ♦♦ segurança de sobrevivência a riscos circunstanciais: exige – CIT e Comissão Intergestores Bipartite – CIB). de 15 de Outubro de 2004). A universalização dos direitos sociais é um dos saúde. Tal modelo ♦♦ segurança do desenvolvimento da autonomia de gestão exige definição clara de competências individual: ações voltadas para o desenvolvimento em cada uma das esferas de governo. renda. é aprovada a o usuário dos serviços da assistência alcançável pelas implantação do Sistema Único de Assistência Social – demais políticas públicas de trabalho. fica então possibilitada a gestão compartilhada. como sistema de gestão. A valorização do gestor público com para seus usuários: a implantação do SUAS. MANUAL DO PREFEITO  | 95 consonância com sistema nacional unificado direitos sociais. em todo o território ♦♦ segurança de acolhida: provida através de ofertas nacional. cultura. em todas as faixas etárias. no sentido de dar caráter uniformizado às de bolsas-auxílio e benefícios continuados. educação. num processo de capacidades e habilidades para o exercício integrado de cooperação e complementaridade. que garantam oportunidades de construção. a partir do princípio institucional propõe. está pautada no pressuposto de que a públicas de serviços de abordagem em territórios assistência social é política pública de Estado e de incidência de situações de risco. condições de recepção. a assistência social. ainda. como já previsto na LOAS e Na concepção do novo modelo socioassistencial. abarcadas nos brasileiros. saneamento básico. conselhos nos três níveis de governo. meio ambiente. restauração e fortalecimento de laços de ♦♦ gestão compartilhada: sob o controle social dos pertencimento. propicia o acesso de inúmeras Estado. albergues e nas três esferas de governo define a organização abrigos. Pressupõe.

Os projetos de enfrentamento Conselho. de acordo seu âmbito: com a capacidade que cada cidade tem de executar e ♦♦ os serviços socioassistenciais (definidos na Tipificação cofinanciar os serviços da assistência social: Nacional de Serviços Socioassistenciais – ♦♦ a gestão inicial corresponde ao tipo no qual Resolução nº 109 do CNAS. ♦♦ os benefícios eventuais correspondem às provisões Baseado em critérios e procedimentos transparentes. tempo e área de socioassistenciais que fortaleçam vínculos abrangência definidos para qualificar. as necessidades básicas. princípios e diretrizes estabelecidos na LOAS. com serviços padrão da qualidade de vida. independentemente da origem de seu financiamento. tecnicamente. elevação do descentralizada da assistência social. básica e plena). o Município tem a gestão total das profissional e social. voltadas para habilitados conforme a NOB 98. beneficiários do Benefício de Prestação Continuada Eles são definidos pelos respectivos Conselhos – BPC e transferência de renda. sendo os Municípios classificados em três programas. a prestação de contas e a maneira como os nascimento. de recursos. a preservação do voltados para o fortalecimento da família. meio ambiente e sua organização social. com prioridade para a inserção ♦♦ na gestão plena. incentivar e familiares e comunitários e que promovam melhorar os benefícios e os serviços assistenciais. O SUAS comporta quatro tipos de gestão – dos Reorganiza também a rede de atendimento e. observam os objetivos. de média e alta Municípios em todos os níveis de gestão devem possuir complexidade. após a aprovação do SUAS. projetos e benefícios socioassistenciais em níveis de gestão (inicial. morte.96 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL e a mobilização da sociedade civil nos processos de da pobreza compreendem a instituição de sua implementação. Plano e Fundo Municipal de Assistência . ♦♦ a gestão básica é o nível em que o Município assume a proteção social básica e deve responsabilizar- ♦♦ os programas compreendem ações integradas e se pela oferta de programas. dos Estados e da conseguinte. suplementares e provisórias que integram o novo sistema altera fundamentalmente operações organicamente as garantias do SUAS e são como o repasse de recursos federais para as demais prestadas aos cidadãos e às famílias em virtude de esferas. financeira e e financeira dos serviços socioassistenciais. básica e especial. ♦♦ os projetos integram os dois níveis de proteção social do SUAS. redefine os conceitos de serviços. União. cabendo aos Estados. ações de assistência social. situações de vulnerabilidade serviços serão organizados do ponto de vista da gestão temporária e de calamidade pública. ao Distrito investimento econômico-social nos grupos Federal e aos Municípios a organização e gestão técnica populares. iniciativas que lhes garantam meios. do Distrito Federal. buscando subsidiar. de Assistência Social. capacidade produtiva e de gestão para melhoria O SUAS prevê organização participativa e das condições gerais de subsistência. projetos e serviços complementares com objetivos. protegendo-a e apoiando-a. que estavam vida da população e cujas ações. de 11/11/2009) são foram enquadrados automaticamente todos os atividades continuadas que visam à melhoria da Municípios. por Municípios. obedecidos os objetivos e princípios legais.

que recebeu várias alterações). conforme Integra a NOB/RH-SUAS a política de capacitação dos disposto no art. em quantidade proporcional ao seu porte. entre outros requisitos. da rede estatal e da rede preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação público-privada constituída inclusive por profissionais para o mundo do trabalho. movimentos sociais e comunitários.394/96. Dessa A contextualização e o papel da rede socioassistencial forma. de de financiamento e de controle social constitui eixo gestão democrática do ensino público. já que grande parte dos implicará responsabilidades e prerrogativas definidas trabalhadores da área encontra-se nas entidades e na NOB SUAS 2005 e na NOB SUAS 2010. Tais entidades são parceiras fundamentais na execução dos serviços A Política da Assistência Social na perspectiva do socioassistenciais em todos os níveis de proteção social SUAS baseia-se na garantia de direitos sociais. . e efetivar um trabalho técnico-político. anos em que foram traçadas as suas diretrizes e bases. inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de A política de recursos humanos. dentre outros compromissos. MANUAL DO PREFEITO  | 97 Social e também fazer aportes ao seu fundo. básica e plena) do SUAS atendimento. Aqueles que quiserem se habilitar no nível básico ou continuada. é fundamental a constituição de corpo técnico funcional específico no âmbito da Política de educação assistência social e qualificação profissional para Direito de todos e dever da família e do Estado. Assistência Social – CRAS. também se apresentam como dependerá do cumprimento de todos os requisitos e de suma importância. lideranças de Brasil é resultado dos debates travados nos longos instituições. tem por na direção da profissionalização e da capacitação dos finalidade o pleno desenvolvimento do educando. seu quadros da assistência social. A implantação do SUAS requer como definida na Lei de Diretrizes e Bases – LDB (Lei atenção aos novos procedimentos técnico-operativos nº 9. por meio dos cadastros e das redes de um dos tipos de gestão (inicial. trabalhadores públicos e da rede prestadora de serviços. representantes de O formato assumido pela política de educação no organizações não-governamentais. nacionalizada e pleno de gestão. O que está em jogo na construção da identidade em especial no período após a Constituição Federal de do trabalhador da assistência social é o desafio de 1988. de valorização profissional. Para o alcance desses ideais. tal estruturante do SUAS. Assim como em relação à saúde e à assistência consolidar o perfil técnico voltado para o interesse social. gestores e conselheiros da área. a habilitação dos Municípios à condição de cada privada. 30 da LOAS. defesa que estruturam as ações da política de assistência da justiça social e de compromisso profissional na social. 6° e é objeto de outros com as relações democráticas na concepção e dispositivos constitucionais: implementação da política proteção social. a educação. organizações de Assistência Social. sustentável. solidariedade humana. devem dispor descentralizada. respeitadas as diversidades regionais ou planejar organizar sua rede de proteção social e locais. de forma sistemática. a educação integra o conjunto dos direitos público de garantia dos direitos sociais e o compromisso sociais estabelecidos no art. participativa. e fundamentada na concepção da educação básica por intermédio dos Centros de Referência da permanente. de descentralização. de diferentes áreas: conselheiros. qualidade dos serviços prestados à população.

♦♦ Educação especial: modalidade oferecida. jovem ou adulto) ao tiveram oportunidade na permanente desenvolvimento de aptidões para a idade própria vida produtiva. a valorização ♦♦ o ensino será ministrado com base nos princípios de de suas línguas e ciências. bem como ao trabalhador em geral. a reafirmação de suas identidades étnicas. ensino fundamental e na educação infantil – creche e para educandos com deficiência. ♦♦ Educação profissional: que tem por objetivo conduzir assegurando-se igual acesso o educando (aluno matriculado ou egresso do para todos os que a ele não ensino fundamental. na rede regular de ensino.Educação básica: formada pela educação sendo o nível de conhecimento um dos seus principais infantil. suas comunidades e povos. No conjunto conjunto normativo sobre este tema na área de das obrigações do Estado com a educação. com duração mínima de oito tecnologia. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação é importante conhecimentos técnicos e científicos da sociedade norma para o sistema de educação no Brasil e dispõe nacional e demais sociedades indígenas ou não. Existe um vasto pré-escola para crianças de zero a seis anos.98 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL ♦♦ a educação é um direito de todos e dever do Estado (1) proporcionar aos índios. médio e superior. como patrimônio social e cultural de II . gratuidade dos estabelecimentos oficiais (art. toda a humanidade. à ciência e à O ensino fundamental. Neste contexto. (2) garantir aos índios. ao trabalho. 78. suas comunidades e e da família (art. indicadores.Educação superior. Compete prioritariamente aos Municípios atuar no preferencialmente. . sobre os temas estruturantes da política. há a oferta de educação escolar capacidade de aprender. 205). povos. Conforme o pleno domínio da leitura. contribuir para a redução das desigualdades sociais. 21 da LDB. se de: para a promoção da equidade e do desenvolvimento. essa modalidade de ensino tem por objetivos: compreensão do ambiente natural e social. podendo se desdobrar em ciclos. 206). é obrigatório e gratuito na escola pública. de forma integrada aos diferentes formatos de educação. e tem por objetivo a formação Devido à existência de comunidades indígenas em básica do cidadão. o acesso às informações. o art. da escrita e do cálculo. cabe ao educação em nível nacional e internacional. anos. Município a sua efetivação mediante a garantia de: ♦♦ Educação de jovens e adultos: direcionada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no Ensino fundamental ensino fundamental e médio na idade própria para essas modalidades. ensino fundamental e ensino médio. a educação escolar compõe. obrigatório e gratuito. mediante desenvolvimento da algumas regiões. tem-se: vida social e produtiva. I . Significa a compreensão de si e do mundo e também se traduz por capacidades ou No que se refere às modalidades de ensino que habilidades que permitem a inserção individual na permeiam os níveis anteriormente citados. a recuperação de suas memórias históricas. do sistema . atribui-se à educação a função de Conforme o art. tendo como meios básicos bilíngue e intercultural aos povos indígenas.

sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações Organização dos sistemas emergenciais. recursos que compreende dos sete aos 14 anos. na escola regular. os atendidas plenamente as necessidades de sua área de Estados e o Distrito Federal. de ensino em regime de É permitida ao Município a atuação em outros níveis de ensino – médio e superior – somente quando estiverem colaboração com a União. dos laços de solidariedade humana e de Quando necessário. das artes e dos valores em que se de necessidades especiais (ou pessoas portadoras de fundamenta a sociedade. métodos. os quais serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros Conforme a LDB. II . presencial. para educandos portadores III . especializado. preferencialmente de educação infantil mantidas pelo Poder Público na rede regular de ensino municipal. É de responsabilidade do possível a sua integração às classes de ensino regular. alimentação injustificadas e evasão escolar. ou sua oferta irregular. em incumbida da oferta deste direito. o ensino fundamental deve ser recursos orçamentários. de família. a autoridade escolas ou serviços especializados. sempre que. . zelando por sua frequência à Prevê-se também o atendimento ao educando no ensino escola. não for Poder Público em geral.as instituições do ensino fundamental. e não apenas o função das condições específicas dos alunos. educação escolar. fortalecimento dos vínculos deficiência). universalização do ensino Atendimento educacional obrigatório especializado às pessoas com Os sistemas municipais de ensino compreendem: I . para atender às O não oferecimento do ensino obrigatório pelo peculiaridades dessa clientela. importa educativos e de organização específicos.as instituições de educação infantil criadas e Entende-se por educação especial a modalidade de mantidas pela iniciativa privada. médio e deficiência. MANUAL DO PREFEITO  | 99 político. da tecnologia. Isto significa que se pode O atendimento educacional será feito em classes. 208 da CF). competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à de modo a assegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino. deverão existir serviços de apoio tolerância recíproca em que se assenta a vida social. transporte. e assistência à saúde. Ressalta-se o importante papel dos Conselhos fundamental através de programas suplementares Tutelares em dar conhecimento dos casos de faltas de material didático-escolar. técnicas. para atender responsabilidade da autoridade competente (§ às suas necessidades. 2º do art.os órgãos municipais de educação. oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. pessoal e diretamente. Poder Público local o recenseamento dos educandos no ensino fundamental. para a faixa também currículos. responsabilizar. sendo-lhes assegurados Poder Público.

que. as O Município pode obter recursos das seguintes fontes: necessidades de mulheres nem sempre são as mesmas ♦♦ Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – dos homens. podem se Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – constituir em elementos notáveis de inserção social. complementando a a impactar os indicadores de desenvolvimento social. tem como finalidade o desenvolvimento integral da a cobertura e a qualidade do atendimento aos distintos criança até seis anos de idade. o desenvolvimento social pode resultar do uso adequado dos recursos e instrumentos postos Oferta da educação infantil à disposição dos Municípios no âmbito das políticas sociais.100 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Cumpre ainda ao Município organizar. pois financia todas as elemento a ser considerado quando se deseja alcançar etapas da educação básica e reserva recursos para o desenvolvimento social efetivamente igualitário. para crianças Isto significa dizer que os gestores públicos municipais de até três anos de idade. da creche criando-se atalhos para que as desigualdades sejam ao ensino médio. tende psicológico. impostas aos privada que premiam experiências bem sucedidas no contingentes sociais de negros e pardos. que se orientem para educação de qualidade a todos. Deve ser oferecida em creches. Fundeb: atende toda a educação básica. como porte populacional. As estatísticas nacionais têm revelado que a de 2007 e se estenderá até 2020. os programas direcionados a jovens e adultos. para as devem levar em conta o fato de que sua comunidade crianças de quatro a seis anos de idade. FNDE: vinculado ao Ministério da Educação. Além disso. trabalhar etc. Por exemplo. técnica e executar ações que contribuam para uma Deste modo. O mesmo raciocínio se aplica às distinções. É importante grande maioria das famílias de baixa renda é chefiada compromisso da União com a educação básica. materializa a visão casa e dos filhos. Como visto. a educação infantil participação da população na definição das prioridades. integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados. em seus aspectos físico. Está em vigor desde janeiro superadas. embora campo da educação e que podem ser consultados como . ação da família e da comunidade. facilitar o acesso de mulheres a serviços ou benefícios ♦♦ Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação ou que reconheçam as distinções de gênero. sobretudo Existem numerosos programas de iniciativa pública e de acesso a bens e serviços públicos. da mesma forma que o acesso a bens. credenciar e supervisionar os estabelecimentos do sistema de ensino particular. políticas afirmativas. por mulheres e que a multiplicidade de obrigações na medida em que aumenta o volume anual dos impostas a elas na cultura tradicional – cuidar da recursos federais. regionalidade. intelectual e social. e em pré-escolas. é composta por distintos grupos humanos com características especificas. grupos sociais e a justa distribuição dos recursos. respeitando-se a Primeira etapa da educação básica. educar. ou entidades equivalentes. baixar normas complementares Considerações finais e autorizar. manter exemplos. respeitando-se algumas características e desenvolver seus órgãos e instituições oficiais. em creches e pré-escolas A forma como a política foi formulada. tem serviços e oportunidades se dá de forma distinta para como missão prestar assistência financeira e homens e mulheres. – constitui sistêmica da educação. orçamento.

é necessário preparar as condução desse processo onde desenvolvimento social condições. capaz de conduzir seus os Governos não apresentam capacidade para dar integrantes à conquista de padrões mínimos de conta do problema. de cooperar com o atendimento dessa demanda. 4. decorrência dos baixos níveis de capital humano. sobretudo no que toca ao acesso à educação. de modo que a capacidade de ação do integra-se a desenvolvimento econômico. justiça social e a reproduzir gerações de miseráveis. a atenção dos gestores para Em outras palavras. criação e fortalecimento de cenário institucional desenvolvimento social. Estes dois extremos dão de participação (conselhos. respeito aos direitos humanos. organizações de confiança e cooperação atingidos pela sociedade sociais. a cultura e a pesquisa. comissões. no esforço de bem governar. Neste sentido. ao atendimento à Com esse compromisso. em participativos. engrossam Governo local se potencialize e ative um sistema de as estatísticas referentes à pobreza. com a inexistência de organizações capazes avaliação. fomento ao empreendedorismo. o que envolve a educação. visão estratégica e integrada. por meio de É importante lembrar que a baixos níveis de estímulo à ação cidadã. articulação das ações entre Governos. como as empresas e o comércio. universidades e empresariado. construído na relação com a sociedade civil marginalidade. políticas afirmativas. o processo de concepção saúde. desenvolvimento passa a ser projeto se o risco de colapso no sistema de serviços. capital humano correspondem baixos índices de desenvolvimento humano. e as comunidades locais. fortalecimento da sociedade civil. a 2. para tanto. Assim. é importante investir do ponto de os seguintes pontos: vista orçamentário no desenvolvimento dos capitais 1. por meio de humano e social da respectiva comunidade. a capacidade de reproduzi-lo. instalação de sistemas de monitoramento e sociais e. equidade. construção negociada de agenda local de alimentação. cujas causas tendem a aumentar e dignidade. bem como outros agentes. a saúde. dos pontos de vista cívico e cidadão. violência e cooperação. qualificação das condições de vida. e por prioridades de desenvolvimento. de associativismo. 3. pessoas e a habilidade. MANUAL DO PREFEITO  | 101 se constituam na maioria da população. para que se alcance o desenvolvimento humano Ao Governo municipal cabe papel essencial na e socialmente sustentável. capital social o nível de organização. de multiplicá-lo. Nessa visão. grupos de trabalho etc. Recomenda-se. humano. urbano e ambiental. corre. às oportunidades de formação profissional e ao e implementação de políticas sociais voltadas ao emprego. posto que construído coletivamente. tem- se o aumento da fileira dos assistidos por programas 7. como também baixos 5. . igualdade. pois. Entende-se diagnósticos e planejamento participativo e por capital humano o conhecimento acumulado pelas integrado.). dentre outros. podem conduzir a maior integração social e desenvolvimento se qualifica. orçamentos lugar a altos custos para os Governos locais. níveis de capital social indicam baixos níveis de 6.

102 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL

Capítulo 3
Desenvolvimento urbano*

O direito à cidade e saneamento, e, menos ainda, de instrumentos e
processos permanentes de planejamento e gestão
As cidades brasileiras apresentam um sem-número capazes de orientar a expansão adequada das áreas
de problemas resultantes de intenso e excludente urbanas e promover a inclusão social.
processo de urbanização ao longo do século XX e seus Ao contrário, o histórico do crescimento das cidades
desdobramentos nas últimas décadas. A distribuição brasileiras explicita a concentração de investimentos
da população urbana sobre o território e as condições em áreas, bairros e infraestruturas de interesse de
precárias de moradia de grande parte das famílias mais grupos com maior poder aquisitivo ou de pressão
pobres evidenciam desigualdades sociais profundas e política, não raramente promovendo a expulsão da
enormes desafios para a construção de cidades mais população de baixa renda para as periferias urbanas
justas. ou áreas degradadas e reforçando, espacialmente, as
A urbanização acelerada entre as décadas de 40 e condições negativas para esse grupo.
70 do século passado transformou o país de perfil Tais características não são observadas apenas
predominantemente rural até então, levando nas grandes cidades ou nas áreas metropolitanas.
a população urbana a passar de cerca de 30% a Cidades de porte médio e mesmo pequenas cidades
quase 70% da população total. Em 2015, de acordo reproduzem esse padrão de ocupação e de exclusão,
com estimativas do IBGE, a população brasileira apenas com diferentes escalas. A tão falada dívida
ultrapassou a marca dos 204 milhões de habitantes, social, ou pobreza urbana, pode ser identificada no
com cerca de 84% (mais de 170 milhões) deles vivendo tecido de cada uma das cidades brasileiras, apesar das
em áreas urbanas. diferenças regionais do país.
Essa dinâmica de urbanização consolidou ampla Se, historicamente, os investimentos e intervenções
rede de cidades de variados portes e gerou grandes urbanas têm essa característica de “expulsar” ou
concentrações urbanas, suportes importantes para a segregar a pobreza, criando espaços privilegiados para
multiplicação das atividades produtivas e de serviços, as classes média e alta, hoje está claro que os impactos
bem como para apoio à produção agrícola. Contudo, negativos desse padrão de urbanização afetam a
não foi acompanhada dos adequados investimentos população como um todo. Aspectos ambientais, como
em infraestrutura, especialmente em habitação a falta de saneamento e seus reflexos na proliferação de

* Revisto e atualizado por Henrique Barandier, arquiteto e consultor do IBAM.

MANUAL DO PREFEITO  | 103

doenças endêmicas, o transporte precário e o trânsito
caótico das grandes cidades em quaisquer horários,
A função social da cidade
o tempo de percurso e a poluição gerada, ou ainda e da propriedade urbana
as questões do desemprego e da violência, afetam a
qualidade de vida da população urbana e também as Planejamento e controle do uso do solo urbano têm
atividades econômicas em geral, pois implicam menor sido tradicionalmente atribuições do Município no
produtividade, com maior custo. Brasil. A Constituição Federal de 1988 reforçou esse
papel ao reconhecê-lo como ente federado com
Nesse contexto, o tema do direito à cidade, ou da competências autônomas sobre o assunto e por conter,
cidade para todos, destaca-se como aspecto essencial pela primeira vez, capítulo específico sobre a Política
para referenciar a Política Urbana e direcionar sua Urbana (arts. 182 e 183).
aplicação. A Constituição Federal de 1988 fundamenta
o direito à cidade no princípio da função social da Resultado da atuação de amplo conjunto de instituições
cidade e da propriedade urbana e o Estatuto da Cidade articuladas em torno do Movimento Nacional de Luta
(Lei Federal nº 10.257, de 10/07/01) estabelece diretrizes pela Reforma Urbana, que reuniu movimentos sociais,
e instrumentos para promoção do direito à cidade – entidades profissionais e acadêmicas e organizações
que compreende, evidentemente, o direito à moradia não governamentais, os dispositivos constitucionais
digna – como estratégia para enfrentamento das estabelecem os paradigmas para a política urbana
desigualdades sociais e territoriais que caracterizam as baseados em três ideias centrais:
cidades brasileiras. ♦♦ a propriedade urbana deve cumprir sua função
Dentre as diretrizes gerais da política urbana social, o que significa dizer que os interesses
estabelecidas no Estatuto da Cidade, destaca-se a individuais estarão submetidos aos interesses
primeira delas, que vincula a noção de direito à cidade à coletivos na gestão das cidades;
de cidade sustentável ao afirmar que o direito a cidades ♦♦ a retenção especulativa dos imóveis urbanos deve
sustentáveis deve ser “entendido como o direito à ser combatida e para isso o Município deve intervir
terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, para garantir que imóveis bem localizados tenham
à infraestrutura urbana, ao transporte e aos serviços aproveitamento adequado em atendimento às
públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e demandas da cidade e da coletividade;
futuras gerações”.
♦♦ o reconhecimento da legitimidade das ocupações
Assim, a efetivação do direito à cidade compreende, urbanas de famílias de baixa renda, em geral
também, o acesso aos demais direitos sociais. E autoconstruídas, por meio da urbanização de
referenciar a Política Urbana no direito à cidade assentamentos precários e da regularização
significa, então, além de promover a justiça social, criar fundiária de imóveis urbanos utilizados para fins
melhores condições para o desenvolvimento local e de moradia.
para a qualidade de vida da população do Município.
No art. 182, destaca-se a indicação de que a Política
de Desenvolvimento Urbano executada pelo Poder
Público municipal tem por objetivo “ordenar o pleno

104 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL

desenvolvimento das funções sociais da cidade e O art. 2º do Estatuto da Cidade contém as diretrizes
garantir o bem-estar de seus habitantes”. Esse mesmo que devem dirigir a política urbana, tendo por
artigo indica o plano diretor como instrumento básico objetivo “orientar o pleno ordenamento das funções
da política de desenvolvimento e expansão urbana sociais da cidade e da propriedade urbana”. É a partir
(§ 1º) e que a propriedade urbana cumpre sua função dessas diretrizes que os Municípios devem elaborar
social “quando atende às exigências fundamentais de seus planos diretores, os demais instrumentos de
ordenação da cidade expressas no plano diretor” (§ 2º). O planejamento e conduzir a gestão urbana.
art. 183 refere-se à figura do usucapião urbano, instituto
A Constituição Federal indica que os planos diretores
jurídico que permite incorporar parcelas da população
são obrigatórios para as cidades com população a partir
que vive em áreas informais à chamada “cidade formal”,
de 20 mil habitantes. O Estatuto da Cidade amplia
através da regularização de sua propriedade.
consideravelmente essa relação ao obrigar o plano
A aprovação do Estatuto da Cidade, em 2001, recolocou diretor também para aquelas que se situam em áreas
o debate sobre a cidade e o planejamento urbano na metropolitanas ou aglomerações urbanas (definidas
agenda das políticas públicas. As diretrizes expressas na pelos Estados); as que se encontram em áreas de
lei federal apontam claramente para o enfrentamento especial interesse turístico e ainda para aquelas
dos problemas sociais urbanos, da sustentabilidade inseridas em área de influência de empreendimentos
das cidades, do reconhecimento da cidade real, da ou atividades com impacto regional e nacional, mesmo
justa distribuição dos ônus e benefícios do processo de que tenham menos de 20 mil habitantes.
urbanização. E os instrumentos por ela regulamentados
Mais recentemente, a Lei Federal nº 12.608/2012
oferecem condições para que os Municípios assumam
tornou também obrigatória a elaboração de planos
novo protagonismo na gestão urbana e induzam a novas
diretores para cidades “incluídas no cadastro nacional
lógicas de reprodução das cidades.
de Municípios com áreas suscetíveis à ocorrência de
deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas
Estatuto da Cidade: ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos”.
diretrizes e instrumentos O mais importante, porém, é que o plano diretor é o
da política urbana principal instrumento municipal de ordenamento
do território. Ele deve, simultaneamente, dialogar
Ao vincular o cumprimento da função social da com instrumentos de planejamento concebidos em
propriedade urbana às exigências estabelecidas no outras escalas (zoneamento ecológico econômico, por
plano diretor, a Constituição conferiu a esse instrumento exemplo), orientar a integração de políticas públicas
novos contornos. Nesse novo contexto, o plano setoriais que incidem no território municipal e indicar
diretor deve ser compreendido como instrumento critérios e condições de aproveitamento do solo,
fundamental para a definição de prioridades e, por particularmente do solo urbano.
isso, não deve ser concebido apenas no campo técnico, Com essa abordagem, é recomendável que mesmo
mas pactuado pela sociedade, num processo contínuo o Município que não se enquadre nas categorias
de planejamento, que deverá contar com mecanismos indicadas de obrigatoriedade venha a elaborar seu
de participação e controle social. plano diretor, pois nesse processo poderá estabelecer

MANUAL DO PREFEITO  | 105

novo patamar para o planejamento e gestão de sua urbanos, aumentar ou manter a densidade de
cidade, com impactos positivos para o desenvolvimento ocupação, preservar áreas de interesse ambiental e
local, respeitadas as suas escalas e peculiaridades. cultural, orientar a mudança ou a diversidade de usos
e, sobretudo, ampliar o acesso a áreas bem localizadas
Observa-se que o Estatuto da Cidade definiu também
e a oferta de infraestrutura e serviços urbanos.
que “o plano diretor deverá englobar o território do
Município como um todo”, o que faz dele o instrumento No marco da lei estatutária, pode-se dizer que o papel
adequado para se pensar, do ponto de vista local, as do Município na formulação e implementação da
bases para o ordenamento do território, mesmo as política urbana se alterou significativamente. Hoje, o
porções destinadas a atividades não urbanas. Município pode, em benefício da coletividade, interferir
mais diretamente no mercado de terras, visando a
O Estatuto da Cidade consagra conjunto de diretrizes
recuperação da valorização fundiária decorrente do
que orientam a ação do Prefeito e dos agentes
processo de urbanização e viabilizando recursos para
municipais para o planejamento. Verifica-se nas
garantir o financiamento do desenvolvimento urbano
diretrizes clara sintonia entre o desenvolvimento
advindos da própria dinâmica de reprodução da cidade.
urbano e a gestão ambiental, articulando os direitos
Nessa perspectiva, destacam-se, como instrumentos
dos cidadãos, os investimentos públicos e a qualidade
privilegiados, a outorga onerosa do direito de construir
de vida nas cidades.
ou de transformação de uso, a operação urbana
Em síntese, as diretrizes gerais da política urbana consorciada e o parcelamento, edificação ou utilização
podem ser agrupadas em seis eixos temáticos para compulsórios.
orientação da ação municipal:
Se bem-utilizados, os instrumentos regulamentados
♦♦ garantia do direito à cidade sustentável com no Estatuto da Cidade podem representar significativo
promoção do acesso à terra urbanizada; avanço em relação ao planejamento urbano
♦♦ organização do território e capacidade de tradicional. Para tanto, sua incorporação deve buscar a
infraestrutura; adoção de política urbana comprometida de fato com
a transformação do cenário de exclusão territorial e
♦♦ desenvolvimento urbano e integração municipal; desigualdades sociais urbanas.
♦♦ preservação do patrimônio ambiental, histórico e Mesmo com mais de 15 anos de aprovação do Estatuto
cultural; da Cidade, a aplicação desses instrumentos não está
♦♦ gestão social da valorização da terra; ainda consolidada numa nova ordem urbanística.
A mobilização para elaboração de Planos Diretores
♦♦ gestão democrática e controle social. Participativos, conduzida pelo Ministério das Cidades
Além das diretrizes, o Estatuto da Cidade consolida entre 2003 e 2006, foi importante, possibilitou
na legislação federal amplo conjunto de instrumentos relevantes discussões sobre problemas urbanos e o
jurídicos, urbanísticos e tributários que, respondendo às futuro das cidades e resultou em número significativo
estratégias a serem definidas no plano diretor, podem de Municípios que se dedicaram à tarefa de formular
ser usados para induzir ou deter o desenvolvimento novos instrumentos de planejamento urbano e
urbano em determinadas áreas, ocupar vazios territorial. Avalia-se, porém, que, de modo geral,

uma vez que grande parte das sociedade para a gestão urbana e ambiental. Nesse sentido. evitando as Municípios integrantes de regiões metropolitanas ou rupturas negativas para o interesse público. outro campo da política urbana. que muitos Municípios apenas distinto daquele que orientou os antigos planos. tais como o Plano Plurianual. da capacidade institucional Em suma. nas condições de planejamento de uso e ocupação do solo e os de vida nas cidades permanece como desafio para as investimentos previstos nos demais instrumentos administrações municipais. de de uso do solo e acesso à terra às políticas setoriais na parcelamento do solo urbano e de uso e ocupação do perspectiva do desenvolvimento local. atualmente deve ser compreendido como bastante Observa-se. processo que solo – também precisa ser reformulado para garantir a deve ser conduzido de maneira democrática e com coerência da legislação municipal e as condições para ampla participação da sociedade. a necessidade de fortalecer e aperfeiçoar a serem priorizados. considerando os preceitos da Lei de institucionais de relacionamento entre governo e Responsabilidade Fiscal. elaboraram seus novos planos diretores sem a revisão Observados o marco jurídico e a nova concepção da legislação urbanística complementar. hoje a ser promotores e instrumentos de processo de O conteúdo dos instrumentos mais tradicionais de planejamento municipal que deve associar as questões planejamento urbano – leis de perímetro urbano. pela Administração Pública. Vale registrar que as orientações institucional em prol de novo modelo de produção das e diretrizes definidas na lei do plano diretor não se cidades. instrumentos que possam favorecer de fato a integração das políticas setoriais. é o da a partir de relações mais estáveis de efetiva cooperação descontinuidade. ainda. dirigem a um único mandato – referem-se a processo de desenvolvimento que. assim como a articulação entre Nunca é demais lembrar que um dos males enfrentados os três entes da Federação (Município. sobretudo nas questões avançaram na definição de estratégias para garantir supramunicipais que requerem maior capacidade das o acesso pelas populações pobres à terra urbanizada administrações locais para articulação e negociação e pouco aproveitaram o potencial dos instrumentos com as demais esferas de governo. Estado e União). destaca- ações preconizadas se concretizará em gastos públicos se. definido coletivamente. apesar dos enormes avanços das últimas dos Municípios e da continuidade das ações que irão décadas na renovação do quadro jurídico brasileiro no fazer valer as suas propostas. os novos planos diretores passam mostrado fonte de conflitos na aplicação das normas. implementação dos novos instrumentos jurídicos e Observa-se que a efetividade dos planos diretores urbanísticos. em todos os níveis. o caráter do plano diretor política de desenvolvimento urbano. o que se tem política e social. disponíveis para orientar o redirecionamento da Também por isso. sobretudo. Isso implica aglomerações urbanas.106 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL os planos diretores pós-Estatuto da Cidade pouco de desenvolvimento local. deve Neste aspecto ganham relevância especial os ser observado de maneira continuada. mais do que isso. ainda. sua tradução na legislação desafio é a compatibilização entre os instrumentos urbanística local e. da gestão financeira municipal. dependerá. a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Na busca permanente por reforçar espaços Orçamento. sujeitos às políticas regionais continuidade do processo participativo e envolvimento com efeitos sobre os seus territórios e dinâmicas .

plano diretor ao longo do tempo. de trabalho. informações e processos territoriais consagradas em seus planos diretores. planejamento que os gerou. Assim. diretrizes e políticas definidas no os princípios. ordenamento territorial. relacionados ao poder de polícia municipal dão tais como: o que deve ser feito para utilizar os novos origem a atos administrativos e operações materiais instrumentos previstos nos planos? Que procedimentos (processos de trabalho) de aplicação da norma. demandando atos regularizados e na hora de pôr em prática as propostas e as diretrizes rotinas que envolvem pessoas. tais como moradia digna e inclusão territorial. diretores pós-Estatuto da Cidade refletem a evolução dos mecanismos de gestão democrática baseados na Apesar de o licenciamento ser prática comum nos participação e controle social. reforça a necessidade de preventivamente. pois se destinam ao disciplinamento do uso da propriedade ou posse Em comparação com períodos anteriores. Nessa perspectiva. reformulados. compatibiliza o direito individual mudanças nas rotinas de trabalho. pois a essas saneamento ambiental. transporte e acessibilidade. licenças são emitidas sem que preexistam dispositivos . preservação do patrimônio caberá a implementação das propostas decorrentes do cultural e ambiental. por conseguinte. diretrizes e instrumentos previstos no planejamento das cidades exigem a conversão do Estatuto da Cidade. Vale ressaltar que as e instrumentos que sejam compatíveis com a nova licenças emitidas na competência do Município são de ordem urbanística expressa nos planos diretores. portanto. dentre outros. Um dos principais mesmo suprimidos? atos administrativos de atuação do poder de polícia do Município é o licenciamento. intenções e premissas. As administrações municipais. Os atos normativos (leis e regulamentos) frequentemente se deparam com questões chaves. o aumento da capacidade de monitoramento dos a aplicação efetiva do Estatuto da Cidade permanece processos de produção da cidade. e. além de sacramentar Municípios. Em alguns casos as setoriais. comprometimento com os resultados. em devem ser criados. ideal para a praxis. sobretudo no que se refere ao É através do licenciamento que a Administração. atualizados ou caráter preventivo ou repressivo. mais precisamente com o interesse coletivo e. assim como e não depende somente da aprovação das leis. para as Prefeituras que vivenciaram a elaboração e aprovação de seus planos diretores de acordo com As ações. os planos para fins urbanos. na agenda municipal. métodos objetivos do planejamento. as propostas devem ser absorvidas pelos diferentes setores da A renovação dos processos de licenciamento e Administração Municipal para que não permaneçam fiscalização municipal é de extrema importância no plano das ideias. caráter eminentemente urbanístico. Os dispositivos legais previstos pelo Estatuto e a A mudança de paradigma representada pelo Estatuto continuidade do próprio processo de planejamento da Cidade não se efetivará em curto espaço de tempo exigem o ajuste das normas urbanísticas. sua relação com o planejamento nem novos temas que pressupõem a integração das políticas sempre se dá de modo evidente. MANUAL DO PREFEITO  | 107 ativo das equipes técnicas locais na construção e mobilidade urbana. A perspectiva de renovar e fortalecer o processo de planejamento local. devendo ser assumida como o requisito básico para garantir o sucesso dos prioridade pelas administrações locais comprometidas planos diretores é a continuidade dos processos de com a construção de cidades mais justas. com os com foco na utilização de novas ferramentas.

os planos diretores econômico. colidem exigências e interesses que se dá. por simples aplicação trabalho dentro da Prefeitura e maior burocracia de princípios técnico-científicos da construção civil. Legislativo e sociedade civil. na economia etc.108 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL de orientação e disciplinamento em relação aos Destaca-se ainda. na vizinhança. um dos setores da Administração que ambiente. que se consequências mais imediatas. reguladores. ao fiscal caberá bem estruturados. na outra ponta do processo. de condições econômicas e de dificuldades de A municipalização dessas licenças. efetivamente. Exige que a interdisciplinaridade. não cria apenas novos processos de de lógica externa a esse contexto.. Executivo. Do ponto cotidianas e tradicionais. Impor a ordem a partir ambientais. é o conflito das relações a implementação do próprio plano diretor. da qualidade de Quanto ao aspecto administrativo. efetivamente vivenciada na execução das políticas e no A estratégia pode ser a pactuação entre órgãos cumprimento das diretrizes fixadas. social e cultural. onde coexistem importantes aspectos de questionando) o próprio plano. da setorização de atividades e usos. que envolvem repartições. de níveis básicos de tolerância e de exigência. apenas o dilema de aplicá-las. quase sempre em normas e informações. promovendo mudança significativa sempre é adotado para a regulamentação. indispensável para acelerado de mudanças. com o . desenvolvimento urbano. que são definidos a partir mais é afetado pelas contradições do processo de do desejo coletivo de bem-estar e qualidade de vida. nos códigos de obras e de posturas (citando O processo de revisão do plano diretor acaba apenas as normas mais usuais). no fiscalização. licenciamento enquanto instrumento efetivo de especialmente nas cidades submetidas a processo controle do uso e ocupação do solo. com a impessoalidade do não são suficientes para promover o desenvolvimento crescimento econômico. parece não ser mais adequado à realidade da maioria tantas vezes evocada na elaboração dos planos. cultura. em especial das acesso às orientações técnicas. traduz nas leis de parcelamento. do silêncio. requerimentos. Ocorre e rotinas que viabilizam parte dos objetivos traçados que o processo participativo do planejamento nem no plano diretor. sobre os significados. cidadãos e com a dinâmica do espaço urbano. Se não houver discussão mais abrangente ao cidadão. as normas que mais interferem no cotidiano dos da plenária de discussão para o balcão de atendimento cidadãos. principalmente por ser interface bastante sensível entre Poder Público O processo de planejamento não pode ignorar o e sociedade local. a com o processo de autoconstrução. para o contribuinte. construídas em outro contexto de vista puramente normativo. O que vem se observando. da licenciamento que vai exigir a criação de procedimentos informalidade nas relações governo-sociedade. regras. As regras da construção. em relação direta com os confronto com o próprio entendimento da sociedade. comercial e industrial e suas almejado sem a respectiva regulamentação. deflagrando questionamentos relacionados com a preservação da ambiência urbana. é justamente o vida. justamente na escala de abordagem: do coletivo para o individual. a impactos na paisagem. de uso e ocupação do solo. retroalimentando (validando ou brasileiras. seja das cidades brasileiras. pessoas. típico das cidades gestão urbana. É neste que em geral não se vê retratada nessas normas e fluxo e contrafluxo de solicitações. direitos e deveres decorrentes As licenças urbanísticas exigem processos de trabalho das normas e regras que daí resultam. por exemplo. no trânsito.

atuando junto à população para a preservação da ambiência urbana. seja no momento de elaboração das normas urbanísticas. a atividade contínua pela lei. com alterações ditadas pela Lei nº 12. No conceito amplo do saneamento básico preconizado Como se pôde observar até aqui. incluem-se o abastecimento de água potável. seja no acompanhamento da Planos complementares implementação das mesmas e monitoramento de seus efeitos. muitos Municípios Somente a discussão das normas em nível local poderá vêm desenvolvendo planos complementares com o substituir a tipificação das infrações pela definição objetivo de definir e detalhar diretrizes. a limpeza diretrizes do Estatuto da Cidade. e insistir nessa informações para suporte do processo democrático. polaridade poderá resultar em retrocessos técnicos para o planejamento e para a facilitação do e políticos. MANUAL DO PREFEITO  | 109 comprometimento efetivo de todos no cumprimento dos Executivos municipais. implementação do plano diretor.862/2013. O processo de discussão das cidades deve desenvolvimento econômico local sustentável. orientada pelas esgotamento sanitário (coleta e tratamento). ♦♦ mobilidade urbana. Em decorrência dos planos diretores e dos novos marcos regulatórios das políticas setoriais. O fiscal (de obras.445. apresentando normas reguladoras esgotou-se. de posturas) São temas centrais para a gestão urbana que passa a ser o agente de urbanismo . Municipal e aos diversos segmentos da sociedade local Os planos diretores devem compatibilizar o para fundamentação de propostas e alternativas e crescimento urbano e as densidades previstas para tomada de decisão. o de planejamento municipal e urbano. plantas e implantada ou prevista em determinado horizonte mapas da cidade e do Município atualizados com os temporal. ocupação do solo com a infraestrutura de saneamento Manter cadastros técnicos e imobiliários. ajudando na ♦♦ saneamento básico.aquele servidor requerem instrumentos de planejamento atualizados que contribuirá efetivamente para o desenvolvimento periodicamente: sustentável das cidades. A confrontação entre Poder de informações geográficas – SIG permitem realizar Público e sociedade civil para o cumprimento das cruzamento de dados e espacializá-los. Assim. programas e de padrões de qualidade para o comércio. para alcançar resultados efetivos e permanentes. foi aprovada a Lei Federal nº 11. Ouvir a população é exercitar um novo olhar. ou seja. e espaços públicos. Sistemas de informação ♦♦ habitação. também. ser contínuo. Os chamados sistemas de tais níveis básicos. é necessário reservar áreas públicas dados necessários deve ser atividade permanente para estações elevatórias e de tratamento de água . Esta lei orienta. que e capacitação para o estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento planejamento básico. serviços ações visando o desenvolvimento urbano integrado. que os titulares dos serviços públicos de Informações organizadas e sistematizadas sobre saneamento básico. devem a dinâmica urbana são essenciais à Administração elaborar seus planos de saneamento básico. Em 2007. os Municípios. exige aprimorar o urbana e o manejo dos resíduos sólidos e a drenagem instrumental e a capacidade das equipes municipais e manejo das águas pluviais urbanas.

ainda. devido a alterações substanciais decorrentes do processo de urbanização (pavimentação de vias.). da cidade para todos. ocupação indisciplinada Nacional para o setor. podendo. instituindo as diretrizes da Política Nacional de logística reversa.146/15. a definição ♦♦ em Municípios acima de 20 mil habitantes e em de parâmetros urbanísticos e critérios construtivos todos os demais obrigados. foi promulgada a Lei Federal nº armazenagem temporária de materiais sujeitos a 12. trabalho e lazer de forma ao plano diretor municipal. detenção ou a sua conclusão (segundo alteração do prazo original retenção para o amortecimento de vazões de cheias.587. Quanto à drenagem urbana. O art. esta não se resume às redes os Municípios já obrigados a elaborar o Plano Diretor. Incorpora ainda as premissas de desenho ficam impedidos de receber recursos orçamentários universal que proporcione acessibilidade plena das federais destinados à mobilidade urbana até que pessoas com restrição de mobilidade.865/13 e 13. alterada pelas civil. integrado e A relação do saneamento básico com a questão compatível com os respectivos planos diretores ou habitacional tem impactos diretos nas condições neles inserido. com a eliminação de distribuição à população e para o aterro sanitário. bicicletas). ambientais e de segurança e saúde pública. 24 da lei federal define o Plano de Mobilidade impermeabilização de superfícies. existente ou em inclusiva.110 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL e de esgoto. Findo o prazo. barreiras das áreas públicas de circulação e dos meios Há cidades que também reservam terrenos em de transporte. especialmente atendam à exigência dessa lei. o Plano de Mobilidade Urbana. – abril 2015 – aprovada na Câmara Federal). deverá ser elaborado aproveitamento das águas pluviais. tais como galpões de triagem para Mobilidade Urbana e estabelecendo exigências para materiais recicláveis ou de resíduos da construção adequação dos Municípios à nova lei. buscando articular as funções e os ♦♦ o Plano de Mobilidade Urbana deverá ser integrado movimentos entre moradia. por exemplo. significar menores gastos com desastres coletivo ou individual. na forma da lei. desmatamento. ainda. ♦♦ nos Municípios sem sistema de transporte público portanto. para a absorção e elaboração do plano diretor. no prazo máximo de 3 (três) anos da público – de qualidade e menos poluente – e à circulação vigência da Lei Federal nº 12. exigindo a sua formulação para de várzeas e margens etc. pontos estratégicos para a instalação de locais para Em janeiro de 2012. . Engloba as ideias de prioridade ao transporte elaboração. à que contribuam. Estabelece. para reservatórios de água tratada para idosos e pessoas com deficiência. Urbana deverá ter o foco no transporte não No que respeita à mobilidade urbana. conforme dito antes. o seu de micro e macrodrenagem com infraestruturas e conteúdo mínimo e fixa o prazo de abril de 2018 para instalações operacionais de transporte. densidade das Urbana como instrumento de efetivação da Política construções. entre outros. de acordo com a legislação vigente.587/2012. o que foi de pedestres e de veículos não motorizados (como prorrogado. de águas pluviais. O marco tratamento e disposição final das águas pluviais regulatório estabelece que: drenadas nas áreas urbanas e. Leis n 12. o Plano de Mobilidade ambientais e com o sistema de saúde. Envolve também planejar o sistema de forma integrada a este. o entendimento motorizado e no planejamento da infraestrutura atual deste conceito amplia a visão antes concentrada urbana destinada aos deslocamentos a pé e por apenas no transporte e no sistema viário e traz a ideia bicicleta.

