PRINCÍPIOS BÁSICOS DE VENTILAÇÃO MECÂNICA

(Baseado nos consensos e diretrizes brasileiras de VM)

Karla Monique Andolfato
Camille Caleffi
José Mohamud Vilagra

Os ventiladores mecânicos atuais se baseiam na aplicação de pressão
positiva que gera um gradiente entre a abertura das vias aéreas e dos alvéolos,
resultando em um fluxo positivo entregue do ventilador para o paciente.
Os principais objetivos da VM são:
- Manutenção das trocas gasosas;
- Alívio do trabalho da musculatura respiratória;
- Reversão/prevenção da fadiga da musculatura respiratória;
- Diminuição do consumo de oxigênio;
- Aplicação de terapêuticas e procedimentos específicos.

Ciclo Ventilatório
O ciclo ventilatório é composto por cinco etapas:
 Disparo: É a transição da fase expiratória para a inspiratória. Ocorre pela
abertura da válvula de fluxo e fechamento da válvula de exalação.
 Fase inspiratória: Fornecimento do fluxo inspiratório pelo ventilador ao
paciente, pressurizando o sistema respiratório.
 Ciclagem: É a transição da fase inspiratória para a expiratória. Ocorre,
então, fechamento da válvula de fluxo e abertura da de exalação.
 Fase expiratória: A pressão positiva no sistema respiratório será
equilibrada com a atmosférica (ou com a pressão expiratória final ajustada
– PEEP), com a exalação progressiva do volume corrente previamente
recebido.

Ventilação controlada a pressão X volume
Quando se ventila por VOLUME, este é constante e a pressão é variável, e
quando opta-se por ventilar a PRESSÃO ela se mantêm constante enquanto o
volume varia, sendo que cada forma tem suas vantagens e desvantagens. A
escolha irá depender da avaliação do paciente e da sua resposta.
As crianças geralmente são ventiladas a pressão pelo fato desse modo
evitar a fuga excessiva de ar que ocorre pela ausência do cuff na via aérea
artificial.

Modos Ventilatórios
 Controlado: Utilizado em pacientes apnéicos por alguma condição clínica
como anestesia, uso de drogas sedativas ou agentes paralíticos. Nesse
modo, todos os ciclos são fornecidos pelo ventilador eliminando o trabalho
respiratório e proporcionando o completo controle sobre a ventilação.
Quando utilizado por longo período causa fraqueza muscular e atrofia.
 Assistido-controlado: É uma modalidade de ventilação na qual os ciclos
mandatórios são fornecidos a uma FR, pressão (ou volume), fluxo e tempo
pré-estabelecidos, porém o paciente pode desencadear uma resposta

Outros parâmetros que podem ser programados são: a pressão controlada (quando o paciente estiver ventilado à pressão. Essa pressão é iniciada depois que o ventilador “sente” a deflexão e finalizada quando o fluxo inspiratório atinge valor crítico (25% do fluxo inspiratório). ao mesmo tempo em que previne a atrofia e evita fadiga muscular por sobrecarga de trabalho. Após iniciado a VM. Pode ser associado com pressão de suporte. recomenda-se iniciar em 3. Em resumo. que deve ser ajustada até que se alcançe o volume corrente esperado). portanto. correções de pH e PCO2 se corrigem com freqüência respiratória e volume corrente. entre as respirações desencadeadas pelo aparelho. a pressão de suporte (refere-se a uma pressão dada para “ajudar” o paciente. Essa modalidade oferece treinamento gradual aos músculos inspiratórios. que deve ser o mais fisiológica possível conforme as necessidades do paciente). inicia-se em 15 e se ajusta conforme a necessidade do paciente). porém inicialmente deve ser mantida de 12 a 20 rpm para pacientes estáveis.0). que um nível seguro mínimo de ventilação seja atingido.  Pressão expiratória final positiva (PEEP): é uma pressão positiva que impede o colabamento dos pulmões e possui valor fisiológico de 5 cmH20.  Fração inspirada de oxigênio (FiO2): deve ser a suficiente para manter a SPO2 >90%. e não o peso real). com os mesmos parâmetros pré-estabelecidos. o fluxo inspiratório e a sua curva (de preferência usar onda quadrada e manter o fluxo entre 40 e 60). para os ajustes ventilatórios é necessária a análise da gasometria diária do paciente. e correções de PaO2 se corrige primeiramente com FiO2 e se necessário. Esse modo garante.  Pressão de Suporte: Ajuda a ventilação espontânea iniciada pelo paciente por meio de uma pressão inspiratória pré-determinada e constante. troca do filtro conforme prazo de validade . com PEEP. Alguns cuidados devem ser tomados para evitar complicações com pacientes em VM: monitorização diária. Não usar volume corrente em excesso devido risco de volumotrauma. Estar atento para a toxicidade do oxigênio quando usado em excesso e com pacientes DPOC. Parâmetros Ventilatórios Básicos  Volume corrente (VT): O volume corrente deve ser ajustado de 6 a 8 ml/kg conforme peso ideal (peso previsto para o paciente.  Ventilação Mandatória Intermitente Sincronizada-SIMV: Nesse modo os pacientes respiram espontaneamente entre respirações obrigatórias da máquina.  Frequência Respiratória (FR): irá depender do modo ventilatório que o paciente se encontra. a sensibilidade (pode ser a fluxo ou pressão. a relação inspiração:expiração (I:E. Cuidar com PEEP alta devido repercussão hemodinâmica. determina o esforço necessário que o paciente realize para disparar o ciclo ventilatório.

evitar troca e manipulação do circuito. realizar adequada higiene oral e brônquica e dar preferência para posicionamento com cabeceira elevada. evitar desconexão do paciente.estabelecido. . usar sistema de aspiração fechado quando necessário.

TI de 1:2 e manter demais parâmetros da ventilação a volume . Coletar gasometria e ajustar VC conforme peso predito. circuito e filtro) Escolher entre ventilar a VOLUME ou PRESSÃO (preferencialmente optar por volume – VCV. Avaliar SPO2 e necessidade de aumentar Fio2. Quando optado por ventilar a pressão: Iniciar com P controlada de 15 e observar o VC realizado para ajuste (6 a 8 ml/kg). Fio2 60%. p/a criança usar pressão) Escolher o modo ventilatório: A/C para paciente sedado Parâmetros iniciais VC 400 ml. FR 16. ADMITINDO UM PACIENTE/ Iniciando a ventilação mecânica Montagem do ventilador (válvulas. PEEP 5 Monitorar o paciente e observar curvas de ventilação.

regulando a pressão entre 3.MONTAGEM DO VENTILADOR MECÂNICO 1 – Conectar as válvulas de saída de oxigênio e ar comprimido do ventilador ao manômetro de pressão verde e amarelo da parede. .4 2 – Montar o circuito (kit de traqueia para respirador encontrado na CME) (ramo inspiratório e expiratório. Programar o ventilador e testar com uma luva. PASSO A PASSO . Y e sensor) 3 – Conectar o sensor na pressão proximal e os ramos do circuito na lateral do ventilador 4 . copo coletor. Conectar um filtro HME entre a via aérea artificial do paciente e o circuito de ventilação.Ligar o ventilador na tomada e iniciar o aparelho (botão atrás do ventilador).