RELATÓRIO DO CASO

O caso que nós vamos apresentar hoje é sobre o pedido de habeas
corpus em favor de Gerald Thomas, acusado de praticar ato obsceno, tipificado
no art. 233 do Código Penal, que torna a conduta de praticar ato obsceno em
lugar público, ou aberto ou exposto ao público, um crime.

No caso, narra a denúncia que:
“No dia 17 de agosto de 2003, por volta das 02:00 horas, no interior do
Teatro Municipal do Rio de Janeiro, localizado na Avenida Rio Branco, nº 199,
Centro, nesta comarca, o denunciado, diretor da ópera ‘Tristão e Isolda’, cuja
apresentação ocorria no sobredito local, com vontade livre e consciente, após o
término do espetáculo, ao ouvir vaias manifestadas por parte do público, praticou
ato obsceno consistente em simular uma masturbação.
Ato contínuo, ainda fora do contexto teatral, o imputado virou de costas
para a plateia, abaixou as calças até a altura dos joelhos, arriou sua cueca e
mostrou as nádegas para os espectadores presentes.
Assim agindo, o denunciado, livre e conscientemente, praticou atos
obscenos em lugar aberto ao público, qual seja, o Teatro Municipal do Rio de
Janeiro, estando, portanto, incurso nas sanções previstas no artigo 233, do
Código Penal”.

Foi relator originário o Ministro Carlos Velloso, relator para o acórdão o
Ministro Gilmar Mendes, o paciente Gerald Thomas Sievers, o impetrante Paulo
Freitas Ribeiro e o coator a Turma Recursal do Rio de Janeiro.

Mesmo que durante a apresentação da peça tenha havido atos parecidos. com protesto de muitos. Atipicidade da conduta descrita no relatório. algo fora do contexto teatral. porque ele não estava buscando excitar intencionalmente a plateia. uma vez que o conceito de pudor público deve ser interpretado com o parâmetro das circunstâncias em que a conduta foi praticada.FUNDAMENTAÇÃO DO CASO O delito do ato obsceno se tipifica quando o agente deliberadamente ofende o pudor público com expressões corpóreas de cunho sexual. A relatividade do princípio de liberdade individual. O que se espera dos responsáveis pelo serviço é o profissionalismo necessário para o enfrentamento dos resultados dos serviços que oferecem. Mesmo que atualmente a nudez humana não venha sendo considerada ofensiva ao pudor público nos veículos de comunicação. c. O direito dos consumidores de aplaudir ou vaiar o espetáculo de acordo com os sentimentos provocados pelo mesmo. mas reagir de maneira injuriosa às vaias da mesma. a intenção consciente de infringir aquele bem jurídico. Ausência de conotação sexual na atitude do paciente. tendo como bem jurídico a ser protegido a moral pública. Argumentos contrários ao habeas corpus. a moral pública. c. Com que intensidade a nudez humana pode ser classificada como ato obsceno nos dias atuais e a partir de que intensidade podemos tipificar uma conduta como ato obsceno. notadamente em matéria de costumes. trancamento da ação penal: a. já que este deve sofrer as restrições impostas pela comunidade. b. devemos ter em conta o local e as circunstâncias em que a conduta foi . Argumentos favoráveis ao habeas corpus. Para ser configurado desta maneira deve-se levar em conta a presença do elemento subjetivo que é o dolo. uma vez que as pessoas presentes no Teatro Municipal do Rio de Janeiro estavam consumindo um serviço pelo qual pagaram. o pudor público. O que o paciente fez foi se desnudar grosseiramente diante da plateia. trancamento da ação penal: a. estes fazem parte do serviço proposto. b.

que se sabe obsceno. grosseiramente. Não é necessário haver a intenção de ofender o pudor público para que haja configuração do crime. (Relativo ao ponto favorável c) . O delito não exige dolo específico. diante da plateia. e a consciência da publicidade do lugar em que se dá a ocorrência. (Relativo ao ponto favorável a e b) d. praticada – interior de um teatro. às 2:00h -. basta a vontade de praticar o ato. O paciente se desnudou. com protesto de muitos.

. que diz: “Nos habeas corpus e recursos em matéria criminal. §3. enquanto foram contrários o Ministro Gilmar Mendes e o Ministro Celso de Mello. prevalecerá a decisão mais favorável ao paciente ou réu”. exceto o recurso extraordinário. Fica em consequência. Houve. com o imediato trancamento da ação penal. portanto. havendo empate. empate. extinto o processo penal de conhecimento.DESCISÃO DO CASO Foram favoráveis ao indeferimento do pedido o Ministro Carlos Vellos e a Ministra Ellen Gracie. e em virtude disto a turma deferiu o pedido de habeas corpus com base no que está presente dentro do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal (RISTF) no Art. 150.