Políticas voltadas para de baixa renda. geradores de emprego e renda. tais como: o IPTU Progressivo no Tempo. é aquela que trata da mesma forma o dono de o Consórcio Imobiliário. o Plano de salubridade.. consignado pela UNESCO: de uso e ocupação do solo. ex-Prefeito da cidade social – Zeis. loteamentos planejamento municipal. como subúrbios ou cidades previstos no Estatuto da Cidade podem colaborar menores. que recebeu o prêmio Cidades Municípios. de planejamento local. a Outorga Onerosa do Direito uma bicicleta barata e o motorista do carro de de Construir – considerando que ao menos parte dos luxo. que tem sido adotada por muitos de Bogotá – Colômbia.. é interessante exemplificar com as política habitacional é a zona de especial interesse palavras de Henrique Penãlosa. barulho. Isso os faz buscar a tranquilidade e o prazer em locais Além das Zeis. que índices urbanísticos específicos e compatíveis com a passam a viver em locais com poluição. destinação de cada área delimitada. bem ocupação irregular de áreas mais próximas aos centros como critérios rigorosos para evitar a dispersão urbana. todos os cidadãos são iguais perante a lei recursos auferidos devem ser dirigidos à produção e o interesse coletivo se sobrepõe ao individual. Quanto ao uso do solo urbano. Mobilidade Urbana constitui renovada oportunidade transportes e equipamentos sociais.” habitacional de baixa renda – ou mesmo a exigência de percentuais de unidades destinadas à habitação O tema habitação. como o Plano Diretor. de matéria claramente direcionada às competências regularização fundiária e de melhorias habitacionais. e as leis orçamentárias. trata-se de maximizar incluindo estratégias de ocupação de imóveis vazios a complementaridade entre as atividades econômicas ou subutilizados e de adensamento construtivo. aproveitamento das áreas urbanas já estruturadas. em áreas com infraestrutura. regulares... para demarcar áreas a serem regularizadas ou reservar áreas a serem ocupadas “O sistema de transporte é capaz de gerar a com unidades residenciais destinadas à população estrutura de uma cidade. deve observar diretrizes urbanísticas custos e tempo de deslocamento ou são fatores de que favoreçam a integração à cidade existente. percorridas pelos trabalhadores implicam maiores quando admitida. o irregulares e clandestinos e outras formas de plano viário. Instrumento privilegiado para implementação da Sobre esse tema. o que é uma contradição: precisamos para garantir que unidades habitacionais de interesse do carro para fugir dos efeitos negativos que social sejam construídas em áreas bem localizadas ele nos causa. Tratando-se na lei federal de que devem ser objeto de programas de urbanização. MANUAL DO PREFEITO  | 111 Para a Administração Municipal. a agenda ambiental assentamentos precários de população de baixa renda. vias perigosas. visto que as grandes distâncias a serem expansão da malha urbana por novos loteamentos. na forma do plano em tela. Para as ZEIS devem ser previstos os veículos criam barreiras aos cidadãos. Incluem-se de integração de várias políticas e instrumentos de nesse tema também as áreas de favelas. em seus planos diretores ou na legislação pela Paz – 2002-2003. tem como principal de interesse social em novos parcelamentos e demais desafio promover o acesso a moradias seguras e com . outros instrumentos urbanísticos mais afastados. Uma cidade justa socialmente das cidades. Já a e as moradias. pouco ou nenhum verde. é mister que o Município A questão da habitação deve ser trabalhada conte com a principal ferramenta para a gestão da prioritariamente a partir das possibilidades de melhor mobilidade urbana. por fim. os planos de obras.

para evitar a reprodução de soluções de baixa qualidade Destaca-se que. habitacional urbano referem-se a famílias com renda mensal de até 3 salários mínimos. O SNHIS tem como Os processos de elaboração de planos diretores foram principal objetivo garantir investimentos e subsídios oportunidades para discutir e apontar alternativas que promovam o acesso à terra urbanizada e à para o problema habitacional. como avanço. muitos planos diretores de articular e apoiar a atuação dos órgãos do setor previram a criação de Zeis como instrumentos habitacional. é fundamental a ação municipal parte. nº 11. Política de Habitação de Interesse Social. de acordo . públicas e privadas.2 milhões de domicílios em favelas ou assemelhados em todo o país. destinado a implementar legislação de uso e ocupação do solo. nem sempre tão bem habitação pela população de mais baixa renda. além aproveitadas. de modo geral. entre Zeis e previram a utilização do instrumento não apenas outras obrigações fixadas pela referida lei. de mecanismos Plano Local Habitacional de Interesse Social. Ainda assim. São mais Habitação de Interesse de 11. atenção especial das administrações sociedade ligados à área de habitação. desse quadro.578/2007 e nº 11. considerado. de orientar as estratégias de produção habitacional e com maior volume de recursos não onerosos e regularização urbanística e fundiária. Ressalta-se que a com regras e prazos fixados pelo Conselho Gestor Zeis e os demais instrumentos urbanísticos devem do FNHIS. hoje. falta o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social de integração setorial na implementação da política – SNHIS. momento em que o setor da habitação tem recebido expressivos recursos e muitas unidades estão sendo O déficit habitacional no Brasil diz respeito. na maior construídas no país. lei recebeu alterações por meio das Leis nº 11. segundo estudo elaborado pela arquitetônica e urbanística e que não contribuam para Fundação João Pinheiro. que instituiu renda. criou o Fundo Nacional de Habitação de urbana.481/2007. de 16 de junho de 2005. de grande precariedade. para efetivamente induzir a ocupação urbana. (b) constituir conselho que contemple a participação de entidades O tema da localização dos mais pobres na cidade merece. a domicílios localizados em áreas urbanas. pois estas dispõem. que: (a) constituir fundo.124. Essa restrição ao acesso à terra urbanizada. Diversos fatores contribuíram para formação. os Municípios terão. Os que mais avançaram. O Censo IBGE 2010 O Sistema Nacional de contabilizou mais de 3. democrático e participativo. o que pode ser instrumentos de controle e de avaliação de resultados. bem como de segmentos da certamente.4 milhões de pessoas vivendo nesses tipos de Social assentamento.888/2008. ao longo O disciplinamento do setor habitacional voltado ao do tempo. concentração das propriedades fundiárias. (c) apresentar locais. além de gestão descentralizado. A lei busca orientar a criação de modelo específicos para operar a política habitacional. poucos recursos para o setor habitacional. foram aqueles que demarcaram as Para se integrar ao SNHIS. e Interesse Social – FNHIS e o seu Conselho Gestor. porém. com dotação ser concebidos de forma articulada e coerente com a orçamentária própria. E no considerando as especificidades locais. mais de 90% do déficit efetivo enfrentamento dos problemas habitacionais.112 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL empreendimentos imobiliários. entre outros. tais como: impossibilidade interesse social tem como marco institucional a Lei de acesso ao mercado formal por famílias de menor Federal nº 11.

Para enfrentamento do problema habitacional. Espera-se que os Planos Habitacionais trabalhem as diversas iniciativas propostas de modo articulado e seguindo diretrizes do plano diretor. Deverão prever ainda metas a serem alcançadas a curto. que promovam a regularização fundiária. quando for o caso. . médio e longo prazos. e de “caráter corretivo”. MANUAL DO PREFEITO  | 113 para regularizar assentamentos existentes. alocação de recursos e fontes de financiamento para a produção habitacional e indicadores para monitoramento da implementação do Plano. de modo geral. prever e estruturar ações. a partir da compreensão do fenômeno habitacional local. mas também para destinar terrenos vazios. a urbanização de assentamentos e as melhorias habitacionais. aplicação mais adotada. que criem alternativas de acesso à terra e à moradia. programas e projetos a serem implementados em horizonte de tempo determinado. deverão ser previstas ações de “caráter preventivo”. deverá. para habitação de interesse social. localizados em áreas bem infraestruturadas. O Plano Local de Habitação de Interesse Social. obrigatório para Municípios que aderirem ao SNHIS.

desconforto climático nas cidades. como carência de processo de urbanização acelerado do País e ao modelo áreas verdes. destruição de patrimônio natural e étnico. imenso do solo. acumulado gerido. especialmente aquelas cujos vetores de proliferação sustentável são insetos e roedores. problemas específicos em determinados cenários A poluição do solo. acarreta consequências que abrangem variado ao longo de décadas. por desenvolvimento sustentável. proliferação de doenças. em detrimento de propriedades de menor porte e produção diversificada. As inadequações destes dois diretos sobre a saúde e a qualidade de vida população elementos principais da dimensão ambiental e as atividades produtivas e econômicas do Município. que são alvos de políticas públicas: a poluição em suas podem ser analisados em detalhe para evidenciar diferentes formas e o uso e ocupação do solo. geógrafo e consultor do IBAM. riscos ao abastecimento hídrico altamente mecanizada e com pouca variação da do Município. Suas têm como interface dois elementos principais que consequências diretas são problemas críticos. posto que muitos de modelo de desenvolvimento excludente. riscos ambientais de perdas econômicas e de vidas humanas em função de desastres como desenvolvimento enchentes e deslizamentos. As inadequações Os Municípios têm à sua frente um grande desafio: de uso e ocupação do solo podem acarretar problemas implementar em seu território os princípios do tão. da água e do ar tem impactos locais e regionais. do que a poluição. social. produção. institucional. política e ambiental. – econômica. Cabe destacar que ambos os elementos têm impactos Essas dimensões estão intimamente relacionadas e tanto sobre as áreas urbanas quanto rurais. . que produziu seus impactos são cumulativos.114 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Capítulo 3 Desenvolvimento sustentável* O Município e o cultural. ou até mais intensos. o que significa efeitos cumulativos e alterações permanentes das compatibilizar as várias dimensões do desenvolvimento características ambientais do Município. * Revisto e atualizado por Hélio Beiroz. – controle da poluição e planejamento do uso e podendo causar imensos prejuízos tanto imediatos ocupação do solo – estão diretamente relacionadas ao quanto de médio e longo prazo. agropecuário que privilegia a grande propriedade desmatamento ilegal. quando inadequadamente planejado e déficit habitacional e de saneamento. Tal modelo está associado ao conjunto de situações adversas. Já o uso e cobertura desigualdades espaciais na oferta de serviços. entre outros.

sobre a vida das pessoas e sobre os recursos naturais. acarretando perda de solo e de sua qualidade. Para encontrar somente a população pobre que reside no Município. saídas. como a formação de ilhas indissociabilidade e a necessidade de que a degradação de calor. doenças do meio ambiente seja enfrentada juntamente com o respiratórias e na redução de coberturas vegetais problema da pobreza. acarretando declínio de ecossistemas e A associação do conceito de sustentabilidade ao redução do acesso a recursos hídricos. como também à capacidade de a afetadas de maneira mais intensa e direta. na maioria dos casos. O no equilíbrio das cidades. de qualidade da gestão municipal e de vida saudável. oferecidas pela temática ambiental para o desenvolvimento local e regional. série de estão menos dotadas de mecanismos que permitam problemas está diretamente relacionada não apenas lidar com as adversidades causadas pelos problemas ao porte e ao patamar de desenvolvimento das cidades ambientais. A deficiência dos sistemas de transporte coletivo e o É consenso que o caminho ideal para avançar aumento crescente do número de carros particulares na direção do desenvolvimento sustentável é a ampliam as fontes de poluição do ar e sonora. debate sobre o urbano vem sendo feita por processo de . conforme definido na Agenda 21. e ainda assim incompleta. MANUAL DO PREFEITO  | 115 As populações em estado de fragilidade socioeconômica Essa ampla. orlas e Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e áreas públicas por artefatos de publicidade. que acarreta político necessário entre a agenda estritamente perda da capacidade de fixação de carbono com efeitos ambiental e a agenda social. produzidas pela ocupação compromisso firmado pelos países participantes da desordenada e excessiva de áreas verdes. agravados pela existência de “lixões” importantes para o seu desenvolvimento. antenas Desenvolvimento em 1992 (Rio-92) – entre eles o Brasil de radiocomunicação. são e dos espaços rurais. Os desdobramentos do conceito de desenvolvimento assoreamento de corpos hídricos. mananciais de abastecimento e lagoas. nativas. Contudo. estacionamento de veículos e – reforça essa constatação ao endereçar para o âmbito comércio ambulante. Também constatação de que se encontra no Município o início a poluição visual tem aumentado as interferências de seu processo. local uma série de ações que têm por objetivo capacitar as Administrações municipais para que consigam Os problemas de inadequado uso e ocupação do solo reverter e impedir os efeitos da degradação ambiental se manifestam na intensificação de processos erosivos. fenômenos de inversão térmica. inadequados pela localização e pelo manejo. a visão negativa das condicionantes ambientais pois seus efeitos geram impactos expressivos na como entrave ao desenvolvimento deve ser substituída qualidade de vida de todos os habitantes da cidade e por abordagem que ressalte as oportunidades da área rural. reforçando a sua diretos sobre o clima local. enchentes e perda de sustentável apontam para o caminho da produtividade agropecuária. Também se manifestam “sustentabilidade ampliada”. que conduz ao encontro através da perda de cobertura vegetal. Administração Municipal adotar iniciativas e assumir o amplo conjunto de problemas ambientais não afeta gestão adequadas à realidade local. rios. pela emissão os recursos naturais e o patrimônio construído ao de efluentes de esgotos domésticos e industriais sem longo da história do Município constituem ativos tratamento. que estão relacionados ao aumento do risco de deslizamentos. Além de sinônimo Materializam-se na poluição das praias. sendo assim.

por outro lado é fato que o conjunto das ações e políticas. podem contribuir importância da promoção de ações de gestão eficiente significativamente para maior redução das emissões e da energia elétrica nas competências atribuídas ao incremento na fixação de carbono. A redução da demanda em energia elétrica e que a disponibilidade de fontes de energia no Brasil contribui essencialmente para a preservação ambiental. qualidade e do planejamento dos serviços públicos. seja de obras e incentivos para esse uso nas habitações pelo crescimento da carteira de projetos ambientais. programas e ações do governo municipal. corredores ecológicos e áreas de preservação permanente. criação. por um evitando o desperdício e possibilitando significativa lado. Esse processo transporte coletivo. nas O atual cenário energético e ambiental confirma a esferas nacional. – o Município sustentável – procura promover um Cabe lembrar que o estabelecimento de padrões de desenvolvimento compartilhado. financiados pelas agências multilaterais. o gerenciamento do uso eficiente da energia membro da sociedade e que permite a proteção dos elétrica e a adoção de ações de eficiência energética ecossistemas. a questão ambiental passou a A gestão eficiente da energia elétrica destaca-se como ser reconhecida e percebida em sua dimensão global. conservação de áreas em boas condições ambientais. ou mesmo à base de energia das discussões sobre o urbano e a entrada crescente das elétrica. os quais dão investimentos na gestão e manutenção de unidades ênfase à sua dimensão urbana. priorização de “compras verdes”. o uso de veículos . prédios ambiental transborda os limites das áreas urbanas e administrados pelo Município e serviço de saneamento coloca diante da Administração Municipal os conflitos – surgem como oportunidade de aperfeiçoamento da e elementos pertinentes ao ambiente rural. que podem ser redirecionados pelo das emissões de carbono é oriunda do desmatamento Executivo para outros setores prioritários da Prefeitura e queimadas (com destaque para a Região Amazônica) Municipal. uso de energia solar nos prédios vem ocorrendo. Se. são ideias Importante ressaltar também que a extensão para a que convergem para que os Municípios sejam proativos esfera local do conceito de desenvolvimento sustentável na questão das mudanças climáticas. Nesse sentido. que beneficia cada consumo. deixando de ser vistos como problemas estanques. tais como a da energia elétrica. em comparação com outros postergando os investimentos para geração. países desenvolvidos e em desenvolvimento. a questão Prefeituras Municipais – iluminação pública. Poder Público Municipal e uma participação mais ativa do Município no planejamento das estratégias de uso Iniciativas de âmbito municipal. seja por iniciativa de atores sociais públicos e inclusão de exigências legais nos códigos preocupados com a qualidade de vida urbana. uma das principais ações do desenvolvimento sustentável. ampliação. é bastante favorável. Mais recentemente. fomento a cadeias produtivas sustentáveis. regional e local. de conservação. que permeiam e orientam o conjunto ambiental na recuperação de áreas degradadas e das políticas. a fim de não comprometer as condições nos vários segmentos (centros de consumo) das de vida das gerações futuras. trata-se de assumir os temas ambientais como resíduos sólidos.116 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL aproximação no qual se verificam a “ambientalização” oficiais com motores flex. e empreendimentos privados. associada ao tema das mudanças climáticas. melhorias no trânsito e prioridades ao questões urbanas no debate ambiental. é sabido que – no caso brasileiro – a maior parte economia de recursos. aplicação de recursos de compensação temas transversais. gestão adequada dos Em síntese.

tendo como principal objetivo sujeitos a maiores índices pluviométricos acarretando costurar novo acordo entre os países para diminuir maior suscetibilidade a inundações. com gestores que não integram o grupo. ratifica-se meio ambiente e estimulando iniciativas que ofereçam que a abordagem da questão ambiental não deve alternativas tecnológicas para enfrentar as questões do ser feita isoladamente a partir da abordagem das déficit de saneamento e de habitação. sobre a escala Municipal. mas também do social e econômico. outros ainda estarão 21) foi realizada. Assim. que reúne 59 Cada Município. outros sentirão os efeitos de secas em suas áreas Em dezembro de 2015. a 21ª Conferência do Clima (COP rurais e na produção agrícola. promovendo ações para a diversas condicionantes ambientais oriundas das ampliação da consciência e conhecimento sobre o mudanças climáticas. o setor os compromissos dos Estados membros com metas público estará também estimulando o setor privado para o desenvolvimento sustentável. suas características: Municípios costeiros passarão o que pode servir de referência também para cidades e a sentir efeitos da elevação do nível do oceano. evidenciar-se-ão e muitas aquecimento global. Consonantemente. educação e saúde – servirão como preparação para estimular a participação da população nas decisões os desafios impostos pelas transformações de e no controle ambiental. compromisso com o desenvolvimento sustentável. prol do desenvolvimento sustentável. O serão necessárias. tais como de geração de renda. urbanas e rurais. mas assumem o impactos nos sistemas de saneamento e drenagem. Brasil participou do evento e firmou compromissos É consenso que as mudanças climáticas terão maior com os objetivos de contenção do desmatamento incidência. O C40 (Climate Leadership Group). esforços no sentido de reduzir a segregação Acerca de alguns instrumentos de intervenção local socioespacial. é necessário perceber que. nova Conferência das Nações Unidas sobre o com programas de inclusão social de catadores de Desenvolvimento Sustentável foi realizada: a “Rio+20”. diminuindo o Municipais. com indicação de metas para 2020 e 2030. cada qual segundo efeito estufa. em Paris. condicionantes do meio físico do município. e em consequência limitar o medidas para o enfrentamento de suas consequências aumento da temperatura global em 2ºC até 2100. erradicando os “lixões” e transformando a coleta Apesar do entendimento geral de que o documento seletiva e a reciclagem de resíduos em alternativas final pouco avançou em questões essenciais. . as Administrações também podem e devem a serviços – em especial os básicos. Ao agir nessa direção. sobre populações e redução das emissões de carbono que se refletem em condições de vulnerabilidade socioeconômica. aprovou prazo. criar áreas de proteção do ambiente natural e cultural. As ações voltadas para resolver o problema do lixo devem incluir a participação cidadã e serem associadas Em 2012. MANUAL DO PREFEITO  | 117 Além disso. portanto. tem hoje à sua frente a Prefeitos das maiores cidades do mundo. os efeitos das mudanças climáticas passarão a documento no qual os gestores dessas cidades se afetar crescentemente as condições ambientais nos comprometeram com redução de emissões de gases do Municípios nas diversas regiões. a médio quais São Paulo. desigualdades econômicas e de acesso direta. na forma de adversidades. como saneamento. entre as tarefa de combater conjunto amplo de problemas. merece destaque a reformular seus enfoques de produção e gestão em o legado da Cúpula dos Prefeitos. lixo. Rio de Janeiro e Curitiba. As fragilidades a emissão de gases de efeito estufa.

muito gerais da ordem econômica. possam proporcionar oportunidades ao Município. não deve ser vista dispositivos que consagram: apenas como sucessão de problemas e desafios. somados à conservação dos e preservá-lo para as gerações presentes e futuras. ao no âmbito das iniciativas das Nações Unidas sobre afirmar o direito comum de todos de usufruir ambiente mudança do clima. porém. outrora utilizados para tal. com geração de trabalho ♦♦ a divisão de competência legislativa entre os três e renda. Cabe. população do Município. o conceito central do REDD+ são aquelas relacionadas essencial à sadia qualidade de vida. e ao conferir ao à redução de emissões provenientes de desmatamento Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e degradação florestal. 225 da CF. enfatizando o papel do das condições urbanas e de qualidade de vida da cidadão. direito de propriedade. a definição de meio ambiente exprime informe sobre incentivos como o REDD+. programas urbanos Ministério Público. saneamento e habitação podem ser capazes de atrair investimentos ♦♦ a defesa do meio ambiente como um dos princípios em indústrias ou outras atividades de serviços. O conjunto de ações que constituem ecologicamente equilibrado. que a Administração Municipal se No art. bem de uso comum. ♦♦ a competência do Congresso Nacional no campo Recursos oriundos de créditos de carbono podem ser das atividades nucleares.118 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL devendo para tanto implementar e estruturar políticas e sistemas de gestão que compatibilizem a construção Marcos jurídicos da e manutenção da infraestrutura – essencial para o gestão ambiental desenvolvimento econômico – com o poder de legislar sobre o controle da poluição e do uso e ocupação do solo. identificação de fontes de financiamento e níveis de Governo. Estados. reforçar a atração de investimentos privados. a Administração deve estar atenta competência comum à União. desenvolvido o conceito central do desenvolvimento sustentável. concedendo atribuição inédita recursos e consolidação de imagem local capaz de aos Estados e Municípios. 23. mais do que os chamados “benefícios ou incentivos ♦♦ a preservação ambiental como condicionante do fiscais”. e rurais adequados para o uso do solo. nesse sentido. Em suma. No estoques de carbono florestal. A Constituição de 1988 incluiu capítulo inteiramente dedicado à questão ambiental. . Distrito Federal a programas e eventos nacionais e internacionais que e Municípios. captados e utilizados em projetos de implantação ♦♦ a inclusão da função de promover a proteção de aterros sanitários para o Município ou em do meio ambiente entre as incumbências do consorciamento com seus vizinhos. a proteção ao meio ambiente e o combate à de florestas e ao aumento dos estoques de carbono poluição em todas as suas formas são definidos como florestal. além de outros A questão ambiental. ao manejo sustentável art. mas também como excelente oportunidade para melhoria ♦♦ a ação popular ambiental.

107/05) traduz novo marco para a gestão associada entre os A descentralização do licenciamento de atividades entes federativos. as Administrações Municipais mais bem organizadas tem. potencialmente causadores de impactos ambientais. consolidando. mas também esse instrumento para ampliar a consciência ambiental apoiando os Municípios na captação de recursos para e estimular as organizações não-governamentais a investimentos em saneamento básico. aprofunda e regulamenta essas A Lei Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9433/97) definições. Apoiados pelo Ministério Público passou a organizar. ao meio ambiente e a bens e direitos de valor artístico. vários comitês de bacias têm sido na prática. o licenciamento de atividades de impacto estritamente local e a promoção da participação comunitária. Dentre os nº 6. participarem da busca de soluções para os problemas ambientais locais. A Administração Municipal pode assim contar com a cobrar pelo uso dos recursos hídricos. passando a definir prioridades. em nível nacional.347/85. nas cidades Plano Nacional de Recursos Hídricos de 2005 e pela mais populosas. o enfrentamento de temas como a disponibilidade que disciplinou a ação civil pública por danos causados de água em quantidade e qualidade adequadas. o que resultou. incluindo ações entes da União nas ações relacionadas à conservação ou omissões do agente público. Nessa lei é criado o Sistema sobre gestão de patrimônio genético. a Lei Federal limites de autonomia entre os entes. buscando formas e escalas mais poluidoras ou potencialmente poluidoras tem sido sustentáveis para a gestão e prestação dos serviços alvo de debate entre os níveis de Governos federal.445/07). A Lei Nacional dos Consórcios Públicos (Lei nº 11. do Conselho Nacional de Meio Ambiente – Conama. estabelecendo Já antes da Constituição Federal de 1988. públicos. entre outros. de atividades de pequeno porte. apontando na mesma direção. MANUAL DO PREFEITO  | 119 A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9. as curadorias do meio ambiente. mantido até os dias atuais. Meio Ambiente. A Lei Nacional do Saneamento algumas iniciativas que incluem nesse campo decisório Básico (Lei nº 11. registrando-se recentemente custos para os usuários. no fortalecimento da atuação da sociedade institucionalizados. estético e histórico. aponta e induz a gestão destes por bacias hidrográficas.938/81 instituiu a Política Nacional de Meio elementos abordados encontram-se a jurisdição Ambiente. estimulando a formação de Comitês de Bacias para Importante destacar a edição da Lei Federal nº 7. elaboração de zoneamentos que contemplem para os órgãos ambientais municipais a fiscalização variáveis ambientais. que define florestal. importante referência . ambiental e controle da poluição. civil. na gestão associada. A partir de então. A Lei Complementar nº 140/11 fixa sanções penais e administrativas derivadas de condutas normas com vistas à cooperação entre os diferentes e atividades lesivas ao meio ambiente. ligada ao Ministério do cumprem a finalidade de protegê-lo. sobre o manejo Nacional de Meio Ambiente – Sisnama.605/1998) indica no setor ambiental. um sistema sobre licenciamento ambiental de empreendimentos de atuação institucional para a gestão ambiental. a recuperação de matas ciliares e o combate à paisagístico. que Agência Nacional de Águas. o disposição de esgotos sem tratamento. estratégia ambiental A Resolução nº 237. com garantias de continuidade e redução de estadual e municipal. através dos Conselhos A gestão associada como Municipais de Meio Ambiente e da educação ambiental. A lei fornece uma lista de instrumentos e ações de cooperação.

com composição paritária de representantes ser feita. como referência principal para a proteção fatores são essenciais para fornecer a base das iniciativas de vegetação nativa e outras providências relacionadas que privilegiem a formação de parcerias e possibilitem a à conservação ambiental. A inscrição no CAR deverá O Conselho.938/981. assim como os que dizem respeito à sua a proteção da vegetação nativa. é importante Sistema de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR). assumindo urbanas). na plataforma do sociedade civil e do setor produtivo. tendo a finalidade de integrar as sanções e.771/65. compondo base de dados para controle. O Decreto nº 7. principal canal rurais. o Código Florestal (Lei nº captação de recursos para o financiamento dessas ações.830/12 dispõe sobre o SiCAR. o Código revoga solo: a lei de parcelamento. de informações sobre as peculiaridades locais. e a Medida Provisória nº 2.754/89. indicar a criação do Conselho informações ambientais das propriedades e posses e do Fundo Municipal de Meio Ambiente. seguramente o maior problema urbano-ambiental A gestão ambiental dos Municípios brasileiros. ou parte seu âmbito estrutura composta de profissionais e de base deles. Além disso. ou outra auxiliar na definição dos planos. que dispõe sobre o Imposto sobre a locais – a Lei Orgânica Municipal.651/12 cria também o Cadastro Ambiental municipal. prever as infrações e suas respectivas os imóveis rurais. que instituía o Código Florestal código de posturas ou de fiscalização. principalmente.651/12). Por além de dar outras providências com incidência sobre a sua vez.120 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL para a gestão e prestação do saneamento básico.771/65 e nº 9. o código de obras e os anterior. 12. preferencialmente. é preciso que o Município incorpore a final de resíduos sólidos e manejo de águas pluviais dimensão ambiental nas políticas públicas. que visam à qualidade ambiental do Município.651/12 altera a Lei nº 6. o plano diretor e o código Propriedade Rural.393/96. Inclusive. que deverão conter as diretrizes e objetivos da política A Lei nº 12. programas e projetos compatível. a lei de uso e ocupação do solo. Cabe destacar aqueles que orientam as políticas a Lei nº 9. deve-se estar atento/a ao fato Os instrumentos legais de que o Município brasileiro hoje de que a Lei nº 12.428/06. proteção das florestas em nascentes de rios. Essa mesma lei aponta a municipal exigência de que os Municípios elaborem seus Planos Para que a descentralização preconizada pela de Saneamento Básico (incluindo o abastecimento Constituição e pela Política Nacional de Meio Ambiente de água.166-67/01. junto ao órgão ambiental dos vários setores da Administração Municipal. que estabelecia medidas de regulamentos para a prestação dos serviços públicos. o Fundo Municipal de Meio Ambiente cria as gestão ambiental e territorial municipal. planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento. monitoramento. 29). condições materiais necessárias à execução de ações . da municipal ou estadual (art. ao setor privado. cuja inscrição é obrigatória para todos controle ambiental. criando em para que promovam delegações dos serviços. o a Lei nº 4. manejo e disposição aconteça de fato. esgotamento sanitário. e a Lei 11. definir os instrumentos de proteção e Rural (CAR). da gestão participativa e de financiamento das ações. a Lei nº 7. criar seu plano ambiental e sua lei de meio ambiente. Esses dois Vale apontar. seja integralmente o papel que lhe é reservado. própria.393/96. o Município poderá também das Leis nº 4. que dispõe sobre tributário –. seja para ter acesso a recursos federais. especificamente no tradicional atribuição de controle do uso e ocupação do Bioma Mata Atlântica. que dispõe são suficientes para implantar política ambiental dispõe sobre a Política Nacional de Meio Ambiente. que alterava alguns artigos Além desses instrumentos.

baseado na participação. é outro exemplo. Tais demandas incluem. trocas de obrigações e termos de ajustes municipal requerem novas combinações de estratégias onde participam as agências de fomento e os setores políticas. também. o monitoramento e a fiscalização participação e no direito à cidade. se não demanda a transparência nos processos de tomada de decisão e de Entre os instrumentos para formulação de política prestação de contas dos recursos públicos aplicados. o ordenamento A aprovação do Estatuto da Cidade. entre outros. Complementarmente. do Governo e da sociedade civil. necessárias e. com foco na fundiário e territorial. sociais e econômicas. o licenciamento dos problemas e se a sociedade não estiver mobilizada ambiental de atividades de impacto local. se processo de planejamento que considere as especificidades de cada lugar. e os relacionados ao fomento a boas práticas bem como na eleição de políticas e ações eficazes. o monitoramento e fiscalização envolvimento dos interessados diretamente na solução da cobertura vegetal e de seu manejo. o fomento a atividades produtivas consciência da população quanto aos problemas sustentáveis. abrangendo. Entretanto. com potenciais ambiente. principalmente. da malha estratégia de gestão e de plano de ação para o meio construída urbana. que está vinculada à eficiência Para levar a cabo essa tarefa. a criação de e de qualidade de vida melhorem se não houver unidades de conservação. ambientais urbanos. Alguns desses instrumentos são de sustentável para além da franja urbana. a criação e para a discussão dos parâmetros e das soluções implementação de conselhos e fundos. como antes . Representa também o reforço à legislação ambiental vigente desde 1988. cunho especificamente urbano. como a questão da mobilidade urbana. destaca-se. de planejamento territorial. além de fornecer base jurídica para a ação urbana integrada com Instrumentos e iniciativas os princípios constitucionais de preservação do meio para a gestão ambiental ambiente. CAR. a maior parte dos instrumentos é relevante Além disso. como o possibilidades de gestão associada entre os Municípios. soma-se à crescente desmatamento. capazes privado. sobre os seus espaços rurais. Não existem receitas prontas. entre outros. a Lei Complementar nº 140/11 e o Diversos instrumentos podem ser citados como Código Florestal apresentam princípios e normas que referência para ações relacionados ao desenvolvimento direcionam as ações de gestão ambiental do Município de uma gestão ambiental municipal de qualidade. MANUAL DO PREFEITO  | 121 e à captação de recursos financeiros de fontes de Sintetizando. é altamente relevante que se considere tanto para as áreas urbanas quanto rurais. sonora e visual. resgatando a ambiental. a Política Nacional de Meio Ambiente. especialmente sobre a poluição e o importância do plano diretor. que contemple tanto as demandas rurais quanto medidas e propostas orientadas ao desenvolvimento urbanas. Por outro lado. ecológicas. agrossilvopastoris – com exceção da agricultura urbana. ou densificação. O como um dos primeiros passos a formulação de planejamento da expansão. de abarcar as demandas das áreas urbanas e rurais. É possível que é pouco provável que as condições ambientais citar exemplos: o zoneamento ambiental. os novos marcos da gestão ambiental financiamento. o Município deve assumir energética e à poluição atmosférica. há instrumentos que incidem na formação de parcerias comprometidas e nas especificamente sobre o espaço rural. Recomenda- reflexos diretos sobre a degradação de ecossistemas.

122 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL

indicado, o plano diretor como viabilizador da integração Município ou setores de atuação, permitindo explicitar
entre as políticas públicas e o espaço físico, numa prioridades e combater a exclusão. A gestão participativa,
perspectiva socioambiental. A questão ambiental deverá além de propiciar o aporte de recursos técnicos,
ser contemplada buscando-se explorar potencialidades institucionais e financeiros dos demais setores (privado,
e incentivos e não apenas de forma a restringir e coibir as ONGs, comunitário), amplia a responsabilidade de toda
ações sobre os recursos naturais sempre que for cabível. a sociedade. Além disso, como já indicado, a criação dos
conselhos municipais de meio ambiente é condição sine
Ao formular as políticas de ocupação do território e
qua non para que estes recebam atribuições na questão
ambientais, os gestores municipais deverão incluir no
do licenciamento ambiental.
orçamento e na contabilidade dos programas e projetos
os seus custos ambientais e sociais. A abertura a novas soluções para a experimentação,
por intermédio da adoção de novas formas de gestão,
A necessária reorientação das políticas de
de tecnologias, de materiais e equipamentos, deve ser
desenvolvimento demanda a reestruturação
praticada, sempre buscando se adequar e respeitar as
significativa dos sistemas de gestão nos vários níveis e
características e oportunidades regionais e locais.
setores, de modo a permitir a integração e articulação
intergovernamental e intersetorial, viabilizando, assim, Para interagir com os atores sociais, a Administração
a implementação de planejamento e programas deve estar articulada com os cidadãos e suas
conjuntos, maximizando as oportunidades para organizações, ampliando seu comprometimento com
gestão associada que garantam a sustentabilidade dos questões pertinentes à proteção ambiental. Nessa
sistemas, programas e ações. perspectiva incluem-se ações relativas ao fornecimento
de informações, ao debate público e a atividades
À medida que os Municípios se desenvolvem, a
educativas. Os mecanismos de comunicação são de
capacidade dos Governos locais para incorporar as
fundamental importância, pois a comunicação é
questões ambientais deve crescer proporcionalmente. O
elemento motivador, de engajamento, de cooperação,
aperfeiçoamento da capacidade operativa e gerencial e
do estabelecimento de metas e de transparência.
das principais áreas de atuação municipal – uso do solo,
Desse modo, entre os instrumentos de mobilização,
saneamento, mobilidade, habitação, obras, finanças,
conscientização e comunicação estão os programas de
combate à pobreza – deve ser prioridade. Arranjos e
mobilização e de educação ambiental, as campanhas
acordos com institutos de pesquisa, universidades e
de informação e educativas e, até mesmo, o marketing
outros parceiros podem ajudar a melhorar as respostas
ambiental.
do Município.
Para enfrentar os problemas existentes no meio
Os atores públicos e privados envolvidos com a gestão
ambiente, deve-se lançar mão de estratégias e planos
ambiental devem reforçar a sua capacidade de coletar,
de gestão que ajudem a focalizar as intervenções
avaliar e utilizar, de forma sistemática e rotineira, os
essenciais, ou seja, aquelas que podem ser rapidamente
dados sociais, econômicos e ambientais necessários
colocadas em prática, com maiores probabilidades de
ao planejamento e ao monitoramento da situação
êxito, que lancem as bases para resolver ou prevenir
ambiental. O processo de descentralização também
problemas e que promovam o fortalecimento da
deve acontecer em nível local de modo a facilitar
capacidade institucional. Nesse cenário, alguns
a transparência da gestão financeira por áreas do

MANUAL DO PREFEITO  | 123

Municípios já avançam na iniciativa de elaborar
seus Planos de Adaptação às Mudanças Climáticas,
identificando os principais fatores de emissão de gases
geradores de efeito estufa bem como os principais
efeitos das mudanças climáticas que poderão incidir
em seus territórios, ocasionando riscos à população e às
atividades produtivas. Nessa perspectiva, um conjunto
de ações e estratégias poderá ser arrolado, instituindo
marco referencial para os instrumentos de gestão
territorial.
Vide, a propósito, os capítulos sobre Desenvolvimento
Urbano, Desenvolvimento Social e Desenvolvimento
Econômico.

124 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL

3 O Município e a gestão
democrática*
Introdução municipais pode ser interpretada, sob essa ótica, como
facilitador das suas ações em favor da democratização
A governança do Município é fator de mobilização e do fortalecimento da cidadania. Experiências
cidadã, até mesmo pelas opções que são apresentadas exitosas, algumas delas premiadas nacional e
ao cidadão quando das eleições. internacionalmente, de governos municipais na
área de desenvolvimento econômico local, inclusão
O exercício da gestão democrática, através da
social e outras, se tornam cada vez mais frequentes e
participação cidadã, ainda não é prática que prevalece
incentivam outros Municípios a adotarem políticas e
na esfera dos Governos municipais. A cultura política
programas similares.
que atravessa a história republicana não privilegia
esse tipo de gestão e dá o tom das articulações que se Segundo aspecto a considerar é que essa capacidade é
desenvolvem entre o Estado e a sociedade. potencializada quando se fortalecem os mecanismos
de cooperação federativa, via programas, projetos e
Do ponto de vista da tendência registrada nos
ações desenvolvidos conjuntamente pelos Governos
últimos anos, no entanto, é forçoso reconhecer que o
municipais sob a forma de consórcios, ou de ações
comprometimento das estruturas governamentais com
que explicitam as responsabilidades dos Municípios,
os valores e as práticas da democracia pela promoção da
Estados e União na consecução de objetivos comuns.
cidadania vem se ampliando e se consolidando.
Cite-se, ainda, um terceiro elemento. Os convênios
Abordar a promoção da democracia e da cidadania
entre a União e os Governos municipais abrangem,
no Governo municipal é, necessariamente, tratar de
hoje, vasto campo de atuação, particularmente nas
valores que fundamentam e promovem a igualdade.
áreas de educação, inclusão social, agricultura familiar,
E qual é a efetiva capacidade do Município brasileiro
desenvolvimento econômico local e outras. Embora
para promover a democracia e a cidadania?
seja expressivo o número de convênios celebrados
O fortalecimento institucional dos Municípios na entre a Administração Pública federal e os Governos
Federação brasileira cria condições favoráveis para municipais, muitas oportunidades podem ser melhor
tal. A ampliação do campo de atuação dos Governos aproveitadas.

* Revista e atualizada por Marcos Flávio R. Gonçalves, advogado e consultor do IBAM.

MANUAL DO PREFEITO  | 125

É nessa linha de análise que se deve compreender os Fortaleça vínculos entre a
comentários do Prof. Lordello de Mello em seu livro
O Município na organização nacional, onde observa que, Prefeitura e movimentos
além da capacidade de fazer, a promoção da democracia da sociedade local que se
e da cidadania requer ações “bem-feitas”, ou eficazes. E
a eficácia é avaliada pelo viés da gestão. A participação identifiquem com as marcas
dos Municípios nessa área exige o cumprimento de do Governo
metas e a determinação e atendimento de padrões na
prestação de serviços públicos. Conheça os movimentos já existentes em seu Município
que representam interesses sociais contemplados
O fortalecimento do Município na organização
nas prioridades de seu Governo na promoção da
nacional e sua participação eficaz na promoção da
democracia e da cidadania e abra-lhes canais de
democracia e da cidadania está vinculado a padrões
comunicação, visando fomentar a cooperação nas
de qualidade dos serviços prestados pelos Governos
ações governamentais.
locais, necessariamente vinculados à capacidade de
gestão. Esse compromisso dos Governos municipais Estabeleça vínculos com
com a democracia e a cidadania ratifica a relevância da
atuação das instâncias governamentais, nem sempre Municípios da microrregião
devidamente reconhecida. ou da região em que está seu
Seguem algumas sugestões para a atuação efetiva dos Município
Governos municipais na promoção da democracia e da
cidadania, sob a égide da igualdade: Algumas ações de promoção da democracia e da
cidadania têm mais chance de bons resultados se
Determine marcas com as puderem ser desenvolvidas na microrregião ou região
em que está seu Município. Consórcios intermunicipais
quais o Governo municipal e outras formas de cooperação podem ser instrumentos
será identificado na área da eficazes no desenvolvimento das ações de Governo.
democracia e da cidadania Conheça e dê atenção
(igualdade) aos programas federais e
De que modo gostaria que a população identificasse
o seu Governo, na área da igualdade, ao final do seu
estaduais que incentivam
mandato? Essa identificação ou essas identificações a formação de conselhos
serão as marcas do seu Governo – por exemplo, saúde
para todos. Após a determinação das marcas, priorize
municipais
regiões e identifique, em linhas gerais, as ações que Diversos programas federais e estaduais estão
serão desenvolvidas. direcionados para a promoção da democracia e da
cidadania e incentivam a constituição de conselhos

126 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL

municipais, prestando orientação quanto à forma Faça parte de redes
de sua organização e atuação. Esse apoio técnico e
financeiro pode favorecer as ações de seu Governo, se institucionais de melhores
devidamente adaptado às condições locais e integrado práticas e de inovação
às demais ações governamentais.
Também pode ser relevante a participação de
Conheça e dissemine seu Município em redes regionais, nacionais e
internacionais de melhores práticas. A participação
experiências bem-sucedidas permitirá que seja informado sobre boas práticas e
de outros Governos inovações na Administração Pública Municipal, bem
municipais na promoção da como participar de debates de esclarecimento sobre as
condições de desenvolvimento das ações.
democracia e da cidadania Os textos que compõem esta seção do Manual do Prefeito
Diversas entidades promovem e participam de abordam temas específicos do comprometimento
premiações de iniciativas municipais nessa área. do Governo municipal na promoção da democracia
Tomar conhecimento dessas experiências e divulgá- e da cidadania. O primeiro deles trata das formas de
las para as pessoas que o estarão assessorando pode participação popular; gestão de serviços é o outro tema.
ajudar na reflexão sobre as ações que podem vir a ser
desenvolvidas em seu Município. O IBAM, por exemplo,
tem um Centro de Referência de Melhores Práticas
que registra tais experiências e faz estudos de caso de
algumas delas.

de fato. as reivindicações de tema eminentemente político. No construção de instituições participativas e. tem sido das mais e incorporado como parte indispensável da gestão de importantes transformações nas formas de gerir vários setores da Administração Pública. fazendo com o Estado no Brasil. MANUAL DO PREFEITO  | 127 Capítulo 1 Participação popular no Governo Municipal* Os sentidos da orçamentos participativos. A operacionalização públicas. em muitos entanto. e mesmo o direito de * Revisto e atualizado por João Lagüèns. Esse conjunto de modalidades participativas de participação popular” nos governos. conferências nacionais sobre diversas temáticas. Dos manuais das agências que alguns teóricos sugiram que se fale em “democracia internacionais de financiamento aos discursos dos participativa” como uma forma de governo. normatizado e gestão de políticas públicas. especialmente nos discursos de palanque. a “incorporação Mesmo sendo amplamente aplicada e de grande da participação popular” se tornou uma referência importância. serviu de exemplo para outros países. sejam setoriais ou de programas específicos. a ideia de “participação popular” está constante. a incorporação de “instrumentos projetos. antropólogo e assessor técnico do IBAM. de muitas políticas setoriais. construindo instâncias e instituições que fazem hoje mas na implementação das políticas e no dia a dia dos parte da própria organização do Estado e do sistema de governos municipais é comum encontrar “processos governo do país. ignorar os espaços e processos de participação casos. . a intenção é muito mais O Brasil foi um dos países que mais avançaram na de controlar do que de realmente ouvir a população. participativos” onde. participação popular além de oportunidades em que a população é chamada a opinar ou participar de decisões. Formal e publicamente é setores organizados da sociedade por maior controle raro encontrar quem se declare contra a participação da sobre os serviços públicos e as ações do Estado foram população. Há hoje popular já instituídos ou mecanismos previstos na espaços institucionalizados para a participação direta legislação pode ter consequências mais sérias do que da população. fóruns locais e regionais. movimentos sociais mais combativos. Surgindo na esteira do processo de longe de ser um consenso – nada mais natural. como na realização de planos diretores ou implementação de grandes Nas últimas décadas. já que é redemocratização do país. como os conselhos gestores de políticas uma promessa não cumprida. na formulação foi progressivamente institucionalizado.

e o objetivo do sistema de licenciamento e multas ambientais (expedidas pelo político é justamente garantir um mecanismo que próprio Município). busca de políticas públicas. Classicamente há dois modelos O objetivo deste capítulo é oferecer um panorama para organização do sistema político democrático: sobre as formas de participação popular existentes a democracia direta e a democracia representativa. combinar representantes da Administração Municipal O princípio de que as ações do Estado devem e da população. elegendo representantes para exercer. Praticamente todos os governos democráticos designar os mecanismos que incorporam a participação se baseiam no modelo de democracia representativa direta da população na implementação ou formulação que. os representantes eleitos para dos mecanismos de representação precisa ser os cargos legislativos e executivos procuram garantir . democracia direta ao sistema representativo existente. por efetivamente democrática. através da representação e –. por delegados eleitos Democracia e para funções e mandatos bastante específicos. que estão sendo é o que ocorre. em alguns casos. a sua forma de implementação através política. É claro que a população “participa” seu nome. e como elas se relacionam com a Administração e o Na democracia direta as decisões de governo e a Governo Municipal. depende das complementada por outras formas de expressão da instituições participativas existentes. que. por meio de eleições livres e periódicas. que incorporou mecanismos mais próximos da Tal processo parte de uma crítica teórica e política do democracia direta através dos instrumentos de funcionamento real do sistema democrático. hoje no Brasil: há sistema adotados instrumentos que incorporam o processo de organizado basicamente em termos representativos. mas. Usa-se o termo para direta. é o princípio a ser buscado. formando o que alguns teóricos Brasil como em outros países. Hoje em dia. se configuram como instância ser orientadas pela vontade da população é o legítima para julgar recursos em relação a processos fundamento da democracia. na definição de prioridades de garantir a expressão das diferentes visões presentes na ação do governo ou no controle da atuação estatal de sociedade. faça isso possível. elas popular é que esta está sendo ampliada para além podem ser combinadas e se complementarem. ou seja. Isso do processo eleitoral. tanto no participação popular. as funções de governo. formulação das leis são definidas diretamente pelos cidadãos ou. chamam de democracia deliberativa ou participativa. Por um lado. em um modo geral. não se opõem uma à outra.128 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL atuação do Município em certos casos. mecanismos mais interessantes de representação na prática. mas o que está implícito ao falar em participação da delegação de poder. Basicamente a ideia levantada é que a democracia Essa combinação das duas formas permite construir que se tem é boa. Bom exemplo são vontade popular para que tenhamos uma sociedade os Conselhos Municipais de Meio Ambiente. com a extensão e complexidade das funções participação popular do Estado. do processo político quando elege os governantes Essas duas formas de estabelecer o direito de decidir e – isso faz parte da própria definição de democracia agir em nome da sociedade. é muito difícil a organização de sistema Em primeiro lugar é preciso deixar claro o que se de governo baseado exclusivamente na democracia entende por participação popular. na prática.

na prática. A votação é universal termos desta Constituição”. XII). XIII). 1° sublinha a possibilidade de Nacional de Participação Social estabelecendo como exercício direto do poder pela população ao afirmar instâncias de participação popular: 1) conselho de que “Todo o poder emana do povo. nos tempo do processo democrático. políticas. Seria impossível A ampliação dos espaços de participação popular a detalhá-los no âmbito deste texto. os representantes da população em diversos mecanismos. em alguém que conhece ou confia. de 21/5/2014. sobre três conselhos gestores e orçamentos participativos. que embora provoque poucas alterações pleiteando a criação de espaços de controle social sobre nos dispositivos de participação popular existentes. e à cooperação das associações representativas no planejamento municipal (art. o mandado de segurança e sinta contemplado por um representante em todos os o mandado de injunção. Outras formas de participação pelo Estado têm grande complexidade e demandam popular. de modo geral. incluindo.243. Texto Constitucional e as políticas públicas setoriais. 3) . que logo no art. ainda. Além dessa previsão geral. pelo menos. como os A Constituição Federal dispõe. Esse é claramente o caso da maior parte das instituições participativas hoje existentes. 29. mas não Vários instrumentos jurídicos que regulamentam o concorda integralmente. sistematiza e tipifica os diferentes instrumentos de Esse movimento foi incorporado à Constituição de participação popular. 2) comissão de políticas públicas. todos disciplinados no art. foi fruto da mera reflexão teórica. para dar apenas dois exemplos. é preciso reconhecer que extensivos aos Municípios. e os votos de todos os cidadãos têm o mesmo valor. representantes dos grupos diretamente envolvidos em mediante manifestação de. Outro institutos jurídicos que podem ser acionados pela aspecto a considerar é que cada indivíduo ou cidadão população para fazer valer seus direitos junto ao Poder tem diversas dimensões e é difícil imaginar que ele se Público: a ação popular. Se os argumentos levantados até aqui sugerem a como o Estatuto da Cidade (Lei nº 10. vota em candidato 5º. Por outro lado. eleitorado (art. dizem respeito muitas vezes a constituição de espaços específicos para à iniciativa popular de projetos de leis de interesse o seu debate. o plebiscito e o referendo a sociedade e as questões que devem ser enfrentadas (art. incisos I e II). de participação popular nessas áreas. partir dos anos 1990 no Brasil se deve principalmente Outra referência jurídica importante a respeito é o à atuação de movimentos populares que. aspectos. mas de tentativas estabelecem mecanismos e dispositivos obrigatórios de equacionar. o exercício da democracia. da cidade ou dos bairros.435/2011). é preciso reconhecer que a sua instituição não (Lei nº 12. envolvendo conhecimentos específicos e específico do Município. MANUAL DO PREFEITO  | 129 os princípios da universalidade e a continuidade no meio de representantes eleitos ou diretamente. ou mesmo antes disso. vinham República. que o exerce por políticas públicas. 5% do uma questão. A pessoa. da Presidência da meados dos anos 1980.257/2001) ou a coerência lógica dos instrumentos de participação regulamentação do Sistema Único de Assistência Social popular. como instrumentos de soberania popular interesse geral. a Constituição abre espaços para a participação direta Durante o período do seu mandato. que dispõe sobre direitos e deveres individuais e com o qual concorda com a maior parte das posições coletivos fundamentais. as políticas públicas. desde Decreto nº 8. 14. por devem decidir e agir sobre os assuntos buscando o exemplo. previstas constitucionalmente. O decreto institui a Política 1988. 29.

os conselhos foram incorporados a partir dos movimentos ligados a políticas setoriais. Combinando a pressão dos que estabeleceram novas formas de relação com movimentos. partir da década de 1980. hospitais). para isso. condições mínimas para a composição profissionais e militantes da área nas propostas levadas e funcionamento de cada uma dessas instâncias. de propor mecanismos mesa de diálogo. o fato da existência de conselho os movimentos viam-se impossibilitados de avaliar a ativo ser condição para o repasse de recursos em alguns . a trajetória de vários movimentos na participação social. no Estatuto da Criança e do Adolescente. mas sim por melhores serviços e pela na legislação estabelecida a seguir. tipicamente. na Lei orgânica da Assistência viram-se frente a impasse na sua relação com os Social. sem. que têm recursos e dos serviços atribuídos aos Municípios trajetórias semelhantes nesse aspecto. 5) veracidade dessas afirmações. por exemplo. para Os espaços de formulação e experimentação de boa compreender o funcionamento das IPs. fazem com que conselhos sejam implantados solução dependia de outro ente. sem dúvida. Assim. Essa formulação parte. hoje implementada no país. controlar a Políticas execução dos serviços e políticas públicas. em fóruns organizados por bairro ou regiões da cidade. 6) fórum interconselhos. Originalmente nos campos da saúde e da assistência social. Contribuiu recursos. Essa pública. a formulação dos sobre a ação estatal. 7) audiência ou de contribuir para a solução dos problemas. no entanto. como instrumento de fiscalização do repasse de especialmente as de saúde e habitação. implementação do SUS. Eles foram implementados como instrumentos de controle social Como mencionado anteriormente. 8) consulta pública e 9) ambiente virtual de foi. bem como um pouco da história de de saúde e gestores de serviços. ou por qualquer outro motivo. experiências bem-sucedidas em nível governos locais nos anos 1980. A sua as reivindicações desses movimentos não eram por previsão constitucional e a definição de atribuições controle social. é importante parte dessas propostas foram os conselhos municipais conhecê-lo. ou porque a Cidade. ou porque não havia em quase todos os Municípios brasileiros. propriamente. organizados junto a constituição dessas instituições. Nesta situação. estabelecendo forte relação conselhos gestores vem da experiência e reivindicações com o processo de descentralização administrativa a dos movimentos populares ligados a políticas setoriais. de uma experiência concreta. Os governos afirmavam que não tinham Sistema Nacional de Meio ambiente e no Estatuto da condições de prestar melhores serviços. Algumas das mais unidades de atenção básica (como postos de saúde e importantes serão abordadas no próximo item. local e o movimento de descentralização promovido Essas reivindicações foram formuladas principalmente em nível federal. alterar o funcionamento das instituições origem à estrutura do SUS. na garantia de direitos. 4) ouvidoria pública federal. é estabelecida a Conselhos Gestores de primeira função desempenhada pelos conselhos: regular.130 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL conferência nacional. muito próxima à população Principais Formas de beneficiária do serviço. portanto. A legislação estabelece ainda as área da saúde e essa experiência foi incorporada por características. fiscalizar e. Participação Popular Com base nessa experiência. participativas (IPs) previamente existentes. no governos locais. pelo movimento pela reforma sanitária – que deu no entanto. Ao longo do tempo.

aqueles que têm maior disponibilidade serviços públicos. embora devam ser considerados entre membros da sociedade civil e do governo. (executivas. sendo a regra mais frequente a composição paritária Vale dizer que. há várias dos conselhos de saúde. MANUAL DO PREFEITO  | 131 programas ou políticas. a legislação normalmente (como os da Mulher. como é o caso da merenda de Programas (específicos) e Conselhos Temáticos escolar. Essa deve estabelecer as atribuições do não têm representatividade. Muitas vezes temas Devem ser previstas a natureza do conselho (se semelhantes estão sendo tratados em dois conselhos deliberativo ou consultivo) e as suas funções diferentes sem que eles somem esforços – por exemplo. Com nos da criança e do adolescente e de assistência social. Cada setor tem uma definição proliferação de conselhos existente. em que usuários do sistema. Tais fundos têm sua criação e a origem conselhos funcionários com pouco comprometimento dos recursos que os compõem previstas em lei e estão com o tema ou capacidade de decisão. Num mesmo Os conselhos não precisam restringir sua atuação à conselho. atuando no aconselhamento desses acabam tornando-se “conselheiros profissionais” poderes. como ao Legislativo medidas para a melhoria dos Com isso. Por outro lado. frequentando vários conselhos e tendo pouco tempo ou interesse em discutir ou trocar informação com De um modo geral. dificuldades comumente encontradas na atuação dos representantes de profissionais e governo têm o mesmo conselhos. pode-se classificar três tipos de Na maior parte das vezes as articulações são feitas de conselhos: Conselhos de Políticas (setoriais). mesmo se razoavelmente do conselho. relação ao seu papel. Conselhos . que têm que atribuída aos conselhos envolve. Humanos etc. como no caso proliferação e consolidação em todo o país. Não é raro que as administrações considerem número de representantes.). de políticas Raciais. Outra dificuldade comumente encontrada é a falta de articulação entre os conselhos. manter participação representativa específica dos conselhos e cabe a eles deliberar a em todos os conselhos. o organização dos conselhos é que muitas vezes é exigido conselho pode – e deve – propor tanto ao Executivo que as pessoas dediquem muito tempo às reuniões. Nos demais assuntos relativos ao tema. A função de fiscalização os conselhos como “um mal necessário”. às vezes também é própria das atribuições. conselho e as condições para a sua implementação (composição e funcionamento). muitas vezes. representantes do governo têm muito mais fiscalização das políticas. dada a sua possível também a composição tripartite. Nesses casos. de Direitos estabelece parâmetros para a composição do conselho. como é o caso da é comum perceber grande disparidade de condições assistência social ou da habitação de interesse social. Há questões que são de competência bem organizada. composição e forma de atuação difícil para a sociedade civil. também respeitar por determinação legal ou para ter acesso ao a fiscalização da aplicação de Fundos Especiais a eles repasse de recursos. e enviem para a participação nos vinculados. Problema a ser resolvido para a respeito. direcionados a políticas específicas. podendo também assumir facilidade de acesso à informação e tempo disponível papel consultivo ou mesmo deliberativo nas questões do que os representantes da sociedade civil. para a atuação entre os conselheiros. É experiência muito bem-sucedida. consultivas e/ou fiscalizadoras). os conselhos municipais devem ser outros. Com a a eles relacionadas. Daí vêm as críticas comuns afirmando que as instituídos por lei municipal (que é de iniciativa própria pessoas que participam são sempre as mesmas e que do Prefeito).

em cada que esta tratará dos novos investimentos. decisões que. Nesses casos. funcionam como espaços privilegiados para dialogar Orçamento Participativo com a população dos bairros ou regiões. a se à definição. seu favor. constituindo verdadeiro arquivo encontro importantes. Assim. no orçamento participativo. Os fóruns do OP estruturam-se como da atuação dos conselhos na consolidação das instâncias. os orçamentos participativos se multiplicaram ter sobre a sociedade tem muito a ver com o caráter – inclusive em diversos países europeus – passando a infundido pelo próprio governo. (Pode conselhos. geral pelas Prefeituras). ou que em uma delas. como saúde. os municipal formado por representantes de cada um conselhos são importantes instrumentos para garantir dos fóruns regionais e temáticos. Há inúmeros casos ser considerados como uma das melhores práticas de onde as possibilidades reais da população influenciar gestão urbana pelo Habitat (ONU). “acesso ao Prefeito” e conseguem fazer prevalecer. Para a Administração Municipal sobre a sua temática de atuação. A população que participa concessão ou favor e o fórum pode ser usado para do processo deve tomar duas decisões. ou estabelecer normalmente é dado o nome de regiões e. a tem a possibilidade de decidir onde e como será alocada participação da população é tratada como se fosse parte de seus investimentos. de prioridades para investimentos. Apesar das dificuldades. dentro do limite dos recursos disponíveis. haver também fóruns temáticos dedicados a setores específicos de atuação do Estado. que definirão a legitimar decisões que de fato foram tomadas apenas forma de distribuição dos investimentos: 1) quais setores pelo Prefeito e sua equipe. . Pode-se definir percentual do orçamento sobre cidade em unidades espaciais menores. que se articulam através de um fórum políticas públicas no país. entre a sociedade e o Estado. é uma das experiências de participação popular tornam-se importantes espaços de articulação política implementadas no Brasil. Em muitos Municípios. formas de organização social e para maior diálogo assim como de acesso ao Estado. é melhor delimitar claramente quais serão as decisões tomadas Esse é um mecanismo bastante objetivo: divide a pelo OP. quais ações serão promover os agentes que se apresentam como tendo levadas a cabo com os recursos disponíveis. é indiscutível a importância transporte etc. Para a sociedade civil. Por isso. deveriam ser direito da população. colher sugestões e conseguir apoio para implementação O Orçamento Participativo (de agora em diante OP) de diversas políticas públicas. Desde meados dos anos O impacto político que a experiência do OP pode 1990. Assim. chega. às quais o qual a decisão popular será soberana. responsável por cada fórum regional serão atendidas as três primeiras definir quais são as obras e serviços que devem ser demandas – há muitas formas possíveis. o instrumento acaba de atuação do Estado serão priorizados nos investimentos sendo usado para a manipulação da população e para feitos naquele ano e 2) em cada local.132 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL maneira informal por pessoas que participam dos dois atendidos prioritariamente naquela região. abrindo espaço para outras e de construção de alianças entre os movimentos. nas ações do governo municipal são muito restritas e O OP é mecanismo adotado pelo Estado (de um modo o governo apenas “consulta” os fóruns e. os fóruns a continuidade das políticas (especialmente nas do orçamento participativo se tornam espaços de mudanças de gestão). Na prática. institui-se um fórum.). através do qual a população toma a decisão por conta própria. cultura. na realidade.

os instrumentos de planejamento amplos. para a promoção da política importante que o processo de elaboração do plano urbana. MANUAL DO PREFEITO  | 133 Outro elemento importante é a transparência ou Também é importante que sejam abertos diferentes accountability proporcionada pelo OP. para que esses tenham condições de se fiscalização da sua aplicação. combinando eventos mais da população. à formulação Os Planos Diretores devem prever instrumentos dos padrões de uso e ocupação do solo e também de gestão do plano envolvendo a participação da no monitoramento da aplicação do Plano. precisam ser traduzidos em obras e ações inclusive nos debates técnicos. periodicidade regular. A produção de materiais de divulgação dos Mecanismo frequentemente utilizado que pode eventos e de esclarecimento dos assuntos que estão contribuir para o acompanhamento da política sendo tratados contribui para ampliar a compreensão urbana é a realização de “Conferências da Cidade” com da sociedade sobre os temas em questão. acompanhar a aplicação do Plano Diretor.). sua natureza. familiarizar com os conceitos técnicos e participar das discussões. como as audiências públicas. Estas podem ser integradas ao . por exemplo. é importante que seja garantida a participação O Conselho Nacional das Cidades tem algumas dos atores ligados às questões urbanas no conselho resoluções que oferecem parâmetros para o processo ou nas conferências e também que seja buscada a de participação. Prevê população. É importante que esse processo social não seja perdido com a conclusão do plano e que o Diretores estímulo à participação popular seja incorporado como instrumento para garantir a continuidade das O Estatuto da Cidade prevê que haja a participação da políticas planejadas e o controle social sobre a sua população em todas as fases de elaboração do Plano implementação. Com participação espaços para a participação. com a função de acompanhar se a política também a obrigatoriedade de realização de audiências urbana prevista está sendo implementada. Nesses casos é papel do Conselho a participantes. Diretor. o se dar mediante criação de Conselho Municipal de Estatuto não estabelece como deve ser a participação Desenvolvimento Urbano ou Conselho da Cidade ou (composição dos fóruns. ou seja. É Desenvolvimento Urbano. Participação da População traz à tona discussões de fundo sobre o futuro da no Planejamento Urbano e cidade e movimenta os mais diversos segmentos na Elaboração dos Planos sociais. O de tornar públicas as informações relativas ao Plano. Define. com reuniões orçamentário – principalmente a Lei Orçamentária regionais e temáticas para levantar as necessidades Anual – LOA –. a obrigatoriedade representatividade de todas as regiões da cidade. especialmente para ações nas áreas de especial inclua momentos voltados para a formação dos interesse social. que normalmente são estruturados em e garantir a participação de diferentes segmentos. Nesses casos. Plano pode prever a criação de Fundo Municipal de bem como divulgar o calendário de reuniões. No entanto. De modo geral. o processo de elaboração do Plano Diretor gera grande mobilização no Município. que podem ser fiscalizadas pela população. na discussão que leva à elaboração das diretrizes de desenvolvimento. concretas. Isso pode públicas no seu processo de elaboração. programas. se consultiva ou da atribuição a conselho já existente da função de deliberativa etc.

essas conferências sempre Nacionais das Cidades (que são tratadas no próximo representaram importantes espaços de articulação tópico). a participação as Mulheres e da Promoção da Igualdade Racial. dos Direitos Humanos. por exemplo. Para os Municípios. dos Direitos organizadas a partir do governo federal. de Assistência Social. como no procedimento de oficial de participação popular e institucionalizada com implementação do SUS e da Lei Orgânica de Assistência o Decreto nº 8. as conferências são organizadas em estrutura piramidal na qual as assembleias Programas de Abrangência municipais discutem os temas e enviam delegados Regional para as conferências estaduais e estas para o fórum nacional. mantendo processos tenham a mesma combatividade dos movimentos. Há de seus representantes nesses processos pode trazer ainda aquelas relacionadas a temas específicos como também ganho na qualificação da sua atuação política. entre pessoas e organizações e tiveram importante papel na definição de diretrizes de ação estatal e Conferências Nacionais. as conferências tornaram-se espaços centrais – que já era característica de vários movimentos sociais para a formulação das diretrizes das políticas setoriais e setores organizados como. exigem a processo tem longa história de institucionalização. como definir estratégias de atuação. Fóruns de Tipicamente convocadas com agenda predefinida Desenvolvimento e pelos organizadores. históricos de organização dos grupos ligados a essas por serem convocados ‘de cima para baixo’. da pouco espaço. A prática de estabelecer as diretrizes das políticas Com a consolidação dos movimentos em torno dos setoriais a partir do processo de Conferências Nacionais temas. os ligados à a elas ligadas e. Nos casos em que esse indústrias de grande porte ou impacto. O processo mais recente de institucionalização Conferências Nacionais de Saúde. vêm se temáticas. foram realizadas as Social. ‘Participação’ não Convocada Originalmente. as de Educação Básica. Assim. Consórcios. a realização de conferências era pelo Estado estratégia utilizada por vários movimentos sociais para dar visibilidade a suas bandeiras e às questões por eles A legislação ambiental e os processos específicos para colocadas. Embora não da Criança e do Adolescente. realização de consultas públicas durante o processo de como no da saúde. em alguns casos. dos Direitos das Pessoas com Deficiência. como as Conferências Nacionais das movimentos em temáticas que tinham relativamente Cidades.243/2014. desse mecanismo ampliou o seu impacto nas políticas de Educação. promover a discussão com a sociedade e a implantação de grandes empreendimentos. constituição dos padrões de atuação dos serviços. de Segurança Pública e da Juventude. Novos processos foram criados relacionados mostrando importantes instâncias para a definição a temáticas emergentes ou que ganharam maior de políticas e para o fortalecimento e articulação dos destaque. seus resultados foram saúde e à assistência social – foi incorporada como forma incorporados à legislação. Se por um lado esses espaços não estão . do Meio Ambiente. como foi o caso da Conferência pela Segurança Alimentar e Nutricional. de Políticas para Igualdade Racial. cuja primeira Conferência Nacional licenciamento. de Economia Solidária.134 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL calendário nacional de realização das Conferências foi realizada em 1941.

De de cultura de participação ou de capacidade de fato tais espaços são muito heterogêneos. Essa qualidade existente na sociedade é o que reunida. definição da representação previamente definido. a existência de fóruns prévios de interessados no empreendimento. a existência de licenciamento. Nesses casos. MANUAL DO PREFEITO  | 135 diretamente associados à participação da população benefícios significativos para a população como. É a partir o objetivo de mitigar seu impacto ou sob a forma de das experiências prévias de negociação. . não estão organização da sociedade civil torna-se importante plenamente regulamentados. Assim. podem por exemplo. a partir de normalmente é chamado de Capital Social e constitui tais reuniões é que são definidas as condicionantes característica cada vez mais reconhecida como impostas à implementação do empreendimento. No entanto. tanto no campo social como econômico. contratadas pelos próprios a mencionada. de capacidade de as consultas dificilmente levarão a que seja decidido articulação entre os diferentes atores na escala local e não implementar o empreendimento – não há a de constituição de diálogo consistente entre sociedade obrigatoriedade de que seja votada a aprovação ou civil e governo local podem mostrar-se extremamente não do empreendimento. organização compensação. por parte da população ali úteis. Em tais oportunidades a participação e pactuação de acordos que várias oportunidades de ativa e organizada da sociedade civil pode trazer desenvolvimento são abertas. que não cabe diferenciar aqui. Para que a população seja empresas responsáveis pela elaboração dos estudos capaz de agir de forma eficiente em situação como de impacto ambiental. nem Esse exemplo dá conta de aspecto extremamente existe a obrigação de que as propostas apresentadas importante dos processos de participação: quanto pela população sejam acatadas. com importante para o desenvolvimento local. participação nas decisões municipais. a garantia de serviços ou obras de ser incluídos no cenário da participação popular infraestrutura destinados à população diretamente por representarem oportunidades da população afetada ou a definição de que parte dos postos de influir em questões de impacto direto na vida da trabalho criados no empreendimento seja ocupada coletividade. Há vários tipos de consulta e de processos pelos moradores locais. não têm mecanismo de elemento para garantir o interesse público. mais eles se desenvolvem. de um modo geral. por organização da população e mais qualificadas se exemplo. maior é a capacidade de Os processos de licenciamento ambiental. normalmente são conduzidos pelas tornam as discussões. na prática. nas decisões sobre a atuação do Estado.

. principalmente novos tipos de entidades organizacionais. contribuir para aumentar a capacidade do Município * Revisto e atualizado por Maria da Graça R. com seu lastro de prejuízo para o diferentes entidades que compõem o Estado. dos constituintes em ampliar a participação política da sociedade na gestão pública. principalmente. a partir do reconhecimento federativos. isso ocorreu. não mais dá conta de de atuação do Município. sozinho. pois institucionalizou a enfrentar seus desafios. para conjunto de estratégias para enfrentá-las. e agilidade administrativa e operacional e Resultou também na formalização da preocupação aprimoramento gerencial e profissional. brasileiro.136 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Capítulo 2 Gestão de serviços* Introdução A Constituição surgiu em momento histórico. as Crises Fiscais do Estado de assegurar os direitos essenciais de cidadania (civis. mas não governamentais. de serviços públicos considerados da organização e gestão dos serviços públicos. A Constituição Federal de 1988 mostra como a genericamente reconhecidas como Crises Fiscais do expedição de uma norma pode contribuir para a Estado. houve medidas para das atividades e serviços públicos como um a ampliação da democracia para além dos direitos todo. principalmente. sustentável em seus diversos aspectos. Em termos toda a sociedade. o Texto Constitucional acabou resultando ♦♦ a ampliação da parceria do Estado com a sociedade na ampliação das competências de todos os entes civil e o setor privado.) e de buscar a universalização. o campo de que o Estado. podem básicos. sociais etc. em que os Estados Nacionais estavam enfrentando crises. no sentido Apesar de seu lado perverso. com os de caráter social e os de fomento ao desenvolvimento objetivos públicos. aumento da flexibilidade considerados fundamentais. Aumentou. inclusive fazendo surgir municipalização de serviços públicos. administradora e assessora técnica do IBAM. das Neves. ♦♦ a busca do incremento da capacidade de gestão Quanto às mudanças mais gerais. com destaque para os aspectos administrativos ampliação das funções e das responsabilidades de e financeiros. um políticos. também em nível mundial. acabaram gerando. mediante a criação de Essas estratégias são intercomplementares e poderiam Conselhos de Direito e de Gestão de Políticas Públicas. principalmente mediante redução do grau civis e políticos tradicionais do sistema representativo. No caso atendimento adequado em termos de serviços públicos. mas não suficientes. ser destacadas: Assim. de burocratização.

a solução encontrada foi ater-se aos assuntos que. arrefecida durante um período. que está em jogo o modelo diplomáticas. No caso brasileiro. preferindo-se falar em setores como educação. novos rumos que a administração pública venha a O terceiro setor é composto por atividades e serviços tomar. cujas características são até outros serviços públicos. prestar os serviços que auxiliares de apoio técnico e administrativo a eles são de sua competência e até mesmo manter ativa a diretamente subordinados. Aqui Envolve desde serviços sociais que visam garantir se procurará fugir às classificações jurídicas habituais direitos de cidadania assegurados constitucionalmente. em suas diferentes desempenhadas pelas autoridades eleitas (Prefeitos e esferas de governo. eles são distribuídos neste campo. administração pública. toma correspondem às funções de cúpula dos Governos. historicamente. as decisões estratégicas e as políticas públicas e se definem as Anos de experiência pós-constitucional colocam regras e mecanismos básicos para assegurar e controlar a máquina administrativa em difícil situação. entretanto. relações mencionar. por outros agentes políticos e por órgãos insolubilidade para funcionar. É nele que se formulam as leis. tais atividades crise fiscal. Nesse caso. como os de de sua organização e gestão. judicial. Não se pode deixar de no nacional – como a policial. gestão dos serviços públicos. a estratégia mais usada núcleo das atividades estratégicas. nessa perspectiva. embora não sejam exclusivamente prestados pelo básicos. militar. cunhagem de moeda. como o O primeiro setor. geralmente ficando a grandes temas por definir em termos de possíveis cargo de sua administração direta e autárquica. dos serviços públicos. novo fôlego e o país se defronta. Como no momento em que se prepara o texto há Distrito Federal e Município –. outorgando-os a entidades da sua administração indireta ou delegando-os à iniciativa Para definir a forma adequada de organização e privada e mantendo o seu controle e fiscalização. exclusivos presente publicação. são de tal importância ou essencialidade para a Características do serviço população que ele procura garantir o seu provimento. onde se concentra é a de buscar ampliar a parceria com o setor privado. corresponde ao zelo pelo ambiente. previdência e assistência social. saneamento básico e transportes. tributação. pois o seu desempenho exige prerrogativas singela de contribuir com o dia a dia de trabalho que só este possui – quer no plano internacional. saúde. Estado. alto nível. Estado-membro. com níveis diferenciados de Vereadores). quer do Prefeito e de sua equipe. na época e lugar. de atividades do Estado. é preciso analisar as características que assumem. entre os entes federados – União. MANUAL DO PREFEITO  | 137 de enfrentar melhor os desafios que lhe foram postos a atuação político-normativa do Estado. considerados essenciais. em seu mais pela Constituição. . pelo menos básico. A o seu cumprimento. atuando através de órgãos de sua público administração direta. político adotado no país e que uma reforma se impõe fiscalização etc. O segundo setor diz respeito a atividades e serviços que O debate sobre este assunto foge ao objetivo da vêm sendo considerados. que pretende ter a finalidade do Estado. e aqueles que se constituem em direitos difusos da população. Em âmbito local. de caráter comercial diferenciadas e devem ser levadas em conta em termos e industrial.

parágrafos: há que haver uma grande valorização do Estado como “Materialmente. clareza diz respeito principalmente a: competências Como o Estado brasileiro é organizado sob a forma ♦♦ o que são serviços públicos.. O conceito de serviço público é datado. serviço público não pode mediador. dentro de certas O quarto setor é o que diz respeito à intervenção do circunstâncias de tempo e lugar. de outro capítulo deste Manual. tempo e no espaço. varia no Graças à sua competência constitucional específica (CF.. Distrito Federal e Municípios. somente o legislador. coisas. 59)”. incluindo-os no âmbito de competência do Estado brasileiro. é que pode eleger uma atividade permitida. /. 1999) em dois participação popular nas decisões e na gestão. Ou seja. organização dos serviços Para se organizar qualquer tipo de atividade é Repartição de indispensável ter clareza sobre o objeto a ser organizado.. art. o legislador elegerá esta (passagem de sua propriedade ou controle à iniciativa atividade como sendo serviço público /. privada. além de fazendo-se segundo os ditames da política econômica outros requisitos retirados da natureza das em vigor em determinada época e lugar. Neste caso. geralmente. ou seja. cabe ao Município prover proposta por Toshio Mukai (Direito administrativo todos os serviços que digam respeito a seu peculiar . 23). ressalvados os casos constitucionalmente como serviço público. principalmente. estratégia frequente é a privatização de ‘essencialidade’. parte-se da posição clássica. art. Valorando fatos e a segurança nacional ou a relevante interesse coletivo. de Federação.. Essa intervenção./” (p. Estados. através da exploração de atividade econômica pelo Estado só será norma.. 173 da Constituição Federal./ ele não previstos. é contingencial. Município organizar.. de necessidades essenciais ou. 71). ser senão aquilo que. realidade. conquanto /. São Paulo: Saraiva. 30) e comum (CF. pelo menos. da sistematizado. quando necessária a imperativos de seja livre nessa eleição.138 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL sem abdicar do controle estatal e. essencialidade para a comunidade. e podendo concluir que determinada Essa exploração deve se fazer através de empresas atividade está vocacionada para o atendimento públicas ou sociedades de economia mista. tenha Estado em atividades econômicas típicas da iniciativa transcendência. sujeitando-as às regras e riscos de mercado). São considerados serviços públicos aqueles que a Critérios para a Constituição Federal indica./ (p. pela sua necessidade e privada. sua competência e seus atos de império ♦♦ quais são exatamente aqueles que cabem ao são divididos entre os entes que a compõem: União. Aqui. a “Portanto. Conforme disposto no art. que as características da atividade conduzam Para a organização e gestão de atividades econômicas à conclusão de que ela se destina a atender desenvolvidas pelo Estado que não correspondam aos necessidades que se liguem diretamente à ideia casos citados.. o que foi objeto ♦♦ o que se deve levar em conta para isso.

que as administrações municipais identificar tendências que indiquem este ou aquele mantenham sua legislação e demais instrumentos caminho. divisão das competências governamentais. o aumento da racionalidade na aplicação dos recursos Denomina-se administração direta do Município o para prestação dos serviços públicos. como a Procuradoria Municipal e a Controladoria ♦♦ procure assumir. ainda. Embora se possam É importante. evite as sobreposições. em busca de maior intergovernamental e interinstitucional de forma a eficiência. MANUAL DO PREFEITO  | 139 interesse e ao desenvolvimento e bem-estar de sua população. estatais e de aparecimento dos problemas advindos da excessiva burocratização fez surgirem as primeiras ♦♦ mantenha mecanismos de articulação entidades descentralizadas. como Prefeito Municipal (geralmente constituído pelas orientação geral. servidores). economia mista ou fundação. conjunto de órgãos diretamente subordinados ao Em sua atuação no campo dos serviços públicos. e cooperação com as demais esferas de Governo. como se verificou antes. sociedade de sistema político em vigor. o que Não há uma regra absoluta para a organização dos também está tratado em outro capítulo. mecanismos de articulação e mediação – que são conforme conceituação já consagrada pelo Decreto-lei técnicos e bastante decorrentes da maturidade do nº 200/67: autarquia. as leis orgânicas municipais os detalham. organização e gestão de atividades e serviços públicos por conflitos e lacunas de ação. a responsabilidade pelos Geral do Município – e suas respectivas subdivisões e serviços que lhe cabem especificamente. a efetivação Ao decidir explorar um serviço público por meio da da cooperação intergovernamental depende tanto administração indireta. Organização dos serviços delimitando campos de atuação específicos. A administração indireta é forma descentralizada de ♦♦ no caso dos serviços comuns. a decisão deve ser normativos devidamente atualizados. o Estado podia executar todas as serviços sob sua responsabilidade – estrutura atividades e serviços públicos por meio dessa estrutura adequada. Como já se viu. conforme as administrativas. legal e administrativa. também competentes. ♦♦ tenha capacidade institucional para prover os Originalmente. organizacional centralizada. de forma a contribuir para a eficácia e alternativas comentadas a seguir. O fenômeno histórico de ♦♦ não invada os serviços públicos de competência ampliação do número e da complexidade das funções privativa da União e dos Estados-membros. o Governo municipal outorga-o de ser adequadamente disciplinada como de a uma das seguintes alternativas institucionais. autonomia. é fundamental que o Município: Secretarias Municipais – e órgãos de status equivalente. que haja clareza tomada levando-se em consideração as características quanto às competências de seus órgãos e unidades do serviço e as peculiaridades locais. . através da articulação outorga a entidades com personalidade jurídica própria. flexibilidade e agilidade de minimizar os efeitos da ambiguidade existente na gestão e operação. empresa pública. serviços públicos municipais. de fato.

impede o uso do modelo pelos que a criou. clara. dotado de em leis ou decretos específicos. assistência médica e social. Na esfera federal. a agilidade administrativa e financeira. restringindo aquilo que autarquias. saúde e assistência social. o capital das empresas públicas existem ainda muitas experiências de criação desse se origina apenas de recursos governamentais. em face de sua essencialidade. Em âmbito municipal. desenvolvimento econômico e desenvolvimento não lucrativas. todavia. em princípio. No segundo. especificando depende de lei municipal. na esfera federal. de iniciativa exclusiva do os objetivos e metas a serem atingidos e os prazos. Essa proposta não patrimônio próprio (de natureza pública) e que goza prosperou muito na prática. no Município. educação e cultura. não – públicos e privados –. empresas públicas. que defina a natureza jurídica. . sobre o patrimônio. dos privilégios administrativos da entidade estatal Nada. na prestação de serviços intervenção do Estado na economia. anteriormente típicos da Podem reger-se pelo direito público ou pelo direito administração direta. semelhança com o modelo tradicional. inclusive porque devem ser como agências reguladoras. com vantagens variáveis. Além disso. As vantagens se qualificação de fundações e autarquias como agências concentram especificamente no potencial para maior executivas. normalmente nas áreas de saúde urbano. dá-se As sociedades de economia mista são mais adequadas tratamento especial a autarquias criadas para atuar a essas atividades. No primeiro caso. As regras e controles. frequente na prestação de serviços nas áreas de ensino.649/98 permitiu. entre os quais a imunidade a impostos Municípios. 61). através de plano de reestruturação agilidade do processo decisório e eficácia de resultados organizacional e da celebração de contrato de gestão em menor prazo. assemelham-se muito às administração indireta.140 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL A criação de qualquer dessas entidades pelo Município com o Ministério ao qual se vinculam. ao mesmo tempo em que torna receita e normas gerais para sua organização e gestão. abastecimento de gêneros alimentícios. Essas autarquias possuem organizadas e geridas como sociedades anônimas. porém gozam Enquanto estas têm capital oriundo de recursos mistos de maior autonomia. visa criar regime A autarquia é um ente administrativo autônomo. a A proposta tem o objetivo de ampliar a autonomia finalidade da entidade. termos de gestão: a autonomia. de natureza industrial ou comercial. tipo de autarquia. patrimônio. Suas características não Já as sociedades de economia mista e as empresas a indicam para serviços públicos de caráter industrial públicas têm personalidade jurídica de direito privado e e comercial ou para atividades decorrentes da são utilizadas. a serem previstas personalidade jurídica de direito público. preferentemente. nada impede Encontram-se sociedades de economia mista e que sejam instituídas pelo Município. a renda e os serviços vinculados às suas finalidades essenciais. agora são estendidos à privado. dessas entidades. pública. no entanto. transparente e controlável a responsabilidade dos respectivos dirigentes. art. estão submetidas ao Código era apontado como sua vantagem estratégica em Civil. em setores como os As fundações criadas pelo Poder Público geralmente de transporte. ou para o desempenho de Na prática. com especial. sequer em nível federal. a forma autárquica costuma ser mais atividade econômica propriamente dita. a flexibilidade e a A Lei nº 9. têm por finalidade a prestação de serviços e atividades água. que o Estado assume. sua competência. Prefeito (CF.

sobre a possibilidade de sua aplicação Serviço Nacional do Comércio – SENAC e Serviço pelo Município na gestão dos serviços públicos de Nacional da Indústria – SENAI.987 e nº 9. quer por delegação estatal. 30. inciso V. Foram criados. caducidade. supervisão. de seu maior alcance em feiras e mercados públicos e as relacionadas à diversão relação à população a que se destina e da obtenção de e lazer da população (como eventos esportivos e maiores e melhores resultados. para atender ou permissão têm suas normas gerais estabelecidas a atividades de assistência social e de ensino para . MANUAL DO PREFEITO  | 141 A desestatização. e o art. O art. É controlada entre Estado e iniciativa pela Administração. Sua utilização se Formas de parceria dá para atender a situações instáveis de interesse coletivo ou a emergências circunstanciais. Algumas dessas por exemplo. data de meados do século Os serviços públicos delegados através de concessão passado. outras inovadoras. dispõe. Concessão e permissão são modalidades tradicionais Outra forma tradicional de parceria entre Poder de delegação. reduziu a participação do Estado na prestação dos que receberam alterações. controle e fiscalização. autônomos (como Serviço Social do Comércio – SESC.666/93. os iniciativa privada. subsidiariamente. por isso mais precária que a permissão. entre muitos outros). sem que haja necessariamente privada regulamentação específica. Por isso. serviços públicos tem sido a mais usada pelo Município. no país. Nessas leis foram definidos serviços públicos e nas atividades econômicas. pelo que o regime das concessionárias e permissionárias. e sujeita a constantes modificações na forma de prestação dos serviços que O Poder Público pode delegar a prestação de serviços são seu objeto e à sua supressão a qualquer momento. não há exigência de individualmente. para os serviços de táxi e ocupação das formas de parceria são mais antigas ou tradicionais e ruas e logradouros públicos por certas atividades. festividades em geral e shows). já que a atuação em atividades econômicas típicas da Utiliza-se. as Recorrendo à delegação à iniciativa privada. como modalidade de delegação transitória. fiscalização e rescisão. mundo. cujo surgimento. Essa modalidade de delegação é utilizada. interesse local. dentro de certas condições e sob sua licitação. como a venda de alimentos e bebidas em quiosques. a política tarifária e a obrigação alienação de sua propriedade ou controle (privatização de de manter o serviço adequado. Às concessões e entidades exploradoras de atividade econômica). públicos a empresas privadas ou mesmo a particulares. ambas de 1995. especificamente. o Poder realizadas por vendedores ambulantes e camelôs com Público deve sempre estar em busca da melhoria ponto fixo.074. pelos exploradores de barracas e boxes em da qualidade dos serviços. quer por direitos dos usuários. por vezes. originalmente. entendida iniciativa privada sempre foi quase que inexpressiva. religiosos. antes atendidas por empresas públicas caráter especial do contrato para formalizá-lo e sua ou sociedades mistas. o disposto na Lei nº 8. que também vem ocorrendo em todo o pelas Leis federais nº 8. também a autorização. que dispõe sobre licitações e contratos A modalidade de desestatização pela delegação de administrativos. para as autorizações. hoje encontram-se nas mãos da prorrogação. permissões aplica-se. o algumas áreas. 175 da CF disciplina o seu uso por Público e iniciativa privada são os serviços sociais todos os entes federados.

Sobre essas organizações. Não possuem legislação reguladora geral. além das possibilidades financeiras governamentais. Na década de 1990.079/01 veio regular as PPPs (parcerias público-privadas) na realização de serviços públicos que exigem investimentos. Cada qual se rege por lei específica. Esse tipo de parceria tem sido considerado solução potencial para os problemas atuais de circulação de pessoas e de escoamento de bens e mercadorias pela rede de estradas do país. hoje muito deteriorada.142 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL clientelas específicas. . ou por meio de portos marítimos e fluviais. A Lei nº 11. surgiram novas formas organizacionais de parceria da iniciativa privada com o Poder Público: as Organizações Sociais e as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs). leiam-se os capítulos deste livro que se dedicam às parcerias governamentais e à participação popular. com incentivo e supervisão do Poder Público.

e movimentos sociais. estratégia de criação ou transformação de organizações A adoção de tal ponto de vista se irmana à percepção dotadas de capacidade para induzir e liderar processos de muitos gestores e estudiosos da Administração de mudanças em seus respectivos ambientes. MANUAL DO PREFEITO  | 143 4 O Município e o desenvolvimento institucional* Introdução de Governo para atuar no processo de ampliação e consolidação das conquistas democráticas e na A expressão desenvolvimento institucional – DI não promoção de modelo de desenvolvimento. complexidade. quanto à: A aplicação do conceito de desenvolvimento institucional ♦♦ maior identificação com o ambiente em que atua. administradora e assessora técnica do IBAM. o desenvolvimento institucional era física com a população e o espaço local dá ao Município encarado. A consolidação do processo de descentralização e da implementação compartilhada de políticas que se ♦♦ acessibilidade aos cidadãos. sociais. verifica-se que foi paraeconômicas – políticas. para designar a de DI nessa esfera governamental. a necessidade de trabalhar a dimensão institucional do ♦♦ permeabilidade às demandas dos diversos grupos desenvolvimento em todos os Municípios. no Brasil. na época. . das Neves. de caráter se limita a uma única interpretação. como caminho para a promoção características diferenciadas. pelo menor porte de em melhores condições do que as demais esferas sua máquina burocrática. no contexto de programas ambientais – foi. Por outro lado. influência para a aplicação internacionais de desenvolvimento. de 1988. * Revista e atualizada por Maria da Graça R. aos Municípios se intensifica. com o Estado e a União. à medida que mais responsabilidades pela em sua diversidade de interesses e resultante execução de políticas públicas lhes são repassadas. Em Pública acerca de que o maior grau de proximidade outras palavras. pós-Constituição ♦♦ possibilidade de compreensão da realidade local. também. em termos comparativos do progresso nos países do terceiro mundo. a crença de que o Município está ♦♦ agilidade e rapidez de ação. com fortes preocupações a cronologia de seu surgimento. facilitando maior observa até os dias de hoje atualiza permanentemente entendimento dos problemas sociais. Observando mais abrangente e inclusivo. culturais e cunhada na década de 1960.

Estado.144 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL O desenvolvimento institucional. governança e governabilidade Desafios atuais do O desenvolvimento institucional contempla ainda a governo local preocupação com dois aspectos. para designar o exigências que variam. pela qual o DI é tão importante. Para isso. expressamente. com a possibilidade de alterações de A expressão governabilidade ganhou relevo teórico. então. para que pudesse superar Um dos problemas críticos das políticas governamentais a condição de atuação tradicional – voltada para a no Brasil é que sua concepção e produção costumam execução de alguns serviços públicos – e passasse ser expressivas e criativas. É imperativo. razão de várias políticas públicas. importante parceiro dos demais membros da Federação. resultados da política governamental. teve cunho eminentemente formal/ estatal é exercida. As próprias mudanças mundiais. Nesse sentido. equilíbrio entre as demandas sobre o governo e a sua que adquirem ritmo acelerado. nas últimas décadas. os fins da preparação do Município para assumir. da lhe cabe no desenvolvimento local e na ampliação das gestão e da operação das entidades governamentais. O Município tornou-se. forma de funcionamento. esse fenômeno é muito comum. neste contexto. e ajustável. nos capítulos que integram esta Seção. de fato. incessante novos desafios para todos. a desempenhar. sociais e econômicos. caracterizando-o. como um todo e os principais atores privados – A partir dessa conquista. mais detidamente. Enfatizam- se objetivos como equidade. Afinal. pode contribuir decisivamente a criação de sistemas como Desenvolvimento os comentados a seguir e tratados. como um seja. valorizando-se o modo como a autoridade por exemplo. ou Município. o uso do DI focou-se na políticos. sua política governamental são influenciados. deve Trata-se dos conceitos de governabilidade e de ser encarado como processo contínuo. na prática. . entretanto. o processo e os meios através dos legal: tornar clara a posição político-institucional do quais políticas são formuladas e implementadas. com isso. papel e funções típicas de muitos entraves em sua operação. pelos processos que lhe dão origem e visam que capacitar suas equipes e atualizar sua estrutura e implementá-la. institucional. entre o Governo. as relações que se estabelecem em função dos dos entes federados que compõem o Estado Nacional. Destaca-se. processos pertinentes. sistemático governança. criam de modo capacidade para administrá-las e atendê-las. a sociedade Isso foi realizado pela Constituição de 1988. humanos. justiça social e direitos A tarefa-chave do DI. a questão da capacidade de gestão do Governo. ocorrendo. que o Município esteja sempre se renovando e O termo governança está relacionado aos fins e se aprimorando como instituição governamental. conteúdo e objetivos. no período pós-regime militar. que merecem especial O objetivo do DI é aprimorar a capacidade governativa atenção de autores que refletem sobre a reforma do do Município para que ele possa exercer o papel que Estado e as disfuncionalidades da organização. teve escala. como indica o processo de descentralização No Município. conforme necessidades e entre os anos de 1970 e de 1980. em larga posição como centro de poder.

modo a que possa atuar eficientemente no meio com seus objetivos e necessidades plurais e social. não só de sua O objetivo desses sistemas é instrumentar e subsidiar própria máquina organizacional e servidores. determinada constitucionalmente ou em normas ♦♦ conhecimento multifacetado da realidade local. através da construção adequadamente. contínua. valendo-se dos recursos. suas vocações. para assegurar ♦♦ promoção da accountability em seus processos de sentido de direção e a consistência. o Governo Municipal para trabalhar de forma coerente. A analogia permite dizer que para outras instituições públicas o desenvolvimento institucional está ♦♦ construção da credibilidade pública. ou seja. inclusive o controle social. jurídicas inferiores. ao apoio do sistema político-partidário. de atuação. MANUAL DO PREFEITO  | 145 conquistas democráticas. formulação de políticas adequadas para enfrentá-los. como consiga implementar políticas participativa de visão de futuro para o Município e de gestão. de modo a intimamente ligado à melhoria das suas condições. também. Para tanto. instrumentos de projeto para se chegar lá. mas das ♦♦ coordenação e integração das suas várias áreas forças sociais. alianças. da iniciativa pactos. mas. envolvendo aspectos como identidade cultural Com efeito. a organização e o ♦♦ obtenção do comprometimento e da colaboração funcionamento de certas atividades sob a forma de efetiva para a realização desse projeto e a sistemas pode contribuir decisivamente. aprimorar sua organização. visando não apenas privada e da sociedade como um todo. identificação instituição. seus conflitos de interesses. focada. de seus deveres institucionais. está coerente com o ♦♦ identificação e priorização de problemas locais e desenvolvimento institucional. ♦♦ comando e liderança do processo de se coloca grande desafio: exige-se que não só formule desenvolvimento local. forças sociais ao Governo. do setor público em geral. assegurar o apoio e comprometimento das diversas visando ao cumprimento de sua missão institucional. esforços e recursos. e meios necessários. político. gestão e ação. articulada e ♦♦ identificação. . em geral. Ao Governo Municipal. mobilização e uso racional integrada nas seguintes frentes: dos meios e recursos necessários para viabilizar as ♦♦ construção da sua sustentabilidade política. a coerência e decisão. potencialidades e a conclusão de que promover melhorias em uma problemas de desenvolvimento. seu inserida. concretização do futuro almejado.. coalizões e consensos. cultural e legal em que está diferenciados. captação. normas e a prestação de contas e o controle externo da procedimentos. então. orgânica. com vistas sempre ao melhor atendimento pontos de convergência etc. permitindo e facilitando a compatibilidade das políticas. Município. através políticas formuladas. ações. dos diversos tipos de agentes sociais. sejam internos ao próprio de adequada mediação de interesses. Administração Municipal em seus múltiplos aspectos. de de seus diferentes segmentos ou grupos sociais. econômico. consistente. os vocábulos em questão apontam para do Município.

à gestão da informação e ao controle da Administração Municipal. . na qualidade de ente público que deve observar princípios constitucionais e doutrinários. Os capítulos que integram esta Seção tratam justamente de alguns dos principais sistemas que podem permitir salto qualitativo da capacidade governativa do Município e do desempenho adequado nas frentes de trabalho mencionadas. à gestão dos recursos humanos.146 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL O desenvolvimento institucional. portanto. à gestão de recursos financeiros. diz respeito a tudo aquilo que a Administração faz para aperfeiçoar sua atuação. Dizem respeito ao planejamento governamental.

sua população. e agravar os custos dos serviços. Com isso. se não houver a globalização da economia e outros aspectos que preocupação com a produtividade e o marketing exigem dinamismo dos Governos no sentido de adequado. tende a modificar e qualificar produtiva dos segmentos sociais desfavorecidos. marcado por fenômenos produtos locais. a a demanda por serviços e a interferir diretamente. cientista social e assessor técnico do IBAM. e avaliação das políticas públicas e na definição dos com base em inúmeras declarações universais e. tratando com propostas que locais apelarão para a modernidade – conceito que cada lugar terá de redefinir em função de sua realidade – e Todos os lugares ou lugarejos vêm mudando nos com formas de administração e gerência de situações últimos decênios. no Brasil. A promoção da cidadania. da equidade de gênero e da integração e institucionalizadas. fundamentado em diversas doutrinas cada vez mais também se amplia a responsabilidade consagradas na Constituição da República. dos novos para os problemas públicos e as possibilidades de tipos de ocupação e valorização do solo e subsolo. perder em casa a competição comercial. é dos cidadãos. da Os avanços tecnológicos ampliam o quadro de soluções reestruturação de funções e dos empregos. redistribuição da população. porém também podem levá-los a como a velocidade da mudança social e tecnológica. da propiciar conforto humano e rapidez no atendimento. ou seja. MANUAL DO PREFEITO  | 147 Capítulo 1 Planejamento municipal* Problemas universais e O Governo Municipal trabalha com os contornos da sociedade do século XXI. a inclusão hoje mais informada. em decorrência do aumento ou novas no plano da economia e das necessidades locais. Não há hoje no país Município tão pequeno que Os meios rápidos de comunicação abrem perspectivas não precise ser entendido e administrado à luz do para transportar e vender no mercado mundial os mundo contemporâneo. do processo intensivo de descentralização dos Estados nacionais. na formulação. proteção ao meio ambiente e a promoção dos direitos por meio das inúmeras estruturas de representação humanos. assegurar o bem-estar da sociedade e os direitos A clientela do Município. da sociedade no estabelecimento de prioridades na * Revisto e atualizado por Leonardo Mello. . rumos do desenvolvimento da sua localidade. monitoramento igualdade racial são hoje compromissos obrigatórios. velocidade das comunicações ou das transformações mas podem apressar a obsolescência dos investimentos no pensamento e no comportamento humano.

148 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL alocação de recursos públicos. e com os Municípios de clima político em que se busca incessantemente do mesmo território. em sentido amplo. diálogo transparente com os movimentos sociais representados nos distintos conselhos. embora o foco da gestão das ações estar empenhados em conhecer e tratar com seriedade públicas em benefício da população esteja na as atividades em seus respectivos campos de trabalho. uma vez que cada vez mais a responsabilidade final pela Compromissos com a lei prestação de serviços públicos e pela promoção e a sociedade – quem do desenvolvimento se assenta sobre a instância municipal de governo. Em linhas muito gerais pode-se dizer que o nível O art. não como se dão e quais as possibilidades. mas se apoia em sistemas de planeja? cooperação intergovernamental. devem também estar habilitadas a atuar em cooperação intergovernamental. como os conselhos setoriais ou os fóruns de quanto os encaminhamentos para a superação de desenvolvimento local ou territorial. a atuação do gestor local e que a sociedade civil seja capaz de interferir e precisa se valer da cooperação horizontal – com sua influenciar a formulação das políticas e ações públicas. onde a sociedade impasses de gestão exigem que as administrações tem assento. Administração Municipal. com vistas à promoção do desenvolvimento. Ainda que todos os agentes públicos municipais devam Dessa forma. 30 da Constituição Federal. apenas as representações da sociedade instituídas Tanto os fatores determinantes dessas mudanças por lei. No contexto contemporâneo. Um mundo onde a informação circula de forma nunca antes experimentada e Ler o capítulo deste livro sobre parcerias esclarecerá adquire valor fundamental à gestão. devem estar dispostas e preparadas para formular e no nível operacional situam-se os instrumentos e implementar políticas setoriais. que trata da estratégico está associado à compreensão da inserção do competência do Município. que Município no contexto externo e aos grandes objetivos obriga a elaboração do Plano Plurianual. com base no institucionais específicos da ação governamental. são frequentemente capazes de interferir na opinião tático ou operacional. e as redes sociais mobilizadas via Internet locais atuem de forma planejada nos níveis estratégico. as administrações No nível tático se definem as diretrizes de atuação do municipais devem estar preparadas para o diálogo governo e as linhas institucionais para a abordagem e o compartilhamento. do planejamento municipal. por meio cabe ao Prefeito implementar suas ideias dentro de parcerias e terceirizações. própria população e com o setor privado. por meio de consórcios – e da conhecer a realidade do próprio Município e do cooperação vertical. bem como o art. nas parcerias A seguir esboçam-se os principais conceitos e que puderem estabelecer com o setor privado e com os procedimentos visando orientar a institucionalização Municípios vizinhos por meio de consórcios públicos. pública e na ação dos governos. visto nas perspectivas da sustentabilidade e da inclusão. numa perspectiva de processo. de problemas e o encaminhamento das soluções. com os demais níveis de governo. com inclinação democrática e responsabilidade pública. Hoje. na definição de ações e pactuados entre a Administração e a sociedade local no próprio compartilhamento de papéis. Em outra direção. 165. da Lei de . Ou seja. mundo que o cerca.

MANUAL DO PREFEITO  | 149 Diretrizes Orçamentárias e do Orçamento Anual. deve ser consultada e compartilhar lideranças comunitárias. – e da respectiva Constituição potencializar o uso dos que dispõe. o Orçamento Anual e as Prestações de alguma forma convivem na localidade e demandam de Contas (situadas no nível operacional) – não serão a ação do poder público. Mas é sabido que a simples qualidade dos serviços públicos e tantos outros que são apresentação desses instrumentos nem sempre tratados especificamente nos diversos capítulos deste significa que eles tenham de fato sido construídos Manual. a Lei Orgânica Municipal deve ser consultada sobre as limitações na prestação de Além disso. os diferentes segmentos desde sua inserção no cenário global. Pelo planejamento. Logo. meio ambiente. envolvendo os diversos setores principalmente o Plano Plurianual (situado no nível do funcionalismo. regional ou sociais. infraestrutura social e econômica. deter-se no do mundo contemporâneo. pressupõe a preocupação com o planejamento proteção da criança. a Lei de Diretrizes Orçamentárias (situada comunitárias. do potencial razões de ordem técnica e política. em todas as suas instâncias de interlocutores – como os servidores. Estadual. as soluções relativas aos problemas da localidade. não apenas pelas exigências A ação do Governo implica. os Vereadores. oferta de transparente e adequado. os usuários de serviços. devem ser objeto de planejamento adequado. a Lei de que o Poder Público que presta contas de suas decisões Diretrizes e Bases da Educação. até. capazes de Governo e planejamento expressar os diferentes ângulos da realidade local. Há fortes razões para pensar Setoriais – como a Lei Orgânica da Saúde. deve ser realçado que os avançar no sentido do desenvolvimento sustentável instrumentos básicos de Administração Pública e inclusivo. as lideranças estratégico). sobre os de conhecimento e de interesse. Esse não é trabalho para uma só pessoa. analisar seus pontos frágeis e fortes e as saídas possíveis para Em primeiro lugar. e especialmente. e os rumos de desenvolvimento opiniões e desejos diferentes de acordo com seu nível pretendido para o lugar. condições da mulher na sociedade. enfim todos que no nível tático). do adolescente e do idoso. o empresariado local. das Leis Orgânicas entre si e com a sociedade. portanto. em processos de conhecimento e interatividade entre os distintos atores sociais e políticos. os vários cenários sejam consistentes e comprometidas com as da vida local e cada etapa de suas grandes decisões. os outros níveis de Governo. especialmente daqueles que base econômica. apresenta-se problemas locais de habitação. serviços urbanos. governamental. os fornecedores e tantos outros – podem ter microrregional. necessidades públicas. com os quais o Governo é obrigado a trabalhar – mas para várias. elaborados com eficiência e senso de justiça social se não forem precedidos de reflexão e decisões articuladas Além da Constituição Federal. qualquer que seja seu tamanho e determinados serviços. as representação. o administrador cumpre o compromisso Para que as grandes decisões do Governo Municipal ético de discutir. com objetividade. a Lei Orgânica da terá mais possibilidades de levantar recursos e de Assistência Social etc. mas também por várias estudo da estrutura da economia local. defesa como necessidade a institucionalização de processo civil. de recursos do setor público e da sociedade. A população. para serem debatidas as . os Vereadores. os Municípios são organizações são de competência concorrente com o Estado ou a complexas sobre cujos problemas os seus diferentes União.

que porta a bandeira de promoção da cidadania alcançar certo objetivo. planeja-se tudo com certa sentido de superar a crise do Estado. Poupa-se um pouco todo mês para e descentralização de atividades e promoção do . da localidade. consistentes para a ação. ou verificam-se roteiros. o mundo está compromissos mensais. sociedade local. Em verdade. todavia. pela reestruturação antecedência. Esta é uma atitude anacrônica em relação ao século materiais e humanos) de que se puder dispor para XXI. ou quando se capacidade de o Governo Municipal racionalizar os pretende fazer uma viagem. num tempo O exercício do Poder Público traz embutida a limitado de ação. estabelecer prioridades e. fazem-se reservas antecipadas prestação de serviços públicos. para organizar os globais. a qualquer localidade. Infelizmente há Municípios que não é desdenhada. por exemplo. sua inserção no contexto regional. Se se dispõe recursos públicos (naturais. as melhores condições de hospedagem. pode-se perceber que quanto menores forem os recursos (financeiros. os mão de um objetivo para conseguir alcançar aquele Planos devem expressar a pactuação estabelecida que para a família é o mais importante. para a viagem. como se diz. escolhe-se o melhor percurso e objetivos. em cima da hora. tem-se que fazer Municipal escolhas. por mais distante ou não aparentemente integrada aos circuitos produtivos Isso é feito nas vidas pessoais. Se. tem-se uma O poder do Governo gama de necessidades para atender. nesse diálogo entre os distintos atores públicos e da No exercício do Poder Público. O Município vem sendo estudado pelas experiências no os recursos são escassos. Por outro lado. capacidade de atuar hoje e a responsabilidade É justamente nos menores Municípios ou nos mais sobre os acontecimentos futuros no curto. simplesmente adquire-se o objeto sob sua responsabilidade e atuar na direção desses ou. papel específico. e pode-se fazer isso. abrindo mão do ano para a elaboração dos documentos orçamentários real sentido de planejar. além de bem administrar os recursos de que se dispõe – que nunca são fartos –. ainda. ou vista como inalcançável. de forma planejada e com sucesso.150 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL principais questões que afetam o desenvolvimento comprar o objeto desejado. a comparam-se preços. para planejar a compra cheio de exemplos que levam a aumentar a crença na de objeto de uso comum da família. médio e pobres que muitas vezes a atividade de planejamento longo prazos. não raro contendo resumir em encontrar soluções viáveis (limitadas pelos decisões tomadas no círculo limitado das pessoas que recursos que se pode dispor) para alcançar o melhor exercem o poder e não expressando de fato diretrizes resultado em relação ao objetivo final pretendido. a coisa não é diferente. limitando- exercem plenamente a atividade de planejamento. que em linhas gerais pode se exigidos pela Constituição Federal. de modo a que a viagem decisões que vão orientar os distintos instrumentos pretendida aconteça. e compartilhadas as para garantir vantagens. o prioritário. tem-se grande número de variáveis com que lidar. mais importante se torna a e do desenvolvimento sustentável e que estende atividade de planejamento. Baseando-se nesse conceito simples. em especial os Planos. se ao cumprimento dos passos burocráticos de cada considerando-a entrave. E muitas vezes tem-se que abrir de gestão. financeiros e humanos) de muitos recursos. dispensável. ao contrário.

e seguida pelo IBAM em suas atividades papel que as instituições municipais têm exercido. é a de que o Município deve que têm resultado na reativação de cidades e regiões praticar o planejamento como atividade permanente. mas também com a preparação da Prefeitura interno e evolução na redistribuição da renda. desses programas. e estimar o esforço necessário para dimensionar os de infraestrutura urbana e de polícia administrativa. note-se o esforço que a Organização das Nações Unidas vem O planejamento como fazendo no sentido de institucionalizar o poder local processo nos países que há quatro décadas eram ainda colônias. junto Em outras palavras. Assim poderá definir objetivos desenvolvimento e nas várias áreas de serviços sociais. programas de trabalho em acordo com a realidade e os meios existentes no Município. que apontam para mudanças expressivas no curso do ♦♦ identificar junto à comunidade as suas principais desenvolvimento em algumas localidades. no mínimo. Há inúmeros livros e relatórios publicados sobre o 29. Nesse ♦♦ dispor permanentemente de dados básicos que cenário realça o papel reservado aos Municípios e permitam analisar a situação socioeconômica do proliferam iniciativas bem-sucedidas de gestão local. chama-se a atenção para as O Governo deve compor-se com a comunidade perspectivas que a Constituição criou para a ampliação para identificar e compreender os problemas locais de poderes e responsabilidades dos Municípios. a prática do planejamento com outros países do chamado bloco dos emergentes. e conceber soluções compartilhadas capazes de com a ampliação de delegação de atribuições a promover incessantemente a melhoria dos serviços e o estes. o que ainda ♦♦ verificar o andamento dos projetos que a Prefeitura representa maior desafio. Essa composição deve No atual contexto brasileiro. inciso XII). pode-se realçar a incluir. municipal como processo sugere a preocupação não vivencia situação relativamente positiva. implementadas soluções criativas que se direcionam para a diminuição das desigualdades. ocupando para tarefas como: lugar mais destacado no conjunto das nações. expansão do mercado ação. alcance e promovendo a melhoria da qualidade de vida das pessoas. tipo de organização que permita evolução do cenário institucional num quadro de plena à comunidade participar da avaliação da execução democracia e avançado estágio de descentralização. MANUAL DO PREFEITO  | 151 desenvolvimento humano. incorporando as associações representativas nessa controlando o meio ambiente pelos meios a seu tarefa. com níveis de somente com a elaboração de projetos e planos de crescimento acima da média. E no cenário econômico global. como agentes diretamente promotores de seu bem-estar da população. em crise que afeta sobretudo os países desenvolvidos. por meio de planejamento econômico e urbano. Em nível universal. No Brasil. A orientação preconizada pela Constituição Federal (art. e outras instituições estão executando e tentar . e de assistência técnica. o Brasil. mesmo necessidades e as das instituições localizadas no naquelas muito pequenas e onde se fermentam e são Município. Município e seu potencial de desenvolvimento.

comissões. porém. nas situações processos de terceirização eficazes e com garantias mais simples ela pode trabalhar com recursos locais.152 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL integrar as iniciativas dos setores públicos e ♦♦ manter sistema de acompanhamento físico- privados. de controle social –. e sair daí com visão de planos e programas de governo e ao acompanhamento consenso sobre as prioridades e elementos para e avaliação das ações estejam afetas a distintas áreas implementar a ação. estabelecendo metas e indicadores e mobilizando recursos para o ♦♦ avaliar necessidades com base em critérios adequado monitoramento e controle. de assessoria especializada. serviços e os recursos disponíveis. urgência das medidas. população afetada. nas decisões mais complexas ou que se dos meios hoje disponíveis de regulação de exijam altos investimentos. na verificação para outros investimentos prioritários ou de menor in loco dos problemas e na consulta a pessoas que interesse para o setor privado. avaliando encargos se nesse acompanhamento através de visitas. de forma a facilitar o planejamento e a gestão de ações compartilhadas ♦♦ promover a discussão desses problemas por meio entre os distintos níveis de Governo. Administração identifique as ações e os responsáveis . para reformular soluções que a Prefeitura não tenha condições de os planos sempre que necessário. orçamentação e finanças e às diferentes áreas setoriais da ♦♦ levantar e discutir alternativas de soluções Administração Municipal –. reorientando processos e desenvolvimento sustentável do Município. e estabelecer as medidas melhores. ♦♦ considerar entre as soluções possíveis a de Para exercer esse papel. conhecimentos técnicos ♦♦ capacitar-se e operar adequadamente a gestão de que a Prefeitura deve ter sobre a rede municipal de convênios com os Governos Estaduais e. aliviando recursos públicos baseada no conhecimento da realidade. financeiro de projetos e atividades. e escolher as alternativas consideradas os problemas e obstáculos. – minimamente às de planejamento. aperfeiçoando os mecanismos de participação. tendo em vista difundidas nos últimos decênios permitem que a operar os serviços novos e os já existentes. ♦♦ alocar recursos materiais e humanos por Uma das questões mais graves do mundo de hoje é intermédio das leis de diretrizes orçamentárias e o da degradação do meio ambiente. o Prefeito deverá envolver- e os respectivos custos. sobretudo. com o Federal (SICONV). de entidades de representação da comunidade (conselhos. a Prefeitura pode necessitar promover alianças/parcerias com o setor privado. como gravidade da situação. As informações dos programas anuais de trabalho. tendo em vista o interesse social e o corretivas necessárias. comitês) ou reuniões Ainda que as tarefas associadas à formulação de abertas com interessados. Essa ♦♦ negociar o programa de trabalho possível em prática leva a despertar o interesse e a responsabilidade discussões abertas e audiências públicas. tratando de superar manter. reuniões presentes e futuros e levando em conta que não com técnicos e com as entidades que compõem o adianta construir equipamentos ou formular sistema de participação comunitária. das comunidades. de órgãos do Estado ou para a solução de problemas urbanos – utilizando- de particulares. conhecem esses problemas ou lidam com eles.

periodicamente com lideranças locais. pelo menos do territorial e respeitar as normas sobre uso dos ponto de vista formal. exigindo assistência técnica conhecê-los e definir em sua gestão uma conduta e vistorias adequadas visando medidas preventivas e própria que lhe possibilite tal avanço. ao setor encarregado do democrático e orçamento ou a outro órgão que disponha de equipe capaz de executar essas tarefas. Por sistema entenda- complexidade e os recursos disponíveis. Se há intenção de fortalecer o processo de planejamento operar os arquivos de conhecimentos fidedignos no Município. capacitar os líderes das comunidades para entender no sentido de fazer as coisas certas. imóveis. recursos. fazendo com Existem modelos de atuação experimentados em seu secretariado balanços periódicos dos recursos. Nos capítulos corretivas. atenção à criação de sistema de trabalho e decisões do relativos ao Município e dimensionados segundo sua que à de órgão de planejamento. reunindo-se planejamento para qualquer tipo de realidade. asseguram a participação. adotar roteiro lógico Não existe modelo definitivo de organização que de procedimentos para iniciar o levantamento garanta a efetiva participação da sociedade no dos problemas da comunidade. não é indispensável criar órgão específico nem aprovar lei dispondo sobre o assunto. exigidos pelas respectivas leis as menores devem encontrar forma de ter alguma orgânicas. ele mesmo. participativo O Prefeito pode. segundo sua ser constituído pela articulação dos órgãos. Para isso. se um conjunto de elementos relacionados entre si e que interagem no sentido de alcançar determinados Cabe à Prefeitura atualizar esses arquivos por meios objetivos. O mais importante é a Organização para atitude política. torna-se aconselhável atribuir mais sobre o território. e nessas capacidade técnica instalada) devem estar aptas situações são estabelecidas regras específicas e modos ou podem ser capacitadas para orientar a divisão de conduta e relacionamento que. Deve também incorporar e recursos já existentes na Prefeitura e na comunidade. No Governo Municipal esse sistema pode manuais. conhecer as condições de operação das redes de serviço e da qualidade de atendimento. A articulação com a comunidade e a organização das reuniões poderão ser atribuídas o planejamento ao Gabinete do Prefeito. demografia. mecânicos ou informatizados. viáveis em muitos Municípios brasileiros. as informações que lhes permitam participar das avaliações e diagnósticos e dos projetos que vão Nos pequenos Municípios. deste Manual que tratam da participação popular na gestão pública ou na organização e funcionamento Neste sentido. esforços e capacidade instalada. as equipes da Prefeitura (e mesmo de conselhos setoriais. alguns Municípios que lhes conferiram notoriedade tomando decisões e criando na própria máquina pela forma como ampliaram o compartilhamento das governamental hábitos salutares de prestação de . MANUAL DO PREFEITO  | 153 dos setores público ou privado que podem causar decisões de gestão. tributos etc. o sistema de planejamento compor os programas de trabalho setoriais ou o pode ser constituído pelo Prefeito. seus auxiliares orçamento público. Tais práticas vêm se revelando diretos e representantes da comunidade. O administrador deve procurar danos ao meio ambiente. o assunto também é abordado.

Precisam ser dotados ♦♦ as condições de operação e de atendimento a essas de quadro próprio de profissionais especializados. controle e avaliação das ações e do de vida da localidade. Deve incorporar a participação popular ao processo No contexto contemporâneo. que deve ser transmitida a todos como esses fatos irão repercutir em sua região. elaborando programas hoje disponíveis e acionados em todos os rincões e projetos articulados com outros níveis de Governo e podem bem embasar essas reflexões. onde novas inversões decisório e à implementação de planos e soluções. diferentes naturezas. Os Municípios maiores. que estão ou poderão ser mobilizados trabalha independentemente em relação aos demais no encaminhamento de qualquer solução. está tratado em outro mineral e a produção agropecuária se expandem em capítulo deste Manual. desenvolvimento e de inserção no mundo globalizado. transferências intergovernamentais. onde a exploração assunto que. de em produção de energia vêm sendo requeridas para acordo com o art. acompanhando a sua execução física e orçamentária. Por outro lado. Os meios de comunicação recursos. venha a ser surpreendido por sistema de informações fidedigno e isso começa com grande investimento público ou privado. portanto. o exercício economia estável ou decadente. com baixa capacidade do planejamento democrático exige que se mantenha institucional de gestão. permitindo melhor conhecer: Nessa direção. institucionais É oportuno ressaltar que o órgão de planejamento não e privadas. com Qualquer que seja a dimensão do Município. em seu os setores da Prefeitura e da sociedade. que deverá a contabilidade em dia e com dados que permitam o no curto prazo alterar profundamente o atual modo acompanhamento. inciso XII da Constituição Federal. A Administração Municipal deve correspondente movimento financeiro dos programas estar preparada para isso e. demandas. Isto porque a informação é o ponto de seus próximos passos para que tais investimentos partida de qualquer ciclo de planejamento e tem revertam em benefícios concretos para a comunidade. deve planejar e atividades. setores da Prefeitura. estudando possibilidades. maior apoio técnico e logístico. territórios de baixa densidade demográfica. os planos e propostas de deve ser responsável pela concepção da metodologia desenvolvimento territorial que se discutem no país e do processo decisório. como mencionado. mas em colaboração com eles. não será incomum que Município de pequena população. manter a expansão da economia. sendo aconselhável a criação de órgão específico de ♦♦ os recursos financeiros próprios e oriundos de planejamento e coordenação. e por subsidiar território e que impactos positivos ou negativos devem a tomada de decisões. incidir sobre sua localidade. as mudanças nos direta com as áreas-fins e meio da Administração. o aperfeiçoamento das estruturas de ♦♦ os processos que afetam as condições reais de planejamento e a adequação dos instrumentos a essa desenvolvimento do Município e suas perspectivas de nova realidade será imprescindível.154 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL contas à população sobre o andamento das medidas. . demandam sistema de planejamento mais sofisticado. prestação de serviços públicos urbanos e sociais. Ele cenários político e econômico. riscos e limitações. 29. em termos de população e ♦♦ as demandas reais da população em relação à complexidade de seus cenários socioeconômicos. a Administração deve estar conectada Deve ter posição transversal e manter interlocução com os acontecimentos globais.

o esperados. se poderá: negociações e tomadas de decisões capazes de efetivamente pôr em prática ideias transformadoras ♦♦ avaliar as condições reais de alocação de recursos para as cidades e territórios. Por meio de adequado sistema nesse novo contexto. planos estratégicos. a Prefeitura. suscitou a adoção de financeiros a cada ação. . e de organizações sociais para pensarem e agirem alvo. a informação a respeito dos resultados e impactos será fundamental para: Elaborar plano estratégico não constitui obrigação legal. no caso do Município. recursos adicionais. localidade. empresariais trouxe benefícios diretos e indiretos à população. gerou os privados. ♦♦ redirecionar a prática de planejamento em Os compromissos nele estabelecidos e as iniciativas por processo contínuo que ultrapassa a mera produção ele demandadas não figuram necessariamente entre os de planos. ampla convocação de líderes de Governos. quando a ação planejada estiver concluída. Esse tipo de plano difere dos demais por tender a ser gerido fora da égide exclusiva do setor público – ♦♦ verificar se foram aprendidas lições no processo. traçando os rumos específicos de implementação Planejamento estratégico de cada ação. com inclusão produtiva e sustentabilidade. as oportunidades que se apresentam à respectiva se for o caso. ou seja. Sua elaboração e implementação requerem resultados e impactos esperados. buscar. ampliar a capacidade decisória. É. e que crescem adequadas e representam de fato os insumos as necessidades e expectativas de seus clientes. mais uma vez a importância das cenário de mais longo prazo imposto ao planejamento informações é realçada. O estiver em curso. se for o caso. ajustar a máquina administrativa. ♦♦ avaliar se os recursos institucionais e materiais À medida que o ambiente das organizações públicas mobilizados e as parcerias estabelecidas se revelam se torna mais complexo e dinâmico. quando o sobretudo nas três últimas décadas. juntos. e efetiva. antes de tudo. oportunidade de tomada ♦♦ redimensionar custos operacionais. Ao longo do processo de gestão. estabelecer novas condições. exigiram atitudes processo de implementação das ações planejadas novas dos Governos locais para pensarem o futuro. planejamento estratégico se torna mais importante ♦♦ aferir se os resultados da ação estão sendo e pede metodologia apoiada no diálogo e negociação alcançados em acordo com os objetivos com os atores sociais e empresariais e direcionada para pretendidos. ação e de como o processo está sendo realizado. dessa forma. prepara a Administração para produzir resultados que atendam às demandas sociais e de desenvolvimento Finalmente. MANUAL DO PREFEITO  | 155 ♦♦ como conceber e dimensionar as ações de governo. aliado à necessidade de acelerar de acompanhamento. As transformações que o mundo vem sofrendo. de posição das lideranças locais quanto à agenda ♦♦ aferir se a concepção da solução adotada e de mudanças que interessem a agentes públicos e implementada foi eficaz. prever e gerir riscos e aproveitar ♦♦ corrigir rumos. ou seja. ou seja. O planejamento estratégico ajuda a ♦♦ dar ciência à população beneficiária da respectiva reduzir a incerteza e a falta de precisão e.

para a autoestima da população e a projeção externa da Para acompanhar essas mudanças ambientais cidade e sua inclusão no contexto do desenvolvimento que determinam ou redirecionam as práticas do território onde se inscreve a localidade. para cidades com mais de 20. Isto porque a construção de visão estratégica Nesse sentido. essa visão Diretrizes Orçamentárias e do Orçamento Anual. tem componente estratégico ao menos a sua realização. A identificação desses programas na dimensão dos recursos públicos que se pretende e projetos deve ser precedida de plano de ação para mobilizar para a consecução das ações da próxima melhoria da gestão do setor público. a reestruturação de áreas urbanas atentos às constantes mudanças no ambiente interno e degradadas e a afirmação de identidade que contribua externo que afetam o desempenho das organizações. o estabelecer objetivos. administrativas e a continuidade ou não dos programas Embora não seja propriamente exigência legal. planejamento estratégico e traduzido nas Leis de Além de se constituir na base do PPA. estratégica e pactuada deve estar no cerne dos planos instrumentos de gestão da alocação dos recursos diretores de desenvolvimento urbano. economia local. conforme tratado a seguir. devem se constituir em elementos serem seguidos pela Administração e a identificar seus essenciais à sustentabilidade ambiental e à produção processos essenciais que transformam as necessidades de espaços de inclusão nos Municípios. como se e colaboração de servidores de diferentes áreas para verá a seguir. principalmente. ações. durante a sua formulação e principalmente produtivas em busca de melhores condições de durante sua implantação. definir estratégias e monitorar reconhecimento dos cenários – atual e futuro – que . De qualquer do Poder Público municipal em torno de objetivos forma. os planejadores devem estar competitividade. as administrações públicas municipais sobre o Município e suas questões principais deverá estão desenvolvendo. de Governo.000 habitantes. questão de pesquisa. portanto. a requalificação das diversas forças Por isso. de 1990. Planejar é. por públicos nos níveis tático e operacional do processo de exemplo. portanto. obrigatórios. planejamento. dos munícipes em requisitos de qualidade para a O planejamento é processo contínuo que estabelece gestão pública. O planejamento tem como principal finalidade O destaque costuma ser para o fortalecimento da a melhoria contínua dos processos organizacionais. é importante realçar que tais planos não se comuns é. numa perspectiva informações que ajudarão a definir os caminhos a estratégica. cada vez mais. estratégica e de plano referencial é. as organizações públicas estão adotando esses planos ou a construção dessa visão estratégica novas formas de trabalho que privilegiam a integração pactuada entre os atores locais passaram a figurar de suas áreas e a interação permanente com seus nos Municípios brasileiros a partir do início da década parceiros – públicos e privados. limitam a direcionar a produção do território e dos análise e método para produção e consolidação de espaços urbanos. Os planos diretores de desenvolvimento urbano são A elaboração de planos que congreguem todas as áreas objeto de sessão específica deste Manual. embasado pelo legislatura. programas e ser. elemento essencial à elaboração projetos interfuncionais que exigem a participação adequada do Plano Plurianual – PPA que. mas vão além.156 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL interesses exclusivos dos organismos governamentais. conjunto de ações com vistas a conduzir a organização O ponto de partida para a adoção de abordagem à excelência do seu desempenho. por exemplo.

seu mandato de governo. cumpridas dentro dos prazos estabelecidos. gestor do Município. deve ser atuam ou têm interesse direto sobre a localidade e o constituído de conjunto de ações articuladas e possuir território. ou seja. em relação ao das iniciativas e ações estratégicas adotadas. os objetivos estratégicos. o cenário nos cenários político. articuladas e divulgadas pelos diferentes retroalimentação do plano e para o seu alinhamento órgãos da Prefeitura. a situação dos cadastros aos objetivos estabelecidos. dentre do Governo local sob as perspectivas do conjunto de outras que subsidiem a ação do Governo Municipal. Nesse sentido é importante realçar e sua permanente adaptação às circunstâncias. ainda. materiais e tecnológicos) e para os esforços deve ter também a colaboração de atores externos que serão empreendidos para que as metas sejam que interagem com ela (usuários de serviços públicos. perfil socioeconômico do Município. suas tanto. competências e que a organização cumpra a sua missão. condições da Administração para aplicar e fazer cumprir a Por meio da função de controle. administração – a situação desejada para a localidade Diante das constantes mudanças que ocorrem ao longo de determinado período. de forma que possam trazer os ser estabelecido no início do processo é a visão da resultados esperados pela Administração e seu público. agentes sociais. O último passo para a formulação de plano de As informações coletadas nesse processo constituirão ação estratégica é a definição das estratégias e seus os insumos necessários para se chegar ao retrato da componentes: atividades. (consistência e sistemática de atualização). seus principais problemas. econômico e social. alvos concebidos para carências. administrativos) de todas as áreas da organização. torna-se necessário estabelecer mecanismos de Esse processo de reconhecimento estratégico deverá monitoramento que subsidiem os gestores municipais conter ainda informações sobre as bases de dados na tomada de decisões a respeito das estratégias existentes no Município. a do processo de planejamento. a forma como as informações escolhidas. fornecedores. Assim. ações. agentes políticos externos). é preciso do futuro desejado que orientará a formulação das assegurar a continuidade e sustentabilidade do plano ações estratégicas. estrutura organizacional (níveis e a evolução dos fatores que afetam os ambientes . é fundamental o acompanhamento sistemático propostas e compromissos assumidos. Na formulação dos objetivos. potenciais e anseios. Outro componente importante que deve o cumprimento da missão. empresariais e institucionais que O plano. definidos e quantificados e determinados os prazos Nessa fase inicial. humanos. Esse cenário deve. abranger aspectos elevado grau de racionalidade. será possível avaliar legislação vigente. precisam ser habilidades de sua população. Para a posição do Prefeito. o responsável pela condução para sua realização. programas e projetos que situação real e atual do Município e da Administração deverão ser desenvolvidos para que os objetivos Municipal quanto a seus aspectos internos – pontos previamente estabelecidos possam ser alcançados. As fortes e fracos – e externos – oportunidades e estratégias devem estar estreitamente relacionadas com ameaças. MANUAL DO PREFEITO  | 157 devem possibilitar a visualização da posição e do papel funções). Para se chegar a essas importantes do Município. Esse controle é imprescindível para a são tratadas. ou o resultado final desse processo. além de contar equipe de planejamento deve estar permanentemente com a participação de representantes (técnicos e atenta à disponibilidade de recursos (financeiros.

o conjunto das ações contidas nos planos dentro de visão estratégica e. comprometidos com a continuidade e o conclusões consistentes. e sim articulados. é como decorrência da visão de conjunto da realidade recomendável completar os estudos. ou seja. se citar. de qualquer natureza. ações e metas previstas para o período planejamento democrático e. deste texto em conceituar o que seja o processo de programas. Constituição Federal. seja em função concepção do plano possam ser detectadas e corrigidas. a promoção da A seguir mencionam-se os tipos de planos que o Município cidadania e da inclusão social. O PPA exige a ação planejada e visível na previsão de receitas deve conter como principais elementos os itens: e na realização de gastos com o sentido de garantir os ♦♦ objetivos estratégicos. Nesse caso. pensando na elaboração de bem-estar da população. como exemplos destes. de Governo. primeiro ano do Governo que o sucederá. ao mesmo tempo. portanto. A Constituição manda não deve implicar exclusão de setores produtivos e que o Poder Executivo durante o primeiro ano do seu sociais menos favorecidos. compartilhada. assegurando municipal. Essa lei processo e do Plano Estratégico dele decorrente. Esse aporte tecnológico possibilita a obtenção de melhores resultados porque sistematiza as planejamento informações que embasaram o planejamento e vincula A ideia do Plano Plurianual. não informações existentes no sistema de planejamento. . estes podem mandato dê continuidade ao plano existente e elabore e devem se beneficiar amplamente dos resultados do o que vai vigorar durante os três anos restantes e no plano. a promoção do pode elaborar. portanto. Se essas informações não existem. Pretende-se que tenha ficado clara a preocupação Esse tipo de plano deve indicar. as regras contidas na Lei Complementar nº 101/2000. na forma sugerida no item anterior. da estratégia que o governante adota na implementação de suas ideias durante o seu mandato. nas respectivas execuções. como consequência. de documento de a elaboração de planos que irão dar suporte à ação diretrizes e de decisões. Deve-se devidamente atualizadas durante o primeiro ano evitar a produção de planos isolados. previsto no art. projetos. Trata-se. o vinculados aos propósitos governamentais. 165 da as estratégias ao orçamento. Os planos.158 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL interno e externo da organização para que as falhas na constitucionais ou de outras normas legais. que estão diretamente benefícios em favor do cidadão e. devem ser vistos como fins em si mesmos. O ideal é que o PPA seja a materialização formal do que trata da responsabilidade na gestão fiscal. participativa e deve levar em consideração. com mais detalhes. é de que o Governo programe ação O aparente compromisso dos planos estratégicos com que oriente os investimentos e outros compromissos os setores mais modernos e mais dinâmicos das cidades no decorrer de sua gestão. Ao contrário. Pode- equilíbrio das contas públicas. É importante lembrar que são possíveis soluções que automatizam o planejamento estratégico e garantem aos gestores públicos que as estratégias sejam Tipos de planos e sua implementadas de acordo com as especificações do inserção no processo de plano. seja em virtude dos mandamentos desenvolvimento local sustentável. As propostas são baseadas nas governamental. de Governo. entre outros.

analisá-las e pesá-las com visão de prioridades. e. reserva de contingência. para o exercício financeiro subsequente. dos objetivos estratégicos. ♦♦ de caráter normativo (leis. Esse exercício democrático . levando em conta os recursos disponíveis e o que é Basicamente. Complementando as indicações do conteúdo do PPA. implementação daquelas medidas e diretrizes que deverão ser priorizadas no próximo exercício: Depois. mais específicos. que resultam do desdobramento. ♦♦ disposições sobre o equilíbrio entre receitas e despesas. ♦♦ critérios e formas de limitação de empenho. manuais O sistema de planejamento deve propiciar. ♦♦ de natureza indicativa ou reivindicativa (a serem que são os orçamentos anuais previstos no art. Retoma-se a afirmativa de que esse O documento que refletirá as diretrizes orçamentárias objetivo é possível nos grandes e pequenos Municípios. contribuirão para a concretização dos objetivos dos programas. deverá ser elaborado com base nas determinações a partir da decisão de levantar as necessidades. executadas em conjunto. MANUAL DO PREFEITO  | 159 ♦♦ macro-objetivos. ♦♦ metas e prioridades da Administração Pública em primeiro nível. regulamentos. portanto. e Municipal. de serviço etc. Volta-se. do ♦♦ tipos de articulação intergovernamental (com Poder Público municipal ligar-se à sociedade na hora outras esferas de Governo ou com outros de tomar grandes decisões a fim de assegurar o nível Municípios). ♦♦ de caráter executivo (projetos e atividades a serem ♦♦ definição do montante e da forma de utilização da implantados). cada vez mais premente no século XXI. o tributária. de contidas na Constituição da República e na Lei colocá-las todo ano num quadro e debatê-las com Complementar nº 101/2000 (LRF). Sua identificação deve ♦♦ disposições sobre alterações na legislação ser feita à luz da estrutura funcional da Prefeitura. então. necessidade.). no mínimo. ♦♦ esboço (a ser detalhado nos próximos anos) das ♦♦ demais condições e exigências para transferências medidas que o Governo deve tomar: de recursos a entidades públicas e privadas. os subsídios para a elaboração dos planos operativos. as quais incluem as despesas de capital conformam as grandes linhas de ação do Governo. Nela se detalham a participação do Secretariado da Prefeitura e das as condições em termos orçamentários de lideranças da comunidade. ♦♦ programas resultantes da decomposição das ♦♦ orientação para a elaboração da lei orçamentária grandes linhas de ação em objetivos mais analíticos anual. ♦♦ ações que. razoável de democracia e justiça social no atendimento às necessidades. que facilita a atribuição das responsabilidades para a sua execução. ♦♦ normas relativas ao controle de custos e à avaliação têm-se os seguintes itens: dos resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos. 165 encaminhadas a outras esferas de Governo ou a da Constituição Federal. a acentuar a entidades privadas). o conteúdo do documento é o seguinte: possível fazer com eles.

trabalho etc. em seus em função de obrigações instituídas pelas normas planos de ação. O plano diretor as ações concebidas e planejadas em cada setor ou área tem caráter normativo. o que se quer realçar aqui é que todas suas repercussões sobre o território. formados por técnicos ou gestores de planejamento no âmbito das administrações da Administração Municipal da respectiva área e por municipais e os principais instrumentos – planos – que representantes de instituições da sociedade civil que embasam a ação executiva do Governo Municipal. Foi mencionado rapidamente o plano diretor de como. sejam eles compulsórios ou não. planejamento da Administração Municipal. assistência social. em geral. a LOA (Lei do Orçamento Anual). e também se desdobra em de Governo devem encontrar correspondência com o outros instrumentos normativos. entre eles as prioridades. turismo. com Independentemente desses planos setoriais que recursos financeiros se pode contar e como serão obrigatórios. no nível que regulam as relações intergovernamentais. o PPA. como planejar onde se quer chegar? Quais são os principais objetivos. operacional. sob o planos setoriais são exigidos por leis orgânicas do princípio da responsabilidade na gestão fiscal. seja. são objeto de capítulo específico planejamento e nos compromissos com os diversos deste Manual. e no também contar com os chamados planos setoriais. que igualmente devem ser estabelecidos do estabelecimento de processo contínuo e estratégico por lei e. atores sociais que dele participaram. Ou nela atuam. precisa tático. habitação parte do Governo como da sociedade. estabelecidos nos respectivos conselhos Nos parágrafos anteriores foram destacadas as bases setoriais. de interesse social. A discussão concentrar-se-á no Programa de Trabalho a ser proposto à Câmara Municipal para o próximo Para a maioria das áreas-fins de Governo. meio ambiente etc. que se direcionam a públicos igualmente específicos . seja no nível estratégico. o Gestor Municipal pode adotar a mesma distribuídos em função das prioridades estabelecidas? estratégia para captar e processar demandas em setores de governo onde tais planos não sejam compulsórios. estabelecido no processo geral de como já mencionado. Por outro lado. desenvolvimento urbano. – que exigem a elaboração de planos específicos. saúde. as deliberações encaminhadas nos planos setoriais pelos Além desses planos destinados a disciplinar a respectivos conselhos.160 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL pode incrementar o esforço e a contribuição tanto da – crianças e adolescentes. a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). esses ano e nas fontes de recursos que vão financiá-lo. ação do Governo Municipal e do plano diretor de devem ser considerados e contemplados pela área de desenvolvimento urbano. Esses instrumentos. a Administração Municipal. e devem ser elaborados em processos participativos. por exemplo. respectivo setor. que estabelece diretrizes estratégicas de desenvolvimento socioeconômico e De toda forma. cenário estratégico.

de 04/06/98. o STF esclareceu que a decisão tem Federal determinava a instituição obrigatória de efeito ex nunc. entretanto. na ADI nº remunerados por meio de pro labore. 1989. de forma a dar aos órgãos os empregados públicos regidos pela legislação públicos mais flexibilidade de gestão de pessoal. 39. o Administração Pública. da EC 19/98. Ao proferir o resultado A redação original do art. devendo-se. Dessa trabalhista. contratação de servidores. passa a valer a partir da data * Revisto e atualizado por Claudia Ferraz. sua redação a exigência de regime único. A reforma por servidor público. em sentido amplo. Direito Administrativo liminarmente o caput do art. que que prestam serviços de natureza permanente à promoveu a chamada Reforma Administrativa. embora A matéria. São Paulo. 2135-4/DF. entendam. 39 da CF com a redação Brasileiro. todos admitidos para o exercício de funções na atividades exclusivas de Estado. submetidas ao seu poder caput do referido artigo foi alterado e excluiu-se de diretivo. p. bem como os que se acham sob o regime forma. submetidos ao regime estatutário. para as quais o regime administração direta ou indireta municipal (os agentes estatutário continuava sendo obrigatório. 14ª ed. . Assim. ressalvadas a necessidades temporárias de excepcional interesse aquelas carreiras institucionalizadas que desenvolvem público. assim. Hely Lopes. da Constituição do julgamento. caput. ou seja. tinha como um de seus objetivos abrir espaço para se os ocupantes de cargo de provimento efetivo ou a criação e convivência de regimes diferenciados de em comissão. com o advento Manual para designar todas aquelas pessoas físicas da Emenda Constitucional nº 19. mediante retribuição pecuniária. o Município estaria livre para adotar o regime de contratação por tempo determinado para atender jurídico estatutário ou o trabalhista. autarquias e fundações A expressão servidores municipais é utilizada neste públicas dos entes federados. restaurando o texto anterior que continha a previsão da obrigatoriedade do regime jurídico Regime jurídico único. Contudo. 71). Nesse sentido. MANUAL DO PREFEITO  | 161 Capítulo 2 Recursos humanos* Servidores municipais regime jurídico único para todos os servidores públicos da administração direta. e Priscila Oquioni Souto. publicada em 02/08/2007. advogada e assessora jurídica do IBAM. RT. que suspendeu vide MEIRELLES. aplicar o texto em vigor antes da edição da EC nº 19/98. honoríficos não são servidores públicos. advogada e Superintendente de Organização e Gestão do IBAM. tomou nova perspectiva com a exerçam função pública e possam até mesmo ser decisão do Supremo Tribunal Federal – STF.

as de titular.162 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL de sua publicação. regido pela CLT. responsabilidades Constituição Federal. caput. empresas públicas e sociedades apontado acima. passo que o ocupante de cargo público tem vínculo Exceção a essa regra é a nomeação para cargo em estatutário. de ingresso nas Prefeituras. II e § 2º). A nomeação públicos para cargos de provimento efetivo depende de prévia aprovação em concurso público de provas ou de provas Para atender aos seus serviços. Com isso. continua válida. art. ser provido e exercido por pessoa física que atenda O postulado da obrigatoriedade da realização de aos requisitos de acesso estabelecidos em lei. conforme autarquias. 37. para o preenchimento do cargo específicas e vencimentos correspondentes. da CF/88. O desrespeito a essa norma sua estrutura administrativa por meio da criação de constitucional ocasiona a nulidade do ato de nomeação cargos ou empregos públicos. qual seja. 206. então. já no regime da CLT. 39. para de professor a prova de títulos é obrigatória. quais sejam. art. V da denominação própria. instituído na organização do serviço público. autarquias e fundações públicas. o comissão. designando-se seu ocupante resguardas as situações consolidadas. observada a atual orientação constitucional. atribuições. de economia mista. existe o e empregos públicos atende aos comandos emprego público. fundações. Provimento dos cargos assumindo cada um suas características. contratação de empregado público. Na criação de cargos públicos. No regime anteriores à data da decisão. toda a legislação editada Nesse contexto. a serem providos na e a punição da autoridade responsável. declarado em lei de livre nomeação e Estatuto dos Servidores Municipais ou Lei do Regime exoneração. no período em que pelo qual se dá o preenchimento de cargo ou vigorou a redação da EC 19/98. responsável pelo exercício das funções admissões de servidores em regimes diferenciados públicas relativas a esse cargo ou emprego. de acordo com o art. também para designar uma unidade constitucionais da eficiência e da isonomia. refere-se à a admissão de servidores na administração direta. uma vez que o pressuposto principal para Jurídico dos Servidores. concurso público para o provimento dos cargos Paralelamente à figura do cargo público. buscando de atribuições. Os empregos públicos são que se estabeleça essa forma de provimento é o vínculo obrigatoriamente adotados pelas empresas públicas e de confiança que deve reger as relações entre o servidor sociedades de economia mista por força do disposto no e o agente político. ficando emprego público. regido por lei municipal. a lei deve especificar a forma de seu provimento. à estatutário. Essa é a regra forma da Constituição Federal e da lei municipal. o provimento é o ato administrativo durante a vigência do art. ao igualdade de condições a todos aqueles interessados. exigindo-se o concurso público Define-se cargo público como o posto de trabalho também para a contratação de empregados públicos. § 1º. . distinguindo-se pelo tipo de vínculo mão de obra qualificada para o desempenho das do servidor com o Município: o ocupante de emprego funções públicas ao mesmo tempo que assegura público possui vínculo contratual. com Vale ressaltar que. Voltou-se. 173. o Município deve compor e títulos (CF. o provimento equivale à nomeação exclusividade da adoção do regime estatutário para para cargo público. Câmaras Municipais. se efetivo ou em comissão.

37. os contratos de e assessoramento conferidas privativamente ao trabalho firmados para os empregos públicos somente servidor ocupante de cargo efetivo. a qualquer comissionado – deve o servidor preencher os requisitos tempo. revendo necessários ao pleno exercício da função pública nos vantagens. oportuno. alterar as leis que lhes são endereçadas. especialmente aquelas estabelecidas preenchimento por servidores efetivos. sem prejuízo podem ser alterados mediante acordo de vontade das atribuições típicas do cargo de origem. cor ou estado civil. no regime com o intuito de facilitar a verificação das funções estatutário. não se vislumbra a necessidade da criação burocráticas ou operacionais. é preciso respeitar o disposto no art. chefia e assessoramento. ilimitadas. o que significa dizer que o Município não Em qualquer hipótese de provimento – efetivo ou necessita da concordância do servidor para. Frise-se. as normas regentes direção. MANUAL DO PREFEITO  | 163 Após a Emenda Constitucional nº 19/98. área de formação acadêmica correlata ao cargo a ser Observe-se que as modificações unilaterais aqui exercido e outros. que devem ser exclusivamente de de modificar. pois devem obediência aos princípios e normas constitucionais. destinadas aos cargos de um cargo. pelo volume e grau das proibindo-se o uso desses cargos para funções atribuições. Relações jurídicas com os Além disso. 37 a 41. 37. art. Na função de confiança. V servidores da Constituição Federal que determina que percentual dos cargos em comissão previstos nas estruturas Na elaboração da legislação estatutária. cujo . por nos arts. termos prescritos em lei municipal. que a proporcionalidade referida deve ainda os serviços que presta e as condições financeiras ser observada com relação ao número de cargos efetivos existentes. o administrativas dos órgãos da administração direta administrador deve observar não só as normas e indireta municipal devem ser reservados para o constitucionais. como escolaridade. sexo. podendo as mesmas ser desempenhadas efetivos. obrigações e condições de trabalho. ordinária de qualquer dos entes estatais. conforme sua conveniência e oportunidade. exigindo. De outro lado. chefia pelos servidores. que cria cargos comissionados deve empregar atenção especial na descrição das atribuições pertinentes Nessa tarefa. de modo a evitar que a despesa de pessoal previstos no quadro de pessoal do órgão ou entidade. a Administração detém a prerrogativa desempenhadas. inerentes ao cargo que ele ocupe. a criação desempenho enseja o pagamento de uma gratificação dos cargos em comissão deve destinar-se apenas ou vantagem pecuniária de caráter transitório (CF. que destaque para o respeito aos direitos já adquiridos é um conjunto de atribuições de direção. sendo vedada a adoção de critérios referidas dar-se-ão por meio de lei formal. que sempre se sobrepõem à lei Há que se lembrar ainda da função de confiança. com especial também conhecida por função gratificada. mas também as peculiaridades locais. tais como idade. da relação de trabalho. mencione-se que a lei 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal). V). às atribuições de direção. chefia ou assessoramento. meta que não pode ser alcançada sem estrutura permanente de servidores. se que sejam dotadas de sequência. é importante ter em mente que. e não são discriminatórios. Isso porque as políticas públicas não podem por servidor efetivo sem prejuízo das atribuições ser passageiras como os mandatos políticos. consuma parte substancial da receita e ultrapasse os limites fixados para esse gasto na Lei Complementar nº Também pertinente ao tema. unilateralmente.

data base. 7º) prevê uma série de EC nº 19/98. Há que se distinguir o instituto da revisão DJ-e de 19/12/2007. além dos servidores nomeados para cargo público efetivo (estatutários). às férias anuais. isoladamente para os cargos públicos.498. também vem a aplicação de índice único sempre em uma mesma se manifestando o STF (1ª Turma. de concurso público”. conferindo- lhe a segurança necessária para o desempenho de suas Direitos constitucionais funções públicas. sobretudo após sua alteração permanência de suas funções e de seu vínculo. de lei municipal alterando as normas da CLT para os excepcionalmente. mesmo após a edição da A Constituição Federal (art. 39.164 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL das partes.453. remunerações dos servidores e agentes políticos com autárquica e fundacional. Rel. e por se tratar a estabilidade somente se dá por via de aprovação em concurso de regra especial de proteção ao servidor que público. o 13º salário e o adicional noturno. salvo nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude raríssimas exceções constitucionalmente previstas. sentido. A concessão da revisão geral anual funcional para os empregados de entidades estatais está disposta no art. Rel. Ricardo Lewandowski geral anual do aumento remuneratório concedido e AgR no AI nº 387. Cumpre registrar que não se confundem efetividade também os empregados públicos da administração e estabilidade. afirmado que não faz sentido a regra da estabilidade sobretudo no art. Como pela EC nº 19/98 que utiliza a expressão “servidores já se apontou. 37. cinco anos de exercício continuado. dos servidores Num primeiro momento. livre de pressões que possam advir de eventuais interesses sectários de grupos políticos. estabilidade anômala aos servidores públicos. art. também conferidos aos servidores nomeados para excluindo apenas os empregados pertencentes às cargo público. 41 da CF. § manteve a posição de que a estabilidade também deve 3º. Nesse sentido. DJ de 16/04/2004. Min. Mais adiante. a jurisprudência tem 7º e 39. X. pode-se destacar o direito sociedades de economia mista e empresas públicas. Após longa discussão. Os precedentes apontam constitucional do servidor público à permanência no a restrição do direito à estabilidade para os detentores serviço público. 37. tendo sido editada a Súmula do TST nº 390 nesse Além dos direitos concedidos pela combinação dos arts. Sepúlveda Pertence). Dentre eles. . de promulgação da CF/88. enquanto a efetividade é característica de cargos efetivos (estatutários). desempenha atividades típicas de Estado. autárquica e fundacional. faz remissão ao art. I). na data (CF. Min. Tais servidores foram admitidos sem Desde a promulgação da CF discute-se se a estabilidade concurso na época da CF/67. uma vez que pertence à União a servidores que ingressaram no serviço público sem competência para legislar sobre Direito do Trabalho aprovação em concurso público e contavam. da CF. o Tribunal Superior do Trabalho – TST direitos aos trabalhadores. 22. 19 do ADCT conferiu. Vale destacar que não é possível a edição Lembre-se que o art. no serviço público alcança. A estabilidade traduz-se na garantia direta e indireta (celetistas). o art. 7º determinando quais ser conferida aos empregados públicos pertencentes direitos assegurados aos trabalhadores em geral são à administração direta. outros estão previstos no Texto Constitucional. AgR no AI nº 648. e visa recompor o valor das que não sejam integrantes da administração direta. o provimento de cargo efetivo. tendo por base a própria dos cargos públicos estatutários em razão da redação do art.

para cuja solução não justifica o vínculo temporário. é regule a forma de contratação e a relação jurídica norma que visa garantir o desempenho das funções administrativa a ser estabelecida. sendo descabida a soma de qualquer vantagem ao o desenvolvimento das contratações temporárias. se justificaria a admissão de servidores permanentes Reitera-se. que o regime das contratações ou não se poderia aguardar a execução de concurso temporárias é o administrativo. que estabeleceu o processo seletivo como Embora a prévia aprovação em concurso público seja forma de admissão dos agentes comunitários de a regra para ingresso na Administração Pública. configurar-se burla à regra da admissão via concurso Observe-se. Alerte-se. 37. desses vínculos e observados os princípios. 37 da CF não diga. a contratação temporária por admite contratação pela CLT posterior a 14/08/07. da CF. tal qual a criação de de acordo com o citado precedente do STF. MANUAL DO PREFEITO  | 165 A irredutibilidade de vencimentos dos ocupantes utilização do vínculo por tempo determinado e que de cargos públicos. Assim. por relevante. XV. necessariamente. 1º. XIV. constitui exceção ao postulado contratação temporária serão aquelas estabelecidas constitucional da obrigatoriedade do concurso público por lei municipal. Embora o texto do inciso IX do art. não interesse público (art. à luz vencimento base do cargo. art. contudo. sob pena de podem ser extintas pela lei municipal. Dessa feita. que a Certo que a contratação temporária de servidor. irredutibilidade alcança os vencimentos ou o subsídio. as vantagens devem ser concedidas isoladamente. deve ocorrer dentro dos não abarcando as vantagens de caráter transitório que limites da razoabilidade administrativa. 37. Esse procedimento temporários foi adotado com a edição da Emenda Constitucional nº 51/06. não se Desta forma. de excepcional interesse público. tendo em vista a temporariedade para provimento dos cargos e empregos públicos. sendo julgamento pelo Poder Judiciário. nº 201/67. da CF. que possam levar à . as regras da cargos comissionados. dos princípios constitucionais. preceitos e Cumpre ao Município editar lei fixadora das hipóteses normas constitucionais. 37. segundo o interesse público. o que excepcionais. IX). disposta no art. determina público. XIII). de prazo limitado. existindo espaço para o regime celetista. ainda. o que poderia ensejar a configuração de que as vantagens devem ter por base de cálculo crime de responsabilidade do Prefeito. sujeito ao exclusivamente o vencimento base do servidor. firmou a necessidade da Administração selecionar os servidores temporários Contratação de servidores por meio de processo seletivo. eis que em função do público: é a contratação por tempo determinado para julgamento da ADIN nº 2135-4 o regime jurídico único atender a necessidade temporária de excepcional é. de índole administrativa. a saúde. Vale lembrar que esses servidores desenvolvem Constituição Federal criou alternativa de atendimento suas atividades por força de repasses da União aos emergencial. Ainda excepcional interesse público. o do pronunciamento da Câmara Municipal (Decreto-lei que configura o chamado efeito “repicão”. objetivando suprir situações Municípios no âmbito de programas federais. por ter caráter excepcional. independentemente vedada a incidência de vantagem sobre vantagem. que o art.

qual seja. contra a Administração Pública. poderão para as pessoas portadoras de deficiência. menores entre 16 e 18 reserve percentual dos cargos e empregos públicos anos. de modo a fazer com que o servidor público sujeite- se às sanções decorrentes da prática de ilícitos penais Há profissões regulamentadas pela legislação federal. quem tiver mais de 70 anos não poderá de curso. existem condições incapaz para o serviço público com pessoa portadora que os interessados devem atender e que são: idade. considerados relativamente incapazes. de 10 que inviabilizem o desempenho das funções relativas de janeiro de 2002). Diversamente. do Código Civil – Lei nº 10. § 1º. o aposentadoria compulsória aos 75 anos de idade. modalidade de aposentadoria e pode decorrer de acidente em serviço.166 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Condições para ingresso ou profissional conceituado para os exames de saúde nos candidatos ao ingresso no serviço público. 37. de escolaridade para o desempenho do cargo. Para o magistério. Não representa privilégio ou cargo público com aquela a partir da qual cessa a ato de benemerência. função pública faz cessar a incapacidade civil (Código Civil. professor deverá estar devidamente licenciado pelo conforme explicado adiante. Quando o Município não possuir serviço de responsabilidade de suas funções. os Estatutos dos Servidores fazem preconceitos de vários matizes em relação às pessoas coincidir a idade mínima para a investidura em portadoras de deficiência.). incompatíveis com a Constituição Federal que a lei – no caso. Esse mandamento constitucional tem alcance social abrangente e seu objetivo não é outro senão demolir De modo geral. determinar grau mínimo poderá ingressar no serviço público ou nele permanecer. contagiosa ou incurável especificadas em lei. Acrescente-se que a Emenda Advogados. a idade de 18 anos. da CF. respectivo título de colação de grau ou de conclusão 40. garantindo a deveres da mais alta relevância. registrado na forma da lei federal. no serviço público Convém lembrar que não se deve confundir pessoa Para o ingresso no serviço público. de tal sorte que. o nível de complexidade e o grau invalidez. auditiva como servidores públicos. Para os trabalhos médico próprio. Já a deficiência física. A incapacidade é motivadora de saúde e habilitação profissional. II. Constitucional nº 88/2015 criou a possibilidade de Engenharia. ocorrendo nessa última hipótese a aposentadoria por conforme a natureza. parágrafo único. e sim o combate ao estigma da inimputabilidade penal. Contabilidade etc.406. incapazes (art. deficiência atribuído a essas pessoas. considerados absolutamente grave. ainda. deverá credenciar alguma organização de natureza braçal ou que exijam o simples traquejo . municipal – incapacidade civil. moléstia profissional ou doença Os menores de 16 anos. III). bem como ocupar cargo ou emprego público. pois a função pública implica ou visual não desabilita ao trabalho. por meio de exame médico oficial. não A lei municipal pode. mentalmente. de deficiência. estão impossibilitados de trabalhar ao cargo público. Conselhos de Medicina. I. inclusive porque o exercício da critérios de sua admissão (art. 5º. o candidato deve apresentar o Em face da aposentadoria compulsória prevista no art. Administração. Ministério da Educação para lecionar a disciplina na Quem não tiver sido declarado apto física e qual está habilitado. art. 3º. para o seu regular exercício. VIII). inclusive no serviço público. exceto se se tratar a devida inscrição no órgão de classe (Ordem dos de cargo em comissão. definindo os ser servidores públicos. caso os cometa.

bem como o perfil profissional desejado. onde é provável de provas e títulos. ordem de classificação dos candidatos e o prazo de O conjunto de provas deve ser cuidadosamente validade do concurso. na presença de examinadores. O segunda configurando-se em treinamento. teóricas. conforme natureza do processo de recrutamento. 206. é necessário que O processo de recrutamento. pois. V). validade do concurso. Para tanto. MANUAL DO PREFEITO  | 167 de determinado ofício. em sala de Município deve. escolaridade e experiência para preenchimento dos contínuo. contendo as informações necessárias: conhecimentos práticos da profissão. com a publicação dos instrumentos normativos no Diário Oficial do Estado ou em Como já foi dito. sobre as disciplinas e o cumprimento dos normativos. entre outras. exigências dessa natureza oportunidade aos cidadãos de se prepararem para as constituirão abuso que deve ser afastado. cumpre elaborar estudo das funções previstas para os cargos na lei municipal. podendo estender-se a de pessoal outras jurisdições. observados a Municipalidade. das fases e tipos de provas do concurso. elaborar seus instrumentos aula e prático. número de vagas. O bom programa de recrutamento pressupõe ampla Recrutamento e seleção divulgação na imprensa. prazo para as tarefas que lhes serão exigidas no exercício do cargo a interposição de recursos pelo candidato. o provimento dos cargos públicos dá-se jornais de grande circulação. poderão ser aplicadas provas escritas. prazo de ou emprego. que determine a quantidade de cargos necessários. deve procurar conhecimentos do nível mínimo admissível para o atrair para os quadros da Administração as pessoas desempenho da profissão. antes da abertura preparado para aferir o candidato. descrição. em que o concurso pode ser submeter-se a normas específicas que o orientem. art. em versões para a Prefeitura e para a Câmara Para aquelas ocupações que exigem apenas Municipal. como acontece nome. detalhamento candidatos executem. atribuições dos cargos. horários e documentos referentes somente em testes práticos. requisitos de com os cargos de jardineiro. sendo esta última obrigatória para encontrar pessoas qualificadas para os serviços da os cargos de magistério (CF. práticas e de títulos ou formas combinadas. mediante os quais os à inscrição e realização das provas. as provas podem consistir cargos. concurso. e sua comunicação às mediante aprovação em concurso público de provas ou escolas e associações profissionais. Todo processo de recrutamento e seleção deve como para o cargo de fiscal. pode-se aplicar . em atendimento ao antes da prova prática se aplique prova escrita de postulado constitucional da eficiência. orais. datas. auxiliar de serviços gerais. Para outros cargos. a primeira de modo a padronizar os procedimentos e garantir consistindo na prova escrita de conhecimentos e a a mesma oportunidade a todos os candidatos. pode-se que possuam as melhores qualificações em face das aplicar somente provas escritas. dividido em duas fases. que são o regulamento e o edital de processos de trabalho específicos da área de atuação. entre outros. O edital e o regulamento devem ser divulgados em tempo e amplitude convenientes. provas. ambas eliminatórias. Vale notar que. Para cargos onde a qualificação profissional requerida de modo a atender ao princípio da publicidade e dar não ocorre no mercado de trabalho. Para alguns cargos ou empregos.

Os instrumentos de verificação condições propícias ao constante aperfeiçoamento do conhecimento do candidato respeitarão. através das promoções . conforme a jurisprudência ligado ao da Avaliação Especial de Desempenho. qualificação. As atividades de treinamento e capacitação não se Registre-se. capacitação Esse tipo de prova é utilizado especialmente para o e desenvolvimento preenchimento de cargos que não tenham similar no Deve existir em toda Prefeitura. programa permanente de treinamento. Como consequência. independentemente mercado de trabalho ou para os que exigem formação do seu porte. se refere o § 4º do art. lhe confere direito servidores mantenham-se estimulados e atualizados subjetivo à nomeação para o respectivo cargo. criando correspondente. o sigilo quanto às perguntas e respostas servidor. Treinamento. específica. se a com os métodos de trabalho e predispostos à inovação Administração Pública manifesta. de nível superior ou técnico especializado. às finalidades das provas. imprevisibilidade. integrar os objetivos pessoais de cada rigorosamente. reconhecimento das especificidades do cargo público. após três anos de serviços prestados. desenvolvimento funcional. público.168 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL o concurso em duas fases. ao movimento das ações de número de vagas. desde que em circunstâncias dotadas capacitação. abrangendo todos os níveis hierárquicos. ainda que fora do número de vagas caráter permanente e ser processo contínuo para que os disponíveis no edital do concurso. no exercício de suas atribuições. seletivo. por ato inequívoco. bem como se mostrem aptos para o necessidade do preenchimento de novas vagas. capacitar o servidor para o desempenho de suas Cabe ressaltar que as provas devem ser elaboradas atribuições específicas. O capacitação e desenvolvimento de servidores. normalmente. orientando-o no sentido de por profissionais com reconhecida experiência e obter os resultados desejados pela Administração. pode a Administração Pública como aos resultados da Avaliação de Desempenho deixar de nomear candidatos aprovados dentro do destinada. número de vagas estabelecido no edital gera para conferindo-lhe o atributo da estabilidade no serviço o candidato direito subjetivo à nomeação e à posse. que a aprovação do encerram no período do estágio probatório. dos servidores. à semelhança do que se exemplifica para o cargo de fiscal. 41 da CF. passou- se a adotar essa estrutura de concurso como forma de Um programa desse tipo deve ter como objetivo criar avaliar e também de qualificar os candidatos para o e desenvolver hábitos. b) promoção. valores e comportamentos exercício de determinada profissão na área pública. Devem ter candidato. c) gravidade. sob pena de nulidade de todo o processo da Administração como um todo. de igual forma. treinamento e sistemas de das seguintes características: a) superveniência. sobretudo dos Tribunais Superiores. foi ampliado. que tem por objetivo a aprovação em concurso público dentro do confirmar a permanência do servidor na Administração. bem Excepcionalmente. adequados ao digno exercício da função pública. devidamente habilitados na área do conhecimento estimular o desenvolvimento funcional. a que pátria atual. d) necessidade. a tecnológica. Vale lembrar que o resultado desse treinamento está Importante destacar que. no entanto.

sem comprometido com a motivação do indivíduo. deve-se proceder à hierárquico que representam. execução de programas. o que representa sempre atrelado a recompensas financeiras. redirecionamento ou correção dos que os órgãos e as instituições de assistência técnica programas. para que se possa avaliar seus servidor. da informação e da ampliação da capacitação e bem como envolvendo-os na definição da forma de desenvolvimento dos servidores. nos mais diferentes formatos. é necessário que a Prefeitura Pode-se também contratar especialistas ou instituições crie ambiente favorável à criatividade. e durante Todas as chefias. pode não ocorrer A Municipalidade deve procurar desenvolver nos o afastamento total dos servidores de suas funções. dependendo da estrutura do evento. e criar ambiente de cooperação. projetos. como contratação de instituições que ofereçam cursos a também do servidor. servidores habilidades para o trabalho em equipe. Escolas de Governo ou Há numerosos métodos de treinamento. O importante é considerar e trato com o público. Essas atividades são de interesse da Prefeitura. criação de Escolas de Governo ou a criação de espaços visitas técnicas a organizações. áreas e periódicas dos chefes com suas equipes para discussão ênfases profissionais voltados para o desenvolvimento . com a finalidade de leitura de documentação e leis referentes ao serviço planejar as ações de capacitação e qualificação e orientada por servidor mais experiente. sempre a possibilidade da utilização da tecnologia da de compromisso com a divulgação da informação. realização de cursos internos funções de chefia. formação de grupos organizacionais voltados para o desenvolvimento multiprofissionais para discussão de assuntos técnicos. nem seminários in loco ou via internet. art. os objetivos almejados. § 2º) e progressões ou pela designação para e solução de problemas. aperfeiçoamento e capacitação que podem ser Escolas de Gestão Pública colocados em prática pelos Municípios com pequenos Muitos Municípios têm examinado a possibilidade da recursos financeiros e técnicos: rodízio. treinamento e e os procedimentos antes adotados frente aos novos desenvolvimento gerencial a fim de obter. cursos ou ao incentivo ao aperfeiçoamento profissional. informação como aliada no processo de disseminação encorajando-os a tomar decisões e propor soluções. Para que se chegue a resultado de atitudes positivas. 39. reuniões oferecer cursos. autoaperfeiçoar. mas maior número de servidores participantes. impactos negativos e positivos e assim adotar medidas Os Municípios devem aproveitar todas as oportunidades de manutenção. estágios. Ao final de cada atividade ou programa. permitindo a sua participação e garantindo a prestação com atenção aos programas de relações interpessoais dos serviços à população. independentemente do nível determinado espaço de tempo. exigir gastos com deslocamento e hospedagem. direção e assessoramento. e qualificação dos servidores. MANUAL DO PREFEITO  | 169 (CF. e envio de funcionários a instituições de ensino para frequentarem cursos intensivos ou palestras. devem participar avaliação do evento tendo como referência a atitude dos programas de capacitação. oferecem para o aperfeiçoamento dos servidores e gerentes municipais. à inovação e especializadas para realização de palestras. que deve ser estimulado a se distância. atividades e tarefas. junto com o resultados obtidos.

o dos cargos amplos. Bom exemplo é o cargo de agente Deve equilibrar o fomento a valores permanentes (e administrativo. a celebração de convênios Municípios para a definição do conteúdo dos cargos é ou contratos entre os entes federados”. avaliação de cargos. essas tarefas os resultados positivos podem estimular outros a formam um único cargo. dentro da visão de processo de trabalho. programas e projetos de Governo. hoje. de trabalho integrado e podem ser atendidas por . se a Escola é financiada adequação permanente do cargo ao crescimento majoritariamente por recursos orçamentários profissional do ocupante sem representar desvio públicos. carreiras Nesse sentido o § 2º do art. para isso. além de evitar a fragmentação excessiva desempenho dos agentes e das organizações públicas. manterão escolas de governo para a formação estruturação de carreiras. o desafio para as Escolas de Governo ou para que esses possam efetivamente contribuir para semelhantes que se dedicam a essas atividades parece o cumprimento e alcance de metas previstas nos ser o de constituir e manter oferta de programas e planos. deve ir além da mera transmissão objetivos de Governo e a manutenção dessas ações no de informações. O critério mais utilizado nos últimos anos nos facultada. 39 da Constituição Federal fortalece a implementação das escolas de A lei municipal deve conter descrição dos cargos governo prevendo a sua criação para a formação e e empregos públicos onde estão elencadas suas aperfeiçoamento dos servidores públicos. sua missão deve ser voltada à melhoria do de função. onde os esforços das ações de capacitação por vezes as tarefas são combinadas em módulos maiores pulverizados dentro da organização. constituindo atribuições e definidos os requisitos mínimos a participação em cursos em uma das exigências para necessários ao seu provimento (grau de instrução o desenvolvimento na carreira através do instituto da e experiência). da seguinte forma: descrição que irão se alicerçar os processos de recrutamento e seleção – concurso público –. Será com base no conteúdo dessa promoção.170 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL e aperfeiçoamento de competências dos servidores Assim. os Estados e o Distrito Federal treinamento e capacitação. avaliação de desempenho. constituindo-se a participação nos cursos um dos requisitos para a promoção na carreira. dentre e o aperfeiçoamento dos servidores públicos. estruturado de acordo com seguir caminhos semelhantes capazes de coordenar o grau de complexidade e responsabilidade. dos funcionários. o renovados) do setor público com o apoio às prioridades auxiliar de almoxarifado e o apontador de frequência de governo. identificados normalmente em Municípios maiores. mas fundamentalmente produzir e tempo atravessando as administrações. com a Quanto ao seu financiamento. desenvolver habilidades e atitudes que estejam em consonância com os valores e Estrutura de cargos e princípios norteadores da Administração Pública. Na lógica da cursos de capacitação que estejam alinhados aos competência humana. que permite maior mobilidade de lotação para o gerente e para o servidor. outros institutos. do trabalho. No passado se tinha o digitador. “A União. porque se tinha visão fragmentada Embora os resultados dessas iniciativas sejam do trabalho refletindo a fragmentação do cargo. disseminar conhecimento.

que é a passagem do servidor de seu padrão outros critérios. dentro da mesma carreira. o reconhecimento de sua habilitação escolar não critério de merecimento. maturidade do servidor no seu desempenho. importando apenas o seu grau de das tarefas e consequentemente a exigência de maior discernimento para a execução das tarefas. Por dentro da faixa de vencimentos a que pertence. Todo Quadro de Pessoal ou Plano de Cargos e Carreiras. Neste toar. que é a série de cargos modo mais crítico e melhor suas tarefas. como é o caso funcional considerado acima da média. Municipalidade. o servidor tem avanços confere ao servidor o direito de ocupar cargo diferente funcionais sem que haja enriquecimento ou ampliação daquele para o qual prestou concurso. Constituição Federal. O conjunto de cargos isolados ou em carreiras. factível a instituição do habilitação escolar superior àquela exigida para Plano de Cargos e Carreiras por intermédio de resolução. Esse fator de desenvolvimento porém a fixação das respectivas remunerações somente não é novo no serviço público. observadas as têm sido estruturadas com base no conceito de perspectivas definidas em lei. MANUAL DO PREFEITO  | 171 um só servidor. intermediário e final de carreira. pelo fim. em A estruturação de carreiras. dois institutos que permitem avanços funcionais: (I) a a progressão funcional deve conjugar a titulação com progressão. por sua vez. é aquele que por sua considerada se o servidor tiver seu desempenho natureza funcional não forma carreira. os quantitativos e níveis de vencimentos. estimulado a aprender e a desenvolver de formas é por meio da carreira. Uma das atualizado. Muitos Municípios têm incorporado ao seu sistema para que possa gerar os efeitos jurídicos pretendidos pela de carreira. se o curso do cargo de telefonista. Os sistemas de do mesmo grupo ocupacional. formam o Plano de Cargos e concurso público. Em primeiro lugar. semelhantes quanto carreira que consideram esse fator adotam medidas de à natureza do trabalho e organizadas segundo o grau precaução na sua concessão para evitar as desmedidas de complexidade e responsabilidade de suas tarefas. normas quanto ao provimento dos cargos. deve ser aprovado por lei. ou seja. guardar estreita correlação com o da área de atuação do servidor e o cargo por ele ocupado. conjugado com o instituto da promoção. as carreiras que pertence. o provimento só funcional. a habilitação só é Cargo isolado. principalmente com os resultados de vencimento para outro. preenchimento do cargo. Quando se trata de a definição das perspectivas de desenvolvimento cargo isolado ou inicial de carreira. poderá se dar por meio de nomeação precedida de dentre outros aspectos. imediatamente superior. do passado. de suas atribuições e (II) a promoção. 37 da Carreiras. Talvez seja nova a forma pode estar prevista em lei. de Importante ressaltar que o instituto da promoção só provimento em comissão e funções gratificadas. Sua concessão tem É importante propiciar ao servidor oportunidade sido entendida como maneira do servidor se manter de crescimento funcional na organização. ampliação do grau de complexidade de desenvolvimento funcional individualizada . onde há enriquecimento competências. como esse fator tem sido tratado. que é a passagem do servidor para a faixa imediatamente superior àquela Numa perspectiva contemporânea. com a é possível quando se tratar de provimento de cargo carga horária. apresentados nas avaliações de desempenho. minimamente. nos termos do inciso II do art. onde o servidor tem a sua perspectiva do seu cargo. comporta observância ao princípio constitucional da eficiência. No âmbito o avanço por meio da aquisição pelo servidor de do Poder Legislativo municipal.

que deverá somar esforços tratado e implantado. além dos conhecimentos desempenho dos servidores. se o para o alcance da estabilidade.172 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL e estabelecida diante dos seus conhecimentos. que estimulam o diálogo e consenso apenas uma das partes que compõem a competência. a concessão de gratificações e. são valorizadas as pessoas com capacidade de agir de forma mais ♦♦ estabelecer os programas de capacitação de acordo abrangente. nos resultados da avaliação. Os fatores de avaliação do desempenho para o período fundamentando a sua exoneração do cargo caso fique de estágio probatório devem ser os fixados no Estatuto caracterizado o mau desempenho do servidor. há modificações no perfil e nas relações ♦♦ conceder os avanços funcionais e as movimentações de trabalho. ♦♦ tornar claros os padrões de desempenho esperados habilidades e atitudes demonstrados no exercício do pela Prefeitura. É o subsistema devem ser estabelecidas tanto para o servidor quanto da área de gestão de pessoas mais complexo de ser para a Administração. exercício do cargo pelo servidor. . tão bem cuidadas quanto as qualidades acadêmicas Existem vários métodos de avaliação. prevista sistema for simples e os objetivos bem definidos. que trata da avaliação periódica alcançará os mesmos resultados evitando interrupções de desempenho com a finalidade de acompanhar o ou falhas na condução do processo. outros mais individualizados. e a outra. que indica a existência de dois avaliação de desempenho. mas o mais importante de Sistemas de avaliação de qualquer sistema de avaliação de desempenho é que todos estejam cientes de que serão avaliados. então. mas é participativos. Atualmente. uns mais e profissionais. realidades. dos Servidores Públicos Municipais. Assim. principalmente em organizações financeiros e organizacionais para compartilhar com o públicas onde os aspectos da política podem intervir servidor o alcance do desempenho desejado. através dos resultados de e profissionais. poderão ser Os sistemas de avaliação de desempenho têm como incorporados mais fatores avaliativos. A simplicidade do método também deve ser levada No serviço público o assunto é tratado pelo art. Organizações públicas tipos de avalição de desempenho: uma chamada de normalmente têm dificuldade com a implantação e especial pelo § 4º. Para as demais finalidade: avaliações cada uma das organizações públicas poderá ♦♦ estimular o autoaperfeiçamento e a produtividade escolher o seu sistema e os fatores adequados às suas dos servidores. cargo. que se caracteriza como condição o gerenciamento de sistemas complexos. As metas de desempenho futuras do servidor no exercício do seu cargo. técnico-científicos dos cargos. missão e objetivos organizacionais. possuidoras de qualidades humanas com os resultados das avaliações. sobre metas futuras entre servidores e chefias. se no inciso III do § 1º. 41 da em consideração na hora de se escolher o sistema de Constituição Federal. Se a organização desejar e houver autorização legal para tal. promovendo os avanços funcionais. fazendo surgir novas exigências pessoais nas carreiras. que desempenho saibam quais métricas de avaliação serão aplicadas e que os resultados obtidos sejam apresentados e que A Avaliação de Desempenho é o conjunto de técnicas deles sejam estabelecidas as metas a serem alcançadas que permite conhecer e acompanhar o desempenho no período seguinte. Conhecimento é importante. se for o caso.

pelo IBAM é comum a criação de uma comissão Os planos de carreira do magistério devem abranger destinada ao acompanhamento da aplicação do apenas os docentes e os profissionais que exercem sistema de avalição de desempenho. cabendo ao avaliador do magistério público. a separação complementar. não conhecem ou não acompanharam de maneira em seu art. em especial suas da avaliação. garantindo – atividades de administração. tais como férias. 20/98 e 41/03 e legislação etc. as Administrações Municipais apenas a capacidade de separar quais são as tarefas e devem considerar os seguintes documentos legais: responsabilidades inerentes ao cargo efetivo. além das respectivas alterações Sistemas de Avaliação de Desempenho desenvolvidos que receberam desde a sua promulgação. pela garantia da institucionalização de plano comissionados também merecem ter um olhar diferente de carreira próprio. anterior. que regulamenta o Fundo de Manutenção e exercício das atividades do seu cargo de origem. V. a comissão auxiliares de biblioteca. e Lei nº é exercido. há o afastamento completo do servidor do 11. arts. devendo ter sua situação apresentados pelos servidores quanto aos resultados funcional cuidada em planos de carreiras específicos. e quais são as de coordenação. Além de acompanhar a correta técnico-administrativo. 67. licenças para recebeu. 61 a 67. . do cargo efetivo. com piso salarial profissional e do avaliador no processo avaliativo. Lei nº 9.394. objeto Constituição Federal de 1988. não pode ser incluído no plano participa ativamente dos recursos administrativos de carreira do magistério. Lei de Diretrizes e das atividades inerentes ao cargo efetivo e as de cunho Bases da Educação Nacional. o pessoal de apoio da Administração. carreiras do magistério O plano de carreira do magistério não deve conter dispositivos com matéria estatutária. em seu art. e a Lei nº 9. Desenvolvimento do Ensino Básico – FUNDEB. No exercício de cargos comissionados. a LDB. avaliativos. a não ser quando público municipal características dessa atividade profissional exigirem tratamento específico de certos conteúdos de estatuto. o servidor poderá ter sua avaliação Para a elaboração do plano de carreira e remuneração realizada sem problemas. Como as funções ingresso exclusivamente por concurso público de gratificadas representam a extensão de atividades provas e títulos.394/96. avança em relação à legislação satisfatória o desempenho do servidor. especialmente o Título gerencial não é tão simples e. dependendo da área onde VI – Dos Profissionais da Educação. A concepção de carreira deve articular valorização e profissionalização do magistério com Estatuto e plano de melhoria da qualidade da educação. inspeção e a participação de representantes dos servidores e orientação educacional. Portanto. MANUAL DO PREFEITO  | 173 Os ocupantes de função gratificada e cargos ensino. 19/98. asseguram a valorização dos profissionais do qualificação profissional. Essa comissão atividades de suporte pedagógico direto à docência normalmente tem composição paritária.494/07. supervisão Emendas nº 14/96. cedência ou cessão. A Constituição Federal. gratificações especiais. Um segundo papel importante da comissão é o de intervir nas avaliações em que as chefias Quanto à formação continuada do magistério. 206. como secretários de escola e aplicação de todo o processo de avaliação. supervisão. esta com as alterações que temporárias. limite de carga horária. que veio Nos diversos projetos de Planos de Cargos e Carreiras e substituir o FUNDEF. II e V. substituições de 20 de dezembro de 1996.

para o exercício de complexidade e responsabilidade das atribuições cargo em comissão ou de confiança. inclusive subsídios. Vale lembrar que os empregados públicos poderes dos entes federativos. nunca inferior a um salário mínimo. vencimentos a serem pagos – tabela de vencimentos. cujo teor é reproduzido a seguir: Na tabela de vencimentos. insculpidos no caput vencimentos. da ao disposto no art. são remunerados por salário na forma da legislação trabalhista. os níveis representam o “A nomeação de cônjuge. inclusive. haja proibição expressa em lei. (II) requisitos para a de função gratificada na Administração Pública investidura.174 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL As demais normas estatutárias devem estar em lei Não se pode deixar de mencionar as limitações própria. para indicar a soma do do art. os cargos devem ser analisados coisa pública seja utilizada em favor dos familiares dos e comparados de forma a colocá-los em ordem de que são incumbidos de a administrar e a gerir. 37 da Constituição Federal. especialmente as que constam da Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Conceitos remuneratórios Responsabilidade Fiscal). importância para a consecução dos objetivos e metas a serem alcançados pela Prefeitura. proventos fixado em lei. Além de ordenar No afã de coibir a prática do nepotismo. ou vencimento base. aos quais deve vencimento base às vantagens pecuniárias de caráter obediência a Administração Pública de qualquer dos permanente. o STF editou a Súmula Vinculante n° 13. acrescido das Nepotismo vantagens pecuniárias permanentes ou temporárias O nepotismo é prática que vem sendo reiteradamente estabelecidas em lei. direta e indireta. § 1º da Constituição Federal. coibida pela doutrina e pela jurisprudência. com valor formas de remuneração. aplicável a todos os servidores do Município. nos idos do os cargos. que a considera agressão aos princípios da moralidade. O vencimento. 39. Portanto. em qualquer dos Poderes da . Nesse diapasão. companheiro símbolo atribuído ao conjunto de cargos equivalentes. à expressão impessoalidade e da eficiência. vedada a sua vinculação ou equiparação. sendo e vantagens funcionais. a avaliação determina a estrutura de ano de 2008. importante salientar que o ato administrativo que consubstancie prática de Os cargos devem ser avaliados com métodos que nepotismo é inválido. pelo dos referidos princípios constitucionais impede que a processo de avaliação. mesmo que não permitam estabelecer o valor relativo a cada cargo. colateral ou por Em conformidade com a boa técnica e em respeito afinidade. O Município deve estar atento para manter-se nos limites impostos pela referida lei. pela avaliação dos seguintes fatores: (I) grau de chefia ou assessoramento. 37 da Constituição Federal. descritas para os cargos. da Alguns autores referem-se. investido em cargo de direção. o conteúdo normativo para construir a hierarquia entre eles. conforme o disposto no inciso XIII do art. ou. é a retribuição que considera como gastos com pessoal numerosas pecuniária pelo exercício de cargo público. ou parente em linha reta. relativas a gastos com pessoal. (III) peculiaridades do cargo. no plural. ainda. ainda. Já remuneração é o vencimento do cargo. autoridade nomeante ou de servidor da mesma o nível de vencimento dos cargos deve ser definido pessoa jurídica. até o terceiro grau. uma vez que.

sendo a vedação ao processos de atração. que aprimoramento das competências individuais destes ocorre quando dois agentes públicos empregam em conformidade com as demandas organizacionais. que muda o foco de nº 13. bem dos cargos e das atuais e a identificação das . constitucionais da impessoalidade e da moralidade. por intermédio do instituto da de movimentação de pessoal nas carreiras baseadas reclamação. MANUAL DO PREFEITO  | 175 União. movimentação de pessoas. é possível contestar As principais mudanças que se pode citar são as políticas perante o próprio STF. clara preocupação da área de indireta no Judiciário. se detectada violação aos referidos postulados sua atuação do controle para o desenvolvimento do deverá ela ser rechaçada. do Distrito Federal e dos como seu relacionamento e interdependência com as Municípios. com a edição da individuais. Nesse período. nepotismo corolário principalmente dos princípios dimensionamento de pessoal. que requer das competências necessárias ao pleno desempenho revisão das práticas e responsabilidades de RH. desenvolvimento e A súmula também veda o nepotismo cruzado. A fase estratégica. públicos e. alocação e remuneração. por oportuno. no âmbito da União. percebida no Brasil em meados da habilidades e atitudes – é a realização de mapeamento década de 1980.” de recursos humanos no planejamento estratégico das organizações públicas e privadas. Gestão por competências O primeiro passo para a definição do perfil de competências dos servidores – conhecimentos. viola a Constituição da mudança de paradigma em relação à participação Federal. configura nova orientação para a área que compreende a identificação e o detalhamento de recursos humanos nas organizações. dos Estados. consigna-se que. referida súmula vinculante. que impõe à gestão O indigitado verbete veda o nepotismo nos três de recursos humanos o desafio de atuação estratégica. que. Poderes. na prática. ficou evidenciado o início designações recíprocas. antes de tudo. compreendido o ajuste mediante demais áreas. mediante mapeamento. a estratégia organizacional. as quais exercido por agentes políticos. a admissão de parentes para os cargos em critérios de competência. Esse ainda que determinada situação concreta não se novo posicionamento marca a mudança de estratégia amolde perfeitamente ao teor da Súmula Vinculante da área de recursos humanos. capacitação e monitoração do desempenho. desejado e o comportamento atual dos servidores públicos. dos Estados e dos como área de consultoria interna que contribui para o Municípios. devem apoiar o aprimoramento das competências Destacamos. no Executivo e no Legislativo de recursos humanos em apoiar direta e indiretamente todos os níveis da Federação. de comissão e de função gratificada no diminuir a lacuna existente entre o comportamento serviço público. familiares um do outro como troca de favor. Ficam de Há também a necessidade de revisão dos principais fora do alcance da súmula os cargos de caráter político. Esses pontos de mudança mencionados da Administração Pública direta e mostram. devendo ser seguido por todos os órgãos alcance dos objetivos organizacionais. comprometimento organizacional. através do foco nos Além disso. processos e políticas de gestão de pessoas. proíbe a contratação de parentes de autoridades e de funcionários para cargos de A gestão de pessoas baseada em competências permite confiança.

foi editada a EC nº 47. a Emenda Constitucional nº 41 trouxe novas regras. servidores municipais A EC nº 47/05 gerou. portadores de deficiência. de 7 de vedou a adoção de requisitos e critérios diferenciados maio de 2015. requerida na regra de transição da EC nº 41/03. ainda. § 1º. seguindo o rastro do princípio da uma aposentadoria integral. uma nova regra de transição para as aposentadorias daqueles que tenham O art. benefícios previdenciários. Ela propicia aos Municípios. for portador de Previdência dos doença incapacitante. cujo teor Com a entrada em vigor da referida emenda. dezembro de 2003. quando o beneficiário. cuja normal. constitucional que se estabeleceu que a contribuição encartada pela EC nº 41/ 2003 sobre os proventos de Para dar efetividade à parte final da novel redação aposentadorias e pensões concedidas pelo regime ao citado dispositivo. com garantia de paridade autonomia municipal. compulsoriamente. Foi também por intermédio desta emenda lei complementar. especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade. Nos idos de 2005. desse limite de que trata o art. os sistemas públicos de previdência devem ser financiados mediante recursos compulsória de cada ente estatal e das contribuições do pessoal civil. vedada a utilização desses de idade o servidor público deveria ser aposentado recursos para outros fins. para assegurar o pagamento dos nº 9. com destaque para a contribuição sobre Aposentadoria proventos e pensões. Até o advento da EC nº 88/2015. 149. com proventos proporcionais ao risco ou cujas atividades sejam exercidas sob condições tempo de contribuição. ao completar 70 anos ativo e inativo. na forma de física. 40 da Constituição de Previdência. Também Por força das Emendas Constitucionais nº 3/93 e devem ser identificadas as ações de treinamento 20/98. a prerrogativa de instituírem plena. abre-se ao Município a . antes do servidor completar a idade considerada regimes próprios de previdência social. impossibilitando o pagamento para os cargos. Desse modo. que exerçam atividades de compulsoriamente. o inciso II do § 1º do art. aos 70 (setenta) anos de idade. a contribuição dos servidores para o custeio de e desenvolvimento necessárias ao exercício pleno aposentadoria e pensão deixou de ser facultativa para das competências identificadas como necessárias tornar-se obrigatória. permitindo que a organização possa dos benefícios previdenciários pelo regime de caixa. organização e funcionamento seguem as diretrizes traçadas pela própria Constituição Federal e pela Lei Nesse contexto. incidirá apenas sobre as parcelas que superem o dobro aplicável a todos os entes da federação. 201 da Constituição. de 27/11/98. e pensionistas.717. Em estabelecer o seu planejamento de forma eficaz. na forma da lei. aos 4 de dezembro de 2015 próprio que superem o limite máximo estabelecido foi editada a LC nº 152/2015 sobre a aposentadoria para os benefícios do regime geral de previdência social compulsória por idade com proventos proporcionais. originária da até então denominada “PEC para a concessão de aposentadoria no Regime Próprio da Bengala”.176 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL lacunas de desenvolvimento do pessoal. ressalvados os casos de servidores Federal vem estabelecer que a aposentadoria se dá. da Constituição Federal conferiu ingressado no serviço público até 16/12/98.

tal como a reforma anterior. não mais assegurada a paridade entre Os regimes próprios de previdência devem ter ativos e inativos. contribuição de inativos (art. a EC fictício de contribuição e restringe-se a acumulação nº 41/03 preservou a situação já desfrutada pelos de aposentadorias aos casos previstos na Constituição servidores aposentados e pensionistas. a concessão de benefícios. § 15) – previsão da instituição de regime de públicos nomeados para cargos efetivos. É vedada a contagem de tempo Cabe lembrar que. limitadas ao teto financeiro e atuarial. unicidade de regime e gestão (art. Nesse sentido. os militares previdência complementar. seu futuro. acrescidas de 70% do que exceder ao sem estudo de natureza atuarial para definição dos teto. por intermédio de entidades e seus respectivos dependentes. visando ao seu equilíbrio percebia o servidor ou o aposentado. e adotam-se os critérios conjugados de idade e tempo somente mediante sua prévia e expressa opção poderá de contribuição e o cumprimento de período de ser aplicado ao servidor que tiver ingressado no serviço carência de 10 (dez) anos de efetivo exercício no serviço público até a data da publicação do ato de instituição do público e 5 (cinco) anos no cargo efetivo em que se correspondente regime de previdência complementar. e previdência complementar dos regimes próprios de previdência os servidores (art. reuniam os requisitos proventos (art. § 8º) – o reajuste Nacional de Seguro Social – INSS. § 7º) – as sua organização baseada em normas gerais de pensões não correspondem mais à totalidade do que contabilidade e atuária. 202 e seus parágrafos. segurados obrigatórios complementar trazido pela EC nº 41/2003. excluindo-se os fechadas e de natureza pública. A implantação de sistema do regime geral. proventos e pensões dos servidores sofrem computadas tecnicamente. MANUAL DO PREFEITO  | 177 seguinte alternativa: institui regime de previdência não correspondem mais à totalidade da remuneração próprio de caráter contributivo ou se filia ao Regime do cargo. ocupantes exclusivamente de cargos em comissão e os Especificamente com relação ao regime de previdência contratados temporariamente. vale do Regime Geral de Previdência Social. a serem pagos pelos contribuição previdenciária sobre proventos e pensões segurados e pelos órgãos públicos. com base nos critérios da Cabe realçar as mudanças advindas da edição da legislação então vigentes. tal como os salientar que deverá o mesmo ser instituído por lei de empregados públicos. é imprescindível a adoção teto para os benefícios (art. dará a aposentadoria. 40. são destinatários entidade da Federação. 40. 40. § 20) concessão dos benefícios previdenciários das gerações – vedação da existência de mais de um regime próprio futuras. de previdência e de mais de uma unidade gestora por Segundo as regras constitucionais. dos benefícios previdenciários observará os parâmetros fixados em lei. . pensão reduzida (art. para os servidores que. observado o Para a concessão de aposentadorias voluntárias. os de critérios que garantam a constituição de reservas subsídios. 40. iniciativa do respectivo Poder Executivo. 37. Emenda Constitucional nº 41: fim da integralidade dos na data de sua publicação. assegurando para a acumulação de cargos públicos. § 3º) – os proventos de aposentadoria necessários à sua obtenção. XI) – a remuneração. pode comprometer que ultrapassem o limite máximo do regime geral. § 18) – incidência de percentuais de contribuição. capazes de assegurar a limitações. 40. serão calculados a partir das remunerações de Geral de Previdência Social administrado pelo Instituto contribuição. 40. disposto no art. fim da paridade (art. no que couber.

deu-se continuidade ao regime especial de transição. . devendo o Município legislar suplementarmente naquilo que for de sua competência.178 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Além disso. 2º da EC nº 41/03). Essas são as atuais diretrizes gerais relativas aos regimes próprios de previdência social e aos benefícios previdenciários dos servidores públicos e seus dependentes. para os servidores que ingressaram em cargo efetivo até a data de publicação da EC nº 41/03 e que não haviam completado os requisitos para a obtenção da aposentadoria (art. criado pela EC nº 20/98.

todos da Constituição da República. mar territorial ou zona exclusiva. no caso dos Municípios. constituindo. geração de energia elétrica e de outros recursos sobre os requisitos essenciais da responsabilidade minerais no respectivo território. advogada e assessora jurídica do IBAM. previsão continental. previdenciária e de ♦♦ tributos definidos na Constituição Federal. ♦♦ impostos. como conjunto de A principal fonte das receitas municipais é que se refere entradas de valores amoedados. 11 e petróleo ou gás natural. § 1º e estaduais. patrimônio da entidade governamental. e Marcus Alonso Ribeiro Neves. como conjunto de entradas de valores amoedados em caixa. quais sejam: existem reivindicações de terceiros. MANUAL DO PREFEITO  | 179 Capítulo 3 Gestão financeira* Receitas municipais ♦♦ exploração de certas atividades econômicas. contador e professor do IBAM e da UFRJ. ♦♦ compensação financeira pela exploração de Destaque-se o mandamento contido no art. Receita tributária ♦♦ estrito. neste caso. acréscimo de valor novo ao qualquer atividade municipal. onde busca captar os recursos financeiros sociedade. III. a serem cobradas em razão do exercício O Município brasileiro dispõe de várias fontes de do poder de polícia e pela prestação de serviços à receitas. advogado e consultor jurídico do IBAM. 145. qualquer que seja sua finalidade ou natureza jurídica. plataforma na gestão fiscal. A receita das entidades governamentais. 149-A. de recursos hídricos para respectivo parágrafo único da LC nº 101/2000 (LRF). 149. e efetiva arrecadação de todos os tributos de * Revisto e atualizado por Heraldo da Costa Reis. rigorosamente técnico. necessários à realização de seus serviços e obras: ♦♦ contribuições de melhoria. conforme ♦♦ participação no produto de receitas federais e disposto respectivamente nos arts. ♦♦ taxas. manutenção de iluminação pública. . objeto de discriminação constitucional. que não possuem vinculação com se. sobre os quais não aos tributos de sua competência. Patrícia Araújo Santos. ♦♦ amplo. ♦♦ próprio patrimônio municipal. deve ser estudada sob os seguintes ♦♦ relações jurídicas com terceiros (entidades enfoques: governamentais ou privadas). sobre os quais poderão existir reivindicações de terceiros (passivos). quais sejam a instituição.

o estabelecimento são estudadas com mais detalhes em outro item. Município a parcela que lhe pertencer. O Estado é obrigado a publicar mensalmente a As receitas de natureza tributária. abertas em razão do valor adicionado e um quarto de acordo com estabelecimentos oficiais de crédito. Há que se registrar. estabelecidos cento) dos 10% (dez por cento) da arrecadação do IPI na Constituição Federal ou em leis específicas. por sua vez. no respectiva nota fiscal. em toda compra produto da arrecadação de tributos de competência que realizar. ou seja. A . abertas também em Qualquer Natureza – IR e Imposto sobre Produtos estabelecimentos oficiais de crédito. Imposto sobre a Renda e Proventos de creditadas em contas especiais. exclusiva da União e do Estado. onde for licenciado o veículo sobre o qual incide o ♦♦ União – Imposto sobre a Propriedade Territorial tributo. Tais recursos mesmo adotado para o ICMS. da arrecadação do ♦♦ Estado – Imposto sobre Circulação de Mercadorias IPVA. 75% (setenta e cinco por exportações de produtos industrializados. incidente na fonte. pode acompanhar junto ao órgão estadual Transferências constitucionais responsável pela arrecadação o comportamento do ICMS em seu território. são tratadas aqui apenas as não tributárias. nas receitas de transferências a consciência cívica contra a sonegação do ICMS. de acordo com os o que dispuser lei estadual. Assim. a obrigatoriedade de o A distribuição desses recursos ao Município é feita por Estado transferir ao Município 25% (vinte e cinco por meio de normas e critérios próprios. de acordo com o que realização de transferências voluntárias para o ente dispuser a lei estadual. A cada 15 dias. fiscal e extrafiscal arrecadação do ICMS. suas autarquias e fundações. por oficial de crédito deposita na conta especial do isso. três quartos em são creditados em contas especiais. que não observe o disposto nesse dispositivo. na proporção do valor seguinte: adicionado nas operações relativas à circulação ♦♦ arrecadação do IR. As parcelas pertencentes ao Município serão Rural – ITR. rendimentos pagos a qualquer título pelo realizadas em seus territórios. ou equivalente. seguintes critérios: A participação do Município nos tributos federais é a ♦♦ no mínimo ¾ (três quartos). quais sejam: A Constituição estabelece ainda que. Esses recursos serão distribuídos mandamento da mesma Constituição. ainda. por que receber da União. Industrializados – IPI. da ao Estado proporcionalmente ao valor das respectivas arrecadação do ICMS. constitucionais o que ocorre é a participação do fazendo com que cada um exija sempre a extração da Município. O critério de cento) constituem receita do Estado e 25% (vinte e entrega desses recursos pelo Estado ao Município é o cinco por cento). Deve inclusive lançar ou Enquanto nas receitas tributárias o Município exerce apoiar campanhas que objetivem criar na população o poder de tributar. Município. O Município.180 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL competência do ente da federação e a proibição de ♦♦ no máximo ¼ (um quarto). 50% (cinquenta por cento) constituirão receita e Serviços – ICMS e Imposto sobre a Propriedade de do Estado e 50% (cinquenta por cento) do Município Veículos Automotores – IPVA. sobre de mercadorias e nas prestações de serviços. por determinação constitucional. receita do Município.

. da programação orçamentária e financeira. que a dos esforços federais e municipais em prol do receita do IR retido na fonte seja classificada. A liberação da arrecadação do ITR arrecadado pela União no parte que lhe cabe fica. § 4º. Os Estados. cinco por cento) na manutenção e no desenvolvimento Esta última é a transferência mais expressiva da União do ensino e 15% (quinze por cento) para o mesmo fim para o Município. funcionando o Banco do Brasil como agente repassador. o por categorias de Municípios. A cota parte da CIDE foi instituída pela Emenda Constitucional nº 42. inclusive. a título de cooperação. no entanto. 25% (vinte e cinco por cento) da quantia seja. Transferências voluntárias ♦♦ o Fundo é fiscalizado pelo Legislativo Municipal e O Município pode obter receitas de transferências pelo TCU. pelo desenvolvimento nacional. Atualmente os coeficientes são distribuídos a reter o tributo nas hipóteses que especifica. a União deve possui os seguintes aspectos fundamentais: entregar aos Estados o correspondente a 25% do valor ♦♦ a receita proveniente do FPM é contínua. segundo o número de Município deve incorporá-lo à sua receita. seja conhecida oficialmente a população total Complementar nº 101/2000. quando este optar por assumi-lo (ver garantias. tão habitantes. arrecadada. Município que a retém. arts. classificadas como correntes ou de capital. 153. O recebimento dos recursos do FPM independe da ♦♦ 50% (cinquenta por cento) do produto da aprovação de planos de aplicação. Esse Fundo De acordo com o que estabelece a CF. o Município é livre para utilizar os IPI. por cento) aos Municípios por meio do FPM. II). A Secretaria do ♦♦ o FPM é poderoso instrumento para a convergência Tesouro Nacional – STN estabelece. determinado. por sua vez. MANUAL DO PREFEITO  | 181 legislação desse imposto obriga a fonte pagadora do país. permitindo o planejamento racional deverão repassar. logo realize o desconto na fonte. inclusive as oriundas de prestação de arrecadador. a União distribui 22. de outra esfera da Federação. como receita tributária. a depender da Município. isto arrecadado com a Contribuição de Intervenção no é. voluntárias. observadas as exigências que. III e 158. Em relação a esse imposto.5% (vinte e dois vírgula cinco recursos transferidos pelo Estado e pela União. cumpre liquidação das dívidas do Governo local ou de seus lembrar que a Emenda Constitucional nº 42/03 órgãos da administração indireta para com a União ou permitiu que sua receita total seja do Município suas autarquias. reajustados sempre ao Sistema Único de Saúde. por meio de recenseamento demográfico constantes do art. ou território. que não decorra de pela aplicação de coeficientes variáveis de acordo determinação constitucional. parágrafos e incisos da Lei geral. Do produto da arrecadação do IR e do na área de saúde. 25. ♦♦ o Fundo tem suas cotas calculadas pelo Tribunal de Contas da União – TCU. legal ou os destinados com o número de habitantes. aos Municípios localizados em seu das despesas municipais e dos desembolsos. entra para os cofres municipais em prazo Domínio Econômico – CIDE. Ressalvada a obrigatoriedade de aplicar 25% (vinte e ♦♦ Fundo de Participação dos Municípios – FPM. ♦♦ a participação de cada Município é determinada auxílio ou assistência financeira. conforme estipulado pelo TCU.

aluguéis e arrendamentos de imóveis e pode utilizar são as transferências negociadas com outros. isto é. utensílios. Entre os bens imóveis. quando explorado portaltransparência. veículos.990 de 28/12/89.convenios.984/2000 e pela recreação e lazer. ou proximidade e de laudêmio. poderão produzir alguma receita. em títulos da Outra fonte de recursos financeiros que o Município dívida pública. A compensação financeira tem. foreiros. do ou aforamento. contam-se os chamados caráter indenizatório pela exploração de recursos próprios municipais. da exploração propriedade do Município. propiciam as receitas chamadas de foro petróleo produzido em seu território. fontes e recantos. de 13/03/90. ingresso ou bilhete de participação. propriedades imobiliárias naturais em seu território. museus. animais e aparelhos.br e www. A receita patrimonial pode Transferências negociadas provir de participação societária. entre outras. de recursos hídricos e de decorrente de aluguel ou arrendamento de prédios recursos minerais e a parcela de cada Município varia ou outras propriedades imobiliárias do Município na razão direta da área inundada de seu território. barco. por dependerão exclusivamente do que estiver serem bens móveis. todas classificadas sob a denominação Lei nº 12. a receita petróleo ou gás natural. Os recursos provêm da exploração do repartições públicas ou não.br). de aplicações do excesso de caixa no mercado financeiro. A compensação financeira está regulada. jardins botânicos. com observatórios. tratores etc.gov.087/2009.170/07 e sua legislação complementar O patrimônio público do Município é constituído de (para detalhes. na Lei nº parques florestais. adjacências e plataforma pertencentes ao Município. mediante convênios. podendo.001. até o Receitas características seriam as de zoológicos..gov. na Lei nº 8. Os terrenos de caso da geração de energia elétrica. e em decretos econômica geral de receitas patrimoniais cobráveis por regulamentadores. quer utilizados por continental. economicamente. para Compensação financeira atender a serviços particulares. cuja aplicação e classificação Máquinas. O Município poderá. quando o petróleo é extraído da independentemente dos impostos lançados pelo plataforma submarina. . das áreas de produção. momento em que este texto era escrito. alugar caminhão. bens móveis e imóveis. auditórios e áreas de as alterações trazidas pela Lei nº 9. por exemplo. 7. as transferências voluntárias Receita patrimonial sujeitam-se às regras específicas estabelecidas no Decreto nº 6. também consideradas patrimoniais. estabelecido como objeto conveniado. para o Município. cobrados dos seus respectivos enfiteutas ou território de instalações petrolíferas. e ainda da localização em seu Município. outras entidades governamentais ou privadas. arquivos.182 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL No âmbito da União. no também constitui receita patrimonial. sob o regime de enfiteuse de minerais dentro dos seus limites territoriais. acessar www. gerar receitas patrimoniais mobiliárias e imobiliárias. quando alugados ou arrendados. Assim.

outorgar-lhes As receitas industriais são valores de que o Município personalidade jurídica. portaria ou qualquer outro ato pela classificação das rendas. comércio ou outro capítulo deste Manual. monopolisticamente ou não. como amortização do desgaste das imobilizações ou à laticínios. calculados com base nos custos. que oscilará em função dos custos ou dos preços de a atualização monetária e a cobrança da dívida ativa – mercado. com autonomia administrativa pode usufruir quando agir de maneira semelhante e financeira. que dimensione. e contenham também percentagens destinadas à adubos. como eventuais serão classificados e econômico de produção para que os reajustes possam registrados os demais valores não especificados ser periodicamente realizados. agropastoris que porventura o Município tenha. mudas. os originários da extração mineral. obras e outros regulamentos municipais. é de todo recomendável autarquizá-los ou dar- Receita industrial lhes tratamento de empresa. tijolos. isto é. neste capítulo. mas não deve suportar déficits. ou. Tais formas de cobrança representam penalidades não tributárias. São exemplos típicos dessas receitas o transporte coletivo. conforme a atividade exercida. beneficiamento ou venda de produtos de madeira. É consentido o estabelecimento A receita agropecuária é aquela que provém das vendas de preços remuneratórios. matadouros. fiscalização.320/64. econômicas expressas através da Lei nº 4. é a privatização do indústria. gestão com instituições privadas. A busca de melhor produtividade não deve ser esquecida. mediante concessão ou permissão. as administrativas modalidade especial de remuneração porque não ou decorrentes dos códigos de licenciamento e dependem de lei prévia para autorizar cada revisão. O Prefeito poderá. cemitérios etc. apure ou aproprie convenientemente os custos. extração. luz. segundo as categorias administrativo todas as vezes que os custos se elevarem. melhor tratada em à das empresas privadas de produção. ou seja. . baixar decreto. Uma boa podem resultar em receitas de dividendos e/ou lucros. que recuperem os custos de produção vegetal. feiras. as atividades de empresa pública municipal. evitará perdas e dispêndios acima do que a sua capacidade Receita agropecuária pode suportar. isto é. mercados. Outra alternativa. Basta que haja lei geral de preços autorizando tributária e não tributária. Receita de serviços Outras receitas correntes Os preços ou tarifas cobrados pela prestação de serviços à comunidade constituem a receita de serviços Constituem as receitas em epígrafe as multas e outras do Município. ainda. sementes. o Prefeito a efetuar as alterações advindas do processo Finalmente. da produção animal e derivados. para permitir que o Município dedique-se a Os exemplos mais frequentes desse tipo de receita são serviços que lhe são originários ou próprios. estrutura contábil dessas atividades. ou aqueles em tratamento específico pois. manilhas etc. as quais se classificam neste grupo de receitas. MANUAL DO PREFEITO  | 183 As participações em sociedades de economia mista O Município não objetiva lucro através das receitas ou. ainda. oferecendo à coletividade bens e mercadorias serviço. de serviços. Quando esses serviços se tornarem complexos. em regime econômico a celebração de termo de parceria ou de contrato de de mercado. e de outras relacionadas com atividades expansão e à melhoria dos serviços.

ou ainda a execução de obras. lançamento. somente podem ser cobradas O Sistema Tributário Municipal deve estar em perfeita por serviços prestados pelo Município que forem consonância com a lei a que se refere o art. e suas alterações. legislação tributária. Por isso. sejam de cálculo e contribuintes. na LOM. embasado na CF. por sua vez. 145. juntamente com as demais fontes institucionais nacionais ou estrangeiros destinam-se a ações de receita. crédito.184 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Crédito as entidades federativas. dos seus representantes legais – agentes políticos constituem-se em utilização de capitais de terceiros integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo –. estejam em consonância com o ali disposto. Para a cobrança No CTN estão incluídos dispositivos que regulam da contribuição de melhoria. pelos interessados. mas. na sua moldura os recursos financeiros que o Município necessita para institucional. que compete ao Município instituir e arrecadar os mesmo porque a Constituição (art. fatos geradores. vedando-lhe diversas iniciativas que não econômica do contribuinte. através ARO (empréstimos por antecipação da receita). legislativa. O aspecto impositivo do CTM está diretamente vinculado à graduação do ônus tributário. na A emissão de títulos da dívida pública também possibilita doutrina e nos costumes locais. são classificadas explicita a natureza e o montante dos recursos de como dívida flutuante. obrigação tributária. independentemente do tempo.172. a prazo. atividade estatal específica relativa ao contribuinte –. Política tributária bem como de empréstimos para atendimento de O Código Tributário Municipal – CTM é o instrumento insuficiências de Tesouraria.146 da Carta utilizados. de recursos financeiros que o Município de tributos e de suas espécies. as limitações constitucionais ao poder de tributar e estabelecem normas gerais da Em realidade. o CTM deve ser o instrumento de execução. bases poderá utilizar para financiar os seus gastos. no inciso III do seu art. que instituiu o Código pela realização de atividade que configura o exercício Tributário Nacional – CTN. entre de obra pública. o crédito não é fonte de receita. individualmente. de 25/10/66. Sistema tributário municipal o Município deve dar ênfase especial aos impostos – obrigação pecuniária independente de qualquer A Constituição de 1988 dispõe. e no art. enfim. é exigida a realização conflitos de competência. geralmente. os impostos terão caráter rendas. enquanto para a contribuição de . Aquisições de bens e serviços. bem como aplicar suas que. prescrição e decadência. sejam de capital. sempre que possível. As taxas. financiar os gastos com as suas atividades. São classificados como dívida fundada legal editado com base nos princípios da boa técnica interna ou externa ou como dívida consolidada. correntes. ou Magna – Lei nº 5. 150 enumera limitações ao poder pessoal e serão graduados segundo a capacidade de tributar. especialmente sobre definição simplesmente. nas suas atividades que. 30. origem tributária que cada munícipe irá desembolsar Empréstimos ou financiamentos obtidos de bancos para. no CTN. § 1º) preceitua tributos de sua competência. específicas de longa maturação ou de prazo longo Sob o aspecto formal. regular do poder de polícia municipal. mais conhecidos como segundo o qual a população do Município. financiar a ação do Governo local. em matéria tributária.

basta ser editado um elenco de Cumprindo determinação constitucional. que cálculo do imposto é o valor venal do imóvel. propiciem os efeitos 37/02. Imposto sobre a transmissão que regulamenta os arts. o seu valor parcela do preço do serviço. O imposto de transmissão inter vivos incide sobre a De qualquer forma. As mínimas – 2% – foram fixadas a limitação alguma. o Governo local deve estar ciente de que ele localizados no território do Município. se não for levado em consideração o nível de renda dos contribuintes. caso em que o valor do IPTU progressivo no tempo assume caráter de de bens imóveis – ITBI penalidade. disponibilização dos respectivos serviços. A base de constituirá ônus intransferível (imposto direto). isto é. construção civil. sendo ♦♦ ser progressivo em razão do valor do imóvel. limpeza e transporte urbanos etc. denominada Estatuto da Cidade. MANUAL DO PREFEITO  | 185 custeio de iluminação pública é imprescindível a poderá provocar a prática conhecida como evasão fiscal. que também define as Constitucional nº 29/2000. O constitui sua base de cálculo. Mercadorias e Serviços). que. com o valor venal do imóvel que lhe dá origem. diversões públicas. bancos. de competência estadual. por disposição expressa da EC nº. o ♦♦ aplicar a extrafiscalidade se a propriedade urbana contribuinte de direito – empresa prestadora de serviço não cumprir sua função social. o incidindo sobre a prestação de serviços (setor terciário domínio útil ou a posse de bem imóvel situado na zona da economia). o qual hospitais. ISS incide sobre obrigações de fazer (serviços) contidas Dada a situação de fato decorrente da Emenda na Lei Complementar nº 116/03. 182 e 183 da CF. se não for bem dimensionado.257. 88 do ADCT. não sujeitas alíquotas máximas. valor venal do imóvel respectivo. principalmente através de empresas urbana do Município. à Lei nº 10. ao IPTU os seguintes tratamentos: Deve ser convenientemente explorado porque. ensino. a exemplo do ♦♦ ter alíquotas diferenciadas de acordo com a que ocorre com o ICMS (Imposto Sobre Circulação de localização e o uso do imóvel. O IPTU tem como fato gerador a propriedade. informática. quando aplicáveis sobre o pelo art. podendo . a Lei alíquotas – expressas sob a forma de percentuais –. exceto quanto aos serviços relacionados com a desejados. ou seja. ao estabelecer as regras sobre transmissão de bens imóveis ou direitos a eles relativos o IPTU. confere-lhe o status de imposto indireto. primeiras hipóteses. – transfere o seu ônus financeiro ao contribuinte de Para que a tributação do IPTU se enquadre nas duas fato – o usuário de serviço. de 10/07/01. segundo determinação expressa que exploram atividades ligadas a hotéis. os Municípios poderão dar diretrizes gerais do imposto municipal. consertos cujo montante deve estar diretamente relacionado e manutenção de veículos e de eletrodomésticos. isto é. Imposto predial e territorial urbano – IPTU Impostos sobre serviços – ISS O ISS é uma importante fonte de receitas do Município. no CTN. prescinde da subordinação à lei federal. Complementar nº 116/03 estabeleceu em 5% as fixadas pelo Código Tributário Municipal. enquanto a aplicação da terceira não construção civil. Trata-se de imposto de natureza patrimonial.

neste Manual. § 1º e art. ser suficiente para cobrir os custos com a prestação do aos Estados. suscetíveis de utilização. ou seja. os Estados e grande parte dos ato oneroso. Distrito Federal e Municípios é outorgada serviço ou com a ação para o exercício regular do poder competência para instituição de contribuição social de polícia. na forma das respectivas leis e.186 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL ser nomeado contribuinte tanto o vendedor. Contribuição de melhoria A Constituição de 1988 ofereceu facilidade nunca Renúncia fiscal dada à cobrança desse tributo. 195). 149. quanto o A despeito do entendimento acima. específicos. que estatal específica relativa ao contribuinte. o Ao tratar das contribuições sociais. vale dizer. deve subordinar-se a ordinário livre para regular sua instituição e cobrança. . a contribuição de comprador. Este é um dos motivos vivos. Contribuição para custeio da iluminação pública Taxas A Emenda Constitucional nº 39/02 ampliou a A taxa tem seu fato gerador vinculado a atividade competência municipal pela inserção do art. Município. que têm como fato gerador a substituir a Taxa de Iluminação Pública – tributo utilização dos serviços públicos prestados pelo reconhecidamente inconstitucional. duas outras formas de transmissão de propriedade de bens imóveis são tributadas pelo imposto sobre heranças e doações de competência estadual). porque dispõe apenas A concessão de qualquer forma de renúncia fiscal. três princípios em vigor desde a promulgação da atual embora a doutrina e a jurisprudência afirmem Constituição. Dessa forma. tributo vinculado. 149-A. As alíquotas são fixadas por lei municipal. ♦♦ remuneratórias. não alcançando também as doações (estas Municípios a abandonar esse tributo. no caso daqueles que a mantinham. caput) e as destinadas ao financiamento da O valor a ser cobrado a título de qualquer das taxas deve seguridade social (art. firme vontade política e mecanismos operacionais com elevado grau de dificuldade. separadamente. sobre a remuneração de seus servidores. para o custeio de seus sistemas previdenciários. autoriza os Municípios e o Distrito Federal a instituírem portanto. Federal subdividiu-as em duas categorias: as gerais (art. que têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia (ver. Contribuição previdenciária ♦♦ regulatórias. com tal providência. São eles: reiteradamente que somente poderá ser exigida se tiver havido valorização do imóvel beneficiado pela obra. As taxas que o Município a contribuição para o custeio do serviço de iluminação pode instituir pertencem a duas classes: pública. melhoria é espécie tributária cujo lançamento exige sem limitação.149. sendo. ♦♦ só poderá ser concedida mediante lei específica. deixando o legislador qualquer das esferas de Governo. entre da obra para cada imóvel. por que decorre de obras públicas. divisíveis e. não alcançando os direitos sucessórios e deve ser que levaram a União. a Constituição capítulo sobre poder de polícia). mormente a definição Importante mencionar que o imposto incide sobre a do quantum correspondente ao benefício resultante transmissão de propriedade inter vivos.

§ 6º). ao seguintes. como o e despesas. porque o valor do tributo.. majoração ou criação de tributo determinada pelo Poder Público. comparativamente com funções do Fisco. que essa premissa sequer seja considerada nos estudos de viabilidade que antecedem decisões como ♦♦ a lei de diretrizes orçamentárias deverá dispor essa. salvo natureza fiscal. quanto ao mérito. MANUAL DO PREFEITO  | 187 “que regule exclusivamente as matérias acima porque irá gozar de redução ou isenção do IPTU ou enumeradas ou o correspondente tributo ou ISS durante certo período de tempo. § 6º). alimentam os ♦♦ a renúncia foi considerada na estimativa de receita bons contribuintes de argumentos para postergar o da lei orçamentária e que não afetará as metas de pagamento de seus débitos tributários. ampliação que cumpriram suas obrigações tributárias na época da base de cálculo. 150. serviços decida instalar-se em determinado Município . é pequeno em relação aos demais custos. comercial ou prestadora de tributos elencados no Código Tributário Municipal. no moratórias atuam. É bem provável contribuição” (CF. que: maus contribuintes. § 2º). sobre as receitas do imposto entre seus custos operacionais. Daí decorre redução de recursos financeiros. segundo. está renúncia fiscal na programação dos investimentos e cumprida a determinação constitucional de instituir da prestação dos serviços públicos que poderão sofrer os tributos de competência do Município. como período que se inicia no exercício em que a renúncia golpe mortal nos esforços da máquina arrecadadora. tempo em que cometem tremenda injustiça com os proveniente da elevação das alíquotas. Administração tributária Ante essas restrições. e estabeleçam renúncia fiscal (CF. analisar as repercussões da concessão de Com a edição do Código Tributário Municipal. ao mesmo tempo. será necessário que fique demonstrado. a serem implementadas pelo órgão o benefício a ser concedido. as que se seguem: É difícil garantir. base de orçamentária (CF. para Por outro lado. somente beneficiam os pelo proponente. que se conceda ou amplie incentivo ou benefício de a dispensa de penalidades (anistia fiscal) etc. resultados fiscais previstas no anexo próprio da lei Conforme tem evidenciado a observação. art. ou contribuição. motivos de força maior. 165. art. for concedida e que cobre os dois exercícios na medida em que deseducam os contribuintes. ou de concessão de remissão e anistia de penalidades ♦♦ há previsão de medidas de compensação. executor da política tributária. é imprescindível. A outra – solução de continuidade ou perda de qualidade por arrecadar – incumbe ao Poder Executivo. A Lei Complementar nº 101/2000 determina que. causando prejuízo à a expressividade dos que consideram as principais comunidade que os demanda. em médio e longo prazos. que determinada ♦♦ constituir o crédito tributário correspondente aos empresa industrial. propostas de diretrizes orçamentárias. 165. a prorrogação de prazos de pagamento. cálculo do imposto de renda. deverá acompanhar o projeto de lei incluem como parcela dedutível do seu lucro. isento ou sobre as alterações na legislação tributária que reduzido. porque essas empresas não só diluem o valor ♦♦ a demonstração dos seus efeitos. por meio do aumento de receita. art. por exemplo. Primeiro.

buscando extirpar ou. ♦♦ servidores capacitados e motivados.). administração tributária a natureza de cada tributo. porque a constituição do crédito exige o conhecimento de pressupostos inerentes a cada espécie tributária O lançamento do IPTU. no caso garantir a existência contínua de: do IPTU. sob a forma de recursos financeiros. operacionais. técnicas e procedimentos específicos. com reflexos negativos na receita produzida. do imposto. Estrategicamente. além de contrariar os princípios de materializado. Outro exemplo diz respeito ao ISS. unidades funcionais especializadas para gerir as na estrutura administrativa do órgão incumbido da ações indispensáveis ao cumprimento das atribuições administração tributária. na capacitação dos gestores e respectivas. fiscalização etc. levam seus agentes nos cofres municipais. cuja execução exige metodologias. exige contínuo (fato gerador.188 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL ♦♦ envidar esforços para que o seu produto seja Tais performances. 37 da CF). seus documentos fiscais. visa-se inverter tendência histórica no país. matéria tributária. centrada (empresas) – obrigados ao lançamento por na imposição do ônus tributário divorciado da homologação – são forçados a antecipar o valor do realidade econômica e organizacional. ou não. a cometer infrações. homologá-lo ou não. cobrança. dos operadores e na reformulação dos procedimentos visando ao fortalecimento permanente do sistema São evidentes várias deficiências nos aspectos tributário municipal. intervenções na legislação tributária. esforço da Administração para verificar quais imóveis cálculo. e na ausência de indicadores do nível de sonegação do ISS. são imprescindíveis. na fatores suficientes para indicar a instituição de maioria das vezes. operacionais dos fiscos municipais. cujas consequências são responsáveis por diversas iniquidades na formação da Deve orientar o processo de reformulação da carga tributária e no tratamento dado aos contribuintes. atenuar. tarefas que se repetirão a cada ano. 11 da LRF. cujos contribuintes em médio prazo. circunstância estão sujeitos a ele. por exemplo. São poucas as municipalidades que podem garantir Sendo a atividade tributária permanente. A constituição do crédito tributário (art. sujeito passivo. o suprimento que tais tarefas são desenvolvidas a contento. 142 do CTN) destacado requisito essencial da responsabilidade na se dá mediante atividade administrativa legalmente gestão fiscal. nos termos do art. com montante financeiro suficiente para aliada a altos índices de inadimplência. toda uma cultura política. são imprescindíveis. calcular o montante institucionalização. denominada lançamento. calculado com base nos valores expressos em marginalização da atividade tributária. definir as características físicas e que indica estar no sistema tributário a fonte de sua jurídicas necessárias para avaliá-los. sem contar que prejudicam a efetiva arrecadação de todos os tributos municipais. além da imperiosa necessidade verificado que o montante declarado das transações de conscientização dos agentes políticos – Prefeito está correlacionado. permanente. identificar os contribuintes e promover a cobrança. ao menos. legalidade e eficiência (art. tecnológicos e operacional do prestador. . cabendo ao fisco a tarefa de. Para modificar esse status quo. recursos humanos. baseada na imposto. Para tanto. A prova desses recursos deverá igualmente ocorrer em caráter reside na própria regressividade da carga tributária. com o porte econômico e e Vereadores –.

MANUAL DO PREFEITO  | 189 ♦♦ recursos materiais e operacionais adequados. de cadastros e de informações fiscais. Os bens de uso especial. vale destacar importância recomenda sua transcrição. somente se tem tornado produzir renda (terreno ou prédio de propriedade possível e viável quando o Prefeito. terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma Patrimônio municipal integrada. A de propor sugestões para alterar ou modificar a ausência de qualquer um deles. que se destinam ao uso A prática indica que o nível da administração tributária. 37 da CF. Como se pode depreender. exibe resultados bem mais palpáveis. Um não floresce sem o outro. pois que um dos administrativos. como o prédio nos Municípios onde essas propostas têm sido da Prefeitura. que são de domínio responsáveis e não lhes nega os recursos humanos e público. destinam-se. ou seja. resulta política vigente e corrigir os desvios ou defeitos em Município despersonalizado. assim como os Todo o exposto somente será concretizado se bens dominicais. na faculdade que a Constituição Federal lhe outorgou de instituir e arrecadar seus tributos. assim como inserir mecanismos principais pressupostos da autonomia municipal reside de aperfeiçoamento. na sua maioria. ♦♦ bens de uso especial. não são utilizados para fins do do processo de aperfeiçoamento da administração serviço público. que. em rodoviária. do que naqueles onde o processo é conduzido de modo discricionário ou aleatório. institucionalizado o processo de administração ♦♦ práticas gerenciais que atestem a qualidade dos tributária. em contrapartida do Município cedido a terceiros). aos resultados positivos na área tributária. específico da Administração. ou de ambos. dos tributos. somente as decorrentes dos seus tributos são atividades essenciais ao funcionamento do susceptíveis de incremento por conta de suas ações. verbis: que. do Distrito Federal e dos Municípios.). A classificação dos bens públicos é fornecida pelo art. cuja tributação não é um fim em si mesmo. classificam-se em: da lei ou convênio”. a fim são interdependentes. os dois passos serviços e dos resultados da ação tributária. Reforça essas sugestões a contribuição da EC nº 42/03 para os fiscos de todas as esferas governamentais Embora se tenha procurado deixar evidente que a com a introdução do inciso XXII ao art. os prédios escolares. a tributária. dentre as fontes de receita que constituem os mais regulares fluxos de ingresso financeiro nos “XXII – as administrações tributárias da União. inclusive com o compartilhamento O patrimônio público é constituído de bens que. etc.). Estado. Devem. cofres dos Municípios (cotas-partes do FPM. de uso da coletividade (logradouros materiais requeridos. ♦♦ bens dominicais. públicos em geral etc. apoia seus ♦♦ bens de uso comum do povo. 99 Outras considerações do Código Civil. do ICMS dos Estados. embora pertencentes ao Também se tem observado que o desenvolvimento Poder Público. exercidas por servidores de carreiras específicas. constituem o patrimônio econômico for editado o Código Tributário Municipal e ou administrativo do Município. nesses moldes. ser . a estação implantadas. móveis e utensílios utilizados termos de justiça fiscal e de produtividade financeira no serviço público. portanto. terrenos. na forma segundo sua destinação.

1. acrescidas da modalidade administrativa da concessão por si só. O processo normal de compra é por meio causar a nulidade do ato alienatório. naturais notáveis e dos sítios arqueológicos. quando não onerosa. em capítulo próprio. a venda. o bem em questão As formas de alienação dos bens públicos são as tiver valor artístico. deve ser comuns no direito civil. Ela se dá quando patrimônio econômico ou administrativo do Município. arts. O tombamento não impõe. O Município deve proteger e cuidar das obras e dos locais de Passarão também ao domínio do Município os bens valor histórico e artístico. também. dos monumentos. em princípio. herança jacente e bens esse caso. a permuta e a investidura.666/93 para doação. A venda de bens móveis dependerá parte de particulares. evitando-se que o Poder Público Municipal seja e é analisada. A doação pode de avaliação prévia e de licitação na modalidade indicada ser gratuita ou onerosa.190 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL evidenciados no balanço patrimonial do Município e Em se tratando de doação com encargos (doação incorporados ao seu patrimônio. dispensa lei autorizativa. Venda – toda venda de bens públicos imóveis deve ser Existem seis formas de incorporação de um bem precedida de autorização legislativa e de concorrência. IX). indenização nem prévia desapropriação. móvel ou imóvel ao patrimônio público. das paisagens das pessoas consideradas ausentes. não se destinam a servir à Administração e a A dação em pagamento é a incorporação de um bem produzir renda. algum munícipe falece e não deixa herdeiros legítimos e o Município é chamado como sucessor do falecido. desapropriação. lesado por desídia ou má-fé. A administração patrimonial é um ramo especializado. na Lei nº 8. pois. restrição ou limitação de seu uso. a dação em tombado. aplicada em despesa de capital. A desapropriação é efetivar a venda do bem. ou seja. onerosa). A o patrimônio de domínio público. quer sejam de 39 do Código Civil. O objetivo é fazer com que a doação não Os bens de uso comum do povo constituem constitua ônus injustificável ao patrimônio público. de se de licitação. tal como a compra. Trata-se de determinação legal e de princípio de moralidade administrativa que A doação é uma transferência voluntária de bens. por deve ser observado. modalidade de licitação fixada pelo Lei nº 8. em princípio. a não ser que haja transferência de terras devolutas. Antes. vedada .844 do Código Civil. por conseguinte. propriedade particular ou não (Constituição Federal. ao Poder Público. A doação. A receita originária da alienação de está sujeita a alguns procedimentos formais que bens e direitos é classificada como de capital. caso de domínio. O não cumprimento desses requisitos poderá de ausentes. mas sim à coletividade. nos termos do art. dação em pagamento. extinguindo débito para com a Fazenda Pública. que trata de um conjunto de normas relacionado A incorporação por herança jacente é uma possibilidade ao controle e ao registro dos bens que constituem o prevista no art. isto é. e deverá devem ser obedecidos para sua efetivação. não sendo doação.666/93. III e IV e 30. Se. estudada mais adiante. demonstrados no balanço patrimonial. 23. é necessário que se proceda a sua uma das formas de intervenção na propriedade privada avaliação. ao patrimônio municipal: compra. ser. é indispensável lei específica que autorize o recebimento. praticada entre entidades estatais na seja o bem de propriedade particular. histórico da Municipalidade. ser inscrito e incorporado ao patrimônio pagamento. histórico ou de beleza natural. a doação. porém.

impenhorabilidade dos bens Dação em pagamento. 44 da Lei imprescritibilidade e Complementar nº 101/2000). Para que sejam alienados. em última análise. ou as é necessária lei desafetando-os. representada pela baixa do bem no órgão devem ser onerados. Se mencionados. A Constituição obra pública. de área remanescente ou resultante de eles não ocorre a prescrição aquisitiva. são quando se tratar de doação (permitida somente para também imprescritíveis. permuta e investidura públicos – essas modalidades de alienação de bens imóveis dependem de autorização legislativa e de avaliação Os bens públicos. quer dizer. Assim. . é vedada sua alienação enquanto jurídica a aceitação de duplicatas ou promissórias guardarem essa qualidade. qualquer ônus. daí porque tais bens não etapa final. por natureza. quaisquer que sejam. Não tem fundamento e eficácia de uso especial. é dispensada os bens públicos são inalienáveis. apenas isso: tais bens estão impossibilitados de observada a legislação pertinente. geral e próprio dos servidores públicos (art. 183. No caso de permuta. observados na alienação dos bens públicos envolvem Sendo impenhoráveis. se for o caso. fins de interesse social). venda de ações que Impenhoráveis são também os bens públicos. 100. o penhor ou a hipoteca constituída sobre bens mediante transcrição. por preço nunca inferior ao da Os bens públicos são imprescritíveis. emitidas pelo Prefeito. que a consagra no seu art. No caso de bens imóveis. MANUAL DO PREFEITO  | 191 sua aplicação no financiamento de despesa corrente. não serão adquiridos por usucapião urbano e rural (arts. A licitação. ou rendas públicas não oferece a efetiva garantia Quanto aos bens de uso comum do povo e aos bens pretendida pelo credor. Isto representaria. e 191. parágrafo único). dispensada a concorrência. são inalienáveis. A impenhorabilidade dos bens públicos Os procedimentos administrativos que devem ser decorre da Constituição. é a regra. § 3º. prévia. ou seja. impenhoráveis e imprescritíveis por natureza – esta a par da alienação mediante troca de um bem público. neste caso. no entanto. porquanto não serão executados. retirando procurações passadas pelo Prefeito a terceiros para deles essa qualidade e transformando-os em bens receber diretamente rendas municipais vinculadas dominicais. Não é. como garantia de dívida. os bens públicos não podem ser uma etapa inicial – a autorização legislativa – e uma objeto de execução direta. A inalienabilidade é a impossibilidade de há a incorporação do bem particular permutado ao transferência de propriedade do bem. Inalienabilidade. desde que a área se torne inaproveitável Federal dispõe expressamente que os bens públicos isoladamente. doação. absoluta. e não poderão ser negociadas em bolsa e venda de títulos. a contratos. há a desafetação. salvo se destinada por lei ao regime de previdência social. contra avaliação. haverá sempre a avaliação prévia para alienação por meio dos institutos já A imprescritibilidade resulta da inalienabilidade. patrimônio público. porém. de patrimônio e pela transferência de seu domínio. Entende-se por investidura a alienação aos proprietários de imóveis lindeiros. porquanto a lei pode autorizá-la e. permuta.

eficaz à garantia da dívida. seja por movimento próprio ou não. ou seja. basicamente controlar a existência e manter e conservar em perfeitas condições de funcionamento O tratamento dado à aquisição e à transferência do e utilização os bens móveis e imóveis. em relação à sua natureza. p. podendo servir como mero fratura ou dano. Há. Assim a distinção é juridicamente fundamentada. mutações patrimoniais deverão integrar o balanço são considerados móveis. O controle da existência. como é de controle deve registrar todos os detalhes que o caso dos direitos creditórios. podem ser transportadas. é repartido com o exercido pela Bens móveis são os que podem ser transportados de um contabilidade. o que é vedado. Considera imóvel. Bens imóveis. Esse tipo aqueles aos quais a lei atribui essa qualidade. Esta mantém controles sintéticos lugar para outro. animais e coisas transportáveis são bens móveis por natureza. são objeto da administração somente se constituem sobre imóveis (hipoteca. uma vez que as Os animais. os bens móveis por equiparação legal. documento comprobatório. O controle exercido pela administração patrimonial ainda. Quanto a bem imóvel é especial. o solo e utilização.). outros incidem apenas sobre móveis. podem As funções da administração ser móveis ou imóveis. compreendendo as árvores e os frutos escrituras dos imóveis e os registros do Cadastro pendentes. por acessão intelectual. Bens móveis e imóveis Os bens. solene e público. como a semente lançada art. os edifícios e as construções. por Imobiliário do Município suprem tal necessidade. não se faz com sua superfície. de modo que Promissórias e duplicatas não dão cobertura legal à se não possa retirá-los sem destruição. informe onde estão outro sem que sofram alteração de substância. Quanto aos bens imóveis. da existência de determinado bem. convém haver cadastro que não podem ser transportados de um lugar para que os identifique. é. caso do penhor. são os Em relação aos bens móveis. intencionalmente empregado em sua exploração industrial. patrimonial os bens imóveis classificados como de uso ex. o espaço e o subsolo.192 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL oneração do bem público. por natureza. direitos intelectuais e caracterizam e identificam o bem no órgão que possui ações que lhes correspondem. modificação. pois o ordenamento jurídico disciplina de maneira distinta as relações jurídicas que os envolvem. tudo quanto for incorporado das hipóteses legalmente previstas no inciso IV do permanentemente ao solo. As funções da administração patrimonial são em função de sua natureza – móvel ou imóvel. caracterize. A Nota de Empenho é o tudo quanto no imóvel o proprietário mantiver documento legal. 167 da Constituição e no § 4º do mesmo artigo. Assim. à exceção acessão física artificial. como é o especial e dominical. em relação à sua própria natureza. que patrimonial do Município ao final de cada exercício. Certos direitos esta última categoria. as coisas inanimadas. a responsabilidade de mantê-lo. Essa distinção é da maior patrimonial relevância. exercido pela administração patrimonial. são móveis. . ao contrário do contábil. execução direta (penhora). A localizados e aponte o responsável por sua guarda legislação civil considera imóvel. aformoseamento ou comodidade. Considera. seus acessórios e suas adjacências necessária a organização de cadastro especial. que podem locomover-se por si próprios. As naturais. à terra. analítico.

a limpeza urbana e outros. Estado e ♦♦ os bens móveis e imóveis pelo valor de aquisição ou Município –. sofrem desgastes pelo uso contínuo e pela ação do É de boa norma administrativa que se faça um inventário tempo ou se tornam obsoletos. a administração da entidade renda. educação. prioritárias pelo art. pelo preço médio essa omissão faz com que o Município ignore o que lhe ponderado das compras. Assim. Embora as propriedades imobiliárias pertencentes a esses entes estejam imunes da cobrança de impostos. quando em moeda governamental deve preparar-se para o futuro. como caminhões e ferramentas. Os Prefeitos reavaliação do ativo pertencente ao Poder Público. Nesses serviços são empregados vários vez por ano. tarifas. débitos e títulos de De uma forma ou de outra. feita a conversão. porém deverão sejam executados. pertence em termos de propriedade imobiliária. saúde. com a . enunciada no § 3º do parte de sua atenção às atividades de manutenção e art. não devem incidir apenas houver mudança de chefia. norma de que nenhum servidor poderá ser dispensado mas estender-se às demais. recebe pouca atenção dos Executivos Municipais. cultura etc. Antes de se adquirir bem móvel ou de se edificar em qualquer Depreciações imóvel. através dos quais são obtidas receitas classificadas como taxas pela O inventário dos bens patrimoniais é exigência da Lei nº prestação de serviços. 106 da Lei nº 4.. aqueles bens sujeitos a desgastes. a fim de que os balanços não apresentem equipamentos. pelo devem estar sensibilizados para tal. 106 da Lei nº 4. a serviço de áreas como a art. O inventário deve ser feito pelo menos uma pública. contribuições para iluminação 4.320/64 e se resume nos seguintes administração. Os bens públicos liberando as dotações necessárias para que os mesmos são impenhoráveis e imprescritíveis.320/64. A lei foi sábia em não impor a conservação de bens móveis e imóveis. 45 da LC nº 101/2000. obsolescências A avaliação dos bens patrimoniais está regulada no e outros fenômenos. entretanto. As despesas com a Existem serviços remunerados a cargo do Município. A reavaliação dos bens móveis e imóveis não é uma A administração patrimonial deve dedicar grande obrigação e sim uma faculdade. pelo custo de produção ou de construção. conservação do patrimônio público são consideradas como a iluminação pública. sem que ocorra verificação seu custo real de manutenção e funcionamento. devem ser procedimentos: depreciados. ♦♦ os bens de almoxarifado. exigindo a fato de esse procedimento não ter o mesmo significado elaboração de planos de manutenção e conservação e que tem para a atividade empresarial. Deve-se também adotar a sobre os bens alocados às atividades que geram receitas.320/64. na unidade administrativa ou de trabalho. MANUAL DO PREFEITO  | 193 Algumas Prefeituras cometem o equívoco de não estrangeira. criando vazios no espaço físico territorial. pertencentes ao Poder Público – União. que distorções da realidade. Essa é uma atividade que às vezes ser avaliados sempre que se pensar em aliená-los. a pedido ou não. à taxa de câmbio vigente na data do implantar no Cadastro Imobiliário os imóveis balanço. sempre que As depreciações. cujo sentido é de saber o da Prefeitura. ♦♦ valor nominal dos créditos. do material que está sob sua guarda. é necessário perguntar quanto custarão sua operação e sua manutenção. postos à disposição do cidadão usuário.

pois expedida para pagamento a posteriori de bens e serviços. a seguintes cautelas: Administração Pública necessita recorrer ao mercado ♦♦ demonstrar de forma inequívoca a necessidade e o para aquisição de bens e serviços e. 37. de pronto pagamento até a forma mais solene das ♦♦ demonstrar a vantagem do negócio que se pretende modalidades de licitação. A regra decorre do As exceções ao mandamento constitucional acima comando constante dos incisos I e II do art. inciso XXI. 167 da referido encontram-se na Lei Federal nº 8. processo administrativo é sempre obrigatória. ou até mesmo construção. XXI. seja para os valores constituintes desses fundos em mercado aquisição de merenda escolar. Responsabilidade Fiscal – LRF. que observância obrigatória pela administração direta e veda a assunção de obrigação com fornecedores indireta de todas as esferas de Governo. art. seja para contratação financeiro ou adquirem outros tipos de ativos de alta de serviços de limpeza ou de obra de engenharia. não se pode conceber contrato administrativo sem Em virtude do disposto no art. para tanto. ainda. com fundamento no art. devem ser adotadas. se vale interesse público na desejada contratação. por meio de exigências da Lei de Licitações. Ademais. como procedem as empresas privadas. para atender ao princípio constitucional . ressalvados os casos especificados na e o atendimento aos ditames da Lei de legislação infraconstitucional. no mínimo.666/93 Constituição. da ser condicionado ao interesse público. a validade da quando interessada em firmar contrato com terceiros. A exigência se aplica a qualquer O termo licitação designa o procedimento contratação que importe em dispêndio de recursos administrativo mediante o qual a Administração. § 2º de seu art. do contrato administrativo. 37. celebrar. XXVII da CF. públicas Qualquer que seja o procedimento adotado para a contratação. Os procedimentos disposições contidas na LRF. em especial aquelas adotados para a contratação são variados e vão desde relacionadas com a geração de despesa. tendo como base legal o inciso IV do – Lei de Licitações e Contratos Administrativos. as Para o regular desempenho de suas funções. a concorrência pública. Assim. se dar por meio de procedimento administrativo que se inicia com a requisição do objeto e encerra com a Licitações e contratações satisfação das obrigações assumidas pelas partes. à realização de prévia licitação para selecionar ♦♦ verificar a existência de previsão orçamentária interessados. a fim de obter os resultados planejados. que outorga competência privativa à também faz referência à exigência no inciso III do União para legislar sobre normas gerais. 7º. 22. todos da LRF. 15 e a informalidade que reveste as pequenas compras seguintes e. futura contratação depende não apenas das seleciona a proposta mais vantajosa.194 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL constituição de fundo de reposição desses bens. 37. art. mas também das competição entre os interessados. como regra toda contratação realizada qual a sua demonstração é fator condicionante pelo Poder Público encontra-se condicionada para a validade do ajuste. De fato. financeiros pelo Erário. a fim Cumpre registrar que a formalização por meio de de garantir novas aquisições. de art. A Lei nº 8. III e 42. combinado sem autorização orçamentária. razão pela Constituição. que aplicam toda e qualquer contratação pública.666/93 com o art. 37 da Lei Complementar nº 101/2000 – LRF. deve liquidez.

regedor de toda atividade valores igualmente tutelados pela ordem jurídica. art. de Por força do que estabelece o art. condições específicas. a adequação entre a escolha o processo de dispensa deve ser instruído com os administrativa e a necessidade a ser satisfeita. que o mesmo art. feitas em regime de a Administração. ou seja. seja por dispensa ou inexigibilidade Alerte-se. em face do pagamento são aquelas de valor não superior a 5% princípio da economicidade. ♦♦ razão da escolha do fornecedor ou executante. requisitos dos arts. do princípio da proporcionalidade. pequenas compras de pronto ♦♦ justificativa do preço.666/93 condiciona a eficácia dos atos de dispensa da licitação encontrava-se em confronto com outros . moralidade. de mercado. 26 da Lei nº 8. a devida prestação de contas do valor entidades da Administração Pública (inciso V do despendido pelo servidor.666/93. por fim. publicidade e eficiência também é se pode escolher um particular destituído das obrigatória em qualquer hipótese. seguintes elementos. 60 da Lei nº 8. passa-se à análise de presença dos pressupostos que autorizam a adoção procedimentos de que o Administrador pode se valer de procedimento simplificado de seleção.666/93 e dos contratante e de determinada proposta à luz princípios constitucionais da legalidade. eis que. não impessoalidade.666/93. Deve-se demonstrar. exigível Pública. alínea “a” da mesma lei. 23. é preciso sempre (cinco por cento) do limite estabelecido no art.666/93). dentre outras preços praticados no âmbito dos demais órgãos e formalidades. para satisfação do interesse público envolvido. o foi sob a justificativa de que o princípio 8. É de se destacar que em todos os casos estabelecidos ♦♦ documento de aprovação dos projetos de pesquisa na Lei nº 8. Tal providência também decorre de somente na hipótese de contratação emergencial. portanto. MANUAL DO PREFEITO  | 195 da eficiência. 15 da Lei nº 8. conforme o caso. 37 da Constituição. lembrando que a estrita o próprio fundamento da escolha de determinado observância dos ditames da Lei nº 8. art. condiciona a validade do contrato à forma escrita. 7º. é de como também por meio da verificação dos se esclarecer que devem ser observadas. necessárias e suficientes. 37 e no § 3º do art. ficar demonstrado que o preço é vantajoso para inciso II. compatível com os adiantamento. imperativo constitucional. no que se refere à verificação que se torna imprescindível em virtude de toda da condição de regularidade com o sistema da contratação direta pressupor o cumprimento dos seguridade social. ou seja. 195 da Constituição. 26 da Lei nº de licitação.666/93 onde a regra geral de licitar foi aos quais os bens serão alocados. 14 ou 17. Essa demonstração pode ser feita Embora esta seja a única hipótese em que a lei não tanto através de orçamentos colhidos na praça. devendo. conforme se observa na parte final do inciso XXI do art. no que couber: ♦♦ averiguar se o futuro contratado encontra-se ♦♦ caracterização da situação emergencial ou em condições de contratar com a Administração calamitosa que justifique a dispensa. administrativa por força do disposto no caput do tendo sido o primeiro subjugado por um desses. excepcionada. Nos termos que estabelece o parágrafo único do art. quanto para celebrar contratos. forma inequívoca. ser objeto de justificativa tanto a Feitas essas considerações.

se encontra em R$ 15.196 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL e inexigibilidade à sua publicação. 24 da Lei nº 8. do valor do objeto a ser contratado. que público poderia causar prejuízos relevantes ou o procedimento contenha estudos ou justificativas que comprometer a segurança de pessoas. cabendo ao órgão As hipóteses de dispensa de licitação encontram-se jurídico de controle da legalidade verificar.666/93 trata da econômica. devendo o ato de ou bens. tais como empresas públicas e sociedades contratação emergencial.666/93. razão da escolha do executante.00 (oito mil reais) para aquisição de bens e outros serviços que não sejam de engenharia. A seguir. espécie de dispensa que de economia mista. segundo entendimento de parte da doutrina ou sujeito à supervisão por engenheiro regularmente e do próprio Tribunal de Contas da União. para a Administração. ainda. o que deve ser devidamente justificado nos Dispensa de licitação autos pela autoridade superior. Neste caso.666/93. obras. único do art. justificativa e II do art. 8. 24 da Lei nº 8. serviços indiquem o imóvel. O dispositivo exige. o que é denominado licitação deserta. comentam-se as mais utilizadas a existência dos elementos exigidos pelo parágrafo pelo Município. superior quando a contratação não for produzida pela Poderá a Administração valer-se do permissivo. 24 que exige. o limite de dispensa em função deverá se dar nos estritos moldes daqueles exigidos de valor. 26 da Lei nº 8. especialmente o da razoabilidade. à luz dos arroladas taxativamente nos arts.666/93. . 24 da Lei de Licitações e Contratos ensejando um gasto para realizar a licitação superior autoriza a contratação direta quando não à própria vantagem direta aferível pela Administração acudirem interessados à licitação anterior e esta. que atendidos os pressupostos da não realização da licitação. 24 da Lei nº 8. à justificadamente. decidindo o legislador. que coloca em conflito os princípios da licitação e da economicidade.648/98. A demora no atendimento do reclame do Estatuto Licitatório. desde própria autoridade de mais alta hierarquia. de engenheiro considera como de execução privativa contudo. A dispensa de licitação para aquisição de bens produzidos ou serviços prestados por órgão ou É importante ressaltar que serviço de engenharia é entidade que integre a Administração Pública tem todo aquele que a lei regulamentadora da profissão previsão no inciso VIII do art.000. ou ainda provocar a paralisação ou prejudicar dispensa ser submetido à ratificação da autoridade a regularidade das atividades administrativas. por suas características (área útil. com a realização do certame. inclusive no que diz respeito às mil reais) para obras e serviços de engenharia e em condições de habilitação. alerte-se que a contratação Pela Lei nº 9. R$ 8. se justifica em razão da absoluta impossibilidade O permissivo referente à compra ou locação de de atender ao interesse público se adotado fosse o imóvel destinado ao atendimento das finalidades da procedimento licitatório.00 (quinze na licitação deserta.000. 17 e 24 da Lei nº princípios de direito.666/93 e se justifica em razão do preço. não se aplica às entidades exercentes de atividade O inciso IV do art. hoje. o dispositivo habilitado. não puder ser repetida sem prejuízo vista do interesse público. pela prevalência do segundo. com os prazos e formalidades Administração encontra abrigo no inciso X do art. a saber: caracterização da situação emergencial ou calamitosa que justifique a A dispensa pelo valor encontra previsão nos incisos I dispensa. O inciso V do art.

adequada à função para a qual são indicados.666/93. na hipótese de rescisão contratual. têm natureza meramente exemplificativa. de inquestionável reputação indicados para compor o colegiado tenham formação ético-profissional. Do total. seja. como sendo o mais adequado Inexigibilidade de licitação para satisfazer o interesse da Administração. licitatórios. dos membros da Comissão de Licitação. a estrita observância à A execução da licitação ordem de classificação da licitação que deu origem ao O primeiro passo a ser dado para que as licitações contrato.666/93. o Administrador não pode se valer desta espécie de dispensa. imóveis inacabados. sempre que houver inviabilidade de competição estará o administrador autorizado a contratar Alerte-se que na hipótese de aquisição de terrenos ou diretamente com base no caput do mencionado artigo. 51 da Lei nº 8. três membros. 25 da Lei nº hipótese de aquisição do bem. pão e outros gêneros perecíveis ser composta de. é caracterizada por sequência de atos preparatórios . contudo. Exige-se. se fosse de Contas da União. A norma determina. mantidas as mesmas condições oferecidas sejam processadas e julgadas regularmente é a escolha pelo licitante vencedor. eis que.666/93. ser demonstrado que o preço exigido é compatível As hipóteses de contratação direta por inexigibilidade com o valor de mercado. realizado o certame. consoante os incisos do art. Embora a Lei de Licitações expressamente não o exija. sem fins lucrativos. a Comissão de Licitação deve hortifrutigranjeiros. encontra previsão no inciso XII do art. De acordo com A dispensa de licitação para aquisição de o art. que se aplica tão somente a Isso decorre da inviabilidade de se instaurar competição prédios concluídos. ou recursos orçamentários para esse fim. qual seja: selecionar a proposta adequada ao art. que os servidores efetivos científico ou tecnológico. consequentemente. somente é autorizada no tempo pertencer ao quadro permanente do órgão ou entidade necessário para a realização dos respectivos processos responsável pela licitação. Deve. no mínimo. não se aplica às contratações extintas por decurso do prazo de vigência. ainda. é Quanto às suas fases. a sua imparcialidade. dedicadas a atividades da comissão. interna e externa. mediante prévia avaliação. ou seja. conforme vem decidindo o Tribunal para escolha do futuro contratado. Na de licitação.666/93 permite de licitação sejam servidores efetivos. MANUAL DO PREFEITO  | 197 arquitetura e localização). é imprescindível haver 8. de pesquisa. ainda. A fase interna correlacione com as atividades finalísticas da contratada. garantindo. 24 da Lei nº 8. ensino ou desenvolvimento institucional. porque incapaz de se A contratação de remanescente de obra ou serviço desenvolver de modo racional e. assim. pretende-se a contratação direta com entidades particulares resguardar a mais absoluta independência do membro nacionais. ainda. o procedimento pode ser indispensável demonstrar que o objeto do contrato se dividido em duas. este apresentar-se-ia como um ritual inútil e até mesmo ilógico. 24 da Lei nº dois terços devem ser devidamente qualificados e 8. 24 da Lei de Licitações e será cabível somente preenchimento da necessidade administrativa. Ao exigir que dois terços dos membros das comissões O inciso XIII do art. em consequência de rescisão contratual tem como incapaz de atender ao resultado a que toda licitação se fundamento o comando inserto no inciso XI do propõe.

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indispensáveis à realização da licitação. É de todo Licitação na modalidade
aconselhável que se mantenha um calendário anual
e se edite um regimento interno de licitações para tomada de preços
padronizar os procedimentos dessa fase. A tomada de preços também é modalidade de
Em linhas gerais, a sequência deve observar o seguinte: licitação adotada em função do valor. Só participam
(1) requisição do objeto; (2) estimativa do valor; (3) os fornecedores, prestadores de serviços ou executores
autorização da despesa – ato praticado pelo ordenador de obras inscritos no cadastro da Administração. A
de despesas; (4) elaboração do ato convocatório; (5) Lei nº 8.666/93, entretanto, autoriza a participação
análise jurídica do instrumento pela assessoria jurídica dos interessados não cadastrados que demonstrem
do órgão licitante; (6) publicação na imprensa oficial. atender às condições de cadastramento.
A fase externa tem início com a convocação dos
interessados e nela são praticados todos os atos
Licitação na modalidade
referentes ao exame e julgamento das condições concorrência
de habilitação e das propostas técnicas e de preço, A concorrência é a mais solene e ampla das
conforme o caso. A relação de documentos que devem modalidades de licitação. É utilizada na contratação
constar dos autos do processo encontra-se nos incisos de fornecimentos, serviços e obras de grande vulto. Na
do art. 38 do Estatuto Licitatório. concorrência, admite-se a participação de qualquer
Nessa fase são ainda praticados os seguintes atos licitante, observada a habilitação preliminar.
pela autoridade superior: (1) julgamento dos recursos
A concorrência deve ser utilizada na alienação de bens
interpostos contra decisão da Comissão de Licitação; (2)
imóveis, nas concessões de direito real de uso, nas
homologação do resultado da licitação; (3) adjudicação
permissões e concessões de serviços públicos e nas
do objeto ao licitante vencedor; (4) assinatura do
licitações internacionais, qualquer que seja o valor
contrato; (5) despacho de anulação ou de revogação da
do objeto. Nas duas primeiras hipóteses exige-se
licitação, quando for o caso. A resposta às impugnações
que o procedimento seja praticado com autorização
ao ato convocatório, em princípio, deve ser concedida
legislativa específica.
por quem o expediu. De qualquer sorte, pode o
regulamento interno de licitações atribuir tal tarefa a As permissões e concessões de serviços públicos
outra autoridade do órgão licitante. devem observar, ainda, os ditames das Leis nº 8.987/95,
9.074/95 e 11.079/2004.
Licitação na modalidade
Licitação na modalidade leilão
convite
Leilão é a modalidade de licitação entre quaisquer
Convite é uma espécie simples e sumária de licitação, interessados, adequada para a venda de bens móveis
adotada em função do valor do contrato (art. 23 da Lei inservíveis para a Administração ou de produtos
nº 8.666/93). Os licitantes podem ser escolhidos entre legalmente apreendidos ou penhorados, ou para
os inscritos em cadastro de fornecedores ou não. A a alienação de bens imóveis prevista no art. 19 do
exigência legal é a de que seja convocado por escrito Estatuto Licitatório, a quem oferecer o maior lance,
um mínimo de três interessados. igual ou superior ao valor da avaliação.

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O leilão realizado pela Administração segue os V para tratar do tema. O entendimento do IBAM é
mesmos fundamentos do leilão realizado entre no sentido de que as regras insertas nesses artigos
particulares, com a diferença de poder ser realizado aplicam-se independentemente de transcrição nos
por leiloeiro oficial ou por servidor designado para editais de licitação ou de previsão na legislação local,
tanto pela Administração (art. 53 da Lei nº 8.666/93). No na medida em que se trata de explicitação de direito já
mais, segue os procedimentos tradicionais previstos na consagrado pela Constituição e não está ao arbítrio do
legislação pertinente, comercial e processual. administrador e do edital assegurar ou não tais direitos
às micro e pequenas empresas.
Licitação na modalidade Nada obstante, é de se considerar que a realização
pregão de procedimentos licitatórios de que trata o seu art.
48 está condicionada à previsão e regulamentação
O pregão é a modalidade de licitação regulada pela pela legislação local, por imposição da própria Lei
Lei nº 10.520/02, aplicável na hipótese de aquisição de Complementar nº 123/2006.
bens e serviços comuns, qualquer que seja o valor.
O que caracteriza um objeto como comum é a Das licitações sustentáveis
padronização de sua configuração, que é viabilizada
Doutrina e jurisprudência têm inserido a questão
pela ausência de necessidade especial a ser atendida e
da sustentabilidade como valor a ser defendido e
pela experiência e tradição do mercado.
tutelado pelo ordenamento. E as contratações públicas
Dentre as inovações trazidas pelo pregão, podem- não ficam de fora de processo, tendo gradativamente
se citar: (1) a inversão das fases de habilitação e demonstrado maior importância para o tema. É o que
julgamento das propostas; (2) a possibilidade de se denomina de “licitação sustentável”.
ofertar lances verbais e sucessivos; (3) processamento
Embora não haja consenso na doutrina sobre os
e julgamento por pregoeiro especialmente designado
limites das medidas a serem adotadas, como exemplo
e não por comissão de licitação.
é possível recomendar a interpretação sistemática do
Do acesso das microempresas microssistema das normas de contratação pública,
aplicando-se à Lei de Licitações hermenêutica
e empresas de pequeno porte compatível as obras realizadas pelo Regime
aos mercados Diferenciado de Contratações – RDC instituído pela Lei
nº 12.462/11.
A Lei Complementar nº 123/2006, popularmente
Nesse sentido, é de se entender que quando a Lei de
conhecida como Lei Geral da Microempresa, contém
Licitações estabelece em seu art. 3º que a licitação
conjunto de regras destinadas a assegurar às
se destina a garantir a observância do princípio
microempresas e empresas de pequeno porte tratamento
constitucional da isonomia, a seleção da proposta
diferenciado e favorecido no âmbito dos Poderes da
mais vantajosa para a Administração e a promoção
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
do desenvolvimento nacional sustentável, essa leitura
Em sede de licitações e contratações públicas, a deve ser feita à luz do sentido dado pelo art. 4º, III do
referida lei reservou os arts. 42 a 49 de seu capítulo RDC de forma a considerar não só custos e benefícios,

200 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL

diretos e indiretos, de natureza econômica, mas art. 79, inc. I e incs. I a XII e XVII do art. 78); (3) ocupação
também aqueles de cunho social e ambiental, inclusive provisória de bens e serviços (art. 58, inc. V); (4) aplicação
os relativos à manutenção, ao desfazimento de bens e de sanções administrativas (art. 86 e seguintes); (5)
resíduos, ao índice de depreciação econômica e outros garantia contratual (art. 56); (6) retomada do objeto
fatores de igual relevância. (art. 80, inc. I); (7) retenção dos créditos decorrentes do
contrato (art. 80, inc. IV); (8) exceção de contrato não
Contratos administrativos cumprido em face ao art. 78, inc. XV.

Os contratos administrativos não se distinguem Como regra, a duração dos contratos administrativos
dos contratos comuns, a não ser pela presença da deve se limitar à vigência dos respectivos créditos
Administração Pública, a qual derroga normas de orçamentários. As exceções encontram previsão nos
direito privado. Em virtude disso, suas cláusulas e as incisos do art. 57 da Lei de Licitações e se referem aos
normas de direito público regem-no diretamente, projetos cujos produtos estejam contemplados no
aplicando-se-lhe, supletivamente, os princípios da Plano Plurianual; à prestação de serviços de natureza
teoria geral dos contratos e as disposições de direito continuada, limitada a sua duração a 60 meses; e ao
privado. aluguel de equipamentos e programas de informática,
cujo prazo máximo é de 48 meses.
A formalização dos contratos administrativos exige
a forma escrita. Devem ser redigidos com clareza Quando a Constituição e a Lei nº 8.666/93 mencionam
e precisão, expressando em suas cláusulas as as contratações administrativas, fazem referência a
condições que definam os direitos, as obrigações e as espécie de avença de natureza comutativa, em que
responsabilidades das partes, respeitados os termos da os interesses são contrapostos. Aqui, serão tratados
licitação que os precedeu. O art. 55 da Lei nº 8.666/93 outros acordos de que o Município pode se valer
contém rol das chamadas cláusulas essenciais, que para persecução de seus interesses, como os de
devem por isso ser incluídas nos contratos. natureza cooperativa, que se traduzem em meio de
aproveitamento conjunto e simultâneo de bens e
Em face da supremacia do interesse público sobre recursos humanos na consecução de um objetivo
o particular e da indisponibilidade do interesse comum.
público pela Administração, surgem nos contratos
administrativos as chamadas “cláusulas exorbitantes”, É de se observar, por sua pertinência, que, por força
que colocam a Administração em posição privilegiada do disposto no art. 116 da Lei de Licitações, os pactos
em relação ao particular para proteção do interesse da de natureza cooperativa sujeitam-se, no que couber,
coletividade. às disposições da referida lei, razão porque, em regra,
deveriam ser precedidos de procedimento licitatório.
Como exemplo, podem-se citar as prerrogativas
conferidas à Administração pela Lei nº 8.666/93: (1) É entendimento pacífico na doutrina, todavia, que
alteração unilateral dos contratos (art. 65, inc. I e §§ 1º e na maioria dos casos torna-se inviável a adoção do
2º); (2) rescisão unilateral, como forma excepcional de mencionado procedimento, uma vez que não se abre
extinção do contrato (art. 58, inc. II, combinado com o competição para a escolha de interesses convergentes.

MANUAL DO PREFEITO  | 201

Convênios humanos e financeiros, de que um só Município não
dispõe, para a realização de obras, serviços e atividades
O convênio é o instrumento jurídico adequado para de competência local, mas de interesse comum de toda
formalizar pactos com particulares ou com outras uma região.
pessoas jurídicas de direito público, em que ambos os
Segundo a Lei de Consórcios Públicos (Lei nº 11.107/05),
partícipes tenham interesses convergentes.
a União somente pode participar de consórcios em
No âmbito da União, a matéria encontra-se que também façam parte todos os Estados em cujos
regulamentada pelo Decreto nº 6.170/07 e pela territórios estejam situados os Municípios consorciados.
Portaria Interministerial nº 127/2008, e suas alterações. De igual forma, na hipótese de consórcio de Municípios
A grande inovação trazida pela nova regulamentação localizados em Estados-membros distintos, deverão os
é o gerenciamento dos pactos celebrados por meio de respectivos Estados figurar no pacto.
um portal mantido pelo Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão na rede mundial de computadores Quando o pacto envolver a disponibilização de bens
no endereço www.convenios.gov.br. públicos, cessão de servidores ou aporte de recursos
mediante a abertura de crédito especial, deve ser
Já a Lei nº 13.019/2014 dirige-se às organizações da precedido de autorização legislativa.
sociedade civil que colaborem com a Administração
Pública na promoção de serviços de interesse público, e Para mais informações a respeito desse assunto,
introduz o conceito de parcerias voluntárias. recomenda-se, mais uma vez, a leitura do capítulo
deste livro que trata das parcerias governamentais.
Essa lei tem trazido muitas dúvidas e interpretações
díspares, e a par das dificuldades enfrentadas, sua
vigência vem sendo prorrogada. Para os Municípios, só
Contabilidade
entrará em vigor em 1º de janeiro de 2017, nos termos A contabilidade é a ciência que estuda, analisa e
da Lei nº 13.204/15. Vem sendo, também, bastante avalia os efeitos de natureza financeira ou econômica,
alterada, em face das dúvidas dela decorrentes. resultantes dos atos de gestão, que se produzem
Sobre esse tema, leia também o capítulo sobre sobre o patrimônio de qualquer entidade jurídica,
parcerias governamentais. independentemente da natureza da sua atividade.
A contabilidade deve ser organizada no sentido de
Consórcios gerar informações úteis e confiáveis, que possam

administrativos auxiliar a administração de uma entidade, qualquer
que seja, a tomar decisões e, desta forma, contribuir
O consórcio administrativo, a exemplo dos convênios, para que os objetivos sejam alcançados.
também é adequado para formalizar pactos em que os
Nunca é demais afirmar que uma das matérias-primas
interesses sejam comuns. O que essencialmente difere
da Administração para a tomada de decisões, controle
esse instrumento do convênio é que no consórcio os
e avaliação de desempenho da organização e de suas
partícipes são entes públicos.
atividades nos aspectos econômico e financeiro é a
São usuais os consórcios que se realizam entre informação, com as características de utilidade e de
Municípios, com o objetivo de reunir esforços técnicos, confiabilidade, a ser gerada pela contabilidade, onde

nesse contexto. ambos demonstrações que são exigidas pela lei. sempre foram governamental. entretanto. o papel da contabilidade na administração pertencentes ou confiados à guarda ou à custódia de uma organização é o de fornecer as informações do Município. ajustes e forma que a Administração possa ser atendida nas suas outros. para os mencionados fins. A informação contábil deverá atender a dois tipos de resultantes ou não da execução do orçamento. do Município e de suas entidades de administração indireta. patrimonial e industrial. perante a Fazenda Pública. 70 e art. evidenciação. convênios. Alguns desses princípios foram incorporados pela A contabilidade é entendida hoje como processo legislação em vigor. Tribunal de Contas dos Municípios e demais entidades administrem valores de qualquer natureza. mantidos pelo Município. é necessário que a contabilidade seja planejada de tal resultantes de leis. orçamento. Esse processo gerador de informações deverá permitir ♦♦ dos recursos orçamentários vigentes consignados o levantamento. pretensões a tempo e a hora. a consolidação e a avaliação das contas aos vários programas governamentais. para controle e avaliação de e competência. inclusive para a elaboração das único do art. . usuários: o interno e o externo. financeira. o fornecimento de informações ♦♦ das operações de natureza financeira ou não. bem informação. de qualquer forma. ♦♦ dos direitos e obrigações de qualquer natureza. Para que isso seja realidade. 83 da Lei nº 4. por tradição e por ♦♦ da situação patrimonial da entidade estarem implícitos na técnica contábil. a fim de que se possa verificar se os resultados planejados estão se ♦♦ dos custos dos serviços de qualquer natureza concretizando. o (pessoas físicas e pessoas jurídicas de direito Tribunal de Contas do Estado ou da União. adotados pela Contabilidade Pública. sobre o desempenho de seus setores. obedecerá rigidamente como da situação dos que efetuem ou ordenem aos princípios que orientam os procedimentos gastos (ver art. ♦♦ dos bens e valores de qualquer natureza. A ela pertençam ou lhes tenham sido confiados. A contabilidade municipal tem por objetivo a ♦♦ da gestão dos fundos de qualquer natureza. 74 e incisos respectivos. contratos. da Constituição Federal). Desse modo. isto é. O usuário externo é ♦♦ da situação. parágrafo de contabilidade. Outros. ♦♦ da despesa empenhada à conta desses recursos e das respectivas disponibilidades orçamentárias. o Conselho ou privado e público) que.320/64. claras e precisas: resultantes ou independentes da execução do ♦♦ dos fatos ligados à administração orçamentária. como o registro desempenho: pelo valor original e a evidenciação. caixa gerador de informações. de todos o contribuinte ou o usuário do serviço municipal. Princípios contábeis ♦♦ das alterações da situação líquida patrimonial. tais como os de entidade. que a ou pessoas que transacionam com o Município.202 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL será encontrado o processo gerador de que necessita ♦♦ dos resultados obtidos pelas unidades de serviços.

caso existam tempo e a hora”. por necessidade da Administração. que indicará o No sentido de sedimentar e concretizar a aplicação dos volume de recursos movimentados. mas também a clareza. o procedimento de Cumpre destacar que essas demonstrações incluirão. nessa situação. desempenho. o qual se servirá receitas e despesas governamentais. portanto.320/64. Significa afirmar que o cumprimento ou de desvios detectados na execução de programas a concretização da evidenciação. elaborados “a públicas e sociedades de economia mista. confiabilidade e a utilidade –. Neste caso. o objetivo da legislação é o de proteger utilizados com respaldo nos princípios contábeis não apenas as características da informação – a amplamente aceitos. a evidenciação das transações nas elaboradas para o acompanhamento da execução demonstrações. de geração da informação não precisa considerar um lado. conforme segue: estando à frente a Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda e o Conselho Federal de ♦♦ as exigidas por lei. dentre os quais o da evidenciação O usuário interno é o próprio administrador da e o da competência integral para o reconhecimento das entidade ou o agente da organização. existe movimento entre técnicos outras para as suas decisões. das empresas chamados relatórios gerenciais. já estabelecidos também das demonstrações exigidas pela lei e de na Lei nº 4. utilizados para decisões corretivas no Município. de outro. com a consolidação das demonstrações. os princípios contábeis já mencionados. a ♦♦ as que. se dará ao longo de determinado período. princípios contábeis. de alguma ação. informações das entidades descentralizadas. são precisão e. São os autarquias e fundações e. o usuário externo e são fruto de procedimentos . MANUAL DO PREFEITO  | 203 Em realidade. controles e avaliações de de todas as esferas governamentais com esse objetivo. que se destinam a informar Contabilidade.

controla o inferior em todas ao interesse público. sempre mediante provocação. Assim. o ato torna-se ilegítimo. ♦♦ controle interno. os órgãos são autônomos e vinculados. que ocorre no âmbito de cada Poder. advogado e consultor do IBAM. pertinentes para cada ato e com a finalidade de atender O órgão superior. orientação e correção que um Poder. o que pode levar à anulação por iniciativa da própria Administração ou do Judiciário. Assim. ou seja. exercido pelo próprio Poder. Na administração indireta. para defesa desta e dos administrados. portanto. . respeito da legalidade do ato praticado pelos dois outros Poderes.204 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Capítulo 4 Controle da Administração* Introdução O controle hierárquico é pleno e ilimitado. entidade. nos termos da lei que criou a Há ainda o controle externo exercido pela população. órgão do Executivo e do Judiciário. a Poder. há desvio de finalidade. porém o recebe. 598) “é a faculdade controlado. Gonçalves. enquanto o controle da administração indireta é finalístico. outro órgão ou outra autoridade”. decorre da vinculação. No primeiro caso. Tipos de controle O controle varia segundo o Poder. no dizer de Hely Lopes Meirelles (Direito administrativo ♦♦ controle externo. p. especialmente quanto ao alcance dos objetivos Administração não são respeitados. subordinação hierárquica. O Executivo não exerce controle O controle na administração direta decorre da externo. de acordo com as normas segundo. ou autoridade impõe sobre a conduta funcional de outro exerce controle. realizado por órgão estranho ao brasileiro. ou seja. controle. § 3º da Constituição e da Lei * Revisto e atualizado por Marcos Flávio R. este. 1999. ou os princípios da lei. há subordinação. no legitimidade. por sua vez. 31. o Legislativo examina as contas de vigilância. Mesmo nos atos discricionários as atividades. ao passo que as entidades indiretas são há necessidade de atender à legitimidade. ou ainda quando estatutários ou legais. ou seja. nos A Administração Pública deve atuar sempre com limites da lei. nos termos do art. órgão ou autoridade O Estado de Direito fixa a competência dos órgãos e que o exerce e pode ser dividido em duas grandes agentes demarcando os tipos e formas de controle categorias: da atuação da Administração. Quando as controladas apenas nos aspectos determinados por normas legais são desatendidas. São Paulo: Malheiros. quando se fala de Administração Pública.

municipais. aprovação. Conselho de Contas. encargos para a Câmara Municipal quanto ao exercício A legalidade e o mérito são aspectos do controle. O controle exercido pela neste caso respeitados os direitos adquiridos. pode a Administração. orientação. estranhas ao Governo Municipal para aclarar situações coordenação. e solicitar. a cujo cargo está o exame dos analisa e autoriza o ato. de forma combinada. e aos seus principais auxiliares. concomitante ao ato ou exame das contas prestadas pelo Executivo. adiante. Os órgãos inferiores subordinam-se apuração. sobre seus órgãos e agentes. o depoimento de pessoas aos superiores. ou revogá- los. o implica interferência daquele Poder sobre o Executivo. Essa limitado pela lei e exercido externamente. com o objetivo de obter melhor conforme consagrado na Súmula 473 do Supremo resultado. mesmo. Câmara Municipal ♦♦ controle do Poder Judiciário: quando esse Poder A função fiscalizadora da Câmara Municipal diz é provocado por alguém em razão de supostos respeito ao acompanhamento regular e permanente atos ilegais ou lesivos ao direito individual ou dos atos da Administração. e estes exercem a supervisão. o ato. podem os ao patrimônio público. para verificar sua adequação às leis e. É também denominado Vereadores solicitar informações ao Chefe do Executivo controle da legalidade. convocar estes últimos ♦♦ controle hierárquico: decorre do escalonamento para esclarecer dúvidas ou relatar fatos que mereçam vertical. O Judiciário. momento corretivo (a posteriori). Tribunal Federal. deve ser provocado para controlar a interno. por motivo de conveniência ou oportunidade. Para isso. ocorrendo assim o chamado controle (Lei Complementar nº 101. O Executivo pode exercer o controle da legalidade por ofício ou por provocação recursal. e (ii) comprova-se a eficiência. a autoridade ou em que a Câmara recebe o auxílio do Tribunal ou do órgão encarregado do controle toma conhecimento. anular seus próprios atos. declarar sua nulidade ou A expedição da Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF dar-lhe eficácia. ♦♦ controle finalístico: decorre da norma legal. que ensejam dúvidas. no segundo. a efetivação se dá após orçamentária do Município. ao passo que o O exercício do controle pode ser discriminado como segue: Legislativo o faz nos casos previstos na CF. Como esse controle Os diferentes tipos de controle podem ser aplicados envolve legalidade e mérito. revisão e avocação das atividades. ♦♦ controle da Administração: trata-se de controle como já dito. conforme comentários resultado. fiscalização. exercido pela própria Administração legalidade de atos dos outros Poderes. No primeiro. MANUAL DO PREFEITO  | 205 de Responsabilidade Fiscal. todas inerentes A fiscalização comporta ainda o controle dos gastos à atividade de controle. a realização do ato documentos que refletem a situação financeira e é acompanhada. . Seu controle sobre a Administração quando: (i) verifica-se a conformação do ato frente encontra limites na própria Constituição da República e às normas legais. e no terceiro. a conveniência e a oportunidade do ato. quando eivados de vício que os tornem ilegais. para corrigir defeitos. forma de acompanhamento tem seu ponto crucial no O controle pode ser prévio. da fiscalização. com as normas orçamentárias. de 4/5/2000) trouxe novos ex post facto. é especialmente.

para examinar os casos antes mencionados. de informações da Administração sobre operações regulando a intervenção dos contribuintes e as que produziram efeitos sobre o fluxo de caixa e consequências que dela advierem. X e XI e 52. cujo não atendimento também o julgamento do Prefeito pelo Tribunal de Justiça. anualmente. . Ressalte-se que ♦♦ solicitação de informações àquelas autoridades o art. é. 49. infrações político-administrativas. art. com fundamento em se discorreu em outro capítulo deste trabalho. (CF. denominam de julgamento das contas municipais. no qual recomenda ao das que estejam contidas na CF. IX. 31 que as mérito e de legalidade. e outras. ♦♦ convocação de autoridades (Secretários Municipais A função julgadora decorre. O controle legislativo manifesta-se de duas formas: ♦♦ o controle político – que abrange aspectos de A Constituição prevê no § 3º de seu art. legislação pertinente. Completa- ♦♦ formação de Comissões de Inquérito para apurar se a função julgadora pelo que alguns doutrinadores determinados fatos (CF. para não ofender Legislativo a aprovação ou a rejeição das contas o princípio da separação dos Poderes. e é de natureza política. ante a importância sobre o patrimônio da entidade. se o fizesse. que permite sua inclusão na Lei Orgânica Especial de Inquérito para examinar assunto que Municipal: contenha indícios de irregularidade. não pode prever outras formas de controle além chamado parecer prévio. ♦♦ o controle financeiro – que se exerce pelo exame A Lei Orgânica Municipal deve discriminar o assunto. de acordo com o que prescreve a interesse público. 29. do Prefeito Municipal. conforme exposto que têm no controle dos gastos públicos por parte da no item seguinte. nos termos constitucionais. como é o caso da O órgão de contas é responsável pela emissão do LRF. 50. em aplicáveis ao Município por força da chamada simetria determinadas ocasiões. contas permanecerão durante 60 dias. pois aprecia as decisões administrativas. isto inconstitucionalidade. para muitos autores. V. pela constituição de Comissão de formas. III. excetuando-se dessa regra a competência da Câmara art. § 3º). art. 58. sobre o qual apresentadas pelo Prefeito. consistindo no julgamento administração indireta) para prestar informações. São exemplos do controle político previstos na CF e A função fiscalizadora também se manifesta. X. por analogia). se dois terços que a CF não previu. votarem de forma diferente da recomendada pelo Tribunal ou pelo Conselho de Contas. Nem premissas técnicas. expressamente prevê acima elencadas. principalmente. § 2º). estaria cometendo dos membros da Câmara decidirem em contrário.206 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL A legislação infraconstitucional. I e V. da Constituição. A formação e as atividades da Comissão de Inquérito se dão de ♦♦ apreciação pelo Legislativo dos atos do Executivo conformidade com o que dispõem a Lei Orgânica e. inclusive à disposição de qualquer contribuinte para que as sob o aspecto da discricionariedade – esta relativa examine e aprecie. podendo inclusive questionar- à oportunidade e à conveniência do ato frente ao lhes a legitimidade. 50). arts. provoca a pena por crime de responsabilidade (CF. sociedade. como dirigentes das entidades de da função fiscalizadora. quando do cometimento de sob pena de crime de responsabilidade (CF. o Regimento Interno do Legislativo. Esse parecer prévio somente deixa mesmo a Constituição Estadual pode admitir aquilo de prevalecer.

forma se submetem ao controle. podendo também estar vinculada a danos ao meio ♦♦ controle interno. à ordem urbanística e a outros interesses organizadas a partir de normas gerais e específicas difusos e coletivos. se dá pela utilização de ♦♦ sistema de controle interno. controle interno de cada um dos Poderes. peça segurança. e dizem respeito ♦♦ sistema de controle integrado. ao patrimônio histórico-cultural. conforme previsto no art. a integração dos relatórios e demonstrações Esta última permite que qualquer cidadão tenha preparados por ambos os Poderes. cabe responsabilidade aos dois Poderes pelo do controle da Administração consiste na Lei nº 12. que podem integrado na busca de fim comum e que devem ser ser iniciadas pelo cidadão. aplicação de subvenções Essa lei contém normas a respeito da obrigatoriedade e renúncia de receitas. 5o. ao meio ambiente e se a que se refere à gestão orçamentária e financeira. MANUAL DO PREFEITO  | 207 Controle da gestão financeira Outras formas de controle O controle. como função da Administração. acordo com a CF. 216 da Constituição Federal. de informação. ou de direitos de cidadania. LXX e LXXIII. conjunto de atividades ambiente. a iniciativa de procurar obter a invalidação de atos Dentre as atividades governamentais sujeitas ao ou contratos ilegais e lesivos ao patrimônio público. Estados. Distrito Federal e Municípios. . incisos LXIX. 37 e no administração direta e indireta. De de 18/11/2011.527. conjunto de elementos medidas de proteção do patrimônio público. quanto à legalidade. 5º. Instrumento importante que contribui para o exercício Assim. está Outro exemplo de controle externo ocorre por presente em todas as suas atividades. pela Administração. que devem estar estabelecidas em lei municipal. O mandado de cujo ponto central é o orçamento do Município. entretanto. em decorrência ordem exclusivamente financeira. no inciso II do § 3º do art. financeira e orçamentária da inciso XXXIII do art. organizados e mantidos no âmbito de cada Poder. com a função de controle externo. é instrumento pelo elaborada com o objetivo de operacionalizar as receitas qual a pessoa física ou jurídica faz valer seus direitos e despesas nele autorizadas. pela União. que possam ser lesados ou governamental executa outras atividades. O controle social. economicidade. a entidade individuais ou coletivos. com o auxílio do Tribunal de Contas respectivo. as quais da mesma de prática ilegal ou abuso de poder. legitimidade. a partir da ao mandado de segurança individual. de vários dados. inclusive das mais variadas naturezas que atuam de modo ambiental. individual ou coletivo. ao mandado de unicidade do patrimônio governamental. Paralelamente. da qual se destaca a o fim de garantir o acesso a informações previsto no fiscalização contábil. zelo da integridade do patrimônio municipal. à moralidade administrativa. da CF. conhecida como Lei da Transparência. geralmente utilizando conceitos relativos ao controle: a ação civil pública. destaca. por fim. destinada a sanar irregularidades. reflete segurança coletivo e à ação popular. cabe ao Legislativo que dispõe sobre os procedimentos a serem observados exercer. A CF informa os iniciativa do Ministério Público. o qual. § 2º do art. também de ameaçados de lesão pela autoridade.

toma a iniciativa de relatar ao órgão no Congresso Nacional. conforme o teor do pedido. é a Lei nº 13. pela guarda ou O mandado de injunção coletivo deve ser proposto pelo custódia de bens e valores pertencentes ou confiados Ministério Público. inclusive. governamentais. Conceitualmente. toma sancionada em 30 de junho. e combate à sonegação. previstos gerencie ou administre dinheiro. De acordo com a Constituição Federal. os fatos ocorridos em relação à sua gestão. Estados. assuma obrigações de natureza pecuniária. em são de responsabilidade da pessoa jurídica à qual a realidade cabe-lhe a responsabilidade pelo preparo e empresa está vinculada. pela Defensoria Pública. e visando ao controle recuperação de créditos nas instâncias administrativa dessas entidades. conforme determina a legislação. também recente. ou. responda. bem como as demais medidas para Esse diploma contém vasto número de normas incrementar as receitas tributárias e de restringir as a serem seguidas pelas organizações antes despesas. já que foi A prestação de contas. por partido político representado à fazenda pública. em nome desta. não cumprimento. mais uma forma de controle da Administração. em face de dispositivo legal. que outro sentido ao evidenciar o desempenho da gestão dispõe sobre o estatuto jurídico da empresa pública. pois os que se sentirem prejudicados O tema prestação de contas está diretamente pela falta de norma regulamentadora de algum direito relacionado ao controle na Administração Pública. mandados de injunção individual e coletivo. quando as receitas não atingem as metas relacionadas. arrecade. adotadas no âmbito da fiscalização das receitas aplicando-se. Registre-se que algumas obrigações Embora não seja o objetivo da contabilidade. prevendo inclusive punições pelo seu previstas. . que utilize. e judicial. identificar possíveis A prestação de contas irregularidades.303. 13.300. à União. privado ou de direito público. a prestação a fim de suprir a falta que resulta em prejuízo para o de contas é o ato pelo qual uma pessoa de direito cidadão ou para a pessoa jurídica. conforme dispõe a LRF. como informa seu texto. o que significa dizer que o encaminhamento da prestação de contas das entidades Poder Executivo tem também que adotar medidas. A prestação de contas é a finalização do processo de à soberania e à cidadania poderão peticionar controle interno constituindo-se em material para judicialmente para que sejam adotadas providências o controle externo.208 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL que podem ser conhecidos por todos e que permitem verificar situações e. guarde. ou o agente responsável pelos negócios da entidade. às ações de cobrança ou Distrito Federal e Municípios. por organização sindical ou ou à pessoa competente. ainda. É. em certo sentido. orçamentária e financeira em relação às providências da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias. Outra lei importante. e de prerrogativas relacionadas à nacionalidade. bens e valores na Constituição e até então dependentes desse públicos ou pelos quais a entidade governamental tratamento. que disciplina o processo e o julgamento dos pública ou privada. fica obrigada Em 23 de junho do corrente ano foi sancionada a Lei nº a prestar contas qualquer pessoa física ou jurídica. ou que.

entre outros pontos a serem ♦♦ aos agentes da administração. pelas autoridades responsáveis pela administração deverá haver prestação de contas. financeira e pelo controle interno. pelos titulares dos Poderes e órgãos e assinado. MANUAL DO PREFEITO  | 209 O planejamento contábil. pelo relatório de gestão fiscal. A Secretaria do Tesouro Nacional tem editado manuais pelos quais ♦♦ em outros períodos – sempre que a autoridade orienta a elaboração das prestações de contas. ♦♦ anuais – as que se realizam ao encerramento do que deve ser emitido ao final de cada quadrimestre. inclusive os importantes para conferir transparência a seus atos. passando a integrar orçamentários) exigidas pela Lei nº 4. que os chefes dos gestão podem apresentar outros relatórios gerenciais. Isto se relatório resumido da execução orçamentária. acordo com a LRF. no prazo determinado na Lei Orgânica Municipal. pelo Chefe do Poder Executivo e Prefeito. a prestação de contas pode relatar fatos das contas de Governo e das contas de entidade. a remessa ao Tribunal de Contas respectivo. destacará a prestação de contas do Município e do ♦♦ aos Poderes de Estado. 54 e 55 da LRF. relacionados: Caberá ao Prefeito. constituem o conteúdo Deste modo. as contas de A LRF dispõe no seu art. de onde surge o conceito de contas da entidade. com informações julgadas direta e indireta que integram o Município. Além desse relatório. as prestações de contas poderão ser: As contas de gestão são apresentadas. de onde surge o conceito agente responsável pela gestão de bens pertencentes das contas de entidade.320/64 e o aquela que é elaborada pelo Chefe do Executivo. de onde surge o abordados quando da organização da contabilidade. do relatório de prestação de contas do Município. 52 da LRF. exercício financeiro. gestores de fundos especiais. Conselho de Contas. fará mediante consolidação. Quanto ao tempo. ainda. para sua elaboração e encaminhamento ao Tribunal de Contas ou ao ♦♦ às entidades governamentais (entes da federação). ou confiados à fazenda pública. 56. estabelecido pelo art. conceito das contas de gestão. de acordo com os arts. ainda. no ♦♦ por fim de gestão – na transmissão de cargo de caso da Prefeitura. Poderes e de todos os demais órgãos da administração próprios de cada gestor. Governador ou de outra autoridade. . referente ao exercício anterior. deverão preparar as suas As demonstrações contábeis (balanços e anexos respectivas prestações de contas. de responsável julgue necessário.

A Administração Pública e em sua inserção nos tempos aquisição de software pronto pode ser conveniente modernos. com o objetivo de reunir.210 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Capítulo 5 Tecnologia da informação e comunicação* Introdução O uso das Tecnologias da Informação e Comunicação pelos gestores públicos nos processos administrativos As Tecnologias da Informação e Comunicação – TICs permite transparência e beneficia toda a sociedade. dependendo de sua abrangência e que parece não ter fim e. as tecnologias complexidade. nesse cenário. para algumas situações. de internet com fóruns. Muitas das tecnologias conhecimento. termos de inovação. pode envolver investimentos e prazos cumprem papel fundamental na modernização da significativos. público brasileiro Deve-se considerar que o desenvolvimento de sistemas A Era da Informação é caracterizada por transição e aplicativos. que nada nos processos de informação e comunicação e podem mais é do que o uso das TICs aliadas ao conhecimento ser entendidas como conjunto de recursos tecnológicos nos processos internos de governo. É correspondem a todas as tecnologias que interferem o surgimento do Governo Eletrônico – e-gov. mas convém ressaltar que * Revisto e atualizado por Leonardo Mello. distribuir As diferentes ferramentas usadas podem ser portais e compartilhar informações. forçando a procura de novas formas envolvidas e suas implementações são as mesmas ou para aplicações tradicionais. cientista político e assessor técnico do IBAM. criatividade. aplicativos De alguns anos para cá o uso da internet por todos para telefonia móvel e telefones de serviço (call center). . integrados entre si. além de pessoal especializado. enquanto que outras A tecnologia no setor são específicas ou únicas em relação às necessidades governamentais. bancos de dados. produtividade e públicas ou do terceiro setor. os segmentos da sociedade está fazendo com que Essas ferramentas também podem ser usadas entre inúmeras áreas sofram mudanças radicais em governos e entre governo e organizações privadas. similares àquelas correspondentes ao setor privado do comércio eletrônico (e-business).

não basta espalhar O Governo local tem a responsabilidade de assumir microcomputadores conectados à internet para livre seu papel na valorização da cidade na rede. embora esta já seja ação básica e atrair investimentos. novo modelo de gestão. virtuais O mapeamento de informações para construção da cidade virtual pode variar bastante. e deve mercado capazes de dar suporte à introdução desse responder a questões variadas. Podem ser usados. convertidos para meio digital e. denúncias de irregularidades e sugestões. os governos devem estar equipados cidadão e capacitados para fornecer informações e serviços. é exemplo que vem local. em todos os casos. dependendo Se as formas de interação estão se modificando dos recursos das Prefeituras. que oferecem consultas à população sobre assuntos de interesse vários serviços no mesmo local. números. Existem problemas de linguagem. deve A inclusão digital deve ser objeto de ação de políticas ser o suporte para a construção da identidade local. convertidos para meio digital. que instiga profundas mudanças que têm afetado positivamente à participação. Para reduzir a exclusão digital. Da mesma forma. integrar base de dados a mapas digitais. ainda há os governos devem saber tirar proveito disso. desenvolvimento social e que precisam ser tratadas. acontecerá a festa ou o congresso? Não se trata apenas de divulgar a cidade na grande rede. à manifestação e ao posicionamento. não ter acesso a estas é forma exemplo. por com o uso das TICs. democratizar a informação e ampliar e melhorar os A TIC e o atendimento ao serviços prestados por órgãos públicos. mas de fortalecer Inclusão digital e cidades os laços entre o lugar e seus habitantes. prestar serviços à população ou positiva. por exemplo. MANUAL DO PREFEITO  | 211 soluções padronizadas nem sempre atenderão às há infraestrutura adequada? Onde há área disponível? particularidades de determinado processo de trabalho. Entretanto. não um longo caminho a ser percorrido para atender somente mostrando eficiência e transparência. pressupõe a identificação de tecnologias existentes no textos e mapas. mas às demandas dos cidadãos com maior agilidade e também tomando a iniciativa do diálogo político na menores custos. sistemas de informações geográficas para de acentuar as diferenças sociais e econômicas. textos e mapas. rede. seja para acesso ao público. onde instalar uma fábrica? Onde matricular um aluno? A implantação dessas Centrais pode ser gradativa. a relação com os munícipes. números. e A cidade virtual é um complexo de imagens. abrindo espaços para A criação de Centrais de Atendimento. sendo adotado com êxito por várias Prefeituras. como. operação para educar suas crianças e jovens. Onde vacinar a criança ou o idoso? Onde hospedar? começando pelos serviços que já são apoiados por Onde sacar dinheiro? Onde adquirir um imóvel? Onde . públicas que busquem reduzir as desigualdades sociais. criando fóruns de debates. Onde construir edifícios com mais de cinco pavimentos? além de inibirem a inovação dos métodos e práticas Onde realizar compras de artesanato popular? Onde administrativas. A cidade virtual é e informação que remetem às ações de educação e de um complexo de imagens. A prestação de serviços públicos vem sofrendo Como a internet é um espaço interativo.

voltando-se para a qualidade de analistas As TICs permitem que os Municípios deem saltos a chance de alcançar melhores resultados para a vida na qualidade da administração. o mais evidente a qualificação dos recursos humanos e seu envolvimento Indicadores: com a maior sistematização dos dados das na implementação das soluções desde seu começo até Prefeituras. emissão de alvará de localização humanos. acuidade e rapidez. certidão negativa de débitos de IPTU ou ISS. protagonista emissão de segunda via de IPTU ou ISS. alteração cidadãos. gera enorme oportunidade orquestrados e que a tecnologia adotada permita para a adequada e eficiente alocação dos recursos a inclusão. em praticamente todos os Municípios. qualidade de sujeito de seu próprio futuro. recursos que a sociedade contribuirá para ter bens e desde que os processos da organização estejam bem serviços. de módulos que integrem humanos segundo as áreas de atuação do governo informações de outras áreas. qualidade da oferta de bens e serviços públicos aos cidadãos segundo a localização de sua residência. no futuro. as de compartimentação dos dados e integração a iniciativas de informatização sempre começaram pela sistemas de espacialização da informação para o área de finanças públicas. das informações superando o antigo paradigma . de débitos fiscais. Adicionalmente. entre outros. são exemplos de com base em cenários mais sólidos. diminuindo a procura por trabalhos repetitivos. sua confrontação com planos de diferentes de tecnologia nos serviços e informações prestados áreas e previsão do impacto específico nas diferentes por essa área e. alteração Servidores públicos: melhor alocação dos recursos de uso do imóvel. sua integração em sistemas que permitem a oferta ao usuário final. com cálculo serviços que podem ser oferecidos pelas Centrais de mais realista do impacto do mesmo sobre a saúde Atendimento. permitindo uma excelente disponíveis nas diferentes secretarias. derrubando velhos mitos e lugares-comuns de dados cadastrais de empresas e prestadores de e com isso permitindo que cada um se reconheça na serviços. conhecimento da realidade local pelos próprios Alteração de dados cadastrais de imóveis.212 |  IBAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL sistemas informatizados. Planejamento: maior capacidade do poder público apontando as transformações nos próprios públicos produzir sínteses com os conjuntos de informações disponíveis a cada região. os embriões para a instalação das Centrais de Transparência: difusão de informações para melhor Atendimento. Na maioria das Prefeituras. mas esta depende dos munícipes. reconhecimento da sociedade com o máximo de Dessa forma. parcelamento e responsável por aquilo que acontece ao seu redor. que é o munícipe. também de outros fatores. geográfica. O resultado é a produção de dos mais variados portes. combinação pista sobre a qualidade de vida das pessoas. construção de planos de cargos e carreiras e funcionamento. podem ser considerados áreas de atuação do Município. por isso. em particular a tributária. mais carentes. observa-se razoável aporte cenários. pode-se acompanhar a quantidade e a indica-se as que a seguir são comentadas. financeira do Município e portanto da necessidade de A oferta de serviços pode ser ampliada aos poucos. Dentre as a combinação das informações e sua localização várias oportunidades que a adoção das TICs oferece. certidão de habite-se.

onde técnica. que ao longo dos anos o jogo político. administração ou mesmo que os recursos de Tecnologia da Informação e independentes. da dinâmica da internet. e onde o conhecimento científico é A esfera pública municipal pode se configurar como apenas mais uma argumentação na elaboração das ponto de partida importante para o desenvolvimento propostas e ações. tampouco entendê- Para imprimir qualidade na prestação de serviços la apenas como ferramenta de apoio à tributação ou à população. todos passam a se beneficiar. pois se o momento é de constituindo universo extremamente fragmentado e transição. buscando multidisciplinaridade nas pública. diversas áreas. A mesma dinâmica que não permite conclusão ou parecer definitivo sobre o tema – apenas a certeza de seguir adiante. ligadas às unidades de Vive-se momento de grandes transformações em planejamento estratégico. convém evitar que o grupo Comunicação tornam viável a construção de novo de trabalho reúna apenas profissionais de Tecnologia modelo de participação da sociedade na gestão da Informação. não se deve relegar a Tecnologia da Informação e Comunicação a segundo plano. feito o mais rápido possível. sofreu processo de informatização desordenado como qualquer outra política pública. trazendo a percepção ao cidadão de que seu envolvimento realmente pode Seja qual for a alternativa adotada na Prefeitura. E isto deve ser para atender às necessidades setoriais específicas. fazer diferença. em com enorme quantidade de informações que não são função do constante desenvolvimento tecnológico e compartilhadas. deve-se trazê-la para organizações públicas. experiência e intuição se complementam. conferindo-lhe visibilidade e espaço. Pelo contrário. . podendo não ser o fator decisivo na de cultura participativa e de transparência em que tomada de decisão. é necessário mudar a cultura das administração. MANUAL DO PREFEITO  | 213 Considerações finais Algumas Prefeituras vêm optando pela criação de núcleos ou células de TI. Nesse caso. tal transição tende a ser permanente.

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